Atleta e campeão brasileiro de triathlon, empresário, blogueiro, radialista e diretor financeiro do Grupo Folha, Christiano Abreu Barbosa é o convidado do Folha no Ar desta terça (28), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da sua conquista (confira aqui) do Ironman Brasil na sua categoria, com quebra de recorde pessoal, no dia 19, em Florianópolis (SC).
Christiano também falará da sua experiência mais recente como radialista, no programa “Interação”, das 18h às 19h de toda terça, na Folha FM, e dará um panorama empresarial de Campos e região. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), ele tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro, daqui a exatos 4 meses e 10 dias.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.
Petistas Elaine Leão, Carla Machado, Jefferson de Azevedo e Helinho Anomal (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Elaine a prefeita pelo PT?
Presidente do Sindicato dos Profissionais Servidores Públicos Municipais de Campos dos Goytacazes (Siprosep), Elaine Leão pode ser a candidata do PT a prefeita? No caso, viria inicialmente como vice na chapa encabeçada pela deputada estadual Carla Machado (PT). E, se esta for obrigado a se retirar da disputa até o prazo legal de 16 de setembro, por toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que impede uma terceira candidatura consecutiva a Executivo municipal, Elaine assumiria a chapa. É a possibilidade que vem sendo ecoada nos bastidores políticos da planície ao PT estadual.
Elaine ou Jefferson?
À coluna, Elaine confirmou que já ouviu a possibilidade, junto a contatos seus no PT do Rio. “Mas não recebi o convite. Se vier, estudo a possibilidade. Por ora, o que há de concreto é a minha pré-candidatura pelo PT a vereadora de Campos”, disse a presidente do Siprosep. Oficialmente, o PT tem três pré-candidaturas à Prefeitura de Campos: de Carla, do professor Jefferson de Azevedo e do sindicalista Helinho Anomal. Ao comando goitacá do partido, o mais provável, hoje, seria uma chapa encabeçada por Carla, com Jefferson de vice. Que assumiria se a ex-prefeita reeleita de SJB em 2020 não puder concorrer a prefeita de Campos em 2024.
Densidade eleitoral de Carla Machado em Campos
Tanto Jefferson quanto Helinho são petistas orgânicos. Diferente de Carla, nunca integraram nenhum outro partido. Só que a ex-prefeita de quatro mandatos em SJB, cujo último renunciou para concorrer à Alerj em 2022, se elegeu com 34.658 votos, 17.936 deles só em Campos. E, na única pesquisa até aqui registrada no TSE neste ano eleitoral de 2024, feita pelo instituto Prefab Future em 26 de abril, Carla foi a única, à exceção do prefeito Wladimir Garotinho (PP), a pontuar (confira aqui) com dois dígitos na consulta estimulada. Onde ela teve 18,7% de intenção de voto, contra 53,7% de Wladimir. Por sua vez, Jefferson ficou no 0,6%.
Para juristas, Carla não pode vir a prefeita
Embora todas as pesquisas de 2023 (confira aqui) e a única de 2024 apontem à possibilidade de Wladimir se reeleger já no 1º turno de 6 de outubro, daqui a 4 meses e 12 dias, a candidatura de Carla é encarada, até dentro do grupo dos Bacellar, como a única possibilidade real de levar a eleição ao 2º turno. Em entrevista ao Folha no Ar de 7 de dezembro, o advogado Cleber Tinoco (confira aqui) foi assertivo: “Uma mudança que libere a candidatura da Carla Machado não vai acontecer. A prefeita, não pode”. Ele endossou o que já tinham dito (confira aqui) a esta coluna, na edição de 28 de outubro, os advogados Pryscila Marins, João Paulo Granja e Gabriel Rangel, e o promotor Victor Queiroz.
Troca de nome a 20 dias da urna?
Sem ligação com nenhum grupo político, Cleber desnudou o que entende ser a intenção real da oposição com a candidatura de Carla a prefeita de Campos: “Por que alguém se arriscaria a colocar um candidato correndo risco de se tornar inelegível e ter os votos anulados? Isso pode ser uma estratégia, porque a legislação eleitoral permite a alteração do candidato até 20 dias antes (16 de setembro) do pleito. Você teria o nome (de Carla), que faria toda a campanha, e outro candidato assumiria o posto dela”. Indagada diretamente sobre essa fala em entrevista que deu ao Folha no Ar em 17 de maio, Carla não confirmou ou negou a possibilidade.
Nova Pracinha do Sossego
A Pracinha do Sossego, que tem nela e em seu entorno alguns dos melhores botequins da cidade, vai receber uma grande reforma, sendo repaginada e ganhando um “mini” boulevard, com a pequena rua situada entre a Álvaro Tâmega e Luís sendo fechada ao tráfego de carros. A informação é do Blog Ponto de Vista, assinado por Christiano Abreu Barbosa na Folha 1. Ele destaca que a rua, desde 2019, recebe o nome do saudoso veterinário Maron El Kik Jr, o Kiko. A obra está em fase de licitação e a previsão é que até o final do ano a praça esteja remodelada. O Quiosque do Sossego também será amplamente modernizado.
