General de Brigada da reserva do Exército Brasileiro, Francisco de Brito Filho é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar, ao vivo a partir das 7h25 desta sexta (9), na Folha FM 98,3.
Ex-comandante do contingente brasileiro no Haiti, ex-comandante da Força de Pacificação no Complexo da Maré-RJ, ex-instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro (Eceme) e ex-comandante e ex-chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Nordeste, o general Francisco analisará a participação das Forças Armadas no governo Jair Bolsonaro (PL) e no 7 de Setembro deste ano, nos 200 anos da Independência do Brasil.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Mestrando em História na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e professor de História, Filosofia e Sociologia na rede privada de ensino, Eraldo Duarte é o convidado do Folha no Ar desta quinta (8), ao vivo a partir das 7h25 da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará as manifestações bolsonaristas do 7 de Setembro, no bicentenário da Independência do Brasil. E dará seu testemunho do apoio ao presidente Jair Bolsonaro (hoje, PL) em 2018 à ruptura com sua tentativa de reeleição em 2022.
Por fim, Eraldo tentará projetar as eleições de outubro a deputado estadual e federal na região, a senador, a governador do RJ e a presidente da República. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue estável em sua liderança na corrida às urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 25 dias. Nos últimos 7 dias, ele tinha e manteve 44% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno. Foi o que apontou a pesquisa Genial/Quaest divulgada no 7 de setembro de hoje, e feita entre a quinta (1) e o domingo (4) anteriores. Segundo colocado, comparado com a Genial/Quaest de 31 de agosto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) cresceu dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, de 32% aos atuais 34%. Sua desvantagem ao petista hoje é de 10 pontos. Também na margem de erro, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) caiu de 8% a 7%, enquanto a senadora Simone Tebet (MDB) cresceu de 3% a 4%. Na projeção ao 2º turno de 30 de outubro, Lula bateria Bolsonaro por 51% a 39%. Há sete dias, o ex-presidente levaria o 2º turno por 51% a 37% do atual, ou 14 pontos. A diferença também caiu 2 pontos, aos 12 pontos de hoje.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
REJEIÇÃO — Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, Bolsonaro continua liderando a rejeição, com 53% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 44% de Lula. Mas o capitão diminuiu 3 pontos no índice negativo, fora da margem de erro, enquanto o petista cresceu 1 ponto dentro dela. Na Genial/Quest de 31 de agosto, a rejeição do presidente era de 56%, contra 43% do ex. Em medição análoga, a pesquisa também indicou a diminuição da diferença na rejeição dentro da margem de erro. Na última semana, passaram de 47% aos atuais 46% os que têm mais medo da continuidade de Bolsonaro, enquanto subiram de 39% aos 40% os que hoje têm mais medo da volta do PT ao poder.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
MIGRAÇÃO DE VOTOS NO 2º TURNO — Há, no entanto, outros dados bem fora da margem de erro que reforçam a projeção de vitória de Lula no 2º turno contra Bolsonaro. Entre os eleitores de Ciro no 1º turno, subiu de 48% a 56% (8 pontos) os que votariam no petista no turno final, enquanto caiu de 20% a 17% (3 pontos) os que votariam no capitão. Já entre os eleitores de Tebet no 1º turno, subiu de 32% a 41% (9 pontos) os que votariam em Lula no 2º, mas também de 16% a 22% (6 pontos) os que votariam em Bolsonaro.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
BOLSONARO PASSA LULA NO SUDESTE — A discreta melhora de Bolsonaro na disputa direta com Lula se operou em algumas faixas. Na região Sudeste, de maior densidade eleitoral no país, o capitão subiu de 36% a 39%, enquanto o petista caiu de 39% a 37%. Eles mantêm o empate técnico na margem de erro, mas com o atual presidente pela primeira vez numericamente à frente na série das pesquisas Genial/Quaest deste ano eleitoral.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
VOTO EVANGÉLICO — Entre os evangélicos, Bolsonaro também continua a ampliar sua vantagem sobre Lula, ainda que dentro da margem de erro. Entre as Genial/Quaest de 31 de agosto e 7 de setembro, o presidente batia o ex por 51% a 27% (24 pontos). E ampliou a vantagem, dentro da margem de erro, para os atuais 53% a 26% (27 pontos).
AUXÍLIO BRASIL — Entre os pobres que recebem o Auxílio Brasil, nos quais Lula sempre teve e permanece com sua maior vantagem sobre Bolsonaro, a elevação que este promoveu do benefício a R$ 600,00, pagos desde o último dia 9, ainda está longe de ser a “bala de prata” esperada. Mas, também dentro da margem de erro, continua a encurtar a grande diferença. Nesta faixa, o petista batia o capitão por 54% a 25%, ou 29 pontos, na Genial/Quaest de 31 de agosto. Uma semana depois, a diferença é de 26 pontos: 55% do ex-presidente contra 29% do atual.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Felipe Nunes, cientista político com doutorado na UCLA e diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria
BALA DE PRATA OU TIRO N’ÁGUA? — Bolsonaro aposta tudo no segundo pagamento do Auxílio Brasil, neste mês de setembro, para tentar diminuir mais sua grande desvantagem para Lula entre o eleitor pobre. Para o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria: “O Auxílio continua não gerando o efeito eleitoral esperado pelo governo. As variações observadas são na margem de erro. Quase 90% já sabe do Auxílio e quase 60% já atribui a Bolsonaro a responsabilidade pelo aumento do valor para R$ 600,00. Ainda assim, o efeito é nulo”.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE
OUTRO ESPECIALISTA — “A exemplo da Ipec, divulgada na última segunda (5), a Genial, que utiliza a mesma metodologia de entrevistas presenciais domiciliares, confirmou a estabilidade nas intenções de voto a 25 dias do 1º turno, mantendo o mesmo resultado do seu levantamento anterior, de 31 de agosto, dentro da margem de erro. Lula manteve os mesmos 44% de intenções e Bolsonaro oscilou 2 pontos percentuais para cima, saindo de 32% para 34%, na consulta estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados. Por outro lado, o percentual de decisão do voto dos eleitores oscilou 4 pontos percentuais para cima, acima da margem de erro, saindo de 65% para 69%. Para 81% dos eleitores de Bolsonaro e 78% dos eleitores de Lula, a decisão do voto é definitiva e não poderá mudar até 2 de outubro. No 2º turno, Lula manteve os 51% de intenção, enquanto Bolsonaro oscilou dentro da margem, indo de 37% para 39%”, analisou concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
Os historiadores e professores Arthur Soffiati e Eugênio Soares são os convidados do Folha no Ar desta quarta (7), ao vivo a partir das 7h25, na Folha FM 98,3. Eles falarão da proclamação e da Guerra de Independência do Brasil, entre 1822 e 1824. Do grito de Dom Pedro I às margens do riacho Ipiranga, os dois também tentarão projetar o que se esperar, 200 anos depois, da comemoração e do receio de uma ruptura institucional pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores na orla da Av. Atlântica em Copacabana.
Por fim, Soffiati e Eugênio tentarão projetar o que se esperar das urnas de 2 de outubro a deputado estadual e federal da região, senador, governador do RJ e presidente da República. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Cientista político, professor da UFF e pesquisador da relação civil-militar no Brasil, Frederico Sá é o convidado do Folha no Ar desta terça (6), ao vivo a partir das 7h25 da manhã, na Folha FM 98,3. Após o episódio do 7 de setembro do ano passado, encarado como uma tentativa frustrada de golpe, ele tentará responder o que se pode esperar do 7 de setembro desta quarta, a 22 dias das urnas de 2 de outubro e na comemoração do bicentenário da Independência do Brasil.
