Wladimir com Bolsonaro ou Lula e 2º turno nas pesquisas

 

Lula da Silva, Wladimir Garotinho e Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Wladimir com Bolsonaro ou Lula?

Quem o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido), vai apoiar no 2º turno presidencial de 30 de outubro, daqui a exatos 11 dias? Após Campos dar ao presidente Jair Bolsonaro (PL) 58,01% dos seus votos válidos nas urnas do 1º turno de 2 de outubro, contra 34,16% do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), faixas surgiram na cidade na semana seguinte. E cobravam: “Prefeito Wladimir, cadê o apoio a Bolsonaro? Se posicione. Não esqueceremos”. Reativo a cobranças, numa característica que difere seu governo positivamente do antecessor, do ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), Wladimir deve se posicionar ainda esta semana.

 

Capitão dos Garotinho e Bacellar?

Na sua família, Wladimir hoje é o único que reúne mandato e perspectiva de mantê-lo. Mesmo que ainda falte muito para 2024. E, no seu grupo político a lista dos que já declararam apoio a Bolsonaro no 2º turno é grande. Além dos pais, os ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho (União); a irmã, a deputada federal Clarissa Garotinho (União); e aliados como o deputado estadual reeleito Bruno Dauaire (União) e o atual presidente da Câmara de Campos, Fábio Ribeiro (PSD). Sem contar boa parte do grupo de oposição, liderado pelo deputado estadual reeleito e secretário estadual de Governo reconduzido, Rodrigo Bacellar (PL).

 

Clarissa quer Wladimir com Bolsonaro

Clarissa, inclusive, em evento em apoio a Bolsonaro em Campos, na última sexta (14), deu como certo o apoio do irmão à tentativa de reeleição do presidente. “Sei que muita gente tem cobrado uma postura do prefeito Wladimir, meu irmão. Hoje eu trago um abraço do meu pai, da minha mãe, que têm feito lives de apoio ao presidente. E meu irmão me disse que vai declarar apoio, que vai fazer um ato organizado por ele em apoio a Bolsonaro” disse a deputada bolsonarista, que tentou e não conseguiu se eleger em 2 de outubro ao Senado. Cargo em que Bolsonaro declarou voto ao (ainda) deputado federal Daniel Silveira (PTB).

 

Pedido de Castro ou neutralidade?

Além da família, consta que o próprio governador Cláudio Castro (PL), reeleito no 1º turno, teria pedido pessoalmente a Wladimir o apoio a Bolsonaro no 2º turno. No entanto, pedidos também têm vindo na direção contrária. Presidente da Alerj, o deputado estadual André Ceciliano (PT) — outro que disputou e perdeu a única vaga fluminense ao Senado, na qual Romário (PL) se reelegeu — pediu ao prefeito de Campos que apoiasse Lula. Ou, no máximo, que ficasse neutro. Menos afoito do que seus pais e irmã, essa neutralidade cumpriria também a função estratégica de boia aos Garotinho e ao município, caso o PT volte ao Governo Federal.

 

Lindbergh reforça esquerda goitacá

O pedido pelo apoio de Wladimir a Lula, que se contentaria com a neutralidade do prefeito, foi feito também em carta da Frente Ampla de Partidos Progressistas de Campos dos Goytacazes. Que deve ser reforçado pessoalmente no próximo sábado (22) pelo deputado federal eleito Lindbergh Farias, mais votado do PT no estado do Rio. Ele virá também para liderar uma carreata na cidade pela eleição de Lula. O encontro entre Lindbergh com Wladimir está sendo costurado pelo secretário municipal de Educação, professor Marcelo Feres. Mas corre o risco de não acontecer, ou se tornar inócuo, se o prefeito anunciar antes seu apoio a Bolsonaro.

 

Secretários e vereadores com Lula

Mesmo que Wladimir declare apoio a Bolsonaro, uma coisa é certa: ele vai liberar secretários e vereadores governistas simpáticos a Lula. A lista também não é pequena. Além de Feres, vão de 13 os secretários Wainer Teixeira (Administração), Auxiliadora Freitas (Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima), Rodrigo Carvalho (Desenvolvimento Humano e Social), Rodrigo Carneiro (Atenção Básica em Saúde) e Marcelo Neves (Petróleo e Gás). Mais os vereadores Juninho Virgílio (União) e Leon Gomes (PDT). Primo de Juninho, o ex-vereador Thiago Virgílio (União) também vai “lular”. E deve assumir a secretaria de Governo em dezembro.

 

Erros e acertos das pesquisas

As pesquisas eleitorais são hoje alvo dos bolsonaristas entre congressistas e eleitores. Tentam resumir todas aos institutos Datafolha e Ipec (antigo Ibope), contratados pela Globo. Cujos levantamentos divulgados na véspera da urna de 2 de outubro ficaram bem próximos ao resultado de Lula. Que, com 48,43% dos votos válidos, só não levou em turno único por menos de 1,5 ponto. Mas Datafolha, Ipec e outros institutos realmente subestimaram, fora da margem de erro, os 43,20% dos votos válidos de Bolsonaro. O que validaria um país com armas liberadas e pesquisas restritas para quem, entre estas, ignora as que acertaram no alvo.

 

A pesquisa que mais acertou

Pesquisa que mais acertou no 1º turno, ficando a desprezível 1,8 ponto do resultado total das urnas, o Instituto MDA Pesquisa divulgou na segunda (17) sua primeira consulta ao 2º turno. Que deu Lula na liderança, como todas as demais pesquisas, com 53,5% dos votos válidos, contra 46,5 % de Bolsonaro. A diferença de 7 pontos oscilou a 6,3 pontos na consulta estimulada. Contando os brancos e nulos, o petista tem 48,1%, contra 41,8% do capitão. Com o voto definido a 95,1% dos eleitores de Bolsonaro, a 94,2% dos eleitores de Lula e a 79,3% dos que disseram que votarão em branco ou nulo, há muito pouca margem para alteração.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula e Bolsonaro no governo Wladimir no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Integrantes do governo municipal Wladimir Garotinho (sem partido) e eleitores declarados, respectivamente, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL) no 2º turno de 30 de outubro, a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Auxiliadora Freitas, e o vice-prefeito Frederico Paes são os convidados do Folha no Ar desta quarta, ao vivo a partir das 7h10 da manhã, na Folha FM 98,3.

