Charde do José Renato publicada hoje (27) na Folha
Macaé de Aluizio é exceção
Num momento em que quase todos os prefeitos do Brasil, sobretudo dos municípios produtores de petróleo, têm lutado contra dificuldades financeiras e buscado novas formas de arrecadação, a Macaé governada por Dr. Aluizio (PMDB) parece ser uma exceção. Pelo menos é o que demonstra o pesado investimento em propaganda feito na campanha “Menos royalties, mais empregos”. Nela, o município prega a redução pela metade (de 10% para 5%) dos royalties pagos pela Agência Nacional de Petróleo aos municípios pela exploração nos campos maduros da Bacia de Campos. Na propaganda de Aluizio, isso geraria 20 mil empregos.
Bom a dois, ruim ao resto
Por certo, como Macaé é a base de operação da Petrobras e das principais empresas que atuam na Bacia de Campos, ela colheria o aumento, por exemplo, de Imposto Sobre Serviços (ISS) sobre qualquer aumento no volume de trabalho ligado à exploração de petróleo. Mas só ela e, talvez, o município vizinho de Rio das Ostras, tradicional cidade dormitório de Macaé. Não por acaso, além de Aluizio, apenas o prefeito riostrense Carlos Augusto Balthazar (PMDB) apoia a perigosa aventura da redução de royalties, que prejudicaria diretamente as já combalidas finanças de todos os demais municípios da região.
Ética e caráter
Que Aluizio foi reeleito prefeito para lutar pelos interesses de Macaé, não há dúvida. Mas ele comete um erro, no mínimo, de natureza ética, quando o faz como presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro). É isso que questionam os prefeitos dos demais municípios produtores, cujas populações seriam penalizadas por uma eventual redução pela metade dos royalties. Conhecida por não ter papas na língua, a prefeita sanjoanense Carla Machado (PP) chegou a questionar o caráter do colega de Macaé, diante dele, na tensa reunião da Ompetro realizada na Prefeitura de Campos, em 4 de agosto.
Incluso fora
Uma próxima reunião da Ompetro foi marcada novamente em Campos, no último dia 17. Tinha como pauta a eleição da nova mesa diretora da Organização. E seu atual presidente, Dr. Aluizio, simplesmente não compareceu. Além de querer reduzir os royalties dos municípios da região, ele pareceu também buscar a redução do que está disposto a ouvir e do poder regional que pode perder. Ainda assim, a chapa tendo como presidente o prefeito de Campos, Rafael Diniz (PPS), e como vice a prefeita de Quissamã, Fátima Pacheco (PTN), foi aventada.
Rafael Diniz
Ouvidos pela coluna, Rafael, Fátima e Carla falaram sobre a campanha macaense de redução de royalties para todos. “É importante deixar claro que somos contra essa proposta, já que essa discussão precisa ser ampla, envolvendo todos os atores. É uma questão muito técnica e precisa ser discutida com a ANP, ministério de Minas e Energias e as empresas. É um tema sensível que não pode ser debatido de uma hora para outra, sobretudo nesse momento de crise onde já houve uma queda acentuada na arrecadação dos royalties. Quando um prefeito toma uma atitude, tem que ter a responsabilidade de pensar em todos”, questionou Rafael.
Fátima Pacheco
Já Fátima marcou a posição de Quissamã, oposta à vizinha Macaé: “Todos nós fomos impactados com a queda da arrecadação no repasse de royalties nos últimos anos. Apoio a proposta de investimentos em campos maduros da Bacia de Campos, mas não concordo que para isso seja preciso penalizar ainda mais os municípios, com diminuição da taxa de 10 % para 5%. Atualmente os recursos dos royalties garantem 30,03 % de nossa arrecadação total. A campanha do prefeito Aluizio não foi debatida e aprovada pelos prefeitos que compõem a Ompetro”.
Carla Machado
Por sua vez, Carla agendou uma reunião no Rio para tratar do caso: “Não temos informação sobre o que a Petrobras vai fazer com os campos maduros e nem sabemos as motivações da ANP para querer reduzir os royalties. Por isso agendamos para quarta (30) uma reunião com Luis Carlos Sanches, superintendente de Participações Governamentais da ANP, e com Christino Áureo, secretário estadual de Desenvolvimento Econômico. Como apoiar uma campanha que prega ‘menos royalties’ quando está para ser julgado pela ministra Carmem Lúcia, no Supremo, a redivisão dos nossos royalties para todos os municípios brasileiros?”.
Duas vezes vereador em Campos e deputado federal em quinto mandato, não se conta a história política do município ou da região nos últimos 25 anos sem se falar em Paulo Feijó (PR). Engenheiro aposentado da Rede Ferroviária, ele planeja pendurar as chuteiras também na disputa de eleições. E acena com a possibilidade de passar o bastão ao empresário Marcelo Mérida, presidente da Federação Fluminense das Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs), cuja pré-candidatura à Câmara Federal Feijó garante não ser um plano B do garotismo. Nesta entrevista, o deputado revelou os bastidores nebulosos dos interesses de Campos jogados na mesa de negociação do impeachment de Dilma Rousseff (PT) e tentou justificar seu voto contra a investigação de Michel Temer (PMDB). Feijó admitiu a candidatura de apoio a Rosinha Garotinho (PR) em 2008 e falou sobre sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Folha da Manhã – Você foi condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) a 12 anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, por conta do envolvimento na operação Sanguessuga, da Polícia Federal (PF). Como está seu recurso?
Paulo Feijó – Eu tenho 30 anos de vida pública. Eu fui vereador duas vezes e, pela quinta vez, eu sou deputado federal. Então, nesses meus 30 anos de vida pública, eu tive essa mancha na eleição de 2002. Através de um ex-funcionário, um empresário me deu uma ajuda irrisória para aquela campanha.
Folha – Irrisória de quanto?
Feijó – Na época, acredito que tenha sido uns R$ 50 mil, R$ 60 mil. E isso se transformou em uma tragédia na minha trajetória política. Esse escândalo, na época, envolveu mais de 100 parlamentares e mais de 200 assessores de parlamentares. Então, foi um escândalo envolvendo 300 pessoas.
Folha – Você chegou a ser expulso do PSDB na época?
Feijó – Não. O PSDB me ameaçou de expulsão. O fato foi em 2002 e estourou em 2006. Então, me antecipei e me desfiliei. Deixei de ganhar uma eleição em 2006, que, praticamente, estava ganha. Fiquei sem mandato. Aí, começou o meu sofrimento em relação a esse caso. Desses 100 parlamentares e mais os outros 200 assessores, acredito que eu tenha sido, talvez, o único condenado.
Folha – Por quê?
Feijó – Porque o meu caso, por eu ser deputado, foi para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Folha – Não havia mais deputados?
Feijó – Mas não foram julgados ainda.
Folha – O único julgado e condenado, no caso, é você?
Feijó – É. Teve outro deputado que foi condenado, mas, pela idade, prescreveu. Mas o meu julgamento, pela primeira turma, aconteceu em um momento de muita tensão entre Judiciário, Ministério Público e classe política. E esse caso meu também foi a julgamento porque estava próximo, muito próximo, da prescrição. Decisão judicial não se discute, e eu não vou discutir. Está entregue aos advogados. Cabem vários recursos. Eu acredito na reversão porque, no meu modo de ver, isso é um absurdo. Porque, primeiro, não tem nada que comprove esse meu envolvimento. Eu achava que ia ser absolvido por falta de provas. Depois, eu achava que essa questão ia prescrever. Mas justamente essa pressão do momento foi o grande dificultador para que eu sofresse esse revés. Mas está entregue aos advogados. Eu tenho fé em Deus e certeza absoluta de que nós vamos reverter. Eu jamais imaginava, na minha vida política, passar por uma situação dessas, viver um momento desses. Mas a política tem disso. Ela é cruel. Só que a gente acha que ela vai ser cruel com os outros. Mas não. Ela é cruel com todos que fazem, hoje, vida pública. Mas eu acredito em uma decisão favorável nos recursos que ainda nos cabem.
Folha – Você tem dito que seu mandato de deputado federal será o último que disputará a cargo eletivo. Há possibilidade de ser preso com a perda do foro privilegiado?
Feijó – Essa questão de foro privilegiado, eu divirjo de muitas pessoas quando dizem que isso é um privilégio. Eu estou dando um exemplo: os mais de 300, praticamente, que foram julgados em primeira e em segunda instâncias, foram absolvidos. Por ser deputado e ter foro privilegiado, isso me prejudicou. Porque, se eu tivesse na primeira instância, a tendência era eu ser absolvido como os outros foram. Eu tenho certeza de que serei absolvido porque, nesse episódio, como disse, não tem nada que comprove meu envolvimento. Eu fui vítima de um escândalo e fui vítima, também, de um grupo criminoso que acompanhava as emendas dos deputados. Nunca fiz pedido a nenhum prefeito ou a nenhum diretor de hospital para comprar com a empresa A, B ou C. Já trouxe milhões e milhões de reais para a minha região. Nunca tive esse tipo de envolvimento. Realmente, foi um episódio isolado desses meus 30 anos de vida pública que, com certeza, nós vamos resolver favoravelmente.
Folha – Não é novidade seu afastamento de Anthony Garotinho (PR). Na verdade, ele ocorre desde que o ex-governador plantou junto ao jornalista Fernando Molica, de O Dia, a notícia de que você votaria contra o impeachment da ex–presidente Dilma Rousseff (PT), ao contrário do que ocorreu. Passado mais de um ano do episódio, o que de fato se deu ali?
