Universitários conservador e socialista debatem direita e esquerda na Folha

 

Na bipolaridade política em que o Brasil se divide desde 2014, com acirramento em 2018, é possível o diálogo civilizado entre direita e esquerda? Após 21 anos de ditadura militar (1964/1985), para que a nossa democracia jovem de 36 anos sobreviva, é necessário que sim. Ainda mais jovens, os universitários Eraldo Duarte, que cursa Ciências Sociais na UFF-Campos, e Gilberto Gomes, estudante de Administração Pública na Uenf e secretário de Comunicação do PT de Campos, provaram que é possível. Se, ao criarem a democracia cinco séculos antes de Cristo, os gregos antigos expunham suas posições e mediavam suas diferenças na ágora, esta teve como palco na manhã de ontem o Folha no Ar, da Folha FM 98,3. No programa da rádio mais ouvida da região, o socialista Gilberto e o conservador Eraldo falaram de Lula e Bolsonaro, de Forças Armadas e perigo de golpe, de pandemia da Covid-19 e sua politização ao custo da vida de centenas de milhares de brasileiros. Em nome da democracia, o bolsonarista e o lulopetista falaram até da possibilidade de convergência. Como grande poeta da música, a despeito das suas posições políticas, Chico Buarque saudaria: “Evoé, jovens à vista”!

 

Socialista Gilberto Gomes e conservador Eraldo Duarte (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Entrevista de Lula a Reinaldo Azevedo

Eraldo Duarte – Vou ter que confessar que não assisti à entrevista, só fiquei sabendo ontem à noite. O Lula é um (pré-)candidato, já foi presidente, é um presidenciável de peso. O encontro dele com um jornalista que já foi muito crítico ao PT, escreveu livros, cunhou o termo “petralha”, como o Reinaldo Azevedo, que até pouco tempo se colocava no espectro político conservador brasileiro, tem a capacidade de gerar interesse, justamente por concentrar indivíduos tão antagônicos; apesar de um ser político e outro, jornalista. Claro que eu quero assistir. De fato, Lula é muito carismático, consegue ter essa comunicação até muito melhor que o Bolsonaro, no sentido de trazer simpatia.

Gilberto Gomes – Eu pude acompanhar quase toda a entrevista. Ela mostrou a disposição de Lula de dialogar de maneira muito franca e honesta com as pretensões do PT nestas eleições. Como o Eraldo destacou, o fato de ser uma entrevista que reúne duas figuras antagônicas tende a chamar a atenção. E o Reinaldo Azevedo tem tido um papel muito importante nos últimos anos em relação à Lava Jato. Ele foi um dos primeiros jornalistas a questionar os métodos da operação, antes mesmo de a gente ter acesso às mensagens que foram reveladas o hacker de Araraquara (Walter Delgatti) e pelo The Intercept, com (o jornalista) Glenn Greenwald. Destacou o fato do Reinaldo Azevedo de fato ter se demonstrado um jornalista ético e conseguiu conduzir uma entrevista em que Lula mandou vários recados: para os empresários, para o centro, rebateu o argumento da polarização, em que tentam colocar em um extremo que ele nunca ocupou.

 

 

 

Bolsonaro e as Forças Armadas

Gilberto – É sem dúvida uma das maiores crises militares dos últimos tempos. Ela destaca que Bolsonaro está disposto, sim, a tensionar a atuação das Forças Armadas nos mais diversos contextos. A gente não tem muita clareza, mas diversos analistas políticos indicam que pode ser mais uma movimentação que ameace a democracia, pode ser uma tomada de posição de Bolsonaro que ameace o lockdown nos estados que estão adotando medidas de restrição. A figura de Bolsonaro não é nem quista por diversos setores das Forças Armadas, pelo alto generalato, que são figuras muito mais intelectuais, que têm alta formação e não estão dispostos a tensionar a democracia, a adotar a posição de golpe neste momento. Eu acredito que eles têm muita confiança na posição do Mourão (PRTB, general da reserva) como vice. Sem poder sobre as Forças Armadas, eu creio, a gente teve agora o caso da Bahia (o PM Wesley Góes teve um aparente surto em Salvador, foi baleado e morreu no último domingo, após atirar contra colegas), as forças das Polícias Militares tendem a ser usadas como massa de manobra em uma eventual crise mais intensa do governo Bolsonaro, inclusive até numa derrota em 2022.

Eraldo – Os militares têm uma centralidade no Brasil que vem desde o fim da Monarquia, que se deu por um golpe do Exército, que logo instalou a República da Espada (1889/1894), com os marechais Deodoro (da Fonseca) e Floriano Peixoto. De lá para cá, os militares sempre foram o fiel da balança na República, como já estavam no final do Império. A História do Brasil é uma história de golpes militares, ou de golpes apoiados pelos militares. Acho isso muito ruim, porque os militares são uma corporação que tem os seus interesses também. Eles exercem pressão sindical e, como não podem fazer greve, eles de algum modo vão entrar na política. O presidente Bolsonaro fez esses acenos aos militares, que o aceitaram e embarcaram com uma série de generais no governo. A saída dos comandantes (das Forças Armadas) é algo ruim de fato, porque passa que houve um desgaste entre o presidente e, em especial, o general (Edson) Pujol (comandante do Exército exonerado junto aos da Marinha, almirante Ilques Barbosa; e da Aeronáutica, brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez). É um movimento que acontece no Banco do Brasil também (o presidente do seu Conselho, Hélio Magalhães, apresentou sua carta de demissão na última quinta, por não concordar com as ingerências de Governo Federal na instituição). O presidente Bolsonaro tem essa característica de ficar gerenciando as instituições, tanto o Exército, quanto as empresas de capital misto, Banco do Brasil, Petrobras, que causam um desconforto em suas cúpulas. Eu vejo isso mais como um problema da pessoa do presidente, de querer gerenciar as pautas, e se o indivíduo não o agrada muito, ele tira; do que como um risco à democracia. Bolsonaro não tem consenso para um golpe entre as várias camadas das Forças Armadas.

