Leitura das pesquisas (e na educação) não favorece aos Garotinho

Ponto final

 

 

Erros e acertos

Embora lidem com a ciência exata, pesquisas não podem ter a pretensão de sê-la. Erros como os revelados no resultado das urnas do primeiro turno no governo do Rio e do Brasil, em outubro passado, quando foram deixados para trás Anthony Garotinho (PR) e Marina Silva (PSB), chegam a nos fazer duvidar da suas reais capacidades de projeção. Mas só até que o turno seguinte as confirmem, como ocorreu na vitória eleitoral final, respectivamente, de Luiz Fernando Pezão (PMDB) e de Dilma Rousseff (PT).

 

Coincidência?

Em Campos dois institutos locais fizeram pesquisas no mês de abril para aferir a avaliação do campista sobre o governo Rosinha Garotinho (PR): o Pappel e o Pro4. O primeiro ouviu 910 campistas, enquanto o segundo consultou 426. E os resultados, comparadas as amostragens atuais com as que fizeram antes cada instituto, apesar de alguma diferença nos números, apontam uma realidade muito semelhante: o governo Rosinha Garotinho (PR) vive seu pior momento — talvez desde que a ex-governadora foi eleita prefeita de Campos pela primeira vez, em 2008, se reelegendo em 2012.

 

Deu ruim (e péssimo)

Desprezada a avaliação de regular, como indicam os especialistas, o contraste entre aqueles que hoje consideram o governo Rosinha ótimo e bom contra aqueles que o avaliam como ruim e péssimo, desenham um quadro desanimador aos rosáceos. Para o Pappel, a gestão municipal hoje teria 43% de ruim (11,72%) e péssimo (31,28%), contra 19,9% de ótimo (4,4%) e bom (15,5%). Já nos números mais moderados do Pro4, a adição de ótimo (3,5%) e bom (22,8%) reúne os mesmos 26,3% da população que classifica a atual administração municipal como péssima. Somados aos 13,4% que acham ruim, chega-se a 39,7% de avaliação negativa. Ou seja, hoje, quatro entre cada 10 campistas consideram o governo Rosinha ruim ou péssimo.

 

“Pappel” interno

Enquanto o Precisão não é ressuscitado para tentar dar contraponto governista aos demais institutos locais de pesquisa, tudo parece indicar que a realidade do governo Rosinha é tão ruim quanto sua percepção pela população. Se no jogo para a galera os governistas tentam contrastar o que dizem ver nas ruas com o que evidenciam as pesquisas, internamente o discurso é bem outro. Recentemente, em reunião com bancada de Rosinha, foi seu próprio marido e secretário de governo, Anthony Garotinho, que provocou os vereadores ao lembrar que a pesquisa do Pappel deu à Câmara uma avaliação popular de 49,24% entre ruim (14,92%) e péssimo (34,32%).

 

Só Legislativo?

Além de ter que ouvir de um vereador rosáceo, e engolir calado, que a imagem da Câmara só está tão ruim porque nela o rolo compressor governista é obrigado a aprovar o pacote de maldades de uma Prefeitura inexplicavelmente quebrada, Garotinho provou que se valem internamente para espezinhar o Legislativo, as pesquisas valem fora para mostrar a realidade do Executivo. Este, no detalhamento maior do Pro4, enfrenta um quadro difícil: 54% dos campistas desaprovam o governo, 57,5% não confiam em Rosinha e 65,5% não votariam para prefeito em nenhum candidato apoiado por ela.

 

Tiro pela culatra

Outros detalhes do Pro4 revelam que a tática de Garotinho pós-fracasso eleitoral de 2014, assumindo a cara do governo da esposa e buscando uma reaproximação com a classe média goitacá, a partir de intervenções como seus programas de segunda a sexta na Rádio Educativa, da Fafic, não tem surtido efeito. Dos que consideram o governo Rosinha ruim e péssimo, 75% têm curso superior. E o número nesta faixa de escolaridade cresce entre os que desaprovam a administração municipal (82%), não confiam em Rosinha (87,%) e não votariam no seu candidato (90%).

 

Estudo, renda e voto

Levado em consideração a questão de renda, aqueles que ganham mais de cinco salários mínimos também lideram com folgas o antigarotismo em Campos: 71,4% desaprovam o governo Rosinha, 78,6% não confiam na prefeita e impressionantes 92,9% pretendem votar num candidato da oposição em 2016. Números traduzidos em palavras, fica bem definida uma verdade incômoda desde 1989 aos que chegaram ao poder no município e nele se mantiveram nos 26 anos seguintes: quanto mais se estuda e ganha, menos se aprova, confia e vota nos Garotinho.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Crítica de cinema — As várias leituras de “Vingadores”

Cinematógrafo

 

Vingadores 2

 

Mateusinho 4Vingadores: Era de Ultron — Um filme de super-heróis, como “Vingadores: Era de Ultron”, comporta leituras em níveis diversos. Para adolescentes e adultos amantes de ação tão somente, o filme é fabuloso. Seis super-heróis com poderes inatos ou adquiridos se reúnem para lutar pela justiça e pela segurança do planeta. Eles se hostilizam com gracejos, mas conseguem trabalhar juntos com a orientação sábia de meros mortais. As lutas e destruições mostradas pelo filme agradam muito os expectadores simplórios.

Num nível mais profundo, o filme se mostra como produto de muito dinheiro investido para obter altíssimos lucros de bilheteria. De fato, o espetáculo de tecnologia e efeitos especiais impressiona e fascina o tolo e o observador crítico.

Descendo mais fundo ainda, a arrogância dos Estados Unidos, os efeitos da globalização e mesmo os erros do ocidente para com outros países, mormente os árabes, aparecem nos super-heróis. A reunião dos super-heróis corresponde mais ou menos à coalização de países ocidentais em luta contra o resto do mundo. Embora aliados, eles manifestam suas rusgas.

