William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
PIB 2021 dos municípios da Bacia de Campos
Por William Passos
Maricá, que se tornou o 8º Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, foi o município cuja economia mais cresceu no país entre 2020 e 2021, registrando ganho de participação no PIB de 0,5 ponto percentual (p.p.) e alcançando um volume, a preços correntes, de R$ 85,8 bilhões. Na sequência, Saquarema, com crescimento de 0,3 p.p.; Niterói, com +0,2 p.p.; e Campos dos Goytacazes, com +0,1 p.p., mesmo resultado do município paulista de São Sebastião, foram os municípios que mais cresceram economicamente no Brasil.
Os números são do PIB dos Municípios Brasileiros 2021, divulgado na última sexta (17), pelo IBGE. E foram tabulados por William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE. Com isso, no Estado do Rio de Janeiro, o PIB de Saquarema (28º do Brasil) encerrou o ano de 2021 totalizando um volume, a preços correntes, de R$ 42,2 bilhões. O PIB de Niterói encerrou 2021 com o total de R$ 66,3 bilhões (13º do Brasil) e o de Campos foi a R$ 37,2 bilhões (31º do Brasil).
De acordo com a avaliação do Nuperj/Uenf, (Núcleo de Pesquisa Econômica do Estado do Rio de Janeiro), coordenado pelo professor e economista Alcimar das Chagas Ribeiro e que também conta, em sua equipe, com a participação do economista José Alves de Azevedo Neto, os municípios que mais cresceram no Brasil foram exatamente os maiores produtores de petróleo das bacias de Campos e de Santos. Cuja produção econômica ocorre nas plataformas marítimas costeiras, localizadas na plataforma continental.
A riqueza do petróleo materializa-se na economia dos “municípios produtores” sob a forma das receitas extraordinárias do petróleo; isto é, royalties e participações especiais (PEs) sobre a produção na plataforma continental. As exceções ficam por conta dos municípios que abrigam as bases de apoio à produção. No caso fluminense, Macaé e Rio das Ostras — onde se localizam as empresas do complexo de exploração e produção da Bacia de Campos. Além de São João da Barra, onde se localiza o importante Porto do Açu, um dos maiores da América Latina em volume de movimentação de cargas.
Entretanto, dos três municípios, apenas Macaé apareceu entre as 100 maiores economias do país em 2021, situando-se na 76ª colocação, com o PIB total de R$ 17,7 bilhões. São João da Barra (PIB total de R$ 9,9 bilhões), por sua vez, embora não tenha se posicionado entre os 100 maiores PIBs do Brasil, alcançou a condição de 24º PIB per capita do país, com uma riqueza somando R$ 269 mil por habitante. Também no ranking dos 100 PIBs per capita do Brasil, Quissamã alcançou posição de destaque, situando-se como o 34º colocado no país, ou R$ 235 mil por habitante.
Rio das Ostras, entretanto, não se destacou entre os 100 maiores PIBs em valores absolutos. Com PIB total de R$ 8,9 bilhões, não ficou nem entre os 100 maiores PIBs per capita, com R$ 56 mil por habitante.
O petróleo é um recurso finito e suas receitas extraordinárias são temporárias. Por isso, há a necessidade de diversificação da estrutura econômica dos municípios litorâneos fluminenses, solução que passa pelo aumento do investimento das prefeituras, pela dinamização da economia local já estabelecida e pela atração de novos investimentos.
Em julho de 2023, o Nuperj/Uenf apresentou à sociedade o Índice de Dinâmica Local (Indel), que se propõe a medir a dinâmica econômica local de cada município. O Indel utiliza cinco variáveis: investimento público municipal, arrecadação do ICMS, emprego e renda no comércio, movimentação bancária e a vulnerabilidade social, que inclui a população em situação de pobreza.
— Gostaria de chamar a atenção para a economia de Campos, contabilizada entre os PIBs que mais cresceram no Brasil em 2021. É muito importante que este resultado seja recebido como um alerta. O posicionamento de Campos no ranking do PIB nacional é fruto muito mais da produção de petróleo e gás na plataforma continental do que do dinamismo da economia territorial do município. Por isso, a necessidade de se pensar, debater e operacionalizar uma alternativa econômica para o município e a região. Felizmente, temos muitas potencialidades. Penso que o momento é o da construção coletiva, o que passa pela necessidade de escuta da sociedade civil. E não somente ela — sugeriu William.
Presidente do PT em Campos, a professora e ex-vereadora Odisséia Carvalho é a convidada do Folha no Ar nesta terça (19). Ela falará dos pré-candidatos do PT a prefeito de Campos, dentro da jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbem (confira aqui e aqui) a figura jurídica do “prefeito itinerante”.
A ex-vereadora também falará da formação da nominata do PT, com PCdoB e PV pela Federação, na disputa de uma cadeira na Câmara Municipal, hoje, sem nenhuma mulher. Por fim, com base nas pesquisas eleitorais de 2023, ela tentará projetar as eleições a prefeito de Campos (confira aqui) e São João Barra (confira aqui) em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nas páginas da Folha FM 98,3 no Facebook e no Instagram.
Assisti a “Taxi Driver” (1976) a primeira vez em maio de 1982. Em contexto de cinema catástrofe, a metalúrgica mineira Paraibuna Metais derramou material tóxico no rio Paraíba do Sul. A captação de água foi interrompida em Campos e parte das suas crianças foi evacuada para outras cidades.
Entre essas crianças, fui parar na praia de Itaipu, na minha Niterói natal. Onde, na casa do meu tio paterno Luiz Edmundo Barbosa, ele reservou um quarto e uma TV só para mim. Com esse luxo até então inédito ao menino de 9 anos, e sem aula no dia seguinte, assistir filmes no Corujão da Globo passou a ser o dever de casa.
Foi numa dessas madrugadas insones, diante da TV, que topei com o taxista Travis Bickle, em sua composição visceral por um jovem Robert De Niro. Em meio à decadência despida de qualquer elegância, pela visão de Martin Scorsese, da Nova York dos anos 1970. E o cinema ao menino de 9 anos, entre aquele ator e aquele diretor, ganhou outro significado a partir dali.
Não mais apenas entretenimento, só o contar histórias com luzes e som. A maneira como a história é contada passou a ser também muito importante. Como as referências em De Niro e Scorsese se reforçariam nas quatro décadas seguintes, em outros trabalhos conjuntos ou separados.
