Morre o ex-deputado Alberto Dauaire

Ex-deputado Alberto Dauaire
Ex-deputado Alberto Dauaire

Acabou de falecer nesta manhã de sexta-feira (08/04) o ex-deputado estadual Alberto Dauaire, de 89 anos. Ele estava internado na UTI do Hospital Dr. Beda, desde 29 de fevereiro, com uma infecção pulmonar. O velório será a partir das 13h, na capela mortuária diante ao Cemitério de São João da Barra, onde ocorrerá o entrerro, às 17h. O prefeito de São João da Barra, José Amaro Martins de Souza, o Neco (PMDB), decretou luto oficial no município por três dias.

Chefe do clã dos Dauaire, pai do ex-prefeito sanjoanense Betinho Dauaire (PR) e avô do deputado estadual Bruno Dauaire (PR), Alberto é considerado uma lenda da política fluminense. Ex-vereador por três mandatos e ex-prefeito em São João da Barra entre as décadas de 50 e 60 do século passado, ele teve sete mandatos consecutivos de deputado estadual, de 1966 a 1995. Foi também secretário estadual de Assistência Social e Trabalho, na gestão Jeremias de Matos Fontes (1968) no antigo Estado do Rio, e na antiga pasta da Viação (responsável pela atual DER), no governo Leonel Brizola (1983).

“Meu pai foi um homem que viveu a vida pública por completo, se doou até o final à causa pública. Seu legado é o da honestidade, do comprometimento com a causa púbica e a valorização da família”, ressaltou o ex-prefeito Betinho Dauaire, ainda consternado pela perda.

Alberto era casado com Maria Thereza, com quem teve dois filhos, Betinho e Cacá. Era avô de Bruno, Bebeto, Guilherme e Gustavo e bisavô de Antonia e Maria.

 

Atualização às 11h30 para acréscimo de informações do velório e entrerro.

Atualização às 11h35: O primeiro na Folha Onine a noticiar, aqui, a morte do ex-deputado Alberto Dauaire, foi o jornalista Arnaldo Neto.

 

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Por que tanto medo da Lava Jato?

Ponto final

 

 

Por que tanto medo?

Depois da quarta sessão da Câmara Municipal esvaziada ontem numa nova manobra rosácea para evitar o debate sobre o envolvimento dos Garotinho (pai, prefeito de fato; mãe, de direito; e filha deputada) na lista de doações da empreiteira Odebrecht, na operação Lava Jato, a pergunta de qualquer um capaz de somar dois com dois e projetar o quatro ao final da equação, é uma só: por que tanto medo?

 

Exposto ao ridículo

Bem verdade que, no afã de agradar o líder do seu grupo político, seus seguidores acabam expostos publicamente ao ridículo. Caso contrário, como explicar que o próprio presidente da Câmara, vereador Edson Batista (PTB), tenha se dado ao trabalho de tentar negar, desde terça (05), a manobra governista que no mesmo dia impediu a realização da sessão, sendo obrigado a repeti-la menos de 24 horas depois, expondo-se ao constrangimento público da sessão igualmente esvaziada de ontem (06)?

 

Preço da defesa

Nos bastidores, dois motivos fáticos surgem para explicar a aparente covardia governista. O primeiro é que, em ano eleitoral, os vereadores não vão para um debate desgastante, tentando proteger seus líderes da citação na Lava Jato, que tem amplo apoio popular, sem levar nada em troca. E, numa Prefeitura inexplicavelmente falida como a de Campos, fica mais difícil de “ajudar” aqueles cuja ajuda se faz necessária.

 

Cor de sangue

O segundo motivo é que, além dos “honorários” da defesa, falta ainda sua forma. Consta que o líder governista Mauro Silva (PSDB) foi levar ao líder (e prefeito) de fato a demanda pela organização da tática de defesa. Só que, afora ameaçar com processos quem nãos os teme, Garotinho ainda não teria definido quem vai dizer o quê. Assim, à covardia de se fugir de quatro sessões seguidas, soma-se entre os vereadores garotistas uma outra, talvez ainda pior: aquela de quem não tem coragem para falar do vermelho com alguém que sangra.