Frederico também tentará projetar as eleições a deputado federal e estadual da região, a senador e a governador do RJ. Assim como o pleito a presidente da República, polarizado em todas as pesquisas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). E, independente do resultado das urnas, projetar como as Forças Armadas sairão delas, com os questionamentos do ministério da Defesa ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), endossando os de Bolsonaro a embaixadores estrangeiros em 18 de julho.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Feita entre a sexta (2) e o domingo (4), a nova pesquisa BTG/FSB semanal divulgada hoje indica estabilidade da corrida presidencial às urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 27 dias. E cada vez mais encaminhada à definição ao 2º turno de 30 de outubro. Como em todas as demais pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua na liderança, mas caiu um ponto nos últimos 7 dias, de 44% a 43% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º tuno. Segundo colocado, o presidente Jair Bolsonaro (PL) caiu 2 pontos entre as BTG/FSB de 29 de julho e 5 de agosto, de 36% a 34%. A vantagem do petista ao capitão cresceu de 7 para 8 pontos. Terceiro colocado, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) também caiu, de 9% para 8%. Só quem cresceu foi a senadora Simone Tebet (MDB), de 4% a 6%. A estabilidade entre Lula e Bolsonaro se deve, sobretudo, à ineficiência do novo Auxílio Brasil de R$ 600,00 em alterar até aqui o voto do eleitor pobre, no qual o petista tem sua maior vantagem.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
2º TURNO E REJEIÇÃO – Com 2.000 eleitores ouvidos por telefone, todas as mudanças estão dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Mas, como observou Marcelo Tokarski, sócio-diretor do Instituto FSB Pesquisa:ׅ “Com o crescimento de Ciro há duas semanas e uma nova evolução de Simone Tebet, a 3ª via subiu de 11% para 17% em duas semanas. Não é o suficiente para ameaçar os dois líderes, mas é para reduzir a chance de definição no 1º turno”. Na simulação do 2º turno, Lula passou de 52% a 53%. Ele cresceu 1 ponto nas intenções de voto, assim como Bolsonaro, que foi de 39% a 40%, mantendo a mesma diferença de 13 pontos entre os dois. Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, a rejeição segue liderada pelo capitão. Que manteve os 55% e brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 46% do petista, 1 ponto a mais dos 45% de rejeição que tinha há uma semana.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
VOTO DOS EVANGÉLICOS – Após crescer entre o final de julho e agosto no voto dos evangélicos e no voto dos pobres que recebem o novo Auxílio Brasil de R$ 600,00, pagos desde o último dia 9, Bolsonaro parou de crescer nessas duas faixas. É o que explica sua estabilidade na desvantagem geral para Lula neste início de setembro. Entre as duas pesquisas BTG/FSB da última semana, o capitão tinha 58% das intenções de votos dos evangélicos, mas caiu 11 pontos, aos 47% de hoje. Lula tinha 29% e subiu 1 pontos, para 30%. A diferença de 29 pontos favorável ao presidente entre os evangélicos, caiu aos atuais 17 pontos sobre o ex.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
VOTO DOS POBRES DO AUXÍLIO BRASIL – Considerada a “bala de prata” para tentar virar as intenções de voto sobre Lula, o novo Auxílio Brasil anabolizado pelos R$ 41,2 bilhões da PEC Kamikaze tem se revelado, pelo menos até agora, um tiro n’água de Bolsonaro. Se chegou no início de agosto a apresentar diminuição na faixa onde o capitão sempre amargou sua maior desvantagem para o petista, este continua nadando de braçada. Entre as BTG/FSB de 29 de agosto e a deste 5 de setembro, Lula tinha e manteve 58% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro caiu 1 ponto, de 24% para 23%.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
VOTO DA CLASSE MÉDIA – Outra faixa em que o capitão tinha melhorado suas intenções de voto sobre o petista, entre julho e agosto, foi entre o eleitor de classe média, com renda familiar mensal de 2 a 5 salários mínimos, advinda da sensação de queda no preço dos combustíveis. Houve estabilidade nessa faixa. Há uma semana, Bolsonaro batia Lula por 43% a 34% das intenções de voto da classe média. E cresceu apenas 1 ponto, dentro da margem de erro, nessa faixa: 43% contra os 33% do ex-presidente.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE
ANÁLISE DO ESPECIALISTA – “A exemplo das sete principais pesquisas com diferentes metodologias divulgadas na semana passada e cobertas pelo Grupo Folha, o Instituto FSB Pesquisa, ao ouvir 2.000 pessoas por telefone entre sexta-feira e ontem, confirma o cenário de estabilidade nas intenções de votos a 27 dias do primeiro turno. Lula e Bolsonaro oscilaram para baixo dentro da margem de erro da pesquisa, Ciro teria interrompido a trajetória de crescimento e oscilado 1 ponto para baixo, aparecendo agora com 8%, e Simone Tebet, a única a crescer nas últimas duas semanas, saindo de 3% para 4% e agora aparecendo com 6%. O início da campanha na TV e rádio não mexeu no potencial e na rejeição dos dois líderes na corrida presidencial, mas favoreveu os candidatos mais desconhecidos, com Tebet como maior beneficiada”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
Na leitura da edição de hoje de O Globo, que faço questão de conferir sempre no impresso, dois recados importantes para setores politicamente antagônicos da sociedade brasileira. Que se refletem também em Campos e Norte Fluminense. O primeiro é para nossa intrépida turma da esquerda festiva. Que uma pesquisa da USP revela como de fato é: branca, burguesa, escolarizada, ensimesmada e dogmaticamente preconceituosa quanto ao conservador religioso. Cujo perfil, ironicamente mais democrático em sua distribuição, representa muito melhor o Brasil real.
“A pesquisa revelou que, em comparação com os outros grupos, os progressistas apresentaram um perfil distante da realidade da maioria da população brasileira: mais branco, rico e escolarizado.
— O mesmo não acontece com os outros grupos, principalmente os conservadores religiosos. Eles representam muito melhor o conjunto da população — diz o professor e pesquisador da USP Marcio Moretto.
Os dados chamam a atenção para outra característica das guerras culturais nos últimos anos: como elas assumiram, também, um caráter de luta de classes. A concentração de progressistas nos setores mais escolarizados e de renda os afastou da base popular. E não só: levou a que os progressistas traçassem um retrato deturpado da classe trabalhadora, associado a uma religiosidade fanática ou a uma sexualidade reprimida. Isso não passou despercebido no front político. Tanto que, hoje, são os conservadores que se apresentam como defensores dos valores morais dos trabalhadores”.
O segundo recado importante da edição de hoje de O Globo foi dado à nossa indefectível elite sócio econômica, bolsonarista em sua maioria. Cujos representantes em Campos e no Norte Fluminense não se diferem muito dos empresários bolsonaristas flagrados em grupo de WhatsApp tramando um golpe contra a democracia no país, em caso de vitória de Lula. Esses herdeiros da nossa Casa Grande escravagista, em sua estupidez muar, parecem surpresos que o brasileiro mais pobre, muito mais pragmático politicamente, não esteja até aqui vendendo seu voto pelos R$ 600,00 do Auxílio Brasil, só até 31 de dezembro.
