Arthur Soffiati — A lenda do “Rei do filme B” de Hollywood

 

Roger Corman, cineasta, produtor, descobridor de atores, redescobridor de outros e “Rei do filme B” de Hollywood

 

Arthur Soffiati, historiador, professor, ambientalista e crítico de cinema

A lenda Roger Corman

Por Arthur Soffiati

 

Hollywood reuniu estúdios e se tornou o maior centro cinematográfico do mundo. Dali, saíram grandes filmes, diretores famosos e artistas glamorosos. Eles ganharam o mundo e, por um lado, levaram-nos encantamento. Por outro, motivaram críticas severas. O festival do Oscar é o que melhor representa Hollywood.

Mas deixemos o palco da cidade do cinema e visitemos o porão. Lá não é apenas um lugar para guardar material usado e recordações. Encontraremos intensa vida ali: diretores, produtores, cinegrafistas, artistas, orçamentos baixos e a falta de glamour do andar de cima. Ou um glamour diferente daquele mais difundido e exibido nas grandes telas.

É a Hollywood B, talvez a verdadeira face da capital mundial do cinema: a produção de filmes comerciais para o grande público. O cinema sem meias palavras para render dinheiro: gastar pouco e ganhar muito. É preciso descobrir esta faceta por trás do charme.

Nesse sentido, a figura de Roger Corman talvez seja a mais representativa desse porão. Ele nasceu em 1926 e acaba de morrer aos 98 anos de idade. Corman fez de tudo no porão: carregou cenários, esteve atrás das câmaras, foi dublê, estreou como diretor em 1956, dirigiu muitos filmes nos mais distintos gêneros, vários deles não creditados, e se tornou um grande produtor mais pela quantidade que pela qualidade.

Corman recebeu merecidamente o título de “Rei do filme B”. Em todos os gêneros, encontraremos filmes B, aqueles que são produzidos com baixo orçamento. Por isso, não podem contar com bons roteiristas, fotografia, artistas e outros traços mais que marcam a produção do andar superior de Hollywood.

Não se pode dizer que Corman estava despreparado culturalmente. Ele se formou em engenharia e estudou literatura. Era pau para toda obra. Precisa-se de um filme para a próxima semana. Chama o Corman. Parece que certo estúdio não cumprirá o contrato para nos entregar um filme A. Chama Corman depressa e encomenda um filme B.

Como produtor, ele não se limitava em conseguir dinheiro para os filmes. Escolhia o livro a ser roteirizado, o roteirista, o diretor e os artistas. Ele deixou de dirigir em 1990, mas continuou como diretor indiretamente. E era grande seu tino para filmes voltados aos pequenos cinemas e ao público não exigente.

Os homens americanos gostam de peitos femininos? Pois coloquemos mulheres bonitas que exibem seus peitos gratuitamente. Foi assim que ele filmou Dawn Dunlap, uma bela e pouco conhecida atriz. O público gosta de briga? Ofereçamos briga a eles. E nada de filme-cabeça.

Assim, Corman adquiriu notoriedade e respeitabilidade do andar de cima. Ele se tornou um grande conselheiro dos jovens diretores, como Francis Coppola, Martin Scorserse, James Cameron, Tim Burton, John Landis, Joe Dante, Peter Bogdanovich, Jonathan Demme. Ele lançou artistas que se tornaram célebres mais tarde, como Jack Nicholson, e trouxe às telas artistas que estavam sendo esquecidos, como Peter Lorre e Boris Karloff.

Foi Corman que consagrou o nome de Vincent Price. Ele ganhou dinheiro com esses filmes baratos e simples de ficção científica, comédias macabras, faroeste, mitologia, dinossauros, máfia e tantos mais em que esteve por trás como diretor e produtor. Segundo ele, só teve prejuízo com um. Em 2009, ele recebeu o Oscar honorário.

Numa de suas muitas entrevistas, ele disse que não se deve abusar do virtuosismo com a câmara. Até certo ponto, ele podia fazer experiências, mas desagradar o público simples jamais. Pelo conjunto da obra, pela revelação de artistas, pela oportunidade que deu aos astros devorados por Hollywood e pela influência exercida sobre jovens cineastas, hoje famosos, Corman bem merece uma homenagem.

Mas é de se perguntar quem estaria disposto a assistir a “O monstro de um milhão de olhos”, “O emissário do outro mundo”, “O ataque dos caranguejos monstruosos”, “Um balde de sangue” (genial), “A mulher vespa” “A pequena loja dos horrores” (sua mais conhecida obra), “O homem dos olhos de raio-X” e “Frankenstein, o monstro das trevas”?