 

Publicado hoje (07/04) na Folha da Manhã

 

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Guilherme Carvalhal — Orgulho de Mãe

Carvalhal 06-04-16

 

 

Talvez a distância do filho produzisse uma relação melhor do que se convivessem próximos. Constatar o mérito dele naquele terno impensável anos atrás encheria qualquer mãe de orgulho, caso o tivesse criado ao seu lado, acompanhando seu passo a passo cotidiano, vendo os dentes de leite crescer, acolhendo-o em suas dificuldades na escola ou nas decepções com a primeira namorada. O orgulho dela, estranhamente, se redobrava, potencializado seu amor materno em decorrência do afastamentos precoce.

Imiscuída entre convidados desconhecidos, peixe fora d’água entre as finezas tão alheias a ela, ao longe averiguava o calor da mãe adotiva, o olhar igualmente contente por suas conquistas, a expressão feliz de quem cumpriu perfeitamente a tarefa na condução do filho ao longo da vida, guiando-o pelos caminhos obscuros até ele atingir certo grau de maturidade, no qual soltou sua mão para trilhar sozinho os seus passos. Embarcava de gaiata entre comensais com suas taças de espumante e garçons com acepipes nomeados por palavras nunca antes ouvidas — o mundo no qual seu menino embarcava.

Aquela mãe substituta não a incomodava, não provocava inveja nem nenhum reação negativa. Não lançava sobre ela ranhuras de alma em busca de cicatrização pelo embate violento ou pela injúria, comedida em sua simplicidade honrada. Pelo contrário, comparava-se a ela e nela enxergou as competências não presentes em si mesma, a segurança, a estabilidade material e emocional, a dedicação paciente. Delegou-a a função com propriedade: suas características a tornavam uma mãe bem mais eficiente. E abdicou de suas atribuições sem prejuízo.

Ao longo da vida, testemunhou alguns momentos do rapaz, perdida entre os muitos observadores, mais uma na multidão sem nenhum valor especial perante ele. Quando levou a medalha de ouro no judô, lá ela mordia os próprios dedos em nervosismo. Quando saiu a aprovação no vestibular, ela se estabanou com o celular na mão querendo acessar o resultado online e naquela noite se ajoelhou diante da Virgem agradecendo por concretizar suas preces. E, agora, presenciava o rompimento maior, apenas esperando vê-lo mais e mais realizado futuramente.

Em outras mulheres na sua situação, os sentimentos tenderiam a um pêndulo. A maioria se arrependeria de suas escolhas passadas e se ajoelharia diante do filho pedindo perdão pelo abandono, recebendo sua cara trunfada como resposta, revertendo alguma mácula de indesejado remoída intimamente. A minoria abortaria afetivamente a criança, rompendo-a de sua memória, lançado o embrião intangível na privada para depois dar descarga.

Já ela enchia o peito pela congruência do destino. Lançou suas fichas há pouco mais de duas décadas e agora recebia o prêmio por sua aposta. Não se lamentava, tampouco esquecia. Mantinha acesa a chama de seu afeto materno, alimentada cotidianamente pela memórias e pela esperança. A mãe adotiva o abraçava e ela sabia de seu merecimento em cada pequeno alento. Saía dali com uma forte sensação de dever cumprido, agora que finalmente soltava a mão de seu filho.

