Felipe Fernandes — Recomeço desnecessário de “O exorcista”

 

 

 

Felipe Fernandes, filmmaker publicitário e crítico de cinema

Recomeço genérico

Por Felipe Fernandes

 

Lançado em 1973, “O Exorcista” chocou pessoas do mundo todo, se tornou um clássico do cinema e uma das referências máximas quando pensamos em cinema de horror. O sucesso do filme gerou continuações e prequels que nunca chegaram próximos do sucesso de público e crítica. Eis que a produtora Blumhouse comprou os direitos da franquia e traz para o grande público um recomeço com “O exorcista: O devoto”.

Escrito e dirigido por David Gordon Green, o novo filme da franquia adota a mesma proposta da última trilogia da franquia Halloween (também dirigida pelo diretor), ao desconsiderar todas as continuações, fazendo do filme uma nova continuação direta do clássico original, passada nos dias atuais e com a promessa de ser o primeiro capítulo de uma trilogia.

Se em Halloween de 2018 o filme resgata os principais personagens e elementos da franquia, aqui Green toma um caminho um pouco diferente e mesmo que resgate uma personagem fundamental do longa de 1973, o filme basicamente é uma história original que menciona timidamente os eventos do clássico.

O longa abre com um prólogo que se passa no Haiti e busca trazer um clima de misticismo se utilizando de elementos da cultura local. Um artifício fraco, que não gera nenhum tipo de repercussão no desenvolvimento da história. Nesse prólogo conhecemos a personagem da mãe, que deveria ter um tempo de tela e relevância maior dentro da narrativa. Ao contrário, o filme gasta praticamente metade de sua duração lidando com o sumiço das duas jovens.

O roteiro escrito por Green em parceria com Peter Sattler e Scott Teems aborda a história não de uma, mas de duas meninas possuídas em uma mesma situação. Nesse sentido, o filme segue a cartilha das continuações, aumentando a escala da história, não só no número de pessoas possuídas, mas no envolvimento de representantes de diferentes religiões, buscando uma solução para a situação desesperadora das jovens.

Acredito que buscando algum tipo de subversão de expectativa, o representante da Igreja Católica fica em segundo plano e a decisão de misturar diversas pessoas no local do exorcismo, enfraquece o momento. Se antes aquilo tudo parecia algo a ser profano, extremamente complexo e perigoso, aqui o evento se torna quase que um espetáculo, com cada um com uma sugestão do que deve ser feito.

A conexão com o longa original fica pelo retorno da personagem Chris McNeil, novamente interpretada pela grande Ellen Burstyn. Um retorno que não se justifica na narrativa, funcionando mais como uma forma de conectar essa história com o filme original e assim atrair o público ávido por retornar a aquele universo. Uma participação pequena que não agrega e, pelo contrário, até enfraquece um pouco a personagem.

Em termos de terror, o filme é muito genérico. O longa não tem uma ambientação eficiente, não tem uma cena memorável. É tudo muito vazio, parece a cópia da cópia. A dinâmica de ter duas possuídas não acrescenta nada à narrativa. Os efeitos especiais passam longe do terror orgânico do original. É uma obra que se confunde com tantas outras do gênero e que não vai afetar sua noite de sono.

“O exorcita: o devoto” promete um recomeço para uma das franquias mais importantes do terror, mas se prova como mais uma continuação desnecessária, que parece não ter compreendido pontos importantes da obra original. Não funciona nem como atualização pros tempos de hoje, nem como homenagem ao clássico de 73. É um filme que falha em praticamente tudo o que se propõe.

Resta torcer para que David Gordon Green deixe a trilogia, antes que tenhamos outra franquia clássica prejudicada.

 

Publicado na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

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Arthur Soffiati — “Godzilla vs Kong” beira ao ridículo

 

 

 

Arthur Soffiati, historiador, escritor e crítico de cinema

Luta ridícula de gigantes

Por Arthur Soffiati

 

Não ando muito animado com a programação dos cinemas de Campos nem da única plataforma digital a que tenho acesso. Sendo assim, recorro com frequência à minha enorme coleção de DVDs. No entanto, querendo elementos para comentar um filme em cartaz no momento, cometi o grande equívoco de assistir a “Godzilla vs Kong”, uma mistureba dirigida por Adam Wingard.

