Folha 40 anos — Você, leitor, a única razão

 

Você, Leitor

 

Você, leitor, que pulsa

de vida e orgulho e amor,

assim como eu:

para você, por isso,

os cantos que aqui seguem!

 

(Poema de Walt Whitman, impressor de jornal e enfermeiro voluntário da Guerra de Secessão dos EUA)

 

 

(Arte de Marco Antônio Rodrigues)

 

 

Arte: Guto Leite

Você, leitor, a única razão

Por Aluysio Abreu Barbosa(*)

 

O filme “Amistad” (1997), de Steven Spielberg, conta a história real de um navio negreiro no séc. 19. Após a revolta dos negros sequestrados da África para serem vendidos como escravos, o navio acaba dando na costa dos EUA. E lá ocorre um julgamento que levaria a questão à Suprema Corte daquele país ainda escravagista, antes da Guerra de Secessão (1861/65): os africanos eram uma “mercadoria” que deveria ser devolvida aos seus “donos”, ou homens livres capturados à força em sua terra, com direito a ser libertos e repatriados?

Foi por querer voltar à própria terra, marcada no passado pelo mesmo flagelo da escravidão, que um jornalista sonhou em fazer o caminho inverso ao da maioria dos profissionais saídos da província, após vencer num grande centro. Em 1973, ele voltou do Rio de Janeiro a Campos, na condição de correspondente especial do Jornal do Brasil (JB) — maior do país, à época. Mas Aluysio Cardoso Barbosa (1936/2012) sonhava mais: queria dotar sua cidade e sua região de um jornal capaz de elevá-las da condição de província.

Na função ancestral de contar as histórias da sua tribo, o jornalista sonhava fazê-lo como ninguém antes nesta terra de planície cortada e parida pelo Paraíba do Sul. No auge da Ditadura Militar no Brasil (1964/85), num tempo em que computador pessoal, internet e celular só existiam na ficção científica, ele ambicionava montar um jornal com impressão offset. Por se tratar de avanço gráfico inexistente no interior do Estado do Rio, não era pouco.

Não bastasse, tencionava a reboque profissionalizar a função de jornalista. Tirar este do comodismo passivo das redações para erguê-lo atento ao movimento dinâmico das ruas, das pessoas e dos fatos. Além, Aluysio queria introduzir em Campos conceitos da profissão que havia aprendido em sua passagem exitosa na redação do maior jornal brasileiro.

Criado na tal Guerra de Secessão dos EUA, que acabaria com a escravidão naquele país, para agilizar o envio das notícias pelo telégrafo, o lead só chegaria ao Brasil nos anos 1950, através do intercâmbio com as agências internacionais de notícia. Resumo introdutório à narrativa aristotélica de início, meio e fim, o lead deveria ser o primeiro parágrafo de qualquer matéria jornalística. Era composto das respostas às seis perguntas: Quem? O quê? Quando? Como? Onde? Por quê?

Para qualquer jornalista hoje com menos de 70 anos, pode parecer piada. Mas esse conceito que facilita de cara o acesso das informações ao leitor, não existiu desde sempre, ou universalmente. Na Campos dos anos 1970, foi introduzido por Aluysio, que o trouxe do JB. Como, por maior que possa ser a surpresa a qualquer repórter com menos de 40, ninguém sentia falta de computadores quando só havia o barulho das máquinas de datilografar.

Desde esses tempos “imemoriais”, Aluysio tinha como princípio: “jornalismo é trabalho coletivo, ou nada”. Para realizar seu sonho, disseminou o contágio entre outros: sua esposa, Diva Abreu Barbosa, uma professora de história marcada pela determinação; um publicitário visionário, Pereira Junior; um radialista apaixonado, Andral Tavares; além dos colegas de profissão que escalou para montar uma redação dos sonhos na esfera goitacá.

Enquanto ainda planejava se arriscar como dono de jornal, Aluysio teve tempo para evidenciar o que era como jornalista. Repórter diferenciado no faro pela notícia, como na obsessão de levá-la antes ao leitor, arrumou emprestado um avião para sobrevoar o oceano e romper as barreiras até físicas da Ditadura Militar. O resultado? Noticiou sozinho o primeiro carregamento comercial de petróleo na Bacia de Campos, protegido como segredo de segurança nacional.

O furo jornalístico, contado em detalhes (aqui) nas duas páginas seguintes desta edição, se deu em agosto de 1977, menos de cinco meses antes do seu autor fundar o jornal que batizou: Folha da Manhã. E com a descoberta do jornalista, fruto do mesmo sonho que imprimiu no Brasil e no mundo, a face de Campos e da região nunca mais seria a mesma.

