Guiomar Valdez — Lula, Netanyahu, Brasil, Israel e mundo

 

Lula e Netanyahu na Jerusalém de 2010 (Foto: Gil Cohen Magen/Reuters)

 

Guiomar Valdez, historiadora e professora do IFF

Lula, Netanyahu, Brasil, Israel e mundo

Por Guiomar Valdez

 

Um pouquinho de minha opinião sobre o atual discurso do Lula sobre a situação em Gaza, a resposta imediata do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e ao seu governo. Assim como à repercussão nacional e internacional da crise diplomática entre Brasil e Israel.

Quanto ao discurso do Lula, achei imprudente e intempestiva a forma; mas não o conteúdo. É necessário aproveitar todas as oportunidades para denunciar o massacre de vidas humanas na região, a forma desproporcional em resposta ao ataque terrorista. Na qual milhares de seres humanos inocentes são destruídos, enquanto pouco sabemos dos terroristas mortos e/ou capturados. Não apenas Lula, mas outros chefes de Estado e de Governo também vêm denunciando e pedindo o cessar-fogo. Como relevantes organizações não governamentais por mundo a fora, bem como a ONU.

Considerando o processo histórico de Israel, em especial o político e o geopolítico, Netanyahu e seu governo impopular de extrema direita estão pautadas no fundamentalismo da ideologia sionista. Extremismo e fundamentalismo que já havia sido identificado ainda em 1948 pelo cientista Albert Einstein e a filósofa Hannah Arendt, através de uma carta conjunta com muitos outros pensadores enviada ao jornal New York Times sobre os perigos contidos na fundação do Partido Liberdade no recém-criado Estado de Israel:

— Entre os fenômenos políticos mais perturbadores de nossos tempos está o surgimento no recém-criado Estado de Israel do “Partido da Liberdade” (Tnuat Haherut), um partido político muito parecido em sua organização, métodos, filosofia política e apelo social aos partidos nazistas e fascistas. Foi formado a partir da adesão e seguimento do antigo Irgun Zvai Leumi, uma organização terrorista, de direita e chauvinista na Palestina […] Hoje falam de liberdade, democracia e anti-imperialismo, quando até há pouco tempo pregavam abertamente a doutrina do Estado fascista. É nas suas ações que o partido terrorista trai o seu verdadeiro caráter; a partir de suas ações passadas, podemos julgar o que se pode esperar que ele faça no futuro.

Por que chamo atenção para este fato? Apenas para compreendermos que partidos políticos possuem tendências que lutam internamente pela direção hegemônica da instituição; que os judeus em Israel e os que estão em outros países se dividem nas opiniões político-ideológicas. Ora, nesse sentido, existem organizações judaicas que não são sionistas, muito menos fundamentalistas/extremistas. Inclusive que defendem a criação do Estado Palestino e que condenam o massacre em Gaza. E que não apoiam o caráter imperialista regional.

Sofrem em suas memórias e marcas no corpo e na alma decorrentes do Holocausto, mas não caem nas artimanhas político-ideológicas dos que procuram minimizar ou negar o fato.  E, em Israel, obviamente, não é diferente.

No processo histórico do Partido Liberdade, chegamos ideologicamente ao partido Likud (fusão de outros existentes) e ao longo governo de Netanyahu (líder do partido) já caracterizado acima, cuja tendência hegemônica é o sionismo fundamentalista. Sua resposta ao discurso intempestivo de Lula, já relatado em comentários no grupo, vejo como desproporcional, típico de quem já observa a fragilidade de apoio à continuidade de seu massacre em Gaza.

Concordo que Lula “deu uma deixa” para Netanyahu e seu governo aparecerem; uma pena. Entretanto, observo que até o dia de hoje a repercussão intensa e repetida em pautas nas mídias mais tradicionais e nas redes sociais é muito mais no nível nacional do que internacional — posso estar enganada. Um exemplo foi o encontro do G-20 ocorrido no Rio de Janeiro, que terminou na quinta sem formalizar nenhum documento tratando de Lula/Netanyahu, mas, sim, sobre o urgente cessar-fogo.

Recordo que a extrema direita no mundo cresceu e cresce com apoios ‘em redes’. A vitória desses líderes não acontece apenas com apoio interno de cada nação. Assim, os governos e líderes nacionais e internacionais de extrema direita, como o caso de Israel, dialogam, trocam experiências, promovem ações nas redes sociais e nas mídias hegemônicas em geral. Então, é possível pensar que o extremismo de considerar o chefe de Estado e de Governo do Brasil, o Lula, como ‘persona non grata’, pode ajudar o ex-presidente daqui em sua manifestação neste domingo de 25 de fevereiro.

Também não podemos desconsiderar que Bolsonaro já pousou em foto com deputada neta de ministro de Hitler. Ou que seu secretário de Cultura fez discurso semelhante ao discurso no ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels. Êta, contradições!

