Ataque dos militantes de Bolsonaro endossa crescimento de Amoêdo

 

 

Amoêdo é a surpresa

Após as pesquisas Datafolha e Ibope ao Palácio do Planalto e Guanabara, na semana passada, a que se iniciou ontem trouxe a divulgação de uma nova amostragem, mas só a presidente. Por telefone, o BTG Pactual ouviu 2 mil eleitores, entre os dias 25 e 26 de agosto. Na margem de erro de erro de dois pontos para mais ou menos, nenhuma novidade na liderança: com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como opção, ele tem 35% na consulta induzida. Nela, foi seguido por Jair Bolsonaro (PSL), 22%; Marina Silva (Rede), 9%; Geraldo Alckmin (PSDB), 6%; Ciro Gomes (PDT), 5%; e a grande surpresa: João Amoêdo (Novo), com 4%.

 

Votos de Lula

Como Lula está preso desde 7 de abril e virtualmente inelegível pela Lei da Ficha Limpa que sancionou quando presidente, é sem ele a consulta induzida mais relevante. Nela, Bolsonaro liderou com 24%; acompanhado de Marina, 15%; Alckmin, 9%; Ciro, 8%, Fernando Haddad (candidato estepe do PT), 5%; e Amoêdo, 4%. Como no Datafolha e Ibope, no BTG Marina também foi a maior herdeira dos votos de Lula: seis pontos percentuais. Para receio dos petistas, Haddad ganhou apenas cinco pontos. Ciro e Alckmin levaram três, cada um. E até Bolsonaro herdou dois pontos dos votos de quem trata como “bandido condenado”.

 

Votos do antipetismo

Com os mesmos 4%, com ou sem Lula, as intenções de voto de Amoêdo parecem ser ideologicamente coerentes, mesmo antes de registrarem seu maior crescimento em pesquisas.  Os ataques recentes nas redes sociais, dos militantes de Bolsonaro contra o presidenciável do Novo, evidenciam como este preocupa o ex-capitão. Os dois dividem o mesmo voto antipetista com Alckmin e Henrique Meirelles (MDB) — que não sai de 1% em nenhuma consulta. E, sobre Bolsonaro, Amoêdo tem uma vantagem: ele é de fato um liberal, não convertido de última hora, após sete mandatos de deputado federal como estatista.

 

As chances

O fato de ter 19% na consulta espontânea, abaixo de Lula (26%), mostra como o voto de Bolsonaro está consolidado. E, numa eleição pulverizada, qualquer candidato com 20% dos votos tem grande chance de ir ao segundo turno. Marina, Ciro e Haddad terão a sorte definida na disputa pelo espólio de Lula. O presidenciável substituto do PT, aliás, só tem isso. Alckmin depende de virar o jogo contra Bolsonaro, sobretudo no Estado de São Paulo, que governou quatro vezes. Mas é na espontânea que a consistência do voto em Amoêdo também impressiona: com 3%, ele está bem atrás de Bolsonaro e Lula, mas apenas deles.

 

Surpresa?

Do planalto à planície, o blog do Arnaldo Neto registrou ontem outras novidades. Candidato ao Palácio Guanabara, Romário (Pode) esteve na segunda em Campos, acompanhado de Caio Vianna. Ele está no PDT, por onde não concorre a nada em 2018, mas que tem candidato próprio a governador: Pedro Fernandes. Só não surpreende se analisada a curta trajetória política do filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna: chegou a liderar as pesquisas a prefeito de Campos em 2016, mas desidratou quando perdeu o apoio do pai e acabou se aliando a Anthony Garotinho. Arnaldo apoia sua esposa Edilene Vianna (MDB) a deputada estadual.

 

Violência

Os recentes números da violência têm assustado bastante a população da nossa região, principalmente com Campos, que aparece entre as cidades mais violentas do mundo. Porém, o que causa mais espanto é o fato de essa violência chegar também aos locais que, para muitos, sempre foi um reduto de paz e tranquilidade. E foi assim no último fim de semana em Atafona, litoral de São João da Barra. O jovem Layron da Silva Costa, de 24 anos, morreu, ontem, com tiros na cabeça. Já uma adolescente de 17 anos denunciou no domingo que foi estuprada no dia anterior.

 

Respostas

Duas investigações que precisam ser esclarecidas logo. No caso do estupro, que teria acontecido na frente de outra menor, grávida, de 14 anos, as respostas logo deverão surgir com os exames do Instituto Médico Legal (IML). No caso do Layron, parece ser mais complexo. E a revolta foi grande por parte da população de Atafona, que já realizou protestos e está inconformada com o fato de a suspeita recair sabre a polícia, que registrou o episódio como auto de resistência. Delegado titular da 145ª DP, Carlos Augusto Guimarães assegura que tudo será analisado. E o que se espera é que também seja, logo, elucidado.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (28) na Folha da Manhã

 

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Igor Franco — O PT e o #MortadelaGate

 

 

Desde o “Escândalo dos Aloprados” na eleição presidencial em 2006, quando integrantes do PT foram presos com centenas de milhares de dólares e reais em espécie para a compra de um suposto dossiê contra o candidato tucano José Serra, parece fatal descortinar-se um novo escândalo petista envolvendo campanhas a cada eleição presidencial. Em 2014, a personagem Dilma Bolada fez grande sucesso nas redes, com postagens engraçadinhas que, disfarçadamente, promoviam promessas de campanha e feitos (???) da ex-presidente. Posteriormente, descobriu-se que o criador da página era muito bem remunerado por uma agência de propaganda envolvida em desvio de dinheiro público para abastecer campanhas do Partido dos Trabalhadores.

Desbaratado ao longo do final de semana após a denúncia de uma ex-participante, a jornalista Paula Holanda, o mais recente escândalo promovido pelos asseclas do presidiário-candidato já foi batizado de “Mensalinho do Twitter” ou “MortadelaGate”. O esquema consistia em postagens descentralizadas para promover candidatos do partido a partir de perfis simpáticos à esquerda que tivessem muitos seguidores. A contratante da mão-de-obra, uma agência de publicidade vinculada ao deputado Miguel Corrêa Junior (PT-MG), enviava uma pauta diária para os contratados seguirem. Com a aparência de uma manifestação espontânea, diversos perfis disparavam mensagens parecidas enaltecendo o candidato à reeleição no Piauí Wellington Dias, a candidata à Câmara Gleisi Hoffman, dentre outros ilustres conhecidos das páginas policiais.

Os chamados digital influencers, uma espécie de blogueiros descolados da nova geração das redes sociais são um dos grandes enclaves da esquerda na internet. Eles estão nas diversas redações dos grandes jornais, fazem parte de start-ups tecnológicas, colaboram para campanhas de marketing bonitinhas que prometem salvar o mundo através da venda de produtos, são donos de páginas de memes em favor do aborto, droga e políticas identitárias. Se fossem pobres coitados sem perspectiva, receberiam um sanduíche com mortadela por sua colaboração à causa. Como a pecha de descolados lhes confere maior pedigree, a compra de suas consciências partia de R$ 1.500,00 ao mês. Em resumo, os digital influencers de aluguel se converteram numa releitura da antiga blogosfera progressista, rede de sites mantida até alguns anos atrás por pesada propaganda de governos petistas e aliados.

Após a divulgação de todo o esquema, os mensaleiros virtuais passaram a adotar diferentes linhas de defesa: uns dizem que, apesar do acordo verbal, não chegaram a receber qualquer valor; outros se apressaram a bloquear ou excluir os seus perfis; a maioria, porém, dedicou-se a acusar de alcagueta a delatora. Paula Holanda, de membro da trupe progressista, passou a ser chamada de “x9” e sofreu ameaças virtuais dos inconformados pela revelação do esquema criminoso. A preocupação tem sua justificativa: além de imoral, a venda de propaganda eleitoral de maneira implícita é crime (Resolução 23.551 do TSE, art. 23, IV, b), além de levantar a suspeita sobre origem do dinheiro para financiamento desse tipo de esquema.

Como ocorreu durante a eclosão do Mensalão e de diversos outros escândalos menores até o desbaratamento da joia da coroa da corrupção nacional, trazida à luz pela Lava Jato, o PT, seus simpatizantes e seus porta-vozes na imprensa decidiram ignorar toda oportunidade de autocrítica e elevação de seus padrões. Para o PT e seus asseclas, a única e verdadeira batalha da política se dá em torno do poder e todo e qualquer meio para a tomada do mesmo.

Ora, que o PT seja capaz de utilizar meios ilegais e insidiosos para manipular eleições através da utilização de recursos escusos não deve assustar ou constranger ninguém. Também é certo que os eleitores do partido não se abalarão com essa nova ilegalidade, afinal, numa escala de gravidade, o desvio sistemático de recursos públicos para abastecer o caixa do partido e a riqueza pessoal de seus membros figura numa posição muito mais grave e, mesmo assim, continuamos a assistir o presidiário candidato figurando no topo das intenções de voto. Entretanto, não deixa de ser curiosa a sistemática propensão dos petistas a delinquir e, aparentemente, relegarem a mero detalhe o fato de tratar-se de uma prática criminosa promovida com dinheiro tirado sabe-se lá de onde e buscarem o linchamento virtual de quem ousou delatar o partido (alguém aí lembra do companheiro Palocci?).

