Transição: governo Rafael pede suspensão de mais terceirizações

Atual procurador Matheus José cumprimenta quem vai substituí-lo no governo Rafael, José Paes (Foto: Divulgação)
Atual procurador Matheus José cumprimenta quem vai substituí-lo no governo Rafael, José Paes (Foto: Divulgação)

 

 

Acabou há poucos minutos a segunda reunião de transição entre os governos Rosinha Garotinho (PR) e Rafael Diniz (PPS). Em outro encontro tranquilo, sem a presença de Rosinha ou do seu marido, Anthony Garotinho (PR), exonerado (aqui) da secretaria de Governo, o momento mais importante foi o pedido, feito pelo futuro procurador José Paes Neto, para que os rosáceos suspendessem quatro licitações das terceirizações publicadas no jornal carioca “Extra” e relevadas (aqui) pelo blog “Ponto de vista”, do Chistiano Abreu Barbosa.

Confira na reprodução abaixo:

 

(Reprodução da publicação das licitações de mais terceirizações, fetas pelo governo Rosinha, no jornal “Extra”)
(Reprodução da publicação das licitações de mais terceirizações, fetas pelo governo Rosinha, no jornal “Extra”)

 

Como resposta, ficou acordada uma outra reunião tratar tratar especificamente do assunto, provavelmente já amanhã, entre integrantes do governo Rosinha com o coordenador de transição Felipe Quintanilha (Controle Orçamentário e Auditoria). Do governo que se despede do poder, após oito anos, a partir de 1º de janeiro de 2017, participaram do encontro de hoje o procurador Matheus José e os secretários Roberto Landes (Fazenda), Frederico Rangel (Educação), Fábio Ribeiro (Gestão de Pessoas e Contratos) e Edilson Peixoto (Infraestrutura e Mobilidade Urbana).

 

Leia a cobertura completa da segunda reunião de transição na edição de amanhã (22) da Folha

 

 

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Equipe de Rafael Diniz espera para segunda reunião de transição

Primeiar reunião de transição, comandada por Rafael, no último dia 8 (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Primeiar reunião de transição, comandada por Rafael, no último dia 8 (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

Após mais um adiamento (aqui), está tudo pronto para começar na sede da Prefeitura mais uma reunião de transição entre os governos Rosinha Garotinho (PR) e Rafael Diniz (PPS). Deste, estão presentes e aguardando a equipe rosácea o futuro procurador geral do município, José Paes Neto, mais os coordenadores da transição do novo governo Leonardo Wigand (Fazenda), Felipe Quintanilha (Controle Orçamentário e Auditoria), Brand Arenari (Educação), André Oliveira (Gestão de Pessoas e Contratos) e Alexandre Bastos (Chefia de Gabinete).

Dessa vez, por compromissos anteriormente assumidos, não participam a futura secretária de Saúde Fabiana Catalani, o coordenador da transição Fábio Bastos (Governo) e o próprio prefeito eleito Rafael Diniz, presente na reunião anterior, realizada (aqui) do último dia 8.

 

Mais informações em instantes

 

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Fabio Bottrel — Navio Brasileiro

 

Sugestão para escutar enquanto lê: José Siqueira – Oração aos Orixás

 

 

 

 

“Navio Negreiro” (1830), de Johann Moritz Rugendas
“Navio Negreiro” (1830), de Johann Moritz Rugendas

 

 

Porto de Luanda
Angola, 1648

 

— Ndunduma, olhe pra frente!

— Pai, essas correntes me ferem.

