Felipe Fernandes, filmmaker publicitário e crítico de cinema
O assassino e seu método
Por Felipe Fernandes
Após realizar um projeto bem pessoal, a cinebiografia do roteirista Herman J Mankiewicz, em um roteiro escrito por seu pai que nunca havia saído do papel, o diretor e roteirista David Fincher retorna ao gênero que o consagrou. Para narrar a história de um assassino metódico e calculista que precisa lidar com as consequências após um serviço que termina de uma maneira inesperada.
Baseado na HQ francesa homônima escrita por Alexis Nolan (conhecido como Matz) e desenhada por Luc Jacamon, “O Assassino” é um exercício narrativo que traz uma abordagem bem crua sobre o universo dos assassinos. E traz o olhar muito particular do protagonista como fio condutor.
Praticamente todas as falas do protagonista (que não tem um nome oficial) são narrações, que ora funcionam como o protagonista falando consigo mesmo, reforçando todo o seu método. E em alguns momentos parecem explicar o funcionamento de sua profissão e daquele universo. Como se ele falasse para o expectador, uma característica que remete diretamente à natureza em quadrinhos da obra original, que traz uma certa sensação de intimidade.
Metódico, frio e calculista, o ritmo do longa acompanha seu narrador, que já na primeira e longa sequência explica os pormenores da profissão, apresentando detalhes que enriquecem a imersão no tipo de trabalho. Ao mesmo tempo que mostram como o personagem lida internamente com todo o processo. E como o como seu método vai sendo afetado de acordo com os acontecimentos.
O roteiro escrito por Andrew Kevin Walker (em sua segunda parceria com Fincher, ele escreveu o roteiro de “Seven”) é bem simples e dividido em capítulos, com cada um deles se passando em um local diferente e englobando uma parte da jornada do assassino. Um artifício que funciona dentro da proposta, já que cada momento tem um alvo e um objetivo diferente.
Com suas cores frias, uma direção de arte clean, sem personalidade e o rosto inexpressivo do protagonista, o longa desconstrói qualquer sentido de espetacularização ou charme, com uma abordagem sóbria, que torna tudo muito crível. Com momentos pontuais de violência. que em muitos momentos ocorrem de forma inesperada e por isso carregam um peso maior, o longa provoca uma sensação de perigo constante.
Merece destaque a atuação de Michael Fassbender, que conduz uma narração em um tom praticamente único, mas sempre frio, sem demonstrar qualquer tipo de emoção. Ao mesmo tempo, ele realiza um trabalho corporal muito interessante, que convence da segurança do protagonista em sua profissão, com movimentos precisos e uma postura segura, que são fundamentais na construção do personagem.
Em seu segundo longa em parceria com a Netflix, Fincher constrói um thriller que funciona como um estudo de personagem em sua jornada de vingança. Não é uma história muito original, mas a forma como Fincher narra a história engrandece a narrativa, construindo um longa diferente dentro do gênero, ao desconstruir as convenções para se aprofundar em seu protagonista, seu método e suas convicções.
Na Israel de 27 de janeiro de 2023, Ícaro e Aluysio Abreu Barbosa na Eremos Grotto, gruta diante do Mar da Galiléia onde Jesus meditava e orava (Foto: Ícaro Barbosa)
A paternidade e a literatura — Seis meses sem Ícaro
Com Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Sérgio Arruda
Hoje se completam seis meses sem a presença física de Ícaro. Tanto para Dora, sua mãe, quanto para mim, o dia 13 de cada mês passou a ter um significado que nenhum azar poderia supor. Cuja dor da perda, por mais lancinante, tem que ser vencida. Pelos 23 anos da breve aventura de existência de um homem que, muito jovem, fez sua opção de voar perto do sol. Buscou seu brilho mais intenso, o refletiu na retina úmida de vida e, por isso, a consumiu mais precocemente.
O poeta português Fernando Pessoa teve sua vida e obra marcada pelos heterônimos, fenômeno de explicação espírita para alguns, de psiquiatria certamente mais complexa e profunda do que o simples pseudônimo. Quatro, em Pessoa, eram poetas: o próprio Fernando; Alberto Caeiro, mestre dos demais; Ricardo Reis, marcado pelo apego ao classicismo latino; e seu oposto em estilo Álvaro de Campos, o mais modernista do quarteto.
Em seu poema “Se te queres matar, por que não te queres matar?”, Álvaro de Campos verseja:
“A mágoa dos outros?… Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão…
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros…
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada…
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas…
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além…
(…)
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.
(…)
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem,
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?”
