Obra de José do Patrocínio contra a escravidão é relançada

 

Armado da pena da sua escrita na luta contra a escravidão negra no Brasil, o campista José do Patrocínio retratado em charge de Pereira Neto, publicada em 29 de outubro de 1888, cinco meses após a abolição da escravatura no Brasil Império

José do Patrocínio (1853/1905) talvez seja o filho mais ilustre de Campos, ao lado do ex-presidente Nilo Peçanha (1867/1924) e do ex-craque de futebol Didi (1928/2001). Frutos da mãe de obra trazida escrava de África aos canaviais do “viridente plaino goitacá”, os três eram negros.

Jornalista e político, Patrocínio ficou mais famoso como abolicionista. Embora também tenha sido figura de proa na proclamação da República — como outro jornalista de Campos, o Edmundo Siqueira, lembrou aqui.

Parte da  luta de Patrocínio, o “Tigre da Abolição”, pela emancipação dos negros no Brasil e perenizada em seus escritos, está sendo resgatada. Em publicação das editoras britânica Penguin e brasileira Companhia das Letras.

Com o título “Panfletos abolicionistas”, o lançamento será em 11 de junho, na versão impressa (R$ 69,90) e em Kindle (R$ 39,90).  Em ambas, sua pré-venda já está sendo feita aqui, pela Amazon.

O livro reúne textos de Patrocínio com outro negro abolicionista, o engenheiro André Rebouças (1838/1898). Além do diplomata, político, advogado e historiador aboliconista Joaquim Nabuco (1849/1910), o “Leão do Norte”.

São publicações de 1883, cinco anos antes da libertação dos escravos negros no Brasil Império. De Patrocínio e Rebouças, “O Manifesto da Confederação Abolicionista”. De Nabuco, “Reformas nacionais: o abolicionismo”.

No texto que a Amazon disponibiliza na pré-venda do livro, sua melhor definição e relevância: “são documentos de uma época, mas ainda falam de um Brasil que, em muitos pontos, permanece o mesmo”.

Abaixo a sua íntegra:

 

Abolicionistas José do Patrocínio, André Rebouças e Joaquim Nabuco (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

“A campanha pela abolição foi mais longa e arriscada do que em geral se imagina, envolvendo muita ação e política, mas nunca prescindiu da propaganda escrita. Os textos aqui reunidos resgatam essa imensa mobilização, tão distante da idílica imagem da canetada da ‘princesa redentora’.

De 1868 a 1888, centenas de homens e mulheres se engajaram em ações antiescravistas, criando associações civis, fazendo viagens de propaganda, promovendo eventos artísticos, lançando candidaturas eleitorais e pensando rotas de fugas para os cativos. Também escreveram um sem-número de poemas, romances, peças, artigos… e panfletos — dois dos quais coligidos neste volume.

Produzidos no calor do momento e publicados em 1883, ano de grande aceleração da mobilização abolicionista, esses textos defendem o fim do trabalho escravo. O primeiro, de Joaquim Nabuco, ganhou muitas edições subsequentes, tornando-se um clássico. Ficou conhecido por ‘O abolicionismo’, ainda que originalmente tenha sido publicado como ‘Reformas nacionais: o abolicionismo’, título recuperado aqui.

O segundo é assinado por André Rebouças e José do Patrocínio, outras duas figuras resplandecentes da campanha abolicionista. O ‘Manifesto da Confederação Abolicionista’, nunca republicado, apresenta as questões debatidas por quinze associações abolicionistas do Rio de Janeiro, reunidas em assembleia em maio de 1883.

Obras abertas a interpretações, estes ‘Panfletos abolicionistas’ são documentos de uma época, mas ainda falam de um Brasil que, em muitos pontos, permanece o mesmo”.

 

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Felipe Fernandes — Ponto alto da franquia “Mad Max”

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

Areia, selvageria e vingança

Por Felipe Fernandes

Criado por George Miller e lançado em 1979, Mad Max se passa em um futuro próximo onde a sociedade ruiu em uma guerra por petróleo e nesse contexto, um policial rodoviário entra em uma insana jornada de vingança contra uma gangue de motoqueiros que matou sua família. É um filme bem direto, feito com baixo orçamento, que trabalha pouco seu subtexto e impressiona mais pela forma artesanal como tudo é feito.

O filme gerou uma franquia, lançou o diretor George Miller e o ator Mel Gibson ao estrelato e muitas das características mencionadas também estão presentes nos outros filmes. Em 2015, após um hiato de 30 anos, George Miller retornou ao universo distópico e desértico e criou um dos maiores filmes de ação já realizados. “Mad Max: Estrada da Fúria” é um filme frenético, repleto de momentos brilhantes, que além de encantar o público, ganhou 6 Oscars, um feito inimaginável quando pensamos em cinema de ação.

O fascínio do público foi tão grande que gerou um prequel, novamente comandando por George Miller, que retoma a franquia, mas não para seguir na jornada de Max. A protagonista agora é Furiosa, a personagem do longa de 2015 que roubou a cena e se provou uma das melhores personagens femininas do gênero.

“Furiosa: Uma Saga Mad Max” abre com um tom de fábula, característica presentes no segundo e terceiro longas. Que retorna para contar a história da jovem Furiosa, que assim como Eva, foi atrás do fruto proibido e aqui, acaba raptada por uma gangue de motoqueiros. O filme é dividido em capítulos, que reforçam esse tom fabulesco e traz neste primeiro momento uma história que busca situar o espectador dentro daquele universo.

