Prefeito do Rio, presidente fluminense do PSD e considerado um dos principais cabos eleitorais do estado, Eduardo Paes (PSD) tem vinda a Campos prevista para esta quinta (9). Ele vem à planície goitacá prestigiar o lançamento da pré-candidatura do vereador de oposição Bruno Vianna (PSD) a deputado estadual. O evento está marcado para às 19h, no Salão da Multipeças, na avenida Arthur Bernardes. O jovem edil tenta reconquistar o mandato do seu pai, o falecido deputado estadual Gil Vianna, vítima da Covid em 19 de maio de 2020.
— Meu pai foi um grande líder político. Com o seu jeito conciliador, ele construiu uma família, ao invés de um grupo de trabalho na política. A decisão de me candidatar a vereador em Campos foi um sonho nosso. Nós queríamos trabalhar em conjunto para a nossa cidade, ele na Alerj e eu no Legislativo municipal. Infelizmente, essa não foi a vontade de Deus. Não pude ter ele ao meu lado quando vencemos a eleição, nem durante o nosso trabalho. Mas, eu acredito que essa história tão precocemente interrompida pode ser continuada. Nós precisamos buscar a representatividade que a nossa região perdeu — disse Bruno.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode fechar a fatura presidencial no primeiro turno? Divulgada hoje, a exatos 114 dias das urnas de 2 de outubro, a pesquisa Genial/Quaest reforçou essa possibilidade — que já havia sido apontada pela Datafolha do último dia 26. Pela consulta do primeiro instituto, o petista tem hoje 46% de intenções de votos na pesquisa induzida, contra 30% do presidente Jair Bolsonaro (PL), 7% do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), 2% do deputado federal André Janones (Avante) e 1% da senadora Simone Tebet (MDB). Os demais presidenciáveis não pontuaram. Descartados os 6% de indecisos, ou que pretendem votar em branco ou anular, Lula venceria a eleição em turno único, com 52,87% dos votos válidos.
A margem de erro da Genial/Quest é de dois pontos para mais ou menos. Feita entre os dias 2 e 5 deste mês de junho, a pesquisa ouviu 2.000 pessoas presencialmente — o que sempre gera maior confiabilidade aos resultados — em 27 estados. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03552/2022. Em um universo eleitoral de quase 150 milhões de brasileiros aptos a votar, Lula tem hoje 16 pontos de vantagem na corrida presidencial sobre Bolsonaro, ou 24 milhões de eleitores. Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado de Minas Gerais tem 15,6 milhões de eleitores. Lula tem bem mais que uma Minas Gerais de vantagem sobre Bolsonaro.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE
— A Genial/Quaest utilizou entrevistas presenciais, a de maior precisão e confiabilidade, entrevistando 2.000 eleitores com 16 anos ou mais em 120 municípios brasileiros. Com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais, a Genial/Quaest reproduziu a metodologia do Datafolha, porém utilizando uma amostragem um pouco menor, já que o Datafolha só trabalha com amostra acima de 2.500 entrevistados. Como a diferença entre as duas amostragens é bem pequena, as diferenças dos resultados são mínimas, tornando-se irrelevantes. Na intenção de voto para presidente na consulta estimulada, a Genial/Quaest apontou vitória de Lula no primeiro turno, com 46% no cenário mais provável, com André Janones e Simone Tebet. Ele também supera a soma de todos os demais candidatos (41%), excluindo indecisos, brancos, nulos e quem declarou que não vai votar. Assim, na análise consolidada, a Genial/Quaest aponta que, neste momento, Lula está entre a vitória e a quase vitória no primeiro turno, confirmando o Datafolha — analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
Se as projeções de vitória de Lula no primeiro turno não se confirmarem, a Genial/Quaest aponta que ele venceria Bolsonaro com facilidade também em um eventual segundo turno, marcado para 30 de outubro. Lá, se fosse hoje, o petista bateria o capitão por 54% a 32% das intenções de voto. Seriam 33 milhões de eleitores de vantagem. Maior colégio eleitoral do país, o estado de São Paulo tem 32,6 milhões de eleitores. Lula teria mais do que isso à frente de Bolsonaro no segundo turno. Nele, o ex-presidente também venceria, mas por margem ainda maior, se o adversário fosse Ciro Gomes: 52% a 25%, com 27 pontos de vantagem, ou 40,5 milhões de eleitores. Assim como a Simone Tebet, a quem o petista bateria no segundo turno por 56% a 20%, com 36 pontos de vantagem, ou 54 milhões de eleitores.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
O que explica a projeção de derrota para Bolsonaro no segundo turno contra Lula é a rejeição. O segundo turno só existe para que o candidato vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos. Pela Genial/Quest, Bolsonaro tem hoje 60% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 40% de Lula. Para quem tem 60% de rejeição, como Bolsonaro tem, é aritmeticamente impossível alcançar 50% mais um dos votos. Entre os analistas do mundo, o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição em dois turnos é 35% de rejeição.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Definidora da vitória do candidato Jair Bolsonaro em 2018, três anos e meio de governo Jair Bolsonaro depois, o antipetismo aparece também em 2022. Mas é suplantado de longe pelo antibolsonarismo. São 52% os eleitores brasileiros que têm mais medo da continuidade do capitão no Palácio do Planalto, contra 35% que temem mais a volta do PT ao poder. Os que temem os dois são 5%; nenhum, 2%; com 6% que não souberam responder. Embora seja menos considerada tão perto das urnas, a pesquisa espontânea revela uma eleição claramente polarizada. Sem que sejam apresentadas as opções de candidato ao eleitor, este, por conta própria, dá a Lula 32% de intenções de voto, contra 20% de Bolsonaro e 1% de Ciro.