Feijó – Naquela questão, eu já tinha decidido que votaria a favor do impeachment de Dilma. Eu tenho personalidade formada e sou independente politicamente. Sou um político que, nesses meus 30 anos de vida pública, nunca fui pau mandado de ninguém. Então, eu já tinha essa decisão tomada. Na época, Garotinho tinha um interesse a favor de Dilma. Ele me fez um pedido, mas eu falei que já tinha minha decisão tomada em relação a isso. E foi o que fiz. Eu votei a favor do impeachment.
Folha – Foi um encontro na sede do PR, em Brasília, não foi isso?
Feijó – Teve um encontro lá. Ele pediu, em função daquele momento. Tinha a questão dos royalties, da antecipação…
Folha – Da “venda do futuro”.
Feijó – É. Mas eu não atendi. Falei: “Garotinho, não tem como”.
Folha – Você disse não?
Feijó – Eu falei “não” e acredito que ele tenha entendido.
Folha – Boa parte da mídia nacional, a começar pelo jornalista e blogueiro Ricardo Noblat, de O Globo, noticiou que Garotinho negociou com a então presidente Dilma a abstenção de Clarissa, grávida, na votação do impeachment na Câmara Federal. O preço pago seria a “venda do futuro” de Campos com a Caixa Econômica Federal, no apagar das luzes do desastroso governo Dilma. Como viu o destino financeiro do município ser jogado na mesa de negociação por uma causa que já se sabia perdida?
Feijó – Eu não sei se isso realmente aconteceu porque eu também não participei…
Folha – A mídia nacional noticiou.
Feijó – É. Mas eu não posso garantir. Eu não posso dizer que isso aconteceu porque eu não participei.
Folha – Mas você acabou de dizer que ele falou com você que o voto contra o impeachment de Dilma seria relativo à “venda do futuro”.
Feijó – Ele pediu para que eu pudesse votar porque, para esse projeto dele, seria importante. Falei: “Eu não posso te atender nisso”. E não atendi. Mas se ele negociou com o Planalto o voto de Clarissa, eu não sei.
Folha – Mas, se ele colocou isso para você, não é natural que ele tenha colocado o mesmo à filha?
Feijó – Bem, ele pode ter colocado. Mas, o pedido que ele me fez, eu não pude atender e não atendi. E, depois, ele nem me questionou em relação a isso. Eu não tive problema com ele após a votação. Ele não me cobrou nada. Então, não posso dizer…
Folha – Mas, se ele fez com você, não é natural que ele tenha feito com a filha?
Feijó – Ele pode ter tido os interesses dele, sem dúvidas. Deve ter conversado com o governo (Dilma). Eu não tenho informação em relação à situação da Prefeitura. Não tenho dados nem de hoje, nem da época do governo de Rosinha. Agora, se a Prefeitura realmente estava naquela situação, precisando do empréstimo, ele achou que deveria seguir esse caminho de fazer parceria com o governo, no sentido de liberar esses recursos. Mas eu não posso avaliar porque não vivi esse momento. Eu não tinha essas informações. Na verdade, eu nunca conversei com Garotinho, detalhadamente, sobre essa situação econômica de Campos, durante os oito anos do governo de Rosinha. Eu nunca participei do governo de Rosinha, praticamente. Nunca indiquei ninguém, nunca tive emprego no governo. Nunca fui beneficiado em campanha nenhuma que disputei, nem pelos dois governos de Rosinha e nem por nenhum outro governo. Na verdade, eu nunca me prevaleci de máquina pública da Prefeitura de Campos. Nesses 30 anos de vida pública, nunca tive prefeito que me ajudasse. Então, nessa pergunta, eu não posso avançar muito porque não sei.
Folha – Embora tenha votado pelo impeachment de Dilma, mesmo contra a vontade de Garotinho, você votou na Câmara contra a autorização da investigação do presidente Michel Temer (PMDB) pela Procuradoria Geral da República. Não é uma incoerência flagrante?
Feijó – Eu votei no impeachment de Dilma em função dos péssimos resultados dos 13 anos de PT. Eu sempre fui adversário, e os resultados eram, até então, catastróficos.
Folha – O primeiro governo Lula não foi bem economicamente?
Feijó – Economicamente foi razoável. No primeiro governo. Mas, do segundo para cá, estava todo mundo insatisfeito. E eu também, com os resultados econômicos do país. E a corrupção que estava imperando. Então, votei a favor do impeachment. Essa questão de Temer, realmente, as denúncias são sérias, mas serão todas elas apuradas. Eu votei com Temer porque senti que o país estava conseguindo, na economia, resultados satisfatórios. Então, eu achei, por bem, manter Temer, embora essas denúncias sejam graves. Mas elas serão apuradas. A partir do momento em que ele deixar a presidência e perder o foro, ele vai ser investigado sobre todas essas denúncias. Então, eu votei pelo arquivamento da denúncia. Agora, o preço é alto. É muito desgaste. Eu também, como homem da base de governo, tenho que seguir a orientação do meu partido nessa questão. Eu também tenho meus interesses. Quais são meus interesses? Minha região. Eu sempre fui um deputado muito municipalista. Sempre trabalhei, nesses cinco mandatos, focando e priorizando a minha região. É o que eu tenho feito. E, no governo Temer, eu vou tentar consolidar essa situação de deputado regionalista.
Folha – Mas o fato de votar a favor do impeachment de Dilma e votar contra a investigação de Temer, naquele momento, não endossa quem denunciava que a Lava Jato era só para tirar o PT do poder?
Feijó – Não. Eu não concordo.
Folha – Por quê?
Feijó – Quem elegeu Temer foi o PT. Temer era o vice de Dilma. Então, quando votei pelo impeachment e Temer ascendeu à presidência, foi porque ele era o vice-presidente escolhido pelo PT. Eu achava, como acho, que a retirada dele do poder traria um prejuízo muito grande para o país.
Folha – Não é segredo que, apesar da grave recessão econômica que o Brasil atravessa, o governo Temer escancarou as cancelas das emendas aos deputados federais que votassem contra a investigação do presidente. Como este foi o seu caso, o que já trouxe para Campos e região a partir do seu voto?
Feijó – Eu, como disse, sempre foquei na minha região. Nunca fui um deputado de preocupações em termos de fazer parte da alta cúpula do Congresso Nacional. Sempre trabalhei pela minha região, e isso deu certo. Isso deu certo porque sou deputado pela quinta vez. Então, a região reconheceu meu trabalho e, em contrapartida, me deu essas cinco oportunidades. E eu vou continuar focando na minha região. Então, se o governo tem a possibilidade de liberar recursos para minha região através das emendas parlamentares impositivas — e essa questão de emendas, eles liberam para a situação e para a oposição também; não somos só nós da base que recebemos. Agora, se eu consegui, como tenho conseguido, alguma coisa a mais para Campos e região, eu vou conseguir.
Folha – O que, de fato, você já conseguiu depois do voto contra a investigação de Temer? O que de concreto conseguiu?
Feijó – Consegui liberar minhas emendas individuais praticamente todas. Consegui um extra para o Hospital de Guarus, de R$ 5,5 milhões.
Folha – Assim como seu afastamento de Garotinho, é de conhecimento público a sua aproximação com o governo Rafael Diniz (PPS). Como estão essas relações?
Feijó – Estou pronto a ajudar para que Rafael consiga dar conta dessa enorme responsabilidade que ele assumiu a partir de 1º de janeiro.
Folha – Essa aproximação começou em uma partida de futevôlei, no verão, não foi isso?
Feijó – Rafael é muito educado com todos. No verão, ele me viu, foi lá e, de maneira muito educada, falou comigo todas as vezes em que eu estive lá. Mas a parceria nossa não evoluiu muito depois disso, não. Ele esteve em Brasília, foi ao meu gabinete. Foi até no dia em que eu dei essa notícia do recurso para o Hospital de Guarus. Mas não temos uma relação política consolidada. Agora, independente disso, no que eu puder ajudar Campos, é obrigação minha. Eu tenho que ajudar o governo dele. Precisando de mim, ele sabe onde vai me achar. E eu estarei sempre pronto para isso. Tenho que fazer.
Folha – É uma relação pontual?
Feijó – Exato. Nunca conversei uma política mais de parceria com Rafael. Na hora que ele achar que essa conversa tem que acontecer, estou pronto para conversar com ele. Desejo o bem do governo dele, mas, principalmente, do nosso município.
Folha – Como avalia esses oito meses de governo Rafael?
Feijó – Muito problema, né? Como eu disse, não tenho informações sobre a situação financeira da Prefeitura. Mas, pelo que a gente está vendo, vive, hoje, um momento de muita crise financeira. O governo do Estado sem poder ajudá-lo. Então, isso tudo dificulta. Mas eu vejo que ele é uma pessoa de bem, uma pessoa bem intencionada com o município. E eu não sou daqueles que torcem para que ele naufrague. Porque, ele naufragando, o município naufraga junto. Então, eu quero que ele administre bem essa cidade e vai contar com meu apoio.
Folha – Ao assumir com uma dívida de R$ 2,4 bilhões dos oito anos deixada pela gestão Rosinha Garotinho (PR), com um déficit mensal de R$ 55 milhões e com gasto com pessoal já extrapolando os 54% permitidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o governo de Campos tem sido obrigado a matar um leão por dia. Primeiro foi (aqui) a reversão no TRF da “venda do futuro” feita pelos Garotinho com a Caixa. Agora é (aqui) a ameaça de greve do servidor, decretada em assembleia do Siprosep, programada para sete dias a partir de 4 de setembro. Não passa a impressão que o trabalho do prefeito e sua equipe tem sido enxugar gelo?
