Autor de notícia-crime no STF contra Bolsonaro no Folha do Ar desta 4ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta quarta, o convidado do Folha no Ar, da Folha FM 98,3, será o advogado André Barros. Autor da notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) que pede o afastamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo crime de genocídio, ele explicará em que se baseia sua ação e quais suas expectativas em relação a ela.

André também falará sobre o atraso da vacinação da vacina no Brasil, inclusive em Campos, que esgotou (confira aqui) suas doses da Coronavc, e sobre a turbulenta instalação hoje da CPI da Covid no Senado Federal. Por fim, tentará analisar Campos a partir dos seus ciclos econômicos e da volta dos Garotinho ao poder.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Campos fica sem Coronavac nesta terça, sem saber quando receberá mais

 

 

Fonte do mais alto escalão do governo municipal garante: nesta terça (27) já faltam vacinas Coronavac em Campos. Fruto do consórcio do laboratório chinês Sinovac com o paulista Instituto Butantan, ontem (25) o munícipio recebeu (confira aqui) 2.030 doses do imunizante contra a Covid. Hoje já aplicou cerca de 1.800 doses. E amanhã restam apenas outras 240, que não darão para atender a demanda. A previsão é de que novas doses só cheguem, sem confirmação ou data certa, neste final de semana. Enquanto isso ser perde o prazo clinicamente indicado para as pessoas que já tomaram a primeira dose e terão a segunda adiada, sem saber ainda para quando.

A ausência de vacinas não é restrita a Campos. E se repetirá, mais cedo ou mais tarde, em todos os estados da União. Em off, todas as fontes municipais da região que lidam diretamente com a vacinação não têm dúvida ao afirmar: a culpa é da total desorganização do governo Jair Bolsonaro (sem partido), que amanhã terá instalada contra ele a CPI da Covid no Senado Federal. Oficialmente, a desculpa da falta da Coronavac será a “falta de insumos”.

Campos recebeu no domingo também 12.670 doses da vacina Oxford/AstraZeneca. Desde que começou a imunização, foram no total 98.911 doses de Coronavac, vacina que começa a falta nesta terça. E que corresponde a 66% de um total de 149.663 das doses recebidas pelo município. Apenas 44%, ou 50.752 doses, são de AstraZeneca.

 

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Restaurante Popular dia 7, Refis no 2º semestre e compromisso com Lagoa de Cima

 

Wladimir Garotinho, Fábio Ribeiro e Arthur Soffiati (Montagem: Joseli Mathias)

 

Prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD) anunciou na noite de hoje (confira aqui) a reinauguração do Restaurante Popular. Está marcada para o dia 7, sexta-feira da próxima semana, com a presença do governador Cláudio Castro (PSC). Também hoje à noite, ele respondeu às críticas do professor e eco-historiador Arthur Soffiati, feitas no Folha no Ar (confira aqui), na Folha FM 98,3, no início da manhã.

A entrevista também gerou manifestação do presidente da Câmara Municipal, vereador Fábio Ribeiro (PSD), sobre o compromisso deste e do Legislativo com a preservação ambiental de Lagoa de Cima. Que, segundo Soffiati, teria um projeto para diminuir a área de proteção da sua margem sendo liderado pelo vereador Anderson de Matos (Republicanos). Com quem o ambientalista disse ter se reunido e marcado sua posição contrária.

Wladimir comemorou a nota 7 dada por Soffiati aos 100 primeiros dias (hoje, 116 dias) da sua administração. Mas respondeu às críticas de que teria demonstrado “fragilidade” às pressões do comércio pela sua reabertura integral neste início de semana, a despeito dos 21 campistas infectados com Covid à espera de leito na rede municipal de saúde. E garantiu: “Se precisar regredir novamente para salvar vidas, assim faremos”.

Quanto às comparações feitas por Soffiati, entre as medidas adotadas pelo governo do município vizinho de Macaé no combate também social e econômico à pandemia (confira aqui), que ainda são só debatidas em Campos, o prefeito prometeu: “No caso do Refis (do IPTU de 2020) também faremos este ano (…) para o segundo semestre”. Além da reabertura do comércio não essencial, essa é uma pauta do setor produtivo goitacá junto ao governo.

Confira abaixo a íntegra da reação de Wladimir à análise do seu governo pelo historiador. E, na sequência, o vídeo de Fábio Ribeiro defendendo a fiscalização ambiental de Lagoa de Cima, em pronunciamento na tribuna da Câmara feito em 2 de março deste ano, mais de um mês antes do questionamento de Soffiati:

Wladimir: “Nota 7 do Soffiati é um bom sinal, mas quero fazer algumas considerações:

1- Se tem uma coisa que eu não faço e reclamar do passado e do meu antecessor, eu pontuo as questões necessárias e sigo adiante. É isso que o povo espera de mim, só reclamar foi a tônica de Rafael Diniz e deu no que deu. Desastre total e ineficiência, boa parte por apatia de um grupo que não tinha confiança porque o ‘líder’ só murmurava.

2- Política é a arte de dialogar, mas todas as decisões da pandemia são tomadas pelos técnicos em saúde pública. Se precisar regredir novamente para salvar vidas, assim faremos.

3- O prefeito de Macaé é uma continuidade de gestão, tem as contas organizadas e um mesmo grupo ao seu redor. É mais simples dar sequência do que começar do zero. No caso do Refis também faremos este ano, está no planejamento para o segundo semestre”.

 

Fábio Ribeiro:

 

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Nota 7 com crítica à fragilidade de Wladimir e a projeto na Câmara a Lagoa de Cima

 

Professor e eco-historiador Arthur Soffiati (Foto: Folha da Manhã)

 

Nota 7 para os 100 dias do governo Wladimir Garotinho (PSD), mas com ressalvas. O prefeito de Campos estaria atrás de outras novas administrações da região, como o governo de Werberth Rezende (Cidadania) no município vizinho de Macaé. E demonstraria “fragilidade” a pressões, como as do comércio campista pela reabertura de suas atividades não essenciais, quando a cidade chegou a esta semana ainda com 30 doentes de Covid na fila de espera por leito. A mesma nota 7 também foi atribuída aos 100 primeiros dias ao novo Legislativo goitacá. Cuja nota 9,5 dada em entrevista à Folha publicada (confira aqui) no último sábado, pelo presidente da Casa, vereador Fábio Ribeiro (PSD), foi considerada “muito ambiciosa”. O limite a essa ambição foi individualizado com um aviso ao edil Anderson de Matos (Republicanos), na insistência do projeto deste para a redução da faixa de proteção no entorno da Lagoa de Cima: “A gente vai se encontrar mais adiante”. Foi o que o professor e eco-historiador Arthur Soffiati disse no início da manhã de hoje ao Folha no Ar, na Folha FM 98,3.