Reeleito
A Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan) terá Tito Inojosa como presidente e Frederico Veiga como vice-presidente por mais três anos. A eleição para a composição da mesa diretora aconteceu na semana passada, quando o nome de Tito foi referendado por unanimidade. Ele diz que o trabalho será de continuação e focado nas ações que contribuem para a modernização do setor sucroalcooleiro. “Nosso sentimento é continuar realizando e trazendo coisas novas para o setor. Inclusive, em 25 de junho, faremos um evento na Coagro para apresentar uma cana mais resistente à seca”.
Saúde da mulher
Neste sábado (25), a Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia (SFMC), com apoio da secretaria municipal de Saúde, por meio do programa Hiperdia, vai promover a Caminhada da Vitalidade, um evento focado na saúde cardiovascular feminina. A concentração será às 9h, na sede da SFMC, localizada na Faculdade de Medicina. A caminhada terá como destino a Praça do Liceu. No local, a equipe do Hiperdia irá oferecer diversas ações gratuitas, como aferição de pressão arterial, glicose, peso, além de orientações nutricionais e sobre mudanças de estilo de vida. Para incentivar a prática de exercícios, será oferecida uma aula de ginástica ao ar livre.
Edmundo Siqueira, servidor federal, jornalista, integrante da bancada fixa do programa Folha no Ar e blogueiro do Folha1
Campos é mesmo conservadora?
Por Edmundo Siqueira
“Como contamos nossa própria história? O que descrevemos diante do que vemos no espelho?”, é o que indaga o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos, no início de seu recente texto “O campista, este swing voter! — ou, da insustentável natureza conservadora do eleitor goytacá”, onde traz uma reflexão sobre a escolha pendular dos campistas nas últimas eleições, nas escolhas entre o conservadorismo e o progressismo.
George é o que chamamos de “intelectual público”, o que Tocqueville define, na gênese desse intelectual moderno, como os hommes de lettres: filósofos, escritores e livres pensadores. Frequente debatedor nos meios de comunicação de Campos — já lido e ouvido na Folha da Manhã, no Folha1 e na FolhaFM em diversas oportunidades —, sempre traz ponderações instigantes sobre o cenário político local. Nesta, o professor questiona o que parece ser inquestionável: o conservadorismo campista.
Na última terça-feira (21), foi entrevistado no Folha no Ar o presidente do Sindipetro-NF Tezeu Bezzerra, e entre outros assuntos foi tratado sobre as eleições em Campos e a suposta resistência ao PT, partido que Tezeu é militante e se colocou (confira aqui) como pré-candidato a vereador. Em sua resposta, citou alguns números da eleição passada (2020), onde Lula foi a escolha de 36,86% dos eleitores, recebendo 100.427 votos no segundo turno.
Embora Bolsonaro tenha sido a escolha da maioria naquele pleito (171.999 votos, o equivalente a 63,14%), em uma cidade tida como amplamente conservadora, Lula ter recebido mais de 100 mil votos e somados os 26,38% (97.612) de eleitores que não votaram ou votaram em branco ou nulo, é algo interessante para refletirmos.
O jornalista Aluysio Abreu Barbosa, lembrou, na bancada do mesmo programa, que “Campos já votou majoritariamente em Lula e Dilma”, citando o fato de que se “o primeiro turno presidencial [em 2014] fosse em Campos, o segundo turno seria entre Dilma e Marina”.
Ambos intelectuais públicos, Aluysio e George, não podem ser considerados como pensadores de posições ideologizadas. Embora tenham suas convicções, por óbvio, não deixam suas análises encobertas por nuvens polarizantes. Fazem, inclusive, críticas constantes ao PT e seus governos. E parecem convergir aqui: o eleitor de Campos é pendular.
“Se dependesse do eleitor campista, o segundo turno para presidente teria Dilma, pelo PT, concorrendo com Marina Silva naquele momento no PSB. Duas mulheres, ambas mais pela esquerda que Aécio Neves, PSDB. Na cidade, no primeiro turno, Dilma conquistou 87.703 votos, Marina com 76.786 votos e Aécio 66.753, respectivamente”, informa George em seu texto, falando o mesmo (em mesmo tempo e sem combinar) que disse Aluysio.
O que parece ser evidente, olhando para o recorte histórico até 2018, é que o eleitor campista consegue definir seu voto refletindo sobre o momento que é chamado para ir às urnas. E consegue, diferentemente de outras cidades de mesmo porte, decidir de forma oposta entre conservadorismo e progressismo.
Não quer dizer que isso persiste até hoje, contudo. Com a presença do bolsonarismo ainda forte em Campos e no Brasil, e com números de aprovação do governo Lula em queda (aprovado por 52% dos brasileiros em janeiro de 2023, e por 47% em março de 2024), o eleitor cristalizado, que vota com a direita, e agora com o bolsonarismo, sob qualquer circunstância posta, pode ter crescido.
