Fiscalização eleitoral apreendeu cervejas que seriam vendidas, com tabela de preços fixada, no comitê de campanha do petroleiro e candidato a vereador de Campos Tezeu Bezerra (PT), na última sexta, na av. Pelinca (Foto: Divulgação)
A fiscalização da 129ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos fez uma ação na sexta (30) no comitê de campanha da candidatura do petroleiro Tezeu Bezerra (PT), no final da avenida Pelinca, e apreendeu latas de cerveja no local. Segundo o candidato e sua assessoria, as bebidas eram vendidas no comitê, o que seria permitido como fonte de arrecadação de campanha, não distribuídas gratuitamente, o que configuraria ilícito eleitoral. No entanto, o evento para arrecadação de campanha teria que ter sido comunicado ao cartório da 129ª ZE.
Em resposta hoje (1º) à consulta da Folha, a assessoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) informou que, mesmo que a cerveja fosse vendida para arrecadação de campanha, o cartório da 129ª ZE de Campos não foi comunicado previamente. O que teria motivado a ação da fiscalização, que apreendeu o material e encaminhou relatório ao Ministério Público Eleitoral:
— A equipe de fiscalização da 129ª ZE recebeu a denúncia por meio do aplicativo Pardal e dirigiu-se, na sexta, ao comitê do candidato a vereador do PT Tezeu, na av. Pelinca, onde constatou a distribuição de bebidas alcóolicas, refrigerantes e água. O comitê alegou que se tratava de evento de arrecadação de campanha. Todo material apreendido foi acautelado no cartório eleitoral. A 129ª Zona Eleitoral acrescenta que não houve comunicação ao cartório sobre a realização do evento de arrecadação de campanha eleitoral, conforme preceitua o inciso I, artigo 30, resolução do TSE 23.607. O relatório da fiscalização foi encaminhado ao Ministério Público, para as providências cabíveis.
Advogado de Tezeu, Normando Rodrigues informou:
— Contestaremos a apreensão, com pedido para restituição da mercadoria apreendida. Sugeriremos ainda, ao juiz eleitoral do caso, que o protocolo para esse tipo de fiscalização seja revisto, a fim de evitar abusos.
Juristas ouvidos pelo blog, com experiência em direito eleitoral, sem ligação com nenhuma campanha eleitoral, mas que preferiram preservar o anonimato, informaram que a venda de bebidas como fonte de arrecadação de campanha, segundo a resolução 23.607 do TSE, levantada pela nota do TRE, teria que ser comunicada “formalmente e com antecedência mínima de 5 (cinco) dias úteis, à Justiça Eleitoral, que poderá determinar sua fiscalização”.
Ademais, a Lei 9504/97 (Lei das Eleições), diz no § 6º do Art. 39:
— É vedada na campanha eleitoral a confecção, utilização, distribuição por comitê, candidato, ou com a sua autorização, de camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas básicas ou quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor.
Evento do candidato na sexta foi anunciado nas redes sociais, com conta PIX para arrecadação, cerveja e karaokê (Foto: Reprodução)
Tezeu argumentou que ele e seus correligionários tentaram mostrar os recibos de PIX com os pagamentos pela cerveja. E que a fiscalização não teria levado em consideração, apreendendo o material no evento de sexta no comitê, que contava com venda de cerveja e um karaokê.
A campanha do petroleiro, presidente licenciado do Sindipetro-NF, e candidato a vereador de Campos emitiu nota sobre o ocorrido:
“A candidatura a vereador de Tezeu Bezerra vem esclarecer que a venda de bebidas, incluídas cervejas, para arrecadação de fundos de campanha, realizada no evento da inauguração de seu comitê eleitoral, é permitida pela legislação e pela resolução 23.607/19 do TSE, em seu Art. 15, inciso IV.
A lamentável apreensão ocorrida, a despeito da exibição de todos os registros de compra e venda aos fiscais do TRE, é sinal não só de que uma candidatura de trabalhadores incomoda. É sinal também da força das oligarquias, que se mobilizam contra qualquer concorrente legítimo que venha de fora.
As medidas judiciais serão tomadas, mas fica claro o abuso de autoridade, seletivo e discriminatório, contra quem conteste o poder.
Reflexo disso é a matéria que trata da ‘descoberta’ de latas de cervejas, como se fosse algo ilícito.
Ao trabalhador tudo é negado. Aos donos do poder, tudo é permitido.
A candidatura não só prossegue ante essa e outras perseguições. Ela existe exatamente contra essas e outras perseguições”, questionou a candidatura de Tezeu.
Em vídeo gravado e divulgado no sábado (31), o candidato a vereador e a deputado estadual Marina do MST (PT) também questionaram a ação da fiscalização eleitoral. Confira abaixo:
Com base nos números das pesquisas de 2024 e na eleição de 2020, qual o teto de voto de Wladimir Garotinho, Delegada Madeleine e Professor Jefferson nas urnas de 6 de outubro, daqui a 36 dias? A análise é dos estatísticos Eduardo Shimoda e William Passos; do diretor do instituto de pesquisa Pro4, Murillo Dieguez; dos cientistas políticos George Gomes Coutinho e Hugo Borsani; e do sociólogo Roberto Dutra (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Hoje, a 36 dias das urnas de 6 de outubro a prefeito de Campos, qual seria o teto (votação máxima, acima dos 100% na soma das projeções) do incumbente Wladimir Garotinho (PP) e dos seus dois opositores mais bem colocados nas pesquisas: Delegada Madeleine (União) e Professor Jefferson (PT)? Com base nas votações a prefeito passadas e nas mais recentes pesquisas Paraná e Real Time Big Data divulgadas no início da semana, ambas com os mesmos 63% de intenção a Wladimir na consulta estimulada — projeção de vitória no 1º turno, com aprovação de governo entre 76,3% e 73% —, 15% a 17,9% a Madeleine e 2,7% a 4% a Jefferson, é possível estimar o máximo de votos que cada um dos três poderá fazer?