— Nota 7 (ao governo Wladimir). Primeiro porque ainda são 100 dias (hoje, 126 de gestão), avaliação que não garante que os rumos tomados continuem na mesma direção até o final do mandato. Segundo, essas hesitações do prefeito em relação à pandemia. Terceiro, pensar que se governa ainda no período das “vacas gordas”, quando as vacas já estão emagrecendo. É preciso saber como fazer essa transição de um período em que os royalties não foram aproveitados para o desenvolvimento com sustentação do município. Agora fica reclamando que não tem recurso. Eu sei que a culpa não é de Wladimir, mas ele está ligado a isso pela sua família. Quarto, eu não estou pedindo que Campos seja a liderança regional, mas a gente vê que o prefeito de Macaé (Welberth Rezende, confira aqui) de uma certa maneira está; com relação à pandemia, pelo menos. Eu sei que ele (Wladimir) está lutando: empreguismo, não (confira aqui, na entrevista do prefeito sobre os seus 100 dias ao Folha no Ar)! Há pressões em cima e ele tem que saber lidar com elas. A essas pressões que os comerciantes fazem e acho que está no direito deles; é difícil também eles compreenderem a importância dos lockdowns. E há a fragilidade do prefeito em levar adiante uma postura mais firme, com relação ao lockdown e em atender tanto a esses empresários, quanto à população campista (com programas como o Refis do IPTU de 2020 e de assistência social adotados em Macaé) — apontou Soffiati ao Folha no Ar.

O professor aposentado da UFF-Campos e eco-historiador também estendeu sua análise crítica, na mesma nota 7 aos primeiros 100 dias, à Câmara Municipal. Dada pelo seu presidente à Folha, a nota 9,5 foi questionada por Soffiati. Que personalizou esses questionamentos, na sua área de meio ambiente, ao vereador Anderson de Matos, em projeto que este lidera para diminuir a faixa de proteção da margem da Lagoa de Cima:

— Eu dou a mesma nota 7,5 ao Executivo e à Câmara de Campos. Eu acho que a nota 9,5, dada pelo presidente da Câmara à própria Câmara, foi muito ambiciosa. Eu acho que ele não teve a capacidade de sair de si mesmo e olhar de fora. Existe neste momento um projeto na Câmara Municipal, por um vereador ou de mais, de grupos interessados em reduzir o limite de proteção da margem da Lagoa de Cima, alegando-se que ela é muito bonita e tem que ser explorada turisticamente. Tudo bem, explora turisticamente a partir dessa linha, que é de 300 metros. Querem reduzir para 50 metros? É 1/6 da área de proteção da lagoa. A gente sabe que se tiver uma cheia, acaba tudo quanto é hotel à margem, acaba com tudo que é casa. Eu sei que existem muitas, e não só de pobres; de ricos também. E vão perder tudo no caso de uma nova cheia. Se fosse na década de 30 (do século 20), como o Iate Clube que está lá dentro da lagoa, tudo bem; é o que era permitido. Hoje não é mais. A gente tem que considerar que os tempos mudaram, que a gente está numa crise ambiental global e que a Lagoa de Cima, até onde eu saiba, não está em Marte. O vereador é o Anderson de Matos. Eu tive uma conversa com ele, em seu gabinete, muito afável, muito educada, mas quando ele firmou posição nessa defesa da diminuição dessa margem de proteção, eu falei: “Está certo. A gente vai se encontrar mais adiante”.

Na esfera nacional, Sofffiati também teceu pesadas críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Que, para o historiador, agiu e age dolosamente em relação ao povo brasileiro durante a pandemia, na busca da suposta imunidade de rebanho, com uma crueldade que não é observada na natureza em babuínos, primatas africanos, assim como o homem.

— Bolsonaro entendeu que essa imunidade de rebanho seria conseguida com a contaminação das pessoas. E quem morreu, morreu. Quem viveu é o forte. É um darwinismo social bastante primário, que nem certas espécies animais adotam em termos de comportamento. Quando a gente vê, por exemplo, os babuínos saindo de um ponto elevado, atravessando uma planície para um outro ponto elevado, os machos foram duas colunas e as fêmeas e os filhotes vão no centro, protegidas. Então, até entre eles, existe um espírito de corpo de proteção. Agora, essa de tentar conseguir uma imunidade de rebanho sem vacina, jogando as pessoas em aglomerações, jogando as pessoas na rua, no trabalho, e deixar que se contaminem, é aquilo que ele falou: “e daí?”; “eu não sou coveiro”. E mostrou que, de fato, ele despreza muito a vida. O que Bolsonaro defende nessa questão de direito de ir e de vir, que é um direito constitucional, é o direito de ir para o hospital e o direito de vir para o cemitério.

 

Confira abaixo, em três blocos, os vídeos da entrevista do professor e eco-historiador Arthur Soffiati ao Folha no Ar, na Folha FM 98,3, no início da manhã de hoje:

 

 

 

 

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Assintomático, vice-prefeito Frederico Paes testa positivo para Covid

 

(Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Vice-prefeito de Campos, Frederico Paes (MDB) testou positivo para a Covid-19. O resultado do exame de sangue feito na sexta (23) saiu na manhã de hoje. Pela regularidade da sua visita a hospitais e o contato diário que é obrigado a manter com várias pessoas, ele repete quinzenalmente o exame. Apresenta quadro assintomático e fez hoje um teste PCR para confirmar, embora já se mantenha em quarentena desde que recebeu a notícia.

Aqui, nas suas redes sociais, e na transcrição abaixo, Frederico comunicou publicamente seu teste positivo para a Covid:

— Desde o início da pandemia, tenho me cercado de cuidados, como o uso de máscaras e higienização das mãos, porque sei da importância da prevenção. E mesmo sem apresentar sintomas, testes de rotina que fiz deram positivo para Covid. Quero tranquilizar a família e amigos, dizendo que estou bem, e pedindo a população que siga cuidando de sua vida e ajudando nesta luta contra a Covid-19, respeitando os protocolos. Vou seguir trabalhando remotamente por nossa cidade e em breve vamos estar juntos.

 

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CPI da Covid, Bolsonaro x Lula e Campos por Brasília no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta terça (27), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, será Luiz Carlos Azedo, jornalista e articulista do Correio Braziliense. No dia da instalação da CPI da Covid no Senado Federal, pela qual o governo Jair Bolsonaro (sem partido) já listou (confira aqui) 23 pontos em que espera ser investigado, o conhecedor dos meandros de Brasília tentará projetar o que se pode esperar.

A pouco mais de 17 meses das urnas, Azedo também analisará a polarização que hoje todas as pesquisas indicam, entre Bolsonaro e o ex-presidente Lula (PT), na disputa pelo governo federal em 2022. Por fim, o jornalista dará a visão do Planalto Central sobre a planície goitacá, a partir dos seus ciclos econômicos e a volta dos Garotinho ao poder no município.

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Bolsonaro na Cúpula do Clima, pandemia e gestão Wladimir no Folha no Ar desta 2ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta segunda (26), o entrevistado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, será o professor, escritor e eco-historiador Arthur Soffiati. Ele analisará a participação do Brasil, representado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na Cúpula Mundial do Clima da última quinta (22), convocada pelo presidente dos EUA, Joe Biden. Soffiati também tentará analisar em perspectiva histórica a pandemia da Covid-19, em Campos, no Brasil e no mundo. E fará sua avaliação dos 100 primeiros dias do governo municipal Wladimir Garotinho (PSD).