Feijó – Eu torço muito para que o prefeito tenha paz para governar, para que ele tenha a confiança dos servidores, da população. Os resultados, eu espero que apareçam. Sei das dificuldades enormes que ele vem enfrentando. Mas eu não tenho como avaliar esse aspecto financeiro porque eu não tenho essas informações, se ele está administrando bem ou mal os recursos. Mas o que a gente vê é que a situação dele não é diferente da dos demais prefeitos, hoje, de qualquer cidade do Brasil. Tirando poucas. Por exemplo, no estado do Rio de Janeiro, só uma Prefeitura, hoje, não tem problema financeiro: a de Maricá.
Folha – Maricá e Niterói, cujos royalties estão em crescimento pela exploração dos campos novos na Bacia de Santos.
Feijó – Maricá e Niterói. Só essas duas. Então, todos os prefeitos do Brasil, hoje, vivem um momento de muita dificuldade. Rafael é um deles. Agora, eu não posso avaliar se a solução para esses problemas acontecerá a curto, longo ou médio prazo porque eu não tenho informação da Prefeitura.
Folha – Mas você não acha que, particularmente, com essa dívida de R$ 2,4 bilhões, herdada (aqui) do governo anterior, a situação dele é um pouco pior do que a dos demais municípios?
Feijó – É um complicador, sem dúvida. Se for mesmo essa dívida. R$ 2,4 bilhões é muito dinheiro, é muita dívida. Junto com essa dívida, tem a questão do Estado. O Estado sempre foi, também, um parceiro do município de Campos. E, agora, nós perdemos esse parceiro. E o governo federal também não pode contribuir muito. Então, a situação do prefeito, sendo essa dívida e com essa arrecadação caindo como caiu, é de muita dificuldade.
Folha – Uma das principais críticas feitas à administração Rafael é a falta de experiência. Como você pode e tem procurado ajudar nessa questão?
Feijó – Eu nunca fui chamado para ajudar e conheço até pouco a equipe dele. Mas eu espero que, mesmo a equipe sendo nova, eles consigam vencer as dificuldades através da competência. Às vezes, o cara é novo, mas é competente. E eles vão adquirindo essa experiência. É bom também mesclar com pessoas de certa vivência para que essas soluções aconteçam de maneira mais rápida e mais estável.
Folha – O presidente da Federação Fluminense das Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs), Marcelo Mérida, admitiu (aqui) à coluna “Ponto Final” sua pré-candidatura a deputado federal, embora ainda sem partido definido. Informações de bastidores dão conta de que você estaria operando em favor desse movimento. Procede?
Feijó – Marcelo é um excelente nome. Eu gosto muito do Marcelo. Ele é uma pessoa de muito bom conceito, de espírito público. Estivemos conversando, em Brasília, em relação à possibilidade da candidatura dele a deputado federal. E eu fiz algumas observações para que essa candidatura se viabilize. Primeiro, um apoio mais sólido do próprio segmento. O segmento lojista, a gente respeita, mas eu ainda não vi nenhuma atuação do segmento voltada para a política. Uma atuação de resultados. Orientei ele, também, a consolidar essa situação com os lojistas. Esse pessoal tem que estar motivado e tem que, verdadeiramente, contribuir. E falei com ele, também, para tentar conversar com o prefeito. Porque ele é de Campos. Eu acho que uma aproximação dele com o prefeito Rafael seria importante para a candidatura dele. Seria mais um apoio. Não sei o que o prefeito está pensando em relação ao ano que vem. Não sei se tem candidato, se não tem. Mas vejo o nome de Marcelo como um excelente nome para nos representar no Congresso Nacional.
Folha – E você está operando para ajudar?
Feijó – Ainda não. Tive essa conversa com ela em Brasília, há 10 dias. Foi a primeira conversa que tivemos e não falamos mais nada. Mas eu torço muito por Marcelo.
Folha – À coluna, Mérida revelou que o projeto das CDLs fluminenses seria lançar um pré-candidato a deputado federal e dois a estadual. Está ciente desse projeto? Vocês conversaram sobre isso?
Feijó – O que eu falei com ele é que, para ele viabilizar a candidatura a deputado federal, primeiro, ele tem que consolidar o nome dele nesse segmento. Marcelo tem que consolidar e motivar esse pessoal, mostrando para o segmento que a eleição dele a deputado federal é muito importante para o segmento lojista. Essa é uma questão. A outra: ele tem que se viabilizar mais em Campos. Para que ele se viabilize mais, eu acho importante a aproximação dele com o prefeito Rafael. E na região. Ainda não trabalhei dentro de mim a questão de quem vou apoiar ou deixar de apoiar em 2018. Mas acredito, pela minha história, conhecimento e experiência, que eu possa dar uma ajuda. Se eu ajudar Marcelo, ajudo na convicção de que vou ajudar uma pessoa que preenche todas as condições de nos representar na Câmara dos Deputados.
Folha – Seria uma pessoa para quem você passaria o bastão?
Feijó – Nota 10. Marcelão, eu tenho carinho por ele. Já me ajudou em várias eleições. Talvez em todas as eleições que eu disputei, ele tenha votado comigo. Eu não quero mais. Eu cansei.
Folha – Então, você acha que ele seria uma pessoa indicada para isso?
Feijó – Eu acredito que sim. Mas não estou falando, com isso, que eu já tenha decidido. Nós tivemos uma conversa em relação a isso. Eu vejo com excelentes olhos e confio muito nele. Campos tem que ter seus representantes. O que não pode é o campista ficar acreditando nos lá de fora. Porque, na hora que precisa, os lá de fora desaparecem.
Folha – Você fala em brigar, na Câmara Federal, pela região?
Feijó – Claro. Tem que ter representantes de Campos e da região. Senão, não tem reciprocidade.
Folha – Dentro do garotismo, uma ala considerada menos populista e mais próxima da classe média tem nomes como você, o ex-vereador Mauro Silva (PSDB), os ex-secretários rosáceos Wainer Teixeira (PHS) e Sérgio Cunha, além do próprio Mérida, que já integrou o governo Rosinha. Isso deve ser entendido como uma distensão do garotismo ou um plano B do grupo que dominou a política de Campos por quase 30 anos?
Feijó – Quando fiz essa aproximação com Garotinho, em 2008, na eleição de Rosinha, eu fui muito criticado. Sempre fui oposição a Garotinho. Foram 20 anos contra Garotinho. Mas o que aconteceu? Em 2004, fui candidato a prefeito de Campos. Eu era o favorito dessa eleição. A palavra é forte, mas eu vou usá-la: eu fui roubado. Eles roubaram minha eleição.
Folha – “Eles” quem?
Feijó – As duas candidaturas: uma, Garotinho apoiando Pudim; a outra, Arnaldo, prefeito, com Campista. Me roubaram como? No abuso de poder econômico. Todas as duas fizeram isso de maneira exorbitante. Só que, naquela época, não existiam, como existem hoje, Justiça Eleitoral, Ministério Público, Polícia Federal.
Folha – Existir, existiam.
Feijó – Mas não atuavam nas eleições. Então, eu perdi a eleição por causa disso. Mas não estou traumatizado, não. Estou falando isso com muita tranquilidade. Quando não fui para o segundo turno, o que eu fiz? Apoiei Campista. Humildemente falando, eu dei a eleição a Campista. Porque eu tinha saído com uma votação muito significativa. O que aconteceu a partir dali? Eu me decepcionei muito com Arnaldo. Tive muitas decepções.
Folha – Quais?
Feijó – Eu me decepcionei com Arnaldo. Geralmente, quando você faz um acordo político e ganha uma eleição, você é chamado para participar do governo. E isso não aconteceu comigo. Depois que Campista ganhou, eu não fui chamado para nada. Na verdade, eu fui usado por eles. Então, fiquei decepcionado.
Folha – Numa entrevista de Campista à Folha, nos primeiros meses de governo, antes da sua cassação, ele foi perguntado sobre o retorno pelo seu apoio, e respondeu: “nada combinado é caro”. Ele disse que não tinha combinado nada para receber seu apoio.
Feijó – Eu vou te falar até mais. Campista é um cara correto. Se ele ficasse no governo, eu tenho certeza de que ele iria, mais na frente, me valorizar. Tenho certeza. Com Campista, eu só tenho a fazer elogio. Mas, em relação a Arnaldo, eu tive umas decepções.
Folha – Campista e Arnaldo também romperam depois que o primeiro assumiu a Prefeitura.
Feijó – É. Teve, também, o rompimento. Mas aonde que eu quero chegar? Por ter tido essa experiência com Arnaldo que não foi boa para mim, e eu já enfraquecido em 2008, depois que estourou o escândalo (da operação Sanguessuga) de 2006, não me restou outra alternativa a não ser fazer essa aliança com Garotinho, na eleição de Rosinha, em 2008.
Folha – Então hoje você admite que, naquela eleição, veio como candidatura de apoio a Rosinha?
Feijó – Foi. Mas isso não partiu de Garotinho.
Folha – Foi Pudim que costurou com você, não é isso?
Feijó – Eles me procuraram. Pudim, Roberto Henriques, Garotinho. Mas eles foram me procurar para quê? Para que eu não fosse candidato e que eu apoiasse Rosinha. Falei que isso eu não ia fazer. Porque, se eu fizesse isso, não ia ajudar Rosinha a ganhar. Eu só ajudaria Rosinha a ganhar a eleição sendo candidato. E ajudei Rosinha a ganhar a eleição.
Folha – Nos debates, você foi muito forte com Arnaldo e Odete Rocha (PC do B).