Ao contrário de “Estrada da Fúria”, que era um filme de situação e soltava elementos da história em meio a ação, aqui Miller resolve estabelecer muito do que foi visto no longa anterior: apresentar toda uma nova gangue de motoqueiros e contar a origem de Furiosa. Tudo isso sem perder mão da ação e sem precisar alterar fatos previamente estabelecidos.

Essa decisão torna o filme diferente e enriquece o universo do longa anterior, criando uma ligação forte entre os dois últimos filmes da franquia e fazendo de Furiosa um filme com mais respiros e uma história mais trabalhada. Grande parte do filme narra a história de Dementus (Chris Hemsworth), líder de uma violenta gangue de motoqueiros que é responsável pelo rapto de Furiosa e na busca por gasolina e suprimentos entra em guerra contra Immortal Joe (Lachy Hulme), conflito este que vai permear toda a narrativa.

Dementus se mostra um personagem interessante, que ganha uma história pregressa simples, que com um único elemento narrativo conseguimos entender suas motivações e de certa forma, como ele chegou até ali. É uma espécie de Max, que seguiu por caminhos completamente opostos.

Essa simplicidade narrativa presente desde o primeiro longa faz muito sentido na franquia. Que busca mais trabalhar seus subtextos e questões sociais dentro daquele universo, do que propriamente construir e desconstruir personagens.

A jornada de Furiosa tal qual a de Max no longa original, é uma jornada de vingança. Mas aqui, a jovem precisa mostrar força em um universo dominado por homens, ela precisa provar ser digna de andar por aquelas estradas. Seu crescimento dentro do conflito entre os poderosos acontece de forma exponencial, com ela quebrando etapas, até alcançar sua autonomia e enfim começar sua vingança.

Miller é um cineasta experiente que conhece o jogo. Ele não busca refazer seu longa anterior ou nenhum dos outros longas da franquia, mas ele respeita e reverencia tudo o que foi construído até aqui. O filme não tem a ação desenfreada do longa anterior, mas trabalha um quadro maior, dando profundidade a aquele universo, elemento que enriquece a franquia como um todo.

A ação do filme mantém o nível de excelência de “Estrada da Fúria” e mesmo que o CGI seja mais notório aqui, as cenas de ação entregam momentos marcantes. O longa resgata um nível de selvageria e violência que remetem ao início da franquia. Dementus é um personagem mais cruel e instável, mistura que torna tudo mais perigoso e violento.

“Furiosa” é mais um ponto alto na franquia e na carreira de George Miller. O filme constrói uma origem satisfatória que engrandece uma das personagens femininas mais marcantes do cinema de ação, expande muito dos elementos apresentados no longa anterior, uma questão que inclusive engrandece o filme de 2015. Algo raro quando pensamos em prequels e continuações.

É uma das melhores experiências cinematográficas de 2024. Fruto de um diretor que faz cinema de autor dentro de um blockbuster com uma desenvoltura impressionante, coisa de artista grande.

 

Publicado na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

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Voto entre esquerda e direita em Campos enrijeceu com bolsonarismo

 

Ambos servidores federais, o jornalista Edmundo Siqueira e o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Campos é conservadora?

Integrante da bancada do Folha no Ar que ontem entrevistou Christiano, o jornalista e servidor federal Edmundo Siqueira escreveu um artigo sobre o comportamento pendular do eleitor de Campos, entre esquerda e direita. Com o título em instigante indagação, “Campos é mesmo conservadora?”, foi publicado no último sábado (25) na Folha da Manhã. Nele, dialogou com outro artigo, do cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos. Que, com o título “O campista, este swing voter! – ou, da insustentável natureza conservadora do eleitor goytacá”, tinha publicado na última terça (21) em seu blog, “Autpoiese e virtu”.

 

Eleitor pendular

Com base no conceito do “swing voter” (“eleitor pendular”), criado nos EUA para designar o mesmo voto que se alterna entre Democratas (mais progressista) e Republicanos (mais conservador) e geralmente decide as eleições presidenciais daquele país, George fez um recorte da votação do eleitor campista nos últimos 13 pleitos. Inquestionável no levantamento dos números das urnas, o cientista político concluiu: “Se nos ativermos a todas as eleições majoritárias de 2000 até 2022, o que totalizou 13 eventos eleitorais variando entre eleições locais e gerais, o eleitor (de Campos) deu vitória aos dois lados do espectro político”.

 

Voto à esquerda do campista

Por sua vez, Edmundo registrou em seu artigo que, na manhã do mesmo dia em que George publicaria o seu, “o jornalista Aluysio Abreu Barbosa, lembrou que ‘Campos já votou majoritariamente em Lula e Dilma’, citando o fato de que se ‘o primeiro turno presidencial (em 2014) fosse em Campos, o segundo turno seria entre Dilma e Marina (Silva, hoje ministra do Meio Ambiente do governo Lula 3)’”. Foi durante o Folha no Ar ao vivo com o petroleiro Tezeu Bezerra, presidente do Sindipetro NF e pré-candidato do PT a vereador. Que era entrevistado por Edmundo, Aluysio e Cláudio Nogueira, gerente da Folha FM 98,3 e âncora do programa.

