Cortes aos servidores de Campos serão menores que os anunciados

 

(Foto: Divulgação)

 

“As possibilidades de projetos de lei só me foram entregues ontem (23) pela equipe técnica. Alguns são impossíveis de serem implementados em período de pandemia. Não seria justo com quem esteva a frente do combate ao Covid. Os ajustes que serão feitos terão impactos mínimos sobre a vida do servidor”. Foi o que garantiu na noite de hoje, tão recebeu alta do Hospital São Lucas, no Rio de Janeiro, o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD).

Fontes de alto escalão do governo municipal garantem que as mudanças levadas à Câmara serão: 1) o auxílio-alimentação, no valor de R$ 200, que atualmente é pago a quem tem salário base de até R$ 3.400, terá este limite como ganhos totais do servidor que continuar a receber o auxílio; 2) em relação às substituições, a ideia é fazer valer a lei que regulamenta o benefício, pagando-o em período de até seis meses, não por cinco ou seis anos, como acontece em alguns casos; e 3) a insalubridade continuará a ser paga aos servidores que tiverem sua condição atestada por laudo, o que hoje não ocorre com 80% dos que recebem o benefício. Com as três alterações, é prevista a economia de até 13 milhões/ano.

Já o adicional da gratificação aos servidores da Saúde, ele não será alterado enquanto durar a pandemia da Covid-19.

Na versão do governo, que inicialmente aventou (confira aqui) a possibilidade de cortes na gratificação, substituições e insalubridade dos servidores da Saúde, na ordem de 4,5 milhões/mês, teria sido colocado como “bode na sala”. Seria para depurar a base governista na Câmara Municipal. Para analistas, no entanto, foi a reação dos servidores reunidos no Sindicato dos Profissionais Servidores Públicos Municipais de Campos (Siprosep) e no Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), acolhida e reverberada por vereadores que já vinham demonstrando insatisfação com o governo, que fizeram a administração municipal recuar.

 

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Após passar mal, Wladimir faz exames e tem alta de hospital no Rio

 

Wladimir Garotinho

Após ser internado na tarde de hoje para exames no Hospital São Lucas, no bairro carioca de Copacabana, o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD), já recebeu alta e está na casa dos seus pais, na cidade do Rio de Janeiro. Ele teve pico de pressão, sudorese e dor no peito, irradiando para as costas, quando saía da Palácio Guanabara, onde estava em audiência. Ao chegar ao hospital, recebeu um calmante, colheu enzimas e fez exames de eletrocardiograma e ecocardiograma.

Os médicos queriam com que fizesse também uma angiotomografia. Mas como ele já tinha feito este mesmo exame há cerca de 6 meses, uma conversa do seu cardioologista, em Campos, com os colegas do hospital do Rio, bastou para liberar o prefeito. Ele não precisou fazer um cateterismo nas artérias conronárias, como chegou a ser especulado.

Após seu marido receber alta, a primeira-dama Tassiana Oliveira postou nota em suas redes sociais, agradecendo pelas manifestações de apoio e pela rápida recuperação do marido:

Tassiana Oliveira (Foto: Divulgação)

“Quero agradecer cada ligação e mensagem de apoio e carinho. Peço desculpas por não conseguir responder a todos.

Depois de sair de uma reunião no Palácio Guanabara, quando estávamos retornando a Campos , Wlad começou sentir uma intensa dor no peito e a suar frio. Mesmo contra a vontade dele, senti a necessidade de lavá-lo com urgência para o hospital. Foram feitos vários exames.

Depois do susto, Graças a Deus ele teve alta. Agora está de repouso na casa dos pais, a meu pedido não está recebendo mensagens.

Gostaria mais uma vez de agradecer o carinho e compreensão de todos.

Deus está no controle. 🙏
Boa noite 💙
Tassiana”

 

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Rodrigo responde a Fábio e diz que defende servidor e contribuinte

 

No sábado (22), o presidente da Câmara Municipal de Campos, vereador Fábio Ribeiro (PSD) declarou: “Existe uma carga pesada do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) para desestabilizar o governo Wladimir (Garotinho, PSD)”. Desde que a nota foi postada aqui, o blog gerou demanda imediatamente a Rodrigo. Hoje (24) à noite, dois dias depois, o deputado cotado (confira aqui) para assumir a secretaria de Governo do governador Cláudio Castro (PSC) enviou sua resposta ao presidente do Legislativo goitacá.