Meu pai seguia atrás de mim com as correntes que nos uniam a centenas de outros da nossa tribo caminhando para entrar num navio chamado tumbeiro, hoje sei, era um navio negreiro. Sentia o cheiro de sangue seco brilhando nas peles marcadas pra longe do aconchego que só a nossa terra poderia nos dar, era desesperador não saber pra onde ir, era desesperador saber que a morte era melhor que prosseguir. Estava um tumulto muito grande próximo ao navio grande como eu nunca houvera visto nada igual, fiquei a imaginar como surgia aquilo que via. Os homens no entorno nos batiam sem motivo, vi muitos amigos caindo de cansaço e dores dos ossos quebrados sem entender por que os orixás calados os haviam abandonados de braços atados. Quando subimos no navio recebemos baldes de água na cabeça enquanto passavam algo que espumava em nossa pele, alguns mais bravios se tornavam arredios e apanhavam muito, às vezes perdiam os dentes ou os dedos das mãos. Logo após puxavam as correntes nos levando para um buraco no meio do navio onde tinham várias tábuas como prateleiras muito próximas umas das outras… mais uma vez foi desesperador quando começaram a nos colocar deitados naqueles buracosentre as tábuas espremidos um ao lado do outro a ponto de nem mesmo conseguirmos nos mexer, como se fôssemos mercadoria, até mesmo respirar era difícil, e a todo momento eu pensava que a prateleira de cima cairia sobre nós com todos que estavam deitados ali. Haviam muitos gritos, muita confusão, as prateleiras em pouco tempo se mancharam de sangue e quando os homens brancos que falavam uma língua desconhecida a nós voltaram para cima do navio, o silêncio veio, todos quietos, estávamos apavorados, em pouco tempo comecei a escutar os golfos das respirações desnortear e alguns choros logo se tornaram livres, as lágrimas começaram a limpar as manchas de sangue que umedeciam a prateleira de cima a ponto de pingar sobre a minha face, é dura a vida dos que entraram num beco sem saída.

Ali permanecemos durante muitos dias, alguns não aguentavam a imobilidade e acabavam se debatendo até enlouquecerem e machucavam os acorrentados ao lado. Comíamos muito pouco, às vezes comíamos pasta de alguma coisa uma vez de dois em dois dias, muitos sentiam fome e fraqueza, mas eu não sentia, em pouco tempo percebemos que meu corpo era diferente, eu não enfraquecia, mal emagrecia. Enquanto enfrentávamos tempestades no mar, alguns nauseavam com o balanço das ondas e vomitavam em quem estava ao lado ou em si próprio, demorava muitos dias para o cheiro sair e o vômito secar. Vi algumas mulheres parirem ali mesmo e padecerem sobre os filhos que seriam jogados ao mar para o oceano abraçar e cuidar, não conseguia me mexer, mas conseguia escutar algumas mulheres da minha tribo sendo estupradas por aqueles que nos colocaram ali, rangiam feito cachorros e ofegavam feito ratos, era um povo nascido da maldade. Fazíamos nossas necessidades onde estávamos e o odor das fezes e urinas às vezes se tornava tão forte que alguns desmaiavam, outros desesperavam e enlouqueciam também.

Passamos 43 dias assim, havíamos conhecido o pior do ser humano, mas tínhamos mais a descobrir quando chegamos a costa do Brasil. Recebemos mais baldes de água e de novo as espumas voltaram para o nosso corpo. Muitos não conseguiam ficar em pé, diante da fraqueza e após tanto tempo deitado parece que as pernas se esqueceram para que servem ou morreram antes do corpo falecer. Eu consegui me levantar sem dificuldade e minha vitalidade logo conquistou a admiração dos nossos malfeitores, fui colocado como prêmio, virei mercadoria a ser vendida a preço caro. Enquanto as lágrimas escorriam em silêncio sobre a minha face me despedi de meu pai e sobre açoites fui sofrer num engenho de cana-de-açúcar na capitania de São Tomé.

A vida era dura e por anos a fio sofri o frio e o suor sangrento do meu corpo sob o sol a dilacerar minhas costas quando meu corpo ainda era de uma criança. Eu ficava com todos num lugar muito ruim, não quanto o navio, mas era sujo e sem janela para vento, às vezes ficávamos amarrados para não fugirmos, não raro as mulheres eram estupradas enquanto acorrentadas, mal dormiam e teriam de trabalhar cedo na lavoura, era a senzala. Quando fazíamos algo do desagrado dos malfeitores, nem mesmo entendíamos o que, e nossas unhas já eram arrancadas inteiras deixando a pele em carne viva, tão dolorosa a ponta de querermos tirar o dedo da mão. O mais comum era apanharmos acorrentados ao tronco enquanto um capataz açoitava nossa carne até dilacerar, e quando rasgava a nossa carne colocavam pimenta e sal, o que fazia a vontade de morrer ser maior. Um grande amigo que fiz no engenho morreu no tronco, o que deixou o capitão muito bravo, pois ele havia lhe custado muito dinheiro, havia ordenado para que sofresse como se não pudesse mais viver após não ter alcançado a meta da colheita por três dias seguidos, mas o capataz acabou matando, hoje sei que meu amigo estava doente e por isso não conseguira suprir as expectativas do malfeitor. Chamavam-me de criança velha, enquanto todos envelheciam meu corpo muito lento se desenvolvia, enquanto alguns morriam com a pele enrugada, eu nem mesmo esticava a minha pele para me tornar homem grande.