 

Voto goitacá enrijecido à direita

Na polarização muitas vezes acéfala das redes sociais, o diálogo gerou questionamentos em comentários de quem, de direita ou de esquerda, é igualmente incapaz de enxergar a realidade política além da sua visão binária de mundo. Como a espremida entre os antolhos dos muares que ainda puxam carroças diariamente nas ruas de Campos. O movimento pendular do eleitor goitacá nas eleições presidenciais é, sim, válido no recorte mais amplo de 2000 a 2022. No mais curto, de 2018 para cá, as urnas e todas as pesquisas mais recentes provam, no entanto, que a cintura ideológica de expressiva maioria do eleitor campista está enrijecida à direita.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Christiano: “Acho muito difícil tirar essa eleição de Wladimir”

 

Christiano Abreu Barbosa, Wladimir Garotinho e Rodrigo Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Aprovação de governo = reeleição

“Comparando (a corrida eleitoral a prefeito de Campos) com a prova de Ironman, Wladimir (Garotinho, PP) está indo para completar a prova em 9h e o segundo, em 11h. Acho muito difícil tirar essa vitória dele, porque o governo é bem avaliado. Cada um está na sua bolha, mas no meu entorno e de todos com que converso, o governo é amplamente aprovado. Essa pesquisa (Prefab, de 26 de abril, registrada no TSE sob o nº RJ-04536/2024) deu a ele 70% de avaliação positiva”. Foi o que disse no Folha no Ar de ontem (28) o empresário, blogueiro, radialista, diretor do Grupo Folha e campeão brasileiro de triathlon, Christiano Abreu Barbosa.

 

A força de Rodrigo e a de Wladimir

O atleta de alto rendimento reconheceu, no entanto, a força do principal opositor do prefeito de Campos: “Normalmente, a intenção de voto acompanha a aprovação de governo (quando o governante é candidato à reeleição). Então, acho muito difícil para a oposição. Acho que o trabalho de Rodrigo Bacellar (União, presidente da Alerj), que alcançou uma dimensão enorme e está indo muito bem no estado, é tentar diminuir a vitória de Wladimir. Vai ganhar com 70%, vai ganhar com 60%, vai ganhar com 50% (dos votos válidos)? Mas não vejo como tirar a vitória de Wladimir, no meu ponto de vista”.

 

Retomada do setor imobiliário

Com seu blog, Ponto de Vista, dedicado à atividade empresarial da planície, Christiano também apostou no reaquecimento da economia: “Estão voltando os lançamentos imobiliários. Campos, desde 2014, sentiu muito a crise quando Dilma (Rousseff, PT, ex-presidente) quebrou o país. O estado (do Rio) teve muita dificuldade também, atrasou salários, e a Prefeitura perdeu muita arrecadação pela queda dos royalties. Vários imóveis hoje têm valor nominal igual ou mais baixo do que tinham em 2014. Mas hoje há uma retomada do mercado imobiliário na cidade. O que é sempre positivo porque movimenta e gera emprego”.

 

A idade de recomeçar

Após conquistar o Ironman Brasil, na categoria age group, com quebra de recorde, no último dia 19, em Florianópolis (SC), Christiano também deu seu testemunho de que nunca é tarde para retomar a prática de atividade física: “A idade não é um obstáculo nenhum. Isso foi um paradigma quebrado nessa prova: eu fui a primeira pessoa no Ironman Brasil, em seus 24 anos de existência, a fazer sub-9 (abaixo de 9h). Há 10 anos, esse era o tempo do ganhador profissional. O que motivou muita gente na nossa faixa etária (50 anos), porque viu que é possível. A idade é um número; depende de como você encara ele”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Campeão de triathlon e empresário no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Atleta e campeão brasileiro de triathlon, empresário, blogueiro, radialista e diretor financeiro do Grupo Folha, Christiano Abreu Barbosa é o convidado do Folha no Ar desta terça (28), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da sua conquista (confira aqui) do Ironman Brasil na sua categoria, com quebra de recorde pessoal, no dia 19, em Florianópolis (SC).

Christiano também falará da sua experiência mais recente como radialista, no programa “Interação”, das 18h às 19h de toda terça, na Folha FM, e dará um panorama empresarial de Campos e região. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), ele tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro, daqui a exatos 4 meses e 10 dias.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.

 

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Elaine Leão na chapa a prefeita de Campos com Carla Machado?

 

Petistas Elaine Leão, Carla Machado, Jefferson de Azevedo e Helinho Anomal (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Elaine a prefeita pelo PT?

Presidente do Sindicato dos Profissionais Servidores Públicos Municipais de Campos dos Goytacazes (Siprosep), Elaine Leão pode ser a candidata do PT a prefeita? No caso, viria inicialmente como vice na chapa encabeçada pela deputada estadual Carla Machado (PT). E, se esta for obrigado a se retirar da disputa até o prazo legal de 16 de setembro, por toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que impede uma terceira candidatura consecutiva a Executivo municipal, Elaine assumiria a chapa. É a possibilidade que vem sendo ecoada nos bastidores políticos da planície ao PT estadual.

 

Elaine ou Jefferson?

À coluna, Elaine confirmou que já ouviu a possibilidade, junto a contatos seus no PT do Rio. “Mas não recebi o convite. Se vier, estudo a possibilidade. Por ora, o que há de concreto é a minha pré-candidatura pelo PT a vereadora de Campos”, disse a presidente do Siprosep. Oficialmente, o PT tem três pré-candidaturas à Prefeitura de Campos: de Carla, do professor Jefferson de Azevedo e do sindicalista Helinho Anomal. Ao comando goitacá do partido, o mais provável, hoje, seria uma chapa encabeçada por Carla, com Jefferson de vice. Que assumiria se a ex-prefeita reeleita de SJB em 2020 não puder concorrer a prefeita de Campos em 2024.