Pessoa não teve filhos. Nem ortonimamente, nem por nenhum de seus heterônimos. Por melhor poeta que fosse, por mais gigantesca que fosse sua sensibilidade, nunca pôde descobrir o que é deixar de ser o centro do próprio universo. Jamais trocou a condição de sol da sua vida pela de lua, satélite que passa a orbitar com gratidão e muito cuidado em torno de uma gravidade maior.
Penso em Ícaro todos os dias. Como, creio, sua mãe também. Seja nos sonhos em que ele cotidianamente nos visita, cabelos e barba longos, abertos na vereda do seu riso largo, fácil e sacana, seja no plano consciente da luz do dia. Em ambos, entra sem pedir licença. Como foi, em vida, a única pessoa que tinha prazer em receber à casa sem avisar.
Na contraposição à dureza órfã de filho de Álvaro de Campos, Ícaro sempre esteve e estará para mim como o Menino Jesus herético de Alberto Caeiro:
Menino Jesus e Fernando Pessoa
“A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
(…)
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
(…)
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
……
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.”
Estava ao final de tarde de sábado (11) na posse do professor da Uenf e escritor Sérgio Arruda na Academia Campista de Letras (ACL). Enquanto ele falava, como costuma acontecer por vezes e sem motivo aparente, fui tomado de uma imensa saudade de Ícaro, da angústia da sua ausência. Chorei e despertei das lágrimas à secura real do cair do dia quente, onde ecoava a voz de Sérgio sobre o fundo baixo do ar condicionado em movimento. Sem combinar, ouvi e tive consolo no que pensei ter sido escrito ao meu filho e a mim:
“Sinto o respeito aos mortos como uma atividade solene e viva. Fixados no grande e difuso painel da memória, eles, os mortos, reclamam vida — não vida de carne e osso e sangue, mas de legados.
Quando buscaram alguma glória na literatura, buscavam algo primeiro para si. E fizeram isso na palavra grafada em papel, deixando em terra de vivos insumos para a eternidade.
Não é o escritor(a) que é imortal; é a literatura.
Este mundo de escritas mantém-se vivo por esse desejo de glórias — embora sempre ameaçadas pela poeira do tempo.
Signatária de grandes propósitos no mundo, a literatura ergueu palácios de sonhos e fantasias disfarçados de choupana e palafitas sobre a maré.
Eis porque devemos tanto à literatura. Ela é anterior à própria filosofia. Ela é anterior à ciência.
Ela é anterior à teoria literária, à crítica literária.
Parece até que anterior à própria palavra.”
Descobri nas palavras de Sérgio que a paternidade e a literatura, pela qual Ícaro tinha paixão, são também irmãs.
Abaixo, o encontro de Ícaro com a ave canora no alto da Fortaleza de Massada, Canudos do povo judeu, na Israel de 3 de fevereiro de 2023:
Garrincha na final da Copa de 1958 contra a Suécia, na Suécia, única vez em que uma seleção nacional da América do Sul conquistou o mundo dentro da Europa
“Esse campeonato, para quem tem problema de coração, dificilmente vai sobreviver até o fim do ano. É um campeonato que é diferente de todos os campeonatos que foram realizados de pontos corridos. Provavelmente, teremos cinco, seis equipes disputando o campeonato de igual para igual, até sabermos quem vai ser o campeão no final. Porque, até o final, não acredito que uma equipe vá disparar”. Foi o que disse na coletiva da noite de quinta (9) o experiente técnico Felipão, após o empate de 1 a 1 do seu Atlético Mineiro com o Corinthians.
Concluída a 33ª rodada na quinta, faltam apenas cinco para acabar o Brasileirão. Que, desde 2003, passou a ser disputado no sistema de pontos corridos. E, desde 2005, adotou a fórmula atual: 20 clubes jogando um contra o outro duas vezes, uma no seu campo e outra no do adversário, em turno e returno. Onde vence quem soma mais pontos em 38 rodadas.
Nada disso existia em 1995, quando o Botafogo foi campeão brasileiro pela última vez. Sob a pressão dos últimos 28 anos na fila de espera, hoje nenhum time representa melhor a imprevisibilidade identificada por Felipão.
Neste ano da Graça de 2023, o Botafogo fez o melhor 1º turno da história do Brasileiro de pontos corridos. Na qual colocou 13 à frente do 2º colocado. E consegue fazer agora a 2ª pior campanha do 2º turno, 14 pontos distante do melhor desempenho. Que é justamente do Atlético Mineiro de Felipão. Mas, entre turno e returno, é só o 6º entre os seis com chances matemáticas de conquistar o título. Numa disputa que ainda é liderada pelo Botafogo.
