Mangabeira Unger fecha a semana do Folha no Ar nesta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Professor de Harvard, filósofo, advogado e ex-ministro de Assuntos Estratégicos dos governos Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT), Roberto Mangabeira Unger é o convidado para encerrar a semana do Folha no Ar nesta 6ª, ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele fará o seu diagnóstico sobre o Brasil, seus principais problemas e formas de solução.

Mangabeira também analisará a questão dos evangélicos e do identitarismo na política dos EUA ao Brasil. E falará sobre desenvolvimento regional, particularmente no caso de Campos e Norte Fluminense, além de analisar o quadro das eleições brasileiras municipais de 2024 e nacionais, de 2026.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Cana, Lula 3 e eleição de Campos no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Industrial, proprietário da usina Paraíso, presidente do Sindicato da Indústria Sucroenergética do Estado do Rio de Janeiro (Siserj) e ex-presidente do PSDB em Campos, Gerado Hayen Coutinho é o convidado do Folha no Ar desta quinta (15), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da parceria da usina Paraíso com o Grupo MPE e a Coagro e da safra de cana e moagem deste ano.

Geraldo também analisará o governo Lula 3, sua relação com o Banco Central e o empresariado brasileiro. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui, e aqui), tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro, daqui a exatos 53 dias.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Procurador da Alerj, Robson Maciel com Ricardo Amorim nesta 5ª

 

Ricardo Amorim debaterá nesta quinta, com o advogado campista e procurador-geral da Alerj, Robson Maciel Jr, o uso da Inteligência Artificial no Direito

 

Advogado campista conceituado na comarca e procurador-geral da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Robson Maciel Jr. será um dos participantes do “Talk”. Que acontece nesta quinta-feira (15), às 18h30, na Rio Innovation Week (RIW), maior conferência de tecnologia e inovação do país, no Pier Mauá, Zona Portuária da capital fluminense.

Ao lado do economista e jornalista Ricardo Amorim, Robson irá falar sobre a aplicação da Inteligência Artificial (IA) no Poder Judiciário brasileiro e sobre o uso desta tecnologia na advocacia. Além disso, será abordada a proposta de regulação da IA no Brasil e os desafios de sua implementação no dia a dia dos profissionais do Direito.

A RIW acontece até sexta (16), com expectativa de 150 mil visitantes em 37 conferências.

 

Com a assessoria do procurador-geral da Alerj.

 

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Disputa pelo vereador mais votado de Campos sob análise

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

Briga pelo vereador mais votado?

No sábado (10), a coluna frisou se basear nos bastidores, não em pesquisas, para elencar nomes (confira aqui) que poderiam brigar, mais que pela eleição à Câmara Municipal de Campos, pela posição de vereador mais votado. Entre eles, Marquinho Bacellar (União), Thamires Rangel (PMB), Dudu Azevedo (REP), Anderson de Matos (REP) e Abdu Neme (PL). Os quatro primeiros, pela força dos “padrinhos”, respectivamente, Rodrigo Bacellar (União), Thiago Rangel (PMB), Wladimir Garotinho (PP) e a Igreja Universal. O quinto, pela própria força. Embora haja quem, entre os colegas médicos de ambos, projete que Maninho (PP) possa ter mais votos que Abdu.

 

Cientista político George Gomes Coutinho e vereador Jorginho Virgílio (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

George e Jorginho

“Nas eleições proporcionais, o volume de recursos torna a competição desfavorável a competidores pobres ou modestos. Muito mais que em disputas majoritárias, as proporcionais são sensíveis à interferência do sistema econômico. Em tese, o volume de recursos permite arriscar hipóteses sobre campeões de voto”, disse o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos. Ele pensa parecido com o vereador Jorginho Virgílio (União), candidato à reeleição: “Acredito que os mais votados serão aqueles com maior estrutura, dinheiro e empregos. Infelizmente, ainda é isso que define os mais votados em Campos”.

 

Candidatos a vereador Josiane Morumbi e Tezeu Bezerra (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Josiane e Tezeu

“Poderemos ter nomes que não estão sendo cogitados como ‘os mais votados’, surpreendendo. As pessoas estão indignadas com a composição atual da Câmara. Após 4 anos sem representatividade feminina, tenho fé em surpresas positivas”, disse a nutricionista Josiane Morumbi (Podemos), candidata a vereadora. “Candidato pela 1ª vez, tenho ouvido dezenas de relatos de pessoas que teriam sido pagas pelos ‘favoritos’. O que, se verdadeiro, tornaria a eleição injusta. Só nos resta acreditar que a vontade de mudar agremie votos de verdadeira opinião”, ressalvou o petroleiro Tezeu Bezerra (PT), candidato a vereador.