— Na espontânea, Lula vence Bolsonaro por 32% a 20% e na rejeição, o ex-presidente apresenta 20% a menos de rejeição que o atual presidente (40% contra 60%), indicando inexistência de espaço para uma terceira via — concluiu William.
Solar dos Airizes (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)
Edmundo Siqueira
Solar dos Airizes
A Prefeitura de Campos terá que reformar o Solar dos Airizes. Como o Blog do Edmundo Siqueira, hospedado no Folha1, acompanha de perto, não é mais só uma demanda de preservação do patrimônio histórico. É uma decisão da 2ª Vara Federal de Campos transitada em julgado, em ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que o governo Wladimir Garotinho (sem partido) será obrigado a cumprir. Erguido em meados do século 19, o Solar dos Airizes foi a primeira construção da cidade a ser tombada pelo Iphan, em 1940. E se tornou famoso com a novela “Escrava Isaura”, de 1976 e baseada no romance homônimo do mineiro Bernardo Guimarães.
Alberto Lamego e Alberto Ribeiro Lamego (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Dos livros à retina de Campos
Da ficção que ganhou o mundo com o sucesso de uma telenovela, o Solar dos Airizes foi o lar de dois dos maiores escritores de Campos. Que se dedicaram a contar as origens reais da terra e do homem que formam a planície goitacá: Alberto Lamego (1870/1951), autor de “A Terra Goytaca”; e seu filho, Alberto Ribeiro Lamego (1896/1985), autor de “O Homem e o Brejo”, “O Homem e a Restinga”, “O Homem e a Serra” e o “Homem e a Guanabara”. Mesmo a quem não leu nenhuma dessas obras, o Solar dos Airizes é personagem vivo na retina dos mais de 511 mil campistas que percorreram, pelo menos uma vez, a BR-356 no trecho Campos/Atafona.
Monumento ao desperdício dos royalties em Campos, Cepop foi erguido por R$ 100 milhões no governo Rosinha Garotinho, eleito em 2008 com a promessa abandonada de reformar o Solar dos Airizes (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)
R$ 100 milhões no Cepop
A reforma do Solar dos Airizes e sua transformação no Museu do Açúcar constavam do projeto de governo quando Rosinha Garotinho (hoje, União) foi eleita a primeira vez prefeita de Campos, em 2008. E mesmo que tivesse dinheiro dos royalties de sobra, até a queda do preço do barril de petróleo no final de 2014, em seu sexto ano consecutivo de governo, ela nunca cumpriu a promessa de campanha. Preferiu gastar mais de R$ 100 milhões para erguer o Cepop, símbolo maior do desperdício de bilhões em rendas petrolíferas. Ironicamente às margens da avenida Alberto Lamego, o Cepop fica a apenas 2,9 km do Solar dos Airizes.
Edvar Junior e Rapahel Thuin (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)
Agora, como fazer?
Em outra ironia, a batata quente agora sobrou para Wladimir, filho de Rosinha. A decisão judicial fala até em crime de improbidade se o Solar dos Airizes não for recuperado pelo atual prefeito. Pela importância histórica e arquitetônica do prédio, que visivelmente corre risco de desabamento em várias partes, assim como por sua condição de referência afetiva dos campistas, a sua reforma ganhou entusiastas. Presidente da CDL-Campos, além de arquiteto, o empresário Edvar Junior levantou essa bandeira. Assim como o vereador de oposição Raphael Thuin (PTB). Mas a pergunta que ninguém até agora sabe responder é: como fazer?
Iphan e Sabra
A alternativa mais racional foi apontada no Blog do Edmundo. A ele, o Iphan informou que “o pedido de reforma simplificada do Solar dos Airizes e intervenção emergencial” foi feito pela Sociedade Artística Brasileira (Sabra), associação civil e captadora de recursos e sem fins lucrativos, com sede em Minas Gerais. Presidente da Sabra, Márcio Miranda confirmou ao blogueiro do Folha1: “Temos a aprovação pelo Iphan de nosso projeto para a intervenção emergencial no Solar dos Airizes. As equipes só podem ser escolhidas após contratação dos serviços. Não temos previsão para início das obras. Isso está a cargo do poder público”.