Gerações de malfeitores e de escravos se foram e surgiram, eu ainda era jovem e me destacava no recinto, minha história era espalhada por todos os cantos, alguns acreditavam, muitos não. Quanto mais o tempo passava, mais eu me inteirava da região que me escravizava, procurava sempre uma maneira de me livrar daquela condição, sabia que não poderia contar nem mesmo com os povos escravizados, pois eram de tribos distintas e instigados a entrar em conflito uns com os outros a fim de evitar os riscos de fuga para os malfeitores. Mas uma coisa é certa, todos odiavam os capatazes e malfeitores, quando os índios goitacás invadiram a fazenda para tomar de volta o que lhes era por direito, não foi preciso muitos olhares um para o outro para perceberem a oportunidade, agarramos com os dentes e atacamos tão ferozes quanto os índios cabeludos e bravios dessa região. Matei todos os que marcaram o meu coração com ódio e dor todo esse tempo e senti um enorme alívio quando olhavam assustados para mim enquanto triturava suas partes com a pequena faca na minha mão. Os índios não nos atacaram, perceberam que estávamos do seu lado e partiram sem nenhum cumprimento após a batalha terminar, apenas um olhar firme antes de se embrenharem pela mata. Quando olhei em volta percebi todos sem saber o que fazer, ainda se inteirando da novidade, estávamos livres, nossos capatazes estavam mortos e naquele momento todos se tornaram um povo só. Eu era o mais conhecido, pelo tempo e pela história, liderei o grupo para longe dali, caminhamos um dia inteiro até chegar às montanhas, onde haviam muitas cachoeiras e matas, era um lugar fantástico. No cume da montanha montamos um quilombo disfarçado em seus entornos com folhas de bananeiras e árvores grossas para que ninguém nos achasse, lá de cima conseguíamos ver toda a região que se estendia numa imensa planície. Enquanto o tempo passava observávamos os índios bravios atacando todos que entravam em seu território e vibrávamos com cada vitória, logo tropas e mais tropas chegaram e quando chegaram os sete capitães os índios foram dizimados.

Mais de 100 anos haviam se passado desde o dia em que eu pisara naquela terra e meu corpo ainda continuava jovem, era nítido que algo acontecia comigo, eu não era como todos, meu corpo insistia em resistir, enquanto o tempo passava a população no quilombo aumentava, separamos as tarefas muito bem definidas até mesmo em guerreiros para o dia que suspeitava precisarmos usar, vivíamos bem até esse dia chegar. Enquanto um dos rapazes do quilombo caçava, alguns traficantes o seguiram para o nosso quilombo, lutamos como guerreiros fortes que somos e os expulsamos, com seus corpos adubamos a terra. Mas outros voltaram e nosso quilombo não resistiu, fomos capturados e me levaram para longe, preso a uma carroça fui para uma fazenda no Rio de Janeiro. Enquanto olhavam para o meu corpo e os meus dentes, me davam 20 e poucos anos, mal sabiam eu já passara dos 150 anos e já havia acumulado mais conhecimentos que todos eles juntos.

Anos de sofrimento me atordoaram a vida novamente, mas nada daquilo era novidade para mim, havia regalias, beirando os 200 anos havia tanto conhecimento e histórias para encantar as famílias de malfeitores que mal fazia trabalho braçal, me ensinaram a ler e a escrever. Com isso pude me inteirar dos assuntos dos senhores de terra, uma terra distante chamada Inglaterra pressionava os senhores daqui para nos soltar, eu estava com 206 anos quando soube de uma tal lei Eusébio de Queirós que proibia que trouxessem o meu povo para serem escravizados por essas bandas, mas continuavam a chegar por tráfico clandestino talvez em condições até piores das que eu cheguei nesse lugar. Dali em diante as coisas começaram a mudar, quando eu completei 227 anos foi assinada a Lei do Ventre Livre, onde vi os primeiros filhos negros ganharam a liberdade e logo depois a princesa Isabel sancionou a Lei Aurea, libertando todos nós.