Feijó – Eles também foram fortes comigo. Isso é do jogo. Mas algumas pessoas falam que eu exagerei, principalmente com Arnaldo. Mas eu acho que tive meus motivos. A vida pública tem esse tipo de situação.
Folha – Como é sua relação, hoje, com Arnaldo?
Feijó – É uma relação muito fria. Eu quero que Arnaldo seja feliz, que resolva os problemas que ele tem. Não desejo mal nenhum a Arnaldo. Arnaldo também é uma das vítimas da crueldade que a política impõe a todos nós. Hoje, ele tem o sofrimento dele por ter sido prefeito nos dois mandatos que ele exerceu. Mas eu não tenho briga com Arnaldo, como não tenho briga com ninguém. Agora, na política, é inevitável que você tenha e viva esse tipo de situação. Conflito é inevitável, ainda mais em uma eleição executiva. São situações difíceis que a política nos impõe.
Folha – Voltando à pergunta original: você, Mauro, Wainer, Cunha, parecem hoje estar alinhados com o projeto político das CDLs. Isso é uma distensão natural de nomes mais “classe média” do garotismo ou é um plano B do grupo?
Feijó – Não tem nada a ver com Garotinho. Esse apoio a Marcelo, se acontecer, não tem nada a ver com Garotinho. Mas não tem planejamento, não. Está começando. Eu tive uma conversa rápida com Marcelo.
Folha – É uma coincidência?
Feijó – É coincidência. A candidatura dele, para mim, é muito simpática.
Folha – Não é, então, um plano B do garotismo?
Feijó – Não. Plano B é chance zero.
Folha – É uma distensão, então?
Feijó – É. O grupo de Garotinho está enfraquecido.
Folha – Por causa da operação Chequinho. Como você vê a operação Chequinho?
Feijó – Pela imprensa, vejo com preocupação. Fui até testemunha. Tive uma participação como testemunha do vereador Jorge Rangel, em que eu falei com doutor Ralph Manhães, na criminal. Eu falei que participei de muitas reuniões com o vereador. Da campanha mesmo, eu participei pouco. Das reuniões que eu participei, era um dos primeiros a chegar e um dos últimos a sair. Eu nunca senti nenhum ruído em relação a essa questão da Chequinho. Nunca vi e nunca participei desse tipo de situação, caso ela tenha acontecido.
Folha – Você acha que não houve?
Feijó – Aí, eu desconheço.
Folha – Além de Mérida, outro nome que tem sido cotado para uma pré-candidatura a deputado federal é César Tinoco, amigo de infância de Rafael e um dos seus mais próximos colaboradores. Como vê esse movimento?
Feijó – Não tenho dúvida de que Campos tem que apresentar, para 2018, candidatos vinculados com a cidade e com a região. Naturalmente, Rafael, que é o prefeito, deve estar planejando ter seu representante na Assembleia e na Câmara Federal. Ele tem, por obrigação, que fazer com que essas lideranças…
Folha – Para deputado estadual estão falando em Marcão (Rede), Gil Vianna (PSB), Pudim (PMDB), João Peixoto (PSDC), Rodrigo Bacellar (PDT).
Feijó – Ele tem que ter esses nomes da sua confiança. Eu te confesso que não participei de nenhuma reunião com ninguém, exceto com Marcelo, sobre essa questão de 2018. Mas Campos tem que acreditar nos seus filhos. Mas essa questão do grupo de Rafael, quem ele vai apoiar e quem não vai, eu também não posso acrescentar nada porque não conversei isso com Rafael e não sei o que ele pensa em relação a 2018.
Folha – Você falou que vê com bons olhos a pré-candidatura de Mérida. E a de César?
Feijó – Vejo também. Se ele for uma pessoa ligada ao prefeito, se tiver o apoio do prefeito, passa a ser uma candidatura viável. Ele tendo a confiança do prefeito, eu acho que, para Campos, é importante.
Sugestão para escutar enquanto lê: Alvorada – Antônio Carlos Gomes
“A verdade é filha do tempo e não da autoridade.”
Galileu Galilei
Nilo Peçanha
Estava frio quando o telefone tocou de manhã, do outro lado Chico, dileto amigo, contava a impressionante história de Nilo Peçanha, a quem iríamos em busca, num vilarejo próximo chamado Morro do Coco.
Meus olhos brilharam quando relembrei o interior onde cresci, Bom Jesus (tanto do Norte quanto do Itabapoana), ao tocar com pés extasiados a primeira vez em solo presidencial. As cores vigorosas, o sabor da natureza, o clima ameno e os olhares sorridentes anteciparam de pronto as palavras que o tempo matura para nascer: “Como eu gostaria de morar aqui.”
Fomos até o seu Oswaldo, pela árvore genealógica traçada corria em seu sangue a história do Brasil, cunhada em alto relevo em sobrenome de outrora: Peçanha. Seu Oswaldo foi surpreendido com a nossa visita, mesmo assim, poucas vezes na vida vi uma recepção tão sincera e calorosa: com doces da terra como se quisesse que levássemos dentro de nós a sua própria essência; com histórias vistas sobre ombros gigantes cujas nuvens filtram a luz que ofusca os olhos; com um dos melhores queijos que já provei; o licor de fruta típica com sabor eterno regando a flor que frutifica a amizade.
No dia seguinte retornamos, estava ansioso por respirar o ar do interior novamente, entreguei ao seu Oswaldo o primeiro exemplar do meu livro Uma Palavra Escrita com Lágrimas cujas crônicas e contos havíamos conversado no dia anterior. Fomos à fazenda onde teria morado Nilo Peçanha, à igreja onde teria sido batizado e os arredores, refazendo o trajeto onde Nilo pisou. É interessante reviver a história com seus próprios olhos, estar no lugar onde originou grandes marcos de nossa nação aumenta, um tanto, o sentimento de pertencimento e valorização cultural.
Na volta tive a oportunidade de conhecer outros vilarejos como Conselheiro Josino, e conversar com quem pulsa tuas comendas. Ao apagar a luz e deitar sobre a cama, fiquei a observar pela minha janela a cidade iluminada, pensei: “que coisa boa morar aqui.”
Charge do José Renato publicada hoje (25) na Folha da Manhã
Greve do servidor (I)
Ao falar (aqui) ontem sobre a greve de sete dias decretada em assembleia do Siprosep na noite de quarta (23), o secretário municipal de Gestão Pública, André Oliveira, disse que o governo Rafael Diniz (PPS) está aberto ao diálogo. Aliás, ressaltou o secretário, sempre esteve. Como prova dessa disposição, lembrou ser servidor municipal há 17 anos e nunca ter presenciado a categoria com tanta abertura para se reunir e negociar diretamente com o prefeito. Segundo ele, essa facilidade na interlocução passou a acontecer em 1º de janeiro de 2017. E os fatos provam que ele não está errado.
Greve do servidor (II)
Todavia, a facilidade no diálogo, aparentemente, tem sido oposta ao atendimento dos pleitos do servidor por parte do governo. Este alega que, diante da dívida de R$ 2,4 bilhões deixada (aqui) pela administração Rosinha Garotinho (PR), da metade da execução orçamentária de 2016, de um déficit mensal de R$ 55 milhões e do gasto com pessoal já extrapolando os 54% permitidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), não há muito o que fazer. Diante da realidade dos números, pode estar certo. O que, mais do que nunca, torna premente a reforma administrativa, ainda em estudo após oito meses da nova gestão.
Greve do servidor (III)
Por outro lado, ao convocar em 23 de agosto uma greve de sete dias, a ser iniciada em 4 de setembro, 12 dias depois, os servidores também parecem jogar com o tempo. Segundo afirmaram ontem o vice-presidente do Siprosep, Fábio Almeida, e Elaine Leão, líder da oposição, esse tempo seria para mobilizar a categoria, dividida também na disputa política interna. Para saber quem corre querendo de fato chegar, só o tempo dirá. Mas, diante da matemática de uma Prefeitura falida, incluídos os R$ 400 milhões tirados pelos Garotinho do PreviCampos, seria bom que governo e servidor começassem a tentar encurtar a distância.
Dor e revolta
Um crime bárbaro que chocou não só as famílias envolvidas, mas também toda a população campista. A morte prematura da universitária Ana Paula Ramos, de apenas 25 anos, mexeu com o psicológico de boa parte das pessoas, algumas repensando o real valor de uma vida e outras revoltadas com toda a situação. Independentemente do desfecho a que levaram as investigações policiais sobre o caso, o julgamento dos fatos cabe à Justiça, e à família resta o fortalecimento para se recuperar de tal brutalidade.
Busca de segurança
O interior do Estado aparentemente não ficou esquecido no esquema tático do governo para melhoria da Segurança pública. Ontem, o secretário estadual da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico, Christino Áureo, e o comandante geral da Polícia Militar, coronel Wolney Dias, vistoriaram obras nos Destacamentos de Policiamento Ostensivo e conversaram com lideranças a fim de promover melhorias no sistema de segurança pública no interior fluminense. Em breve, o município de Macaé ganhará um DPO em Glicério e Quissamã também, em Barra do Furado.
Duque de Caxias
Hoje é comemorado o dia de Duque de Caxias e, em Campos, o Lions Club promove uma solenidade juntamente com o Exército e o 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM) para lembrar o militar, político e monarquista brasileiro, que chegou a ser apelidado de “O Pacificador” e “O Duque de Ferro”. O dia marca 214 anos do nascimento do patrono do Exército Brasileiro. A cerimônia acontece na praça do Santíssimo Salvador, às 8h.