Erguido no séc. 17 pelos jesuítas, o Solar do Colégio abriga hoje o Arquivo Público Municipal e espera a reforma pelo Sabra, com R$ 20 milhões liberados na parceria Alerj/Uenf/Prefeitura de Campos (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)
R$ 73 milhões de royalties
A Sabra já está envolvida na reforma do Solar do Colégio, erguido pelos jesuítas no século 17 e onde hoje funciona o Arquivo Público de Campos. Que já tem R$ 20 milhões alocados, em parceria da Alerj, da Uenf e do poder público municipal. Já em relação ao Solar dos Airizes, com a pergunta de como fazer parcialmente respondida pelos contatos já estabelecidos entre Sabra, Iphan e Prefeitura, resta ainda a indagação: com que dinheiro? Depois que Campos recebeu R$ 73,4 milhões no último dia 20, maior repasse mensal de royalties da sua história em valores correntes, não é preciso ter lido os Lamego pai e filho para responder.
Morto ontem com facada no pescoço, à luz do dia, em plena Praça do Santíssimo Salvador (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)
Terra de Marlboro (I)
Ao ex-presidente Getúlio Vargas é atribuída a frase: “Campos é o espelho do Brasil”. Nos seus piores aspectos, os últimos dias parecem confirmar. Enquanto o mundo indaga o paradeiro do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira, servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai), e do jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, desaparecidos desde domingo (5) na Amazônia, ontem (7) um flanelinha foi morto com um golpe de faca no pescoço, à luz do dia, em plena Praça São Salvador. Na vida urbana da cidade ou no que resta de área selvagem no país, Campos e Brasil lembram um filme violento de western.
Bruno Araújo Pereira, servidor da Funai, e o jornalista inglês Dom Phillips, desaparecidos na Amazônia transformada em terra de Marlboro no Brasil de Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Terra de Marlboro (II)
O indigenista brasileiro era ameaçado por seu trabalho, em nome do Governo Federal, de proteção aos índios. Cujas reservas na Amazônia, na prática, foram liberadas pela administração Jair Bolsonaro (PL) à ação criminosa de garimpeiros, madeireiros e pescadores. O Vale do Javari, onde o servidor brasileiro da Funai e o jornalista inglês desapareceram, concentra o maior número de povos isolados do mundo. São indígenas que não querem contato com o homem branco. Sobretudo nos últimos três anos anos e meio, quando a realidade do Brasil passou a refletir um filme do Velho Oeste dos EUA.
Ronaldo Junior, o rio, a cidade e a ponte no sua livro “Muros impalpáveis” (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)
“O rio da minha aldeia não faz pensar em nada”, versejou Alberto Caeiro, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa. Não é o caso do Paraíba do Sul ao poeta carioca/campista Ronaldo Junior. Para quem o rio que corta e forma planície goitacá é também muro. A separar — e segregar — Campos de Guarus. “O rio/ é muro/ que separa/ as versões/ de pobreza/ de riqueza/ de quem acha que é/ de quem não sabe o que ser” compõe estrofe do poema “Travessia”, um dos 16 do livro “Muros impalpáveis”. Lançado em fevereiro de 2021, deu de cara com o muro da pandemia da Covid-19. E o superou 16 meses depois, no lançamento físico da obra. Será a partir das 16h deste sábado (4), na Academia Campista de Letras (ACL), da qual Ronaldo é membro.
— “Travessia” resume o motivo do título: Campos é um município em que as relações sociais são fortemente guiadas a partir das divisões sociais, os muros impalpáveis, criando barreiras interpessoais simbolizadas na própria divisão do município oriunda do rio Paraíba do Sul — explicou Ronaldo
Em outra “Travessia”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, a voz do primeiro imortalizou os versos: “Minha casa não é minha/ E nem é meu este lugar/ Estou só e não resisto/ Muito tenho pra falar”. Dolosamente ou não, são versos que ecoam em “A rua onde não nasci”, outro poema do carioca Ronaldo: “identifico/ que jamais nasceria/ em certas ruas,/ mas nasço em/ tantas outras// — urbano que sou,/ restrito aos lugares/ de luz/ e pedra// ainda assim,/ permaneço carioca/ em Campos dos Goytacazes”.
Ronaldo disse — ainda — não conhecer a obra do grande poeta modernista grego, nascido no Egito, Konstatínos Kaváfis. Mas seu “A rua onde nasci” tem impressionante aparência de diálogo com os versos do último heleno de Alexandria. Que sentencia em seu poema “A cidade”: “Novas terras você não há de encontrar, não encontrará outros mares./ A cidade o seguirá. Você voltará a percorrer as mesmas ruas”.
— De fato, as referências parecem explícitas. Muito bom esse enriquecimento da obra pelos diálogos que ela gera. Não conheço o poeta grego, mas começarei a ler em breve. Em “A rua onde não nasci”, falo sobre o sentimento de ser campista sem ser nascido aqui, o que também simboliza a mensagem do livro — revelou Ronaldo.
