Armando Nogueira — Basta uma lágrima de amor ao futebol do supercraque

Zico

 

 

Jornalista Armando Nogueira
Jornalista Armando Nogueira

A última noite

Por Armando Nogueira

Maracanã, enfeita de bandeiras tuas arquibancadas que hoje é dia de festa no futebol. Encomenda um céu repleto de estrelas. Convida a lua (de preferência, a lua cheia). Veste roupa de domingo nos teus gandulas. Põe pilha nova no radinho do geraldino. E, por favor, não esquece de regar a grama (de preferência, com água-de-cheiro).

Avisa à multidão que ninguém pode faltar. É despedida do Zico e estou sabendo, de fonte limpa, que, hoje à noite, ele vai repartir conosco a bela coleção de gols que fez nos seus vinte anos de Maracanã. Eu até já escolhi o meu: quero aquela obra-prima, o segundo gol do Brasil contra o Paraguai nas Eliminatórias do Mundial de 1986. Lembro-me como se fosse hoje. Zico recebe de Leandro um passe de meia distância já na linha média dos paraguaios. Um efeito imprevisto retarda a bola uma fração de segundo. Zico vai passar batido — pensei. Pois sim. Sem a mais leve hesitação, sem sequer baixar os olhos, ele cata a bola lá atrás com o peito do pé, dá dois passos e, na mesma cadência, acerta o canto esquerdo do goleiro paraguaio.

Passei uma semana vendo e revendo no teipe aquele instante mágico de um corpo em harmonioso movimento com o tempo e com o espaço. E a bola, coladinha no pé, parecia amarrada no cadarço da chuteira. Um gol de enciclopédia. Se o amável leitor aceita uma sugestão, dou-lhe esta: escolha um dos gols que Zico fez graças à sua arte singular de chutar bola parada.

Chutar a bola de falta à entrada da área é um talento que Deus lhe deu mas não de mão beijada, como imaginam os desavisados. Zico trabalhou seriamente, anos e anos, para alcançar a perfeição dos efeitos sublimes. À tardinha, quando terminava o treino, ele costumava ficar sozinho no campo do Flamengo — ele, uma barreira artificial, uma bola e uma camisa caprichosamente pendurada no canto superior das traves. A camisa era o alvo.

Zico passava horas sem fim, chutando rente à barreira e derrubando a camisa lá de cima das traves. Chegava o domingo, na cobrança da falta, a bola já estava cansada de saber onde ela tinha que entrar. Não tenho dúvida em dizer que tardará muito até que apareça alguém que domine como Zico o dom de cobrar falta ali da meia-lua.

Celebremos, querido torcedor, a última noite do maior artilheiro da história do Maracanã. Será uma despedida de apertar o coração. Se te der vontade de chorar, chora. Chora sem procurar esconder a pureza da tua emoção. Basta uma lágrima de amor para imortalizar o futebol de um supercraque.

Cantemos, Maracanã, teu filho ilustre, relembrando em comunhão os dribles mais vistosos, os passes mais ditosos, os gols mais luminosos desse fidalgo dos estádios que tem uma vida cheia de multidões.

Louvemos o poeta Zico que jogava futebol como se a bola fosse uma rosa entreaberta a seus pés.

 

Publicado na coluna “Na grande área”, 06/02/1990

 

 


 

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Perguntar não ofende (II)

Diego Costa e Fred, nos tempos em que ambos disputavam a mesma posição na Seleção Brasileira
Diego Costa e Fred, nos tempos em que ambos disputavam a mesma posição na Seleção Brasileira

 

Aqui, o Christiano Abreu Barbosa ressalvou que perguntar não ofende, antes de indagar:

— Será que Diego Costa está arrependido de ter trocado a seleção brasileira pela Espanha?

Ao que este blog, sem deixar a redonda cair no chão, toma a liberdade para emendar de prima:

— Até aqui, quem é o pior centroavante brasileiro da Copa? Diego Costa ou Fred?

 

P.S. Com todo o respeito à torcida do Galo, Jô não conta.

 

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Nem apelo a Cristo salva a Espanha da maldição dos campeões do mundo

Em diálogo com a criativa composição entre imagem e texto feita na edição virtual de hoje do diário esportivo Marca (aqui), na qual o jornal espanhol pedia a piedade do Cristo Redentor com a seleção daquele país, o editor de arte da Folha, Eliabe de Souza, o Cássio Jr., arriscou uma resposta, após os chilenos terem imposto seu excelente futebol na vitória de 2 a o que eliminou os campeões do mundo de 2010 no segundo jogo desta Copa de 2014. Como a França (campeã em 98 e eliminada em 2002) e a Itália (campeã em 2006 e eliminada em 2010, parece estar virando sina dos campeões do mundo ser eliminados na primeira fase da Copa seguinte, maldição da qual só o Brasil escapou neste séc. 21, após ser Tetra em 2002 e só dançar nas quartas de final em 2006.

