Num domingo de plantão em Campos dos Goytacazes

Se trabalhar numa redação de jornal é para muita gente uma coisa uma coisa meio mágica, na ebulição de gestos e vozes entre todos produzindo e trocando informações, ao mesmo tempo, sobre os fatos da cidade, da região, do estado, do Brasil e do mundo, esse clima de mercado persa tem também sua versão mais intimista. Se dá nos feriados e finais de semana, onde a equipe é reduzida e se revelam os grandes vazios daqueles grandes espaços abertos e coletivos das redações.

Trabalhei no Jornal do Brasil, em meados dos anos 1990, na sua antiga e imensa sede no prédio da Av. Brasil nº 500, em frente ao Cais do Porto, às margens da Baía de Guanabara. Um plantão ali, isolado em meio àquele bando de mesas, cadeiras e computadores abandonados de gente, lembrava cenas de um filme pós-apocalíptico.

Numa redação média como a da Folha, mesmo sendo a maior de Campos em espaço e número de profissionais, o contraste dos plantões não chega a ser tão fantasmagórico. Ao contrário, com menos gente, as pessoas tendem a se aproximar e a contar mais umas com as outras, reforçando a essência do jornalismo: o trabalho coletivo.

Pois ontem, ocupando a função de editor geral à frente de uma equipe que geralmente não é a que me cabe nos plantões, esse sentido de coletividade fluiu de maneira tão natural e produtiva, que me senti impelido a fazer aqui o registro.

Encarregado da edição das páginas internas, trocando ideia com o jornalista Mário Sérgio Junior sobre o que de mais forte tínhamos de factual, ele me disse que juntaria os cinco feridos à bala em Campos no domingo, entre eles um médico atingido na nuca enquanto guiava seu HR-V emplacado no Espírito Santo, com um morador de rua morto também a tiros, na av. XV de Novembro, à luz do dia e em pleno Centro da cidade, embaixo da ponte Leonel Brizola, no local popularmente batizado de “Sovaco da Rosinha”.

No contraste do médico e o morador de rua como alvos indistintos da mesma barbárie, Mário me disse que estava pensando sua manchete interna, alertando à generalização da violência em Campos. E fiquei com aquela sugestão de paradoxo na cabeça

Diante de tantas ocorrências policiais, estávamos espremidos de espaço nas páginas do primeiro caderno para noticiar a feliz iniciativa do “Dia do Lazer”, no qual o entorno da Praça do Liceu foi fechado no domingo para atividades recreativas, ao ar livre, de crianças, adolescentes e suas famílias. Como o assunto tinha “pegada” mais leve, argumentei com a jornalista Paula Vigneron, que já tinha redigido e editado na capa da Folha Dois uma outra matéria atemporal, para aproveitar em seu lugar a reportagem factual do “Dia do Lazer”.

Se ela gostou da ideia, tanto mais o jornalista Jhonattan Reis, que havia feito tanto o evento no Liceu, quanto a cobertura dos seis baleados naquele mesmo dia, entre eles o médico ferido e o morador de rua executado. Após coordenar essas ações, passei a ligar a minhas fontes para apurar e produzir o “Ponto Final”. Equilibrado pelas novidades mais leves da ExpoAgro nas notas finais feitas pela jornalista Channa Vieira, produzia o resto da coluna de opinião no sentido de me ofertar uma alternativa de manchete política, caso o dia fosse fraco de acontecimentos.

Concluído o “Ponto Final”, dei nele uma última olhada com a foto do velho Barbosa no cabeçalho, antes de partir ao momento que sempre julgo mais prazeroso na edição da capa: escolher as fotos do dia.

Com o casal brasileiro José Aldo e Amanda Nunes conquistando cinturões de campeões mundiais no UFC, na madrugada de domingo, além da inédita conquista de Portugal na Euro, na tarde do mesmo dia, mesmo após Cristiano Ronaldo sair contundido da final contra a França, tínhamos expressivas opções de imagens internacionais.

Todavia, ao conferir a produção local dos repórteres-fotográficos Tércio Teixeira, na cobertura do “Dia do Lazer”, com crianças brincando tanto com a bola redonda das peladas, quanto com a oval do futebol americano, mais a do Rodrigo Silveira, também editor de fotografia, retratando com sutiliza a tragédia da violência urbana de Campos, sobretudo na foto do morador de rua executado, num ângulo baixo sob o fundo do carro que revela apenas as pernas horizontais do morto e dos vivos em pé ao redor, a ideia dada lá atrás pelo Mário foi se ampliando.

Assim, quando fui editar a capa junto ao designer gráfico João Vitor Marques, com sua ajuda, aquilo que já vinha se desenhando na minha cabeça, mediante tantas trocas, ganhou vida própria na capa de hoje da Folha, no eco dos versos da música “Brasis”, de Seu Jorge, Gabriel Moura e Jovi Joviniano:

 

“Tem um Brasil que é próspero
outro não muda
Um Brasil que investe
outro que suga
um de sunga
outro de gravata
tem um que faz amor
e tem o outro que mata”

 

Na certeza de que jornalismo é trabalho coletivo, ou não é nada, ficam aqui meus agradecimentos sinceros ao Mário, ao Jhonattan, a Paula, a Channa, ao Tércio, ao Rodrigo, ao João Vitor e ao prestador de serviço Diego Silva, que também aprovou, como os demais, a cara dada ao corpo do esforço e da criatividade de todos.

Abaixo, para eles e sobretudo a você, leitor, o vídeo da música e a capa que ela ecoou sobre novos fatos da velha antítese humana, um domingo de plantão em Campos dos Goytacazes:

 

 

 

 

Capa da Folha de 11/07/16
Capa da Folha de 11/07/16

 

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Paulo Hirano a prefeito, Mauro Silva a vice, mas e Dr. Chicão?

Ponto final

 

 

Hirano a prefeito

A valer o documento, revelado (aqui) neste “Ponto Final”, que define como um vereador pré-candidato a prefeito do PR o nome governista à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), resta pouca ou nenhuma dúvida (aqui) de que a bola da vez é Paulo Hirano. Ontem, numa pajelança na casa do vereador Mauro Silva (PSDB) para atender aos demais edis da base, o secretário de governo e prefeito de fato, Anthony Garotinho (PR), quando indagado sobre a definição da chapa, disse que iria fazê-lo até 23 de julho, no segundo sábado daqui em diante.