Auxiliadora e Frederico analisarão as eleições a deputados da região, senador e governador do RJ, assim como sua correlação ao pleito da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Campos, que tem que ser realizada até 15 de dezembro. E projetarão a disputa presidencial entre Lula e Bolsonaro nas urnas presidenciais daqui a dois domingos, entre pesquisa, debates e a disputa pelo apoio do prefeito Wladimir.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Apoio de Wladimir é disputado entre Bolsonaro e Lula

 

Lula da Silva, Wladimir Garotinho e Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Quem o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) vai apoiar no 2º turno presidencial de 30 de outubro, daqui a exatos 12 dias? Cobrado por sua posição em faixas espalhadas pela cidade que governa e deu ao presidente Jair Bolsonaro (PL) 58,01% dos seus votos válidos nas urnas do 1º turno de 2 de outubro, contra 34,16% do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Wladimir deve definir sua posição esta semana.

 

No último dia 7, faixa em Campos cobrava o apoio de Wladimir ao presidente Bolsonaro no 2º turno (Foto: Reprodução)

 

Entre os integrantes do seu grupo político que já anunciaram apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL), a lista é grande: seus pais, o ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho (União); sua irmã, a deputada federal Clarissa Garotinho (União); e outros aliados próximos, como o deputado estadual reeleito Bruno Dauaire (União), e o presidente da Câmara de Campos, vereador Fábio Ribeiro (PSD).

Clarissa, inclusive, em evento em apoio a Bolsonaro em Campos, na última sexta (14), deu como certo o apoio do irmão prefeito à tentativa de reeleição do presidente:

 

Em evento bolsonrista da última sexta no Automóvel Clube Fluminense, Clarissa anunciou o apoio do irmão à reeleição do presidente Jair Bolsonaro no 2º turno. Mas Wladimir ainda não se posicionou oficialmente (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

— Sei que muita gente tem cobrado uma postura do prefeito Wladimir, meu irmão. Hoje eu trago um abraço do meu pai, da minha mãe, que têm feito lives de apoio ao presidente. E meu irmão me disse que vai declarar apoio, que vai fazer um ato organizado por ele em apoio a Bolsonaro — disse a deputada bolsonarista, que tentou e não conseguiu se eleger em 2 de outubro ao Senado. Cargo em que Bolsonaro declarou voto ao deputado federal Daniel Silveira (PTB), mesmo com sua candidatura a senador indeferida pela Justiça Eleitoral.

PEDIDOS DE CASTRO E CECILIANO — Além da família, consta que outro aliado de peso, o governador Cláudio Castro (PL), reeleito no 1º turno, teria pedido pessoalmente a Wladimir o apoio no 2º turno a Bolsonaro. No entanto, pedidos também têm vindo na direção contrária. Presidente da Alerj, o deputado estadual André Ceciliano (PT), pediu ao prefeito de Campos que apoiasse Lula ou, no máximo, ficasse oficialmente neutro. É o que também pedem partidos de esquerda de Campos, em carta aberta a Wladimir.

O pedido da Frente Ampla de Partidos Progressistas de Campos dos Goytacazes deve ser reforçado pessoalmente neste sábado (22), pelo deputado federal eleito Lindbergh Farias, mais votado do PT no estado do Rio. Seu encontro com Wladimir está sendo costurado pelo secretário municipal de Educação, professor Marcelo Feres.

Qualquer que seja a posição do prefeito, uma coisa é considerada certa. Mesmo que declare apoio a Bolsonaro, ele vai liberar seus secretários e vereadores da base simpáticos a Lula a apoiarem quem quiserem.

Confira abaixo, na íntegra, a carta em que os partidos de esquerda de Campos pedem o apoio de Wladimir a Lula:

 

“Campos dos Goytacazes, 17 de Outubro de 2022.

Ilmo. Sr. Wladimir Garotinho Prefeito Municipal de Campos dos Goytacazes

Neste momento crítico da história brasileira, a Frente Ampla de Partidos Progressistas de Campos dos Goytacazes demonstra preocupação com a expressiva votação no primeiro turno obtida pelo candidato Jair Bolsonaro em nossa cidade. Campos é um polo universitário. Isto fica demonstrado pela presença da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Instituto Federal Fluminense (IFF). É urgente que a cidade se torne também de educação pública no ensino fundamental, médio, creches e oferta de formação continuada para população. Certamente a melhoria destes indicadores teria impacto direto sobre acesso a melhores empregos e no desenvolvimento no Norte Fluminense.

Por esta razão contamos com o compromisso da gestão municipal no intuito de apoiar o candidato Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, em prol da união de forças políticas em defesa da democracia, na esperança de ter um governo para todas e todos os brasileiros.

No atual cenário, esta será uma responsabilidade decisiva para a vida do povo das nossas atuais e futuras gerações. O atual governo teve um desastroso desempenho socioeconômico, ao longo destes 4 anos, afetando drasticamente o bem-estar da população brasileira, a política de saúde foi lamentável durante a pandemia, e a má gestão elevou o patamar de mortes por Covid-19 a quase 700 mil óbitos. Parte destes óbitos poderia ter sido evitada.

O presidente, ainda nesse contexto, não manifestou consideração com as famílias que perderam seus entes queridos pela Covid-19. Não houve avanço na política educacional, ocasionando retrocesso no aprendizado de crianças e adolescentes, principalmente durante a pandemia e principalmente entre as famílias mais vulneráveis. Por fim, o atual presidente tenta repetidas vezes intimidar com ameaças à democracia, agredindo o judiciário, provocando um clima de profunda instabilidade e o grande risco de um colapso institucional.

Em resumo, é neste cenário de contradição entre democracia e regime autoritário devemos explicitar lealdade para com o povo campista. É fundamental que o governo municipal se manifeste a favor da democracia.

