Mulheres, homens, rostos e histórias na linha de frente entre você e a Covid-19

 

Capa da Folha da Manhã de hoje (26)

 

 

(Foto: Folha da Manhã)

“Nós poucos, nós felizes e poucos, nós, bando de irmãos”

(“Henry V”, ato IV, cena III, William Shakespeare)

 

O soldado de bronze da estátua da Praça do Santíssimo Salvador homenageia os campistas que atravessaram o Oceano Atlântico para lutar contra a Alemanha nazista na II Guerra Mundial (1939/1945). Que foi lembrada pela atual chanceler alemã, Angela Merkel, como a mais grave crise vivida pela humanidade nos últimos 75 anos, até a pandemia da Covid-19. Nela, o inimigo não se anuncia com uma suástica. Invisível aos olhos que pode fechar para sempre, o Sars-Cov-2, mais conhecido como novo coronavírus, veio da China e depois da Europa. E atravessou oceanos para chegar a nós, mais rápido que qualquer exército invasor. Contra ele, os soldados na linha de frente também são outros: os profissionais da saúde. Mas, diferente da idealização do bronze das estátuas, quem são essas mulheres e homens de carne e osso que arriscam as próprias vidas para salvar outras, no combate à Covid-19 em Campos? Como veem o inimigo e a si mesmos? Têm medo? O que os motiva a seguir em frente?

Jaqueline Santos, fisioterapeuta intensivista do CCC de Campos

— Vejo, a nós, profissionais de saúde, como soldados escolhidos pra lutar contra um inimigo invisível. Para mim, o momento mais marcante até agora foi quando participei da primeira intubação do primeiro paciente com o diagnóstico de Covid-19 confirmado na nossa UTI. Naquele momento o paciente estava segurando a minha mão. Eu falei com ele que íamos fazer um procedimento e ele me perguntou se isso iria aliviar as dores. E até a sedação fazer efeito, ele ficou segurando na minha mão. É um momento de tensão, porque ao mesmo tempo que temos que tomar decisões importantes, temos que manter a calma para que tudo ocorra bem e passar essa tranquilidade também ao paciente. E não o ver como fonte de contaminação. É uma pessoa necessitando dos seus cuidados. Minha família, no primeiro momento, ficou em pânico. Chegaram até a pedir para que eu me demitisse do hospital. Mas hoje eles compreendem e me dão força pra passar por esse momento — testemunhou Jaqueline Santos, de 38 anos, fisioterapeuta da UTI do Centro de Controle e Combate ao Corononavírus (CCC) de Campos, no Hospital Beneficência Portuguesa.

Sara Lucas, médica do CCC de Campos, do HFM e de SJB

— O desejo de ajudar é mais forte que o medo de me contaminar. Fiz medicina para cuidar do próximo. Não me ocorreu em nenhum momento “fugir” do front. As outras patologias continuam a existir e temos que nos atentar a elas. Nem tudo é Covid-19, mas ela ainda é um desafio para todos da saúde no mundo, ainda sem muita clareza de conduta protocolada mundialmente. Muita informação chega até nós a todo minuto. Estamos em constante estudo. Há por parte da maioria dos colegas um sentimento de união para tentar não chegar ao caos como em outros países. Todos somos de igual importância para que tudo flua corretamente e que não haja perda de paciente nem “baixas” nas equipes por contaminação. Um médico não consegue trabalhar sozinho. É imprescindível a segurança, a recepção, o maqueiro, a limpeza, a administração, a enfermagem, a epidemiologia, a fisioterapia, a equipe da nutrição, o serviço social pra familiares. Não me vejo nem um pouco como heroína. Nem pretendo ser — ressalvou Sara Lucas, 32 anos, médica clínica e radiologista do CCC de Campos, Hospital Ferreira Machado (HFM) e de emergência em São João da Barra.

Aline Sinffitelli, enfermeira da Santa Casa e do CCC de Campos

— Definitivamente não estávamos preparados para lidar com uma pandemia, lidamos com o desconhecido. Apesar dos testes em andamento com vários remédios, ainda não existe um tratamento oficial contra a Covid-19. A enfermagem está na linha de frente no atendimento à pacientes suspeitos ou confirmados dessa nova doença; esta é uma realidade. O dever de atualização de protocolos junto à gestão de enfermagem, realizar treinamentos constantes e garantir que os funcionários estejam preparados para prestar atendimento a esses pacientes. A disponibilidade de equipamentos de proteção individual (EPIs) é nossa aliada, sendo primordial seu uso correto. Os maiores índices de contaminação em todo o mundo são durante a retirada dos EPIs. O risco de contaminação existe e é constante para todos nós. Questionamentos diários acontecem, pois estamos cercados de informações verdadeiras e falsas a todo o tempo na web. Estamos expostos diariamente. A equipe de enfermagem deve estar segura para realizar a assistência — advertiu Aline Sinffitelle, 37 anos, enfermeira coordenadora da UTI da Santa Casa de Misericórdia de Campos e plantonista da UTI do CCC.

Arlan Alteres, administração e serviços gerais da Beneficência Portuguesa

— Tento sempre me colocar no lugar daqueles que estão deitados no leito. Mas tentamos transformar esse receio em forma de nos precaver e ter mais cautela, tomando todos cuidados possíveis para que não nos contaminemos também. A Covid-19 gera medo, pois se trata de um vírus facilmente transmissível. No início fui muito questionado pela família, por conta dessa tarefa que assumimos. Mas, graças a Deus, eles compreenderam e hoje vivo cheio de conselhos, para me proteger corretamente com os EPIs indicados. Tomo todo o cuidado também ao chegar à minha casa. Vejo os professionais da saúde, no meio dessa turbulência mundial, como agentes iluminados por Deus para ajudar aqueles que precisam. Para mim, marcou aquele paciente que veio a óbito. Assim como o colega de trabalho afastado, com a suspeita do coronavírus. É aí que nosso psicológico começar a questionar “poderia ser eu”, pois não estamos livres disso acontecer. Estamos “caminhando sobre um campo minado” — comparou Arlan Alteres, 38 anos, da administração e serviços gerais da Beneficência Portuguesa, onde está instalado o CCC de Campos.

Andrei Azevedo, fisioterapeuta do CCC de SJB e da Santa Casa de Campos

— É um misto de sentimentos saber que a minha ação enquanto fisioterapeuta intensivista é determinante para a vida do meu paciente. Minha família procura compreender e muitas vezes preciso estar ausente para protegê-los. No início da pandemia, a falta de informações e as fakes news desestabilizavam a equipe e todos ao redor. A partir de treinamento, protocolos e acesso aos EPIs, adquirimos equilíbrio emocional. Não somos heróis; quem dera se pudéssemos salvar a todos. Precisamos de condições adequadas, remuneração digna e de mais profissionais. Fui chamada na madrugada para avaliar um paciente que testou negativo para Covid-19. Assim que entrei na ambulância encontrei um homem jovem, forte, com muita falta de ar, que olhou nos meus olhos e pediu para que eu não o deixasse morrer, porque ele tinha filhos pequenos. Ele foi encaminhado à emergência, onde realizamos os procedimentos necessários. Ao amanhecer veio o resultado de um novo teste positivando Covid-19. Em uma semana perdemos nosso paciente para esse inimigo invisível — contou Andreia Azevedo, 40 anos, fisioterapeuta das UTIs do CCC de São João da Barra e da Santa Casa de Campos.