A fantasia descolada e moderninha dos novos porta-vozes só engana os mais incautos: por dentro, as velhas práticas mofadas mostram que a corrupção no PT só sai de cena para mudar de figurino.

 

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Indio da Costa: Governo do Estado não pode ser pautado só pela capital

 

Por Aldir Sales e Aluysio Abreu Barbosa

 

“O Estado do Rio de Janeiro não pode ser pautado pelos interesses exclusivos da capital”. Foi o que observou Indio da Costa, deputado federal e candidato do PSD a governador do Rio, nesta entrevista. Nela, além das propostas, ele fez críticas pesadas aos adversários na disputa pelo Palácio Guanabara. Reafirmou as que já havia feito a Anthony Garotinho (PRP) e mirou também em Romário (Pode) e Eduardo Paes (DEM). Afirmou que o primeiro é “malandro demais para governar o Estado”, e que o segundo “está no jogo para manter o poder nas mãos do Cabral”. Do candidato com quem disputa a quarta posição nas pesquisas, porém, Indio reconheceu virtudes: “não se deve menosprezar a força do Psol, a capacidade mobilizadora deles, além das qualidades pessoais do Tarcísio”.

 

 

Folha da Manhã – Em entrevista à Folha publicada (aqui) em 6 de agosto de 2016 uma frase sua gerou a manchete daquela edição: “A política de Garotinho é manter o pobre na pobreza”. A revista Veja (aqui) e o jornal O Dia (aqui) repercutiram aquela entrevista. Dois anos depois, mantém a declaração ou algo mudou?

Indio da Costa – Mantenho e reafirmo. E nisso está uma questão essencial: a maneira como se entende a população. Ela precisa dos serviços públicos, precisa do trabalho dos governos, sem dúvida, mas não como um ato de caridade ou voluntarismo dos governantes. A população precisa dos serviços e paga por eles, numa situação em que o pobre paga mais que todos, se considerarmos o que ele recebe de volta e o que deixa para os governos. Todos, indistintamente, pagam. A receita mais representativa do Estado é de ICMS, um imposto que incide sobre o pão, sobre a carne, sobre as passagens, sobre tudo o que é mercadoria e serviços. Garotinho usa os serviços públicos como se fossem atos de voluntarismo pessoal e político. Isso é uma fraude na informação.

 

Folha – No debate da Band, dia 16, o senhor falou da situação em que pegou a secretaria de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação do governo Marcelo Crivella (PRB) do Rio, herdado de Eduardo Paes (DEM), e rolou a bola a Garotinho, perguntando como a filha dele, Clarissa, havia achado a secretaria de Desenvolvimento, Emprego e Habitação. Garotinho emendou tão forte em Paes, que gerou direito de resposta. Dá para acreditar que não foi jogada ensaiada?

Indio – Não foi jogada ensaiada. Entre todos os candidatos presentes, só dois poderiam esclarecer os eleitores sobre a qualidade da gestão do Paes na Prefeitura: eu e Garotinho. Pedro Fernandes esteve na Prefeitura, mas com nenhuma preocupação com o assunto. Eu e a Clarissa participamos de inúmeras reuniões com a secretária de Fazenda, com o prefeito, com os outros secretários, em cima das contas do município. Por isso, fiz a pergunta ao Garotinho. Fundamental é esclarecer aos eleitores que a gestão do Paes na Prefeitura foi desastrosa. Ele assinou contratos sem capacidade de pagamento. Para fugir à Lei de Responsabilidade Fiscal, ele anulou os empenhos com matrícula fantasma e deixou um estouro de caixa de mais de R$ 1 bilhão. Isso precisa ser esclarecido ao eleitor, que terá o desafio de escolher um governador que terá que lidar com uma crise financeira.

 

Folha – No direito de resposta de Paes, que gerou outro a Garotinho, o ex-prefeito do Rio disse que tinha sido alvo da tabela entre o senhor e o político de Campos. E que isso havia sido arquitetado diretamente por Crivella. Foi? Não pode parecer ao eleitor uma briga da patota do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), representada em Paes, contra a patota do Crivella?

Indio – Quando o Cabral é referência, não se pode falar de patota. Será mais justo chamar de quadrilha e Eduardo Paes é membro da quadrilha. Ele se diz inocente nas propinas do ex-secretário de obras dele (Alexandre Pinto). Quem conhece o jeito de governar do Eduardo Paes sabe que ele é centralizador e que todas as decisões na gestão dele, são dele. Dizer que nas barbas dele, o secretário da principal pasta pagou propinas, separou dinheiro para o Cabral, sem que ele soubesse, é ingenuidade. A minha relação com Crivella sempre foi pública e transparente. Quando eu aceitei o convite para apoiá-lo no segundo turno, apresentei a ele um documento, uma carta-compromisso, que ele assinou. Ela é pública. Dois pontos amarram o nosso compromisso. Não ter o Garotinho no governo e não colocar a Prefeitura a serviço da Igreja. Garotinho não participou do governo. Minhas relações com a Clarissa no governo Crivella foram difíceis com dificuldades reconhecidas publicamente, inclusive aqui em Campos.

 

Folha – Sobre a reunião secreta de 4 de julho, em que Crivella ofereceu isenção de IPTU e cirurgias a pastores e líderes evangélicos, o senhor disse no dia 6: “Foi um erro, ninguém ganha nada com isso. Essa reunião não foi boa para a sociedade”. O episódio gerou até pedido de impeachment do prefeito, negado pela Câmara do Rio. Mas, em 18 de julho foi definido o apoio do PRB, pelo qual trabalhava, foi dado a Garotinho. Arrepende-se? Por quê?

Indio – Não me arrependo. Pilar central do meu acordo com Crivella no segundo turno da eleição de 2016 era a Prefeitura não ser colocada à serviço da Igreja. Eu defendo o Estado laico. Defendo que toda a população, sem intermediários, tenha acesso aos serviços públicos. Poucas horas antes da reunião do prefeito com os pastores ser do meu conhecimento, num almoço em Brasília, firmamos a aliança entre o PSD e o PRB, presentes os presidentes nacionais dos dois partidos, o Ministro Kassab e o Pastor Marcos Pereira. Mas, o PRB entendeu que a minha opinião era um obstáculo à aliança. Paciência. Mantive o princípio que firmou o meu acordo com o PRB no segundo turno da eleição passada. Respeito muito o PRB, como respeito Crivella e tenho carinho por ele, mas há pontos que discordamos.

 

Folha – Cabral, de quem o senhor é crítico, está sendo processado, entre várias outras coisas, pelo uso particular de helicópteros do Estado. Em julho, o jornal O Globo denunciou sua utilização de helicópteros da Prefeitura do Rio, quando era secretário de Crivella, para fazer pré-campanha a governador. Há diferença? Qual?

Indio – Na sua pergunta, está uma das diferenças essenciais. Eu não fiz uso particular do helicóptero. Fiz uso em serviço. Não usei pra fazer pré-campanha. Veja você que eu deixei o cargo de secretário e reassumi o mandato de deputado federal três meses antes do prazo legal para desincompatibilização. Se fosse minha intenção usar a Prefeitura na pré-campanha, eu teria permanecido, como permaneceram todos os demais secretários que hoje são candidatos. Estão aí, por exemplo, Clarissa e Pedro Fernandes. Outra diferença entre mim e Cabral é fundamental ressaltar: ele é ladrão. Eu, não. Ele está com Eduardo Paes, eu, não; apesar dos apelos insistentes que me fez Eduardo para ser vice dele.

 

Folha – Em tempos em que se cobra transparência e lisura dos gestores públicos, o senhor levanta essa bandeira e exalta o fato de ter sido relator da Lei da Ficha Limpa. Dentro disso não é incoerência o fato de ter nomeado à Prefeitura do Rio seu sócio num estacionamento em Niterói e tesoureiro do PSD, Cyro Beltrão Filho, com salário mensal de R$ 12 mil?

Indio – A nomeação foi transparente, até porque não poderia ser diferente. Ela foi, como todas nomeações, publicada no Diário Oficial. Sou mesmo relator da Lei da Ficha Limpa, com a autoridade moral de ser um ficha limpa. Quem tiver dúvida consulte um aplicativo bem bacana que está a disposição de todos, o detector de corrupção. Veja lá como eu apareço e como aparecem, por exemplo, Eduardo Paes e Garotinho, donos de ficha corrida. Cyro não foi nomeado meu assessor por ter sido meu sócio numa das minhas empresas, como quis dizer o jornal O Globo, que já se sabe, faz abertamente, a campanha do Eduardo Paes. Cyro me acompanha desde o meu primeiro momento na política, há mais de 20 anos, tempo em que era funcionário do Banerj. Foi meu orientador em muitas questões. Já esteve comigo em outras passagens minhas pela Prefeitura. Por eu confiar nele, ele foi meu assessor na secretaria, é o tesoureiro do partido sob a minha presidência, foi meu sócio nas minhas empresas. Hoje, está se distanciando das atividades, para o que ele chama de “merecido descanso”. E é mesmo. Ele tem sido uma pessoa importante na minha vida. Ante-sala em muitas decisões que tomei ao longo da vida.