Com base nos números, foi a pergunta feita aos estatísticos Eduardo Shimoda, professor de Mestrado e Doutorado da Candido Mendes; e William Passos, do Núcleo de Pesquisa Econômica do Rio de Janeiro (Nuperj) da Uenf; ao diretor do instituto de pesquisa Pro4, o empresário Murillo Dieguez; aos cientistas políticos George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos; e Hugo Borsani, professor da Uenf; e ao sociólogo Roberto Dutra, também professor da Uenf. Em meio ao serviço de desinformação por um grupo político da cidade sobre a pesquisa Paraná, tão mal feito no dia 26 que acharam melhor ignorar no dia 27 a pesquisa Big Data, buscar analistas qualificados é a maneira honesta de proceder.
TETO DE WLADIMIR?
Em primeiro lugar, qual seria o teto de Wladimir, nas pesquisas Paraná e Big Data com os mesmos 73,26% de intenção de votos válidos (descontados os brancos/nulos e os ainda indecisos), bem próximo à sua aprovação de governo, entre 76,3% e 73%? Este é o seu teto? Ele pode ser mantido, reduzido ou ultrapassado até 6 de outubro?
Eduardo Shimoda — “De forma geral, algumas variáveis podem parametrizar o teto de um candidato. No caso do prefeito, um dos possíveis limitadores pouco se aplica: o desconhecimento da candidatura por parte da população. A rejeição seria outro fator e, aí, 16,3% não votariam nele, o que daria um teto teórico de 83,7%. Intenção de votos espontânea em outros candidatos e opção por nulos/brancos indicam um grau de convicção na escolha e esta parcela soma 14,1%, correspondente a um teto de 85,9%. A desaprovação foi de 19,4%, o que daria um teto de 80,6%. Claro que são tetos teóricos e, em função da intensificação da campanha, com os debates e o horário eleitoral, todas estas variáveis podem mudar”.
William Passos — “Acredito que o teto de votos válidos de Wladimir é maior que 70% e os números da Paraná e da Big Data, nos quais ele aparece acima desse patamar, mostram isso. Também acredito que ele deve crescer mais em intenção até 6 de outubro em função de um afunilamento com Madeleine e do próprio perfil agregador, pacificador e pragmático de Wladimir. Tenho dificuldade em observar um desejo coletivo de ruptura, o que favorece a reeleição no 1º turno. Primeiro mandato de alternância de grupo político tende a ser um mandato de comparação com o prefeito anterior na cabeça do eleitor. E na comparação com quatro anos atrás, há uma percepção generalizada de que a cidade melhorou”.
Murillo Dieguez — “Continuo acreditando que é uma eleição de um turno só. Continuo achando que Wladimir vai variar entre 60% ao teto de cerca de 70% dos votos válidos (que foi por ele antecipado em entrevista ao Folha no Ar no dia 20 e confirmado pelas pesquisas Paraná e Big Data divulgadas dia 26 e 27). Considerando a série histórica das pesquisas, desde o ano passado, tudo sugere uma consolidação”.
George Coutinho — “Sobre o teto de Wladimir, tudo pode ampliar ou diminuir a receptividade do eleitor. Há o imponderável, mas as ‘balas de prata’ são raríssimas. Sobre a relação aprovação da administração e intenção de voto, não uso essa correlação mecanicamente. Uma boa aprovação, em termos percentuais, amplia vantagem e a probabilidade de vitória. Porém, não necessariamente implica que todos que aprovam a gestão votarão no gestor. Até mesmo pelo problema da abstenção. Interpretando os dados empíricos das pesquisas, arrisco que a expressão concreta dos votos não igualará a aprovação da gestão. A boa aprovação aumenta as possibilidades de captação de votos, mas não garante o espelhamento dos números”.
Hugo Borsani — “Acho muito difícil a intenção de voto a Wladimir recuar até a data da eleição, a pouco mais de um mês. Seu governo é bem avaliado por mais de 70% do eleitorado e essa alta aprovação se mantém estável há muito tempo, no mínimo desde o ano passado, ou seja, trata-se de aprovação consolidada. A dúvida é se vai aumentar ou se chegou ao teto. Tendo a pensar que ainda pode obter alguns pontos percentuais, porém não muito mais. A principal rival é estreante em política e campanhas eleitorais, o que a faz menos conhecida do eleitor, especialmente daqueles que pensam na eleição no último momento. Mas há tradicionalmente uma parcela de eleitores do município que mantém rejeição à família Garotinho”.
Roberto Dutra — “Acho que o teto de Wladimir, em torno dos 70% dos votos válidos, foi alcançado. A principal razão é que ele é conhecido por todo o eleitorado, que aparentemente já se dividiu entre a grande maioria que aprova e vota no prefeito e a minoria que desaprova e vota na oposição. Não vejo possibilidade para ampliar esse teto. As chances de recuar também são pequenas. A tendência é Wladimir ser reeleito no 1º turno com esse patamar”.
TETO DE MADELEINE?
Em segundo lugar, hoje entre 20,81% das intenções de voto válido na Paraná e 17,44% na Big Data, qual seria o teto de Madeleine? Ele poderia ser fixado, como o de toda a oposição em conjunto, entre os 23,6% que não aprovam o governo Wladimir (19,4% que desaprovam, com 4,2% que não souberam opinar) na pesquisa Paraná e os 27% que não aprovam a atual gestão (21% desaprovam, com 6% que não souberam opinar) na Big Data?
William — “Acredito que sim. É factível que o teto de intenção de Madeleine, ou do conjunto da oposição, considerando as informações disponíveis até o momento, com base nas pesquisas registradas, oscile entre 24% e 27%. Aparentemente, Madeleine parece ser a principal herdeira do espólio eleitoral da intenção de Carla Machado, capitalizando, nesta eleição, a majoritária representação do antigarotismo. Porém, não acredito em ampliação deste teto até 6 de outubro, porque Wladimir é a grande força de gravidade desta eleição, carregando a vantagem do incumbente bem avaliado. O limite de Madeleine é o que ‘sobra’ de Wladimir. E o que ele tem, no atual cenário, basta para projetar sua reeleição no 1º turno”.
