Jornalista destaca aquilo que existiu, independente da admissão

 

Na semana retrasada, liguei ao jornalista Guilherme Belido para perguntar do que ele trataria na sua conceituda página domical na Folha, assinada com seu nome. Mais especificamente, indaguei se trataria da última pesquisa presidencial Datafolha (aqui).

Feita entre 27 e 28 de setembro, com 2.772 pessoas, em 194 cidades do país, a consulta do insitituto apontou a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seguido do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC). Como iria escrever sobre ela numa reportagem de análise no penúltimo domingo (22), queria evitar a redudância temática na mesma edição.

Belido me disse que ainda não havia definido seu assunto. Mas me disse, gentilmente, que iria evitar aquele que já fora definido por mim. Pois hoje, já no segundo domingo após aquele, o jornalista ligou para avisar que tinha me enviado por e-mail sua própria análise sobre a minha matéria.

Com a devida licença dele, publico abaixo suas apreciações, por certo generosas. Quem quiser conferir ou reler a matéria, pode fazê-lo aqui.

 

 

Jornalista Guilherme Belido

Advertência e isenção

Por Guilherme Belido

 

Matéria longa, mas que li sem ver o passar dos minutos, me entusiasmou. Fechado o exemplar, pensei em arranjar um tempinho numa semana ‘apertada’ e enviar ao autor simplórias observações, mais de cumprimento, pela densa, abrangente e didática matéria intitulada ‘Brasil entre Lula e Bolsonaro?”, do jornalista Aluysio Abreu Barbosa.

De imediato, a primeira impressão que tive foi a de que se o referido texto fosse publicado na Folha de S. Paulo, ou em O Globo, ou no Estadão, não traria estranheza alguma ao mais exigente leitor de quaisquer daqueles jornais, que figuram na seleta lista de melhores órgãos de imprensa da América Latina.

No âmago da matéria, a advertência sobre o fenômeno Donald Trump, que está conseguindo desmoralizar a verdade, mas que se elegeu presidente do maior país do mundo atraindo o voto dos ressentidos.

Aqui, também, temos ressentidos.

Aluysio fez um apanhado geral acerca daqueles que ora se apresentam como pré-candidatos a presidente da República no pleito de 2018 — pesquisa árdua e abrangente; difícil e trabalhosa. Sobre cada qual teceu ponderações isentas, sem deixar de fornecer ao leitor, contudo, um perfil resumido de suas respectivas características. Indo ainda mais longe, conectou-os aos números de pesquisa do DataFolha.

Sobre as conversas do apresentador Luciano Huck com o DEM, crítica com pitadas de humor: “…Custa crer que a política nacional tenha regredido ao ponto de ter uma metáfora do Brasil como ‘Lata Velha’ na próxima campanha presidencial”.

Entre as análises, a pertinente observação, com traços de advertência, do avanço de Bolsonaro nas redes sociais e do erro de tratá-lo como bufão. E aqui, neste particular, reside a maior contribuição do excelente texto: do momento político em que vive o Brasil e de que o caminho para as eleições não podem ser de atalhos ou escuros, mas iluminados.

Estamos num País livre [digo eu] onde qualquer um vota em quem quiser. Se o eleitor de Bolsonaro, vota Bolsonaro, por entender que vale a pena conviver com retrocessos sociais, recuo dos direitos humanos e recrudescimento em troca, talvez, do combate mais ostensivo à corrupção e contando, quem sabe, em obter algum resgate de moralidade… tudo bem. Trata-se de opção consciente na esteira do voto soberano e livre de cada um.

Mas que entenda e não se iluda — como aponta Aluysio em seu luminoso texto — que, ao contrário do que diz Bolsonaro, no Brasil a ditadura militar existiu sim, quer ele admita ou não.

 

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Ruas pela democracia do Brasil desde a Ditadura

 

Com 1,5 milhão de pessoas, passeata e comício das “Diretas Já”, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, em 16 de abril de 1984, foi a maior manifestação de rua do Brasil nos 31 anos seguintes, até 2015

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Na última quarta-feira (25), o Congresso impediu por 251 votos a 233 que o presidente Michel Temer (PMDB) e dois de seus ministros fossem investigados por organização criminosa e obstrução da Justiça. Foi menos de três meses depois dos deputados federais terem barrado outra denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente, por corrupção passiva. E mesmo com 81% da população brasileira favoráveis às investigações de Temer, segundo pesquisa Ibope de julho, as ruas do país que definiram em 2015 o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), simplesmente silenciaram.

Aristides Soffiati, historiador

— Dilma caiu, a corrupção continuou com Temer, até mostrando aspectos mais agudos. No entanto, o movimento de rua de 2015, o maior do Brasil, se calou. Creio que o cansaço venceu — observou o historiador Aristides Soffiati, professor da UFF-Campos.

Antes desse aparente “cansaço”, qual é a história dessas ruas, contraditórias na expressão popular da relativamente recente democracia brasileira? Com o país ainda na Ditadura Militar (1964/85), uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) foi lançada em 1983 pelo deputado federal do PMDB do Mato Grosso Dante Oliveira (1952/2006). Tinha por objetivo restaurar a eleição direta à presidência da República, marcada para 1985. Até então, o último presidente brasileiro eleito por voto popular fora Jânio Quadros (1917/1992), em 1960.

Antes de passar à história como “Diretas Já”, seu começo foi tímido, com população, políticos de oposição e imprensa ainda testando os limites da censura de uma Ditadura já nos seus estertores. Em 31 de março de 1983, o primeiro ato público do movimento foi no pequeno município pernambucano de Abreu Lima, na zona metropolitana do Recife. Se teve apenas 100 participantes, seu grande feito foi ter sido noticiado pela imprensa de Pernambuco.

 

 

Comício histórico das “Diretas Já” na Candelária, em 10 de abril de 1984, colocou 1 milhão de pessoas nas ruas

 

Enquanto parecia abrandar a censura, o governo militar conduzia o país a fechar 1983 com uma inflação de 283%. Com o medo gradualmente perdido e o bolso doído, a adesão popular maciça se daria no ano seguinte, por cidades de todas as regiões do país. No Comício da Candelária, em 10 de abril de 1984, 1 milhão de pessoas tomaram o Centro do Rio pelo direito de votar a presidente. Na última manifestação das “Diretas Já”, em 16 de abril, a passeata entre a Praça da Sé e o Vale do Anhangabaú registrou 1,5 milhão de participantes em São Paulo. Seria a maior manifestação popular do Brasil pelos  31 anos seguintes, até 2015.

Último general presidente, João Batista Figueiredo (1918/99) chamou as manifestações de “subversivas”. Do lado oposto, estavam lideranças civis de vários matizes ideológicos, que marcaram a história política nacional: Tancredo Neves (1910/85), Ulysses Guimarães (1916/92), Leonel Brizola (1922/2004), Luís Carlos Prestes (1898/1990), Miguel Arraes (1916/2005), Franco Montoro (1916/99), Mário Covas (1930/2001), Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

Na realidade, quem subverteu a vontade popular foram os militares, que manobraram politicamente para esvaziar o Congresso Nacional. Em 25 de abril de 1984, a emenda das eleições diretas teve 298 votos a favor, 65 contra e três abstenções. Os 112 deputados ausentes impediram o número mínimo de votos à aprovação.