 

Folha – Nas duas últimas pesquisas ao governo do Rio, o senhor ficou pela primeira vez atrás de Tarcísio Motta (Psol), ainda que em empate técnico: 3% a 5%. O empate foi absoluto no Datafolha: 3% a 3%. Acha que foi efeito de debate da Band, onde Tarcísio foi bem? Como desgrudar dele e ameaçar Romário (Pode), Paes e Garotinho, líderes na intenção de voto?

Indio – A decisão, a escolha, cabe ao eleitor no dia da eleição. As pesquisas retratam um momento. Não acredito que tenham sido só reflexo do debate, que foi frio. Sobre Tarcísio, não se deve menosprezar a força do Psol, a capacidade mobilizadora deles, além das qualidades pessoais do Tarcísio. Diante do eleitor do Estado estará o desafio de escolher quem irá, pelos próximos 4 anos, carregar a responsabilidade de reequilibrar as contas e encontrar meios de dar solução ao crime e ao desemprego. Quem, entre os candidatos, estaria mais preparado e apto para cumprir o papel. Romário? Ele teria as condições? Prestem atenção à vida pessoal dele. O cara não paga as contas que faz. Portanto, rouba os credores. Não paga impostos, portanto, rouba o Estado. É indisciplinado. Malandro demais para governar um estado que tem os problemas que temos. Eduardo Paes? Esse é membro de uma quadrilha que assaltou o Estado. Está sustentado numa aliança que não dará a ele a menor liberdade para governar. Ele está no jogo para manter o poder nas mãos do Cabral, do Picciani e de todos os ladrões que assaltaram o estado. Eduardo Paes quebrou a Prefeitura do Rio. Enganou o povo com uma Olimpíada comprada a preço de ouro para justificar as obras que aumentaram a fortuna da quadrilha e do bando.

 

Folha – Sem um conservador forte nas pesquisas, o senhor e o ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC) vêm com discurso duro na Segurança. No debate da Band, ambos falaram que, em seus governos, o policial teria autorização para atirar em bandido armado. Não é uma tentativa de se apropriar da pauta do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL)? Aceitaria o apoio dele?

Indio – Há uma diferença essencial entre o que eu proponho e o que propõe Bolsonaro: ele quer armar a população para que ela se vire na luta contra o crime. Eu, não. Eu defendo que se dê todas as condições às polícias para que elas resolvam o crime. É estupidez e loucura querer fazer segurança sem polícia como se tem feito no Estado. As polícias estão sucateadas por conta disso. As milícias nasceram, porque os governos viraram as costas para as polícias. Polícia se faz com policiais. Ou seja, é preciso que o Estado compreenda as dificuldades pessoais dos policiais. Entenda que eles estão nas ruas e no serviço colocando em risco a própria vida. Quando morrem na luta contra o crime, o que acontece com as famílias deles?  A investigação é elemento forte na minha proposta. O sistema de investigação da Polícia Civil está sucateado, por isso, os crimes acontecem e se repetem e se multiplicam.

 

Folha – Sob intervenção militar do governo federal, a Segurança é hoje um dos principais problemas do Estado do Rio. Na segunda, dois militares das Forças Armadas foram mortos em troca de tiros com bandidos. E os assassinos da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes ainda estão soltos. Há solução? Como?

Indio – A intervenção teve motivação política. O Exército Brasileiro é um patrimônio de coragem, disciplina, ordem, que deveria ser preservado nas mobilizações da política. E não foi. Paga um preço alto por isso. Em vez de intervenção, o governo federal deveria investir no trabalho de investigação da polícia. Quem sabe agir contra o crime é a polícia. O mais grave entrave ao sucesso das políticas de Segurança Pública no Estado do Rio é a importância zero que se dá aos policiais.

 

Folha – Além da violência, o Estado do Rio vive também um quadro de insolvência financeira. O que pensa sobre o regime de recuperação fiscal firmado entre os governos Michel Temer e Luiz Fernando Pezão, ambos do MDB. Propõe algo diferente?

Indio – O Plano de Recuperação Financeira tem uma causa essencial: criar as condições para que o Estado paga as dívidas que tem com a União. Mas, ninguém se questionou sobre a razão das dívidas terem se acumulado. A razão foi roubo e irresponsabilidade. Mas, assinou-se um Plano de Recuperação sem punir o maior responsável pelo problema, o governador Pezão, cúmplice confesso da quadrilha que tomou o estado de assalto e que quer permanecer no comando sob o governo Paes. O Plano engessa a gestão estadual de tal forma que a crise na segurança, saúde e etc será cada dia maior se a ideia prevalecer. Minha intenção é rever o Plano, para esticar os prazos de pagamento e desengessar os investimentos. Assumir isso com responsabilidade. Não como um ato de irresponsabilidade fiscal. Ter tempo para estancar a evasão fiscal, recuperar as polícias e a moral baixa dos servidores, destravar o desenvolvimento econômico e produzir dinheiro novo para pagar as dívidas velhas.

 

Folha – A face mais cruel da falência financeira do Estado se dá sobre os servidores ativos e inativos. Qual o seu compromisso em honrar mensalmente esses vencimentos?

Indio – Compromisso de quem já esteve na gestão de um quadro de servidores públicos com o peso que tem a folha da Prefeitura do Rio. A Previdência do Estado, esta sim, é um problema enorme a resolver. O Estado em 2017 precisou colocar R$ 11 bilhões no fundo de previdência, dinheiro tirado da saúde, da segurança e de todos os serviços públicos, para pagar inativos e pensionistas. Eu já administrei o PreviRio, quando fui secretário de Administração da Prefeitura do Rio. Sei como lidar com o problema, mas vou constituir um grupo de especialistas para encontrar uma saída. Mas, o meu compromisso é não atrasar os salários e fazer com que eles sejam elementos essenciais para gerar empregos e desenvolvimento. Sim, porque o servidor, ao receber em dia, consome e paga impostos. Parte do que o Estado paga em forma de salários, recebe em seguida, de volta, em forma de impostos. Uma equação que dá pra mexer.

 

Folha – Outra face do caos financeiro se dá sobre o abandono da Uenf e do Colégio Agrícola Antônio Sarlo. No debate da Band, quando perguntados sobre a Uerj, apenas Garotinho, Paes e Tarcísio lembraram que a Uenf também existe. O senhor, não. Por quê?

Indio – Garotinho lembrou, porque é obra dele, numa atitude bem comum na gestão pública: criar estruturas que precisam de despesas correntes sem pensar nelas. Quando se cria uma universidade, uma escola ou um batalhão, é preciso lembrar que para funcionarem precisam de recursos para pagar as despesas mensalmente. As universidades públicas podem, sim, gerar recursos que ajudem a cobrir as despesas correntes. No debate deixei isso claro. Com relação a todas as universidades do estado e aos colégios que têm o perfil do Colégio Agrícola Antônio Sarlo. É, sim, possível, ao Governo Estado, criar atividades econômicas que abram espaço para que as universidades e escolas encontrem o caminho da auto sustentação. Transformar projetos em protótipos onde o professor, o aluno, a universidade e o estado ganhem com essa produção de inteligência, com a possibilidade de o aluno, em vez de sair em busca do primeiro emprego. Ele já sai dali podendo empreender a partir da sua ideia. No caso do Colégio Agrícola Antônio Sarlo, acredito que há espaço para o fortalecimento da educação no campo, mas primeiro tenho que ouvir as pessoas para poder planejar uma retomada.

 

Folha – Quais são seus planos para Porto do Açu na questão do desenvolvimento específico do Norte Fluminense?

Indio – O Porto já é uma realidade econômica, não percebida pelo Governo do Estado, como estratégica para o desenvolvimento econômico. A intermodalidade para escoamento da produção é um gargalo, que o governo do estado pode resolver. O Governo do Estado pode fazer com que o Porto do Açu seja um polo de discussão e de recuperação do setor portuário. Ele é a oportunidade para fazer com que o estado ocupe um papel de líder no segmento. Para isso, é imprescindível o investimento que otimize a conexão entre os portos e as empresas que exploram suas instalações.

 

Folha –  Com sua foz em Atafona assoreada, o rio Paraíba do Sul sofre há bastante tempo em período de estiagem. Há registro de língua salina já no distrito de Barcelos. Há vida para Campos, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana sem o rio que os formou? Como recuperá-lo?

Indio – Não há vida. A bacia abrange 184 municípios, sendo 88 no Estado de Minas Gerais, 57 no Estado do Rio de Janeiro e 39 no Estado de São Paulo. Então, o papel do governador como líder político regional será fundamental para o debate sobre o Paraíba do Sul. Nesse quesito, o Estado do Rio só perdeu nos últimos anos, desde Brizola. Tivemos alguma oportunidade de um debate a nosso favor, nos tempos do Marcello Alencar. Depois, não mais. Eu quero assumir o papel de articulador das soluções. Com base nesse papel, constituir grupos de trabalho que encontrem soluções para a bacia e para o Paraíba do Sul que sejam vantajosas para o nosso Estado.