Bruna Lucas, gerente de efermagem da Santa Casa e enfermeira supervisora da Beneficência Portuguesa

— O desconhecido causa insegurança, mesmo que existam vários estudos sobre a doença, ainda não sabemos a dimensão dela. Devemos considerar que os sinais e sintomas variam muito de um indivíduo ao outro, enquanto em outras enfermidades o diagnóstico é mais rápido. Apesar do medo da maioria dos nossos familiares, tenho o apoio hoje de todos. Porém, no começo, tivemos alguns que entraram em desespero. Eu, como profissional de saúde, comecei a educá-los com os cuidados com roupas e sapatos, idas à rua, uso de máscaras e a coisa funcionou. Nos locais que trabalho, estamos todos em prol da qualidade de assistência aos pacientes, sendo eles Covid-19 ou não. Sabemos que passamos por uma época de instabilidade emocional e econômica no nosso país. E se nós, profissionais, não nos apoiarmos, não terá estabilidade que aguentará. Sobre o isolamento social e o fato de não cumprirem, vai gerar um grande colapso nos sistemas de saúde, já que a quantidade de pessoas que precisarão de tratamento será maior do que a demanda de leitos em hospitais — alertou Bruna Lucas, de 36 anos, gerente de enfermagem da Santa Casa e enfermeira supervisora da Beneficência Portuguesa.

Luiz Otávio Barreto médico clínico e nefrologista que leva o serviço de heomidíalise a várias UTIs de Campos

— Todos os dias estou em unidades de terapia intensiva examinando e realizando procedimentos em pacientes que precisam de hemodiálise. Já é uma rotina que exige cuidados contra contaminação bacteriana e viral. Diante de uma doença com alto potencial de contágio, os cuidados devem ser maiores. Mas sabendo que a minha atuação pode fazer diferença entre o paciente viver e morrer, a vontade de ajudar pessoas prevalece sobre o medo. Há diferença por se tratar de uma doença nova, ainda sem respaldo científico robusto sobre o tratamento ideal. Recuperar um paciente de qualquer enfermidade gera satisfação. Mas, de fato, em casos mais desafiadores a sensação é diferente. Na minha vida profissional o momento mais marcante foi quando perdi meu primeiro paciente. Foi triste, mas aprendi muito ali. No atual contexto, o que me marcou até aqui foi a união das pessoas envolvidas na montagem do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus. Espero que seja o mais marcante — projetou Luiz Otávio Barreto, 37 anos, médico clínico e nefrologista que trabalha com hemodiálise nas UTIs do CCC e dos hospitais Geral de Guarus (HGG), Santa Casa, Álvaro Alvim e Plantadores de Cana.

Ana Paula Abido, fisioterapeuta intensivista do CCC de Campos e do hospital de campanha de Quissamã

— Não podemos ser afoitos, temos que nos paramentar primeiro. Não adianta eu ajudar ao paciente e me contaminar. Em relação a outras doenças, se forem contagiosas, os cuidados devem ser os mesmos. Por minha família eu não trabalharia de jeito nenhum. Porém eu estudei para isso e tenho dever como profissional da saúde de ajudar ao próximo, principalmente nesse momento. Somos uma equipe bem treinada e tentamos cuidar uns dos outros. Isso é muito importante já que se uma colega se contamina, ela pode contaminar os demais do plantão. Além de ter muito cuidado com a minha paramentação, tento sempre ajudar ao colega e ver se ele está paramentado da maneira correta. Para mim, o momento mais marcante foi quando entrei no leito de um paciente jovem com Covid-19 positivo, ele estava com cateter de O2 e com máscara de procedimento para que não tossisse em cima de ninguém. Apesar de estar totalmente paramentada, o paciente retirou a máscara e começou a tossir em cima de mim. Fiquei muito nervosa — lembrou Ana Paula Abido, fisioterapeuta intensivista do CCC de Campos e do hospital de campanha de Quissamã.

 

Pàgina 4 da edição de hoje (26) da Folha

 

Júlio César Nogueira, fisioterapeuta intensivista do CCC de Campos e do HFM

— O momento mais marcante até aqui foi ver um paciente jovem de 39 anos não conseguir resistir ao Covid-19, deixando sua família e dois filhos pequenos. Tento fazer todos os procedimentos dentro das normas de segurança, não me afobando para exercer minha atuação. Pelo fato de ser uma doença com alta capacidade de infecção, há necessidade de haver maior cuidado e precaução no manejo dos pacientes em relação a toda equipe de atendimento. Tenho total apoio dos meus familiares, mesmo que eles e amigos fiquem apreensivos. A relação com a equipe de trabalho tem sido de muita compreensão e cooperação, onde todos sabem dos riscos que correm. E da necessidade de se prevenirem para que não se contaminem e nem aos próprios colegas da equipe. Como eles, me vejo como um ser humano querendo ajudar o próximo, não como herói. Todos devem fazer sua parte, seja quem estiver na linha de frente, seja quem estiver em casa cumprindo o isolamento social —cobrou Júlio César Nogueira, de 34 anos, fisioterapeuta das UTIs do CCC de Campos e do HFM.

Eduardo Abi-Kair, médico cardiologista e coordenador da UTI do Beda II

— O medo é uma constante, assim como a fé. O que move é a consciência de estar ajudando a maior quantidade de pessoas possível, pacientes e profissionais da equipe, tomando todas as precauções possíveis. E com a certeza que Deus também olha por mim e minha família. Não poderia me dar ao luxo de cruzar os braços e simplesmente não fazer nada nesse período. Sem falar na comoção gerada por ver pacientes acometidos de maneira grave e sendo submetidos a procedimentos invasivos mesmo em seu vigor físico prévio, o que tem mudado muito o perfil de ocupação das unidades de terapia intensiva. Entre família e amigos questionam quais serão os meus planos B, C, D e E para um contágio. Que, ao meu ver, infelizmente irá ocorrer cedo ou tarde. É nesse ponto que os pensamentos ruins vêm: se serei um dos pacientes graves, se minha e esposa, pais irmãos, familiares e amigos serão; quem de nós vai partir. Sou grato a Deus e a todos que saem de casa dando o melhor de si pelo próximo independente da profissão. O mundo mudou e provavelmente não voltará a ser o mesmo — projetou Eduardo Abi-Kair, 34 anos, médico cardiologista e coordenador da UTI do Hospital Dr. Beda II.

Mário Borges, enfermeiro da UTI do CCC de Campos

— Lido diretamente com pacientes de Covid-19, dentro de uma unidade de tratamento intensivo. O equilíbrio entre a necessidade de ajudar e o medo, é ter em mente que poderia ser um familiar meu ali, ou mesmo eu. Isso me dá força para levar adiante a profissão que escolhi, já sabendo que poderia lidar com todo tipo de doença. Mas é um vírus novo, todos estamos aprendendo como lidar com determinada situação, e nos atualizando a cada dia. Recebo todo apoio de familiares e amigos, mesmo que só por telefone já que temos que manter distância por precaução. Estamos trabalhando unidos e com um único propósito: a cura dos pacientes, buscando sempre novos conhecimentos. Vejo os que estão na linha de frente como guerreiros. Quando decidimos entrar nessa profissão juramos o bem estar do paciente em primeiro lugar. E todos estão firmes fazendo de tudo para salvar vidas. O momento mais marcante foi na perda do nosso primeiro paciente vítima de Covid-19 — lembrou Mário Borges, 32 anos, enfermeiro da UTI do CCC de Campos.

Rodrigo Carneiro, médico infectologista do HGG e do Hospital São José do Avaí, de Itaperuna

— Não há diferença entre a recuperação de um paciente com Covid-19 e outra doença transmissível. A satisfação pessoal é proporcional à letalidade da moléstia e existem doenças mais graves. Família e amigos questionam sempre sobre a história natural da pandemia, se está acabando ou ainda vai piorar. A relação com a equipe multidisciplinar é quase sempre muito boa, todos estão muito empenhados em prestar a melhor assistência. Inicialmente o medo se abateu em alguns, mas com treinamentos e o conhecimento do inimigo os profissionais de saúde estão mais tranquilos. Não acho que sejamos heróis. Somos uma classe trabalhadora, pensante e essencial para o bem estar coletivo. Logo no início da pandemia dei o diagnóstico da infecção a um profissional de saúde. Apesar de ser atuante na área, o colega ficou desesperado a despeito de seu quadro ser classificado como “leve”. O medo existe, mas é controlado. Claro que os EPIs adequados devem estar disponíveis para utilização. O que não podemos, em hipótese alguma, é deixar de prestar assistência — pontuou Rodrigo Carneiro, médico infectologista do HGG e do Hospital São José do Avaí, de Itaperuna.