 

Candidatos a veredador Marcão Gomes e Alonso Barbosa (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Marcão e Alonso

“Creio que, como nas demais campanhas, o número de indecisos ao cargo de vereador é muito elevado, e a população define esse nas últimas semanas da campanha. Tem muita água para rolar debaixo da ponte”, observou o servidor federal Marcão Gomes (MDB), candidato a vereador e ex-presidente da Câmara. “O momento atual da política de Campos não merece uma disputa de egos pela maior votação à Câmara Municipal. É tempo de renovação e de avaliação sobre a deficitária qualidade dos edis, falta de projetos e de representatividade efetiva em favor do povo”, disse o advogado Alonso Barbosa (PDT), candidato a vereador.

 

Natália Soares, candidata a vereadora

Professora Natália

“Por alguns nomes cogitados, como Marquinho Bacellar, Dudu Azevedo, Thamires Rangel e Anderson de Matos, se mede também o capital político e econômico dos apoiadores, respectivamente, Rodrigo Bacelar, Wladimir, Thiago Rangel e um outro ator que detém não menos capital econômico e político, a Igreja Universal. É muito importante se distanciar de quem visa fatiar a cidade para testar esse poder de mando. Falar que pobre tem que caber no orçamento é revirar as prioridades deste município. Uns usam seu poderio econômico, outros muita saliva’ e pé na rua”, distinguiu a professora e candidata a vereadora Natália Soares (Psol).

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Wladimir com ministro de Lula hoje e filho de Bolsonaro na 2ª

 

Wladimir Garotinho, Jader Barbalho Filho, Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e Washington Reis (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Ministro de Lula na 4ª e filho de Bolsonaro na 2ª

Hoje (14), o prefeito Wladimir Garotinho (PP) se reúne no Rio (confira aqui) com o ministro das Cidades de Lula, Jader Barbalho Filho (MDB). Na segunda (19), se programa para receber em Campos (confira aqui) os senadores Flávio Bolsonaro (PL) e Ciro Nogueira (PP), respectivamente, filho e ex-ministro da Casa Civil do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Com o ministro do Lula 3, vai como prefeito, acertar a passagem da titularidade da posse das 772 casas do condomínio Novo Horizonte, ocupadas por famílias pobres desde 2021. Do filho 01 de e do ex-ministro de Bolsonaro, recebe apoio ao lançamento da candidatura à reeleição, às 19h de segunda, na Multiplace.

 

Habitação popular e apoio à reeleição

Após negociação envolvendo município, Justiça Federal e Caixa Econômica Federal através no programa de habitação “Minha Casa, Minha Vida” (“Casa Verde e Amarela” no governo Bolsonaro), Wladimir vai ao Rio para acertar com o ministro Jader a passagem da titularidade das 772 casas ao município. Que, então, a passará às mais de 700 famílias de baixa renda que ocupam o conjunto Novo Horizonte há três anos, desde a crise sanitária da pandemia da Covid-19. De Flávio, o prefeito espera a ratificação do apoio público à sua reeleição que recebeu do senador e presidente estadual do PL em vídeo desde 21 de fevereiro.

 

Contas da oposição e governo

Para levar ao 2º turno a eleição de 6 de outubro, daqui a 53 dias, candidatos como a delegada Madeleine Dykeman (União), o vereador Raphael Thuin (PRD) e o odontólogo Alexandre Buchaul (Novo) miram os 63,14% dos votos que Bolsonaro teve em Campos, no 2º turno presidencial de 2022. Enquanto os 36,86% de Lula estão na mira do candidato do PT, professor Jefferson Azevedo. Com mais de 50% de intenção de voto em todas as pesquisas (confira aqui e aqui), Wladimir quer liquidar a fatura no 1º turno com votos dos dois lados. Na segunda, além de Flávio e Ciro, presidente nacional do PP, o prefeito espera o presidente estadual do MDB, Washington Reis.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Alberto Dauaire vai batizar trecho Campos/Atafona da BR 356

 

Lenda da política de SJB e Norte Fluminense, ex-deputado Alberto Dauaire vai batizar o trecho Campos/Atafona na BR 356 (Foto: Divulgação)

 

A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado Federal aprovou hoje (13) o nome do saudoso líder político Alberto Dauaire para batizar (confira aqui) o trecho Campos/Atafona da BR 356. Ele foi ex-vereador por três mandatos e ex-prefeito em São João da Barra. E teve sete mandatos consecutivos de deputado estadual, de 1966 a 1995.