Daquele primeiro encontro numa madrugada de maio de 1982, o menino passaria por seu período formativo e chegaria à meia-idade com uma certeza, sobre si e seu semelhante, dentro e fora das telas. Que seria melhor definida neste 2023 por um jovem de 21 anos: “Na verdade, todo mundo tem um pouco, em maior ou menor escala, de Travis Bickle”.
Estudante de Letras do IFF, Lucas Barbosa assistiu a “Taxi Driver” pela primeira vez aos 15 anos. E, meia dúzia de anos depois, escreveu aquela que considero, sem favor, a melhor crítica que já li sobre esse clássico do cinema. Cuja atemporalidade ele soube identificar na alienação e no sentimento de impotência que continua a produzir tantos “Travis Bickle”.
Da retina de De Niro, o olhar fixo entre a fantasia e a realidade parece ter cruzado essa ponte. Com o “homem do subsolo” entre os invasores do Capitólio, na Washington de 6 de janeiro de 2021, ou da Praça dos Três Poderes em Brasília, em 8 de janeiro de 2023. Pela arte que imita a vida e às vezes a vaticina, vale muito a pena conferir a análise de Lucas:
Lucas Barbosa, estudante de Letras do IFF e crítico de cinema
Taxi Driver — Olhar entre a fantasia e a realidade
Por Lucas Barbosa
Demandas e revoltas de todos os tipos de pessoas devem ser ouvidas e ponderadas, mesmo que suas soluções nem tanto. Talvez seja o ponto político principal de “Taxi Driver”. Um olhar que busca uma aproximação direta com o sentimento causado pela desinformação e alienação político/social. Uma alienação geral, um sentimento de impotência política, tristemente relacionável, e digo mais, atemporal. O primeiro plano do filme, ainda nos créditos iniciais, é o carro se aproximando de forma que invade o plano em meio a fumaça.
Talvez não funcionasse bem em outro lugar se não Nova York. O “coração” do mundo é corrompido por problemas sociais, especialmente a violência. E temos em nosso protagonista um homem limitado, traumatizado e inadequado, um retrato de um EUA pós Vietnã. Travis Bickle é um pária, mas pior, ele é um avatar das demandas que exigem um imediatismo. Um observador dos problemas sociais, com dificuldade de apontá-los, imagine então resolvê-los. Como um pária, ele não tem valor político. Não se encaixa com a mulher por quem se apaixona. Betsy tem vasto capital cultural, além de ser politizada, mais do que isso, engajada. A falta de tato social de Travis o afasta de Betsy. A solidão misturada ao ressentimento, tudo o leva a mirar suas frustrações em problemas complexos demais a serem resolvidos. As pessoas politizadas não apresentam uma solução, a seu ver, funcional para a sujeira das ruas, mas a violência sim.
Eis aqui a grande sacada do filme, aproximar-nos desse sujeito doente. Ele nos faz simpatizar com Travis, visto o respeito de Scorsese a essa figura. A célebre cena em que ele fala com Betsy no telefone e a câmera simplesmente decide não filmá-lo nesse momento íntimo, ou mesmo o fato que nunca o deixamos de lado, Scorsese nos faz ouvir suas demandas e revoltas, mas nunca abrindo mão de condenar seus atos. No caso, o respeito não é especificamente a Travis, mas sim com o tipo de cidadão, ou melhor, revolta que ele representa. O que só conhece a sujeira que tanto odeia, e que por se camuflar nela (afinal é onde vive e trabalha, com o turno da noite sempre sendo pior), é afastado com repulsa, e com toques de superioridade, por aqueles que realmente poderiam o ajudar e efetivamente possibilitar uma solução aos seus problemas.
Travis é um reflexo da hipocrisia social e o desejo pelo imediatismo. Após a barbárie, antes condenada pela sociedade, Travis ganha o status de herói local. Os mesmos que te derrubam, são os que te levantam. Por isso o final aberto a interpretações ganha com a ideia de realidade. Acaba sendo essa hipocrisia cuspida e escarrada na nossa cara. Mas a ideia de ser um sonho também é adoçada pelo filme. Afinal, existe nele a todo o momento uma lógica onírica, que busca captar o ponto de encontro da fantasia (devaneios heroicos) com a realidade. Aquela sensação entre estar no linear do dormindo e o acordado. “Tenho insônia” esse é o homem solitário de deus. Aquele que não dorme oprimido pela solidão e pelas luzes vermelhas do perigo social. O sonho americano contemporâneo, isso é o que Travis acaba sendo. “Um homem de ação”, que é algo que todos já tentaram ser de uma forma ou de outra. Na verdade, todo mundo tem um pouco, em maior ou menor escala, de Travis Bickle.
Paul Schrader tem um mérito e tanto por conseguir captar esse espírito, e compactá-lo em um roteiro atemporal, mas esse filme não seria nada sem Scorsese. “É um filme muito pessoal, mesmo que eu não o tenha escrito”. Toda cena tem uma história sendo contada, tem algum traço de Travis, e consequentemente social, sendo exposto. Existe honestidade, uma preocupação genuína com a emoção, mas também, talvez de forma contraditória, com a realidade. Há um senso de paranoia nos movimentos de câmera, um lado opressor que é captado pela cidade. Michael Chapman dá ao filme uma luz vermelha, um perigo, um sinal de atenção pulsante em tudo, principalmente em quem é o próximo a entrar no carro. E na grande cena final, após a explosão catártica de violência, nos resta a câmera etérea passeando pelas mortes. Resta o julgamento, proporcionado pela visão de cima que Scorsese nos proporciona. Um olhar quase de Deus, que tenta ser imparcial. Finalmente um olhar que não é o de Travis.
Outro forte pilar é Robert De Niro e seus olhares fixos. De fato, tem uma corporalidade invejável para qualquer ator, mas principalmente um vazio distante que transparece na fala, na movimentação, e mais ainda no olhar. O olhar de Travis é a coisa mais importante aqui em todos os sentidos possíveis. Um olhar entre a fantasia e a realidade, como já dito. Não arrisco dizer ser o melhor trabalho de De Niro, afinal, é difícil dizer com um currículo como o dele, mas posso, sem nenhum peso, afirmar que se trata de minha performance favorita do mesmo. Uma representação quase perfeita do homem do subsolo.
A trilha de Bernard Herrmann é um show que em muito sintetiza essa sensação contraditória. Melódica, com traços que lembram um jazz, mas que em momentos encontra uma pulsão vibrante. Um lado de tormento e atenção, um tiroteio em notas musicais, e o tanto que isso agrega no filme é imensurável.