Roseane da Silva, fisioterapeura intensivista do CCC de Campos e do hospital de campanha de Quissamã

— Neste momento não nos cabe o heroísmo, e sim cautela e atenção consigo e depois com os demais. A Covid atingiu toda população, com todas as mídias dando atenção, onde tudo é novo. Mas não deve ser tratada como mais grave ou menos grave que as demais doenças, que ainda possuem uma grande incidência de mortalidade e comorbidades. É gratificante ver o reconhecimento que recebemos nesse momento tão difícil que o mundo passa. Mas ao mesmo tempo lamento, pois precisamos passar por uma pandemia pra que se lembrem que nos hospitais existem pessoas que correm risco 24h por dia, que precisaram se afastar das suas famílias para que outras famílias estejam juntas. Esse reconhecimento deveria ser na mesma proporção que nos expomos, com salários justos, melhores condições de trabalho e respeito. Todos os dias são marcantes, todos os dias somos confrontados. Mas quando me vi em uma situação onde eu poderia vir a ser o paciente, sem dúvidas foi onde me marcou. É você fechar os olhos e tentar ver onde errou e não encontrar resposta — ponderou Roseane da Silva, 26 anos, fisioterapeuta intensivista do CCC de Campos e do hospital de campanha de Quissamã.

Luís Alberto Tavares, médico pediatra do Hospital da Unimed de Campos

— Embora não trabalhe no CCC, não posso negar meu interesse profissional de responder a esta entrevista, uma vez que pelas características epidemiológicas do novo coronavírus. Por trabalhar em uma emergência, acabo lidando diretamente com pacientes suspeitos e confirmados de Covid-19. E pela primeira vez existe um conflito entre a execução do cuidado médico e o medo declarado, ou não, da própria contaminação. E da possibilidade de contaminação dos nossos familiares através de nós. Talvez a maior lição diária da pandemia está sendo perceber que subitamente os profissionais em todas as áreas, e não somente na saúde, perceberam que frente à ameaça comum, estar ao lado um do outro não soma, mas multiplica forças. É uma potencialização jamais antes vista. É compreensível a mitificação do profissional de saúde ocorrer de forma espontânea e generalizada na sociedade, se espalhando nas redes sociais através de textos e cenas emocionantes. Mas acreditem: não há deuses. Há pais, filhos, noivos, namorados; há parentes distantes — esclareceu Luís Alberto Tavares, 60 anos, médico pediatra do Hospital da Unimed de Campos.

Pedro Henrique Monteiro, fisioterapeuta intensivista do CCC de Campos e do hospital de campanha de Quissamã

— Colocar em prática a experiência e o conhecimento da fisioterapia neste novo contexto de pandemia é um misto de emoções. Do medo ao encorajamento de saber que estou contribuindo em um momento tão delicado. Existe diferença, sim, a Covid-19 é algo novo para todos nós e não sabemos como será o amanhã, não sabemos se o que estamos pensando ser realmente é. O que temos certeza é com relação à sua forma de contaminação, para isso redobramos os cuidados. Enquanto fisioterapeutas, ainda são poucos os que reconhecem o nosso trabalho e dedicação. Muitos não sabem o quanto somos fundamentais, principalmente para que os pacientes voltem a respirar sem aparelhos. O momento mais marcante foi quando perdemos o nosso primeiro de Covid. Lembrar que o recebi andando, respirando sozinho, com pequena falta de ar. E, em poucos dias, sem que ao menos pudesse se despedir de seus familiares, evoluiu a óbito. Isso me marcou tanto que só pude imaginar que poderia ser outra pessoa qualquer, como por exemplo a que mais amo — refletiu Pedro Henrique Monteiro, 26 anos, fisioterapeuta das UTIs do CCC de Campos e do hospital de campanha de Quissamã.

Helena Mantovanelli, médica clínica e endocrinologista das UTIs do CCC de Campos e do HFM

— Em tempo de pandemia redobramos os cuidados com EPIs e seguimos em frente para ajudar o próximo como se fosse um familiar nosso. O receio em lidar com doenças infecciosas é o mesmo. Não há diferença entre tratar meningite, tuberculose ou Covid-19. Fazem parte do mesmo grupo de cuidados redobrados que temos que ter com EPIs. Trata-se de uma doença nova e desafiadora, onde existem muitas interrogações. Mas não há heroísmo! Estamos cumprindo nosso papel como médicos e colocando em prática o juramento que fizemos. A medicina vinha caminhando em uma curva descendente de não reconhecimento pela sociedade atual. É gratificante resgatarmos um pouco do reconhecimento que veio se perdendo ao longo dos anos. Quando estamos em uma guerra onde o inimigo é invisível, o coletivo faz toda a diferença e as equipes dos hospitais onde trabalho são coesas e bem articuladas. Todos cumprem seu papel com maestria. Cada um tem sua função e todos fazem a diferença no desfecho — testemunhou Helena Mantovanelli, 39 anos, médica clínica e endocrinologista das UTIs do CCC e do HFM.

 

Fundado em 1875, jornal carioca “Gazeta de Notícias” noticiava as consequências devastadoreas da chegada da gripe espanhola no Rio de Janeiro, em 15 de outubro de 1918

 

Usada sem que muitos se liguem ao seu significado, a palavra pandemia designa uma endemia, uma doença de caráter global. Seu prefixo grego “pan” abarca cada um e a todos. Até a Covid-19, a última que a humanidade enfrentou tinha sido a gripe espanhola. Hoje mais conhecida como Influenza H1N1 e imunizada por vacina, se estima ter matado até 100 milhões de pessoas no mundo, inclusive em Campos, entre 1918 e 1920. A partir do final da I Guerra Mundial (1914/1918), matou mais que ela, antes de saírem da planície goitacá os combatentes de carne e osso contra o nazifascismo na II Guerra, cujo bronze da estátua da Praça do Santíssimo homenageia como heróis. Esta classificação, como seria de se esperar, é negada pelos 16 combatentes da guerra de hoje, ouvidos pela Folha.

Em seu livro “Heróis”, a historiadora cultural, biógrafa e escritora inglesa Lucy Hughes-Hallett dá algumas definições de herói. “Associa-se à coragem, à integridade e ao desdém pelas mesquinhas concessões que permitem à maioria não-heroica ir levando a vida” diz ela no prólogo. Adiante, questiona e justifica o fenômeno social que hoje ocorre com os profissionais de saúde: “Afirmar que a maioria dos ídolos tem pés de barro é uma banalidade; o que é interessante é perguntar por que, sabendo disso, ainda somos fascinados por eles (…) A natureza e a função do herói modificam-se juntamente com a mentalidade da cultura que o produz, bem como as qualidades atribuídas ao herói, os feitos que se esperam deles e seu lugar na estrutura social e política como um todo”. E conclui: “Assim como os heróis são moldados pelo passado, eles, por sua vez, moldam o futuro”.

A Covid-19 não é o primeiro enfrentamento capital da humanidade. E, apesar dos cerca de 200 mil mortos que já deixou no planeta, com o Brasil e Campos em curva ascendente, não será o último. Como é certo que as perdas finais só não serão maiores por conta dos profissionais de saúde que assumem seu papel, com o risco da própria vida, em defesa da vida alheia. Do passado em que foram moldados as mulheres e homens de carne e osso de hoje, para moldar o mundo dos que sobreviverão, o soldado da praça do Santíssimo Salvador lança seu olhar de bronze ao presente. Do tempo dele e lutando do mesmo lado naquela grande crise vencida há 75 anos, Richard D. Winters foi comandante de uma companhia militar dos EUA na Europa, retratada no seriado “Band of Brothers” (“Bando de Irmãos”). Nele, o testemunho real do veterano da II Guerra, morto em 2011, dialoga com um futuro possível aos 16 personagens ouvidos nesta reportagem e seus colegas: “Um dia meu neto me perguntou: ‘Vovô, você foi um herói na guerra?’ E eu respondi: ‘Não, mas lutei em uma companhia de heróis’”.