Falecido em 2016, aos 89 anos, Alberto (confira aqui) é pai do também ex-prefeito sanjoanense Betinho Dauaire e avô do também deputado estadual Bruno Dauaire, licenciado para ocupar a secretaria estadual de Habitação do governo Cláudio Castro (PL). O projeto de 2019 aprovado hoje no Senado hoje foi de autoria do então deputado federal Wladimir Garotinho, aliado de Bruno.

— O projeto de autoria de Wladimir Garotinho, é a primeira homenagem que é feita ao meu pai até hoje. Sinto-me feliz como filho e parceiro do meu pai de vida pública. Um trecho da BR 356 entre Campos e São João da Barra que meu pai fez durante toda a vida. Espero que esse nome, assim que sancionado, traga sorte e melhorias para esta rodovia que vivemos cruzando. Obrigado! — disse o ex-prefeito Betinho Dauaire.

— Estou muito emocionado com a aprovação desse projeto. É um marco de respeito e memória pelo legado do meu avô, que dedicou sua vida ao serviço público e ao desenvolvimento da nossa região. Agradeço ao então deputado federal e hoje prefeito Wladimir Garotinho pelo projeto de lei — disse o secretário estadual Bruno Dauaire.

 

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Wladimir com ministro de Lula por famílias de Novo Horizonte

 

Prefeito Wladimir Garotinho se reúne nesta quarta como o ministro das Cidades Jaber Barbalho Filho para resolver o problema da titularidade das casas das mais de 700 famílias de baixa renda que ocupam desde 2021 o conjunto habitacional Novo Horizonte (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A titularidade das 772 casas do conjunto habitacional Novo Horizonte, no Parque Jardim Carioca, está mais perto das famílias de baixa renda que as ocuparam desde 2021, no meio da crise sanitária da pandemia da Covid 19. Nesta quarta (14), no Rio de Janeiro, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) se reúne com o ministro das cidades, Jader Barbalho Filho (MDB), nesse sentido.

Através do projeto “Minha Casa, Minha Vida” — que, no governo Jair Bolsonaro (PL), virou o “Casa Verde e Amarela” —, o governo Lula 3 passará a titularidade dos imóveis ao município de Campos. Que, por sua vez, o repassará na sequência às famílias que os ocupam.

No seminário “Solução Fundiárias na Justiça Federal da 2ª Região”, realizado no Rio pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) no final de julho passado, o procurador-geral do município, Roberto Landes antecipou que o impasse estava próximo de resolução:

— A participação da procuradoria-geral mostra a importância do diálogo e da articulação do município, que têm marcado a atual gestão, preocupada em cultivar relações nas várias esferas de governo. Por meio da articulação do município com o ministério das Cidades, com a Caixa Econômica Federal e com o próprio Judiciário, conseguimos criar um ambiente favorável à conciliação entre todos os envolvidos. Estamos bem perto de equacionar esse problema, que é a ocupação irregular dessas famílias que hoje residem nesse empreendimento — disse o procurador de Campos, menos de um mês antes de Wladimir se reunir amanhã com o ministro Jader para resolver o problema.

 

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Reitor do IFF, Victor Saraiva no Folha no Ar desta quarta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Reitor do IFF, o professor Victor Saraiva é o convidado do Folha no Ar desta quarta (14), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da sua trajetória, do campus Cabo Frio à reitoria do IFF (confira aqui e aqui) e dos seus primeiros meses no cargo.

Victor também falará da criação da pró-reitoria de Políticas Estudantis e do escritório de Projetos e Captação de Recursos, além dos demais projetos da sua administração até 2028. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), ele tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos e São João da Barra em 6 de outubro, daqui a exatos 54 dias.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira no lançamento de Wladimir

 

Flávio Bolsonaro e Wladimir, Ciro Nogueira e Wladimir (Fotos: Divulgação/montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Os senadores Flávio Bolsonaro (PL/RJ) e Ciro Nogueira (PP/PI) são esperados no lançamento da candidatura à reeleição do prefeito Wladimir Garotinho (PP), a partir das 19h desta segunda (19), na Multiplace. No dia 31, a convenção do PP goitacá homologou (confira aqui) a candidatura de Wladimir.

