Seis homens e um destino: seu voto, hoje, a prefeito de Campos

Ponto final

 

 

Política & Polícia

Desde o período pré-eleitoral, esta coluna se converteu num resumo entre opinião e noticiário dos fatos políticos do dia. E com a ação desassombrada do Ministério Público Eleitoral (MPE), da Justiça Eleitoral e da Polícia Federal (PF) — cujas consequências irão além das urnas de 2 e, ao que parece, 30 de outubro —, a política goitacá se viu mais uma vez misturada com decisões judiciais e inquéritos policiais. Nesta seara, tivemos ainda ontem (aqui) outra apreensão da PF e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE): R$ 138 mil numa casa e num carro dentro de um condomínio de luxo, junto material de campanha de um candidato governista a vereador.

 

Os seis

Muito embora nada indique que os abusos eleitorais respeitarão o dia da eleição, resta ficar na torcida para que nada corrompa (ainda mais) seu direito intransferível de escolher quem vai governar sua cidade, da sua família, vizinhos, colegas de trabalho, amigos e conhecidos a partir de 1º de janeiro de 2017. E são seis os candidatos que se dispõem a isso. Pela ordem decrescente das intenções de voto nas últimas pesquisas (aqui), são eles: Rafael Diniz (PPS), Dr. Chicão (PR), Caio Vianna (PDT), Nildo Cardoso (DEM), Geraldo Pudim (PMDB) e Rogério Matoso (PPL).

 

Rafael

Rafael talvez tenha sido, entre todos, o de pré-campanha mais fraca. Junto do seu PPS, só conseguiu o apoio de duas legendas pequenas: Rede Sustentabilidade de PV. Mas ao se manter vivo até a convenção, transformou a aparente fraqueza em sua maior força, com uma campanha curta, mas muito bem bolada, na TV e, sobretudo, nas redes sociais, onde talvez ganhasse o pleito em turno único. Do mundo virtual ao real, após patinar nas pesquisas entre junho e agosto, sua campanha se transformou em setembro numa onda espraiada muito além da “pedra”. Orador articulado, empolga pelo emocional, no qual às vezes se excede.

 

Chicão

Como esta coluna ressaltou diversas vezes, por sua simpatia pessoal e bom desempenho nas pesquisas pré-convenção, Dr. Chicão sempre foi o governista mais viável à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR). Se alguns, até entre os rosáceos, questionam sua capacidade, deveriam perguntar qual outro nome chegaria tão rápido nas intenções de voto aos 33% dos mesmos eleitores que desejam a continuação do governo. Orador sem brilho e forçado a atacar, sendo atacado de todo lado, sua participação nos debates não foi boa. Homem digno e médico conceituado, pode pedir voto a qualquer um, sem ter que pedir desculpas a ninguém.

 

Caio

Caio começou bem, não só nas pesquisas que chegou a liderar em junho, como pela brilhante pré-campanha. Tirou o PEN do pai e ex-prefeito Arnaldo Vianna (PMDB), trouxe para compor sua chapa o vereador Gil Vianna (PSB), que seria o vice de Rafael, e manteve o PSB numa queda de braço contra Anthony Garotinho (PR). Mas, sem o apoio de Arnaldo, que ficou com Pudim, Caio estagnou nas pesquisas. Com sua inflexão ensaiada, foi bem no debate da InterTV, mas ainda pesa sobre ele a suspeita de ser o “Cavalo de Tróia” do garotismo, levantada por Pudim. Se houver segundo turno, estando ou não nele, definirá seu futuro.

 

Nildo

Nildo é um dos políticos mais experientes de Campos. Apesar do jeito às vezes assertivo de liderança tradicional da Baixada, conhece todos os caminhos que levam o eleitor à urna. Batalhou em sua pré-campanha, sendo descartado pelo PMDB para conquistar a candidatura pelo DEM, na qual trabalha para superar Pudim e, se der, Caio. Tem consciência que sua votação a prefeito é fundamental para puxar votos também para o filho, José Leandro Cardoso (DEM), candidato a vereador. Assumiu o compromisso com a oposição no segundo turno.

 

Pudim

Nos debates, Pudim mostrou que talvez seja o candidato com mais conhecimento técnico da Prefeitura de Campos. Todavia, o apoio de Arnaldo, no lugar de agregar a popularidade do ex-prefeito, acabou se prestando ao consumo desta, fruto do repúdio natural da população a um pai contra o próprio filho. Garotista desde a gênese do grupo, ainda nos anos 1980, é hoje crítico mais feroz da “parentocracia” na qual os antigos aliados querem transformar a política de Campos e região. É o mais firme no compromisso com a oposição num eventual segundo turno.

