O jornal O Globo publicou (aqui) agora há pouco, antes mesmo de acabar a votação do impeachment na Câmara Federal, que o governo Dilma Rousseff (PT) já admite sua derrota:
BRASÍLIA — O governo já admitiu derrota na votação da Câmara que define a autorização para a abertura do processo de Impeachment . Segundo fontes do Palácio, as chances de mudar os resultados “são zero”. Até às 20h13, o placar mostra 204 votos a favor do impeachment. São necessários 342 para a aprovação.
Confira abaixo a nota do blog do jornalista Jorge Bastos Moreno (aqui), primeiro a noticiar a admissão da derrota pelo governo Dilma:
O governo acaba de admitir derrota. Segundo fontes do Palácio, as chances de mudar os resultados “são zero”.
A presidente Dilma deverá fazer um pronunciamento à imprensa, não em rede, condenando a decisão e advertindo que vai lutar até os últimos momentos pela preservação de seu mandato no julgamento do Senado.
Atualização às 20h51: Após ter seu nome chamado e dito que se encontrava em licença pela gravidez, a deputada Clarissa Garotinho teve seu nome sonoramente vaiado na Câmara (aqui e aqui), mesma reação negativa registrada após o voto de Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Casa, que disse “Que Deus tenha piedade da nação brasileira”, antes de votar pelo impeachment de Dilma.
Atualização às 21h09: O deputado Paulo Feijó (PR) citou uma “Campos em festa”, antes de votar pelo impeachment de Dilma, como o blog havia adiantado aqui, apesar das tentativas com em contrário aquie aqui.
Atualização às 23h09: O deputado Bruno Araújo (DEM/PE) acabou de dar 0 342º voto favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, que consolida sua aprovação por por 2/3 da Câmara Federal.
Tudo bem. Esqueçamos os argumentos jurídicos. Eles não parecem mesmo fazer sentido nesta etapa dos acontecimentos. Há quem diga que é um golpe. Há quem diga que não é. Paciência. Mas tratemos então a coisa sob o ponto de vista político: será realmente prudente, produtivo para o futuro, de contribuição para a democracia, que o Brasil derrube uma presidente que, a despeito de todo o mau cenário econômico e impopularidade, mantém base social forte e ainda é capaz de mobilizar militância para ocupar ao menos um dos lados daquele icônico muro de lata em frente ao Congresso Nacional?
Ainda que desconsiderássemos os 54 milhões de votos conferidos a ela — e isso não é algo que se faça, mas vá lá —, não seria uma violência institucional contra os que ainda a apoiam? Vale a pena passar um rolo compressor sobre esta, digamos, minoria de milhões? Qual o custo político disso? Que país cindido estaremos fabricando?
Quando o ex-presidente Fernando Collor foi apeado do poder, também politicamente, pois ninguém estava realmente preocupado com aquela história de Fiat Elba, não contava com sustentação política alguma. Havia sido um candidato fabricado pela Globo e por um partido nanico. Não tinha lastro. Por ironia da história, uma das últimas vozes a defendê-lo — não a Collor pessoalmente, mas à instituição da Presidência da República — foi o então governador do Rio, Leonel Brizola, que em nada afinava com ele em termos ideológicos, mas provavelmente em seus ouvidos ressoavam aqueles rumores dos tempos que depuseram João Goulart.
Talvez por ingenuidade, costumo acreditar que setores responsáveis da política pensam nestas coisas, quaisquer que sejam seus lados. Nos anos 90, por exemplo, identificava vozes assim tanto no PSDB quanto no PT, para falar em elementos extremos dessa atual polarização. Até hoje lamento a ausência da aliança que, para mim, deveria ter sido feita nesta época justamente entre os mais responsáveis de cada lado, para evitar a dependência endêmica do fisiologismo que arruinou a política na década seguinte.
Mas, nestes dias que correm, procuro e não encontro nas lideranças partidárias esse nível de responsabilidade histórica entre antagonistas que muitas vezes recomenda retroceder, amainar, dialogar. Há apenas chefes limitados de pequenos bandos, interessados em defender os seus nacos no butim, sem qualquer projeto de país.
Retrocedemos muito em termos de amadurecimento democrático. O simbolismo e o grande efeito pedagógico de um Fernando Henrique Cardoso passando a faixa presidencial a Lula parece ter ficado para trás. Aécio Neves foi um mau perdedor e com isso nós é que acabamos por perder uma grande chance de mantermos um longo período de estabilidade. Qualquer que seja o resultado da votação do impeachment neste domingo, teremos que recomeçar.
(*) Assessor do Sindipetro e presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC)
Os dois têm sua base política no Rio de Janeiro, mas hoje estão na linha de frente nas definições nacionais. Ex-governador, ex-ministro (do governo Dilma Rousseff) e presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco (PMDB) foi considerado (aqui) pelo jornalista Jorge Bastos Moreno como “político mais ligado ao vice-presidente da República”, numa entrevista a O Globo na última segunda-feira, na qual tornou público a manutenção dos programas sociais num eventual governo Michel Temer. Já o historiador Chico Alencar foi vereador carioca, deputado estadual e federal pelo PT, saindo em 2005 na primeira leva do partido que fundou o Psol, no desencanto do escândalo do Mensalão, quando disse: “Não sou eu que saí do PT, mas o PT que saiu de si mesmo”. Embora ambos, Moreira e Chico, sejam bastante críticos à administração Dilma e às práticas petistas de de poder, o segundo vai votar contra o impeachment que o primeiro tenta justificar. Os dois, no entanto, concordam que o maior problema do país é a economia.
