Semana política de Campos, RJ e Brasil no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A semana do Folha no Ar será encerrada a partir das 7h da manhã desta sexta (26), a 37 dias das urnas de 2 de outubro, com a análise político/eleitoral dos planos de Campos, Norte Fluminense, estado do Rio e Brasil pela bancada do programa. Que virá completa com os jornalistas Arnaldo Neto e Aluysio Abreu Barbosa, sob comando do radialista Cláudio Nogueira.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Exame/Ideia: Lula lidera, mas patina, enquanto Bolsonaro cresce

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A 38 dias das urnas de 2 de outubro, a vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL) na corrida eleitoral continua caindo. Foi o que confirmou a pesquisa Exame/Ideia feita de sexta (19) a quarta (24) e divulgada hoje (25), cuja consulta estimulada ao 1º turno deu 44% das intenções de voto ao petista, contra 36% do capitão. A diferença atual de 8 pontos era de 11 pontos (44% a 33%) na Exame/Ideia de 21 de julho. Indica que o ex-presidente bateu em seu teto e patina, enquanto o atual cresce. Lula continua vencendo a projeção ao 2% turno de 30 de outubro, no qual hoje bateria Bolsonaro por 49% a 40%, fora da margem de erro de 3 pontos para mais ou menos. A pesquisa foi feita por telefone com 1.500 eleitores.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, a rejeição também vem se encurtando entre Lula e Bolsonaro. Hoje há empate técnico entre os 45% dos brasileiros que não votariam de maneira nenhuma no capitão, contra os 42% do petista. A diferença na rejeição, que era de 6 pontos em julho, caiu pela metade, para apenas 3 pontos em agosto. Mês que confirmou a cristalização da polarização da eleição entre o ex-presidente e o atual. Na consulta espontânea, sem apresentação dos nomes dos candidatos, Lula teve 33% das intenções de voto, em outro empate técnico com os 30% de Bolsonaro. A diferença atual de 3 pontos entre os dois também caiu pela metade, em relação aos 6 pontos (36% a 30%) na espontânea de julho. Para 83% dos eleitores, o voto a presidente já está definido. Para cobiçados 13% dos brasileiros, o voto ainda pode mudar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE

— A vantagem de Lula para Bolsonaro diminuiu dentro da margem de erro, o que pode indicar leve redução da diferença ou manutenção da distância. No levantamento anterior, divulgado em 21 de julho, a diferença era de 11 pontos (44% a 33%). Na pesquisa divulgada hoje, caiu para 8 pontos (44% a 36%). O crescimento de 3 pontos para cima, dentro da margem de erro, pode indicar ganho de intenção de Bolsonaro. Ciro Gomes (PDT) oscilou 1 ponto para cima, passando a 9%. Simone Tebet (MDB) mantém os 4% da sondagem anterior. Na pesquisa espontânea, Lula e Bolsonaro empatam dentro da margem de erro, com o primeiro numericamente à frente (33% a 30%). Refletindo o grau de consolidação e de definição do voto, 83% dos eleitores entrevistados declararam que o voto para presidente já está definido, contra apenas 13% que disseram que ainda podem mudá-lo — concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

Diferente de outras pesquisas recentes, como a BTG/FSB de segunda (22), ou a aguardada Datafolha da quinta anterior (18), a Exame/Ideia de hoje não divulgou os números das intenções de voto por fatias. Assim, é impossível confirmar se o crescimento de Bolsonaro se deu no voto dos evangélicos e da classe média, como indicam todas as pesquisas das duas últimas semanas. Assim como no voto dos pobres que recebem o novo Auxílio Brasil pago desde o dia 9, como indicaram a PoderData do dia 17 e a BTG desta semana. Sobre esse eleitor que recebe o benefício federal, a Exame/Ideia se limitou a projetar que representa 18% dos brasileiros.

— Para Maurício Moura, fundador do Ideia, que realizou a pesquisa, a definição do voto está acontecendo cada vez mais cedo. Ou seja, há pouco espaço de convencimento de eleitores que podem mudar de voto”. Ele acrescenta que, entre os que poderiam mudar de voto, um dos grupos mais relevantes é o de jovens, de 16 a 24 anos. “Talvez eles tenham um grau de desencanto maior com as alternativas que estão na corrida eleitoral. É um grupo que vai ser fundamental nesta reta final. Além disso, existe a classe C, de pessoas que ganham entre três e seis salários-mínimos e que votaram no Bolsonaro (em 2018). Atualmente, essa parcela não vota mais nele no mesmo grau de intensidade” — complementou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE.

 

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Presidente, governador e usina no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Industrial, proprietário da usina Paraíso e ex-dirigente do PSDB em Campos, Geraldo Hayen Coutinho é o convidado do Folha no Ar desta quinta (25), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará (confira aqui e aqui) a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais, assim como o crescimento recente do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas intenções de voto dos evangélicos, da classe média e dos pobres.