Este momento é decisivo e por isto, convocamos a sociedade e o município a celebrar a liberdade das nossas diferenças para reconhecer no ex-presidente Lula a única liderança capaz de derrotar o atraso maior representado pelo atual governo.

Neste momento a nossa escolha deve ser o lado certo da história. A democracia, a fraternidade, o respeito a todas as religiões, a luta por uma sociedade mais justa.

Cordialmente, Frente Ampla dos Partidos Progressistas de Campos dos Goytacazes”

 

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Votos em Lula e Bolsonaro em debate no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Eleitores declarados, respectivamente, do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno, o industrial tucano Geraldo Hayen Coutinho e o professor petista Luciano D’Ângelo são os convidados do Folha no Ar desta terça, ao vivo a partir das 7h10 da manhã, na Folha FM 98,3.

Geraldo e Luciano analisarão as eleições a deputados da região, senador e governador do RJ, assim como sua correlação ao pleito da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Campos, que tem que ser realizada até 15 de dezembro. E, entre pesquisas e debates, projetarão a disputa presidencial entre Lula e Bolsonaro nas urnas de 30 de outubro, daqui a dois domingos.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Pesquisa que mais acertou 1º turno: Lula 53,5% x 46,5% Bolsonaro

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Pesquisa que mais acertou o resultado das eleições no 1º turno, o Instituto MDA Pesquisa divulgou hoje a sua primeira ao 2º turno de 30 de outubro, daqui a apenas 13 dias. E confirmou a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em todas as demais pesquisas, com 53,5% dos votos válidos (descontados os brancos e nulos), contra 46,5 % do presidente Jair Bolsonaro (PL).

A diferença de 7 pontos nos votos válidos entre os dois oscilou a 6,3 pontos na consulta estimulada. Na qual Lula ficou com 48,1% das intenções de voto, contra 41,8% de Bolsonaro, com 6% de brancos e nulos e apenas 4,1% de indecisos. O voto está definido para 95,1% dos eleitores do capitão, para 94,2% dos eleitores do petista e para 79,3% dos que disseram que votarão em branco ou nulo, revelando pouca margem para alteração.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ACERTO NO 1º TURNO — No dia 1º de outubro, véspera do 1º turno, a MDA tinha divulgado sua última pesquisa. Na qual projetou 48% dos votos válidos a Lula, que teve 48,43% na urna; assim como 40% a Bolsonaro, que teve 43,20%. Com média de erro de 1,82 ponto, foi o instituto que mais ficou próximo da realidade. Contratada pela Conferência Nacional do Transporte (CNT), sua primeira pesquisa ao 2º turno ouviu 2.002 eleitores de forma presencial, entre a sexta (14) e o domingo (16), ainda sem repercussão do debate da noite de ontem na Band.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “É importante olhar para os resultados da MDA porque foi a pesquisa de maior proximidade com as urnas do 1º turno. Na pesquisa divulgada hoje, Lula lidera com 53,5% dos votos válidos, contra 46,5% do atual presidente, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Isso significa que o ex-presidente poderia ir, no mínimo, a 51,3%, enquanto o atual presidente poderia alcançar, no máximo, 48,7% dos votos contabilizados pelo TSE. Destaca-se, porém, que a MDA não calcula a intenção com o filtro do ‘likely voter’, dos eleitores que provavelmente comparecerão às urnas. E que determinarão o resultado. Neste caso, pelo perfil demográfico, Bolsonaro leva vantagem por contar com um eleitorado com maior renda e escolarização. Historicamente, este tipo de eleitor costuma faltar menos no 2º turno, possibilitando a alteração do cenário exatamente na reta final”, advertiu o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

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Bolsonaro domina último bloco do debate com Lula na Band

 

No terceiro e último bloco, Bolsonaro tocou com a mão direita o ombro esquerdo de Lula, que o afastou, mas perdeu boas oportunidades e o controle do tempo (Foto: Reprodução)

 

Se a última impressão é a que fica, o presidente Jair Bolsonaro (PL) levou a melhor no debate da Band na noite de hoje. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou dominando o primeiro bloco, mas ficou na defensiva no terceiro e último. Após ser tocado no ombro por Bolsonaro, o petista se perdeu na contagem do tempo. E, como já tinha feito no debate da Band no 1º turno, em 28 de agosto, não devolveu na mesma moeda os ataques pelos escândalos de corrupção da Petrobras nos governos do PT.

LULA COMEÇA MELHOR — No enfrentamento direto entre os candidatos, o petista começou acossando o capitão com o tema educação. No qual comparou suas robustas realizações na abertura de universidades e institutos federais com a pífia atuação do atual governo. Mas Lula levou a melhor, sobretudo, ao impor a desastrosa condução nacional da pandemia da Covid-19 como tema dominante.

— Pesam os mais de 400 mil brasileiros mortos (desnecessariamente) nas suas costas! — disse Lula mais de uma vez.

O momento mais contundente de Bolsonaro no primeiro bloco, um dos poucos em que conseguiu sair da defensiva, foi após o adversário ter dito que perdeu a sogra para a Covid:

— Fez discurso no caixão na mulher e está se comovendo pela sogra — disse, após mentir descaradamente, dizendo que visitou vítimas de Covid durante a pandemia.

SEGUNDO BLOCO — O bloco seguinte, integralmente dedicado às respostas dos dois candidatos às perguntas dos quatro jornalistas do pool de veículos que promoveram o debate com a Band, foi emblematicamente aberto pela jornalista Vera Magalhães, da TV Cultura. Após ser agredida verbalmente por Bolsonaro no debate da Band no 1º turno, ela não citou o presidente para perguntar sobre as suas ameaças recentes de tentar controlar o Judiciário com o aumento de cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF), como foi feito na Hungria e Venezuela.

Primeiro a responder por ordem definida em sorteio, Lula não perdeu a oportunidade de provocar o adversário:

— Você vai ver, Vera, que eu vou chegar perto da câmera em que você está e não vai ter agressão nenhuma a você!

