Arthur Soffiati e o cinema que inspirou a geração de Scorsese

 

 

Arthur Soffiati, historiador, escritor e crítico de cinema

Formigas no esgoto

Por Arthur Soffiati

 

Na década de 1960, os estúdios de Hollywood entraram em crise. Havia muita briga. Chefes de estúdios encomendavam roteiros originais ou adaptados a autores que não se davam com os diretores escolhidos. Havia também briga entre artistas que trabalhavam juntos. Um dirigente chegou a dizer que a atriz escolhida devia lhe provocar desejos sexuais. Foi então que entrou em cena um grupo de cineastas dispostos a renovar o cinema dos Estados Unidos. Eram chamados de “movie brats”. Quentin Tarantino escreve: “O que diferencia os ‘movie brats’ da geração de diretores que veio logo antes deles, mais do que a juventude e a formação em faculdades de cinema, é o fato de que eles eram (em sua ‘maioria’) fanáticos por cinema.”

Seus nomes são por demais conhecidos atualmente: Spielberg, Scorsese, Lucas, De Palma, Hal Ashby, Terrence Malick e Ralph Bakshi. Eles curtiam filmes que os cineastas politizados da geração precedente consideravam horríveis pelo prisma estético e político. Os “movie brats” gostavam de televisão, de “Viagem ao centro da Terra”, de “20.000 léguas submarinas”, de “A máquina do tempo”, de “A cidadela dos Robinsons”, de “Os canhões de Navarone” e consideravam Roger Corman um verdadeiro ídolo com seus filmes B.

Os “movie brats” não eram de produzir filmes “cabeça”. Eles sabiam muito bem que o cinema é uma arte voltada para o grande público. Isso não significa que eles produzissem filmes de qualidade inferior. Com bastante sensibilidade, eles combinavam a qualidade ao gosto popular. Eles foram a primeira geração de cineastas de ponta em Hollywood a assistir ao clássico de ficção de Gordon Douglas, “O mundo em perigo” (“Them”), de 1954. É difícil falar em primeira vez no cinema em se tratando dos Estados Unidos, mas este talvez seja o primeiro filme a declarar que a humanidade entrou em nova era (muito perigosa) com a detonação de duas bombas atômicas no Japão, em 1945.

Admiro este filme, contextualizando-o devidamente. Antes de lançar as bombas, houve experiências no estado norte-americano do Novo México. Essas experiências causaram, no filme, efeitos que poderiam acabar com a humanidade, não fossem a inteligência a ação de um velho cientista. Uma menina é encontrada vagando pelo deserto em estado de choque. Um trailer foi destruído e o dono de um boteco foi morto. A polícia descarta roubo e não encontra explicação para crimes em que uma força descomunal foi usada.

Além da polícia estadual, o FBI entra em cena e também não atina com a motivação do crime. Como o objetivo dos ataques parece ter sido a obtenção de açúcar, decide-se consultar o mais conceituado entomologista do país. Idoso, ele é especialista em formigas. Sua filha, (interpretada por Joan Weldon) é uma daquelas moças lindinhas do cinema norte-americano na década de 1950: alta, belo rosto, penteado da época, sorriso claro, vestido comprido com pregas, bem cintado para mostrar cintura, quadris e seios (tudo com recato). Ela também é iniciada nos mistérios das formigas. Aonde o pai não pode ir, ela vai.

Usando a dedução, o velho cientista não custa a concluir que a experiência nuclear efetuada em 1945, no Novo México, pouco antes do lançamento das duas bombas atômicas sobre o Japão, havia afetado as formigas. A Experiência Trinity, que oficialmente inaugura a era nuclear da humanidade, havia ocorrido apenas nove anos no tempo do filme e estava ainda muito viva na lembrança das pessoas.

Não apenas os japoneses foram vítimas da radiação nuclear. Os Estados Unidos estão ameaçados por formigas gigantes que podem exterminar os habitantes do país e a humanidade. É preciso detê-las. Dr. Medford, o velho cientista, convence policiais, forças armadas e governo federal a combater as formigas mutantes. Vitória da velhice e da ciência. Ele profere frases lapidares, como: “As formigas são as únicas criaturas, fora o Homem, que fazem guerra. Elas fazem campanha, são agressivas e escravizam as prisioneiras que não são mortas” Ou: “Podemos estar testemunhando uma profecia bíblica se realizando: a destruição e a escuridão descerão sobre o mundo e as feras reinarão sobre a Terra”.