O poema escolhido para abrir “Muros impalpáveis” foi um diálogo intencional com outro autor. Em “PaleoGênesePoética”, diz o poeta e literato campista Joel Ferreira Mello: “Como TeluriCidade/ camposAluvional/ HeteroIdentidade/ regioNacioUniversal”.
— Essa obra de Joel é marcada pela criticidade voltada ao urbano, à desigualdade social que ele aponta. É marcada pela universalidade e regionalidade da qual ele vem. Até então, eu nunca havia escrito sobre Campos. Passei a escrever por provocação do professor Antônio Cardoso, coordenador da Casa das Artes do Alpha, depois de uma palestra sobre as possíveis datas de nascimento de Campos feita pelo Instituto Histórico e Geográfico de Campos — lembrou Ronaldo.
A partir da provocação, o poeta carioca escreveu “Do nascimento de Campos”, a partir da discussão da data de fundação da cidade que o adotou, que tem provocado tantas polêmicas entre historiadores e intelectuais locais. E, ao revistar o passado campista, traz à tona versos com crítica contundente ao presente brasileiro e bolsonarista: “o seu berço seria/ a criação da Câmara/ com os homens ditos de bem”.
Para dar fim à polêmica do aniversário de Campos, o poeta se vale de metáfora cara às velas do bolo: “uma data/ é faísca/ em meio a chamas”. Em seus versos com jeito de prosa, o carioca/goitacá finaliza o poema no questionamento que deveria mais interessar: “mas é preciso especular/ a formação de cada alma/ — em contexto desigual —/ para fazer das ferramentas/ (educação/ passado/ poema)/ expressão/ de uma gente/ que resiste pelos anos/ sem nem sempre saber/ a dimensão/ de ser/ campista”.
Ex-vereador Thiago Virgilio discursa diante de Garotinho, Rosinha, Juninho Virg[ilio e Clarissa, mas sem Wladimir (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)
Segundo apurou o repórter-fotográfico da Folha Rodrigo Silveira, a informação dada no evento foi que o prefeito não teria comparecido por motivos pessoais. A qualquer observador mais atento da política goitacá e fluminense, por “motivos pessoais”, entenda-se o governador Cláudio Castro (PL). Que é candidato à reeleição e lidera as pesquisas numa disputa em que Garotinho também se coloca como pré-candidato. Ainda que sem a certeza da vaga pelo seu partido.
Castro e Wladimir na reinauguração do Restaurante Popular, HGG em reforma e Parque Saraiva à espera de obras (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Os poetas Adriano Moura e Ronaldo Junior, mais o músico Matheus Nicolau, são os convidados para fecharem a semana do Folha do Ar nesta sexta (03), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Adriano, que também é dramaturgo, e Matheus falarão no primeiro bloco sobre o trabalho conjunto de ambos na peça “Meu nome é Cícero”, que estreia no Trianon às 19h deste domingo (5). No segundo bloco, Ronaldo falará do seu livro de poesia “Muros impalpáveis”, que tem lançamento marcado para às 16h deste sábado, na Academia Campista de Letras (ACL), à qual o autor pertence.
No terceiro e último bloco, Adriano e Ronaldo analisarão o cenário da literatura e da cultura em Campos e no país. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
De Brasília, o senador Carlos Portinho (PL) anunciou que o Conselho da Caixa Econômica Federal (CEF) aprovou hoje o acordo da dívida de R$ 1,2 bilhão contraída pelo município de Campos. “Do ponto de vista fiscal, é uma grande vitória para a cidade. Aprovando a questão previdenciária na câmara, Campos sai da classificação de risco C direto para A. Renegociamos tudo”, disse hoje o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido).
Em 10 de fevereiro deste ano, junto do senador Carlos Portinho e da irmã e deputada federal Clarissa Garotinho (hoje, União), Wladimir teve uma reunião para tratar da questão em Brasília, com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães. Naquela oportunidade, o prefeito já sinalizava para a resolução do problema:
— O acordo entre o município de Campos e a Caixa Econômica Federal está próximo de sair nos próximos meses. A reunião foi muito produtiva e as equipes técnicas avançaram bem. Podemos estar próximos de um acordo histórico, resolvendo um passivo imenso acumulado por inadimplência irresponsável. Esse assunto é tratado na CEF com muita mágoa, pela maneira que executivo municipal tratou na gestão passada (Rafael Diniz, Cidadania).
Histórico da dívida — Na verdade, a cessão de crédito que gerou a dívida foi feita em maio de 2016 pela então prefeita Rosinha Garotinho (hoje, União), no apagar das luzes do governo Dilma Rousseff (PT), chamada à época de “venda do futuro”. O valor da dívida, hoje considerada impagável, está na casa do R$ 1,2 bilhão. Pela resolução 43/2001 do Senado, assim como pela autorização da Câmara Municipal de Campos em 2016, os pagamentos da operação financeira não poderiam exceder 10% das receitas petrolíferas do município. Só que o limite não foi obedecido pelo contrato entre a CEF e o governo Rosinha. Mas foi imposto pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), em julho de 2017. Graças a uma tese do então procurador do Legislativo goitacá, Robson Maciel Junior, que entrou junto com o governo Rafael. A CEF recorreu e a juíza federal Rosângela Martins determinou, em 2021, que as duas partes fizessem um acordo.