Sobre o tema, segue a última nota da coluna de hoje do Elio Gaspari, que já disse e escrevi mais de uma vez considerar o maior jornalista brasileiro entre os vivos:
“Demofobia
Aqui e ali aparecem comentários que especulam sobre a adesão dos brasileiros mais pobres a Bolsonaro por causa do dinheiro do Auxílio Brasil.
É um raciocínio lógico, contaminado por uma pitada de demofobia.
Lula ganhou prestígio popular com o Bolsa Família, mas em seus oito anos de governo aumentou o salário mínimo, alavancou as cotas nas universidades, fez o Prouni e estimulou a agricultura familiar”.
Jeffeson Manhães de Azevedo, professor e reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF)
Ainda aguardamos o debate dos grandes temas nacionais
Por Jefferson Manhães de Azevedo
Em um cenário de regressão de indicadores sociais e econômicos de até 30 anos, trazendo o Brasil ao mapa da fome, de acordo com a ONU, e levando a Insegurança Alimentar das famílias brasileiras aos idos de 92, com mais de 33,1 milhões de brasileiros sem ter o que comer e quase 60% da população convivendo com a insegurança alimentar em algum grau, de acordo com a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar, aliado a um conjunto de movimentos que tentam, insistentemente, desacreditar o sistema de votação eletrônica que vem se consolidando no Brasil desde 1996, com admiração e reconhecimento internacional, além de constantes ataques aos pilares democráticos da nação, e forte reação da sociedade civil organizada, o Brasil inicia o sufrágio popular para a escolha dos seus representantes em âmbito estadual e nacional.
Com cronograma de desembolso a partir do início do mês de agosto, os R$ 41,2 bilhões autorizados pelo Parlamento brasileiro para robustecer existentes e novas ações sociais do Governo Federal, ao longo dos últimos cinco meses do ano e a menos de 90 dias das eleições, foram vistos por muitos com potencial para uma reversão no cenário eleitoral, especialmente entre as duas candidaturas que lideram as pesquisas eleitorais em todo o corrente ano, respectivamente a do ex-presidente Lula e do atual presidente Jair Bolsonaro. Já a partir do mês de julho, não só impactada pelas notícias da proximidade dos novos auxílios, mas também pela redução dos valores dos combustíveis, somados a um movimento expressivo de adesão dos evangélicos, a candidatura do atual presidente da República passou a apresentar, até a semana passada, um consistente aumento de intenções de votos. Apesar de difícil mensuração e prognóstico do impacto destas medidas e ações já na primeira quinzena do mês de julho, não eram raras ou incomuns, especialmente de lideranças de partidos aliados, previsões de certa inversão nas intenções de votos entre os dois primeiros colocados nas pesquisas já em agosto. Até a semana passada, mesmo não evidenciando tal inversão, as pesquisas continuavam apontando um crescimento eleitoral da candidatura do atual presidente e uma tendência de a eleição não mais ocorrer em apenas um turno.
Entretanto, as pesquisas divulgadas esta semana (BTG/FSB, Ipec, CNT/MDA, Genial/Quaest e Datafolha) permitiram um grande número de análises, no sentido de que os dividendos eleitorais resultantes do recentíssimo alargamento do orçamento social federal começam a se estabilizar e não se mostraram, até agora, suficientes para uma inversão do cenário eleitoral de outubro. A novidade, porém, se detém no fortalecimento de candidaturas fora do espectro da polarização dos dois primeiros e distanciados colocados nas pesquisas. Chamadas de “terceira via”, especialmente as candidaturas de Ciro Gomes e Simone Tebet, agora com mais espaço e exposição, devido à campanha eleitoral, mostram-se em processo de leve expansão, apontando, se mantida a tendência positiva, um cenário eleitoral que vai sendo desenhado em dois turnos, porém sem alteração da posição dos atuais primeiros colocados que, devido à fidelidade da intenção de voto de seus eleitores, disputarão o cada vez mais provável segundo turno. Não surgindo fatos novos, as pesquisas também começam a apontar uma vantagem na captação dos votos pela candidatura que hoje desponta em primeiro e estável posição, a do ex-presidente Lula. Acresce a isso, de acordo com a última Genial/Quaest, que os eleitores dos candidatos Ciro Gomes e Simone Tebet preferem o candidato Lula ao candidato Jair Bolsonaro, em um eventual segundo turno. Sendo assim, a probabilidade e o cenário denotam, de acordo com a leitura das pesquisas desta semana, porém é um prognóstico conjuntural, uma consolidação de reprodução do resultado eleitoral no segundo turno similar ao do primeiro turno. Se este cenário se confirma, o atual ocupante da cadeira presidencial será o primeiro presidente a não ser reeleito desde que este instituto passou a ser permitido em nosso país.
Apesar de não tão longeva, é importante destacar que ainda estamos no início da campanha eleitoral, onde os demais candidatos, que não o candidato que exerce a presidência da República, terão, a partir de agora, espaços para apresentar seus programas de governo e pautar temas que compreendem relevantes ao debate nacional, espaço, até então, majoritariamente ocupado pelo segundo colocado nas pesquisas eleitorais. No entanto, do meu ponto de vista, o primeiro debate mostrou que assuntos que se mostram de grande relevância não foram tocados, como o racismo estrutural que transversa nosso tecido social e coloca grande parte de nossa população em situação de grande desvantagem e, não raras vezes, à margem. Outros temas que mobilizam a agenda internacional foram negligenciados ou tangenciados, como a questão do desenvolvimento sustentável, a necessária transição energética e a economia verde que, diante dos tristes e sucessivos recordes de queimadas e desmatamento na Amazônia, coloca o país em situação de isolamento internacional e compromete as exportações nacionais, especialmente grande parte de nossas exportações agrícolas, bem como nosso protagonismo na América Latina. Outro tema pouco explorado foi o de milhões de trabalhadores que vivem na informalidade ou estão em postos de trabalho formalmente frágeis e que precisam ser qualificados e formados, a partir de um esforço nacional de Educação Profissional e Tecnológica, bem como precisam ser alcançados por robustas políticas de proteção social. Somaria a estes, o “desfinanciamento” nacional da educação, ciência e tecnologia que comprometem a superação da grave crise econômica que se estende nos últimos anos, comprometendo a formação de novas e competentes gerações de trabalhadores, bem como adensaria e agregaria valor às cadeias produtivas nacionais frente a uma economia que cada vez mais exige conhecimento e inteligência no setor produtivo.
Por último, apenas como uma inquietação analítica, arrisco a dizer que mesmo com probabilidade muito diminuída, o fantasma do golpe pode ser reencarnado e voltar a assombrar a sociedade brasileira, ressuscitando, ora um pouco esvanecido, o medo de uma iminente derrocada democrática. Desta feita, o voto útil pode abreviar o pleito eleitoral em um único ato. Vamos aguardar as celebrações do Bicentenário da Independência e suas reverberações.
Hoje, faltam exatos 29 dias para as urnas de 2 e outubro. Após a semana até aqui mais recheada de pesquisas presidenciais deste ano eleitoral, a dedicação e a capacidade para tentar analisá-las são necessárias ao jornalismo sério, que não se presta a ecoar questionamentos vazios de tiozinho do WhatsApp. Até porque se há algo que a História leciona desde a eleição presidencial de 1989, primeira pelo voto direto após 21 anos de ditadura militar (1964/1985), é que quem questiona o resultado das pesquisas quando elas se mostram contrárias à sua torcida quase sempre é o mesmo que depois chora como criança com o resultado soberano das urnas. E nem é preciso sair da região Sudeste para enxergar onde as pesquisas abrem possibilidades aos seus resultados aparentes de hoje.