Ex-governador Moreira Franco e deputado federal Chico Alencar (fotos: divulgação)
Folha – Por que ser contra ou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff?
Moreira Franco – O primeiro problema do Brasil é a economia; o segundo é a economia; e o terceiro é a economia. As pessoas estão perdendo o emprego, perdendo conquistas sociais obtidas nos últimos anos. A inflação cresce e o governo continua com a gastança desenfreada, comprometendo as contas públicas. Todos os setores da economia brasileira estão desorganizados. No Estado do Rio de Janeiro, a questão da Lava Jato e a roubalheira na Petrobras fizeram com que toda a cadeia de óleo e gás fosse comprometida, gerando desemprego em cidades como Itaboraí, Macaé e no próprio município de Campos. Em outros estados do Brasil, a mesma coisa: as contas dos estados foram prejudicadas. Ou seja, a economia brasileira está em um estado de falência total, os municípios quebrados, estados quebrados e a União atrasando, inclusive, até cortando os programas sociais que garantem a vida, a sobrevivência de milhões de brasileiros por falta de recursos financeiros. Nessas circunstâncias não há outro caminho a não ser ter uma visão com uma avaliação rigorosa dos erros cometidos pelo governo também quanto ao desrespeito à responsabilidade fiscal. Quando o governo resolveu gastar demais e comprometeu os bancos públicos, mascarando as contas públicas, adiou o problema para continuar fazendo a gastança e isso que gerou este quadro de desacerto econômico que nos vivemos. Hoje nós temos a Dilma contra o Brasil, o Brasil está nas ruas pedindo o impeachment da presidente.
Chico Alencar – Eu nem digo que o impeachment é um golpe, porque ele tem previsão constitucional, mas esse processo é na verdade, na minha avaliação, farsesco, porque tem vários elementos aí que mostram que ele é uma grande armação. Somos contra o impeachment porque não se pode praticar o ato mais drástico de nossa ordem constitucional pelas frágeis razões de “decretos orçamentários indevidos”. Ou de “pedaladas fiscais” praticadas por muitos governos e, condenadas, até aqui, por um órgão auxiliar do Congresso. Se impopularidade fosse razão de impeachment, sobrariam poucos governantes no Brasil.
Folha – Como a aprovação do relatório do impeachment pela comissão, por 38 votos a 27, pode influenciar a votação de domingo, na qual são necessários dois terços para derrubar a presidente?
Chico – A derrota era esperada, com uma diferença de seis a 10 votos (foram 11). Influencia, mas não é decisivo para o resultado de domingo. O governo precisa se preocupar com muitos outros fatores.
Moreira – Uma vitória em uma comissão que o governo dizia ser dela, montada por ela, com regras que foram avaliadas pelo governo como capazes de beneficiá-lo. Eles sempre viram ali um fórum para afirmar a vitória. E saíram perdidos, derrotados. Para que ali, na comissão, a posição favorável ao impeachment obtivesse dois terços dos integrantes, faltaram só quatro votos. Foi uma grande derrota ao governo.
Folha – Na votação das “Diretas Já”, em 1984, a emenda constitucional não foi reprovada por votos contrários (apenas 65, contra 268 a favor) na Câmara Federal, mas pelo grande número de ausências (112). A tática da Ditadura Militar (1964/85) pode se repetir no domingo? Por quê?
Moreira – O governo vai jogar todas as forças como está jogando e, evidentemente, a oposição, brasileiros, sobretudo cidadãos brasileiros, eleitores brasileiros vão estar atento ao seu deputado.
Chico – A conjuntura é bastante diferente de 1984. Na época, as Diretas eram praticamente uma unanimidade, e mesmo assim não passou. Hoje, a população está dividida, e existe a enorme pressão da imprensa e das redes sociais. Por outro lado, temos líderes que não lideram e partidos que não têm unidade programática. Não dá para saber.
Folha – Caso seja aprovada na Câmara, o impeachment vai para o Senado, onde o presidente Renan Calheiros (PMDB), ao contrário de Eduardo Cunha (PMDB) na Câmara, é aliado do governo. Como isso e a definição por maioria simples poderiam mudar o quadro?
Chico – Isso de “aliado” é muito fluido, nessa conjuntura. Além de cinismo galopante, na tribuna, o que se tornou corriqueiro é o aliado de ontem tornar-se adversário hoje. A regra é a infidelidade, a norma é o oportunismo. No Senado, sendo admitido o impeachment na Câmara, a tendência é ele ser acolhido por maioria simples na chamada Câmara Alta, obtendo 42 de 81 votos. Mas nada é seguro. Mas o sentimento maior é de que, passando na Câmara, o impeachment prospera.