Murillo — “Acredito que a Delegada se sairá muito bem, sendo nessa eleição o que Makhoul Moussallem foi em 2012 (quando teve 25,52% dos votos válidos, mas a então prefeita Rosinha Garotinho se reelegeu no 1º tuno com 69,96%). O segundo lugar, com folga, me parece ser dela. Além de vários fatores endógenos, ela é muito boa de campanha. Tem tudo para crescer além dos seus números de hoje. Poderia elencar uma meia dúzia de motivos, mas destaco a questão religiosa e a agenda de costumes, a taxa de conversão mediante conhecimento, imagem positiva e baixa resistência”.
George — “Sobre os tetos de Madeleine e Jefferson, concordo que o espaço é limitado pelo número dos eleitores nas pesquisas que não aprovam o governo Wladimir. As intenções de voto do incumbente rebaixam o teto das intenções de voto de seus concorrentes. A tomada de decisão nas urnas, numa eleição majoritária, não permite estabelecer ordem de preferências. É a preferência, no singular, e ponto final. Tanto Madeleine quanto Jefferson precisam ampliar a rejeição do incumbente, especialmente de sua imagem enquanto indivíduo. Também precisam modificar a percepção do eleitorado sobre a gestão, gestão esta que foi defendida e publicizada em um trabalho de mais de 3 anos e meio. Tudo isso em pouco mais de 30 dias”.
Hugo — “Acredito que, sim, esse número entre 23,6% e 27% é o teto da candidata Madeleine. E acho pouco provável que seja ampliado. A aprovação à gestão do atual prefeito e a intenção de votos a ele se mostram estáveis há muito tempo e somente erros importantes de Wladimir no último mês de campanha poderiam produzir uma mudança significativa de votos para Madeleine, que leve a aumentar esse teto. A experiência política do prefeito e a condução de sua campanha até o momento indicam ser muito improvável esse fator surpresa”.
Roberto — “Parece-me que o teto de Madeleine ou já foi alcançado ou está muito próximo de sê-lo. Ele até pode ser ampliado até o dia da eleição, mas tendencialmente com intenções de votos de outros candidatos de oposição. A posição do prefeito parece muito bem consolidada para que possa perder votos para a oposição”.
Shimoda — “Semelhante ao que ocorre com Madeleine, outras restrições ao teto relacionam-se ao conhecimento da candidatura e à associação ao petismo do Jefferson. À medida que o candidato ficar mais conhecido, as intenções de voto podem aumentar, mas pode haver também aumento de rejeição por parte dos que não simpatizam com a esquerda ou a direita”.
TETO DE JEFFERSON?
Em terceiro lugar, hoje variando na intenção de voto válido entre 3,14% na pesquisa Paraná e 4,65% na Big Data, Jefferson poderia ter como teto em 2024 os 6,56% dos votos válidos que as duas candidatas de esquerda, soma dos 4,68% de Natália Soares e do 1,88% de Odisséia Carvalho, tiveram na eleição de 1º turno a prefeito de Campos em 2020?
Murillo — “Acho que Jeferson terá dificuldades para decolar por vários motivos. E também poderia elencar meia dúzia de observações. Mas destacaria rejeição forte ao PT em Campos, a baixa capilaridade e os poucos partidos na coligação, com nominatas de candidatos com baixo potencial de voto”.
George — “O desempenho de algumas siglas tradicionais de esquerda na disputa para a Prefeitura: Odete Rocha (PC do B) em 2008, 10,44%; com Makhoul (PT) em 2012, 25,52%; Natália (Psol) em 2020, 4,68%. Há um espaço para crescimento do teto do petista, mas limitado até mesmo pelo teto generoso de intenção de voto de Wladimir, o que achata seus concorrentes. Creio que cabe aguardarmos fatos novos e que tenham potencial para demover e redistribuir as intenções de voto constatadas a preço de hoje. Fora isso, simplesmente campanha tradicional no curto tempo disponível pode não reverter as intenções de voto”.
Hugo — “Acredito que a votação do Jefferson será menor que a soma dos votos de Natália e Odisséia em 2020. A candidatura de Natália naquela eleição conseguiu uma adesão e entusiasmo de uma parte do eleitorado jovem que o candidato do PT nesta eleição não parece captar da mesma forma. Além disso, dificilmente um candidato que está em um terceiro lugar tão distante dos dois principais candidatos consegue atrair ‘voto útil’ na final da corrida eleitoral. Pelo contrário, o mais comum é a perda votos. Acredito, sim, que os 6,56% são o teto de Jefferson, mas que não devem ser atingidos”.
Roberto — “Acho que o teto de Jefferson realmente já foi atingido. Não acredito que tenha mais que 5% dos votos válidos. Na minha visão, o fato de ele ter herdado menos intenções de voto de Carla do que Wladimir e Madeleine já era esperado. As intenções de voto em Carla não têm nada a ver com PT. Jefferson e o PT representam uma minoria irrelevante de velhos sindicalistas, professores de ensino médio aposentados e lideranças ‘estudantis’ afoitas por cargos. É o partido da boquinha sem voto. Já Carla é povão, tem lastro popular. Sabiamente ela não vai empenhar seu capital político com o PT”.
William — “Acredito que a pessoa do Professor Jefferson, que transcende o PT, tenha potencial para furar o teto de 7%. Mas ele enfrenta as enormes dificuldades do elevado antipetismo no município, que, aparentemente, explicam a menor fatia na herança do espólio eleitoral de Carla Machado. Nesse caso, penso que o teto de 7% é factível. Não acredito que o eventual apoio da Carla tenha potencial para ampliar a intenção de voto em Jefferson. São candidaturas, intenções e eleitorados de perfis completamente diferentes. O eleitor da Carla tem base mais popular. A intenção em Jefferson é concentrada no topo da pirâmide social, de maior renda, escolarização e que é, exatamente, a minoria numérica do eleitorado”.
Prefeita de São João da Barra e candidata à reeleição, Carla Caputi (União) é a convidada do Folha no Ar desta sexta (30), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela abrirá a série de entrevistas que o Grupo Folha fará com todos os candidatos a prefeito de SJB e Campos, com ordem estabelecida em sorteio (confira aqui) no último dia 22, com a presença dos representantes de todas as candidaturas.