 

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Escritor Guilherme Carvalhal no “Opiniões” — quinta sim, quinta não

Aos motivos já expostos aqui para anunciar a estreia do escritor capixaba Fabio Bottrel, pouco ou nada resta a acrescentar a este anúncio do escritor e jornalista itaperunense Guilherme Carvalhal como novo colaborador do blog. Amanhã (07/04), ele inicia sua participação quinzenal neste “Opiniões” — quinta sim, quinta não. Em quarta de véspera, fiquemos com o prólogo da sua carta de intenções:

 

Escritor e jornalista Guilherme Carvalhal
Escritor e jornalista Guilherme Carvalhal

 

Após sete anos afastado da Folha da Manhã, recebo o convite do Aluysio Abreu Barbosa para colaborar quinzenalmente em seu blog. No período em que atuei no jornal, passei pelas editoriais de Cultura e Geral (Folha Dois), mas essa nova colaboração se dá em um gênero diferente de texto, através da ficção.

Do trabalho jornalístico iniciado pouco após minha graduação (formei-me em Jornalismo na cidade de Itaperuna em dezembro de 2006 e comecei a trabalhar no referido jornal em novembro de 2007), aos poucos comecei a enveredar pelo ramo que me levou a optar pela opção dessa carreira, que é trabalhar com ficção. Nesse ínterim, foram cinco romances publicados, sendo o quinto — Conversa de Pedra — o trabalho mais atual e no qual estou envolvido na divulgação.

O passar dos tempos leva por caminhos diferenciados. Se em 2007 ingressei para iniciar minha carreira no jornalismo, em 2009 saí e retornei a Itaperuna com planos para tentar mestrado. Da tentativa não sucedida vieram outras oportunidades de trabalho, como na área de comunicação empresarial. Soma-se a isso uma segunda graduação, dessa vez em Administração, e uma tentativa mais positiva de conseguir ingressar no mestrado, abortada pelo agravamento de um problema de saúde (já devidamente controlado).

Trabalhar com ficção iniciou-se em 2011, por autopublicação. A travessia até se conseguir uma voz própria é demorada e complexa. Esse trabalho atual, Conversa de Pedra, é o mais sólido e maduro até agora, fruto de muito tempo de esforço e dedicação.

Para esse espaço, estarei apresentando contos de ficção, fruto de vivências e da tentativa por buscar uma voz própria. Explicar a proposta é algo contraproducente por natureza, tendo em vista que o objetivo da literatura é ser sua própria voz, independente de explicação. Então, deixo meu agradecimento pelo convite e a expectativa de agradar aos leitores.

 

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Sucessão de Rosinha entre união e divisão da oposição

Depois de cinco mandatos de deputado estadual, os três últimos consecutivos, João Peixoto (PSDC) disse ter sido cobrado pelos eleitores para se lançar à Prefeitura de Campos. Pela trajetória, diz não poder ser vice na chapa de ninguém, a não ser do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN), que mais uma vez se vê diante da impossibilidade jurídica. Peixoto criticou a desunião de uma oposição fatiada em muitas pré-candidaturas: “inclusive a minha”.

 

Deputado estadual e pré-candidato a prefeito João Peixoto (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Deputado estadual e pré-candidato a prefeito João Peixoto (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Pré-candidatura – Já tive todos esses mandatos de deputado estadual (1994, 98, 2006, 2010 e 2014). Aí, meus eleitores me cobram por que eu não venho candidato a prefeito de Campos. Resolvi, então, me lançar. Tem gente que fala que eu digo que vou ser candidato e depois desisto, mas nunca me lancei pré-candidato a prefeito. Pode ver nos arquivos dos jornais e das rádios. Agora, eu tenho um incentivo muito grande do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), que me falou que seria a minha vez.

Oposição – Vejo hoje a oposição muito desunida, com muitas pré-candidaturas, inclusive a minha. Agora, eu sou pré-candidato pela minha trajetória, não porque quero ser candidato. Eu nunca tive a oportunidade de ser candidato, e a oportunidade é esta.Se houver uma união da oposição, essa Prefeitura cairá em seu colo. Mas se permanecer desunida, vejo muito dificuldade para a oposição pegar essa Prefeitura. As pesquisas apontam que só três, em cada 10 campistas, votam no governo. Mas se saírem, por exemplo, sete candidatos, pode ser que cada um fique com 1%. E um não ganha de três.