Moreira – Acho que sim, acho que o Senado, passando na Câmara, não vai barrar.
Folha – Se Dilma ficar, como conseguirá reverter uma crise econômica que desemprega (aqui) 282 brasileiros a cada hora? Se Temer assumir, como enfrentar isso, mais a oposição cerrada do PT e dos movimentos sociais?
Moreira – Acrescento mais: com nove pedidos de impeachment para ser decididos na Câmara dos Deputados e uma determinação do Supremo Tribunal Federal que o presidente da Câmara é obrigado a colocar os pedidos de impeachment em pauta e formar as comissões. Nós vamos ficar esse tempo todo a cuidar, a ver a Câmara discutindo impeachment da presidente Dilma. Ainda não existe governo Temer, então prefiro trabalhar com fatos e não com hipótese.
Chico – O impeachment não prosperaria se não tivéssemos inflação (10,5%), desemprego (9,5%) e redução de programas sociais. Um em cada cinco jovens brasileiros entre 18 e 24 anos está desempregado. O problema é que as propostas econômicas de Dilma e Temer se assemelham e não por acaso têm o mesmo principal conselheiro, Delfim Netto: redução do gasto público; manutenção de altas taxas de juros, as maiores do mundo!, inclusive para o consumidor, o que multiplica no crediário por 2,4 vezes o preço à vista; redução de direitos trabalhistas, com prioridade do negociado sobre o legislado; fim das vinculações constitucionais orçamentárias para Educação e Saúde e privatização de tudo o ainda que for possível. Nenhum dos dois conseguirá “enfrentar” a crise econômica como a população espera. Com Temer, é verdade, a ortodoxia liberal seria ainda maior, mas ambos pensam nos interesses do patronato e não no povo. A histórica desigualdade social brasileira, que vinha sendo reduzida paulatinamente desde 2000, voltou a crescer: – 3,7% na taxa de Bem Estar, segundo a FGV Social.
Folha – Se o impeachment não passar, Dilma ainda pode ser derrubada pelo TSE. Se Temer assumir, corre o mesmo risco. Como lutar essa nova batalha?
Chico – De imediato, é preciso repetir que as saídas da crise não podem prescindir do protagonismo popular. Este é o único antídoto para mais um arranjo das elites, para mais uma transição intransitiva em nossa história. Vladimir Safatle indica essa imprescindível esperança que se constrói: “em situações de crise, o poder instituinte deve ser convocado como única condição possível para reabrir as possibilidades políticas. Seria a melhor maneira de começar uma instauração democrática no país” (FSP, 25/3/2016).
Moreira – Não sei quando vai ser julgado, mas agora do ponto de vista legal, a chapa não praticou ilícito. O ilícito praticado nas contas ou está em uma campanha ou está em outra campanha ou pode estar até nas duas, mas uma não contamina a outra por consequência. O crime que se procura é por origem de dinheiro decorrente a corrupção, ou seja, lavagem de dinheiro com doação formal. A equipe financeira da campanha do presidente é diferente da equipe financeira da campanha do vice-presidente. As contas são prestadas autonomamente. Eventualmente vai ter uma avaliação para ver se teve recursos de origem ilícitas da campanha da presidente repassados para a do vice. Pelas informações que temos aqui, não houve. As doações dadas ao tesoureiro da campanha do vice-presidente foram doações absolutamente legais.
Folha – Com a derrota eleitoral do kirchnerismo na Argentina, do bolivarianismo nas eleições legislativas da Venezuela e do presidente Evo Morales no plebiscito para tentar o quarto mandato na Bolívia, os movimentos de esquerda na América do Sul sinalizam declínio. O lulopetismo no Brasil sofre do mesmo mal? Qual o remédio?
Moreira – Não, eu acho que é um problema local, decorrente de uma realidade local, de uma crise econômica provocada por erros internos num ambiente externo hostil. Mas os erros foram cometidos aqui. São problemas que o governo criou e não está conseguindo resolver. O povo viu que o governo praticou atentado a determinadas regras legais, além de uma gestão temerária e muito fraca na economia.
Chico – As forças que se articulam para destituir a presidente da República. O grande patronato, a mídia hegemônica, o agronegócio e o “mercado”, que até ontem davam sustentação ao governo, buscam apenas seus próprios interesses. Isso se torna ainda mais perceptível quando se vê os cerca de R$ 11 milhões gastos pela Fiesp para promover o impeachment com enormes anúncios nos jornais de maior circulação no país. Esses setores poderosos navegam na grande insatisfação popular, nutrida sobretudo pela crise econômica. Mas aspiram, em eventual governo Michel Temer, um novo pacto de elites, com anunciado ataque aos movimentos sociais, via “ajuste duro” e repressão ampliada. A questão é: há mesmo dois projetos antagônicos de organização da sociedade brasileira em disputa? A prática dos governos de Lula e Dilma diferenciou-se decisivamente da era FHC? Sem dúvida, os programas sociais e as iniciativas para ampliar o consumo interno nos anos do lulopetismo foram mais significativos, mas há uma complementaridade entre as gestões. Entre nós, falta autocrítica, sobra autoengano. É preciso reiterar a importância decisiva, numa perspectiva de futuro mais igualitário, justo e democrático para o país, de uma reforma tributária progressiva, de uma reforma política democratizante de fato, e da construção de um novo modelo econômico que nos livre da situação liberal-periférica em que nos encontramos. Tudo isso precisa ser construído em fóruns abertos à presença popular, sem “espírito condominal” e “trincheiras de dogmas”, velho vício das esquerdas, reunindo as forças progressistas e as organizações cidadãs com novas pautas dispostas a virar essa página final de um processo exaurido. Trata-se, ao fim e ao cabo, de ressignificar o próprio ideário socialista, que hoje precisa incorporar, com centralidade, a democratização radical de todas as relações na sociedade, para o que os espaços virtuais tanto contribuem, e o cuidado ambiental. Este implica em novo modo de se relacionar com a natureza, vale dizer, de produzir, consumir e reaproveitar.