Vale lembrar que Campos dos Goytacazes foi berço de abolicionistas históricos, de relevância nacional, e do primeiro — e único até aqui — presidente negro do Brasil. Do mesmo modo, vale ressaltar que a cidade foi uma das maiores produtoras de cana-de-açúcar como seus senhores de engenho, e abrigou um importante núcleo integralista, o movimento fascista brasileiro dos anos 1930-40.
Se há algo a se comemorar diante dessas análises e números eleitorais, é que Campos não segue, necessariamente, os rótulos impostos. Mostra-se, pelo menos em alguns recortes históricos, como uma sociedade complexa e crítica o bastante para fugir de determinismos. E para ser contra-majoritária quando necessário. Campos consegue pensar por si mesma.
Vice-prefeito de Campos e pré-candidato à reeleição na chapa do prefeito Wladimir Garotinho (PP), Frederico Paes (MDB) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (24), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Também presidente da Coagro e engenheiro agrônomo, ele analisará o início da moagem (confira aqui) na Coagro e Canabrava, além do projeto (confira aqui) de retomada da usina Paraíso.
Frederico também avaliará a conturbada relação entre Executivo e Legislativo goitacá, com seu mais novo capítulo: o relatório da CPI da Educação pela oposição na terça (21) e (confira aqui, aqui, aqui eaqui) a reação de Wladimir. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), ele tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro, daqui a exatos 4 meses e 14 dias.
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Publicitário com experiência em Campos e nos grandes centros, Douglas Oliveira é o convidado do Folha no Ar desta quinta (23), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará as diferenças do mercado publicitário de Campos e interior às maiores praças do país.
Douglas também falará de publicidade e comunicação social em tempo de redes sociais e pós-verdade. E da importância da publicidade neste ano de eleições municipais pelo Brasil em 6 de outubro, daqui a 4 meses e 15 dias.
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Alcimar das Chagas Ribeiro, economista, professor da Uenf e membro da Academia de Letras de Campos (ACL)
Rio de Janeiro de contradições: ineficiência que permite o espraiamento da riqueza para além do território
Por Alcimar das Chagas Ribeiro
Diferentes autores fluminenses apresentam justificativas consensuais sobre a crise estrutural do estado do Rio de Janeiro. São ancoradas na perda de receita e, consequente, incapacidade de investimento, em função de questões históricas e mudanças institucionais. Dentre elas, a transferência da capital do antigo estado da Guanabara para Brasília, a isenção fiscal sobre exportações de produtos primários e semielaborados (Lei Kandir) e na distorção fiscal sobre a extração do petróleo no território que ocorre no destino e não na origem.
Estes argumentos parecem se fragilizar no contexto da análise conjuntural das duas últimas décadas. Já nos anos 2000, a dinâmica da conjuntura econômica mundial, puxada pela China, exerceu forte pressão na demanda por commodities, especialmente petróleo bruto, com reflexos no aumento do preço do barril internacionalmente.
Em meados de 2008 o preço do petróleo chegou a ser negociado em torno de US$ 138 por barril. Dois anos depois, o estado detentor da maior bacia petrolífera do país, a Bacia de Campos, atingiu o ápice de 87% da produção de petróleo no país.
A importância do estado na produção de petróleo possibilitou uma consistente transferência de rendas petrolíferas para o executivo estadual e para os municípios produtores. Estes ampliaram de sobremaneira a sua dependência orçamentária das mesmas rendas petrolíferas finitas.
Já na segunda década dos anos 2000, com a descoberta e avanço da exploração de petróleo no pré-sal (Bacia de Santos), a Bacia de Campos inicia um processo de declínio da produção e produtividade. Tal fato incentivou a transferência gradativa de investimentos para a Bacia de Santos, cujos campos petrolíferos sinalizavam melhor qualidade do produto, maior produtividade e garantia de maiores taxas de lucros para as operadoras.
Apesar do amadurecimento da Bacia de Campos e maior afluxo de investimentos em direção à Bacia de Santos, o estado do Rio de Janeiro continuou se beneficiando das rendas petrolíferas pela proximidade dos municípios de Maricá — hoje o maior beneficiário de rendas petrolíferas do país —, Saquarema, Niterói e Rio de Janeiro. Quatorze anos depois da descoberta do pré-sal, a bacia de Santos é responsável por aproximadamente 80% da produção nacional, enquanto a bacia de Campos é responsável por menos de 20% do total. Tal inversão não tirou a condição do estado do Rio de Janeiro de maior produtor de petróleo do país.
Complementarmente, quando são observados os resultados do processo de execução orçamentária nos últimos anos, contradições importantes são afloradas corroborando com a hipótese de fragilidade dos argumentos usados na justificativa da crise econômica do estado.