 

Politização da pandemia no Brasil

Eraldo – De fato, a pandemia foi completamente politizada. E aí, tanto por fatores que independem da ação do presidente da República, quanto pelas ações dele. Bolsonaro chamou muito para si a responsabilidade em algumas falas sobre a questão da vacina, ao chamar de “gripezinha”, na questão da aglomeração, ao falar do uso de máscaras. E como ele é o chefe da União, ele acaba politizando, porque ele é um agente político. E essa politização excessiva acaba escondendo a letalidade do vírus, vidas humanas estão sendo perdidas. E acaba colocando o presidente como principal responsável pela questão, pelas falhas, pelas mortes. Enquanto a gente sabe que há uma pactuação entre os entes federativos, governos estaduais e municipais. As medidas de contenção e relaxamento foram feitas na cidade, tanto pelo (ex-)prefeito Rafael Diniz (Cidadania), quanto pelo atual prefeito Wladimir Garotinho (PSD). Houve em Campos a tentativa de se fazer um Hospital de Campanha (pelo governador Wilson Witzel, PSC, que nunca foi concluído ou entregue, em meio a denúncias de corrupção que levaram ao seu afastamento), que o Tribunal de Contas da União (TCU) vai investigar. Isso aí é um ônus que os outros governantes também têm. Mas pelo presidente Bolsonaro, de maneira desastrada, ficar dando declarações todo o dia, só sai a cara do bendito como o principal responsável. Eu acho que o presidente deveria deixar o ministro da Saúde (o médico cardiologista Marcelo Queiroga, quarto a ocupar o cargo durante a pandemia) falar mais e aparecer mais.

Gilberto – Bolsonaro não somente politizou por acaso, ele politizou de maneira consciente no início da pandemia, vendo ali uma possibilidade clara de afastar diversas crises do governo. Agora, isso tem um custo para a sociedade gigantesco. Quando ele relativiza o uso da máscara, quando ele vai nadar na praia em plena pandemia, aglomerando centenas de pessoas, ele está legitimando as pessoas que querem fazer o mesmo. Quando o Eraldo fala que ele (Bolsonaro) traz para si, não é por acaso. E aí a gente vai pegar desde o começo, quando ele falou que era uma “gripezinha”. E se não fosse o campo progressista, da esquerda, atuando principalmente no Congresso, a situação da pandemia estaria muito pior. A gente não teria um auxílio emergencial no valor de R$ 600 (na verdade, o Governo Federal propôs incialmente em R$ 200, o Congresso aumentou para R$ 500 e Bolsonaro subiu para R$ 600), que atenuou em muito a pandemia e conseguiu deixar algumas pessoas em casa. A gente não teria vacinas se não fosse a pressão do Congresso e das forças de oposição; a gente não teria tido o lockdown, muito provavelmente, porque ele era rechaçado desde o início. Tem a politização do discurso de medicamentos sem comprovação científica, que não só eram, como ainda são estimulados por forças políticas ligadas ao Bolsonaro. O fato do Bolsonaro ser colocado como figura central de todo esse caos que a gente está vivendo, não é só pelo que ele fala, mas é porque o bolsonarismo representa isso. E é representado por diversas outras figuras políticas, ligadas ao Bolsonaro e legitimadas pelo Bolsonaro. A gente tem que observar como essas forças políticas estão politizando desde o início o lockdown, estão politizando os hospitais de campanha que o Eraldo citou. Antes mesmo dos escândalos de corrupção aparecerem sobre os hospitais de campanha, já havia manifestações aqui em Campos pedindo o fechamento do Hospital de Campanha, dizendo que aquilo ali era desperdício de dinheiro. E o Hospital de Campanha estaria hoje ajudando muito a nossa cidade. A própria politização do lockdown é feita por grupos bolsonaristas, dizendo que ele prejudica o trabalhador, que ele vai passar fome, vinda de um grupo que jamais se preocupou com nenhuma política social.

 

Convergência possível entre direita e esquerda

Gilberto – A direita democrática existe no país; eu não tenho dúvida disso. Que pode, sim, convergir com a defesa da democracia. Agora, essa direita precisa estar disposta a romper com o que nós temos aí hoje. Precisa romper com o negacionismo, precisa romper com o bolsonarismo que ameaça muitas vezes a democracia. Pode não fazer isso de maneira objetiva, mas faz em várias falas que colocam a democracia em xeque. A própria família do presidente, ameaçando dissolução do STF, ameaçando fechar Congresso, AI-5. Como eu disse, não é só Bolsonaro, mas é o bolsonarismo com um todo. Essa direita precisa estar disposta a romper com isso, para que possa haver um consenso na defesa da democracia. Nós temos um inimigo em comum, que não é só a figura do Bolsonaro, mas é um projeto político que a gente se opõe dentro da democracia. E a gente tenta utilizar todas as ferramentas possíveis para isso. Eu acho que sim: é possível a direita e a esquerda convergirem na defesa de interesses democráticos para preservar o país, que tem enfrentado tantas crises, como jamais o Brasil viveu desde a redemocratização (em 1985, após 21 anos de ditadura militar).