Aqui, o jornalista Jorge Bastos Moreno publicou que o deputado federal Paulo Feijó (PR) recebeu uma oferta em dinheiro para mudar seu voto amanhã, favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Indagado agora pelo blog, por telefone, sobre a nota do Moreno, Feijó negou que o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), com quem conversou ontem e depois plantou junto o jornalista Fernando Molica uma nota da conversão dilmista do deputado. Como disse ontem aqui, ele continua afirmando que não chegou a conversar com Garotinho sobre o assunto.
Abaixo, a transcrição da nota do Moreno:
O deputado Paulo Feijó (PR-RJ) foi chamado a um certo bunker, por algum colega de partido de um determinado estado de um certo país do planeta terra.
De lá, saiu contabilizado como alguém que teria mudado de posição na votação do impeachment.
Um outro colega seu de bancada, incrédulo com a notícia, procurou o Feijó para se certificar da súbita conversão do amigo. Mas foi recebido com pedradas:
— Você me respeite! Sou um homem sério! Não sou de mudar de opinião!
E acabou revelando a conversa nada republicana que tivera com aquele colega, lá naquele certo bunker:
— Eu falei para aquele …. ( leia-se um palavrão de deixar qualquer mãe ofendida ) que sou um homem honrado, que não me vendo. Mandei ele me respeitar e enfiar o dinheiro no… ( senhores, é melhor nem ler o resto, se algo eu tivesse que acrescentar, desrespeitando o meus leitores ).
Ah, Paulo Feijó vota pelo impeachment da presidente.
E a conversa nada republicana foi mantida apenas com o seu colega, sem a participação de nenhum outro integrante do governo. Ainda bem.
Atualização às 9h14 de 17/04: A jornalista Suzy Monteiro foi a primeira a divulgara aqui a nota do Moreno.
Sem responder como votaria caso o pedido de impeachment do vice-presidente Michel Temer (PMDB) também chegue ao plenário da Câmara Federal, o deputado Paulo Feijó (PR) reafirmou sua prioridade: destituir Dilma e o PT do governo. Para tanto, ele chega a arriscar um palpite à votação de amanhã (17), encarada como final de Copa do Mundo para grande parte dos brasileiros: “teremos mais de 370 deputados a favor do impeachment”. Ainda assim, Feijó teve uma mudança de voto plantada pelo secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), junto ao jornalista Fernando Molica, de O Dia, de quem exigiu e teve retratação. Embora veja em Eduardo Cunha (PMDB) deficiência moral para comandar o processo impeachment, ele acredita que se “Dilma ficar, com certeza, a crise aumentará”.
Paulo Feijó (foto: divulgação)
Folha da Manhã – Por que ser a favor do impeachment de Dilma Rousseff?
Paulo Feijó – Por convicção. A presidenta cometeu crimes de responsabilidade e desrespeitou a lei orçamentária. Soma-se a tudo isso o histórico de mal feitos do PT, investigados pela Justiça Federal e pelo Ministério Público, que, ao longo dos últimos 13 anos, enganou o povo brasileiro, levando o país a esta mais grave crise econômica, política, moral e social das últimas décadas.
Folha – Se Dilma cair na Câmara, cai também a máscara de Lula enquanto articulador político, fracassado em seu empenho pessoal para tentar cooptar deputados contra o impeachment?
Feijó – Cairá não só a máscara de Lula, mas da Dilma e de todo o Partido dos Trabalhadores. Lula iniciou sua trajetória como o bom e experiente sindicalista, excelente negociador, que chegou à Presidência da República. Juntou o poder de presidente ao de excelente negociador. Buscou um projeto de perpetuação no poder, sem limites éticos e morais para alcançar seus objetivos. Como dizem os mais antigos… Um dia a casa cai, caiu e deu no que deu.
Folha – Caso seja encolhida à envergadura da Justiça comum, junto a Lula, acha que ela também passa a temer o rigor do juiz Sérgio Moro?
Feijó – Não só ele, como toda a cúpula do PT, pois, com a destituição da presidente Dilma, todos que ocupam cargos no primeiro escalão do governo perderão o foro privilegiado (STF) e serão julgados em Curitiba, 1ª instância.