Importante resgatar a crise econômica no país em 2015 e 2016 que levou o estado a aderir ao Regime de Recuperação Fiscal em 2017. A forte recessão atingiu frontalmente o estado dependente das rendas petrolíferas. O desajuste das contas públicas foi acentuado com um déficit fiscal de R$ 5,4 bilhões em 2016, o qual levou o estado a decretar estado de calamidade em 2017.
Neste ano as receitas correntes realizadas em termos reais caíram 27,62% em relação a 2014, puxadas pela queda de 21,53% no ICMS no mesmo período. Já no grupo das despesas a parcela das ‘correntes liquidadas’ caiu 21,72% em relação a 2014.
Entretanto, é importante elucidar a movimentação contábil relativa à transferência de um valor real correspondente a 70,25% da conta de custeio para a conta de pessoal e sua contrapartida de redução de 60,64% na conta de custeio, na execução orçamentária em 2017.
Um primeiro indicativo é de que a movimentação executada possa representar um instrumento de pressão do estado sobre a União, já que o fato demonstra eficiência na gestão das despesas operacionais e dificuldade com a obrigação constitucional de remuneração com o servidor público.
Nos anos seguintes a observação é de que as receitas correntes seguem um processo de recuperação gradativa, atingindo em 2023 uma leve queda de 4,46% em relação a 2014, ano referência da conjuntura econômica de alta dinâmica. As despesas correntes também evoluem ao longo do tempo sem sobressaltos, chegando em 2023 com uma queda de 14,73% em relação a 2014.
Com isso, o problema contábil persiste na conta de pessoal que registrou um crescimento real de 84,42% em 2023 com base em 2014, impulsionado pelo crescimento de 70,25% de 2017, ano de ingresso do estado no Regime de Recuperação Fiscal. Adiciona-se a este quadro o crescimento real da folha de pessoal de 11,35% no triênio 2021/2023 em classes especiais, já que a massa dos servidores não se beneficiou de qualquer aumento salarial.
Situação inversa pode ser vista na avaliação do custeio. Ao contrário da evolução da conta de pessoal, a conta de outras despesas correntes apresentou queda acentuada de 59,93% em 2023 com base em 2014. Tal pressão veio da pedalada mostrada acima.
Quanto ao questionamento do exagerado juros da dívida que, segundo o governo, inviabiliza a prestação de serviços e o investimento público, a execução orçamentária não mostra tal dificuldade. O gasto com o serviço da dívida executado pelo governo atingiu um valor médio correspondente a 1,6% das receitas correntes no período de 2017 a 2023.
Já o investimento público atingiu um valor equivalente a 2,73% das receitas correntes no mesmo período, o que indica a perda de capacidade de investimento, apesar da venda da empresa pública de água e esgoto (Cedae).
Outra justificativa do estado de forte pressão sobre o Governo Federal diz respeito à possível paralização de prestação de serviços estratégicos. A evidência empírica é de que educação, saúde, infraestrutura, segurança, etc., não têm avançado no padrão esperado pela população fluminense.
Conclusivamente, considerando as ocorrências de recuperação das receitas correntes que atingiu quase o nível de 2014, do avanço das receitas patrimoniais com a venda da Cedae, do insuficiente padrão de investimento público e do baixo impacto dos gastos de serviços da dívida, o problema está na ineficiência da gestão pública. Conforme têm afirmado o Governo Federal e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio de Janeiro.
Roger Corman, cineasta, produtor, descobridor de atores, redescobridor de outros e “Rei do filme B” de Hollywood
Arthur Soffiati, historiador, professor, ambientalista e crítico de cinema
A lenda Roger Corman
Por Arthur Soffiati
Hollywood reuniu estúdios e se tornou o maior centro cinematográfico do mundo. Dali, saíram grandes filmes, diretores famosos e artistas glamorosos. Eles ganharam o mundo e, por um lado, levaram-nos encantamento. Por outro, motivaram críticas severas. O festival do Oscar é o que melhor representa Hollywood.
Mas deixemos o palco da cidade do cinema e visitemos o porão. Lá não é apenas um lugar para guardar material usado e recordações. Encontraremos intensa vida ali: diretores, produtores, cinegrafistas, artistas, orçamentos baixos e a falta de glamour do andar de cima. Ou um glamour diferente daquele mais difundido e exibido nas grandes telas.
É a Hollywood B, talvez a verdadeira face da capital mundial do cinema: a produção de filmes comerciais para o grande público. O cinema sem meias palavras para render dinheiro: gastar pouco e ganhar muito. É preciso descobrir esta faceta por trás do charme.
Nesse sentido, a figura de Roger Corman talvez seja a mais representativa desse porão. Ele nasceu em 1926 e acaba de morrer aos 98 anos de idade. Corman fez de tudo no porão: carregou cenários, esteve atrás das câmaras, foi dublê, estreou como diretor em 1956, dirigiu muitos filmes nos mais distintos gêneros, vários deles não creditados, e se tornou um grande produtor mais pela quantidade que pela qualidade.