 

 

Página 5 da edição de hoje (26) da Folha

 

0

Moro sai e revela: Bolsonaro tenta tutelar a PF. Dilma tentou, não conseguiu e caiu

 

 

Pelo que Moro revelou hoje (confira aqui) em sua saída do governo, Bolsonaro fez o que Dilma até tentou, mas não conseguiu, para tentar permanecer no poder. A tentativa é a mesma: tutelar politicamente as investigações da Polícia Federal. Que em várias frentes chega muito perto dos filhos do presidente, como chegaram antes aos altos escalões do PT.

Se Dilma não fez, e assim mesmo caiu de madura, fica uma pergunta. Com seus novos aliados do Centrão Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto, caídos de podre nos escândalos de corrupção dos governos petistas, Bolsonaro conseguirá se manter no poder?

 

0

Mais repercussões da fala do promotor sobre Covid-19 pela OAB-Campos e MPRJ

 

Antes da postagem (confira aqui) do pedido de desculpas do promotor de Justiça Marcelo Lessa, pelo excesso ao externar opinião em entrevista à InterTV sobre o atendimento médico dos pacientes da Covid-19, que gerou nota de repúdio da OAB-Campos, o blog entrou em contato com o presidente desta, o advogado Cristiano Miller. Ao ser previamente informado da análise feitas dos fatos, entre o que se considerou erro e acertos do promotor no combate à pandemia em Campos e região, Cristiano estendeu sua avaliação para além da nota emitida ontem (21).

O presidente da OAB-Campos frisou que não se trata de uma disputa da sua instituição com o MP, tampouco com o promotor Marcelo Lessa — “o que verdadeiramente não existe”. E respondeu à análise do blog:

 

Cristiano Miller, presidente da OAB-Campos

“Conforme falamos ao telefone, respeito o seu posicionamento. Contudo, não concordo com a alegação de que a atuação do Marcelo Lessa esteja sendo fundamental no combate à pandemia da Covid-19. Não quero, por evidente, menosprezar todo o esforço do Marcelo. O que questiono é a legitimidade das suas ações. A dedicação e o empenho não podem se transformar em abuso de poder. E, por vezes, essa linha é muito tênue.

Ademais, ainda que haja boa intenção, não podemos nos esquecer da função do MP, que não possui poder decisório. Em vários momentos, e ainda mais numa situação de pandemia, é importante que o MP atue em apoio à sociedade. Mas esse papel não lhe transfere o poder de decidir, no caso, como se Executivo fosse. O fato de o STF ter reconhecido aos municípios a competência para legislar sobre as questões atinentes a esse momento, em especial para restringir a circulação de pessoas, em nada se confunde com o fato de o MP passar a determinar o que pode e o que não pode. E assim o é exatamente por conta do que dispõe a Constituição Federal acerca do papel institucional do MP.

O MP pode e deve opinar, recomendar. Mas cabe a Poder Executivo seguir às recomendações ou não, sem qualquer dever vinculatório.

Enfim, é preciso que tenhamos muita serenidade, para não sermos levados por comportamentos que aparentam comprometimento com o combate à pandemia. E eu acredito nessa intenção. Mas que, ao fundo, podem caracterizar abuso de poder”.

 

Além dos posicionamentos da OAB-Campos e seu presidente, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) também publicou em seu site (confira aqui), desde a noite de ontem (21), uma “nota de esclarecimento sobre o entendimento institucional para fiscalização dos protocolos adotados por profissionais de saúde”, a partir da repercussão das declarações do promotor estadual de Campos à Inter TV:

 

 

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Em relação à entrevista concedida pelo promotor de Justiça da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Campos dos Goytacazes ao RJ InterTV 2, no dia 20/04, sobre escolhas a serem feitas pelos profissionais de saúde no atendimento a pacientes diagnosticados com Covid-19, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio de sua Força Tarefa de atuação integrada na fiscalização das ações estaduais e municipais de enfrentamento à Covid-19 (FTCOVID-19/MPRJ) e do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça de Saúde (CAO-Saúde), emitiu nota para dar publicidade ao entendimento institucional acerca dos critérios que orientam os médicos na escolha de prioridade de disponibilização de tratamento com respiradores a pacientes com suspeita de infecção pelo novo coronavírus.

O entendimento institucional é no sentido de que o Ministério Público não detém competência e nem conhecimento para estabelecer aprioristicamente critérios gerais e abstratos para orientar os médicos nessa árdua tarefa. O MPRJ entende que o sistema de justiça não pode se imiscuir, nesse momento, nesta decisão que deve estar calcada exclusivamente em diretrizes técnicas médicas, a serem editadas pelos órgãos competentes.

Após a edição dos protocolos médicos pelo gestor, a atuação do Ministério Público será no sentido de fiscalizar o cumprimento dos atos normativos. O MPRJ descarta qualquer critério de priorização para atendimento a paciente com Covid-19 com base em análises que contenham cunho subjetivo.

Leia aqui a íntegra da nota:

A Corregedoria-Geral do MPRJ informa que instaurou procedimento no âmbito institucional para analisar as condições e as circunstâncias de manifestação proferida por membro do MPRJ à imprensa, na qual anteciparia seu entendimento acerca de fatos por ele apreciados, relativos a atuação de profissionais de saúde. Será analisada possível responsabilidade funcional prevista no estatuto disciplinar do MPRJ. Em mensagem dirigida ao procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, nesta terça-feira (21/04), o promotor de Justiça reconheceu que a entrevista foi um equívoco e que embora tenha utilizado as dependências do MPRJ, expressou sua opinião pessoal, não sendo nem mesmo detentor de atribuição para atuar nessa área.

0

Promotor e OAB de Campos na crise da Covid-19 — Erro, virtudes, crítica e desculpas

 

Desde a noite de segunda (20), com a repercussão da entrevista do promotor de Justiça Marcelo Lessa Bastos à InterTV, sugerindo adoção de critérios médicos que privilegiassem o tratamento dos doentes de Covid-19 que cumprem as regras de isolamento social, em detrimento de quem as quebrou e questionou, a polêmica foi inevitável. E tomou conta das redes sociais não em Campos e região, mas até em níveis estadual e nacional.

A repercussão levou a 12ª subseção da OAB de Campos a emitir ontem uma nota de repúdio à posição externada pelo titular da 2ª Promotoria de Tutela Coletiva de Campos. E um dos mais ativos integrantes do gabinete de crise do município para o enfrentamento da pandemia. Contra a qual tem atuado diuturnamente, sete dias por semana, com poucas horas de sono entre eles, em Campos e municípios vizinhos.

Mas não há como não concordar com a conclusão da nota da OAB-Campos: “Inobstante a dedicação e a preocupação demonstradas pelo Promotor de Justiça Dr. Marcelo Lessa Bastos, tais elementos não o legitimam a definir o critério a quem deve ser ou não concedido o direito à vida”. Como não há também como ignorar a hipocrisia, leiga em direito e medicina, de quem usa as redes sociais para pregar contra o isolamento social. Mas agora grita pelo seu direito constitucional de ser atendido, caso seja contaminado por uma doença que se propaga através do contato social.