 

Barbante pocou

Apelidado carinhosamente de “Iô-iô” pelos colegas de Câmara, bem verdade que, só para constar, existe outro vereador do PR pré-candidato a prefeito. Mas devido à sua falta de medida na contratação desenfreada de RPAs — com potencial análogo ao que, em 2005, levou à cassação do prefeito Carlos Alberto Campista, já após eleito e empossado — e pelo desastrado vazamento de um áudio sobre o tal documento nas redes sociais, o barbante do “Iô-iô”, num neologismo tipicamente campista, pocou de vez. E nem Garotinho, nem Rosinha, parecem dispostos a emendar.

 

Mauro a vice

Emblemático, no último sábado, no aniversário do secretário de Saúde Geraldo Venâncio, a mesa composta pelos vereadores governistas Hirano, Mauro Silva (PSDB) e Thiago Virgílio (PTC). Este, que gostava de brincar de “Iô-iô”, parece já ter percebido que Hirano é o nome para se ficar ao lado na hora de falar sério. E o fato de Mauro e Hirano estarem e se fazerem ver tão próximos, reforça o que esta coluna tem afirmado (aqui) há algum tempo: até pelo generoso tempo de propaganda eleitoral em rádio e TV do PSDB, o líder de Rosinha na Câmara Municipal caminha a passos largos para ser o vice na chapa governista.

 

Rafael e Gil

Quem também apareceu no aniversário de Geraldo Venâncio foi o vereador e pré-candidato a prefeito de oposição Rafael Diniz (PPS). Ele chegou a tempo de cumprimentar o aniversariante e seus prováveis adversários no pleito de outubro. Só falta agora arrumar seu vice, após esta coluna ter revelado (aqui) que o vereador Gil Vianna (PSB) está bem perto para compor a chapa com outro pré-candidato a prefeito: Caio Vianna (PDT). E fontes governistas ainda deram conta que o deputado federal Hugo Leal (PSB) ligou a Garotinho, na última sexta, para também oferecer-lhe Gil como vice, o que o marido secretário de Rosinha teria recusado.

 

E Chicão?

Depois que Rafael, Hirano, Mauro e Thiago já tinham saído, quem chegou ao aniversário de Geraldo, acompanhado dos irmãos, foi o vice-prefeito Dr. Chicão Oliveira (PR). Pré-candidato governista bem à frente dos demais em intenções de voto — como a pesquisa Pro4 deixou bem evidenciado aqui e aqui —, Chicão foi o principal prejudicado com esse documento dos vereadores, engendrado debaixo dos panos por seu próprio primo Garotinho. Considerado, não sem razão, um gentleman, diante da possibilidade de ser preterido por alguém com menos densidade eleitoral, o vice-prefeito filosofou: “De repente o objetivo pode ser perder. Mas Deus sabe de todas as coisas!”

 

Thiaguinho aqueceu

O primeiro fim de semana da 57º Exposição Agropecuária e Industrial do Norte Fluminense superou a expectativa de quem esteve pela feira agropecuária. Nos quatro dias de festa, a multidão tomou conta do Parque de Exposições e do campo principal durante os shows. No sábado, dia mais prestigiado do evento, nem o frio impediu que o público dançasse o famoso “pagodinho” ao som do cantor Thiaguinho. O agito continuou após as apresentações, já que no lugar existe um variado número de bares e boates, dando possibilidade de uma esticada na noite.

 

Anitta fecha ExpoAgro

A segunda semana da 57º ExpoAgro promete superar o sucesso dos primeiros dias. Com uma programação diversificada, a ideia é atrair todos os tipos de público para o evento. Na próxima quinta-feira (14), o pop rock do grupo Jota Quest esquenta a noite. Na sexta-feira, a dupla sertaneja João Bosco e Vinícius, especialmente para a turma do chapéu. Já no sábado, o grupo Biquini Cavadão canta seus mais de 30 anos de carreira. Para fechar os dez dias de festa, a cantora Anitta apresenta o “Show das Poderosas”.

 

Com a colaboração da jornalista Channa Vieira

 

Publicado na edição de hoje (11) da Folha da Manhã

 

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Artigo do domingo — E você, quer vencer?

 

Arte da guerra

 

Em conversas francas e reservadas, não há governista que não admita: a eleição para prefeito de Campos será difícil ao governo. Mesmo que a máquina municipal saia da condição natural de favoritismo, afinal, só perdeu duas eleições nos últimos 30 anos, o quadro falimentar da Prefeitura só pode ser curado pelos R$ 367 milhões da terceira “venda do futuro” do município, a ser paga até 2026, como um band aid faria sobre a fratura exposta de um ser humano amontoado num dos corredores diariamente superlotados do hospitais Ferreira Machado (HFM) e Geral de Guarus (HGG).

Se alguém tem dúvida que Anthony Garotinho (PR) é o prefeito de fato de Campos, se baseia na mesma certeza de que, por direito, a Justiça seja capaz de fazer alguma coisa contra a usurpação marital do direito de governar delegado duas vezes pelo povo a Rosinha Garotinho (PR). Grandes guerreiros da Antiguidade, os espartanos — mais famosos pelo filme “300” do que pelo livro “História” de Heródoto (484/425 a.C.) — pregavam que não se deve empreender muitas campanhas contra um mesmo adversário, porque este, mesmo nas derrotas, apreende as técnicas e táticas que acabarão igualando-os em campo de batalha.

Foi assim que, após vencer em sequência o Império Persa e depois sua ex-aliada Atenas, berço da democracia, Esparta acabaria derrotada pela Tebas de Epaminondas.

Mesmo para quem assiste ao campo de batalha sem dele participar, com a função meramente “herodotiana” de narrar seus acontecimentos, não tem sido difícil marcar os movimentos de Garotinho. Leitor aplicado dos clássicos “A arte da guerra”, do chinês Zun Tzu (544/496 a.C.), e de “O príncipe”, do florentino Nicolau Maquiavel (1469/1527), o senhor de 56 anos ainda é capaz de alguns lances brilhantes, como de usar o poder comercial da Prefeitura sobre a direção da TV Record, para colar sua imagem (aqui e aqui) sobre a do vereador “independente” Tadeu Tô Contigo (PRB), pré-candidato a prefeito que mais tira votos do garotismo.