Recorde
O Porto do Açu, no município de São João da Barra, anunciou seu recorde de produtividade na movimentação de coque, realizada ao longo da última semana, no Terminal Multicargas (T-mult). O navio Themistocles, que estava carregado com 53 mil toneladas do granel, ficou em operação de quarta-feira a sábado, completando uma média de descarregamento de 16,3 mil toneladas por dia. A produtividade aumentou em 20,6%, se comparada ao último recorde registrado, em operação com carvão, no mês de março.
André Oliveira, Fábio Almeida e Elaine Leão (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
“Até agora não recebemos nenhum comunicado oficial do Siprosep. Não sabemos o motivo que alegaram para decretar greve, não recebemos uma ata da assembleia de ontem (23). O que posso dizer é que os pagamentos têm sido feitos rigorosamente em dia. E que continuamos abertos ao diálogo, não só com o Siprosep, mas diretamente com as categorias, como os médicos, os profissionais de enfermagem, os técnicos de radiologia. E o diálogo é direto com o prefeito Rafael Diniz (PPS). Sou servidor municipal há 17 anos e não me lembro do servidor sendo recebido sempre pelo prefeito, como vem ocorrendo em Campos desde 1º de janeiro de 2017”.
Foi o que disse André Oliveira, secretário municipal de Gestão de Pessoas e Contratos, sobre a greve de 7 dias, a partir do próximo dia 4 de setembro, definida na noite de ontem, em assembleia geral extraordinária do Siprosep, como a coluna “Ponto Final” de hoje anunciou aqui.
Os motivos da greve, que a Prefeitura ainda não conhece oficialmente, foram expostos pelo vice-presidente do Siprosep, Fábio Almeida, bem como pela servidora Elaine Leão, líder da oposição na disputa política interna pelo controle do sindicato. Ambos os lados garantem estar trabalhando na mobilização do servidor pela paralisação:
— Nosso objetivo é parar toda a categoria. Estamos nos mobilizando e vamos visitar todos os setores da Prefeitura para que o servidor venha fazer parte da nossa luta, que é de cada um dos servidores. Estamos nos preparando para informar ao Executivo e também ao Legislativo a paralisação, que será de sete dias. Queremos que o governo se sensibilize e reveja as necessidades da categoria, principalmente as péssimas condições de trabalho, o direito à reposição salarial, carga horária de várias categorias, a não retirada de gratificações, entre outras coisas que significam a valorização e o respeito ao servidor. O prefeito já se mostrou aberto a negociações. Vamos ver como vai ser com a paralisação de todos os setores — disse Fábio Almeida.
— O problema enfrentado pelo servidor hoje é uma constante. Não dá mais para ficar esperando uma posição do governo. Temos que evoluir e o sindicato está propenso a isso. Chamar todos os servidores para perto, para lutar pelos seus direitos. O servidor ainda está muito cauteloso, com medo de represálias. Entendemos que a Prefeitura precisa economizar, mas não pode atingir o servidor. Serão sete dias, mas espero que o governo chame para conversar antes de concluir os sete dias de paralisação — observou Elaine Leão.
No último domingo (20), a Folha publicou uma entrevista, na qual o prefeito falou sobre cada uma das reivindicações colocadas pelos próprios servidores. Além de Sérgio Almeida, presidente do Siprosep, e de Elaine, quem também apresentou os pleitos analisados por Rafael foi o presidente do Sindicato dos Médicos, José Roberto Crespo. Confira aqui.
Com a colaboração da jornalista Jane Ribeiro
Confira a reportagem completa na edição de amanhã (25) da Folha
Nádia entrou para a sala de parto acompanhada de Roberta. Três anos de casadas. O desejo intenso de terem um filho.
O folder de uma clínica de fertilização. Prometiam crianças saudáveis em um tratamento parcelado em 20 vezes, com todos os pré-natais inclusos mais o parto. Inclusive ganhariam um macacão com o logotipo da empresa bordado.
Um momento singular na vida das duas. O óvulo de Roberta fecundado e inserido no útero de Nádia. A barriga crescendo, os desejos de grávida, os enjoos. Compartilharam cada instante daquela gestação, sempre juntas, sempre se amando.
Isso tudo para não sair conforme o desejado.
Especificaram na clínica que queriam uma criança loira e de olhos azuis. Se possível uma menina, mas explicaram que não chegava a um procedimento de engenharia genética. No caso, selecionariam esperma de um doador com as características físicas desejadas. O restante dependeria da natureza.
Teriam misturado então os fracos de sêmen? Teria um técnico após chegar de ressaca ou brigar com a namorada se descuidado e trocado o frasco de nórdico pelo de africano? Assim, em outro canto, quem esperava um garoto negro também se espantaria com aquela cara branquela?
Podia ser questão de genética mais profunda. Genótipos e fenótipos. Aquele seu tio Everaldo e o cabelo sarará bem que identificam um ancestral negro. Mas poderia um vínculo já distante influenciar dessa forma?
Nádia era filha de pai mulato. Teria o cordão umbilical ou o líquido amniótico influenciado em algo?
Roberta não sabia exatamente como prosseguir. Ligaria para o SAC da empresa e reclamaria da falha? Será que isso se encaixaria em algum mecanismo de devolução? Por exemplo, entregariam aquela criança à mulher que desejava um filho negro e recuperariam o outro?
Havia algum termo no Código de Defesa de Consumidor que as defenderia? Que tal acionar o Procon?
Lembrou daquele quadro do Fantástico em que o InMetro testava uma série de produtos. Pensou na certificação de qualidade dessas clínicas de fertilização. Exigiram carteira de vacinação dos doares, metodologia para envase e armazenamento, com a devida assepsia e criogenia.
Visualizou o bebê portando o selo do InMetro de nascença.
As duas seguraram as mãos. Naquele choque inicial, mal puderam prestar atenção na criança. A enfermeira o levou para o banho e os devidos cuidados com os neonatos. E as mães ali, pensativas, como se não soubessem como amar aquela criaturinha, reticentes quanto aos próprios sentimentos.
Horas mais tarde, o trouxeram para mamar. Quando Nádia o pegou no colo, Roberta se aproximou. A criança deu uma risada, reconhecendo suas mães. Riu de maneira espontânea, sem cócegas nem nada. As duas responderam o riso. Passaram o dedo em sua barriga e subiram até o rosto. Despuseram-se de todas as pretensões e apreensões: sabiam que ali estava seu filho.
O filósofo espanhol Antonio Escohotado publicou no final do ano passado o último dos três volumes de “Los Enemigos del Comércio”, um ensaio monumental de história, sociologia e política que o teve ocupado durante 17 anos. O tratado é uma apologia do capitalismo através da revisão de todas as ideias e doutrinas contrarias a ele, ao longo da história ocidental.
A tese de Escohotado é a seguinte: quem é contra o comércio é contra a liberdade, o conhecimento e o progresso. O filósofo defende essa hipótese através de mais de dois mil páginas que revelam uma pesquisa exaustiva e minuciosa, partindo desde a Grécia antiga até chegar ao século XX.
“Quando comecei o livro — esclarece Escohotado no prefácio — tinha me proposto a princípio uma coisa simples, impulsionado pela necessidade de reconstruir para aprender. O objetivo era precisar, tanto quanto possível, quem, e em qual contexto, sustentou que ‘a propriedade privada constitui um roubo, e o comércio é o seu instrumento’. Vários anos mais tarde — após saber quais foram essas pessoas e grupos desde o século XIX — entendi que a sua tese era anterior, que tinha reinado vários séculos sem oposição e que aquela área da árvore genealógica comunista era pertinente para não confundir o tronco com as folhas, o perene com o efêmero”.
Escohotado pode (e deve) ser chamado de liberal, mas de forma alguma de conservador. Fervoroso defensor da liberação total das drogas, ficou famoso ao final década de 80 pela sua “História General de las Drogas”, um tijolão de 1.400 páginas, e do qual existe um resumo chamado “História Elemental de las Drogas”, editado no Brasil. O escritor certamente sabia do que falava: é um reconhecido consumidor de alucinógenos e outras sustâncias ilícitas. Até hoje, com 76 anos, fuma 3 maços de cigarros por dia.
Em 1976, morando em Ibiza, Escohotado abriu uma boate chamada “Amnésia” com os recursos da herança de sua mãe. “Amnésia” viria a ser uma das casas noturnas mais célebres e badaladas do mundo, mas também seria a causa de um processo criminal contra o escritor, sob a acusação de comandar a “máfia hippie” da ilha. Condenado pelo curioso delito de “tráfico de drogas en grado de tentativa imposible”, Escohotado preferiu ficar preso a recorrer da sentença, e considerou aquele período de reclusão como “humildes férias pagas”. O “Tratado General de las Drogas” foi escrito na cadeia.
Não se pode dizer, portanto, que a defesa ao capitalismo de “Los Enemigos del Comércio” provenha de um direitista reacionário. E nem se cogite associar o anticomunismo de Escohotado ao dogmatismo católico. Para o espanhol, a Igreja é tão coletivista — e hipócrita — quanto os socialistas. O economista Javier Paz Garcia explica:
“O livro, como o indica o seu título, se concentra na influência das ideias contrárias à propriedade privada, ao comércio livre e voluntário, à geração de riqueza e à liberdade em geral. Desde os admiradores da militarista Esparta por sobre a culta e democrática Atenas, até o alvorecer do comunismo, Escohotado analisa a evolução de uma seita judia cuja ascensão coincide (e não por coincidência) com a decadência do império romano e a submersão da Europa num período de mil anos de obscuridade e estagnação”.
Em síntese, trata-se de um livro fascinante de um sujeito ainda mais fascinante. Um livre pensador que desconfia dos dogmas, pois, segundo ele, “dogmatismo é preferir o prejuízo ao juízo, a legislação ao direito, a costume ao livre exame. A minha obra está destinada a combatê-lo”.