 

Matoso

Ex-vereador, Matoso não conseguiu encarnar a opção jovem da mudança, que os eleitores identificaram em Rafael e Caio. Batalhador, perdeu a vaga do PMB, mas conseguiu não só se candidatar pelo PPL, como tirar o PC do B de aliança com o PT e ainda pegar o Pros de Caio. Foi nos debates, sobretudo da InterTV, o mais contundente contra os governistas, quando se dirigiu ao líder do grupo pela tela da Globo: “Desafio o coronel Garotinho para um debate em sua rádio, mas olho a olho, como homem” . Para o riso dos ouvintes, o desafiado bravateou no dia seguinte, à distância segura do microfone da sua rádio, ontem mais uma vez tirada do ar (aqui) pela Justiça: “Não temo homem nenhum. Não sou covarde”.

 

O destino é você

Paixões à parte — e desde que os gregos inventaram antes de Cristo a democracia, não há política sem paixão —, quem quiser encontrar virtudes nos seis candidatos, certamente as achará. Assim como os defeitos que todos temos e nos diferenciam por quanto cada um deles é capaz de nos fazer descer moralmente. Com seus currículos merecedores de respeito tanto por eleitores, quanto por opositores, temos seis homens e um destino: você, leitor, hoje, na urna. A escolha é só sua!

 

Publicado hoje (02) na Folha da Manhã

 

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Fabio Bottrel — Meu amor durou um parágrafo

 

Sugestão para escutar enquanto lê: Chopin – Spring Waltz

 

 

 

 

Bottrel 01-10-16

 

 

O parágrafo mais denso é esse, que começa com uma letra perdida e termina com uma palavra mal dita. Numa noite mal dormida esperava o dia chegar enquanto observava suas costas arquear com uma respiração tranquila e profunda, logo se tornaria ofegante quando a luz do dia banhasse os seus olhos. Lá fora chovia, gotas de lágrimas molhando toda a cidade. Antes que eu te pergunte, menina na minha cama, por que te espantas quando alguém te ama, é uma pena que não percebas o teu sono mais tranquilo despido de maquiagem. Dito e feito, acima dos teus seios o sol te banhou por inteiro, coloriu seu rosto nu a acordar e me olhar encabulada como eu já esperava, antes de se despedir peço que retire a máscara e veja que a tua pele ainda é nova, e se te doer a carne crua chorarei contigo o elogio das suas próprias lágrimas. Mas antes que eu pudesse dizer, você já se foi, para ser como tudo na vida, uma eterna partida.

 

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“Modus operandi histórico e incoercível” tira rádio de Garotinho do ar

Aqui e aqui, os jornalistas Alexandre Bastos e Suzy Monteiro noticiaram a retirada do ar mais uma vez da rádio do grupo de comunicação do secretário municipal de Governo, Anthony Garotinho (PR), nas próximas 48h, por decisão do juiz da 249ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos, Elias Pedro Sader Neto.

O magistrado esclareceu que não há conflito da sua decisão com o recente retorno ao ar da rádio, em decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no último dia 28. Na verdade, o juízo da 249ª ZE se baseou justamente na reincidência, nos dias 29 e 30, do surto de violentos ataques verbais contra juiz, delegado, promotores, candidatos e jornalistas, cometidos por Garotinho assim que sua rádio voltou ao ar.

Abaixo, com os colchetes do blog, para facilitar seu entendimento, leitor, alguns trechos da decisão:

 

“Inicialmente, convém assentar que a presente medida não se encontra em rota de colisão com a decisão proferida pelo Eg. Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro no mandado de segurança nº 359-54.2016.6.19.0000. Bem ao contrário, segue-o fielmente.

(…)

E assim se afirma, porque o primeiro representado [Garotinho], conquanto não seja candidato, é líder estadual do PR e, sabidamente, a locomotiva do grupo político que se encontra no poder executivo municipal, com pretensão à continuidade por meio do atual vice-prefeito, Dr. Chicão.