Folha – Clarissa Garotinho, como você, anunciou (aqui) que votaria a favor do impeachment. Todavia, na madrugada de sexta, o jornalista Ricardo Noblat divulgou (aqui) que ela teria tirado uma licença maternidade de 120 dias, não 121 ou mais, que abriria vaga para seu suplente votar em seu lugar, após Garotinho ter negociado com o Palácio do Planalto, como a revista Época já havia adiantado (aqui). Outro jornalista, Lauro Jardim, revelou (aqui) o teor da conversa de Garotinho com a filha grávida de sete meses: “Tudo bem você votar a favor do impeachment. Mas no dia seguinte você tira o Garotinho do seu nome”. Qual sua opinião e o que sabe sobre o episódio? E se Garotinho pedir para você também se ausentar ou votar contra o impeachment?
Feijó – Pelo que sei, a Clarissa está na 35ª semana de gravidez, e realmente traz riscos para sua gestação. Viajar de avião traz riscos, segundo orientações médicas. Fora isso, não sei de mais nada. Em relação a Garotinho, ele não me pediria isso nunca (no início da noite de ontem, Garotinho passou a Fernando Molica, de O Dia, que havia conseguido negociar o voto de Feijó a favor de Dilma, sobre o que sequer chegaram a conversar, obrigando o deputado a ligar ao jornalista e exigir a retratação — confira a celeuma aqui). Meu voto já estava decidido há muito tempo. Só não externei, pois aguardava que o meu partido, o PR, fosse liberar a bancada para votar de acordo com suas convicções. Como isso não aconteceu, tomei a iniciativa no meu momento, de declarar o voto a favor do impeachment. Não abro mão de andar com minha cabeça erguida, tendo sempre o respeito das pessoas, meus amigos e eleitores.
Folha – Não considera imoral que um processo capital como um impeachment de uma presidente da República seja conduzido por alguém como Eduardo Cunha (PMDB)? Até quando ele continuará presidente da Câmara?
Feijó – Atrapalha muito sim, mas vamos resolver primeiro o impeachment da presidenta Dilma, depois o Conselho de Ética da Câmara, o Plenário da Câmara ou o Supremo Tribunal Federal resolverá os problemas do deputado Eduardo Cunha, totalmente desmoralizado e enrolado nas denúncias investigadas pela Justiça Federal.
Folha – Mesmo que o impeachment seja aprovado na Câmara, Dilma continua no cargo até a decisão do Senado, onde o presidente Renan Calheiros, ao contrário de Cunha, se mantém aliado do governo. Acredita que lá o processo possa ser revertido? Por quê?
Feijó – O presidente do Senado Federal, senador Renan Calheiros, também enfrenta os mesmos problemas na Justiça e está enrolado e desmoralizado. Ele não poderá retardar o processo, pelas implicações regimentais, força da maioria dos senadores e, principalmente, a força da opinião pública brasileira, que acompanha esse desenrolar com muita competência e zelo.
Folha – Caso Temer assuma, ele também enfrentará processo de impeachment, que o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou abertura na Câmara. Se ele também chegar à votação em plenário, como você votaria?
Feijó – Como já respondi anteriormente, vamos resolver primeiro a grande prioridade, destituir a presidenta Dilma e o PT do governo.
Folha – Além do impeachment na Câmara, tanto Dilma quanto Temer têm contas a acertar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde, em tese, parecem ser robustas as provas de que dinheiro desviado da Petrobras irrigou a campanha de ambos em 2014. Dá para sobreviver a esse bombardeio? Como?
Feijó – Sou de opinião que o mais justo para o Brasil seria realmente novas eleições, dando oportunidade ao eleitor de se manifestar, de decidir. Mas depende do TSE, o que demanda uma decisão mais demorada em função dos prazos jurídicos. Vamos resolver o que nos cabe: votar favoravelmente ao impeachment.
Folha – O discurso de Temer, acenando com as diretrizes do seu eventual governo, parece ter sido vazado de maneira intencional. Não foi um erro, como o de Fernando Henrique Cardoso em 1984, quando posou para foto na cadeira de prefeito de São Paulo, que por isso mesmo acabou ocupada por Jânio Quadros?
Feijó – Acredito que o vazamento foi uma estratégia do vice-presidente Temer, que até não ficou ruim não. Já está superado.
Folha – Foi também em 1984 a votação das “Diretas Já”, onde a emenda constitucional não foi reprovada por votos contrários (só 65, contra 268 a favor) na Câmara, mas pelo grande número de ausências (112). A tática da Ditadura Militar (1964/85) pode se repetir no domingo?
Feijó – Acredito que não. A pressão da opinião pública é muito forte. Deputado que não for votar, só com motivo extremamente convincente. Aproveito para palpitar. Acredito que teremos mais de 370 deputados a favor do impeachment.
Folha – Se Dilma ficar, como conseguirá reverter uma crise econômica que desemprega (aqui) 282 brasileiros a cada hora? Se Temer assumir, como enfrentar isso, mais a oposição cerrada do PT e dos movimentos sociais?
Feijó – Se a presidenta Dilma ficar, com certeza, a crise aumentará. Ela perdeu todas as condições de governar o Brasil. Neste momento, o Temer representa uma esperança para a grande maioria do povo brasileiro. Temer terá que fazer um governo de união nacional para encontrarmos o caminho da reconstrução, lógico, com a oposição do PT e seus seguidores. Não será fácil.