Por fim, se há uma crise diplomática, os nossos embaixadores e afins vão atuar altivamente, reafirmando a nossa história neste âmbito. E não de maneira submissa. O que importa é o processo histórico que está e será analisado; o que importa em primeiro lugar é a empatia e compaixão para com as vidas inocentes ceifadas nas mais de dezenas de guerras acontecendo pelo mundo, sem ter como hierarquizá-las; o que importa são ações objetivas e urgentes para cessá-las.

O que é também urgente e necessário é denominar as razões e os autores que promovem essas mortes, seja nas nossas periferias, seja com os nossos indígenas, seja em Gaza, seja na Ucrânia, seja na Síria, seja no Sudão, seja no Iêmen, seja em Myanmar, seja em qualquer lugar do mundo.

Sobre essa Guerra e a Paz é preciso denunciar e termos a capacidade de anunciar novos tempos. Somos e seremos capazes? Aí são outros quinhentos. Sigamos em frente, atentos aos fatos e aos seus contextos.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Felipe Fernandes — Pobres criaturas: sexo e libertação

 

 

Felipe Fernandes, filmmaker publicitário e crítico de cinema

Baseado no livro de Alasdair Gray, o longa é uma releitura pós-moderna do mito de Frankenstein. Tirando o aspecto decadente daquela sociedade e a natureza violenta que acompanha a criatura, entrando uma fábula fantástica e o sexo como forma de libertação.

O diretor Yorgos Lanthimos adota uma jogada com as cores que não é nada original, mas que funciona bem narrativamente, já que acompanhamos a história através do ponto de vista da protagonista Bella. Todo o primeiro ato é preto em branco, quando ela sai da mansão de seu criador e conhece o mundo, tudo passa a ser colorido e vibrante.

Vale destacar o maravilhoso design de produção, que constrói diferentes capitais da Europa, agregando o tom fantástico, mas sem descaracterizar os locais. Interessante como a tecnologia remete a visuais de época, fugindo do aspecto clean da modernidade, trazendo objetos e embarcações com um visual retrô, meio antiquado.

O filme acompanha o desenvolvimento de Bella. Primeiro como uma criança em um corpo de mulher e seu desenvolvimento a cada nova descoberta. A descoberta do sexo lhe traz prazer e tal qual uma criança, livre de amarras sociais, ela só quer repetir o máximo a experiência.

Essa abordagem direta, naturalizando a nudez e o sexo em várias cenas, é importante por novamente mostrar a forma natural e prática como a protagonista encara tudo que envolve o sexo. Bella é livre de qualquer amarra ou convenção social, característica sempre interessante e aqui funciona para dialogar com a libertação não só do corpo feminino, mas da mulher, seus desejos e pensamentos em uma sociedade machista e controladora.

Conforme amadurece, Bella ganha outras preocupações, conhecendo o lado mais cruel do mundo. Essas transformações acontecem de forma gradual, com a personagem crescendo junto com as temáticas da narrativa.

Os homens do longa são vistos por um prisma distorcido, seja na desfigurada figura paterna, no malandro que lhe apresenta o mundo e faz de sua masculinidade uma posição de poder, mas se torna uma grande caricatura da fragilidade masculina quando seus encantos simplesmente não causam efeitos em Bella.

Culminando no surgimento de um novo personagem no terceiro ato, que basicamente é uma versão do marido, que acredita ter posse sobre a mulher, funcionando como o único personagem abertamente vilanesco e unidimensional.

O elenco como um todo está muito bem, Dafoe brilhante como sempre, trazendo afeto para um cientista completamente amoral, Mark Ruffalo diverte com seu malandro exagerado. Mas o filme é de Emma Stone, que tem o grande trabalho de sua carreira. Sem nunca deixar a personagem cair no ridículo, ela realiza uma transformação física que impressiona, construindo uma personagem complexa e poderosa.

Para uma geração que entende o sexo como desnecessário em obras audiovisuais, Lanthimos escancarada o sexo na tela e usa a fantasia e o bizarro para falar da libertação da mulher em todos os aspectos. É sintomático que “Pobres criaturas” e “Barbie” tenham sido lançados no mesmo ano. Sinal de que a sociedade está mudando (lentamente) e o cinema segue como ferramenta de reflexão.

 

Publicado na Folha da Manhã.

 

Assista ao trailer do filme:

 

 

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Lula ou Bolsonaro? “Wladimir tem razão. PT precisa ir além da militância”

 

George Gomes Coutinho, Wladimir Garotinho, Gilberto Gomes, Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Wladimir mais uma vez soube sair sem a menor dificuldade da armadilha. E sim, ele tem razão. Ele é prefeito de uma cidade média. Precisa manter um diálogo plural e adotar o pragmatismo (…) O PT local tem o dever, sim, de buscar projeção na discussão pública local (…) A questão é a eficiência do argumento em tela para além da militância”.