Todos os que estão na linha de frente contra a Covid-19 em Campos e região sabem da importância de Marcelo Lessa em seu combate. E como toda a população estaria mais exposta à doença, se não fosse o trabalho do promotor. Isso não lhe dá, por óbvio, o direito de sugerir critérios para uma decisão que cabe apenas aos médicos e demais profissionais de saúde. Que, certamente, teriam muito mais trabalho em salvar vidas, sem a coragem, a dedicação e a veemência do titular da 2ª Promotoria de Tutela Coletiva de Campos.

Embora possa ter acertado nas suas ações no combate à pandemia, Marcelo errou no que disse. Mas, como é seu hábito profissional e pessoal, errou pelo excesso. Não pela omissão.

Abaixo, o pedido de desculpas do promotor, seguido da nota de repúdio do OAB às suas declarações:

 

Promotor de Justiça Marcelo Lessa em sua atuação no gabinete de crise contra a Covid-19 (Foto: Folha da Manhã)

 

Marcelo Lessa Bastos — Já me reportei ao procurador-geral (do Estado do Ro de Janeiro, Eduardo Gussem), reconhecendo a inconveniência da entrevista, e prefiro não alimentar mais qualquer tipo de polêmica, em respeito a todas as pessoas e instituições que possam ter de sentido ofendidas, com quem aproveito para me desculpar.

 

 

NOTA DE REPÚDIO

No dia de hoje (21.04.2020), deparamo-nos com uma entrevista (concedida a um canal de televisão e reproduzida por inúmeros outros meios de comunicação), na qual o Promotor de Justiça Dr. Marcelo Lessa Bastos defendeu a “escolha” de pacientes que receberiam atendimento médico em decorrência da COVID-19 deve recair sobre aqueles que estão seguindo as recomendações de isolamento, em detrimento dos demais que, porventura, não estivessem respeitando as mesmas regras de distanciamento social.

Devemos ressaltar, desde logo, que concordamos inteiramente com as orientações das autoridades médicas mundiais, que recomendam o isolamento social no presente momento, em especial para que se consiga controlar o número de pacientes que venham a ser infectados simultaneamente pelo coronavírus, para que, por conseguinte, não haja o colapso no atendimento médico a ser prestado a esses pacientes.

Todavia, por evidente, não podemos concordar com a “sugestão” transmitida pelo aludido Promotor de Justiça na reportagem jornalística antes referida, visto que associar-se a tal pensamento seria desconsiderar toda a trajetória de lutas/conquistas em prol dos direitos humanos, os quais nutre como fundamento a dignidade da pessoa humana.

A situação é delicadíssima e todo o esforço está sendo feito para que não cheguemos ao momento de “escolha” daqueles que serão atendidos. No entanto, caso porventura (e lamentavelmente) esse momento aconteça, em hipótese alguma pode-se validar a opinião de um membro do Ministério Público, por mais respeitável que seja.

A dificílima decisão a ser tomada – no caso concreto que eventualmente venha a ocorrer – deve caber exclusivamente ao profissional médico, que, por sua vez, levará em conta o seu conhecimento técnico acerca da matéria e os princípios norteadores da ética médica.

Inobstante a dedicação e a preocupação demonstradas pelo Promotor de Justiça Dr. Marcelo Lessa Bastos, tais elementos não o legitimam a definir o critério a quem deve ser ou não concedido o direito à vida, razão pela qual a 12ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil/RJ manifesta o seu repúdio aos comentários e opiniões emanadas pelo referido membro do Ministério Público na matéria jornalística acima mencionada.

Campos dos Goytacazes, 21 de abril de 2020.

Cristiano Simão Miller, presidente da 12ª Subseção da OAB/RJ

Casa do Advogado Rua Barão da Lagoa Dourada, 201 – Pq. Jardim Maria Queirós – Campos dos Goytacazes – RJ CEP.: 28035-211

Tel.: (22) 2726-1200 – E-mail: campos@oabrj.org.br – Site: www.oabcampos.org.br

 

Leia mais sobre o assunto aqui.

 

0

Covid-19 — Hospital estadual de campanha em Campos adiado e com denúncias

 

(Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Segundo o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD), após contato com o secretário estadual de Saúde Edmar Santos, o novo prazo para entrega do hospital estadual de campanha para a Covid-19 seria 5 de maio. Mas ele só entraria em operação duas semanas depois, daqui a cerca de um mês.

Pela grande demanda no mercado internacional, a dificuldade seria a compra de respiradores mecânicos para os leitos de UTI, necessários aos casos mais graves da doença. Montado na área da antiga Vasa, na av. 28 de Março, o hospital de campanha de Campos foi projetado para ter 20 leitos de UTI e 80 leitos clínicos.

O adiamento do prazo inicial de entrega para o dia 30 deste mês, foi anunciado pela Folha (confira aqui). No domingo, o jornal trouxe uma matéria (confira aqui) sobre as denúncias de superfaturamento no contrato para construção dos hospitais estaduais de campanha em Campos e Casimiro de Abreu.

No contrato assinado entre o governo Wilson Witzel (PSC) e a organização social Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), só a implementação das duas unidades custará ao cofre público quase R$ 20 milhões por mês, 10 vezes mais que a construção de um hospital de campanha em São Paulo com maior capacidade. Após o contrato, o Ministério Público Estadual instaurou inquérito civil para investigar as denúncias de superfaturamento.

 

0

Mosteiro da Santa Face continuará a distribuir comida, mas com novo protocolo

 

Por conta da aglomeração de pessoas na distribuição de comida pelas freiras, a rua Marechal Floriano foi fechada e novos protocolos serão estabelecidos (Reprodução de vídeo)

 

A distribuição diária de refeições pelas freiras do Mosteiro da Santa Face, que teve grande aumento na demanda por conta do isolamento social para conter a pandemia da Covid-19, vai continuar com o fechamento (confira aqui) da rua Marechal Floriano, no entorno do Jardim São Benedito. Mas, a partir desta terça (21), funcionará com filas em sentidos opostos, separadas entre homens e mulheres. E um novo protocolo, com distribuição de senhas, deve passar a vigorar a partir de quinta (23). Foi o que ficou decidido na tarde de hoje (20), entre o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), integrantes do gabinete municipal de crise, incluindo Ministério Público e forças de Segurança Pública, e dois representantes do Mosteiro, já que suas 10 freiras fizeram voto de clausura.

Amanhã, a secretária municipal de Desenvolvimento Humano e Social, Priscila Marins, deve se reunir com a irmã Maria da Encarnação, madre superiora do Mosteiro. Comunicadas de teor do que foi discutido na reunião de hoje por seus representantes, elas concordaram com as medidas, que visam a manutenção da ordem pública e as normas sanitárias de afastamento entre as pessoas, por conta da pandemia do novo coronavírus. Uma nova reunião será marcada na quarta (22), entre os representantes do Mosteiro do Jardim São Benedito e a secretária de Desenvolvimento Humano e Social, para fechar as regras do protocolo que será adotado a partir do dia seguinte.

 

0

Covid-19 — Com 6 casos confirmados, 1 morto e 3 curados, Bom Jesus tem nova UTI

 

 

Com uma morte (confira aqui), seis casos confirmados, 34 suspeitos e 49 descartados de Covid-19, Bom Jesus do Itabapoana teve hoje duas boas notícias sobre a pandemia do novo coronavírus. A primeira é, apesar do óbito do taxista Farley Cursio no dia 5, dos outros cinco casos confirmados, três já são considerados curados. Outro segue internado e o último está em isolamento residencial.

A outra boa notícia é que o Hospital São Francisco de Paulo conta com uma nova UTI, com 13 leitos, sendo um para paciente com necessidade de isolamento, para atender o município:

— Mais uma vez agradeço todo o empenho do diretor do Hospital, Vitor Pavan, que possibilitou a montagem dessa UTI para atender a população bom-jesuense nesse momento de crise — disse o prefeito Roberto Tatu.