Caputi falará dos erros e acertos da sua gestão, de como pretende manter sua liderança nas pesquisas eleitorais (confira aqui) e da sua nominata de vereadores. Ela também falará das suas propostas para saúde, educação, transporte público e segurança. E, por fim, do que propõe sobre o Porto do Açu, geração de emprego, avanço de mar e captação e fornecimento de água potável no município.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Gestor público e chefe do Centro Estadual de Pesquisa da Pesagro em Campos, Ronaldo Soares é o convidado do Folha no Ar desta quinta (29), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da vocação agropecuária de Campos e região, e do papel da Pesagro em seu desenvolvimento.
Ronaldo também falará da sua atuação na secretaria estadual de Agricultura e no Conselho Municipal de Política Agrária e Pecuária de Campos. E, como cidadão e com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), tentará analisar as eleições a prefeito e vereador da cidade em 6 de outubro, daqui a 39 dias.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Médica pediatra e poeta Ângela Sarmet (Foto: Divulgação)
Morreu hoje, aos 82 anos, a médica pediatra e poeta Ângela Maria Sarmet Moreira. Ela estava internada há cerca de 20 dias no Hospital Prontocardio, com problemas cardíacos e infecção pulmonar, vindo a óbito por falência múltipla dos órgãos. Seu velório se inicia às 14h, na Capela F do Cemitério Campo da Paz, onde será sepultada às 17h.
Ângela dedicou cerca 50 anos da sua vida ao exercício da medicina, cuidando da saúde das crianças. Formada nos anos 1960, só parou de clinicar em 2020, por conta da pandemia da Covid-19. Escreveu dois livros de poesia, “Eu só sei falar de amor” e “Rumando ao infinito”. Deixa também os filhos Pedro, Marcos e Matheus, e sete netos: Mariana, Daniel, Maria Clara, Isabela, Krislley, Lívia e Ângela, a mais nova, de 6 anos, batizada em homenagem à avó.
Filho, mãe e médicos Pedro e Ângela Sarmet
Seu filho mais velho, o também médico Pedro escreveu sobre a mãe:
— Hoje me despeço da pessoa física, dessa mãe que, desde a tenra idade, me ensinou os valores cristãos, principalmente o amor ao próximo. Dividi minha mãe com outras tantas crianças que necessitaram de seus cuidados e até mesmo de seu amor, abraçou meus amigos como se fossem seus próprios filhos. Apoiou-me nas minhas decisões mais difíceis, inclusive quando deixei seu seio para viver meu sonho de exercer minha profissão de médico na Amazônia. Me entregou sempre nas mãos do Criador… hoje você me deixa a certeza que sua missão aqui encerrou, mas seus ensinamentos ficarão internalizados em mim e farei jus ao seu último pedido: “cuidar das pessoas com o zelo com que sempre cuidou dos que estavam ao seu redor”. Te amo, até o nosso reencontro, mãezinha!
Amante das artes de maneira geral, Ângela também integrou o grupo musical “Boa Noite, Amor”. Que se manifestou hoje sobre a perda:
Ângela Sarmet se apresentando no grupo “Boa Noite, Amor” (Foto: Antônio Filho)
— O “Grupo Boa Noite, Amor” tem hoje a dolorosa missão de se despedir de uma das suas mais preciosas integrantes, a amada Dra. Ângela Sarmet. Deus a acolheu de volta, mas a eternizou em nossos corações em forma de admiração e saudade. Os inspiradores versos da sua poesia, que abrilhantaram as nossas apresentações durante tantos anos, serão agora as nossas melhores e inesquecíveis lembranças. Que o Céu seja para Ângela a nova fonte de inspiração. Deus a receba! — disse a nota assinada por Ana Maria, Janilce Simões, Amália Marins, Lúcia Maria, José Assad e Luiz Omar Monteiro, integrantes do grupo “Boa Noite, Amor”.
Sou amigo de Pedro Sarmet, primogênito de Ângela, desde o início do ensino fundamental, curso primário naquela passagem dos anos 1970 a 1980, na Escola Santo Antônio, onde hoje fica o Hortifruti da Formosa. Conheci e convivi com a mãe dele, a quem tratava quando criança de tia, desde que me entendo por gente. E sempre tive por ela admiração e carinho.
Mãe zelosa, era também conselheira dos amigos dos filhos, sempre com cuidado geracional de nos compreender, no lugar de tentar se impor. Médica vocacionada, o que é cada vez mais raro no mundo de hoje, tinha o mesmo carinho com todas as crianças que cuidou como pediatra, tratando-os de maneira maternal. Profissional e pessoalmente, era uma humanista convicta.
Na última vez que fui a Atafona, caminhando com o cachorro entre dunas e ruínas, passei na casa de praia que foi de Ângela, Pedro, Marcos e Matheus. Hoje à mercê do avanço do mar, foi palco de incontáveis verões, brincadeiras, conversas, comidas, porres, carnavais e pescarias, sobretudo no mangue do antigo Pontal hoje aterrado de areia. A casa dos Sarmet em Atafona sempre foi um porto seguro para os amigos. E isso vinha muito de Ângela.
Na minha vida adulta, chegamos a trocar algumas impressões sobre poesia, quando nos cruzávamos eventualmente em eventos de literatura na cidade. Mas meu convívio com ela, desde que Pedro foi morar em Niterói, depois em São Paulo e, finalmente, em Roraima, ficaram mais escassos.
Ângela nasceu fevereiro em 1942, em plena II Guerra Mundial (1939/1945), quando os nazistas ainda levavam a melhor. Ela é fruto de uma geração, a mesma dos meus pais, que viveram e legaram pela cultura oral seus testemunhos vivos de histórias e da História. E, na ausência física gradual deles, corremos o risco de repetir erros que não deveríamos mais cometer.
Hoje, quando soube da sua morte, liguei imediatamente a Pedro. A quem transmiti meu mais sincero sentimento de solidariedade e pesar, extensivo a todos os seus familiares e amigos, antes de tomar informações para anunciar jornalisticamente sua morte, seu velório e enterro. Mas não poderia deixar de falar da um pouco da sua vida. A vida de uma grande mulher! Que deixa exemplo, legado e saudade.