Foi o como o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos, analisou a cobrança (confira aqui) do petista Gilberto Gomes, pré-candidato a vereador, ao prefeito Wladimir Garotinho (PP). Sobre este receber recursos do governo Lula para Campos enquanto busca o apoio político dos Bolsonaro à sua reeleição.

— Em 2023, o saldo de investimentos do governo Lula em Campos alcançou a marca histórica de pouco mais de R$ 1,3 bilhão. Deste montante, pouco ou nenhum destaque foi feito pelo governo Wladimir creditando o governo federal. A apropriação de programas federais pelo governo municipal tem sido tática frequente de um prefeito intimamente ligado ao bolsonarismo, mas que se beneficia com emendas, maquinários, obras e tantos outros investimentos garantidos com a retomada dos investimentos públicos nos municípios pelo governo Lula — cobrou ontem Gilberto, em seu blog hospedado no Folha1.

— Gilberto, pelo respeito com que sempre nos tratamos, fiz questão de vir aqui comentar. Eu estou prefeito e tenho obrigação de dialogar com todos pelo bem da cidade, assim faço e assim sempre farei. Quanto ao investimento do governo federal na cidade, foram praticamente repasses obrigatórios por lei e não investimentos propriamente. Mas caso eles venham, e estou trabalhando muito para isso, darei o crédito e o mérito sempre, pois é assim que se deve agir. Forte abraço! — respondeu Wladimir em comentário ao link da postagem de Gilberto no Instagram.

— Nessa discussão, o Wladimir mais uma vez soube sair sem a menor dificuldade da armadilha. E, sim, ele tem razão. Ele é prefeito de uma cidade média. Precisa manter um diálogo plural e adotar o pragmatismo. Sem falar que a polarização (entre Lula e Bolsonaro), calcificação nos termos de Felipe Nunes (cientista político e CEO do instituto Quaest Pesquisa e Consultoria), não irá necessariamente pautar todas as eleições nos mais de 5.000 municípios. Em Campos mesmo, não sei se é adequado recorrer à polarização para este pleito de 2024. Penso que discussão local utilizará outras variáveis: aprovação ou não da gestão do incumbente e comparação ainda com a gestão traumática de Rafael Diniz (Cidadania). A grande polarização nacional talvez não seduza o eleitor comum campista, mais preocupado com seu cotidiano; aliás, o que não é pecado algum. O PT local tem o dever, sim, de buscar projeção na discussão pública local. Pretendem concorrer com Wladimir e estão em disputa pela atenção do eleitor. Ok. A questão é a eficiência do argumento em tela para além da militância — avaliou, na íntegra, o cientista político George, professor da UFF-Campos.

 

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Petista cobra Wladimir entre governo Lula e os Bolsonaro

 

Gilberto Gomes, Wladimir Garotinho, Luiz Inácio Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Luciano D’Angelo e Natália Soares (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Recursos do governo Lula (PT) com o apoio político dos Bolsonaro (confira aqui) na cidade em que o capitão fez 63,14% dos votos válidos no segundo turno presidencial de 2022? Para um prefeito favorito à reeleição (confira aqui) em 6 de outubro, como é Wladimir Garotinho (PP) em Campos, seria o melhor dos mundos. Mas, embora comum à política, essa aparente contradição foi questionada a Wladimir por Gilberto Gomes, secretário de Comunicação do PT de Campos e assessor parlamentar da Câmara de Deputados. Em seu blog hospedado no Folha1, o jovem petista escreveu (confira aqui):

— Em 2023, o saldo de investimentos do governo Lula em Campos alcançou a marca histórica de pouco mais de R$ 1,3 bilhão. Deste montante, pouco ou nenhum destaque foi feito pelo governo Wladimir creditando o governo federal. A apropriação de programas federais pelo governo municipal tem sido tática frequente de um prefeito intimamente ligado ao bolsonarismo, mas que se beneficia com emendas, maquinários, obras e tantos outros investimentos garantidos com a retomada dos investimentos públicos nos municípios pelo governo Lula — cobrou Gilberto.

No link da postagem no Instagram (confira aqui), Wladimir respondeu:

— Gilberto, pelo respeito com que sempre nos tratamos, fiz questão de vir aqui comentar. Eu estou prefeito e tenho obrigação de dialogar com todos pelo bem da cidade, assim faço e assim sempre farei. Quanto ao investimento do governo federal na cidade, foram praticamente repasses obrigatórios por lei e não investimentos propriamente. Mas caso eles venham, e estou trabalhando muito para isso, darei o crédito e o mérito sempre, pois é assim que se deve agir. Forte abraço!