De 8 de janeiro de 1978 até hoje, o que não mudou foi a liderança da Folha, conquistada com apenas dois meses de circulação, na mídia do interior do Estado do Rio. Posição depois ampliada com a Rádio Continental, a Rádio Jornal de Macaé, a Plena TV, a InterTV Planície — cuja sede se chama Aluysio Cardoso Barbosa — e a Folha 1, site mais acessado do interior fluminense.

O nome do grupo de comunicação, contudo, permaneceria o mesmo dado pelo jornalista: Folha da Manhã.

Quem pediu que personagens importantes destas quatro décadas dessem sobre elas seus testemunhos, faltaria com a verdade se não revelasse um momento místico — indesejado ao reportar objetivo dos fatos. Passadas a tarde e a noite da última quarta (03) na edição da saga relembrada (e celebrada) nesta edição especial, quem subiu a escada invisível entre passado e presente tomou um susto. A redação da Folha não era mais a mesma dos testemunhos, revisitados também pela retina da criança, do adolescente e do jovem que os viveu.

Em dado momento do filme “Amistad”, o ex-presidente John Quincy Adams (1767/1848), interpretado por Anthony Hopkins, usa a ajuda de um tradutor para conhecer os motivos dos africanos cuja liberdade vai defender como advogado. E ouve do líder dos amotinados:

— Eu chamarei meus antepassados. Farei um chamamento ao passado. Pedirei que venham me ajudar. Eu os chamarei para estarem aqui, agora, comigo. E eles terão que me atender. Porque, neste momento, eu sou a única razão para eles terem existido.

Há 40 anos, leitor, a única razão é você.

 

 

 

 

(*) Jornalista, poeta e diretor de redação da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Diva Abreu Barbosa

 

Historiadora e empresária Diva Abreu Barbosa

A diferença está na qualidade

Por Diva Abreu Barbosa(*)

 

Olhando para trás, vendo e relendo edições comemorativas anteriores, é quando percebemos os caminhos percorridos, nem todos lembrados, mas intensamente vividos. Começaria tudo outra vez?  Não sei, realmente… Porque antes era o sonho. Era o desejo de Aluysio ter um jornal, qual criança que pede o presente a Papai Noel e espera consegui-lo lindo e reluzente das centelhas do Natal! E junto ao seu quase devaneio, uniu-se ao arrebatador Pereira Jr, um ícone da publicidade em Campos. Assim, nasceu a Folha da Manhã, num chope gelado no inverno do Rio à rua Vinicius de Moraes. Era agosto de 1977. E da conversa entre mim, Aluysio e ele, geramos à mesa do Garota de Ipanema este jornal. Não esperamos no ventre os nove meses. Mas, apenas quatro. Pereira criava e eu ia atrás, como uma aprendiz que aplaudia o maestro ousado, destemido e sem fronteiras. A sua medida era ele próprio.

Assim, também, foi a compra da primeira morada da Folha, a segunda e a terceira. Pereira ia negociando, a gente ia derrubando as casas antigas e anexando ao primeiro lar: Carlos de Lacerda, nº 75. Da mesma forma, foi a primeira máquina que ele comprou junto com Aluysio (e não funcionou!);  a segunda, uma Heidelberg plana; e a terceira, a nossa rotativa com duas unidades Harris que foi inaugurada em 1984. Nesta, Pereira colocou a sua casa da praia  como garantia, creio eu sem que sua família soubesse.

Falar de Pereira, de sua vida, de suas irresistíveis ideias, de suas frases sensacionais, de seu  marketing sui generis em época onde publicidade era feita de favor e não se cria nela como investimento; de sua volúpia de negócios, de seu amor (ao seu estilo), pelos filhos, netos e Teresa; de sua paixão por este jornal, que nunca deixou de ser dele… é, na verdade, dizer que nossos 40 anos não poderiam acontecer sem sua marca gravada em nossa história.

Nesta hora de contrição, queria lhe agradecer  por ter sido sua aluna, amiga, parceira e fã. E posso também lhe segredar que se perdi estrelas, muitas hoje nas mãos poetas e mergulhadoras na História de Aluysinho, se perdi sangue, muito hoje no vermelho das tintas deste jornal e nos já fios pratas, responsáveis e equilibrados de Christiano, não perdi contudo a força dos guerreiros, a ousadia dos que sonham, dos que resistem a não se vender por preço nenhum, dos que têm a ética como estandarte maior, dos que abrem trincheiras por sua cidade e região a cada dia, na eterna luta pelo real crescimento de sua terra e sua gente. E que não morreu em mim o som do Pedro Pedreiro, nem a laje do tijolo por tijolo. Aliás, está aí um pouco da mística da Folha, que ventos não conseguem derrubar e cifras não conseguem construir igual.

A diferença está na qualidade. O slogan criado por você e que procuramos manter a cada dia, diz tudo.