Sociólogo e cientista político George Gomes Coutinho

— As “Diretas” foram um movimento de massa cujo interesse era reinstituir a normalidade democrática. Considero equivocado considerá-lo de esquerda, embora atores tradicionais deste espectro político, sindicatos, partidos e movimentos sociais, tenham dado suporte ao que vimos no Brasil na década de 1980. Os atores tradicionais auxiliaram na fisionomia do movimento de massas, inclusive pelo acúmulo de expertise em se manterem organizados, a despeito de terem atuado durante boa parte do século XX na ilegalidade ou semilegalidade. Forneceram um discurso expresso em palavras de ordem, onde a crítica da situação econômica era absolutamente oportuna — analisa o sociólogo e cientista político George Gomes Coutinho, da UFF-Campos.

Com a abstenção do PT, mas os votos de quatro de seus deputados que o partido expulsaria, Tancredo foi eleito de maneira indireta à presidência, ainda sob a égide da Constituição de 1967. Era 15 de janeiro de 1985, mas ele morreria antes de tomar posse. A Constituição Cidadã foi promulgada em 5 de outubro de 1988, por um Ulysses que bradava fazê-lo com “ódio e nojo da Ditadura”. Todavia, a reboque de ambos, o governo José Sarney entregaria o Brasil com a hiperinflação recorde de 84,23% ao mês (março de 1990) e 4.853% ao ano (12 meses anteriores), após a esperada eleição direta a presidente de 1989. Ainda assim, as ruas brasileiras não voltariam a assumir papel protagonista na chamada “década perdida”.

 

Ao promulgar a nova Consituição, em 5 de outubro de 1988, Ulysses Guimarães dizia fazê-lo com “ódio e nojo da Ditadura”

 

Após bater Lula no segundo turno (novidade da nova Constituição), Fernando Collor de Mello assumiu a presidência dizendo que a inflação era um tigre contra o qual teria apenas uma bala em sua arma. E, mesmo com o confisco da poupança da população, disparou não só um, mas três planos econômicos longe do alvo.

Ao insucesso na economia, se somaram as denúncias feitas por Pedro Collor de Mello, de corrupção e tráfico de influência contra seu irmão presidente, evidenciada com documentos à revista Veja, em maio de 1992. Aproveitando o que hoje chama de “denuncismo” da grande mídia brasileira, assim como o espaço vazio no campo majoritário da esquerda pelo apoio dado por Brizola a Collor, o PT cristalizaria a partir dali seu domínio sobre as manifestações de rua do país, que manteria nos 21 anos seguintes, até 2013

Sociólogo José Luis Vianna da Cruz

— No Brasil, as ruas foram fundamentais para a conquista da redemocratização do país na década de 1980. Foram fundamentais para a conquista das grandes reformas inscritas na Constituição de 1988, como a reforma urbana, a reforma agrária, os direitos sociais, a defesa ambiental, dentre outros. O PT cresceu nos sindicatos e nas ruas — explica o sociólogo José Luis Vianna da Cruz, professor da Cândido Mendes e da UFF-Campos.

Sobretudo através da União Nacional dos Estudantes (UNE), presidida pelo então jovem Lindberg Farias (então filiado ao PC do B e hoje senador petista), a geração dos “caras-pintadas” foi fundamental ao impeachment de Collor. Previamente mobilizados na conquista do passe livre no transporte público e da meia-entrada nos cinemas, na reforma das leis orgânicas dos municípios a partir da Constituição de 1988, esses estudantes foram confessamente inspirados pela popular minissérie “Anos Rebeldes”, sobre a resistência dos jovens da década de 1960 à Ditadura Militar, exibida pela Rede Globo naquele ano de 1992.

Em 1º de junho foi instalada uma CPI para investigar as denúncias contra Collor. Com seu andamento e as primeiras manifestações, o presidente fez um pronunciamento em rede nacional de TV em 13 de agosto. Nele pediu que seus defensores fossem às ruas no domingo seguinte (16), usando as cores verde e amarelo. No dia marcado, os jovens que saíram às ruas das capitais brasileiras vestiram preto e pintaram o rosto da mesma cor, sinalizando luto pela corrupção do governo. No Rio, 30 mil gritaram: “Ai, ai, ai, ai, se empurrar o Collor cai”.

 

“Cars pintadas” saem às ruas do Rio em 16 de agosto e 1992

 

O movimento popular foi crescendo passo a passo com a CPI, num Congresso que, como seria depois com Dilma, se ressentia da arrogância do presidente. Em São Paulo, 750 mil jovens com o rosto pintado de verde e amarelo protestaram em 18 de setembro. Onze dias depois, com as ruas brasileiras tomadas por milhões, a Câmara Federal aprovou o primeiro impeachment de um presidente na América Latina, com 448 votos a favor, 38 contra, uma abstenção e 23 ausências.

 

Cerca de 750 mil jovens saem às ruas de São Paulo, em 18 de setembro de 1992

 

Antroplógo José Colaço

— O “Fora Collor” mantém alguns dos aspectos das “Diretas Já”: transcende a crítica de uma contra-elite minoritária e encontra apoio e reverberação da mídia oligopolista. É dotado de uma fisionomia de esquerda pelo protagonismo de certos atores tradicionais, embora que o consenso naquele momento quanto ao impeachment tenha abarcado diversos grupos sociais para além do espectro político mencionado — explica George Coutinho.

— Experimentamos um “retorno” à democracia, em meados dos anos de 1980, no qual a ocupação das ruas foi marcada, sobretudo nas grandes cidades, por comícios e manifestações balizadas por partidos políticos, organizações e movimentos sociais de base. Este período, somado com as manifestações do início dos anos 90 tinham em comum estas marcas — compara o antropólogo José Colaço, também professor da UFF-Campos.

 

Continua no próximo domingo (05/11)

 

Página 2 da edição de hoje (29) da Folha

 

Publicado hoje (29) na Folha da Manhã

 

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Vanessa Henriques — “A senhora é uma comunista!”

 

 

 

O avanço da Direita não é um fenômeno que se restringe às fronteiras brasileiras. Todo o mundo parece estar vivenciando o crescimento do apelo do discurso propagado por grupos de direita e extrema-direita, inclusive a Alemanha, que há apenas algumas décadas atrás abrigava o nazismo hitlerista, responsável por um dos episódios mais tenebrosos da história da humanidade.

No Brasil, tenho acompanhado com temor e preocupação as investidas de grupos organizados de direita contra exposições de arte e aulas em universidades. Ontem mesmo um grupo de direitistas interrompeu uma aula especial sobre os 100 anos da Revolução Russa que acontecia na Uerj. Durante a fala da professora de história Teresa Toríbio, um dos homens acusou: “A senhora é uma comunista!”. Os integrantes do grupo ostentavam símbolos militares e portavam câmeras de celular apontadas para os alunos e para os professores que ministravam a aula. Um vídeo que está circulando nas redes registra o momento em que um dos homens defende energicamente: “O que precisamos é de uma intervenção militar!”. Estaríamos nós retrocedendo aos tempos em que os professores temiam ser interditados por agentes da ditadura em plena sala de aula?