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Wladimir aceita provocação, campista Zé Maurício, Tezeu a vereador e Filipe com Tiradentes

 

Wladimir Garotinho, José Maruício Linhares, Tezeu Bezerra e Filipe Estefan (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Provocação aceita por Wladimir

Em todas as pesquisas de 2023 e na única até aqui de 2024, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) é favorito à reeleição em 6 de outubro, daqui a 4 meses e 15 dias. Por isso, ao gravar um vídeo para dizer que a “a oposição não tem vergonha na cara”, após a leitura do relatório da CPI da Educação ontem (21) na Câmara Municipal, ele parece não ter nada a ganhar. Até porque sua briga já tinha sido comprada por seu líder legislativo, edil Juninho Virgílio (Podemos). Enquanto a briga real da oposição é para tentar diminuir a aprovação e aumentar a rejeição de Wladimir. Que, para manter essa condição hoje favorável, talvez não devesse aceitar provocação. A ver.

 

O campista Zé Maurício (I)

Faleceu no último sábado (18), aos 88 anos, o campista José Maurício Linhares. Talvez menos conhecido pelos mais jovens, foi deputado federal seis vezes consecutivas, de 1975 a 1999. Ajudou a elaborar a Constituição Federal de 1988 e se marcou também como secretário de Minas e Energia dos dois governos Leonel Brizola (PDT) no RJ, de 1983 a 1987 e de 1991 a 1994. Quando Zé Maurício, como era conhecido entre os mais próximos, capitaneou o projeto “Uma Luz na Escuridão”. Com o qual levou eletrificação a várias localidades fluminenses, sobretudo na zona rural, que nunca tinham contado com esse serviço essencial.

 

O campista Zé Maurício (II)

Nos tempos do bipartidarismo imposto pela nossa última ditadura militar (1964/1985), Zé Maurício se opôs a ela no MDB. Em 1980, quando o PDT foi criado por Brizola, ingressou no novo partido, do qual nunca saiu. Formado em Direito na UFF, fez sua vida profissional e política no Grande Rio, mas nunca perdeu os laços com Campos. Esteve entre os brizolistas que romperam com o então jovem Anthony Garotinho (hoje, Republicanos). Quando julgou que este pôs seu projeto individualista de poder acima da luta pelo trabalhismo fundado pelo ex-presidente Getúlio Vargas (1882/1954), do qual Brizola era considerado sucessor.

 

Campistas de outro tempo

Zé Maurício foi colega no Liceu de Humanidades de Campos do jornalista Aluysio Cardoso Barbosa (1936/2012), fundador da Folha da Manhã e desta coluna. Mesmo que o segundo nunca tenha escondido em vida ressalvas a Brizola, os dois ex-liceístas sempre se mantiveram amigos. Ambos testemunharam crianças a II Guerra Mundial (1939/1945). E se tornaram adultos no mundo bipolar da Guerra Fria (1947/1991), entre os EUA e a antiga União Soviética. Foi uma época de verdades conflitantes. Mas também de luta pelo direito ao contraditório. Com base em convicções muito mais sólidas do que a destes tempos rasos da pós-verdade.

 

Folha no Ar de hoje e ontem

No Folha no Ar da manhã de hoje, ao vivo, das 7h às 9h, a Folha FM 98,3 recebe três entrevistados para falar da vida e do legado de Zé Maurício: o ex-prefeito de Campos e ex-deputado estadual Roberto Henriques (que busca refundar o PTB de Getúlio), o engenheiro da Petrobras e ex-secretário de Energia do RJ Wagner Victer, e Sérgio Mendes (Cidadania), outro ex-prefeito. Já no Folha no Ar de ontem (21), o trabalhismo de Campos ganhou um reforço à eleição municipal de 6 de outubro. Presidente do Sindipetro NF, o petroleiro Tezeu Bezerra revelou que é pré-candidato a vereador pelo PT goitacá.

 

Petroleiros a vereador pelo PT

Na última eleição municipal, o petroleiro José Maria Rangel (PT) foi o candidato a vereador da categoria em Campos. Com 2.934 votos, foi o 5º mais bem votado. Mas não se elegeu por conta do quociente partidário. Mais que a eleição a prefeito, onde a deputada estadual Carla Machado já aparece com dois dígitos nas pesquisas, mesmo hoje impedida de concorrer por toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Supremo Tribunal Federal (STF), o PT acerta ao priorizar a reconquista de uma cadeira de vereador. Tezeu e os cerca de 3 mil petroleiros residentes em Campos, entre ativos e aposentados, reforçam essa pretensão.

 

Estefan recebe Medalha Tiradentes (I)

Como a coluna adiantou no sábado, o presidente da OAB de Campos, Filipe Estefan, recebeu na segunda (20) a Medalha Tiradentes, maior honraria dada pela Alerj. Que foi proposta pela deputada estadual Carla Machado. Com quem Filipe trabalhou como procurador de São João da Barra na primeira das quatro gestões da hoje parlamentar como prefeita do município. Também advogado e presente à solenidade, o presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), saudou o homenageado: “Preside a OAB de Campos com muita energia e dedicação. Sei do seu carinho enorme por toda a região, nesse trabalho árduo que é advogar”.