 

(*) Historiadora, empresária e diretora presidente da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Péris Ribeiro

 

Jornalista Péris Ribeiro

Antes do começo, o início de tudo…

Por Péris Ribeiro(*)

 

De repente me vem uma história, da qual ainda guardo os detalhes. É que, bom aluno que era do curso científico do Liceu de Humanidades de Campos, o adolescente Aluysio Cardoso Barbosa vivia sendo pressionado a seguir em breve para o Rio de Janeiro. Ainda mais que só lá, na então capital da República, é que se traçaria a geometria do seu futuro — para todos os efeitos, promissor.

Poderia ele, muito bem, se tornar um advogado de renome. Talvez, um grande engenheiro. Quem sabe, médico, arquiteto… Porém, o que bem poucos pareciam atentar por ali, era para os prazeres daquele adolescente de olhar sempre observador.  Enfim, para o mundo que o atraía. Logo ele, que começara a dar os primeiros passos rumo à fase dourada da juventude.

Apaixonado por futebol, Aluysio já fora, àquela altura, campeão juvenil de Campos com o time do Clube Esportivo Rio Branco, onde se destacava no meio-de-campo. Também já vira o Fluminense, do qual era frenético torcedor, se sagrar campeão carioca em 1951, com os campistas Didi e Pinheiro brilhando intensamente. E não perdia as corridas do Hipódromo da Gávea, no Rio, pois o turfe era outra grande paixão sua.

Foi o turfe, por sinal, que acabou por aproximá-lo do jornalismo — sua maior vocação e paixão definitiva.  O mais incrível é que, o convite para escrever sobre “corridas de cavalo”, surgiu assim meio ao acaso. Feito pelo próprio Hervé Salgado Rodrigues, turfista e dono de A Notícia — à época, jornal mais popular da cidade. Foi suficiente para que o experiente dr. Hervé farejasse o admirável jornalista que surgiria pouco depois.

Dono de um estilo que primava pela técnica e pelo texto exato, enxuto, Aluysio dizia sempre que admirava os que possuíam o estilo bonito, filigranado, “que sabiam bem como fantasiar as palavras”. Porém, confessava, este não era o seu jeito. Por isso preferia os repórteres que lhe traziam a matéria “feijão com arroz. Simples. Só que sempre bem apurada. Intensa!”

Editor-geral de A Notícia em pouco tempo e, quatro anos depois, já figurando como respeitado repórter especial do Jornal do Brasil — então, o maior do país —, eis que um sonho, uma obsessão pareceu dominá-lo. E Aluysio cedeu de vez a ela, garantindo a si mesmo que daria a Campos um jornal moderno e ousado, que fosse um dos maiores do interior do Brasil.

A meta, enfim, foi cumprida. O sonho/obsessão virou realidade. E, mesmo com todos os prêmios recebidos, o mais importante talvez Aluysio recusasse. Discreto, apontaria outros que julgasse mais merecedores. Com seu característico jeito meio sem-jeito, não concordaria em ser apontado como o mais importante personagem da história recente do jornalismo campista.

Porém, eis que são os vitoriosos 40 anos da Folha que dizem isso.

E aí, como duvidar?

 

(*) Jornalista, escritor e amigo de infância de Aluysio Cardoso Barbosa

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Esdras Pereira

 

Jornalista Esdras Pereira

Aventura, sonho & realidade

Por Esdras Pereira(*)

 

Naquela manhã distante e modorrenta, de mormaço sufocante, eu jazia sentado naquele incômodo banco de madeira da antiga loja de Dib Hauaji, bem em frente ao relógio do Mercado Municipal. Do alto dos meus 14 anos, me impacientava à espera de algum serviço de fotógrafo freelancer, quando estacionou na porta da loja um fuscão ocre como gema de ovo bem passado e dele desceu um homem, tão despachado quanto bigodudo, que foi logo dizendo: “Dib, me arruma um fotógrafo aí que já não aguento mais ficar te pedindo fotos”.

Dib nem titubeou: “Leva esse aqui, que saiu da loja e está coçando o s…, é novinho, mas é bom.”

E, assim, lá fui eu viver a grande aventura de uma vida ao lado do jornalista Aluysio Barbosa, então redator-chefe de A Notícia. O melhor repórter que já conheci.

Professor/amigo/pai, ele foi me ensinando as manhas do ofício entre raríssimos elogios e generosos puxões de orelha. Tudo era novidade, uma aventura atrás da outra. Eu, adolescente, vibrava com as viagens, grandes reportagens, personagens e o seu faro para as boas histórias.

Dali para frente, Aluysio, também repórter especial do Jornal do Brasil, formalizou no JB a nossa dupla, conhecida como os “Caçadores de Primeiras Páginas”, tantas elas foram.

E as aventuras foram acalentando um sonho que nem a sua rabugice, muito menos seus penetrantes olhos verdes conseguiam esconder.

Aluysio queria mais, queria olhar acima da copa do jornalismo provinciano da planície. Queria poder fazer aqui um jornalismo moderno, sem as limitações dos antigos jornais de linotipos e clichês, e do ranço do comodismo ultrapassado.