A eleição a prefeito de Campos é em 6 de outubro, daqui a 39 dias. Divulgada na segunda (26), pelo jornal carioca O Dia, a pesquisa do instituto Paraná deu (confira aqui) a Wladimir Garotinho (PP) 63% de intenção de voto na consulta estimulada e aprovação de governo de 76,3%. Divulgada na terça (27), em programa da Rede Record, a pesquisa do instituto Real Time Big Data deu (confira aqui) a Wladimir os mesmos 63% de intenção de voto na estimulada, com aprovação de governo de 73%. Com 373.553 eleitores habilitados a votar pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Campos é o único município da região que pode ter 2º turno. Mas o fato é que, até aqui, nada indica isso.
Jefferson de Azevedo, Rapahel Thuin, Fabrício Lírio, Alexandre Buchaul e Pastor Fernando (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Madeleine e os demais
Com 17,9% de intenção de voto na estimulada Paraná e 15% na Big Data, a delegada de Polícia Civil Madeleine Dykeman (União) cresceu com o apoio dos Bacellar, mas segue à distância como 2ª colocada na corrida. Ex-reitor do IFF, o professor Jefferson de Azevedo (PT) está em 3º: 2,7% na primeira pesquisa e 4% na segunda. Na Paraná, completaram a lista o vereador Raphael Thuin (PRD), com 1,1%; o empresário Fabrício Lírio (Rede), com 0,7%; o odontólogo Alexandre Buchaul (Novo), com 0,6%; e Pastor Fernando (PRTB), com 0,1%. Na segunda pesquisa, Thuin, Lírio, Buchaul e Pastor Fernando tiveram, cada um, os mesmos 1%.
Lições de 2020 a 2024
Das pesquisas ao fato, Wladimir teve 42,94% dos votos no 1º turno a prefeito de 2020. Para que houvesse o 2º turno, Caio Vianna fez 27,71%, Dr. Bruno Calil — então apoiado pelos Bacellar — fez 13,17% e o então prefeito Rafael Diniz (5,45%) e a estreante professora Natália Soares (4,68%) fizeram, juntos, 10,13%. Isso nos votos válidos, computados pela apuração do TSE para definir o vencedor, excetuados os brancos e nulos. Feita a mesma conta nos números de hoje, Wladimir teria os mesmos 73,26% dos votos válidos segundo as duas pesquisas. Enquanto a 2ª colocada, Madeleine, oscilaria entre 20,81% na Paraná e 17,44% na Big Data.
Para haver 2º turno a prefeito de Campos em 2024, quem repetirá a votação que Caio Vianna, Bruno Calil, Rafael Diniz e Natália Soares tiveram no 1º turno de 2020? (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
A lição do Botafogo
Além do mínimo de 6,9 pontos que faltam para Madeleine chegar nas pesquisas de 2024 aos votos de Caio no 1º turno de 2020, a distância é maior entre as intenções que Jefferson tem e os votos que Bruno teve. Sem que ninguém, entre Thuin, Lírio, Buchaul e o Pastor hoje se aproxime, em 4º e 5º lugar nas intenções, dos dois dígitos de votos que Rafael e Natália tiveram juntos há quatro anos. Há quem encare eleição como torcida de futebol. Pode ser a quem torce. Mas só grita campeão ao final do Brasileirão quem somar o maior número de pontos na tabela. Ainda que o Botafogo de 2023 lecione: não existe campeão de véspera.
Favorito em 2024 desde 2023
Em todas as pesquisas eleitorais a prefeito de Campos, da Paraná e Big Data mais recentes à única antes registrada, da Prefab Future de 26 de maio, às três de 2023 (relembre aqui), Wladimir sempre foi favorito para se reeleger no 1º turno. Isso valia quando seu maior potencial adversário era Caio, seu hoje aliado. Continuou valendo quando se tentou fabricar a deputada Carla Machado (PT) candidata a prefeita de Campos, mesmo impedida por toda a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE, que se impôs em julgamento (confira aqui) por 7 a 0 — mais acachapante que os 7 a 1 da Alemanha. E, a 39 dias da urna, continua valendo com Madeleine.
Como Wladimir, prefeitos da região com governos aprovado e favoritos à reeleição: Carla Caputi em São João da Barra, Welberth Rezende em Macaé, Geane Vincler em Cardoso Moreira, Valmir Lessa em Conceição de Macabu, Marcelo Magno em Arraial do Cabo, Fábio do Pastel em São Pedro da Aldeia e Maira de Jaime em Silva Jardim (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Mudar o povo?
Entre os prefeitos que tentam a reeleição na região, a regra também se confirma pela via oposta. Ontem foi divulgada (confira aqui) uma nova pesquisa Paraná sobre a disputa à Prefeitura de Cabo Frio. Na qual o favorito é o deputado estadual Dr. Serginho (PL), com 59,6% das intenções de voto na consulta induzida, contra 17,2% da prefeita Magdala Furtado (PV). O motivo? O governo municipal é desaprovado por 63,1% da população. A quem deseja que o mesmo se desse em Campos, talvez sirva o conselho de Delfim Netto após Jânio Quadros vencer Fernando Henrique Cardoso na eleição a prefeito de São Paulo em 1985: “mudar o povo”.
As novas pesquisas Paraná (confira aqui) e Big Data (confira aqui) a prefeito de Campos, como outras disputas às prefeituras da região (confira aqui, aqui e aqui) nas urnas de 6 de outubro, daqui a apenas 40 dias, serão o tema do Folha no Ar desta quarta (28), ao vivo, a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3. O debate ocorrerá entre os jornalistas Aluysio Abreu Barbosa, Edmundo Siqueira e Gabriel Torres, sob a mediação do radialista Cláudio Nogueira.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
O deputado estadual Dr. Serginho (PL) aumentou seu favoritismo na eleição a prefeito de Cabo Frio. Na pesquisa Paraná divulgada hoje (27), feita entre 23 e 26 de agosto, ele lidera a corrida 59,6% de intenção e voto na consulta estimulada. No levantamento do mesmo instituto, com a mesma metodologia, feito entre 30 de janeiro e 4 de fevereiro, ele já liderava com 38,2% na estimulada. Cresceu, portanto, 21,4 pontos na intenção de voto dos últimos 6 meses, a apenas 40 dias das urnas de 6 de outubro.