Ciente de que foi o grande derrotado do debate anterior da Band por seus ataques gratuitos à jornalista no debate anterior da Band, Bolsonaro começou respondendo:

— Prezada jornalista Vera, satisfação revê-la! — mas também aproveitou para dizer que seu adversário só estava ali porque teve sua condenação anulada pelo ministro Edson Fachin, nomeado por Dilma Rousseff (PT) em 2015 após pedir voto a ela em 2010.

TERCEIRO BLOCO — No terceiro e último bloco, após responderem à pergunta de um jornalista sobre educação, os dois candidatos voltaram a se enfrentar. E coube a Bolsonaro dali ao fim ditar o tema:

— Lula, responda sobre o Petrolão!

Como já tinham falado sobre o Orçamento Secreto no bloco anterior, em pergunta do jornalista Josias de Souza, do UOL, Lula ainda poderia ter contra-atacado com as denúncias de corrupção nas rachadinhas, a compra de imóveis em dinheiro vivo dos Bolsonaro. Mas caiu na armadilha retórica mais velha do mundo de quem sente acusação, passando apenas a se defender. E gastou com isso boa parte do tempo que deveria controlar.

BOLSONARO TOCA LULA — Bolsonaro sentiu que colocou a adversário nas cordas e fez questão de provocá-lo ainda mais. Rindo e falando em tom debochado, tocou pela primeira vez com a mão direita no ombro esquerdo de Lula. Que afastou com a sua a mão a do capitão e devolveu o deboche:

— Me disseram que você era o maior puxa saco meu no Congresso! — provocou antes de falar sobre o tempo do oponente e ser advertido pela moderação.

BOLA ROLADA E FURADA — Nem a bola rolada de graça pelo capitão, quando disse que o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa teria lhe dado atestado de honestidade no Mensalão, foi aproveitada. O fato de que Joaquim Barbosa declarou chamou Bolsonaro de “ser humano abjeto” e declarou voto em Lula, foi solenemente ignorado por ele. Que preferiu sair do Petrolão para falar sobre a Amazônia.

Quando Bolsonaro voltou ao ataque, falando das perseguições religiosas promovidas por Daniel Ortega, ditador da Nicarágua e aliado de Lula, este foi novamente polo passivo. E gastou o que ainda restava do seu tempo para, acuado e sem fôlego, apenas tentar se defender.

TARDE DEMAIS? — Devido à má administração do tempo por seu adversário, Bolsonaro teve sete minutos para fazer uma live em rede nacional de TV, com recorde de audiência no YouTube. Bateu tanto em Lula, que este ainda ganhou o direito de resposta de um minuto, quando finalmente falou da compra de 51 imóveis em dinheiro vivo pela família presidencial.

Nas considerações finais, após mais ataques de Bolsonaro calcados na pauta religiosa e comportamental, Lula falou da liberdade religiosa que de fato promoveu em seu governo. Assim como das aspirações ditatoriais do seu adversário, dos 33 milhões de brasileiros que passam fome, e do churrasco e da cerveja no final de semana que os pobres passaram a ter acesso em seu governo.

NOVO PADRE KELMON — Após o debate, Bolsonaro fez questão de aparecer diante das câmeras ao lado do senador eleito Sergio Moro (União/PR). O ícone da Lava Jato, ex-juiz federal, ex-ministro da Justiça e ex-desafeto do capitão não pareceu constrangido com seu papel de novo Padre Kelmon.

 

Senador eleito no papel de novo Padre Kelmon, Sergio Moro posa ao lado de Jair Bolsonaro após o debate da Band (Foto: Reprodução)

 

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William Passos — Lula e Bolsonaro são a cara do interior do Brasil

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE

O voto útil da não abstenção

Por William Passos

 

“Nós precisamos que você esqueça essa história de feriado”, disse Bia Kicis, aliada de Bolsonaro, num vídeo publicado nas redes sociais. Integrantes da campanha bolsorarista temem um grande aumento das abstenções de eleitores que decidam viajar no final de semana do segundo turno. O ponto facultativo do Dia do Servidor Público (28 ou 31 de outubro, a depender do caso) e o feriado de 2 de novembro (Finados) viraram preocupação para a campanha bolsonarista diante das pesquisas que apontam que a maioria do eleitorado do atual presidente concentra-se na população com maior poder aquisitivo.

“O índice de abstenção no primeiro turno das Eleições 2022 foi de cerca de 20% […]. Tamanha abstenção faz com que tanto a Justiça Eleitoral e seus players sejam obrigados a tomar todas as medidas necessárias de forma a garantir maior participação do eleitorado no processo eleitoral do segundo turno”, afirma o pedido da campanha de Lula protocolado no TSE para que, no dia 30 de outubro, o transporte público seja mantido em ritmo normal e gratuito em todo o país.

Pesquisas eleitorais não antecipam os resultados das urnas, mas “fotografam” o momento das entrevistas aos eleitores. Apesar disso, alguns institutos, como o AtlasIntel, prometem a menor diferença possível das urnas. Na pesquisa divulgada na última quinta-feira (13), o AtlasIntel estimou 52,4% dos votos válidos para Lula, uma diferença de apenas 4,8% para Bolsonaro, que alcançou 47,6%.

No mesmo dia, a Genial/Quaest divulgou novo levantamento com o ex-presidente alcançando 53% dos votos válidos entre os “likely voters” (eleitores prováveis, em tradução livre), contra 47% do atual presidente.

O novo modelo identifica “os brasileiros com maior probabilidade de votar nas eleições presidenciais” e tem como objetivo “minimizar os efeitos que a abstenção não aleatória entre os subgrupos do eleitorado tem causado na capacidade dos institutos estimarem votos nas urnas”. Na prática, os números dos “likely voters” constituem uma resposta a subestimação do resultado projetado para Bolsonaro nas urnas do primeiro turno.