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Marcelo Lessa — Filosofia na prática do próprio umbigo define Campos na pandemia

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Marcelo Lessa Bastos, promotor de Justiça da Promotoria de Proteção aos Direitos Difusos de Campos (Foto: Divulgação)

Os umbigos de Habermas

Por Marcelo Lessa Bastos

 

Jürgen Habermas, filósofo e sociólogo alemão contemporâneo, com sua Teoria da Ação Comunicativa, pode ajudar a compreender o quão difícil é tirar um consenso quando se dispõe a compartilhar decisões acerca das medidas a serem tomadas como forma de enfrentar a pandemia de Covid-19.

É que, nas reuniões do Gabinete de Crise, têm ficado mais evidentes as ações estratégicas, do que as ações comunicativas. A ação comunicativa, de acordo com o pensamento habermasiano, é a comunicação propriamente dita, sem nenhuma intenção dissimulada. É a ação voltada para o entendimento. Já a ação estratégica é a comunicação manipulada, o discurso insincero, que beira o estelionato, ainda que possa estar voltada para um fim legítimo. Tem sido emblemático o fato de que, logo após a exposição minuciosa de argumentos técnicos, embasados na ciência médica e na ciência matemática — ainda que se possa discordar técnica e racionalmente da primeira, porque uma ciência humana, da segunda isto não é possível, pois é uma ciência exata! —, por parte de quem traz na biografia mais do que qualquer autoridade política de ocasião, mas uma inquestionável autoridade acadêmica, seguem-se falas leigas, às vezes com referências a terceiros, às vezes com referências a meros palpites reverberados pelas redes sociais, na busca de desqualificar o discurso afinado e endossado pelas principais comunidades médicas e entidades científicas mundialmente reconhecidas. E isto no intuito de privilegiar seus próprios interesses, que vão de religiosos a econômicos. Em outras palavras, dizem os “oradores estratégicos” que apoiam as medidas de restrição, desde que restrinjam as atividades dos outros, não as suas, porque acreditam, ora com base nos palpites que entoam como mantras, ora até com base em estudos técnicos, mas de aceitação minoritária entre os especialistas, que a sua própria atividade não tem relevância para a disseminação do novo coronavírus. Fosse acolher a proposta de cada “orador estratégico” individualmente, absolutamente tudo estaria aberto, nada se restringiria, e os “oradores comunicativos”, cuja fala se embasa na Ciência, seriam meros profetas do Apocalipse, unidos numa conspiração para arruinar as economias local e, quiçá, mundial. Seria como se não houvesse amanhã. E provavelmente não haveria mesmo…

 

 

Enquanto os debatedores não conseguirem deixar um pouco de lado os seus próprios interesses e pararem de olhar para o seu próprio umbigo, nunca essas reuniões chegarão à situação ideal de fala como ensina Habermas, embora reconheça que isto é uma utopia e somente exista no mundo contrafático. No entanto, ainda que utópica, a situação ideal de fala é um paradigma importante para se aferir a legitimidade da deliberação pública, porque quanto mais próxima dela estiver (resultado de ações comunicativas), mais democrática será; e quanto mais longe estiver da situação ideal de fala (porque resultado de ações estratégicas), mais arbitrária será.

Para que se tenha uma situação ideal de fala é preciso, segundo a lição habermasiana, que o grupo que se reúne para chegar a um acordo tenha as seguintes características: 1) não-limitação, ou inexistência de qualquer limitação entre os debatedores, que precisam ter o mesmo nível cultural e as mesmas características, conhecendo – conhecendo mesmo, através da ciência, não da reprodução de palpites! – amplamente o assunto em debate; 2) não-violência, a inexistência de qualquer tipo de pressão sobre os debatedores ou, pior, dos próprios debatedores, para contextualizar a lição; e 3) seriedade, no sentido de nenhum dos debatedores estarem orientados por ações estratégicas, com ideias pré-concebidas para defesa de seus próprios interesses econômicos acima de tudo, pré-conceitos, inclusive de origem ideológica, tudo isto para contextualizar também a lição, trazendo-a para os dias atuais.

Em uma situação ideal de fala, não há critérios de autoridade e nem grupos de pressão econômica, religiosa, ideológica, ou o que seja. Em uma situação ideal de fala, obtém-se um acordo racionalmente fundamentado, pela força do melhor argumento.

Quando o gestor público se dispõe a compartilhar decisões que, pela legitimidade de sua investidura, seriam suas por direito, dá um importante e elogiável passo no sentido de construir uma decisão racional. Merecia uma situação ideal de fala. E não ter que, depois dessa nobre iniciativa, ficar administrando conflitos de umbigos.

A insinceridade de alguns debatedores fica mais do que evidenciada quando, vencidos na reunião de que participam, organizam manifestações que resultam em aglomerações de pessoas, no que deixam clara e indisfarçável sua ação estratégica, mesmo que, no fundo, saibam que o preço disto pode vir a ser contribuir para uma quarta onda, a desencadear, de uma forma ou de outra, a retomada de todas as restrições, estágio a que nenhum dos debatedores, nem os “oradores comunicativos”, deseja retroceder. Mas, se assim tiver que ser, é uma responsabilidade a que a autoridade maior jamais poderá se furtar.

Saindo um pouco da filosofia, para deixar ainda mais clara a mensagem que pretendo deixar com esse texto: estamos todos no mesmo barco! E só há uma forma de sairmos vivos dele: juntos!

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã

 

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Crise, Covid, governo, oposição e 2022 com nota 9,5 a Wladimir e Câmara

 

Nota 9,5 aos primeiros 100 dias do governo Wladimir Garotinho (PSD) e da nova Câmara Municipal. Esta foi a avaliação do presidente da última, vereador Fábio Ribeiro (PSD), que também fez a autocrítica do retorno do seu grupo político ao poder municipal: “falta-nos um pouco de integração”. Ele falou da crise financeira goitacá e da busca de alternativas, bem como da pandemia da Covid na cidade, que colocou como maior desafio até aqui, não só do Legislativo, como do Executivo, “Judiciário, MP e toda a sociedade civil organizada”. Na vacinação contra a Covid, cobrou ação “do governo federal que precisa tomar providências urgentes para acelerar essa distribuição”. Mas não deixou de dar eco aos questionamentos à restrição social feitos por quase todos os 25 vereadores: “não podemos pesar muito a mão e arriscar acabar de vez com nossa economia”. Também discordou dos questionamentos de juristas à anulação retroativa, pela atual Legislatura, da condenação das contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha (Pros). Elogiou a oposição dos vereadores Marquinho Bacellar (SD) e Abdu Neme (Avante), disse não ver insatisfação na base governista e projetou seu nome a deputado estadual em 2022, pregando uma “candidatura única ou majoritária dentro da Casa”.