Prefeita avança pouco com apoio do ex-prefeito — Na pesquisa Paraná de fevereiro, o 2º colocado na corrida à Prefeitura de Cabo Frio era o ex-prefeito Marquinho Mendes (MDB), com 23,9% na consulta estimulada. Só que, em 15 de agosto, ele decidiu retirar sua candidatura para apoiar a reeleição da prefeita Magdala Furtado (PV). Ao que parece, sem grande efeito prático: dos 12,9% de intenção de voto que a prefeita tinha na estimulada Paraná do início de fevereiro, onde estava em 3º lugar, ela chega ao final de agosto com 17,2%. Na 2ª colocação da corrida, ganhou só 4,3 pontos nos últimos 6 meses.
Reprovação do governo é a causa — O principal motivo para o desempenho ruim de Magdala nas pesquisas é a reprovação popular à sua gestão. E fevereiro, ela foi desaprovada na pesquisa Paraná pela maioria de 60,3% do eleitorado cabofriense, com 34,6% que aprovaram e 5,1% que não souberam opinar. Em agosto, novo levantamento do mesmo instituto mostra que essa reprovação aumentou numericamente: hoje, 63,1% da população desaprovam o governo de Cabo Frio, com 32,8% que aprovam e 4,1% que não souberam opinar.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Aprovação de governo = intenção de voto — A relação entre aprovação de governo e intenção de voto da prefeita Magdala em Cabo Frio, que a distancia da possibilidade de se reeleger, é inversamente a mesma que faz de prefeitos com governos aprovados na região favoritos à reeleição em 6 de outubro. Como as pesquisas mostram ser Wladimir Garotinho (PP) em Campos, Carla Caputi (União) em São João da Barra, Welberth Rezende (Cidadania) em Macaé, Geane Vincler (União) em Cardoso Moreira, Valmir Lessa (Cidadania) em Conceição de Macabu, Marcelo Magno (PL) em Arraial do Cabo, Fábio do Pastel (PL) em São Pedro da Aldeia e Maira de Jaime (MDB) em Silva Jardim
Estimulada — Na estimulada da Paraná de agosto a prefeito de Cabo Frio, atrás dos 59,6% de intenção de voto de Dr. Serginho e dos 17,2% de Magdala, vieram Rafael Peçanha (Rede), com 4,1%; Vinícius Seguraço (UP), com 1,1%; e Fernando Luiz Cardoso (Novo), com 0,7%. Outros 9,7% do eleitorado cabofriense disseram que votarão em nenhum/branco/nulo, enquanto 7,6% não souberam responder.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Espontânea — Na consulta espontânea, onde o eleitor diz da própria cabeça em quem vai votar, medindo a cristalização dessa intenção, Dr. Serginho também lidera com 30,4%. Depois dele vieram Magdala (7,6%) e Rafael (0,7%), com 0,8% a outros nomes citados. No entanto, a maioria de 52,5% ainda não soube responder, o que revela uma eleição matematicamente ainda aberta, com 7,9% que votarão em ninguém/branco/nulo.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Rejeição — Para avançar sobre essa maioria ainda indecisa, o dado mais importante é a rejeição. Que Magdala lidera, com 48,5% afirmando que não votariam nela de jeito nenhum. Ela foi seguida à distância no índice negativo por Vinícius (14,8%), Rafael (14,6%), Dr. Serginho (13,5%) e Fernando (11.3%), os quatro em empate técnico na margem de erro de 3,8 pontos. A pesquisa foi feita com 710 eleitores, sob o registro RJ-04791/2024 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE
Análise do especialista — “Com grau de confiança de 95%, a pesquisa apresenta excelente qualidade técnica, com margem de erro de 3,8 pontos percentuais para mais ou para menos. Para as urnas de 6 de outubro, Cabo Frio tem 172.792 eleitores habilitados a votar no TSE, segundo o TSE, o que significa impossibilidade de segundo turno. Com administração desaprovada por 63,1% do eleitorado, superior aos 60,3% da sondagem de fevereiro do mesmo instituto, a pesquisa não projeta a reeleição da prefeita Magdala Furtado, que aparece com apenas 17,2% de intenção na estimulada, contra os 59,6% de Dr. Serginho. Magdala também é a candidata mais rejeitada (48,5%), à frente de Vinícius Seguraço (14,8%), Rafael Peçanha (14,6%), Dr. Serginho (13,5%) e Fernando Luiz Cardoso (11,3%). Nesse cenário, a exatos 40 dias do primeiro turno, o instituto Paraná Pesquisas projeta vitória de Dr. Serginho no maior município das Baixadas Litorâneas e da Região dos Lagos”, disse William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE, William Passos bate um papo no Folha no Ar desta terça (27), ao vivo, das 7h às 9h da manhã, com os jornalistas Aluysio Abreu Barbosa e Gabriel Torres, ancorados pelo radialista Cláudio Nogueira, na Folha FM 98,3. Com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), eles falarão sobre as eleições a prefeito e vereador de 6 de outubro, daqui a 41 dias, em Campos e outros municípios da região.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
No sábado (24), a coluna Ponto final projetou (confira aqui) as novas pesquisas a prefeito de Campos programadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para divulgação hoje (26): “não será surpresa se Wladimir (Garotinho, PP) crescer um pouco mais na intenção de voto (tinha 53,7% na consulta estimulada da pesquisa Prefab de 26 de abril). Assim como a delegada Madeleine Dykeman (União), que teve 6,8%. Não será surpresa se ela aparecer agora com dois dígitos. Embora não deva chegar, por ora, aos 18,7% de Carla (Machado, PT) em abril”. Pois na pesquisa Paraná divulgada hoje, Wladimir cresceu para 63,0% de intenção de voto na estimulada. E na possibilidade de definir a eleição no 1º turno de 6 de outubro, daqui a 41 dias. Enquanto Madeleine cresceu para 17,9% — abaixo do que Carla tinha no final de abril.