Eraldo – Sempre que eu vejo para essa questão de direita e esquerda, eu procuro olhar com aquela perspectiva que o Karl Popper (filósofo austro-britânico) coloca no livro “A Sociedade Aberta e Seus Inimigos”: que há dois projetos, tanto de uma sociedade aberta, quanto de uma sociedade fechada. E há franjas na esquerda e há franjas na direita que vão defender um modelo de sociedade fechada, totalitária, autoritária. Como vai ter também uma esquerda e uma direita que vão apoiar a liberdade, a pluralidade. Quando elas apoiam a sociedade aberta, que culmina com a própria questão da democracia, eu imagino que possam, sim, convergir para um projeto mais transparente, no sentido de aparar as arestas do governo Bolsonaro. Isso surge muito, por exemplo, no Centrão, que vem tentando domar essas atitudes que eu acho prejudicais em um certo sentido retórico à democracia. Até pela maneira como ele se estrutura, o Centrão é um defensor da democracia. Não há como ter um Centrão antidemocrático, porque em um regime autoritário não haveria Centrão. Grupos que tem compromisso com uma sociedade aberta, eles devem se unir quando há uma ameaça ao regime democrático. Alguns indivíduos podem defender um misto entre uma sociedade aberta e uma sociedade fechada. Bolsonaro, eu acho que de certa maneira ela pode ter uma perspectiva um pouco mais autoritária. Não acho que ele seja um antidemocrata, mas acho que ele tem uma perspectiva que causa um pouco de estranhamento nos principais players da democracia. Eu às vezes faço críticas, mas espero o Bolsonaro melhore, afinal eu votei nele e provavelmente votarei na próxima eleição. São críticas de alguém que deseja que o presidente se enquadre melhor nas regras do jogo e continue no projeto que é uma cabeça de ponte para uma perspectiva mais tradicional e conservadora do Brasil.

 

Confira abaixo, em três blocos, os vídeos do debate sobre direita e esquerda realizado no Folha no Ar, da Folha FM 98,3, entre os universitários Eraldo Duarte e Gilberto Gomes, no início da manhã de sexta (02):

 

 

 

 

Página 2 da edição de hoje (03) da Folha da Manhã

 

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Com caos da Covid por mais duas semanas, não restrição é “assassinato”

 

Médica infectologista Andreya Moreira e o Boulevard de Campos ontem ainda com aglomeração (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

“Com muita tristeza, a gente está vendo esse momento. Colapsou não foi só em Campos, estamos vendo isso no Brasil inteiro. Já era previsto.  Lá em dezembro, a gente sabia que as festas de fim de ano iriam ser bastante importantes no número de pacientes que seriam infectados, entre os que precisariam de tratamento intensivo (UTI) de clínico. Mas as pessoas ignoraram isso literalmente. E estamos pagando o preço; um preço alto nas vidas ceifadas. E, apesar disso, as pessoas mantêm a não restrição. Isso é um assassinato!”. Sem meias palavras, a despeito do tom sempre polido, foi assim que a médica infectologista Andreya Moreira classificou na manhã de hoje o desdém da população às medidas de isolamento social. Que até ontem tinha tirado 843 vidas humanas por Covid só em Campos, entre os mais de 322 mil óbitos da pandemia no país, com o recorde assustador de 66.868 brasileiros mortos no mês de março. Chefe da Vigilância em Saúde no governo Rafael Diniz (Cidadania), quando o Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos hoje colapsado (confira aqui) foi aberto em 30 de março de 2020, a médica foi a entrevistada do Folha no Ar, na Folha FM 98,3.

— Aqui em Campos, especificamente, não tem o uso de máscara de modo 100%. As pessoas acham que as restrições não são necessárias. Até a doença chegar a um ente querido, a uma pessoa próxima, que se torna acometida, que precisa ficar internada e precisa de uma vaga na UTI. O resultado é este momento de caos, de colapso, em que as pessoas precisam entender o processo. A gente está falando nisso de entendimento há um ano. O que vai ser mais preciso para essas pessoas usarem a máscara, fazerem o distanciamento social e evitarem aglomeração? Quantas vidas a mais? — indagou Andreya à população campista, na rádio mais ouvida da cidade.

A infectologista, com base em estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), projetou pelo menos mais duas semanas muito difíceis da pandemia em Campos e no Brasil, antes do número de infecções e mortes parar de subir para alcançar o chamado platô e depois começar a decair, provavelmente só na segunda quinzena de abril. E, para tentar acelerar esse processo de contenção e queda, fez duas advertências. A primeira, que o lockdown apenas por uma semana não adianta. A segundo é que não faria sentido se fazerem exceções, abrindo só um ou outro setor, como reivindicam músicos (confira aqui), negacionistas bolsonaristas (confira aqui), professores de educação física (confira aqui) e o comércio (confira aqui) da cidade:

— Segundo uma análise da Fiocruz, da semana passada, eles falaram que as próximas três semanas iriam ser extremamente difíceis. E nós estamos na primeira dessas três semanas muito difíceis. Depois delas, provavelmente alcançaríamos o platô, para daí começar a cair. Até abril, a gente vai sofrer bastante, com certeza. Os primeiros 15 dias de abril serão de extremo sofrimento, de pessoas na fila por leito, de pessoas morrendo. E depois isso vai cair. As pessoas precisam entender que lockdown de cinco dias não adianta nada. Você precisa manter pelo menos 10 a 14 dias para ter uma resposta. E não é uma resposta imediata, é um pouco mais para frente. É extremamente necessário entender que as pessoas precisam se isolar, não podem se aglomerar. E não tem como fazer um lockdown restrito: “Ah, eu vou abrir tal setor, eu vou deixar o outro fechado”. A gente tem que fazer o completo.