 

Autoridades do município e direção do hospital de Bom Jesus diante da nova UTI (Foto: Divulgação)

 

0

PGR pede investigação de atos contra a democracia com a presença de Bolsonaro

 

Bolsonaro saudou no domingo seus apoiadores, que quebraram o isolamento social para pedirem intervenção militar no país com o presidente no poder (Foto: Pedro Ladeira – Folhapress)

 

O procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou hoje (20) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para apurar “fatos em tese delituosos envolvendo a organização de atos contra o regime da democracia participativa brasileira”. Aras não citou especificamente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que participou ontem (19) do ato dos seus militantes em Brasília, em frente ao Quartel-General do Exército Brasileiro, no Da d Exército. Vários apoiadores do presidente pediram a intervenção militar no país, o fechamento do STF e do Congresso Nacional, além da volta do AI-5. Assinado em 13 de dezembro de 1968, o Ato Institucional nº5 inaugurou o período mais violento da última ditadura militar brasileira (1964/1985). Cassou direitos políticos, censurou, prendeu, torturou e matou os opositores daquele regime, que sempre teve em Bolsonaro um defensor.

O procurador-geral da República justificou o pedido de abertura de inquérito ao STF dizendo que os atos foram cometidos “por vários cidadãos, inclusive deputados federais” da base de apoio do governo Bolsonaro. Cabe ao Supremo investigar pessoas com foro, como deputados. A presença do presidente na manifestação dos seus militantes, com pedidos em afronta ao estado democrático de direito, gerou forte repercussão negativa entre políticos, ministros da Suprema Corte e entidades. Bolsonaro não é alvo do inquérito pois até o momento não há indício de participação dele na organização dos atos.

A investigação não é restrita ao ato de Brasília, com a presença do presidente. Mas é extensiva a todos os atos realizados ontem no país, em que participantes pediram o fechamento de instituições democráticas, como o Congresso Nacional e o STF. O inquérito visa apurar possível violação da Lei de Segurança Nacional (7.170/1983). “O Estado brasileiro admite única ideologia que é a do regime da democracia participativa. Qualquer atentado à democracia afronta a Constituição e a Lei de Segurança Nacional”, afirmou o procurador-geral, Augusto Aras. No domingo, ele já havia divulgado uma nota pública em que reiterou o compromisso do Ministério Público brasileiro de velar “pela ordem jurídica que sustenta o regime democrático, nos termos da Constituição Federal”.

Após a participação nos protestos de ontem promovidos por sua militância, Bolsonaro teria sido advertido pela cúpula militar do seu governo. Na manhã de hoje, na saída do Palácio da Alvorada, ele tentou botar panos quentes nas fortes reações geradas pelos protestos contra a democracia com a sua participação. O presidente chegou a advertir um militante que pediu que ele fechasse o Supremo:

— Sem essa conversa de fechar. Aqui não tem que fechar nada, dá licença aí. Aqui é democracia, aqui é respeito à Constituição brasileira. E aqui é minha casa, é a tua casa. Então, peço por favor que não se fale isso aqui. Supremo aberto, transparente. Congresso aberto, transparente.

Sobre as várias faixas e pedidos por intervenção militar, retorno do AI-5, fechamento do Congresso e do Supremo, aos quais se calou ao participar dos protestos no dia anterior, o presidente tentou atribuir a “infiltrados” entre os seus militantes:

— Em todo e qualquer movimento tem infiltrado, tem gente que tem a sua liberdade de expressão. Respeite a liberdade de expressão. Pegue o meu discurso, dá dois minutos, não falei nada contra qualquer outro poder, muito pelo contrário. Queremos voltar ao trabalho, o povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército Brasileiro. É isso, mais nada. Fora isso, é invencionice.

Bolsonaro disse que não precisaria conspirar para chegar ao poder por já estar no poder. Ainda assim, em alusão ao rei francês Luís XIV (1638/1715), famoso como símbolo do poder absolutista na Europa pré-iluminista e pela frase “O Estado sou eu!”, o presidente do Brasil disse ser a Constituição:

— O pessoal geralmente conspira para chegar ao poder. Eu já estou no poder. Então, eu estou conspirando contra quem, meu Deus do céu? Eu sou, realmente, a Constituição!

Ainda ontem, sete oficiais-generais das Forças Armadas Brasileiras (FAB) foram ouvidos (confira aqui) pelo Estadão: cinco do Exército, um da Aeronáutica e um da Marinha. O protesto diante ao QG do Exército com a presença do presidente foi classificado como “provocação”, “desnecessário” e “fora de hora”:

— Se a manifestação tivesse sido na Esplanada, na Praça dos Três Poderes ou em qualquer outro lugar seria mais do mesmo. Mas em frente ao QG, no dia do Exército, tem uma simbologia dupla muito forte. Não foi bom porque as Forças Armadas estão cuidando apenas das suas missões constitucionais, sem interferir em questões políticas — analisou um dos generais ouvidos pelo Estadão, que tiveram seus sigilos de fonte foram mantidos, já que chefes militares não podem se pronunciar politicamente.

 

Em 15 de março, bolsonaristas de Campos também fizeram protesto para pedir intervenção militar, fechamento do STF e do Congresso (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

0

Com mais oito casos confirmados de Covid-19, Campos chega a 40

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)

Cresce a pandemia da Covid -19 em Campos, que chegou neste domingo (19) a 40 casos confirmados. Hoje (19) foram mais oito. Quatro são mulheres: duas profissionais de saúde, respectivamente de 52 e 54 anos, ambas sem comorbidade; uma idosa de 79 anos, diabética, hipertensa e obesa; e sua neta de 20 anos, sem comorbidade. E mais quatro homens: um de 37 anos, profissional de saúde, sem comorbidade; um de 59, hipertenso; um de 39, sem quadro de comorbidade definido; e um petroleiro de 41, obeso. Todos os oito novos casos estão em isolamento residencial.

Entre os 40 casos confirmados, quatro estão internados em estado grave. Três estão na UTI do Hospital Dr. Beda: um homem de 60 anos, sem comorbidade; outro de 31, com obesidade mórbida; e um senhor de 81 anos, que estava em tratamento de home care, marido da senhora de 79 confirmada hoje. A outra, na UTI da Unimed, é uma mulher de 58 anos, com doença cardiovascular e diabetes. Outros três casos confirmados apresentam quadro moderado da doença e estão em leitos clínicos. Entre os 45 suspeitos de Covid-19 em Campos há 10 internados na rede de saúde. Outros 35 tiveram a infecção pelo novo coronavírus descartada.

Por enquanto, a única morte confirmada da doença no município foi (confira aqui) o caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, de 39 anos, casado e pai de dois filhos pequenos, morador do bairro da Penha. Ele veio a óbito na UTI do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos, no último dia 11, onde havia sido internado já em estado grave no dia 4. Médico intensivista do CCC, Vitor Carneiro garantiu (confira aqui) no programa Folha no Ar da última quinta (16), que todos os esforços foram feitos para tentar recuperar o paciente. Inclusive ministrando a ele cloroquina, droga apontada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como cura para a Covid-19. A morte de Hudisson pela doença só seria confirmada oficialmente ontem (confira aqui), pelo Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), credenciado pela secretaria estadual de Saúde.

 

0

Fake news sobre Garotinho, Justiça e Ministério Público em outro tiro pela culatra

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr,)

 

Capitaneado por “um mercenário que vende a mãe em seu portal de notícias” — na famosa definição feita aqui pelo sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf — um site caça-níqueis publicou uma notícia falsa sobre a Folha da Manhã ter exposto uma fonte na sua matéria que noticiou (confira aqui) um recurso negado de Anthony Garotinho pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Que, por sua vez, manteve a condenação em segunda instância do ex-governador, por calúnia contra um juiz federal.

Em exercício de “adivinhação” de caixa registradora mal disfarçada de bola de cristal, o site caça-níqueis alegou equivocadamente que o promotor Leandro Manhães teria sido a fonte da informação da Folha da Manhã, de uma decisão que é pública. Tal afirmação é falsa.