Todos se curvam diante de sua sabedoria, iniciando-se uma guerra implacável contra as formigas gigantes. O comando geral está com o Dr. Medford. A batalha final é travada numa galeria de esgoto, onde o cientista faz uma proclamação frontal à era nuclear. Num mundo em que a energia nuclear foi liberada, tudo pode acontecer.

A fotografia em preto-e-branco é muito boa. Os enquadramentos e os planos-sequência estão nas mãos de um bom diretor. Gordon Douglas tinha um grande currículo. O filme se vale de efeitos especiais. Ele concorreu ao Oscar nesse quesito, mas perdeu para “20.000 léguas submarinas”. De fato, as formigas não são muito convincentes.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Conto premiado de Adriano Moura com broa de milho e café

 

 

 

Adriano Moura, escritor, professor de Letras do IFF e primeiro vice-presidente da Academia Campista de Letras (ACL)

Cheiro de passado

Por Adriano Moura

 

As ruas de Campos estavam desertas naquela manhã de 23 abril de 2020. No mês anterior havia sido decretado lockdown como forma de conter a propagação da Covid-19. Há dois meses tinha iniciado uma série de viagens para lançamento do meu livro, que precisei cancelar, já que não sabia quando iríamos poder voltar ao normal. Pelo menos à ideia que construíramos sobre normalidade. Da janela do apartamento via o silêncio interrompido somente por alguns carros que se movimentavam a despeito da paralisia que assombrava os que, de dentro de suas residências, moviam seus corpos o suficiente para evitar a atrofia física e mental.

Do apartamento ao lado vinha um cheiro que me era bastante familiar. Alguém acabara de retirar do forno uma broa de milho. O aroma era inconfundível. Quando criança, ajudava minha mãe no plantio e colheita de milho no quintal da pequena casa onde morávamos no interior da cidade. Cultivávamos também outros alimentos como aipim, abóbora, batata doce. Grande parte do que comíamos vinha da terra.

A broa feita pela minha mãe no fogão à lenha era o perfume que completava o sabor de nossos cafés da tarde. Pela manhã, comíamos aipim cozido, pois era mais rápido o preparo. Meu pai cortava cana. Acordava com o primeiro canto do galo. Na marmita preparada para as refeições do dia, às vezes só não levava carne. De vez em quando um ovo cozido posto por alguma das galinhas criadas no quintal.

Embora não fosse todos os dias, a broa de milho era a estrela do nosso café da tarde; ou angu doce, outra especialidade da minha mãe, que completava a renda da casa lavando roupa para as famílias ricas do lugar.

Quando eu chegava da escola, sabia desde o portão se era dia de broa ou angu. Então sentávamos eu e meus outros dois irmãos. Assistíamos ao ritual cuidadoso de retirada da broa do forno, à delicadeza firme de nossa mãe no manuseio da faca para o corte, à alegria com que entregava a cada filho seu pedaço.

Depois que meu pai faleceu, vítima de infarto, minha mãe precisou ir para o corte de cana, pois só o dinheiro da lavagem da roupa não era suficiente para manter a casa. Meu irmão mais velho parou de estudar para trabalhar. Eu e minha irmã ficamos incumbidos de cuidar da casa quando não estávamos na escola. Ao sair de madrugada para o trabalho, nossa mãe deixava uma lista de afazeres que ela conferia logo que chegava de noitinha. Quase que só lhe víamos o branco dos olhos. Duas lâmpadas acesas no corpo coberto do carvão da queimada de cana.

Deixávamos o banho dela preparado: o balde com água morna, a bucha e o sabão para que, depois de removida a tintura do trabalho, voltasse a ser a nossa mãe. Mas ela precisava adiantar a comida do dia seguinte para, ao acordar, apenas esquentar, colocar na marmita e separar o que ficaria para mim e minha irmã comermos.

Minha mãe era uma mulher muito forte. Com o tempo foi ficando magrinha. As rugas se multiplicavam com velocidade nas bordas dos seus olhos. Um dia, fiquei observando-a arrumando a marmita. Notei que punha pouca comida para quem teria de enfrentar os eitos de cana. Descobri que o dinheiro não estava sendo suficiente. Então ela comia pouco para que eu e minha irmã tivéssemos o que comer.

Os sábados e domingos eram dedicados à lavagem de roupa. Eu ajudava enchendo o tanque e puxando água do poço. Aos poucos ia percebendo o engrossar das mãos provocado pela aspereza da corda. Tudo foi ficando muito áspero à medida que eu crescia.

Minha irmã tinha a incumbência de passar a roupa na segunda-feira; eu, de fazer as entregas.