Todavia, todos os movimentos rumo à definição da candidatura governista, pendendo-a primeiro (aqui) para o vice-prefeito Dr. Chicão (PR), depois forjando o João Bobo em direção (aqui) ao vereador Paulo Hirano, foram facilmente antecipados e divulgados (aqui, aqui e aqui) pela editoria de Política, blogs e a coluna “Ponto Final”, da Folha da Manhã. E a confirmar sua opção por Hirano, médico ligado por estreitos laços de amizade, família e negócio a um dos maiores empresários da cidade, Garotinho reforça por tabela a impressão de que o maior problema da Prefeitura de Campos, hoje e possivelmente por muitos amanhãs, é dinheiro.

Descobrir para onde foi todo esse dinheiro (público) e para onde irá a partir de 1º de janeiro de 2017, ano em que nada indica que a recessão econômica brasileira vá melhorar, sobretudo em Campos, deveria talvez ser o principal questionamento de quem hoje elege como prioridades áreas aparentemente abandonadas, como Saúde, Educação, Transporte e Infraestrutura. Trocar isso, junto com o voto, por R$ 200 no bolso dia da eleição, é ser burro o bastante para não aprender com seu próprio inimigo.

Ainda antes de Heródoto, Sun Tzu ensinou a generais e soldados: “A primeira coisa para quem quer vencer é sair da posição em que se pode perder”.

 

Publicado hoje (10) na Folha da Manhã

 

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Atrás de Gil e do PT, Caio pode forçar aliança entre Rafael e Tô Contigo

Ponto final

 

 

Caio confirma costura com PSB

Ainda sem saber da resposta com jeito de “dá, ou desço” do deputado estadual João Peixoto (PSDC), publicada (aqui) na matéria da página 2 desta edição, o pré-candidato pedetista a prefeito de Campos, Caio Vianna, respondeu com muita tranquilidade sobre as costuras que tem cerzido para vestir sua campanha. O filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN) admitiu as negociações (aqui) com o PSB, cuja aliança foi dada como certa ontem por um integrante da executiva estadual socialista — desde que seu vereador Gil Vianna seja o vice na chapa encabeçada pelo PDT, como esta coluna revelou ontem (aqui) com exclusividade.

 

O reforço é Romário

Ao falar ontem à Folha, Caio buscou contemporizar: “Essa condição não é apenas de Gil, nem de João, nem de Caio, mas também da importância que senador Romário (PSB) trará a qualquer campanha num estado em que foi mais votado que o governador eleito (Luiz Fernando Pezão)”. O raciocínio não parece incorreto, se lembrado que, mesmo sem nenhuma estrutura, Romário teve quase 107 mil votos dos campistas em 2014, impressionantes 48,96% dos votos válidos do município para senador.

 

Adoçando João

O discurso apaziguador, mesmo antes de conhecer a resposta dura de João, ameaçando correr contra Caio a prefeito, se este o preterir por Gil na chapa, também se destinou ao parlamentar do PSDC: “É plausível que ele pleiteie ser o que quiser em Campos. Qualquer um com cinco mandatos de deputado estadual ganhou do eleitor esse direito. João é importantíssimo no cenário. E tenho certeza que continuará sendo, como candidato a prefeito, a vice ou mantendo seu trabalho na Alerj, onde é o representante mais ativo de Campos e da região”.

 

Sabatinas do PT

Ontem, antes de falar com a Folha, Caio foi sabatinado pela executiva municipal do PT. Uma semana antes, tinha sido a vez do vereador e também pré-candidato a prefeito Rafael Diniz (PPS). Ambos querem o apoio do partido, importante (aqui) pelo tempo de propaganda eleitoral, apesar do grande desgaste junto ao eleitor. Com a pré-candidatura própria sem chance real de Hélio Anomal, o PT entre a disputa de Caio e Rafael sugere vantagem partidária ao primeiro, já que o PDT é um dos poucos aliados que restou à legenda da presidente afastada Dilma Rousseff, enquanto o PPS esteve sempre à vanguarda do seu pedido de impeachment.

 

Coragem ou inexperiência?

Pelas costuras que tem conseguido nos níveis municipal, estadual e federal, quem encarava Caio só como filho de alguém, talvez devesse zerar a conta e abrir uma nova. Enquanto, por exemplo, os governistas se digladiam (aqui) para saber quem será o cabeça de chapa na sucessão de Rosinha, a briga, em relação ao jovem pedetista, parece ser para saber quem será seu vice. Em contrapartida, ao ficar perto de tirar Gil Vianna (e Romário) da chapa de Rafael, Caio pode gerar consequências imprevisíveis. Pode ser coragem, mas também inexperiência, afunilar tanto o jogo ao ponto de forçar uma aliança entre Rafael e o vereador Tadeu Tô Contigo (PRB).

 

Publicado hoje (10) na Folha da Manhã

 

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Se Caio preteri-lo por Gil para vice, João diz que sai sozinho a prefeito

Deputado João Peixoto (foto: Folha da Manhã)
Deputado João Peixoto (foto: Folha da Manhã)

 

 

“Não vou atrapalhar Caio (PDT) e Gil Vianna (PSB). Se for bom para os dois formarem uma dobradinha, que assim seja. Só que, então, eu serei candidato a prefeito de Campos. Não tenho como recuar mais”. Foi o que o deputado estadual João Peixoto (PSDC) afirmou à reportagem da Folha, após saber do acordo costurado entre os diretórios estaduais do PDT e PSB para formar uma chapa com Caio Vianna candidato a prefeito com o vereador Gil de vice — como foi revelado (aqui) na sexta pelo blog Opiniões, hospedado na Folha Online, e ontem (aqui) na coluna “Ponto Final”.

Como a coluna também lembrou ontem, embora não fosse segredo para ninguém que acompanha os bastidores da política goitacá, havia um acordo prévio entre João e Caio para que quem ficasse atrás nas pesquisas fosse vice do outro. E na última pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob número 00696/2016, feita pelo instituto Pro4 entre 8 e 10 de junho, ouvindo 620 pessoas nas sete zonas eleitorais do município, ecomendada e divulgada (aqui, aqui e aqui) pela Folha, o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna ficou bem na frente do deputado estadual.