Desde a última quinta, o Sesc Pompeia, um dos principais centros culturais de São Paulo, vem sofrendo agressivos ataques nas redes por receber para um seminário a filósofa estadunidense Judith Butler. A página do Sesc no Facebook vem ganhando, desde então, inúmeras avaliações negativas — mesma tática usada por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) no caso da exposição “QueerMuseu”, então sediada pelo Santander Cultural, em Porto Alegre. Ao visitar a página do Sesc, para escrever este artigo, encontrei este comentário, seguido de uma avaliação negativa: “Ridículo Sesc, a hora de vocês que são contra a constituição mais bela que Deus criou está chegando!”. Como esse, tantos outros comentários que seguem esta linha de raciocínio estão dispostos na página da instituição. “Judith Butler não é bem-vinda ao Brasil”, afirma o texto da petição dirigida ao Sesc Pompeia, que já reúne mais de 100 mil assinaturas.

Ainda nessa semana, às portas do Enem, a Justiça Federal acolheu o pedido do movimento Escola Sem Partido e suspendeu a regra do exame que prevê a anulação de redações que violem os direitos humanos. Na última edição, quando o tema da redação havia sido “intolerância religiosa”, as redações que continham incitações à violência e à perseguição de seguidores de determinadas religiões, bem como a destruição de símbolos religiosos, foram anuladas. Este caso é um exemplo de como grupos da “nova direita” defendem discursos de ódio e preconceito sob o guarda chuva da defesa da liberdade de expressão.

No mercado editorial, cada vez mais vende-se livros de expoentes do pensamento da “nova direita” no Brasil: Olavo de Carvalho, Luiz Felipe Pondé, Guilherme Fiuza, Marco Antônio Villa, dentre outros. Estes intelectuais possuem em comum uma retórica inflamada e a obstinação de tentar desconstruir alguns consensos que teriam sido inventados pelos “esquerdopatas” (termo cunhado por Reinaldo Azevedo e que equipara a adesão a valores de esquerda a uma doença mental).

Para muitos dos expoentes desse pensamento, a esquerda ocuparia a quase totalidade dos postos de poder não apenas no Brasil, mas no mundo, onde é evidente, segundo Olavo de Carvalho, a “hegemonia esquerdista”. Para muitos de seus seguidores, a possibilidade de uma “revolução comunista” no Brasil é até mesmo iminente. Seguindo essa linha de raciocínio, o PSDB, partido conhecido por abarcar políticos defensores da ideologia neoliberal, é franco representante da esquerda, tal como grande parte do quadro partidário brasileiro; como afirma Rodrigo Constantino, Obama é um comunista e Luciano Huck pertence ao grupo da “esquerda caviar”.

Institutos e “think tanks” de direita, como o Instituto Liberal, o Instituto Millenium e o Instituto Ludwig Von Misses reúnem empresários, economistas, juristas, e outros intelectuais e possuem como objetivo alavancar pautas liberais e conservadoras no debate público, bem como aprovar Projetos de Lei que coadunem com seus interesses. O Instituto Millenium, por exemplo, possui parcerias com relevantes grupos empresariais, tais como a Editora Abril, a Gerdau, o Bank of America Merry Lynch, o Grupo Suzano, o Grupo Estadão, dentre outros. A criação do “Partido Novo”, bem como a criação dos movimentos “Revoltados Online”, “Brasil Livre” e “Vem Pra Rua”, que possuem grande capilaridade nas redes sociais e surfam na descrença nas instituições políticas — que é uma grande marca do cenário brasileiro e mundial — também são expressões do incremento das forças da chamada “nova direita”.

No Estados Unidos, temos um homem como Donald Trump presidindo a potência mundial. No Brasil, Bolsonaro aparece muito bem cotado nas pesquisas de intenção de voto à presidência do país. Nesse cenário, o medo do que está por vir não é só justificável; é necessário.

Pessoalmente, sou orientada por valores de esquerda: gostaria de ver os brasileiros tendo acesso à educação e saúde públicas de qualidade. Gostaria de viver num mundo em que as diferenças fossem respeitadas, em que ninguém morresse por conta da religião que professa, por conta da orientação sexual ou pelo gênero que assume. Gostaria de viver num país em que a desigualdade de renda não fosse tão aviltante e que não fôssemos tão assolados pela ausência de segurança pública. Contudo, não deixo de reconhecer que existem também em movimentos que se intitulam de esquerda, manifestações equivocadas e que pecam pelo exagero e pela falta de bom senso.

Precisamos conversar mais e adotar uma atitude questionadora diante da vida. Que ouçamos mais os argumentos dos nossos interlocutores e que realmente estejamos abertos a mudar de opinião caso sejamos confrontados com alguma assertiva que pareça ser mais razoável. Precisamos dialogar mais, escutar mais, ler com profundidade sobre temas relevantes para o debate público e não apenas nos informarmos pelos textos superficiais que são despejados a todo o momento, de todos os cantos e lados, nas redes sociais que nos atolam de informes e notícias. Urge que nos manifestemos agora contra todas as expressões de ódio e intolerância, antes que seja tarde demais.

 

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Choro, cineclube e reggae nestes sábado e domingo, em Campos e SJB

 

O blog divide uma dúvida boa para o final de semana: Campos ou São João da Barra? Quem ficar na primeira, tem como opção neste sábado (28) a 4ª edição do exitoso projeto Choro na Villa. A atração principal será o grupo “Afluentes”, que mistura o tradicional choro com outros estilos musicais.

A programação se estende das 16h às 23h na Casa de Cultura Villa Maria, da Uenf, dirigida pela professora Simonne Teixeira. Realizado num dos entornos arquitetônicos mais belos da cidade, o evento tem apoio da Folha da Manhã.

 

 

Já para quem for passar o sábado em São João da Barra, a pedida do sábado é o Cineclube Atafona, promovido pela CasaDuna, localizada na av. Atlântica. Às 19h, será exibido o documentário “Janelas da alma” (2001), dirigido por João Jardim e Walter Carvalho, mestre da fotografia no cinema brasileiro. A curadoria do evento é de Filipe Codeço, Fernando Codeço e Julia Naidin.

 

 

Quem optar por São João da Barra, além do sábado em Atafona, há outra boa opção para o domingo (29): o “Reggae da tarde”. Na beira do cais da cidade de São João da Barra, no final da avenida Joaquim Thomaz de Aquino Filho, a banda local Reggae Insana tem apresentação marcada a partir das 14h.

À beira do rio Paraíba do Sul, o local oferece um pôr de sol entre os mais bucólicos da região. Quem promove o evento é o ator e músico sanjoanense Saullo Oliveira.

 

 

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Arthur Soffiati — Arte, liberdade e censura

 

“A origem do mundo”, óleo sobre tela de 1866, de Gustave Coubert

 

Desenhos, pinturas e esculturas retratando a nudez são ambíguos na concepção judaico-cristã-muçulmana. Nas culturas de matriz judaica, sobretudo na cristã, o corpo humano desnudo é entendido como sagrado ou como pecaminoso. Normalmente, Jesus crucificado aparece com um exíguo pano sobre a genitália. Visto assim, a nudez é sagrada. Por outro ângulo, a nudez é erótica e pornográfica. No chamado mundo pagão, nem a nudez nem a sexualidade eram vistas como pornográficas. A noção de nudez e de pecado nasceu no mundo monoteísta. Mais precisamente no início da modernidade. Exatamente no momento em que os valores medievais começam a ser questionados

Ainda vivemos essa ambiguidade. A prova mais cabal foram as recentes exposições “Queermuseum”, em Porto Alegre e a performance “La bete” no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Elas levantaram polêmicas sobre liberdade de expressão e censura. Mas não apenas a imagem pode provocar celeumas. Também a literatura e a música podem gerar discussões. Examinemos alguns casos.