Confira abaixo:

 

Deputado estadual Rodrigo Bacellar (Foto: Divulgação)

 

O presidente da Câmara de Campos me acusou de ser contra aumento de impostos e de medidas contra os servidores públicos? Isso foi uma crítica ou um elogio?

Na atual conjuntura de Campos, todo mundo deveria ser contra aumento de impostos e medidas contra servidores, sobretudo da Saúde, em plena pandemia.

Mas ao contrário dele, em nosso grupo político os aliados têm algo que ele não conhece: liberdade.

Inclusive, muitos que caminham comigo votaram nele para a presidência da Câmara, assim como outras matérias importantes para o governo.

Enquanto o presidente da Câmara de Campos está defendendo aumento de impostos e cortes contra servidores da Saúde, nosso grupo tem debatido sobre geração de empregos com a chegada de novos investidores, parcerias e desenvolvimento para Campos e região.

 

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Vereadores “independentes” emitem nota contra pacote de Wladimir

 

No sábado, o blog anunciou (confira aqui) que um grupo “independente” de vereadores estava sendo montado na Câmara Municipal de Campos. O motivo seria se opor ao pacote com 17 projetos do governo Wladimir Garotinho ao Legislativo, com cortes aos benefícios dos servidores da Saúde e aumento no ITBI.

O grupo ganhou força depois que Igor Pereira (SD) decidiu hoje (confira aqui) sair da Fundação Municipal da Infância e Juventude para reassumir uma cadeira na Câmara, substituindo o suplente Beto Abençoado (SD), que era contabilizado como governista. E saiu do governo com o objetivo assumido de derrubar o pacote do governo. Na nota, assinada por 10 vereadores, vários deles confirmaram estar de acordo com o seu teor. O que, até o presente momento, não foi feito pelos edis Fred Machado (Cidadania) e Marcione da Farmácia (DEM).

Fred e Marcione, neste momento, participam de uma reunião na Prefeitura, em que o governo pretende somar mais um voto aos 12 que já tem para chegar à minoria simples de 13, mínimo necessário para aprovação do pacote. Além de Fred e Marcione, também estão em dúvida os vereadores Bruno Vianna (PSL) e Raphael Thuin (PTB). Até o final da noite, é aguardada a definição.

Confira abaixo a nota do grupo “independente” dos vereadores de Campos:

 

(Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

NOTA AOS CIDADÃOS CAMPISTAS

 

Tendo em vista as informações veiculadas na mídia campista acerca de um pacote de projetos a ser votado na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, entre os mais polêmicos os cortes nos benefícios dos servidores da saúde e aumento da alíquota do ITBI, os vereadores Nildo Cardoso, Abdu Neme, Helio Nahim, Maicon Cruz, Rogério Matoso, Thiago Rangel, Igor Pereira, Fred Machado, Marquinho Barcellar e Marcione da Farmácia receberam várias manifestações de diversas categorias, inclusive por seus sindicatos, nas ruas, em seus e-mails, telefones pessoais e pessoalmente na Câmara.

Diante da aclamação pública pedindo intercessão dos vereadores e informações acerca desse pacote da maldade, como eles mesmos denominam, os vereadores reuniram-se para buscar maiores informações, uma vez que não haviam tomado conhecimento oficialmente dos projetos.

Apesar da mídia ter veiculado que há tratativas em troca de votos a favor do pacote, estes vereadores enfatizam que, em momento algum, estão subordinados ou se curvando em troca de nomeações em secretarias. No entanto, sabe-se que nos bastidores do cenário político está sendo amplamente negociado para determinados vereadores assumirem cargos no governo para fugirem do desgaste de votar contra o servidor que tanto luta por este município.

Cargos de DAS e RPA, inclusive nomeações em secretarias e postos de saúde, estão sendo oferecidos também, para que os suplentes assumam suas cadeiras garantindo o voto a favor do objetivo almejado pelo prefeito.

Os vereadores comungam de um mesmo pensamento e são contrários a qualquer tipo de dano ao servidor público, pois nenhuma justificativa apresentada pelo Executivo irá superar o grande esforço e dedicação dos servidores neste momento de enfrentamento à pandemia. Os bons profissionais da saúde não podem e não devem pagar essa conta.