É impossível tentar sintetizar o quanto esse filme é importante, mas mais difícil é sintetizar todas as sutilezas de seu poderoso discurso social. Ao mesmo tempo um retrato do social e do individual, de uma época especifica e do atemporal. Talvez aqui se encaixe bem a música de Kris Kristofferson usada para descrever Travis. No fim, é a síntese perfeita para descrever o filme em si: “Ele é um profeta, ele é um traficante. Parte verdade e parte ficção, uma contradição ambulante.”
Rodrigo Bacellar vai às eleições de Campos com o Cidadania de Rafael Diniz, o PL de Helinho Nahim, o Solidariedade de Marquinho Bacellar e o União Brasil de Rogério Matoso (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Presidido em Campos pelo ex-prefeito Rafael Diniz, o Cidadania também deve compor as nominatas do grupo do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), à disputa das eleições municipais de 2024. O partido tem o vereador Fred Machado, em busca de reeleição, e está federado com o PSDB, que não conquista uma cadeira na Câmara Municipal há várias legislaturas. A depender da decisão do grupo, Rafael também pode voltar a disputar a vereador, eleição que ganhou em 2012, antes de se eleger prefeito em 2016.
Assim, no enfrentamento eleitoral com o grupo político do prefeito Wladimir Garotinho (PP) e os demais da cidade, o grupo dos Bacellar também terá o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro. Que, como o blog adiantou ontem (confira aqui), será assumido em Campos pelo vereador Helinho Nahim. Assim como o Solidariedade de Marquinho Bacellar, presidente da Câmara, e do União de Rodrigo municipalmente com o edil Rogério Matoso.
Há a possibilidade de Rodrigo atrair também o PDT, junto ao seu xará Rodrigo Neves, ex-prefeito de Niterói. Enquanto o PSD do vereador Bruno Vianna, aliado dos Bacellar, permanece uma incógnita, pela aproximação recente do deputado federal Caio Vianna com Wladimir. E pela posição do presidente estadual da legenda, Eduardo Paes, prefeito do Rio candidato à reeleição. Que tem disputado espaço na capital do estado com o presidente da Alerj.
Carla Machado, Caio Vianna, Wladimir Garotinho, Rodrigo Bacellar e Carla Caputi (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
“Toda ação provoca uma reação igual e em sentido contrário”. Terceira Lei de Newton, serve para explicar do universo à política humana. À tentativa do grupo dos Bacellar de lançar a deputada estadual Carla Machado (PT) à prefeita de Campos, os Garotinhos responderam com a possibilidade de lançar o deputado federal sazonal (confira aqui) Caio Vianna (PSD) prefeito de São João da Barra.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
WLADIMIR E CAPUTI FAVORITOS — Na prática, nenhum dos dois movimentos tem garantia de emplacar. Nem parecem capazes de afetar o grande favoritismo que os prefeitos dos dois municípios, respectivamente, Waldimir Garotinho (PP) e Carla Caputi (sem partido), têm em todas as pesquisas divulgadas (confira aqui e aqui) para se reelegerem em outubro de 2024. Mas as movimentações políticas entre os dois municípios, a favor e contra a corrente do Paraíba do Sul, têm gerado marolas no leito do rio.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
CARLA E CAIO A CAMPOS 2024 — Em duas pesquisas eleitorais recentes, uma feita em novembro pelo instituto Análise, pelo grupo dos Bacellar, e outra feita na semana passada pelo instituto GPP, pelo grupo dos Garotinhos, os números não foram divulgados. Mas, em ambas, Carla Machado já apareceria à frente de Caio Vianna nas intenções de voto pela Prefeitura de Campos.
CARLA E CAIO NA CAMPOS DE 2022 — Em 2022, quando renunciou ao mandato de prefeita de SJB e se elegeu deputada estadual, Carla teve os votos de 17.936 campistas. Sendo de Campos e tendo disputado um segundo turno duríssimo a prefeito em 2020 com Wladimir, Caio teve a deputado federal em 2022 os votos de 27.706 campistas. As pesquisas dos Bacellar e Garotinhos em novembro e dezembro de 2023 sugerem que esses números, a prefeito de Campos em 2024, são diferentes. E que a vantagem entre os dois, hoje, seria de Carla.
POR QUE ESCONDER NOVAS PESQUISAS? — Provavelmente, os Bacellar não divulgaram a sua pesquisa porque a vantagem de Wladimir à reeleição permanece muito grande. Como os Garotinhos devem ter guardado a sua para não publicizar o crescimento de Carla, que temem.
TSE E STF CONTRA O “PREFEITO ITINERANTE” — Apesar da ascensão de Carla sobre Caio ao segundo lugar da corrida, em todas as pesquisas a vantagem da liderança de Wladimir sobre os dois e todos os demais prefeitáveis de Campos é muito grande, com possibilidade de definir a eleição no primeiro turno. Mas o maior problema da deputada não é esse. Como se reelegeu à Prefeitura de SJB em 2020, ela não poderia ser candidata a prefeita pela terceira vez consecutiva em outro município. É o que diz toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) contra a figura do “prefeito itinerante”.
Robson Maciel Júnior, procurador da Alerj
PODE? — Procurador campista da Alerj, Robson Maciel Júnior vê (confira aqui) uma janela de possibilidade à candidatura de Carla: “Tudo dependerá da interpretação do TSE. Mas, como os casos são diferentes, a revisão legal permite a possibilidade”.
Se demanda revisão, o fato é que, hoje, Carla não pode se candidatar. No que concorda a maioria dos juristas com experiência em direito eleitoral ouvidos (confira aqui) pela Folha. Além disso, por mais brilhante e independente que seja juridicamente, a opinião de Robson sempre será vista como ligada ao desejo político do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, patrono da candidatura de Carla.
Victor Queiroz, promotor de Justiça
NÃO PODE! — Promotor de Justiça com vasta experiência como promotor eleitoral e sem ligação com nenhum lado político em disputa, Victor Queiroz foi detalhado e assertivo:
— A Constituição, nos parágrafos 5º e 6º do artigo 14, estabelece a possibilidade de eleição a prefeito, consecutiva, apenas duas vezes. Aí, surgiu a figura do “prefeito itinerante”. Que, reeleito, muda o domicílio eleitoral para concorrer a prefeito em outro município. Desde 2008, o TSE entende a inadmissibilidade do “prefeito itinerante”, mesmo com a desincompatibilização do mandato. Esse entendimento foi confirmado pelo STF no julgamento do RE 637.485, em 2012.