Fogueira das vaidades – Vejo que existe. Para mim, é vaidade, sim: cada um querendo ser candidato. E não é a hora de vaidades. Em mim, não existe vaidade, existe realidade. Não posso, com todos esses mandatos (cinco para deputado estadual) ser vice de outro candidato. A não ser de Arnaldo Vianna (PEN). A oposição tem que calçar as sandálias da humildade. Estou aí, para sentar com qualquer um que estiver em busca de diálogo. Quem sabe se, com diálogo, a gente não chega a um denominador comum? Ainda há tempo.

Governo Rosinha – Vejo muita reclamação do governo nas ruas. A arrecadação diminuiu muito, as pessoas não entendem e são inúmeras as reclamações. Além disso o governo se abriu muito, em muitas frentes de obra. Aí, na hora da perda, da dificuldade, o que se vê são esse bando de obras inacabadas e o povo cobrando por mudanças. É por isso que eu me lancei como alternativa.

Dicção – Vou aos debates normalmente. Se fosse para debater coisas jurídicas, eu poderia até debater, mas não é o meu forte, porque não sou advogado. Mas é uma certeza que, sobre cada assunto do município, eu vou me calçar com as pessoas que entendem. Não vejo problema nenhum nisso, muito ao contrário. Quando eu fui assumir a secretaria (municipal) de Agricultura (no governo Arnaldo, em 2003), eu substituí um engenheiro agrônomo. E me lembro que num comício de (Carlos Alberto) Campista a prefeito, ele chegou a dizer num comício que eu fui o melhor secretário de Agricultura da história de Campos. Tanto que fiquei no cargo nos governos seguintes, tanto de Campista, quanto de (Alexandre) Mocaiber. Um bom gestor não é necessariamente o melhor numa área, mas aquele que sabe se cercar dos melhores.

Vice – Eu e Rogério (Matoso) não chegamos a formalizar um acordo, tivemos apenas uma conversa. E foi quando ele ainda estava no PMB. Aí, eu peguei o Pros, Albertinho (vereador, ex-Pros) pegou o PMB e Rogério foi para o PPL de Henriques, que ninguém sabe se está no governo ou voltou mais uma vez à oposição.

Nominata – Nossa nominata é muito boa. Acredito que nós, do PSDC e Pros, vamos fazer cinco vereadores. Dois com mandato, nós já temos: José Carlos e Dayvison. Temos também ex-vereadores, como Alciones Rio Preto, Marcos Alexandre e Dr. Admardo. Também temos o presidente do Pros, o Robinho Pitangueira, que é suplente de deputado estadual. E temos outros que ainda não foram testados e vão surpreender.

 

Página 3 da edição de hoje (05/04) da Folha da Manhã
Página 3 da edição de hoje (05/04) da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (05/04) na Folha da Manhã

 

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“Com tantos mandatos, não posso ser vice, a não ser de Arnaldo Vianna”

Deputado estadual e pré-candidato a prefeito João Peixoto (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Deputado estadual e pré-candidato a prefeito João Peixoto (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

“Vejo hoje a oposição muito desunida, com muitas pré-candidaturas, inclusive a minha”

“Não posso, com tantos mandatos (cinco para deputado estadual) ser vice de outro candidato. A não ser de Arnaldo Vianna (PEN)”.

“Nossa nominata é muito boa. Acredito que nós, do PSDC e Pros, vamos fazer cinco vereadores”

 

Estas foram algumas das coisas que pontou hoje o deputado estadual João Peixoto, pré-candidato a prefeito pelo PSDC. Confira a íntegra da sua entrevista amanhã (05/04) na Folha da Manhã.