Assim como formávamos os quilombos ocupamos os morros próximos d’onde houvesse trabalho, a vida era dura mesmo assim, éramos desprezados, maltratados e explorados. Fiz minha morada no Morro da Providência, que ao receber os soldados carentes de seus soldos da guerra de Canudos apelidaram o morro de favela, com referência ao Morro da Favela em Canudos, explicando que favela era uma planta que cobria todo o morro daquela região, logo percebi que os morros com os ex-escravos e gente pobre forçadas a morar longe dos centros passaram a se chamar favela. Mas não arredei o pé, tentei de boa-fé fazer com que essa gente mané entendesse o ser humano que és, pura ilusão meu irmão, gerações e gerações eu aqui lutando para quebrar nossos grilhões, essa gente nasce náufraga de-mente.

Eu já tinha quase trezentos anos quando vi as máquinas chegarem e os povos do campo migrarem para os nossos morros, mais gente pobre quem vem enganado dar errado na vida, mais gente que nasce pra sofrer as benesses que os ricos a de ter, pergunto a não sei mais qual natureza, divindade ou esperança depois de ter sido tão ludibriado até mesmo em religião, fé e crença, por que me deixaste tanto tempo nesse inferno e nem me dá um sinal de que um dia me levará? Via o cinismo nos olhos maldosos olhando para as minhas gerações que se renovavam nos morros ruidosos de corações injustiçados, minhas mãos ásperas passavam aos mais novos todos os sofrimentos que eles ainda hão de enfrentar.

Quase 400 anos depois ainda estou aqui, e do alto desse morro pergunto a mim se um dia sairei daqui, a luta é eterna.

 

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Exames de Garotinho na UPA de Bangu sem nenhuma anormalidade

Se Anthony Garotinho (PR), beneficiado agora há pouco (aqui) com a permissão de ser transferido para um hospital particular e cumprir regime de prisão domiciliar, em mais uma decisão favorável (relembre aqui) da ministra Luciana Lóssio, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o argumento usado pela defesa do réu e endossado pela magistrada não corresponde à realidade apontada pelo laudo médico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Complexo Penitenciário de Bangu.

Após a nervosa transferência na noite de ontem, do Hospital Municipal Souza Aguiar, onde houve denúncia de regalias pelos próprios funcionários, os exames de controle de glicemia capilar e eletrocardiograma de Garotinho em Bangu “não apresentaram nenhuma anormalidade”. Também ao contrário das alegações da defesa e da família, bem como do entendimento da ministra do TSE, foi atestado: “a UPA Gericinó encontra-se em plenas condições de oferecer uma assistência adequada ao interno Anthony William Garotinho Matheus de Oliveira”.

Confira abaixo a íntegra do laudo assinado pela médica Joene Castro, coordenadora da UPA do Complexo Penitenciário de Bangu:

 

UPA Garotinho

 

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Presidente do TCE, Jonas Lopes acusado de cobrar propina do esquema de Cabral

Jonas Lopes de Carvalho foi apontado como negociador da cobrança de propina (Foto: Urbano Erbiste)
Jonas Lopes de Carvalho foi apontado como negociador da cobrança de propina (Foto: Urbano Erbiste)

 

 

A Operação Calicute terá desdobramentos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que tem a atribuição para processar e julgar integrantes de tribunais de contas. Delações de executivos da Andrade Gutierrez apontam o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Jonas Lopes de Carvalho, como um dos favorecidos pelo esquema de pagamentos paralelos nas grandes obras do governo fluminense. Um dos operadores investigados seria Jorge Luiz Mendes Pereira da Silva, o Doda, que teria a função de fazer a ligação do órgão com as empreiteiras.

Para não serem incomodadas pelo TCE, órgão encarregado da fiscalizar os gastos do governo fluminense, as empreiteiras pagavam uma caixinha de 1% do valor dos contratos, supostamente repartida entre conselheiros, afirmam os delatores da investigação. Um dos delatores, Ricardo Pernambuco Júnior, acionista da Carioca Engenharia, cujo conteúdo ainda não foi compartilhado com a força-tarefa da Lava-Jato no Rio, citou nominalmente o presidente do TCE como negociador direto do pagamento da propina. Jonas Lopes Carvalho teria cobrado cinco parcelas de R$ 200 mil da empreiteira.

Em nota, o TCE afirmou repudiar “as calúnias relativas à sua atuação, feitas por executivos em delações premiadas no âmbito da Operação Lava-Jato”. Segundo o tribunal, a Corte vem sendo alvo de “maldosas especulações, que foram repelidas administrativa e judicialmente”. E diz que “as empresas envolvidas na Operação Lava-Jato vêm sendo duramente incomodadas e penalizadas pelas decisões do plenário deste tribunal”.