Cleber Tinoco, advogado da Uenf
CANDIDATAR PARA TROCAR? (I) — No programa Folha no Ar do último dia 7, outro jurista com experiência eleitoral, Cleber Tinoco, advogado da Uenf, bateu na mesma tecla jurídica da inelegibilidade de Carla a qualquer disputa a prefeito em 2024. E interpretou (confira aqui) porque, diante disso, a insistência com o nome dela pode ser só uma estratégia político-eleitoral:
— Uma mudança que libere a candidatura da Carla Machado não vai acontecer. Ela pode disputar a governadora, presidente, parlamentar; não interessa. Mas a prefeita, não pode. Por que alguém se arriscaria a colocar um candidato correndo risco de se tornar inelegível e ter os votos anulados? Isso pode ser uma estratégia, porque a legislação eleitoral permite a alteração do candidato faltando 20 dias para o pleito. Você teria o nome (de Carla), que faria toda a campanha, e aí outro candidato assumiria o posto dela.
Gilberto Gomes, secretário de Comunicação do PT de Campos e assessor parlamentar do deputado Lindbergh Farias
UM LADO DO PT — Secretário de Comunicação do PT goitacá, assessor parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ) e pré-candidato a vereador, Gilberto Gomes negou (confira aqui) na quinta (14) que seu partido utilize esse subterfúgio na eleição a prefeito de Campos:
— Não há a menor possibilidade de uma estratégia que busque lançar uma candidatura virtual, sem chances de se eleger, para ser substituída às vésperas. Independente das questões jurídicas que envolvem a candidatura de Carla, o professor Jefferson de Azevedo tem acumulado apoios e feito todos movimentos para viabilizar uma candidatura tecnicamente qualificada, competitiva eleitoralmente e reconhecida pelos principais dirigentes estaduais e nacionais do PT como uma das grandes revelações do partido para o próximo pleito.
Jefferson de Azevedo, professor e atual reitor do IFF
UM PRÉ-CANDIDATO DO PT — Na mesma quinta, o próprio Jefferson, que já era cogitado como prefeitável do PT desde junho (confira aqui), quatro meses antes de Carla transferir seu domicílio eleitoral de SJB para Campos (confira aqui) em 5 de outubro, reafirmou (confira aqui) que está no jogo de 2024:
— Reafirmo minha pré-candidatura como uma das alternativas da nossa Federação, que reúne PT, PCdoB e PV. E que terá uma candidatura no próximo ano para debater o futuro de nossa cidade, apresentando alternativas e proposições ao enfrentamento das grandes questões estruturais de nosso município, assim como daquelas que afetam o cotidiano da vida das pessoas.
Odisséia Carvalho, presidente do PT de Campos e ex-vereadora
OUTRO LADO DO PT — Também na quinta, a professora e ex-vereadora Odisséia Carvalho, presidente do PT de Campos, desautorizou a declaração do seu secretário de Comunicação em nome do partido:
— Não é a opinião do PT de Campos, mas do Gilberto Gomes. Tudo vai depender da convenção do partido. Hoje, existem três pré-candidaturas: Carla Machado, Jefferson e Hélio Anomal. No momento certo, teremos a definição partidária. Opiniões, todos podem ter, mas o que vai prevalecer é a decisão partidária.
CANDIDATAR PARA TROCAR? (II) — Perguntada na sexta (15) se o PT de Campos aceitaria caminhar com uma candidatura sem chance de elegibilidade até o prazo legal de 16 de setembro, só para usar o nome de Carla na campanha e trocá-lo por outro à urna de 6 de outubro, Odisséia insistiu que a decisão só será tomada na convenção do partido. Que, como em todos os demais, será em julho, daqui a sete meses.
Nelson Nahim, ex-prefeito, ex-presidente da Câmara de Campos, ex-deputado federal e advogado
NO GRUPO DOS BACELLAR: “CARLA ESTÁ IMPEDIDA DE SE CANDITAR POR CAMPOS” — Também ligado ao grupo dos Bacellar, que testa o nome de Carla na falta de outra opção com consistência eleitoral nas pesquisas, o ex-prefeito, ex-presidente da Câmara Municipal e ex-deputado federal Nelson Nahim (MDB) não é (confira aqui) entusiasta da candidatura da ex-prefeita reeleita de SJB em 2020 a prefeita de Campos em 2024. Também na condição de advogado, ele disse:
— Tanto Wladimir como Carla Caputi têm candidaturas muito fortes, isso confirmado até agora em todas as pesquisas. Caio candidato em São João da Barra, na minha opinião, seria uma aventura. Bem como em Campos, até agora, não vemos uma candidatura para bater o prefeito. Carla, na minha modesta opinião, está impedida pela legislação eleitoral de se candidatar por Campos, fora a discussão de sua ilegitimidade.
CONTRADITÓRIO? — Pessoalmente e através da sua assessoria, Carla foi procurada para se manifestar. Agradeceu, mas preferiu não comentar.
Rodrigo Bacellar, Helinho Nahim no PL, Marquinho Bacellar no SD e Rogério Matoso no União (Motagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Vereador de oposição e pré-candidato à reeleição, Helinho Nahim vai assumir em Campos o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ex-deputado federal, ex-presidente da Câmara Municipal e também pré-candidato a voltar a ela em 2024, Marcão Gomes sairá do PL. Para continuar a caminhar com o grupo político do prefeito Wladimir Garotinho (PP), Marcão deve se mudar ao MDB do vice-prefeito Frederico Paes.
Já são três os partidos garantidos ao grupo dos Bacellar, para abrigar seus candidatos a vereador em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses. O PL sob comando de Helinho se juntará ao SD de Marquinho Bacellar, presidente da Câmara Municipal, e ao União do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, sob comando local do edil Rogério Matoso.
Fruto de acordos com seu xará e ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, o PDT também está na mira de Rodrigo Bacellar. Entre os vereadores de Campos que já pertencem ao seu grupo, a incógnita fica com o PSD de Bruno Vianna. Pois é também o partido do deputado federal Caio Vianna, que tem se aproximado de Wladimir e é comandado no estado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. Que está em disputa de espaço na capital com o presidente da Alerj.