O seu sonho foi compartilhado com Diva, que o abraçou de corpo e alma. Ela estava ao seu lado e ele ao lado dela. Logo eles foram compartilhando esse sonho com outros amigos.

Estava lançado o desafio. Não se tratava apenas de fazer mais um jornal em Campos, mas o melhor jornal da região. A semente germinou, brotou a Folha, lançando raízes profundas e caule forte. Nascia ali o primeiro jornal offset do interior do Estado do Rio. Mas o desafio não teria fim e seria sempre a nossa maior motivação.

A Folha da Manhã nasceu líder, são 40 anos de vitórias, essa a maior delas. Hoje, amadurecida, mostra-se a cada dia mais jovem. Aluysio já não está entre nós, mas o seu legado permanece através dos filhos Aluysio e Christiano, novos regentes dessa bela orquestra ao lado da mãe Diva Abreu Barbosa.

O que era uma aventura se transformou em sonho e depois realidade. E hoje nos dá o orgulho de ser Folha…

 

(*) Jornalista e colunista social da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Aristides Soffiati

 

Historiador Aristides Soffiati

O que passa e o que fica

Por Aristides Soffiati(*)

 

Comecei a escrever para a imprensa em 1975. Através de Elmar Martins e, principalmente, de Diva Abreu, saiu, em A Notícia, meu primeiro artigo. Tratava do conflito entre árabes e judeus. Outros artigos meus foram aceitos por Hervé Salgado Rodrigues. Passei a colaborar com o jornal e alimentei grande estima por ele e por Diva. Meus artigos eram muito longos e um pouco rebuscados. Acho que ninguém os lia. Escrever para jornal exige exercício. Aos poucos, a gente vai acertando a mão.

Já declarei várias vezes que o primeiro artigo de um colaborador na Folha da Manhã foi meu. Exatamente no dia 8 de janeiro de 1978, ele foi publicado. Ainda em caráter experimental, o jornal não era editado diariamente. Na segunda edição, dois dias depois, foi publicada a continuação do artigo. Demorou até que eu aprendesse a escrever para leitores leigos. Alguns artigos tinham o caráter de crônica. Alguns deles me causaram processos judiciais. Talvez, essa seja a prova mais cabal da liberdade que Aluysio Cardoso Barbosa me dava no jornal que ele dirigia.

Um dos artigos que mais me agradaram relatava uma corrida na rua em que fui parado por três políticos que falaram horrores de Garotinho, enquanto eu o defendia, a ponto de parar na cadeia por uma luta corporal com um fanático admirador seu. Eu dizia tudo o que pensava de Garotinho como se fosse outra pessoa. Se não fosse Aluysio, o artigo não teria saído. Ele se criou no regime autoritário militar, mas prezava muito pela liberdade de imprensa, como bom jornalista que era.

Contudo, ele farejava perigo muito melhor do que eu. Ele sabia o que poderia me causar problemas e conversava comigo para que eu mesmo avaliasse os riscos. Quase sempre, ele deixava a decisão a meu cargo. Reconheço que passei dos limites certa vez e ele solicitou que eu parasse de escrever. Na verdade, eu não estava bem emocionalmente e me tornei indelicado.

Então, seu filho Aluysio Abreu Barbosa trabalhou para que eu voltasse ao jornal. Um ano depois, voltei a escrever e publicar. Foi um ano difícil, pois preciso escrever para me sentir bem. Posteriormente, Aluysio filho me convidou a escrever um artigo de 60 linhas aos domingos na Folha Dois, parte nobre do jornal em dia nobre. Passei a frequentar outros dias fazendo crítica de cinema e considerações sobre cultura.

Hoje, estou naquela idade em que os amigos começam a morrer. Aluysio pai e Fernandinho Gomes se foram. As gerações não entram e saem em bloco da vida. Entram e saem aos poucos. Minha geração não é diferente. Várias pessoas chegaram depois de mim. Várias saíram antes. Várias virão e sairão depois de mim. Mas o jornal fica.

 

(*) Historiador e primeiro colaborador da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Luiz Mário Concebida

 

Jornalista Luiz Mário Concebida

Minha vida nessa vida!

Por Luiz Mário Concebida(*)

 

Meu Deus. Lá se vão quatro décadas. Parece que foi ontem a iniciativa ousada de produzir um jornal que pretendia, de cara, ser o líder da comunicação na região. Com muito orgulho participei desse momento especial, como um dos primeiros a ser contratado para um determinado setor: o de esportes. Isso mesmo. Fui o primeiro editor/repórter esportivo da Folha.