Geraldo também tentará projetar as urnas a deputado estadual e federal da região, a senador e governador do RJ. Por fim, ele analisará o governo Wladimir Garotinho (sem partido) em Campos, a reabertura da usina Paraíso em arrendamento para a Coagro e a tentativa de retomada da vocação agropecuária do município.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Bolsonaro no Jornal Nacional e nas pesquisas com Lula

 

O presidente Jair Bolsonaro entrevistado por William Bonner e Renata Vasconcellos na noite de segunda no Jornal Nacional

 

 

Bolsonaro no Jornal Nacional

Desde a noite de segunda (22), do Planalto Central à planície goitacá, uma questão dominou as redes sociais e rodas de conversa: o presidente Jair Bolsonaro (PL) foi bem ou mal na sua entrevista de 40 minutos, ao vivo, no Jornal Nacional (JN)? E os jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos, titulares do principal telejornal da TV aberta brasileira, escolhidos como em 2018 para fazerem as sabatinas presidenciais da Rede Globo? Em análise ainda na noite de segunda, o blog Opiniões, hospedado no Folha 1, arriscou uma análise: “Bolsonaro não deve ter perdido ou ganho nenhum eleitor com sua entrevista no Jornal Nacional”.

 

Nova pesquisa da semana

Primeira pesquisa presidencial da semana, feita entre sexta (19) e domingo (21), também na segunda foi divulgada a nova BTG/FSB. Ela revelou que, para 79% dos brasileiros, a decisão do voto já está tomada e não há como mudar. O número sobe a 81% nos que votarão no ex-presidente Lula (PT), sem chance de mudar. E sobe mais, a 89%, nos que votarão em Bolsonaro sem chance de mudar. Aos 81% de eleitores irredutíveis de Lula, Bolsonaro foi um fiasco no JN. Aos 89% do capitão, ele “mitou” a “Globolixo”. Nenhum desses dois eleitores mudou, nem mudaria, por conta da entrevista. Mas são os 20% que podem mudar o voto que interessam.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Pesquisas da semana passada

Na edição de sábado (20), a Folha trouxe o resumo das cinco pesquisas presidenciais da semana passada: a BTG/FSB anterior, do dia 15; a Iepc (antigo Ibope) do dia 16, a Genial/Quaest e a Poder Data do dia 17, e a Datafolha do dia 18. Lula lidera isolado as projeções do 1º e 2º turnos em todas. Mas vem seguido por um Bolsonaro que algumas pesquisas mostraram em crescimento. Que se opera em três eleitores: 1) de classe média, por conta da redução no preço dos combustíveis; 2) o evangélico, por conta dos ataques religiosos dos Bolsonaro a Lula; e 3) o pobre, por conta do Auxílio Brasil de R$ 600,00 pago desde o dia 9.

 

Evangélicos e classe média

Com as fake news dizendo que Lula vai fechar templos se for eleito presidente e a retórica neopentecostal da primeira-dama Michelle Bolsonaro associando o PT ao demônio, todas as pesquisas da semana passada mostraram a ascensão de Bolsonaro entre os evangélicos. Na Datafolha de 18 de agosto, comparada com a de 28 de julho, o capitão passou de 43% a 49% nessa faixa, enquanto Lula caiu de 33% a 32%. O presidente também virou o voto no eleitor de classe média, entre 2 a 5 salários mínimos. Na Datafolha de julho, Lula ganhava nessa faixa por 40% a 34% de Bolsonaro, onde apareceu liderando a Datafolha de agosto por 41% a 38%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Auxílio Brasil

A única dúvida da semana passada era o crescimento de Bolsonaro também entre aqueles que recebem o novo Auxílio Brasil. Apenas a PoderData registrou esse movimento. Na sua pesquisa de 17 de agosto, comparada com a de 4 de agosto, Lula caiu de 58% a 47% das intenções de voto dos que recebem o benefício federal, enquanto o capitão cresceu de 25% a 39%. Esse seu avanço no voto dos pobres, onde Lula sempre teve a maior vantagem, foi confirmada pela nova BTG/FSB desta semana. Nela, entre os que recebem o Auxílio Brasil, Bolsonaro cresceu de 24% a 31% nos últimos sete dias, enquanto o petista caiu de 61% a 52%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Bolsonaro cresce, Lula patina

Além de confirmar o crescimento de Bolsonaro no eleitor pobre, a BTB/FSB semanal de segunda também mostrou que sua ascensão continua na classe média e nos evangélicos. No eleitor de 2 a 5 salários mínimos, o capitão subiu de 40% a 43%, enquanto Lula caiu de 38% a 36%. Entre os evangélicos, o presidente cresceu de 49% a 56%, enquanto o petista tinha e manteve 30%. Lula patina há muito mais tempo na liderança da consulta estimulada ao 1º turno. Na série de 10 pesquisas BTG/FSB de 2022, de 21 de março a 22 de agosto, ele variou entre 41% e 46% das intenções de voto. Hoje tem 45%. Não cai muito há cinco meses, mas também não sobe.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Teto, 2º turno e rejeição