A tristeza nos olhos dela cresceu no primeiro dia em que meu irmão chegou bêbado em casa. Ele trabalhava num armazém, atendendo no balcão e entregando compras de bicicleta. Um dia, após sair do trabalho, parou no botequim e bebeu sozinho um litro de cachaça. Meu irmão nunca se conformou em ter parado de estudar. Saiu de casa depois de conseguir um emprego um pouco melhor. Virou frentista num posto de gasolina no centro da cidade. Estava livre do peso, mas somente o das compras que carregava. Era oito anos mais velho que eu. Mesmo não morando mais conosco, não deixava de nos ver e ajudar com dinheiro, além de, vez ou outra, levar a mim e minha irmã para passear.

Fechei a varanda e retornei ao sofá da sala. Aquele cheiro de broa de milho me acompanhava. Embora o presente estivesse me convocando as suas demandas, era o passado o ocupante das horas que, no tempo de confinamento, demoravam a passar. Folheava absorto as páginas de Proust. Decidira fazer da leitura de Em busca do tempo perdido uma das atividades que me ajudariam a atravessar a solidão mascarada pelos riscos da Covid. De repente me vi tentando recuperar a lembrança do cheiro macio e colorido da última broa de milho assada pela minha mãe.

Com o passar do tempo, não plantávamos mais milho. Comprávamos fubá no armazém da usina, e a farinha era destinada ao angu, que logo passou a ser uma das nossas refeições mais frequentes. Angu com carne moída, ou com salame, folha de taioba, ou…não foram poucas vezes somente o angu, ralo para que durasse mais tempo a farinha.

Assim me visitou o passado várias horas daquele dia. Eu tentava em vão retê-lo, fazê-lo ficar o máximo possível comigo. Mas me escapava arredio. Fui me dando conta da impossibilidade de prendê-lo à medida que o cheiro ia se dissipando. Resolvi telefonar para minha mãe, também isolada, principalmente devido à idade. Conversamos sobre as lembranças que me visitaram. Disse a ela que decidira escrever sobre o assunto em meu próximo livro.

“Você sempre gostou de escrever. Lembra como aprendeu?”. Ao telefone, disse-me que eu me alfabetizei sozinho, escrevendo com gravetos nos fundos do quintal da casa. Falou que às vezes estava me procurando, quando então se deparava comigo, agachado, rabiscando no chão letras que com o passar do tempo construiriam palavras. A escola só teria aprimorado em mim o ensinamento dos gravetos. A memória de minha mãe estava falhando ultimamente. Surpreendeu-me a precisão com que narrou esse episódio.

Sentei à frente do computador para escrever sobre os aromas da infância, tarefa que me fez atravessar a noite com os dedos nas teclas cujo barulho, embora suave, era música que embalaria o sono que só se consumaria ao amanhecer. Todos os dias, pela manhã ou à tarde, eu ia até a varanda na esperança de que aquele cheiro novamente me visitasse. Mas ele não veio mais. Notei que nem mesmo barulho minha vizinha fazia. Imaginei que tivesse se mudado. Soube depois que falecera, vítima de Covid.

Numa manhã de sábado, meu celular tocou. Era minha mãe. Disse para eu ir até a casa dela à tarde, pois precisava falar urgentemente comigo. Manteríamos o distanciamento social recomendado para evitar risco de contágio, mas que nossa conversa não podia ser por telefone. Não gostei do tom de voz dela.

Apertei a campainha da casa às 17h. Cristina, minha irmã, abriu o portão. Não nos abraçamos. Nem mesmo um aperto de mão. Era um tempo em que o abraço implicava risco de morte. Adentrei a sala. O cheiro de infância dominava todo o ambiente. Minha mãe fizera broa de milho. Ficamos próximos como há muito não nos sentíamos. Cristina prestava mais atenção à televisão ligada na Sessão da Tarde do que na conversa. Guardava certa mágoa de mim e Jeferson. Para ela, eu e ele seguimos nossas vidas enquanto ela teve de ficar cuidando de nossa mãe, que nunca soube das frustrações da filha. Mesmo assim foi uma tarde deliciosa de afetos fisicamente distantes. De vez em quando mamãe esquecia meu nome e perguntava quem eu era. Como eu temia o que aqueles esquecimentos significavam!

À noite, em casa, continuei a escrever um conto iniciado no dia anterior. Atravessei mais uma vez a madrugada. Dormi. Acordei, preparei o café acompanhado por um generoso pedaço de broa que eu trouxera da casa de minha mãe. Aquele gosto e cheiro foram meus companheiros durante o isolamento. Não há solidão quando se tem memórias e é possível escrever sobre elas.