 

Estefan recebe Medalha Tiradentes (II)

Prestigiado por pares do mundo jurídico, como o presidente da OAB-RJ, Luciano Bandeira, Filipe disse ao receber a Medalha Tiradentes: “Minha gratidão à deputada, que viu neste advogado intensa militância para receber esta áurea. A honraria não é só do Filipe Estefan, filho de Lurdinha e Fidélis, mas de toda a advocacia. Divido a homenagem com os colegas que, como eu, labutam dia a dia na defesa intransigente dos direitos. E levam a todos os cidadãos, em todo território fluminense, o restabelecimento da ordem jurídica, contribuindo à pacificação dos conflitos e ao fortalecimento do estado democrático de direito”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

José Maurício Linhares é o tema do Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Falecido no último sábado (confira aqui), aos 88 anos, a vida e a obra do campista José Maurício Linhares, ex-deputado federal por seis mandatos e ex-secretário de Minas e Energia dos dois governos Leonel Brizola (PDT) no estado do Rio, serão o tema do Folha no Ar desta quarta (22). Que vai ao ar ao vivo, a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3.

Em ordem e blocos separados, darão seus testemunhos o ex-prefeito e ex-deputado estadual Roberto Henriques, o engenheiro da Petrobras e ex-secretário de Energia do RJ Wagner Victer, e o ex-prefeito Sérgio Mendes. Todos falarão sobre José Maurício.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.

 

Petrobras e PT a prefeito e vereador em Campos no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Petroleiro, petista e presidente do Sindipetro NF, Tezeu Bezerra é o convidado do Folha no Ar desta terça (21), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará (confira aqui) dos casos de intoxicação alimentar na plataforma P-53 e de falta de sanitário na P-25.

Tezeu também analisará a troca de comando na Petrobras, com Jean Paul Prates substituído na presidência por Magda Chambriard, suas causas e reflexos na Bacia de Campos. Por fim, falará das três pré-candidaturas do PT a prefeito de Campos e de novidades na nominata a vereador do partido.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.

 

Favoritos a prefeito por 15, 30 e 40 pontos de vantagem

 

Marcelo Magno em São Pedro da Aldeia, Fábio do Pastel em Arraial do Cabo, Maira do Jaime em Silva Jardim, Carlos Augusto Balthazar em Rio das Ostras, Wladimir Garotinho e Campos dos Goytacazes e Alfredão em Itaperuna (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Pesquisa a prefeito de Itaperuna

Atual prefeito de Itaperuna, Alfredão (União) liderou (confira aqui) a primeira pesquisa de intenção de votos registrada no município. Na consulta estimulada, ele apareceu com 33,9%. Veio seguido de Nel (PL), com 18,8%; de Doutor Bruno (Novo) com 16,4%; Kadu Novaes (REP), com 14,3%; e Adilson Ribeiro, com 8,6%. Brancos e nulos somam 6,5%, enquanto 1,5% não soube dizer em quem votará. Divulgada na última quinta, a pesquisa foi feita entre 9 e 11 de maio, com 596 eleitores e margem de erro de 4 pontos para mais ou menos. Foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RJ-08982/2024.

 

Favorito à reeleição?

“Itaperuna tem 76.528 eleitores habilitados a votar em 6 de outubro. Será de turno único, já que o 2º turno só pode existir em municípios a partir de 200 mil eleitores. A pesquisa indica a provável reeleição do prefeito Alfredão, que lidera fora da margem de erro. Tem a vantagem de ser o único candidato que disputará a eleição já com o controle da máquina administrativa e do orçamento municipal. Os números de intenção de voto provavelmente refletem, em algum grau, uma boa avaliação do itaperunense em relação ao atual mandato”, analisou o especialista William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE.

 

Os favoritos por 15 e por 40 pontos

Entre as pesquisas registradas às eleições de municípios do Norte e Noroeste Fluminense, e Região dos Lagos, Alfredão lidera a corrida à reeleição com a menor vantagem sobre o 2º colocado: 15,1 pontos. Em Arraial do Cabo, o prefeito Marcelo Magno (PL) liderou (confira aqui) a consulta estimulada com 62% de intenção de voto. Teve 46,8 pontos de vantagem sobre o 2º colocado: Andinho (PL), com 15,2%. Em São Pedro da Aldeia, o prefeito Fábio do Pastel (PL) liderou a consulta estimulada com 57,2% de intenção de voto. Teve 43,7 pontos de vantagem sobre os dois empatados em 2º lugar: Bia do Guga e Chumbinho, com 13,5% cada.