Na verdade, nesse simples depoimento, desejo ser mais operacional do que estratégico. Foi assim nossa atuação à época. Era um homem da notícia. E foi por isso que Andral Tavares e Pereira Junior, empreendedores da Folha e proprietários da Campos Difusora, onde eu operava como noticiarista, me levaram para o novo desafio jornalístico. Já conhecia Aluysio Barbosa, mas timidamente. Diva não era de meu relacionamento. Aquela mulher grande, professora universitária, eu aprendi a chamar de dona Diva (até hoje).

Não foge da minha memória aquele desafio de colocar em campo um jornal totalmente diferente, desde os padrões de impressão até a conduta de buscar a notícia mais atual possível, em todos os níveis. Não foi difícil enfrentar aquele momento, pelo apoio obtido e pela escola que tinha vivido com Luís de Gonzaga Balbi e Oswaldo Lima no Monitor Campista. Ali aprendi até a ser ousado, porque deixar o tradicional para o desafio era uma forma de enfrentar riscos. Mas, o comprometimento era tamanho as vitórias foram se acumulando desde as primeiras edições.

É bom ressaltar, contudo, que nem tudo corria as mil maravilhas. O empreendimento não foi nada fácil. Adquirir equipamentos, então, nem se fala. E tivemos frustrações até do jornal não circular em um ou outro dia. Ou, ainda, chegar tarde às bancas. Mas, até nessas ocasiões, dava para sentir a importância do novo veículo; leitores chegavam a ir ao próprio jornal para saber o que tinha ocorrido. Jornaleiros reclamavam. Desculpas eram publicadas. Estresse interno, então, nem se fala. Mas, aos poucos a coisa se consolidou, inclusive com aquisição de equipamentos modernos que já não nos frustravam em não circular em certos dias.

Participei com orgulho desse início. E fui transformado em editor-geral do jornal, seis meses depois de ser lançado. Foi uma decisão ousada dos empresários, mas acredito que deu certo, porque fiquei nessa posição ao longo de dois anos. Desisti da editoria geral porque sentia o quanto poderia ser útil na setorial e foi assim que acabei completando oito anos na casa. E, após uma breve experiência na TV, retornei.

Com relacionamento que a mídia me proporcionou, optei por outros rumos na vida, mas todos calçados na comunicação. A Folha foi o estágio decisivo do alicerce que o jornalismo construiu na minha vida. Pelo resto da vida!

 

(*) Jornalista e ex-editor-geral da Folha

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Giannino Sossai

 

Jornalista Giannino Sossai

Quando os fatos conspiram

Por Giannino Sossai(*)

 

A Folha da Manhã nasceu de um vácuo jornalístico existente em Campos à época. Não de talentos, que tínhamos muitos, mas de estilo e forma. Ainda se usava na composição o velho e eficiente linotipo e, na impressão, o “prelo” motorizado. Aluysio Barbosa, trabalhando no jornal A Notícia e correspondente do Jornal do Brasil percebeu isso e, juntamente com Diva Abreu mais os empresários Pereira Júnior, Andral Tavares e João José Muylaert, foram à luta.

Instituiu-se a impressão em offset e o estilo jornalístico investigativo, com uma redação reduzida, acho que uns seis profissionais e uma máquina que imprimia bulas de remédio em Belo Horizonte. Era uma impressora plana e necessitava da gravação de dois fotolitos (um positivo e outro negativo) e uma chapa. A dobra era manual mesmo. Um processo demorado e que exigiu, no início, a ajuda até de Diva entre os dobradores.

Quando Aluysio me fez o convite para montar a redação foi com a orientação de que daríamos preferência aos assuntos locais relevantes, principalmente em defesa de nossa economia sucroalcooleira. Depois passamos a ter um telex, do qual se extraíam os assuntos nacionais e internacionais mais importantes. Era o período da ditadura e sofríamos da síndrome da autocensura. Não se sabia o que poderia desagradar o status quo do sistema vigente. Mas aí o imponderável conspirou a nosso favor.

Surgiram alguns acontecimentos que alavancaram de vez os rumos da Folha: Dois crimes bárbaros, lamentáveis e de repercussão nacional, que foram os que ficaram conhecidos como a “Chacina da rua Dr. Beda” e o assassinato, em Bom Jesus do Itabapoana, do sobrinho morto pelo tio (“Zé do Rádio”), por vingança contra o irmão e pai da criança, que negou-lhe um empréstimo em dinheiro. Paralelamente, Aluysio Barbosa descobriu que estavam  estourando bombas (batimetria, parece) no subsolo do litoral de Atafona. Era o início da descoberta de petróleo na Bacia de Campos.

Posteriormente, o mesmo Aluysio e o fotógrafo Esdras Pereira conseguiram um avião emprestado do industrial Geraldo Coutinho e registraram o primeiro embarque de petróleo extraído pelo navio-sonda “Petrobras 02” da Bacia de Campos. A notícia, publicada pelo Jornal do Brasil e dele ao mundo, foi pronta e categoricamente desmentida pelo governo militar, que guardava sigilo absoluto sobre o assunto. Mas fatos não podiam ser desmentidos. Como fato é a liderança da Folha da Manhã desde então.