Gilberto deixou sua tréplica em outro comentário. E nele pediu ajuda ao prefeito no convite que fez ao presidente Lula (confira aqui) para visitar Campos ainda em 2024:

— Prefeito, é justamente pela cordialidade que sempre nos tratamos que me coloco na posição de cidadão para exigir mais transparências com os recursos do governo federal. Obrigação por obrigação, você não deixava de agradecer a Bolsonaro sempre que possível, como no caso do recurso para a BR. Ou vai dizer que a retomada do Mais Médicos, com 54 novos profissionais em Campos, era uma obrigação do governo Lula? O programa havia sido cancelado no governo Bolsonaro. Ou mesmo quando recentemente publicou vídeo com agricultores familiares beneficiados pelo PAA sem qualquer menção que o programa é federal. Mas façamos o seguinte: quero trazer o presidente aqui em Campos ainda este ano e conversamos pessoalmente com ele. Posso contar com sua ajuda na articulação?

Outros políticos da esquerda goitacá também se manifestaram no link da postagem do Blog do Gilberto no Instagram:

— Muito boa essa matéria Gilberto. Ela traz uma cobrança legítima que o PT já deveria ter feito há muito tempo. Certamente, a ausência de um vereador combativo na Câmara facilita ao governante esconder publicamente os benefícios recebidos do governo federal. Velha prática! Em tempo, o PT está se organizando para eleger no mínimo dois vereadores nessa próxima Legislatura — projetou o articulador do PT goitacá e ex-diretor da Escola Técnica Federal de Campos (hoje, IFF), professor Luciano D’Angelo.

— O governo federal investe fortemente na nossa cidade, sem o reconhecimento da Prefeitura. Que prefere apoio da família que nunca moveu uma palha para a gente e vai ser presa a qualquer momento — provocou a professora Natália Soares, pré-candidata do Psol a vereadora, fazendo menção às investigações pela tentativa de golpe de estado no Brasil em 8 de janeiro de 2023, que hoje levaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a ter que depor na PF. Onde fez o uso do seu direito constitucional de ficar em silêncio.

Como Natália, revelação na eleição a prefeito de Campos em 2020, Gilberto é pré-candidato a vereador em 2024. E apoia (confira aqui) a pré-candidatura a prefeito do professor Jefferson Azevedo, reitor do IFF até abril. Dentro desse interesse político/eleitoral tão natural quanto Wladimir entre os recursos do governo Lula e o apoio dos Bolsonaro, Gilberto registrou:

— Ontem (21), em Brasília, essa estratégia ficou explícita na agenda de Wladimir, que teve desde visitas a ministros do governo Lula para aumentar os bilionários repasses à cidade. Como solicitou no encontro com o ex-deputado federal Chico D’Angelo, assessor direto da ministra da Saúde, Nisia Trindade, até uma reunião no fim do dia com Flávio Bolsonaro (PL), onde pleiteou ao senador o apoio da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje investigado pela Polícia Federal, para sua tentativa de reeleição em 2024.

 

Atualização às 17h19: Aqui, em seu blog Caminhos, o jornalista Rodrigo Gonçalves também publicou sobre o assunto. Com enfoque às reações ao apoio do PL de Flávio Bolsonaro à reeleição de Wladimir.

 

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Prefeitável Sérgio Mendes no Folha no Ar desta sexta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Prefeito de Campos entre 1993 e 1996 e pré-candidato ao cargo em 2024, o jornalista Sérgio Mendes (Cidadania) fecha a semana do Folha no Ar nesta sexta (23). Ele analisará a conflituosa relação entre Executivo e Legislativo goitacá, a partir de episódios como a novela da LOA (confira aqui e aqui) e a CPI da Educação (confira aqui).

Sérgio também avaliará os erros e acertos do governo Wladimir Garotinho (PP) e da Câmara Municipal. Por fim, falará de partido e montagem de nominata, além de tentar, com base nas pesquisas (confira aqui e aqui), projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro, daqui a pouco mais de 7 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Bolsonaro na PF, militares e eleição no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Cientista político, professor da UFF e pesquisador da relação civil-militar no Brasil, Frederico Sá é o convidado do Folha no Ar desta quinta (22), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no mesmo dia à Polícia Federal, sobre a tentativa de golpe de estado bolsonarista no Brasil.

Frederico também analisará o suposto envolvimento e a possibilidade de responsabilização de militares de alta patente na intentona golpista, além do papel das Forças Armadas após o evento. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui e aqui), tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro, daqui a pouco mais de 7 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Judeus e Hitler no improviso de Lula levam Brasil ao conflito

 

Lula, em Adis Abeba, capital da Etiópia, no último domingo

 

 

Erro capital de Lula

Numa coletiva na Etiópia, Lula (PT) cometeu no domingo (18) um erro capital. Quando disse: “O que está ocorrendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existe em nenhum momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”. Em resposta aos crimes de guerra no ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro, Israel comete crimes de guerra contra palestinos há quatro meses. Entre os 1,2 mil israelenses e os 30 mil palestinos mortos até ontem (20), os números dão a desproporção. Que se agiganta diante dos 6 milhões de judeus exterminados pela Alemanha nazista de Adolf Hitler na 2ª Guerra (1939/1945).