Anthony, Rosinha, Clarissa e Wladimir Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Garotinhos juntos com Virgílio
Os ex-governadores Anthony e Rosinha, a deputada federal Clarissa (os três, União) e o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) têm data marcada para voltarem a se reunir publicamente. Será às 19h de amanhã (2), na prestação de contas do vereador Juninho Virgílio (União), em salão de festas da avenida Arthur Bernardes. O ato é considerado uma prévia ao lançamento da pré-candidatura do edil à Alerj. Mas será muito mais que isso: Garotinho, Rosinha, Clarissa e Wladimir tentarão pacificar não só a família, mas o grupo político. Que tornou público um princípio de racha, por desacordos internos sobre as eleições de outubro.
Castro e Wladimir na reinauguração do Restaurante Popular, HGG em reforma e Parque Saraiva à espera de obras (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Pressão sobre Wladimir
Dos quatro, Wladimir é o mais pressionado. Não concorrerá daqui a quatro meses e tem um município para governar nos próximos dois anos e meio. Para isso, precisa do apoio do governador Cláudio Castro (PL), pré-candidato à reeleição. Sem ele, dificilmente manteria aberto o Restaurante Popular, concluiria a reforma no Hospital Geral de Guarus (HGG), ou retomaria as obras do Parque Saraiva, paradas desde o último governo municipal Rosinha. Foi da mãe que o prefeito recebeu recado duro, em postagem no Facebook do dia 10: “Wladimir, você só chegou onde está com o carimbo Garotinho. Não pelos seus belos olhos verdes”.
No mesmo Ponto Final do dia 18, foi antecipada a reação política do pai: “Com Clarissa e Waguinho (União), prefeito de Belford Roxo, Garotinho foi ontem (17) à sede do União em Brasília, conversar com o presidente nacional, deputado federal Luciano Bivar. Daria duas opções em outubro ao seu novo partido: ou vem a governador, ou a nada. Se for a governador, teria pouca chance. Mas poderia dificultar a vida de Cláudio Castro. Se for a nada, Clarissa poderia vir a deputada federal, com Juninho Virgílio a estadual (…) O ex-governador deve anunciar hoje seu destino. Que, até as convenções, é sujeito a mudanças”.
Do Planalto Central à planície goitacá, também ontem, o cientista político e sociólogo George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos, analisou no programa Folha no Ar: “Garotinho tem um capital político que demonstra resiliência. A questão é como ele vai lidar com o Bivar. Para o União, que é uma legenda bastante forte, o cálculo é nacional, da nova Câmara dos Deputados. Quando Bivar e ACM Neto (secretário-geral do União e ex-prefeito de Salvador) definirem quem eles vão autorizar e para o que, a ótica da legenda será: o que o União ganha com Garotinho candidato ao governo fluminense?”
No mesmo Ponto Final do dia 25, foi revelado o motivo da pré-candidatura de Garotinho: “pressionar Castro a diminuir o espaço do deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL). Que só saiu da secretaria estadual de Governo para disputar a reeleição à Alerj, também considerada pule de 10”. Assim como o dilema que o pai ex-governador impõe ao filho prefeito de Campos: “Wladimir precisa de Castro para tocar seu governo, concluir as obras do Hospital Geral de Guarus (HGG) e retomar as obras do Parque Saraiva. Com a iminência de Marquinho Bacellar (SD), irmão de Rodrigo, assumir a Câmara Municipal no biênio 2023/2024”.
Por fim, William analisará a última pesquisa presidencial Datafolha, assim como as demais, sobre a corrida ao Palácio do Planalto de outubro. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Lula (PT) pode fechar a fatura presidencial no primeiro turno de 2 de outubro, daqui a exatos 127 dias? Foi isso que indicou a aguardada pesquisa Datafolha, feita entre as últimas quarta (25) e quinta (26), divulgada neste mesmo dia. Nela Lula teve 48% de intenções de voto, contra 27% do presidente Jair Bolsonaro (PL), 7% do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), 2% da senadora Simone Tebet (MDB), 2% do deputado federal André Janones (Avante), 1% da socióloga Vera Lúcia (PSTU) e 1% do influenciador digital Pablo Marçal (Pros). Os presidenciáveis Felipe d’Avila (Novo), Sofia Manzano (PCB), Leonardo Péricles (UP), Eymael (DC), Luciano Bivar (União) e o General Santos Cruz (Podemos) não pontuaram. Excetuados os 7% que declararam votar branco e nulo, se a eleição fosse hoje, Lula a venceria em turno único, com 54% dos votos válidos. Bolsonaro teria 30%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Em um universo eleitoral de quase 150 milhões de brasileiros aptos a votar, Lula tem hoje 21 pontos de vantagem na corrida presidencial sobre Bolsonaro, ou 31,5 milhões de eleitores. Maior colégio eleitoral do país, o estado de São Paulo tem 32,6 milhões de eleitores. Sem Lula, Bolsonaro e os demais presidenciáveis têm juntos 40% de intenções de voto. Com 48%, Lula tem sobre todos os demais somados oito pontos de vantagem, ou 12 milhões de eleitores. Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado de Minas Gerais tem 15,6 milhões de eleitores. Lula tem quase um estado de São Paulo de vantagem sobre Bolsonaro. Como tem quase uma Minas Gerais de vantagem sobre o presidente e os demais presidenciáveis juntos.