Lula claramente bateu no seu teto. Bolsonaro cresce lentamente e ainda não bateu no seu. Ele passou de 34% a 36% das intenções de voto na estimulada BTG/FSB ao 1º turno. A não ser que as próximas pesquisas mostrem aceleração dessa ascensão, sobretudo no voto mais numeroso dos pobres, é improvável que candidato favorito destes seja ultrapassado nos 39 dias que hoje separam o eleitor das urnas de 2 de outubro. Mas a projeção mais provável hoje é o 2º turno de 30 de outubro. Que será definido pela rejeição, onde o capitão apareceu na BTG/FSB com 55% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 44% de Lula.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Mudanças

Entre as bolhas dos que acham que Bolsonaro foi um fiasco, ou que “mitou” no JN de segunda, até as pesquisas fazem pouca diferença. Só fará o que furar uma dessas bolhas nos 20% da BTG/FSB que dizem poder mudar o voto. O capitão tem que ficar atento para que a repercussão não pare ou reverta seu crescimento recente, sobretudo entre os pobres. As consultas no Google dos seus dois vídeos de 2021 imitando doentes terminais de Covid sufocando, que negou na Globo ter feito, cresceram 4.700% nos últimos dois dias. O que não deveria mudar é a toda inquisitória do JN com Bolsonaro, bem mais amena na noite de ontem com Ciro Gomes (PDT).

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula, Bolsonaro e eleição no RJ no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-diretor da Escola Técnica Federal de Campos (atual IFF), ex-secretário municipal de Campos e Niterói, e articulador político, o professor Luciano D’Ângelo é o convidado do Folha no Ar desta quarta (24), ao vivo a partir das 7h, na Folha FM 98,3. Ele analisará (confira aqui e aqui) a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais para outubro, assim como o crescimento recente do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas intenções de voto dos evangélicos, da classe média e dos pobres.

Luciano também tentará projetar as urnas a deputado estadual e federal da região, a senador e governador do RJ. Por fim, ele analisará o governo Wladimir Garotinho (sem partido) em Campos, assim como a tentativa de retomada da vocação agropecuária do município. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Bolsonaro sai do JN sem perder ou ganhar nenhum eleitor

 

O presidente Jair Bolsonaro entrevistado por William Bonner e Renata Vasconcellos na noite de hoje no Jornal Nacional

 

Muita expectativa, 40 minutos de entrevista no Jornal Nacional e seis temas: 1) democracia, 2) pandemia, 3) economia, 4) desmatamento, 5) Centrão e 6) corrupção. O presidente Jair Bolsonaro (PL) sobreviveu aos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos. E, em um deles, na economia, pareceu se sair melhor. Sobretudo no momento em que a sensação de redução no preço dos combustíveis e a queda das taxas ainda altas de desemprego têm virado as intenções de voto da classe média brasileira ao seu favor nas pesquisas eleitorais.

Sobre o tema democracia, onde foi mais acossado por Bonner, o capitão chamou de fake news a lembrança de que xingou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para depois ser forçado a admitir que chamou Alexandre Moraes, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de “canalha”. Mas, ao final, disse que aceitará o resultado das urnas independente do resultado, “desde que as eleições sejam limpas e transparentes”. Seja lá o que isso queira dizer, deu a impressão de que, ao seu estilo morde e assopra, aceitou por ora os conselhos para baixar a bola.

No segundo tema, à insistência de Renata com a pergunta se estava arrependido por ter imitado um paciente terminal de Covid sufocando, disse que não teve “uma atitude politicamente correta”. Defendeu o tratamento precoce e a liberdade da clínica dos médicos que o prescreveram, mesmo depois de provado pela ciência e a OMS como absolutamente inútil, e mataram brasileiros. E lembrou do Auxílio Emergencial criado em 2020, transformado em outro dos seus trunfos eleitorais de 2022: o Auxílio Brasil que, desde 9 de agosto, votou ao valor de R$ 600,00.

No terceiro tema, o presidente eleito em 2018 admitindo não entender nada de economia, sempre a evocar seu “Posto Ipiranga” Paulo Guedes, se saiu bem. No quarto, sobre os recordes de desmatamento na Amazônia em seu governo, Bolsonaro conseguiu sair só com queimaduras de 1º grau. No quinto, sobre corrupção e os dois pastores que, sem cargo público, pediam propina dentro do ministério da Educação para liberar verbas federais a prefeitos, Bolsonaro indagou: “A questão de ter dois pastores, qual é o problema?”

Sobre o Centrão, Bonner só lembrou de passagem o episódio recente em que o capitão foi chamado publicamente de “tchuthcuca do Centrão” por um youtuber, sem citar o termo. Mas foi argumentativo demais na pergunta, quando deveria guardar o fato (e o termo) para encaixá-lo depois. E ouviu como resposta uma típica bravata de Bolsonaro, para os seus eleitores bradarem “mitou” nas redes sociais: “Você quer que eu me torne um ditador?”. O fato é que, dessa vez, não mentiu: desde Fernando Henrique Cardoso (PSDB) nos anos 1990, nenhum presidente consegue governar sem o Centrão.

Nas suas considerações finais de 1 minuto, Bolsonaro não voltou a constranger a Rede Globo com fez em 2018. Quando leu ao vivo o editorial do jornal O Globo, após o golpe civil-militar de 1964, escrito e publicado em seu apoio. No lugar do outsider fake de 4 anos atrás, preferiu falar como o que é: o candidato da situação, do sistema, do Centrão. E, além de voltar a falar em redução do preço dos combustíveis e do novo Auxílio Brasil, que já dão resultados nas pesquisas, chamou de seu o PIX projetado no governo Michel Temer (MDB).