Folha – No link da postagem no blog (aqui) com o anúncio do seu voto, feito (aqui) nas redes sociais, houve quem aplaudisse, assim como quem lhe chamasse de “golpista”. Esse processo de impeachment é ou não um golpe? Por quê?
Feijó – Claro que não é golpe. Está sendo obedecida a Constituição Federal, o regimento interno da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, e o rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal. Só me chamam de golpista aqueles que não me conhecem. A maioria dos que me criticam são de outros estados e os radicais do PT. Em relação a meus amigos e eleitores, existe quase unanimidade, quase 100% a favor do impeachment.
Folha – Vendida como “revolução”, a derrubada de João Goulart pelos militares em 1964, com apoio da sociedade civil, é chamada de golpe. Ninguém usa a mesma classificação para o impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992. Caso se consume, como acha que a História vai se referir à deposição de Dilma Rousseff?
Feijó – A história se lembrará da presidente Dilma como aquela que foi destituída por ter o seu governo envolvido em vários escândalos de corrupção, de ter mentido para o povo nas duas campanhas eleitorais e ter levado o país a uma grave crise econômica, política, moral e social, sem precedentes na história do país.
Página 5 da edição de hoje (16/04) da Folha da Manhã
Representantes do TJ-RJ, da magistratura e OAB de Campos, reunidos no Fórum, na última quinta (foto: divulgação)
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) vai designar seis novos juízes a Campos, egressos do último concurso. Com prazo previsto para maio serão preenchidas a 1ª, 3ª e 4ª Varas Cíveis, o 1º Juizado Especial Cível e as 1ª e 2ª Varas Criminais da comarca goitacá, que estavam sem juízes titulares, algumas há anos. Pleito da OAB-Campos, enviado em ofício ao TJ-RJ em 13 de janeiro de 2016, o reforço na magistratura do município foi garantido numa reunião na última quinta-feira (14/04), no Fórum de Campos.
A garantia do envio de novos juízes foi feita pelo presidente da Comissão de Políticas Institucionais para Eficiência Operacional dos Serviços Judiciais (Comaq) do TJ-RJ, desembargador Ricardo Cardozo:
— Além da designação dos novos juízes, foi anunciado que todas as varas foram autorizadas a remeter processos para o Grupo de Sentença. Serão promovidos mutirões nos Juizados Especiais Cíveis. Também nos comprometemos a manter as juízas Leidejane Chieza Gomes da Silva, titular da Comarca de Natividade, e Fabíola Costalonga, titular da 2ª Vara de Bom Jesus do Itabapoana, que se ofereceram e já estão auxiliando a 1ª Vara Criminal de Campos — complementou o presidente da Comaq.
Liderada por ele, o TJ-RJ enviou a Campos uma comissão formada também pela presidente da Comissão Estadual dos Juizados Especiais (Cojes), desembargadora Ana Maria Pereira, pela juíza auxiliar da Presidência do TJRJ Adriana Ramos de Mello e pelos juízes auxiliares da Corregedoria Geral da Justiça Simone Lopes da Costa e Aroldo Gonçalves Pereira Junior. Eles se reuniram os juízes locais Heitor Campinho, diretor do Núcleo Regional de Campos (Nurc), e Ralphe Manhães, diretor do Fórum, além do presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre, os conselheiros da entidade Gilberto Alvarenga e Isabelle Cruz, e do presidente da Escola Superior de Advovacia (ESA) Felipe Estefan.
— Nossa avaliação sobre as reuniões foi amplamente positiva. Tanto os magistrados quanto os representantes da OAB de Campos elogiaram a iniciativa da administração do TJRJ, porque houve uma preocupação de dialogar e buscar soluções. Os advogados se mostraram dispostos a colaborar com o Tribunal, no que for possível, para discutir e apresentar propostas visando a melhoria na Comarca de Campos. Os juízes, também, ressaltaram seu comprometimento com o TJ-RJ — avaliou o desembargador Ricardo Cardozo.
Página 7 da edição de hoje (16/04) d Folha da Manhã
Acordo, há tanto tempo, tentando escutar a voz que ainda há de gritar.
Fui procurá-la no outro lado do silêncio.
— Tem gente que vive dentro da poesia aqui. — Disse minha amiga Viviane, sobre os internos da Santa Casa.
Não demorei a me aprontar, fui para a rua caminhar entre os que enlouquecem da razão, do amor sem vazão, secando o corpo suando sangue, limpando a pele com poluição.Reafirmando meus esparsos passos diários serem do Tango antes de dar bom dia aos personagens.
Cheguei à Santa Casa, logo entrei na poesia e bem no meio do verso encontrei Nilo, deitado nas palavras, com sua roupa de metáforas, do outro lado do silêncio, que a voz soberana não se macula com saliva. Sentei numa letra, fui ser plateia da sua peça, enquanto era escrita naquele diálogo. No dia em que escrevo esse texto fui me encontrar com a voz que ainda há de gritar, mas em seu dorso dormem as dores do mundo.