Mesmo com a chegada das vacinas e o fim do isolamento, mantive o hábito do café com broa de milho em casa. Meu novo vizinho (ou vizinha?) costuma acender incensos. Sei pelo cheiro que me remete à…

…isso é outra história.

 

(Texto premiado no Concurso de Contos “Um olhar sobre o amanhã”, da secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e um dos capítulos de “A inocência dos mortos”, novo romance do autor)

 

Folha Letras da edição de hoje da Folha Dois

 

Pesquisas: prefeito de governo bem avaliado é favorito à reeleição

 

Prefeitos com governos bem avaliados e, por isso, favoritos à reeleição em 6 de outubro: Wladimir Garotinho, em Campos; Marcelo Magno, em Arraial do Cabo; Fábio do Pastel, em São Pedro da Aldeia; e Maira de Jaime, em Silva Jardim (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Wladimir precisa de pesquisa registrada

Favorito em todas as pesquisas de 2023 (confira aqui) à reeleição no próximo dia 6 de outubro, daqui a exatos 5 meses e 12 dias, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) ainda não teve essa liderança confirmada em 2024. Que, por se tratar de ano eleitoral, exige que as pesquisas sejam devidamente registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para serem divulgadas. Pesquisas recentes sem esse critério, que por isso não podem ter os números divulgados, indicam que o prefeito de Campos se manteve neste mês de abril em tendência de alta nas intenções de voto. Mas, para confirmar isso, o governo precisa providenciar pesquisas registradas no TSE.

 

Pesquisas na mira dos Bacellar

Enquanto Wladimir não se mexe para aferir e divulgar os números atuais da sua popularidade, o grupo do presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), prepara uma pesquisa qualitativa para maio. E sonda com a Quaest Pesquisa e Consultoria, um dos mais conceituados institutos do país, capitaneado pelo cientista político Felipe Nunes, uma pesquisa quantitativa para Campos em junho. Enquanto elas não vêm, outras pesquisas eleitorais, registradas no TSE, em municípios da Região dos Lagos, confirmam uma tendência quase irreversível: governo bem avaliado se reelege ou faz seu sucessor; governo mal avaliado, não.

 

O que mostram as pesquisas registradas

A Folha teve acesso e divulgou pesquisas recentes, registradas no TSE, às prefeituras de Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia e Cabo Frio, em (confira aqui) 21 de março; de Silva Jardim, em (confira aqui) 28 de março; e de Rio das Ostras, em (confira aqui) 2 de abril. As três primeiras e a última, foram feitas do instituto Paraná, de renome nacional, enquanto a de Silva Jardim coube ao instituto Factum, menos conhecido, mas de metodologia confiável. Prefeitos de Arraial, São Pedro e Silva Jardim, respectivamente, Marcelo Magno (PL), Fábio do Pastel (PL) e Maira de Jaime (MDB) são franco-favoritos à reeleição. E todos contam com a aprovação da maioria da população aos seus governos.

 

Aprovação de governo = intenção de voto (I)

Se não, vejamos: em Arraial, o prefeito Marcelo Magno tem 62% das intenções e voto na consulta estimulada (com apresentação dos nomes dos prefeitáveis), como reflexo da aprovação popular de 79,8% ao seu governo. Em São Pedro, o prefeito Fábio do Pastel tem 57,2% das intenções de voto na consulta estimulada, como reflexo da aprovação popular de 73,8% ao seu governo. Em Silva Jardim, a prefeita Maira de Jaime tem 51,2% de intenções de voto na consulta estimulada, como reflexo da aprovação popular de 57% ao seu governo. Por isso, salvo algo muito fora da curva, os três tendem a caminhar à reeleição em outubro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Aprovação de governo = intenção de voto (II)

Essa tendência quase sempre irreversível em eleições ao Executivo se confirma pelo outro lado da moeda. Na disputa à Prefeitura de Cabo Frio, quem lidera é o deputado estadual Dr. Serginho (PL), com 38,2% de intenções de voto na consulta estimulada. Na qual é seguido pelo ex-prefeito Marquinhos Mendes (MDB), com 23,9%, e da atual prefeita, Magdala Furtado (PV). Com apenas 12,9% de intenções de voto na sua tentativa de reeleição, ela sofre o reflexo da aprovação de apenas 34,6% da população cabo-friense ao seu governo, diante da maioria dos 60,3% que desaprovam.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Aprovação de governo = intenção de voto (III)