 

Densidade eleitoral de Carla Machado em Campos

Tanto Jefferson quanto Helinho são petistas orgânicos. Diferente de Carla, nunca integraram nenhum outro partido. Só que a ex-prefeita de quatro mandatos em SJB, cujo último renunciou para concorrer à Alerj em 2022, se elegeu com 34.658 votos, 17.936 deles só em Campos. E, na única pesquisa até aqui registrada no TSE neste ano eleitoral de 2024, feita pelo instituto Prefab Future em 26 de abril, Carla foi a única, à exceção do prefeito Wladimir Garotinho (PP), a pontuar (confira aqui) com dois dígitos na consulta estimulada. Onde ela teve 18,7% de intenção de voto, contra 53,7% de Wladimir. Por sua vez, Jefferson ficou no 0,6%.

 

Para juristas, Carla não pode vir a prefeita

Embora todas as pesquisas de 2023 (confira aqui) e a única de 2024 apontem à possibilidade de Wladimir se reeleger já no 1º turno de 6 de outubro, daqui a 4 meses e 12 dias, a candidatura de Carla é encarada, até dentro do grupo dos Bacellar, como a única possibilidade real de levar a eleição ao 2º turno. Em entrevista ao Folha no Ar de 7 de dezembro, o advogado Cleber Tinoco (confira aqui) foi assertivo: “Uma mudança que libere a candidatura da Carla Machado não vai acontecer. A prefeita, não pode”. Ele endossou o que já tinham dito (confira aqui) a esta coluna, na edição de 28 de outubro, os advogados Pryscila Marins, João Paulo Granja e Gabriel Rangel, e o promotor Victor Queiroz.

 

Troca de nome a 20 dias da urna?

Sem ligação com nenhum grupo político, Cleber desnudou o que entende ser a intenção real da oposição com a candidatura de Carla a prefeita de Campos: “Por que alguém se arriscaria a colocar um candidato correndo risco de se tornar inelegível e ter os votos anulados? Isso pode ser uma estratégia, porque a legislação eleitoral permite a alteração do candidato até 20 dias antes (16 de setembro) do pleito. Você teria o nome (de Carla), que faria toda a campanha, e outro candidato assumiria o posto dela”. Indagada diretamente sobre essa fala em entrevista que deu ao Folha no Ar em 17 de maio, Carla não confirmou ou negou a possibilidade.

 

Nova Pracinha do Sossego

A Pracinha do Sossego, que tem nela e em seu entorno alguns dos melhores botequins da cidade, vai receber uma grande reforma, sendo repaginada e ganhando um “mini” boulevard, com a pequena rua situada entre a Álvaro Tâmega e Luís sendo fechada ao tráfego de carros. A informação é do Blog Ponto de Vista, assinado por Christiano Abreu Barbosa na Folha 1. Ele destaca que a rua, desde 2019, recebe o nome do saudoso veterinário Maron El Kik Jr, o Kiko. A obra está em fase de licitação e a previsão é que até o final do ano a praça esteja remodelada. O Quiosque do Sossego também será amplamente modernizado.

 

Reeleito

A Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan) terá Tito Inojosa como presidente e Frederico Veiga como vice-presidente por mais três anos. A eleição para a composição da mesa diretora aconteceu na semana passada, quando o nome de Tito foi referendado por unanimidade. Ele diz que o trabalho será de continuação e focado nas ações que contribuem para a modernização do setor sucroalcooleiro. “Nosso sentimento é continuar realizando e trazendo coisas novas para o setor. Inclusive, em 25 de junho, faremos um evento na Coagro para apresentar uma cana mais resistente à seca”.

 

Saúde da mulher

Neste sábado (25), a Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia (SFMC), com apoio da secretaria municipal de Saúde, por meio do programa Hiperdia, vai promover a Caminhada da Vitalidade, um evento focado na saúde cardiovascular feminina. A concentração será às 9h, na sede da SFMC, localizada na Faculdade de Medicina. A caminhada terá como destino a Praça do Liceu. No local, a equipe do Hiperdia irá oferecer diversas ações gratuitas, como aferição de pressão arterial, glicose, peso, além de orientações nutricionais e sobre mudanças de estilo de vida. Para incentivar a prática de exercícios, será oferecida uma aula de ginástica ao ar livre.

 

Com a jornalista Joseli Matias.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Edmundo Siqueira — Campos é mesmo conservadora?

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

Edmundo Siqueira, servidor federal, jornalista, integrante da bancada fixa do programa Folha no Ar e blogueiro do Folha1

Campos é mesmo conservadora?

Por Edmundo Siqueira

 

“Como contamos nossa própria história? O que descrevemos diante do que vemos no espelho?”, é o que indaga o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos, no início de seu recente texto “O campista, este swing voter! — ou, da insustentável natureza conservadora do eleitor goytacá”, onde traz uma reflexão sobre a escolha pendular dos campistas nas últimas eleições, nas escolhas entre o conservadorismo e o progressismo.

George é o que chamamos de “intelectual público”, o que Tocqueville define, na gênese desse intelectual moderno, como os hommes de lettres: filósofos, escritores e livres pensadores. Frequente debatedor nos meios de comunicação de Campos — já lido e ouvido na Folha da Manhã, no Folha1 e na FolhaFM em diversas oportunidades —, sempre traz ponderações instigantes sobre o cenário político local. Nesta, o professor questiona o que parece ser inquestionável: o conservadorismo campista.