 

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Dilma, Lula, Delcídio e Moro na capa de hoje do New York Times

A partir de uma entrevista com o senador Delcídio do Amaral (sem partido/MS), ex-líder do governo federal no Senado, que foi preso e fez delação premiada na operação Lava Jato, o New York Times dedicou grande parte das suas edições virtual de ontem e impressa, aos escândalos de corrupção no Brasil e à ameaça de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Na capa de hoje do mais importante jorna dos EUA, estão estampadas as fotos de Dilma, Delcídio, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do juiz federal Sérgio Moro, além do protesto de rua do último 13 de março, maior da história do país.

As matérias originais, em inglês, podem ser conferidas aqui e aqui. Suas repercussões na mídia nacional podem ser lidas aqui e aqui.

 

 

Dilma, Lula, Delcídio e Sérgio Moro na capa de hoje do New York Times
Dilma, Lula, Delcídio e Sérgio Moro na capa de hoje do New York Times

 

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Você é contra ou a favor do impeachment de Dilma? Por quê?

Marcão 2

 

Sou contra o argumento jurídico do pedido de impeachment, pois a reprovação das contas do governo da presidente pelo TCU consiste no atraso do repasse de recursos do governo a bancos públicos, e isso não configura crime de responsabilidade. Vários juristas afirmam ainda que a presidente não pode ser responsabilizada por fatos ocorridos no primeiro mandato. Nesse cenário, não há possibilidade de impeachment do presidente da República por ato praticado em mandato anterior. Em relação aos crimes apurados na operação Lava Jato sou a favor de que sejam todos responsabilizados na forma da lei.

Marcão Gomes, vereador (Rede) e servidor público federal

 

 

Luiz Alberto NenémFaço parte dos 68% de brasileiros que são a favor do impeachment e que foram as ruas no dia 13 de março. Fiquei triste, pois fui o único vereador a participar das manifestações em nosso município. Hoje como todo brasileiro venho sofrendo com tanta irresponsabilidade do governo federal. E como empresário fico ainda mais triste, pois só em 2015 foram fechadas quase 100 mil lojas no Brasil, com o aumento de impostos e o alto desemprego. Como ser contra o impeachment considerando que o assalto aos recursos da Petrobras, durante oito anos, de bilhões de reais, sem que a presidente da República soubesse, constitui omissão, negligência e imperícia, confirmando improbidade administrativa, portanto havendo provas para um processo de impeachment de acordo com a lei nº 8.429 de 2 de Junho de 1992?

Luiz Alberto Neném, vereador (PTB) e empresário

 

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Artigo do domingo — Até o sol nascer

Atafona, aurora de 26/02/16 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Atafona, aurora de 26/02/16 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Beque de roça tecnológico, pedi a Antunis Clayton que levasse um gravador e me emprestasse para a entrevista. Ao contrário do hábito, não preparei pauta, nem estudei vida e carreira do entrevistado. Julgava ser capaz de fazê-la bem, só batendo de prima da memória.

“Entre as curvas da estrada e do rio” encarnado verso em “epifania”, ouvíamos a guitarra de blues do inglês Matt Scofield e subíamos o Paraíba do Sul. Já escrevi (aqui) que a RJ 158, entre Campos e São Fidélis, está entre as mais lindas que conheço, junto da Turmalina/Diamantina, trecho da BR 367 no norte de Minas Gerais; da Esparta/Olímpia, no Peloponeso (GRE); e todos os caminhos das Highlands (“Terras Altas”) da Escócia e do sul da Toscana (ITA), que chegam e saem de Siena — linda cidade que batiza um carro feio.

Chegados ao sítio do deputado federal Paulo Feijó (PR), Antunis saca da sua mochila o gravador. Eu me espanto e Tércio Teixeira, o repórter fotográfico, ri, ao perceber que se trata de um daqueles antigos “tijolões” de fita cassete. Completava o anacronismo o elástico improvisado no lugar da tampa, para as pilhas não caírem.

Após pensar, constatei que o tempo do qual falaríamos era o mesmo da tecnologia que nos gravaria o som. E por isso ri também, num alívio curioso e involuntário. Entramos e caminhamos ao longo da antiga linha de trem e do rio, até avistar homens de meia idade brincando como crianças dentro e ao redor da quadra de futevôlei, enquanto crianças de verdade corriam alheias ao entorno.