“Menino, quem foi teu mestre?” é um dendê poético com banda completa… Um show com canções e poesias sobre a cultura afro-brasileira.
Cheio de ritmo, o repertório oferece a releitura de célebres canções da MPB desde a década de 70 até a atualidade, evidenciando a influência da cultura africana nos ritmos, letras e instrumentos musicais do Brasil.
Para os “jovens há mais tempo” tem os clássicos que amamos – Baden Powell, Vinícius de Moraes, Clara Nunes, Gil, Caetano e Bethânia… Mas os contemporâneos não ficam de fora não! Tem Natiruts e outras surpresas… Além das canções e textos autorais também.
E tem capoeira, claro!
O projeto estreou em julho de 2016, no X-Tudo Sesi Cultural, em Campos, e ganhou o edital público do Circuito SESI Cultural, em 2017. No palco estarão Carol Poesia (vocal), André Barros (guitarra), André Rangel (baixo), Robson Jorge (bateria), Lucas (percussão) e grupo Lampião. Não perca!
Macaé – 24 de agosto (quinta), às 20h, no Sesi
Campos – 25 de agosto (sexta), às 20h, no Sesi
Itaperuna – 26 de agosto (sábado), às 20h, no Sesi
Citado nas edições dos últimos dias 16 e 17, o presidente da Federação Fluminense das Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs), Marcelo Mérida, procurou ontem a coluna. Embora diga ainda depender de conversas com sua família, o empresário confirmou que existe a ideia dele se lançar como pré-candidato à Câmara Federal, como o “Ponto Final” adiantou. O projeto não seria pessoal, mas fruto da necessidade que os lojistas sentem de serem atores, não mais meros observadores do teatro político. Dentro deste contexto, as CDLs pretendem lançar no RJ um candidato a deputado federal e dois a estadual, em 2018.
CDL no jogo (II)
Por ser presidente da Federação Fluminense, Mérida seria o nome a deputado federal. Já à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), os dois postulantes poderiam sair das CDLs de Niterói, Nova Iguaçu, Três Rios, Volta Redonda ou Barra Mansa, além da Região Serrana (Friburgo, Petrópolis e Teresópolis). Entre eles, se destaca na disputa interna o secretário de Administração do governo municipal Rodrigo Neves (PV), em Niterói, Fabiano Gonçalves. Empresário do setor de construção e alimentação, ele concorreu a vereador pelo PRB em 2016, perdendo a eleição por apenas um voto.
CDL no jogo (III)
Embora ressalve ser cedo para falar em partido, cujo prazo de filiação para concorrer em 2018 depende de mudança ou não das regras, Marcelo admite que as tratativas que mantém como presidente da Federação das CDLs, sobretudo na Alerj, apontam caminhos. Estes, segundo ele, não podem estar nem muito à direita, nem muito à esquerda. Entre ambas, ele já conversou com o PSDB do deputado estadual Carlos Osório e com o PT do B do presidente estadual Vinicius Cordeiro. Como a coluna adiantou na semana passada, há também a possibilidade do PHS, cujo presidente em Campos, o empresário Wainer Teixeira, é amigo pessoal de Mérida.
CDL no jogo (IV)
Com o PHS há um complicador. Ex-secretário da gestão Rosinha Garotinho (PR), Wainer se mantém sob influência do garotismo, mesmo que seus dois vereadores, Enock Amaral e Marcelo Perfil, sejam alinhados ao governo Rafael Diniz (PPS). Outra legenda com que Mérida vem conversando é o PSD, presidida no Estado do Rio por Índio da Costa, deputado federal licenciado para ser secretário de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação do governo carioca de Marcelo Crivella (PRB). Em entrevista recente à Folha (aqui), de grande repercussão (aqui e aqui) na mídia nacional, Índio afirmou: “A política de Garotinho é manter o pobre na pobreza”.
Prevenção (I)
O setor de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Campos informou ontem que estão disponíveis mil doses da vacina contra HPV para jovens de 15 a 26 anos. Como o estoque é limitado, a vacinação só acontecerá na sede da secretaria de Saúde, mais conhecida como Centro de Saúde, enquanto durarem as doses. O público-alvo deve estar atento para se prevenir, principalmente os responsáveis pelos menores de idade. Para tomarem a vacina, é indispensável a apresentação da caderneta de vacinação, um documento de identificação e um comprovante de residência.
Prevenção (II)
As pessoas que ainda não receberam a dose da vacina contra a febre amarela também podem ser imunizadas. Em São Fidélis, por exemplo, a Prefeitura iniciou uma imunização volante. A primeira experiência da estratégia aconteceu na agência da Caixa Econômica Federal e os interessados em receber a equipe de vacinação em seu estabelecimento comercial devem agendar pelo telefone (22) 2758-2370. Um belo exemplo para atrair aquelas pessoas que ainda não se vacinaram contra essa doença que já matou nove pessoas no estado do Rio.
Limite
O deputado estadual e vice-presidente da Comissão de Segurança Pública da Alerj, Bruno Dauaire (PR), apresentou um projeto de lei para propor um limite no período em que o policial poderá ficar lotado nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Segundo Bruno, o projeto das UPPs “faliu” e deve ser repensado. A proposta do deputado é que o período de lotação do policial nas UPPs não ultrapasse dois anos.
Já caminhei muitas vezes de mãos dadas com meus filhos e com os meus netos. Isso não é, apenas, um gesto, é um símbolo do amor indissociável, do amor incondicional, atávico, cósmico, entre pai e filho.
E é uma compensação da natureza ao homem, já que durante a gestação, o filho fica ligado, anatomicamente, à mãe, pelo cordão umbilical.
Eu ainda não tinha 6 anos quando o meu pai morreu. “Foi para a outra margem do rio”. Cresci, à sombra benfazeja de minha mãe, Djanira, uma jovem viúva, matriarca de uma família de 6 homens e duas mulheres, nas franjas rurais do município de São Fidélis. Nada me faltou: proteção, educação e um amor desmedido, embora contido, tímido, mas pleno. Amor encabulado.
A ausência do meu pai, Anleifer — esse nome pouco comum é anagrama do nome de seu pai biológico, Antonio Leite Fernandes, um português, que chegou ao Brasil, nos anos finais do século 19, no navio La Plata, que deixou Lisboa, numa manhã ensolarada do verão lusitano – começou a doer depois que fui inaugurado como pai. Quando joguei bola com meu filho, quando minhas filhas cobravam minha companhia pelo motivo que fosse.
Foi preciso ser pai para medir a dimensão dessa falta, que já latejava em mim e eu não percebia.
Lembro-me que, noite alta, fechava janelas e portas e antes de dormir, ia aos quartos dos meus filhos para me certificar que dormiam protegidos e serenos. Nessa hora, as raras lembranças que guardava dele em minha memória afetiva, afloravam: uma viagem que fizemos e fomos surpreendidos por uma chuva torrencial e seu paletó foi minha capa de proteção; algumas matinês no cinema da cidade, domingo à tarde e o rito que eu e meu irmão mais velho, Guilherme, cumpríamos, depois do banho, de roupa limpa e cabelos penteados. Chegávamos no quarto, onde, na cama, ele enfrentava com impecável coragem e resignação um câncer em fase terminal, e nos exibíamos para seu julgamento: “Tô bonito, pai?” Ele repetia, religiosamente: “Tá lindo!”.
Meu pai era um consumidor voraz dos romances brasileiros, era autodidata, um guarda florestal, que reunia a família nos verões e se mudava com malas e traquitanas, na carroceria de um caminhão, para a distante e inesquecível Guaxindiba. Naquela época longínqua, os nossos verões eram mágicos. Ele sabia, mesmo na lonjura daquele tempo que as pessoas “não querem só comida, querem comida, diversão e arte”.
Neste domingo último, dia 20, ele completaria 103 anos.
Fefê, como era conhecido pela família e pelos amigos, foi um grande homem, para além de suas muitas virtudes, que fiquei sabendo pelo relato de meus irmãos mais velhos, pela vida difícil que teve quando menino, vítima da truculência de seu padrasto, por ter sublimado o sofrimento por conta do amor que devotou à sua mãe, minha vó Rosalina, pelo seu gosto pela literatura, pelo cinema, pelo semblante sempre sereno que revela nas poucas fotografias que deixou.
Vendo sua imagem, lembro-me do ator Humphrey Bogart, sobre quem meu pai levava duas enormes vantagens: não fumava e era mais bonito.
Esse meu pai, com quem pouco fiquei, quanto mais passo pelo tempo, ocupa mais espaço na varanda da minha saudade, o que me faz reconhecê-lo, cada vez mais, em mim. Física e psicologicamente.
Queria a chance de uma breve caminhada que fosse, com ele de mãos dadas. Nem seria necessário conversarmos. Andaríamos em silêncio. De mãos dadas, pai e filho.
Capa do Jornal do Brasil de 14 de agosto de 1977, com a foto de Esdras e as informações de Aluysio, anunciando antes de todos o primeiro carragemento comercial de petróleo da Bacia de Campos
Aluysio e Esdrtas se tornaram referência na cobertura dos fatos mais importantes da exploração de petróleo na Bacia de Campos, como a explosão da plataforma Enchova 1, em 18 agosto de 1984 (Reprodução do Jornal do Brasil)
Por Aluysio Abreu Barbosa
Em agosto deste ano se comemoram os 40 anos do início da exploração de petróleo na Bacia de Campos. O primeiro carregamento, com 45 mil barris extraídos do campo de Enchova, foi revelado ao mundo em 14 de agosto de 1977. Naquele dia, a capa do Jornal do Brasil (JB), então o maior do Estado do Rio, noticiou o fato com exclusividade, graças ao trabalho de uma dupla de jornalistas campistas: Aluysio Cardoso Barbosa, que no ano seguinte fundaria a Folha da Manhã, e Esdras Pereira, colunista e blogueiro deste jornal.