Segundo este modelo, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, Bolsonaro vencerá no Sul (59% a 41% na pesquisa da última quinta-feira) e no Centro-Oeste (57% a 43%) e está empatado tecnicamente com Lula no Sudeste (com vantagem numérica de 52% a 48%) e no Norte (com desvantagem numérica de 48% a 52%). No Nordeste, Lula sacramenta sua soberania por 71% a 29% nas intenções daqueles que, provavelmente, comparecerão às urnas no próximo dia 30.

Para além do dualismo estrutural, desigual e combinado, de um Brasil mais “atrasado” com voto mais progressista e um Brasil mais “moderno” com voto mais conservador, o grande detalhe deste segundo turno é que, tradicionalmente, as abstenções no segundo pleito são um pouco maiores. Nas eleições presidenciais de 2014, 21,10% do eleitorado habilitado deixou de comparecer. Em 2018, este percentual subiu para 21,30%. A título de comparação, 20,95% dos eleitores faltaram no primeiro turno deste ano.

Nos estados sem segundo turno para governador, o não comparecimento tende a ser maior. Neste ano, 15 estados já definiram seus governadores no dia 02 de outubro, entre eles, dois dos três maiores colégios eleitorais do país: Minas Gerais e Rio de Janeiro. Lula venceu nas urnas mineiras e Bolsonaro, da capital ao interior fluminense. Neste caso, as abstenções tendem a favorecer quem liderou no primeiro turno.

Com a redução da diferença de Bolsonaro na reta final do primeiro turno, apurada pelas urnas, e a tendência de aproximação da rejeição dos dois candidatos apontada pelos institutos, com oscilação para baixo do atual presidente e oscilação para cima do ex-ocupante do Palácio do Planalto, o campo de batalha do segundo turno passa a ser a alienação eleitoral, isto é, os eleitores, até o momento, decididos a não comparecerem ou a anularam ou branquearem o voto.

É por isso que a campanha bolsonarista precisa que seus eleitores “esqueçam essa história de feriado” e que a campanha lulista necessita que o transporte público seja mantido para garantir o deslocamento de seus eleitores. Numa eleição tão apertada, apesar de, possivelmente, menos estreita que a diferença de apenas 3,5 milhões de votos que reelegeram Dilma Rousseff contra Aécio Neves em 2014, a vitória será dos detalhes, com, novamente, muito provavelmente, Minas Gerais espelhando a geografia do voto do Brasil. Somente o gaúcho Getúlio Vargas, nas eleições de 1950, sagrou-se presidente sem ter vencido na terra natal de Dilma e Aécio.

Agora a disputa é entre um presidente “carioca” nascido no interior paulista e um ex-presidente “paulista” cujo berço é o interior pernambucano. Dois candidatos que são o retrato do interior do Brasil.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula e Bolsonaro entre pesquisas, abstenção e rejeição

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Qualquer eleição de segundo turno é sempre definida pela rejeição. O que favorece o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL). Mas todos os analistas também concordam que a disputa final entre os dois na urna de 30 de outubro, daqui a exatos 15 dias, terá outro fator determinante: a abstenção. Como todas as pesquisas também apontam que a maior vantagem de Lula é entre os votos dos mais pobres e com menor escolaridade, as dificuldades de locomoção naturais desse eleitor podem favorecer a Bolsonaro. Jornalista da Globo News, com fontes nos QGs dos dois presidenciáveis, Gerson Camarotti afirmou ontem: “a abstenção virou o foco principal das duas campanhas”.

ABSTENÇÃO EM 2014, 2018 E 2022 — No 1º turno de 13 dias atrás, não compareceram à urna 32 milhões dos mais de 156 milhões de brasileiros aptos a votar. Foi uma abstenção de 20,95% do eleitorado, que é sempre maior no turno final, sem ter mais o estímulo do voto a deputados e senador. Em 2014, por exemplo, os 19,39% de abstenções no 1º turno cresceram para 21,10% no 2º turno. Em 2018, quatro anos depois, os 20,32% de abstenções no 1º turno cresceram para 21,29% no 2º turno. Se a abstenção no 1º turno de 2022 já cresceu sobre a registrada em 2014 e 2018, nada indica que vá ser diferente no 2º turno. E quem são os eleitores que não compareceram à urna de dois domingos atrás? Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem os dados análogos de escolaridade do eleitor, mas não de renda, 55% dos ausentes no 1º turno completaram, no máximo, o ensino fundamental. Eles representam 40% do total dos votantes.

 

(Infgráfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

PESQUISA QUE MAIS ACERTOU — Nas pesquisas que saíram esta semana, com recortes na escolaridade do eleitor, fica evidenciado como Lula foi quem mais perdeu com as abstenções no 1º turno. Como pode perder ainda mais se essas ausências aumentarem na mesma proporção no 2º turno. Entre as pesquisas que mais acertaram o resultado das eleições, está a do instituto Atlas. Divulgada em 1º de outubro, deu a Lula 50,3% dos votos válidos, sem contar os brancos e nulos, com 41,1% a Bolsonaro. No dia seguinte, concluída a apuração do 1º turno, o petista teve 48,43% dos votos válidos (1,87 ponto a menos), com 43,20% (2,1 pontos a mais) do capitão. Na média, a diferença entre projeção e urna foi de apenas 2 pontos.