Andreya citou como exemplo a experiência do primeiro lockdown em Campos por conta da Covid, entre 18 de maio (confira aqui) e 1º de junho (confira aqui), decretado quando comandava o enfrentamento à pandemia no município, no governo Rafael. E o fez eximindo o governo Wladimir Garotinho (PSD) de qualquer culpa pelo agravamento ainda maior, agora, da crise sanitária. A grande culpada, para a infectologista, é a própria população:

— No outro governo, a gente chegou a fazer um lockdown. E a gente chegou a alcançar no início 70% de adesão, com pessoas dentro de casa, com o trânsito diminuído. Mas em alguns dias isso já caiu para 50%, depois para 40%. Então você vê que a população não cooperou. O pouco que eles cooperaram, já teve uma sinalização muito positiva nos leitos. E a situação é ainda mais extrema agora. Há a necessidade de as pessoas ficarem em casa, não se aglomerarem. Abril vai ser muito difícil. A gente já vinha conversando sobre uma piora desde as eleições (de novembro). Daí tiveram as festas de final de ano de dezembro e depois, mesmo sem festa, o carnaval. Não culpo o governo (Wladimir), não tem culpa a Prefeitura, mas a população.

Mas se, mesmo pertencendo a um governo municipal de oposição, Andreya isentou a atual gestão municipal de Campos pelo quadro que classificou como “caos”, ela não fez o mesmo com o governo federal. Para ela, o maior culpado da situação calamitosa do Brasil na pandemia, do qual é hoje o principal epicentro mundial, é a desorganização da administração Jair Bolsonaro (sem partido). Tanto no desmonte de uma tradição de imunização que sempre foi referência para o mundo, como pelo nosso vergonhoso lugar na fila de trás da vacinação em relação a vários outros países, inclusive vizinhos da América do Sul:

— O governo (Bolsonaro) errou muito no programa de vacinação. A gente já era para estar, há mais de três meses, desde o início do ano, vacinando. Isso foi um erro, um erro grave. E por conta disso nós estamos pagando a consequência. O ministério da Saúde sempre foi uma bagunça em relação às estratégias de vacinação. E a gente sempre teve (antes do governo Bolsonaro) um programa de imunização entre os melhores do mundo. E isso foi atrapalhado por jogo de interesses políticos; atrapalhou muito! Porque as vacinas não chegavam e não chegam ainda. A cada momento era uma “aflição da Anvisa para liberar imunizante, que já estavam liberados anteriormente, e se sabia disso, nos Estados Unidos e na Europa. Até ontem, na percentagem imunização total das populações dos países, no 1º lugar está Israel, no 2º lugar o Chile (vizinho sul-americano do Brasil, que comprou boa parte das 70 milhões de doses de vacinas da Pfizer recusadas por Bolsonaro em agosto de 2020) e, no 3º lugar, os Estados Unidos. O Brasil está no 16º lugar, com apenas 2% da população totalmente imunizada. Isso não existe! A gente está em um país que não deu bola para a vacina.

 

Confira abaixo, em três blocos, os vídeos da entrevista da médica infectologista Andreya Moreira ao Folha no Ar na manhã de hoje:

 

 

 

 

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Universitários fecham semana do Folha no Ar com debate entre esquerda e direita

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta (02), quem fechará a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, são dois jovens universitários da cidade, que habitam em campos políticos em extremos opostos: o socialista Gilberto Gomes, estudante de Administração Pública na Uenf e secretário de Comunicação do PT de Campos; e o conservador e liberal Eraldo Duarte, estudante de Ciências Sociais na UFF.

Eraldo e Gilberto analisarão a politização da pandemia da Covid-19 no Brasil e a necessidade de diálogo na bipolaridade que cindiu a política nacional desde 2014, com acirramento a partir de 2018. Eles também darão seus testemunhos críticos do que leva um jovem a apoiar ou criticar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lideram as pesquisas presidenciais a 18 meses das urnas de 2022. E falarão da direita e da esquerda dentro do meio universitário de Campos, quem ambos integram.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Ciência denuncia aposta de Bolsonaro em mortes sem vacina e médicos anticiência

 

Biólogo Renato DaMatta, cientista e professor da Uenf (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“O governo Bolsonaro (sem partido) apostou na imunização de rebanho sem vacina. Primeiro foram contra a vacina, porque ela vinha da China. E apostar na imunização de rebanho, sem vacinação, é condenar as pessoas à morte; é achar que isso não é importante. Se você tem a vacina, você evita as mortes. Se você não tem, um percentual das pessoas vai morrer, que pode representar até 10% da população (no Brasil, que até ontem contabilizava mais de 318 mil mortos pela Covid, 10% significaria mais de 20 milhões). Apostaram muito alto numa coisa que é um absurdo. E parece agora que o presidente está dizendo que pode vacinar. Ele chegou até a declarar que se você tomasse uma determinada vacina, iria virar jacaré. Um líder não pode falar isso, porque influencia as pessoas, principalmente as que votaram nele”. Foi o que advertiu na manhã de hoje, no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, o biólogo Renato DaMatta, professor da Uenf.