Bem, na esperança de perpetuação como exceção nas maldições, fiquemos com a arte do Cássio Jr:

 

(Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

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Chilenos invadem, de fato, o Maracanã

(foto: Twitter)
(foto: Twitter)

 

Por Arnaldo Neto

Cerca de 100 torcedores do Chile causaram grande tumulto dentro do Maracanã nesta quarta-feira (18), uma hora antes do início da partida da seleção sul-americana contra a Espanha, pela segunda rodada do Grupo B da Copa do Mundo. Sem ingressos, eles conseguiram acesso à sala de imprensa do estádio e tentaram se dispersar na multidão.

Os chilenos conseguiram derrubar a grade de acesso ao centro de imprensa para invadir a área. Depois, correram para o interior, perseguidos por policiais militares e seguranças particulares. Pelo menos 25 foram detidos, porém, vários conseguiram passar para o túnel de acesso ao gramado e subiram a escada que chega às arquibancadas.

O chefe de segurança do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo informou que já assistiu às imagens do circuito interno de câmeras e identificou o problema. A Fifa ainda deve se pronunciar sobre o ocorrido no Maracanã.

 

Fonte: Folha Online

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Espanhóis apelam a Cristo por redenção na Copa

Depois de ser humilhada em sua estreia na Copa pelos 5 a 1 impostos pela Holanda — que suou sangue para vencer agora há pouco a Austrália, numa virada de 3 a 2 —, a Espanha tem apelado até ao Divino para tentar se recuperar no Grupo B e na autoestima do próprio país, diante da perigosa seleção do Chile. O jogo começa daqui a pouco, às 16h, no Maracanã, sob os braços abertos do Cristo Redentor. O apelo foi feito na criativa reportagem do enviado especial Alberto Barbero, postada hoje na edição virtual do tradicional jornal esportivo espanhol. Quem estiver com o castelhano em dia e quiser conferir no original, basta clicar na imagem:

 

Marca

 

 

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Ironia virtual na catarse real da torcida brasileira

A partir da da excelente atuação do goleiro Guillermo Ochoa, que garantiu o empate sem gols entre Brasil e México, boa parte dos brasileiros usou a ironia virtual para fazer a catarse real da sua frustração com a atuação da Seleção. Aqui e aqui, respectivamente, os sempre atentos Alexandre Bastos e Christiano Abreu Barbosa já tinham reproduzido algumas dessas criativas demonstrações. Abaixo, conheça outras:

 

 

paredão mexicano 2

 

paredão mexicano 1

 

paredão mexicano 4

 

paredão mexicano 5

 

paredão mexicano 7

 

paredão mexicano

 

paredão mexicano 8

 

 

 

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Quem fez mais falta contra o México?

Após o Brasil 0 x 0 México, o dublê de humorista e comentarista esportivo Claudio Manoel não perdeu a chance da pergunta
Após o Brasil 0 x 0 México, o dublê de humorista e comentarista esportivo Claudio Manoel não desperdiçou a bola rolada e emendou de primeira a pergunta:

 

“Quem fez mais falta contra o México: o Hulk, ou o juiz japonês?”

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Use a cabeça e responda: além do 10, temos o quê?

Sei, pode parecer sacrilégio, mas a melhor defesa desta Copa, no tapa de gato de Guillermo Ochoa que furtou a bola na linha do gol (como o tira teima da Fifa mostraria depois) na forte cabeçada de Neymar, lembrou muito aquela considerada a maior defesa da história de todas as Copas. Se não de um mexicano, mas feita no México de 1970, foi a obra da vida do goleiro inglês Gordon Banks, na bola testada e quicada ao chão por um outro camisa 10 da Seleção Brasileira vindo do Santos.

Na impossibilidade de se comparar os donos das cabeças e das camisas, mas por maior que sejam suas diferenças individuais, a questão é: o primeiro camisa 10, para ser tricampeão, teve ao seu lado Gérson, Jairzinho, Tostão, Rivelino, Jairzinho, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, além de um 12º jogador como Paulo Cezar Caju. E Neymar, para ser hexa? Tem quem?