No plano dos fatos, a ampla degravação dos programas dos dias 29 e 30 de setembro provam, sobejamente, por seu conteúdo, a probabilidade de direito e a urgência do deferimento da tutela provisória (…)

Agora , a situação é ainda pior, pois o primeiro representado [Garotinho] retornou a rádio, nos programas dos dias 29 e 30, ainda mais ferino, apregoando, dentre outras muitas inverdades, manipulações e dubiedades, que o TRE/RJ desabonou a decisão que suspendeu o funcionamento do segundo representado [a rádio], quando na verdade apenas analisou aspectos instrumentais ligados à incompetência do juízo da 75ª Zona Eleitoral  [que tirou a rádio do ar nas duas vezes anteriores].

Não se pode olvidar, que a transgressão que se pretende prevenir trata-se de modus operandi histórico e incoercível do primeiro representado [Garotinho], o qual, assim, desde cedo, ingressou na vida política.

Por fim o próprio nome da rádio, expressamente alusivo ao “JORNAL O DIÁRIO”, mais do que pista, deixa escancarado que ambos são gêmeos xifópagos, e que o abuso do meio de comunicação aqui reclamado em face dos representados, constitui apenas uma pequena fração da realidade.

(…)

Outrossim, à vista da contumácia incoercível dos representados [Garotinho e a rádio], DETERMINO A IMEDIATA SUSPENSÃO  da programação normal da Rádio Jornal O Díario Ltda – EPP, por 48 horas (…)

Advirta-se que a presente multa processual não prejudica eventual imposição da multa eleitoral”

 

Confira abaixo, em suas três folhas, a íntegra da decisão:

 

rádio1

 

Rádio2

 

Rádio3

 

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Ponto final — Por que Rosinha não paga os 12 mil Cheques Cidadão?

Ponto final

 

 

 

“Opção única e exclusiva da Prefeitura”

Em ofício divulgado ontem para desmentir as informações sobre o Cheque Cidadão deturpadas pelos veículos de mídia da cidade cooptados e pertencentes ao grupo de comunicação dos Garotinho, o juiz Eron Simas dos Santos, da 99ª Zona Eleitoral de Campos, esclareceu: “a decisão proferida por este juízo determinou a suspensão do Cheque Cidadão apenas para as pessoas que foram cadastradas a partir de 01/06/2016 e que qualquer suspensão que atinja os demais beneficiários decorre opção única e exclusiva da Prefeitura Municipal”.

 

Explicação simples

Extraída do texto sem juridiquês do magistrado, a explicação é simples. Ao acatar, em 22 de setembro, a tutela de urgência solicitada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), o juiz determinou a suspensão dos 18 mil Cheques Cidadão concedidos entre junho e setembro, sob suspeita de utilização eleitoral. Para se dimensionar o aumento das inscrições ao programa, eram apenas 12 mil os que recebiam o benefício antes de junho. E, desde que foi impedida de pagar aos novos 18 mil na suposta compra de seus votos, o governo Rosinha deixou de pagar também aos 12 mil anteriores, inscritos apenas por sua demanda social comprovada.

 

Denúncia e operações

A denúncia original da imposição de interesse meramente eleitoral nas 18 mil novas inscrições de junho a setembro, corrompendo os critérios de avaliação social que atestaram o ingresso dos 12 mil anteriores, não foi feita pelo MPE, mas por assistentes sociais da própria Prefeitura, revoltadas com a ingerência autocrática da proximidade da eleição. A partir dessas denúncias internas, se deram quatro operações da fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), inclusive na sede da secretaria municipal de Desenvolvimento Social e três Centros de Referência de Assistência Social (Cras).

 

 “Escandaloso esquema”

O farto material apreendido nessas operações, segundo comunicado gerado em 17 de setembro pela assessoria do MPE no Rio, “comprovou que os candidatos envolvidos no esquema tinham acesso a quantidades variadas, de acordo com sua influência política no grupo, de Cartões do Cheque Cidadão entregues pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social para distribuição em seu reduto eleitoral, entre os eleitores que se comprometessem a, em troca, favorecê-los com o voto”. Foi a mesma nota do MPE que classificou a fratura exposta do ilícito eleitoral como “escandaloso esquema”.

 

“Vale Voto”

No dia seguinte à suspensão dos novos 18 mil Cheques Cidadão que seriam trocados por voto nas urnas de amanhã, a Polícia Federal (PF) também entrou em campo, numa operação com outro nome emblemático: “Vale Voto”. No dia 23, a PF prendeu a secretária municipal de Desenvolvimento Humano, Ana Alice Alvarenga; e a coordenadora do Cheque Cidadão, Gisele Koch Soares. Ambas postas em liberdade ontem pelo juízo da 100ª ZE de Campos, após tentativas frustradas de fazê-lo nos Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Do que ambas falaram nesta uma semana, o tempo irá revelar.