Bolsonaro não deve ter perdido ou ganho nenhum eleitor com sua entrevista no Jornal Nacional. Mas não cometeu nenhuma gafe imperdoável que já não tenha normalizado na vida política nacional. Provavelmente, a bancada titular do programa vai usar o mesmo tom inquisitório em suas demais entrevistas. Na terça (23), com Ciro Gomes (PDT); na quinta (25), com Lula; e na sexta (26), com Simone Tebet (MDB). Em nome da equidade, agora não pode mesmo fazer diferente.

Mas, ao jornalismo brasileiro e a eleições menos tensas, o JN prestaria um imenso favor se fosse mais Roberto D’avila e menos William Bonner.

 

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Economia na eleição a presidente no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Igor Franco, especialista em finanças e professor do Uniflu, e José Alves de Azevedo Neto, economista e professor da Universo, são os convidados do Folha no Ar desta terça (23), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Eles analisarão a influência de fatores econômicos (confira aqui e aqui) como a sensação de redução no preço dos combustíveis e o novo Auxílio Brasil de R$ 600,00 nas pesquisas da corrida presidencial polarizada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

Por fim, Igor e José Alves também analisarão o quadro econômico do estado do Rio de Janeiro, com sua possível interferência na eleição a governador, além de Campos e região. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Lula lidera, mas patina. Bolsonaro cresce nos evangélicos, classe média e pobres

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Na confirmação da tendência eleitoral apresentada em várias pesquisas da semana passada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém sua liderança isolada na corrida presidencial para as urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 41 dias. Mas continua estacionado em seu teto, onde bateu e patina desde março, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) confirma sua tendência lenta, mas gradual de crescimento. Na nova pesquisa BTG/FSB feita de sexta (19) a domingo (21), e divulgada hoje (22), Lula manteve os 45% de intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno. Já Bolsonaro cresceu dentro de margem de erro de 2 pontos, passando de 34% a 36% na última semana.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

SEGUNDO TURNO E REJEIÇÃO — A diferença entre os dois na projeção do 2º turno também caiu 2 pontos: da vitória do petista por 53% a 38% na pesquisa BTB/FSB de 15 de agosto, aos 52% a 39% de hoje. Mas no índice considerado fundamental à definição do 2º turno, o capitão continua sem apresentar melhora: ele segue liderando a rejeição, na qual cresceu de 54% aos 55% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, enquanto Lula se manteve nos mesmos 44%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO EVANGÉLICO — O crescimento de Bolsonaro veio em faixas do eleitorado que também já tinham projetadas nas pesquisas da semana passada. Entre as BTG/FSB de 15 e 22 de agosto, o capitão ampliou sua vantagem sobre o petista no voto dos evangélicos: de 49% a 30% (19 pontos) para 56% a 30% (26 pontos).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO DA CLASSE MÉDIA E COMBUSTÍVEIS — O presidente também votou a crescer sua vantagem sobre o ex nos votos da classe média, com renda familiar mensal entre 2 e 5 salários mínimos: de 40% a 38% (2 pontos, empate técnico na margem de erro) para 43% a 36% (7 pontos, fora da margem de erro). Esse crescimento está associado à sensação de redução no gasto dos combustíveis: em 15 de agosto, eram 64% que achavam os preços um pouco ou muito menores. Índice que cresceu 8 pontos no espaço de uma semana, aos 72% de hoje.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO DO POBRE E AUXÍLIO BRASIL — Faixa em que tem sua maior desvantagem a Lula, Bolsonaro também cresceu entre os mais pobres na última BTG/FSB. Entre os que têm renda mensal até 1 salário mínimo, o petista caiu 2 pontos: de 66% das intenções de voto a 64%. Mas o capitão cresceu 5 pontos: de 15% a 20%. Na faixa seguinte, com renda de 1 até 2 salários mínimos, não houve alteração fora da margem de erro. Entre as duas faixas, a alteração é fruto do novo Auxílio Brasil de R$ 600,00, que passou a ser pago em 9 de agosto. Entre os que recebem diretamente o benefício federal, Lula também mantém a liderança folgada, mas caiu 9 pontos, de 61% a 52% das intenções de voto. Em movimento oposto, Bolsonaro cresceu 7 pontos na última semana, de 24% a 31% no voto do brasileiro mais pobre.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — A pesquisa indica a possibilidade de Lula ter atingido o teto de intenção de votos neste 1º turno, ao mesmo tempo que aponta para a redução da diferença para Bolsonaro até o dia da votação. Assim, a tendência é de que haja 2º turno e de que Lula vença por uma margem mais estreita do que apontavam as pesquisas anteriores. Importante destacar nesta pesquisa da BTG/FSB que 79% dos eleitores ouvidos afirmaram que a decisão do voto para o dia 2 de outubro já está tomada, enquanto somente 20% informaram que ainda podem mudar o voto. Já 95% deram certeza de que comparecerão às urnas. Os ganhos relativos de intenção de Bolsonaro entre os evangélicos, a classe média, os pobres e os que recebem Auxílio Brasil indicam que são a divisão religiosa, a economia e a comida que chega no prato, ou a falta dela, os grandes determinantes do voto desta eleição — concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