 

(Infográfico: Elaibe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Os favoritos por 30 pontos

Em Silva Jardim, a prefeita Maira do Jaime (MDB) liderou (confira aqui) a estimulada com 51,2% de intenção de voto. Teve 31 pontos à frente do 2º colocado: Juninho da Peruca, com 20,2%. Em Rio das Ostras, o ex-prefeito Carlos Augusto Balthazar (MDB) liderou (confira aqui) com 50% de intenção de voto. Teve 35,9 pontos à frente do 2º colocado: Maurício BM (PV). E, em Campos, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) liderou (confira aqui) com 53,7% de intenção de voto. Teve 35 pontos à frente da 2ª colocada: a deputada estadual Carla Machado (PT), com 18,7%. Magno, Fábio, Maira, Carlos Augusto e Wladimir têm vantagem bem mais confortável que a de Alfredão em Itaperuna.

 

Filipe Estefan, presidente da OAB Campos

Medalha Tiradentes a Filipe Estefan

Presidente da OAB Campos, Filipe Estefan será condecorado às 18h30 desta segunda (20), na Alerj, com a Medalha Tiradentes. A maior honraria do Legislativo fluminense é destinada a pessoas e entidades que prestaram relevantes serviços à causa pública do estado. Como deputada, Carla Machado propôs a homenagem. E a justificou: “Conheço Filipe Estefan há vários anos. Ele sempre primou pela postura ética e de cumprimento às leis, sem abrir mão do lado humano. Foi procurador-geral de São João da Barra na minha gestão e me ajudou muito. Tem o reconhecimento da sociedade como um todo e dos seus colegas advogados”.

 

Luta em defesa do autismo

Pré-candidata a prefeita de Campos, a deputada complementou na homenagem que Filipe receberá da Alerj: “Ele está em seu terceiro mandato à frente da OAB de Campos. Mais recentemente, através de Filipe, tivemos a contribuição importante da OAB numa luta para que as pessoas com autismo pudessem ser atendidas através do plano de saúde. Não conseguimos, por se tratar de legislação federal, mas vimos o empenho dele em prol da causa”, destacou Carla. Que coordena a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Alerj.

 

Robson Maciel Junior, procurador da Alerj, com a Medalha Tiradentes

Medalha Tiradentes de Robson Maciel Jr.  

Em 14 de setembro do ano passado, outro jurista de Campos recebeu a Medalha Tiradentes. Procurador-geral da Alerj, Robson Maciel Jr. recebeu a homenagem proposta pelos deputados Chico Machado (SDD), Tia Ju (Rep), Dionísio Lins (PP) e Léo Vieira (PSC). Presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União) disse na ocasião: “Fiz questão de deixar que outros deputados chamassem a atenção à figura do Robson. Além de conterrâneo, é um amigo de infância”. Por sua vez, Robson disse ao ser homenageado: “A atividade jurídica necessita de sensibilidade para perceber sutilezas e diferenças envolvidas em palavras escritas, ditas e não ditas”.

 

Direito Previdenciário na OAB

Com o tema “Processo Administrativo Digital, recursos e estratégias processuais: Processo Administrativo ou Judicial?”, o Direito Previdenciário trouxe nomes importantes do cenário nacional em workshop promovido pela OAB-Campos na última quinta (16). Secretária geral da instituição, Mariana Lontra Costa destacou que a OAB goitacá vem promovendo diversos eventos para trazer atualizações à categoria: “O Direito Previdenciário está crescendo muito e ter essa oportunidade de presentear os nossos colegas com um evento como esse, é extremamente relevante”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Um ano sem Ícaro por suas primas e seu irmão

 

Ícaro Barbosa, Vitória Abreu, Vivian Ranuci, Sofia Pasco e Aquiles Paes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Por Vitória Abreu, Vivian Ranuci, Sofia Pasco, Aquiles Paes e Aluysio Abreu Barbosa

 

Na última segunda-feira (13) foi celebrada a missa de 1 ano pelo falecimento de Ícaro Paes Pasco Abreu Barbosa, meu único filho. Foi marcada por sua mãe, a jornalista Dora Paula Paes, na Igreja de São Francisco, onde Campos dos Goytacazes nasceu.

Ao final da cerimônia, pude reforçar as impressões do homem e jornalista que Ícaro foi em seus 23 anos de vida, pelos cumprimentos e palavras dos presentes. Cada qual com a sua história com meu filho. Que, no reflexo complementar em cada, vive contado em todas.

Antes e após a missa, colhi os testemunhos de três das suas primas e do seu irmão. Nos quais constatei: se a perda física de Ícaro não é fácil, torna-se menos difícil no amor. Pelo significado da sua vida breve e marcante, aos seus mais próximos em idade e sangue.