 

Leia aqui a matéria completa de O Globo

 

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Wladimir: “Jamais me envergonharei do meu PAI, do meu HERÓI”

Após um tempo de ausência da democracia irrefreável das redes sociais, Wladimir Garotinho (PR) voltou hoje a elas para postar um texto sobre a polêmica da nervosa transferência (aqui) do seu pai, Anthony Garotinho (PR), do Hospital Municipal Souza Aguiar  ao Complexo Penitenciário de Bangu. Acima de que qualquer manifestação política de revolta, regozijo ou indiferença, é o relato de um filho sobre um pai — e como tal merece o devido respeito.

Abaixo, a foto da postagem, feita aqui, e a transcrição do seu texto:

 

Wladimir e GarotinhoFaz tempo que tirei minha página social do ar, faz tempo que me cansei de ler tanta coisa inútil na internet.

Hoje venho aqui como FILHO expressar meu coração partido, minha indignação, mais também a minha FÉ. Meu pai não é bandido, não está preso por roubo, desvio de dinheiro, contas no exterior ou qualquer absurdo como vemos acontecendo no país da Lava-Jato. A acusação contra ele, e até agora sem provas, é de distribuição ilegal de benefício social para pessoas pobres. Existem muitas situações obscuras ao longo dessa investigação, a verdade aparecerá.

As imagens, vídeos e áudios que estão sendo divulgados e tripudiados por muitos nas redes sociais, são de uma família aflita e em pânico ao ver o seu PAI e MARIDO sendo levado a força bruta para um presídio onde ele prendeu muitos dos bandidos que lá estão, sendo assim corre risco de morte. Além disso foi levado mesmo com recomendação médica contrária pelo estado de saúde debilitado.

Obrigado pelas mensagens e manifestações de carinho, até de pessoas que são politicamente contra.

A história política do Garotinho é pautada por lutas e embates polêmicos, sempre acumulou adversários fortes e poderosos por isso. Dessa vez passaram dos limites, existem pessoas, corações e vidas destroçadas por um ato arbitrário e covarde.

Jamais me envergonharei do meu PAI, do meu HERÓI.

Nossas cabeças estarão sempre erguidas, pois Deus conhece nossos corações.

Aos meu irmãos: NÃO DESTRUIRÃO NOSSA FAMÍLIA, ELA É PROJETO DE DEUS.

#forçapai #Deuséfiel

 

Atualização às 13h48: a reprodução da postagem de Wladimir já havia sido feita aqui, no “Blog do Ralfe Reis”, e aqui, no blog “Na curva do rio”

 

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Numa palavra: DEPRIMENTE

 

 

 

Saiba mais sobre o assunto aqui, aqui, e aqui, respetivamente nos blogs “Ponto de vista”, “Na curva do rio” e “Blog do Arnaldo Neto” e na edição da Folha da Manhã de daqui a pouco

 

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Guilherme Carvalhal — Quinta-feira

Carvalhal 17-11-16

 

 

“Você vai morrer em uma quinta-feira”, dizia a mensagem dentro do bolinho da sorte.

Janaína comeu no domingo (pensou em reclamar com o ambulante que lhe vendeu, mas não o reencontrou) e ignorou a mensagem. Porém, na quarta-feira à noite se encheu de desespero. Não conseguiu dormir, faltou ao trabalho e passou essa quinta-feira reclusa em casa com medo de ser atropelada ou de um detrito de obra cair na sua cabeça:

— Isso é tudo bobagem. Deixa de ser influenciável — brincou Lívia, ignorando os reais temores da amiga.

Passada a quinta-feira, ela relaxou. Levou a vida normalmente até na quarta-feira seguinte, quando a agonia tomou conta novamente. Encheu-se de remédios para dor de cabeça, enxaqueca, pressão, depressão e desejou não passar pela mesma agonia da semana anterior.

Em vão. Todas as possibilidades de morte surgiram na sua mente. Poderia infartar, ter um AVC, uma crise renal repentina, uma hemorragia fatal, um ataque alérgico. Há relatos de combustão espontânea, quando alguém começava a pegar fogo do nada. Além dos casos exteriores, como homicídio e acidente. Bueiros explodiam, assaltantes matavam suas vítimas, gente bêbada atropelava. Pelo sim, pelo não, ficou em casa. Então o bujão de gás incendiaria ou uma bala perdida atravessaria a janela. Poderia escorregar no banheiro e bater a cabeça ou trocar por engano o tempero da comida por veneno de rato.