Se o Brasileirão que sempre mais conta à torcida é o atual, nunca deixa de pesar mais a impressão dos últimos jogos. E nada reflete melhor o contraste entre os desempenhos do Botafogo nos dois turnos do campeonato do que duas viradas épicas de 3 a 4. Que tomou no espaço de apenas oito dias.
Primeiro, do Palmeiras, também candidato a campeão, na quarta (1º) da semana passada. Que saiu do 1º tempo perdendo para o Botafogo por 3 a 0. E a mais recente na última quinta (9), diante do Grêmio, outro candidato ao título. Após terminar o 1º tempo vencendo por 2 a 1, o Botafogo ampliou para 3 a 1 logo ao 1º minuto do 2º tempo. Para depois assistir ao craque uruguaio e gremista Luisito Suárez anotar seu hat-trick — três gols em um só jogo.
Além de Botafogo (1º na tabela, com 59 pontos), Grêmio (2º, com 59), Palmeiras (3º, com 59) e, correndo por fora, o Atlético Mineiro (6º, com 54), também o Bragantino (4º, com 58) e o Flamengo (5º, com 56) têm chances de levar o Brasileirão. O Grêmio não o faz desde 1996. Mas conquistou a última das suas três Libertadores da América em 2017.
Já o Palmeiras levantou a última das suas três Libertadores em 2021. Sem contar o último dos seus 11 Brasileiros, em 2022. Como o Grêmio e o Palmeiras, o Flamengo tem três Libertadores, a última conquistada em 2022. Além de ter vencido o último dos seus oito Brasileiros em 2020.
Do rico interior paulista, o Bragantino tem bom time e grande patrocinador no energético Red Bull. Mas não é um clube de massas, tem pouca tradição e nenhum título relevante nacional ou internacional. Enquanto o Atlético Mineiro conquistou sua Libertadores em 2013. E o último dos seus três Brasileiros em 2021.
Reconhecido pela Fifa, o único título internacional do Botafogo é a Taça Conmebol de 1993. Precursora da Copa Sul-Americana e um ou dois patamares abaixo da Libertadores, está para a América do Sul como a Copa da Uefa à Europa, que tem a Champions como grande campeonato de clubes. O último dos dois Brasileiros botafoguenses foi, sim, o de 1995.
A maior glória do Glorioso é ter sido o clube que cedeu mais jogadores à Seleção Brasileira em Copas do Mundo. Dos botafoguenses Benedicto, Pamplona, Nilo e Carvalho, que o Brasil levou à primeira Copa do Mundo de 1930, no Uruguai, até a de 2022, no Qatar, foram 47 atletas da Estrela Solitária. Nenhum brilhou mais do que Mané Garrincha, campeão em 1958, na Suécia, e bicampeão em 1962, no Chile. Seria desta o grande destaque, posteriormente reconhecido com a mesma Bola de Ouro que Messi recebeu este ano pela oitava vez.
No lugar da ideação persecutória e da megalomania do “contra tudo e contra todos”, abraçado hoje por quem ignora que “tudo” e “todos” têm coisa mais importante a fazer do que se opor ou mesmo saber da nossa existência, o Botafogo poderia sofrer menos. Bastaria ouvir a ressalva de Garrincha, após o apito final da decisão da Copa de 1958. De quando o Brasil foi campeão do mundo pela primeira vez, ao bater a dona da casa Suécia por 5 a 2:
— Já acabou o campeonato? Que torneio mais mixuruca, não tem nem 2º turno!
O PRTB é o novo destino do deputado estadual Thiago Rangel, que deve assumir a presidência estadual da legenda em janeiro. Possível candidato a prefeito de Campos em outubro de 2024, ele estava sem partido desde 15 de junho deste ano. Foi quando recebeu (confira aqui) o aval do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para sair do Podemos, pelo qual se elegeu à Alerj em 2022.
O objetivo do deputado campista na nova legenda é fortalecê-la no estado do Rio, para tentar eleger 35 vereadores em vários municípios fluminenses em 2024. Indagado se isso também sinaliza sua candidatura a prefeito de Campos pelo PRTB, Thiago respondeu:
— A gente está reconstruindo o partido em nível estadual, elegendo vereadores. Obviamente, seu for para disputar a Prefeitura de Campos, eu tenho outros partidos, com tempo de televisão. Só que, no PRTB, estou indo para ser presidente estadual. Já indiquei a presidente do diretório carioca o Patrick (Weber, ex-Podemos e ex-secretário estadual de Trabalho). Tenho visto várias pesquisas de Campos, além daquelas que foram divulgadas (confira aqui), e estou bem posicionado nos números. Porém, Wladimir continua liderando; isso é inegável. Mas eu estou bem em relação aos outros nomes, como Carla (Machado, PT) e o próprio Marquinho Bacellar (SD, presidente da Câmara Municipal de Campos).