CIRO, TEBET, LULA E BOLSONARO – Com suas diferentes metodologias, mas todas com base na ciência estatística que as difere de meras enquetes, as pesquisas eleitorais não são infalíveis. Mas, como fotografias do momento, revelam tendências. Com os bons desempenhos do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e da senadora Simone Tebet (MDB) nas sabatinas do Jornal Nacional (JN) da semana passada, e no debate da Band no último domingo (28), ampliando suas intenções de voto, respectivamente, no 3º e 4º lugar da corrida ao Palácio do Planalto, a tendência de hoje é que seu ocupante em 2023 só será definido no 2º turno de 30 de outubro de 2022. Provavelmente entre os dois líderes isolados: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Com a vitória final do primeiro projetada até aqui, fora da margem de erro, em todas as pesquisas.
LIDERANÇA DE LULA E 1º CRESCIMENTO DE BOLSONARO– Desde janeiro deste ano, as pesquisas registraram a liderança de Lula na corrida presidencial, mantida de lá para cá. Como foram as pesquisas que, entre abril e maio, registraram o primeiro movimento de crescimento real de Bolsonaro. Que herdou naturalmente as intenções de voto de centro-direita órfãs com as desistências do ex-ministro Sergio Moro (União) e do ex-governador paulista João Doria (PSDB). Ainda assim, muitas pesquisas até junho indicavam a possibilidade de Lula fechar a fatura em turno único.
2º CRESCIMENTO DE BOLSONARO – Foram também as pesquisas que registraram a mudança daquela tendência. Foi entre o final de julho e agosto, com o segundo movimento de crescimento real do capitão. Que se operou em três faixas de eleitor: 1) o evangélico, por conta dos ataques religiosos e fake news dos Bolsonaro contra o PT; 2) a classe média, com renda familiar mensal entre 2 e 5 salários-mínimos, por conta da sensação de redução do preço dos combustíveis; e 3) os brasileiros pobres, por conta do aumento do Auxílio Brasil de R$ 400,00 a R$ 600,00, pago desde o último dia 9, garantido só até 31 de dezembro e custeado com os R$ 41,2 bilhões da PEC Kamikaze.
CAPITÃO BATEU NO TETO? – Entre os evangélicos, Bolsonaro virou sobre Lula e abriu. Assim como virou, na maioria das pesquisas, no voto da classe média. Entre os pobres que recebem o Auxílio Brasil, embora tenha chegado a diminuir a diferença, o presidente não chegou até aqui a ameaçar onde Lula lidera com maior vantagem. Mas o fato é que esses três movimentos, entre julho e agosto, parecem ter empacado nas pesquisas desta semana, entre agosto e setembro. Indicam que o capitão bateu ou está próximo do teto. Hoje, ele tem entre 32% e 36% das intenções de voto na consulta estimulada do 1º turno, atrás de Lula, que tem entre 43% e 45%. Fora da margem de erro de 2 pontos, a vantagem do ex-presidente sobre o atual varia entre 7 e 13 pontos.
SETE PESQUISAS DA SEMANA – Entre os institutos de maior credibilidade, foram sete as pesquisas desta semana. Na segunda (29), saiu 1) a semanal BTG/FSB, feita da sexta (26) ao domingo (28) anteriores, com 2.000 eleitores ouvidos por telefone. No mesmo dia saiu 2) a Ipec (antigo Ibope), também feita de sexta a domingo, com 2.000 eleitores entrevistados pessoalmente, método sempre mais confiável. Na terça (30), saiu 3) a CNT/MDA, feita da quinta (25) ao domingo anteriores, com 2.002 eleitores ouvidos presencialmente. Na quarta (31), veio 4) a Genial/Quaest, feita de quinta a domingo, com 2.000 eleitores ouvidos presencialmente. No mesmo dia, saíram também 5) a Ipespe, feita da sexta a segunda anteriores, ouvindo 2.000 pessoas por telefone; e 6) a PoderData, feita de domingo a terça, com 3.500 eleitores por telefone.
Por fim, na noite quinta, 1º dia de setembro, saiu 7) a Datafolha, feita de terça ao mesmo dia da sua aguardada divulgação, com 5.734 eleitores ouvidos presencialmente. Todas foram feitas após o início do pagamento do novo Auxílio Brasil no dia 9, pegaram a maioria ou todas as sabatinas com os presidenciáveis no JN e, as três últimas, o debate de domingo na Band.
1º TURNO – Na consulta induzida ao 1º turno, na comparação entre as BTG/FSB de 22 e 29 de agosto, Lula caiu de 45% a 43% das intenções de voto, Bolsonaro se manteve com 36% (7 pontos atrás do petista, menor diferença entre as sete pesquisas da semana), Ciro cresceu de 6% a 9%, e Tebet cresceu de 3% a 4%. Entre as Ipec de 15 e 29 de agosto, Lula manteve 44%, Bolsonaro manteve 32% (12 pontos atrás do petista), Ciro cresceu de 6% a 7%, e Tebet cresceu de 2% a 3%. Entre as CNT/MDA de 9 de meio e 30 de agosto (maior intervalo de tempo entre as sete pesquisas da semana), Lula cresceu de 41% a 42%, Bolsonaro cresceu de 32% a 34% (12 pontos atrás do petista), Ciro se manteve com 7% e Tebet, com os mesmos 2%. Entre as Genial/Quaest de 17 e 31 de agosto, Lula caiu de 45% a 44%, Bolsonaro caiu de 33% a 32% (12 pontos atrás do petista), Ciro cresceu de 6% a 8%, e Tebet se manteve com 3%.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
PÓS-DEBATE DA BAND – Nas três pesquisas que pegaram melhor o efeito do debate da Band do último domingo, na comparação das pesquisas Ipespe de 25 de julho e 31 de agosto, Lula caiu de 44% a 43% das intenções de voto na consulta induzida ao 1º turno, Bolsonaro se manteve com 35% (8 pontos a menos que o petista), Ciro se manteve com 9%, e Tebet cresceu de 4% a 5%. Entre as PoderData de 17 e 31 de agosto, Lula se manteve com 44%, Bolsonaro caiu de 37% a 36% (8 pontos atrás do petista), Ciro cresceu de 6% a 8%, e Tebet se manteve com 4%. Entre as Datafolha de 18 de agosto e 1º setembro, Lula caiu de 47% a 45%, Bolsonaro se manteve com 32% (13 pontos atrás do petista, maior diferença entre as sete pesquisas da semana), Ciro cresceu de 7% a 9%, e Tebet mais que dobrou: de 2% a 5%.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
2º TURNO – Na simulação ao 2º turno cada vez mais provável entre os dois líderes de todas as pesquisas, Lula bateria Bolsonaro em todas. Na BTG/FSB, por 52% a 39% (13 pontos); na Ipec, por 50% a 37% (13 pontos); na CNT/MDA, por 50% a 39% (11 pontos); na Genial/Quaest, por 51% a 37% (14 pontos); na Ipespe, por 53% a 38% (15 pontos); na PoderData, por 50% a 41% (9 pontos, menor diferença, ainda que fora da margem de erro, entre as sete pesquisas da semana); e na Datafolha, por 53% a 38%, como a Ipespe, nos mesmos 15 pontos da maior diferença entre as pesquisas da semana.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