Na última terça-feira (21), foi entrevistado no Folha no Ar o presidente do Sindipetro-NF Tezeu Bezzerra, e entre outros assuntos foi tratado sobre as eleições em Campos e a suposta resistência ao PT, partido que Tezeu é militante e se colocou (confira aqui) como pré-candidato a vereador. Em sua resposta, citou alguns números da eleição passada (2020), onde Lula foi a escolha de 36,86% dos eleitores, recebendo 100.427 votos no segundo turno.

Embora Bolsonaro tenha sido a escolha da maioria naquele pleito (171.999 votos, o equivalente a 63,14%), em uma cidade tida como amplamente conservadora, Lula ter recebido mais de 100 mil votos e somados os 26,38% (97.612) de eleitores que não votaram ou votaram em branco ou nulo, é algo interessante para refletirmos.

O jornalista Aluysio Abreu Barbosa, lembrou, na bancada do mesmo programa, que “Campos já votou majoritariamente em Lula e Dilma”, citando o fato de que se “o primeiro turno presidencial [em 2014] fosse em Campos, o segundo turno seria entre Dilma e Marina”.

Ambos intelectuais públicos, Aluysio e George, não podem ser considerados como pensadores de posições ideologizadas. Embora tenham suas convicções, por óbvio, não deixam suas análises encobertas por nuvens polarizantes. Fazem, inclusive, críticas constantes ao PT e seus governos. E parecem convergir aqui: o eleitor de Campos é pendular.

“Se dependesse do eleitor campista, o segundo turno para presidente teria Dilma, pelo PT, concorrendo com Marina Silva naquele momento no PSB. Duas mulheres, ambas mais pela esquerda que Aécio Neves, PSDB. Na cidade, no primeiro turno, Dilma conquistou 87.703 votos, Marina com 76.786 votos e Aécio 66.753, respectivamente”, informa George em seu texto, falando o mesmo (em mesmo tempo e sem combinar) que disse Aluysio.

O que parece ser evidente, olhando para o recorte histórico até 2018, é que o eleitor campista consegue definir seu voto refletindo sobre o momento que é chamado para ir às urnas. E consegue, diferentemente de outras cidades de mesmo porte, decidir de forma oposta entre conservadorismo e progressismo.

Não quer dizer que isso persiste até hoje, contudo. Com a presença do bolsonarismo ainda forte em Campos e no Brasil, e com números de aprovação do governo Lula em queda (aprovado por 52% dos brasileiros em janeiro de 2023, e por 47% em março de 2024), o eleitor cristalizado, que vota com a direita, e agora com o bolsonarismo, sob qualquer circunstância posta, pode ter crescido.

Vale lembrar que Campos dos Goytacazes foi berço de abolicionistas históricos, de relevância nacional, e do primeiro — e único até aqui — presidente negro do Brasil. Do mesmo modo, vale ressaltar que a cidade foi uma das maiores produtoras de cana-de-açúcar como seus senhores de engenho, e abrigou um importante núcleo integralista, o movimento fascista brasileiro dos anos 1930-40.

Se há algo a se comemorar diante dessas análises e números eleitorais, é que Campos não segue, necessariamente, os rótulos impostos. Mostra-se, pelo menos em alguns recortes históricos, como uma sociedade complexa e crítica o bastante para fugir de determinismos. E para ser contra-majoritária quando necessário. Campos consegue pensar por si mesma.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Frederico Paes fecha a semana do Folha no Ar nesta sexta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vice-prefeito de Campos e pré-candidato à reeleição na chapa do prefeito Wladimir Garotinho (PP), Frederico Paes (MDB) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (24), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Também presidente da Coagro e engenheiro agrônomo, ele analisará o início da moagem (confira aqui) na Coagro e Canabrava, além do projeto (confira aqui) de retomada da usina Paraíso.

Frederico também avaliará a conturbada relação entre Executivo e Legislativo goitacá, com seu mais novo capítulo: o relatório da CPI da Educação pela oposição na terça (21) e (confira aqui, aqui, aqui e aqui) a reação de Wladimir. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), ele tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro, daqui a exatos 4 meses e 14 dias.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.

 

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Publicidade de Campos às grandes praças no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Publicitário com experiência em Campos e nos grandes centros, Douglas Oliveira é o convidado do Folha no Ar desta quinta (23), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará as diferenças do mercado publicitário de Campos e interior às maiores praças do país.

Douglas também falará de publicidade e comunicação social em tempo de redes sociais e pós-verdade. E da importância da publicidade neste ano de eleições municipais pelo Brasil em 6 de outubro, daqui a 4 meses e 15 dias.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.

 

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Alcimar Ribeiro — Contradições da riqueza do petróleo

 

 

Alcimar das Chagas Ribeiro, economista, professor da Uenf e membro da Academia de Letras de Campos (ACL)

Rio de Janeiro de contradições: ineficiência que permite o espraiamento da riqueza para além do território

Por Alcimar das Chagas Ribeiro

 

Diferentes autores fluminenses apresentam justificativas consensuais sobre a crise estrutural do estado do Rio de Janeiro. São ancoradas na perda de receita e, consequente, incapacidade de investimento, em função de questões históricas e mudanças institucionais. Dentre elas, a transferência da capital do antigo estado da Guanabara para Brasília, a isenção fiscal sobre exportações de produtos primários e semielaborados (Lei Kandir) e na distorção fiscal sobre a extração do petróleo no território que ocorre no destino e não na origem.