 

“Loteamento da cidade”

Enquanto ouvia Ana Alice e Gisele sobre o “escandaloso esquema”, antes das duas serem soltas ontem, com a condição de não participarem de atividades eleitorais ou voltar às suas repartições, um novo passo foi dado à “Vale Voto”. Em 27 de setembro, a PF cumpriu 14 mandados de busca e apreensão, 13 em órgãos da Prefeitura de Campos e um em Uberlândia (MG) — onde fica a sede da Trivale, empresa que administra o Cheque Cidadão. E do que a PF encontrou, consta em seu inquérito: “Vislumbra-se um verdadeiro loteamento da cidade, dividindo as áreas de residência de pessoas em situação de risco entre aliados políticos, a fim de que obtenham dividendos políticos a partir da concessão de benefícios sociais”.

 

Por que não paga?

Em nenhum dos passos acima, desde a origem das denúncias nas próprias assistentes sociais da Prefeitura, passando pelas 37 Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) do MPE, pelas decisões da Justiça Eleitoral, das ações e prisões da PF, nunca esteve ninguém da oposição política de Campos. Afirmar isso, como quem na última quinta (29), no debate da InterTV, tentou atribuir a responsabilidade ao adversário que pesquisas recentes apontaram polarizado consigo à sucessão de Rosinha, não é verdade. Como bem esclareceu o juízo da 99ª ZE, quem hoje governa Campos só não paga os 12 mil cadastrados do Cheque Cidadão — por demanda social, não de voto — porque não quer.

 

Publicado hoje (01) na Folha da Manhã

 

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Justiça esclarece que Prefeitura não paga Cheque Cidadão porque não quer

As investigações do Ministério Público Eleitoral (MPE) de Campos revelaram que, na contabilidade dos 30 mil inscritos no Cheque Cidadão, haviam até junho 12 mil por reais demandas sociais.

Inscritos só de junho a setembro, sem a observância de critérios denunciada pelas próprias assistentes sociais da Prefeitura, na simples troca pelo voto que o MPE chamou de “escandaloso esquema”,  os outros 18 mil Cheques Cidadão tiveram a suspensão pedida por seis dos sete promotores eleitorais de Campos, em tutela de urgência acatada, em 22 de setembro, pelo juízo da 99ª Zona Eleitoral (ZE).

Em retaliação à decisão judicial, que não conseguiu reverter em instâncias superiores, o governo Rosinha Garotinho (PR) simplesmente decidiu suspender por conta própria todos os pagamentos do Cheque Cidadão, incluindo dos 12 mil verdadeiros merecedores do benefício social, cuja suspensão dos pagamentos nunca foram pedidos pelo MPE ou concedidos pela Justiça.

Contrária à verdade, a tática é tentar atribuir a suspensão de todos os 30 mil Cheques Cidadão à oposição, mais especificamente ao seu candidato à frente nas pesquisas: Rafael Diniz (PPS). E para tentar prejudicá-lo nas urnas do domingo, quem governa Campos suspendeu por contra própria o pagamento do benefício também das 12 mil famílias inscritas por suas reais demandas sociais, não de voto para um grupo político.

Querer culpar a oposição pela suspensão seletiva de um programa social contaminado eleitoralmente, fruto de um pedido gerado por promotores eleitorais e acatado pela Justiça Eleitoral, é mentira. Acreditar nela é investir fé na cor de abóbora da parede branca. Sobretudo, claro, quando o “daltonismo” oferta retorno pecuniário.

A verdade é que a decisão de não pagar o Cheques Cidadão à população de Campos que dele realmente necessita é única e exclusiva do governo Rosinha Garotinho (PR).

No sentido de deixar isso bem claro, o juiz da 99ª ZE, Dr. Eron Simas dos Santos, cuja decisão suspendeu apenas os 18 mil Cheques Cidadão que seriam trocados por voto, nunca os 12 mil de quem deles realmente necessita e ainda espera, enviou ofício que o blog republica abaixo:

 

Eron

 

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Após colheita de provas, Justiça de Campos liberta secretária de Rosinha

Boca zíper

 

 

Após a colheita de provas, o juízo da 100ª Zona Eleitoral de Campos expediu agora há pouco, com a aprovação do Ministério Público Eleitoral (MPE), os alvarás de soltura da secretária de Desenvolvimento Humano e Social de Campos, Ana Alice Ribeiro, e da coordenadora do Cheque Cidadão, Gisele Koch. Ambas foram presas (aqui) na última sexta-feira (23) durante a operação “Vale Voto”, da Polícia Federal (PF), que investiga a troca do Cheque Cidadão por voto, naquilo que o MPE denunciou (aqui) como um “escandaloso esquema” praticado na eleição municipal pelo governo Rosinha Garotinho (PR).