O mesmo ocorre em Rio das Ostras. Ex-prefeito do município por três mandatos, Carlos Augusto Balthazar (MDB) teve 50% de intenções de voto na consulta estimulada. Ele foi seguido à grande distância pelo vereador Mauricio BM (PV), com 14,1%, que é apoiado pelo atual prefeito, Marcelino da Farmácia (sem partido). Reeleito em 2020, ele não pode concorrer ao cargo pela terceira vez seguida. E sua baixa capacidade de transferência a quem apoia a prefeito reflete a aprovação de apenas 15,7% da população rio ostrense ao seu governo, diante da maioria dos 55,7% que desaprovam.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Aprovação de governo = intenção de voto (IV)

Como a pesquisa feita em Campos neste mesmo mês abril, por não registrada no TSE, não pode ser divulgada, a correlação entre popularidade do governo e intenções de voto do governante tem como exemplo a pesquisa Iguape (confira aqui) de julho de 2023. Com o teflon de ter sido encomendada pelo grupo dos Bacellar, ela deu 74,7% de aprovação da população campista à administração Wladimir. Que, na mesma relação de causa e efeito registrada nas cinco pesquisas mais recentes na Região dos Lagos, deu ao prefeito de Campos entre 55,4% e 55,7% de intenções de voto em três cenários da consulta estimulada.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Governo aprovado dá 7,04% mais um voto?

Aquela pesquisa de julho não tinha os nomes da delegada Madeleine Dykeman (União), do ex-vereador Jorge Magal (SD), do odontólogo Alexandre Buchaul (Novo), dos empresários Clodomir Crespo (DC) e Fabricio Lirio (Rede), ou da deputada estadual Carla Machado (PT), que toda a jurisprudência do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF) diz não poder concorrer. À própria oposição, Carla no jogo seria a melhor chance de tentar levar ao 2º turno a eleição com Wladimir. Que fez no 1º turno de 2020 42,96% dos votos. Precisaria de mais 7,04% mais um voto para se reeleger no 1º turno de 2024. E hoje tem a máquina bem avaliada para isso.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Violência contra a mulher em Campos no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Delegada de Polícia Civil e titular (confira aqui) da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) de Campos, Juliana Buchas é a convidada do Folha no Ar desta quarta (24), ao vivo, a partir das 7h30, na Folha FM 98,3. Ela falará dos quase mil casos (confira aqui) de violência contra a mulher na cidade em 2024, ainda a completar o quarto mês no ano, exemplificados nos 15 homens presos (confira aqui) na última semana por ameaças e agressão contra mulheres.

Por fim, Juliana analisará a criação (confira aqui) do protocolo “Mulher Segura” nos bares, restaurantes e casas noturnas de Campos. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.

 

Felipe Fernandes — Recomeço desnecessário de “O exorcista”

 

 

 

Felipe Fernandes, filmmaker publicitário e crítico de cinema

Recomeço genérico

Por Felipe Fernandes

 

Lançado em 1973, “O Exorcista” chocou pessoas do mundo todo, se tornou um clássico do cinema e uma das referências máximas quando pensamos em cinema de horror. O sucesso do filme gerou continuações e prequels que nunca chegaram próximos do sucesso de público e crítica. Eis que a produtora Blumhouse comprou os direitos da franquia e traz para o grande público um recomeço com “O exorcista: O devoto”.

Escrito e dirigido por David Gordon Green, o novo filme da franquia adota a mesma proposta da última trilogia da franquia Halloween (também dirigida pelo diretor), ao desconsiderar todas as continuações, fazendo do filme uma nova continuação direta do clássico original, passada nos dias atuais e com a promessa de ser o primeiro capítulo de uma trilogia.

Se em Halloween de 2018 o filme resgata os principais personagens e elementos da franquia, aqui Green toma um caminho um pouco diferente e mesmo que resgate uma personagem fundamental do longa de 1973, o filme basicamente é uma história original que menciona timidamente os eventos do clássico.

O longa abre com um prólogo que se passa no Haiti e busca trazer um clima de misticismo se utilizando de elementos da cultura local. Um artifício fraco, que não gera nenhum tipo de repercussão no desenvolvimento da história. Nesse prólogo conhecemos a personagem da mãe, que deveria ter um tempo de tela e relevância maior dentro da narrativa. Ao contrário, o filme gasta praticamente metade de sua duração lidando com o sumiço das duas jovens.

O roteiro escrito por Green em parceria com Peter Sattler e Scott Teems aborda a história não de uma, mas de duas meninas possuídas em uma mesma situação. Nesse sentido, o filme segue a cartilha das continuações, aumentando a escala da história, não só no número de pessoas possuídas, mas no envolvimento de representantes de diferentes religiões, buscando uma solução para a situação desesperadora das jovens.