Corman recebeu merecidamente o título de “Rei do filme B”. Em todos os gêneros, encontraremos filmes B, aqueles que são produzidos com baixo orçamento. Por isso, não podem contar com bons roteiristas, fotografia, artistas e outros traços mais que marcam a produção do andar superior de Hollywood.
Não se pode dizer que Corman estava despreparado culturalmente. Ele se formou em engenharia e estudou literatura. Era pau para toda obra. Precisa-se de um filme para a próxima semana. Chama o Corman. Parece que certo estúdio não cumprirá o contrato para nos entregar um filme A. Chama Corman depressa e encomenda um filme B.
Como produtor, ele não se limitava em conseguir dinheiro para os filmes. Escolhia o livro a ser roteirizado, o roteirista, o diretor e os artistas. Ele deixou de dirigir em 1990, mas continuou como diretor indiretamente. E era grande seu tino para filmes voltados aos pequenos cinemas e ao público não exigente.
Os homens americanos gostam de peitos femininos? Pois coloquemos mulheres bonitas que exibem seus peitos gratuitamente. Foi assim que ele filmou Dawn Dunlap, uma bela e pouco conhecida atriz. O público gosta de briga? Ofereçamos briga a eles. E nada de filme-cabeça.
Assim, Corman adquiriu notoriedade e respeitabilidade do andar de cima. Ele se tornou um grande conselheiro dos jovens diretores, como Francis Coppola, Martin Scorserse, James Cameron, Tim Burton, John Landis, Joe Dante, Peter Bogdanovich, Jonathan Demme. Ele lançou artistas que se tornaram célebres mais tarde, como Jack Nicholson, e trouxe às telas artistas que estavam sendo esquecidos, como Peter Lorre e Boris Karloff.
Foi Corman que consagrou o nome de Vincent Price. Ele ganhou dinheiro com esses filmes baratos e simples de ficção científica, comédias macabras, faroeste, mitologia, dinossauros, máfia e tantos mais em que esteve por trás como diretor e produtor. Segundo ele, só teve prejuízo com um. Em 2009, ele recebeu o Oscar honorário.
Numa de suas muitas entrevistas, ele disse que não se deve abusar do virtuosismo com a câmara. Até certo ponto, ele podia fazer experiências, mas desagradar o público simples jamais. Pelo conjunto da obra, pela revelação de artistas, pela oportunidade que deu aos astros devorados por Hollywood e pela influência exercida sobre jovens cineastas, hoje famosos, Corman bem merece uma homenagem.
Mas é de se perguntar quem estaria disposto a assistir a “O monstro de um milhão de olhos”, “O emissário do outro mundo”, “O ataque dos caranguejos monstruosos”, “Um balde de sangue” (genial), “A mulher vespa” “A pequena loja dos horrores” (sua mais conhecida obra), “O homem dos olhos de raio-X” e “Frankenstein, o monstro das trevas”?
Wladimir Garotinho, José Maruício Linhares, Tezeu Bezerra e Filipe Estefan (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Provocação aceita por Wladimir
Em todas as pesquisas de 2023 e na única até aqui de 2024, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) é favorito à reeleição em 6 de outubro, daqui a 4 meses e 15 dias. Por isso, ao gravar um vídeo para dizer que a “a oposição não tem vergonha na cara”, após a leitura do relatório da CPI da Educação ontem (21) na Câmara Municipal, ele parece não ter nada a ganhar. Até porque sua briga já tinha sido comprada por seu líder legislativo, edil Juninho Virgílio (Podemos). Enquanto a briga real da oposição é para tentar diminuir a aprovação e aumentar a rejeição de Wladimir. Que, para manter essa condição hoje favorável, talvez não devesse aceitar provocação. A ver.
O campista Zé Maurício (I)
Faleceu no último sábado (18), aos 88 anos, o campista José Maurício Linhares. Talvez menos conhecido pelos mais jovens, foi deputado federal seis vezes consecutivas, de 1975 a 1999. Ajudou a elaborar a Constituição Federal de 1988 e se marcou também como secretário de Minas e Energia dos dois governos Leonel Brizola (PDT) no RJ, de 1983 a 1987 e de 1991 a 1994. Quando Zé Maurício, como era conhecido entre os mais próximos, capitaneou o projeto “Uma Luz na Escuridão”. Com o qual levou eletrificação a várias localidades fluminenses, sobretudo na zona rural, que nunca tinham contado com esse serviço essencial.
O campista Zé Maurício (II)
Nos tempos do bipartidarismo imposto pela nossa última ditadura militar (1964/1985), Zé Maurício se opôs a ela no MDB. Em 1980, quando o PDT foi criado por Brizola, ingressou no novo partido, do qual nunca saiu. Formado em Direito na UFF, fez sua vida profissional e política no Grande Rio, mas nunca perdeu os laços com Campos. Esteve entre os brizolistas que romperam com o então jovem Anthony Garotinho (hoje, Republicanos). Quando julgou que este pôs seu projeto individualista de poder acima da luta pelo trabalhismo fundado pelo ex-presidente Getúlio Vargas (1882/1954), do qual Brizola era considerado sucessor.