REJEIÇÃO – Índice considerado fundamental para a definição do 2º turno, a rejeição permanece sendo o maior obstáculo real para Bolsonaro se reeleger presidente. Ele lidera o índice negativo em todas as pesquisas, sendo seguido sempre fora da margem de erro por Lula. Na BTG/FSB, o capitão tem 55% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 45% do petista; na Ipec, o atual presidente tem 47% de rejeição, contra 36% do ex; na CNT/MDA, Bolsonaro tem 56% de rejeição, contra 45% de Lula; na Genial/Quaest, o capitão tem 56% de rejeição, contra 43% do petista; na Ipespe, o atual presidente tem 55% de rejeição, contra 44% do ex; na PoderData, Bolsonaro tem 51% de rejeição, contra 36% de Lula; e na Datafolha, o capitão tem 52% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 39% de Lula. A diferença entre os dois no índice negativo hoje é de 10 a 15 pontos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
SUDESTE NA MIRA – Bolsonaro está ou deveria estar preocupado com a sua rejeição. E Lula preocupado com o Sudeste, região com a maior densidade eleitoral do país. É onde o capitão pode tirar proveito do crescimento do bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), encurtando a diferença ao líder petista Fernando Haddad nas pesquisas a governador de São Paulo. Além do bolsonarista acanhado Cláudio Castro (PL), que começa a se descolar do lulista Marcelo Freixo (PSB) nas pesquisas a governador do Rio de Janeiro. Se Romeu Zema (Novo), que caminha para se reeleger governador de Minas Gerais no 1º turno, apoiasse Bolsonaro como em 2018, seria um Deus nos acuda na campanha petista. Mas o mineiro talvez só nade de braçada por não carregar o peso de nenhuma rejeição presidencial em sua raia.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE
ANÁLISE DO ESPECIALISTA – “Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, com 22% dos brasileiros habilitados a votar ou 34,7 milhões de eleitores, Haddad caiu para 35% e viu sua distância diminuir para Tarcísio, candidato de Bolsonaro, que subiu de 16% para 21%, apesar do crescimento nas intenções também do governador Rodrigo Garcia (PSDB), de 11% para 15%. Tarcísio avançou em todos os segmentos populacionais. Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com 16,2 milhões de habilitados a votar ou 10% do eleitorado nacional, onde venceram todos os presidentes eleitos democraticamente, menos Getúlio Vargas, em 1950, o governador Romeu Zema abriu 30 pontos de vantagem sobre Alexandre Kalil (PSD) na consulta estimulada (52% a 22%), somando 62% dos votos válidos. A depender da redução da desvantagem para Lula no 1º turno, especialmente nos dois maiores colégios eleitorais do país, os palanques de Zema, Tarcísio e, possivelmente, Rodrigo Garcia, poderão se tornar um arsenal poderoso na tentativa de virada de Bolsonaro na reta final”, avaliou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
Menos badaladas do que a Datafolha, que deve trazer sua nova pesquisa presidencial amanhã (1º), as pesquisas Genial/Quaest trazem a mesma metodologia de entrevistas presenciais, num trabalho que serve de referência aos analistas sérios. Sua nova pesquisa presidencial, divulgada hoje (31), foi feita entre a quinta (25) e o domingo (28). Não pegou o debate entre os presidenciáveis da Band, na noite de domingo, mas pegou o efeito das sabatinas dos quatro principais candidatos no Jornal Nacional: o presidente Jair Bolsonaro (PL) no dia 22, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) no dia 23, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 25 e a senadora Simone Tebet no dia 26. A 32 dias das urnas de 2 de outubro, Lula fecha agosto com a manutenção dos seus 12 pontos de vantagem sobre Bolsonaro. Na consulta estimulada ao 1º turno, o petista vencia o capitão por 44% a 32% em 3 de agosto, por 45% a 33% em 17 de agosto e voltou a 44% a 32% neste 31 de agosto. Bem distante dos dois líderes, quem vem crescendo é Ciro, dos 5% de 3 de agosto, aos 6% de 17 de agosto aos 8% de hoje.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
SEGUNDO TURNO E REJEIÇÃO
Na projeção de 2º turno de 30 de outubro, o ex-presidente venceria o atual por 51% a 37%. Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, a rejeição continua sendo liderada por Bolsonaro, que cresceu 1 ponto e hoje tem 56% dos eleitores que não votariam nele de maneira nenhuma. Lula caiu 1 ponto e hoje tem 43% de rejeição. A margem de erro da pesquisa Genial/Quaest é de 2 pontos para mais o menos, com a liderança de Lula fora dela no 1º e 2º turnos, assim como a liderança de Bolsonaro na rejeição. Em consulta da nova Genial/Quaest análoga à rejeição, as coisas também se mostram mais difíceis ao presidente: 47% dos eleitores têm mais medo da continuidade de Bolsonaro, contra 39% que têm mais medo da volta do PT ao poder.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
ESTABILIDADE E TETO
Após boa parte das pesquisas do final de julho em diante terem registrado um crescimento lento, mas consistente do capitão, as quatro pesquisas desta semana retrataram a estabilidade na disputa. Foi assim na BTG/FSB e na Ipec (antigo Ibope) de segunda (29), na CNT/MDA de terça (30) e na Genial/Quaest de hoje. O que parece indicar que, como Lula fez desde janeiro, oscilando de lá para cá entre 44% e 46%, Bolsonaro também pode ter encontrado agora o seu teto de intenções de voto, batendo os mesmos 32% nas pesquisas presenciais do Ipec e da Genial/Quaest desta semana. Com 65% dos eleitores dizendo que seu voto a presidente é definitivo, percentual que sobre para 76% entre os eleitores de Lula e para 75% entre os de Bolsonaro, o espaço para mudanças vai se estreitando.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
ONDE BOLSONARO VINHA CRESCENDO
O crescimento de Bolsonaro nas pesquisas a partir do final de julho vinha se operando em três faixas: 1) no voto evangélico, com fake news dizendo que Lula fecharia tempos se voltasse a ser presidente, assim como os ataques neopentecostais da primeira-dama Michelle Bolsonaro, associando o PT ao diabo; 2) no voto da classe média, a partir da sensação de diminuição do preço dos combustíveis; e 3) no voto do eleitor pobre, por conta do novo Auxílio Brasil de R$ 600,00 que começou a ser pago desde o último dia 9. E, nessas três faixas do eleitorado, o crescimento do presidente parece ter se estagnado.