 

Fábio Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Campos (Foto: Divulgação)

 

 

Folha da Manhã – Há duas semanas, quando se completaram 100 dias do seu grupo político no poder municipal, seis representantes da sociedade civil analisaram o governo Wladimir, com uma nota média de 7,5? Qual você daria? E à Câmara sob sua presidência? Por quê?

Fábio Ribeiro – Por não ter se acovardado ante as dificuldades, como um resto a pagar de mais de R$ 300 milhões, e se mostrado disposto a resolver os problemas de Campos, dou nota 9,5 ao prefeito. Ele regularizou o pagamento dos servidores públicos, conduz muito bem a questão da Covid. Falta um pouco de coordenação política, mas isso é o forte do prefeito e ele logo vai ajustar. Também dou 9,5 à Câmara. Os vereadores foram para a rua, limparam praças, fiscalizam todos os serviços. Implantamos três grupos de trabalho para atuar na pandemia, criamos mais de 15 leis! Focamos em soluções para a coletividade. Falta-nos um pouco de integração, mas estamos só começando.

 

Folha – Após a série de 11 painéis da Folha, de julho e setembro de 2020, a grave crise econômica de Campos não era segredo a ninguém. Que foi ratificada por Wladimir em 7 de janeiro, ao decretar estado de calamidade financeira. Qual o papel da Câmara em seu enfrentamento?

Fábio – De 7 de janeiro para cá, com decretações de lockdown, a crise financeira aumentou e a Câmara tem assumido um papel de protagonista nos debates, ouvindo entidades de classe, representantes de diferentes segmentos, e conversando com o Executivo para criar soluções e minimizar os efeitos da crise. Já aprovamos várias resoluções com melhorias para o setor econômico.

 

Folha – Na série de painéis da Folha, com 34 representantes da sociedade civil, três opções à crise financeira foram unânimes: retomada da vocação agropecuária, parceria com as universidades e adoção integral do pregão eletrônico nas compras. Ouvido na Folha FM 98,3 sobre seus 100 dias, Wladimir falou sobre as duas primeiras, mas postergou a terceira. Qual a sua opinião?

Fábio – Concordo, mas precisamos fazer considerações. Retomar a agropecuária depende do fortalecimento do interior, de melhorar a estrutura das estradas vicinais e também das principais, que foram por quatro anos esquecidas. A parceria com as universidades deve também apontar soluções para a formação de mão de obra para o setor terciário, que é muito grande em Campos. Já o pregão eletrônico intervém na questão financeira, pois funciona em âmbito nacional e as licitações teriam concorrentes de vários estados. A preocupação é se isso desprestigiaria empresas locais. É uma questão que requer atenção, porque traria mais eficiência ao contratar serviços e produtos a preços menores, mas esse menor preço também pode ser praticado aqui.

 

Folha – Embora todos os especialistas em Campos e no Brasil também apontassem que se daria, o novo agravamento da pandemia da Covid se transformou no principal desafio da cidade e do país em 2021. Que papel o Legislativo goitacá vem desempenhando em seu enfrentamento?

Fábio – O papel de protagonismo social, não só com a mediação dos debates, mas na busca e propositura de soluções. Implantamos Grupos de Trabalho Extraordinários, para fiscalizar a vacinação, a ocupação de templos religiosos e a curva da pandemia com suas consequências na economia. Aprovamos leis de prioridade de vacinação para categorias, entendendo que, se a atividade é essencial e não pode ser paralisada, então a mão de obra dessa atividade também tem que ter prioridade.

 

Folha – Com o ritmo lento da vacinação em todo o país, fruto da política negacionista do governo federal, Campos também tem tido problemas na imunização. Primeiro na centralização dos postos de vacinação, o que foi sendo corrigido. E na última terça (20), o município parou de aplicar a segunda dose da Coronavac, por falta de vacinas. Como a Câmara analisa a questão?

Fábio – A vacinação é a principal solução para a pandemia, porém a distribuição da vacina é feita pelo governo federal, que precisa tomar providências urgentes para acelerar essa distribuição. Em Campos, a organização da vacinação melhorou muito, com novos postos de imunização. Mas, enquanto aguardamos a aquisição direta de vacinas, prevista no protocolo de intenções assinado pelo município e ratificado pela Câmara, ainda dependemos muito do governo federal.

 

Folha – Também apontado por todos os especialistas como necessário, o distanciamento social para frear o avanço da pandemia enfrenta resistências, pelo negacionismo bolsonarista e/ou exaustão financeira do comércio. Campos não foi exceção nos dois lockdowns decretados por Wladimir, questionado praticamente por todos os vereadores. Como enxerga a questão?

Fábio – Além da saúde e para a própria saúde, o conceito de vida implica atividade física, sentimento religioso, dignidade do trabalho. É preciso equilíbrio entre distanciamento social e esses direitos constitucionais, mas não podemos pesar muito a mão e arriscar acabar de vez com nossa economia. Campos vive uma crise financeira e temos de olhar primeiro para a saúde, sem deixar de lado a economia. É difícil e tem risco. Precisamos de uma grande campanha de educação, para massificar a importância do isolamento social, mas de forma a não causar mais prejuízo à nossa economia.

 

Folha – Segundo a Folha levantou nos cartórios, Campos já tinha passado dos mil mortos de Covid desde o final de março, número que os dados oficiais só registrariam em 15 de abril. Na Folha FM, Wladimir alertou ao risco de colapso até do sistema funerário. Que dimensão a Casa do Povo dá a essa mortandade do seu povo, negada por vereadores como Beto Abençoado (SD)?

Fábio – A questão do número de óbitos pela Covid é bastante questionada não só em Campos como no estado e país. É importante o equilíbrio. A Prefeitura se empenha na criação de mais leitos clínicos e de UTI, mas não basta. Temos de fazer nossa parte, com o isolamento dentro do possível e com todos cumprindo o distanciamento no caso de mais flexibilizações. Campos precisa de união no combate à Covid-19 e o primeiro ponto tem que ser a conscientização da população.

 

Folha – Entre os sobreviventes, duas demandas da Covid se impõem: assistência social à população carente que perdeu sua subsistência e medidas compensatórias, como isenção tributária, ao setor produtivo. O que o poder público municipal de Campos tem feito nessas duas frentes?

Fábio – A Prefeitura age nessas frentes. É visível, por exemplo, a redução da população em situação de rua em Campos. O Refis deve acontecer a partir de maio e outra solução apontada foi a de suspender o pagamento de IPTU e outros tributos de 2020 para cá. O município fez duas ações pelo Fundecam: o financiamento de R$3 mil por CPF e R$ 6 mil por CNPJ e, aprovado em sessão na terça-feira, o projeto de lei sobre a equalização de dívidas de até R$ 10 mil. As duas ações são voltadas para o pequeno e microempreendedor. Agora vamos buscar soluções para médias e grandes empresas.