Vida longa à Folha!

 

(*) Jornalista e ex-editor-geral da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Márcia Angella Arêas

 

Jornalista Márcia Angella Arêas

40 anos de Folha

Por Márcia Angela Arêas(*)

 

Antes de falar de minha vida na Folha da Manhã, não poderia deixar de lembrar a chegada ao colunismo social, em 1970 convidada pelo jornalista Oswaldo Lima para assumir a coluna do Monitor Campista. E, de lá pra cá, não parei mais. Atuei no jornal A Cidade, sob o comando de Alair Ferreira Filho, e depois com Ronaldo Arêas, também em A Cidade. Estou em minha segunda passagem na Folha, onde estou há 18 anos. Da primeira, foram 12 anos. Antes de ter Diva e Aluysio Cardoso Barbosa como meus diretores, tinha com eles um relacionamento anterior. Aluysio, meu colega de Faculdade de Filosofia, no curso de jornalismo, e Diva, minha professora de História. Em todo esse tempo de trabalho é claro que presenciei os mais diversos momentos. A sociedade campista em alta, com festas grandes e glamour, os clubes sociais no auge, as usinas em pleno funcionamento, várias empresas em atividade que já não existem. Muita gente foi importante. Hoje está no esquecimento.

Nessas décadas de Folha são muitas histórias, ausências, alegrias e saudades.

Hoje, vejo à frente do jornal Aluysio e Christiano Abreu Barbosa, meninos que vi nascer.  Vivemos novos tempos, com modernismo, tecnologia e nova maneira de pensar e agir.

Mas gostaria de deixar bem claro que em todo esse percurso nada subiu à minha cabeça. Continuo ser a mesma Márcia Angella, mas claro que com muito mais experiência. Visto a camisa de onde trabalho e procuro respeitar as normas da empresa. Mas não deixo de ter as minhas opiniões. Tenho carinho e amizade pelos meus leitores, clientes fiéis e patrocinadores. Além do mais, gosto do que faço. Acompanho gerações. Já cobri casamento de pais, dos filhos, nascimentos, festas de 15 anos, bodas etc. Mas sinto que está chegando a hora de passar para outro essa responsabilidade.

Quando minha sobrinha Lívia terminou o curso de comunicação em Nova Iorque disse para ela que, ao dar as notícias, procurasse saber se são verdadeiras para não ter que desmentir depois. E que a pressa da primeira mão às vezes nos leva ao erro. E, ainda, que não se iludisse com elogios, porque enquanto estamos ocupando um espaço tudo são flores.  Depois… E também que a humildade e a ética são muito importantes para um profissional. Algum tempo atrás uma jovem atuando na Folha me confessou que se ela tivesse que trabalhar mais de 30 anos numa redação preferia morrer. Respondi: então deixe o jornalismo e procure outra profissão. Sem amor e dedicação nada se constrói.

 

(*) Jornalista e colunista social da Folha da Manhã

 

Pubicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Celso Cordeiro Filho

 

Jornalista Celso Cordeiro Filho

Marco da competência

Por Celso Cordeiro Filho(*)

 

Desde o tempo em que trabalhávamos em A Notícia, de Hervé Salgado Rodrigues, percebia a vontade de Aluysio Barbosa, nosso editor-geral à época, em ter seu próprio jornal para dar-lhe a dinâmica que tinha em mente. E isso, após muitas batalhas, aconteceria com a colocação em circulação do jornal Folha da Manhã, que já se diferenciava por ser impresso em offset. Participei de seu primeiro número e, hoje, entre idas e vindas, continuo por aqui, agora sob o comando de seu filho, Aluysio Abreu Barbosa.

Ao longo desses anos, a Folha procurou ser sempre um jornal moderno, liberto de conceitos paroquiais, tendo sempre uma visão ampla e o compromisso de defender a comunidade de Campos, polo das regiões Norte e Noroeste Fluminense. Embora mantenha esse compromisso, está sempre em sintonia com os acontecimentos nacionais e internacionais que, diretamente ou indiretamente, interferem na vida de todos nós. Por isso mesmo, é um jornal ágil que tanto pode relatar acontecimentos da cidade, como de outros lugares distantes, que acabam se tornando bem próximos da gente.

Poderia evocar muitas passagens que vivi aqui no jornal, mas confesso que seria particularizar uma sensação pessoal, o que não é de meu feitio e nem da proposta dessse depoimento. Mesmo sendo um representante da velha geração do jornalismo campista, não sou dado a saudosismos. O tempo é hoje e vamos nos adequando. Contudo, devo confessar que ainda estou em falta com a modernidade, uma vez que não frequento com assiduidade as redes sociais. Não por resistência, talvez justificada por uma avaliação crítica: há muita inutilidade sendo veiculada. Mas é óbvio que preciso me render ao incontestável: a internet modificou significativamente a estrutura da imprensa tradicional e, por isso, é necessário conhecer e usar as novas tecnologias.