Quem representa os Estados Unidos não é o Capitão América, como poder-se-ia pensar à primeira vista. Ele é um herói que saiu da Segunda Guerra Mundial. Não passa de um soldado forte, com um escudo poderosíssimo, mas disciplinado, com aptidões para liderar e proteger os civis. Mas é só. O verdadeiro representante dos Estados Unidos é o Homem de Ferro. Ricaço, inteligente, cientista, charmoso com as mulheres, mas arrogante e debochado, ele pensa, comete acertos e erros. De vez em quando, é desastrado e cria inimigos. Já Thor representa o sobrenatural entre os Vingadores, com seu destruidor martelo. Mesmo fortíssimo, ele conta com a ajuda de um mentor. Hulk é uma versão atual de “O médico e o monstro”. Quando sóbrio, é um brilhante cientista. Quando alterado, é puro instinto. No entanto, mesmo na condição de monstro verde, ele distingue os bons dos maus, os inocentes dos vilões.

Já Gavião Arqueiro, Viúva Negra e os Gêmeos não passam de heróis menores, de países aliados aos quatro grandes, mas que podem servir como excelentes coadjuvantes e até resolver as trapalhadas do quarteto principal.

O perigo no mais recente filme dos Vingadores não vem do espaço nem de um inimigo externo como a União Soviética no tempo da Guerra Fria. Vem do Homem de Ferro, dos próprios Estados Unidos. Robert Downey Jr., convincente como Tony Stark no papel de playboy da ciência, mas inconvincente como Homem de Ferro, leva Mark Ruffalo, que faz o papel do Dr. Robert Bruce Banner e de Hulk, a criar Ultron, um androide indestrutível com inteligência artificial, para proteger a Terra e a humanidade. O tiro sai pela culatra, e Ultron se torna o arqui-inimigo da humanidade, desejando sua extinção pela evolução. O erro de Stark já estava definido na década de 1960, com a criação de Ultron por Stan Lee, que indefectivelmente aparece numa ponta dos filmes com os personagens idealizados por ele para a Marvel.

Numa leitura atual, poderíamos entender Ultron como o resultado da política externa dos Estados Unidos e da União Europeia para o Oriente Médio. Ultron poderia ser uma espécie de grupo extremista islâmico do Oriente Médio e da África? O próprio Barak Obama já reconheceu que os extremistas do Estado Islâmico cresceram por descuido dos Estados Unidos, que até inundaram a região com armas nas suas guerras.

A interpretação pode não ter pé nem cabeça, mas não é descabida. Nem interessa aos ingênuos admiradores dos Vingadores, da vaidade de cada um e dos seus desentendimentos. Afinal, eles são humanizados por seus dilemas, suas angústias e suas dúvidas, aproximando-se da maioria dos expectadores.  Além do mais, com erros ou sem eles, no final os bons vencem os maus.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira aqui o trailer:

 

 

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Maioria não aprova governo de Campos e nem confia em Rosinha

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa e Arnaldo Neto

 

“Você aprova a maneira como a prefeita Rosinha Garotinho (PR) vem administrando Campos?” Com a pergunta feita para 426 campistas no mês de abril, pelo instituto de pesquisa Pro4, a resposta revelou a desaprovação do governo municipal por 54% da sua população, enquanto 41,1% aprovam e 4,9% não sabem ou preferiram não opinar. Esta desaprovação do governo pela maioria dos campistas alcança números ainda mais severos quando a questão é a confiança na pessoa da prefeita: 57,5% dos campistas disseram não confiar, o que só fazem 36,2%, ao passo que 6,3% não souberam ou não quiseram responder.

Na clássica avaliação entre ótimo, bom, regular, ruim e péssimo, tanto o Pro4, quanto o instituto Pappel, aferiram acentuada queda de popularidade por parte da administração municipal, nas pesquisas recentes comparadas com as anteriores que os dois institutos respectivamente fizeram. Pelo Pappel, entre agosto de 2014 e abril de 2015, o governo Rosinha passou de 10,31% para 4,4% em ótimo, de 32,69% para 15,50% em bom, de 37,08% para 37,06% em regular, de 6,98% para 11,72% em ruim, e de 12,94% para 31,28% em péssimo. Ou seja, perdeu metade da avaliação positiva, dobrou a negativa e “patinou” no limbo da regularidade.

Embora tenha registrado a mesma corrosão na popularidade da gestão municipal, o Pro4 deu-lhe números mais brandos, na comparação entre suas duas consultas mais recentes. Nelas, entre novembro de 2014 e abril de 2015, a administração rosácea passou de 4,9% para 3,5% em ótimo, de 29,1% para 22,8% em bom, de 37,3% para 31,9% em regular, de 17,4% para 13,4% em ruim, e de 9,6% para 26,3% em péssimo. Quase todas essas reduções de popularidade ficam dentro ou próximas da margem de erro de 4,7 pontos percentuais para mais ou menos, a não ser no impressionante crescimento de 16,7 pontos percentuais nos campistas que passaram a avaliar o governo Rosinha como péssimo, no curto espaço dos últimos cinco meses.

Não satisfeita com essa parcial, o Pro4 excedeu o Pappel e buscou mais detalhamento da sua amostragem junto aos eleitores campistas. Indagados, por exemplo, como seria hoje sua escolha sucessória para 2016, 68,7% disseram que não votariam num candidato apoiado pela prefeita, opção assumida só por 34,5%. Os motivos talvez sejam os novos dados coletados pelo instituto e revelados hoje pela Folha: 54% desaprova a maneira como Rosinha administra a cidade, percentual da população elevado a 57,5% que simplesmente não confiam na pessoa que lhes governa.

 

Info Pro4 05-05-15 (interna)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

Quem estuda e ganha mais confia menos

Quem mais confia em Rosinha Garotinho? Quem mais desconfia da prefeita de Campos? O primeiro eleitor é majoritariamente feminino (57,5%), de meia idade (38,1% entre 45 a 59 anos), só estudou até a 4ª série do ensino fundamental (53%) e tem renda até um salário mínimo (44,1%). Na ponta oposta, quem mais desconfia de Rosinha é do sexo masculino (61,1%), jovem (62,3% entre 16 a 24 anos), tem ou cursa educação superior (87,5%) e possui renda declarada acima de cinco salários mínimos (78,6%).