 

Folha – A Câmara aprovou três CPIs: do Transporte, da Educação e da Saúde. As duas primeiras investigarão até 31 de dezembro de 2020. Mas a terceira pode se estender até os oito primeiros meses do governo Wladimir. A presidência “comeu mosca” nesse prazo? Como estão os trabalhos nas três? Que projeção faz dos seus resultados?

Fábio – Na Câmara há duas CPIs funcionando: do Transporte e da Saúde. A da Educação foi aberta, mas ainda estamos aguardando com os partidos a sua composição. A CPI da Saúde não tem como objeto o governo atual, que temos acompanhado e fiscalizado de perto. Inclusive, todos os ofícios de solicitação de informação das CPIs estão limitados a 31 de dezembro de 2020. Os vereadores membros estão se empenhando ao máximo nas Comissões, com reuniões semanais e que devem iniciar, logo, a oitiva de testemunhas.

 

Folha – A atual Câmara anulou a condenação pela Legislatura passada das contas da ex-prefeita Rosinha (Pros) relativas a 2016, seguindo o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Juristas como o presidente da OAB-Campos, Cristiano Miller, e Carlos Alexandre de Azevedo Campos, ex-assessor do Supremo Tribunal Federal (STF), foram muito críticos à decisão. Qual a sua visão?

Fábio – Em que pese meu respeito e admiração pelos dois juristas, sou contrário a eles porque, diante do princípio da continuidade, a Administração Pública pode rever seus atos a qualquer momento, e foi bem claro, conforme parecer do Procurador de Carreira da Casa, o cerceamento ao direito da ampla defesa no momento da sessão de apreciação das contas da prefeita Rosinha. Não havia na Casa regulamento sobre o procedimento das prestações de contas. Não só anulamos a sessão que julgou as contas, mas criamos o rito que, doravante, terá de ser seguido na apreciação de todas as contas.

 

Folha – A despeito da renovação, a nova Câmara tem como característica negativa a ausência de mulheres. Outro ponto apontado como desfavorável, ao equilíbrio entre os Poderes, é o fato ter apenas um vereador de oposição, Marquinho Bacellar. Qual a sua análise?

Fábio – A falta de mulheres em nossa Legislatura é bastante sentida, mas respeitamos a decisão do eleitor e nos empenharemos na defesa dos direitos da mulher. Quanto à oposição, acho que o importante não é a quantidade, mas a qualidade. Uma oposição pode ser muito boa, independente do número, se focada em soluções e críticas coerentes. Acredito na representação da oposição, pois o vereador Marquinhos Bacellar tem experiência política e, voltado para sugestões e resoluções, contribuirá muito conosco, assim como o Dr. Abdu Neme.

 

Folha – As discussões sobre as eleições de 2022 já se dão abertamente. Além da pretensão natural à reeleição de Clarissa (Pros) a federal e Bruno Dauaire (PSC), a estadual, também aparecem com força no seu grupo político as pré-candidaturas sua e do também vereador Juninho Virgílio (Pros), seu 1º vice, à Alerj. Sinceramente, qual a sua projeção?

Fábio – Por ora, prefiro focar nas ações que temos de propor e realizar para atender às necessidades do município, que são urgentes. Estamos discutindo a crise financeira e da Covid, mas temos outras necessidades que precisam entrar no debate político antes das eleições. Porém, defendo que a Câmara tenha sim um postulante à vaga da Alerj, seja ele quem for. Acho que faz falta, como na legislatura passada, uma candidatura única ou majoritária dentro da Casa, para que a gente possa fortalecer o Legislativo Municipal. Mas, sim, espero ser projetado nas próximas eleições.

 

Folha – Outro assunto político falado abertamente é a insatisfação dos vereadores da base com Wladimir. Na Folha FM, ele negou a questão, mas frisou que não pode ceder ao “empreguismo”. E falou que essa relação deveria ser intermediada por você, como presidente, e o líder governista Álvaro Oliveira (PSD). Concorda com o prefeito? Por quê?

Fábio – Não vejo essa insatisfação, nem o empreguismo como uma coisa latente. A gente veio de um modelo de governo em que muitos dos vereadores da base não foram reeleitos, mesmo tendo suas vagas. A exemplo, um vereador que, em um áudio que vazou, cobrava sua defesa a “seus” DAS e RPAs. O desemprego é grande em Campos e vamos buscar a geração de empregos pela iniciativa privada.

 

Folha – Também não é segredo talvez que o principal objetivo da sua presidência é a reaproximação da Casa do Povo com o povo de Campos. É? Como pretende fazê-la? Em que a negação da política atrapalha nesse processo, inclusive na grande renovação que impôs à nova Câmara, com muitos edis de primeiro mandato e pouco experientes?  

Fábio – A renovação da Casa mostrou a insatisfação do eleitor com o modelo passado, com vereadores de gabinete. A Câmara mudou. Os vereadores estão na rua, vendo as necessidades e buscando soluções. Debatemos todas as questões inerentes ao município. Promovemos discussões e trazemos técnicos e secretários para esses debates. Mas a forma de nos aproximar do povo é fisicamente e legislando exclusivamente por soluções para a coletividade. Os 25 legisladores são muito atuantes em suas comunidades e mesmo fora de seus redutos, e isso já está fazendo a diferença.

 

Folha – Até aqui, nestes pouco mais de 100 dias, qual foi o principal desafio da Câmara e da sua presidência?

Fábio – O grande desafio foi e é o combate à Covid e suas consequências. É uma luta desigual, pois não sabemos exatamente o que enfrentamos nem por quanto tempo. A solução é a união do Executivo e Legislativo, com o Judiciário, MP e toda a sociedade civil organizada. Precisamos dialogar e agir com o mesmo interesse: o bem comum. Por mais que, na Casa, tenhamos divergências, temos um foco: o bem comum. Acredito que os 25 vereadores estão empenhados em melhorar as condições de vida da população e em reconstruir Campos, e esse desafio está se tornando o nosso ponto forte.

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã

 

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Covid: Macaé promove Refis do IPTU enquanto Campos só debate

 

Welberth Rezende, prefeito de Macaé (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Agravada pelo atraso na aquisição e distribuição de vacinas pelo governo federal, a pandemia da Covid-19 afeta gravemente todo o Brasil. Mas, para atenuar seus danos nas esferas sanitária, econômica e social, há medidas que os municípios podem adotar por conta própria. Em Macaé, isso já é realidade desde o governo municipal passado. E se ampliou no atual, do prefeito Welberth Rezende (Cidadania), que anistiou do pagamento de juros e multa os pagamentos de ITPU de 2020 atrasados. Atrasado em relação ao município vizinho, Campos dos Goytacazes, por exemplo, ainda discute a possibilidade do Refis do seu IPTU de 2020, pleito das entidades do setor produtivo.