Primeiro caso: Pietro Aretino. Ele viveu na primeira metade do século XVI, quando o renascimento já havia mudado a concepção de arte. Aretino era escritor libertino. Entre outros escritos, compôs “Sonetos luxuriosos” (São Paulo: Companhia das Letras, 2011). Dele, transcrevo apenas um soneto, o de número 13, escolhido a esmo: “Chega de briga, sus, tudo se ajeita./Reparti a iguaria saborosa:/Um põe no cu, na cona o outro se entrosa,/Dando princípio à amorosa empreita.//Atenda cada qual ao que deleita,/Foder bem, usar coisa tão gostosa,/Porque no fim em cona ou cu se goza/Pela mesma dulcíssima receita.//Nisto fazei do modo como alego;/Em rixas nem questões vos retardeis,/Cada qual no buraco meta o prego.//Se na culatra os dois vos comprazeis,/Por foder-se ali sério (não o nego),/Noutra foda o buraco trocareis.//Mas o bom Irmão, eis/Que deixa o oval e no redondo a fundo/Entra só para dominar o mundo.”

Pietro Aretino inaugurava a pornografia literária, um gênero que ganhará o ocidente e o mundo nos subterrâneos e na clandestinidade. O curioso é que a pornografia de hoje é o cult de amanhã. Vejamos, no Brasil, o caso de Carlos Zéfiro, proibido no passado e cultuado hoje.

Segundo caso: Marquês de Sade. Imaginemos que quatro homens ricos e libertinos promovam uma orgia trancados num castelo por quatro meses com quarenta jovens de ambos os sexos forçados à prisão. Quatro cafetinas são recrutadas para narrar suas aventuras sexuais e para inspirar constrangimentos, estupros, abusos e assassinatos. Em síntese, foi o que escreveu o Marquês de Sade em “120 dias de Sodoma”, quando estava preso na Bastilha em 1785. Sade é um teste para os progressistas, pois que eles condenam a censura, por um lado, o estupro e violência, por outro. Pasolini levou para o cinema, o polêmico livro de Sade, mas dando-lhe uma conotação fascista. Seriam fascistas os quatro homens que promovem a orgia. Assim, Pasolini estaria adotando uma postura crítica. De qualquer modo, a polêmica causada pelo livro e pelo filme não foi digerida.

Terceiro caso: “A origem do mundo”. No século XIX, Gustave Courbet pintou “A origem do mundo”, quadro retratando uma mulher nua da qual não aparece a cabeça. Merecem destaque apenas o seio direito e uma acintosa vagina. Certa vez, numa palestra sobre ética e estética, em Vitória (ES), estampei esse quadro para um numeroso público. O silêncio foi profundo. Não fui abertamente criticado, mas a imagem calou fundo nos presentes. Ainda hoje, ele causa mal-estar, mas está absorvido pela opinião pública.

Quarto caso: “Sagração da primavera”. Não se pode considerar uma composição musical como pornográfica, a não ser se acompanhada de letra, libreto ou algo que envolva palavras. Mas ela pode causar repulsa no público. Foi o que aconteceu 1913, na estreia de “Sagração da primavera”, bailado de Stravinsky. A música foi vaiada e repudiada, inclusive por compositores consagrados. Hoje, “Sagração” é considerada a fundadora da música moderna do século XX. Stravinsky passou à condição de gênio. Ele é talvez o maior compositor contemporâneo, ainda não igualado.

 

 

“A fonte”, de Marcel Duchamp

Quinto caso:  Em 1917, Marcel Duchamp colocou a concepção de arte em cheque com “A fonte”. A obra nada mais que é um urinol de banheiro público, sem nenhum trabalho do autor. Ele criou o conceito de arte pronta. Não é preciso mais o trabalho de criação do artista. Basta apenas que ele reconheça em alguma peça do cotidiano um valor estético. Numa exposição coletiva, deparei, certa vez, com uma lata de banha. Aproximei-me dela julgando que fosse uma lixeira. A seu lado, havia um título. Tratava-se de uma obra de arte.

Até hoje, Duchamp causa celeuma. Umberto Eco inseriu “A fonte” em seus livros “História da beleza” e “História da feiura”, ambos publicados pela Record. Por sua vez, Affonso Romano de Sant’Anna entende que a arte começou a se perder com Duchamp, pois tudo pode ser arte. Portanto, nada é mais arte. “A fonte” e outros exemplos de arte pronta não causam polêmicas de ordem moral, mas sim de ordem estética.

Sexto caso: Semana de Arte Moderna. Em 1922, jovens artistas resolveram se manifestar publicamente em São Paulo, por três dias de uma semana de fevereiro. Eles queriam mostrar ao público sua produção artística na literatura, música e artes plásticas. A ruptura proposta na Semana de Arte Moderna gerou vaias. Durante um pronunciamento, Mário de Andrade, um dos artistas, voltou-se para o público dizendo que queria vaias e batatas. Alguns nomes da Semana se tornaram consagrados artistas e intelectuais. Outros não tiveram o mesmo futuro.

Sétimo caso:  Jeff Koons. Em 1991, o artista norte-americano Jeff Koons casou-se com a estrela pornô italiana Ilona Staller (La Cicciolina) e com ela produziu uma série de fotos retratando sexo vaginal, oral e anal. A exposição das fotos causou escândalo e polêmica. A linha divisória entre arte e pornografia ficou tênue. Pelo conjunto da obra, Koons não pode ser considerado um destacado artista. Assim, a dúvida entre suas qualidades e a apelação para sua pessoa permanece.

Filósofo gregao Platão (428 a.C./ 348 a.C.)

Conclusão: as polêmicas em torno da arte são frequentes desde o renascimento. Na antiguidade não se tem notícia delas. Há o caso de Platão, que se situa mais no plano filosófico. Ele considerava tudo que existia na Terra como cópias de modelos ideais no mundo das ideias. Assim, retratar uma pessoa, um animal ou uma planta se tratava de uma cópia da cópia. Isso não interferiu na criação artística.

O fundamento das polêmicas é estético ou moral. Conservadores e progressistas vaiam de acordo com suas posições políticas. Caetano e Gil foram vaiados pela esquerda durante a Tropicália.  Uma obra ou um movimento são criticados seja pela concepção estética, seja por se utilizar de imagens religiosas ou da sexualidade humana. O escândalo que uma obra causa não garante a qualidade estética dela. Esse o caso de Aretino e Koons, por exemplo. Muito barulho por nada. Por outro lado, Courbet, Stravinsky, Villa-Lobos e Mário, de Andrade sofreram severas críticas do público e se consagraram como artistas. A liberdade de expressão dos artistas e do público está assegurada no mundo ocidental. Creio que a prudência, contudo, recomenda que exista classificação de exposições por faixa etária. Elas também devem ser promovidas por instituições públicas. É o que está acontecendo com a exposição “Histórias da Sexualidade”, no Museu de Arte de São Paulo, proibida para menores de 18 anos. Assim, evita-se que uma criança toque no pênis de um homem nu em vez de no seu pé. Evita-se também que uma instituição privada sofra pressão de seus clientes e suspenda exposições. Mas, convenhamos, não deveria haver proibição e sim recomendação. Da mesma forma, a idade poderia ser reduzida para 16 anos. Com essa idade, moça ou rapaz já sabe de tudo nos dias de hoje.