Os advogados de Anthony Garotinho, na falta de argumentos jurídicos e fáticos para rebater as acusações em ações nas quais ele já foi condenado, buscam validar a narrativa do ex-governador de que há um complô do Judiciário e do Ministério Público contra ele, nominando alguns membros. Narrativa abraçada em operação de compra e venda por um site que já produziu algumas das páginas mais vergonhosas da história recente do jornalismo na região.

Sempre a soldo ou na tentativa de intimidação miliciana contra quem não o paga, pode ser para defender um prefeito da região atacando outros (confira aqui). Pode ser na tentativa abjeta de usar um feminicídio para atacar os políticos que se negam a pagar “proteção” (confira aqui). Pode ser para atacar de maneira torpe um vereador de São João da Barra (confira aqui) por motivos que só interessam à sua intimidade familiar.

Pode ser para atender a interesses de um dos seus “colaboradores”, reunidos em interesses de ocasião por quem não tem o hábito de pagar a nenhum profissional de jornalismo. E produzir fake news para tentar corromper a eleição a reitor de uma instituição séria como a Uenf. Em setembro de 2019, gerou o repúdio daquela comunidade acadêmica. Seja de seus líderes estudantis, ou de professores como o Roberto Dutra, quando cunhou a definição que se tornaria famosa para esse tipo de “jornalismo”. Quem não se lembra, basta conferir aqui e aqui.

 

 

O fato é que a atuação midiática desastrada do site caça-níqueis, como é sua sina, acabou sendo também desastrosa a quem pretendia servir para depois se servir. Foi um tiro pela culatra na eleição a reitor da Uenf, vencida pelo alvo das fake news veiculadas “em conchavo inescrupuloso com um mercenário que vende a mãe em seu portal de notícias”.

Deputado federal de boa atuação parlamentar (confira aqui) e pré-candidato bem cotado a prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD) deveria colocar as barbas de molho. Com os “amigos” que sobraram ao pai, o filho pode não precisar de inimigos.

 

Vereador Jorginho Virgílio

Atualização às 16h03 para acrescer à postagem o comentário do vereador Jorginho Virgílio (DC). Ex-presidente da CPI do Fundecam, ele relatou aqui mais um exemplo de “jornalismo” alugado para promover ataques violentos até contra o trabalho de recuperação de R$ 500 milhões desviados dos cofres públicos de Campos: 

— Este mesmo “jornalista” andou criticando a CPI do FUNDECAM que apurou um ROMBO de mais de MEIO BILHÃO de reais dos cofres do município de Campos! Em uma das suas últimas matérias, muito mau escritas por sinal, ele defende o CALOTE de uma usina de cana de açúcar que funciona na divisa entre Campos e São Francisco do Itabapoana dizendo que a usina irá gerar 400 empregos na próxima safra e por isso justificava os MILHÕES DE REAIS que deixou de ROMBO no município em 2 empréstimos no mínimo suspeitos! Mas o que esperar de um “jornalista” que foi secretário de um governo como o de Alexandre Mocaiber onde vários saíram PRESOS no avião da POLÍCIA FEDERAL?

O relatório final da CPI de Fundecam foi concluído e entregue pela Câmara Municipal de Campos, em 28 de janeiro, (confira aqui) ao promotor de Justiça Marcelo Lessa. Ele elogiou o trabalho: “primorosa auditoria feita pela CPI, que investigou a fundo todos os contratos do Fundecam”.

 

0

Pré-candidato a prefeito de Campos, Alexandre Tadeu espera apoio dos Bolsonaro

 

Nota 10 para o governo federal Jair Bolsonaro (sem partido), pela “grande tentativa de colocar o país em ordem”. E nota 3 para o governador Wilson Witzel (PSC) e o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), pelo “fechamento total do comércio nesse período de pandemia” da Covid-19, mantido aberto apenas aos serviços essenciais, como foi feito no resto do mundo. São as avaliações de Alexandre Tadeu, jornalista, apresentador da TV Record e pré-candidato a prefeito de Campos, cujo partido Republicanos recentemente abrigou dois filhos do presidente: o senador Flávio e o vereador carioca Carlos Bolsonaro. Tadeu espera contar com o apoio do clã presidencial, caso confirme sua candidatura. Católico, ele se considera “privilegiado em participar do grupo formado pelo Republicanos, Iurd (Igreja Universal do Reino e Deus) e Record”. Sem citar nomes, pregou a eliminação “do privilégio de grupos e famílias que se sentem donos de Campos”. E foi além: “A cidade já teve o governo da enganação, da corrupção e agora o da decepção. É preciso se libertar de tudo isso”.

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

Folha da Manhã – Na condição de jornalista, político e cidadão, como está vendo a pandemia da Covid-19 em Campos, Norte e Noroeste Fluminense, Estado do Rio e Brasil?

Alexandre Tadeu – Vejo a pandemia como um problema que deve ser encarado com muita responsabilidade, independente da condição em que nos encontramos e do local onde estamos. A Covid-19 não escolhe as vítimas e está espalhada pelo mundo. E as consequências são inimagináveis. Vão muito além da propagação e de mortes. As consequências econômicas e psicológicas também vão tirar muitas vidas. Talvez até mais do que a própria doença em alguns lugares. Somos todos iguais para o coronavírus. Por isso, somente unidos seremos capazes de vencê-lo.

 

Folha – Ainda ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta projetou que a pandemia atingirá seu pico no final deste mês, que deve permanecer por maio e junho. A previsão de queda é só para agosto ou setembro. Acredita que o calendário eleitoral do pleito municipal será mantido para outubro? Se for adiado, isso seria bom ou ruim politicamente? Por quê?

Tadeu – Acho prematuro decidir algo neste momento. Faltam três meses para as convenções, quase cinco meses para o início da campanha eleitoral e seis meses para as eleições de outubro. Deve-se esperar um pouco mais. No entanto, se o pleito for adiado para dezembro não vejo prejuízo, porque serão poucos meses de diferença. Mas se for para 2022, certamente, alguns candidatos sairão ganhando e outros perdendo, porque o cenário político será outro.

 

Folha – O Republicanos e a TV Record são ligados à Igreja Universal do Reino de Deus, cujo líder, Edir Macedo, postou em março um vídeo nas redes sociais chamando a Covid-19 de “inofensiva” e “invenção do Satanás”. Depois, pela repercussão ruim, apagou. Como você vê?

Tadeu – Eu não sou membro da Igreja Universal. Sou católico. Mas me sinto um privilegiado em participar do grupo formado pelo Republicanos, Iurd e Record TV. Essa união tem feito muito pelas pessoas e pelo país. Sobre a declaração do bispo, acredito que, na condição de líder espiritual, ele não tinha a intenção de levar pânico para as pessoas.

 

Folha – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também causou reações negativas ao chamar a Covid-19 de “gripezinha” e “resfriadinho” em rede nacional. Além pregar e agir abertamente contra o isolamento social adotado em todo o mundo para conter a pandemia. Qual a sua opinião? 

Tadeu – O presidente Bolsonaro, além da preocupação com a saúde, se preocupa com a economia do país, o que vejo como correto. Suas ações refletem a postura corajosa de um dirigente máximo da nação. Ele não transmite pavor para a população com a letalidade do vírus.

 

Folha – Sem conseguir montar seu novo partido, o Aliança pelo Brasil, para as eleições municipais, o clã Bolsonaro teve o senador Flávio e o vereador carioca Carlos abrigados no Republicanos, em acordo costurado com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella. O presidente ainda é muito popular em Campos. Conta com esse apoio, se confirmar sua candidatura a prefeito da cidade?