Abaixo, nos relatos sobre Ícaro, seu legado e saudade. Pelo sentir de Vitória, Vivian, Sofia e Aquiles. Cujo pragmatismo, mesmo na prosa poética que adotou para falar pelo irmão, é epílogo e epitáfio a todos nós: “Tudo continuará, com um dia após a minha morte”.

 

“Por fim, gostaria de homenagear meu primo, Ícaro Paes Pasco Abreu Barbosa, que foi pra mim referência de bondade, generosidade, educação e carinho durante os 23 anos que vivemos juntos. Obrigada por todas as memórias, nunca esqueceremos de você”.

(Vitória Abreu, 24 anos, último parágrafo do agradecimento do seu TCC de graduação em engenharia de produção na UFRJ, prima de Ícaro)

 

“Um ano sem meu irmão e a saudade está cada vez mais presente. Tem sido difícil, mas tenho tentado ser forte por ele. Irmão, sei que você partiu, mas ainda tenho dificuldade em aceitar e dizer adeus.

Guardo nossas lembranças e agradeço por tudo que vivemos. Mas, ao mesmo tempo, meu peito dói por saber que nossa história acabou aqui.

Não posso mais ver você, e isso machuca. Oro muito para que esteja em paz e tento seguir em frente. Penso em você todos os dias. Sei que esta saudade seguirá sempre comigo. Você sempre será muito importante para mim e o amor que sinto é imortal”.

(Vivian Paes Ranuci, 21 anos, estudante do curso superior de contabilidade na Estácio, prima de Ícaro)

 

“Um ano sem você aqui e a saudade é a mesma. Espero que você tenha encontrado sua luz e sua paz.

A família inteira sente sua falta absurdamente, mas sabemos que você estará sempre em nossos corações. Hoje foi um dia triste e reflexivo para todos nós que te amamos”.

(Sofia Lessa Pasco, 16 anos, estudante do ensino médio, prima de Ícaro)

 

“Um dia após a minha morte. Meu pai chorou, minha mãe se quebrou. A família se corrói, todos sofrem de saudades. Outros buscam alguém para culpar, mas sabem que de nada adiantará.

Nunca me entenderão, nunca entenderam. No fim, tudo passou e agora sigo singelo. Onde seguir, seguirei aqui e passando do teu lado ao eterno.

Criarei a ti minha epopeia. Do amor que existe em vós me alimentarei. Buscarei meu refúgio em minha escrita, meus amores, minha boemia.

Um ano se passou, nada mudou e nada mudará, para sempre. Tudo continuará, como um dia após a minha morte”.

(Aquiles Paes, 15 anos, estudante do ensino médio, irmão de Ícaro, com este na 1ª pessoa)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Felipe Fernandes — Planeta dos Macacos de César a Noah

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

O legado de César

Por Felipe Fernandes

 

Baseado no livro de Pierre Boulle, Planeta dos macacos chegou aos cinemas em 1968 e se tornou um clássico instantâneo. Com o enorme sucesso a aventura se tornou uma franquia, gerando outros quatro filmes que saíram quase que anualmente. Em 2001 foi lançado um remake, comandado por Tim Burton, na tentativa de reviver a franquia, mas o fracasso do filme encerrou a ideia.

Como Hollywood não se cansa de reciclar ideias antigas, em 2011 foi lançado um prequel, que trazia a história para nossos dias e buscava explicar a origem de tudo. O filme foi um sucesso, gerou uma trilogia que narra o arco de César, o primeiro macaco inteligente, que liderou os outros símios. Eis que chega aos cinemas “Planeta dos macacos: O reinado”, longa que abre uma nova porta na franquia e promete usar elementos da última trilogia para narrar uma aventura que se passa vários anos depois do último longa.

Em “O planeta dos macacos: A Guerra”,  César deixa de ser retratado “apenas” como o líder dos macacos e ganha contornos messiânicos, tendo uma clara alusão a Moisés e o êxodo do povo israelita. Neste longa, a narrativa abre com o funeral de César, uma cena que busca conectar o novo filme com a trilogia anterior, mas principalmente, fazer alusão ao símbolo e ao ensinamento principal de César.

Abraçando o símbolo que remete à ideia de liberdade, o longa trabalha essa questão das diferentes interpretações de um mesmo ensinamento, culminando no conflito entre vertentes diferentes que surgiram em decorrência dos ensinamentos do líder símio. Esse é o tema mais interessante do longa, a forma como tanto o clã da Águia, quanto os outros clãs aparecem utilizando o símbolo de diferentes formas.

Esse resgate do passado está presente em todo o filme, seja no visual da natureza tomando o que restou de construções e das cidades. Seja na nova dinâmica em que os humanos são apresentados ou até mesmo no plano de antagonista. Que quer acessar um local secreto humano, que pode lhe render poder para dominar outros clãs.