VOTO EVANGÉLICO E DA CLASSE MÉDIA
Entre os evangélicos, Bolsonaro liderava com 48% das intenções de voto na Genial/Quaest de 3 de agosto, cresceu a 52% na de 17 de agosto e caiu para 51% na deste 31 de agosto. No mesmo período Lula registrou duas quedas de 1 ponto, dentro da margem de erro: de 29%, a 28%, aos atuais 27%. Na classe média, que tem de 2 a 5 salários mínimos como renda domiciliar mensal, o petista oscilou dentre da margem de erro nas três últimas pesquisas Genial/Quaest de agosto: de 42% a 41% mantidos, enquanto o capitão cresceu 4 pontos de 3 a 17 de agosto, fora da margem de erro, passando de 33% a 37%. Mas caiu a 35% neste dia 31 do mês. Diferente, por exemplo, do que mostrou a Datafolha da última quinta (25), Lula hoje lidera nas intenções de voto da classe média, pela Genial/Quaest.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
AUXÍLIO BRASIL NO VOTO DOS POBRES
Já entre os eleitores pobres que recebem o Auxílio Brasil, depois que ele começou a ser pago no novo valor no último dia 9, Bolsonaro, no lugar de crescer, caiu dentro da margem de erro. Passou dos 27% das intenções de voto na Genial/Quaest de 17 de agosto para 25%, no dia 31. Lula mantém sua liderança isolada nessa faixa, mas também registrou queda, e fora da margem de erro. Passou, nas duas últimas Genial/Quaest, de 57% a 54% das intenções de voto. Uma outra consulta feita pela pesquisa indica como deve ser difícil ao capitão transformar em votos o aumento do Auxílio Brasil de R$ 400,00 a R$ 600,00. Sabendo desse reajuste, ele não faz diferença nas chances de votar em Bolsonaro para 41%, diminuem para 35% e só aumentam para 22%.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE
ANÁLISE DO ESPECIALISTA
— A importância da pesquisa Genial/Quaest é que ela usa a mesma metodologia do IBGE, com entrevistas presenciais domiciliares, o padrão-ouro das pesquisas sobre a população. Esta metodologia também é usada pelo Ipec, ex-Ibope. O levantamento divulgado hoje confirma a estabilidade do cenário eleitoral presencial já apontado pelas pesquisas BTG/FSB, Rede Globo/Ipec e CNT/MDA. Lula e Bolsonaro mantêm exatamente os mesmos percentuais de intenção de voto de 3 de agosto, tanto no primeiro turno (44% a 32%), no caso da pesquisa estimulada, quanto no segundo turno (51% a 37%), indicando que, no eleitorado em geral, não houve alteração na decisão do voto, segundo a amostragem dos 2 mil eleitores entrevistados. Na simulação espontânea do primeiro turno (Lula caiu de 33% para 32% e Bolsonaro caiu de 27% para 25%) e na rejeição (Bolsonaro subiu de 55% para 56% e Lula caiu de 44% para 43%), os dois candidatos oscilaram dentro da margem de erro de 2 pontos. Dos eleitores ouvidos, 65% já decidiram o voto, enquanto apenas 33% declararam que ainda podem mudá-lo, caso alguma coisa aconteça até as eleições, mesmos percentuais de 3 de agosto. Outro dado importante é que a pesquisa Genial/Quaest também não mostrou efeito eleitoral do pagamento do Auxílio Brasil em favor do presidente, pelo menos neste mês de agosto. Desde o início do mês, a intenção de voto em Bolsonaro caiu abaixo da margem de erro entre os beneficiários do programa, de 29%, em 3 de agosto, para 25%, agora, no dia 31. Lula, por outro lado, oscilou dentro da margem, saindo de 52%, no início do mês, para 54%, agora no encerramento de agosto, após ter atingido 57%, na pesquisa divulgada no dia 17 pelo mesmo instituto — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
Cientista social Luiz Felipe D’Avila (Novo), ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), senadora Simone Tebet (MDB), presidente Jair Bolsonaro (PL), senadora Soraya Thronicke (União) e ex-ministro Ciro Gomes (PDT) no debate presidencial da Band na noite de ontem
Os debates presidenciais passaram a ser referência na escolha do voto do eleitor desde 23 de setembro de 1960, quando se deu o primeiro transmitido ao vivo pela TV, entre um então jovem senador democrata, John Kennedy, e o então vice-presidente republicano dos EUA, Richard Nixon. Kennedy fez Nixon, literalmente, suar. E venceu uma eleição dura para levar a Casa Branca. Passados 62 anos, os debates não têm a mesma importância na definição do voto do eleitor, sobretudo numa eleição já tão polarizada entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), e que se consumará no Brasil em 2 de outubro, daqui a apenas 34 dias. Se tivesse, o debate promovido pela Band na noite de ontem (28), a senadora Simone Tebet (MDB) estaria mais perto de ser a segunda mulher a ocupar o Palácio do Planalto. Mas é só olhar todas as pesquisas, nas quais ela figura em 4º lugar, para perceber o quanto isso está distante da realidade. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), em 3º lugar na corrida, também foi outro destaque positivo.
No confronto direto entre os dois líderes de todas as pesquisas, Bolsonaro se saiu melhor do que Lula. Não por ter chamado o ex-presidente duas vezes de “ex-presidiário”. Mas por ter feito do tema corrupção o de principal interesse dos mais de 1,5 milhão de telespectadores ao vivo, nos dois primeiros blocos do debate da Band, divididos em três. Após trazer de volta ao centro do picadeiro o assunto que lhe deu a vitória sobre o PT em 2018, sobre temas mais urgentes ao presente como a inflação e a fome, o capitão seria o vencedor real da noite, pela vitória parcial no embate particular com Lula. Mas, ao contrário da sua sabatina do Jornal Nacional (JN) na segunda-feira passada (22), Bolsonaro não conseguiu deixar de ser Bolsonaro no debate de ontem da Band. E, diante do eleitorado majoritariamente feminino do Brasil, se revelou nos seus ataques machistas de botequim contra a jornalista Vera Magalhães, da TV Cultura, que dirigiu pergunta a ele e a Ciro no segundo bloco, sobre a pandemia da Covid-19.
LULA x BOLSONARO — Antes de se perder, sobretudo em relação à definição no voto dos indecisos, Bolsonaro foi bafejado pela sorte. E soube aproveitá-la. Por ordem definida em sorteio, coube a ele abrir logo no primeiro bloco o confronto direto entre os candidatos. E, após dar números e fazer comparações sobre o Petrolão nos governos do PT, indagou a Lula: “O senhor quer voltar ao poder para quê? Para continuar fazendo a mesma coisa na Petrobras?”. Veterano de disputas e debates presidenciais, desde 1989, o petista pareceu ontem apático. Não repetiu o que fez no JN da quinta (25), quando foi indagado sobre o milionário Mensalão e rebateu de cara com o bilionário Orçamento Secreto de Bolsonaro e do Centrão. Na Band, Lula ontem só se defendeu, listando as medidas que os governo do PT adotaram para facilitar a investigação e a transparência.
A campanha petista quis justificar após o debate, dizendo que seu candidato não quis se mostrar agressivo para buscar o eleitor médio. Mas o Lula de outrora não teria a menor dúvida de contra-atacar, além do Orçamento Secreto, com os escândalos no Ministério da Educação e de rachadinha e evolução patrimonial dos filhos de Bolsonaro.
CIRO X BOLSONARO I — No primeiro bloco, coube a Ciro confrontar diretamente Bolsonaro. Perguntou a ele sobre declaração recente de que o Brasil não teria gente passando fome. O presidente respondeu com a redução no preço dos combustíveis, que o fez virar o voto da classe média sobre Lula nas pesquisas; e com a elevação do Auxílio Brasil, de R$ 400,00 a R$ 600,00, com o qual já começa a ganhar intenções de voto com o eleitor pobre, no qual Lula tem sua maior vantagem. Ciro contra-atacou com os números reais da miséria no Brasil, dados pela Rede Penssan: 33,1 milhões de brasileiros passando fome e 125 milhões de brasileiros que não conseguem completar as três refeições diárias. O pedetista disse querer “encerrar essa disputa de quem é mais Papai Noel em véspera de eleição”. E propôs a criação do programa de Renda Mínima na Previdência, pensado pelo petista Eduardo Suplicy e esnobado pelo PT.