LULA 52,4% x 47,6% BOLSONARO — Feita de sábado (8) a quarta (12) e divulgada na quinta (13), com 4.500 eleitores consultados pelo inovador sistema de Recrutamento Digital Aleatório (RDA), com margem de erro de 1 ponto para mais ou menos, a última pesquisa Atlas endossou a liderança de Lula em todos os demais levantamentos do 2º turno, com 52,4% dos votos válidos, contra 47,6% de Bolsonaro — 4,8 pontos atrás. Entre aqueles que mais se abstiveram no 1º turno pelos dados do TSE, o petista lidera na Atlas com 56,5% dos votos válidos entre os eleitores, contra 43,3% do capitão (13,2 pontos atrás), entre os eleitores com educação formal até o ensino fundamental. É a maior vantagem de Lula entre os votantes por faixa de escolaridade.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ELEITORA MAIS LULA E ABSTENÇÃO — Em todas as faixas da pesquisa que mais acertou a urna do 1º turno, a Atlas identifica bem a eleitora majoritária de Lula. Além de ter até o ensino fundamental, ela é mulher (60% dos votos válidos, contra 37,3% de Bolsonaro), tem mais de 60 anos (65,5% a 32,1%), é católica (54,5% a 43,7%), da região Nordeste (64,1%), tem renda familiar até R$ 2 mil (66,7% a 31,8%) e recebe o Auxílio Brasil (62,2% a 36,1%). A elevação do benefício federal a R$ 600,00 pelo governo Bolsonaro desde agosto, com os R$ 41,25 bilhões da PEC Kamikaze, foi pensada como a “bala de prata” da tentativa de reeleição do presidente. E, pelo menos até aqui, se revelou um “tiro no pé”. Mas pode não ser se essa eleitora se abstiver de votar em 30 de outubro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ELEITOR MAIS BOLSONARO E ABSTENÇÃO — Por outro lado, o eleitor majoritário de Bolsonaro não deve ter problemas de locomoção para votar no 2º turno. Além de ter até o ensino médio (49,7% dos votos válidos, contra 46,8% de Lula), ele é homem (57,3% a 40,6%), de 35 a 44 anos (53,7% a 44,5%), é evangélico (65,4% a 31,7%), da região Centro-Oeste (61,6% a 36,5%), tem renda familiar de R$ 3 mil a R$ 5 mil (57,3% a 40,4%) e não recebe o Auxílio Brasil (49,1% a 48,3%). Este eleitor, no entanto, pode ter outros fatores de estímulo à abstenção no 2º turno, que não teve no 1º. Na terça seguinte ao domingo da eleição em 30 de outubro, 2 de novembro, é o feriado do Dia de Finados. O que pode levar parte de classe média, média alta e alta, com carro próprio e mais renda, a aproveitar o final de semana anterior e enforcar a segunda em feriadão prolongado.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ACERTOS E ERROS DO 1º TURNO — À exceção do acerto de institutos como Atlas e MDA — este, ainda não fez pesquisa neste 2º turno —, muitos outros acertaram a votação de Lula em 2 de outubro, mas subestimaram fora da margem de erro a votação de Bolsonaro. Erros que foram justificados pelo “voto útil” pregado pelo PT no 1º turno. Que saiu pela culatra na migração de parte dos eleitores do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), da senadora Simone Tebet (MDB) e indecisos. Seriam antipetistas que, diante da possibilidade de o PT vencer a eleição presidencial no 1º turno apontada em todas as pesquisas, acabaram migrando nas últimas 24 horas ao capitão. Mas como Lula acabou não fechando a fatura em 2 de outubro por apenas 1,47 ponto + 1 voto, a abstenção foi também considerada outro fator determinante.

RESPOSTA DA QUAEST — Divulgada em 1º de outubro, véspera do 1º turno, a pesquisa Quaest acertou de maneira quase exata a votação de Lula, a quem deu 49% dos votos válidos e teve na urna 48,43%. Mas aquela pesquisa também deu 38% ao capitão, que teve 43,20% dos votos válidos, 5,2 pontos a mais que o projetado. Na média, seu erro foi de 5 pontos. Mas, entre os vários institutos que subestimaram a votação de Bolsonaro, o único que passou das justificativas ao erro à ação para tentar filtrá-los foi o Quaest Pesquisa e Consultoria.

FILTRO DA ABSTENÇÃO — Na quinta, saiu a segunda pesquisa Quaest deste 2º turno. Mas a primeira “a trazer uma novidade relevante, que é a utilização do modelo ‘likely voter’ (‘provável eleitor’) junto com os dados brutos da pesquisa. É um procedimento que visa minimizar os efeitos que a abstenção tem causado na capacidade dos institutos de estimar os votos na urna. Por meio de um modelo estatístico, avaliamos a probabilidade de cada eleitor de votar ou não votar. E, a partir daí, conseguimos interagir a chance de votar com a intenção de voto”, explicou o cientista político Felipe Nunes, com doutorado na UCLA da Califórnia e CEO da Quaest.

 

https://www.youtube.com/watch?v=1B3dA7EWmYA

 

LULA 53% x 47% BOLSONARO — As diferenças do novo filtro se revelam no contraste das projeções e alteração das suas tendências. Encomendada pelo banco Genial Investimentos, a nova pesquisa Quaest foi feita entre segunda (10) e quarta, com 2.000 eleitores entrevistados pessoalmente e margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Comparado com a anterior, de 6 de outubro, a consulta induzida mostra uma oscilação para cima de Lula, de 48% a 49% de intenções de voto; e a estagnação de Bolsonaro em 41%. Mas, filtradas pelo “likely voter”, essas tendências da semana anterior se invertem: Lula oscilou para baixo, de 54% a 53%; e Bolsonaro para cima, de 46% a 47%. Comparadas as intenções de votos, com seu peso pela disposição de votar, a vantagem de 8 pontos do petista ao capitão cai a 6 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

SEM E COM FILTRO — Nas fatias, essas alterações também se refletem. No eleitor com escolaridade até o ensino fundamental, em que o TSE atestou ter se dado a maior abstenção no 1º turno, o ex-presidente cresceu 3 pontos entre as duas pesquisas Quaest do 2º turno, de 55% a 58% das intenções de voto. Por sua vez, Bolsonaro caiu os mesmos 3 pontos no mesmo período de uma semana, de 35% a 32%. Já com o filtro à abstenção do “likely voter”, o petista ficou estagnado em 65% na mesma faixa do eleitorado, enquanto o capitão também patinou em 35%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Hamilton Garcia, cientista político e professor da Uenf

ANÁLISE DO CIENTISTA POLÍTICO — “Levando em conta os resultados do 1º turno, é boa a iniciativa da Quaest em ponderar a preferência dos eleitores levando em conta sua tendência ao comparecimento, o ‘likely voter’. A tarefa, todavia, não é fácil: como saber, de antemão, qual candidato será mais afetado pelo não comparecimento? Nem todos os entrevistados que declaram ir votar o farão de fato. A participação real é geralmente menor do que a autodeclarada nas pesquisas. Os modelos tenderão a evoluir para o cruzamento da autodeclaração com a estimativa da abstenção, baseada nas abstenções do 1º turno e a predominância do voto por região, aumentando as chances de identificar quais candidaturas poderão ser mais impactadas pela decisão do eleitor de ficar em casa. Esse é somente um dos desafios postos às pesquisas nos dias atuais. Outros são a desestabilização da intenção de voto pela rapidez e descontrole das informações das redes sociais”, advertiu o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.