 

Folha – O que Campos, Norte e Noroeste Fluminense devem esperar de Indio governador?

Indio – Muito trabalho, com a compreensão que o Estado do Rio de Janeiro não pode ser pautado pelos interesses exclusivos da Capital, como tem sido nos últimos anos. Os governadores do estado têm sido gestores concorrentes do Prefeito do Rio. Mesmo, os governadores com perfil político vinculado ao interior, como foram Moreira, Garotinho e Rosinha. Eu tenho a exata compreensão que parte grande dos problemas do Estado e da capital tem como origem e causa a mania dos governadores de governarem de costas para o interior

 

Pàgina 2 da edição de hoje (26) da Folha

 

Publicado hoje (26) na Folha da Manhã

 

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De Boulos a Indio, passando por Garotinho e Bolsonaro, e suas assessorias

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (25) na Folha

 

Boulos, Garotinho e Bolsonaro

Ontem, uma página inteira da Folha foi desperdiçada numa entrevista de 15 perguntas sem respostas do candidato a governador Anthony Garotinho (PRP).  Um dia antes, sabatinado no mesmo equilíbrio de pauta entre contradições e propostas, o presidenciável Guilherme Boulos (Psol) se saiu bem ao responder o mesmo número de perguntas. Hoje, o espaço destinado à entrevista com Jair Bolsonaro (PSL) também não foi preenchido. Sua assessoria informou que ele prefere fazê-lo sempre pessoalmente e ontem passou o dia em campanha pelo interior de São Paulo. Muito embora as perguntas tenham sido enviadas desde terça (21), três dias antes.

 

Críticas ao jornalismo

Depois que Bolsonaro decidiu fugir dos debates nas grandes redes de TV — após ser flagrado no último levando “cola” não mão, ao ser enquadrado por Marina Silva (Rede) —, sua opção de não priorizar entrevistas não chega a ser uma surpresa. Sobretudo quando constatado que, para parte da sua militância, a mídia brasileira faria parte de um complô “comunista” contra o ex-capitão do Exército. Mas esse é o eleitor que, com o Cabo Daciolo (Patri), assumiu a forma de candidato. O que não quer dizer que não se caibam críticas ao jornalismo. Não só àquele que produz diariamente notícia e opinião, como à sua parcela que dá assessoria aos candidatos.

 

Cópia indesejada

Na assessoria de Bolsonaro, talvez até pelo ressentimento da candidatura com a mídia, parece haver poucos jornalistas.  Estes, quando existem, têm a função de qualquer outro assessor: agregar novas virtudes ao candidato, não repetir seus defeitos. Em tese, é oposto do apresentado por Garotinho e seu assessor Antero Gomes, conhecido na mídia de Campos pela façanha de ser quase tão verborrágico e presunçoso quanto o candidato. O jornalista e ex-secretário de Comunicação Mauro Silva anda fazendo muita falta ao político da Lapa — que já foi estagiário da Folha como repórter.

 

Espeto de pau

Há casos dignos de elogio, como da assessoria do Psol. E não é preciso ser formado em jornalismo, como o cientista político Vítor Guimarães, para fazer a ponte da candidatura Boulos com a mídia. Como ocorre com o jornalista Guto Pires, assessor do deputado Wadih Damous (PT), em Campos na quarta (22) para debate na Uenf. Independente das ideologias e partidos, é o que se dá também com a Valéria Blanc, assessora do candidato a governador Indio da Costa (PSD). Ele será o entrevistado de amanhã no jornal de Campos com o qual o candidato de Campos não quis falar. Como reza o ditado: “casa de ferreiro, espeto de pau”.

 

Digital

A Seja Digital, entidade responsável pelo processo de digitalização do sinal de TV no Brasil, estará presente no evento Agosto da Juventude, realizado pela Prefeitura de Campos, na Praça Sol, na localidade de Santa Maria. O objetivo é levar informação sobre o desligamento do sinal analógico de TV, que ocorrerá no dia 28 de novembro. Após essa data, a programação dos canais abertos de televisão será transmitida apenas pelo sinal digital em Campos e em outros 58 municípios do interior do estado do Rio de Janeiro.

 

Kits grátis

No estande da Seja Digital, os participantes poderão verificar a diferença entre a imagem com sinal analógico e a do sinal digital. Mobilizadores também irão tirar dúvidas sobre o desligamento do sinal analógico e sobre a distribuição de kits gratuitos. Mais de 490 mil kits gratuitos serão distribuídos na região. Quem não sabe se tem direito ao kit, devem ligar gratuitamente no 147 com NIS (Número de Identificação Social) em mãos ou acessar o site sejadigital.com.br/kit para verificar e agendar a retirada dos equipamentos.

 

Tecnologia agrícola

Empresários de Alagoas, Mato Grosso e São Paulo estiveram em Campos e foram recebidos pelo superintendente de Agricultura, Nildo Cardoso. Eles vieram conhecer a agricultura local e o tipo de terra no município. O próximo encontro já está definido: será em Mato Grosso. Na troca de experiências, Nildo vai conhecer uma tecnologia que transforma batata doce em etanol: “Vai gerar emprego e menos custo do consumidor de etanol. Vamos fazer uma unidade em Campos”, afirma.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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Guiomar Valdez — Representação política: um caminho ainda não esgotado

 

 

Refletindo sobre o que temos aí predominante nas práticas e nas relações no campo das eleições 2018 (local, regional, nacional) – o escancaramento do irracionalismo, cuja face mais visível está nos fundamentalismos de todas as espécies, atentei para um aspecto do nosso tipo de voto. Ele é representativo – ele tem o caráter de ‘mediador’ das relações de poder e das decisões que são tomadas.

Contra toda forma de irracionalismo no presente e num futuro próximo, abro mão temporariamente da minha utopia plebiscitária, em nome da Democracia Liberal Representativa de novo tipo. Isso porque não tenho a ilusão de que sem uma EDUCAÇÃO POLÍTICA E ORGANIZATIVA contínua e sistemática possamos avançar na Democracia Direta. Sem ela não chegamos nem perto dos problemas de fundo, estruturais de nossa sociedade – origem das mazelas de todo tipo e dimensão em nosso país.

Apesar de todas as limitações e fragilidades já detectadas da Democracia Liberal Representativa, pela ótica da maioria esmagadora da população – desorganizada e atomizada, sob o domínio do senso-comum, e, no máximo, de sua empiria, percebo que é possível para o momento repensar a representação política! Não como um ‘atalho’, porque não existem atalhos na História, mas como processo possível na vida política.

Ora, se sabemos que o ‘voto representativo delega poder’, promovendo até aqui em nossa História uma cisão entre quem toma a decisão – o representante e quem delegou através do voto este poder decisório – o representado. Se sabemos até aqui que o representado é praticamente um incapacitado para escolher as agendas, os temas, as alianças, os votos em gabinetes, em plenários, em comissões etc, de seu representante depois de eleito, inclusive para ações de referendo e plebiscito.

Por que não DEMOCRATIZAR A REPRESENTAÇÃO, ativando as potências democratizadoras de realizar as ‘promessas’? Ficar apenas na crítica, mesmo que clara e fundamentada, aguardando um tempo de maturação da consciência para a Educação Política e Organizativa, é aprofundar a debilidade da nossa já frágil Democracia. Penso que deveríamos ‘fazer o caminho, caminhando’.

Vejo como factível duas ações: aprofundar e ampliar os ‘mandatos coletivos’, essas experiências já existentes que criam obstáculos ao paternalismo, ao surgimento de ‘mitos’ e personalismos, roedores do banquete democrático que deveria ser para todos. Simulacros muitas vezes do próprio exercício da Democracia Direta; e, realizar uma revolução na comunicação entre representante e representado, superando o ‘diálogo de uma fala’ (sic!), onde se concretiza apenas os ‘pedidos de uma voz só’, das trocas de favores individuais. O velho e atual clientelismo, ‘possessão do mal’ para qualquer Democracia – alimentando o patrimonialismo, o rebaixamento de toda forma de pensar um Projeto de Nação soberano.

Por que não, institucionalizar os ‘mandatos coletivos’ e avançar do comitê eleitoral, para a criação permanente dos ‘comitês de eleitos e cidadãos’ com caráter deliberativo, de supervisão e prestação de contas?

É isso por hoje. Em tempos de irracionalidade, resisto, não me entrego! Exercito e alimento minha Razão, ainda a dos tempos iluministas. Um dia alcançaremos a harmonia entre Razão e Coração!

 

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Quais são as 15 perguntas que Anthony Garotinho não quis responder?