Ah, tem o risco de contaminação por salmonela.

Encolheu-se a um canto sem se mexer. Não comeu nada — e se morresse de congestão? — e ficou contando as horas até o dia acabar. Quando passou a meia-noite, levantou aliviada.

Os amigos começaram a se preocupar seriamente. Na primeira semana, levaram na brincadeira. Agora, constatada a gravidade da situação, se mobilizaram para ajudá-la. Fizeram uso da razão, explicando que a mensagem desses bolinhos da sorte não passa de mera brincadeira, não havendo nada oracular nisso. Alguém escreveu uma piada de péssimo gosto e ela caiu. Convenceram-na a ir ao médico para uma bateria de exames e de lá saiu com os resultados: possuía uma saúde de ferro e nos próximos tempos não havia risco de nenhum problema de saúde grave.

Assim, confiante, encarou mais uma quinta-feira. Ao contrário da expectativa, o desespero assumiu o controle. Olhava pelas janelas crente que um bandido entraria e não tomou banho receando uma descarga elétrica vinda da tubulação. Pediu a Lívia para lhe fazer companhia e a amiga saiu do trabalho aturdida para socorrê-la.

Encontrou Janaína pálida ao chão, a pressão baixa, prestes a uma síncope. Respirava com dificuldades e apertou sua mão com força quando a aconchegou entre seus braços:

— Você precisa de ajuda urgentemente.

Com extrema dificuldade e apoio de Lívia, superou mais essa quinta-feira. Procurou assistência médica e Lívia se programou para acompanhá-la nesses dias, conseguindo uma dispensa com seu chefe. E assim, por quatro semanas ela começou a tomar algumas doses de clonazepam e de mãos dadas atravessou dias agoniantes.

No que seria a quinta semana, mais precisamente na quarta-feira à noite, Lívia telefonou dizendo que se atrasaria, pois seu carro quebrou. Janaína se exasperou. Tomou muitos de seus remédios, ligou uma música relaxante e tentou se acalmar. Os minutos passavam e ela se desesperava. Precisava tomar uma atitude extrema para não admitir que aquela mensagem estava correta. Precisa provar a si mesma e ao mundo que não se deixaria vencer por tamanha bobagem.

Abriu a janela e subiu nela, apoiando na sua estrutura de alumínio. Olhou para os oito andares abaixo e contemplou a rua, sentindo o vento frio. Soltou-se e se deixou cair, seu riso satisfeito de vitória ecoando entre os prédios antes de se estabacar no chão. Seu relógio marcava 23h59 quando morreu.

 

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Wladimir sobre revelações de Beth Megafone: “Não vou dizer nada”

Citado, junto com Anthony Garotinho (PR), nos depoimentos colhidos pela Polícia Federal (PF) sobre aquilo que o Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou (aqui) como “escandaloso esquema”, no uso de Cheque Cidadão para compra de voto nas eleições municipais de outubro, Wladimir Garotinho (PR) hoje convocou (aqui) e comandou um protesto diante da delegacia da PF em Campos.

Com o jornalista da Folha Marcus Pinheiro, Wladimir falou sobre a prisão do pai, além da sua própria participação no alvo da investigação da PF, descrita com riqueza de detalhes no depoimento da radialista Elizabeth Gonçalves dos Santos, a Beth Megafone, a quem disse conhecer “desde pequeno”.

Confira aqui e abaixo:

 

Além de usar uma venda para cantar o hino nacional diante à delegacia da PF, Wladimir também falou sobre as denúncias (Foto: Marcus Pinheiro)
Além de usar uma venda para cantar o hino nacional diante à delegacia da PF, Wladimir também falou sobre as denúncias (Foto: Marcus Pinheiro)

 

Prisão de Garotinho — A prisão é arbitrária. Isso não sou só eu quem está dizendo, mas todo meio jurídico. Inclusive, o ex-presidente da OAB, que hoje é deputado federal (Wadih Damous, PT) e adversário político do meu pai, disse que a prisão é arbitrária.

Beth Megafone — Eu conheço Beth desde pequeno. Acho muito estranho ela primeiro ter dado um depoimento e depois uma advogada, ligada a outro político adversário nosso, ter feito ela mudar o depoimento dela, pelo que se sabe, por constrangimento. Ela entrou depois que o nosso advogado já tinha conversado com a Beth, e que já tinha dado um depoimento, a outra advogada entrou e fez ela mudar o depoimento dela. Ela me cita dizendo que eu teria vazado informação e depois cita que teria tido uma discussão com meu pai. Ela mesmo se contradiz ao dizer que eu pedi e depois que eu discuti com ele. Uma pessoa dessa não sei se merece tanta credibilidade como estão dando. Quem conhece o passado da Beth sabe a pessoa que ela é. Não quero ficar aqui entrando em detalhes e falar mal da vida de ninguém. Mas quem conhece Beth sabe da vida dela e eu preferi me manter em silêncio em relação a ela.