Ambos de São João da Barra, o radialista José Vitor Silva e o jornalista Victor de Azevedo são os convidados para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (10), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Eles falarão da conquista inédita da Libertadores da América pelo Fluminense, como de Botafogo, Flamengo e Vasco nas últimas rodadas do Brasileirão.
José Vitor e Victor também analisarão a liderança folgada da prefeita de SJB, Carla Caputi (sem partido), na pesquisa Iguape de outubro (confira aqui e aqui), na tentativa natural de reeleição em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 10 meses. Os dois sanjoanenses também avaliarão o cruzamento da política do seu município com a do vizinho Campos.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Procurador de Campos, Gabriel Rangel é o convidado do Folha no Ar desta quinta (9), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da Saúde Pública entre a CPI aberta na Câmara Municipal e a judicialização da área, além das TAGs dos Royalties e dos RPAs de Campos.
Ele também aprofundará a análise que fez entre outros juristas (confira aqui) para saber se a deputada estadual Carla Machado (PT) pode, ou não, concorrer a prefeita de Campos no próximo ano. E, com base nas pesquisas (confira aqui), tentará projetar as eleições municipais de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 10 meses.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Carla Caputi, Elísio Rodrigues, Bruno Dauaire, Danilo Barreto, Carla Machado, Rodrigo Bacellar e Wladimir Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Carla Caputi
“Agradeço a confiança dos meus amados irmãos sanjoanenses. Esses resultados mostram que nossa missão de transformar para melhor a vida das pessoas está no caminho certo. Mas ainda temos muito o que fazer. Vamos continuar avançando cada vez mais para honrar a confiança do nosso povo”. Foi o que disse a prefeita de São João da Barra, Carla Caputi (sem partido), da pesquisa Iguape à eleição municipal de 2024. Feita entre 21 e 23 de outubro, foi divulgada (confira aqui) na segunda (6) pelo blog Opiniões. E deu à prefeita de SJB favoritismo ainda maior do que o mesmo Iguape já tinha dado em julho (relembre aqui) à reeleição de Wladimir Garotinho (PP) em Campos.
Elísio Rodrigues
“Você não pode questionar números de pesquisas. Até por conta do tempo em que o governo ficou parado com Carla Machado, tem muita coisa agora acontecendo. E a oposição está travada desde a morte do nosso colega vereador Franquis Arêas. Só quem tem visibilidade é a prefeita. A gente entende que ela está bem avaliada, vê isso na rua, mas não nesse número todo da pesquisa. Quando a campanha começar, diminui essa diferença”, apostou o edil de oposição Elísio Rodrigues (PL). Que, atrás de Caputi cerca de 40 pontos na consulta espontânea e 65 pontos na estimulada, aparece em 2º lugar em todos os cenários a prefeito.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Bruno Dauaire
“Agradeço aos sanjoanenses a lembrança do meu nome, mas não sou pré-candidato a prefeito. Dedico meu tempo a exercer a função de secretário estadual de Habitação nos 92 municípios do RJ, para diminuir o déficit habitacional”, disse o deputado estadual licenciado Bruno Dauaire (União). Aliado de Wladimir, ele ficou na pesquisa Iguape em 3º lugar a prefeito de SJB. Seu pai, Betinho Dauaire (hoje, Podemos), governou o município em dois mandatos consecutivos, de 1997 a 2004. Até Carla Machado (hoje, PT) abrir sua série de quatro mandatos, entremeados pelo de Neco (hoje, PRTB), eleito em 2012 com apoio da ex-prefeita.
Danilo Barreto
Candidato a vereador mais votado na sede de SJB em 2020, quando não se elegeu, o jovem administrador público Danilo Barreto (Patriotas, em conversa com o PSD) não foi listado na pesquisa Iguape a prefeito. Mas também a analisou: “Com o momento delicado que vive a oposição, é natural que esteja bem uma prefeita que pegou uma cidade abandonada e cheia de dinheiro. Tenho repetido que São João merece muito mais que as obras nos espaços que Carla Machado abandonou. Meu nome, por exemplo, não foi testado. Estou organizando minha vida partidária e o partido pode decidir colocar meu nome disponível à população”.