 

Por Suzy Monteiro e Aluysio Abreu Barbosa

 

No último dia 14, a Folha reuniu representantes locais das candidaturas a presidente da República e governador do Estado. Com a participação deles, foram sorteadas as datas para publicação das entrevistas, no esforço democrático de expor as eventuais contradições e, sobretudo, as propostas de cada candidato. A todos foi comunicado que a ausência de respostas, por parte dos candidatos a governador, implicaria na publicação só das perguntas. O presidente municipal do PRP, Vinícius Madureira, participou da reunião. E a data da publicação da entrevista do seu candidato a governador, Anthony Garotinho, foi sorteada para hoje. Ontem, no lugar de responder às 15 perguntas enviadas, Garotinho só encaminhou por seu assessor Antero Gomes uma afirmação de duas frases, sobre sua litigância contra a Folha. Sem as respostas, que você, leitor, não desconheça as perguntas.

 

 

Folha da Manhã – O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu sua inelegibilidade, baseado em sua condenação em segunda instância pelo desvio de R$ 234,4 milhões da Saúde em 2005 e 2006, quando era secretário do governo Rosinha. Ao manifestar-se sobre o pedido, o senhor já sinaliza recursos ao TSE e STF. Concorrer sub judice não traz insegurança ao eleitor?

Anthony Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e se limitou à sua litigância contra o jornal)

 

Folha – O senhor diz que é vítima de uma perseguição “político-jurídica-midiática” que estaria por trás das operações Chequinho e Caixa d’Água. Porém, muito antes delas, o senhor já foi condenado na Segurança Pública S/A e, agora, na “Pecado Capital”. É possível creditar perseguição a tudo isso?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Folha – O senhor cita que grande parte da “perseguição” da qual se diz vítima seria provocada pelo grupo do MDB, que tem presos seus caciques. Não parece ilógico que, no lugar de tentarem se livrar, eles queiram prender o senhor?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Folha – Antes da divulgação, o senhor chamou a delação do doleiro Lúcio Funaro como “uma das maiores bombas atômicas já disparadas sobre a República”. Mas Funaro afirmou que o senhor participava de um esquema de desvio de dinheiro. Com seu nome citado, passou a afirmar que a delação é “seletiva”. As denúncias são inverídicas somente quando o atingem?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Folha – Recentemente, em entrevista ao site Conjur, o senhor afirmou que “a Justiça do Rio de Janeiro precisa com urgência de uma intervenção do Conselho Nacional de Justiça”. Caso seja eleito, o senhor pretende atuar, de alguma forma, junto ao CNJ para que faça esta intervenção no Judiciário do Estado?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Folha – Dias depois de sua entrevista, o CNJ rejeitou sua representação contra o juiz Glaucenir de Oliveira, que determinou sua prisão nas ocasiões da Chequinho e Caixa d’Água, o senhor afirmou que “prevaleceu o corporativismo”. Afinal, o CNJ teria imparcialidade para uma “intervenção” ou também é seletivo?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Folha – Outra “bomba” alardeada pelo senhor, no caso Chequinho foi a divulgação no SBT, em 30 de abril, de depoimento da ex-delegada da Polícia Federal de Campos, Carla Dolinski, sobre supostos abusos na condução da investigação. O advogado de defesa dela é o mesmo do seu: Carlos Fernando dos Santos Azeredo. Coincidência?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Folha – O senhor se vangloria por ter divulgado fotos em que Sérgio Cabral e seu secretariado apareciam dançando com guardanapos na cabeça em Paris, ao lado do empreiteiro Fernando Cavendish. Mas nunca divulgou a imagem de outro relevante empresário presente ao evento parisiense: Benedicto Junior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, e que assinou o contrato do Morar Feliz com a Prefeitura de Campos. Por que ele foi poupado da divulgação?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Folha – A Segurança Pública, sob intervenção militar do governo federal, é hoje um dos principais problemas do Estado do Rio. Na segunda, dois militares foram mortos em troca de tiros. E os assassinos da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes ainda estão soltos. Há solução? Como?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Folha – Além da violência, o Estado do Rio vive também um quadro de insolvência financeira. O senhor já disse ser contra os termos do regime de recuperação fiscal firmado entre os governos Temer e Pezão. O que propõe?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Folha – A face mais cruel da falência financeira do Estado se dá sobre os servidores ativos e inativos. Qual o seu compromisso em honrar esses vencimentos?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Folha – Outra face do caos financeiro se dá sobre o abandono da Uenf e do Colégio Agrícola Antônio Sarlo. No debate da Band, quando perguntados sobre a Uerj, apenas o senhor, Eduardo Paes e Tarcísio Motta lembraram que a Uenf existe. O que pretende fazer para que a mais importante instituição de ensino superior da região continue a existir?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Folha – O senhor sempre fala em reativar o setor naval do Estado. Como isso se encaixa com o Porto do Açu, na questão do desenvolvimento específico do Norte Fluminense?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Folha – Com sua foz em Atafona assoreada, o rio Paraíba do Sul sofre bastante em tempo de estiagem. Há registro de língua salina já em Barcelos. Em seu primeiro mandato como prefeito de Campos, o senhor já falava em captação d’água em Lagoa de Cima. Há vida para Campos sem o rio que a formou? Como recuperá-lo?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Folha – O que Campos, Norte e Noroeste Fluminense devem esperar de Garotinho governador?

Garotinho – (O candidato não respondeu à pergunta e repetiu sua litigância)

 

Página 2 da edição de hoje (24) da Folha

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã

 

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Guilherme Boulos quer usar Petrobras para alavancar Campos e região

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Arnaldo Neto e Aldir Sales

 

“Aquecer a economia local e recuperar empregos perdidos, reativando os setores de petróleo e gás, com a reestatização da Petrobras”. É a proposta para Campos, Norte e Noroeste Fluminense do candidato do Psol a presidente e líder do Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. Por definição em sorteio, na presença de representantes dos partidos, a entrevista exclusiva, feita por e-mail, abre hoje a série que a Folha trará nos próximos dias com os candidatos a presidente da República e governador do Rio. Boulos defendeu a função social da propriedade privada e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): “é uma pessoa que tem uma história e uma trajetória que precisam ser respeitadas”.

 

 

Folha da Manhã – Sua candidatura pelo Psol nasce da sua liderança no MTST, que afirma logo ao início da sua cartilha de princípios: “o capitalismo é nosso inimigo”. Esse discurso ainda tem vez no mundo de hoje? Como e por quê?

Guilherme Boulos – O capitalismo vende que as “oportunidades são para todos”, enquanto sabemos que a desigualdade é condição vital para sua existência. Hoje, o mundo é muito mais desigual do que no século passado, conforme mostrou a Oxfam (Ong internacional, que atua em mais de 90 países). Um regime econômico em que 5% da população brasileira detêm a mesma fatia de renda de 95% e que 6 brasileiros concentram a mesma riqueza de 100 milhões não pode ser considerado um sistema que deu certo. É o capitalismo do 1%, onde os 99% pagam todas as contas.

 

Folha – Em que sua ação no comando de invasões em imóveis e terrenos privados nas cidades, ao longo de 16 anos no MTST, o credencia a ser presidente da República? Que garantias a propriedade privada teria em seu governo?

Boulos – A Constituição do Brasil assegura o direito à propriedade, mas afirma que todas precisam cumprir sua função social: ociosas, vazias ou abandonadas estão em condição de ilegalidade. Não sou eu que estou afirmando isso: está em nossa lei. No MTST, lutamos para que tanto a função social da propriedade quanto o direito à moradia, ambos previstos na Constituição, sejam assegurados. Morar virou um privilégio que poucos podem arcar. Quem tem que decidir entre colocar a comida na mesa ou pagar aluguel sabe do que estou falando.

 

Folha – Em 2017, o senhor foi detido por incitação à violência e desobediência, numa reintegração de posse em São Paulo. E a prisão foi chamada de “política”. Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, a prisão de Lula mereceu igual classificação. Como fugir da impressão de que prisão de alguém da esquerda, para a esquerda, é sempre “política”?

Boulos – Não compactuamos com injustiças e todos os dias, infelizmente, vemos um Judiciário que toma lado. São diversos os casos de empresários invadindo terrenos públicos para fins privados e só vemos decisões judiciais contra quem ocupa porque não tem acesso à moradia digna. Enquanto prendem Lula, há provas de sobra para incriminar Aécio Neves (PSDB) e Michel Temer (MDB). O processo que condenou Lula é ilegal do começo ao fim e teve como objetivo impedi-lo de concorrer à presidência, onde, até hoje, é o favorito dos eleitores.

 

Folha – Antes de Lula ser preso, quatro presidenciáveis estiveram juntos no palanque de São Bernardo do Campo: ele, o senhor, Fernando Haddad (PT) e Manuela D’Ávila (PCdoB). Com o primeiro provavelmente fora do páreo, pela Lei da Ficha Limpa que sancionou quando presidente, como espera disputar o mesmo eleitor contra a chapa reserva dos outros dois?

Boulos – Em primeiro lugar, é importante reafirmar nosso apoio à candidatura e repúdio à injustiça cometida. Até a ONU emitiu comunicado pedindo que seus direitos políticos sejam respeitados. Defendemos unidos a democracia contra uma crescente onda de ódio e violência. Mas, a esquerda tem diferentes pontos de vista, incluindo o jeito de fazer política. É por isso que temos mais de uma candidatura desse campo no primeiro turno. É saudável e democrático. E o eleitor pode decidir pela chapa com propostas mais de acordo com seus princípios.