O biólogo explicou como a lentidão da vacinação no Brasil tem servido ao surgimento de novas variantes do vírus, como a P-1, que apareceu em Manaus e tem conferido características epidemiológicas e clínicas diferentes do que a pandemia apresentou em 2020. A maior carga viral causada pela infecção da nova variante é considerada uma das causas do colapso das redes de saúde do país, considerado hoje o principal epicentro mundial da pandemia. Quanto mais lenta for a vacinação e circulação do vírus, maiores são as possibilidades de novas mutações, que podem resultar numa variante, até agora não registrada, que não seja imunizada pelas vacinas existentes:

— As variantes são extremamente preocupantes e a vacinação lenta atrapalha o processo. Por isso o Brasil é hoje o epicentro da doença no mundo. Porque aqui é onde tem mais gente morrendo e mais gente com o vírus. Quando você tem muito vírus em muita gente, a probabilidade de novas variantes aumenta. Quem faz a replicação do vírus são as nossas células. Ele infecta as nossas células, que duplicam aquele vírus várias vezes e o seu material genético. Vão saindo vírus das nossas células que têm pequenas alterações. Elas vão se refletir em proteínas, em moléculas na superfície do vírus, que o tornam diferente. Foi justamente isso que aconteceu com o P-1, por exemplo. Ela apareceu em Manaus e tem uma grande capacidade de infecção. Se você infecta mais, o problema aumenta. Quanto mais rápido você vacina, menos variantes você vai ter. Se você demora, nós voltamos à hipótese do governo Bolsonaro, que era a imunização de rebanho com mortes, o vírus vai infectar as pessoas durante um longo período. A chance de surgirem novas variantes é enorme. Inclusive, a variante pode ficar tão diferente que você tem que fazer uma nova vacina. A notícia boa é que, até agora, as vacinas estão funcionando contra as novas variantes.

Cientista da mais importante universidade de Campos e região, Renato também questionou a capacidade científica dos médicos, geralmente simpatizantes do presidente Bolsonaro, que continuam receitando medicamentos como cloroquina e ivermectina, que a ciência já comprovou serem completamente ineficazes contra a Covid. Não só aos infectados pela doença, mas como em suposto tratamento preventivo a ela. Apesar de ressalvar seu respeito à categoria médica, sua condenação àqueles que agem contra a ciência não teve meias palavras:

— Todo médico é cientista? Deveria ser! Mas, infelizmente, essa não é a realidade. Com todo o respeito à classe, que é extremamente importante na sociedade, mas tem muito médico que não tem o que chamamos de letramento científico. Se os médicos realmente fossem cientistas, eles não iriam usar esses medicamentos como a cloroquina e a ivermectina. Como é que foi isso? No primeiro momento, você pegou no sistema in vitro (ensaio realizado fora de um organismo vivo), onde você tem células em um meio de cultura, infectou elas com o vírus, tratou elas diretamente com esses componentes (cloroquina e ivermectina) e viram que o vírus morria. Eles funcionaram num sistema in vitro. Só que quando você vai para um organismo, e o primeiro passo é usar animal de laboratório, tipo um rato, não funcionou. E aí ficou essa coisa: se funciona no sistema in vitro, então funciona no sistema in vivo. Apesar de não funcionar em animais de laboratório, como não existia mais nada, as pessoas começaram a usar esses medicamentos sem comprovação. Depois de um ano usando, hoje nós temos a comprovação de que não funcionam. E se ainda tem médico receitando, vai me desculpar, mas não são cientistas. A Associação Médica Brasileira (AMB) já disse que não funcionam. Não se deve usar, muito menos de forma preventiva. Mas as farmácias, lógico, querem vender.

 

Confira abaixo, em três blocos, os vídeos da entrevista do biólogo Renato DaMatta, professor da Uenf, ao Folha no Ar na manhã de hoje:

 

 

 

 

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Ex-chefe do combate à Covid em Campos analisa pandemia no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quinta, a convidada do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, será a médica infectologista Andreya Moreira. Chefe de Vigilância em Saúde no governo Rafael Diniz (Cidadania), cargo em que foi substituída no governo Wladimir Garotinho (PSD) por seu colega infectologista Charbell Kury, Andreya falará sobre a pandemia da Covid-19 em Campos e seu combate entre as duas administrações municipais.

A infectologista analisará também a condição, apontada por todos os especialistas, do Brasil como novo epicentro mundial da doença, que tem propiciado o aparecimento de novas variantes do vírus, como o P-1 de Manaus, o P-2 do Rio de Janeiro e o N-9, do Nordeste. Por fim, Andreya analisará o ritmo lento da vacinação em Campos e no país, da sua consequente necessidade de manutenção de restrições para não piorar ainda mais a situação da rede de saúde já colapsada, além dos remédios sem comprovação científica que continuam sendo receitados aos doentes.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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CCC faz 1 ano com superlotação de maioria jovem na pior fase da pandemia

 

Patrícia Meireles, Vigor Carneiro e o CCC, que hoje comemora um ano de atividade na pior fase da pandemia desde que ela começou em Campos (Montagem: Aluysio Abreu Barbosa)

“A gente pede consciência à população. A gente poderia estar completando o ano no CCC em comemoração, mas infelizmente, neste dia, a gente abre o nosso serviço em superlotação. Pela primeira vez, a gente está além dos 100% da ocupação, temos pacientes em todos os lugares possíveis em pode acomodar, à espera de uma vaga regular. Este é o nosso cenário atual”. Foi a alerta ecoado hoje pela médica pneumologista Patrícia Meireles, do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) em Campos, instalado há um ano, em 30 de março de 2020 (relembre aqui), na Beneficência Portuguesa.

Patrícia foi entrevistada no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, junto ao médico intensivista Vitor Carneiro, seu colega no CCC. Ele cobrou o Hospital de Campanha do governo estadual, que chegou a começar a ser instalado às margens da av. 28 de Março em 2020. Mas nunca foi concluído, em meio ao escândalo de corrupção que levou ao afastamento do governador Wilson Witzel (PSC). Eleito no fenômeno eleitoral de Jair Bolsonaro (hoje, sem partido) em 2018, Witzel passaria de aliado a adversário político do presidente.