Em resultados muito semelhantes, a pesquisa do Pro4 só encontrou pequenas diferenças em três faixas, ao mudar as perguntas: “Aprova ou desaprova a maneira como a prefeita Rosinha vem administrando Campos?”. Quem aprova continua majoritariamente mulher (45,6%) e com escolaridade até a 4ª série do ensino fundamental (53%), mas cai um pouco em renda, ao declará-la nenhuma (50%), e uma geração em idade, se fixando mais entre os 35 a 44 anos (43%).

Em contrapartida, quem desaprova a administração rosácea permanece sendo em sua maior parte homem (58,6%), com ensino superior (82,5%) e renda familiar acima dos cinco salários mínimos (71,4%). Sua faixa etária é que sobe uma geração, situando-se sobretudo entre os 25 a 34 anos (57,9%).

 

Vereadores Mauro Silva (PT do B) e Marcão (PT)
Vereadores Mauro Silva (PT do B) e Marcão (PT)

 

Vereadores falam sobre queda

Pesquisa do instituto Pro4, comandado pelo empresário e colunista da Folha Murillo Dieguez, divulgada (aqui) na edição do último domingo, apontou queda de popularidade e acúmulo de rejeição ao governo Rosinha Garotinho (PR). Os dados assinalam ainda que o grupo que está no comando do município de Campos há 26 anos terá dificuldade em eleger seu sucessor. O líder do Governo na Câmara, Mauro Silva (PT do B), avalia que “a pesquisa seria reflexo de um momento”, mas que até as eleições os números podem mudar. No entanto, afirma que há uma distorção, especialmente no que diz respeito à rejeição da atual gestão. Petista da bancada de oposição, o vereador Marcão Gomes (PT) acredita que os índices refletem a “insatisfação popular” e o “sentimento de mudança evidente em todo município”.

Para Mauro Silva, o fato de a pesquisa ter ouvido 426 eleitores não significa que seja o reflexo do sentimento da população campista. “Há uma distorção. O sentimento das ruas não é o mesmo que mostra a pesquisa. Não retrata o que eu vejo nas ruas, durante eventos e inaugurações nas quais acompanho a prefeita. Eu não vejo essa rejeição. E até as eleições, os números que essa pesquisa aponta, e que eu não acredito, podem ser outros”, pontuou.

Por outro lado, Marcão avalia que os dados apontados pela Pro4 refletem a atual situação do governo de Campos, tanto no que diz respeito à avaliação do atual mandato, quanto à disputa pela Prefeitura em 2016. “Existe uma insatisfação muito grande com relação a esse desgoverno rosa, que tem muito dinheiro, muito recurso, mas é mal administrado. A pesquisa espelha o que a gente tem visto nos bairros, escolas, postos de saúde. Encontramos uma insatisfação enorme e uma imensa vontade de mudança”, afirmou.

A pesquisa mostra que a avaliação do governo Rosinha em Campos como ruim e péssimo (39,7%) é superior, em mais de 10%, ao número de entrevistados que o consideram ótimo e bom (26,3%). Os dados mostram ainda que 65,5% dos campistas não votariam no candidato apontado pelo grupo rosáceo para sucessão municipal de 2016. Na semana passada, o instituto Pappel também divulgou pesquisa que apontou queda de avaliação positiva e o crescimento da rejeição a Rosinha.

 

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Barco começa a fazer água até na bancada governista. Mas pular para onde?

barco naufragado

 

 

Na matéria do jornalista Mário Sérgio Junior publicada aqui, na edição da Folha último domingo, o cerco parecia se fechar sobre os Garotinho: dezenas de obras municipais paradas em todo o município, ações na Justiça por improbidade administrativa e dano ao erário contra um Anthony Garotinho (PR) sem imunidade parlamentar, além da novidade do Ministério Público Federal (MPF) fiscalizando a saúde pública de Campos. Isso sem contar as pesquisas de institutos de opinião dando conta (aqui) da acentuada queda de popularidade do governo Rosinha Garotinho (PR), bem como das dificuldades que seu grupo poderá enfrentar para eleger seu sucessor em 2016.

Pois hoje, dia de convocação extraordinária na Câmara Municipal, o barco governista parece começar a fazer água até entre a sua própria bancada. Marcada para o segundo turno do projeto de emenda à Lei Orgânica do Município (LOM) nº 0067/2015, aprovado em primeiro turno por votação apertada, através do qual Rosinha quer que seus subsecretários e “cargos equivalentes” possam também ser ordenadores de despesas, a nova votação na Câmara foi aberta e em seguida fechada pelo presidente Edson Batista (PTB). O motivo, em matéria considerada prioritária para o governo, foi falta de quórum.

O detalhe é que, dos cinco vereadores de oposição, três responderam à convocação extraordinária da prefeita: Marcão (PT), Rafael Diniz (PPS) e Fred Machado (SD). Numa emenda à Lei Orgânica que precisa de 2/3 dos 25 vereadores para ser aprovada, as dúvidas de voto e ausências foram do lado governista. Segundo informou aqui o jornalista Alexandre Bastos, há dúvida sobre o posicionamento dos governistas Gil Vianna (PR), Albertinho (Pros), Jorge Magal (PR), Neném (PTB), Dayvison Miranda (PRB) e Alexandre Tadeu (PRB). Gil e Neném estiveram entre os muitos ausentes da sessão de hoje.

Que há um descontentamento generalizado de muitos edis governistas nesta época de vacas magras, sobretudo dos que chegaram a ameaçar compor um bloco “independente” em 2014 (relembre aqui e aqui), parece não haver dúvida. Mas diante do quadro também complicado do governo estadual Luiz Fernando Pezão (PMDB), a dúvida é a única coisa que ainda segura muitos vereadores rosáceos. Afinal, pular para onde?