“Isso vai acabar com o governo da minha mãe” — Eu não vou comentar esse tipo de declaração da Beth. No próprio depoimento dela ela se contradiz. Então como ela já deu um depoimento, depois deu outro. E no próprio depoimento ela se contradiz, o que eu posso dizer? Não vou dizer nada.

 

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O bom menino não sai comprando voto

Em maio de 2006, quando Anthony Garotinho (PR) fez uma suspeita greve de fome de 11 dias, para protestar contra denúncias da imprensa sobre doações irregulares à sua campanha presidencial pelo PMDB que nunca decolou, não foram poucos os gaiatos que se manifestaram: “Até o fim!”

Com o avanço dos meios digitais nesta última década, é o mesmo tipo de gaiatice presente no vídeo abaixo, criação da charges.uol.com.br, que tem feito muita gente rir na democracia irrefreável das redes sociais, na paródia do Maurício Ricardo de uma conhecida música do saudoso palhaço Carequinha (1915/2006). Confira:

 

 

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Garotinho foi preso por não ouvir o filho, a Folha, nem ninguém

 

(Charge de Marco Antonio Rodrigues)
(Charge de Marco Antonio Rodrigues)

 

 

 

Ponto final

 

 

Qual o tamanho de Garotinho?

No dia seguinte à sua derrota, ainda no primeiro turno, da eleição de governador há dois anos, esta coluna fez (aqui) um registro e uma indagação: “Ontem (05/10/14), ao agradecer por seus mais de 1,5 milhão de votos para governador, Garotinho publicou em seu blog ser ‘melhor perder uma eleição do que a vergonha’. Pudesse ser olhado hoje pelo jovem político que em 2002 também quase chegou a um segundo turno, mas de uma eleição presidencial na qual teve mais de 15 milhões de votos, com que tamanho aquele Garotinho veria esse de agora, 10 vezes menor?”

 

Ascensão e queda

Pois ontem, como o Brasil inteiro já sabe, Garotinho foi alvo (aqui) da prisão preventiva pela Polícia Federal (PF), num apartamento do Flamengo (aqui), no Rio, acusado de chefiar aquilo que o Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou (aqui) como “escandaloso esquema” de compra de votos nas últimas eleições municipais de Campos — cuja Prefeitura acabaria também perdida no primeiro turno. E toda a grande mídia brasileira (aqui), com direito ao primeiro bloco do “Jornal Nacional” (reveja aqui), fez um resumo da carreira política do preso, contrastando sua rápida ascensão na juventude, nos anos 1980, com sua decadência igualmente precoce, com apenas 56 anos.

 

O tranco da prisão

Segundo sua defesa, pelo renomado criminalista Fernando Augusto Fernandes, Garotinho não foi transferido ontem mesmo a Campos, para controlar no Rio suas “alterações cardíacas apontadas em eletrocardiogramas”, após a prisão. Embora a decadência do líder rosáceo pareça não ser financeira, pois tem como advogado quem cobrou (aqui) R$ 5 milhões para defender o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa na Lava Jato, ele aparenta dificuldades físicas para aguentar o tranco. Atendido (aqui) pelo Samu, ele foi da Superintendência da PF no Rio ao Hospital Municipal Souza Aguiar e, de lá, segundo (aqui) o jornalista Ancelmo Góes, ao hospital particular Quinta D’Or.

 

Surpresa no TSE

Se não haveria espanto com uma melhora súbita de saúde, caso Garotinho fosse solto, também não chegou a surpreender que ele tivesse seu pedido de habeas corpus negado duas vezes (aqui) no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) — preventivamente, no último dia 12, e ontem, liminarmente. O que surpreendeu é que, no final da noite de ontem, a liberdade do preso tenha sido indeferida (aqui) também pela ministra Luciana Lóssio (confira seu histórico aqui), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Afinal, fora ela quem já mandara soltar (aqui) os vereadores Ozéias (PSDB) e Miguelito (PR), presos antes pela PF por envolvimento direto no mesmo “escandaloso esquema”.