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Procurador-geral do RJ em Campos na 3ª por Marcelo Lessa

 

Procurador-geral de Justiça do RJ, Luciano Oliveira Mattos de Souza, e o promotor carioca/goitacá Marcelo Lessa Bastos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

O procurador-geral de Justiça do estado do Rio de Janeiro, Luciano Oliveira Mattos de Souza, virá a Campos nesta terça-feira (23). Inaugura oficialmente, às 17h, a placa do promotor de Justiça Marcelo Lessa Bastos, no prédio do MP que este batiza na comarca. Marcelo faleceu precocemente, aos 51 anos, em 14 de agosto de 2021. E, como o blog anunciou em 25 de novembro daquele ano, desde o dia anterior passou a batizar o edifício do MP, na rua Antônio Jorge Young, nº 40, parque Conselheiro Thomaz Coelho. A placa com a homenagem devida ao promotor carioca/goitacá foi instalada no prédio do MP desde 11 de agosto.

 

 

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Orlando Thomé Cordeiro — A política dos Gabriel Monteiro

 

Vereador carioca cassado Gabriel Monteiro

 

 

Orlando Thomé Cordeiro, consultor em estratégia

Que falta faz um Gabeira

Por Orlando Thomé Cordeiro

 

O Rio de Janeiro e o Brasil acompanharam com atenção a sessão da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro que aprovou a cassação do vereador Gabriel Monteiro. Foi um resultado acachapante: dos 50 vereadores presentes, 48 votaram a favor essa decisão. Isso só foi possível graças às denúncias feitas e às provas obtidas. Os áudios e vídeos gravados por esse criminoso são revoltantes.

Quem é essa criatura? Como conseguiu se eleger? Bem, assim como muitos fizeram nas eleições de 2018 e 2020, ele surfou na onda do denuncismo e da antipolítica. Tudo começou durante sua conturbada passagem pela Polícia Militar. Enquanto lá esteve, criou uma imagem de um paladino que lutava contra os diversos comandos da corporação. Gravava vídeos denunciando chefias, apresentando-se como perseguido e injustiçado. Depois de várias punições, acabou expulso, mas recorreu à Justiça e obteve a reintegração e 14 dias depois se licenciou para poder concorrer no pleito de 2020.

Em sua campanha e, posteriormente no mandato, manteve o padrão de comportamento, explorando algo que estava latente em parcelas significativas da sociedade: o ressentimento.  Como a tampa de uma panela de pressão que explode, começamos a ver pessoas nas redes sociais, nos ambientes de trabalho, nas reuniões familiares, atacarem ferozmente conquistas civilizatórias obtidas com muita luta.

Para elas, é inadmissível ver as mulheres livres para decidir seus destinos, a comunidade LGBT sair às ruas em suas paradas, os negros e pardos lutando por protagonismo. Sonham e lutam pela volta dos tempos em que menino vestia azul e menina rosa, a família tinha a composição tradicional, a mulher devia obediência ao marido, o homossexualismo era considerado doença a ser extirpada e os negros sabiam que seu lugar era na cozinha ou na senzala.

Adicionalmente, valorizam quem adota um comportamento tosco, grosseiro, em que a agressividade e a falta de urbanidade são características marcantes. O resultado foi a eleição do atual presidente, de governadores e de parlamentares que professam tais crenças e valores, alguns por convicção e outros por puro oportunismo. São defensores de bandeiras e posturas que as sociedades ocidentais aboliram desde o Iluminismo.

Voltando à sessão de ontem, a mídia denunciou que o governador havia entrado em campo, pessoalmente, para tentar salvar o estuprador, seu aliado e companheiro de partido. Segundo notícias, ele ligou diretamente para diversos vereadores propondo que se ausentassem na hora da votação de modo a impedir o quórum necessário. Para quem faz questão de se apresentar publicamente como um cristão convicto e dedicado tal atitude é simplesmente vergonhosa.

Felizmente, o resultado da votação de ontem foi obtido em grande medida devido à pressão da opinião pública e da mídia, além das manifestações nas redes sociais, levando os parlamentares a tomarem a decisão correta, muitos deles, provavelmente, movidos pela vergonha de vir a público defender um estuprador.

Só que o processo não foi concluído ontem. O criminoso, agora cassado, está tentando manter a sua candidatura a deputado federal pelo PL, partido do presidente e do governador. Aliás, o interesse em sua candidatura é de tal ordem que o partido, mesmo após todas as provas apresentadas desde o início do processo, optou por mantê-lo na lista de candidaturas para as próximas eleições. É obrigação do Ministério Público Eleitoral requerer a cassação do registro de candidatura e da Justiça Eleitoral acatar. Provas não faltam, mas sabemos que no Brasil quem tem força política e dinheiro pra contratar bons advogados consegue encontrar brechas processuais para manter diversos criminosos livres, leves e soltos. Nesse caso já se sabe que pretendem usar como argumentação o fato do requerimento da candidatura ter sido feito antes da cassação ser consumada.