Importante destacar que em momento algum os vereadores receberam documentos oficiais sobre a tramitação do pacote para apreciação de seu teor, como de praxe nos procedimentos a serem votados nesta casa de leis. Neste sentido, buscaram informações junto à presidência da Câmara na tarde desta segunda, 24.

O prefeito desta cidade busca êxito em seus projetos pessoais e familiares, e esta busca deixa comprometida a idoneidade do município e do procedimento, enquanto estes vereadores estão estritamente comprometidos com o Município de Campos dos Goytacazes.

 

Nildo Cardoso – PSL

Abdu Neme – AVANTE

Helio Nahim – PTC

Maicon Cruz – PSC

Rogerio Matoso – DEM

Thiago Rangel – PROS

Igor Pereira – SOLIDARIEDADE

Fred Machado – CIDADANIA

Marquinho Barcellar – SOLIDARIEDADE

Marcione da Farmácia – DEM

 

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Caio orienta voto contra pacote de Wladimir e contas de Rosinha

 

Caio Vianna (Foto: Folha da Manhã)

 

Antecipada neste blog desde sábado (confira aqui), hoje Caio Vianna, na condição de presidente a executiva do PDT em Campos, divulgou comunicado oficial. E nele orientou os três vereadores do partido no Legislativo goitacá — Luciano Rio Lu, Marquinho do Transporte e Leon Gomes — a votarem contra o pacote com 17 projetos do governo Wladimir Garotinho (PSD), que conta com os edis pedetistas em sua base. Ex-candidato a prefeito de Campos em 2016 e 2020, e hoje secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói, Caio também orientou os parlamentares do PDT a votarem contra a aprovação das contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha Garotinho (Pros), segundo a recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) pela reprovação.

No sábado, quando indagado sobre a posição de Caio, confirmada hoje oficialmente, o presidente da Câmara Municipal de Campos, vereador Fábio Ribeiro (PSD), pareceu não dar muita importância:

— Respeito a posição de Caio, mesmo se ela realmente se consumar contra os projetos do governo e a aprovação das contas da ex-prefeita. Mas a executiva municipal do PDT é provisória. Caio também se manifestou contrário ao decreto de calamidade financeira do município pelo prefeito Wladimir. E, ainda assim, o decreto foi ratificado pelos três vereadores do PDT — lembrou Fábio.

Abaixo, segue a íntegra do comunicado de Caio aos seus três vereadores:

 

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Ex-governador, ex-senador e ex-ministro no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta terça, o convidado do Folha no Ar, da Folha FM 98,3, será o professor Cristovam Buarque (Cidadania), ex-reitor da Unb, ex-governador de Brasília, ex-senador e ex-ministro da Educação no primeiro governo Lula (PT). Após dar uma entrevista à Folha, publicada (confira aqui) em 8 de maio, ele falará da educação como bandeira política, com a qual se candidatou a presidente da República pelo PDT em 2006, ficando em quarto lugar. Além da sua experiência como primeiro ministro da Educação do governo Lula (PT).

Cristovam também falará do seu processo de ruptura com o PT, até votar como senador pelo impeachment da ex-presidente petista Dilma Rousseff em 2016. Ele também analisará o governo Jair Bolsonaro (sem partido) e as projeções para a eleição presidencial de 2022.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Wladimir sente dores no peito e é internado em hospital do Rio

 

Wladimir Garotinho

Prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD)  foi hoje levado às pressas ao Hospital São Lucas, em Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, Ele teve pico de pressão e dor no peito quando saía da Palácio Guanabara, no início da tarde de hoje (24), onde estava em audiência com o secretário estadual de Saúde, Dr. Alexandre Chieppe, em agenda oficial para parceria entre o município de Campos e o Estado do Rio. Informações ainda não confirmadas oficialmente dão conta de que Wladimir seria submetido nesta terça (25) a um cateterismo, exame com sonda nas artérias coronárias. E, se detectada alguma oclusão, poderia ter que implantar um stent.