 

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Crítica de cinema — Boa tragicomédia da turma do Porta dos Fundos

Colyseu

 

Entre abelhas

Mateusinho 3Entre abelhas — O desaparecimento de abelhas de várias espécies vem preocupando pesquisadores no mundo todo. O fenômeno tem forte impacto na produção agrícola e na segurança alimentar, pois leva ao aumento do custo dos alimentos e ameaça a viabilidade de culturas. Prestadoras de inestimáveis serviços ambientais, as abelhas respondem pela polinização de 71 dos 100 tipos de colheita que alimentam e vestem a humanidade, segundo relatório da ONU. Diminutas e invisíveis aos olhos urbanos, as abelhas escancaram a interdependência vital existente entre os reinos vegetal e animal. Entre nós, humanos, a invisibilidade social é um fenômeno decorrente da contemporaneidade.  O termo invisibilidade social  foi criado para designar as pessoas que ficam invisíveis socialmente, seja por preconceito ou indiferença.

A produtora Mixer, embarcando nessa onda de sumiços, lança o drama/comédia  “Entre Abelhas” com roteiro, produção e direção de Ian SBF (Porta dos Fundos, produtora de vídeos de comédia veiculados na internet, criada entre parceria do site de humor Kibe Loco e a produtora Fondo Filmes, com mais de 30 milhões de visualizações) , estreando no comando de um longa-metragem de ficção.

No elenco o co-roteirista, co-produtor e comediante Fabio Porchat — de “Podia ser pior”(2009), “Meu passado me condena”(2013) e “Vai que dá certo” 1 e 2 (2013/15) —, é o protagonista Bruno, Marcos Veras — “Vestido pra casar” (2013) e “Copa de elite” (2013) — como o amigo Davi e Giovanna Lancellotti (estreia em longa-metragem) faz a ex-esposa Regina. Irene Ravache — “Ed Mort” (1997), “A memória que me contam” (2012) e “Os homens são de Marte e é pra lá que eu vou” (2014 )—  é a mãe protetora.

“Entre Abelhas” (83 min e impróprio p/ menores de 14 anos) conta a história de Bruno (Fabio Porchat), um editor de imagens recém-separado da mulher Regina (Giovanna Lancellotti), que começa a deixar de ver as pessoas após sua festinha de despedida de casado em uma das casas de saliência do Rio de Janeiro. Ele tropeça no ar, esbarra no que não vê, até perceber que as pessoas ao seu redor estão ficando invisíveis. Com a ajuda da mãe protetora (Irene Ravache), do melhor amigo, o canastrão vascaíno Davi (Marcos Veras) e do garçom Nildo (Luiz Lobianco), Bruno tentará desvendar os mistérios que cercam esse fenômeno.

Com uma excelente equipe técnica Ian SBF consegue, em sua estreia, realizar um filme com qualidade impressionante, como nas cenas em que Bruno vê sumir o motorista de táxi com o carro em movimento no trânsito, e quando caminha pela cidade totalmente vazia. Destaque também para as atuações do Porchat, que, como comediante, sustentou muito bem a carga dramática do personagem, e Irene Ravache, com toda sua experiência.

Teremos que aguardar um “Entre Abelhas2” para desvendar a razão dos sumiços, pois quando Bruno pega a foto de sua despedida de casado, liga para o número do telefone escrito em sua testa pela profissional da casa de saliência, que é uma das poucas pessoas que ainda vê, surpreendentemente surgem os créditos na tela.

A produtora Mixer e a turma do Porta dos Fundos confirmaram a evolução do cinema nacional e realizaram uma boa tragicomédia.

Não foi o fim da picada.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Sarau de Kapi — Visões de uma noite mágica

Dizer que o Sarau em homenagem a Kapi foi um momento mágico, daqueles de carregar no estojo de toda a vida, pode ser meio chover no molhado para aqueles que lotaram a bela sede local do Sindicato dos Servidores da Educação Federal (Sinasefe), na noite do último sábado (02/05). Para quem foi e quiser armazenar um fragmento de volta, ou para quem não foi, mas quiser pedaços de ida para guardar, vale a pena conferir os registros feitos pelo repórter fotográfico Genilson Pessanha:

 

Sarau Kapi 1

 

 

Sarau Kapi 2

 

 

Sarau Kapi 3

 

 

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A última entrevista de Kapi

Feita em 3 de fevereiro e exibida pela primeira vez na última sexta-feira (01/05), pela Plena TV (canal 24 da Via Cabo e 3, da Ver TV), a última entrevista do diretor de teatro e poeta Antonio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi, falecido no último dia 2 de abril, voltou novamente ao ar hoje, às 10 da manhã, com uma segunda sessão confirmada para às 23h. No correr da semana, será reprisada pela Plena TV na segunda (22h), terça (22h), quarta (23h) e quinta (20h).

Como entrevistador, condição meia dividida entre a de amigo, de admirador e eventualmente de também personagem, além de ter mergulhado durante uma semana na edição do material, junto ao jornalista Antunis Clayton e ao editor de imagem Aldo Viana, confesso que a melhor experiência foi assistir à entrevista na noite de ontem (02/05), no auditório lotado do Sinasefe, na abertura do inesquecível Sarau que homenageou Kapi com a sua poesia. Confesso que me emocionei, às lágrimas, com as reações do público, num verdadeiro coro de teatro grego a conferir gravidade de tribo a cada assertiva do grande artista. Quando, no quarto bloco, ele disse “A cidade que não respeita, que não ama o seu artista, não merece existir!”, a eletricidade correu à pele arrepiada com a salva de palmas efusiva e longa dos presentes.

Quem ainda não viu ou quiser rever, é só usar os próprios olhos (e ouvidos) para conferir abaixo:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Artigo do domingo — “Eu acredito é na rapaziada”

mudança

 

 

Por Gustavo Matheus(*)

 

Corroborando com a pesquisa realizada, na última semana, pelo Instituto Pappel, que cravou uma intensa queda de popularidade da prefeita Rosinha Garotinho, a Pro4 traz números e estatísticas que traduzem acuradamente o sentimento da grande maioria dos campistas. 65,5% dos 426 entrevistados afirmam que não votam no candidato do grupo rosáceo, que segue desbotando e perdendo o rosa. Seria, após 26 anos de domínio, o fim da era Garotinho? Seria, então, o início de algo novo ou mais um revezamento entre coronéis divididos por fronteiras de vaidades, zonas eleitorais e interesses patrimonialistas?