 

Folha Letras da edição de hoje (27) da Folha

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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Guilherme Carvalhal — O avô e o neto

O avô lhe contava sobre seus quarenta anos na mesma montadora. Entrou aos 19, aposentou aos 60, esse tempo todo atuando na área metal-mecânica. A mesma turma que embarcou na época trabalhou unida ao longo dos anos. Enquanto isso, o neto, aos 27 anos, já estava no quarto emprego, sem contar os estágios.

Além disso, o avô não possuía quinta série. Mesmo iletrado, conseguiu seu cargo como operário e aprendeu na marra a mexer com solda e tornearia. Já o neto, formado e pós-graduado, cogitava se um MBA ajudaria a garantir sua posição na empresa.

O avô se casou aos 22 anos e permaneceu a vida inteira junto a uma única mulher. Por sua vez, o neto rompia o segundo noivado e as expectativas de filhos tão aventadas pela família se atrasavam.

O neto escutava ao seu redor todos os comparativos possíveis acerca das diferenças de gerações  dos quais, evidentemente, conclui-se a juventude de hoje como fraca em comparação à das gerações anteriores. Portanto, cada vez mais se fazia necessária a presença de lideranças fortes, capazes de criar novos referenciais, justificavam.

Concomitantemente a tais indagações, o neto não deixava de notar o quanto o mundo mudava e o quanto a mentalidade geral não acompanhava essas mudanças. Assim, em uma realidade de robôs executando tarefas braçais, de sistemas informatizados, de relações hiperconectadas, uma ideologia da época de Henry Ford permanecia intacta. E pensamentos arcaicos visavam recuperar um mundo passado que não cabe mais na atualidade.

O avô dizia, essa garotada não tem mais colhões. Antes, para se fazer um homem de verdade, tinha que trabalhar arduamente. Nascia predisposto a dar de cara com os desafios. Não choramingava nem reclamava. O neto lembrava, nos tempos do seu avô um garoto de 10 anos sabia exatamente como seria sua vida aos 60. Um menino da roça envelheceria na roça. Uma menina da cidade passaria a vida cozinhando pro marido. Hoje, o leque de opções é tão vasto e o mundo é tao fluído que ninguém tem expectativa de absolutamente nada.

Seu avô acreditava ser urgente resgatar os governos antigos, que estabeleciam padrões sólidos de comportamento e formavam pessoas honradas e leais. O neto, entretanto, pensava em tantas histórias de golpistas, de políticos corruptos, de roubos e homicídios que ocorriam antigamente, que não compreendia ao certo de qual passado ele sentia falta nem de qual governo que estabeleceu essa tal ordem.

Em muitas décadas atrás, talvez seu bisavô ou tataravô criticassem o avô por ouvir rádio, dirigir um carro ou por trabalhar em fábrica ou invés de capinar pasto. Até um mais venerando ainda sentisse falta da monarquia, pois nessa época havia valores tangíveis, com direito até a trabalho sem salário.

Pensou caso rejuvenescessem seu avô e ele, com a mesma mente, fosse embarcar no mercado de trabalho dos dias de hoje. Imaginou-o cru, sem estudo, sem curso técnico, sem conhecimento de segurança no trabalho, tentando entrar em uma montadora. Apenas de olhar cada aspecto informatizado, a série botões, todas as tarefas pré-determinadas, ele se converteria no mesmo padrão de jovem fraco que vivia criticando e se agradaria ao final do dia com um comprimido de benzodiazepínico.

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Ricardo André Vasconcelos — Afinal que mundo queremos?

 

Daqui a pouco o mundo onde nasceram as ideologias não existirá mais

 

 

É inevitável. Vem à boca um indisfarçável gosto de fracasso quando exposto à dicotomia ideológica sempre que instado a dar uma opinião ou ler/ouvir opinião alheia. Quase quatro décadas atrás, quando fui apresentado aos conceitos de ideologia política não tive dúvidas de que minha prática diária e meus sonhos se alinhavam com os ideais da Esquerda. Comida, escola, saúde, transporte, cultura e lazer para todos era o que já defendíamos quando o país era governado por uma ditadura civil-militar, seguindo o ideário de Direita, como em praticamente todo o Sul do Continente.

Assim como minha geração teve nos generais ditadores seu objeto de contestação materializada na censura, tortura, medo, e falta de liberdade, entendo o encantamento da geração atual com o ideário de Direita, porque o constestável que conheceram foi o governo do PT.  Apesar dos avanços na área social, o que restou do petismo foi a corrupção endêmica que parece ter causado nos jovens de hoje impacto tão devastador quanto à falta de liberdade no regime militar. Não que a corrupção seja uma invenção petista e que não existia na ditadura. Naquela época, as instituições estavam sob botas. Enquanto no contra a ditadura havia ímpeto para derrubá-la, o desencanto com a política leva, depois da apatia, a um caminho desconhecido.

Não comungo da simplificação típica dos tempos de facebuquização, mesmo porque Direita e Esquerda se subdividem em inúmeros matizes, nem todos justificáveis. A chamada Direita Liberal, que chega ao poder através do voto para desenvolver um governo baseado na livre iniciativa e consequente redução do Estado ao mínimo é tão respeitável quanto a Esquerda Democrática que implanta seu governo legitimado pelo voto, reservando ao Estado papel preponderante para promover o desenvolvimento social. A versão preocupante é a Direita xenófoba e ultranacionalista, representada no passado por gente como Hitler e agora por Donald Trump. Da mesma forma o é a Esquerda antidemocrática de Chávez-Maduro-Morales de hoje e de Stalin-Mao no século passado.

Beirando ao fim da segunda década do terceiro milênio, custa acreditar que a concentração de renda no Brasil ainda é uma das maiores do mundo: 27% de toda a renda nacional estão nas mãos de 1% da população mais rica. Nos Estados Unidos, 1% dos mais ricos tem 19,3% da renda do país. Alguma coisa continua fora da ordem. E não foi sem motivo que, o último dia 19, ninguém menos que George Bush, o filho — presidente dos Estados Unidos de 2001 a 2009 — veio a público proclamar que a democracia mundial corre risco. “A confiança nas instituições diminuiu. O sonho de subir na vida parece inalcançável para quem ficou para trás em uma economia que está mudando. A insatisfação aumentou e aprofundou os conflitos entre quem pensa de forma diferente. Existem sinais de que o apoio à própria democracia diminuiu, principalmente entre os jovens. Parece uma combinação de cansaço, desgaste e memória curta”, disse Bush, dando-nos no que pensar.