— O CCC foi aberto contando que o Hospital de Campanha fosse aberto também aqui em Campos; aquela tenda montada em frente ao Shopping 28, que começou, mas nunca funcionou. O colapso (da rede de saúde pública, conveniada e privada de Campos, com a Covid) acontece hoje porque a previsão feita na época é de que haveria o Hospital de Campanha. A gente chegou próximo disso na primeira onda, lá para maio, junho (de 2020). E agora estamos com essa situação complicadíssima que estamos vivendo neste momento — alertou também Vitor.

Linha de frente de Campos e região no enfrentamento à pandemia, o CCC revela a situação desesperadora de quem precisar hoje de leito, de UTI e até clínicos:

— A gente tem gente na enfermaria à espera de leito de UTI, mais de seis ou sete doentes, dentro da instituição, esperando regulação externa e interna. Hoje, infelizmente, a gente trabalha com altas e óbitos. E também à espera de um leito clínico. A gente conseguiu acomodar ontem, dentro da nossa unidade, cinco pacientes na emergência, à espera de um leito clínico e de UTI. Por exemplo, no dia de ontem, conseguimos acomodar, até quase às 22h de ontem, gente em cadeiras. Porque a gente não tinha onde colocá-los. O CCC não é um centro hospitalar, é um centro de triagem, com uma estrutura hospitalar acima. Quando ela sobrecarrega, eu não tenho mais como acomodar esses pacientes. A não ser em cadeiras, em camas e macas improvisadas ali embaixo. Ontem, a gente conseguiu retirar os pacientes que estavam em cadeiras, o período inteiro, com oxigênio — contou Patrícia.

Dada a explosão da doença no município, como em todo o Brasil, o improviso também tem sido a única saída para sanar a falta de medicamentos que compõem o kit-intubação, necessário à sobrevivência dos doentes graves de Covid:

— Está difícil, a gente tem que usar várias alternativas às medicações usuais, não só para entubar o paciente, mas para manter ele entubado, manter ele sedado no respirador. Isso dificulta o manejo do paciente, prejudica o tratamento. Mas isso é uma falta nacional, não só no CCC; os hospitais particulares também estão sofrendo isso. A gente está sempre usando alternativas para manter esse paciente sedado, em ventilação mecânica. É uma situação dificílima para a gente. A gente pede cotação dessas medicações e não tem nem retorno, as empresas não têm como fornecer. A gente vai usando outras drogas, associando e tentando suprir essa necessidade — testemunhou Vitor como intensivista.

Os médicos do CCC também constataram que, ao contrário do que aconteceu em 2020, a maioria da ocupação dos leitos clínicos e de UTI se dá com pacientes mais jovens. O que parece ser reflexo da vacinação ainda lenta no Brasil estar se dando primeiro na população mais idosa. Que também estaria respeitando mais as medidas de restrição social:

— Hoje a gente tem uma média de idade dos pacientes internados muito baixa, muito menor do que antes. A gente teve uma fase no ano passado em que na UTI só tinha paciente idoso e muito idoso, acima de 75 e 80 anos. E hoje é o contrário, a gente não vê o muito idoso. Alguém de 80 e poucos anos, na UTI, hoje é muito raro de ver um paciente dessa idade. Está povoado de pacientes realmente bem mais jovens, a partir dos 25, 30 anos — constatou Vitor.

— Eu acho que é uma combinação de fatores: o início da vacinação e o fato de essa ser uma população que realmente respeita o isolamento. Então essas são provas da eficiência da vacinação, do distanciamento. E isso trouxe essa faixa etária para baixo — completou Patrícia.

Os dois médicos também pleitearam ao governo munipal o revezamento dos 45 médicos que trabalham no CCC há um ano. E fizeram hoje protesto neste sentido (confira aqui), na comemoração de um ano de atividade do Centro, essencial ao combate à pandemia em Campos e região.

 

Confira abaixo, em três blocos, os vídeos da entrevista dos médicos do CCC Patrícia Meireles e Vitor Carneiro ao Folha no Ar na manhã de hoje:

 

 

 

 

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Acuado, Bolsonaro apela às Forças Armadas e ao Centrão: “Não me deixem só!”

 

(Foto: Sérgio Lima – Poder 360)

 

Na maior crise militar desde que esta categoria largou o osso do poder no Brasil, em 1985, Bolsonaro hoje perdeu os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Para não ser abandonado pelos três, simulou que os exonerou. O encarregado da missão foi o general Braga Netto, ex-interventor militar do Estado do Rio, que deixou o ministério da Casa Civil para assumir o da Defesa. Cujo ex-ocupante, general Fernando Azevedo e Silva, saiu ontem mandado um recado, preto no branco, ao presidente e à sociedade brasileira: “Preservei as Forças Armadas como instituições de Estado”.

Em apoio a Azevedo e Silva, os três comandantes das Forças Armadas Brasileiras foram à reunião de hoje para dizer a Braga Netto: “Não daremos um passo que possa contrariar a Constituição ou caracterizar ingerência nos outros Poderes, o Judiciário e o Legislativo”. O general e lugar-tenente de Bolsonaro foi dizer o que quis, mas ouviu o que não quis. Agora ex-comandante da Marinha, o almirante Ilques Barbosa reagiu com bastante força. Inclusive “beirando à insubordinação”, segundo fontes que participaram da reunião.