Acredito que buscando algum tipo de subversão de expectativa, o representante da Igreja Católica fica em segundo plano e a decisão de misturar diversas pessoas no local do exorcismo, enfraquece o momento. Se antes aquilo tudo parecia algo a ser profano, extremamente complexo e perigoso, aqui o evento se torna quase que um espetáculo, com cada um com uma sugestão do que deve ser feito.

A conexão com o longa original fica pelo retorno da personagem Chris McNeil, novamente interpretada pela grande Ellen Burstyn. Um retorno que não se justifica na narrativa, funcionando mais como uma forma de conectar essa história com o filme original e assim atrair o público ávido por retornar a aquele universo. Uma participação pequena que não agrega e, pelo contrário, até enfraquece um pouco a personagem.

Em termos de terror, o filme é muito genérico. O longa não tem uma ambientação eficiente, não tem uma cena memorável. É tudo muito vazio, parece a cópia da cópia. A dinâmica de ter duas possuídas não acrescenta nada à narrativa. Os efeitos especiais passam longe do terror orgânico do original. É uma obra que se confunde com tantas outras do gênero e que não vai afetar sua noite de sono.

“O exorcita: o devoto” promete um recomeço para uma das franquias mais importantes do terror, mas se prova como mais uma continuação desnecessária, que parece não ter compreendido pontos importantes da obra original. Não funciona nem como atualização pros tempos de hoje, nem como homenagem ao clássico de 73. É um filme que falha em praticamente tudo o que se propõe.

Resta torcer para que David Gordon Green deixe a trilogia, antes que tenhamos outra franquia clássica prejudicada.

 

Publicado na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

Arthur Soffiati — “Godzilla vs Kong” beira ao ridículo

 

 

 

Arthur Soffiati, historiador, escritor e crítico de cinema

Luta ridícula de gigantes

Por Arthur Soffiati

 

Não ando muito animado com a programação dos cinemas de Campos nem da única plataforma digital a que tenho acesso. Sendo assim, recorro com frequência à minha enorme coleção de DVDs. No entanto, querendo elementos para comentar um filme em cartaz no momento, cometi o grande equívoco de assistir a “Godzilla vs Kong”, uma mistureba dirigida por Adam Wingard.

O macaco gigante Kong figurou nas telas pela primeira vez 1933. Foi um sucesso. Ganhou refilmagens e desdobramentos. Godzilla estreou em 1954. O primeiro encontro dos dois ocorreu no filme “Godzilla vs Kong”, produção japonesa de 1963. Eiji Tsubaraya, o Ray Harryhausen do Oriente, criou gigantes espetaculares, mas não conseguiu superar o mestre norte-americano. O filme visava bilheterias dos Estados Unidos.

Godzilla resulta do cruzamento de um tiranossauro rex com um estegossauro bem antes do recurso à engenharia genética das ficções científicas de Michael Crichton.  Kong, por sua vez, controlava uma ilha. Ele era adormecido pelo sumo do fruto de uma planta só encontrada lá. Quando Kong aparece, as mulheres bailam para ele. Kong gosta de mulher e de lugares altos. Tanto que uma virgem é sempre presenteada a ele.

Esses filmes do passado precisavam recorrer à técnica de animação do stop-motion, pois ainda não havia efeitos especiais computadorizados. Gostamos de filmes com dinossauros, mas ignoramos o quão difícil era produzir esses animais extintos no passado. Os primeiros filmes com eles datam da segunda década do século XX. Geralmente, eram curtos pelos custos na produção de pequenos bonecos ampliados que contracenavam com humanos.

A partir da década de 1980, os filmes de “monstros” ou “coisas” passaram a ser produzidos em computação gráfica. O grande exemplo é “Jurassik park”, de 1993, dirigido por Steven Spielberg. Ele suscitou uma franquia de mais cinco filmes. Todos sofríveis. Todos demonstração vazia de tecnologia. Muitos outros filmes no gênero de “Jurassik park” ganharam as telas. A maioria deixa a desejar.

Voltando a “Godzilla vs Kong”, é de se supor que os grandes estúdios atuais têm dinheiro, mas as salas de cinema estão em franca decadência. O filme conta com boa fotografia, embora padronizada, e muitos efeitos especiais. Contudo, o roteiro é confuso, a trilha sonora é pasteurizada, o desempenho dos artistas é péssimo.