Esse aprendizado requer humildade. Até então, nós, da mídia convencional, nos comportávamos como donos da verdade, por ser o canal mais importante na veiculação de notícias. Hoje, há uma crescente democratização no processo de difusão e, por isso mesmo, teve que se adequar com as edições online. Fazer jornalismo hoje e ignorar o online é suicídio. Mas, ainda estou convencido que a mídia tradicional — o jornal impresso, por exemplo — terá sempre espaço desde que se adeque à nova realidade, que é o que a Folha vem fazendo cotidianamente. Veicular os fatos circunscrevendo-os à realidade, evidenciando as consequências futuras. Um jornal mais analítico e não de veiculação pura e simples dos fatos, porque isso já é feito em tempo real através do online. Enfim, quero saudar a Folha nos seus 40 anos e assegurar que é muito honroso participar dessa equipe sob o comando de Aluysio Abreu Barbosa.

 

(*) Jornalista e editor da Folha Dois

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Jane Nunes

 

Jornalista Jane Nunes

Carta a Barbosão

Por Jane Nunes

 

Campos dos Goytacazes, oito de Janeiro de 2018.

Querido Barbosão, que saudade!

Tantas coisas para te contar, tantas para relembrar, tantas a perguntar, muitas a agradecer. O Trump foi eleito presidente dos EUA. Hilary Clinton não levou. O Temer golpeou a Dilma e mais uma vez o PMDB chegou ao poder sem voto. Garotinho perdeu a eleição para o neto de Zezé Barbosa no primeiro turno. Rafael Diniz é o nosso prefeito. Os royalties daquele petróleo que você anunciou a descoberta estão minguando. Ah, como queria  conversar com você…

Estamos vivendo uma época de polarização extrema Até aqui na planície existem os prós Trump e Kim Jong-un e os contra, é claro. Essa polarização é geral, em todas as áreas. As pessoas parecem que não querem mais pensar, buscar outros caminhos; ou é isso ou aquilo. Não há espaço para sonhos ou ideologias, mas geral aqui no Brasil está rotulada de coxinha ou mortadela. Faltam pessoas como você para brigar pelo legítimo direito do bolinho de arroz.

Há uma cultura de ódio e intolerância assustadora. A guerra se trava principalmente na internet. É tudo tão rápido que já não poderíamos dividir o velho computador.

As mulheres continuam lutando contra a violência, por melhores condições de trabalho e igualdade de salários. E aí como não me lembrar e ser grata a você que na década de 80 abriu as portas de seu jornal para uma jovem estudante de jornalismo que se tornou a primeira mulher a assumir a editoria geral da Folha da Manhã?

Lembra, Barbosão, da primeira edição que fechei sozinha porque o editor faltou? Você me disse que chamaria alguém para “me ajudar” e eu te respondi que não precisava porque eu só estava esperando a agência JB mandar a matéria com o novo valor do salário mínimo e que esta seria a nossa manchete em oito colunas.

Eu me lembro de sua expressão de espanto. Ficou rondando a mesa, verificando se estava tudo certo mesmo. Constatado que sim, ficou aliviado e feliz. Deu aquele sorrisinho bobo e disse: “então eu já vou.” Foi emocionante para nós dois. Eu tive a sensação de parir um filho e sei que você a de ver sua cria crescida. Adelfran Lacerda e Moacir Cabral foram irmãos exigentes.

Sua cria que depois enveredou para a vida pública foi capaz de captar e gerir milhões sem que, apesar de todas as perseguições de Garotinho (esqueci de te contar, ele foi preso!) responda processos por dano ao erário ou improbidade também aprendeu muito com a mestre na arte de administrar, nossa Diva. Muito obrigada aos dois. Vida longa à família Folha da Manhã!

 

(*) Jornalista e ex-editora geral da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Ricardo André Vasconcelos

 

Jornalista Ricardo André Vasconcelos

Folha pluralista: ontem e hoje

Por Ricardo André Vasconcelos

 

Quando a Folha comemorou uma década, em 1988, a redação preparou sua primeira grande edição comemorativa e reservou uma página inteira para apresentar toda a equipe em retratos 3×4. Um deles era o meu, que tinha chegado ao jornal, como repórter, um ano antes pelas mãos de Ângela Bastos, com quem trabalhara em A Notícia e que me apresentou ao Aluysio Cardoso Barbosa, bigode vistoso, voz de trovão e uma mansidão que foi me conquistando à medida que revelava seu estilo companheiro e paternal. Esta primeira passagem pela Folha (foram quatro ou cinco) terminaria logo. Fui trabalhar na TV Norte Fluminense e, depois, chefiar a secretaria de Comunicação nos governos Garotinho e Sérgio Mendes. A partir de 1991, voltei como editor-geral. Em 1997, estava novamente de volta, a tempo de participar das comemorações pelos 20 anos do jornal e para exercer funções como chefe de reportagem, editor de Política e editor-geral, até outubro de 2002.