 

Sem paralelo na História

Mas a questão não é apenas de números. Na Europa conquistada por Hitler durante a 2ª Guerra, os judeus perderam cidadania, empregos, bens, humanidade. Foram usados como mão-de-obra escrava, confinados em guetos, submetidos à fome, transferidos para campos de concentração e de extermínio. Nestes, foram mortos coletivamente com gás e tiveram seus corpos queimados em fornos. Houve outros genocídios na História, mas nenhum praticado nessa mesma escala industrial. Toda família de judeus, em Israel e no mundo, perdeu parentes próximos no Holocausto. A cada uma delas, as palavras de Lula foram ofensas pessoais.

 

Lula tira Netanyahu das cordas

Se seu objetivo era posar de grande estadista do Hemisfério Sul, Lula deu um tiro no pé. Que resvalou na tradição diplomática de equilíbrio do Brasil. Desde o início de 2023, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfrentava uma onda protestos contra sua tentativa de controlar o Judiciário, onde enfrenta acusações de corrupção. Com o ataque terrorista, passou a ser também questionado pelo fracasso dos serviços de proteção e inteligência do país. Como vinha sendo pressionado por EUA e União Europeia a frear as ações militares de Israel. Ao compará-las com o Holocausto de judeus por Hitler, Lula tirou Netanyahu das cordas.

 

Persona non grata

Político controverso, mas astuto, Netanyahu pegou a deixa da verborragia de Lula. Ainda no domingo, disse: “Comparar Israel ao Holocausto nazista e a Hitler é cruzar uma linha vermelha”. Na segunda (19), o ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, quebrou o protocolo ao convocar o embaixador brasileiro Frederico Meyer a uma reprimenda pública no Museu do Holocausto, em Jerusalém. Na sequência, declarou o presidente do Brasil persona non grata em Israel. A partir daí qualquer possível pedido de desculpa de Lula foi suspenso por orientação do seu assessor especial e guru geopolítico, Celso Amorim.

 

Crise diplomática

Também na segunda (19), Lula chamou de volta ao Brasil o embaixador Meyer. E seu ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou o embaixador israelense Daniel Zonshine a uma reunião. Ontem, o chanceler de Israel voltou a subir o tom: “Presidente Lula, milhões de judeus em todo o mundo estão à espera do seu pedido de desculpas. Como ousa comparar Israel a Hitler? Que vergonha. Sua comparação é promíscua, delirante. Vergonha para o Brasil e um cuspe no rosto dos judeus brasileiros. Ainda não é tarde para aprender História e pedir desculpas. Até então, continuará sendo persona non grata em Israel!”, disse Katz.

 

Ação e reação

De chanceler a chanceler, Mauro Vieira reagiu ao de Israel. E disse na noite de ontem, na saída do encontro do G20, no Rio, que o Brasil sedia: “As manifestações do titular da chancelaria do governo Benjamin Netanyahu, de ontem e de hoje, são inaceitáveis na forma, e mentirosas no conteúdo. Uma Chancelaria dirigir-se dessa forma a um chefe de Estado, de um país amigo, o presidente Lula, é algo insólito e revoltante. Uma chancelaria recorrer sistematicamente à distorção de declarações e a mentiras é ofensivo e grave. É uma vergonhosa página da história da diplomacia de Israel, com recurso a linguagem chula e irresponsável”.

 

Colômbia, EUA e Brasília

Também ontem, Lula recebeu a “solidariedade integral” do presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Já o Departamento de Estado dos EUA, por meio de porta-voz, descartou genocídio em Gaza e disse: “Não concordamos com esses comentários” (de Lula). No Brasil, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD/MG), falou da tribuna: “Ainda que a reação do governo de Israel venha a ser considerada indiscriminada e desproporcional, não há comparativo com a perseguição do povo judeu no nazismo. Entendemos que uma retratação dessa fala seria adequada. É fundamental que haja uma retratação, com um pedido de desculpas”.

 

Brasil entre o ontem e o amanhã

Não é a primeira vez que Lula causa problema por falar de improviso. Neste terceiro mandato, falha em suas principais virtudes nos dois primeiros governos: inteligência e pragmatismo políticos. Pode criticar crimes de guerra de Israel na Faixa Gaza, que na última quinta (15) foram qualificados de “carnificina” pelo Vaticano. Mas não pode comparar judeus a Hitler. Ao fazê-lo, tirou não só Netanyahu das cordas. Ergueu também os bolsonaristas, ainda tontos do golpe das operações da Polícia Federal (PF) em 8 de fevereiro. E que amanhã (22) verão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) depor na PF sobre a tentativa de golpe de estado no Brasil.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula, Bolsonaro e urna de Campos no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Antropólogo e professor da UFF-Campos, Carlos Abraão Moura Valpassos é o convidado do Folha no Ar desta quarta (21), ao vivo, a partir das 7h, na Folha FM 98,3. Ele analisará a polêmica declaração do presidente Lula (PT). Que comparou a guerra de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza ao extermínio dos judeus por Hitler na II Guerra Mundial (1939/1945). E abriu uma crise diplomática com o governo israelense de Benjamin Netanyahu.