Tabuleiro de SJB e Campos
A prefeita tem hoje grande vantagem à urna de 6 de outubro de 2024. Mas, até lá, são mais de 10 meses. Elísio foi prejudicado pela aliança do ex-padrinho Rodrigo Bacellar (União) com Carla Machado. Que o presidente da Alerj, sem outro nome competitivo, quer fazer (confira aqui) candidata a prefeita de Campos. Nem que seja só para ganhar tempo contra o opositor Wladimir. Pois toda a jurisprudência atual do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diz que (confira aqui) a ex-prefeita de SJB reeleita em 2020 está inelegível na vizinha Campos em 2024. Bruno deixa claro que não vai se aventurar. Danilo teria chance real a vereador. A ver.
(Arte: IFF)
Década das Letras do IFF (I)
Uma conquista às ciências humanas de Campos e região, os 10 anos do curso de Letras do IFF estão sendo celebrados neste mês de novembro. A programação foi iniciada ontem (confira aqui) e segue em dias alternados até o próximo dia 30, iniciada e encerrada no auditório Miguel Ramalho. No início da noite de ontem, coube ao professor José Carlos de Azeredo, da Uerj, a palestra de abertura. Com o tema “A articulação texto/gramática: reflexões, mitos e controvérsias”. Depois, houve os lançamentos da exposição comemorativa “Se não me falha a memória…” e da chamada à publicação comemorativa de textos literários “Caminhos das Letras”.
Década das Letras do IFF (II)
A partir das 18h da segunda-feira de 11 de novembro, a programação será retomada no auditório Cristina Bastos. Onde, com objetivo de contar a própria história, será realizada a mesa-redonda retrospectiva “Turma pioneira: fatos e feitos dos primeiros alunos da Licenciatura em Letras do IFF”. Às 18h da quarta de 29 de novembro, o evento voltará ao auditório Miguel Ramalho. Que será palco à palestra “Partilhar a língua: apontamentos sobre a literatura brasileira contemporânea”, da professora Stefania Chiarelli, da UFF-Niterói.
Década das Letras do IFF (III)
A programação dos 10 anos do curso de Letras no IFF só será fechada na quinta de 30 de novembro. Sempre a partir das 18h, o auditório Miguel Ramalho receberá a mesa de encerramento “Essa história é só o começo: Apontamentos e desafios para o profissional de Letras 10 anos depois”. Que será composta pelas professoras Vania Cristina Alexandrino Bernardo, Edinalda Maria Almeida da Silva, Hélvia Pereira Pinto Bastos e Helia Coelho Mello. Depois, serão prestadas homenagens aos professores do 1º semestre de 2013 da Licenciatura em Letras, aos professores aposentados do curso e (in memoriam) à professora Rita Maia.
Diretor de Bancos Federais da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Fetraf-RJ), presidente do Macaé Futebol Clube, ex-vereador e ex-vice-prefeito de Macaé, Danilo Funke (PSD) é o entrevistado do Folha no Ar desta quarta (8), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da inédita conquista da Libertadores da América pelo Fluminense no sábado (4), e de Botafogo, Flamengo e Vasco nesta reta final do Brasileirão.
Funke também analisará o Brasil de Jair Bolsonaro (PL) a Lula 3 (PT) e o governo Cláudio Castro (PL) no RJ. Por fim avaliará o governo Welberth Rezende (Cidadania, confira aqui) em Macaé, e tentará projetar as eleições a prefeito e vereador no município, em 6 de outubro de 2024, a pouco mais de 10 meses.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Uma conquista às ciências humanas de Campos e região, os 10 anos do Curso de Letras do IFF serão celebrados neste mês de novembro. A programação vai desta terça (7) à quinta do próximo dia 30, quando será respectivamente aberta e encerrada no auditório Miguel Ramalho.
José Carlos de Azeredo, professor da Uerj
“A articulação texto/gramática: reflexões, mitos e controvérsias” será o tema da palestra de abertura, do Prof. Dr. José Carlos de Azeredo, da Uerj. Terá início às 18h desta terça, no auditório Miguel Ramalho. Depois, haverá os lançamentos da exposição comemorativa “Se não me falha a memória…” e da chamada para publicação comemorativa de textos literários “Caminhos das Letras”.
A programação segue em dias diferentes das semanas seguintes. Na segunda de 11 de novembro, no auditório Cristina Bastos e também a partir das 18h, será realizada a mesa-redonda retrospectiva “Turma pioneira: fatos e feitos dos primeiros alunos da Licenciatura em Letras do IFF”.
Stefania Chiarelli, professora da UFF-Niterói
Na quarta de 29 de novembro, o evento voltará ao auditório Miguel Ramalho. Que, a partir das 18h, será palco à palestra “Partilhar a língua: apontamentos sobre a literatura brasileira contemporânea”, da Profa. Dra. Stefania Chiarelli, da UFF-Niterói.