Após terem pedidos de habas corpus negados no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e arquivado antes da análise (aqui) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a liberdade concedida hoje é, no entanto, condicional: Ana Alice e Gisele não podem participar de manifestações eleitorais, nem voltar às suas repartições públicas. Agora a dúvida que fica para todos os eleitores, com motivo de apreensão sobretudo entre os rosáceos, é uma só: será que, após de uma semana de encarceramento, as duas falaram tudo que sabem?

 

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Debate da InterTV — Campos, seis homens e um destino: você, na urna

Ponto final

 

 

Rafael, Caio e Chicão

Realizado entre a noite de ontem e a madrugada de hoje, logo após a novela “Velho Chico”, se o debate da InterTV Planície fosse definir a eleição de daqui a dois dias, ela talvez não desse a nenhum dos seis candidatos a prefeito de Campos a liderança destacada que todas as pesquisas revelam estar polarizada entre Rafael Diniz (PPS) e Dr. Chicão (PR). O primeiro foi bem, é verdade, ficando na impressão geral ao lado de outro jovem: Caio Vianna (PDT). E se Chicão teve evolução desde o debate da Record, ainda mostrou dificuldades de oratória, realçadas pelos ataques vindos de todo lado, como próprio o governista chegou a se queixar.

 

Pudim, Nildo e Rogério

Quem também teve bom desempenho, mostrando sua evolução na articulação a partir das experiências como deputado estadual e federal, foi Geraldo Pudim (PMDB). Outro experiente parlamentar, mas na Câmara Municipal, Nildo Cardoso (DEM) atou seguro no seu estilo de liderança da Baixada, já bem conhecido do campista. Por sua vez, Rogério Matoso (PPL) foi, sem dúvida, o mais contundente, sobretudo nas críticas ao secretário de Governo Anthony Garotinho (PR) e seu candidato Chicão, lembrado pelo jovem ex-vereador da prisão da irmã, a ex-deputada Alcione Athayde, por denúncia de desvio no governo estadual Rosinha Garotinho.

 

Pegadinha

Um pouco antes, quem também armou uma armadilha para Chicão, que viralizou nas redes sociais, foi Nildo.  O experiente vereador perguntou o que o governista faria, se eleito prefeito, sobre uma lei complementar específica, a 140. Chicão não entendeu, caindo na mesma pegadinha da Cide, armada por Garotinho para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), num debate presidenciável de 2002. O rosáceo não soube responder, como o líder petista, mas não repetiu a advertência feita por quem seria depois dali eleito presidente: “Quem planta vento, Garotinho, colhe tempestade!”.

 

“Cavalo de Troia”

Quem também foi apertado foi Caio. Acusado lá atrás de ser um “Cavalo de Troia” do garotismo nessa eleição de 2016, Pudim lançou essa suspeita sobre o pedetista. Após assumir seu compromisso em estar no palanque de qualquer candidato da oposição num eventual segundo turno, Pudim perguntou diretamente a Caio se ele faria o mesmo. Embora, antes e depois tenha reafirmado no debate sua oposição aos Garotinho, o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PMDB) preferiu ironizar o baixo percentual de intenções de voto de Pudim. E se esquivou de responder à dúvida que seguirá com o eleitor às urnas de 2 de outubro.

 

Chicão x Rafael

Evidenciada nas pesquisas, a polarização entre Rafael e Chicão marcou também o debate. Foram no total seis os cruzamentos diretos entre ambos, de perguntas e respostas, réplicas e tréplicas. E a novidade é que, desta vez, o governista também buscou o confronto. Ainda que tenha sido nele superado na fluidez do verbo, Chicão mostrou o tom mais agressivo que parece ter sido forçado a usar para enfrentar o que revelam os números das pesquisas. Chegou, inclusive, a atribuir a Rafael a ação de seis dos sete promotores eleitorais de Campos que suspendeu 18 mil Cheques Cidadão, denunciados por uso eleitoral ilegal.