TEBET LEMBRA COVID — De maneira indireta, Tebet também se destacou no primeiro bloco no enfrentamento a Bolsonaro. “A pandemia poderia ter sido muito melhor gerida se nós tivéssemos um presidente da República sensível à dor alheia. Lamentavelmente, no momento em que o Brasil mais precisou do presidente da República, ele virou as costas para a dor das famílias enlutadas brasileiras. E negou vacina no braço do povo brasileiro. Eu sei porque estava na CPI (da Covid no Senado), eu estudei os documentos: atraso de 45 dias na compra de vacina. Quantas famílias perderam prematuramente seus filhos, quantas mães perderam filhos, quantos filhos perderam pais? E eu não vi o presidente da República pegar a moto dele e entrar num hospital para dar um abraço a uma mãe que perdeu um filho. Eu vi mais do que isso, vi um escândalo na corrupção na compra de vacina, como se a vida pudesse custar 1 dólar”, disse Tebet, em resposta à pergunta sobre Saúde Pública da senadora Soraya Thronicke, presidenciável do União Brasil.
CIRO x BOLSONARO II — No segundo bloco, com uma pergunta para cada dois presidenciáveis, após a refrega inicial entre Bolsonaro e Lula sobre o Auxílio Brasil, veio a pergunta de Vera Magalhães sobre a demora na compra de vacina contra a Covid, já roçada no bloco anterior por Tebet. E na consequência da atitude do Governo Federal na queda de cobertura vacinal contra outras doenças. Ciro foi o primeiro a responder. E o fez após questionar com números a afirmação anterior de Bolsonaro de que “a economia está bombando”. Sobre a questão da vacinação, falou também da premiação que recebeu da ONU, quando era governador do Ceará, pelo combate à mortalidade infantil com os 100% de cobertura no estado.
BOLSONARO SENDO BOLSONARO — Quando foi responder à jornalista, Bolsonaro foi Bolsonaro: “Vera, eu não poderia esperar outra coisa de você. Eu acho que você dorme pensando em mim. Você tem alguma paixão por mim (…) Você é uma vergonha para o jornalismo brasileiro”. Ciro e Tebet intervieram em defesa da jornalista, ao que Bolsonaro respondeu novamente como Bolsonaro: “Não pedi a tua opinião”. Aos seus eleitores, a opinião de passar pano em tudo é previamente conhecida. A dos que ainda não são, mas precisará para vencer a eleição, sobretudo das mulheres, a dúvida ficou ainda maior.
Lula respondeu em tom mais duro, não aceitando a responsabilidade política por Bolsonaro. E alfinetou Ciro, dizendo que não foi para Paris no 2º turno de 2018, lembrando que estava preso para não vencer aquela eleição. Mas mentiu ao dizer que foi absolvido da sua condenação por corrupção pela Lava Jato. Que, na verdade, só foi anulada no Supremo Tribunal Federal (STF) por questão de foro e da parcialidade do julgamento de Sergio Moro, sem julgamento até hoje do mérito das acusações, perto da prescrição.
TEBET DESAFIA BOLSONARO — Na pergunta seguinte, a jornalista Thays Oyama, do UOL, destinou a sua sobre a questão dos direitos da mulher às candidatas Tebet e Soraya. A primeira, inicialmente frisou que a defesa da mulher não é uma pauta que possa ser capturada pela esquerda ou pela direita. E que as mulheres no Brasil recebem em média 20% a menos que os homens nos mesmos cargos, diferença que chega a até 50% se a mulher for negra. E aproveitou para criticar o PT, creditando ao partido, como Ciro, a instalação do “nós contra eles” no pensamento político brasileiro. Soraya se solidarizou com a jornalista Vera Magalhães, atacada por Bolsolnaro. E Tebet voltou para enfrentá-lo frontalmente. Após dar números da violência contra a mulher no país, ela disse que isso tem que se combater com exemplo:
— Exemplo que o presidente não dá quando desrespeita as mulheres, quando fala das jornalistas, quando agride, ataca e conta mentiras, como acabou de fazer. Eu quero dizer que eu não tenho medo, que fake news e robôs do seu governo não me amedrontam. Então, quero quero dizer para o presidente da República — disse ao se virar, com o dedo em riste, para encarar Bolsonaro, ao seu lado esquerdo —, nem é para o candidato, que fabrica fake news e que fala inverdades: Eu não tenho medo de você e dos seus ministros! — desafiou Tebet em rede nacional.
SORAYA E BOLSONARO DE TCHUTCHUCA — A pergunta seguinte foi sobre liberdade religiosa no estado laico. Feita pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, foi destinada ao cientista político Luiz Felipe d’Avila, presidenciável do Novo, e a Soraya Thronicke. Quando esta também enquadrou o presidente em rede nacional por sua postura machista. “Quando eu vejo o que aconteceu agora com a Vera (Magalhães), eu fico extremamente chateada. Quando homens são tchutchuca com outros homens (Bolsonaro foi chamado recentemente por um youtuber de “tchutchuca do Centrão”), mas vem para cima da gente (mulheres) sendo tigrão, eu fico extremamente incomodada. Nós dizíamos lá atrás que o PT nos separava para conseguir manipular. E este governo está fazendo a mesma coisa. Temos que não permitir que as pessoas fiquem na política usando o nome de Deus em vão. É vergonhoso!”.
TEBET X BOLSONARO — Se a sorte sorriu a Bolsonaro no primeiro bloco, quando soube aproveitá-la ao dirigir a Lula a sua primeira pergunta pelo critério do sorteio, não foi diferente com Tebet na abertura do terceiro bloco. Ela enumerou várias atitudes do capitão contrárias a mulher, para indagá-lo: “Candidato Bolsonaro, por que tanta raiva das mulheres?”. O presidente se preocupou em falar em tom de voz baixo e polido. Citou políticas de seu governo para a mulher, cumprimentou a primeira-dama Michelle Bolsonaro, falou de médicas bolsonaristas que teriam sido maltratadas na CPI da Covid, pregou o “chega de vitimismo” e o “não fica aqui fazendo joguinho de mi-mi-mi”, garantiu ter “certeza de que grande parte das mulheres do Brasil me amam” e engatou no discurso contra as drogas e pela família.
CIRO X BOLSONARO III — Talvez assustado com a reação das candidatas ao seu ataque contra Vera Magalhães, Bolsonaro perguntou quem faltava, quando chegou a sua vez de indagar outro candidato. Informado pela bancada que faltavam Tebet, Soraya e Ciro, escolheu o único homem para propor: “Vamos bater um papo aqui sobre mulher, Ciro”. E perguntou a opinião do pedetista sobre os programas do seu governo destinadas a mulher. Ouviu que a atitude do presidente contra a jornalista e seu crédito pelo nascimento da única filha mulher a uma “fraquejada”, jogavam por terra qualquer política pela mulher. Bolsonaro disse que já se desculpou pela “fraquejada” e lembrou a declaração de Ciro, na eleição presidencial de 2002, de que “a missão mais importante da sua esposa era dormir contigo”. O cearense admitiu o erro, disse que já se desculpou várias vezes e partiu para cima do capitão:
— Eu estou falando da sua falta de escrúpulo. Você corrompeu todas as suas ex-esposas, todas elas estão envolvidas em escândalos. Você corrompeu os seus filhos. Essa é a questão. E tendo prometido que iria combater a corrupção do PT e do Lula. Essa é a grande contradição que você tem que explicar. Eu não queria trazer esse tipo de argumento aqui, a não ser pela sua falta de caráter de trazer um assunto pessoal de 20 anos atrás de alguém que, criado em cultura machista, reproduziu cultura machista. Mas eu aprendi isso. Você é que não aprende nada, nunca. Porque você é uma pessoa que não tem coração. Simular sufocamento enquanto o povo estava morrendo por falta de oxigênio em Manaus, dizer que não é coveiro com milhares de famílias brasileiras enlutadas. O Brasil tem 3% da população do mundo e é responsável por 11% das mortes (por Covid) no mundo.