A primeira entrevista, no deck da piscina ao lado da quadra de areia, foi com o ex-atacante Cláudio Adão. Meu pai me dizia que, quando ele surgiu, ainda garoto, no Santos dos anos 1970, era apontado como o sucessor de Pelé, que ainda jogava, já perto de encerrar a carreira. Ademais, me lembro com vista própria de Adão jogando no Flamengo de Zico, entre o final dos anos 70 e início dos 80, no qual se notabilizaria outro centro-avante de menos técnica, mas decisivo: Nunes.

Lançado também no Flamengo, ainda com Zico, Leandro e Andrade, na segunda metade dos anos 1980, meu objetivo se mostrou à primeira vista esquivo e tímido, como sempre me pareceu ser nos tempos de jogador. A impressão foi reforçada quando começamos a entrevista, onde aos poucos, ao perceber o conhecimento de pormenores das suas jogadas e carreira, foi se soltando o ex-zagueiro Aldair, do Flamengo, Benfica (POR), Roma (ITA) e Seleção Brasileira, Tetracampeão do Mundo na Copa de 1994, na qual foi um dos destaques.

Acabamos a entrevista (aqui), apertei sua mão e disse: “Você foi o maior zagueiro que vi jogar!”. Despedimos-nos dele e dos demais, e saímos logo depois. Como estávamos já no início de tarde de sábado, sabia que a entrevista só daria para ser degravada e editada no correr da semana seguinte.

São engraçadas as impressões de uma entrevista que fizemos. Geralmente temos uma opinião sobre ela quando a acabamos, outra depois que a tiramos do gravador e uma terceira após a lermos impressa. Com Aldair, me valeu como segurança o que disse o Tércio logo depois da entrevista, que acompanhou com olhos atentos na câmera e ouvidos ao papo: “Vocês foram ficando visivelmente emocionados, principalmente quando começou a relembrar nas suas perguntas os detalhes dos lances dele no campo”.

Com a semana seguinte cheia de trabalho laico, apesar de santa, aproveitei o feriado da Páscoa para ir a Atafona, com meu filho e seu cão, um buldogue francês tigrado chamado Zidane, desde a noite da Quinta-Feira da Ceia. Na Sexta da Paixão, dediquei manhã e início da tarde à pauta de outra entrevista (aqui), mais técnica, mas também mais prática, porque por e-mail, sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), com o advogado tributarista Carlos Alexandre de Azevedo Campos, ex-assessor do Supremo Tribunal Federal.

No resto da tarde de sexta, noite e início da madrugada, tirei do gravador, editei e fiz a abertura da entrevista com Aldair. Irônico, mas de crença difícil, foi o fato que, no mesmo quarto onde meu filho já dormia, ao final da degravação, exatamente quando Aldair falava da falha da marcação coletiva na final da Copa de 98 (França 3 a 0 Brasil), na qual a Seleção Brasileira sofreu dois gols de cabeça do craque Zidane, em cobranças de escanteio, o cachorro Zidane passou a me lamber.

Acabei a entrevista, desci à área externa e fui tomar sozinho, já na madrugada do Sábado de Aleluia, a primeira cerveja daquela semana santa. Cercado por muitos ídolos dos campos citados por outro, todos revisitados no encanto de quem passeia entre os heróis homéricos da sua juventude, o primeiro casco vazio de cerveja ganhou companhia na celebração do trabalho.

Até a “aurora de dedos róseos” anunciar o sol.

 

 

Aldair dos Santos Nascimento e Aluysio Abreu Barbosa, em 19/03/16 (foto de Tércio Teixeira - Folha da Manhã)
Aldair dos Santos Nascimento e Aluysio Abreu Barbosa, em 19/03/16 (foto de Tércio Teixeira – Folha da Manhã)

 

 

Publicado hoje (03/04) na Folha da Manhã

 

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