Se tal vergonha vier a se consumar, ainda nos resta uma arma que é exercer, de maneira consciente, nosso direito de voto nas próximas eleições. É imprescindível elegermos futuros parlamentares que, independentemente de filiação partidária, tenham uma história pregressa de comportamento ético e responsável, não adotem as conhecidas modalidades de compra de voto e, last but not least, o compromisso inarredável com a defesa do Estado Democrático de Direito.

Precisamos de gente séria e competente, que não troque seus princípios e valores por qualquer negociata ou por orçamentos secretos. Precisamos de quem tenha capacidade de articular com seus pares e com a sociedade a busca de soluções eficazes para os problemas que afligem a população do Rio de Janeiro e do Brasil. Infelizmente, salvo honrosas exceções, a atual representação parlamentar do nosso estado no Congresso Nacional é de muito baixa qualidade. E na Alerj a situação não é diferente.

Estamos a 43 dias das eleições e nós, cidadãos e cidadãs fluminenses, temos nas mãos a possibilidade de escolher candidaturas das quais possamos nos orgulhar. Será a oportunidade de impedir a continuidade, a volta ou a entrada de quem esteja envolvido em casos de corrupção e desvio de dinheiro público.

Nessa hora um nome me vem à mente, de forma recorrente, como símbolo do que precisamos: Gabeira. Que falta ele faz. Minha esperança é elegermos muitas e muitos novos parlamentares desse quilate.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula e Bolsonaro nas pesquisas da semana, a 43 dias da urna

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A campanha eleitoral começou nesta semana. Para muitos, é terreno para torcida. Tanto quanto será, após as urnas de outubro, na Copa do Mundo entre novembro e dezembro. Para quem não torce para político como para time de futebol, a melhor maneira de se acompanhar objetivamente a eleição até sua consumação no voto soberano de 2 de outubro, daqui a 43 dias, é pelas pesquisas. Feitas com metodologias diferentes, mas com base na mesma ciência estatística que as difere de meras enquetes, esta semana trouxe cinco pesquisas a presidente da República, todas polarizadas entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

Lula lidera em todas, fora da mesma margem de erro de 2 pontos. E dentro dela, mantém acesa a possibilidade de vencer no 1º tuno. Mas vem seguido por um Bolsonaro que algumas pesquisas mostraram em ascensão. Os motivos do seu crescimento parecem ser três: 1) os efeitos dos seus ataques religiosos ao petista sobre o eleitor evangélico, 2) a sensação de diminuição do preço dos combustíveis sobre o eleitor de classe média e, talvez, 3) já o reflexo do novo Auxílio Brasil de R$ 400,00 a R$ 600,00, pago desde o dia 9, sobre o eleitor pobre.

 

PESQUISAS DA SEMANA — A primeira pesquisa nacional da semana foi a BTG/FSB, que saiu na segunda-feira (15), feita por telefone com 2 mil eleitores entre a sexta (12) e o domingo (14) anteriores. A segunda foi a Ipec (antigo Ibope), que saiu na terça (16), feita presencialmente também com 2 mil eleitores, também entre os dias 12 e 14. A terceira foi a Genial/Quaest, que saiu na quarta (17), feita presencialmente também com 2 mil eleitores, entre a quinta (11) e o domingo anteriores. No mesmo dia, a quarta pesquisa foi a PoderData, feita por telefone com 3,5 mil eleitores entre o domingo e a terça anteriores. Por fim, na noite de quinta (18) saiu a quinta e última pesquisa da semana. A aguardada Datafolha foi feita presencialmente com 5.744 eleitores, maior universo pesquisado até aqui em 2022, entre a terça e a própria quinta.

 

BTG/FSB E IPEC — Entre as duas últimas pesquisas BTG/FSB (8 e 15 de agosto), talvez porque feitas no menor intervalo das pesquisas da semana, Lula registrou seu único crescimento fora da margem erro na consulta estimulada ao 1º turno: de 41% a 45% das intenções de voto, contra os 34% que Bolsonaro tinha e manteve. Na projeção ao 2º turno, houve aumento de diferença: de 51% a 39%, para 53% a 38% ao petista. Na rejeição, Bolsonaro subiu de 53% a 54%, enquanto Lula caiu de 45% a 44%. Já na Ipec, que não fazia pesquisa nacional desde 2021, não há como avaliar crescimento ou queda. Mas Lula apareceu no 1º turno com 44% das intenções de voto, contra 32% de Bolsonaro. Na projeção ao 2º turno, o petista venceria por 51% a 35%. Na rejeição, o capitão apareceu com 46%, contra 33% de Lula.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