Estes argumentos parecem se fragilizar no contexto da análise conjuntural das duas últimas décadas. Já nos anos 2000, a dinâmica da conjuntura econômica mundial, puxada pela China, exerceu forte pressão na demanda por commodities, especialmente petróleo bruto, com reflexos no aumento do preço do barril internacionalmente.

Em meados de 2008 o preço do petróleo chegou a ser negociado em torno de US$ 138 por barril. Dois anos depois, o estado detentor da maior bacia petrolífera do país, a Bacia de Campos, atingiu o ápice de 87% da produção de petróleo no país.

A importância do estado na produção de petróleo possibilitou uma consistente transferência de rendas petrolíferas para o executivo estadual e para os municípios produtores. Estes ampliaram de sobremaneira a sua dependência orçamentária das mesmas rendas petrolíferas finitas.

Já na segunda década dos anos 2000, com a descoberta e avanço da exploração de petróleo no pré-sal (Bacia de Santos), a Bacia de Campos inicia um processo de declínio da produção e produtividade. Tal fato incentivou a transferência gradativa de investimentos para a Bacia de Santos, cujos campos petrolíferos sinalizavam melhor qualidade do produto, maior produtividade e garantia de maiores taxas de lucros para as operadoras.

Apesar do amadurecimento da Bacia de Campos e maior afluxo de investimentos em direção à Bacia de Santos, o estado do Rio de Janeiro continuou se beneficiando das rendas petrolíferas pela proximidade dos municípios de Maricá — hoje o maior beneficiário de rendas petrolíferas do país —, Saquarema, Niterói e Rio de Janeiro. Quatorze anos depois da descoberta do pré-sal, a bacia de Santos é responsável por aproximadamente 80% da produção nacional, enquanto a bacia de Campos é responsável por menos de 20% do total. Tal inversão não tirou a condição do estado do Rio de Janeiro de maior produtor de petróleo do país.

Complementarmente, quando são observados os resultados do processo de execução orçamentária nos últimos anos, contradições importantes são afloradas corroborando com a hipótese de fragilidade dos argumentos usados na justificativa da crise econômica do estado.

Importante resgatar a crise econômica no país em 2015 e 2016 que levou o estado a aderir ao Regime de Recuperação Fiscal em 2017. A forte recessão atingiu frontalmente o estado dependente das rendas petrolíferas. O desajuste das contas públicas foi acentuado com um déficit fiscal de R$ 5,4 bilhões em 2016, o qual levou o estado a decretar estado de calamidade em 2017.

Neste ano as receitas correntes realizadas em termos reais caíram 27,62% em relação a 2014, puxadas pela queda de 21,53% no ICMS no mesmo período. Já no grupo das despesas a parcela das ‘correntes liquidadas’ caiu 21,72% em relação a 2014.

Entretanto, é importante elucidar a movimentação contábil relativa à transferência de um valor real correspondente a 70,25% da conta de custeio para a conta de pessoal e sua contrapartida de redução de 60,64% na conta de custeio, na execução orçamentária em 2017.

Um primeiro indicativo é de que a movimentação executada possa representar um instrumento de pressão do estado sobre a União, já que o fato demonstra eficiência na gestão das despesas operacionais e dificuldade com a obrigação constitucional de remuneração com o servidor público.

Nos anos seguintes a observação é de que as receitas correntes seguem um processo de recuperação gradativa, atingindo em 2023 uma leve queda de 4,46% em relação a 2014, ano referência da conjuntura econômica de alta dinâmica. As despesas correntes também evoluem ao longo do tempo sem sobressaltos, chegando em 2023 com uma queda de 14,73% em relação a 2014.

Com isso, o problema contábil persiste na conta de pessoal que registrou um crescimento real de 84,42% em 2023 com base em 2014, impulsionado pelo crescimento de 70,25% de 2017, ano de ingresso do estado no Regime de Recuperação Fiscal. Adiciona-se a este quadro o crescimento real da folha de pessoal de 11,35% no triênio 2021/2023 em classes especiais, já que a massa dos servidores não se beneficiou de qualquer aumento salarial.

Situação inversa pode ser vista na avaliação do custeio. Ao contrário da evolução da conta de pessoal, a conta de outras despesas correntes apresentou queda acentuada de 59,93% em 2023 com base em 2014. Tal pressão veio da pedalada mostrada acima.

Quanto ao questionamento do exagerado juros da dívida que, segundo o governo, inviabiliza a prestação de serviços e o investimento público, a execução orçamentária não mostra tal dificuldade. O gasto com o serviço da dívida executado pelo governo atingiu um valor médio correspondente a 1,6% das receitas correntes no período de 2017 a 2023.

Já o investimento público atingiu um valor equivalente a 2,73% das receitas correntes no mesmo período, o que indica a perda de capacidade de investimento, apesar da venda da empresa pública de água e esgoto (Cedae).

Outra justificativa do estado de forte pressão sobre o Governo Federal diz respeito à possível paralização de prestação de serviços estratégicos. A evidência empírica é de que educação, saúde, infraestrutura, segurança, etc., não têm avançado no padrão esperado pela população fluminense.