“Toda ação provoca uma reação igual e em sentido contrário”. Terceira Lei de Newton, serve para explicar do universo à política humana. À tentativa do grupo dos Bacellar de lançar (confira aqui) a deputada estadual Carla Machado (PT) à prefeita de Campos, os Garotinhos responderam com a possibilidade (confira aqui) de lançar o deputado federal Caio Vianna (PSD) prefeito de São João da Barra.
Na prática, nenhum dos dois movimentos parece capaz de afetar o grande favoritismo que os prefeitos, respectivamente, Wladimir Garotinho (PP) e Carla Caputi (sem partido), têm em todas as pesquisas (confira aqui e aqui) para se reelegerem em 6 de outubro de 2024. a pouco mais de 9 meses. Mas as movimentações políticas entre os dois municípios, a favor e contra a corrente do Paraíba do Sul, têm gerado marolas no leito do rio.
Abaixo, a leitura delas, por fontes balizadas da política planiceana, sejam seus integrantes ou analistas:
Em cima: Wladimir Garotinho, Caio Vianna, Rodrigo Bacellar, Carla Machado e Carla Caputi. Observados abaixo por Nelson Nahim, Marcão Gomes, Guiomar Valdez, George Gomes Coutinho e William Passos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Nelson Nahim (MDB), ex-prefeito de Campos, ex-deputado federal, ex-presidente da Câmara Municipal e advogado — “Tanto Wladimir como Carla Caputi têm candidaturas muito fortes, isso confirmado até agora em todas as pesquisas. Caio candidato em São João da Barra, na minha opinião, seria uma aventura. Bem como em Campos, até agora, não vemos uma candidatura para bater o prefeito. Carla, na minha modesta opinião, está impedida pela legislação eleitoral de se candidatar por Campos, fora a discussão de sua ilegitimidade”.
Marcão Gomes, ex-deputado federal, ex-presidente da Câmara de Campos, servidor federal, advogado e pré-candidato a vereador em 2024 — “O mandato de deputado federal de Caio depende diretamente da benção de Eduardo Paes (PSD). Caso contrário, volta a ser suplente. O deputado estadual Rodrigo Amorim (PRD), fiel escudeiro do Rodrigo Bacellar (União), é quem mais tem antecipado o confronto direto com o Paes à Prefeitura do Rio, numa prévia do que deve acontecer de maneira cada vez mais intensa até o ano que vem. Eduardo resolveu também mexer o tabuleiro aqui na região, determinando a Caio o afastamento de Bacellar e aproximação com Wladimir. Então o Caio, na verdade, tem que cumprir a missão dada por Paes, seja aqui em Campos ou SJB”.
Roberto Henriques, ex-prefeito de Campos e ex-deputado estadual — “Pelas redes sociais, dirigentes do PT campista festejaram a transferência de domicílio eleitoral da deputada Carla Machado e sua candidatura. Uma breve pesquisa junto à nota pública à época, nas redes sociais da deputada, encontrará declarações dos petistas dizendo que a mudança eleitoral e a candidatura da deputada seria para ‘dar maior visibilidade ao Partido dos Trabalhadores’. Esse tipo de declaração é uma confissão descarada de renúncia à cidade. Julgo que é tratar Campos e São João da Barra com menoscabo; é acinte, é política rasteira. Quem patrocina e participa desse ‘tráfico eleitoreiro’, não está à altura da importância da nossa região. Quando os dois lados, Carla e Caio, falam mal um do outro, os dois estão com a razão”.
Guiomar Valdez, historiadora e professora do IFF — “Garotinhos + Viannas + Dauaires X Bacellares + Machados = pensando aqui… Se continuarem a fomentar o nome de Carla Machado em Campos, mesmo com outras intenções, os Bacellares vão pagar esse preço que está ficando alto? Onde estarão as suas certezas? Quanto à opinião do PT de Campos, expressa pelo Gilberto (confira aqui), me veio a necessidade de observar a situação do PT no Estado do Rio. Ora sob total domínio de Quaquá, vice-presidente de Gleise Hoffmann no PT nacional, ora disputando a hegemonia com Lindbergh. Poderíamos ampliar o território analisado e observar o movimento do PT em Macaé, por exemplo. O diretório de lá está em pé de guerra, entre os que aderiram ao governo Welberth (Rezende, Cidadania), na ocupação da secretaria de Educação, e os que, como o ex-vereador petista de dois mandatos Marcel Silvano, expõem sua insatisfação nas redes sociais”.
George Gomes Coutinho, cientista político, sociólogo e professor da UFF-Campos — “A dinâmica bastante crua da disputa de poder na conjuntura campista, em minha perspectiva, tem algo de déjà vu. Porém, não é a singularidade nossa no Norte Fluminense que está exposta. Falamos aqui de algo profundo, do inconsciente político brasileiro em sua aparição mais rude, crua, bruta. É a disputa de grupos rivais, organizados em clãs, o que envolve regras de pertencimento, hierarquia, configuração familial e entre nós o domínio de um patriarca. Tudo pelo poder em um dado território e sobre o destino das pessoas que habitam este mesmo território. Oliveira Vianna, teórico político conservador, fez a radiografia dessa característica clânica da política brasileira na primeira metade do século XX. Neste cenário não há espaço para disputa de ideias. Há é o grupo organizado que mantinha, quase por milagre, a unicidade daquela comunidade. A estabilidade se instaura, algo necessário para o pequeno burguês tocar seu comércio, quando um grupo mantém o domínio. E o circo pega fogo quando um grupo se depara com a concorrência de outros. Essa descrição é de uma força política concreta pré-moderna. Não há uso público da razão, disputas programáticas entre socialistas, liberais e suas subdivisões. Há é Montéquios e Capuletos (famílias inimigas na política da Verona de ‘Romeu e Julieta’, tragédia de William Shakespeare) em disputa franca, onde dedo no olho e golpes abaixo da cintura são permitidos. Projetos e soluções coletivas negociadas se apresentam como meros adornos, quando aparecem. Talvez essa mentalidade clânica seja o que guia os grupos em disputa. E não, isso não é nada bom para uma sociedade com a nossa complexidade. Vianna descreveu a sociedade colonial, a do Império e parou na Primeira República. Não custa lembrar que estamos em momento pós-Constituição de 1988”.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE, especialista em pesquisas — “Wladimir vem se revelando uma personagem muito interessante. E, num certo sentido, surpreendente dentro do garotismo. Pragmático, político de composição, pode ajudar a tornar atrativo o pleito de São João da barra, que parecia bastante previsível. Acompanhemos!”