Na edição dos 15 anos (1993) escrevi um artigo publicado na página 20 e cujo recorte está entre os poucos textos de lavra própria em meus guardados. Lá se vão 25 anos e não mudei de opinião quanto à defesa do engajamento do jornalista.  Escrevi: “Quanto mais engajado for o jornalista, mais isento e fiel à verdade será o jornal em que trabalha. A afirmação pode ser paradoxal, mas se justifica na medida em que o engajamento com determinada linha de pensamento confere ao profissional de comunicação um compromisso com a história que, dificilmente, se dissocia da luta pelo desenvolvimento da sociedade. E do conjunto desses profissionais resulta um jornal verdadeiramente engajado na defesa da cidade e de seus valores”.

No artigo de 25 anos atrás citei, sem o devido crédito, uma frase atribuída ao escritor argelino-francês Albert Camus, “os males que a imprensa causa são infinitamente menores que os males que ela tenta evitar”. Era um argumento para eventuais e naturais desvios e fui além: “Para que o jornal seja ainda mais fiel ao seu papel de escrever a história, é importante que esse engajamento seja pluralista. E da redação comandada pelo mais pluralista dos jornalistas da Folha, o próprio Aluysio Barbosa, saía e ainda sai um jornal que é a cara da cidade (…) que reflita no dia seguinte o que a comunidade viveu na véspera. Uma comunidade pluralista e democrática como a Folha da Manhã”.

O comando e o pluralismo foram herdados por Aluysio Abreu Barbosa, que embora (ainda) sem a mansidão paterna, mantém e ampliou a diversidade de profissionais e colaborares que traduzem o conjunto de opiniões que reflete a cidade a partir desse engajamento plural que dura 40 anos. Que venham outros 40.

 

(*) Jornalista e ex-editor-geral da Folha

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Luiz Carlos Pontes França

 

Designer Luiz Carlos Pontes França

O sonho e o desafio do futuro

Por Luiz Carlos Pontes França(*)

 

Da Folha da Manhã posso dizer que a acompanhei de perto desde a sua gestação até o parto. Fui testemunha do sonho compartilhado por Aluysio, Diva e Pereira Jr. Da minha prancheta saíram os primeiros layouts do que seriam as suas páginas, dando forma gráfica ao conteúdo proposto pelo trio. Havia então o compromisso de inovar e fazer um jornal à altura das tradições da imprensa campista, mas dando um passo a frente do que havia no mercado, a começar pelo processo de impressão. Foram deixados para trás tipos e linotipos: seria impresso em offset.

Não foi tarefa fácil transformar o sonho em realidade. Se sobrava vontade e entusiasmo, às vezes faltavam recursos para levar a bom termo o projeto. Tudo era novidade, inclusive para mim cujos conhecimentos foram amealhados em  oficinas tradicionais, impregnadas pelos vapores do chumbo. Mãos à obra partindo do zero. Era cara e coragem. Até a primeira edição chegar às bancas com uma menina bonita na capa foi muita mão de obra e estresse.

Vencidos os primeiros obstáculos veio o reconhecimento rápido por parte dos leitores e com ele  o desafio de surpreendê-los a cada edição, fazendo jus à confiança depositada. Nesse primeiro capítulo da história da Folha houve muitos atores e coadjuvantes. Citá-los seria correr o risco de omissões imperdoáveis. Todos foram,  cada um à sua maneira, importantes nestes 40 anos de êxitos e conquistas.

O passado do jornal está devidamente documentado e encadernado nos arquivos de suas edições, à disposição de quem se disponha a escrever a sua história. Não é o meu caso, tenho-a na memória como reminiscências de um tempo vivido com intensidade. O futuro está nas mãos daqueles cujo desafio é dar continuidade a esta trajetória ampliando horizontes e renovando sempre o compromisso com a inovação.

Dos 40 anos de existência da Folha da Manhã participei próximo da metade deles, o equivalente quase um terço de minha vida. Não foram passados em brancas nuvens, é verdade. Mas foram tempos enriquecedores aqueles, pelos amigos que fiz e experiência que acumulei, sem saudosismo piegas. Foi bom enquanto durou.

Uma lauda não é espaço suficiente para resumir tudo o que merece ser dito nesta oportunidade, mas é o bastante para ressaltar a importância da Folha da Manhã como porta-voz de nossa sociedade, tão carente de canais de comunicação confiáveis e comprometidos com suas demandas.

 

(*) Designer gráfico e ex-sócio da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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