Por volta das 18h, o Hospital São Lucas emitiu o boletim médico atualizado: “O prefeito Wladimir Garotinho, nesta segunda-feira, deu entrada na emergência do Hospital São Lucas em Copacabana, no Rio de Janeiro, apresentando dor precordial (torácica), associada à sudorese. No primeiro atendimento, não apresentou alteração nos exames de eletrocardiograma e ecocardiograma. Segundo a avaliação da equipe médica, o paciente está bem, com quadro clínico estável, aguardando os resultados de exames complementares”.

Wladimir tem 36 anos e sempre gozou de boa saúde, a despeito da infecção por Covid que teve no ano passado, onde não desenvolveu sintomas graves da doença, nem precisou de internação.  Ele está sendo acompanhado pela mãe, a ex-governadora Rosinha Garotinho (Pros), e pela esposa, Tassiana. O quadro é considerado controlado. O prefeito foi medicado, fez exames e passa bem, agradecendo as manifestações de carinho.

Como consequência prática, Wladmir não deverá participar da reunião marcada para às 19h de hoje, na Prefeitura de Campos. Que reuniria (confira aqui) os 12 vereadores da base, mais outros quatro ainda em dúvida sobre o pacote de 17 projetos que o governo pretende aprovar na Câmara Municipal, precisando de pelo menos mais um voto.

 

Atualizado às 17h59.

Atualizado às 18h22.

Atualizado às 20h55.

 

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Com 12 vereadores, Wladimir busca mais um para aprovar pacote

 

(Infográfico: Josei Mathias)

 

Às 20h de hoje, na Prefeitura, ocorrerá uma reunião do prefeito Wladimir Garotinho (PSD) com os 12 vereadores da base, mais quatro que estão ainda em dúvida sobre como votar no pacote de 17 projetos que deve ser enviado amanhã (25) pelo Executivo à Câmara. Entre eles, os mais polêmicos são os cortes nos benefícios dos servidores da Saúde e aumento do ITBI.

Os 12 vereadores já comprometidos com a aprovação do pacote são Fábio Ribeiro (PSD), Juninho Virgílio (Pros), Álvaro Oliveira (PSD), Silvinho Martins (MDB), Pastor Marcos Elias (PSC), Dandinho Rio Preto (PSD), Marquinho do Transporte (PDT), Luciano Rio Lu (PDT), Jô de Ururaí (Podemos), Bruno Pezão (PL), Kassiano Tavares (PSD) e Leon Gomes (PDT). Os quatro ainda em dúvida, que também participarão da reunião são: Bruno Vianna (PSL), Raphael Thuin (PTB), Marcione da Farmácia (DEM) e Fred Machado (Cidadania).

Como tem 12 vereadores e chegar à maioria simples de 13 para aprovar o pacote, Wladimir precisa no mínimo de mais um vereador. Que tentará buscar na reunião com Bruno, Thuin, Marcione e Fred.

Do outro lado, contra o pacote, está o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) que articula com a perspectiva real de assumir (confira aqui) a secretaria de Governo do governador Cláudio Castro (PSC). Anunciada na manhã de hoje (confira aqui) a saída de Igor Pereira (SD) da Fundação Municipal da Infância e Juventude, para voltar à Câmara Municipal, mudou o tabuleiro das negociações. Contrário ao pacote, ele assume no lugar de Beto Abençoado (SD), que era a favor. Agora, além de Igor, também estão contra o pacote Abdu Neme (Avante), Marquinho Bacellar (SD), Rogério Matoso (DEM), Maicon Cruz (PSC), Helinho Nahim (PTC), Anderson de Matos (Republicanos), Nildo Cardoso (PSL) e Thiago Rangel (Pros).

Também amanhã (25), está confirmada a reunião do governo com a presidente do Servidores Públicos Municipais de Campos dos Goytacazes (Siprosep), Elaine Leão, para debater os cortes dos servidores que serão propostos. Fábio e outros vereadores também devem participar desse encontro.

Já nas negociações para nova votação das contas da ex-prefeito Rosinha Garotinho (Pros) de 2016, reprovadas pela Legislatura passada, com anulação da atual, são necessários 17 votos para uma aprovação contrária ao parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Como essa contabilidade é mais difícil ao governo, a questão ficará para um momento posterior.

 

Atualizado às 19h21.