Jefferson de Azevedo, Carla Machado e Gilberto Gomes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Cogitado como candidato do PT a prefeito de Campos em 2024 (confira aqui) desde junho deste ano, mais de quatro meses antes da deputada estadual petista Carla Machado transferir seu domicílio eleitoral (confira aqui) de SJB a Campos com olho no pleito, o professor Jefferson de Azevedo garantiu hoje:
— Reafirmo minha pré-candidatura (a prefeito de Campos em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses) como uma das alternativas da nossa Federação, que reúne PT, PCdoB e PV. E que terá uma candidatura no próximo ano para debater o futuro de nossa cidade, apresentando alternativas e proposições para o enfrentamento das grandes questões estruturais de nosso município, assim como daquelas que afetam o cotidiano da vida das pessoas — pregou o atual reitor do IFF.
A manutenção por Jefferson do seu nome no jogo veio em sequência à manifestação no mesmo sentido, dada pelo secretário de Comunicação do PT de Campos e assessor parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ), Gilberto Gomes. Na manhã de hoje, ele garantiu (confira aqui) que seu partido não lançará nome a prefeito de Campos para trocá-lo no prazo legal de até 20 dias antes do pleito.
— Não há a menor possibilidade de uma estratégia que busque lançar uma candidatura virtual, sem chances de se eleger, para ser substituída às vésperas, conforme aventou (confira aqui) o advogado Cleber Tinoco. Independente das questões jurídicas que envolvem a candidatura de Carla, o professor Jefferson tem acumulado apoios e feito todos movimentos necessários para viabilizar uma candidatura tecnicamente qualificada, competitiva eleitoralmente e reconhecida pelos principais dirigentes estaduais e nacionais do PT como uma das grandes revelações do partido para o próximo pleito — apostou Gilberto.
Segundo toda a jurisprudência até aqui estabelecida (confira aqui) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF), Carla está inelegível a qualquer disputa a prefeita em 2024. Como já concorreu e venceu a reeleição a prefeita de SJB em 2020, não pode ser candidata ao cargo em nenhum outro município pela terceira vez seguida. O que configuraria a figura jurídica do “prefeito itinerante”, vedada pela Legislação Eleitoral.
Não há possibilidade de o PT apresentar uma candidatura a prefeito de Campos em 2024 só para fazer campanha e ser substituída às vésperas do pleito, por não ter condições jurídicas reais de elegibilidade. Como toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) apontam (confira aqui) ser o caso da deputada estadual petista Carla Machado. À disputa com o prefeito Wladimir Garotinho (PP) em 6 de outubro próximo, sem Carla, o PT tem o professor Jefferson de Azevedo.
Foi o que garantiu o secretário de Comunicação do PT de Campos, assessor parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ) e pré-candidato a vereador Gilberto Gomes. Ele também analisou a possibilidade do deputado federal Caio Vianna (PSD) se lançar (confira aqui) a prefeito na São João da Barra em 2024, com apoio do ex-opositor Wladimir. Como resposta ao apoio do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), ao nome de Carla em Campos.
Confira abaixo:
Gilberto Gomes, Carla Machado, Jefferson de Azevedo, Caio Vianna, Wladimir Garotinho e Rodrigo Bacellar (Foto: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
“Se confirmada a informação (de Caio se candidatar a prefeito de SJB com apoio de Wladimir), chama atenção a rapidez com que Caio aceitou se tornar balão de ensaio de Wladimir, até pouco tempo inimigos, para revidar os movimentos de Carla e, por consequência, Bacellar. As motivações para esse movimento de Caio parecem ser maiores que um mero ressentimento com Bacellar.
Quanto ao PT, até o momento, não há a menor possibilidade de uma estratégia que busque lançar uma candidatura virtual, sem chances de se eleger, para ser substituída às vésperas, conforme aventou (confira aqui) o advogado Cleber Tinoco. Independente das questões jurídicas que envolvem a candidatura de Carla, o professor Jefferson tem acumulado apoios e feito todos movimentos necessários para viabilizar uma candidatura tecnicamente qualificada, competitiva eleitoralmente e reconhecida pelos principais dirigentes estaduais e nacionais do PT como uma das grandes revelações do partido para o próximo pleito”, apostou Gilberto.
Atualização às 23h10: Presidente do PT de Campos, a professora e ex-vereadora Odisséia Carvalho fez comentários ao link desta postagem no Instagram. Em que questionou a opinião do seu secretário de Comunicação:
— Não é a opinião do PT de Campos, mas do Gilberto Gomes. Tudo vai depender da convenção do partido (em julho de 2024). Hoje, existem três pré-candidaturas: Carla Machado, Jefferson e Hélio Anomal. No momento certo, teremos a definição partidária. Opiniões, todos podem ter, mas o que vai prevalecer é a decisão partidária.
Caio Vianna, Wladimir Garotinho, Carla Machado, Rodrigo Bacellar, Carla Caputi, Elísio Rodrigues e Bruno Dauaire (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Deputado federal sazonal (confira aqui), Caio Vianna (PSD) será o candidato dos Garotinho a prefeito de São João da Barra em 2024? No último dia 18, o jornalista Rodrigo Gonçalves, editor de Política da Folha, já havia levantado a possibilidade (confira aqui) no blog Caminhos: “Caio já é especulado (em SJB) em jogada ensaiada com os Garotinhos, dispostos a tentar um contra-ataque ao fato de Carla ter transferido seu título para Campos”.
O motivo aventado há 25 dias está correto. Todas as pesquisas eleitorais de Campos (confira aqui) e SJB (confira aqui) mostram que seus atuais prefeitos, respectivamente, Wladimir Garotinho (PP) e Carla Caputi (sem partido), são os grandes favoritos à reeleição em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses. Mas tanto a deputada estadual Carla Machado (PT), quanto o federal Caio são novidades com potencial para mexer nos tabuleiros.