O macaco gigante Kong figurou nas telas pela primeira vez 1933. Foi um sucesso. Ganhou refilmagens e desdobramentos. Godzilla estreou em 1954. O primeiro encontro dos dois ocorreu no filme “Godzilla vs Kong”, produção japonesa de 1963. Eiji Tsubaraya, o Ray Harryhausen do Oriente, criou gigantes espetaculares, mas não conseguiu superar o mestre norte-americano. O filme visava bilheterias dos Estados Unidos.

Godzilla resulta do cruzamento de um tiranossauro rex com um estegossauro bem antes do recurso à engenharia genética das ficções científicas de Michael Crichton.  Kong, por sua vez, controlava uma ilha. Ele era adormecido pelo sumo do fruto de uma planta só encontrada lá. Quando Kong aparece, as mulheres bailam para ele. Kong gosta de mulher e de lugares altos. Tanto que uma virgem é sempre presenteada a ele.

Esses filmes do passado precisavam recorrer à técnica de animação do stop-motion, pois ainda não havia efeitos especiais computadorizados. Gostamos de filmes com dinossauros, mas ignoramos o quão difícil era produzir esses animais extintos no passado. Os primeiros filmes com eles datam da segunda década do século XX. Geralmente, eram curtos pelos custos na produção de pequenos bonecos ampliados que contracenavam com humanos.

A partir da década de 1980, os filmes de “monstros” ou “coisas” passaram a ser produzidos em computação gráfica. O grande exemplo é “Jurassik park”, de 1993, dirigido por Steven Spielberg. Ele suscitou uma franquia de mais cinco filmes. Todos sofríveis. Todos demonstração vazia de tecnologia. Muitos outros filmes no gênero de “Jurassik park” ganharam as telas. A maioria deixa a desejar.

Voltando a “Godzilla vs Kong”, é de se supor que os grandes estúdios atuais têm dinheiro, mas as salas de cinema estão em franca decadência. O filme conta com boa fotografia, embora padronizada, e muitos efeitos especiais. Contudo, o roteiro é confuso, a trilha sonora é pasteurizada, o desempenho dos artistas é péssimo.

Nem Michael Bay, Roland Emmerich e Guillermo del Toro em seus piores momentos (e foram muitos) conseguiriam a proeza de Adam Wingard. Ele dirige mecanicamente. Qualquer computador faria melhor. Os efeitos especiais são excessivamente surrados. Animais inventados aparecem gratuitamente. Trata-se de uma mistura de catástrofe e anedota. O filme beira às raias do ridículo.

Kong mora num mundo maravilhoso que fica no interior da Terra, enquanto Godzilla repousa no Coliseu de Roma quando não está destruindo uma cidade ou um monumento. Eles saem dos seus redutos para lutar e destruir. Não foram poupadas as pirâmides do Egito e a praia de Copacabana sob as vistas do Cristo Redentor. A globalização mostrada é perversa e deseducativa. Enfim, o filme é perfeitamente dispensável.

 

Publicado (confira aqui) na Folha da Manhã.

 

Confira abaixo o trailer do filme:

 

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Pausa até dia 18, salvo para divulgar pesquisa eleitoral de Campos

 

 

Por motivos de ordem pessoal, farei uma pausa na atividade jornalística em rádio, jornal, TV, site, blog e redes sociais. Até, se Deus quiser, o próximo dia 18. Daqui até lá, só haverá exceção, com retomada episódica do trabalho, em caso de pesquisa eleitoral registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre Campos. Abraço fraterno a todos os leitores, ouvintes e telespectadores.

 

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Professor da UFF-Campos organiza e lança novo livro

 

Novo livro organizado pelo sociólogo Fabrício Maciel, professor da UFF-Campos

Sociólogo e professor da UFF-Campos, Fabrício Maciel organizou um novo livro, “Re-trabalhando as classes do diálogo Norte-Sul”, pela editora Unesp, que já pode ser adquirido aqui. Nele, para tentar entender o mundo capitalista no pós-pandemia da Covid-19, estão reunidos textos de outros sociólogos. Como os brasileiros Ricardo Antunes e Ruy Braga, os alemães Hartmut Rosa e Klaus Dörre e os britânicos Michael Burawoy e a economista política Ursula Huws, entre outros.

“Nos últimos 50 anos, o mundo assistiu a uma crescente desregulação das economias e ao recuo das políticas sociais, ao mesmo tempo que se ampliaram as desigualdades. Recentemente, conflitos mundiais de grande porte e a pandemia de Covid alertam aos excessos da globalização, à urgência ambiental, ao desgaste das democracias e ao crescimento do populismo de extrema direita. Diante disso, este livro representa uma contribuição ao debate sobre o capitalismo contemporâneo, suas grandes desigualdades sociais e os desafios que se impõem ao século XXI”, define Fabrício o livro que organizou.

 

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Missa de 7º dia de Pepenha às 19h desta 6ª, no Sagrado Coração de Jesus

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Às 19h desta sexta (5), será celebrada a missa do 7º dia de falecimento de Maria da Penha dos Santos Abreu, na Igreja da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, na rua Riachuelo, nº 280. Minha querida avó materna (confira aqui), ela faleceu aos 102 anos, na última sexta, 29 de março.

A missa será celebrada pelo padre Murialdo. Os filhos, netos, bisnetos e tetranetos de Pepenha — comerciante, produtora rural e uma católica apostólica romana fervorosa em vida — convidam a todos para orar juntos em intenção da sua alma.

 

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Garotinho fecha nesta sexta a semana do Folha no Ar

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-governador do RJ e ex-prefeito de Campos, Anthony Garotinho (Republicanos) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (5), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará o saldo da Operação Chequinho, pela qual chegou a ser preso, e pendências ainda abertas com a Justiça para concorrer eleitoralmente em 6 de outubro.

Garotinho também falará das suas rusgas públicas (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) com seu filho, o prefeito Wladimir Garotinho (PP), pelo controle do PL em Campos, e da sua posterior pré-candidatura a vereador pelo Republicanos na cidade do Rio de Janeiro. Por fim, tentará projetar as eleições a prefeito e vereador, daqui a exatos 6 meses e 2 dias, em Campos e no Rio.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.

 

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Felipe Fernandes — “Matador de Aluguel” revive filme de brucutu

 

 

Felipe Fernandes, filmmaker publicitário e crítico de cinema

Filme de brucutu no Século XXI

Por Felipe Fernandes

 

O mestre Alfred Hitchcock em uma certa oportunidade destacou que quando buscava obras literárias para adaptar para o cinema, geralmente procurava por obras que tivessem uma natureza imagética, mas também que pudessem ganhar um diferencial ao ser adaptado para outro tipo de arte. Em alguns casos, até melhorando obras que ele entendia ter potencial, mas que na opinião dele eram falhas enquanto narrativa.

Quando eu penso na realização de um remake, eu penso de forma muito parecida. Porque fazer um remake de um clássico reverenciado como Psicose? Não faz sentido. Mas realizar um remake de um filme menos lembrado ou até mesmo problemático, me parece uma aposta mais arriscada financeiramente, mas do ponto de vista artístico, muito mais interessante.

Essa foi a sensação que tive ao saber do lançamento de “Matador de aluguel”. Um remake de um longa do final da década de 80 que trazia Patrick Swayze como um segurança de bar. A julgar pela sinopse, um típico filme daquela época. A nova versão traz Jake Gyllenhaal no mesmo personagem, mas em uma versão moderna como um ex-lutador de MMA, que precisa lidar com um trauma do passado e ganha um propósito como segurança do bar de uma pequena cidade costeira da Flórida.

Abrindo com uma sequência em uma espécie de clube de luta clandestina, já somos apresentados ao protagonista como uma espécie de lenda, antes mesmo dele desferir um único soco. Esse é um elemento importante na composição do personagem, que justifica sua fama posteriormente. Desde essa primeira cena o longa vai desconstruindo qualquer senso de realidade, resgatando muito dos exageros do cinema de ação da década de 80.

O filme traz uma história típica dos westerns que ressoa nesse universo violento e masculino do longa. Um forasteiro solitário e misterioso, de passado violento, que chega em uma pequena cidade dominada por gente poderosa e vai lidar com essa situação, enquanto aos poucos vai se tornando parte daquela comunidade. O próprio filme brinca com essa ideia, em alguns dos momentos de metalinguagem que fazem parte do humor do longa.

Nesse sentido, o filme é anacrônico. É um filme de brucutu da década de 80, com algumas atualizações narrativas, feito com a estética de luta de hoje, que traz cenas mais coreografadas e intensas, com uma dose equilibrada de violência. Essas cenas são o ponto alto do filme, mesmo que não sejam inovadoras e surpreendentes, tornam os personagens daquele universo figuras realmente perigosas.

Jake Gyllenhaal mais uma vez prova sua versatilidade e surge muito forte, convencendo como lutador e agregando um carisma ao personagem que faz diferença. O ator traz um ar cansado que funciona, apesar do roteiro insistir em criar um suspense sobre um trauma vivido por ele no passado, que não agrega muito ao personagem.

Ao abandonar qualquer senso de realidade, apostando nos exageros e no carisma de Gyllenhaal, o filme cresce. Tem um humor surpreendente, que funciona melhor quando lida de forma consciente com os absurdos desse tipo de filme e o timing cômico de Gyllenhaal, contrastando com a figura cansada e séria do protagonista, torna tudo mais divertido.

Assim como todo western, surge um adversário à altura, em que basicamente eles vão duelar (aqui na base do soco) por aquele território. O adversário é interpretado pelo lutador de MMA Conor McGregor, que basicamente interpreta o mesmo personagem que fez sua fama no octógono. São dois personagens que são dois extremos em termos de personalidade, mas de uma certa forma, eles se identificam.

Com esse título nacional sem sentido, “Matador de aluguel” é um filme que exige que o espectador embarque em sua proposta. Traz uma dinâmica de western para fazer uma homenagem/paródia do cinema de ação oitentista, com um humor consciente que rivaliza com a ação. É o cinema de brucutu no século XXI.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Assista ao trailer do filme:

 

 

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Após aliança com Caio, Wladimir abraça Arnaldo Vianna

 

Arnaldo Vianna e Wladimir Garotinho

“Um café da tarde de quem quer olhar pra frente e fazer Campos continuar a evoluir. Mesmo em meio aos embates do passado, eu e Dr. Arnaldo Viana sempre mantivemos respeito e afeto. O momento é de paz e união”. Foi o que o prefeito Wladimir Garotinho (PP) escreveu esta tarde em seu perfil no Instagram (confira aqui), para ilustrar uma foto sua abraçado com o ex-prefeito Arnaldo Vianna.

O encontro foi claramente consequência da aliança (confira aqui) de Wladimir com Caio, filho de Arnaldo e fonte considerável dos seus votos. Não há pesquisa recente para aferir, mas não é arriscado dizer que, como prefeito e médico, Arnaldo é uma figura querida da maioria da população de Campos.

Ao se encontrar e abraçar o ex-aliado convertido em desafeto figadal do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), Wladimir pode marcar mais uma diferença em relação ao seu pai positiva aos olhos do eleitor. A ver.

 

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Nome para vice de Madeleine e amigo do vice de Wladimir

 

Marquinho Bacellar, Oziel Batista Crespo Filho, Igor Pereira e Gilberto Pereira

O martelo ainda não está batido. Mas a possibilidade do ceramista Oziel Batista Crespo Filho ser candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pela delegada de Polícia Civil Madeleine Dykeman (União), como foi adiantado aqui no sábado (30), é bem sólida. Para tanto, ele se filiaria ao PSD. Cujo prefeito carioca, Eduardo Paes, fechou aliança (confira aqui) com o presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União).

Ex-presidente do Sindicato dos Ceramistas de Campos, Oziel poderia levar o apoio da categoria e da 75ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos — da Penha ao Farol, passando por toda a Baixada Campista, e maior do município, com 114.444 eleitores — à principal pré-candidatura dos Bacellar contra a reeleição do prefeito Wladimir Garotinho (PP). A ideia foi de outro político com reduto na 75ª ZE, o vereador e pré-candidato à reeleição Igor Pereira (SD).

Para discutir a ida de Oziel à chapa de Madeleine, ele se reuniu há cerca de duas semanas com Igor, o pai deste, o empreiteiro Gilberto Pereira, e o presidente da Câmara Municipal de Campos e também pré-candidato à reeleição como vereador, Marquinho Bacellar (SD). O maior porém de Oziel na oposição a Wladimir é o vice-prefeito deste, o engenheiro agrônomo e presidente da Coagro Frederico Paes (MDB), de quem o ceramista é amigo. A ver.

 

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Mulher preta do jornalismo à política no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Jornalista e pré-candidata a vereadora Cláudia Eleonora (União) é a convidada do Folha no Ar nesta quinta (4), ao vivo, a partir das 7h da manhã. Ela falará da sua passagem do jornalismo profissional, muitas vezes com a política como pauta, à política partidária.

Cláudia também falará do papel da mulher preta na democracia representativa em Campos, com uma Câmara Municipal composta só de 25 homens, e no Brasil. Por fim, tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro, daqui a exatos 6 meses e 3 dias.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.

 

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Thiago vem e vai a prefeito, Rodrigo a governador e Caio secretário?

 

Rodrigo Bacellar e Thiago Rangel, Aspásia Camargo, Lesley Beethoven, Caio Vianna e Wladimir Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Thiago lançado e deslançado a prefeito de Campos

Roberto Carlos diria: “São muitas emoções”. E, ao que se saiba, ele nunca cobriu jornalisticamente uma eleição. Que, na planície goitacá, ainda é melhor definida nas palavras do experiente ex-deputado federal Paulo Feijó: “Na política de Campos, só falta boi voar”. Deputado estadual, Thiago Rangel (sem partido) foi lançado e deslançado (confira aqui) na noite de ontem (2) pré-candidato a prefeito de Campos pelo PSDB. Possibilidade que, após ser negada ainda na noite de ontem, pela presidente estadual do partido, Aspásia Camargo, acabaria também negada pelo presidente do PSDB em Campos, Lesley Beethoven.

 

Aspásia e o breque na Rio/Campos

Ainda na estrada de volta do Rio a Campos, Beethoven admitiu que se reuniu na capital com o presidente campista da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (União). Com quem, momentos depois, seu colega deputado Thiago Rangel postou no Instagram (confira aqui) uma foto dos dois abraçados. E escreveu: “Quero anunciar oficialmente que sou pré-candidato a prefeito de Campos dos Goytacazes, através do PSDB (…) Agradeço ao deputado e presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, pelo apoio”. Ouvida pelo blog Opiniões, a presidente estadual do PSDB respondeu: “Não reconhecemos essa pré-candidatura (de Thiago) a prefeito de Campos”.

 

PSDB do RJ prefere Wladimir

Política experiente, ex-vereadora carioca e ex-deputada estadual, com carreira destacada também como socióloga e professora, graduada na UFRJ, com mestrado e doutorado na Universidade de Paris, Aspásia foi além nas intenções do PSDB do estado do Rio para Campos: “Qualquer decisão tem que passar pelo diretório estadual do PSDB e ao seu Conselho Político. O que podemos adiantar sobre Campos é que temos uma preferência, uma simpatia nítida pelo prefeito Wladimir (Garotinho, PP). Ele é uma liderança sólida, que vem tendo um desempenho muito importante em Campos e no Norte Fluminense”.

 

Nem PSDB do RJ, nem de Campos

Ao saber, também pelo blog Opiniões, do questionamento da sua pré-candidatura do PSDB pela presidente estadual do partido, Thiago disse: “Isso foi tratado com o presidente do diretório do PSDB de Campos, Beethoven. Quem conduziu essa questão política foi Rodrigo (Bacellar)”. Beethoven, no entanto, no lugar de questionar Aspásia, negou que tenha tratado da pré-candidatura de Thiago: “Estou voltando neste exato momento (21h39) na estrada do Rio para Campos. Estive, sim, hoje, com Rodrigo. Em nenhum momento da conversa, dei anuência ao lançamento da candidatura de Thiago Rangel a prefeito de Campos pelo PSDB”.

 

Os russos e a tática dos Bacellar

Pode ser que Beethoven não tenha conversado com Rodrigo sobre lançar Thiago a prefeito de Campos pelo PSDB. Pode ser que Thiago tenha entendido que sim, antes de postar sua foto com Rodrigo se lançando pré-candidato de Campos pelo PSDB. Como pode ser que não tenham, na advertência do gênio do futebol Mané Garrincha na Copa do Mundo de 1958, “combinado antes com os russos”. O fato é que a posição firme de Aspásia melou, pelo menos por ora, a possibilidade. Que é fruto da tática clara dos Bacellar para levar a eleição de prefeito de Campos ao segundo turno com Wladimir: lançar o máximo de candidaturas possível.

 

Rodrigo governador?

Por sua vez, Wladimir também não precisava ter provocado gratuitamente seu maior adversário na entrevista que deu (confira aqui) ao programa Folha no Ar de 22 de março: “Rodrigo (Bacellar) não tem voto”. Após a alfinetada, Rodrigo tem usado toda a sua grande capacidade de articulação para tentar desmentir Wladimir nas urnas de 6 de outubro, daqui a 6 meses e 3 dias. Além do seu enorme poder como presidente da Alerj. Que pode se tornar ainda maior se a Justiça cassar a chapa do governador Cláudio Castro (PL) e seu vice, Thiago Pampolha (MDB). Como pediu ontem (confira aqui) a Procuradoria Geral Eleitoral, nos autos do caso da Ceperj e da Uerj.

 

Caio secretário de Wladimir?

No jogo jogado da política, Wladimir fez de outro ex-adversário, Caio Vianna (agora sem partido), seu mais novo aliado. Para dispensar a dolce vita de deputado federal, que lhe garantia o prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes (PSD), se discute agora onde Caio poderia integrar a administração Wladimir. Talvez como secretário de Governo, no lugar de Angelo Rafael. Talvez na secretaria municipal de Desenvolvimento Econômico, já que seu titular, Mauro Silva, pode se desligar da pasta. Assim como Thiago Ferrugem, da chefia de gabinete, e Gustavo Matheus, da Comunicação. Os três assumiriam a coordenação de campanha.

 

PSD com Bruno, Maycon e Fred

Como o blog Opiniões adiantou (confira aqui) no sábado (30), ontem (2) o ex-vereador Bruno Vianna assumiu (confira aqui) a presidência do PSD em Campos. A nova executiva municipal, como também foi adiantado, terá o também ex-vereador Maycon Cruz (que estava sem partido) e o vereador Fred Machado, que deixa o Cidadania. Maycon, como vice-presidente, e Fred, como 2º tesoureiro do PSD goitacá, atenderam ao convite de Bruno. Que assumiu o partido após o ex-presidente municipal da legenda e ex-deputado federal Caio Vianna manifestar apoio (confira aqui) ao prefeito Wladimir Garotinho. Em resposta à aliança (confira aqui) do PSD de Paes com Rodrigo Bacellar.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Thiago a prefeito pelo PSDB, cujo diretório do RJ prefere Wladimir

 

Rodrigo Bacellar e Thiago Rangel, Aspásia Camargo, Lesley Beethoven e Wladimir Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Em seu perfil de Instagram, o deputado estadual Thiago Rangel (que estava sem partido) postou hoje (2) à noite (confira aqui) uma foto com o presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União). E escreveu: “Quero anunciar oficialmente que sou pré-candidato a prefeito de Campos dos Goytacazes, através do PSDB”. O anúncio, no entanto, não foi validado pelos presidentes estadual e municipal do PSDB, respectivamente, Lesley Beethoven e a ex-deputada Aspásia Camargo:

— Isso não foi encaminhado ao diretório estadual do PSDB, nem ao seu Conselho Político. Não reconhecemos essa pré-candidatura a prefeito de Campos. Ainda não definimos nossa posição. Mas o que podemos adiantar sobre Campos é que temos uma preferência, uma simpatia nítida pelo prefeito Wladimir (Garotinho, PP). Ele é uma liderança sólida, que vem tendo um desempenho muito importante em Campos e no Norte Fluminense — avaliou Aspásia.

Ao saber da posição da presidente estadual do PSDB, que não reconheceu sua pré-candidatura a prefeito de Campos pelo partido, Thiago também se posicionou:

— Isso foi tratado com o presidente do diretório do PSDB de Campos, Beethoven. É um diretório municipal legalmente constituído, não é uma mera executiva, e com presidente eleito pelos membros filiados. Quem conduziu essa questão política foi Rodrigo (Bacellar). A tendência de crescimento da nossa pré-candidatura é muito grande na periferia, na 76ª (Guarus) e 75ª (da Penha ao Farol) Zonas Eleitorais de Campos. A cidade, como um todo, precisa dessa opção de escolha.

No entanto, ao saber pelo blog de que seu nome foi citado para endossar a pré-candidatura de Thiago a prefeito de Campos pelo PSDB, Beethoven negou categoricamente:

— Estou voltando neste exato momento (21h39) na estrada do Rio para Campos. Estive, sim, hoje com Rodrigo (Bacellar). Em nenhum momento da conversa, falei ou dei anuência ao lançamento da candidatura de Thiago Rangel a prefeito de Campos pelo PSDB. Isso simplesmente não é verdade! — garantiu o presidente do PSDB em Campos.

Antes de falar com o blog, Thiago já tinha postado em seu Instagram:

— Essa decisão (da pré-candidatura a prefeito de Campos pelo PSDB) é fruto do nosso trabalho que tem sido reconhecido pela população. Agradeço ao deputado e presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, pelo apoio.

Ao que Aspásia, ao saber, respondeu:

— O presidente da Alerj tem muito poder. Mas não o de determinar uma candidatura a prefeito do PSDB, numa cidade do tamanho e da importância que Campos tem ao estado do Rio, sem passar pelas instâncias do partido. Repito: o diretório estadual do PSDB tem simpatia pelo prefeito Wladimir em Campos.

 

Atualização às 21h48 para colocar a posição do presidente do PSDB em Campos, Lesley Beethoven.

 

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