Enquanto isso, na comparação entre as linhas de frente da pandemia, Campos tinha até ontem 33 pessoas na fila de espera por leito para Covid. Enquanto Macaé tinha vagos 22 dos seus 67 leitos para UTI (68% de ocupação) e 45 dos seus 110 leitos clínicos (62% de ocupação). Segundo relatório divulgado ontem (23) pelo Grupo de Trabalho Multidisciplinar da UFRJ, entres quatro municípios analisados na última semana (Rio de Janeiro, Niterói, Macaé e Duque de Caxias), mais o Estado do Rio como um todo, Macaé apresenta o menor risco (0,92%) na transmissão de Covid. Assim como a segunda menor letalidade da doença: com 1,97%, só perde no quesito para Niterói, que registrou 1,76%. “Não é ninguém de Macaé falando, mas um estudo totalmente independente da UFRJ, o que é bem legal”, ressaltou Welberth.

 

(Infográfico: UFRJ)

 

Com aval da UFRJ, Macaé vem ampliando seu trabalho de enfrentamento à pandemia, que não se dá só no campo da saúde. O Refis do seu IPTU beneficiou diretamente 21.787 contribuintes, que puderam rolar o total de R$ 3,6 milhões em débitos municipais. O que amenizou as perdas financeiras dessas pessoas físicas e jurídicas, sobretudo no comércio formal. Foi fruto da Lei Complementar 296/2021 sancionada por Welberth e publicada em Diário Oficial (DO) desde 25 de março, que beneficiou também o comércio informal da cidade. Os empreendedores de baixa renda que estão em dia com a taxa de autorização relativa a 2020, ficaram isentos do pagamento referente ao exercício de 2021. Mas não foi a única medida adotada no município para a assistência social da população carente durante a pandemia.

Com 15 mil famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, segundo cadastro federal do CadÚnico do Bolsa Família, Macaé também deu seguimento e ampliou outro programa de assistência criado na gestão passada: o Bolsa-Alimentação. Através dele, 6 mil dessas 15 mil famílias recebem todo mês R$ 200 por cada aluno matriculado na rede pública municipal. O objetivo é ajudar a custear em casa as refeições que as crianças faziam antes da pandemia com a merenda escolar. Para também garantir renda mínima às 9 mil famílias de baixa renda sem filhos em idade escolar, geralmente casais idosos, a administração Welberth também criou o Cartão Cesta-Básica, que paga R$ 130.

Além da segurança alimentar das famílias macaenses em situação de pobreza e extrema pobreza, os dois programas tem reflexos financeiros. Com o Bolsa-Alimentação, R$ 8,4 milhões circulam todo o mês também no comércio local, no total de R$ 109 milhões nos últimos 13 meses, desde que o benefício começou a ser pago em 2020. Já com o Cartão Cesta Básica, são mais R$ 1,17 milhão injetados mensalmente na economia do município. Mas o prefeito já aprovou na Câmara Municipal de Macaé e sancionou três outras iniciativas destinadas à assistência da população carente.

A primeira é o Cartão Macaense, que pagará mensalmente mais R$ 200 para cada uma das 15 mil famílias carentes do município já assistidas pelo Bolsa-Alimentação, ou pelo Cartão Cesta Básica. Além disso, os comerciantes informais que já tinham sido beneficiados com a isenção da taxa de autorização em 2021, desde que em dia com 2020, vão receber da Prefeitura um auxílio de R$ 1 mil, dividido em duas parcelas de R$ 500. Outras duas parcelas do mesmo valor serão também pagas aos 210 feirantes e ao pessoal terceirizado que servia na rede pública municipal de ensino: 330 merendeiras, 940 motoristas de vans escolares e 320 auxiliares de serviço escolar. No total, serão mais 1.800 beneficiados no momento de crise. Com reflexo direto no aquecimento da economia de Macaé.

— Quando assumi a Prefeitura, em janeiro, estávamos com uma taxa de ocupação de UTI por Covid em 28%. Assim mesmo, mantivemos os benefícios que já vinham sendo pagos. Com a nova explosão de casos, a partir de março, abrimos mais 15 leitos de UTI, passando de 53 a 67, e leitos clínicos, de 67 para 110. Nossa pior demanda foi o kit intubação. Na semana retrasada, chegamos a ficar com medicamentos de sedação e bloqueio neuromuscular só para mais um dia. Tentamos e não conseguimos comprar, mesmo dispostos a pagar a elevação de preços absurda do mercado. Foi uma imensa aflição, até que chegaram novos kits do governo estadual. Apesar da irregularidade no envio das novas remessas, temos avançado na vacinação, com mais de 11% da população com a primeira dose (30.659 até ontem, em 261.501 macaenses) e mais da metade disso já com a segunda (16.094, ou 6,15%). E sempre com o cuidado de reservar a segunda dose (até ontem, eram 5.030 doses reservadas a esse fim), para não faltar. Estamos também investindo pesado em testagem, o que não é barato, mas necessário para monitorar a doença, com quatro Centros de Testagem de Covid (CTCs). Fomos o primeiro município do Estado do Rio a fechar praias, cachoeiras e praças. Debatemos e recebemos apoio do comércio para as medidas de restrição social. Remanejamos toda a atenção e recursos de áreas como obras, turismo, esportes e cultura para saúde e assistência social. Com a nova onda da doença, rolamos tributos municipais, ampliamos os programas assistenciais criados por conta da Covid e criamos quatro novos outros, para garantir uma renda mínima às famílias carentes. E assim injetamos dinheiro todo mês na economia local. Para isso fui eleito prefeito pelo povo de Macaé — concluiu Welberth.

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã

 

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Em seu pior momento até aqui, Bolsonaro já não mete medo em ninguém

 

Campanha “350 mil caixões fehcados com Bolsonaro” espalhada em 15 outdoors pelas ruas de Campos (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

 

Bolsonaro já não mete medo em ninguém

 

Lula está de volta ao jogo. Com a decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) da última quinta (15), por 8 votos a 3, foram anuladas as suas condenações na outrora louvada Lava Jato de Curitiba. Na dúvida se as ações recomeçarão nas primeiras instâncias federais de São Paulo ou Brasília, uma certeza: o líder petista recuperou seus direitos políticos. E, após ser preso e impedido de disputar as eleições presidenciais de 2018, disputará as de 2022. A hipótese de ser novamente condenado em primeira e segunda instâncias, embora possível, condenaria aos olhos do mundo o Estado Democrático de Direito no Brasil.

Já condenado aos olhos do mundo (confira aqui e aqui), onde o Brasil virou motivo de chacota, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sempre esteve no jogo da sua reeleição. Por ela agiu desde que assumiu o país em 1º de janeiro de 2019. O problema é que, desde lá, não desceu do palanque e esqueceu de governar. Como seu “mito” Donald Trump nos EUA, se elegeu com o uso desavexado de fake news nas redes sociais. E também pensou que bastaria passar quatro anos assim, para ganhar outros quatro nas urnas. No fenômeno que o hoje falecido filósofo italiano Umberto Eco vaticinou ainda em 2015: “as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”.

