Ponto final — Segurem as cabeças
Salvo um evento de proporções bíblicas, nada que for feito nas 24 horas que nos separam das urnas de 5 de outubro mudará a vitória parcial da presidente Dilma Rousseff (PT) e do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) no primeiro turno. Embora a primeira tenha chances remotas de definir a parada em turno único, tudo indica que teremos um segundo tanto no Brasil, quanto no Estado do Rio. É aí que residem as maiores dúvidas: Marina Silva (PSB) ou Aécio Neves (PSDB)? Anthony Garotinho (PR) ou Marcelo Crivella (PRB)?
Enquanto todos os institutos não soltam hoje suas últimas pesquisas, já feitas e registradas, os dois de maior credibilidade, Datafolha e Ibope, já apontaram Marina e Garotinho com mais chances para enfrentar, respectivamente, a Dilma e Pezão. Assim como a presidente, isolada no teto de 40% nas duas consultas divulgadas na quinta, Marina também repetiu 24% em ambas, enquanto Aécio apareceu com 19% na Ibope e num empate técnico de 21%, dentro da margem de erro, na Datafolha.
Já quanto ao governo fluminense, enquanto Pezão também se isolou num teto de 31% no Ibope divulgado na terça, quedado a 30% na Datafolha de quinta, Garotinho apareceu com 24% na amostragem do primeiro instituto, caindo para 21% na consulta mais recente do segundo. Nesta última, dentro da margem de erro, o político da Lapa ficou no empate técnico com Crivella, que manteve os 17% das duas Datafolha anteriores, enquanto no Ibope caiu para 16%.
A diferença de Aécio para Crivella, teoricamente favorável ao presidenciável tucano, é que ele está em ascensão (18%, 20% e 21% nas três últimas Datafolha), enquanto o sobrinho de Edir Macedo, estagnado. De qualquer maneira, nenhum dos dois mudaria muita coisa nas projeções de segundo turno. Aécio perderia para Dilma por 46% a 33% (Ibope) e por 48% a 41% (Datafolha). Por sua vez, Crivella cairia diante de Pezão por 43% a 32% (Ibope) e 47% a 39% (Datafolha).
E as coisas não seriam muito diferentes se Marina ou Garotinho confirmassem suas vagas no segundo turno, a partir de pequena vantagem sobre os terceiros colocados. Marina perderia para Dilma por 48% a 41% (Datafolha) e 43% a 36% (Ibope). Ainda assim, teria mais chances do que Garotinho, massacrado por Pezão tanto no Ibope (31% a 46%), quanto do Datafolha (30% a 52%). E se Marina ganharia de Aécio num improvável segundo turno (38% a 33% no Ibope), Garotinho perderia nele também para Crivella: 32% a 37% (Ibope) e 30% a 49% (Datafolha).
Mas se Marina, mesmo perdendo, sai cacifada da sua segunda eleição presidencial, tudo indica que Garotinho sairá muito desgastado da sua terceira disputa a governador. Como o colunista Murillo Dieguez externou ontem na Folha, o deputado dificilmente repetirá os percentuais de votação nos municípios do Norte Fluminense, obtidos por ele próprio, quando se elegeu em 1998, ou quando o sucedeu Rosinha, em 2002. Em Campos, por exemplo, nada indica que ele conseguirá ficar nem perto dos 83,3%, conquistados em 1998, ou mesmo dos 63,7% rosáceos de 2002.
Cientes de que a rejeição a Garotinho é enorme não só no Estado (40% no Ibope e 48%, no Datafolha), mas também em sua cidade natal, candidatos locais a deputado pela nominata, sobretudo os abandonados no favorecimento a Clarissa Garotinho (PR) e Geraldo Pudim (PR), já estão distribuindo suas propagandas sem qualquer referência ao candidato a governador. Ciente de que ainda pior do que a derrota na eleição, é a derrocada antes mesmo dela acabar, consta que Garotinho já prometeu cortar algumas cabeças e expô-las em público, pessoalmente, na semana que vem.
Publicado hoje na Folha




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