O apoio de Flávio à reeleição do prefeito de Campos já tinha sido anunciado em vídeo gravado e divulgado (confira aqui) em 21 de fevereiro. Presidente nacional do PP, partido de Wladimir, Ciro foi ministro-chefe da Casa Civil do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As presenças do presidente estadual do MDB, Washington Reis, e do deputado federal Dr. Luizinho (PP/RJ) também já foram confirmadas no lançamento da candidatura à reeleição de Wladimir, dia 19.

 

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Clarissa: “não sou pivô de desentendimento entre meus pais e irmão”

 

Clarissa Garotinho

“Não sou pivô de nenhum desentendimento entre meus pais (Anthony e Rosinha Garotinho) com meu irmão (Wladimir). Não posso dizer o motivo, não cabe a mim, mas posso garantir: não tem nada a ver com disputa de espaço entre meu pai e meu irmão no governo de Campos”. Foi o que garantiu ao blog Clarissa Garotinho (União), ex-deputada federal.

No último dia 2, a ex-governadora do Rio e ex-prefeita de Campos, Rosinha, publicou em seu perfil no Instagram:

— Já é bíblico que chegaria o tempo em que os filhos se voltariam contra seus pais. E que o amor esfriaria. Eu só não me preparei pra passar por isso dentro da minha família. Não adianta nos enaltecer em público, por interesses pessoais, se no secreto humilha, pisa, nos neutraliza como se fôssemos um fantoche. É muito difícil sentir esta dor que corrói o peito. Construímos uma vida para servir ao povo e assim vivemos. Não quero julgamentos se exponho minha família ou não. Minha vida é pública e não posso deixar que o público tenha uma percepção equivocada da vida pública que estamos passando. Um desabafo de uma mãe rejeitada, doída e sofrida por sentir tanta covardia.

Ao que Clarissa, então, comentou na postagem da mãe:

— É triste, mas te entendo. Infelizmente nem tudo pode ser escrito. Fica bem!

Prefeito de Campos candidato à reeleição, Wladimir (PP) não quis comentar à época a postagem de Rosinha.

 

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Edmundo Siqueira — Primeiros acordes da eleição de Campos

 

 

Edmundo Siqueira, jornalista e servidor federal

Os primeiros acordes da campanha: Campos dos Goytacazes e o espetáculo eleitoral

Por Edmundo Siqueira

 

Campos dos Goytacazes, com suas ruas recapeadas, água barrenta e fuligem, se prepara para viver um novo e dúbio ciclo: de esperanças e desilusões. A cidade, que já foi o palco de tantas batalhas políticas, viverá, agora com candidatos já postos oficialmente, mais uma temporada de promessas, sorrisos forçados e apertos de mão calculados. Mas também é um genuíno e excelente momento de refletir sobre a cidade.

Vivemos um cenário eleitoral diferente há algum tempo. As redes sociais deram amplitude aos políticos, e se transformaram em um diário oficioso de quem pretende ocupar ou já ocupa cargos públicos. Ali falam aos seus eleitores, muitas vezes sem qualquer mediação, e recebem comentários de apoiadores e críticos a cada postagem. O que antes era feito de forma mais fria, agora é em tempo real e permite interação.

As primeiras movimentações nos bastidores em Campos, principalmente a partir do início das convenções, indicam que este será um processo eleitoral daqueles. Pacificação, rompimento, ofensas, relação conflituosa entre poderes, denuncismo e conflito de gerações políticas e exposição de atritos familiares. Não faltam elementos para fazer crer que a eleição não será ao som de música clássica, ou de um balé coreografado. Se mostra mais para uma roda punk.

Os marqueteiros — hoje também chamados de “adms” das páginas dos candidatos em rede social — verdadeiros alquimistas da imagem pública, já começam a moldar personagens que se encaixem no gosto popular – ora heróis, ora mártires, dependendo da ocasião. Ensaiam suas falas, revisitam slogans desgastados, e muitas vezes caem em velhas promessas. Outras, com palavras novas, esperando que a plateia acredite que agora vai ser diferente.

E, no meio disso tudo, o povo de Campos dos Goytacazes, como um espectador fiel e resiliente, assiste a mais uma temporada, a mais uma peça de um espetáculo democrático que por vezes exige paciência e uma dose de antiácido. Os candidatos, em seus lugares políticos, e com a coreografia bem ensaiada, vão dançar de acordo com a música.