De volta ao Brasil, o gosto de fracasso que insiste na boca não é apenas pelo operário que virou presidente, gostou e tentou virar patrão, até mesmo porque vou continuar professando minha fé na educação e saúde públicas; contra a exploração do homem pelo homem e pela criação de oportunidades iguais para todas as pessoas. O fracasso é concluir que, dos ideais da Revolução Francesa (1789-1799), a Direita tenha escolhido a liberdade e a Esquerda, a igualdade. E quase dois séculos depois de exemplos de governos catastróficos em nome de uma ou de outra, ainda não evoluímos para incluir o terceiro pilar, a fraternidade, nessa equação.

Afinal, que mundo queremos?

 

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Morre poeta Pedro Lyra e Rio das Ostras cancela Festival de Jazz & Blues

 

 

 

Pedro Lyra (Foto: Kleber A. Gonçalves)

 

 

Morre Pedro Lyra

Morto na última segunda-feira (23), em Campos, aos 72 anos, o poeta cearense Pedro Lyra teve seu corpo velado ontem na cidade, antes de seguir ao Rio de Janeiro, onde foi cremado. Poeta consagrado nacionalmente, era pós-doutor em tradução poética pela Universidade de Sorbonne, na França. E há anos lecionava Centro de Ciências do Homem (CCH) da Uenf. Ele estava internado em Campos desde que sofreu um infarto, na madrugada do último dia 9. Suas cinzas serão levadas para Fortaleza, onde será celebrada sua missa de sétimo dia.

 

“Só isto, a vida”

“Estamos muito abalados com sua partida. Meu pai viveu para a poesia. Ele tinha 72 anos, deixa cinco filhos, três netos e muitos versos”, disse ontem Wladimir Lyra, filho do poeta. Além da Uenf, ele também foi professor da Universidade de Fortaleza (Unifor) e da Universidade Federal do Ceará (UFC). No poema “Um diálogo com Deus”, ele definiu em versos: “Só isto, a vida/ — ou nisto resumida./ Só isto, a vida humana:/ um breve rastejar, entre o Big Bang e o Apocalipse”.

 

Crise desafina (I)

Um dos festivais mais aguardados entre os amantes da música negra dos EUA, o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival teve seu cancelamento anunciado oficialmente no início da semana. O motivo alegado pela organização do poder público daquele município foi a crise econômica. Marcada para ocorrer entre os próximos dias 18 e 20 de novembro, seria 15ª edição anual do festival, que se consolidou ao longo dos anos no calendário oficial dos apreciadores do estilo musical na região, no Estado e no país.

 

Crise desafina (II)

O Festival era organizado anualmente, sempre com entrada franca. Há mais de uma década, tinha virado encontro obrigatório dos amantes do blues e jazz, de várias faixas etárias e lugares, que se reuniam para conferir atrações musicais nacionais e internacionais. Movimentava o setor de serviços não só de Rio das Ostras, como de Macaé. Segundo a organização, a não obtenção de recursos junto à iniciativa privada causou o cancelamento. A promessa é de que volte em 2018, no feriado de Corpus Christi, entre 31 de maio e 3 de junho.

 

Comédia pastelão

Em comentário na edição de ontem desta coluna (aqui) nas redes sociais, um leitor comentou que a longa entrevista do ex-governador Anthony Garotinho (PR), com o jornalista Roberto Cabrini, exibida na noite de domingo (22) pelo SBT, foi “uma comédia”. É a opinião predominante entre os campistas que perderam quase uma hora para assistir às encenações em rede nacional de Garotinho e Rosinha, conhecidas na planície desde que ambos eram atores amadores no Teatro de Bolso (TB) Procópio Ferreira, nas décadas de 70 e 80 do século passado.

 

Filme de gângster

No dia seguinte, na segunda (23), o espetáculo foi de outo ex-governador: Sérgio Cabral (PMDB), ex-aliado de quem Garotinho pretender ser agora o grande antagonista. O depoimento em que Cabral confrontou quem de fato encara com seu rival, o juiz federal do Rio Rodrigo Bretas, também foi exibido em rede nacional. Se a participação do casal da Lapa, diante de Cabrini, foi considerada uma comédia pastelão, a de Cabral, diante de Bretas, lembra outro gênero: filme de gângster. Como indagou o leitor: a que nível desceram os três ex-governadores do Rio?

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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Crise econômica cancela Rio das Ostras Jazz & Blues Festival

 

No eco do bordão do blogueiro Christiano Abreu Barbosa: É grave a crise! Consolidado há mais de uma década como o melhor evento de blues e jazz do interior do Estado do Rio, e um dos mais conceituados no Brasil, a 15º edição do Jazz & Blues Festival de Rio das Ostras teve seu cancelamento anunciado. O motivo alegado pela organização do poder público municipal foi a crise econômica.

O Festival era organizado anualmente, com entrada franca, há uma década e meia. Neste tempo, virou calendário quase obrigatório para os amantes dos estilos musicais na região e no Estado do Rio, atraindo gente também de outras partes do país. Movimentava o setor de serviços não só de Rio das Ostras, como de Macaé e Búzios. A edição deste ano estava marcada para ocorrer entre 18 e 20 de novembro.

Confira abaixo o comunicado do cancelamento na democracia irrefreável das redes sociais:

 

 

 

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Academia de Campos analisa voto “Bolsolula” ou “Lulanaro”

 

Ontem, quatro representantes da academia local foram ouvidos por mim e o jornalista Aldir Sales. A pauta foi repercutir um dado interessante (aqui) da pesquisa Datafolha, feita entre 27 e 28 de novembro, à corrida presidencial de 2018: 6% dos que manifestaram intenção de voto no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disseram que, se ele fosse impedido de concorrer pela Justiça, votariam no deputado federal Jair Bolsonaro (PSC); enquanto 13% dos que declararam voto neste a presidente, disseram que votariam em Lula, caso Bolsonaro saísse do páreo.

Em Campos ideológicos aparentemente opostos, Lula e Bolsonaro lideram a corrida, segundo a consulta Datafolha. E a comunhão de parte do eleitorado por ambos, numa aparente contradição, foi analisada pelo cientista político Hamilton Garcia de Lima, da Uenf; pelo sociólogo George Gomes Coutinho, da UFF; além dos historiadores Aristides Soffiati, também da UFF, e Guiomar Valdez, do IFF.

Quem quiser ler a versão da matéria publicada hoje na Folha, pode conferir aqui. Mas como, por questão de espaço, os depoimentos dos quatro professores tiveram que ser editados, para ter acesso à integra das suas análises sobre o fenômeno chamado de “Bolsolula” ou “Lulanaro”, é só conferir abaixo:

 

 

 