Estimulada — O instituto Paranás Pesquisas, de renome nacional, ouviu 710 eleitores de Campos entre 22 e 25 de agosto, com margem de erro de 3,8 pontos, sob o registro RJ-00920/2024 no TSE. É a primeira pesquisa registrada desde as convenções partidárias que definiram os 7 candidatos a prefeito a cidade. Na consulta estimulada, abaixo dos 63% de Wladimir e dos 17,9% de Madeleine, vieram o professor Jefferson de Azevedo (PT), com 2,7%; Raphael Thuin (PRD), com 1,1%; Fabrício Lírio (Rede), com 0,7%; Alexandre Buchaul (Novo), com 0,6%; e Pastor Fernando (PRTB), com 0,1%. Outros 8,2% disseram que votarão em nenhum/branco/nulo, com 5,8% que não souberam responder.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Aprovação de governo = intenção de voto — A maior vantagem de Wladimir na sua reeleição a prefeito é a aprovação popular ao seu governo. Que, na pesquisa Paraná, é aprovado por 76,3% dos campistas e desaprovado por 19,4%, com 4,2% que não souberam opinar. Essa relação direta entre aprovação de governo e favoritismo à reeleição se repete (confira aqui) com os prefeitos Carla Caputi (União) em São João da Barra, Welberth Rezende (Cidadania) em Macaé, Geane Vincler (União) em Cardoso Moreira, Valmir Lessa (Cidadania) em Conceição de Macabu, Marcelo Magno (PL) em Arraial do Cabo, Fábio do Pastel (PL) em São Pedro da Aldeia e Maira de Jaime (MDB) em Silva Jardim. Mas, entre todos estes, Campos é o único município que, com mais de 200 mil eleitores, pode ter 2º turno.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Eleição matematicamente aberta na espontânea — A consulta espontânea, em que o eleitor diz da própria cabeça em quem votará, mostra, no entanto, uma eleição matematicamente ainda aberta. Embora Wladimir também lidere com folga, com 31,8% de intenção de voto cristalizada, e seguido à distância por Madeleine (5,8%), Jefferson (0,8%), Lírio e Thuin (empatados, com 0,1% cada), além de 1,0% a outros nomes, a maioria de 53,9% do eleitorado ainda não soube responder. Outros 6,3% disseram que votarão em nenhum/branco/nulo.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Rejeição — Fundamental para definir não só o teto de crescimento num eventual 2º turno, como para tentar avançar ainda no 1º turno sobre esses eleitores indecisos, é a rejeição. Que, na pesquisa Paraná, foi liderada por Madeleine, com 20,3% dos campistas dizendo que não votariam nela de jeito nenhum. Em empate técnico na margem de erro, ela foi numericamente seguida no índice negativo por Wladimir (16,3%), Jefferson (16,1%), Thuin (14,4%) e Lírio (13,1%). Completaram a lista Pastor Fernando (12,1%) e Buchaul (12,0%). Outros 28,5% não souberam responder, enquanto 10,4% disseram poder votar em todos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Murillo Dieguez, diretor do instituto de pesquisa Pro4, empresário e colunista da Folha da Manhã
Votos válidos — Em entrevista ao Folha no Ar no dia 20, o empresário Murillo Dieguez, diretor do instituto de pesquisa Pro4, projetou o teto de Wladimir (confira aqui) nessa eleição: “em torno de 70% dos votos válidos”. Descontadas na consulta estimulada da pesquisa Paraná os 8,2% de nenhum/branco/nulo e os 5,8% que não souberam dizer em quem votarão, Wladimir tem hoje 73,26% de intenção nos votos válidos. Madeleine ficou com 20,81%, Jefferson com 3,14%, Thuin com 1,28%, Lírio com 0,81%, Buchaul com 0,89%, e Pastor Fernando com 0,11%.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE
Análise do estatístico — “Com grau de confiança de 95% e 710 entrevistados, a pesquisa apresenta excelente qualidade técnica, com margem de erro de 3,8 pontos. Para as urnas de 6 de outubro de 2024, o maior colégio eleitoral do interior fluminense registra 373.553 eleitores habilitados a votar pelo TSE, o que significa possibilidade de eleição em 2º turno. Entretanto, o instituto Paraná projeta reeleição em 1º turno de Wladimir, com 63,0% na pesquisa estimulada. O resultado é explicado especialmente pela avaliação positiva do seu governo, que com 57,2% na soma de ótimo ou bom. Ainda na estimulada, outro dado importante que a pesquisa traz são os 17,9% de intenção da delegada Madeleine, que absorveu muito mais que o professor Jefferson, com 2,7%, do espólio eleitoral da ex-candidata Carla Machado”, observou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Republicado aqui, no Folha1, por problemas técnicos com o blog.
Com governo aprovado e líder nas intenções de voto, prefeito de Conceição de Macabu, Valmir Lessa, repete a correlação que favorece também a reeleição de Wladimir Garotinho em Campos, Carla Caputi em São João da Barra, Welberth Rezende em Macaé, Geane Vincler em Cardoso Moreira, Marcelo Magno em Arraial do Cabo, Fábio do Pastel em São Pedro da Aldeia e Maira de Jaime em Silva Jardim (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Com governo aprovado por 68,4% da população, o prefeito de Conceição de Macabu, Valmir Lessa (Cidadania) é o favorito para se reeleger em 6 de outubro, daqui a apenas 42 dias, com 41,2% das intenções de voto na consulta induzida — com a apresentação dos nomes dos candidatos. É o que aponta a pesquisa Factum feita com 376 eleitores do município, entre 19 e 20 de agosto, com margem de erro de 5 pontos para mais ou menos, sob o registro RJ 05220/2024 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Aprovação de governo = intenção de voto — Nessa relação direta entre aprovação de governo e liderança nas intenções de voto, Valmir é o oitavo prefeito da região que aparece nas pesquisas como favorito a se reeleger. Assim como (confira aqui) Wladimir Garotinho (PP) em Campos, Carla Caputi (União) em São João da Barra, Welberth Rezende (Cidadania) em Macaé, Geane Vincler (União) em Cardoso Moreira, Marcelo Magno (PL) em Arraial do Cabo, Fábio do Pastel (PL) em São Pedro da Aldeia e Maira de Jaime (MDB) em Silva Jardim.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Aprovação de governo e consulta estimulada — Além dos 68,4% de aprovação, o governo municipal de Conceição foi desaprovado por 28,7% da população, com 2,9% que não souberam ou quiseram responder. Na consulta induzida, atrás dos 41,2% de intenção de voto de Valmir, vieram o ex-prefeito Cláudio Linhares (PP), com 23,1%; Dr. Leopoldo (PDT), com 10,1%; e Tedi (PT), com 2,9%. Outros 12,3% se disseram indecisos, 7,5% disseram que votarão em branco ou nulo, e 2,9% não souberam responder.