Sabe-se que a família Garotinho não poderá, em 2016, realizar o revezamento entre os seus integrantes, portadores do mesmo sobrenome fictício, o que, por incrível que pareça, pode ser algo positivo para eles. Talvez a estratégia seja justamente esta, afastar o peso que traz o casal e este péssimo segundo mandato. Para o governo, agora é hora de trabalhar o sucessor da prefeita, que chega com a difícil missão não só de vencer a eleição, mas também, caso vença, de aturar o criador, governando um Executivo com pouquíssimos recursos para de fato executar algo de relevância. Como se sabe, a Prefeitura está quebrada.

E o novo, a mudança? Estar na oposição não significa ser oposição e, muito menos, representar uma merecida renovação. Até porque, a rejeição não é só ao nome, mas ao modelo político executado. Por isso, não adianta retirar a caneta do coronel Garotinho e passa-la adiante para quem já a teve em mãos e fez mau uso da mesma. Também não resolverão nossas dificuldades os coronéis da baixada, interior ou pedra (Centro). É preciso mudar de verdade, ou então este grupo político que aí está voltará ainda mais forte, como vimos no passado. O que prolonga a vida pública dos Garotinhos são os governos de orientações similares, mas com práticas piores, que sucedem os deles. Merecemos sangue novo, sem os vícios políticos que a dita “experiência” traz. Os jovens precisam se aproximar e “botar a cara no sol”. As pessoas não podem se permitir serem pautadas pela política, ao contrário, elas devem pautar seus interesses e demandas e ditar a política. Se os anciões do poder não lhes abrem as portas, metam os pés. Eles estão ocupando um espaço que lhes pertencem.

A população não aguenta mais esta política “band aid”, que não resolve os problemas.  A má gerência deste orçamento que, mesmo bilionário, segue causando dor de cabeça aos munícipes. Os campistas também não aguentam mais a subversiva prioridade deste governo, que prefere gastar quase 200 milhões em sambódromo, cidade da criança – quase uma “Terra do Nunca” – e reformas chulas da beira-valão, em detrimento a investimentos sólidos na Educação, Saúde, Transporte e muito mais. Este grupo político vai chegando ao fim de seu segundo mandato com um dos maiores orçamentos do país e ainda assim não conseguiu ser referência em nada, pelo contrário. Vivo me perguntando, qual é o legado deste governo? Seriam as péssimas colocações no Ideb (Índice de desenvolvimento da Educação Básica) e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)?

O momento é único e precisa ser fruído com competência e união. São muitas possibilidades, mas, citando Gonzaguinha, “eu acredito é na rapaziada”.

 

(*) Presidente do diretório municipal do PV em Campos

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Popularidade de Rosinha cai e ameaça sucessão do grupo em 2016

Info Pro4 1
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

Se a pesquisa do instituto Pappel divulgada na última semana constatou queda na popularidade da prefeita Rosinha Garotinho (PR), a mesma avaliação, embora com números diferentes, foi registrada na consulta feita pela Pro4. O instituto ouviu 426 pessoas em abril deste ano, com margem de erro de 4,7 pontos percentuais para mais ou menos, para constatar que Rosinha perdeu popularidade, acumulou rejeição e hoje teria sérias dificuldades para fazer seu sucessor, junto a um eleitorado que claramente quer mudanças. Comandado pelo empresário e colunista da Folha Murillo Dieguez, o Pro4 registrou que o governo Rosinha hoje é considerado ótimo para apenas 3,5% da população, enquanto 22,8% acham bom, 31,9% consideram regular, 13,4% acreditam ser ruim e 26,3% classificam como péssimo.

Comparadas as quatro últimas pesquisa da Pro4, os 49% da população que em outubro de 2013 avaliavam o governo municipal de Campos entre ótimo (19%) e bom (30%), caíram para 43% (9% de ótimo e 34% de bom) em agosto de 2014, para 34% (5% de ótimo e 29% de bom) em novembro do mesmo ano, enquanto hoje são apenas 26,3%: só 3,5% de ótimo e 22,8 de bom. Em contrapartida, se em outubro de 2013 só 20% consideravam a administração Rosinha como ruim (8%) ou péssima (12%), esse número cresceu para 21% em agosto de 2014 (8% de ruim e 13% de péssimo), subiu a 27% em novembro do mesmo ano, para agora atingir perigosos 39,7% (13,4% de ruim e 26,3% de péssimo), ultrapassando a faixa dos 35% que os especialistas indicam ser o máximo para um governante que pretenda se reeleger.

Como, tendo sido reeleita ao cargo, Rosinha não pode concorrer novamente, outra resposta da população à outra questão posta na rua pela pesquisa da Pro4, é preocupante para qualquer pré-candidato governista a suceder a prefeita. Hoje, só 34,5% dos campistas votaria num candidato a prefeito apoiado por Rosinha, enquanto 65,5% declararam que votariam em outro candidato.

 

Ruim e péssimo muito à frente de ótimo e bom

Geralmente abarcados entre aqueles que aprovam um governo, quem o considera razoável numa pesquisa está tão próximo dos que o julgam bom, quanto daqueles que o classificam como ruim. Esta ressalva é feita por todos os especialistas em pesquisas. Para se ter uma ideia da real popularidade de um governante, quem entende aconselha a soma do ótimo e bom, assim como do ruim e péssimo, na comparação dos dois resultados.

Assim, se todos 31,9% que consideraram o governo Rosinha regular forem contabilizados junto com os 3,5% de bom e 22,8% de ótimo, a prefeita chegaria a confortáveis 58,2% de popularidade. Todavia, esses 26,3% de bom e ótimo daqueles que certamente gostam do governo de Campos ficam mais de 10 pontos percentuais atrás dos 39,7% que comprovadamente não gostam, ao considerá-lo ruim (13,4%) e péssimo (26,3%).

 

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

 

Quem ganha e estuda mais não vota nos Garotinho

Na avaliação do governo municipal e na consulta para saber se o eleitor votaria, ou não, num candidato a prefeito de Campos apoiado por Rosinha, o raio-x mais detalhado da nova pesquisa Pro4 traça o perfil tanto do eleitor dos Garotinho, quanto daqueles que se opõem ao grupo que comanda o município há 26 anos. Os que apoiam Rosinha são em sua maioria mulheres, mais velho(a)s, têm baixa escolaridade e renda até 1 salário mínimo.