Ex-prefeita reeleita de SJB em 2020, Carla Machado (PT) está inelegível, segundo toda a jurisprudência (confira aqui) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), para concorrer pela terceira vez seguida a prefeita na Campos de 2024. A estratégia real do grupo dos Bacellar seria usá-la na campanha, para trocá-la por alguém juridicamente viável até 20 dias antes do pleito. Como o advogado Cleber Tinoco explicou (confira aqui) no Folha no Ar de quinta (7):
— Uma mudança que libere a candidatura da Carla Machado não vai acontecer. Ela pode disputar a governadora, presidente, parlamentar; não interessa. Mas a prefeita, não pode. Por que alguém se arriscaria a colocar um candidato correndo risco de se tornar inelegível e ter os votos anulados? Isso pode ser uma estratégia, porque a legislação eleitoral permite a alteração do candidato faltando 20 dias para o pleito. Você teria o nome (de Carla), que faria toda a campanha, e aí outro candidato assumiria o posto dela.
Já em SJB, se vingar seu acordo tabulado com os Garotinho, Caio anunciará a troca do seu domicílio eleitoral de Campos ao município vizinho — em mão oposta ao que Carla já fez (confira aqui) em 5 de outubro. Pela legislação eleitoral, para concorrer em outubro do próximo ano, a troca de domicílio do candidato pode ser feita até 6 de abril. Mas o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) poderia antecipar isso até o final deste ano.
Vereador de oposição e prefeitável sanjoanense, Elísio Rodrigues (PL) também passou a conversar com os Garotinhos (confira aqui). Foi uma consequência ao fato do seu antigo aliado, o deputado estadual e presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), encampar Carla Machado em Campos e apoiar Carla Caputi em SJB.
Nessa nova arrumação, se Caio se lançar a prefeito em SJB, Elísio concorreria à reeleição a vereador. Para não ficar sem mandato e porque ocuparia também o espaço do falecido colega Franquis Arêas (PSC, confira aqui), aliado dos Dauaire, família oposta a Carla Machado na política sanjoanense. Cujo secretário de Habitação do RJ, Bruno Dauaire (União), se elegeu duas vezes deputado estadual com apoio de Wladimir. Que disputou e venceu a prefeito de Campos contra Caio no segundo turno duríssimo de 2020.
Elísio, no entanto, garantiu na noite de hoje ao blog que nada sobre sua candidatura à reeleição como vereador, ou da de Caio a prefeito de SJB, foi conversado com ele. O edil de oposição e prefeitável sanjoanense ressaltou que esteve, sim, com Wladimir, mas nenhum desses assuntos foi debatido entre os dois.
VÍDEO DE WLADIMIR E CAIO
Atualização às 18h25: A postagem sobre os frutos da costura entre Wladimir e Caio, com possíveis consequências no tabuleiro eleitoral de SJB e Campos, foi publicada às 16h21. Às 18h02, Wladimir marcou Caio na sua postagem do vídeo dos dois em Brasília, na sede do Dnit, sobre o trabalho conjunto pela duplicação do segundo trecho urbano da BR 101 em Campos, com o primeiro já em fase final. Segundo o prefeito, o edital de licitação deverá ser publicado ainda este ano. Confira abaixo:
Atualização às 20h24 para acrescentar a posição do vereador de oposição e prefeitável de SJB Elísio Rodrigues.
Felipe Fernandes, filmmaker publicitário e crítico de cinema
Apocalipse Moderno
Por Felipe Fernandes
Filmes sobre o fim do mundo são praticamente um gênero que sempre esteve presente no cinema. Imaginar diferentes formas de como tudo chega ao fim é um exercício interessante que chama a atenção do grande público. E nem mesmo a pandemia parece ter afetado esse fascínio.
Baseado no livro de Rumaan Alam, “O mundo depois de nós” é um projeto que nasceu grande, com seus direitos tendo sido comprados pela Netflix antes mesmo do lançamento literário da obra original. Com um elenco sempre atrelado a grandes nomes, o escolhido para levar o livro às telas foi o diretor e roteirista Sam Esmail, conhecido pela série “Mr.Robot”.
Partindo de uma premissa simples, a história traz uma tradicional família de classe média que sai de férias e vai para uma casa luxuosa e isolada, precisando lidar com estranhos acontecimentos, que pouco a pouco vão os excluindo do mundo. Em um mundo cada vez mais conectado, a perda de sinal de celular, TV e internet já parece ser assustador o suficiente à maioria.
A chegada de um homem e sua filha que alegam ser os reais donos da casa, traz uma nova dinâmica para a casa e a narrativa. O filme arranha uma óbvia questão racial, mas que fica muito na superfície. Compartilhar uma casa com estranhos, enquanto o mundo desmorona lá fora, é apenas uma das questões que o longa busca abordar.
A obra conta com uma trilha sonora estridente, que busca o tempo todo estimular a ideia de que algo está errado. Essa sensação também é reforçada pela direção de Esmail, que abusa do plongée e de planos em que a câmera atravessa paredes e mostra os personagens abaixo de sua linha, criando algumas composições bem estranhas, que tiram mais o espectador da trama do que intensificam essa sensação incessante de estranhamento. Esmail parece um diretor iniciante, deslumbrado com as possibilidades de movimentos de câmera e seu virtuosismo. É difícil compreender algumas de suas escolhas.
Dividido em capítulos (uma escolha narrativa que nunca se justifica), o longa parece um episódio de “Além da imaginação”, ou talvez um episódio de “Black Mirror”, para os mais novos. Abordando a questão tecnológica, a presença de animais selvagens cercando a casa e as relações entre as duas famílias, o longa traz críticas ao estilo de vida moderno, apresentando nossa fragilidade como uma sociedade cada vez mais dependente das facilidades da modernidade.
Trabalhando a paranóia crescente, um elemento forte dentro dos Estados Unidos, abordando a questão homem x modernidade x natureza. E apresentando até mesmo alguns elementos que sugerem a presença de uma força superior, situação totalmente ligada à pequena Rose, uma adolescente que nunca é ouvida mas vê os sinais. O longa busca lidar com diversas questões atuais e relevantes, mas não se aprofunda em nenhuma delas. Essa falta de foco acaba prejudicando o resultado final.
Utilizando diálogos expositivos para desenvolver os personagens e ainda desconstruir seu quebra cabeças, o texto frágil acaba sendo ajudado pelo bom elenco, que não salva a obra, mas ao menos traz alguma credibilidade. É difícil comprar o núcleo familiar principal, principalmente porque a química entre Julia Roberts e Ethan Hawke não existe. Nesse sentido, o filme funciona melhor para Mahershala Ali e Myha´la, que com muito pouco conseguem construir um laço familiar mais consistente.