A história atrás da matéria, furo jornalístico de repercussão internacional, é uma prospecção à parte. De um tempo sem internet, fax, celular ou câmeras digitais, mas com ditadura militar (1964/85), muita adrenalina e uma obsessão: contar a história antes de todos. Entre os maiores momentos do JB, jornal que fez escola de gerações de profissionais da área, o episódio está narrado nas páginas do livro “Jornal do Brasil — História e Memória”, da jornalista Belisa Ribeiro.
Como Aluysio morreu em 2012, também num mês de agosto, quem revive a história é Esdras. Pelas várias capas emplacadas no JB, com reportagens de Aluysio e fotos de Esdras, a dupla ficaria conhecida na mídia carioca como “Os caçadores de primeira página”. E o furo da capa do JB de 14 de agosto de 1977, com o primeiro carregamento de petróleo na Bacia de Campos, da plataforma Cedco-135-D ao navio petroleiro Água Grande, foi fruto também do orgulho profissional ferido.
Dois anos antes, Aluysio noticiara pela primeira vez no JB que havia petróleo em quantidade comercial no litoral de Campos. Mas o fato passou a ser sistematicamente negado pelo governo brasileiro nos tempos da ditadura:
— Aluysio ficou mordido com aquilo. Embora fizesse de tudo como correspondente do JB no Norte Fluminense, ele foi um repórter que se especializou na agroindústria sucroalcooleira. Bem antes do açúcar e do álcool serem substituídos pelo petróleo como eixo econômico da região, ele já tinha feito essa migração como jornalista, se especializando também no novo assunto, em contatos com engenheiros, pesquisadores e diretores da Petrobras. Era um profissional muito sério. E era reconhecido por isso. A partir das “informações de coxia” que ele colhia nessas conversas, Aluysio era muito convicto de que havia petróleo na Bacia de Campos— lembra Esdras.
O sucesso profissional da dupla de jornalistas vinha também de um método de trabalho próprio, baseado no hábito de sair de carro pela região, sem destino certo ou pauta prévia, à caça de matérias. Foi assim que os dois acabaram em Atafona, numa tarde invernal de 1975, de chuva fina e vento sudoeste. Passando de carro pela av. Atlântica, à beira mar, eles viram duas tendas armadas na praia, com uma grande antena de rádio, no trecho entre o antigo Farol, que o mar atingiria em 1981, e o Hotel Cassino, ainda de pé.
Curioso com aquele acampamento nas areias de Atafona, Aluysio parou o carro e, junto com Esdras, caminhou até as barracas. Nelas, um rádio operador brasileiro revelou que havia sido descoberto petróleo em quantidade comercial na Bacia de Campos. Num tempo de tecnologia bem mais limitada, o entrevistado tinha como função fazer a comunicação entre os navios de prospecção em alto mar e as sedes da Petrobras e das empresas estrangeiras que estavam trabalhando na operação.
— Por uma questão estratégica, os militares guardavam aquele segredo a sete chaves. Era uma época de censura aos meios de comunicação. E aquilo era tratado como caso de Segurança Nacional. Mas assim mesmo, dois anos antes do primeiro carregamento, Aluysio emplacou a descoberta de petróleo no JB — conta Esdras.
As negativas da notícia pelos generais, que governavam o Brasil com mão de ferro, acabaram desmentidas pelo desenrolar dos fatos. Era 13 de agosto de 1977 quando Esdras foi cobrir, sob o sol do meio-dia, uma pauta corriqueira pelo jornal A Notícia, à época o de maior circulação em Campos: o estado de conservação da pista do aeroporto Bartholomeu Lyzandro. Ele foi sem seu parceiro. Já em vias de fundar a Folha, Aluysio estava acamado por motivo de saúde.
Ao perceber um estrangeiro no saguão do aeroporto de Campos com uma “maleta 007” e falando em inglês, mas sem dominar o idioma, Esdras pediu a um piloto da Votec, empresa de helicóptero que foi uma das primeiras a servir a Petrobras, que o ajudasse na tradução. Perguntado sobre o que fazia ali, o “gringo” não teve meias palavras. Estava trabalhando no dimensionamento do primeiro carregamento comercial de petróleo na Bacia de Campos, que já estava acontecendo naquele momento.
Ao conseguir com a fonte inesperada a longitude a latitude da operação em alto mar, Esdras foi correndo à casa de Aluysio. Quando disse do que se tratava, o jornalista deu um pulo da cama, em súbita recuperação, pela chance de finalmente poder confirmar o que tinha noticiado dois anos antes, mas era negado por Brasília.
Os dois recorreram então a um amigo comum, o industrial Geraldo Coutinho, proprietário da Usina Paraíso. Ele tinha um avião bimotor e havia contratado como piloto um ex-militar português, veterano da Guerra de Independência da Angola (1961/74). Com a malandragem de quem já tinha voado em várias missões de combate, o lusitano informou ao controle de voo um plano de ida e volta ao Farol de São Thomé.
Capa do Jornal de Brasil de 19 de agosto de 1984, sobre a explosão da plataforma Enchova 1, uma das maiores tragédias da história da exploração de petróleo na Bacia de Campos, mais uma vez registrada pelas fotos de Esdras e o texto de Aluysio
Ao chegaram à praia campista, o piloto desceu com os dois jornalistas a uma altitude mínima, quase roçando as ondas, para que não fossem detectados pelo radar. O destino real eram as coordenadas do carregamento de petróleo, a 56 milhas do litoral. Quando chegaram à plataforma abastecendo o petroleiro, por uma tubulação de mais de 200 metros, o avião voltou a subir para permitir os registros fotográficos. Deram três voltas sobre a área, com a aeronave voando de lado, para que as suas asas baixas não atrapalhassem o ângulo das lentes da Nikon F2.
Com uma delas, a teleobjetiva de 200 mm, Esdras notou que alguém no deck do navio observava o avião com binóculos, passando seu prefixo para outra pessoa, que anotava numa prancheta. E avisou a Aluysio, que determinou o retorno, depois do fotógrafo bater dois filmes de 36 poses cada. Era o final de tarde daquele dia agitado, mas que ainda guardava mais adrenalina na busca da notícia. E ela jorrou mais forte no sangue quando, pelo rádio da aeronave, os três foram comunicados que tinham invadido um espaço aéreo fechado por questão de Segurança Nacional.
A noite já caíra quando os três finalmente começaram a sobrevoar de volta o Bartholomeu Lyzandro. Pela janela do avião, os jornalistas notaram, sob um poste de luz do aeroporto, que uma Kombi branca, da Polícia Federal (PF), os estava aguardando. Era conhecida em Campos por ter também os vidros pintados de branco, para que ninguém soubesse quem estava sendo conduzido, num tempo que o regime militar não se importava em recorrer à tortura para conseguir o que queria, ou calar quem quisesse.
Quando o bimotor pousou, foi até o final da pista para fazer a volta até o desembarque. Neste momento, o piloto desligou rapidamente o avião, para que suas hélices não atingissem Esdras. Orientado por Aluysio, ele desceu pela asa e se jogou sobre o capim-colchão, plantado em volta da pista para tentar amenizar qualquer eventual impacto num pouso forçado.
Com a máquina numa mão e a chave do carro de Aluysio na outra, Esdras caminhou abaixado pelo mato até o aeroclube, onde estava estacionado o Chevette amarelo do parceiro. Ligou o carro e, com os faróis apagados, saiu sorrateiramente do aeroporto, enquanto Aluysio e o piloto eram presos pela PF tão logo desceram do avião.
Numa época em que telefone residencial era símbolo de status social, Esdras foi direto ao posto da CTB (Companhia Telefônica do Brasil), no cruzamento da 13 de Maio com a Formosa, e fez um interurbano à redação do JB. Nele, comunicou o furo de reportagem, além da prisão do colega jornalista e do aviador português. Depois foi para casa, onde mantinha seu laboratório, revelar as fotos.
Como não tinha à disposição um aparelho de telefoto, usado para passar fotografias à distância antes da internet, e não havia mais horário hábil para enviar o material por ônibus, visando a edição do jornal do dia seguinte, Esdras teve que voltar ao aeroporto. Lá, constatou que Aluysio e o piloto estavam presos numa sala fechada, onde eram interrogados pelos agentes da PF. A fila do embarque do último voo de carreira já estava andando quando ele pediu a um usineiro de ascendência inglesa que levasse as fotos, num envelope pardo, que seriam pegas por alguém do JB no Santos Dumont, no Rio.
Diante da negativa antipática, um outro passageiro, desconhecido, se ofereceu para levar a “encomenda”. Sem outra solução, Esdras lhe entregou o envelope com as fotos e voltou ao posto da CTB, para informar ao JB as características físicas e roupas do mensageiro improvisado. Paralelamente, o jornal carioca já trabalhava nos bastidores, junto aos militares, para liberar o repórter campista e o piloto português, veteranos de guerras distintas.