Na ponta oposta, quem mais desaprova o modelo de governo implantado pelos Garotinho e busca alternância tem maioria composta por homens, mais jovens, com maiores renda e escolaridade. Para se ter uma ideia, 90% dos eleitores com curso superior declaram que votarão em 2016 num candidato de oposição, índice que cai para 50% entre os campistas que só foram até a 4ª série do ensino fundamental.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Kapi — Hoje, no Sinasefe, Sarau para um poeta vivo com seus moinhos de vento

Sarau Kapi

 

Por Paula Vigneron

Hoje (2), poetas, músicos, atores e diretores de Campos irão se reunir em uma homenagem a Antônio Roberto de Góis Cavalcanti, o poeta e diretor de teatro Kapi. No dia que marca um mês da morte do artista, será realizada uma edição especial do sarau Baião de Dois, com obras de Kapi interpretadas por 18 amigos. O evento será realizado às 19h, no Sindicato Nacional dos Servidores Federais de Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), localizado na rua Álvaro Tâmega,  132. Também neste sábado (2), será novamente exibida, às 10h e às 17h, na Plena TV, a última entrevista concedida por Kapi, dois meses antes de sua morte, feita pelo jornalista Aluysio Abreu Barbosa.

O músico Paulo Celso Ciranda apresentará seis poemas musicados de Kapi. Com voz e violão, ele trará aos campistas algumas canções compostas pela dupla.

— Conheci-o em 74. Ele produziu e dirigiu o show “Gotas de Suor”, com meu grupo “A Turma do Campo”, no Teatro de Bolso. Fui para São Paulo e voltei, no começo dos anos 80. Morando em Copacabana, eu o reencontrei quando ele estudava na Unirio. Foi nesse período que fizemos várias canções em parceria — contou Ciranda, que disponibilizará, no evento, canções da dupla no sarau por meio da venda de CDs caseiros.

Artistas da nova geração também fazem parte do elenco que levará ao público as poesias de Kapi. O ator, músico e produtor cultural Saullo de Oliveira, que apresentará “Sangue da cidade”, “Canção amiga” e “órbita de hal”, trabalhou com Kapi em 2010. Para ele, o diretor foi um grande incentivador da sua carreira.

— Fui dirigido por Kapi na primeira versão de “Pontal”. Ele me apresentou músicas, contou sobre a vida particular, me deu livros e falou sobre grandes teatrólogos. Acabou sendo uma referência para mim. Não consigo ler textos teatrais sem pensar no Kapi. É um mestre do teatro de Campos que morreu — comentou Saullo, que também participou de oficinas ministradas pelo diretor.

Para Saullo, Campos, assim como outras cidades do interior, não valoriza os artistas locais, e o sarau Baião de Dois será um momento adequado para a apresentação de trabalhos de Kapi.

— Soube, na reunião de ensaio (do sarau), que não há registro da poesia de Kapi em nenhuma biblioteca de Campos. A homenagem pode dar visibilidade ao trabalho dele. Campos está muito carente culturalmente e Kapi simboliza a morte cultural da cidade – opinou.

Com a interpretação do poema “Aborto”, o ator Paulo Victor Santana prestará sua homenagem a Kapi.

— Estou empolgado para esse memorial de sábado. Sou agradecido pela maravilhosa oportunidade de prestigiar um grande artista que não morreu nas nossas memórias e na nossa história. É uma honra — assegurou.

A atriz Mahelle Pereira também estará em cena. A poesia interpretada pela artista será “Luminância”, escrita para Aluysio. Para ela, arte campista e Kapi são sinônimos.

— Eu acho que falar de arte em Campos sem citar Kapi é o mesmo que não falar. Por eu ser artista, é um dever estar presente. É uma forma de não deixar morrer o trabalho dele. Normalmente, quando as pessoas morrem, independente do que fazem, ficam esquecidas. Então, para deixá-lo vivo, é o mínimo que a gente pode fazer. Todos os artistas deveriam estar. É uma forma de agradecimento — ressaltou a atriz.

A poesia “Um Márcio” também faz parte da lista dos textos que serão apresentados na noite de hoje. A intérprete será a atriz Luciana Rossi, que foi dirigida por Kapi no espetáculo “O inferno são os outros”, com texto de Eugênio Soares.

— Estou muito emocionada. Aprendi técnicas com ele. Kapi me definiu como atriz sensorial e me deu uma compreensão que me ajudou muito. Se você tinha que dizer a palavra “oi”, ele queria saber qual era a sua intenção, o objetivo e o verbo de ação. Aí o ator ia compondo o personagem. Aprendi essa técnica com ele e até hoje não consigo trabalhar de outra forma. Ele tinha bagagem enorme, tanto do teatro clássico, quanto do contemporâneo. Kapi era a nossa Bárbara Heliodora, o nosso parâmetro — comparou a artista.

Pedagoga e prêmio Alberto Lamego de Cultura, Elisabeth Araújo, grande amiga de Kapi, também participará da homenagem. Ela recitará “Amigo”.

— O título e o conteúdo são muito sugestivos para nossas vidas porque a minha relação com Kapi foi pautada em uma amizade muito estreita, que se solidificou de tal forma que eu o transformei em filho, e ele me transformou em mãe. A poesia reúne atributos que faziam parte de interesses que nos identificavam muito, como filosofia, apelo poético e visão do mundo e do homem, que se traduzem numa relação de amor, afeto, compreensão e generosidade — disse a pedagoga.

Beth acredita que Kapi tenha exercido não somente o papel artístico, mas também uma função social devido à sua preocupação com o desenvolvimento do outro em todos os sentidos.

— Ele, filosoficamente, procurava conhecer o ser humano. Por outro lado, em tudo o que ele fazia, havia grande preocupação social, com a história e com o sistema sociopolítico sob o qual vivemos. Queria que morte física dele não representasse a morte artística, a morte intelectual. E que a vida dele, do ponto de vista de cultural, fosse um exemplo para nós todos e para as próximas gerações — afirmou.