Conclusivamente, considerando as ocorrências de recuperação das receitas correntes que atingiu quase o nível de 2014, do avanço das receitas patrimoniais com a venda da Cedae, do insuficiente padrão de investimento público e do baixo impacto dos gastos de serviços da dívida, o problema está na ineficiência da gestão pública. Conforme têm afirmado o Governo Federal e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio de Janeiro.

 

Folha Letras publicada (hoje) na Folha da Manhã

 

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Arthur Soffiati — A lenda do “Rei do filme B” de Hollywood

 

Roger Corman, cineasta, produtor, descobridor de atores, redescobridor de outros e “Rei do filme B” de Hollywood

 

Arthur Soffiati, historiador, professor, ambientalista e crítico de cinema

A lenda Roger Corman

Por Arthur Soffiati

 

Hollywood reuniu estúdios e se tornou o maior centro cinematográfico do mundo. Dali, saíram grandes filmes, diretores famosos e artistas glamorosos. Eles ganharam o mundo e, por um lado, levaram-nos encantamento. Por outro, motivaram críticas severas. O festival do Oscar é o que melhor representa Hollywood.

Mas deixemos o palco da cidade do cinema e visitemos o porão. Lá não é apenas um lugar para guardar material usado e recordações. Encontraremos intensa vida ali: diretores, produtores, cinegrafistas, artistas, orçamentos baixos e a falta de glamour do andar de cima. Ou um glamour diferente daquele mais difundido e exibido nas grandes telas.

É a Hollywood B, talvez a verdadeira face da capital mundial do cinema: a produção de filmes comerciais para o grande público. O cinema sem meias palavras para render dinheiro: gastar pouco e ganhar muito. É preciso descobrir esta faceta por trás do charme.

Nesse sentido, a figura de Roger Corman talvez seja a mais representativa desse porão. Ele nasceu em 1926 e acaba de morrer aos 98 anos de idade. Corman fez de tudo no porão: carregou cenários, esteve atrás das câmaras, foi dublê, estreou como diretor em 1956, dirigiu muitos filmes nos mais distintos gêneros, vários deles não creditados, e se tornou um grande produtor mais pela quantidade que pela qualidade.

Corman recebeu merecidamente o título de “Rei do filme B”. Em todos os gêneros, encontraremos filmes B, aqueles que são produzidos com baixo orçamento. Por isso, não podem contar com bons roteiristas, fotografia, artistas e outros traços mais que marcam a produção do andar superior de Hollywood.

Não se pode dizer que Corman estava despreparado culturalmente. Ele se formou em engenharia e estudou literatura. Era pau para toda obra. Precisa-se de um filme para a próxima semana. Chama o Corman. Parece que certo estúdio não cumprirá o contrato para nos entregar um filme A. Chama Corman depressa e encomenda um filme B.

Como produtor, ele não se limitava em conseguir dinheiro para os filmes. Escolhia o livro a ser roteirizado, o roteirista, o diretor e os artistas. Ele deixou de dirigir em 1990, mas continuou como diretor indiretamente. E era grande seu tino para filmes voltados aos pequenos cinemas e ao público não exigente.

Os homens americanos gostam de peitos femininos? Pois coloquemos mulheres bonitas que exibem seus peitos gratuitamente. Foi assim que ele filmou Dawn Dunlap, uma bela e pouco conhecida atriz. O público gosta de briga? Ofereçamos briga a eles. E nada de filme-cabeça.

Assim, Corman adquiriu notoriedade e respeitabilidade do andar de cima. Ele se tornou um grande conselheiro dos jovens diretores, como Francis Coppola, Martin Scorserse, James Cameron, Tim Burton, John Landis, Joe Dante, Peter Bogdanovich, Jonathan Demme. Ele lançou artistas que se tornaram célebres mais tarde, como Jack Nicholson, e trouxe às telas artistas que estavam sendo esquecidos, como Peter Lorre e Boris Karloff.

Foi Corman que consagrou o nome de Vincent Price. Ele ganhou dinheiro com esses filmes baratos e simples de ficção científica, comédias macabras, faroeste, mitologia, dinossauros, máfia e tantos mais em que esteve por trás como diretor e produtor. Segundo ele, só teve prejuízo com um. Em 2009, ele recebeu o Oscar honorário.

Numa de suas muitas entrevistas, ele disse que não se deve abusar do virtuosismo com a câmara. Até certo ponto, ele podia fazer experiências, mas desagradar o público simples jamais. Pelo conjunto da obra, pela revelação de artistas, pela oportunidade que deu aos astros devorados por Hollywood e pela influência exercida sobre jovens cineastas, hoje famosos, Corman bem merece uma homenagem.

Mas é de se perguntar quem estaria disposto a assistir a “O monstro de um milhão de olhos”, “O emissário do outro mundo”, “O ataque dos caranguejos monstruosos”, “Um balde de sangue” (genial), “A mulher vespa” “A pequena loja dos horrores” (sua mais conhecida obra), “O homem dos olhos de raio-X” e “Frankenstein, o monstro das trevas”?