 

 

Um ano após Eco ecoar sua advertência, o termo fake news não seria criado pela academia, mas pela imprensa dos EUA, na eleição presidencial do país em 2016. Designava as notícias falsas contra a candidata democrata Hillary Clinton, favoráveis ao republicano Trump. Foram criadas por hackers recrutados no Leste da Europa por Vladimir Putin, presidente vitalício da Rússia. Ex-oficial da KGB, polícia secreta e política da ex-União Soviética, Putin queria retomar a influência russa sobre antigas repúblicas soviéticas, como a Geórgia e a Ucrânia, sem a interferência dos oito anos do governo democrata Barack Obama. Que correriam à rédea solta nos quatro anos de Trump.

A despeito da fidelidade canina a Trump por Bolsonaro, é equivocado supor que este introduziu as fake news na eleição presidencial brasileira em 2018. Quatro anos antes, catapultada pela morte do presidenciável Eduardo Campos em acidente de avião, sua vice Marina Silva assumiu a chapa do PSB e passou a pontear a corrida ao Palácio do Planalto. Era 2014 e ela foi a primeira a ameaçar de fato a polarização entre PSDB e PT, que então se revezavam no governo do Brasil há 20 anos, desde a eleição de Fernando Henrique Cardoso em 1994. E, mesmo ex-petista e sua ex-ministra do Meio Ambiente, Marina foi alvo de mentiras sórdidas do PT, de Dilma e de Lula na campanha.

 

 

Em 2014, dois anos antes da imprensa dos EUA criar o termo, as mentiras eleitorais do PT só não eram ainda chamadas de fake news. Nem tinham como principal veículo de difusão as redes sociais, mas a TV das campanhas hollywoodianas do partido, custeadas com dinheiro público. Se não criou as fake news, Bolsonaro passou a usá-las em escala exponencial nas redes sociais. Em esquema mais tarde transplantado ao governo no “gabinete do ódio”, alvo de investigação no STF e onde atua o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) — também conhecido como 03, Carluxo ou Tonho da Lua — em Brasília.

(Infográfico: Poder 360)

Não se entende o presente sem o passado. Como não se é capaz de projetar o futuro. A pouco mais de 17 meses de 2 de outubro de 2022, data prevista ao 1º turno do pleito presidencial, convém ecoar o poeta: “Ainda é cedo”. Todavia, se fosse hoje, Lula se elegeria presidente pela terceira vez com o pé nas costas. Na pesquisa mais recente, do site Poder 360, feita entre os dias 12 e 14 deste mês, com 3.500 pessoas em 512 municípios das 27 unidades da Federação, o líder petista (confira aqui) derrotaria Bolsonaro por 52% a 34% na simulação do 2º turno. É uma diferença de 18 pontos percentuais na consulta com margem de erro de 1,8 ponto, para mais ou menos.

Bolsonaro também perderia por muito na simulação de 2º turno para o apresentador Luciano Huck (sem partido), por 35% a 48% — diferença de 13 pontos. E não passaria do empate técnico com o ex-governador cearense Ciro Gomes (PDT), com o governador paulista João Doria (PSDB) e com o ex-juiz e seu ex-ministro da Justiça, Sergio Moro (sem partido). Para chegar ao 2º turno, entretanto, os quatro últimos nomes teriam que passar antes pelo 1º. Só que nenhum excede na pesquisa os 6 pontos de intenções de votos, enquanto Lula, com 34%, e Bolsonaro, com 31%, parecem hoje inalcançáveis a qualquer alternativa mais ao centro.

A mesma pesquisa mostrou (confira aqui) que Bolsonaro vive seu pior momento: 56% dos brasileiros desaprovam seu governo. Uma leitura mais atenta da consulta revela como o desgaste do presidente se espraiou pelo país. Se não há novidade na sua desaprovação na região Nordeste, tradicional bastião lulopetista, os 62% de rejeição que tem lá é o mesmo número negativo que já colhe também no Centro-Oeste. Centro também do agronegócio brasileiro que, em 2018, foi um bolsão bolsonarista, dando-lhe 66,5% dos votos válidos no 2º turno. E hoje dá a menor taxa de aprovação ao seu governo entre todas as regiões do país: apenas 21%. Mas não foi o único giro de 180º que o atual inquilino do Palácio do Planalto amargou em uma das suas principais bases de apoio.

No final de março, o capitão da reserva do Exército foi abandonado (confira aqui) pelo alto comando das Forças Armadas. Bolsonaro tirou do ministério da Defesa o general Fernando Azevedo e Silva. Mas, solidários a este, perdeu junto os comandantes do Exército, general Edson Pujol; da Marinha, almirante Ilques Barbosa; e da Aeronáutica, brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez. Foi a maior crise militar brasileira desde a demissão do general Sylvio Frota do ministério do Exército em 1977, pelo então general-presidente Ernesto Geisel. Que, em entrevista de 1993, classificaria (confira aqui) o já deputado federal Bolsonaro como “um caso completamente fora do normal, inclusive um mau militar”.

Ilustração de Vitor Flynn na capa do jornal francês Le Monde, na paródia gráfica do Brasil de Bolsonaro na Covid com uma icônica cena do filme “Dr. Fantásticio” (1964), única comédia do mestre do cinema Stanley Kubrick

Não é a única crise criada por Bolsonaro, nem a pior. Seu negacionismo e de seus seguidores diante da Covid transformaram o Brasil em um celeiro de novas variantes do vírus, onde tinha matado até ontem mais de 365 mil pessoas. Sem o significado humano de cada vida perdida, basta a análise fria dos números para constatar o assassínio em massa: com 2,7% da população da Terra, se seguíssemos a sua média, teríamos até agora 80.730 óbitos. Os demais 284.270 brasileiros mortos ficam na conta de quem age em relação à doença diferente do resto do mundo. E está aí a CPI da Pandemia no Senado, com minoria governista de quatro dos seus 11 integrantes, para cobrar a conta.

Como não há nada que não possa piorar, Bolsonaro teve seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, acusado esta semana de crime no desmatamento ilegal da Amazônia. A queixa foi formalizada pelo delegado federal Alexandre Saraiva, que era considerado bolsonarista e foi exonerado em represália da Superintendência da PF no Amazonas. Tudo isso a menos de uma semana da Cúpula do Clima nesta quarta (22) convocada pelo presidente dos EUA, Joe Biden. Cuja vitória eleitoral em novembro Bolsonaro foi um dos últimos líderes mundiais a reconhecer. E a quem chegou a ameaçar com “pólvora”, expondo o Brasil mais uma vez ao ridículo internacional.

 

 

Enquanto é acossado pelo Centrão, para furar o teto e suas promessas liberais de 2018 no Orçamento de 2021, ou perder o apoio do presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (PP/AL), que segura seus mais de 100 pedidos de impeachment, Bolsonaro voltou a rosnar contra a democracia. Na quarta (14), ele disse: “O Brasil está no limite. O pessoal fala que eu devo tomar uma providência. Eu estou aguardando o povo dar uma sinalização”. E voltou a verbalizar sua obsessão pela pólvora, uma invenção chinesa como ele e sua seita acusam ser a Covid, enquanto correm como “maricas” para tomar a vacina Coronavac, produzida pela China e responsável pela imensa maioria da lenta imunização brasileira. “Parece que é um barril de pólvora que está aí”, ameaçou Bolsonaro.