É interessante a forma como aprendemos sobre os ritos e leis do clã das águias, sempre pelos olhos do protagonista Noah. A preocupação em manter uma espécie de equilíbrio ecológico, mesmo com a tradição de roubar um ovo de águia no ninho, construindo um laço desde o nascimento da ave, são detalhes que enriquecem aquele universo.

O filme resgata um tom de aventura muito presente nos filmes antigos, algo que se perdeu na proposta da trilogia anterior. A trama é bem simples, a complexidade da narrativa se encontra nos subtextos, uma decisão que não afeta o ritmo e respeita elementos dos filmes anteriores.

A relação entre humanos e macacos ganha novos contornos aqui, com o roteiro realizando mudanças na dinâmica que remetem aos longas anteriores e prometem ser o fio condutor dessa nova trilogia. Se nos últimos longas nós acompanhamos o declínio da raça humana e a ascensão símia, o longa aponta para uma inversão que pode render boas histórias.

“Planeta dos macacos: O reinado” é um recomeço para a franquia, que se utiliza de muitos elementos da trilogia anterior para desenvolver sua narrativa. Mas esse resgate é feito de forma inteligente, sem tornar o filme refém dos longas anteriores. Apresentando um bom protagonista, os realizadores parecem ter encontrado um caminho para dar continuidade a uma história rica em simbolismos e personagens.

O legado de César se encerra aqui. É hora da jornada de Noah.

 

Publicado na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

Carla Machado fecha a semana do Folha no Ar nesta sexta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Deputada estadual, pré-candidata a prefeita de Campos e ex-prefeita reeleita de São João da Barra, Carla Machado (PT) é a convidada para fechar a semana do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela falará da sua experiência como deputada e da sua trajetória política recente de oposição a aliada do presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União).

Carla também falará da incerteza jurídica em torno da sua pré-candidatura a prefeita de Campos em 2024 (confira aqui e aqui), após ter sido reeleita prefeita de SJB em 2020. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), ela tentará projetar as eleições municipais de Campos e SJB.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.

 

Carta a Ícaro — Dia das Mães, civilizações e a prejereba

 

“O que não pode acontecer é deixarmos de saber que a pessoa do nosso lado sangra, come, alimenta-se, ama, sofre, enfim, sente as mesmas coisas que nós e que não é uma diferença no modo de pensar que nos faz uma espécie diferente”.

(Ícaro Barbosa)

 

Ícaro e Aluysio Abreu Barbosa no cume do Monte Sinai aos cristãos, Monte Horebe aos judeus, Jebel Muça aos islâmicos, aurora de 25 de janeiro de 2023 (Foto: Ícaro Barbosa)

 

Bom dia, filhote!

Hoje é a véspera do Dia das Mães. Como era em 2023, dia em cuja noite você decidiu voar.

“O mundo é mágico. As pessoas não morrem, ficam encantadas”, sentenciou Guimarães Rosa. Foi em 16 de setembro de 1967, no discurso dele de posse na Academia Brasileira de Letras. Três dias depois, ficou encantado.

Olhamo-nos, com você sorrindo, na foto feita banner na parede da sala. Onde levanta um pint de Guinness em brinde em Amsterdã. Cidade que disse muitas vezes ter sido a que mais gostou na nossa última viagem.

Era 2 de janeiro de 2023, tão perto e distante. Havíamos chegado do Brasil na noite holandesa anterior. Para dar início à jornada pelos três continentes do Velho Mundo. Tínhamos o Êxodo por roteiro. Mas isso é um outro livro. Cuja escritura devo a você, a Deus e a mim.

Voltei à Brasília no início de abril deste ano, que já tinha conhecido no final de 2001. Quando, não sem surpresa ou orgulho, fui convidado pela embaixada do Irã. Que me achou naqueles tempos pré-redes sociais por artigos que eu havia escrito sobre Alexandre e o Império Persa.

Você tinha 2 anos. Quando reagiu com intensidade precoce ao atentado da Al-Qaeda de 11 de setembro. Guardo o impacto nítido na sua retina, na expressão da face de criança ainda de colo, aos jatos se espatifando contra as Torres Gêmeas. E estas vindo ao chão.

Em ironia da vida, 2001 já havia sido eleito pela ONU como o ano do Diálogo entre Civilizações. Por proposta do então presidente do Irã, Muhammad Khatami. Era um intelectual reformista. Que acabaria emparedado pelo fundamentalismo religioso do Colégio dos Aiatolás.

Com ele ainda no poder, rendeu aquele encontro sobre a Civilização Islâmica em Brasília. Na verdade, por conta de uma greve na UnB, acabou sendo em Taguatinga. Aquela em que João de Santo Cristo “ganhava cem mil por mês” como aprendiz de carpinteiro.