 

Folha – Sua imagem sempre foi muito ligada à de Lula. E isso foi questionado por setores do Psol, que nasceu das críticas ao comportamento ético e às alianças do PT. A esquerda brasileira um dia vai sair da sombra do lulopetismo?

Boulos – Lula é uma pessoa que tem uma história e uma trajetória que precisam ser respeitadas. O Brasil avançou muito com políticas sociais dos seus governos. Mas, sempre expressei críticas aos governos do PT, que decidiram se aliar a grandes empresários e partidos que hoje, apoiam Temer e a retirada de direitos da população. Essa opção política profundamente equivocada é questionada pelo Psol desde o início e é por isso que entrei no partido.

 

Folha – No debate da Band, no dia 9, o senhor lembrou matéria da Folha de São Paulo e perguntou a Jair Bolsonaro (PSL): “Quem é a Wal?”. No dia 13, Walderice Santos da Conceição, assessora parlamentar do deputado, foi flagrada vendendo açaí em Angra dos Reis e acabou exonerada. No dia 18, o Globo noticiou que MPF agora pensa em investigar o caso. Qual é o saldo?

Boulos – Walderice foi contratada com dinheiro público pelo mandato para fins privados: como ele mesmo admitiu, ela cuida de uma de suas casas em Angra dos Reis e é responsável por dar comida aos seus cachorros. Por que Bolsonaro não a paga com seu salário de R$ 33 mil ao invés de demiti-la? Esse caso mostra que Bolsonaro não representa uma alternativa. É a velha política que ninguém aguenta mais. Está há décadas no Congresso, já trocou de partido diversas vezes por pura conveniência política, votou na maioria das vezes contra os interesses dos mais pobres e da classe média, e usa o dinheiro público para seus interesses privados.

 

Folha – No debate da Rede TV, dia 17, o senhor ficou ao lado de Ciro Gomes (PDT), com quem trocou risos e conversas ao pé do ouvido. Considera a candidatura dele de esquerda? Como viu o isolamento que lhe impôs o PT, que deu a cabeça de Marília Arraes ao PSB de Pernambuco? O que achou dele ter definido a insistência do PT com Lula como “viagem lisérgica”?

Boulos – Existem correspondências entre projetos apoiados pela campanha do Ciro e a minha e nos posicionamos de formas parecidas sobre acontecimentos recentes da política brasileira, com o maior deles tendo sido o golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff. Quanto às movimentações ao redor de sua campanha e da do PT, lembramos que nossa proposta para a sociedade brasileira passa longe da lógica de alianças tradicionais e o modo de operação desse sistema político.

 

Folha – O senhor é formado na USP. Professor dela, o filósofo Pablo Ortellado publicou em 2016 o artigo “É possível falar de corrupção a partir da esquerda?”. Pelo discurso de combate à corrupção e a alguns privilégios do setor público, que o senhor e o candidato do Psol a governador do Rio, Tarcísio Motta, adotaram nos debates, alguma lição foi aprendida? Qual?

Boulos – A corrupção começa com o financiamento privado de campanha eleitoral. Os vencedores vão atender aos interesses de quem lhes financiou e não de quem votou. Nós não fazemos política assim. Ser de esquerda é governar para os 99% da população e não para uma elite minoritária que paga políticos para ser atendida.

 

Folha – Inegável que um dos graves problemas do Brasil hoje é Segurança Pública. A pauta é um dos principais motivos dos 20% de intenção de Bolsonaro. Qual é seu projeto para a área, sua opinião sobre a intervenção militar no Estado do Rio e o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes?

Boulos – Bolsonaro se aproveita do momento crítico que estamos vivendo para vender saídas fáceis e covardes. Armar o povo é ideia de quem não tem competência para resolver o problema. Isso só traria mais violência, mortes e insegurança para toda a população. É dever do Estado atuar e não se abster dessa responsabilidade, fazendo com que os cidadãos se arrisquem. Segurança pública não se resolve com mais militarização, cadeia e armamento e os números alarmantes comprovam isso. Em 2017, o Brasil gastou quase R$ 85 bilhões, o equivalente a 1,3% do PIB. Mas no mesmo ano registrou 7 mortes por hora, um recorde de violência. No Rio de Janeiro, desde o início da intervenção militar, foram gastos mais de R$ 46 milhões apenas do governo federal. Vamos investir inteligência e prevenção, combatendo o mal na raiz. O governo fluminense gastou só R$ 258 este ano em informações e inteligência, segundo o portal da transparência. Vamos construir um sistema de informação para mapear o dinheiro sujo, desmantelar os esquemas de lavagem de dinheiro e colocar fim ao tráfico de armas. Esse investimento é mais baixo e produz resultados diretos, sobretudo na otimização do trabalho das forças de segurança, que são uma das que mais matam e mais morrem no mundo. Vamos impedir que os fuzis que mataram Marielle Franco e Anderson Gomes cheguem às mãos de outros.

 

Folha – O senhor já declarou que pretende revogar a reforma trabalhista aprovada pelo governo Michel Temer (MDB). E falou em plebiscito. O que colocar no lugar? E como?

Boulos – Menos direitos não geram mais emprego, como alguns candidatos gostam de propagar. Em 2018, o governo planejou a criação de 1 milhão de empregos formais e a meta já caiu para 20% disso. O número de desempregados só cresce. Para a economia voltar a crescer e gerar empregos, devemos mexer nos privilégios do 1% mais rico que deita e rola enquanto o trabalhador tenta sobreviver de bico em bico. Por isso, faremos a reforma tributária para aliviar a classe baixa e média e para que os ricos comecem a pagar imposto no Brasil.

 

Folha – Outro dos principais problemas do Brasil é o desemprego. São cerca de 13 milhões, dos quais 3,3 milhões simplesmente desistiram de buscar vaga no mercado de trabalho. Como reverter esse quadro?

Boulos – Nenhum país saiu de crise econômica sem investimento público. Em nosso governo, faremos o “Levanta Brasil”: um programa de investimento público direto que vai gerar 6 milhões de vagas diretas e indiretas em apenas 2 anos. Vamos ajudar as pequenas e médias empresas nesse ciclo com programas de crédito adequados a sua realidade. Serão obras de infraestrutura viária, logística e social, sobretudo nas regiões mais atingidas pela crise ou com carência de infraestrutura. Nosso orçamento virá da revisão de exoneração fiscal bilionária concedida às grandes empresas e de uma reforma tributária progressiva, que tire o peso das costas dos trabalhadores e da classe média e faça quem ganha mais, pagar mais.

 

Folha – Seu economista, Marco Antonio Rocha, declarou recentemente que “a Previdência não é a fonte do nosso atual problema fiscal e será um problema apenas no médio prazo”. A reforma da Previdência está descartada no seu governo?

Boulos – Conseguimos barrar a reforma da Previdência nas ruas e somos totalmente contra esse modelo que quer que o trabalhador se aposente em seu túmulo. É muito fácil apontar o déficit da Previdência, quando o dinheiro que deveria ir para ela está sendo retirado e direcionado para os mais ricos. Temos R$ 450 bilhões de estoque de dívida de grandes empresas com a Previdência no Brasil. Além disso, hoje, 30% do total da arrecadação por meio da DRU (Desvinculação das Receitas da União) é desviado de sua finalidade original para pagar juros da dívida pública.

 

Folha – A exploração de petróleo na Bacia de Campos é a principal fonte de orçamento de muitos municípios da região. Qual é a sua posição sobre a possibilidade de privatização da Petrobras? E sobre as privatizações, de modo geral?

Boulos – Privatizar serviços essenciais não faz parte do meu programa. As empresas públicas não têm que dar lucro para acionistas, mas sim universalizar direitos com qualidade para toda a população. Na Petrobras, desde o ano passado, Temer subordinou o preço interno do combustível ao preço do barril de petróleo internacional. Prioriza-se o lucro dos investidores ao bem-estar da população, que vê o preço da gasolina e do botijão subir cada vez mais. Além de vender a preço de banana a participação na exploração de campos da Petrobras, ainda aprovou isenção, durante 20 anos, para multinacionais do petróleo e autorizou a importação de combustível. Esse “presente” dado de mão beijada pode chegar a R$ 1 trilhão.

 

Folha – Aprovada no Congresso Nacional, a partilha dos royalties do petróleo entre estados e municípios produtores com todos os demais da União está pendurado desde 2013 por uma liminar da ministra Carmem Lúcia, do STF. Qual a sua posição a respeito?