Diretor de teatro, Fernando Rossi, que recitará a poesia “Magia”, acredita que a edição especial do sarau Baião de Dois será uma justa homenagem a Kapi, que promoveu diversos cafés literários em Campos.

— Acho que o artista tem que ser preservado. Kapi tem um legado incrível. Campos é muito ingrata com os artistas. A história de uma cidade é feita pelas pessoas que movimentam sua cultura. Enquanto pudermos reverenciar esses artistas, é necessário e urgente que façamos a reverência — alertou Rossi.

 

Mapa Sinasefe

 

(Reprodução TV)
(Reprodução TV)

No ar, pela Plena TV, a última entrevista de Kapi

Desde o dia 2 de abril, Kapi tem recebido diversas homenagens. Poeta e diretor consagrado, Antônio Roberto de Góis Cavalcanti é constantemente lembrado por amigos e admiradores, que almejam manter em evidência suas memórias e trabalhos. Ontem (1), foi ao ar, pela Plena TV, do grupo Folha da Manhã, a última entrevista cedida por Kapi, dada ao jornalista e poeta Aluysio Abreu Barbosa. Quem ainda não teve oportunidade poderá assistir ao vídeo hoje (2), às 10h e às 17h, na Plena TV (canal 24 da ViaCabo e 3 da Ver TV).

Editada por Aluysio em parceria com o jornalista Antunis Clayton e o editor Aldo Viana, a entrevista foi filmada na sala de Fátima Castro, diretora da Associação Irmãos da Solidariedade, onde Kapi  estava vivendo. Com duração de 1h30, a entrevista é uma fonte de conhecimento sobre vida e arte do diretor.

— Não se conta a história da arte e da cultura de Campos, nos últimos 40 anos, sem se falar de Kapi. E essa entrevista serviu para se contar essas décadas, não só no palco, nas coxias e entre o “respeitável” público, como da cidade do lado de fora de um teatro que buscou representá-la. Num município governado há 26 anos por um grupo político egresso do teatro, assistir a essa última entrevista de Kapi não deixa de ser uma oportunidade para o campista também se olhar refletido ao espelho; e decidir se gosta do que vê — afirmou Aluysio.

A entrevista será reprisada durante a semana: amanhã (3), às 10h e às 23h; segunda-feira (4); às 22h; terça-feira (5), às 22h; quarta-feira (6), às 23h e quinta-feira (7), às 20h.

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

 

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Daqui a pouco, na Plena TV, a última entrevista de Kapi, que amanhã tem Sarau no Sinasefe

Kapi entrevista
(Reprodução TV)

 

Por Aloysio Balbi

Amanhã, a partir das 19h, na sede do Sindicato dos Servidores da Educação Federal (Sinasefe), localizada na rua Álvaro Tamega, nº 132, no quarteirão entre as ruas Gil de Góis e Pero de Góis, será realizado um imperdível Sarau em homenagem póstuma a Antônio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi, que morreu há um mês, em 2 de abril. Tão imperdível quanto será a exibição hoje, às 20h30, com reprise às 23h, na Plena TV (canal 24 da Viacabo e canal 3, da VerTV)  da última entrevista dada por Kapi, um mês antes de sua morte, que nunca foi ao ar.

A entrevista foi dada ao jornalista Aluysio Abreu Barbosa na sala de Fátima Castro, diretora da Casa Irmãos da Solidariedade, onde Kapi estava internado. Com uma hora e meia de duração é o resumo da  vida de um artista que iria completar seis décadas em junho deste ano, que não apareceu repentinamente no cenário da nossa cultura e não partiu de pé ante pé.

Em uma hora e meia, Kapi revisitou todos os passos de sua vida, alguns em terras férteis e outros em terrenos movediços. Falou da cultura em Campos, sobre o Fundo Municipal de Cultura, do atual momento político do município, de religiosidade e da relação com a família e amigos. A entrevista foi editada pelo próprio jornalista Aluysio Abreu Barbosa, juntamente com o também jornalista Antunis Clayton e o técnico de vídeo e áudio Aldo Viana.

Em tom cazuziano, a entrevista merece ser vista e revista. A voz pausada do entrevistado, devido ao seu estado de saúde, não conseguiu desacelerar a lucidez do seu pensamento, que protagonizou aas principais vertentes culturais vividas em Campos: teatro, poesia, música e carnaval.

Aluysio Abreu Barbosa, que tinha em Kapi um irmão com quem ao longo de mais de 20 anos trocou gestos de solidariedade e de parceria na arte, conseguiu um histórico registro da vida de um artista que passou a recente história da cultura de Campos a limpo em um papel que ele parece ter deixando para desempenhar no final: a de crítico. O que Kapi pensava dos ex-amigos de teatro que hoje estão no poder? Que ideologia Kapi quis para viver? Tudo está na entrevista.

Kapi pode ser considerado um herói da cultura que morreu de overdose de vida e de arte. Seu ar era a arte e na entrevista ele conta por que se sentiu asfixiado nos últimos anos, a partir de janeiro de 2009. Falou do momento político presente da cidade e projetou também o futuro de Campos. Mexeu na mobília do museu sem grandes novidades e de ideias que não corresponderam aos fatos.

Com uma paixão tão desenfreada e talvez até cruel pela arte, Kapi a viveu exageradamente. Para Aluysio Abreu Barbosa, ele era um artista múltiplo, épico e lírico, de rara sensibilidade e que compreendia tão bem Campos, quando muitas vezes não era compreendido pela sua própria cidade. Embora indiscutivelmente tenha corrido na raia da genialidade, nunca teve pódio oficial de chegada e, por opção, nem beijo de namorada.

Kapi mostrou a cara de Campos nessa entrevista, não como se ela fosse uma espécie de pátria desimportante; muito pelo contrário. Falou dos convites para festas pobres, de gente que lhe negou um cigarro e porque nunca lhe elegeram chefe de nada. O artista que nunca usou a navalha no lugar do cartão de crédito concedeu uma entrevista que pode ser considerada cortante.

Viu TV a cores na taba dos índios, conduziu poesia nas areias do Pontal de Atafona, letrou melodias, interpretou e dirigiu textos próprios e alheios. Em sua última fala para o público, Kapi só mudou o tom — a voz um pouco arrastada pela doença —, mas não o discurso. São suas próprias palavras com direito à sua imagem de um artista maior que a tela, cuja pele foi deixada em cada palco.