 

Apostas

Chicão teve problemas claros com o tempo previamente acordado das falas. Chegou a ser o único dos seis a ser cortado antes de chegar a repetir ao eleitor, na vitrine da Globo, o seu número 22 nas considerações finais. Mas teve tempo de procurar mostrar sua crença numa vitória ainda no primeiro turno. Rafael confia na empolgação por vezes demasiada da sua oratória para vencer em quantos turnos forem necessários. Em sua inflexão bem treinada, Caio aposta num turno final só da oposição. Enquanto Pudim, Nildo e Rogério reafirmaram seu compromisso com a alternância de poder.

 

Desafio ao coronel

Exibido após a novela marcada pelo coronel Saruê, vilão centralizador, despótico e sem nenhum limite moral à manutenção do poder, o debate teve um sétimo personagem, mencionado sobretudo nas falas da oposição. E ninguém foi mais direto do que Matoso ao confrontá-lo: “Desafio o coronel Garotinho para um debate em sua rádio, mas olho a olho, como homem”. Como na ficção da dramaturgia de Bendito Ruy Barbosa, difícil acreditar na coragem do personagem da vida real.

 

Publicado hoje (30) na Folha da Manhã

 

Feita em tempo real, confira aqui a impecável cobertura do debate no “Ponto de vista” do Christiano Abreu Barbosa

 

 

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Paula Vigneron — Memórias

Atafona, 2 de março de 2015 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Atafona, 2 de março de 2015 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Mataram minhas lembranças.

Drenaram-nas de mim a pouco custo. Barato. Por quase nada. Arrancaram sonhos, ilusões, tempestades que me eram caras. Levaram os prantos, os risos e os cantos. De todos os cantos. Sorrindo, invadiram espaços, tetos, sobrados. Sombras. Lendas e histórias. As vozes, silêncios. As vezes. Trás, frente. Das costas, os idos. Os regressos. Fatos e dados. Comeram narrativas jamais criadas. Casos não contados. Vidas não vividas. Recordações de um passado ainda desconhecido e pronto a ser desbravado.

Mataram minhas lembranças.

Tiraram de minha boca o gosto de um doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância. Era parte de mim. Metade. Uma das mais importantes construções do meu ser. Derrubaram os tijolos que me ergueram. As paredes formadas por tatos e retratos de alguém que já não sei. Quem? Ninguém. Entre outros tantos que, de mim, fizeram abrigo. Destruíram os desejos, anseios. Até os medos. Os pavores da menina que temia as noites escuras. Que não suportava os dias de sol. Que admirava o cinza do céu nublado. Gargalharam a cada face transfigurada. Desfigurada. Remodelada. De cada risada deixada na estrada. Vícios perdidos em esquinas tortas. Vias mortas. Amores, ardores.

Mataram minhas lembranças.

Apossaram-se de nomes e sobrenomes. Sem autorização. Em atos vis, mortais, infames. Imorais. Regaram mato em vez de flores. Todos secaram. Ansiaram por dominar. Ambicionaram. Sem resgates. Tomaram como suas cada parte de minha estrada. Tombaram muros, pedras, casas. Mitos. Fito-os, agora, com ares longínquos. Estranhos a mim.

Estranhos.

Mataram minhas lembranças.

E eu? O que fiz?

E eu, que sou o que fizeram de mim?

E eu?

 

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TSE arquiva pedido de habeas corpus de secretária de Rosinha presa pela PF

TSE habeas corpus

 

 

Diferente do anunciado no início da manhã pelo grupo de comunicação do secretário de Governo Anthony Garotinho (PR), o ministro Luiz Fux, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), arquivou hoje mesmo o pedido de habeas corpus da secretária de Desenvolvimento Humano e Social de Campos, Ana Alice Ribeiro. Ela foi presa (aqui) na última sexta-feira (23) durante a operação “Vale Voto”, da Polícia Federal (PF), que investiga a troca do Cheque Cidadão por voto, naquilo que o Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou e classificou (aqui) como “escandaloso esquema”.

Juridicamente, um pedido habeas corpus só é arquivado de maneira tão célere, como foi o caso, quando se trata de defeito formal, ou supressão de instância. Na verdade, em relação à secretária da prefeita Rosinha Garotinho (PR), o TSE sequer conheceu o habeas corpus, por entender que não é neste momento a instância para julgá-lo.

Além de Ana Alice, também foi presa Gisele Koch, coordenadora do programa Cheque Cidadão. Aqui, o jornalista Arnaldo Neto foi o primeiro a consertar a “barriga” — notícia inverídica no jargão jornalístico — da divulgação da concessão habeas corpus, na verdade arquivado.