Use a cabeça, como nos dois lances abaixo:

 

 

 

 

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Empate sem gols pode bastar para chegar às oitavas, mas Brasil precisa de mais

E ficou no 0 a 0. Com grandes defesas do goleiro Ochoa, e sem nenhum erro capital do juiz, o México confirmou o equilíbrio do seu retrospecto recente com o Brasil e parou o dono da casa, hoje na Arena Castelão, em Fortaleza.  Após chamar o Brasil para o seu campo defensivo no primeiro tempo, os mexicanos voltaram ao segundo tentando pressionar, arriscando chutes perigosos de fora da área.  O volante Vásquez, aos 9 minutos; o meia Herrera, aos 11; e Guardado, aos 14, deram sustos em Júlio César, com bolas para fora, mas sempre próximos ao gol.

A pressão mexicana durou até uma falta dura, aos 16 minutos, que valeu o cartão amarelo a Vásquez, sobre Neymar. Ele mesmo cobrou, com a bola saindo após roçar o ângulo direito de Ochoa. A partir daí, quem partiu para o ataque foi o Brasil, com Jô como nova referência de frente, após substituir Fred, que saiu vaiado pela torcida aos 22. Um minuto depois, numa blitzen brasileira sobre a área mexicana, Bernard (que começou o segundo tempo no lugar de Ramires) cruzou da esquerda. Neymar matou no peito e chutou de canhota dentro da área, obrigando Ochoa a uma grande defesa.

Aos 30, com as tabelas do Atlético Mineiro ainda na memória, Bernard enfiou para Jô penetrar na área pela esquerda, mas o chute cruzado do atacante saiu pela linha de fundo no lado oposto. Aos 40, uma cobrança de falta de Neymar, também pela esquerda, achou Thiago Silva dentro da pequena área, que cabeceou à queima roupa em mais um milagre operado pelo goleiro mexicano.

Como a bola não entrava, o lateral Marcelo invadiu a área do México pela esquerda e, pressionado por Jimenez, se jogou na área, mesmo com a possibilidade de seguir no lance. Mas diferente do que ocorreu contra a Croácia no polêmico lance de Fred, o árbitro turco Çüneyt Çakir não entrou na encenação brasileira. Aos 45, o mesmo Jimenez bateu uma bomba na quina esquerda da área de Júlio César, colocando o goleiro brasileiro para também trabalhar.

No apito final do juiz, os mexicanos comemoram o empate, que os coloca iguais ao Brasil em números de pontos (4), na disputa pela liderança do Grupo A, mesmo que o técnico time da Croácia vença amanhã, em Manaus, no jogo que fecha a rodada, a desorganizada seleção de Camarões. Quanto ao time de Felipão, esse primeiro empate da Seleção sob seu comando num jogo de Copa (incluindo a campanha do Penta, no Japão e na Coréia do Sul, em 2002) pode ser suficiente para garantir a vaga às oitavas, mas a partir daí, as dificuldades certamente serão maiores do que a boa atuação de um goleiro.

 

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Primeiro tempo sem gols, mas com duas defesas difíceis do goleiro do México

Tecnicamente, foi um primeiro tempo bem abaixo do que contra a Croácia. Diferente desta, a seleção do México abriu mão de disputar o jogo no meio, preferindo se defender na sua metade do campo e explorar os contra-ataques, com apoio dos seus laterais, sobretudo o esquerdo Layun, na tentativa de explorar a velocidade e habilidade dos seus homens de frente: Giovanni dos Santos e Peralta. Também com apoio dos seus laterais, o Brasil aceitou o convite e tentou atacar, obrigando Ochoa a duas defesa difíceis. A primeira aos 25 minutos, numa forte cabeçada de Neymar, após cruzamento de Daniel Alves da direita, que o goleiro tirou rente à trave esquerda, em cima da linha do gol, como mostrou depois o tira teima eletrônico da Fifa. A outra, aos 43, num chute à queima roupa de Paulinho, dentro da área, após um passe de peito do zagueiro Thiago Silva.

Emboda com menos trabalho, Júlio César também fez uma defesa difícil, aos 23, ao desviar com a ponta dos dedos o chute forte de fora da área do meia Herrera, ao 23. Ramires, que como previsto substituiu Hulk, não teve boa atuação e tomou um merecido cartão amarelo aos 44, após fazer falta dura. No seu lugar, o Brasil voltou ao segundo tempo com Bernard, na promessa de um time mais ofensivo.

 

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