Abraão também analisará os dias que prometem movimentar ainda mais a semana, com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) indo depor à Polícia Federal (confira aqui) na quinta (22) sobre a tentativa de golpe de estado no Brasil, e à av. Paulista no domingo (25), em manifestação convocada por ele. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui e aqui), o antropólogo tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Lula, Bolsonaro, Campos e SJB no Folha no Ar desta terça

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Cientista político e professor da Uenf, Hamilton Garcia é o convidado do Folha no Ar desta terça (20), ao vivo, a partir das 7h15 da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará as declarações polêmicas do presidente Lula (PT) dada no domingo na Etiópia, onde comparou a guerra de Israel na Faixa de Gaza com o Holocausto dos judeus pela Alemanha nazista na II Guerra (1939/1945).

Hamilton também falará das investigações sobre o envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com a tentativa de golpe de estado no Brasil em 8 de janeiro de 2023, seu depoimento na Polícia Federal (confira aqui) nesta quinta (22) e a manifestação que convocou em São Paulo no domingo (25).

O cientista político também analisará, dentro da sua visão de enfrentamento de oligarquias, a relação entre o Executivo e o Legislativo goitacá. E, a partir das pesquisas (confira aqui), tentará projetar a eleição a prefeito e vereador de 6 de outubro, em Campos e São João da Barra, daqui a pouco mais de 7 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Do Carnaval à Quaresma: qual o destino de Bolsonaro?

 

“O meu país chegou a um estado de perturbação psíquica das massas. Seu líder pegou vários humanos das ruas e os organizou em torno de si mesmo. Foi o pior afloramento da vida de rebanho: o sistema militar, que abomino. O fascismo tem sido particularmente violento em seu ataque às minorias”.

(Albert Einstein, judeu alemão, sobre a Alemanha nazista de Adolf Hitler)

 

Jair Bolsonaro e Silas Malafaia (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

 

De 2022 ao carnegão amarelo do furúnculo posto a furo em 8 de janeiro de 2023, o Brasil sofreu uma tentativa de golpe de estado? O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que seria o principal beneficiado, o liderou? O capitão e seus generais cometeram crimes? Serão presos? Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes é imparcial para jugar Bolsonaro?

Se o Brasil só começa, de fato, após o Carnaval, reflete os fatos antes e durante o reinado de Momo. Na segunda de Carnaval, dia 12, Bolsonaro criou sua “narrativa” para tentar sair das cordas: acusado de golpista, convocou uma manifestação “em defesa do Estado Democrático de Direito” na avenida Paulista, dia 25. E gerou outra pergunta: o que esperar?

No sábado de Carnaval, dia 10, as revelações da Polícia Federal em 8 de fevereiro de 2023, sobre a tentativa de golpe de estado no Brasil, teve causas e consequências aqui analisadas. Em artigo (confira aqui) que reuniu as impressões do empresário liberal João Amoêdo, candidato a presidente em 2018; da historiadora Guiomar Valdez, professora do IFF; e minhas.

Com o espaçamento normal em meio ao Carnaval, o diálogo em busca de interpretação conjunta foi retomado por Guiomar na Quarta-Feira de Cinzas, dia 14. Já com a expectativa ao dia 25 na Paulista, ela escreveu no grupo de WhatsApp do blog Opiniões, hospedado no Folha 1, e do programa Folha no Ar:

“Meu prezado amigo Aluysio, desculpa a demora. Mas, hoje (14), iniciando a Quaresma, consegui me ‘libertar da Original’, foi bom demais, mas novos tempos se reiniciam. Então, vejo a compreensão do liberal João Amoêdo coerente e pertinente sobre o 8 de fevereiro de 2024. Concordo e reforço: ‘Estamos atrasados’. Quem poderá questioná-lo crítica e seriamente?

Tão importante um Judiciário que exercita a autonomia dentro da legalidade… De fato, crer que ‘os fins justificam os meios’ fragiliza a construção democrática, gerando insegurança jurídica. Que contamina todas as instâncias e espaços de liberdade e igualdade de uma sociedade em construção.

Também sou leiga, mas, como o ‘inquérito de ofício’ não é um instrumento ilegal, apesar de muito perigoso, não dependendo apenas de conteúdo de delação. E essa trilha utilizada pelo ministro Alexandre de Moraes, em determinada conjuntura histórica, deve ser analisada pelos cientistas das Humanidades.

Como procuro não analisar nada com o fígado, pelo respeito ao leitor, ao interlocutor e ao conhecimento, endosso o que você registrou. Não me alegro e nem fico eufórica com prisões de políticos do alto ou do baixo escalão. Fico, feliz, sim, quando as condenações respeitam o devido processo legal.

Chamo a atenção diante dos fatos comentados a partir de 8 de fevereiro, que já está posta uma reação convocada pelo ex-presidente para 25 de fevereiro, na Paulista, como forma de testar apoios e defender-se. Pergunto: ele pode fazer isso, diante das limitações que a Justiça lhe impôs? A ver”.