Com a faixa presidencial, Fernando Henrique Cardoso assume a presidência da República de Itamar Franco, em 1º de janeiro de 1995, entre a esposa, a antropóloga Ruth Cardoso, que implantou no Governo Federal o Bolsa Escola, depois transformado pelo PT em Bolsa Família, e seu vice, Marco Maciel
Histórico das vitórias presidenciais no primeiro turno — Das projeções do futuro próximo do país aos seus fatos consumados, desde que a instituição do segundo turno foi adotada no Brasil, a partir da eleição presidencial de 1989, só Fernando Henrique Cardoso (PSDB) chegou ao Palácio do Planalto em turno único. A reboque da estabilização econômica do país com o Plano Real que capitaneou como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco (então, PMDB). O tucano se elegeu presidente ao bater, em 1994 e 1998, Lula no primeiro turno. Que o sucedeu em 2002, ao bater José Serra (PSDB) no segundo. Em 2006, mesmo com o governo avaliado como ótimo ou bom por 52% da população brasileira, em pesquisa Datafolha de 13 de dezembro daquele ano, o petista teve antes que passar outra vez pelo segundo turno para se reeleger. O fez ao derrotar o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (atual PSB), seu vice em 2022. Sem colocar pesquisas em dúvida, como sempre fazem os derrotados nas urnas, a história recente do Brasil recomenda a precaução do apóstolo Tomé: ver para crer.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE
— Bolsonaro não cumpriu a expectativa de entregar um país melhor do que o que recebeu do Michel Temer (MDB). A segurança pública não melhorou. A economia, mesmo descontando o choque da pandemia e da aceleração inflacionária internacional, está pior. A saúde ficará marcada na história pela luta contra a máscara e a vacina, que matou centenas de milhares de brasileiros sem necessidade durante a pandemia. O resultado é a pesquisa Datafolha, de maior credibilidade no mercado, apontando 48% de intenções de voto para Lula, contra 27% para Bolsonaro. Criado em 1983, com 39 anos de existência, o Datafolha é o instituto de pesquisa com maior percentual de acertos, tendo errado em apenas 1% o resultado da eleição presidencial de 2018, se considerada a pesquisa boca de urna. O Datafolha usa a metodologia mais sofisticada, só trabalha com pesquisas presenciais, é a de maior credibilidade, e se utiliza de uma equipe permanente de entrevistadores. Por trabalharem continuamente para a empresa, também vão acumulando expertise, o que é fundamental à garantia da qualidade das respostas e, consequentemente, da credibilidade dos dados e resultados — explicou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
Simulações de segundo turno — Se a possibilidade de definição da eleição presidencial no primeiro turno não se confirmar nas urnas de 2 de outubro, as simulações da Datafolha ao segundo turno também são muito favoráveis a Lula. O ex-presidente derrotaria Bolsonaro por 58% a 33%, com 8% de brancos e nulos, mais 1% que não sabe em quem votaria. Seriam 25 pontos de vantagem do petista sobre o capitão, ou 37,5 milhões de eleitores. É mais que todo o estado de São Paulo. Na projeção de segundo turno contra o terceiro colocado em todas as pesquisas, Bolsonaro também perderia: 52% a 35% para Ciro Gomes, com 10% de brancos e nulos, mais 2% que não sabem em quem votariam. Seriam 17 pontos de vantagem do ex-governador do Ceará sobre o atual presidente, ou 25,5 milhões de eleitores. É bem mais que todas as Minas Gerais. No eventual segundo turno entre Lula e Ciro, o ex-presidente venceria por 55% a 29%, com 15% de brancos e nulos, mais 1% que não sabe em quem votaria. Seriam 26 pontos de vantagem do petista sobre o pedetista, ou 39 milhões de eleitores. É a soma dos estados de São Paulo e Ceará — este, com seus 6,4 milhões de eleitores.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