— Rapaz, meu corpo está sem voz, mas hás de ouvir minha alma falar.
Escutei histórias da juventude que salvou livros dos que rasgavam todos os sentimentos que cabem em uma palavra. O jovem que sempre gostou dos super-heróis das histórias em quadrinhos. Admirador dos animais, surgiu alium nome para sua nova empreitada na escrita: “Banquete com os Cães.” Era Nilo antes de ter na pele a marca do tempo.
Ao sair desse pequeno texto, percebi que Deus emprestou-lhe o seu sorriso, enquanto tento mudar o presente, para afastar o futuro doente. Não se joga uma vida inteira fora só porque ela está um pouco maltratada, é por isso que Nilo escreve todos os dias a literatura, libertadora.
“Não dormir é decretar o fim de todos os pesadelos e sonhos.
Seja fiel aos seus sonhos, pois senão terá uma asa (s) quebrada (s) e deixará de voar (e viver).
Representantes do TJ-RJ, da magistratura local e da OAB-Campos, na última quinta, no Fórum de Campos (foto: divulgação)
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) vai designar seis novos juízes a Campos, egressos do último concurso. Com prazo previsto para maio serão preenchidas a 1ª, 3ª e 4ª Varas Cíveis, o 1º Juizado Especial Cível e as 1ª e 2ª Varas Criminais da comarca goitacá, que estavam sem juízes titulares, algumas há anos. Pleito da OAB-Campos, enviado em ofício ao TJ-RJ em 13 de janeiro de 2016, o reforço na magistratura do município foi garantido numa reunião na última quinta-feira (14/04), no Fórum de Campos.
Leia a reportagem completa na edição de amanhã (16/04) da Folha da Manhã
Como o Alexandre Bastos postou aqui, segundo o também jornalista Fernando Molica, de O Dia, o deputado federal Paulo Feijó (PR) teria sido convencido pelo secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), a não votar na sessão do próximo domingo (17/04) que decidirá o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Só que era mentira! A verdade já havia sido publicado aqui, neste “Opiniões”, ao qual o deputado reafirmou em entrevista concedida hoje, que será publicada amanhã (16/04) na Folha, sua intenção de votar a favor do impeachment.
Na verdade, a informação equivocada, “barriga” no jargão jornalística, foi repassada ao jornalista carioca pelo próprio Garotinho. Antes, ele já tinha exposto a própria filha, a deputada federal Clarissa Garotinho (PR), com a barriga sem aspas da gravidez de sete meses, ao constrangimento nacional (relembre aqui e aqui) de pedir licença de 120 dias para não votar, nem deixar seu suplente fazê-lo no domingo — mesmo após já ter se posicionado abertamente (aqui) a favor do impeachment de Dilma.
Segundo o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, noticiou aqui, o ultimato de Garotinho a Clarissa, grávida do primeiro filho, foi: “Tudo bem você votar a favor do impeachment. Mas no dia seguinte você tira o Garotinho do seu nome”. Se, mesmo nestes termos, o diálogo com a filha chegou a existir, o mesmo não se deu com Feijó. Segundo ele, houve o encontro entre ambos por volta das 18h30 de hoje (15/04), na sede do PR em Brasília. Mas antes de Garotinho tocar no assunto, enquanto tinha ido ao banheiro, o deputado deixou a conversa.
Um pouco depois, Feijó recebeu uma ligação dos também deputados federais Maurício Quintela (AL), ex-líder do PR, e Rodrigo Maia, líder do DEM na Câmara. Eles tinham lido a nota do Molica e questionaram a suposta mudança de posição do colega. Indignado, porque mantivera sua posição e em momento algum tratou do assunto com Garotinho, Feijó ligou na sequência para o jornalista de O Dia, que retirou o link da nota da versão online do jornal carioca (confira aqui) e publicou a retificação aqui, em seu perfil pessoal do Facebook.
Retratação do jornalista Fernando Molica (reprodução de Facebook)
Depois de conseguir a retratação com Molica, Feijó ligou para Garotinho. Mas o secretário de Governo de Campos, que oficialmente está em Brasília para tentar a terceira “venda do futuro” da cidade, no valor de mais de R$ 1 bilhão, comprometendo as contas públicas municipais até 2031, estava com o celular desligado.
“Pelo que sei, a Clarissa está na 35ª semana de gravidez, e realmente traz riscos para sua gestação. Viajar de avião traz riscos, segundo orientações médicas. Fora isso, não sei de mais nada. Em relação a Garotinho, ele não me pediria isso nunca (…) tomei a iniciativa no meu momento, de declarar o voto (aqui) a favor do impeachment. Não abro mão de andar com minha cabeça erguida, tendo sempre o respeito das pessoas, meus amigos e eleitores”.
Essa foi um do trecho da entrevista feita hoje por e-mail com o deputado federal Paulo Feijó (PR), que está em Brasília para votar favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) no próximo domingo (17/04). Confira a íntegra da entrevista na edição de amanhã (16/04) da Folha da Manhã.