Vinte e três anos depois, saí na manhã do último dia 7 de abril da Catedral de Brasília. É história que já contei. E, com Paulinha, fomos caminhando ao Museu da República. Onde estava rolando a exposição “Matéria Prima”. Da artista plástica porto-riquenha Gisela Colón.

Não conhecia ela ou seu trabalho. Que se baseava na montagem de esculturas totêmicas em diferentes lugares do mundo. A intervenção espacial era registrada em fotos. E estas estavam expostas em grandes murais horizontais no interior do Museu.

 

Museu da República de Brasília, exposição Matéria Prima, da artista porto-riquenha Gisela Colón, 7 de abril de 2024 (Foto: Paula Vigneron)

 

Dobrando à direita da entrada, topei logo com a primeira. E tomei um susto com a obra côncava de Colón retratada no Complexo de Gizé. Diante da Esfinge e das três Grandes Pirâmides do Egito. Que havíamos conhecido juntos, filhote, exatos 15 meses antes.

 

Aluysio e Ícaro Abreu Barbosa diante da Esfinge e das três Grandes Pirâmides do Egito, Gizé, 7 de janeiro de 2023 (Foto: Ícaro Barbosa)

 

Ainda supunha estar na coincidência. Até que, dois painéis adiante, dei com três monólitos da artista interagindo com a Cidadela de Saladino, no Cairo. Estavam entre suas muralhas e os domos e minaretes da Mesquita de Muhammad Ali, fundador do Egito moderno, ao fundo.

 

Museu da República de Brasília, exposição Matéria Prima, da artista porto-riquenha Gisela Colón, 7 de abril de 2024 (Foto: Paula Vigneron)

 

Em outro diálogo entre civilizações, havíamos estado ali em 22 de janeiro de 2023, tão perto e distante de 7 de abril de 2024. Lembrei-me de Nietzsche, seu filósofo: “Nenhum vencedor acredita no acaso”. E vi que não perdi. Ganhei os 23 anos, 10 meses e 13 dias da sua vida.

 

Aluysio e Ícaro Abreu Barbosa na Cidadela de Saladino, diante da Mesquita de Muhammad Ali, Cairo, 22 de janeiro de 2023 (Foto: Ícaro Barbosa)

 

Mesmo antes de visitar novamente o Planalto Central, estava há meses sem ir a Atafona. E voltei ao Dia da Criação do Poetinha: “hoje é sábado, amanhã é domingo”. Já era o último domingo, 5 de maio, do final de semana que voltei à nossa praia.

Para fazer uma torta de frutos do mar ao almoço, fui à peixaria diante da Igreja Nossa Senhora da Penha, onde você foi batizado. Vi o peixeiro em sua mesa de trabalho ao fundo, que limpava um grande pescado. Dei com a mão, ele deu de volta, enquanto seu filho me atendia.

Escolhi entre os freezers camarão cinza e sete barbas descascado, mexilhão e lula em anéis para a torta. Tudo pesado, somado e já pago, o dono da peixaria se aproximou. Trazia o grande peixe discoide já limpo às mãos. E jogou a cantada: “Prejereba de 9kg para o Dia das Mães”.

De carne branca, tão boa, mas menos conhecida e cara que a de cherne ou robalo, comemos muita prejereba juntos. Na moqueca ou assada. Além de Paulinha, estava com Aquiles, seu irmão. Com quem troquei olhares como os seus, bebê, à queda do World Trade Center.

De novo, supus não ser coincidência. E comprei o peixe para assar inteiro no Dias das Mães de amanhã. A suposição se reforçou na saída da peixaria. Quando Aquiles e eu verbalizamos o olhar de encantamento que trocamos segundos antes: “Isso é coisa de Carô”.

Seja feita sua vontade, sempre, filhote!

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Missa de 1 ano da morte de Ícaro às 18h desta 2ª, na Igreja São Francisco

 

Ícaro e o sol, cume do Monte Sinai, 25 de janeiro de 2023 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

Nesta segunda-feira, 13 de maio, se completa 1 ano da morte do jornalista Ícaro Paes Pasco Abreu Barbosa, após 23 anos de uma vida breve e intensa. Seus pais, irmão e demais familiares convidam a todos à missa em intenção da sua alma. Será celebrada às 18h de segunda, na Igreja São Francisco, na rua 13 de Maio, Centro, onde Campos dos Goytacazes teve início.

 

“Eu te vi, oh, beleza, tu me pertences agora, seja quem for que estejas esperando e mesmo que eu nunca mais te veja em toda a minha vida”.

(Ernest Hemingway)

 

“O que não pode acontecer é deixarmos de saber que a pessoa do nosso lado sangra, come, alimenta-se, ama, sofre, enfim, sente as mesmas coisas que nós e que não é uma diferença no modo de pensar que nos faz uma espécie diferente”.