O que explica a projeção de derrota para Bolsonaro no segundo turno contra Lula ou Ciro é a rejeição. O segundo turno só existe para que o candidato vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos. Pela Datafolha, Bolsonaro tem hoje 54% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 33% de Lula e 19% de Ciro. Para quem tem 54% de rejeição, como Bolsonaro tem, é aritmeticamente impossível alcançar 50% mais um dos votos. Entre os analistas do mundo, o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição em dois turnos é 35% de rejeição.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Embora seja menos considerada tão perto da eleição, a pesquisa espontânea Datafolha traz dados reveladores sobre a polarização cristalizada entre Lula e Bolsonaro. Sem que sejam apresentadas as opções de candidatos ao eleitor, este, por sua própria iniciativa, dá a Lula 38% de intenções de voto, contra 22% de Bolsonaro, 2% de Ciro, 1% de Simone Tebet e 3% de todos os outros candidatos somados. Na última Datafolha de março, Lula tinha 30% na espontânea. Cresceu oito pontos nos últimos dois meses. Bolsonaro tinha 23% na espontânea de março. Na margem de erro, o capitão patinou nos últimos dois meses. Ciro tinha e manteve os mesmos 2% de intenções espontâneas de voto.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
O voto de Lula — Em 2018, Bolsonaro se elegeu presidente ganhando em quatro das cinco regiões brasileiras, à exceção do Nordeste, tradicional bastião do PT. Hoje, só ganharia no Centro Oeste, tradicional bastião do agronegócio. Mas no empate técnico: 42% contra 40% de Lula. Que bate o capitão por grande vantagem no populoso Sudeste, por 42% a 29%. No ex-bolsonarista Sul, por 47% a 30%. E no Norte, por 44% a 31%. No Nordeste, a lavada de sempre: 62% do ex-presidente, contra 17% do atual. Além de nordestino, o voto majoritário de Lula fica bem definido em outros recortes: é de mulheres (49% contra os 23% de Bolsonaro), pretas (57% contra os 23% de Bolsonaro), de 16 a 24 anos (58% contra os 21% de Bolsonaro), ganham até dois salários mínimos (56% contra os 20% de Bolsonaro), têm ensino fundamental (57% contra os 21% de Bolsonaro) e são católicas (54% contra os 23% de Bolsonaro).
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Entre os evangélicos, outro tradicional bastião bolsonarista, o presidente ainda continua ganhando. Mas em outro empate técnico: 39% contra 36% de Lula. Nos outros recortes, hoje o capitão está atrás do petista também entre os homens (32% a 47%), pardos (27% a 49%) e brancos (32% a 40%), todas as demais faixas etárias (com menor diferença, de 30% a 47%, entre os 60 anos ou mais), com ensino médio (30% a 46%) ou superior (30% a 40%), espíritas e kardecistas (33% a 46%) e quem ganha de 2 a 5 salários mínimos (34% a 41%). Já entre quem ganha de 5 a 10 salários mínimos, há o empate exato entre os dois líderes da corrida presidencial: 37% a 37%.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
O voto e o obstáculo de Bolsonaro — Fora da margem de erro, Bolsonaro só está à frente de Lula em duas faixas: entre quem ganha mais de 10 salários mínimos (por 42% a 31%) e os empresários (por 56% a 23%). Se contassem apenas os votos dos ricos, o presidente seria reeleito. Para o país que vive sua maior inflação nos últimos 26 anos, com 1/4 da sua população, ou 52,7 milhões de brasileiros, na pobreza ou extrema pobreza, a contabilidade da reeleição do capitão se complica. Considerada sua última cartada entre os pobres, o Auxílio Brasil não surtiu até aqui o resultado esperado. Lula leva de 59% a 20%, quase o triplo, entre quem recebe o antigo Bolsa Família.
Quinta-feira, noite de 26 de abril. Já se encaminhando para dormir, o moderador de um grupo de WhatsApp conceituado em sua cidade, por manter sua diversidade em tempos em que uma simples discordância é encarada como declaração de guerra, esta parece se formar. O assunto é educação das crianças em casa — homeschooling na casa de Noca:
— VOTANDO SIM DEZ VEZES E COMPARTILHANDO! — respondeu a jornalista Anita Ohl, assessora da secretaria de educação da cidade, reenviando outra mensagem pronta de WhatsApp em que formou sua opinião.
— Sem querer ofender… quem for não? Blz. Quem for sim? Blz. Não acho legal impor uma ideia! SOCORRO MODERADOR!!! KKK — opinou o advogado conservador Adriano Saraiva, presidente de um tradicional clube social da região.
— @Adriano Saraiva, penso que esse tipo de postagem não deveria estar aqui. Difícil ignorar — entrou na discussão a professora e sindicalista Eliete Matos, cuja foto no WhatsApp é uma foice cruzada com um martelo.
— Qual? A minha? — arguiu o conservador Adriano.
— Estou me referindo ao compartilhamento da proposta, ao meu ver, indecente —carregou no adjetivo a comunista Eliete.
— @Adriano Saraiva e @Eliete Matos, temperança — pediu um moderador convocado e sonolento.
— Essa é a questão! Dar o direito de quem deseja fazer, decidir por suas escolhas — concordou a jornalista Anita com o advogado Adriano.
— Lugar de criança é na escola. Somente isso — sentenciou a professora e sindicalista Eliete.
— Mas a escola não é onde a criança estiver? — filosofou a jornalista Anita.