LULA x TEBET — Depois, Lula perguntou a Tebet sobre a corrupção que ela investigou no governo Bolsonaro, na CPI da Covid. A senadora confirmou que houve, na tentativa de compra superfaturada da duvidosa vacina Covaxin, mas complementou ao petista: “Este governo (o de Bolsonaro) tem esquema de corrupção, como teve o seu”. Após enumerar alguns deles, ela terminou lembrando o que já tinha dito em entrevista a Globo News de 26 de julho: “E agora talvez o maior escândalo do Brasil de corrupção, o tempo dirá, o Orçamento Secreto. A consequência do Mensalão e do Petrolão vai ser a do Orçamento Secreto”.
“EX-PRESIDIÁRIO” I — Logo depois, Bolsonaro ganhou um direito de resposta. Que aproveitou para chamar Lula de “ex-presidiário” pela primeira vez: “Bem, é do Lula: ‘Ainda bem que a natureza criou esse monstro do Coronavírus’. Que moral tu tem para falar de mim, hein, ô, ex-presidiário?”.
“EX-PRESIDIÁRIO” II — Nas considerações finais, Ciro e Tebet voltaram a se destacar, parecendo sinceros em seus apelos emocionais por uma chance ao eleitor. A presidenciável do MDB frisou: “O Brasil é muito maior que Lula e Bolsonaro”. Entre os dois, Bolsonaro repetiu seu refrão “Deus, pátria, família e liberdade”, chamou Lula de ex-presidiário pela segunda vez e disse que o vice dele, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSB), “homem religioso, resolveu cantar a Internacional Socialista”.
LULA PERDEU O TEMPO — Lula já havia falado antes. Quando aproveitou suas considerações finais para também se solidarizar com a jornalista Vera Magalhães, lembrar da importância de Alckmin na sua chapa em 2022 e classificar de “golpe” o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016. Mas também ganhou um direito de resposta. Que usou para falar da “irresponsabilidade de um presidente da República que me chamou duas vezes de ex-presidiário. A razão pela qual eu fui preso, foi para ele se eleger presidente da República. Eu, nesse processo todo, estou muito mais limpo do que ele ou qualquer parente dele”. Contra-atacou muito tarde na questão da corrupção, disse mais uma vez que foi julgado inocente — o que não é verdade — e ia ameaçando Bolsonaro de cortar “num decreto só todos os seus sigilos”. Mas faltou tempo para concluir a frase.
Como Kennedy com Nixon nos EUA de 1960, quem fez Bolsonaro suar nesse primeiro debate presidencial do Brasil de 2022 foram Tebet e Ciro.
Edvar de Freitas Chagas Júnior, empresário, arquiteto urbanista e presidente da CDL-Campos
Pesquisas a presidente indicam 2º turno
Por Edvar de Freitas Chagas Júnior
Como presidente de uma entidade representativa de classe, fico muito à vontade para tecer comentários sobre as atuais pesquisas de intenção de voto, sem necessariamente declarar algum, quer para Presidência da República, governo do Estado, Senado, Câmara ou Assembleia Legislativa.
Com o foco no crescimento do presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, nas recentes pesquisas, creio que como todos, que acompanham atentamente a cena política, essa performance já era esperada. E não atribuo isso apenas a consequência do aumento do valor do Auxilio Brasil.
As pesquisas, nos seus mais variados recortes, obviamente mostram o efeito do Auxílio Brasil que passou de R$ 400 para R$ 600. Mas o crescimento de Bolsonaro aconteceria de uma maneira ou de outra, como consequência do início da campanha e do inevitável acirramento entre duas correntes políticas antagônicas em agendas e discursos.
A redução do distanciamento entre Bolsonaro e Lula nas pesquisas, mostra que, à medida em que vamos nos aproximando das eleições, aumenta a pressão na panela, onde ambos prometem colocar mais comida com menos preço.
Falei em agendas e discursos antagônicos, que em comum têm um certo tempero de ocasião. Infelizmente o país vive um período de prato raso por conta de fatores extremos, como a pandemia da Covid e a Guerra da Ucrânia, dentre outros, que formam um ambiente de insegurança que os americanos chamam de tempestade perfeita.
Não tenho dúvidas de que pleitos acirrados se definem nos detalhes. O crescimento de Bolsonaro nas pesquisas apenas reforça a máxima de que o resultado final é imprevisível. Pode-se concluir que certamente, teremos eleições em dois turnos. Este é o principal recorte das pesquisas atuais.
A campanha que está em curso será rápida, mas com tempo suficiente para oscilações de intenções de votos para a presidência, com candidatos ganhando e perdendo pontos, mas observando sempre a prudência das margens de erro expostas por esses institutos de pesquisas.
Então, é possível antever que estamos diante de um teste — historicamente falando — para a jovem democracia brasileira. O crescimento do presidente Bolsonaro nessas pesquisas não é um ponto fora da curva. E o mesmo aplica-se à consolidação do eleitorado de seu adversário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As ideias de ambos estão colocadas fartamente em pratos limpos. Vale destacar que os extremos muitas vezes se convergem. Volto a observar que os dois têm seus ativos políticos consolidados e vão disputar com fome de voto a fatia disponível, alimentada por promessas de uma bonança após a tempestade.
É praticamente certo que Bolsonaro e Lula irão disputar o 2º turno. Não é possível lacrar — como se diz na gíria das redes sociais — quais dos dois será o mais votado neste1º turno. A tendência é de que o resultado do 1ª turno tenha um distanciamento de dígitos curtos.
Já não se fala mais em eventual 2ª turno. As pesquisas mostram que ele é inevitável, exceto que ocorra o que se chama de um fato novo. Pelos fatos conhecidos, o eleitor prefere até o momento se colocar dividido. Esse acirramento tem sido presenciado em eleições recentes de outros países, não sendo uma reserva de mercado dos brasileiros.
Partindo da premissa que no 2ª turno são zerados os dígitos, e se parte do zero para uma nova eleição, os dois candidatos vão à cata dos votos que não tiveram no 1ª. Então, se estão sentindo a temperatura da panela, saibam que a pressão vai aumentar.
Assim como em toda empresa de capital aberto, o controlador é quem tem 50% mais 1%. Obviamente os cotistas que retém 49% terão influência na governança.
O que se espera é exatamente isso. Não só o respeito a quem tiver um capital de metade mais um, assim como não pode tornar desprezível os outros 49%. Faço essa analogia para afirmar que é possível conviver com as diferenças e isso pode fazer toda.
Os dois candidatos já sinalizaram em teoria e prática como pretende administrar a empresa. Cabem aos acionistas, neste caso os eleitores, escolherem quais dos dois. Essa escolha ultrapassa os limites da economia e se espalha por agendas diversas, mas todas regidas pela mesma regra que é a democracia.
Retomando a linha de raciocínio de que esse será um teste definitivo para a democracia brasileira, espero que ela saia maior deste pleito.