REJEIÇÃO — Considerada fundamental à definição a toda eleição de 2º turno, a rejeição segue liderada por Bolsonaro, como em todo este ano eleitoral. Hoje são 50% os brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma na Quaest, contra 42% de Lula — 8 pontos a menos no índice negativo. A Atlas não fez consulta padrão de rejeição. Mas quando perguntou se o eleitor tem uma imagem negativa ou positiva, 52% disseram ser negativa de Bolsonaro, contra 49% de Lula. A diferença de 3 pontos é bem menor. E será decisiva.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

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Quaest com filtro: Lula 53% x 47% Bolsonaro nos votos válidos

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Pesquisa Quaest, contratada pelo Banco Genial, voltou a mostrar a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida ao 2º turno de 30 de outubro, daqui a exatos 17 dias. Ele tem 53% dos votos válidos, contra 47% do presidente Jair Bolsonaro, 6 pontos atrás. Os números foram obtidos através do modelo “likely voter”, para identificar os eleitores com maior probabilidade de votar. É a primeira iniciativa dos institutos de pesquisa para tentar corrigir os erros na projeção da votação de Bolsonaro nas urnas de 2 de outubro, a despeito do acerto quase exato na votação de Lula. Em 1º de outubro, véspera do 1º turno, a Quaest deu 49% dos votos válidos ao petista, que teve 48,43%. Mas aquela pesquisa também deu 38% ao capitão, que teve 43,20% dos votos válidos, 5,2 pontos a mais do que o projetado.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

INTENÇÕES DE VOTO COM FILTRO DE QUEM VAI VOTAR — Feita de segunda (10) a quarta (12) e divulgada hoje, com 2.000 eleitores ouvidos presencialmente e margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, a pesquisa com o novo filtro é responsável por Lula ter oscilado 1 ponto para baixo nos votos válidos, dos 54% na pesquisa de 6 de outubro aos 53% de hoje. Assim como Bolsonaro, no mesmo período de sete dias, oscilou também 1 ponto, só que para cima: de 46% a 47%. Sem o “likely voter”, onde a certeza de votar conta sobre as intenções de voto, as tendências mudam. Na consulta estimulada, quem oscilou 1 ponto para cima foi o petista, de 47% a 49% na última semana, com o capitão 8 pontos atrás, estagnado em 41%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

OS 9% QUE DEVEM DEFINIR A ELEIÇÃO — A nova Quaest também revelou que o voto para 30 de outubro não vai mudar para 92% dos brasileiros, número que sobe a 93% entre os eleitores de Lula e a 94% nos de Bolsonaro. Os dois candidatos disputam os 9% do eleitorado que devem definir o pleito. São 0s 8% que dizem poder mudar de voto caso algo aconteça, mais o 1% que não sabe ou não respondeu.

 

(infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REJEIÇÃO — Considerada fundamental à definição de qualquer eleição de 2º turno, a rejeição segue liderada por Bolsonaro. Hoje, 50% dos brasileiros não votariam nele de maneira nenhuma, contra 42% de Lula, 8 pontos abaixo no índice negativo. O petista tem outros 45% os que o conhecem e nele votarão, enquanto 10% conhecem e poderiam votar. Abaixo nos dois índices positivos, o capitão tem 37% dos brasileiros que o conhecem e votarão em sua reeleição, com 9% que conhecem e poderiam votar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “A segunda Quaest deste 2º turno aponta estabilidade em relação à pesquisa da última quinta (6), com poucos números se movimentando. Na simulação estimulada, 76,7 milhões de eleitores hoje votariam em Lula no próximo dia 30: 49% do eleitorado. E 64,1 milhões dos brasileiros prefeririam Bolsonaro, 41% do total. Para 143,9 milhões de eleitores, 92% do total, o voto já está decidido e não sofrerá alteração até a urna. Há, portanto, apenas 12,5 milhões de eleitores em disputa pelos dois candidatos, ou 8% do eleitorado. A simulação baseada no modelo “likely voter” identifica os brasileiros com maior probabilidade de votar no 2º turno, minimizando a abstenção, cujas dificuldades de medição, em algumas eleições, distancia o resultado das pesquisas da apuração final do TSE. Com base nisso, a Quaest calculou 53% dos votos válidos a Lula e 47% a Bolsonaro. Sempre importante recordar que pesquisas eleitorais são só a fotografia de um momento, sem a pretensão de adivinhar o resultado final ou capacidade metodológica de dimensionar o ganho eleitoral dos candidatos nas últimas 48 horas antes da urna”, advertiu o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

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Deputado federal eleito, Lindbergh no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Deputado federal eleito com a maior votação do PT no RJ, ex-senador e vereador carioca em exercício, Lindbergh Farias é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta, ao vivo a partir das 7h10 da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará as eleições fluminenses a deputados, senador e governador.

Por fim, Lindbergh falará do novo Congresso mais conservador eleito em 2 de outubro que integrará em 2023. E projetará o 2º turno de 30 de outubro entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Lula e Bolsonaro: Campos, Brasil, playboy e motoboy

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

A presidente na região e Brasil

Em Campos, o presidente Jair Bolsonaro (PL) ampliou sua votação entre o 1º turno de 2018 e 2022: de 55,19% a 58,01% dos votos válidos. No Norte e Noroeste Fluminense, no entanto, ele diminuiu sua votação nos últimos quatro anos: de 57,45% a 52,79%. Mas, se dependesse das duas regiões fluminenses, o capitão teria sido reeleito em 2 de outubro. Como o Brasil não se resume a elas, quem quase se elegeu no 1º turno foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 48,43% dos votos. Ficou a apenas 1,47% mais 1 voto de fechar a fatura em turno único. E, daqui a 18 dias, disputará o 2º turno contra Bolsonaro, que sai de 43,20%.