A programação pelo aniversário de 10 anos do Curso de Letras no IFF só se fecha na quinta seguinte, em 30 de novembro. Sempre a partir das 18h, será a vez do auditório Miguel Ramalho receber a mesa de encerramento “Essa história é só o começo: Apontamentos e desafios para o profissional de Letras 10 anos depois”. Que será composta pela Profa. Dra. Vania Cristina Alexandrino Bernardo, pela Profa. Ma. Edinalda Maria Almeida da Silva, pela Profa. Dra. Hélvia Pereira Pinto Bastos e pela Profa. Dra. Helia Coelho Mello.
Após a mesa de encerramento, serão prestadas homenagens aos professores do primeiro semestre de 2013 da Licenciatura em Letras, aos professores aposentados da Licenciatura em Letras e à Professora Rita Maia. A programação do último dia de novembro será encerrada com uma confraternização entre os presentes, marcada para só acabar às 22h.
Petroleiro e presidente do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra é o convidado do Folha no Ar desta terça (7), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre o Brasil, a Petrobras e a Bacia de Campos entre os governos Jair Bolsonaro (PL) e Lula 3 (PT).
Tezeu também analisará os governos Wladimir Garotinho (PP) em Campos e Welberth Rezende (Cidadania), em Macaé. E tentará projetar as eleições a prefeito e vereador, assim como a participação do PT, nos dois municípios polo do Norte Fluminense.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Números da prefeita Carla Caputi na pesquisa Iguape de SJB foram ainda melhores que os do prefeito Wladimir Garotinho pelo Iguape de julho em Campos, contra quem a ex-prefeita Carla Machado deseja concorrer em 2024 (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Se Wladimir Garotinho (PP) é favorito em todas as pesquisas à reeleição como prefeito de Campos (confira aqui) em 6 de outubro de 2024, daqui a exatos 11 meses, os números de avaliação de governo e intenções de voto em São João da Barra mostram que a prefeita Carla Caputi (sem partido) é hoje ainda mais favorita a também se reeleger. Segundo pesquisa Iguape feita com 630 sanjoanenses entre 21 e 23 de outubro, Caputi tem hoje 44,6% de intenções de voto consolidadas na consulta espontânea, onde o eleitor responde da própria cabeça em quem votará. Nos três cenários de consulta estimulada, com a apresentação dos nomes dos possíveis candidatos, a prefeita de SJB amplia a liderança, oscilando entre 72,2% e 72,9% das intenções de voto.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
ELÍSIO E BRUNO — O vereador de oposição Elísio Rodrigues (PL) aparece como segundo colocado em SJB. Na consulta espontânea, ele teve 41,6 pontos a menos que Caputi, com 3,0% das intenções de voto. E veio seguido do deputado estadual Bruno Dauaire, com 1,4%; e do comerciante Alan da Traíra e da deputada estadual Carla Machado (PT), cada um com 0,2%. Nos cenários estimulados, Elísio confirma a segunda colocação sempre que aparece. No primeiro, ele vem abaixo dos 72,2% da prefeita, com 6,8% das intenções de voto, e outros 4,8% a Bruno Dauaire. No segundo cenário, Caputi sobe a 72,9%, como Elísio a 7,6%. Sem este no terceiro cenário, a prefeita manteve os 72,9% de intenções de voto, com 6,7% a Bruno.
APROVAÇÃO DE GOVERNO E REJEIÇÃO — As intenções de voto de Caputi refletem a aprovação ao seu governo e a medição do índice negativo da rejeição dos possíveis candidatos a prefeito. A administração de SJB é hoje aprovada por 86% da população, divididos entre os 27,6% de ótimo, os 46,3% de bom e 12,1% de regular positivo. Outros 11% desaprovam a gestão, divididos entre os 4,8% de regular negativo, os 3,5% de ruim e os 2,7% de péssimo; com 3,0% que não souberam opinar. Além da aprovação, a prefeita também é menos rejeitada que seus potenciais adversários. Quando perguntado em quem o sanjoanense não votaria a prefeito, Bruno liderou com 34,4%. Foi seguido de perto de Elísio, com 30,8%; e de longe por Caputi, com apenas 6,5% de rejeição.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
MACHADO E CAPUTI — Embora tenha sido citada com 0,2% na pesquisa espontânea a prefeita de SJB, cargo que já ocupou quatro vezes, renunciando em abril de 2022 para passar o cargo a Caputi e se eleger deputada estadual em outubro daquele, Carla Machado hoje cogita ser candidata a prefeita em Campos, município ao qual mudou seu domicílio eleitoral. Com jurisprudência no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contrária à possibilidade de se candidatar três vezes seguidas a prefeito em municípios limítrofes, a maioria dos juristas (confira aqui) acha inviável, embora alguns apostam em revisão legal da figura do “prefeito itinerante”. Certo, até aqui, é que Machado se mantém aliada de Caputi. Foi a ex-prefeita quem primeiro divulgou em live nas redes sociais, na noite de sábado (4), alguns números da pesquisa Iguape em SJB.