(Ícaro Barbosa)

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr, a quem Ícaro chamava de irmão)

 

Pré-candidato a vice-prefeito da oposição no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vereador de oposição e pré-candidato a vice-prefeito, Raphael Thuin (PRD) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (10), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará os R$ 540 milhões do PAC do governo Lula 3 ao transporte público de Campos (confira aqui) e a CPI da Educação (confira aqui) na Câmara Municipal.

Thuin também falará porque decidiu não concorrer à reeleição de vereador para ser pré-candidato a vice-prefeito, em chapa a ser encabeçada pelo deputado estadual Thiago Rangel (PMB). Por fim, analisará as nominatas do seu PRB (fusão do PTB com o Patriotas) e do PMB a vereador. Assim como a tática da oposição de pulverizar as pré-candidaturas a prefeito de Campos. Cuja eleição tentará projetar (confira aqui e aqui) com base nas pesquisas.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.

 

Arthur Soffiati — No retorno de Garfield, os gatos no cinema

 

 

Arthur Soffiati, historiador, professor, ambientalista e crítico de cinema

O infeliz retorno de Garfield

Por Arthur Soffiati

 

Em 2004, 20 anos passados, escrevi uma crítica a “Garfield – o filme” passando em revista outros gatos que mereceram filmes. O primeiro deles foi o enigmático Krazy Kat, criado por George Harriman em 1911. Numa paisagem inóspita e insólita, uma gata que se diz descendente da gata de Cleópatra, alimenta uma relação sadomasoquista com o rato Ignatz, que, não percebendo o amor de Krazy, tenta afastá-la com tijoladas. Em cena, entra ainda Ofissa, um cão policial que ama Krazy, fechando um triângulo amoroso invertido: uma gata amando um rato e amada por um cão. Esse gato nunca mereceu um filme e morreu com seu criador. Foi o mais enigmático dos gatos dos quadrinhos. Hoje, está quase esquecido.

Em 1921, aparece um gato pleno de lirismo criado por Pat Sullivan. Seu caminho foi inverso ao dos outros personagens: ele começou em desenhos de animação para ganhar os quadrinhos. Trata-se do Gato Félix. Além de solidarizar-se com pessoas hoje consideradas excluídas socialmente, Félix tem um desempenho altamente criativo com os elementos dos quadrinhos. É um gato que não se aperta diante das dificuldades, usando o balão da legenda para voar, os pontos de exclamação como tacape e as interrogações como ganchos. A metalinguagem é um traço dos mais originais em Sullivan.

O terceiro gato é Fritz, criado pelo quadrinista underground Robert Crumb, em 1970. Trata-se de um gato lascivo e devasso, que saiu dos quadrinhos para uma animação pornográfica. Crumb, mereceu, em 1994, um documentário sobre sua vida e obra com o título de “Anti-herói americano”, dirigido por Terry Zigwoff.

Por fim, o gato mais atual é o preguiçoso, guloso, egoísta, vaidoso, mal-humorado e individualista Garfield, criado por Jim Davis em 1978 e que ganhou tiras em vários jornais do mundo inteiro. Anti-herói, Garfield parece expressar a outra face do norte-americano médio. Depende, sem nenhum sentimento de culpa, de um dono meio medíocre e coexiste com Odie, um cachorro que considera imbecil. Garfield sofre de complexo de superioridade.

O sucesso das tiras levou o gato para o desenho animado. Em 2004, Peter Hewitt o levou para a computação gráfica. Humanos e animais são verdadeiros. Em “Garfield – o filme”, o gato comodista é filho do computador. Jon Arbuckle (Breckin Meyer), seu dono, está mais apalermado que nas tiras. Odie ficou mais retardado. A médica veterinária Liz (Jennifer Love Hewitt), namorada de Jon, parece ser a mais habilitada a lidar com o gato rabugento que detesta as segundas-feiras e adora se exibir nos muros à noite.

Um gato da estirpe de Garfield não poderia se envolver numa história tão tolamente norte-americana como a concebida para o filme. No final, Garfield se torna o contrário do que é: torna-se herói e dos mais padronizados. É preciso talento para tirar um gato do quadrinho e levá-lo para o cinema. Peter Hewitt não demonstrou este talento E agora, 20 anos depois, por imposição de sobrinha, volto ao cinema para assistir “Garfield: fora de casa”, dirigido por Mark Dindal.

Nesse intervalo, não sei se o gato se apresentou na telona. O mundo mudou muito desde então. O cinema de shoppings matou o cinema de rua e as plataformas de streaming estão matando os cinemas de shopping. Em 2004, o cinema estava lotado de crianças. Em 2024, havia apenas 4 com os pais. Pelo visto, Garfiield não agrada com os muitos clichês que inundaram as animações. Da minha parte, as observações para o filme de 2024 são as mesmas de 2004.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.