Na consulta espontânea do Pro4, Caio ficou com 4,4%, contra 1,3% de João. Já em cenário estimulado, com o vice-prefeito Dr. Chicão (8,4%) como candidato do PR, o pedetista bateu 15,2%, contra 5,6% do parlamentar do PSDC. Essa ampla vantagem foi só um pouco reduzida, de 15,5% a 6,3% pró-Caio, quando o candidato do PR apresentado na consulta foi o vereador Paulo Hirano — que apesar do pífio 1,1% nas intenções de voto, tudo indica, será mesmo o nome governista à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR). Não bastasse, também na rejeição, os números foram piores para Peixoto, em quem 6,9% dos campistas não votariam de jeito nenhum, número reduzido para 4,8%, quando se trata do filho de Arnaldo.

Ocorre que, à parte as pesquisas e os acordos firmados nos seus números, um integrante da executiva estadual do PSB, partido de Gil, que por enquanto preferiu não se identificar, garantiu na sexta pelo telefone, ao lado do senador Romário de Souza Faria: “Se o vice na chapa de Caio Vianna (PDT) for Gil Vianna (PSB) o acordo está feito. Não é nem nome de dupla, mas de uma só candidatura a prefeito de Campos: Caio Gil Vianna”. O dirigente do PSB confirmou os contatos há uma semana com seus pares do PDT, tendo à frente o ex-ministro do Trabalho Brizola Neto, sobre a aliança entre os dois partidos na eleição a prefeito de Campos.

— Não vou jogar a toalha. Se Arnaldo pudesse ser candidato, eu o apoiaria, como sempre fiz. Como ele não pode, fiz o acordo com o filho dele. Sou deputado estadual eleito cinco vezes. Não posso ser cabo eleitoral de uma chapa da qual fui dispensado, até porque, nessa mesma pesquisa do Pro4, eu fiquei na frente de Gil na espontânea (1,3% a 1,1%) e nas estimuladas (5,6% a 3,4%, com Chicão; e 6,3% a 4,0%, com Hirano). Se não puder compor chapa com Caio, não tem problema: concorremos separados. E que o eleitor decida. Só espero que, com tanta divisão na oposição, o governo não leve essa eleição no primeiro turno — advertiu Peixoto.

 

Página 2 da edição de hoje (10) da Folha
Página 2 da edição de hoje (10) da Folha

 

Publicado hoje (10) na Folha da Manhã

 

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Folha rastreou há três meses a munição contra Garotinho na Lava Jato

Como o jornalista Alexandre Bastos foi o primeiro a divulgar aqui, na blogosfera goitacá, a também jornalista Vera Magalhães, da coluna “Radar Online”, da revista Veja, revelou hoje (aqui) que o ex-presidente da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, pode ter munição pesada contra o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR).

Para quem não se lembra, foi na residência de Benedicto que a Polícia Federal (PF) apreendeu (aqui), em 22 de fevereiro, na 23ª fase da Operação Lava Jato, as hoje famosas planilhas com nomes de mais de 300 políticos, de 22 partidos, que recebiam doações da Odebrecht — incluindo Garotinho (aqui), sua mulher, a prefeita Rosinha Garotinho (aqui), e filha e deputada federal Clarissa Garotinho (aqui).

No inquérito assinado pelo delegado federal Filipe Hille Pace, fica claro (aqui) o papel de Benedicto como elo de ligação do dinheiro que circula entre a Odebrecht e os políticos:

— É possível verificar que Benedicto é pessoa acionada por Marcelo (Bahia Odebrecht) para tratar de assuntos referentes ao meio político, inclusive a obtenção de apoio financeiro — disse o delegado da Lava Jato.

Após fazer companhia ao chefe Marcelo, preso desde 19 de junho de 2015 na carceragem da PF em Curitiba, e condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 19 anos e 14 meses de prisão, Benedicto foi solto em 26 de fevereiro, ao término dos cinco dias da prisão temporária, com a condição de não deixar o país ou mudar de endereço.

Hoje, Vera revelou que, mesmo tendo Benedicto sido igualmente flagrado nas constrangedoras fotos do então governador Sérgio Cabral (PMDB) em Paris, no episódio que popularizou como “Gangue dos Guardanapos”, Garotinho nunca ousou publicar a imagem de Benedicto.

O que a jornalista da Veja não divulgou é que foi também Benedicto quem assinou com Rosinha o contrato da primeira etapa do programa “Morar Feliz”, em 1º de outubro de 2009, para a construção de 5,1 mil casas, no valor total de R$ 357,4 milhões — numa licitação cujo resultado favorável a Odebrecht foi antecipado (aqui) pela coluna “Ponto final”, da Folha, em quase quatro meses.

Abaixo, os prints das revelações feitas hoje por Vera, bem como aquelas feitas sobre o mesmo assunto, por este blog e a Folha, em matéria publicada aqui, há mais de três meses:

 

Revelação de Vera Magalhãs, feita hoje, 09/07/16 (reprodução)
Revelação da Veja, feita hoje, 09/07/16 (reprodução)

 

 

Revelação da Folha, feita em 03/04/16, há mais de três meses (reprodução)
Revelação da Folha, feita em 03/04/16, há mais de três meses (reprodução)

 

 

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Fabio Bottrel — Pelos olhos de quem viu de fora a vossa grandeza

Apresentação de “Pontal” no Festival Doces Palavras, noite de 27 de setembro de 2015 (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Apresentação de “Pontal” no Festival Doces Palavras, noite de 27 de setembro de 2015 (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

Ano passado eu não sabia que teria os grandes amigos de hoje, ainda era um forasteiro conhecendo a terra que sou grato a cada grão de areia, Campos dos Goytacazes. Nessa imensa planície decidi recomeçar a vida logo após a partida de meu pai, tão próximo daqui ele já previra, Campos cuidaria muito melhor de mim do que o Rio, para onde eu não retornei. Desde os primeiros passosnesse solo eu me transformei, aprendi tanta coisa em tão pouco tempo, não só intelectuais, mas emocionais. Vi o lançamento do meu livro de casa cheia, meu trabalho sair em jornal e ser publicado aqui, neste blog, coisa que eu batalhei tanto e até então sonhava… e por isso, a cada um que estiver lendo, meu coração abraça e presta homenagem, obrigado. Além disso, aprendi o valor de amizades tão fortes transcendendo para serem família, percebi também que o sucesso pode incomodar algumas pessoas e me decepcionei também, tudo isso em tão pouco tempo!