Nem Michael Bay, Roland Emmerich e Guillermo del Toro em seus piores momentos (e foram muitos) conseguiriam a proeza de Adam Wingard. Ele dirige mecanicamente. Qualquer computador faria melhor. Os efeitos especiais são excessivamente surrados. Animais inventados aparecem gratuitamente. Trata-se de uma mistura de catástrofe e anedota. O filme beira às raias do ridículo.

Kong mora num mundo maravilhoso que fica no interior da Terra, enquanto Godzilla repousa no Coliseu de Roma quando não está destruindo uma cidade ou um monumento. Eles saem dos seus redutos para lutar e destruir. Não foram poupadas as pirâmides do Egito e a praia de Copacabana sob as vistas do Cristo Redentor. A globalização mostrada é perversa e deseducativa. Enfim, o filme é perfeitamente dispensável.

 

Publicado (confira aqui) na Folha da Manhã.

 

Confira abaixo o trailer do filme:

 

Pausa até dia 18, salvo para divulgar pesquisa eleitoral de Campos

 

 

Por motivos de ordem pessoal, farei uma pausa na atividade jornalística em rádio, jornal, TV, site, blog e redes sociais. Até, se Deus quiser, o próximo dia 18. Daqui até lá, só haverá exceção, com retomada episódica do trabalho, em caso de pesquisa eleitoral registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre Campos. Abraço fraterno a todos os leitores, ouvintes e telespectadores.

 

Professor da UFF-Campos organiza e lança novo livro

 

Novo livro organizado pelo sociólogo Fabrício Maciel, professor da UFF-Campos

Sociólogo e professor da UFF-Campos, Fabrício Maciel organizou um novo livro, “Re-trabalhando as classes do diálogo Norte-Sul”, pela editora Unesp, que já pode ser adquirido aqui. Nele, para tentar entender o mundo capitalista no pós-pandemia da Covid-19, estão reunidos textos de outros sociólogos. Como os brasileiros Ricardo Antunes e Ruy Braga, os alemães Hartmut Rosa e Klaus Dörre e os britânicos Michael Burawoy e a economista política Ursula Huws, entre outros.

“Nos últimos 50 anos, o mundo assistiu a uma crescente desregulação das economias e ao recuo das políticas sociais, ao mesmo tempo que se ampliaram as desigualdades. Recentemente, conflitos mundiais de grande porte e a pandemia de Covid alertam aos excessos da globalização, à urgência ambiental, ao desgaste das democracias e ao crescimento do populismo de extrema direita. Diante disso, este livro representa uma contribuição ao debate sobre o capitalismo contemporâneo, suas grandes desigualdades sociais e os desafios que se impõem ao século XXI”, define Fabrício o livro que organizou.

 

Missa de 7º dia de Pepenha às 19h desta 6ª, no Sagrado Coração de Jesus

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Às 19h desta sexta (5), será celebrada a missa do 7º dia de falecimento de Maria da Penha dos Santos Abreu, na Igreja da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, na rua Riachuelo, nº 280. Minha querida avó materna (confira aqui), ela faleceu aos 102 anos, na última sexta, 29 de março.

A missa será celebrada pelo padre Murialdo. Os filhos, netos, bisnetos e tetranetos de Pepenha — comerciante, produtora rural e uma católica apostólica romana fervorosa em vida — convidam a todos para orar juntos em intenção da sua alma.

 

Garotinho fecha nesta sexta a semana do Folha no Ar

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-governador do RJ e ex-prefeito de Campos, Anthony Garotinho (Republicanos) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (5), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará o saldo da Operação Chequinho, pela qual chegou a ser preso, e pendências ainda abertas com a Justiça para concorrer eleitoralmente em 6 de outubro.

Garotinho também falará das suas rusgas públicas (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) com seu filho, o prefeito Wladimir Garotinho (PP), pelo controle do PL em Campos, e da sua posterior pré-candidatura a vereador pelo Republicanos na cidade do Rio de Janeiro. Por fim, tentará projetar as eleições a prefeito e vereador, daqui a exatos 6 meses e 2 dias, em Campos e no Rio.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.

 

Felipe Fernandes — “Matador de Aluguel” revive filme de brucutu

 

 

Felipe Fernandes, filmmaker publicitário e crítico de cinema

Filme de brucutu no Século XXI

Por Felipe Fernandes

 

O mestre Alfred Hitchcock em uma certa oportunidade destacou que quando buscava obras literárias para adaptar para o cinema, geralmente procurava por obras que tivessem uma natureza imagética, mas também que pudessem ganhar um diferencial ao ser adaptado para outro tipo de arte. Em alguns casos, até melhorando obras que ele entendia ter potencial, mas que na opinião dele eram falhas enquanto narrativa.