— Censura? E se a educação familiar for suficiente? Discriminação? — entrou no papo o deputado estadual e delegado da Polícia Civil Hermínio Labruna, em questionamento a Eliete, já na madrugada de sexta.
— Posso fazer uma enquete? Quem é favorável é descriminalização da maconha? Vou votar contra! Vote NÃO! Posso compartilhar aqui? Só uma pergunta! — forçou na analogia o advogado conservador Adriano. Já se faziam avançados 7 minutos da meia-noite.
ZZZZZZZZZZZ…
— No reservado, @Hermínio Labruna teve a deferência de me informar que sua acusação de censura se deu ao comentário da @Eliete Matos, em debate com o @Adriano Saraiva. Aos quais, como moderador e já indo dormir, me ative a pedir moderação. Mas que trouxeram à tona, neles e em outros, opiniões reveladoras, da educação das crianças à… descriminação da maconha. Nos poucos mais de quatro meses que temos até o primeiro turno de 2 de outubro, os debates políticos se acirrarão ainda mais. Tento ter e manter neste grupo um termômetro da sociedade. Com todos os seus delírios e idiossincrasias, de lado a lado. Espero que, pelo menos neste nosso aquário virtual, não cozinhemos na ebulição — voltou o moderador ao grupo, às 10h22 da manhã de sexta, após ter dormido, acordado e indagado o deputado/delegado sobre sua acusação de censura.
— Sou totalmente a favor da regulamentação, e não da proibição, do homeschooling. Ao invés de tentarmos impor o proibicionismo absoluto, típico de um Estado altamente interventor inchado e autoritário, deveríamos pensar em critérios mínimos necessários e obrigatórios ao homeschooling e maneiras efetivas de se fiscalizar — entrou no debate o advogado criminalista Fábio Armond.
— O Brasil com a maior inflação em 26 anos, com um sem número de semelhantes catando no lixo para ter o que comer, com nossa democracia sob ameaça à luz do sol real, e estamos discutindo a questão “nórdica” da educação das crianças em casa, homeschooling na casa de Noca? É isso mesmo? Independente do resultado das urnas, o diversionismo é o grande vencedor em seus danos talvez irreparáveis ao pensamento nacional. Como disse antes, este grupo é revelador. Mas, como seu moderador, peço licença para sair um pouco dele para passear com meu cachorro. Até para observar nele um pouco de racionalidade — disse um moderador já na tampa de uma função por vezes penosa.
— Sugiro o filme “Um dia muito especial” (1977), de Ettore Scola, mostrando como o fascismo (na Itália de Benito Mussolini) entendia cada homem e mulher destinados a casar e ter filhos para contar com soldados, mesmo sem farda. Uma espécie de milícia preparada para a guerra. E como um celibatário deveria pagar uma taxa por não se casar e ter geração — indicou o historiador e ambientalista Athos Garibaldi.
— Exatamente. É uma discussão nórdica na casa de Noca. Temos muitas outras questões anteriores que precisam ser colocadas em pautas e resolvidas antes dessa. Sugere, neste momento, ser um tema que poderá encobrir outros muito mais urgentes e necessários. Democracia exige, entre tantas outras coisas, que saibamos identificar as questões mais urgentes e necessárias — dialogou com o moderador a médica Vânia Mendes. Era exatamente o meio-dia de sexta.
— O homeschooling não é uma questão de somenos importância, conecta-se com as questões da violência, da igualdade, da cidadania e da democracia, tanto que mereceu a atenção da Unicef, que vem trabalhando pela garantia dos direitos de cada criança e adolescente, concentrando seus esforços naqueles mais vulneráveis, com foco especial nos que são vítimas de formas extremas de violência — reforçou seu ponto de vista o advogado Glauber Trindade, postando no grupo um link da Unicef alertando sobre o tema.
— Mas aqui no Brasil ameaçado pelo fascismo é mais um passo na escalada de desobrigar o Estado das suas obrigações mínimas. Creio que como bem assinalou @Moderador e em posterior assunto do @João Cláudio Azevedo, o amplo diversionismo toma conta das atenções, do tempo e da energia das instituições e da sociedade. Enquanto o fundamental dos direitos dos jovens, adolescentes, idosos não está assegurado. No rumo que vamos, não haverá futuro civilizatório — projetou a produtora cultural Eliana Montinho, voltando na tarde de sexta ao grupo e ao debate que havia aberto na noite de quinta.
— No passeio breve pelas ruas da cidade, homem e cão observaram duas pessoas, em pontos diferentes, catando o que comer no lixo de condomínios de classe média alta. Creio que até ao cão ficou nítido que o Brasil tem problemas mais urgentes do que a educação das crianças em casa, homeschooling na casa de Noca — testemunhou um moderador de volta à casa e ao debate virtual.
— Triste e dura realidade — endossou o historiador e museólogo Cláudio Farias, dando ponto final ao debate com um emoji de choro. Eram 14h54 de sexta.