Enquanto lia A Jornada do Escritor de Christopher Vogler  — já li tantas vezes que perdi a conta — imaginava como seria uma das etapas da jornada do herói na minha vida, a etapa em que o protagonista vai ao mundo especial e lá adentra um centro onde fará aliados e inimigos que o ajudarão e impedirão de conquistar seu objetivo. O autor cita como exemplo os salões nos faroestes, onde o forasteiro já descobre seus aliados e a força contraria geralmente ao arrumar uma encrenca. Adaptando esse modelo na minha vida, não tenho dúvida de que o meu salão foi o Festival Doces Palavras, onde me inseri no meio cultural campista e foi o início não só das grandes amizades que tenho hoje, mas também da minha escrita de contos e crônicas, antes havia escrito para teatro, cinema e romances. Tudo começou com essa crônica poética abaixo, havia me encantado tanto com o festival e aproveitado cada segundo que minha gratidão através da escrita é o mínimo a oferecer, e pela primeira vez escrevi bem tímido esse gênero textual, todo envergonhado de mostrar a alguém. Mas tomei coragem e publiquei no Facebook, lembro da ansiedade até hoje, atualizava a página a cada segundo, e quando vi a grande repercussão positiva entrei em estado de êxtase, não parei de escrever esse tipo de texto, todas as entrevistas, palestras ou evento que me convidavam eu escrevia como havia feito. Até chegar aqui, onde você me lê, e como vês, continuo escrevendo.

Então gostaria de te mostrar o início de tudo, esse texto tem um significado especial, pois foi o primeiro na terra que pulsa minha poesia, minha vida. Fiz assim que o festival terminou e o Tango ao meu lado nem levantava de tanto que aproveitou. Os relatos são verídicos, atendi um telefonema de um amigo do Rio ansioso para saber as notícias na cidade em que eu estava e se assustou quando o agradeci por ter me acordado, pois estava louco para correr escutar as poesias e comer os doces enquanto escutava as histórias locais e me encantava cada vez mais. Também no meio do festival, lembro do lugar em que eu estava, bem próximo do centro da Praça do Liceu, quando baixinho pedi desculpas a Campos se a minha presença não fosse digna de sua grandeza.

 

A todos que encheram o meu peito de amor, o meu mais sincero sorriso e abraço.

Fabio Bottrel

 

 

Festival Doces Palavras

29/09/2015

 

— Aonde vais?

— Vou passear com o Tango, comer doces e escutar poesia.

Era o que dizia, assim que acordava, para quem perguntava, com sorriso na cara, pois era Festival Doces Palavras.

Durante quatro dias desejei ser dois, três ou quatro, para estar ao mesmo tempo nas oficinas, shows ou no teatro. Lavei minha alma antes do meu corpo, quando corria com esforço para casa, umedecer a fotossíntese da pele e voltar, ainda havia o que dançar, pois ali, todos escutavam a música.

Na manhã seguinte vi o barro virar gente, bem na minha frente. Vi uma mulher deixar de ser pele para ser poesia, e me dei rios de alegria. Escutei o timbre doce nos olhos dos meus amigos, são minha família.

E lá na, lua, ali, do ladinho do Bar Doce Bar, meus lábios, olhos e ouvidos abraçados com a poesia mais bonita. Não havia mais ninguém, todos estavam imersos nas peças, shows e poemas enquanto a fogueira do Pontal queimava. Naquela noite minh’alma se perdeu no seu sorriso, caso a encontre, peça, por favor, para que ela se perca novamente.

Encontrei-me com a dedicação incansável dos organizadores, ao se, ver, e não se encantar, é coisa de gente que gosta de resmungar. Fui para o samba sambar, coisa de sampa-rio, de tanta gente que tinha.

A praça foi palco do abraço entre reis da távola redonda e mouros, foi tanta beleza, que pedi desculpas a Campos se minha presença não for digna de sua grandeza.

Ao fim da noite, quando a última palavra doce foi pronunciada, adeus, não havia mais corpo, a alma não estava em mim, e já não tinha mais para onde ir.

 

 

 

Sugestão para assistir depois de ler: Natalie Merchant no TED.

Natalie no meio do ninho de pensadores canta KindandGenerous em agradecimento.

 

 

“Oh, La li la li lalala

La li lala li lalalalalala

La li lalala

La li lalalala

La li lalalalalala

La lala li lalalalala

 

Vocês têm sido tão carinhosos

E generosos

Eu não sei como vocês continuam doando-se

E por sua gentileza

Eu estou em dívida com vocês

E por seu altruísmo

Minha admiração

E por tudo o que fizeram

Você sabe que estou muito dedicado

Estou dedicado a agradecer por isso

 

La li la li lalala

La li lala li lalalalalala

La li lalala

La li lalalala

La li lalalalalala

La lala li lalalalala

 

Obrigado!

Vocês têm sido tão gentis e generosos

Eu não sei como vocês continuam doando-se

E por sua gentileza

Eu estou em dívida com vocês

E eu nunca poderia ter chegado

Assim tão longe sem vocês

Então, por tudo o que fizeram

Você sabe que estou dedicado

Estou dedicado a agradecer a vocês por isso

 

La li la li lalala

La li lala li lalalalalala

La li lalala

La li lalalala

La li lalalalalala

La lala li lalalalala

 

Eu quero agradecer-lhes por tantos presentes

Que vocês me deram com amor e ternura

Obrigado

Eu quero agradecer-lhes por sua generosidade

O amor e a honestidade que vocês me deram

Eu quero agradecer-lhes

Mostrar minha gratidão, o meu amor

E meu respeito por vocês

Eu quero agradecer-lhes, obrigado

Obrigado, obrigado, obrigado”

 

Se nos conhecemos somente pelas palavras, às 16h e 30min de hoje, sábado 09 de julho, estarei no Museu Histórico de Campos palestrando sobre os 80 anos do filme Tempos Modernos de Charlie Chaplin e adoraria te encontrar lá para que nossas almas viajem juntas para 1936.

 

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PDT trabalha para dar a Caio Vianna o vice de Rafael Diniz e o PT

Ponto final

 

 

Caio Gil Vianna?

“Se o vice na chapa de Caio Vianna (PDT) for Gil Vianna (PSB) o acordo está feito. Não é nem nome de dupla, mas de uma só candidatura a prefeito de Campos: Caio Gil Vianna”. Falando ao telefone, ao lado do senador Romário, foi o que garantiu ontem (aqui) um integrante da executiva estadual do PSB, que confirmou os contatos há uma semana com os dirigentes do PDT, tendo à frente o ex-ministro do Trabalho Brizola Neto, sobre a aliança entre os dois partidos na sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) em Campos.