Ao que só pude responder na primeira sexta-feira da Quaresma:

“Realmente, querida Guiomar, aprisionados em Original, Amstel e até Heineken, os dias de Momo tornaram este debate espaçado. O que favorece, no entanto, à reflexão. Por partes:

1 – Sim, a projeção do liberal João Amoêdo sobre o Estado Democrático de Direito no Brasil soçobrando, caso Jair Bolsonaro não encarnasse a incompetência histórica de 1º presidente da República a poder e não conseguir se reeleger, é factível. E cada vez mais evidenciada pelas investigações da Polícia Federal.

2 – Jurista e ex-magistrado que respeito, o Walter Maierovitch colocou uma questão grave: ‘Moraes está atuando ética e psicologicamente impedido de atuar. Ele deveria se afastar porque está mencionado. Se o golpe desse certo, ele seria submetido à prisão e até a uma sanção de morte. Não é possível que alguém não se afaste, sob estas circunstâncias’.

 

 

3 – Maierovith nunca rezou na cartilha bolsonarista de juristas como Ives Gandra, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Marco Aurélio Mello. Como além da questão do foro, a clara parcialidade de Sergio Moro foi a causa jurídica para a anulação da condenação de Lula, indago e peço resposta sem paixão: alguém considera Moraes imparcial para julgar Bolsonaro?

4 – Independente da ideologia política, só alguém sem amor-próprio, a si e à sociedade que integra enquanto país, pode comemorar um ex-presidente preso. Até porque, se Bolsonaro o for, será o terceiro, depois de Lula em 2018 e Michel Temer, em 2019. Se acontecer, penso, deporá contra o que somos enquanto República diante da História.

5 – Sim, idealizado pelo insuspeito pastor Silas Malafaia, melhor definido pelo saudoso jornalista Ricardo Boechat, o dia 25 de fevereiro será outro teste à nossa República. A ver”.

 

 

Jornalista, blogueiro do Folha1 e servidor federal, Edmundo Siqueira também entrou no debate:

“Não sou jurista, mas está em curso uma discussão no mínimo interessante sobre a forma de tentativa nos crimes de golpe de estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Bolsonaro está sendo acusado de ambos.

No Direito Penal, a tipificação de um crime na forma tentada precisa do início da preparação. A mera intenção verbalizada não seria tipificado como tentativa. Mas não vejo como, no caso golpe de estado, punir o crime consumado. Consumado, não haveria mais possibilidade de punição com as instituições todas corrompidas.

Ademais, se a reunião de Bolsonaro com os embaixadores para descredibilizar as eleições, a tentativa de coação de parte das Forças Armadas e as minutas de decretos não forem considerados atos preparatórios não sei mais o que seria.

Os juristas podem me corrigir, claro, mas acho difícil, com tudo que se sabe, não imputar esses crimes a Bolsonaro e outros membros do governo passado. Isso fora a formação de quadrilha, pela qual também devem responder”.

Engenheiro de carreira da Petrobras e ex-secretário do Estado do Rio em várias pastas, Wagner Victer também foi assertivo:

“Preparatório de golpe é crime. Até porque, após consumado o golpe, obviamente não se terá como punir com a intervenção nas instituições democráticas! Óbvio também que a identificação de atos preparatórios de outros crimes também tem essa classificação de grave delito. Como, por exemplo, a preparação de um ato terrorista!

As punições têm que ser exemplares! Os militares que comprovadamente se envolveram devem perder a patente e as prerrogativas!”

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Por um liberal, uma historiadora e um jornalista, o 8 de fevereiro de 2024

 

Generais Walter Braga Neto e Augusto Heleno, e o capitão Jair Bolsonaro (Foto: DW)

 

 

 

Pelo envolvimento que gerou nas redes sociais e à História do Brasil que será contada quando todos formos nomes numa lápide, o 8 de fevereiro de 2024 só tem um paralelo: o 8 de janeiro de 2023. Mais que qualquer acadêmico, jornalista, artista ou outro ofício feito sinônimo de “esquerdopata” nos delírios que governaram o Brasil de um cercadinho entre 2019 e 2022, os eventos da quinta foram melhor definidos na manhã de sexta (9) por um empresário liberal:

 

“Espero que para os brasileiros que de fato pensam no país e no futuro dos seus filhos, mas discordam totalmente do PT e de suas lideranças, tenha ficado claro, com os fatos divulgados ontem (8 de fevereiro), que o voto em Lula no segundo turno das eleições de 2022 era absolutamente necessário.

Era a única forma de evitarmos um golpe que aconteceria com grande chance de sucesso em 2026. O resultado da reeleição de Bolsonaro seria um Supremo totalmente aparelhado, as Forças Armadas devidamente submetidas às suas vontades, onde a realidade seguiria sendo distorcida pela desinformação e a espionagem de adversários políticos chegaria a níveis ainda piores.