Mas em Campos, nada é simples. Cada eleição é uma ópera barroca, cheia de reviravoltas, traições, ofensas e, claro, momentos de brilho e de confrontação benéfica de ideias. O primeiro ato já começou, e quem conhece a peça sabe que o enredo pode mudar a qualquer momento. Os aplausos, no entanto, ficam para depois, talvez para o fim, quando o último voto for contado, e o futuro, mais uma vez, estiver nas mãos de quem ainda acredita.

Mas, por trás desse teatro político, há uma realidade que não pode ser ignorada. A cidade, com suas desigualdades e problemas estruturais, espera mais do que promessas vazias. A histórica dependência do petróleo e outras questões de fundo, como transporte e infraestrutura, são latentes. E o eleitorado, embora acostumado com o ciclo eleitoral, espera mais de todos os candidatos e candidatas E é em conversas discretas entre vizinhos e amigos que o verdadeiro termômetro da eleição se revela.

Nesse espetáculo, o enredo nunca é linear. Há sempre uma surpresa à espreita, um momento inesperado que pode virar a maré. Afinal, por mais que tudo pareça repetido, por mais que o passado e a história imponham algumas questões, o futuro, aqui, ainda tem o poder de surpreender. Mas sempre lembrando a frase icônica de um velho político, o ex-vice-presidente do Brasil Marco Maciel: “tudo pode acontecer, inclusive nada”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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“Boca suja” e “bandido” no lugar de saúde, transporte e educação

 

Wladimir Garotinho e Madeleine Dykeman (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

O poder das palavras

Quando desceu do palanque da convenção do União que a lançou candidata a prefeita de Campos, em 26 de julho, a delegada Madeleine Dykeman foi filmada dizendo “vai acontecer, porra”. Repetiu seu slogan de campanha e o pontuou com uma palavra que, se de baixo calão, dificilmente geraria questionamento se estivesse na boca de um candidato homem. Esse vídeo teria sido usado por grupos de WhatsApp da militância de Wladimir Garotinho (PP), chamando a adversária evangélica e conservadora de “boca suja”. E gerou resposta do inspetor de Polícia Civil Cristiano Dykeman, marido de Madeleine.

 

Mais palavras

Em status do WhatsApp, que sai do ar após 24 horas, Cristiano escreveu: “O problema não é xingar! O problema é roubar por anos um povo e ter os pais presos #vaiacontecer. Sua hora está chegando! Sivis pacem para bellum (‘se você quer paz, prepare-se para a guerra’)”. O que Wladimir entendeu como ameaça e representou (confira aqui) contra o policial no Ministério Público e na Corregedoria de Polícia Civil. Cristiano preferiu só falar do caso nas representações. Por sua vez, Madeleine postou ontem (9) no Instagram: “Não vai ser com intimidação que vão me calar. Honro minha família, não tenho medo de bandido e farei tudo para protegê-la”.

 

E as palavras saúde, transporte e educação?

A “guerra”, como definiu seu maior teórico moderno, o alemão Carl von Clausewitz, “é a política por outros meios”. Pode tanto ser entendida como metáfora ao enfretamento político natural de uma eleição, como por esses “outros meios”. Wladimir assim entendeu: “não vão transformar a política de Campos nesse vale tudo, não vão mesmo. Política não é lugar de intimidação e ameaça, nem a mim e nem a nenhum outro candidato”. Os ânimos estão acirrados, hoje, só a 57 dias das urnas de 6 de outubro. Para serená-los, dentro do que interessa ao eleitor, como saúde, transporte e educação, lamentável o tratamento mútuo entre “boca suja” e “bandido”.

 

Felipe Drumond, advogado criminalista

O que é uma ameaça?

Mas o que é, de fato, uma ameaça? O advogado criminalista Felipe Drumond definiu juridicamente à coluna: “O crime de ameaça se configura com a promessa a alguém, por palavras, escritos, gestos ou qualquer meio simbólico, de causar mal injusto e grave. O delito tem por objetivo proteger a tranquilidade e a paz de espírito de cada indivíduo. Para que ocorra o crime de ameaça não se exige que a promessa consista na prática de um crime, mas é preciso que se identifique a presença de menção a uma conduta que seja capaz de gerar dano à pessoa ameaçada ou a qualquer terceiro com quem tenha vínculos afetivos”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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