 

E João Peixoto?

Procurado pela reportagem da Folha para falar sobre o assunto, Caio Vianna não retornou as ligações. Além de indicar a existência do movimento, o silêncio evidencia também que o jovem político ainda não tratou da sua aliança com o PSB, e seus termos, com o deputado estadual João Peixoto (PSDC). Antigo aliado do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN), pai de Caio, João tinha um acordo com este para que fosse vice quem estivesse atrás do outro nas pesquisas.

 

Acordo de antes (I)

Antes deste mês de convenções para formar as chapas, a última pesquisa sobre a sucessão de Rosinha foi feita pelo instituto Pro4, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), encomendada e divulgada (aqui, aqui e aqui) pela Folha. Como nela Caio ficou à frente de João (e todos os demais pré-candidatos) tanto na consulta espontânea, quanto nos dois cenários estimulados, o acordo garantiria que o deputado fosse o vice do filho de Arnaldo em outubro.

 

Acordo de antes (II)

Por sua vez, Gil Vianna vinha sustentando oficialmente a pré-candidatura a prefeito do PSB, quando todos que acompanham os bastidores sabiam do seu acordo para ser vice na chapa majoritária do também vereador Rafael Diniz (PPS). Ouvido ontem pela Folha, Gil admitiu o acordo antigo com Rafael, assim como a aproximação recente costurada por cima com o PDT de Caio. Mas garantiu que seguirá a decisão da executiva estadual do seu PSB: “Se não fosse para ser assim, por que eu teria saído do PR?”

 

Bônus de João

Enquanto Caio silenciou, Gil admitiu que a costura PDT/PSB ainda não havia sido revelada “para não melindrar João, para ele não abandonar o barco”. Eleito cinco vezes deputado estadual, com os três últimos mandatos consecutivos, Peixoto é considerado, não sem motivo, como um dos maiores conhecedores de eleição em Campos, com sólida votação na periferia do município. Sua presença na eventual campanha do debutante Caio, agregaria ainda mais experiência, ao lado dos nomes de Arnaldo e do ex-vereador Marcos Bacellar (PDT).

 

Bônus do PT

E a disputa pode ser menos difícil se Caio conseguir atrair também o PT, legenda que hoje goza de grande rejeição popular, mas terá (aqui) um minuto na propaganda eleitoral de TV à tarde e noite, mais oito spots de 30 segundos em rádio e TV, todo dia dos 35 de campanha, entre 27 de agosto e 30 de setembro — invulgares 10% do tempo total. As conversas também estariam adiantadas neste sentido, até porque o PDT é um dos poucos aliados que sobrou ao PT da presidente afastada Dilma Rousseff. E nunca é demais lembrar que, pré-candidato petista a prefeito sem nenhuma chance real, Hélio Anomal foi vice de Arnaldo em 2008.

 

Rafael e Tadeu?

Sem saber se João aceitará apoiar Caio, caso seja preterido como vice na chapa deste, fica outra pergunta: quem será o vice de Rafael? Indagado sobre a duplicidade do movimento de Gil, sabedor da negociação recente com o PDT, mesmo já tendo um acordo prévio com o pré-candidato a prefeito do PPS, o integrante da executiva estadual do PSB bateu de primeira, como seu líder Romário: “Mas Rafael também estava negociando por fora com Tadeu Tô Contigo (PRB)”. Na certeza de que esta chapa seria fortíssima, resta a dúvida: quem aceitaria ser vice?

 

Publicado hoje (09) na Folha da Manhã

 

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Virá impávido que nem George Steiner

Sujeito que conheci pessolmente há muito pouco tempo, mas que não dá para deixar de causar (boa) impressão pelo brilho da carreira acadêmica e envergadura do raciocínio, mesmo quando diametralmente oposto ao nosso, o sociólogo Brand Arenari, estreou hoje como colaborador da Folha. A partir desses contatos, ele me enviou pela democracia irrefreável das redes sociais uma entrevista com George Steiner, feita pelo jornalista Borja Hermoso e publicada em El Pais.

Escritor, filósofo e professor das universidade de Cambridge e Genebra, judeu francês de 87 anos, criança refugiada da expansão no nazismo (1933/45) pela Europa, Steiner não perdeu o humor, tratando grandes gênios da história como referências cotidianas, para falar de questões muito sérias. Daquilo que Sigmund Freud (1856/1939) não previu na sexualidade humana, à gangrena do dinheiro no caráter do homem antevista por Karl Marx (1818/83), sem perdoar os grandes erros da espécie contra si no nazifascismo e no comunismo, ele centrou fogo na péssima formação cultural que o atual sistema de ensino impõe universalmente aos nossos filhos e netos.

Por motivos pessoais, de memória afetiva, mas também da razão, por endossar um raciocínio próprio sobre o qual cheguei a escrever (aqui) antes de lê-lo nas palavras do mestre, segue abaixo um pequeno trecho — na intersecção entre as ditas “baixa” e “alta” culturas — da entrevista que merece ser lida na íntegra aqui:

 

George Steiner em sua casa em Cambridge (foto de Antonio Olmos - El Pais)
George Steiner em sua casa em Cambridge (foto de Antonio Olmos – El Pais)

 

P. O senhor diferencia a “alta” cultura e a “baixa” cultura, como fazem alguns intelectuais de renome, visivelmente incomodados com formas da cultura popular como os quadrinhos, a arte urbana, o pop ou o rock, para as quais se chegou a criar o rótulo de “civilização do espetáculo”?

R. Vou lhe dizer uma coisa: Shakespeare teria adorado a televisão. Ele escreveria para a televisão. E não, eu não faço esse tipo de distinção. O que realmente me entristece é que as pequenas livrarias, os teatros de bairro e as lojas de discos estejam fechando. Por outro lado, os museus estão cada vez mais cheios, as multidões lotam as grandes exposições, as salas de concerto estão cheias… Portanto, cuidado, porque esses processos são muito complexos e diversificados para se querer fazer julgamentos generalizantes. O senhor Muhammad Ali era também um fenômeno estético. Como um deus grego. Homero teria entendido perfeitamente Muhammad Ali.