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Wladimir aceita provocação, campista Zé Maurício, Tezeu a vereador e Filipe com Tiradentes

 

Wladimir Garotinho, José Maruício Linhares, Tezeu Bezerra e Filipe Estefan (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Provocação aceita por Wladimir

Em todas as pesquisas de 2023 e na única até aqui de 2024, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) é favorito à reeleição em 6 de outubro, daqui a 4 meses e 15 dias. Por isso, ao gravar um vídeo para dizer que a “a oposição não tem vergonha na cara”, após a leitura do relatório da CPI da Educação ontem (21) na Câmara Municipal, ele parece não ter nada a ganhar. Até porque sua briga já tinha sido comprada por seu líder legislativo, edil Juninho Virgílio (Podemos). Enquanto a briga real da oposição é para tentar diminuir a aprovação e aumentar a rejeição de Wladimir. Que, para manter essa condição hoje favorável, talvez não devesse aceitar provocação. A ver.

 

O campista Zé Maurício (I)

Faleceu no último sábado (18), aos 88 anos, o campista José Maurício Linhares. Talvez menos conhecido pelos mais jovens, foi deputado federal seis vezes consecutivas, de 1975 a 1999. Ajudou a elaborar a Constituição Federal de 1988 e se marcou também como secretário de Minas e Energia dos dois governos Leonel Brizola (PDT) no RJ, de 1983 a 1987 e de 1991 a 1994. Quando Zé Maurício, como era conhecido entre os mais próximos, capitaneou o projeto “Uma Luz na Escuridão”. Com o qual levou eletrificação a várias localidades fluminenses, sobretudo na zona rural, que nunca tinham contado com esse serviço essencial.

 

O campista Zé Maurício (II)

Nos tempos do bipartidarismo imposto pela nossa última ditadura militar (1964/1985), Zé Maurício se opôs a ela no MDB. Em 1980, quando o PDT foi criado por Brizola, ingressou no novo partido, do qual nunca saiu. Formado em Direito na UFF, fez sua vida profissional e política no Grande Rio, mas nunca perdeu os laços com Campos. Esteve entre os brizolistas que romperam com o então jovem Anthony Garotinho (hoje, Republicanos). Quando julgou que este pôs seu projeto individualista de poder acima da luta pelo trabalhismo fundado pelo ex-presidente Getúlio Vargas (1882/1954), do qual Brizola era considerado sucessor.

 

Campistas de outro tempo

Zé Maurício foi colega no Liceu de Humanidades de Campos do jornalista Aluysio Cardoso Barbosa (1936/2012), fundador da Folha da Manhã e desta coluna. Mesmo que o segundo nunca tenha escondido em vida ressalvas a Brizola, os dois ex-liceístas sempre se mantiveram amigos. Ambos testemunharam crianças a II Guerra Mundial (1939/1945). E se tornaram adultos no mundo bipolar da Guerra Fria (1947/1991), entre os EUA e a antiga União Soviética. Foi uma época de verdades conflitantes. Mas também de luta pelo direito ao contraditório. Com base em convicções muito mais sólidas do que a destes tempos rasos da pós-verdade.

 

Folha no Ar de hoje e ontem

No Folha no Ar da manhã de hoje, ao vivo, das 7h às 9h, a Folha FM 98,3 recebe três entrevistados para falar da vida e do legado de Zé Maurício: o ex-prefeito de Campos e ex-deputado estadual Roberto Henriques (que busca refundar o PTB de Getúlio), o engenheiro da Petrobras e ex-secretário de Energia do RJ Wagner Victer, e Sérgio Mendes (Cidadania), outro ex-prefeito. Já no Folha no Ar de ontem (21), o trabalhismo de Campos ganhou um reforço à eleição municipal de 6 de outubro. Presidente do Sindipetro NF, o petroleiro Tezeu Bezerra revelou que é pré-candidato a vereador pelo PT goitacá.

 

Petroleiros a vereador pelo PT

Na última eleição municipal, o petroleiro José Maria Rangel (PT) foi o candidato a vereador da categoria em Campos. Com 2.934 votos, foi o 5º mais bem votado. Mas não se elegeu por conta do quociente partidário. Mais que a eleição a prefeito, onde a deputada estadual Carla Machado já aparece com dois dígitos nas pesquisas, mesmo hoje impedida de concorrer por toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Supremo Tribunal Federal (STF), o PT acerta ao priorizar a reconquista de uma cadeira de vereador. Tezeu e os cerca de 3 mil petroleiros residentes em Campos, entre ativos e aposentados, reforçam essa pretensão.

 

Estefan recebe Medalha Tiradentes (I)

Como a coluna adiantou no sábado, o presidente da OAB de Campos, Filipe Estefan, recebeu na segunda (20) a Medalha Tiradentes, maior honraria dada pela Alerj. Que foi proposta pela deputada estadual Carla Machado. Com quem Filipe trabalhou como procurador de São João da Barra na primeira das quatro gestões da hoje parlamentar como prefeita do município. Também advogado e presente à solenidade, o presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), saudou o homenageado: “Preside a OAB de Campos com muita energia e dedicação. Sei do seu carinho enorme por toda a região, nesse trabalho árduo que é advogar”.

 

Estefan recebe Medalha Tiradentes (II)

Prestigiado por pares do mundo jurídico, como o presidente da OAB-RJ, Luciano Bandeira, Filipe disse ao receber a Medalha Tiradentes: “Minha gratidão à deputada, que viu neste advogado intensa militância para receber esta áurea. A honraria não é só do Filipe Estefan, filho de Lurdinha e Fidélis, mas de toda a advocacia. Divido a homenagem com os colegas que, como eu, labutam dia a dia na defesa intransigente dos direitos. E levam a todos os cidadãos, em todo território fluminense, o restabelecimento da ordem jurídica, contribuindo à pacificação dos conflitos e ao fortalecimento do estado democrático de direito”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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