 

 

Como o mundo, 70% da população brasileira (30% ainda votariam na reeleição do atual presidente) e até as Forças Armadas já parecem cientes do barco a pique do governo federal, enquanto dois Titanics afundam e tiram vidas humanas todo dia no país, os novos tiros de festim do capitão repercutiram muito pouco.

A verdade é que Bolsonaro já não mete medo em ninguém.

 

Publicado hoje (17) na Folha da Manhã

 

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Ciência avisou, Bolsonaro ignorou e o Brasil virou celeiro de variantes da Covid

 

Leandro Monteiro, biólogo e professor da Uenf

A ciência avisou. Mas, ao ignorar esses avisos, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) tomou decisões erradas na condução da pandemia da Covid, alvos de crítica severa em todo o mundo e agora de uma CPI no Senado Federal, que alongaram o tempo de circulação do Sars-Cov-2 entre a população brasileira. Dentro do processo de evolução natural do vírus, isso acelerou suas mutações e o surgimento de novas variantes que fizeram do país o principal epicentro da doença, onde já matou mais de 360 mil pessoas. Foi o que explicou ao Folha no Ar da manhã de hoje, na Folha FM 98,3, o biólogo Leandro Monteiro, professor da Uenf, com passagem como titular no corpo docente de universidades da Europa:

— A evolução do vírus foi amplamente ignorada no primeiro momento da pandemia. Você tinha ali uma perspectiva de que a pandemia fosse ter um primeiro pico de infecções e aquilo iria desvanecendo e eventualmente ela iria desaparecer. Infelizmente o nosso governo (federal) foi um que fez a aposta de que seria melhor passar logo por aquilo ali e você teria uma imunidade coletiva maior. Esse alongamento do período acabou gerando mutações e o surgimento dessas variantes. E foi isso que aconteceu. Depois que passa por um período em que parece que está diminuindo, em um nível relativamente baixo, você começa a ter mutações que vão conferir mais transmissibilidade ao vírus. E isso vai fazendo com que se tenha um prolongamento quase indefinido desse processo. A gente (o Brasil) está numa situação que decorre da tomada de decisões erradas, por ignorar a evolução do vírus, ignorar os conselhos por cientistas e uma boa parte dos médicos, desde o princípio da pandemia. A gente, então, não tinha muito alternativa a não ser as intervenções não farmacêuticas, como distanciamento social e uso da máscara. Estamos vivendo uma situação que é fruto de uma aposta errada, que nós (da ciência) dissemos que ia dar errado, mas fomos ignorados.

O cientista da Uenf também detalhou como o que o governo do Brasil ignorou teve a resposta da natureza na variante P1, registrada a primeira vez em Manaus em dezembro. E que hoje, três meses e meio depois, já é registrado em todas as regiões do Brasil, aumentando o número de mortes pela sua capacidade maior de infecção e colapsando sistemas de saúde e funerários:

— Você tem trabalhos científicos publicados semanalmente que têm mostrado que essas novas linhagens (do vírus da Covid) são diferentes, têm uma transmissibilidade maior. Há uma análise do genoma dessa linhagem P-1 e algumas das suas características epidemiológicas que mostram como ela substituiu as outras linhagens ali, em Manaus, por exemplo. Em muito pouco tempo essa linhagem substituiu quase completamente as outras que existiam em Manaus. Ela foi detectada ali a primeira vez no começo de dezembro, em uma análise genéticas das cepas que estavam infectando as pessoas. A estimativa é de que tenha aparecido em novembro e estivesse começando a circular. E na sequência, em janeiro, você já tem quase 100% de P1 ali em Manaus. Isso é bem característico de uma linhagem que tem uma propriedade diferente. E essa análise do genoma permitiu calcular que ela tem uma transmissibilidade quase duas vezes maior do que as outras linhagens mais antigas. Só não se tem certeza ainda se é porque a carga viral é maior, ou se o tempo de infecção é mais longo. O fato é que isso foi a causa do colapso registrado em Manaus em janeiro.

O professor de biologia evolutiva falou também do surgimento de outras variantes comprovadamente mais infeciosas em outras partes do mundo, além da P1 de Manaus. E de como outras novas cepas, como a P2, registrada a primeira vez no Rio de Janeiro, são monitoradas de perto pelos principais centros de ciência do mundo, na preocupação de que seja gerada uma variante não coberta pelas vacinas disponíveis:

— O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos considera a P2 (variante registrada pela primeira vez no Rio e, como a P-1, já disseminada em todo o Brasil) e algumas outras como linhagens de interesse, que ainda não tem o potencial claro do problema que elas podem gerar. Mas a P1, a B117, que apareceu no Reino Unido; e a B1151, que apareceu na África do Sul; elas são consideradas preocupantes porque você tem estudos mais determinados mostrando que elas têm esse potencial de transmissão ainda maior. A gente ainda não tem nenhuma variante de alto nível de preocupação, que seria o caso das vacinas já não funcionarem. Ainda não chegou a esse ponto.

Enquanto parte da população mundial é vacinada contra a Covid, Leandro também alertou como este pode ser momento mais propício para que a evolução natural do vírus possa gerar uma cepa não coberta pelas atuais vacinas. Sobretudo em um país como o Brasil, onde o número de vacinados é ainda muito pequeno, em um ambiente onde a circulação do vírus, em proporção inversa, é ainda muito grande:

Tem que haver o monitoramento das linhagens o mais amplo possível e muito bem feito. Principalmente agora, que a gente começa a ter uma parte da população vacinada. Nosso sistema imunológico apresenta desafios para o vírus. Se você tem uma parte das pessoas com vacina, ou uma parte das pessoas que já tiveram a infecção e por isto têm uma imunidade, se elas continuam tendo o contato com o vírus, em um ambiente onde ele circula muito ainda, este coloca desafios para o vírus que não existiam no passado. Qualquer mutação nessas linhagens, que confira uma vantagem para esses vírus sobrepujarem o sistema imunológico de alguém que foi vacinado, ou que adquiriu imunidade por conta da infecção, essa mutação pode ser selecionada e essa mutação vai se espalhar na população. Com o perigo de fazer com que uma vacina não funcione mais. Do mesmo jeito que a gente tinha um problema de poder aparecer uma mutação que fosse mais transmissível e sobrepujasse as outras, como aconteceu, existe essa possibilidade do surgimento de uma cepa que consiga escapar da proteção da vacina. Principalmente agora, que a gente tem um pedaço pequeno da população vacinado, que não é suficiente para parar a transmissão do vírus, e o contato dessas pessoas vacinadas com o vírus ainda circulando. A situação agora é a mais perigosa possível.

 

Confira abaixo, em três blocos, os vídeos da entrevista do biólogo Leandro Monteiro, professor da Uenf, ao Folha no Ar, na Folha FM 98,3, no início da manhã de hoje:

 

 

 

 

 

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