 

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Perto da vice de Rafael, Gil Vianna fica a um passo de ser vice de Caio

Rafael, Gil, Caio e João (arte de Vitor Marques)
Rafael, Gil, Caio e João (arte de Vitor Marques)

 

 

Estava enganado quem pensava que as surpresas no tabuleiro da sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) estavam restritas (aqui) à definição da chapa governista — hoje quase definida em favor do vereador Paulo Hirano (PR), após estar bastante inclinada ao vice-prefeito Dr. Chicão (PR).

Embora fosse oficialmente pré-candidato a prefeito pelo PSB, todos que acompanham os bastidores da política goitacá sabiam que, na verdade, o vereador Gil Vianna tinha um acordo (aqui) para ser o vice na chapa de prefeito do vereador Rafael Diniz (PPS).

Bem, como no caso rosáceo de Chicão a Hirano, as quase certezas da semana passada se inverteram nesta semana. A partir de uma costura por cima, entre as executivas estaduais do PDT e PSB, Gil passou a ser seríssimo candidato a vice em outra chapa de oposição, encabeçada por Caio Vianna (PDT), no pleito majoritário que definirá a sucessão de Rosinha daqui a menos de 90 dias:

— As conversas sobre a eleição de Campos estão bem avançadas entre os diretórios regionais do PSB e PDT. Se Gil for o vice na chapa de Caio, a aliança está fechada — garantiu ao blog um integrante da executiva estadual do PSB, falando do celular ao lado do senador Romário, pré-candidato do partido a prefeito do Rio.

Ou seja, para tirar o PSB da base de Rafael Diniz e garantir para si o partido, Caio terá que ter Gil como vice na sua chapa. O problema é que a vaga era dada como certa para o deputado estadual João Peixoto (PSDC). Considerado, não sem justiça, como um dos maiores conhecedores de eleição em Campos, com sólida base eleitoral na periferia do município, João vai reforçar a campanha de Caio a prefeito sendo Gil, não ele, o candidato a vice?

E Rafael, se perder a força de Gil, buscará a quem como vice para perder musculatura na chapa?

 

Confira as informações completas amanhã (09), na edição impressa da Folha

 

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Paula Vigneron — Marionetes

Terraço do Museo Casa Estudio Diego Rivera y Frida Kahlo, na Cidade do México (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Terraço do Museo Casa Estudio Diego Rivera y Frida Kahlo, na Cidade do México (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

O barulho da chuva confundiu-se com o do batente. A porta acabara de ser fechada. Em seguida, passos foram escutados por Anna, que mantinha os olhos cerrados. O corpo, retesado sob as colchas, precisava demonstrar a serenidade inexistente. Raios clarearam o quarto azul da mulher. Optara pela cor porque, desde a infância, ouvia que ela acalmava. A despeito da crença, crescia sua tensão. Pés firmes se aproximaram da porta do quarto. O coração desassossegou-se. Sentia em seus lábios o gosto da despedida.

Luciano repetiu o gesto anterior: tocou a maçaneta com as mãos suadas e frias. Os dedos trêmulos, ansiosos por retrocessos e recomeços, obedeceram, com dificuldade, ao comando do cérebro. Seguraram o objeto e o puxaram para baixo. Os olhos do homem perderam-se sobre a cama alva. A luta interior dominava seu corpo. Acelerado, o coração poderia ser ouvido de longe, junto aos compassos dos batimentos de Anna. Não sabiam, mas estavam em total comunhão.

Caminhou vagarosamente em direção à mulher adormecida. Ela, por sua vez, se entregou à escuridão ao fechar as pálpebras trêmulas. Sabia que ele perceberia o disfarce. Luciano continuou observando-a. Por crer que não a conhecia, ficou em dúvida sobre a veracidade de seu sono. A respiração descompassada, paradoxalmente, tirou a tensão do homem. Por breves e fugidios segundos, a vida pareceu estar normalizada: a casa escura, o quarto azul, a cama branca, a mulher quase despida e o desejo latente. Um suspiro, e a paz se desfez diante de seus olhos.

“Eu me cansei de estar sempre aqui, mas não ter você aí. Eu estou farta da ausência preenchida por filmes, livros e músicas cuspidas por um aparelho envelhecido e enferrujado que se assemelha ao retrato de nós dois. As poesias jogadas pela casa. A esperança de você enxergá-las. E, por meio delas, me encontrar. E você sempre ocupado com seu mundo. Horários, ritmos, corridas. Almoços, jantares. Nestas idas e vindas, Luciano, você se esqueceu de compartilhar histórias com quem está ao seu lado.”

O discurso, gritado naquela manhã, continuava a ecoar em sua cabeça. Não tivera força para admitir, mas reconhecia os erros acumulados e repetidos que se transformaram em muros sobre a cama. Era humano. E, como tal, falho. Talvez tenha se esquecido de ver-se como homem. Esperava que as situações ruins fossem se ajeitar sem que ele precisasse intervir ou tomar decisões. No fundo, pensava que Anna, depois de dizer todas as sinceras barbaridades, pudesse voltar atrás e oferecer o colo como abrigo. Mas não. Desta vez, ela fora firme e inatingível. As palavras batiam nele com todas as forças da esposa.

Ouvindo o silêncio, ela tentava descobrir o que Luciano fazia parado e sentado à beira do colchão. Não podia se mover. Se houvesse movimento, ele se certificaria da péssima atriz que era a mulher. Parada, imaginava dar mais veracidade à grotesca cena. Os pensamentos difusos deixavam Anna ainda mais angustiada. Não saber o que se passava ao seu redor era estranho para quem sempre manteve o controle sobre todas as situações. Vagarosamente, sentiu uma mão tocar seus cabelos. O corpo tremeu. O marido, então, notou que Anna estava acordada. Teve vontade de gritar ao perceber. Era hábito fugir de uma discussão criando outras. Mas, pela primeira vez, agiria de maneira diferente.

“Temos que conversar”, disse Luciano, mantendo a voz firme e serena. Ela estranhou.

“Desde quando conversar faz parte do nosso cotidiano? É sobre o quê? Alguma conquista que ainda não partilhou com quem não costuma te escutar?”

“Anna, não complique a situação. Tenho pessoas que me ouvem e que não me ouvem. E você, que julga estar entre as primeiras, faz parte das segundas.”

Os olhares se cruzaram. A mulher carregava mágoas. O homem, medos. Sentimentos e sensações veladas conduziam o casal a um caminho ainda oculto. Ela teve ânsia de gritar por todos os anos que considerava perdidos. Calou-se com lágrimas escorrendo involuntariamente. Ele desejou abraçar a mulher. Abaixou a cabeça em respeito ao inesperado choro. Estrondos de trovão embalavam a cena.