A entrevista é imperdível e merece aplausos, como aqueles que Kapi recebeu durante toda sua vida e o seguiram até o jazigo, na última despedida dos amigos, colegas e admiradores, no Cemitério do Caju. E se você achar que, com sua morte, o grande artista foi derrotado, saiba que ainda estão rolando os dados — porque o tempo, o tempo não para.

 

Kapi e Aluysio
(Reprodução TV)

 

Entrevista pode servir de reflexão ao campista

“Não se conta a história da arte e da cultura de Campos, nos últimos 40 anos, sem se falar de Kapi. E essa entrevista serviu para se contar essas décadas, não só no palco, nas coxias e entre o ‘respeitável’ público, como da cidade do lado de fora de um teatro que buscou representá-la. Num município governado há 26 anos por um grupo político egresso do teatro, assistir à essa última entrevista de Kapi não deixa de ser uma oportunidade para o campista também se olhar refletido ao espelho; e decidir se gosta do que vê”. Foi assim que o jornalista Aluysio Abreu Barbosa definiu a entrevista feita em 3 de fevereiro com Kapi, dois meses antes da sua morte.

Aluysio explicou que, logo depois da entrevista, fez uma viagem e ficou um tempo fora de Campos. Quando voltou, além do trabalho acumulado, achou mais importante dar assistência junto à pedagoga Elisabeth Araújo, entre alguns outros amigos, diante do quadro agravado da saúde de Kapi, do que editar a entrevista:

— Depois que ele infelizmente morreu, me senti obrigado a iniciar a edição, trabalho para o qual convidei o jornalista Antunis Clayton, parceiro de outras produções audiovisuais, tanto comigo, quanto com Kapi. O trabalho, que contou também com Aldo Viana, editor de imagem da Plena TV, durou uma semana, a tempo de ser exibido no Sarau em homenagem ao grande artista, no sábado (amanhã), a partir das 19h, no Sinasefe — explicou Aluysio.

Antes, a entrevista inédita será exibida hoje, às 20h30, na Plena TV (canal 24 da Via Cabo e 3, da Ver TV), com reprise às 23h. No sábado, dia do Sarau, a Plena volta a exibir a entrevista às 10h da manhã e 17h. Depois, ela será reprisada no domingo (10h e 23h), segunda (22h), terça (22h), quarta (23h) e quinta (20h).

 

Publicado aqui, na Folha Online e reproduzido aqui e aqui, nos blogs “Eu penso que” e “Estou procurando o que fazer”

 

 

Mapa Sinasefe
(Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

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Crítica de cinema — Um faroeste novaiorquino

De olhos bem abertos

 

Liam Neeson - Noite sem fim

 

Mateusinho 3Noite sem fim — Jimmy Conlon (Liam Neeson) é um assassino  aposentado, decadente e alcoólatra, que ainda permanece no grupo do mafioso irlandês Shawn Maguire (Ed Harris) apenas pela amizade que une esses velhos camaradas. Ambos têm filhos homens, mas, enquanto o do chefão permanece próximo a ele e tenta lhe apresentar novos ‘projetos’ criminosos, o filho de Conlon faz tempo se mantém afastado, enojado pela atividade do pai.

Por um acaso do destino (leia-se ‘roteiro’) ambos filhos irão se encontrar, e alguém morrerá. Tal evento irá repercutir na relação de Conlon e Maguire e, apesar dos longos anos de companheirismo e afeição, o desejo de vingança falará mais alto.

Se a breve sinopse apresentada não parece ser muito original, é simplesmente porque todo resumo é impreciso, e nunca consegue descrever  o que verdadeiramente faz a diferença num filme, que é o tom, o ritmo e a graça. Assim, há de se dizer que este terceiro trabalho da parceria entre Liam Neeson e o diretor catalão Caullet-Serra (os quais já realizaram os atrativos “Desconhecido”  e “Sem Escalas”) contém todos esses elementos, dosificados de uma forma bem eficaz para obter uma história de ação e suspense que entretém genuinamente.

Como uma espécie de faroeste ambientado na Nova Iorque atual, Neeson será aquele anti herói que irá resolver um conflito, embora seja incapaz de se ajustar a um mundo por ele ‘consertado’. A ação, que se desenvolve nesse breve lapso temporal que é a noite do título, engata a partir da meia hora de projeção e praticamente não se detém até o final, combinando perseguições de carros pelas ruas de NY, a fuga impossível de um prédio cercado por policiais e um tiroteio dentro de um pub que, pela fúria punitiva, nos lembrará “Os Imperdoáveis” de Clint Eastwood, aquele outro western vingativo.

Outro atrativo que “Noite Sem Fim” possui é o aspecto trágico da sua história, no sentido clássico do termo, em relação ao destino que se lhes apresenta aos personagens de Neeson e Harris. Ambos estão mais unidos entre si que com seus filhos, pois compartilham um passado de fidelidade recíproca. Um foi um matador leal, o outro um chefão protetor e compreensivo na decadência de seu soldado. Todavia, como se fosse uma fatalidade imposta pela natureza de suas essências, se verão obrigados a confrontar-se até a morte quando a linhagem do sangue fale mais alto. Quem queira, e possa, apreciar esse subtexto narrativo certamente estará assistindo um filme bem mais interessante.

Um parágrafo final para comentar a espetacular virada na filmografia de Liam Neeson. O ator irlandês, que se destacara no começo da sua carreira por filmes ‘sérios’ como “A Lista de Schlinder”, de Spielberg ou “Maridos e Esposas”, de Woody Allen, iria se revelar a partir dos 55 anos como um exitoso protagonista de filmes de ação, com o filme “Busca Implacável”, interpretando um ex-agente americano que deve resgatar sua filha de um grupo de sequestradores. Depois viriam “A Perseguição”, “Busca Implacável 2”, e vários outros, além dos realizados com o diretor Callet-Serra, já mencionados. Hoje, aos 63 anos, Neeson continua em plena forma para chutar traseiros e estourar bilheterias.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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