Tadeu – Todo apoio de pessoas corretas, com responsabilidade com o próximo e sem medo de desafios, será sempre muito bem recebido. Por isso, o Republicanos acolheu a família Bolsonaro. E ter o apoio do presidente da República será fundamental para apresentarmos uma forma de administração municipal semelhante à que vem sendo aplicada no país, ou seja, acabando com práticas da velha política, eliminando o privilégio de grupos e famílias que se sentem donos de Campos. A cidade já teve o governo da enganação, da corrupção e agora o da decepção. É preciso se libertar de tudo isso, é a hora do governo da libertação.

 

Folha – Quem também conta com o apoio dos Bolsonaro nas eleições a prefeito de Campos é o deputado estadual Gil Vianna (PSL). Como vê essa disputa local pelo apoio presidencial?

Tadeu – Gil é um grande amigo, mas não acredito que haverá disputa. Até porque Gil permaneceu no PSL, contrariando a família Bolsonaro.

 

Folha – Em 2016, você estava bem nas pesquisas a prefeito de Campos. Mas o ex-governador Anthony Garotinho costurou por cima e levou o apoio do então PRB, atual Republicanos, para a chapa dele encabeçada por Dr. Chicão, em troca do apoio do PR à candidatura de Marcelo Crivella a prefeito do Rio. Receia que algo assim possa acontecer de novo?

Tadeu – Não. Estou muito tranquilo quanto a isso. O cenário é outro. Há uma determinação do Republicanos nacional para que haja candidatura própria para o Executivo em todas as cidades com mais de 100 mil eleitores.

 

Folha – Em 2012, você foi o segundo vereador mais votado de Campos, com 5.341 votos. Mas, depois de não conseguir emplacar a candidatura a prefeito em 2016, perdeu a reeleição na Câmara Municipal naquele ano, com 1.815 votos. A que credita essa perda de eleitores?

Tadeu – Sem dúvida, o motivo foi o acordo costurado por Garotinho para a retirada da minha candidatura. Liderei as pesquisas por longos meses e o povo estava confiante na minha vitória. Eu estava com mais de 10 pontos na frente de Rafael Diniz (Cidadania). Faltavam poucos meses para as eleições quando fui obrigado a sacrificar minha candidatura para garantir o apoio a Crivella no Rio. O povo sentiu a dor da manobra. Os eleitores que votariam em mim para prefeito já tinham decidido o voto para vereador. Mesmo assim mantive a confiança de 1.815 campistas. Mas não foi o suficiente para a reeleição.

 

Folha – O vereador eleito em 2016 por seu grupo político foi o Pastor Vandelry, com 5.227 votos. Como avalia a atuação dele, como integrante da base governista?

Tadeu – Tenho grande respeito pelo Pastor Vanderly, mas a base governista assim como o governo, não teve e não tem a aprovação da população, por uma série de ingerências. Falo como cidadão.

 

Folha – A expectativa é que o Pastor Vanderly não concorra à reeleição, como é a prática de revezamento político da Universal entre seus pastores, para ceder lugar nas eleições municipais ao Pastor Anderson, presidente do Republicanos em Campos. É isso mesmo ou uma candidatura sua a prefeito faria crescer essa nominata?

Tadeu – O pastor Anderson de Matos, presidente do Republicanos, sendo confirmado em convenção, é quem disputará o pleito no lugar do Pastor Vanderly.

 

Folha – Só três partidos em Campos estariam ainda soltos na questão de apoio à eleição majoritária: o PMB, o Rede e o Patri. O Republicanos está conversando com algum deles?

Tadeu – Não estamos conversando com nenhum deles.

 

Folha – Se tivesse que dar uma nota de 0 a 10, tendo que justificar, como avaliaria as atuações dos governos Bolsonaro, Wilson Witzel (PSC) e Rafael? No todo e no enfrentamento de cada um à pandemia da Covid-19?

Tadeu – A nota para o presidente Bolsonaro seria 10. Medidas necessárias têm sido tomadas por seu governo. Há uma grande tentativa de colocar o país em ordem, apesar de muitos políticos tentarem o contrário. Para o governador Witzel e o prefeito Rafael Diniz, a nota seria 3. Entre muitos pontos que discordo em suas administrações, está o fechamento total do comércio nesse período de pandemia. Eles politizaram a questão.

 

Folha – Como pré-candidato a prefeito de Campos, você tem um discurso de valorização do servidor. Rafael sofreu muitas críticas porque, diferente do que prometeu em campanha, não reajustou o servidor e suspendeu Restaurante Popular, Cheque-Cidadão e Passagem Social. Com um orçamento estimado para 2021 em R$ 1,7 bilhão, antes de sofrer os graves efeitos da crise econômica mundial da Covid-19, e uma folha de pagamento de pessoal de cerca de R$ 1,1 bilhão, seria possível valorizar o servidor, ou retomar esses programas sociais? Como?

Tadeu – Entendo que a valorização de um servidor não se dá apenas com reajuste salarial, mas também com reconhecimento, com investimento profissional, com condições de trabalho e com amparo às suas famílias. Nada disso é feito pelo atual governo. Aquele servidor que na Câmara era defendido com discursos bonitos, hoje se encontra abandonado e certo de que serviu apenas como trampolim para mais uma eleição. O orçamento enxuto pode dificultar a execução de programas sociais, mas a população carente precisa ser olhada com carinho e atenção. Para isso, parcerias com os governos estadual e federal serão fundamentais.

 

Folha – Por enquanto, está mantido para 29 de abril o julgamento da partilha dos royalties no Supremo Tribunal Federal (STF). Que, se valer como aprovada no Congresso, vai piorar muito a situação econômica de Campos, já ruim pela queda das receitas do petróleo. Que cairão ainda mais com a diminuição da demanda mundial por combustível fóssil, consequência do isolamento social para conter a pandemia. Há saída financeira ao município?  

Tadeu – Não acredito na aprovação da redistribuição dos royalties. Está comprovado que o repasse para os municípios não produtores de petróleo será insignificante para suas receitas. Enquanto que os municípios produtores seriam brutalmente atingidos economicamente. Nada justifica a nova partilha.

 

Folha – Sem dúvida, o governo Crivella no Rio é o grande outdoor do seu grupo político no poder executivo. No seu entender, a referência ajuda ou atrapalha? Por quê?

Tadeu – Crivela é um grande líder, um grande político, um pai de família, que representa muito bem os Republicanos. Tem meu respeito e admiração. Fez muito pelo país como senador e, apesar das dificuldades, continua fazendo muito pela cidade do Rio de Janeiro.

 

Página 2 da edição de hoje (19) da Folha da Manhã

 

0

Campos tem mais 2 casos confirmados de Covid-19 e chega a 32, 4 em estado grave

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Além de Hudisson Pinto dos Santos, primeiro morto de Covid-19 em Campos (confira aqui) oficializado sete dias depois, a Vigilância em Saúde confirmou hoje mais dois outros casos da doença no município, que agora contabiliza 32. São duas mulheres, uma de 35, sem comorbidade, que é filha de outra paciente internada, na UTI da Unimed. A outra é uma profissional de saúde, de 37 anos, também sem comorbidade prévia. Com ela, já são 12 profissionais de saúde de Campos com infecção confirmada do novo coronavírus. Há outros 43 casos suspeitos e 24 descartados.

Entre os 32 casos confirmados, quatro estão internados em estado grave. Três estão na UTI do Hospital Dr. Beda: um homem de 60 anos, sem comorbidade; um de 31, com obesidade mórbida; e um senhor de 81 anos, que estava em tratamento de home care. A outra é uma mulher da Unimed, de 58 anos, com doença cardiovascular e diabetes.

Outros três casos confirmados do novo coronavírus apresentam quadro moderado. E estão internados em leitos clínicos. Dois estão no Beda: um homem de 47 anos, sem comorbidade; e uma mulher de 35, também sem comorbidade, que está na Unimed. O outro caso confirmado em estado moderado é uma mulher de 59 anos, igualmente sem doença prévia, que está no Beda.

 

0