Hamilton Garcia de Lima, cientista político — O eleitorado está em busca de soluções para os problemas que se tornaram agudos depois de mais de uma década de omissão do poder público, em meio à euforia do último ciclo de expansão comercial, e da crise ético-político-econômica que vieram em sua esteira. Os candidatos com propostas claras e diretas, em torno dos temas objeto de preocupação do eleitorado, tendem a prevalecer num cenário de desolação e indignação com partidos desacreditados e lideranças titubeantes ou desmoralizadas. No caso de Lula, embora seja um político profissional com vários processos e uma condenação judicial por corrupção, ele se comporta como o lutador de uma causa que consiste em levar prosperidade ao lares dos brasileiros mais humildes. O que, num país com os dados alarmantes de desigualdade, tem um enorme apelo eleitoral, até porque esse tipo de eleitor se fixa na pessoa do candidato e não em grupamentos políticos e, para eles, a crise está associada à Dilma, não a Lula. Não é por outro motivo que o petista começa a atacar a gestão da colega fracassada, embora jogando a culpa da crise atual no Governo Temer. É desse modo que ele se torna atraente até mesmo para eleitores do seu arquirrival ideológico: Bolsonaro.O eleitorado está em busca de soluções para os problemas que se tornaram agudos depois de mais de uma década de omissão do poder público, em meio à euforia do último ciclo de expansão comercial, e da crise ético-político-econômica que vieram em sua esteira. Os candidatos com propostas claras e diretas, em torno dos temas objeto de preocupação do eleitorado, tendem a prevalecer num cenário de desolação e indignação com partidos desacreditados e lideranças titubeantes ou desmoralizadas. No caso de Lula, embora seja um político profissional com vários processos e uma condenação judicial por corrupção, ele se comporta como o lutador de uma causa que consiste em levar prosperidade ao lares dos brasileiros mais humildes, o que, num país com os dados alarmantes de desigualdade, tem um enorme apelo eleitoral, até porque esse tipo de eleitor se fixa na pessoa do candidato e não em grupamentos políticos e, para eles, a crise está associada à Dilma, não a Lula. Não é por outro motivo que o petista começa a atacar a gestão da colega fracassada, embora jogando a culpa da crise atual no Governo Temer. É desse modo que ele se torna atraente até mesmo para eleitores do seu arquirrival ideológico: Bolsonaro.

 

George Gomes Coutinho, sociólogo — O fenômeno migratório de votos Lula/Bolsonaro ou Bolsonaro/Lula deve ser compreendido utilizando o background de nossa conjuntura social contemporânea. De outra maneira torna-se simplesmente “irracional” para o analista. O que eu compreendo é que há uma profunda e ainda dispersa insatisfação na nossa sociedade contemporânea com perspectivas “mercadocêntricas”. Há um mal-estar inegável como o nosso atual status quo. Estas perspectivas pró-mercado são as defendidas pelos agentes de mercado e seus porta-vozes e obviamente não representam a totalidade dos anseios políticos dos brasileiros. Neste sentido, tanto Lula quanto Bolsonaro, por estranho que possa soar, são historicamente críticos de um laissez faire mais radical e ambos são identificados com uma postura mais intervencionista estatal. Mesmo que ambos, Lula e Bolsonaro, tenham feito vários acenos generosos ao mercado em diversas ocasiões, sendo este movimento realizado por Bolsonaro de forma mais recente. O que importa na fotografia proposta pela última pesquisa do Datafolha é a “memória” do eleitor, como ele identifica e interpreta determinada figura pública. Arrisco dizer que para parte do eleitorado ambos os presidenciáveis representam a negação ao status quo, a despeito de suas inegáveis e profundas diferenças nas posturas, adesões e proposições políticas. Por isso a migração da intenção de votos entre um e outro é viável para parte de seus eleitores.

 

 

 

Aristides Soffiati, historiador — O quadro que a pesquisa Datafolha mostra, nessa migração de elitores entre Lula e Bolsonaro, revela a despolitização das pessoas. A definição desses votos, sobretudo nas classes mais baixas, não passa pela questão ideológica. Essa coisa de ideologia é mais para os intelectuais. A população é pragmática. Não acho que isso seja bom, mas não sei como alterar. Os índios, antes da chegada do europeu à América, não tinham leis, mas obedeciam a uma maneira de se comportar. Nós nos dizemos uma democracia, uma república, mas precisamos de leis, desobedecidas principalmente pelas camadas mais altas da sociedade. Quanto mais leis, e nós temos muitas, cada vez mais o comportamento real parece se afastar delas.

 

 

 

 

Guiomar Valdez, historiadora — O fenômeno “Bolsolula” ou “Lulanaro” identificado na pesquisa Datafolha, de fato, desafia as análises políticas. Penso que seja um quadro resultante da profunda despolitização e abafamento dos movimentos sociais e no esgarçamento de suas lideranças ao longo dos últimos 15 anos em regime democrático e aprofundada pela crise econômica-social. Um possível desdobramento é o pragmatismo de parte razoável de eleitores, ou seja, o candidato que inspirar resolver problemas que assolam o seu dia-a-dia na mesa e na mente, apontar uma saída plausível, terá o seu voto. É o improvável que se apresenta possível por esta pesquisa. Aguardemos!

 

 

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Orávio de Campos — Para aclarar a memória

 

 

 

Ao chegar em sua principal colônia, em 1808, fugindo da saga militar de Napoleão Bonaparte que, no afã de dominar a Europa, decretara o famoso bloqueio continental, D. João VI, trazendo a bordo todos os burocratas da corte lusitana, encontrou por aqui, de formação insipiente, um grupamento militar, criado, ainda, nos tempos das conquistas do Rei D. José I, na segunda metade do Século XVIII, para dar proteção ao Vice-Reinado instalado no Rio de Janeiro.

Historicamente, o regente português, que trouxera na bagagem sua genitora, a Rainha D. Maria I, a Louca — aquela megera que sentenciou Tiradentes à forca e ao  esquartejamento — aproveitou a estrutura hieráquica da Cavalaria de Guarda, transformando-a em Regimento, nos mesmos moldes dos denominados “dragões” do Rio Grande do Sul, cuja missão era a de dar segurança à presença do governo imperial no cenário nada saudoso do Brasil Colônia.

Contudo, apesar de controvérsias históricas, há registros salientando que “as forças militares se reuniam sempre que o poder necessitava abafar qualquer tipo de agressão às nossas fronteiras”, isso desde o inicio da colonização, no Século XVI, mas a data oficial da implantação do Exército é o dia 19 de abril de 1648, como referência à Batalha de Guararapes — o primeiro grande embate em favor da restauração do poder português em confronto com holandeses, em Recife.

Muitos revisitadores, no entanto, defendem que o Exército brasileiro tem origem no ato simbólico da Independência, às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo, quando a guarda do Imperador Pedro I consolida o desejo do monarca em separar o Brasil de Portugal, por não concordar com o retorno do Pacto Colonial proposto pela Revolução do Porto, em 1820, até porque naquela ocasião o Rio de Janeiro já tinha os ares de uma cidade européia digna de abrigar uma corte independente.

A missão constitucional do Exército e, por extensão, das Forças Armadas — incluindo a Marinha e a Aeronáutica — é a de consubstanciar a Carta Magna e lutar em defesa da pátria (?) e, também, de cuidar de seus interesses no âmbito internacional, tanto que participamos das duas grandes guerras mundiais — 1914-1918 e 1939-1945 —, além de outras missões expressivas, como o conflito no Canal de Suez e as atividades humanitárias do Haiti, isso para reconhecer sua importância histórica.

Não se sabe se por questões teosóficas, que indicavam que os reis são/eram nomeações inspiradas por Deus, nos 67 anos dos dois reinados brasileiros não ocorreram problemas com os militares, pois cumpriram à risca o que estabelecia a Constituição de 1824, somente até a conspiração ardilosa pela queda do Imperador Pedro II, redundando na proclamação da República. Sem propor qualquer debate sobre a monarquia brasileira, (e não é nosso objetivo) pelo ponto de vista das (des) humanidades, foi a primeira covardia do Exercito e contra um monarca nascido no Brasil e que, expulso, dois anos depois, falecera de saudade, aos 66 anos, num hotelzinho em Paris.