Campistas de outro tempo
Zé Maurício foi colega no Liceu de Humanidades de Campos do jornalista Aluysio Cardoso Barbosa (1936/2012), fundador da Folha da Manhã e desta coluna. Mesmo que o segundo nunca tenha escondido em vida ressalvas a Brizola, os dois ex-liceístas sempre se mantiveram amigos. Ambos testemunharam crianças a II Guerra Mundial (1939/1945). E se tornaram adultos no mundo bipolar da Guerra Fria (1947/1991), entre os EUA e a antiga União Soviética. Foi uma época de verdades conflitantes. Mas também de luta pelo direito ao contraditório. Com base em convicções muito mais sólidas do que a destes tempos rasos da pós-verdade.
Folha no Ar de hoje e ontem
No Folha no Ar da manhã de hoje, ao vivo, das 7h às 9h, a Folha FM 98,3 recebe três entrevistados para falar da vida e do legado de Zé Maurício: o ex-prefeito de Campos e ex-deputado estadual Roberto Henriques (que busca refundar o PTB de Getúlio), o engenheiro da Petrobras e ex-secretário de Energia do RJ Wagner Victer, e Sérgio Mendes (Cidadania), outro ex-prefeito. Já no Folha no Ar de ontem (21), o trabalhismo de Campos ganhou um reforço à eleição municipal de 6 de outubro. Presidente do Sindipetro NF, o petroleiro Tezeu Bezerra revelou que é pré-candidato a vereador pelo PT goitacá.
Petroleiros a vereador pelo PT
Na última eleição municipal, o petroleiro José Maria Rangel (PT) foi o candidato a vereador da categoria em Campos. Com 2.934 votos, foi o 5º mais bem votado. Mas não se elegeu por conta do quociente partidário. Mais que a eleição a prefeito, onde a deputada estadual Carla Machado já aparece com dois dígitos nas pesquisas, mesmo hoje impedida de concorrer por toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Supremo Tribunal Federal (STF), o PT acerta ao priorizar a reconquista de uma cadeira de vereador. Tezeu e os cerca de 3 mil petroleiros residentes em Campos, entre ativos e aposentados, reforçam essa pretensão.
Estefan recebe Medalha Tiradentes (I)
Como a coluna adiantou no sábado, o presidente da OAB de Campos, Filipe Estefan, recebeu na segunda (20) a Medalha Tiradentes, maior honraria dada pela Alerj. Que foi proposta pela deputada estadual Carla Machado. Com quem Filipe trabalhou como procurador de São João da Barra na primeira das quatro gestões da hoje parlamentar como prefeita do município. Também advogado e presente à solenidade, o presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), saudou o homenageado: “Preside a OAB de Campos com muita energia e dedicação. Sei do seu carinho enorme por toda a região, nesse trabalho árduo que é advogar”.
Estefan recebe Medalha Tiradentes (II)
Prestigiado por pares do mundo jurídico, como o presidente da OAB-RJ, Luciano Bandeira, Filipe disse ao receber a Medalha Tiradentes: “Minha gratidão à deputada, que viu neste advogado intensa militância para receber esta áurea. A honraria não é só do Filipe Estefan, filho de Lurdinha e Fidélis, mas de toda a advocacia. Divido a homenagem com os colegas que, como eu, labutam dia a dia na defesa intransigente dos direitos. E levam a todos os cidadãos, em todo território fluminense, o restabelecimento da ordem jurídica, contribuindo à pacificação dos conflitos e ao fortalecimento do estado democrático de direito”.
Falecido no último sábado (confira aqui), aos 88 anos, a vida e a obra do campista José Maurício Linhares, ex-deputado federal por seis mandatos e ex-secretário de Minas e Energia dos dois governos Leonel Brizola (PDT) no estado do Rio, serão o tema do Folha no Ar desta quarta (22). Que vai ao ar ao vivo, a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3.
Em ordem e blocos separados, darão seus testemunhos o ex-prefeito e ex-deputado estadual Roberto Henriques, o engenheiro da Petrobras e ex-secretário de Energia do RJ Wagner Victer, e o ex-prefeito Sérgio Mendes. Todos falarão sobre José Maurício.
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Petroleiro, petista e presidente do Sindipetro NF, Tezeu Bezerra é o convidado do Folha no Ar desta terça (21), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará (confira aqui) dos casos de intoxicação alimentar na plataforma P-53 e de falta de sanitário na P-25.
Tezeu também analisará a troca de comando na Petrobras, com Jean Paul Prates substituído na presidência por Magda Chambriard, suas causas e reflexos na Bacia de Campos. Por fim, falará das três pré-candidaturas do PT a prefeito de Campos e de novidades na nominata a vereador do partido.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.