 

Decepção lulista e bolsonarista

No Norte e Noroeste Fluminense, onde Bolsonaro foi mais votado foi em São Francisco de Itabapoana: 61,84%. Nas duas regiões, Lula ficou na frente em sete municípios. E venceria em turno único em quatro: Laje do Muriaé (57,73%), Porciúncula (52,20%), Miracema (51,30%), Quissamã (50,53%). Do regional ao nacional, as urnas de 2 de outubro trouxeram frustações aos eleitores de Lula e Bolsonaro. Aos do petista, por ele não ter vencido no 1º turno, possibilidade indicada nas cinco pesquisas da véspera. Aos do capitão que nele creem, pelo mesmo motivo. Ele afirmava que venceria com os 60% que nunca teve em nenhuma pesquisa.

 

Pesquisas no 1º turno: erros e acertos

Se já eram questionadas pelos bolsonaristas, por mostrarem a liderança de Lula durante todo o ano e a possibilidade de ele levar em turno único, as pesquisas passaram a sofrer mais críticas após subestimaram a votação do capitão no 1º turno. No contraste com os 43,20% que teve das urnas de 2 de outubro, Bolsonaro teve sua votação subestimada na véspera. Em 35% na Ipespe (8,2 pontos abaixo), 36% na Datafolha (7,2 pontos), 37% na Ipec (6,2 pontos), 38% na Quaest (5,2 pontos) e 40% (3,2 pontos) na MDA. Mas três delas acertaram os 48,43% de Lula quase exatamente: a Quaest e a MDA lhe deram 48%, enquanto a Ipespe lhe deu 49%.

 

Lula lidera na Ipec

Na margem de erro de 2 pontos, a Datafolha também acertou a votação de Lula no 1º turno, ao projetá-la em 50%. Por sua vez, a Ipec deu-lhe 51%, errando em 0,57 ponto fora da margem de erro. Correndo atrás dos seus erros, foi da Ipec a primeira pesquisa desta semana, segunda do instituto na corrida a 30 de outubro. Até aqui, é a quem vem dando maior vantagem de Lula para Bolsonaro neste 2º turno. Feita de sábado (8) a segunda (10) e encomendada pela Globo, ouviu 2.000 eleitores presencialmente. E deu ao petista 55% dos votos válidos, contra 45% do capitão. Como são os mesmos números da Ipec de 5 de outubro, indicou estabilidade.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula lidera?

A vantagem de 10 pontos na Ipec ao 2º turno para Lula, se repetidos os erros do 1º turno 0,57 ponto para cima a ele, e de 6,2 pontos para baixo a Bolsonaro, afunilariam a disputa do 2º turno em 3 pontos, empate técnico na margem de erro. Do que a pesquisa mostrou, outro dado também preocupa o petista. Fundamental à definição do 2º turno, a rejeição mostra uma aproximação. Nos últimos cinco dias, Bolsonaro reduziu de 50% a 48% os brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, enquanto Lula subiu de 40% a 42%. A diferença é de 6 pontos, a apenas 2 do empate técnico. Se a rejeição se igualar, qualquer resultado é possível.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Disputa na Ipespe

Segunda pesquisa da semana e primeira do instituto ao 2º turno, a Ipespe foi divulgada ontem (11). Foi feita também entre sábado e segunda, mas entre 1.110 eleitores ouvidos por telefone. Com margem de erro de 3 pontos, ela também deu a liderança de Lula, com 54% dos votos válidos, contra 46% de Bolsonaro. A diferença de 8 pontos, se repetido o erro de 8,2 pontos para baixo com o capitão no 1º turno, a despeito do acerto com o petista, significaria hoje nenhuma diferença. Na rejeição, a diferença entre os dois é um empate técnico de 4 pontos: 49% não votariam de maneira nenhuma em Bolsonaro, contra 45% de Lula.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula lidera no Sudeste?

Tão fundamental quanto a rejeição, o que definirá o 2º turno presidencial será a votação da região Sudeste, que concentra 42,6% do eleitorado do país. No 1º turno, Bolsonaro ficou na frente, com 47,6% dos votos válidos, contra 42,6% de Lula. Mas a Ipec na segunda projetou que o petista teria virado: 48% contra 44% do capitão, com 6% de brancos e nulos, mais 2% que não souberam responder. O cientista político Antônio Carlos Almeida, professor da UFF e da FGV, e autor do livro “O Voto do Brasileiro” (2018), disparou do Twitter: “Está errado o resultado do Ipec para o Sudeste indicando Lula à frente de Bolsonaro”.

 

 

Bolsonarismo no Noroeste

Da região brasileira eleitoralmente mais importante de volta às regiões fluminenses, ontem viralizou nas redes sociais um vídeo de alunos do curso de medicina do campus Itaperuna da Universidade Iguaçu (Unig). Foi gravado na última sexta (7), quando eles participavam dos Jogos Universitários de Medicina (Intermed), em Vassouras. Onde os futuros médicos cantavam animadamente: “Ei, eu sou playboy. Não tenho culpa de seu pai é motoboy”. A Unig divulgou de repúdio à atitude discriminatória dos seus estudantes. No 1º turno presidencial de Itaperuna, município polo do Noroeste Fluminense, Bolsonaro teve 60,95% dos votos válidos.

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Deputada federal reeleita, Talíria no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Deputada federal reeleita com a terceira maior votação do estado do Rio, Talíria Petrone (Psol) é a convidada do Folha no Ar desta terça (11), ao vivo a partir das 7h20 da manhã, na Folha FM 98,3. Ela analisará a eleição fluminense a deputados, senador, governador e o novo Congresso de maioria conservadora eleito pelo país em 2 de outubro.

Talíria também tentará projetar o 2º turno do próximo dia 30 ao Palácio do Planalto, entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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