 

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Contra as ameaças eleitoral e da lei, estratégia rosácea é tudo ou nada

Ponto final

 

 

Suposto acordo

Tenham ou não feito o acordo por baixo dos panos que tanto se especulou nesta semana, o colamento das candidaturas de Dr. Chicão (PR) e Caio Vianna (PDT) passou a ser encarado como fato por muita gente. Se existe, pelo menos politicamente, pode ser péssimo para Caio, que se arrisca a macular ainda no berço uma carreira política promissora. Mas, na outra ponta do suposto acordo, seria encarado como última tentativa de quem ainda ambiciona eleger Chicão prefeito de Campos no primeiro turno.

 

A estratégia

A estratégia é relativamente simples: desidratar uma candidatura em terceiro lugar, patinando há meses numa dezena pontos percentuais de intenções de voto, distante dos dois nomes que polarizaram a eleição (Rafael Diniz e Chicão), mas à frente das outras três que parecem não ter decolado (Nildo Cardoso, Geraldo Pudim e Rogério Matoso). Sem outra candidatura relevante nas urnas de daqui a três dias, a partir de um esvaziamento de Caio, as duas que lideram aumentariam consequentemente as chances de definir a fatura no primeiro turno.

 

O risco

O problema reside no fato de que, utilizada para tentar dar a vitória antecipada a Chicão, sem necessidade do turno extra de 30 de outubro, a manobra pode se converter num tiro pela culatra, num triunfo consagrador de Rafael. Mas o temor do segundo turno entre os garotistas é tanto que já se admite: se Chicão não colocar 20 mil votos em 2 de outubro à frente de Rafael, as urnas suplementares de 28 dias depois seriam formalidade para passar o poder, após 28 anos, ao jovem neto de quem Anthony Garotinho destronou num hoje distante 1989.

 

Modus operandi

Para quem conhece o modus operandi do secretário municipal de Governo e principal cabo eleitoral de Chicão, não é novidade o emprego dessa tática extrema e arriscada quando acuado. Foi assim, por exemplo, na sua até hoje satirizada greve de fome de 11 dias. Era maio de 2006, quando Garotinho resolveu imitar Mahatma Ghandi (1869/1948) — com o perdão a todos os deuses hinduístas — para protestar contra o noticiário de doações irregulares da sua pré-campanha presidencial pelo PMDB. Ele não foi até o fim na greve de fome, como pediram os gaiatos, e sua candidatura a presidente jamais decolou.

 

Ameaça e “ameaça”

Agora, somada à ameaça eleitoral de Rafael, cuja candidatura se tornou uma onda espraiada muito além da “pedra”, os rosáceos enfrentam a “ameaça” do cumprimento da lei pela Justiça Eleitoral, Ministério Público Eleitoral (MPE) e Polícia Federal (PF) de uma cidade e um país que, depois da Lava Jato, não admitem mais determinados tipos de prática. Assim, o “escandaloso esquema” da troca de Cheque Cidadão por voto, denunciado pelo MPE com tutela de urgência acolhida e mantida pela Justiça, se estendeu também ao inquérito da PF — cujo delegado elogiado por Garotinho pela operação “Machadada”, na eleição municipal sanjoanense de 2012, aparentemente teve seu sigilo telefônico devassado publicamente num blog.

 

A decisão

Difícil dimensionar onde tudo isso vai acabar. Por enquanto, a estratégia governista à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) foi assim definida no inquérito da PF: “Vislumbra-se um verdadeiro loteamento da cidade, dividindo as áreas de residência de pessoas em situação de risco entre aliados políticos, a fim de que obtenham dividendos políticos a partir da concessão de benefícios sociais”. Por sorte, leitor, a decisão final será sua: na urna de domingo. E ninguém mais tem nada a ver com isso.

 

Publicado hoje (29) na Folha da Manhã

 

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Volta do “Fala, Garotinho”: “Dr. Paulo Cassiano, a mão de Deus é poderosa”

fala garotinho

 

 

Aqui, o blogueiro Ralfe Reis, sempre à frente na cobertura governista da eleição, foi o primeiro a divulgar a manifestação de vitória do secretário de Governo Anthony Garotinho (PR) sobre o fato da rádio do seu grupo de comunicação ter voltado ao ar, em decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sobre o juízo da 75ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos.

Sobre a volta do “Fala, Garotinho”, confira Garotinho aqui.