Marcelo Magno em São Pedro da Aldeia, Fábio do Pastel em Arraial do Cabo, Maira do Jaime em Silva Jardim, Carlos Augusto Balthazar em Rio das Ostras, Wladimir Garotinho e Campos dos Goytacazes e Alfredão em Itaperuna (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Pesquisa a prefeito de Itaperuna
Atual prefeito de Itaperuna, Alfredão (União) liderou (confira aqui) a primeira pesquisa de intenção de votos registrada no município. Na consulta estimulada, ele apareceu com 33,9%. Veio seguido de Nel (PL), com 18,8%; de Doutor Bruno (Novo) com 16,4%; Kadu Novaes (REP), com 14,3%; e Adilson Ribeiro, com 8,6%. Brancos e nulos somam 6,5%, enquanto 1,5% não soube dizer em quem votará. Divulgada na última quinta, a pesquisa foi feita entre 9 e 11 de maio, com 596 eleitores e margem de erro de 4 pontos para mais ou menos. Foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RJ-08982/2024.
Favorito à reeleição?
“Itaperuna tem 76.528 eleitores habilitados a votar em 6 de outubro. Será de turno único, já que o 2º turno só pode existir em municípios a partir de 200 mil eleitores. A pesquisa indica a provável reeleição do prefeito Alfredão, que lidera fora da margem de erro. Tem a vantagem de ser o único candidato que disputará a eleição já com o controle da máquina administrativa e do orçamento municipal. Os números de intenção de voto provavelmente refletem, em algum grau, uma boa avaliação do itaperunense em relação ao atual mandato”, analisou o especialista William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE.
Os favoritos por 15 e por 40 pontos
Entre as pesquisas registradas às eleições de municípios do Norte e Noroeste Fluminense, e Região dos Lagos, Alfredão lidera a corrida à reeleição com a menor vantagem sobre o 2º colocado: 15,1 pontos. Em Arraial do Cabo, o prefeito Marcelo Magno (PL) liderou (confira aqui) a consulta estimulada com 62% de intenção de voto. Teve 46,8 pontos de vantagem sobre o 2º colocado: Andinho (PL), com 15,2%. Em São Pedro da Aldeia, o prefeito Fábio do Pastel (PL) liderou a consulta estimulada com 57,2% de intenção de voto. Teve 43,7 pontos de vantagem sobre os dois empatados em 2º lugar: Bia do Guga e Chumbinho, com 13,5% cada.
(Infográfico: Elaibe de Souza, o Cássio Jr.)
Os favoritos por 30 pontos
Em Silva Jardim, a prefeita Maira do Jaime (MDB) liderou (confira aqui) a estimulada com 51,2% de intenção de voto. Teve 31 pontos à frente do 2º colocado: Juninho da Peruca, com 20,2%. Em Rio das Ostras, o ex-prefeito Carlos Augusto Balthazar (MDB) liderou (confira aqui) com 50% de intenção de voto. Teve 35,9 pontos à frente do 2º colocado: Maurício BM (PV). E, em Campos, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) liderou (confira aqui) com 53,7% de intenção de voto. Teve 35 pontos à frente da 2ª colocada: a deputada estadual Carla Machado (PT), com 18,7%. Magno, Fábio, Maira, Carlos Augusto e Wladimir têm vantagem bem mais confortável que a de Alfredão em Itaperuna.
Filipe Estefan, presidente da OAB Campos
Medalha Tiradentes a Filipe Estefan
Presidente da OAB Campos, Filipe Estefan será condecorado às 18h30 desta segunda (20), na Alerj, com a Medalha Tiradentes. A maior honraria do Legislativo fluminense é destinada a pessoas e entidades que prestaram relevantes serviços à causa pública do estado. Como deputada, Carla Machado propôs a homenagem. E a justificou: “Conheço Filipe Estefan há vários anos. Ele sempre primou pela postura ética e de cumprimento às leis, sem abrir mão do lado humano. Foi procurador-geral de São João da Barra na minha gestão e me ajudou muito. Tem o reconhecimento da sociedade como um todo e dos seus colegas advogados”.
Luta em defesa do autismo
Pré-candidata a prefeita de Campos, a deputada complementou na homenagem que Filipe receberá da Alerj: “Ele está em seu terceiro mandato à frente da OAB de Campos. Mais recentemente, através de Filipe, tivemos a contribuição importante da OAB numa luta para que as pessoas com autismo pudessem ser atendidas através do plano de saúde. Não conseguimos, por se tratar de legislação federal, mas vimos o empenho dele em prol da causa”, destacou Carla. Que coordena a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Alerj.
Robson Maciel Junior, procurador da Alerj, com a Medalha Tiradentes
Medalha Tiradentes de Robson Maciel Jr.