No dia seguinte, a capa do JB estampava a foto de Esdras, com as informações de Aluysio na legenda:
— Ligado à plataforma marítima Cedco-135-D por uma mangueira de mais de 200 metros de comprimento, o petroleiro Água Grande espera, a 56 milhas do litoral, completar sua capacidade de 45 mil barris para levantar âncoras, provavelmente na próxima sexta-feira, transportando o primeiro carregamento de petróleo do campo de Enchova para as refinarias da Petrobras. Ontem, ao meio-dia, funcionários da empresa que operam em outra plataforma na unidade Penrod-62 (P-6) anunciavam entusiasmados a conclusão, com êxito, de mais uma missão. “Encontramos muito óleo no poço que estávamos perfurando e nas próximas 48 horas a P-6 mudará de lugar”, disseram. O próximo poço da área a entrar em produção será o que está sendo perfurado pela plataforma Zephir II.
O jornalista confirmou sua história e a tornou conhecida no Brasil e no mundo. A partir dela, pelas quatro décadas seguintes, a cara de Campos e da região nunca mais seria a mesma.
Desde que a Câmara Municipal aprovou, na sessão do último dia 8, a instalação do ponto biométrico no serviço público goitacá e a regulamentação das substituições na categoria, o servidor reagiu. No dia seguinte (09), os servidores da Fundação Municipal de Saúde (FMS) chegaram a decretar o estado de greve. A paralisação foi descartada pelos médicos, que abriram negociações com o prefeito Rafael Diniz (PPS). Ciente do seu papel de canal de diálogo, a Folha levou ao prefeito as principais reivindicações da categoria, colhidas em consultas ao presidente do Siprosep, Sérgio Almeida, e à líder da oposição, Elaine Leão, numa categoria dividida também pela disputa política interna. Além deles, foi ouvido o presidente do Sindicato do Médicos, José Roberto Crespo. Abaixo, o que o prefeito de Campos tem a dizer sobre cada ponto da pauta do servidor:
Rafael analisou pontos da pauta do servidor apresentada por Sérgio Almeida, Elaine Leão e José Roberto Crespo
Promessa de campanha de valorizar o servidor x prática — A nossa busca por economia com cortes de mais de 500 cargos comissionados, revisão de contratos e redução de despesas são medidas para garantir e manter o salário do servidor em dia. É desta forma que valorizamos o nosso servidor hoje, garantindo o seu salário e fazendo o máximo de esforço para dar as melhores condições de trabalho. E para isso temos feito um exercício matemático, financeiro e contábil, diariamente. E ainda vamos além, já que a valorização do servidor também passa por uma recuperação do rombo que fizeram na PreviCampos. Isso é valorização do servidor, porque ele depende no futuro da Previcampos. Então, valorização do servidor é também organizar as contas públicas do município de maneira que não deixe faltar o salário. É sentar com ele, ouvi-lo e buscar entender as suas necessidades, sempre mantendo o diálogo aberto e permanente.
Plano de saúde do servidor — Em uma situação de déficit mensal de R$ 35 milhões, como vivemos hoje, é difícil falar em reajuste ou benefício, até porque a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) me impede, uma vez que o município já extrapolou os 54% de gasto com pessoal. A gente tem estudado alternativas, conversado com empresas de Saúde, buscado essa viabilização. Mas hoje, como já disse, nossa prioridade é manter o salário do servidor em dia. Mas isso não quer dizer que não temos buscado outros meios de cuidar do nosso servidor. Em maio, nós inauguramos a primeira Policlínica do Servidor. A nova unidade é uma importante estratégia dentro do Programa Municipal de Saúde do Trabalhador (PMST) e está voltada para o atendimento dos servidores da Prefeitura. A intenção com a Policlínica é assistir os servidores municipais, cuidar do maior patrimônio da Prefeitura, para que eles possam prestar seus serviços com qualidade e saúde. A proposta tem atendido aos servidores. Tanto é, que somente no primeiro dia de funcionamento foram registrados mais de 400 agendamentos. Em pouco mais de três meses, foram 4 mil atendimentos. O espaço oferece uma equipe de assistência multidisciplinar em saúde, com consultas de especialidades médicas e odontológicas, cirúrgicas e clínicas, como ginecologia/obstetrícia, cardiologia, clínica médica, dermatologia, ortopedia, psiquiatria, neurologia, cirurgia pediátrica e pediatria, além de enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais.
Eleição dos diretores de escola — As eleições para diretores de escola sempre foi uma bandeira minha. Não realizamos no início do ano por falta de tempo hábil, mas o projeto interno já foi finalizado e, agora, será repassado ao nosso Gabinete, para posteriormente ser debatido com a comunidade escolar. A previsão é de que até o fim do ano ocorram as eleições e a nossa expectativa é que o ano letivo de 2018 já se inicie com os diretores de escola que foram eleitos de forma democrática, conforme sempre defendi.
RPAs cobrindo férias na Saúde, no lugar do servidor — Esta é uma situação pontual que muitas vezes deriva de questões legais ou judiciais. Mas a grande maioria das substituições dos servidores de férias é feita através do Instituto da Substituição, por servidor de carreira.
Ausência de servidores de carreira nas chefias imediatas — Isso não condiz com a realidade. A gente tem hoje ocupando tanto os cargos de comissão, quanto as de funções gratificadas, um grande número de profissionais concursados. E na área da Saúde isso também acontece. Vários cargos são ocupados por concursados. Inclusive, há várias funções gratificadas que só podem ser exercidas por servidores de carreira. Eventualmente pode haver profissional que não seja da rede, mas isso ocorre quando é para atender às necessidades técnicas da administração.
Pressão das chefias imediatas contra greve — Não temos conhecimento de que isso venha ocorrendo e, obviamente, não é determinação minha para que isso aconteça. Mas a gente pode apurar caso a caso e verificar o que está acontecendo. Posso garantir que não orientei qualquer pessoa para que impedisse greve, uma vez que sempre estive aberto ao diálogo com todos.
Falta de material de higiene e limpeza nas unidades — A gente vem tendo alguns problemas licitatórios, que estão sendo resolvidos. Pontualmente quando a gente detecta um problema de fornecimento de insumo, prontamente atuamos para resolver e não deixar faltar. É importante lembrar que encontramos as unidades zeradas.
Reajuste salarial anual x Lei de Responsabilidade Fiscal — Conforme já expliquei, no momento a gente fica impedido de conceder qualquer tipo de reajuste ao servidor, tendo em vista que o município já extrapolou o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A gente vem adotando uma série de medidas justamente para poder estar em conformidade com o que que prevê a legislação. A partir do momento em que a gente melhorar a nossa arrecadação, estiver novamente dentro da LRF, a gente poderá voltar a fazer as recomposições salariais. Mas, no momento, diante desta grave crise, a prioridade é manter o pagamento do servidor em dia.
Pagamento do quinquênio ao servidor celetista — No pagamento referente ao mês de julho, a Prefeitura de Campos pagou quinquênio a 3,5 mil servidores da Fundação Municipal de Saúde (FMS) e da Fundação Municipal da Infância e Juventude (FMIJ), que eram celetistas e foram transformados em estatutários há cinco anos. Todos os meses têm servidores recebendo um quinquênio a mais. Agora em julho, foram 3,5 mil de uma só vez. O quinquênio corresponde a 5% do salário base de cada servidor. Neste caso, são mais R$ 500 mil, todo mês, na folha de pagamento. É um direito do servidor.
Progressão do Plano de Cargos e Carreira (PCCS) — O servidor, a cada dois anos, tem direito à progressão horizontal e, a cada mudança dessa, são 2,5% a mais no salário. No mês de maio deste ano, completaram dois anos da última atualização, mas não temos uma avaliação de desempenho dos servidores. Para fazer a progressão, tem que ter uma média feita com base em avaliações e essas avalições não foram realizadas nos últimos dois anos. A partir de agora, todos os RHs, junto aos chefes imediatos, estão avaliando e estes dados já estão sendo encaminhados à secretaria municipal de Gestão Pública. No início de 2018, vamos fazer uma segunda avaliação e aí sim, cumprindo a lei, faremos uma média e ver os que estarão aptos para a progressão. Se a progressão fosse automática, sem avaliação, em maio deste ano a prefeitura teria que pagar mais R$ 800 mil, por mês, ou seja, quase R$ 10 milhões em um ano.
Suspensão da gratificação — Em primeiro lugar é preciso lembrar que Campos hoje vive uma grave crise e a gente tem tentado a todo custo buscar um equilíbrio financeiro. A gente vem discutindo as gratificações de forma ampla e abrangente e algumas medidas têm sido tomadas para readequar a realidade financeira da cidade. A gente mantém um diálogo aberto, sempre debatendo os melhores caminhos junto aos servidores.
Reajuste do auxílio alimentação — O reajuste do auxílio alimentação é um benefício que se enquadraria como gasto de pessoal. O que, neste momento, é impedido de acontecer por conta da LRF que, conforme já citei, está extrapolada.
Corte de 20% da gratificação da Saúde no atendimento de emergência — Abri uma janela de negociações com os profissionais. É importante destacar os altos custos da folha de pagamento diante da pior crise financeira que Campos já viveu. Eventualmente podem acontecer esses reajustes, mas não é algo definitivo e está sendo estudado pela administração, debatido e dialogado com os servidores.
Aumento da carga de trabalho de 30h semanais para 40h — É importante deixar claro que não há aumento algum de carga horária. O que está sendo feito é uma análise da legislação vigente, inclusive dos concursos realizados à época. O objetivo é verificar se a legislação prevista está sendo cumprida ou não. Cada caso está sendo analisado, cada situação peculiar está sendo analisada e discutida diretamente com o servidor. Tenho dito sempre que estamos abertos para debater com o servidor a melhor maneira de arrumar a casa. Peço para que me apresentem propostas para encontrarmos juntos a solução, já que nunca tomamos decisões sozinhos. Se houver mudanças em carga horária, serão apenas para cargos que eventualmente estiverem em desacordo com o que a lei diz.