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Espontânea — O prefeito Valmir também liderou a consulta espontânea, em que o eleitor fala da própria cabeça em quem vai votar, com 34% de intenção e voto consolidada. Ele foi seguido por Cláudio, com 19,2%; Dr. Leopoldo, com 6,1%; e Tedi, com 2,1%. Outros 28,2% se disseram indecisos, 7,5% disseram que votarão em branco ou nulo, e 2,9% não souberam responder.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Rejeição — Além de liderar nas intenções de voto das consultas induzida e espontânea, Valmir apareceu na pesquisa com a menor rejeição entre os quatro candidatos a prefeito de Conceição. Apenas 10,1% disseram que não votariam nele de jeito nenhum, atrás dos 10,4% de Dr. Leopoldo, dos 21% de Cláudio e dos 30% de Tedi, revelando uma rejeição ao PT que aparece cristalizada nas pesquisas em quase todos os municípios do interior do Estado do Rio.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE
Análise do especialista — “O controle da máquina administrativa e do orçamento municipal tende a favorecer os prefeitos que buscam reeleição, sobretudo aqueles que apresentam avaliação positiva acima de 50%. Nesse caso, o favorecimento é ainda maior nos municípios com turno único, isto é, aqueles com menos de 200 mil eleitores. Todas as pesquisas dos três institutos que mediram o cenário dos 8 municípios apresentados apresentam boa qualidade técnica e confiabilidade para a medição do cenário eleitoral até o momento. Destaca-se que novas pesquisas deverão ser realizadas nos próximos dias, com destaque para as duas que deverão ser divulgadas amanhã (26), pelos institutos Paraná Pesquisas e Real Time Big Data, que deverão confirmar a manutenção na liderança das intenções de voto de Wladimir Garotinho (PP) e seu favoritismo à reeleição no maior colégio eleitoral do interior do estado do Rio de Janeiro”, disse William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
“Estamos preocupados com a possibilidade de os partidos políticos não cumprirem a cota mínima de 30% de candidaturas femininas exigida por lei e praticar novas fraudes contra o sistema de cotas”. É o que disse o promotor eleitoral Fabiano Moreira, sobre as nominatas à Câmara Municipal de Campos. Em que seis vereadores foram afastados pela Justiça (relembre aqui) na atual Legislatura por fraude nas cotas femininas na eleição municipal de 2020. Ele advertiu que se as candidaturas a vereadora indeferidas não forem substituídas por outras mulheres até as urnas de 6 de outubro, para preencher o mínimo de 30%, os responsáveis podem ser condenados à impugnação de candidaturas e inelegibilidade.
— Isso denota evidente abuso, um novo capítulo ao sistema de fraudes à exigência legal ao número de candidaturas femininas. A lei não só exige que os partidos registrem 30% de candidatas mulheres, mas também que esse percentual seja mantido até o dia da eleição. Se os partidos não substituírem essas candidatas por outras mulheres, poderão enfrentar sanções, incluindo a impugnação das candidaturas dos respectivos DRAPS (Demonstrativos de Regularidade de Atos Partidários) e possíveis inelegibilidades dos responsáveis, notadamente os representantes dos partidos — disse o promotor eleitoral. Que foi adiante:
— Observamos que muitos partidos, ao registrarem suas candidaturas, indicaram exatamente o mínimo de 30% de mulheres exigidos pela lei. Isso ainda é uma preocupação e demonstra a desigualdade entre os sexos e a falibilidade do sistema com a baixa participação feminina nesse processo democrático — disse Fabiano. Que foi além em sua advertência:
— O que é ruim pode ser ainda pior. Ao analisar os registros de candidaturas e as condições de elegibilidade e inelegibilidade de cada um dos candidatos, temos observado número elevado de indeferimento de candidaturas femininas em Campos, algumas até por clara falta de interesse, o que notamos nos casos de renúncia e ausência da simples apresentação de documentos. Essa diferença é bem expressiva e desproporcional aos indeferimentos masculinos — comparou Fabiano.
Ele disse que o Ministério público vem orientando os partidos para que, ao longo do processo eleitoral, monitorem suas candidaturas e façam as substituições necessárias de forma adequada e em tempo hábil. “O que deve ser feito a partir de agora para os casos já conhecidos. Isso é essencial para garantir que a lei seja cumprida e que as mulheres tenham a devida participação no pleito. Queremos que a sociedade entenda a importância desse tema. A presença feminina na política é fundamental, e o respeito à cota de gênero é uma conquista que deve ser preservada”, completou o promotor eleitoral de Campos.
George Gomes Coutinho, cientista político e professor da UFF-Campos
A posição do Ministério Público em defesa da cota feminina nas eleições municipais de Campos recebeu apoio. Como o do cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos:
— A preocupação do MP é a preocupação de todos nós que seguimos vigilantes com a qualidade da democracia brasileira. Nosso sistema, dentre outras definições, é chamado de “democracia representativa”. Portanto, se espera que o poder político constituído “represente” sua população. Isso implica que os agentes políticos realmente existentes, aqueles em exercício, de alguma maneira “tenham a cara” da população que vota e os mantém com pagamento de impostos diretos e indiretos. Em um país cuja maioria é de mulheres é um contrassenso termos uma classe política majoritariamente masculina. Idem com relação ao que verdadeiramente somos em termos raciais e de classe social — disse George. Que seguiu:
— A classe política brasileira ainda é desproporcionalmente branca e economicamente privilegiada, o que gera o fenômeno da super-representação desses interesses em detrimento de nossas maiorias concretas em termos populacionais. Inclusive esta falta de representatividade, por óbvio, leva água ao moinho para o que chamamos de “crise das democracias contemporâneas”. Não é crível criticarmos o eleitor quanto este se queixa de não se enxergar na classe política. O fenômeno da super-representação de setores ajuda a compreendermos esse alheamento de parte da sociedade, faticamente sub-representada, com relação ao poder político exercido formalmente — completou o cientista político.