Em 14 de setembro do ano passado, outro jurista de Campos recebeu a Medalha Tiradentes. Procurador-geral da Alerj, Robson Maciel Jr. recebeu a homenagem proposta pelos deputados Chico Machado (SDD), Tia Ju (Rep), Dionísio Lins (PP) e Léo Vieira (PSC). Presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União) disse na ocasião: “Fiz questão de deixar que outros deputados chamassem a atenção à figura do Robson. Além de conterrâneo, é um amigo de infância”. Por sua vez, Robson disse ao ser homenageado: “A atividade jurídica necessita de sensibilidade para perceber sutilezas e diferenças envolvidas em palavras escritas, ditas e não ditas”.
Direito Previdenciário na OAB
Com o tema “Processo Administrativo Digital, recursos e estratégias processuais: Processo Administrativo ou Judicial?”, o Direito Previdenciário trouxe nomes importantes do cenário nacional em workshop promovido pela OAB-Campos na última quinta (16). Secretária geral da instituição, Mariana Lontra Costa destacou que a OAB goitacá vem promovendo diversos eventos para trazer atualizações à categoria: “O Direito Previdenciário está crescendo muito e ter essa oportunidade de presentear os nossos colegas com um evento como esse, é extremamente relevante”.
Ícaro Barbosa, Vitória Abreu, Vivian Ranuci, Sofia Pasco e Aquiles Paes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Por Vitória Abreu, Vivian Ranuci, Sofia Pasco, Aquiles Paes e Aluysio Abreu Barbosa
Na última segunda-feira (13) foi celebrada a missa de 1 ano pelo falecimento de Ícaro Paes Pasco Abreu Barbosa, meu único filho. Foi marcada por sua mãe, a jornalista Dora Paula Paes, na Igreja de São Francisco, onde Campos dos Goytacazes nasceu.
Ao final da cerimônia, pude reforçar as impressões do homem e jornalista que Ícaro foi em seus 23 anos de vida, pelos cumprimentos e palavras dos presentes. Cada qual com a sua história com meu filho. Que, no reflexo complementar em cada, vive contado em todas.
Antes e após a missa, colhi os testemunhos de três das suas primas e do seu irmão. Nos quais constatei: se a perda física de Ícaro não é fácil, torna-se menos difícil no amor. Pelo significado da sua vida breve e marcante, aos seus mais próximos em idade e sangue.
Abaixo, nos relatos sobre Ícaro, seu legado e saudade. Pelo sentir de Vitória, Vivian, Sofia e Aquiles. Cujo pragmatismo, mesmo na prosa poética que adotou para falar pelo irmão, é epílogo e epitáfio a todos nós: “Tudo continuará, com um dia após a minha morte”.
“Por fim, gostaria de homenagear meu primo, Ícaro Paes Pasco Abreu Barbosa, que foi pra mim referência de bondade, generosidade, educação e carinho durante os 23 anos que vivemos juntos. Obrigada por todas as memórias, nunca esqueceremos de você”.
(Vitória Abreu, 24 anos, último parágrafo do agradecimento do seu TCC de graduação em engenharia de produção na UFRJ, prima de Ícaro)
“Um ano sem meu irmão e a saudade está cada vez mais presente. Tem sido difícil, mas tenho tentado ser forte por ele. Irmão, sei que você partiu, mas ainda tenho dificuldade em aceitar e dizer adeus.
Guardo nossas lembranças e agradeço por tudo que vivemos. Mas, ao mesmo tempo, meu peito dói por saber que nossa história acabou aqui.
Não posso mais ver você, e isso machuca. Oro muito para que esteja em paz e tento seguir em frente. Penso em você todos os dias. Sei que esta saudade seguirá sempre comigo. Você sempre será muito importante para mim e o amor que sinto é imortal”.
(Vivian Paes Ranuci, 21 anos, estudante do curso superior de contabilidade na Estácio, prima de Ícaro)
“Um ano sem você aqui e a saudade é a mesma. Espero que você tenha encontrado sua luz e sua paz.
A família inteira sente sua falta absurdamente, mas sabemos que você estará sempre em nossos corações. Hoje foi um dia triste e reflexivo para todos nós que te amamos”.
(Sofia Lessa Pasco, 16 anos, estudante do ensino médio, prima de Ícaro)
“Um dia após a minha morte. Meu pai chorou, minha mãe se quebrou. A família se corrói, todos sofrem de saudades. Outros buscam alguém para culpar, mas sabem que de nada adiantará.
Nunca me entenderão, nunca entenderam. No fim, tudo passou e agora sigo singelo. Onde seguir, seguirei aqui e passando do teu lado ao eterno.
Criarei a ti minha epopeia. Do amor que existe em vós me alimentarei. Buscarei meu refúgio em minha escrita, meus amores, minha boemia.
Um ano se passou, nada mudou e nada mudará, para sempre. Tudo continuará, como um dia após a minha morte”.
(Aquiles Paes, 15 anos, estudante do ensino médio, irmão de Ícaro, com este na 1ª pessoa)