Clarissa com as mãos sobre a barriga de gestante e a bandeira do Brasil no ombro, no plenário da Câmara no qual não estará na sessão do próximo domingo (foto: reprodução)
Aqui, em seu blog, o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), confirmou a licença da deputada federal Clarissa Garotinho (PR) às vésperas da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), no próximo domingo (17/04). Ele confirmou o que noticiou aqui o jornalista Ricardo Noblat, assim como sua reunião no Palácio do Planalto, com o ministro da secretaria de Comunicação Ricardo Berzoini (PT), revelada aqui pela revista “Época”.
Ao tentar justificar a licença de Clarissa, Garotinho disse: “Todo o cidadão minimamente informado sabe que após o sétimo mês de gravidez, os médicos proíbem as gestantes de viajar de avião. Na semana passada, desobedecendo seu médico, Clarissa viajou a Brasília e foi parar no Departamento Médico da Câmara”. Só não explicou porque, então, a “licença” de Clarissa foi de 120 dias, não 121 ou mais, o que permitia ao seu suplente do DEM assumir e votar em seu lugar.
Oficialmente, Garotinho está em Brasília para tentar viabilizar a terceira “venda do futuro” de Campos, no valor de mais de R$ 1 bilhão, que comprometeria o futuro do município até 2031, mas sem o qual governistas admitem em off que não haverá dinheiro nem para pagar ao servidor, dada a ruína das finanças públicas no governo Rosinha Garotinho (PR). Como o Christiano Abreu Barbosa bem lembrou aqui, em seu “Ponto de vista”: “Na bolsa de apostas do Palácio do Planalto se especulou durante as últimas semanas que uma ausência na votação de domingo renderia R$ 400.000,00 ao deputado que se omitisse do processo. O voto contra o impeachment seria premiado com R$ 1 milhão”.
Clarissa que havia se declarado aqui publicamente favorável ao impeachment de Dilma, em postagem no Facebook marcada com as tags #PeloFuturo e #PeloBrasil, até agora não deu explicações sobre a novidade de última hora da licença. Por sua vez, Garotinho atribuiu as revelações feita pelo Extra e Ricardo Noblat a “pessoas inescrupulosas” e “desonestidade intelectual”.
Atualização às 12h52:Aqui, novamente em seu “Ponto de vista”, o Christiano foi o primeiro na blogosfera goitacá a reproduzir a revelação, feita aqui no Blog do Lauro Jardim, sobre os reais motivos da licença de Clarissa. Mesmo grávida de sete meses do primeiro filho, ela teria recebido (e se submetido) ao ultimato do pai: “Tudo bem você votar a favor do impeachment. Mas no dia seguinte você tira o Garotinho do seu nome”.
Após ter declarado publicamente aqui, em seu perfil do Facebook, sua posição favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), a deputada federal Clarissa Garotinho (PR) usou sua gravidez para entrar com um pedido de licença de 120 dias. Assim, ela não só não participa da votação do impeachment do próximo domingo (17/04), como impede que seu suplente do DEM assuma e vote em seu lugar, o que faria se a licença fosse de 121 dias ou mais.
Declaração virtual de Clarissa em apoio ao impeachment de Dilma, com direito a bandeira do Brasil sobre o ombro, não resistiu à realidade (reprodução de Facebook)
Segundo revelou aqui em seu blog o Ricardo Noblat, que chamou Clarissa de “Clarisse”, ela teria dado entrada ao pedido logo após seu pai, o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR) conversar no Palácio do Planalto. Por sua vez, a coluna “Expresso”, da revista Época, publicou aquique Garotinho teria se encontrado no Palácio do Planalto com o ministro da secretaria de Governo, Ricardo Berzoini (PT), no último dia 13 — notícia que o jornalista Alexandre Bastos foi o primeiro a divulgar (aqui) na blogosfera goitacá.
Encontro de Garotinho teria sido no Palácio do Planalto, com o ministro Ricardo Berzoini. “Venda do futuro” de Campos negociado pelo voto da própria filha? (reprodução)
Ao anunciar a “licença” de Clarissa, Noblat questionou: “Sabe-se lá com quem, ontem, o ex-governador do Rio de Janeiro, Garotinho, conversou no Palácio do Planalto… E sobre o que ele tratou”. Oficialmente, Garotinho está em Brasília para tentar viabilizar a terceira “venda do futuro” de Campos, no valor de mais R$ 1 bilhão, que comprometeria o futuro do município até 2031, mas sem o qual governistas admitem em off que não haverá dinheiro nem para pagar ao servidor, dada a ruína das finanças públicas no governo Rosinha Garotinho (PR).
Jornalista Ricardo Noblat quer saber do que Garotinho tratou no Palácio do Planalto. E você? (reprodução)
Ontem, Garotinho tentou desmentir a notícia veiculada aqui, na coluna do Lauro Jardim do dia anterior, de que estaria negociando o voto da filha na mesa de almoço com deputados petistas. Aqui, em seu blog, o político da Lapa chegou a garantir: “A deputada Clarissa Garotinho, maior de idade, 33 anos, está em todas as listas favoráveis ao impeachment. É a opinião dela, e eu respeito”.
Em respeito ao leitor, enquanto o futuro de Campos e do Brasil são decididos, segue abaixo uma música à reflexão: