Brasil e Croácia pela Copa do Qatar no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)

 

No Brasil, até as crianças entendem de futebol. Não raro, mais que os adultos. Estudante do 4º ano do ensino fundamental, Pedro Otávio Enes, de 9 anos, é o convidado para encerrar a semana do Folha no Ar na manhã desta sexta (9), ao vivo a partir das 7h da manhã. Algumas horas antes de o Brasil encarar a Croácia do maestro Modric pela Copa do Mundo do Qatar, ele tentará projetar o jogo, bem como dos outros três das quartas de final.

Pedro também analisará as principais zebras e favoritos até aqui da Copa, além de projetar o que espera da fase semifinal. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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As palavras para receber o poeta Adriano Moura na ACL

 

Na noite de ontem (6), o poeta, dramaturgo e professor de Língua Portuguesa e Literatura do IFF Adriano Moura foi empossado como membro da Academia Campista de Letras (ACL), na sua sede no Jardim São Benedito. Escrito um pouco antes, só ouvindo, mas sem poder ver o Portugal 6 a 1 Suíça, no último jogo das oitavas de final da Copa do Mundo do Qatar, transcrevo a pedidos o discurso de recepção do novo imortal goitacá, longo para atender à demanda de tempo exigida pelo protocolo. Ao qual, em se tratando de Adriano, busquei subverter em algumas palavras:

 

Alternando fala de improviso e lida, Adriano Moura fez seu discurso de posse na Academia Campista de Letras (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

Lavra

Dores

Mas colhe gozos

 

Lava

Dores

E suja as mãos

 

Canta

Dores

Mas ouve gritos

 

Maquia

Dores

E diz que não

 

Ora

Dores

Mas diz que é Cristo

 

Saca

Dores

E não sai do chão

 

Chora

Dores

Mas tem lenços secos.

 

Pensa

Dores

E livros vãos

 

Moe

Dores

Mas bebe scotch

 

Salva dores

E não os são(s)

Os perde

Dores

 

Poeta, jornalista e membro da ACL escolhido para fazer o discurso de recepção de Adriano, Aluysio Abreu Barbosa lê o que escreveu para atender à demanda de tempo exigida pelo protocolo (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

Adriano é conduzido à sua posse na ACL por sua colega de magistério de Literatura no IFF, a literata e acadêmica Edinalda Almeida (Foto: Ana Poltroneri)

O nome do poema é “Os donos do poder”. O ouvi pela primeira vez da boca do seu autor, atrás de óculos a compor a carranca de quem não estava aberto a maiores aproximações. Foi numa das edições do FestCampos de Poesia no início dos anos 2000, em que ambos participávamos, no Palácio da Cultura. Lembro de ter sido profundamente impactado por aqueles versos. E, numa época em que eu ainda bebia destilado, fiquei a pensar se o “Moe/ Dores/ Mas bebe scotch” não havia sido escrito sobre ou para mim.

Belchior

O impacto não se deu só pelas belas imagens da poesia de Adriano. Mas porque percebi que era alguém mais ou menos da minha idade, quando éramos jovens como Belchior foi um dia, que estava fazendo uma ourivesaria com as palavras que eu percebia ser diferente, com aliterações e assonâncias, mas ainda não sabia como fazer.

Pensando só agora, enquanto escrevo este discurso a mim pedido para receber Adriano na ACL pelo seu proativo presidente, o advogado, prosador e poeta Christiano Freitas, me ocorre que foi mais ou menos a mesma coisa que senti quando ouvi “Faroeste caboclo” pela primeira vez. Eu tinha 15 anos e estava numa festa adolescente e noturna em uma casa no entorno do Jardim São Benedito, ainda de pé e vizinha daqui.

“Os Sertões”, de Euclides da Cunha

Para mim, a obra maior de Renato Russo, poeta que tanto marcou a geração de Adriano e minha, a saga de João de Santo Cristo bateu no ouvido, na mente e na alma. E ficou remoendo na boca do estômago logo à sua primeira audição, onde e como ficou os “Os donos do poder”. Em relação à música da Legião Urbana, só parou de remoer quando li pela primeira vez “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, testemunha ocular da Guerra de Canudos. E descobri o que é ser sertanejo, periférico e reprimido à bala neste país. Como ter lido depois a obra-prima homônima do jurista, sociólogo, historiador e cientista político Raymundo Faoro aumentou minha compreensão daquele meu primeiro poema de Adriano.

 

 

Ser contemporâneo e conterrâneo de Adriano, que fez da literatura a sua profissão, muito além de atividade diletante, me obrigou a ter que trabalhar mais. Não para alcançar a mesma qualidade dos versos, mesmo porque isso sempre será subjetivo. Mas o esforço de estudo de poesia e teoria literária a que ele involuntariamente me forçou, para dominar os mesmos instrumentos, me fez ser um poeta melhor. Como costumo dizer a ele, brincando: “Cada aldeia tem o Fernando Pessoa e o Mário de Sá-Carneiro que merece”.

Ou, como dizia uma ex-namorada: “Ave Maria, quem dera!”

 

Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa, poetas, amigos e fundadores do modernismo em Portugal

 

Cazuza

Com o passar dos anos, venci essa carranca de “caboclo querendo ser inglês” de Adriano, como cantou Cazuza, outro poeta marcante da nossa geração. E me tornei, além de admirador e leitor, seu amigo. Amigo de Adriano; de Cazuza não deu. Somos “camaradas em armas”, como digo também brincando, mas ao mesmo tempo de maneira muito mais séria do que supõe a vã filosofia armamentista do bolsonarismo.

Já deve ter uns 15 anos, estávamos num samba na quadra da Mocidade Louca, quando ele, num momento raro de carinho fraternal, com a carranca já desfeita pela bebida, me abraçou e disse de maneira tão carinhosa, quanto sincera: “Somos dois dândis numa cidade hipócrita”. Na verdade, no lugar do adjetivo “hipócrita”, ele usou o substantivo iniciado com a letra “M”. Mas pensei e talvez não fosse de bom tom reproduzir aqui.

Analice Martins e Adriano Moura, na posse deste ontem na ACL (Foto: Fernando Rossi)

Em conversa virtual recente com a literata e poeta Analice Martins, Cruzeiro do Sul nas letras goitacazes da nossa geração, reforçava o convite para ela analisar um meu poema para publicação futura na página da ACL na Folha Letras. Analice falou generosamente que seria uma “responsabilidade”. Ao que comentei: “Me deram a incumbência de fazer o discurso de recepção do nosso enfant terrible na ACL. Isso, sim, é uma baita responsabilidade”. E ela complementou na tréplica: “Ah, que maravilha!!! Les enfants terribles incendiando a Academia!!!!”

“Au revoir, les enfants”, filme de 1987, de Louis Malle

Nas memórias de menino do cineasta Louis Malle durante a França ocupada pela Alemanha nazista na II Guerra Mundial: “Au revoir, les enfants”. Desde que eles nos acenem de volta, dentro de nós, agora como “mortalmente imortais”, como bem frisou Gilberto Gil após ser empossado na Academia Brasileira de Letras. Em paralelo tão óbvio quanto verdadeiro, e ao diabo com as proporções devidas: não creio que a posse de Adriano na Academia Campista de Letras represente menos.

Se não me falha a memória, foi mais ou menos na época daquele samba fraterno e confessional na Mocidade Louca, que quis tentar incluir outro poema de Adriano, “Com quantas conchas se faz um verso”, no espetáculo “Pontal”, concebido pelo genial teatrólogo e poeta Antonio Roberto de Gois Cavalcanti, o eterno Kapi. Mas Kapi já tinha morrido e o grande ator Yve Carvalho, hoje também saudoso, tinha assumido a direção da peça. Que é arquitetada em poemas meus, de Kapi, de Artur Gomes e de Adriana Medeiros, sobre Atafona ou nela ambientados, como se fossem causos contados entre pescadores.

 

Antônio Roberto de Gois Cavalcanti, o Kapi (Foto: César Ferreira)

 

Yve Carvalho na primeira montagem de “Pontal”, no verão de 2010, no Pontal de Atafona (Foto: Diomarcelo Pessanha)

Mesmo depois de ter encenado e protagonizado “Meu querido diário”, monólogo de Adriano, em montagem dirigida por Kapi no Teatro de Bolso, Yve sempre implicou com o acréscimo do trabalho do poeta em “Pontal”. Nunca perguntei a ele, mas sempre desconfiei que por motivos mais pessoais do que literários ou teatrais. Como reza o vero dito popular: “Dois bicudos não se beijam”.

Capa de “Liquidifica(dor) — Poesia para vita mina”, primeiro livro de Adriano, de 2007

Gostaria de dizer também os versos de Adriano em “Com quantas conchas se faz um verso”, que também sempre me impactaram em seu lirismo marinho. E foram publicados em seu primeiro livro de poemas, “Liquidifica(dor) — Poesia para vita mina”, pela Imprimatur, em 2007, cujo orelha tive a honra de escrever, com prefácio da grande Analice.

Com as bênçãos e o perdão de Yve, como o de vocês por não ter um milésimo do talento dele para interpretar:

 

Com quantas conchas se faz um verso

 

Apanhar palavras no vento

É como ouvir os segredos do mar

Nas conchas dos caramujos,

São notas perdidas no tempo

À espera de composição.

 

Palavras cato no vento

Que não me lança contra rochedos em dias de fúria

Mas segredos….

Não há como os do mar!

 

Então eu ouço os segredos de um,

Colho palavras do outro

E conto para o mundo:

Eis minha infidelidade.

 

Queria aventurar-me a maiores turbulências

Mas sou poeta de horas vagas e concursos literários,

Subtraído pelos livros de ponto

E prestações de conta.

 

Deito à tranquilidade das brisas

E guio o leme dos meus versos.

Vez em quando cato uma concha das grandes

E fico sentindo saudade do Ulisses que não fui.

 

O vento sabe da minha preferência pelo mar,

Por isso em dia de fúria

Varre todos os caramujos de minha margem.

 

João Cabral de Melo Neto

Com o passar dos anos e o aprofundamento da amizade, muitos caramujos ficaram em nossas margens, nessa afluência entre dois rios diferentes que correm para desvendar os segredos do mesmo mar. Como o Capibaribe de João Cabral de Melo Neto, meu capitão, e o nosso Paraíba do Sul. Que emblematicamente separa as origens de Adriano, criado em Travessão, e as de muita gente aqui, criada como eu na margem socialmente mais generosa do rio que corta e muitas vezes segrega a nossa aldeia. Entre cães com e sem plumas. Como ocorre em todo esse Brasil entre Euclides e Conselheiros de volta ao mapa da fome. E novamente governado, com a devida licença poética a Renato Russo, por “generais de 10 estrelas/ Que ficam atrás da mesa com o cu na mão”. Como “Os cus de Judas” do escritor e psiquiatra português António Lobo Antunes, na lusofonia tão cara ao literato, professor e pesquisador Adriano.

Castro Alves

Pude acompanhar o crescimento de Adriano como literato e autor. No auge da pandemia da Covid, que tirou no Brasil 680 mil vidas humanas, 400 mil delas de forma absolutamente desnecessária, lembro que estava em Atafona, minha “musa libérrima, audaz”, como a dos versos de Castro Alves em “O Navio Negreiro”. E de ter ficado orgulhoso como num jogo do Brasil na Copa do Mundo do Qatar, ao acompanhar pela live da internet a defesa de Adriano da sua tese de doutorado pela Universidade Federal de Juiz de Fora: “Romance nação e devires identitários em literaturas de língua portuguesa: Angola e Portugal”.

Era o verão de 2021. E quando acabou, após os elogios rasgados da bancada, como depois de uma goleada conquistada em exibição de gala do seu time de futebol, abri uma cerveja para comemorar com o vento nordeste de Atafona.

Adriano conheceu a poesia quando aluno do IFF, então ainda Escola Técnica Federal de Campos, com o vulcânico Artur Gomes. Como ele cursava à época Instrumentação Industrial, perdeu a indústria e ganhou a literatura. Adriano é um dos sete filhos de dona Juracy de Moura Guimarães, que cortou cana e criou muito bem a todos, colocando dois na faculdade. Adriano é o Brasil de verdade, da periferia, impresso com melanina na pele. Não teve, como eu e muitos aqui, a facilidade de quem se interessou por literatura e pôde puxar Machado de Assis ou Fernando Pessoa da estante de casa. Coube só a ele encurtar seu caminho mais longo. E, em muitos sentidos, nos ultrapassar.

Capa de “Otelo, o Mouro de Veneza, de William Shakespeare

No particular, o trato de Das Mouras. Além da brincadeira fonética com o sobrenome herdado da mãe, é uma maneira também de lembrar de “Otelo, o Mouro de Veneza”. Maior personagem preta da dramaturgia ocidental, é uma maneira de reconhecer que, Desdemonas e Iagos à parte, a tal meritocracia continua condenando a um fim trágico quem nasce com pele negra e na periferia, em um mundo ainda dominado por brancos. Com sua vida e seus versos, Adriano de uma certa maneira reescreveu Shakespeare.

Capa de “Gertrudes e Cláudio”, de John Upidke, em ousada revisão de “Hamlet”

Nessa tarefa nada fácil, termino com um poema de Adriano ainda não publicado em livro. E que, quero crer, tenha sido influenciado pela leitura dele de “Gertrudes e Cláudio”, do escritor estadunidense John Updike, com o qual o presenteei em um seu aniversário. E que ousa revisar o bardo, transformando Hamlet em menino mimado, contrariado com o amor verdadeiro entre sua mãe e seu tio paterno. Sentados nos tronos da Dinamarca como as órbitas vazias do crânio do bobo Yorick:

 

Infância de Hamlet

 

Ser ou não ser

não é a questão.

Tem de ser.

Entre nascer e morrer,

o intervalo:

onde estão tuas brincadeiras agora, Yorick?

quando recordo que devo morrer,

brinco pra não ser o crânio

com saudade.

 

Capa da Folha da Manhã de 2 de julho de 2006 dispensou título, chamada ou legenda para contar o França 1 a 0 Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo na Alemanha

Adriano nasceu em 1972, o mesmo que eu, completando meio século neste ano da Graça de 2022. Brinco com ele que, como foi o mesmo ano de nascimento do ex-craque francês de origem argelina Zinédide Zidane, nossa safra não foi das piores. Em tempo de Copa do Mundo, tão comum quanto lembrar dos seus vencedores do passado, como foi Zidane, é lembrar também dos grandes craques que não a conquistaram. Do húngaro Ferenc Puskás, ao holandês Johan Cruijff, ao brasileiro Zico, a lista não é pequena. Como não são poucos os seus fãs no mundo a sentenciar que, sem tê-los como campeões, perderam a Copa e o futebol.

Quando entrei nesta Casa, em 22 de outubro de 2018, disse em meu discurso de posse que entendia o estar fazendo em nome também da minha geração. Quando citei Adriano e Analice como expoentes meus contemporâneos nas letras de Campos que entendia e entendo que também deveriam integrá-la. Agora com Adriano, na pavimentação do caminho à Luluzinha desse clube de Bolinhas cinquentões e fugazmente imortalizados, a Academia Campista de Letras faz justiça ao seu nome. Quem ganha hoje não é Adriano. Com o seu reforço, quem bate um bolão é a ACL.

 

Após a posse de Adriano Moura, o público se juntou aos acadêmicos da ACL para receber o seu novo membro (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

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Brasil baila entre a Coreia de Son e a Croácia de Modric

 

Vini Jr, Raphinha, Lucas Paquetá e Neymar bailaram no Qatar após os quatro gols marcados na segunda para despachar a Coreia do Sul (Foto: Carl Recine/Reuters)

 

Maestro da Croácia e do Real Madrid, Modric foi eleito o melhor jogador de futebol do planeta em 2018, após levar o seu país à final da Copa do Mundo com a França

O Brasil arrasador que goleou a Coreia do Sul por 4 a 0 no primeiro tempo, ou o time burocrático que tomou um gol e não marcou nenhum do segundo tempo, encerrado em 4 a 1? Esta é a pergunta cuja resposta definirá as quartas de final em que a Seleção Brasileira encarará a Croácia nesta sexta (9) , ao meio-dia de Brasília, no estádio Cidade da Educação, na Copa do Mundo do Qatar. Cujo resultado terá outro elemento aparentemente contraditório na equação. Baixinho, franzino e narigudo, o maestro croata Modric não tem força física, explosão ou velocidade. Mas só com base na inteligência e na técnica, ele é, aos 37 anos, um dos maiores meias da história do futebol. E brilhou recentemente na conquista da Champions como maestro também no Real Madrid, ao lado dos brasileiros Vini Jr, Éder Militão e Rodrygo.

RAIO CAIU DUAS VEZES — Na disputa das oitavas de segunda (5), no Estádio 974, o dito popular “um raio não cai duas vezes no mesmo lugar” teve exceção na formação que o técnico português da Coreia do Sul, Paulo Bento, levou a campo para enfrentar o Brasil. Do qual já tinha levado de 5 a 1, no amistoso disputado em 2 de junho deste ano em Seul, capital sul-coreana, após assumidamente tentar enfrentar o único pentacampeão mundial de futebol de igual para igual. Aparentemente, ele não aprendeu a lição. E, contra a força do mesmo adversário, no lugar da equipe retrancada que se esperava na disputa de um jogo oficial e eliminatório de Copa do Mundo, armou um time preparado para também agredir, com o ataque comandado pelo craque Son e o centroavante Cho. Para quem esperava repetir a fórmula e obter algo diferente, o resultado saiu muito parecido. E, após tomar de 4 a 1 e ser eliminado do Qatar, Bento se demitiu.

GOL DE VINI JR — O motivo da demissão do treinador luso da Coreia do Sul mostrou seu cartão de visitas logo aos 6 minutos de jogo. Após triangulação com Lucas Paquetá, em boa jogada de Raphinha pela direita, ele cruzou. A bola passou por Neymar na entrada da pequena área, mas acabou nos pés de Vini Jr na esquerda. Mesmo com quatro jogadores coreanos entre ele e o gol, o jovem atacante teve calma e categoria para colocar com categoria, com a parte interna do pé direito, no canto oposto das redes. O atacante titular do Real Madrid e da Seleção Brasileira desencantou no Qatar, marcou seu primeiro gol na Copa e abriu a porteira à boiada que passaria depois.

GOL DE NEYMAR — Quatro minutos depois, aos 10 do primeiro tempo, Vini Jr tentou cruzar da esquerda. A bola foi prensada pela zaga coreana e Richarlison mostrou a malandragem, no bom sentido, que destaca os grandes atacantes dos meramente normais. Ao antever que o volante Jung iria espanar a bola rebatida em sua área com um chutão, o centroavante brasileiro correu para se colocar entre a ação do adversário e a bola, sofrendo o pênalti, na frente do bom árbitro francês Clément Turpin. Dono do time e também precisando desencantar numa Copa em que seus parceiros do PSG Mbappé e Messi têm brilhado, o camisa 10 do Brasil bateu com paradinha e colocou no canto esquerdo do goleiro Kim para marcar gols em três Mundiais.

“GOL” DE ALISSON — Aos 16 minutos, após ter sido um mero espectador das vitórias de 2 a 0 sobre a Sérvia e de 1 a 0 sobre a Suíça, e de ter assistido do banco a derrota de 0 a 1 para Camarões, Alisson provou porque é titular do Liverpool e considerado um dos melhores goleiros do mundo. Ele espalmou pela linha de fundo o belo chute de fora da área do atacante Hwang, que iria morrer no ângulo esquerdo do gol brasileiro.

GOL DE RICHARLISON — Aos 28 minutos, se deu o lance mais marcante do jogo, tanto pela habilidade individual que o iniciou, como pela virtude coletiva e polivalente da sua linha de passe. Após uma bola ser rebatida de cabeça, Richarlison a disputou e ganhou com o “drible da foca”, que depois de segunda pode passar a se chamar “drible do Pombo”, apelido do atacante. Com três toques malabaristas de cabeça, ele driblou um coreano, depois outro com os pés e passou a Marquinhos. Como faz diante da área de defesa, ele passou diante da área de ataque ao colega de zaga, Thiago Silva. Com a categoria de meia, não de zagueiro, ele enfiou ao ambidestro Richarlison, que matou de direita e bateu de canhota para fazer 3 a 0. Após correr para comemorar com o banco, até o técnico Tite entrou na “dança do Pombo”.

 

 

GOL DE PAQUETÁ — A tampa do caixão da Coreia do Sul e a demissão do seu técnico seriam seladas aos 35 minutos de jogo, em outra bela linha de passe. Na transição rápida do contra-ataque que deveria a ser arma adversária, também se apresentou no arsenal brasileiro. Richarlison serviu à corrida de Neymar pela esquerda, que serviu adiante a Vini Jr. Como nos tempos das divisões de base do Flamengo, em que ambos foram formados, o atacante deu uma bofetada na bola para levantar da esquerda da área à penetração de Lucas Paquetá. Em sua primeira grande exibição no Qatar, o meia canhoto bateu de primeira com a perna direita para fazer 4 a 0. E se pôs a bailar diante do mundo, como ele, Neymar, Vini Jr e Raphinha, todos também com boas atuações com a bola, fizeram após os gols brasileiros.

 

 

FAVORITO CONTRA A CROÁCIA — Com sua classificação garantida, a atuação burocrática da Seleção Brasileira no segundo tempo, com o gol de honra sul-coreano marcado em belo chute fora da área do meia Paik, pode ser até justificada. Mas, mesmo com as várias tentativas de Raphinha de também fazer seu primeiro gol no Qatar, não deixou de ser um anticlímax à exibição exuberante da primeira etapa. Com seu time classificado após a disputa de pênaltis contra o Japão, o técnico da Croácia, Zlatko Dalic, disse em coletiva após o Brasil ser definido como seu adversário nas quartas de final de sexta:

— Olhando realisticamente, o Brasil é o melhor time da Copa do Mundo. Eles têm um time brilhante, um grande elenco, é aterrorizante. Estão jogando um futebol aberto, ofensivo, possuem muita qualidade, velocidade, então temos que nos preparar bem. Não temos medo. Vamos jogar contra o Brasil numa Copa do Mundo… Não fica melhor do que isso. Claro que queremos chegar à final, estamos pensando nisso, então não vamos nos render antes do jogo começar, obviamente. Queremos jogar futebol e enfrentar o Brasil.

DESAFIO SEM FAVORITO SÓ NA SEMIFINAL — Jogar e deixar jogar, característica da Croácia como maior herdeira da escola de futebol clássico da antiga Iugoslávia, é o problema que Dalic tem até sexta para resolver. Com seu favoritismo admitido pelo treinador adversário, só se o Brasil conseguir confirmá-lo dentro do campo sobre a atual vice-campeã do mundo, irá se credenciar ao seu primeiro desafio sem favoritos na semifinal de terça (12), contra o vencedor de Argentina e Holanda, que disputam as quartas às 16h também na sexta.

A DANÇA — Até lá, além da goleada sobre a Coreia do Sul, o assunto é a dança dos jogadores brasileiros após os gols. Que foi alvo de crítica do ex-jogador da Irlanda e do Manchester United, Roy Keane, que considerou a repetição das coreografias como “desrespeitosa”. Outro ex-jogador, que marcou a seleção dos EUA na Copa de 1994 sediada naquele país, eliminada em um duríssimo jogo com o Brasil nas oitavas de final daquele Mundial, definido no passe de Romário para Bebeto, Alexis Lalas inverteu o jogo:

— Se você é alguém por aí que resmunga sobre jogadores de futebol dançando depois de marcar um gol ou sobre jogadores de futebol brasileiros dançando depois de marcar um gol, tenho um conceito equivocado sobre espírito esportivo em uma Copa do Mundo. Sinto pena de você, sinto muito pela vida que você leva, que não tem alegria, nem amor, nem paixão.

REI NEGRO E BRASILEIRO DO FUTEBOL DO MUNDO — O irlandês Keane, não o atacante da Inglaterra Harry Kane, deve conhecer o Maracanã. Mas provavelmente nunca leu a grande obra do jornalista Mário Filho, que batiza o maior estádio do mundo, “O Negro no Futebol Brasileiro”. Que foi muito bem representada na homenagem dos jogadores brasileiros a Pelé, internado por conta de um câncer, após a goleada sobre a Coreia do Sul. E seria melhor resumida por outro jornalista, Pedro Bassan, no Jornal Nacional de segunda, após a Seleção Brasileira garantir sua classificação às quartas de sexta no Qatar: “O Brasil não dança porque faz gols, o Brasil faz gols porque dança”.

 

Página 8 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Brasil titular com Neymar encara Coreia do Sul no contra-ataque

 

Neymar volta com titulares ao Brasil, que pega a Coreia do Sul do atacante Son (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Como adiantado na manhã de ontem pela Folha, para encarar a Coreia do Sul pelas oitavas da Copa do Mundo do Qatar, o Brasil entra em campo às 16h de hoje, no 974 Stadium, com: Alisson; Éder Militão, Thiago Silva, Marquinhos e Danilo; Casemiro, Lucas Paquetá e Neymar; Raphinha, Richalison e Vini Jr. No último confronto entre as duas seleções, no amistoso em 2 de junho deste ano preparatório ao Qatar, o Brasil deu uma goleada de 5 a 1 nos sul-coreanos.

Além da volta dos titulares, após a derrota dos reservas por 0 a 1 contra Camarões, no último jogo da fase de grupos, a grande novidade é o retorno ao time de Neymar e do lateral-direito Danilo. Os dois se contundiram no jogo de estreia do Brasil na Copa, na vitória de 2 a 0 sobre a Sérvia. A contusão também do lateral-esquerdo titular Alex Sandro na vitória de 1 a 0 sobre a Suíça, e do reserva Alex Telles na derrota para Camarões, fez com que Danilo volte ao time adaptado à lateral-esquerda. Na direita, o técnico Tite vai manter o zagueiro Militão, também adaptado. Com contusões mais graves, Alex Telles e o atacante Gabriel Jesus não jogam mais no Qatar.

Antes da goleada brasileira no amistoso de junho, o técnico português da Coreia do Sul, Paulo Bento, declarou que iria jogar com o Brasil de igual para igual. Eel bem que tentou, mas abriu espaços para levar os cinco gols e só marcar um. Hoje, em jogo oficial e elimintório de Copa do Mundo, não cometerá o mesmo erro. Armará seu time fechado na defesa, tentando explorar os contra-ataques, sobretudo com seu hábil e veloz atacante Son.

Destaque do inglês Tottenham na Premier League, no mais disputado campeonato nacional de clubes do mundo, Son é parceiro de ataque de outras estrelas, como o centroavante Harry Kane, centroavante e líder da Inglaterra, e do centroavante brasileiro Richarlison. Ele é considerado o maior jogador da Ásia em todos os tempos. E fez uma jogada de craque selar a virada de 2 a 1 sobre Portugal, que deu a vaga nas oitavas à Coreia do Sul. Que, como Thiago Silva bem observou na coletiva de ontem, tem também como destaque o volante Hwang. Jogador do Olimpiacos, da Grécia, ele é o maestro da sua seleção no meio de campo.

Por sua vez, vindo de contusão, Neymar não volta ao time com 100% das sua condições físicas. E não deve jogar todos os 90 minutos da partida, que pode ir à prorrogação e disputa de pênaltis, em caso de empate. Com a ajuda da arbitragem, que não deve se repetir hoje, a Coreia do Sul foi a 4ª colocada na Copa do Mundo de 2002, que sediou junto com o Japão. E, há 20 anos, teve o Brasil dos craques Ronaldo Fenômeno e Rivaldo como campeão.

 

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Brasil titular de volta contra Coreia do Sul no Folha no Ar desta 2ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A empresária e atleta de futevôlei Bianca Inojosa e o radialista José Vitor Silva são os convidados para abrir a semana do Folha no Ar nesta segunda (5), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Será algumas horas antes da Seleção Brasileira entrar em campo, no 974 Stadium do Qatar, na disputa das oitavas de final da Copa do Mundo contra a Coreia do Sul.

Os dois convidados analisarão como o Brasil estreará contra a seleção asiática na fase eliminatória do Mundial, com o retorno anunciado hoje do atacante Neymar e do lateral-direito titular Danilo (que deve voltar adaptado à lateral-esquerda), ausentes por contusão na derrota por 0 a 1 do time brasileiro reserva para Camarões, no terceiro e último jogo da fase de grupos.

Bianca e José Vitor também avaliarão os principais favoritos e zebras até aqui da Copa do Mundo no Qatar, assim como os jogos das oitavas concluídos e ainda à frente. Também projetarão os confrontos da fase seguinte, nas quartas de final.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Neymar e Danilo de volta ao Brasil contra a Coreia do Sul

 

Tite e Thiago Silva na coletiva do Qatar nesta manhã brasileira

 

Neymar de volta ao time nesta segunda, no jogo eliminatório das oitavas da Copa do Mundo contra a Coreia do Sul. Foi o que o técnico Tite adiantou agora, em coletiva no Qatar ao lado do zagueiro e capitão Thiago Silva. Ele também revelou que o lateral-direito titular Danilo retorna ao time. Ele e Neymar se contundiram na vitória de estreia de 2 a 0 contra a Sérvia. E ficaram de fora dos jogos seguintes: 1 a 0 contra a Suíça e a derrota por 0 a 1 para Camarões. O treinador brasileiro só ressalvou que Neymar terá que treinar na tarde hoje sem sentir nada, para entrar jogando na segunda.

Embora Tite não tenha dado a escalação, o Brasil deve entrar em campo nesta segunda com Alisson no gol, o zagueiro Éder Militão mais uma vez na lateral-direita, Thiago Silva e Marquinhos na zaga, e Danilo adaptado à lateral-esquerda; o titular indiscutível Casemiro como primeiro volante, Lucas Paquetá como segundo volante e Neymar como meia de ligação; com Raphinha como extrema na direita, Richarlison de centroavante e Vini Jr na esquerda ataque.

Além de Neymar e Danilo, aparentemente recuperados fisicamente, pelo menos de maneira parcial, outras contusões têm assombrado a Seleção Brasileira. Titular da lateral-esquerda, Alex Sandro ainda não voltará contra a Coreia do Sul, como Tite também adiantou hoje. Seu reserva, Alex Telles se machucou contra Camarões, assim como o atacante Gabriel Jesus. Os dois jogadores não voltarão a jogar nesta Copa do Mundo e já foram liberados a regressar aos seus clubes.

 

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Antes da Coreia do Sul, Brasil engasga com Camarões

 

Aboubakar corre após vencer o goleiro Ederson, a quem deslocou cabeceando em seu contrapé, e a marcação de Militão para escrever a primeira vitória de uma seleção africana sobe o Brasil na história das Copas (Foto: Fifa/Divulgação)

 

“Fica a lição”. Foi o que disse o veterano lateral-direito Daniel Alves, o mais velho jogador a atuar pela Seleção Brasileira em um Mundial de futebol, aos 39 anos, ao final do jogo de ontem no Lusail Stadium, vencido por 1 a 0 por Camarões, gol do atacante Aboubakar nos acréscimos. Concluída a fase de grupos da Copa do Mundo do Qatar, apesar da derrota, o Brasil ficou em primeiro lugar no Grupo G. Agora na fase de matar ou morrer, tem encontro marcado às 16h de Brasília desta segunda (5). Encara nas oitavas a Coreia do Sul, segunda colocada do Grupo H, após vencer ontem de virada por 2 a 1 a Portugal. Que, como o time de Tite, a França na quarta (30) e a Espanha na quinta (1), escalaram reservas no último jogo da fase de grupos. A lição? Todos perderam para seleções consideradas tecnicamente inferiores.

PAREDÃO AFRICANO — No primeiro tempo do jogo de ontem, o Brasil teve duas claras chances de gol, ambas com o atacante Gabriel Martinelli. Aos 13 minutos, ele recebeu o bom cruzamento da direita do volante Fred, que cabeceou com perigo perto da trave oposta e obrigou o goleiro Epassy a fazer grande defesa. Seria a primeira de outras. Aos 45, após uma bola alta rebatida de cabeça pela zaga africana, Martinelli pegou a sobra, driblou um marcador e passou por outros dois, em linha horizontal diante da área, até achar ângulo para o chute forte de perna direita. Que parou em outra defesa salvadora do goleiro de Camarões.

PRIMEIRA DEFESA DE GOLEIRO DO BRASIL NO QATAR — Dois minutos depois, aos 47 da primeira etapa, o atacante Choupo-Moting driblou Daniel Alves e cruzou da esquerda uma bola que passou pela defesa brasileira, para encontrar o atacante Mbeumo na trave oposta. Sem marcação, ele cabeceou para o chão, como manda o figurino. Após ela quicar e subir, só não entrou por conta da intervenção de grande reflexo de Ederson. Coube ao reserva de um Alisson pouco acionado nas vitórias sobre a Sérvia e a Suíça fazer contra Camarões a primeira defesa difícil de um goleiro do Brasil na Copa do Mundo do Qatar. Mas ele também teria que fazer outras.

CARTÃO DE VISITAS — No segundo tempo, logo aos 5 minutos, Aboubakar apresentaria seu cartão de visitas. Numa bola cruzada da esquerda do ataque e rebatida pela zaga brasileira, ele recebeu o passe na direita da área e chutou cruzado. Ederson pulou, mas não tocou na bola, que saiu pela linha de fundo rente à trave oposta.

SEM LATERAL ESQUERDO CONTRA A COREIA — Dois minutos depois, aos 7, a maior preocupação do Brasil para o jogo contra a Coréia do Sul: o lateral esquerdo Alex Telles saiu de campo chorando. Ele havia caído em lance anterior de mau jeito e sentiu uma contusão no joelho direito. Como havia substituído o titular Alex Sandro, que teve lesão no quadril no jogo contra a Suíça, se nenhum dos dois tiver condições físicas de retornar até segunda, o Brasil terá que adaptar alguém na posição. Contra Camarões, a solução foi colocar o zagueiro Marquinhos, zagueiro titular que seria poupado.

 

O lateral esquerdo Alex Telles, que tinha substituído o titular Alex Sandro após contusão no quadril contra a Suíça, sai de campo chorando contra Camarões, sentindo contusão no joelho direito (Foto: Julian Finney/Getty Images)

 

EPASSY É O NOME — Dentro do campo, o jogo continuou. Aos 10 minutos, após receber uma bola enfiada pela esquerda, em contra-ataque, Martinelli entrou pela área, fintou o marcador e bateu de perna direita, obrigando Epassy a outra grande defesa, espalmando por cima do travessão. Um minuto depois, aos 11, após cobrança de escanteio da direita, a bola foi rebatida e novamente cruzada à área por Everton Ribeiro, que havia entrado na segunda etapa. E encontrou o volante Bruno Guimarães, outro que tinha entrado fresco, para chutar dentro da área à defesa em dois tempos de Epassy.

ABOUBAKAR É O NOME — Após o Brasil pôr o goleiro de Camarões para trabalhar, foi a vez de Ederson. Aos 32 minutos, ele caiu para defender um chute do meia Ntcham, de fora da área. No primeiro minuto dos descontos, num contra-ataque africano, em bola cruzada da direita para a área, Aboubakar apareceu em penetração pela área para marcar de cabeça. Se já tinha cartão amarelo e tomou outro por tirar a camisa na comemoração, sendo expulso, ele impôs o único gol tomado pela Seleção Brasileira e sua primeira derrota neste Mundial, primeira também para uma seleção africana na história das Copas.

A REGRA DO QATAR — Até a última rodada da fase de grupos, apenas França, Portugal e Brasil tinham vencido seus dois primeiros jogos na Copa do Mundo. E, após colocarem reservas no lugar dos titulares, todos perderam o terceiro confronto e ganharam de brinde a lição. Assim como Tite, que colocou em campo 25 dos 26 jogadores que levou ao Qatar. Incluído o centroavante Pedro, tão pedido pela torcida do Flamengo, que ontem entrou e não alterou o placar.

PAIXÃO, RAZÃO E JUSTIÇA — Numa partida em que a Seleção Brasileira concluiu 21 vezes a gol, contra sete de Camarões, o torcedor mais apaixonado pode alegar que a primeira mereceu vencer. Tanto que o goleiro Epassy foi eleito ontem o melhor em campo. Antes das oitavas na segunda, quando o Brasil encara a Coreia do Sul do habilidoso atacante Son (Tottenham), o torcedor mais pragmático só faria a ressalva: o futebol, como a vida, não é um ato de justiça. E por isso gera tanta paixão.

SALTO ALTO NO DESERTO DAS ZEBRAS — Com a Alemanha e Bélgica já a caminho de casa em 2022, após terem eliminado o Brasil, respectivamente, em 2014 e 2018, o único país pentacampeão mundial de futebol segue entre os favoritos ao título. Assim como França, Inglaterra, Espanha e Argentina. Mas para uma seleção que não vence uma europeia em jogo eliminatório de Copa do Mundo há 20 anos, a lição do Qatar é didática: o salto alto tende a afundar no deserto das zebras.

 

Página 12 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Adriano Moura — “atafona/convivência” no sábado da ACL

 

A nova Revista da Academia Campista de Letras (ACL) foi lançada em 8 de novembro na 11ª Bienal do Livro de Campos. Que traz o poema “atafona/convivência”, escolhido após convite do presidente da ACL, Christiano Freitas, para honrosamente colaborar na publicação. Impossibilitado de estar no lançamento, escrevo para convidar ao seu relançamento, às 17h deste sábado (3), na sede da ACL no Jardim São Benedito.

Como a mesma ACL terá às 19h desta terça (6) a posse do seu novo membro eleito, Adriano Moura, poeta, dramaturgo e professor de Língua Portuguesa e Literatura do IFF. A quem pedi uma análise do poema. Que segue abaixo, entre o testemunho da gênese de “atafona/convivência” e do próprio:

 

Homem e cães na ponto da antiga ilha da Convivência, na foz que sobrou ao rio Paraíba do Sul, em 6 de junho de 2020 (Foto: Ícaro Barbosa)

 

Atafona é a praia da minha primeira infância, nos anos 1970. Essa convivência se espraiaria por adolescência, juventude e idade madura. Nesta última transição, seria seu morador por uma década, entre meados dos anos 1990 e 2000, em tempos ainda pré-Porto do Açu. Aquela mutável faixa de areia entre o Paraíba do Sul e Atlântico, com mar castanho nos meus olhos e muxuangos de olhos azuis, de tempo regido por ventos e marés, foi lar após sair da casa dos pais. E, como esta, a primeira casa de suserania própria ninguém esquece.

Para quem vinha de vida urbana até os 22 anos, Atafona seria também escola empírica. De como o passar do tempo geológico, geralmente lento à brevidade de uma vida humana, pode ser acelerado à percepção do passar de meses. Em cada novo avanço do mar, casa derrubada, memória submersa, com a perda da força do rio e seus tendões cortados pela ação do homem. Transformada em cotidiano, a observação da natureza e seus sinais, para neles antever dias de sol ou chuva, passaria a ser tão acessível quanto o boletim meteorológico do IPhone — antes que este existisse.

Após voltar a morar em Campos, esse cordão umbilical com Atafona não foi cortado. Final de semana sim, final de semana não e às vezes também, o pouso ali permeneceu certo. Como as férias, que passaram a ser tiradas em março, mês ainda de sol forte e praia já estiada de veranistas. Foi assim naquele verão de 2021, quando a boca da barra do Paraíba fechada alongou a caminhada à beira-mar, até a antiga ilha da Convivência. E sua repetição diária, sempre à maré baixa e à companhia de um cão, gerou versos. Feitos para registrar visões e visagens de um cenário cuja metamorfose era a única certeza.

Um ano depois do poema, veio o convite para colaborar como confrade à Revista da ACL, na forma de livro, em comemoração aos 83 anos da instituição. Seu presidente, Christiano Freitas estava animado com a participação também do poeta carioca Antonio Carlos Secchin, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). E considerado grande especialista na obra de João Cabral de Melo Neto, poeta maior de Pernambuco. O que, de certa maneira, determinou a escolha de “atafona/convivência”.

Dois foram os motivos. O primeiro, resumido numa das sentenças mais conhecidas de Tolstói véio de guerra — e paz: “Se queres ser universal, canta a tua aldeia”. O segundo? Por ser todo o poema composto em quadras e linguagem seca, como o rio da aldeia asfixiado com areia na boca, o contexto da assumida influência cabralina seria melhor traduzida em versos posteriores: “capibaribe ao paraíba do sul/ canavial de vidas/ severinas sob céu azul/ dois rios a caminho do mesmo mar”.

Abaixo, antes do poema, sua análise pelo Adriano Moura:

 

Rio Paraíba do Sul, que formou e abastace de água toda a planície goitacá, com sua foz fechada entre o Pontal de Atafona e a antiga ilha da Convivência (Foto: Divulgação)

  

Adriano Moura, poeta, dramaturgo, professor de Literatura do IFF e novo membro da ACL

Nos intertextos da memória em “atafona/convivência” de Aluysio Abreu Barbosa

Por Adriano Moura

 

Segundo a poética clássica, a literatura se dividia em três gêneros: lírico, dramático e épico, todos escritos em versos. O primeiro marcado por uma poesia na qual prevalecia a subjetividade de um eu cujos sentimentos e o mundo a sua volta fundiam-se. O segundo era o texto escrito para a encenação eternizando clássicos como Édipo Rei e Antígona; o terceiro, uma poesia narrativa, em torno da figura de um herói capaz de feitos extraordinários, sendo epopeias como Ilíada e Odisseia as principais representantes do gênero no Ocidente. O romance, no entanto, tirou das epopeias o protagonismo da arte de narrar, tornando-se o recurso principal dos que pretendiam, em prosa, contar histórias em vez de expressar sentimentos e visões pessoais acerca do mundo em versos. O conto, outro texto originário do épico, também se popularizou na propagação de pequenas narrativas. Porém a literatura contemporânea há muito desafia a fronteira dos gêneros e tipologias textuais, hibridizando estilos, formas e linguagens.

“atafona/convivência”, de Aluysio Abreu Barbosa, é um poema narrativo que, embora não se possa chamar de epopeia, assume em versos a arte narrar, levando o leitor a uma viagem entre a praia de Atafona e a ilha da Convivência (em São João da Barra, cidade litorânea do interior do Rio de Janeiro) sob o olhar de um narrador, “escravo da maré vazante”,  poeta que, acompanhado de um cão, fotografa em palavras seu percurso em meio a memórias que emergem das imagens evocadas pelas ruínas de prédios, vítimas do mar, que avança sobre o território que sempre lhe pertencera, mas ocupado pelos seres humanos, desconhecedores da necessidade que a natureza tem de tomar o que é seu.

Leio o poema de Aluysio a partir de suas perspectivas intertextuais e memorialísticas. Alusivo, o texto remete a figuras da literatura, do cinema e de moradores conhecidos do cenário da praia, cujas ruas e construções mais próximas do mar foram reduzidas a ruínas. O poeta constrói sua pequena “epopeia” com uma sucessão de trinta e três quadras independentes entre si, mas integradas à unidade temática conferida pela habilidade do autor em tecer seu painel de imagens no decorrer da viagem:

 

“escravo da maré vazante

saía desta uma hora antes

de atafona à convivência

na areia entre rio e oceano

 

noite ainda quando partiu

negro como o dorso do cão

mar enrubescia a cada onda

sol que paria em contração

 

tijolos redivivos no caminho

não levavam ao mágico de oz

mas às visões hoje submersas

do paraíba caolho de foz”

 

O rio Paraíba do Sul é o poeta caolho, alusão a Luís de Camões, autor de Os lusíadas, epopeia que narra a viagem portuguesa a caminho das Índias liderada por Vasco da Gama. No poema épico, o oceano não assistiu impassível à aventura humana, assim como não o fizeram o rio e o mar na praia sanjoanense.  O efeito madeleine, como se pode definir o elemento catalizador de signos escondidos nos escombros da memória, metáfora eternizada por Marcel Proust no primeiro volume de “Em busca do tempo perdido”, se manifesta no poema pelas carcaças de bichos e concretos que permitem ao narrador poeta pôr em desfile as imagens de uma Atafona cada vez mais sucumbida à memória. “No caminho de Swan”, do clássico francês, evoca-se a memória da infância do narrador, que percebe a inutilidade de recuperação do passado, sendo possível no máximo captá-lo nos vestígios de objetos do presente, como ocorre na estrofe seguinte do poema:

 

“dos fundos do clube demolido

fugiam os carnavais passados

mergulho sem tirar a fantasia

de cara na piscina partida”

 

A memória evoca, portanto, desde o prédio do clube que abrigou bailes de carnaval frequentados por veranistas à figura de Neivaldo, morador e dono de um bar que se situava à beira mar, tragado pelas ondas assim como talvez tenha sido, possivelmente, seu habitante, cujo desaparecimento é ainda um mistério, alçando-o à categoria de lenda contemporânea:

 

“refluxo natural dos destroços

ou entidade tentando contato?

com um pouco de sorte, iemanjá

menos, o lamparão do neivaldo”

 

O narrador poeta assume sua condição de testemunha do passado que vai se deslindando enquanto caminha pelos escombros, “na areia entre rio e oceano” e como ele se presentifica, já que o presente pode ser, às vezes, o futuro de um pretérito. O crítico literário e teórico Márcio Seligman-Silva nos escreve que “a memória é uma arte do presente, mas também a relação entre memória e a catástrofe, entre memória e morte, desabamento”, e que a arte da memória é também uma leitura de cicatrizes. Quase morador de Atafona, pode-se afirmar que Aluysio testemunhou as mudanças sofridas na paisagem natural e humana, desde os tempos em que a praia era referência para o turismo da região até o momento em que suas casas, bares e hotéis começaram a ser tragados pelos olhos de ressaca dessa Capitu oceânica que é o mar:

 

“testemunho dessas histórias

de atafona à convivência

na areia entre rio e oceano

onde homem deságua cão”

 

A natureza se manifesta no poema de forma viva, não moldura para as ações ou sentimentos humanos típicos de uma lírica romântica. O peso da barra fechada que, mesmo “sem ser cristo”, o poeta atravessa em “cruzada a pé”, o conduz ao vislumbre do anum galego que “levou o camaleão pelo gogó/suspenso no ar em rapina”, além de peixes pequenos que “exibiam vida aos passantes”, numa demonstração de como a existência dos seres não humanos pode prosseguir à revelia de suas emoções e pensamentos.

O poema constrói uma geografia e uma antropologia do espaço, que desafiam o leitor desconhecedor dos fenômenos que impactam a região com o avanço do mar sobre o continente e dos personagens que habitaram e habitam o imaginário regional de Campos dos Goytacazes e São João da Barra:

 

“diante da ilha do pessanha

após, o bracutaia em gargaú

o paraíba morria à míngua

para dar de beber no guandu”

 

“Bracutaia” é uma figura lendária de Gargaú, distrito de São Francisco, onde se pode chegar atravessando o rio, em alguns trechos moribundos. Outros nomes próprios permeiam o poema, demandando conhecimento biográfico para que suas significações sejam mais acessíveis, embora a escrita de Aluysio, construída de signos da localidade, se projete pra além das fronteiras do espaço em que se circunscreve. A leitura intertextual e memorialística do poema o enriquece, porém não o limita, permitindo inferências possibilitadas por outras imagens que o poeta cria.

O poema traz algumas marcas da poética do autor, como o uso exclusivo de letras minúsculas, inclusive em nomes próprios, o verso objetivo, seco, com adjetivação somente necessária, quase cabralino, como predomina nos demais poemas de sua autoria. O narrador poeta vive, nessa “pequena epopeia”, uma travessia testemunhada por fauna, flora e ruínas entre Atafona e Convivência, onde o “homem deságua cão”. “atafona/convivência” é, portanto, um condomínio de gentes, bichos, plantas, concretos e histórias editados nessa ilha que é a memória do poeta.

 

 

atafona/convivência

 

escravo da maré vazante

saía desta uma hora antes

de atafona à convivência

na areia entre rio e oceano

 

noite ainda quando partiu

negro como o dorso do cão

mar enrubescia a cada onda

sol que paria em contração

 

tijolos redivivos no caminho

não levavam ao mágico de oz

mas às visões hoje submersas

do paraíba caolho de foz

 

cruzado entre duas cisternas

perto era o primeiro portal

da caixa d’água seca de torre

e vísceras minando do sal

 

dos fundos do clube demolido

fugiam os carnavais passados

mergulho sem tirar a fantasia

de cara na piscina partida

 

o homem notou redemoinhos

que pareciam seguir ele e o cão

na escalada de outras ruínas

açoitadas pela arrebentação

 

refluxo natural dos destroços

ou entidade tentando contato?

com um pouco de sorte, iemanjá

menos, o lamparão do neivaldo

 

adiante era o segundo portal

entre as fundações e os muros

maciços e quebrados ao meio

da casa de ailton damas

 

dali se abria a enseada

até o prédio do julinho

quatro andares desabados

lar de corujas e mariscos

 

damas e julinho eram ilhas

do que restou dos seus planos

no último, o terceiro portal

ao gume de adaga das conchas

 

depois eram vultos inertes

cemitério triste na areia

troncos por corpos e cruzes

do mangue do antigo pontal

 

crianças com fome de praia

fisgava pela entranha o anzol

cação frito, arroz e salada

palafita do bar do espanhol

 

jusante entre vida e morte

urubus em carcaça de bagre

a lágrima pelo rio na barra

caía do olho ruim de camões

 

ilha que não era mais ilha

com atafona, a convivência

aterrou a aventura do nado

aos rastros das patas e pés

 

na busca da boca de cécias

que sopra o vento nordeste

a língua à direita descia

com todo cuspido à canhota

 

foi lá que o homem e o cão

assistiram ao sol nascer

do mar em que pescadores

limpavam do mato as redes

 

três cargueiros do mundo

eram reis magos no horizonte

no oposto o imbé era fundo

aos cataventos sem quixote

 

quina de água doce e salgada

canto da boca do moribundo

são paulo, as gerais e o rio

corriam sob cada traineira

 

diante da ilha do pessanha

após, o bracutaia em gargaú

o paraíba morria à míngua

para dar de beber no guandu

 

beira-mar ao fim do caminho

até a última artéria aberta

mangue ao de osório vizinho

atalho tomado à tornada

 

do alto da árvore, o carcará

observou o homem e o cão

pelos maruins feitos caça

agonia em nuvem, aguilhão

 

corridos do mangue ao rio

e até nele seguidos de perto

a nado deram ambos na praia

mais secreta da convivência

 

com bem-te-vis à vanguarda

galho após galho da restinga

escalaram as dunas de areia

ao tapete da mata nativa

 

chegaram ao casario recente

onde o cão não era temido

por gatos com dorso em arco

eriçados pelos, garras e dentes

 

novos muxuangos de lamego

olhos azuis dos holandeses

náufragos no rio castanho

já não raptavam mulheres

 

sem inseguranças adrianas

paixão por si em verso vão

vanessa caranguejeira fazia

o melhor pastel de camarão

 

após palhoças ribeirinhas

e a curva à esquerda dali

extinta, a foz repetia lagoas

do açu, iquipari, grussaí

 

nos sulcos da sua margem

crosta da terra em maquete

enquanto pequenos peixes

exibiam vida aos passantes

 

cruzada a pé, sem ser cristo

a barra fechada era peso

muito além da areia fofa

ao ruído e milagre das ondas

 

após voltar julinho e damas

cume do píer de raoul thuin

emergia do mar na vazante

ressurreto no plano sem fim

 

perto dele o anum galego

voo de mergulho em ruínas

levou o camaleão pelo gogó

suspenso no ar em rapina

 

de andar e voo desajeitado

a ave venceu o lagarto ágil

que debatia cabeça ao rabo

do quanto virtude era fútil

 

testemunho dessas histórias

de atafona à convivência

na areia entre rio e oceano

onde homem deságua cão

 

campos, 12/03/21

 

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O time reserva do Brasil contra Camarões nesta sexta

 

O técnico Tite e Daniel Alves, titular e capitão do Brasil nesta sexta, falaram em coletiva do jogo contra Camarões

 

Ederson; Daniel Alves, Militão, Bremer e Alex Telles; Fabinho, Fred e Rodrygo; Gabriel Martinelli, Antony e Gabriel Jesus. Este é o time que Tite levará a campo às 16h de Brasília nesta sexta (2) contra Camarões, no Lusail Stadium, pela terceira e última rodada do Grupo G. Já classificado para as oitavas de final, o Brasil repete a atual campeão, França, que também levou um time reserva a campo na quarta (30). E perdeu de 1 a 0 para sua ex-colônia Tunísia.

Também africano e colonizado pelos franceses, Camarões precisa ganhar para sobreviver no Qatar. Sua seleção vem do empate de 3 a 3 com a Sérvia e, na estreia, da derrota de 0 a 1 para a Suíça. Em situação oposta, o Brasil pode empatar a até perder — caso a Suíça não vença a Sérvia e, assim mesmo, a depender dos placares — para manter a liderança do grupo. Para pegar às 16h de segunda (5) o segundo colocado do Grupo H. Quando será matar ou morrer.

O veterano lateral-direito Daniel Alves, de 39 anos, será não só o capitão contra Camarões, como o mais velho jogador a atuar pelo Brasil numa Copa do Mundo. Até o Qatar, o mais velho tinha sido outro lateral-direito, o bicampeão Djalma Santos, que jogou na Copa de 1966, aos 37 anos. A marca foi superada nas vitórias brasileiras sobre a Sérvia e a Suíça, pelo zagueiro Thiago Silva. Aos 38 anos, ele será um dos muitos titulares poupados por Tite no último jogo da fase de grupos.

Os outros titulares da Seleção Brasileira que começarão assistindo ao jogo contra Camarões do banco são o goleiro Alisson, o zagueiro Marquinhos, o volante Casemiro, o meia Lucas Paquetá, e os atacantes Raphinha, Richarlison e Vini Jr. Contundidos, o atacante Neymar, o lateral-direito Danilo e o esquerdo, Alex Sandro, só são esperados para voltar a partir das oitavas. Ou, se o Brasil delas passar, nas quartas de final.

O volante Bruno Guimarães, que entrou e jogou bem contra a Suíça, será uma outra opção no banco. Já entre os que ainda não entraram em campo pelo Brasil no Qatar, também esperarão uma chance o goleiro Weverton, o meia de ligação Everton Ribeiro e o atacante Pedro. Coincidência ou não, os três são os únicos entre os 26 convocados que atuam no futebol de clubes do Brasil.

Camarões aposta na sua força ofensiva para tentar surpreender o Brasil. Do meio para frente, tem jogadores de bom nível, como os meias Pierre Kunde (Olympiakos) e Frank Anguissa (Napoli), e os atacantes Toko-Ekambi (Lyon), Bryan Mbeumo (Brentford) e Choupo-Moting (Bayern de Munique). Eles têm, ainda, o experiente atacante Vincent Aboubakar (Al-Nassr), que entrou e mudou jogo contra Sérvia. Mas o teste deles não será fácil. Entre as 32 seleções no Qatar, a do Brasil foi a única que até aqui não tomou nenhum gol.

 

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Brasil reserva contra Camarões no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O radialista Arnaldo Garcia e a jornalista Viviane Siqueira são os convidados para encerrar a semana do Folha no Ar nesta sexta (2), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. É o mesmo dia em que, às 16h de Brasília, o Brasil entrará em campo contra Camarões para encerrar a fase de grupos na Copa do Mundo do Qatar, com classificação já assegurada às oitavas de final.

Arnaldo e Viviane analisarão a opção de Tite em escalar um time reserva no Brasil para encarar a seleção africana, que precisa vencer para passar à próxima fase. Eles também apontarão os maiores favoritos e zebras, além de analisarem os cruzamentos das seleções classificadas à fase do mata/mata da primeira Copa do Mundo sediada em uma teocracia islâmica do Oriente Médio, considerada misógina e homofóbica pelos padrões ocidentais.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Pacificação: Mesa Diretora com a oposição e 20% de remanejamento a Wladimir

 

 

 

A nova Mesa Diretora sob controle da oposição, com a eleição de Marquinho Bacellar (SD) como presidente e os 20% de remanejamento liberados na LDO e na LOA ao prefeito Wladimir Garotinho (sem partido). É o que será chancelado na sessão de daqui a pouco na Câmara de Campos, a partir das 17h. É fruto do acordo de pacificação da política goitacá fechado hoje entre Wladimir com o secretário estadual de Governo Rodrigo Bacellar (PL) e o governador Cláudio Castro (PL).

 

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Sem levar gols no Qatar, Brasil terá time misto contra Camarões

 

Dois destaques positivos do Brasil em seus dois primeiros jogos na Copa do Mundo no Qatar, o volante Casemiro comemora seu gol contra a Suíça, na segunda, seguido pelo atacante Vini Jr

 

Em coletiva no Qatar na manhã brasileira de ontem, o ex-goleiro tetracampeão em 1994 e hoje auxiliar técnico da CBF, Taffarel, deu a declaração mais lúcida a quem sonha com o Hexa com os pés no chão: “a nossa equipe defende muito bem (…) quando você não concede nada ao seu adversário, você mostra a sua força também (…) O Brasil não é só espetáculo, ir lá, fazer gols; a gente aprendeu a marcar também”. Nos dois primeiros jogos do time de Tite na Copa do Mundo, 2 a 0 na Sérvia e 1 a 0 na Suíça, o goleiro Alisson não fez nenhuma defesa digna de nota. E o ataque da Sérvia meteu três gols, enquanto o da Suíça marcou um na mesma defesa de Camarões, com quem a Seleção Brasileira fará seu terceiro e último jogo da fase de grupos, às 16h de Brasília desta sexta (2), no Lusail Stadium. Depois, será matar ou morrer. E, no futebol, só morre quem toma gol.

 

 

TIME MISTO CONTRA CAMARÕES — Em primeiro lugar no Grupo G, com 6 pontos, o Brasil entrará em campo já classificado às oitavas de final. Com os desfalques por contusão do atacante Neymar e do lateral direito Danilo, durante o jogo com a Sérvia, e do lateral esquerdo Alex Sandro contra a Suíça, Tite deve colocar em campo um time misto contra Camarões. Após já ter colocado em campo 19 dos 26 jogadores que levou, sete ainda esperam para jogar: os goleiros Ederson e Weverton, o lateral direito Daniel Alves, o zagueiro Bremer, o volante Fabinho, o meia Everton Ribeiro e o centroavante Pedro. Alguns podem ter a chance na sexta, para poupar titulares. Alison, os zagueiros Thiago Silva e Marquinhos, e o volante Casemiro, justamente a espinha dorsal da defesa, jogaram do início ao fim as duas primeiras partidas.

 

Espinha dorsal da defesa titular do Brasil no Qatar, com os zagueiros Thiago Silva e Marquinhos, e o volante Casemiro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

CASEMIRO — Autor do gol salvador contra a Suíça, após passe do atacante Rodrygo, que entrou bem no segundo tempo, Casemiro foi o melhor jogador na média dos dois primeiros jogos do Brasil. Considerado por muitos o melhor volante em atividade no mundo, ele foi revelado no São Paulo e hoje defende o Manchester United, após 9 anos no Real Madrid, com uma passagem pelo Porto. No clube madrilenho, seria efetivado como titular e considerado insubstituível no time tricampeão da Champions por um treinador que conhece um pouquinho de meio de campo: Zidane. Mesmo atuando na marcação, Casemiro ainda não levou cartão amarelo no Qatar. Mas na Copa de 2018, após tomar o segundo amarelo na vitória sobre o México nas oitavas, ele desfalcou o Brasil na derrota para a Bélgica nas quartas de final.

 

Casemiro e Zidane após uma das três Champions consecutivas que conquistaram juntos no Real Madrid

 

THIAGO SILVA — Mesmo jogando muito bem nas duas primeiras partidas no Qatar, Thiago Silva teve sua convocação e titularidade questionadas por conta dos seus 38 anos, com os quais se tornou o jogador mais velho a jogar pelo Brasil numa Copa do Mundo. Se calou boca dos críticos com seu futebol seguro e elegante, com técnica que não é comum a um zagueiro, é fato que está numa idade em que ser poupado contra Camarões não faria nenhum mal.

VINI JR, RICHARLISON E RAPHINHA — Entre os atacantes só um atuou bem nos dois primeiros jogos: Vini Jr. Com seu futebol de dribles e velocidade, caindo pela esquerda, todos os treinadores que a Seleção Brasileira enfrentar no Qatar sabem disso. Tanto que o da Suíça, Murat Yakin, o marcou sempre com um jogador no combate direto e outro, às vezes até dois, na sobra. Ele chegou a marcar um gol, bem anulado pelo VAR, pela participação na jogada em posição de impedimento de Richarlison. O centroavante não voltou a jogar bem como fez na estreia contra a Sérvia, quando marcou dois gols e encantou o mundo com o belo voleio do segundo. Atuando na direita do ataque, Raphinha teve duas atuações abaixo do esperado.

 

Sem Neymar, o quarteto de ataque titular do Brasil foi reduzido em número ao trio Vini Jr, Richarlison e Raphinha

 

FRED E PAQUETÁ — Titular do time até a Copa, quando saiu para dar lugar a Vini Jr, o volante Fred entrou jogando contra a Suíça, na vaga aberta pela contusão de Neymar. Mas não atuou bem e ainda levou um cartão amarelo, o único até agora recebido em uma Seleção Brasileira que tanto tem se destacado pela sua defesa. Após ter atuado como segundo volante contra a Sérvia, adiantado no jogo seguinte à função de meia de ligação, mais perto do ataque, Lucas Paquetá também não teve até agora uma boa apresentação. Tanto que foi sacado por Tite ainda no intervalo do jogo contra a Suíça, para a entrada de Rodrygo.

 

Fred e Lucas Paquetá, que não convenceu como volante, nem como meia de ligação (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ALEX TELLES E DANIEL ALVES — É certo que Tite poupará titulares na sexta. Mas, por enquanto, o único reserva com escalação certa é o lateral esquerdo Alex Telles, que entrou contra a Suíça após Alex Sandro sentir a contusão muscular no quadril. Questionado por sua convocação aos 39 anos e atuando no futebol do México, Daniel Alves também deve ter uma chance, como lateral direito ou meia, contra Camarões. Que, na única vez que cruzou com o Brasil em Mundial, foi também em fase de grupos, no segundo jogo de ambos na Copa de 1994. Que terminou com a vitória brasileira por 3 a 0, sem que o hoje auxiliar técnico Taffarel tivesse sido exigido no gol. Mas como os camaroneses ainda têm chance de classificação em 2022, caso vençam, a ideia de jogo-treino tem seus limites de prudência.

 

Lateral esquerdo Alex Telles, substituto de Alex Sandro contundido, e o questionado Daniel Alves, que pode ter chance de jogar na sexta (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

GANA NAS OITAVAS? — Se, como tudo indica, o Brasil confirmar a primeira colocação no Grupo G — a única que tem chance matemática de ultrapassá-lo é a Suíça, que encara na sexta a Sérvia —, pegará nas oitavas de final, às 16h de segunda, o segundo colocado do Grupo H. Hoje, a posição é ocupada por Gana, que tem 3 pontos, atrás dos 6 pontos do líder Portugal. É uma seleção africana da mesma escola de técnica e força física de Camarões. A Seleção Brasileira já bateu a ganesa em oitavas de Copa do Mundo, em 2006, por outros 3 a 0.

URUGUAI? — Gana fará sua última partida da primeira fase também na sexta, ao meio-dia, contra o Uruguai. Que tem apenas 1 ponto e precisa vencer de qualquer maneira para passar à fase seguinte no Qatar. As chances estão mais para os africanos, que podem jogar pelo empate. Mas se conseguirem vencê-los, não será a primeira história de superação dos uruguaios no futebol. Nem só o segundo jogo que fariam numa Copa do Mundo contra o Brasil. Que entrará em campo contra Camarões já sabendo quem será seu próximo adversário.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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