 

Sem espantos

Em contrapartida, ninguém ficou espantado com as palavras firmes do juiz Glaucenir Oliveira, da 100ª Zona Eleitoral de Campos, ao decretar (aqui) a prisão de ontem, sem revisão pelas duas instâncias superiores: “Pelas interceptações, cujas degravações constam na denúncia, se vislumbra o protagonismo e comando exercidos pelo réu na cadeia da associação criminosa (…) sendo extreme de dúvidas sua dominação inclusive no parlamento municipal”. Assim como ninguém se surpreendeu com a constatação, na mesma decisão judicial, de que Garotinho é o “prefeito de fato” de Campos, além de proprietário da rádio e jornal “O Diário”.

 

Advertência da Folha

Em relação à utilização do Cheque Cidadão para compra de voto, tampouco alguém pode se espantar que tenha sido ignorada a advertência feita por esta coluna (aqui) desde 30 de agosto, na analogia do casal Garotinho com o antes formado pelos ex-presidentes Lula e Dilma: “Se Campos está (aqui) no buraco, o que não dá para fazer diferente é eximir de responsabilidade seu casal de governantes na m(…) buarqueana na qual enfiaram a terra dos sambistas Wilson Batista (1913/68) e Geraldo Gamboa (1930/2016). E quem acha que a reversão desse quadro é possível com a prática que foi alvo das ações da Justiça Eleitoral (…) talvez valha a pena observar o rigor da lei com Lula e Dilma para saber que m(…) muito maior ainda pode estar por vir”.

 

Advertência do filho

O que talvez espante nisso tudo, é saber que Garotinho ignorou as advertências do próprio filho, Wladimir, pela gerência desastrosa do “escandaloso esquema”. No bombástico depoimento da radialista Elizabeth Gonçalves dos Santos, a Beth Megafone, repórter do programa “Fala Garotinho”, considerado fundamental (aqui) à prisão do líder, além de admitir a destruição de provas dos crimes eleitorais cometidos, ela revelou (aqui) “que chegou a ouvir uma discussão entre Garotinho e Wladimir; que Wladimir dizia: isso não vai dar certo, isso vai acabar com o governo da minha mãe”. Famoso por jamais ouvir ninguém, o pai ignorou. E deu no que deu.

 

 

Publicado hoje (17) na Folha da Manhã

 

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Wladimir avisou a Garotinho: “isso vai acabar com o governo da minha mãe”

Considerado (aqui) fundamental na prisão preventiva hoje do secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR), conheça abaixo trechos do bombástico depoimento dado à Polícia Federal (PF) de Campos, no último dia 31, pela radialista Elizabeth Gonçalves dos Santos, a Beth Megafone, repórter do programa “Fala Garotinho”:

 

Radialista Beth Megafone
Radialista Beth Megafone

 

 

“que assim que soube da prisão de Ana Alice e Gisele, a reinquirida (Beth) ateou fogo em todos os comprovantes de recebimento de cartões do Cheque Cidadão que ainda não haviam sido entregues pela reinquerida a Gisele”.

“que ateou fogo também em listas com nomes de pessoas beneficiárias por intermédio de Linda Mara”.

“que ao saber do plano de GAROTINHO, seu filho WLADIMIR vazou a informação para outros candidatos da sua predileção, a saber: Jorge Rangel, Carlinhos Canaã, Duda de Ururaí, Thiago Virgílio, Albertinho, Leo do Turf, Roberto Pinto e Vinicius Madureira; que a ideia de WLADIMIR era que o plano de GAROTINHO alcançasse também esses outros candidatos, de forma que a distribuição do Cheque Cidadão os beneficiassem; que esses candidatos então procuraram por GAROTINHO para pressioná-lo a receber eles também os cheques prometidos a Kellinho, Linda Mara e Thiago Ferrugem”.

“que então GAROTINHO realizou uma reunião com Kelinho, Linda Mara, Thiago Ferrugem e os candidatos de interesse de WLADIMIR para tratar da distribuição do Cheque Cidadão”.

“que sabe de todas essas coisas porque o próprio GAROTINHO contou para a reinquirida num encontro que teve um dia após as últimas eleições”.

“que chegou a ouvir uma discussão entre GAROTINHO e WLADIMIR; que WLADIMIR dizia: isso não vai dar certo, isso vai acabar com o governo da minha mãe”.

 

Confira a cobertura completa na edição de amanhã da Folha da Manhã

 

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