Boulos – Temos que separar duas questões diferentes sobre a partilha dos royalties do petróleo. Em primeiro lugar, defendemos que para os campos do pré-sal seja mantida a proposta original do projeto de lei apresentado no governo Dilma que previa o repasse de 75% dos royalties do pré-sal para educação e 25% para saúde. A segunda questão é sobre a mudança no regime de partilha entre estados e municípios produtores e não produtores e a União. A estimativa é que a arrecadação com os royalties para 2018 alcance cerca de R$ 40 bilhões. É um volume significativo, mas a capacidade de se utilizar os royalties para políticas que tenham efeitos significativos para a população depende de uma certa centralização desses recursos. A mudança da partilha, favorecendo estados e municípios não produtores, ainda que ofereça alguma folga fiscal em um momento de queda de arrecadação de estados e municípios, torna os recursos mais dispersos. Uma outra questão é que entendemos também que os recursos dos royalties devem estar relacionados com a reparação de impactos negativos eventualmente criados pela exploração do petróleo, que incluem além de possíveis acidentes ambientais, o crescimento urbano desordenado e os efeitos sobre a especialização da estrutura econômica da região em uma commodity de alta volatilidade de preços no mercado internacional. Por isso, entendemos que deve se manter maior centralidade sobre a arrecadação destes recursos, mas ao mesmo tempo, os recursos devem ser aplicados em fundos para a diversificação econômica das regiões produtoras, para que não fiquem reféns das receitas do petróleo apenas. E também em políticas voltadas ao desenvolvimento de regiões não produtoras de petróleo.

 

Folha – Somos um jornal regional. O que Campos, Norte e Noroeste Fluminense devem esperar de Guilherme Boulos presidente?

Boulos – Vamos aquecer a economia local e recuperar empregos perdidos, reativando os setores de petróleo e gás, com a reestatização da Petrobras, e também de infraestrutura, com o programa “Levanta Brasil”. Paralelamente, vamos apoiar com uma linha especial de crédito do BNDES micro, pequenas e médias empresas, além de produtores rurais locais.

 

Página 2 da edição de hoje (23) da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (23) na Folha da Manhã

 

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O que Datafolha e Ibope revelam das eleições a governador e presidente

 

 

Paes, Romário e Garotinho

Após o Ibope, na segunda (20), ontem (22) foi a vez da Datafolha divulgar suas consultas para governador do Rio e presidente da República. Entre os dois institutos de pesquisa mais conceituados do país, houve muitas similaridades e algumas diferenças. Na disputa ao Palácio Guanabara, a liderança de Romário Faria (Pode), que já não era isolada no Ibope, não existe mais no Datafolha. Na estimulada deste, Eduardo Paes (DEM) teve 18%; Romário, 16%; e Anthony Garotinho (PRP), 12%. O político de Campos só fica em empate técnico na liderança se forçada ao máximo a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou menos.

 

Rejeição a governador

No pelotão intermediário a governador, outra diferença entre Ibope e Datafolha. O primeiro instituto colocou Tarcísio Motta (Psol), com 5%, à frente de Indio da Costa (PSD), com 3%. Enquanto o segundo transformou o empate técnico em absoluto: Tarcísio e Indio estariam com os mesmos 3%. Definidoras do primeiro turno, as intenções de voto são sempre limitadas no segundo pela rejeição. E, no índice negativo, o líder isolado nos dois institutos é Garotinho: após bater impressionantes 55% no Ibope, ele registrou 45% no Datafolha. Neste, foi seguido à distância na rejeição a Paes (32%), Romário (23%), Indio (19%) e Tarcísio (10%).

 

Recordar é viver

Entre as duas pesquisas ao Palácio Guanabara, a comparação entre os três líderes no empate técnico indica uma curva descendente de Romário e outra ascendente, de Paes. Garotinho está na briga pelo primeiro turno, mas sua enorme rejeição indica dificuldades no eventual segundo, contra qualquer adversário. É um limitador que ele encara desde 2014, quando chegou a liderar a corrida, mas morreu na praia, ficando fora do turno final entre o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) e Marcelo Crivella (PRB). Este hoje apoia o político campista, mas sofre grande desgaste como prefeito do Rio.

 

Voto de Lula

De governador do Rio a presidente do Brasil, Ibope e Datafolha apontam a liderança isolada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Se, na estimulada do primeiro, ele bateu 37%, subiu ainda mais no segundo: 39%. Preso desde 7 de abril e virtualmente inelegível pela Lei da Ficha Limpa que sancionou quando presidente, é favorecido pela condição de vítima. Nas fatias dos institutos, seu eleitor tem o perfil delineado: é sobretudo feminino, tem 45 anos ou mais, cursou só o fundamental, ganha até dois salários mínimos e se concentra no Nordeste e Norte. Afirmar que o pobre de pouco estudo vota em Lula, além do maniqueísmo, tem critério estatístico.

 

Capitão pró e contra

Sem Lula na disputa, como todos os institutos registram há dois anos, o líder isolado é Jair Bolsonaro (PSL). Ele teve 18% na estimulada do Ibope e 22%, no Datafolha. Salvo o imponderável, como a gravação do presidente Michel Temer (MDB) pelo empresário Joesley Batista, tudo indica que o ex-capitão do Exército estará no segundo turno. Mas uma vez lá, pelas simulações do Datafolha, seria batido por quase todos os principais adversários: 34% a 45% por Marina Silva (Rede), 33% a 38% por Geraldo Alckmin (PSDB) e 35% a 38%, por Ciro Gomes (PDT) — empate técnico na margem de erro de dois pontos para mais ou menos.

 

Voto de Bolsonaro

As projeções ruins no segundo turno têm motivo simples: 39% do eleitorado não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum. Líder de rejeição, ele é seguido por Lula (34%), Alckmin (26%), Marina (25%) e Ciro (23%). Embora Fernando Haddad, candidato estepe do PT, tenha rejeição só de 21%, é o único de quem o ex-capitão ganharia no segundo turno: 38% a 29%. O eleitor padrão de Bolsonaro também é descrito pelo Datafolha: masculino, entre 35 e 44 anos, ensino superior, ganha mais de 10 mínimos e se concentra no Sul do país — única região onde supera até Lula, por 28% a 25%. Seu voto majoritário é do homem rico que fez faculdade.

 

Debate na Uenf

Quem esteve ontem em Campos, para participar de um debate da Uenf, foi o deputado federal Wadih Damous (PT). Ex-presidente da OAB-RJ, ele tem também atuado na defesa de Lula. Após a exibição do documentário “O processo”, dirigido por Maria Augusta Nunes, Damous participou de um debate na sala de cinema da universidade, com o jornalista Marcel Silvano e a professora Luciane Soares, presidente da Aduenf. Lançado em 2018, o filme narra o processo de instabilidade política do país iniciado em 2013, culminando no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), concluído em 2016.

 

Publicado hoje (23) na Folha da Manhã

 

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Guilherme Boulos abre nesta quinta a série de entrevistas da Folha

 

Guilherme Boulos, candidato a presidente pelo Psol (Foto: reprodução de Facebook)

 

“Vamos aquecer a economia local e recuperar empregos perdidos, reativando os setores de petróleo e gás, com a reestatização da Petrobras, e também de infraestrutura, com o programa ’Levanta Brasil’. Paralelamente, vamos apoiar com uma linha especial de crédito do BNDES micro, pequenas e médias empresas, além de produtores rurais locais.”

Foi o que o candidato a presidente Guilherme Boulos (Psol) prometeu fazer por Campos, Norte e Noroeste Fluminense, se eleito ao Palácio do Planalto. A entrevista exclusiva com o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) será publicada nesta quinta (23). E será a primeira da série que a Folha da Manhã fará com os candidatos a presidente da República e governador do Rio.

As datas das publicações foram sorteadas (aqui) na sede da Folha, com presença dos representantes locais das candidaturas. Todos foram convidados. A última tem públicação prevista para 30 de setembro, no domingo anterior às urnas de 7 de outubro.

Conheça a ordem das entrevistas definidas em sorteio:

 

 

Leia a íntegra da entrevista de Guilherme Boulos na edição desta quinta (23) na Folha da Manhã

 

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Gustavo Alejandro Oviedo — A catimba intelectual

 

Nazista 1: – O senhor também estudou Direito. Como o aplica?

Nazista 2: – Me serve para desconfiar das palavras. Uma pistola nunca é mal interpretada.

Diálogo do Filme ‘Conspiração’, de Frank Pierson.

 

 

Por 3 votos a 2, a segunda turma do STF decidiu ontem que José Dirceu pode aguardar em liberdade o julgamento do seu recurso especial perante o Superior Tribunal de Justiça. Dirceu foi condenado pelo TRF-4 a mais de 30 anos de prisão, por lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção passiva, e esse tribunal tinha determinado o cumprimento imediato da pena, conforme permissão do Supremo Tribunal  Federal.

Os ministros Toffoli, Mendes e Lewandoski — a maioria da 2ª turma — entenderam que havia ‘plausibilidade jurídica’ de que a condenação fosse revisada no Tribunal Superior, e por isso revogaram a prisão provisória, confirmando o Habeas Corpus que Toffoli tinha concedido de ofício, isto é, por própria iniciativa, sem provocação da defesa de Dirceu.

Para o leigo, tudo isto pode parecer complicado de entender. Se esse é seu caso, fique tranquilo: para quem conhece de Direito, também é confuso.