WLADIMIR X CAPUTI NO IGUAPE — Contratada pelo grupo político dos Bacellar, opositor a Wladimir e que hoje articula a possibilidade de Machado concorrer a prefeita de Campos, o mesmo instituto Iguape fez pesquisa em 10 de julho no município. Ouviu 1.001 campistas e deu (compare aqui) a Wladimir 74,7% de aprovação de governo (11,3 pontos a menos que Caputi em outubro), 27,8% de intenções de voto na consulta espontânea (16,8 pontos a menos), entre 55,4% e 55,7% em três cenários estimulados (cerca de 17 pontos a menos), e 12,1% de rejeição (5,6 pontos a mais que a prefeita de SJB). Pelas duas pesquisas do mesmo instituto, os dois prefeitos são favoritos à reeleição em 2022. Mas o favoritismo de Caputi, hoje, é ainda maior.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE
ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “Os números da Iguape mostram que, se a eleição de SJB acontecesse entre 21 e 23 de outubro de 2023, a menos de um ano das urnas de 6 de outubro de 2024, a prefeita Carla Caputi seria reeleita com, pelo menos, 72,2% dos votos. Isso sem considerar os votos válidos, aqueles contabilizados pelo TSE. Entretanto, com a máquina na mão, elevada aprovação, baixa rejeição e intenção de voto altamente consolidada, Caputi é a grande favorita do pleito do próximo ano. Por isso, os números também indicam possível viés de alta na intenção de voto da prefeita até 6 de outubro de 2024, o que pode significar reeleição com mais de 72,2% dos votos válidos na urna”, projetou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE.
(Aos tricolores Aluysio, Christiano e Vitória Barbosa)
— E no sábado, será que dá para o Fluminense contra o Boca Juniors, no Maracanã? — meteu de três dedos Jorge, antes de molhar a palavra com o gole de cerveja gelada na mesa do boteco.
— A julgar pela razão, o Boca é o favorito. Se vencer, se igualará ao também argentino Independiente, como maior vencedor da Libertadores — tocou de volta Aníbal e correu para receber pela garganta um gole farto de cerveja.
— Sim, se o Boca vencer, terá sete títulos, como o Independiente. Enquanto o Fluminense briga para levar a Libertadores pela primeira vez.
— Em 2008, o Fluminense bateu na trave contra a LDU de Quito. Foi no mesmo Maracanã. Perdeu na disputa de pênaltis, após ganhar o jogo de volta por 3 a 1 e igualar a derrota de 4 a 2 que sofreu no jogo de ida no Equador. Naquela época, a final do futebol de clubes da América do Sul ainda era disputada em dois jogos.
— Sim, deixou de ser em 2019, quando o seu Flamengo suou na final de um jogo só, mas ganhou sua segunda Libertadores em cima do River Plate.
— Pois é. E se o “filho” conseguiu contra o River, completaria o ciclo de tragédia grega se o “pai” também conseguisse contra o Boca.
— Sim, o Flamengo veio do Fluminense.
— Mais ou menos. Por mais que hoje pareça estranho a quem pensa que o mundo nasceu no século 21, naquela virada do 19 ao 20, as regatas competiam com o futebol como esporte mais popular. O Clube de Regatas do Flamengo foi fundado em 1895. É anterior ao Fluminense Football Club, fundado só em 1902. O futebol do Flamengo é que foi fundado por jogadores do Fluminense que brigaram e saíram do clube das Laranjeiras em 1911.
— Sim, daí o “pai” e o “filho”. Que, segundo a tragédia grega, está destinado a crescer, desafiar o pai e derrotá-lo para tomar o seu lugar.
— Na dramaturgia brasileira, ninguém dialogou mais com a tragédia grega do que o tricolor Nelson Rodrigues. Ele meio que juntou a Tebas de Édipo e Laio com a periferia carioca de Arandir e Aprígio. Gostava do épico no futebol. E dizia: “O Fla-Flu surgiu quarenta minutos antes do nada!”
— Pois é. Nessa grande rivalidade local e na oposição do que os dois clubes representam, o River é também conhecido como Los Millonarios. Está para o popular Boca como o elitista Fluminense está para o Flamengo. Que é o “Time da Favela”.