GENIAL/QUAEST E PODERDATA — Entre as duas últimas Genial/Quaest (3 e 17 de agosto), Lula cresceu um ponto na estimulada ao 1º turno, de 44% a 45%; como Bolsonaro: de 32% a 33%. Na projeção do 2º turno, de 51% a 37% ao petista, a diferença diminuiu para 51% a 38%. Na rejeição, Bolsonaro e Lula tinham e mantiveram, respectivamente, 55% e 44%. Já entre as duas últimas PoderData (4 e 17 de agosto), Lula cresceu de 43% a 44% no 1º turno, mas Bolsonaro cresceu mais: de 35% a 37%. Na projeção do 2º turno, a diferença aumentou dentro da margem de erro: de 50% a 40%, para 52% a 38% ao petista. O PoderData não divulgou a rejeição dos candidatos, mas na avaliação do governo Bolsonaro, 56% desaprovam, enquanto 40% aprovam.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

DATAFOLHA — Por fim, entre as duas últimas Datafolha (28 de julho e 18 de agosto), Lula tinha e manteve 47% de intenções de voto, enquanto Bolsonaro subiu fora da margem de erro de 29% a 32%. Na projeção ao 2º turno, Lula caiu 1 ponto, de 55% a 54%, enquanto Bolsonaro cresceu 2 pontos: de 35% a 37%. Na rejeição, Bolsonaro caiu de 53% a 51%, enquanto Lula cresceu: de 36% a 37%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

TETO — Dentro da margem de erro, o petista ainda poderia ganhar no 1º tuno pela BTG/FSB, pela Ipec, pela Genial/Quaest e pela Datafolha; pela PoderData, não. Na dúvida, tudo indica que o petista bateu no seu teto de intenções de voto, o capitão ainda não. Mas o espaço vai se estreitando, com 75% dos eleitores dizendo na Datafolha já estar totalmente decididos no voto a presidente, percentual que sobe a 80% nos eleitores de Lula e Bolsonaro.

 

VOTO EVANGÉLICO — Com a pressão de pastores evangélicos ligados ao governo, fake news dizendo que Lula vai fechar templos se for eleito presidente e a retórica neopentecostal da primeira-dama Michelle Bolsonaro associando o PT ao demônio, o capitão cresceu nesse segmento, que representa 27% do eleitorado. Pela Datafolha de julho, Bolsonaro tinha 43% dos votos evangélicos, contra 33% de Lula. Essa diferença de 10 pontos chegou na Datafolha de agosto aos 17 pontos: 49% a 32% a favor do presidente. Na única pesquisa Ipec de 2022, Bolsonaro tem vantagem ainda maior, de 18 pontos, entre os evangélicos: 47% contra 29% de Lula.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO DA CLASSE MÉDIA — Com a redução do preço dos combustíveis, o presidente também assumiu na Datafolha a liderança, dentro da margem de erro, na classe média brasileira, com renda entre 2 a 5 salários mínimos. Na pesquisa de julho do instituto, Lula tinha 40% das intenções de voto desse eleitor, contra 34% de Bolsonaro. O petista caiu 2 pontos na Datafolha de agosto, para 38%, contra os 41% do capitão, que acumulou 7 pontos. A virada dentro dessa faixa já havia sido detectada pela BTG/FSB. Na sua pesquisa de 25 de julho, Bolsonaro perdia para Lula por 36% a 39%. E na de 8 de agosto, o passou por 42% a 30% no voto da classe média. Embora, na BTG/FSB de 15 de agosto, a vantagem já estivesse dentro da margem de erro: 40% a 38% para o presidente.

 

 

 

VOTO DO POBRE — Com o voto virado por Bolsonaro na classe média, o que deve definir a eleição presidencial é resposta à pergunta: o novo Auxílio Brasil de R$ 600,00 mudará ou não o voto do pobre? Pelo Datafolha, Lula cresceu entre julho e agosto com o eleitor que recebe o benefício federal, de 53% a 54%, enquanto o capitão caiu 3 pontos no mesmo período, de 26% a 23%. A BTG/FSB e a Genial/Quaest também não registraram grandes alterações. Mas o PoderData retratou diferente: entre 4 e 17 de agosto, Bolsonaro cresceu 14 pontos, de 25% a 39% das intenções de voto dessa faixa. Nela, onde sempre teve sua maior vantagem, Lula ainda lidera fora de qualquer margem de erro. Mas caiu 11 pontos, de 58% a 47%, no mesmo período.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

PALAVRA DO ESPECIALISTA — “Pesquisas de intenção de voto são pesquisas de opinião. Por isso, ao contrário do que muitos pensam, pesquisas eleitorais não têm o objetivo de adivinhar o resultado eleitoral, mas de medir as preferências do eleitor em relação a cada candidato. As pesquisas trabalham com amostra porque não há necessidade de entrevistar todos os eleitores para conhecer as intenções de voto, assim como não há necessidade de tomar a sopa inteira para saber seu gosto, seu cheiro e sua temperatura”, comparou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Datafolha: Lula lidera, mas Bolsonaro avança nos evangélicos e classe média

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Como em todas as demais pesquisas entre junho e agosto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) também encurtou a vantagem da liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na aguardada Datafolha divulgada na noite de ontem (18), a exatos 45 dias das urnas de 2 de outubro. Que trouxe como diferencial o fato de ter sido a pesquisa a ouvir presencialmente o maior universo de eleitores (5.744) até aqui, entre terça (16) e quinta (18). Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, Lula manteve seus 47% de intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno, percentual em que patina desde junho, enquanto Bolsonaro cresce gradativamente: dos 28% de junho, aos 29% de julho, aos 32% de agosto. A diferença entre os dois, que era de 19 pontos em junho, hoje é de 15 pontos. O crescimento mais recente de 3 pontos do capitão se deu entre os evangélicos e a classe média. Mas ainda sem alteração entre os pobres, com renda até 2 salários mínimos, a partir do novo Auxílio Brasil pago desde o último dia 9.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTOS VÁLIDOS E TETO