Para um longa sobre como a família moderna lida com o fim do mundo, as poucas explicações podem incomodar quem gosta de tudo devidamente explicado. A forma conveniente como a questão principal é explanada deve incomodar quem busca coerência. É um longa que se perde na construção do suspense e ao tentar lidar com várias temáticas, sem se aprofundar em nenhuma delas, acaba se esvaindo de sentido e de força em seu discurso.
Um filme de fim de mundo pode ser puro entretenimento. Mas quando busca a reflexão, pode alcançar alguns de nossos maiores medos, algo que “O mundo depois de nós” não consegue.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
Confira o trailer do filme, lançamento da Netflix:
Wladimir Garotinho, Rodrigo Bacellar, Carla Machado, Celso Cordeiro Filho, Cleber Tinoco, Nelson Nahim e Janja da Silva (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Wladimir em céu de brigadeiro
“Pode-se até discordar de algumas ações do governo Wladimir Garotinho (PP). Mas cabe reconhecer sua determinação para harmonizar os interesses comunitários. O êxito está em receber e dialogar com todas lideranças representativas dos segmentos produtivos, ignorando siglas partidárias. Ágil e competente no uso da mídia digital, o filho de Rosinha e Anthony Garotinho desponta como a mais promissora liderança política de Campos, com penetração nas regiões Norte e Noroeste Fluminense”. A análise foi feita ontem (13) pelo experiente jornalista Celso Cordeiro Filho, no grupo de WhatsApp do blog Opiniões e do programa Folha no Ar.
Reeleição no 1º turno? (I)
Com 76 anos de idade e 50 de jornalismo, onde foi e é referência na cidade, Celso estendeu sua análise ao pleito municipal de 2024: “Se a eleição fosse hoje, Wladimir se reelegeria no primeiro turno. Quem já votou nele, está satisfeito. Quem não votou, tende a consagrá-lo nas urnas. Não esperava ver o crescimento vertiginoso de uma liderança jovem no plano político e na dinâmica que imprimiu nas ações administrativas em favor de todos. A constatação é fruto da observação diária do seu estilo moderno e profundamente dinâmico de governar”, frisou Celso. Que é irmão do ex-prefeito e pré-candidato a prefeito Sérgio Mendes (Cidadania).
Rodrigo Bacellar e Carla Machado
Certo que o “crescimento vertiginoso” atribuído por Celso a Wladimir, nos planos municipal e regional, foi alçado ao patamar mais elevado do Estado do Rio pelo campista Rodrigo Bacellar (União). Que, em seu segundo mandato de deputado estadual, chegou à presidência da Alerj. E repetiu o mesmo feito de Sérgio Cabral (MDB) em 1995, antes de se eleger duas vezes governador, em 2006 e 2010. Por enquanto, a pré-candidata dos Bacellar a prefeita de Campos é a deputada estadual Carla Machado (PT). Que, com base em toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), está inelegível à disputa.
“A prefeita, Carla não pode”
No último dia 28, esta coluna ouviu (confira aqui) seis juristas respeitados na comarca, todos com experiência em direito eleitoral. Para quatro deles, Carla é carta fora do baralho na Campos de 2024. Dois outros apostaram na possibilidade de revisão. E, se demanda revisão, é porque hoje ela não pode. Em entrevista do Folha no Ar da última quinta (7), também jurista conceituado e com experiência eleitoral, Cleber Tinoco reforçou o entendimento da maioria: “Uma mudança que libere a candidatura da Carla Machado não vai acontecer. Ela pode disputar a governadora, presidente, parlamentar; não interessa. Mas a prefeita, não pode”.
Esquentando o lugar?
A insistência no nome de Carla a prefeita de Campos em 2024, mesmo inelegível após já ter sido reeleita prefeita em São João da Barra em 2020, teria para Cleber outro objetivo real: “Por que alguém se arriscaria a colocar um candidato correndo risco de se tornar inelegível e ter os votos anulados (como foi com o ex-prefeito Arnaldo Vianna na reeleição de Rosinha Garotinho a prefeita em 2012)? Isso pode ser uma estratégia, porque a legislação eleitoral permite a alteração do candidato faltando 20 dias para o pleito. Você teria o nome (de Carla), que faria toda a campanha, e aí outro candidato assumiria o posto dela”.
Reação rápida no transporte
Se merece críticas, é pelas virtudes do governo Wladimir que ele chega ao final de 2023 como favorito em todas as pesquisas (confira aqui) à reeleição em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses. Mesmo no seu maior calcanhar de Aquiles, o transporte público, a reação rápida impediu que a situação ruim piorasse. No sábado (9), um incêndio pela manhã, na garagem da São Salvador, destruiu (confira aqui) 21 ônibus. E, na tarde do mesmo dia, com o apoio do Ministério Público e da Polícia Militar, o Executivo goitacá promoveu (confira aqui) a requisição administrativa de 25 ônibus na garagem da Turisguá. Assim, evitou (confira aqui) que o sistema entrasse em colapso na segunda (11).
Reeleição no 1º turno? (II)
Antes dos eventos de sábado, Cleber tinha projetado 2024 na quinta: “O grande favorito é Wladimir. Não havendo até as eleições fato novo que desgaste a sua imagem, até para ganhar no primeiro turno”, disse no Folha no Ar. No mesmo programa, o ex-prefeito e ex-presidente da Câmara de Campos Nelson Nahim (MDB) tinha dito no dia anterior (6): “Wladimir só perde essa eleição para ele mesmo. Ele conseguiu uma coisa importantíssima: desligar seu nome do pai. E está fazendo um ótimo governo. Hoje, diria que leva no primeiro turno”, disse o tio do prefeito, pai do vereador de oposição Helinho Nahim (Agir) e integrante do grupo dos Bacellar.
Janja entre críticas e ofensas
Evidente aos não lulopetistas, o deslumbramento da primeira-dama Janja da Silva é alvo de críticas. Ela não tem mandato ou legitimidade para apitar no governo Lula3. Como, sem comparar as figuras humanas, o vereador carioca Carluxo (Rep) não tinha para apitar no único governo Jair Bolsonaro (PL). Isso posto, os ataques ofensivos e misóginos que Janja sofreu ao ter a conta hackeada na rede social X (ex-Twitter), na segunda, revelam o pior do bolsonarismo. Que merece todo o rigor da Justiça. Bandido bom não é bandido morto. Mas a cadeia, como no caso do 8 de janeiro, tem didática viva. Estão aí os 16 anos da Lei Maria da Penha para provar.