Quando eu penso na realização de um remake, eu penso de forma muito parecida. Porque fazer um remake de um clássico reverenciado como Psicose? Não faz sentido. Mas realizar um remake de um filme menos lembrado ou até mesmo problemático, me parece uma aposta mais arriscada financeiramente, mas do ponto de vista artístico, muito mais interessante.

Essa foi a sensação que tive ao saber do lançamento de “Matador de aluguel”. Um remake de um longa do final da década de 80 que trazia Patrick Swayze como um segurança de bar. A julgar pela sinopse, um típico filme daquela época. A nova versão traz Jake Gyllenhaal no mesmo personagem, mas em uma versão moderna como um ex-lutador de MMA, que precisa lidar com um trauma do passado e ganha um propósito como segurança do bar de uma pequena cidade costeira da Flórida.

Abrindo com uma sequência em uma espécie de clube de luta clandestina, já somos apresentados ao protagonista como uma espécie de lenda, antes mesmo dele desferir um único soco. Esse é um elemento importante na composição do personagem, que justifica sua fama posteriormente. Desde essa primeira cena o longa vai desconstruindo qualquer senso de realidade, resgatando muito dos exageros do cinema de ação da década de 80.

O filme traz uma história típica dos westerns que ressoa nesse universo violento e masculino do longa. Um forasteiro solitário e misterioso, de passado violento, que chega em uma pequena cidade dominada por gente poderosa e vai lidar com essa situação, enquanto aos poucos vai se tornando parte daquela comunidade. O próprio filme brinca com essa ideia, em alguns dos momentos de metalinguagem que fazem parte do humor do longa.

Nesse sentido, o filme é anacrônico. É um filme de brucutu da década de 80, com algumas atualizações narrativas, feito com a estética de luta de hoje, que traz cenas mais coreografadas e intensas, com uma dose equilibrada de violência. Essas cenas são o ponto alto do filme, mesmo que não sejam inovadoras e surpreendentes, tornam os personagens daquele universo figuras realmente perigosas.

Jake Gyllenhaal mais uma vez prova sua versatilidade e surge muito forte, convencendo como lutador e agregando um carisma ao personagem que faz diferença. O ator traz um ar cansado que funciona, apesar do roteiro insistir em criar um suspense sobre um trauma vivido por ele no passado, que não agrega muito ao personagem.

Ao abandonar qualquer senso de realidade, apostando nos exageros e no carisma de Gyllenhaal, o filme cresce. Tem um humor surpreendente, que funciona melhor quando lida de forma consciente com os absurdos desse tipo de filme e o timing cômico de Gyllenhaal, contrastando com a figura cansada e séria do protagonista, torna tudo mais divertido.

Assim como todo western, surge um adversário à altura, em que basicamente eles vão duelar (aqui na base do soco) por aquele território. O adversário é interpretado pelo lutador de MMA Conor McGregor, que basicamente interpreta o mesmo personagem que fez sua fama no octógono. São dois personagens que são dois extremos em termos de personalidade, mas de uma certa forma, eles se identificam.

Com esse título nacional sem sentido, “Matador de aluguel” é um filme que exige que o espectador embarque em sua proposta. Traz uma dinâmica de western para fazer uma homenagem/paródia do cinema de ação oitentista, com um humor consciente que rivaliza com a ação. É o cinema de brucutu no século XXI.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Assista ao trailer do filme:

 

 

Após aliança com Caio, Wladimir abraça Arnaldo Vianna

 

Arnaldo Vianna e Wladimir Garotinho

“Um café da tarde de quem quer olhar pra frente e fazer Campos continuar a evoluir. Mesmo em meio aos embates do passado, eu e Dr. Arnaldo Viana sempre mantivemos respeito e afeto. O momento é de paz e união”. Foi o que o prefeito Wladimir Garotinho (PP) escreveu esta tarde em seu perfil no Instagram (confira aqui), para ilustrar uma foto sua abraçado com o ex-prefeito Arnaldo Vianna.

O encontro foi claramente consequência da aliança (confira aqui) de Wladimir com Caio, filho de Arnaldo e fonte considerável dos seus votos. Não há pesquisa recente para aferir, mas não é arriscado dizer que, como prefeito e médico, Arnaldo é uma figura querida da maioria da população de Campos.

Ao se encontrar e abraçar o ex-aliado convertido em desafeto figadal do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), Wladimir pode marcar mais uma diferença em relação ao seu pai positiva aos olhos do eleitor. A ver.