Na reforma ministerial anunciada ontem, o presidente também fez de Flávia Arruda (PL/DF) ministra da secretaria de Governo. Deputada federal de primeiro mandato, só foi eleita por ser esposa do ex-governador de Brasília, José Roberto Arruda (PL), preso e alvo de impeachment por corrupção em 2010. Sem nenhuma relevância no Congresso, Flávia cumprirá o papel de secretária do Centrão do governo federal. Para tentar acalmar os ânimos do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP/AL), após este acender publicamente o “sinal amarelo” a Bolsonaro pela conduta genocida deste na pandemia da Covid. Que, até ontem, tinha matado mais de 314 mil brasileiros.

No período da redemocratização do Brasil, Fernando Henrique Cardoso criou o “presidencialismo de coalisão”, transformado por Lula e o PT, até darem com os burros n’água, em “presidencialismo de cooptação”. Obrigado a aceitar a demissão de Ernesto Araújo, pior chanceler da História do Brasil, e com o limite constitucional imposto nas Forças Armadas pelo seu agora ex-ministro da Defesa, Bolsonaro reagiu com a irracionalidade de qualquer animal acuado: avançou. Nesta investida desesperada, pretende segurar os militares e o Centrão como aliados. Na verdade, o atual inquilino do Palácio do Planalto lembrou outro ex-presidente da Nova República, Fernando Collor de Mello, em seu discurso fatídico: “Não me deixem só!”. Em 1992, deu no que deu…

Na questão militar, Bolsonaro tentará jogar com a simpatia que julga gozar no baixo oficialato do Exército, para tentar instalar a anarquia nos quartéis. Mais ou menos como faz com as milícias instaladas nas PMs estaduais, ou como o ex-coronel Hugo Chávez fez com os militares da Venezuela. E, tudo indica, enfrentará a resistência tenaz do comando das Forças Armadas Brasileiras, já cientes da canoa furada em que entraram e independente dos nomes escolhidos para chefiá-las. A exemplo do seu “mito” Donald Trump, defenestrado pelo voto popular e do colégio eleitoral dos EUA, Bolsonaro tenta implantar no Brasil, desde que chegou ao poder em 2019, o “presidencialismo de colisão”.  Em 2022, ou antes, pode ser com a cara no muro.

 

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Ciência e negacionismo na Covid com biólogo da Uenf no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir da 7h da manhã desta quarta (21), o entrevistado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, será o biólogo Renato da Matta, professor da Uenf. Ele responderá se o negacionismo da ciência, propagado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus seguidores, foi responsável pelo fato do Brasil ser hoje apontado pelos especialistas como principal epicentro mundial da pandemia da Covid-19.

Renato também falará do surgimento das novas variantes brasileiras do vírus, como a P-1 de Manaus, a P-2 do Rio e a N-9 do Nordeste, sobre o ritmo lento da vacinação no país e da sua correlação com a necessidade de restrições de circulação social. Por fim, o biólogo dará a visão da ciência sobre o fato de remédios sem nenhuma comprovação científica continuarem sendo receitados no Brasil contra a Covid.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Aniversário de 1 ano do CCC com protesto pelo revezamento dos médicos

 

Faixa de protesto pelo revezamento dos médicos do CCC, que não ocorre desde que ele foi aberto, há um ano

 

Hoje faz um ano que o Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) entrou em atividade em Campos (relembre aqui), no Hospital da Beneficência Portuguesa. E, desde então, exatos 365 depois, as equipes de triagem da principal linha de frente do enfrentamento à Covid-19 no município não têm revezamento de médicos.

Diferente dos intensivistas, que atendem aos pacientes graves na UTI lotada do CCC, os médicos da triagem podem ser de qualquer especialidade. Ainda assim os pedidos de revezamento dos seus 45 profissionais não foram atendidos nem no governo passado, do ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), nem no atual, do prefeito Wladimir Garotinho (PSD). Enviado a este, um ofício datado do último dia 17 permanece sem resposta efetiva.

 

Ofício enviado ao governo Wladimir em 17 de março, pedindo o revezamento dos médicos na triagem do CCC, que até agora não teve resposta efetiva

 

Por isso, às 17h de hoje, não só um bolo marcará o aniversário de um ano do CCC, como uma faixa de protesto será estendida, no pior momento desde que a pandemia começou em Campos: “Nós, médicos do CCC, precisamos de revezamento com outros médicos, urgente! Estamos exaustos, trabalhando há 1 ano sem parar!”.

 

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“Nos Tempos do Trianon” — Homem, teatro e cidade na história goitacá

 

Historiadores Juliana Carneiro e Victor Andrade de Souza, professores, respectivamente, da UFF e UFRJ, e autores do livro “Nos Tempos do Trianon” (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr,)

 

Capa do livro lançado virtualmente no último dia 18 e com previsão de lançamento impresso no segundo semestre do ano

“Em 2001, 2002, eu estava começando o doutorado na UFF, sobre o Trianon. Antes, durante o mestrado, naquela época não tinha biblioteca digital, e eu ficava no Palácio da Cultura pesquisando jornais antigos de Campos. E o tempo inteiro me deparava com anúncios e matérias que falavam da importância do Trianon na cena cultural de Campos. Nessas coisas da vida, numa visita à cada do meu avô, achei um material inédito, que estava lá como acervo de família, que era toda a folheteria do Trianon do período em que o teatro foi propriedade do meu bisavô (o Capitão Carneirinho, como era conhecido Francisco de Paula Carneiro, que batiza o Boulevard de Campos), de 1921 a 1931. E pensei que era um material familiar que precisava se tornar público. Acabei não dando seguimento a essa pesquisa e agora, no final de 2020, com o centenário no Trianon, chamei o Victor (Andrade de Melo, historiador e professor da UFRJ), meu ex-orientador, para essa parceria”. Segundo a historiadora campista Juliana Carneiro, professora da UFF, contou no início da manhã de hoje ao Folha no Ar, na Folha FM 98,3, essa foi a gênese do livro “Nos Tempos do Trianon — Campos se diverte!” (confira aqui). Cuja autoria ela divide com Victor, que também participou do programa. Lançado virtualmente no último dia 18, pela Numa Editora, a versão impressa deve sair no segundo semestre do ano.