 

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Das pesquisas às coincidências — Dias sem cor de rosa aos rosáceos

Ponto final

 

 

 

Rosáceos sem dias cor de rosa

Depois do domingo e segunda com a divulgação de três pesquisas de institutos diferentes — Pro4, Città e Paraná — apontando a liderança do oposicionista Rafael Diniz (PPS) nas intenções de voto no primeiro turno, com a menor rejeição entre todos os seis candidatos a prefeito de Campos e o favoritismo em todas as projeções de um segundo turno mais inevitável a cada dia, nestes quatro que nos separam das urnas do primeiro, o dia de ontem também não amanheceu, nem se pôs rosa aos rosáceos.

 

PF em Campos e Uberlândia

Em relação ao “escandaloso esquema” denunciado por seis dos sete promotores eleitorais de Campos, dando conta da troca de Cheque Cidadão por voto na eleição municipal, que já havia sido condenada e suspensa pelo mesmo motivo no pleito goitacá de 2004, ontem as investigações se aprofundaram em mais uma etapa da operação “Vale Voto”, da Polícia Federal (PF). Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, 13 em órgãos da Prefeitura de Campos e um em Uberlândia (MG) — coincidência, ou não, é onde fica a sede da empresa Trivale, responsável por administrar o Cheque Cidadão.

 

Prisão prorrogada

Do plano eleitoral, ao policial, ao jurídico, também ontem o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) negou os pedidos de habeas corpus da secretária de Desenvolvimento Humano e Social de Campos,  Alice Alvarenga, e de Gisele Koch Soares, coordenadora do Cheque Cidadão. Não apenas negou, como prorrogou por mais cinco dias as prisões temporárias das duas servidoras rosáceas. Neste caso, adiantou pouco que os pedidos de soltura tenham sido assinados pelo mesmo escritório que, em nome dos Garotinho, também tem perdido algumas representações eleitorais em Campos.

 

Fora do ar

Para completar o inferno astral rosáceo nesta reta final eleitoral, a rádio do grupo de comunicação do secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR), criada para ampliar o alcance da sua metralhadora giratória verbal, foi mais uma vez tirada do ar, pelo juízo da 75ª Zona Eleitoral de Campos. Por conta dos conhecidos abusos verborrágicos contra quaisquer decisões judiciais e ações policiais desfavoráveis aos interesses rosáceos, a rádio já tinha sido tirada do ar nos últimos sábado e domingo. Voltou na segunda, se prestou a ecoar novamente a bílis do seu mandatário e ontem foi condenada a ficar fora do ar até o domingo da eleição.

 

Mais três dentro

Ontem também foi dia de mais três candidatos a vereador rosáceos serem incluídos como alvos de novas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) pelo Ministério Público Eleitoral, naquilo que chamou de  “escandaloso esquema”. Assim, Thiago Godoy (PR), Altamir Bárbara (SD) e André Ricardo (PRP) engrosssaram as, até agora, 37 ações contra candidatos a vereador governistas, pela denúncia do uso eleitoral ilícito do Cheque Cidadão.

 

Dobrada de ausências

Para completar o dia de ontem, quem nele ficou de fora não de uma lista indesejada, mas do debate na Uenf que se desejaria ver entre os seis candidatos a prefeito de Campos, foram Caio Vianna (PDT) e Dr. Chicão (PR). Na dobrada de ausências tão comentada nas redes sociais, Chicão alegou problemas vocais. Caio, por sua vez, problemas de agenda. A primeira alegação, na exigência verbal da campanha, pode ocorrer. Agora, posto que o Fórum Interinstitucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc) confirmou o debate de ontem desde o último dia 5, 22 dias antes, como ficaria essa agenda do jovem pedetista se ele fosse eleito?

 

Coincidência?

De qualquer maneira, o tempo que não teve para o debate, Caio achou depois dele, ainda na noite de ontem. Nas redes sociais disse ser oposição ao governo Rosinha e centrou fogo sobre o nome da oposição que as pesquisas mostram ser mais viável nas urnas contra o garotismo. Coincidência ou não, também na noite de ontem, um Garotinho sem rádio usou seu blog para fazer o mesmo contra a Justiça Eleitoral e a PF de Campos. Atacou também a Folha e depois enalteceu o comício da noite de segunda de Chicão, noticiado na capa de ontem deste jornal, que não mereceu uma mísera linha no jornal do seu grupo de comunicação.

 

Publicado hoje (28) na Folha da Manhã

 

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