Depois veio a Revolução de 30, com a ascensão de Vargas ao poder como presidente provisório, o que se transformaria numa ditadura até 1945. O Exército também atuou na decretação do fim da Era Vargas e conseguiu, com apoio das forças politicas de então, eleger presidente o General Eurico de Gaspar Dutra. Muito recente, ainda, o denominado Golpe de 1964, que derrubou João Goulart, instaurando uma ditadura sangrenta, que permaneceu na cena politica até 1985.

Pode-se lembrar, também, como exemplos, as ações belicosas (e selvagens) do Exército em lutas contra revoltas populares/nativistas (e foram muitas), ilustrando aqui a desenvolvida contra Canudos, no serttão da Bahia, em 1897, onde uma comunidade messiânica, comandada pelo beato Antonio Conselheiro, fora completamente dizimada. Homens, mulheres, idosos, crianças e animais mortos e decapitados, com requinte de barbaridade, e a contabilidade da ação desastrosa dos militares, assumida pelo presidente Prudente de Morais, registrou mais de 25 mil pessoas assassinadas.

No livro “Os Sertões” — que deveria ser lido por todos os brasileiros e em todas as escolas de jornalismo — o escritor Euclides da Cunha descreve os horrores de uma guerra desnecessária, produzida por uma república recém-instalada e que não tinha, ainda, se livrado dos ranços absolutistas da monarquia. O massacre de Belo Monte fica como uma das mais terríveis ações do Exército Brasileiro. Rachel de Queiroz, em “A Beata Maria do Egito”, também narra um conflito entre uma seguidora do Padre Cicero Romão, que sofrera a ação desalmada de um militar do Exército.

Na descrição da realidade e (ou) da ficção, levando em conta que os períodos golpistas não supriram o país de suas necessidades, o melhor para todos e para o estado democrático de direito é, (apesar das mazelas, da corrupção, do analfabetismo anacrônico de parte de nossa gente, da falta de educação, saúde e segurança…), a democracia, com todos os seus defeitos. Para quem passou, como jornalista atuante, pelas agruras produzidas pelos militares nos famigerados capítulos do golpe de 1964, é pesaroso se pensar em novo golpe. O juventude brasileira foi infeliz durante um quarto de século.

Aos militares, com seus uniformes pomposos, principalmente os dos Dragões da Impendência, deve ser mantida a obediência aos mandamentos da democracia, por pior que ela possa parecer. Ditadura, Civil ou Militar, Nunca Mais.

 

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TB no SBT para ocultar bastidores de uma pré-candidatura vazia

 

 

 

TB no SBT

Quem assistiu à longa entrevista do ex-governador Anthony Garotinho (PR) exibida na noite de domingo, pelo SBT, com o jornalista Roberto Cabrini, deve ter reconhecido o estilo teatral. A intervenção de Rosinha para impedir que o marido revelasse uma “denúncia bombástica”, por receio de supostas represálias, lembrou os tempos em que o casal da Lapa era mais conhecido como atores amadores do Teatro de Bolso (TB) Procópio Ferreira. Independente dos seus reais motivos, a entrevista serviu para Garotinho tentar não só se colocar em rede nacional como antagonista do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), como causador da sua prisão.

 

Cabral x Bretas

Bem verdade que a determinação ontem da transferência de Cabral, de Benfica para um presídio federal fora do Estado, ainda a ser definido, beneficia Garotinho, por ter se dado no dia seguinte à entrevista. Mas a decisão e seu motivo revelam quem Cabral considera, de fato, seu algoz: o titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, juiz Marcelo Bretas. Em audiência ontem sobre a compra de joias para lavagem de dinheiro, o ex-governador respondeu ao magistrado: “Não se lava dinheiro comprando joias. Vossa excelência tem um relativo conhecimento sobre o assunto, porque sua família mexe com bijuterias”.

 

https://www.youtube.com/watch?v=4DZZ8ENfOVE

 

Calvários

Bretas não gostou e questionou se não se trataria de uma ameaça velada de Cabral, que estaria tendo acesso a informações, mesmo preso desde 17 de novembro do ano passado. Por isso acatou o pedido do Ministério Público Federal (MPF) pela transferência do ex-governador. Antes, este chegou a dizer ao juiz: “Eu estou sendo injustiçado. O senhor está encontrando em mim uma possibilidade de gerar uma projeção pessoal, e me fazendo um calvário”. Curiosamente, lembra aquilo que Garotinho também acusa o juiz eleitoral de Campos Ralph Manhães, que o condenou a 9 anos e 11 meses de cadeia, na Chequinho.

 

Bastidor da peça

Antes de tentar pegar carona no “calvário” que o próprio Cabral atribuí a Bretas, Garotinho teve na última quinta (19) uma mostra do que lhe espera, caso tente outra vez retornar ao Palácio Guanabara. Ao lançar sua pré-candidatura a governador pelo PR, no Rio, ele não contou com a presença de nenhum dos sete deputados federais do partido no Estado. Dos três deputados estaduais do PR, só Bruno Dauaire apareceu. E, dos sete prefeitos fluminenses da legenda, Amarildo do Hospital, de São Fidélis, foi o único presente. O vazio não foi exibido em rede nacional pelo SBT, mas é o bastidor que definirá o elenco e o texto da peça em 2018.

 

Alerta na rede

O caso do pedófilo preso em flagrante em Campos aliciando uma menina de apenas 10 anos pela internet traz à luz uma discussão que não pode ficar à sombra da evolução tecnológica da comunicação. Os avanços e os benefícios são inegáveis, porém, o caso lembra do alerta permanente que os pais devem ter com os filhos menores de idade que possuem contato direto com as redes sociais. Muitos criminosos se escondem em perfis fakes para atrair a atenção das crianças e adolescente e o anonimato da rede, aliado com a falta de aparato de fiscalização do Estado, tornam a internet um prato cheio para esses criminosos, o que redobra a responsabilidade e cuidados que os pais precisam ter.

 

Preservação

A superintendência de Igualdade Racial de Campos promoveu ontem uma reunião com representantes de diversas secretarias e superintendências municipais para debater propostas de ações integradas em benefício das comunidades remanescentes de quilombolas. A proposta é definir projetos que colaborem para a melhoria da qualidade de vida dos descendentes de escravos, promovendo a preservação de sua cultura. Segundo a superintendente Lucia Talabi, estão sendo definidos ações para levar ações de resgate e preservação de identidade cultural dessas comunidades.

 

Perdas

Músicos de Campos, como o maestro Ethmar Filho e o professor Hélio Coelho externaram pesar pela morte do trombonista Roberto Marques, campista que alcançou projeção nacional, tendo participado de espetáculos antológicos, como “Tom, Vinicius, Toquinho e Miúcha”, “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque , além de ter atuado com Roberto Carlos, Bethânia, Roberto Carlos, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Simone, Alcione, Martinho da Vila, Nelson Gonçalves. Outro que partiu foi o narrador esportivo Diney Monteiro que atuou em rádios de Campos, São Paulo, Minas, Bahia e Paraná.

 

Com os jornalistas Aldir Sales e Paulo Renato Porto

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã

 

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