— Inicialmente o livro era para ser sobre o teatro, sobre as 209 programações do Trianon nesses 10 anos (1921/1931), que estavam na folheteria. E, no processo de pesquisa, esses outros personagens começaram a ganhar protagonismo, seja pela riqueza da biografia do Carneirinho, seja porque a gente foi entendendo que o Trianon só era possível na década de 1920 porque Campos era uma cidade que construía sua modernidade nesse binômio rural e urbano. E só foi possível porque tinha uma figura como o Carneirinho, que foi capaz de apostar no ramo do entretenimento. Porque ele já tinha um teatro, o Orion, e construiu o novo teatro, o Trianon, arrendou o Coliseu, numa aposta de que isso colocaria Campos nesse cenário da modernidade — contou Juliana sobre a grande obra do bisavô. Construído por ele a partir de 1919, inaugurado em 1921 e vendido em 1931, fruto da grande crise econômica internacional de 1929, o antigo cine teatro Trianon passaria por outros donos até ser demolido em 1975, para dar lugar a uma agência bancária. O novo Trianon, com o mesmo nome e ainda hoje o maior teatro de Campos, seria construído em outro local e inaugurado em 1998.

— Eu estudo a cidade, o que me interessa é a cidade. Eu acho que a diversão é uma das maneiras mais usuais para a gente usar a cidade. Cidade sem cidadão não é cidade. E o cidadão usa a cidade no entretenimento.  Meu trabalho é sempre tentar ver como a gente lança um olhar para as cidades, a partir desses momentos de diversão. Então, quando a Juliana me chamou para o projeto, eu fiquei bastante empolgado com a possibilidade de tentar entender mais uma cidade. É lógico que o Trianon merece um, dois, três livros só sobre o Trianon. Mas era importante entender a rede de relações na qual o Trianon pode se realizar. Porque, em certa medida, é inusitado, um teatro do porte do Trianon em uma cidade do interior. Eu trabalho muito atento às questões econômicas. Eu até brinco: “follow the money” (“siga o dinheiro”, frase que ficou famosa no filme “Todos os Homens do Presidente”, de 1976, dirigido por Alan J. Pakulla, que narra os fatos reais que levaram à renúncia de Richard Nixon da presidência dos EUA, em 1974). Porque a gente às vezes investe muito só na questão da aspiração cultural, mas se você não tem uma economia, se você não tem mercado consumidor, as intenções culturais não se manifestam — ressalvou Victor de Melo.

— O livro começou para ser só a história do Trianon. Mas acho que esse tripé (o homem, a cidade e o teatro como os três protagonistas do livro) era necessário. Nenhum existiria sem o outro. Eles só se justificam nesse processo — explicou Juliana.

— A gente começou a pensar também na formação do Capitão Carneirinho. Que personagem é esse que surge? Como é que ele pode fazer um teatro com recursos próprios? Não houve recursos públicos nessa jogada. Então, foi daí que a gente montou esse tripé, entendendo que há uma relação inextricável entre os três. O Trianon só é possível porque a gente tem um personagem como Carneirinho e porque tem um personagem como Campos. Acho que isso é uma coisa que a gente procurou enfatizar no livro: Campos não é uma ambiência. A cidade é, em si, um personagem que condiciona as nossas possibilidades — elencou Victor.

 

Confira abaixo, em três blocos, os vídeos da entrevista dos historiadores Juliana Carneiro e Victor Andrade de Melo, autores do livro “Nos Tempos do Trianon — Campos se diverte”, ao Folha no Ar na manhã de hoje:

 

 

 

 

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Um ano do CCC com seus médicos Patrícia e Vitor no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta terça (30), os convidados do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, são os médicos Patrícia Meirelles e Vitor Carneiro, do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos. Na data em que este completará exato um ano de atividade (relembre aqui), na linha de frente do enfrentamento à pandemia da Covid-19 em Campos e na região.

Patrícia e Vitor falarão sobre esse difícil período de um ano de CCC, entre passado, presente e projeção do futuro. Eles também avaliarão a situação atual da pandemia em Campos, no Norte e Noroeste Fluminense, no Estado do Rio e no Brasil. E analisarão os reflexos que sentem no front das novas variantes do vírus e do início da vacinação contra a doença.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Trianon em livro e nos ciclos econômicos de Campos no Folha no Ar desta 2ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta segunda (29), quem abre a semana do Folha no Ar são os historiadores Juliana Carneiro e Victor Andrade de Melo. Ela, campista e professora da UFF; ele, carioca e professor da UFRJ; são ambos autores do livro “Nos Tempos do Trianon — Campos de diverte!” (confira aqui). Os dois começarão tentando projetar pela História o Brasil de Bolsonaro.

Juliana e Victor falarão tambpem sobre o centenário do Trianon resumidos no homem, na cidade e no cine teatro que escolheram como personagens do livro lançado virtualmente no último dia 18. Por fim, dentro dos ciclos exonômicos de Campos, os dois analisarão do antigo Trianon, erguido em 1921, com o dinheiro da cana de açúcar — e demolido em 1975 —, até o Novo Trianon ser aberto em 1998, com o dinheiro do petróleo.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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