“Nunca sei para onde poderemos seguir. Desde o começo, nossas vidas foram construídas por impulsos impensados. Acho que desaprendi a usar a razão em relação a você”, disse Luciano, observando os olhos marejados de Anna. Ela balançou a cabeça em concordância. Pela primeira vez, ambos se enxergaram. A olhos e almas nus, não souberam decifrar pensamentos, vontades, sonhos, intenções e desejos. Despiram-se das capas ilusórias com as quais costumavam se apresentar para o outro. O impacto dos rostos crus deixou-os sem reação.

“Creio que nunca tenhamos sido sinceros conosco, Luciano. Fiz de você o que ambicionei, o que desejei. Enquanto, na verdade, deveria ter te deixado ser o que és, sem intromissões ou pedidos exagerados. Eu te moldei a mim, e você, em sua fraqueza, permitiu. Agora, desconheço-o.” Havia sinceridade e verdade nunca antes demonstradas na palavra da mulher, cuja expressão de indiferença tomou lugar da suposta fragilidade pela qual o marido tinha se enternecido anos antes. Ela era uma estranha deitada em sua cama. Ele era o passado extinguindo-se diante de seus olhos.

“Todas as suas reclamações, então, foram vãs? Não sentia o que afirmou te incomodar?” Dentro dele, pulsava incredulidade. A mulher que acabara de se revelar era completamente diferente daquela com quem dividia os espaços do pequeno apartamento. O menino assustado transparecia nos traços masculinos.

“Não sei responder. No fundo, o meu maior desejo era sentir e me angustiar com as bobagens que gritava para você. Mas não fazia muita diferença. Nunca fez.” As palavras cortantes vazavam pelos lábios da mulher com naturalidade. Agora, ele estava começando a conhecê-la. A frieza do olhar ainda deixava-o sem ação, mas Luciano se adaptaria à nova realidade. Sempre se moldava.

“Vamos dormir, querida. Amanhã será um longo dia. Quando amanhecer, revelarei os planos para o próximo final de semana. Tenha uma ótima noite.” Tal como ocorria cotidianamente, ambos trocaram beijos, carinhos e gestos mecanicamente repetidos. Com as mãos entrelaçadas e olhares longínquos, acomodaram-se na cama. Mais um dia. “Boa noite, querido.”

 

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Ações e reações no sentido de definir Hirano candidato a prefeito

Ponto final

 

 

Acão e reação

Toda ação provoca uma reação igual e em sentido contrário. Há quem encare a assertiva como ameaça. Na verdade, é uma lei da física, terceira e última elaborada pelo inglês Isaac Newton (1643/1727) para entender os comportamentos estáticos e dinâmicos dos corpos materiais. Se Newton usou da matemática para decifrar o universo, foi da mesma ciência que o instituto Pro4 fez uso, numa pesquisa feita entre 8 e 10 de junho, com 620 pessoas das sete zonas eleitorais de Campos, para indicar (aqui) o vice-prefeito Dr. Chicão (PR) como corpo mais destacado no universo dos pré-candidatos governistas à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR).

 

Pesquisa indicou Chicão (I)

De fato, na consulta estimulada do Pro4, o desempenho de Chicão nas intenções de voto foi tão superior aos demais governistas, que ele chegou (aqui) a empatar tecnicamente, na margem de erro de 3,9% para mais ou menos, com os pré-candidatos de oposição que lideraram a pesquisa: Caio Vianna (PDT) e os vereadores Tadeu Tô Contigo (PRB) e Rafael Diniz (PPS). Isto, somado (aqui) à avaliação ruim do governo Rosinha e pela necessidade de mudança nos rumos da cidade, mesmo após a entrada dos R$ 367 milhões da terceira venda do futuro, acenderam a luz amarela entre os rosáceos.

 

Pesquisa indicou Chicão (II)

Encomendada pela Folha, a pesquisa Pro4 foi divulgada homeopaticamente pelo jornal em suas edições dominicais de 12, 19 e 26 de junho, gerando (aqui) uma reunião de emergência entre os governistas na noite do dia 27. Estendida por boa parte da madrugada do dia 28, nela ficou tabulado que Chicão seria o nome eleitoralmente mais viável para, com a força da máquina, superar as grandes dificuldades de qualquer candidato governista.

 

Vereadores reagiram

Sem coincidências, foi naquele mesmo dia 28 que o presidente da Câmara, Edson Batista (PTB), considerado como aliado mais fiel do secretário de Governo Anthony Garotinho (PR), abandonou a pré-candidatura a prefeito. Junto a outros vereadores governistas aquinhoados na farra dos RPAs e DAS no Núcleo de Organização Social (NOS), ali começou a ser articulada a reação à ação de definição por Chicão. E na reação igual em força, mas em sentido contrário, na última terça (05), correu abertamente pela Câmara um documento em busca de assinaturas rosáceas, como esta coluna divulgou (aqui) ontem, com exclusividade.

 

Teatrinho do Garotinho

Todos os 12 partidos que integram a Frente Popular Progressista reunida pelos Garotinho para o pleito de outubro assinaram (aqui) o documento, assim como 14 dos 16 vereadores governistas. O endosso foi à imposição de dois critérios à definição rosácea: 1) que o candidato a prefeito seja um vereador; e 2) que ele seja do PR, partido líder da aliança. São os termos que serão entregues hoje, na reunião do NOS, a Garotinho. A partir do recebimento das assinaturas, num movimento de reação urdido debaixo dos panos, o líder que se dobrou democraticamente à vontade da maioria será o personagem interpretado quando forem abertas as cortinas.

 

Reação no mesmo sentido

Embora, além de Hirano, haja outro pré-candidato vereador e do PR, ninguém dentro do grupo governista leva a opção a sério, a não ser quando se trata da temerária contratação de RPAs a toque de caixa. Além de Miguelito (PSL), vereador governista que não assinou o documento, só para reforçar o teatro de Garotinho, o outro, Mauro Silva (PSDB), talvez seja hoje o mais sentido, por ter sido sempre considerado pré-candidato a prefeito com chances reais. Mais pela amizade do que pelas leis da física, a reação de Chicão será caminhar no mesmo sentido de Hirano.

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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