Na prática, quase todo recurso mais ou menos bem fundamentado tem ‘plausibilidade jurídica’ de ser concedido. Como também tem plausibilidade de ser negado. Para definir isso é que existe o julgamento dele, que neste caso cabe ao STJ. Quando o trio de ministros garantistas do STF diz que ‘há plausibilidade’ está fazendo um prejulgamento que não lhe compete. Estão nos lembrando, em palavras simples, ‘não gostamos da prisão a partir da segunda instância’. Essa opinião já era conhecida, pois eles, junto com o ministro Marco Aurélio, foram muito eloquentes na ocasião em que o plenário do Supremo discutiu o assunto. Mas perderam.

Afinal, se é possível adiantar a pena, ainda havendo possibilidade de recurso aos tribunais especiais, é lógico que sempre existirá a chance, por pequena que for, de modificar a condenação. No entanto se, raciocinando como os ministros fazem, a pena não deve ser cumprida porque poderia haver eventual modificação, logo não é possível adiantar nunca a pena — contrariando justamente o que a maioria do Supremo tinha permitido.

Não há necessidade de notório saber jurídico para compreender que se trata de uma artimanha lógica, onde a vontade se antepõe ao Direito. Ou seja, onde o parecer jurídico de um ministro se amolda a uma preferência prévia. É o famoso ‘salto triplo carpado hermenêutico’, expressão do ex ministro Ayres Britto.

Aparentemente, o ser humano, por razões diversas, primeiro gosta ou desgosta (de uma coisa, uma pessoa, ou atitude) e só depois tenta criar uma estrutura lógica que se ajuste a esse gosto/desgosto. Muitas vezes essa justificativa posterior não é suficiente para sustentar o que sentimos, e podemos ser facilmente refutados. No entanto, dado que somos teimosos, seguimos em frente: complicamos o raciocínio, trocamos inteligência por astúcia e dizemos “não é tão assim, é mais complexo, etc”. É uma espécie de catimba intelectual.

Quando a catimba intelectual é utilizada por aqueles que deveriam se ajustar ao Direito, estamos em problemas. Isso pode, Arnaldo?

 

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Cenário da eleição a presidente e governador a 47 dias das urnas

 

 

 

Após debates, pesquisas

Após dois debates entre os candidatos a presidente e um a governador, o clima de campanha esquentou de vez com a divulgação de três pesquisas ontem. Também foram duas ao Palácio do Planalto e uma ao Guanabara. Na primeira disputa, as consultas CNT/MDA e Ibope colocaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) bem à frente dos demais. Mas preso desde 7 de abril e virtualmente inelegível pela Lei da Ficha Limpa, Lula teve grande diferença na capacidade de transferência de votos pelos dois institutos. A governador, o Ibope apontou um empate técnico entre Romário (Pode), Eduardo Paes (DEM) e Anthony Garotinho (PRP).

 

Igual e (bem) diferente

Com Lula como opção, os números CNT/MDA e Ibope foram muito parecidos. O líder petista liderou nos dois, respectivamente, com 37,3% e 37%; seguido de Jair Bolsonaro (PSL), 18,3% e 18%; Marina Silva (Rede), 5,6% e 6%; Geraldo Alckmin (PSDB), 4,9% e 5%; Ciro Gomes (PDT), 4,1% e 5%; e Álvaro Dias (Pode), 2,7% e 3%. Mas a consulta que a realidade projeta é sem Lula. E nela a diferença foi abissal entre os dois institutos. Enquanto, para o CNT/MDA, o ex-presidente transfere 17,35% de intenções de voto ao seu substituto Fernando Haddad (PT), este não passou dos 4% no Ibope.

 

47 dias (I)

Assim, os petistas que no almoço comemoraram o desempenho de Haddad no CNT/MDA, tomaram uma ducha de água fria no jantar, quando o Ibope revelou seus números. Sem Lula, Bolsonaro segue líder, com 20%, acompanhado de Marina, 12%; Ciro, 9%; e Alckmin, 7%. Atrás do tucano, Haddad (4%) só ficou à frente de Álvaro Dias (3%). Além de Eymael (DC), Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (Novo), Cabo Daciolo (Patri), Vera (PSTU) e João Goulart Filho (PPL), todos com 1%. A diferença se deu porque o CNT/MDA colocou Haddad como “candidato de Lula”. Ligação mais difícil de ser feita a cada dia, nos 47 que ainda separam eleitor e urna.

 

47 dias (II)

Enquanto o PT finge que Lula será candidato, a maior herdeira dos seus votos é uma ex-petista. Sem o ex-presidente, de quem foi ministra, Marina pula de 6% a 12%. Seu quinhão de seis pontos percentuais do eleitorado lulista supera os 4 que ganham Haddad e Ciro, ou dos 2 que sobram até para Alckmin e Bolsonaro. Na margem de erro de dois pontos para mais ou menos do Ibope, que ouviu 2.002 pessoas de 17 a 19 de agosto, Marina teve empate técnico em segundo com Ciro. Mas o fato é que Bolsonaro e ela só ficam atrás de Lula nas pesquisas. Não apenas ontem, mas há dois anos. Os demais têm 47 dias para mudar o jogo.

 

Líderes no RJ

A disputa também é acirrada ao governo do Rio. Divulgada ontem, a pesquisa Ibope ouviu 1.204 eleitores, entre 17 e 20 de agosto. Em empate técnico, na margem de erro de três pontos para mais ou menos, lideram Romário Faria (Pode), com 14%; Eduardo Paes (DEM) e Anthony Garotinho (PRP), ambos com 12%. Além da queda de Romário, que liderava a com folga, surpreendeu o crescimento de Tarcísio Motta (Psol), com 5%, superando Indio da Costa (PSD), com 3%. Mesmo no empate técnico, parece reflexo do debate da Band, no dia 16, onde Tarcísio teve bom desempenho, enquanto Indio fez escada para Garotinho bater em Paes.

 

Todos juntos…

A inelegibilidade de Lula parece certa. E a possibilidade de outra assombra um dos principais concorrentes ao Palácio Guanabara. Ontem, o Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu a impugnação de Garotinho, baseado em sua condenação em segunda instância pelo desvio de R$ 234,4 milhões da Saúde em 2005 e 2006, quando era secretário do governo Rosinha. Isso depois dele ter afirmado no debate da Band, em tabela com o ex-juiz federal e também candidato Wilson Witzel (PSC), que estavam para sair os mandados de prisão advindos da delação de Alexandre Pinto, ex-secretário de Obras de Paes na Prefeitura do Rio.

 

…E misturados

Numa disputa entre os líderes da corrida ao governo do Rio, um dia depois do debate da Band, na sexta (17) foi divulgado que Romário teve um Porsche apreendido em sua casa, para pagamento de dívidas. O ex-craque alegou que o veículo avaliado em R$ 350 mil era da sua irmã e ele apenas “usava emprestado”. Por sua vez, Garotinho se defendeu do pedido de inelegibilidade do MPE: “Criaram a figura do enriquecimento ilícito de terceiros. A Lei da Ficha Limpa diz que tem que ter enriquecimento ilícito do agente público. Até agradeço ao MPE por ter reconhecido minha honestidade, já que não houve enriquecimento ilícito meu”.

 

Publicado hoje (21) na Folha da Manhã

 

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Alexandre Buchaul — Um fato, duas versões

 

 

Somos bombardeados por tantas informações vindas de nossos sentidos que o cérebro precisa filtrar aquilo que considera mais importante a fim de evitar uma pane. Seríamos sobrecarregados e impossibilitados de racionalizar não fosse por isso. Os filtros estabelecidos pelo cérebro com base em experiências passadas, expectativas e desejos eliminam tudo o que não importa muito a nós.

Um exemplo disso é quando desejamos comprar um determinado modelo de carro e como num passe de mágica, eles se multiplicam pelas ruas e passam a ser vistos a todo o momento. Outro exemplo se dá quando dois indivíduos narram uma cena e, ao ouvinte, parecem se tratar de cenas completamente diferentes.

Após o debate dos presidenciáveis na Rede TV na última sexta-feira, 17 de agosto, Bolsonaro e Marina protagonizaram o diálogo mais repercutido nas redes, ao menos para os meus filtros, e, não estranhamente, seus admiradores parecem ter assistido a dois filmes diferentes. Para os bolsonáticos foi um massacre ter enquadrado Marina como evangélica de araque por cogitar plebiscito para questões como aborto e legalização de drogas. Para os marináticos o enquadramento foi inverso, ao Marina ter retrucado, citando Provérbios e dizendo ser o Estado laico e que Bolsonaro ensinaria as pessoas a ganhar no grito e ainda teria “corrompido” uma criança ao ensiná-la a fazer  gesto com a mão imitando uma arma.

O episódio nos revela que debates talvez não sejam mais que inúteis, que são incapazes de persuadir o eleitor a mudar de opinião e que, talvez, não sirvam a mais que fazer decisões já tomadas serem ainda mais consolidadas e a polarização se tornar ainda mais forte. Mas… isso pode ser apenas o meu filtro.

 

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