— É a coisa que mais me orgulha em ser Flamengo, sabe? Ser o time da favela. E é por isso que eu vou torcer para o Fluminense no sábado.
— Você vai torcer para o Fluminense? Em primeiro lugar, duvido. Em segundo, não entendi o que a favela tem a ver com as Laranjeiras.
— Jorge, eu torço até para o seu Botafogo ser campeão brasileiro. Primeiro, porque será merecido a um clube que já deu Mané Garrincha, Heleno de Freitas e Nilton Santos ao futebol. Segundo, para vocês finalmente saírem da fila do Brasileirão. Falo, lógico, da série A. Que vocês não ganham desde 1995. Foi com Túlio Maravilha, Donizete Pantera e o xerifão Wilson Gottardo. Fazem 28 anos. Consegue ser mais tempo do que os 21 anos, 24 em 2026, que o Brasil não ganha de uma seleção europeia em jogo eliminatório de Copa do Mundo.
— Rá-rá-rá. Você está tentando me provocar para driblar o assunto: o que a favela tem a ver com o elitismo pretenso do Fluminense?
— Em primeiro lugar, você ignora que as Laranjeiras também têm a sua favela. Na verdade, têm duas, as comunidades Júlio Otoni e Morro Azul. Esta, aliás, se espalha justamente entre as Laranjeiras e os bairros do Flamengo e Botafogo. Onde o Botafogo tem o seu único mundial. É o Supermercado Mundial, que fica na Voluntários da Pátria — entrou de sola Aníbal, tabelando com uma gargalhada, com a qual quase engasgou a cerveja.
— Nós temos três Mundiais. Ganhamos a Pequena Taça do Mundo, em 1967, meia oito e 1970. Era disputada em Caracas, na Venezuela, e contava com grandes clubes da Europa e da América do Sul. E vocês consideram a Copa Toyotão de 1981, contra uns ingleses bêbados, como Mundial.
— Não somos nós. Quem considera é a Fifa. E ganhamos de 3 a 0 em ritmo de treino contra o mesmo time do Liverpool que tinha levantado três Champions da Europa. Como levaria outra. É a mesma Fifa que também considera esses torneios da Venezuela como a “democracia” que só os petistas enxergam existir na ditadura de Nicolás Maduro.
— Sei. E você ainda não disse o que o time da favela tem a ver com torcer pelo Fluminense na final da Libertadores contra o Boca. Clube que é batizado com o nome do bairro portuário e popular de Buenos Aires, onde fica sua mitológica sede, La Bombonera.
O menino da favela Alexsander e sua torcida tricolor
— Você leu o testemunho do menino Alexsander, primeiro volante do Fluminense, sobre a final contra o Boca?
— Rapaz, não vi não.
— Vou te mandar o link pelo WhatsApp. Leia! Sobretudo esse trecho, deixe eu ver aqui… — disse, enquanto buscava o texto no smartphone — …“ Irmão, tu sabe o que é abraço de alívio? Não? Então deixa eu te contar, porque eu conheço essa parada de trás pra frente e de cima pra baixo. Vamos dizer que abraço de alívio é como a bola, a chuteira, o Maracanã e a camisa do Fluminense. Faz parte da minha caminhada no futebol. Assim, eu sou da comunidade da Primavera, em Cavalcanti, zona norte do Rio. Nasci e fui criado no alto do morro, bem no alto mesmo. E comunidade não tem esse nome à toa. Ali todo mundo se conhece, se ajuda como dá, torce um pelo outro, ri junto nas conquistas e chora junto nos tombos”.
— Muito maneiro!
— E como ele termina? “E agora nós estamos na final da Libertadores. Eu sei bem o tamanho dessa parada. Mas aprendi a pensar jogo a jogo. Porque desde o começo foi o que o Diniz repetiu pra gente: no futebol, nós temos de viver, da melhor forma possível, o presente. Não interessa se fomos bem na última partida, não interessa se perdemos, se goleamos, não interessa se estamos desfalcados ou quem vai jogar no próximo fim de semana. Passou, esquece tudo isso. É o aqui e agora que conta”.
— É, rapá, até eu estou achando que vou torcer para o Fluminense.
— Poucas vezes vi uma história de vida tão “flamenguista”, tão “mulamba”, tão “da favela”, quanto a de Alexsander. O Flamengo conseguiu contra o River. Está na hora de o “pai” fazer o mesmo contra o Boca. Contra o medo, coragem. Pra cima deles, Fluzão! — desejou Aníbal, enquanto tentava ler a sorte tricolor na espuma de cerveja do copo quase vazio.