Com 51% dos votos válidos contra 35% de Bolsonaro na Datafolha, Lula ainda ganharia a eleição no 1º turno, mas o crescimento do presidente em todas as pesquisas torna esse cenário a cada dia menos considerado pelos analistas sérios. O petista claramente bateu no seu teto de intenções de voto, o capitão ainda não. Mas o espaço vai se estreitando, com 75% dos eleitores dizendo já estar totalmente decididos no voto a presidente, percentual que sobe a 80% nos eleitores de Lula e Bolsonaro.

 

SEGUNDO TURNO E REJEIÇÃO

Na projeção do Datafolha ao 2º turno de 30 de outubro entre os dois, o ex-presidente venceria o atual por 54% a 37%, uma diferença de 17 pontos. Que era de 25 pontos em junho: 58% a 33%. Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, o capitão lidera a rejeição em todas as pesquisas, mas também vem caindo. Na Datafolha, dos 55% de junho, aos 53% de julho, aos 51% brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum em agosto. Lula, em sentido oposto, vem crescendo a sua: dos 35% de rejeição em junho, aos 36% de julho, aos 37% de agosto.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO EVANGÉLICO

Com a pressão de pastores evangélicos ligados ao governo, fake news dizendo que Lula vai fechar templos se for eleito presidente e a retórica neopentecostal da primeira-dama Michelle Bolsonaro associando o PT ao demônio, o capitão cresceu nesse segmento, que representa 27% do eleitorado. Pela Datafolha de junho, Bolsonaro tinha 40% dos votos evangélicos, contra 35% de Lula. Essa diferença de 5 pontos subiu em julho para 10 pontos (43% a 33%). E chegou em agosto aos 17 pontos: 49% a 32% a favor do presidente.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO DA CLASSE MÉDIA

Como efeito da sensação de redução do preço dos combustíveis e, talvez, da queda nas altas taxas de desemprego, o presidente também melhorou nas intenções de voto da classe média, com renda entre 2 a 5 salários mínimos. Pela Datafolha de julho, Lula tinha 40% das intenções de voto desse eleitor, contra 34% de Bolsonaro. O petista caiu 2 pontos em agosto, para 38%, contra 41% do capitão. Que ganhou substanciais 7 pontos e assumiu, em empate técnico na margem de erro, a liderança dentro dessa faixa.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO DOS POBRES

Apesar do novo Auxílio Brasil já ter chegado ao bolso da população pobre, Bolsonaro ainda não colheu dividendos eleitorais do benefício federal que passou de R$ 400,00 a R$ 600,00 em agosto. Pelo Datafolha, Lula cresceu 1 ponto nesse eleitor, dos 53% das intenções de voto de julho, aos 54% de agosto, enquanto o capitão caiu 3 pontos, dos 26% de julho aos 23% de agosto. A diferença entre eles hoje é de 31 pontos nessa faixa. Na faixa análoga dos que recebem até 2 salários mínimos e representam 51% do eleitorado brasileiro, Bolsonaro manteve em agosto os mesmos 29% de julho. Entre eles, Lula também cresceu 1 ponto, dos mesmos 53% aos mesmos 54% do Auxílio Brasil.

Pela nova Datafolha, o voto dos pobres majoritário a Lula tem equilibrado, até aqui, o avanço de Bolsonaro nos evangélicos e na classe média.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA

— A maior pesquisa realizada até aqui nesta eleição, com quase 6.000 eleitores em 281 cidades do país, confirma o crescimento de Bolsonaro e a redução da diferença para Lula. Em maio, a distância era de 21 pontos, em julho, de 18 pontos, e agora, em agosto, de apenas 15 pontos. Na estimulada, quando são apresentados os nomes de todos os candidatos, Lula alcança 47% dos votos, contra 32% do atual presidente. Nos votos válidos, Lula alcança 51% e mantém chance de vencer ainda no 1º turno. Em caso de 2º turno, porém, Lula seria eleito para um terceiro mandato com 54% dos votos, contra 37% de Bolsonaro. Isso porque 51% dos eleitores entrevistados declararam não votar em Bolsonaro de jeito nenhum, contra 37% em Lula. A pesquisa mostra ainda que Lula é o preferido dos mais pobres, dos que se declaram pretos e dos que vivem no Nordeste, onde vence por 65% a 25%. 55% dos eleitores com renda até 2 salários mínimos e 56% dos que recebem ou moram com alguém que recebe Auxílio Brasil preferem Lula. Já Bolsonaro é o favorito dos mais ricos (mais de 10 salários mínimos), dos brancos e dos moradores do Centro-Oeste (ganha por 48% a 46%) e do Norte (vence por 48% a 47%). Também é o preferido por 49% dos evangélicos — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

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