Muito provavelmente, começaríamos o ano de 2027 em um regime de exceção sob o comando de Bolsonaro.

É preciso agora punir com rigor todos os envolvidos, civis e militares, aprender com tudo que aconteceu, mas virar essa página e iniciar a construção — sem populismo, sem revanchismo, com disposição, com visão de longo prazo e lideranças coerentes — do Brasil que queremos.

Estamos atrasados”.

 

João Amoêdo assumiu a posição que qualquer liberal de verdade deveria ter. Candidato a presidente no mesmo ano de 2018 em que Jair Bolsonaro (hoje, PL) — deputado federal do baixo clero, radical de direita, histriônico e estatista — se “converteu” ao liberalismo de Paulo Guedes. Para receber a benção de boa parte do empresariado brasileiro. Como tinha se “convertido” em 2016 à boa parte do rebanho neopentecostal, ao ser batizado no rio Jordão pelo pastor Everaldo. Que seria preso em 2020 por desvio de dinheiro público da Saúde do RJ.

Recordar é viver! Mas vai que era o final da vertiginosa manhã brasileira da quinta de 8 de fevereiro de 2024. Quando, no grupo de WhatsApp do blog Opiniões e do programa Folha no Ar, a historiadora Guiomar Valdez, professora do IFF, propôs o debate:

 

“Meu prezado Aluysio, apesar da frágil democracia que vivenciamos desde o término da ditadura civil-militar, aprecio quando as investigações são discretas, como têm que ser. E o devido processo legal não se torna espetaculoso. Sobre as ações de hoje (8 de fevereiro), compreendo dessa maneira. Viva a democracia brasileira em cada pequenino passo que reforce o nosso Estado Democrático de Direito. Abaixo as fakenews! Sigamos em frente!”

 

No início da tarde, a proposta de debate foi respondida:

 

“No trabalho hoje (8 de fevereiro) antes de me desligar no Carnaval, aproveito o diálogo sempre estimulante contigo, querida Guiomar Valdez, para dar algumas impressões sobre os fatos:

1 – Só não esperava a operação de hoje (8 de fevereiro), como as que devem se seguir após o Carnaval, quem — por desinteligência, cumplicidade dolosa com crimes graves, interesse pessoal em detrimento do coletivo, ou uma soma desses fatores — tenta relativizar as causas e simular cegueira às consequências.

2 – Modestamente, endosso sua compreensão de que, até onde ora podemos enxergar, os fatos de hoje (8 de fevereiro) transcorreram de maneira republicana. Diferente da espetacularização que marcou as ações da Lava Jato, não vi, por exemplo, nenhuma imagem da prisão de Valdemar da Costa Neto. Que certamente foi registrada, até para proteção dos responsáveis pela ação.

3 – Sou leigo, mas abrir inquérito de ofício, como fez o ministro Alexandre de Moraes para investigar os crimes cometidos do bolsonarismo, rompe com o princípio da inércia do magistrado. Concordo que não havia outro caminho possível diante da prevaricação do ex-PGR Augusto Aras, mas é um princípio muito perigoso. Foi com um juiz de 1ª instância, como era Sergio Moro. É muito mais com um ministro do STF. Nos dois casos, ou em qualquer outro, discordo que os fins justifiquem os meios.

4 – Por outro lado, se convivemos por séculos com o complexo de vira-latas na inevitável comparação continental com a solidez, a eficiência e a longevidade institucional dos EUA de Thomas Jefferson e Benjamin Franklin, os eventos tupiniquins desde a reação ao 8 de janeiro de 2023 até os de hoje e os que se seguirão, são didáticos aos EUA de Joe Biden e Donald Trump. E ao mundo. Onde o Brasil leciona: como as democracias podem e devem resistir.

5 – Se todas as robustas evidências reveladas hoje (8 de fevereiro), pela investigação da Polícia Federal, se confirmarem em juízo, o capitão Jair Bolsonaro e alguns de seus generais, que venderam a honra à farda por soldo acima do teto constitucional no bolso, podem ser presos. Se isso acontecer, escreverei o mesmo que escrevi em 6 de abril de 2018, véspera de Lula ser preso: ‘Um dia triste para a República’”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Nominata do MDB a vereador no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vereador governista e presidente do MDB em Campos, Silvinho Martins é o convidado para encerrar a semana do Folha no Ar nesta quinta (8), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a relação complicada entre Executivo e Legislativo campistas, com o fim da pacificação entre Garotinhos e Bacellar, a CPI da Educação e a novela da LOA de 2024.

Silvinho também analisará a nominata que está montando ao MDB, partido do vice-prefeito Frederico Paes, buscando o reforço de outros vereadores e ex-vereadores de outras legendas. Por fim, com base nas pesquisas de 2023 (confira aqui e aqui), ele tentará projetar o pleito a prefeito e vereador de 6 de outubro, daqui a 7 meses e 29 dias.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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