 

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Entre Hollywood e Mussolini, Bolsonaro de moto com Pazuello sem máscara

 

(Foto: Cláudio Marques/Futura Fress/ Estadão)

 

A partir de filmes como “O Selvagem” (1953), de László Benedek, estrelado por um Marlon Brando no auge; “Sem Destino” (1969), de Dennis Hopper, com Peter Fonda e um jovem Jack Nicholson; ou “O Selvagem da Motocicleta” (1983), de Francis Ford Coppola, com Mickey Rourke antes de deformar sua face com o boxe profissional e cirurgias plásticas malsucedidas; inegável que a figura do motociclista passou ao imaginário popular do mundo como rebelde e contestador. Tudo isso, lógico, antes que o cotidiano dos motoboys e suas próprias “leis de trânsito” transformassem as ruas das cidades brasileiras em um inferno.

 

“O Selvagem”, “Sem Destino” e “O Selvagem da Motocicleta” (Montagem: Joseli Mathias)

 

O preâmbulo é para tentar interpretar a adesão de motociclistas ao protesto da manhã de hoje, na cidade do Rio de Janeiro, em apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Saíram da Barra da Tijuca, bairro tradicional dos novos-ricos cariocas, no qual o presidente tem sua residência em condomínio residencial de vizinhos milicianos, e foram até o Aterro do Flamengo, na Zona Sul. Lá, diante do Monumento do Pracinha, em um carro de som, Bolsonaro discursou ao lado do seu ex-ministro da Saúde, o general da ativa Eduardo Pazuello.

 

Pazuello sem máscara, após ter pedido desculpa na CPI da Covid por não tê-la usado, se junta a Bolsonaro em carro de som no Aterro do Flamengo (Foto: Jorge Hely/Framephoto/Estadão)

 

Ao desembarcar de helicóptero no Rio, o presidente foi recebido pelo governador Cláudio Castro (PSC), que aposta representar o bolsonarismo para tentar se eleger ao cargo em 2022 — em 2018, foi eleito vice de Wilson Witzel, afastado por corrupção. Como é a mesma aposta feita por Marcello Crivela (Republicanos) em 2020, quando foi apeado da Prefeitura do Rio, recomenda-se cuidado. Que Bolsonaro não teve, ao mais uma vez não usar máscara na manifestação de hoje. Assim como Pazuello, depois de ter se desculpado publicamente na quinta (20), ao depor na CPI da Covid no Senado, por não ter usado máscara em um shopping de Manaus.

No protesto, motociclistas levaram cartazes com pedido intervenção militar no país e contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Filósofo, professor da USP e considerado um dos bons pensadores de esquerda no país, Vladimir Safatle já disse em entrevista ao jornalista Mario Sergio Conti, na GloboNews, que o bolsonarismo traz um elemento “revolucionário” nos seus ataques às instituições que o lulopetismo não ousou — e que, certamente, causa inveja naqueles seus apoiadores mais radicais, que o próprio Lula já alcunhou de “aloprados”.

Lìder fascista da Itália, Mussolini passeia de moto com apoiadores em junho de 1933

Talvez isso explique o apoio a Bolsonaro de figuras que a cultura pop do mundo sempre associou à rebeldia. Como pode ser também que essa pretensa capa de “juventude contestadora” sirva apenas para tentar disfarçar homens de meia idade e classe média em crise de identidade, cujo único traço de infância reside em seu nível de politização. Ou de conhecimento real da situação sanitária de um país cujas duas únicas vacinas contra a Covid disponíveis — Coronavac e AstraZeneca — estão com a produção paralisada em território nacional por falta de insumo.

Em junho de 1933, antes da mitologia de Hollywood, de Bolsonaro e da pandemia da Covid-19, outro político gostava de posar para fotos passeando de moto com seus apoiadores. Era o italiano Benito Mussolini, criador e líder do fascismo. Na Itália, como se sabe, não deu lá muito certo. Seu cover no Brasil representa a “rebeldia” de acelerar em linha reta um veículo com motor à explosão cujo parachoque é a cara do condutor.

 

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Três perguntas sobre cinema

 

Estudante de jornalismo da faculdade paulista ESPM, a Marina Leite chegou a mim na semana passada querendo enviar algumas perguntas para um seu trabalho sobre cinema. Mesmo apertado de tempo por conta das demandas profissionais, tirei um final de noite para tentar responder suas três indagações. Seja por poder colaborar com a formação de uma colega de ofício, seja porque suas perguntas eram genéricas, permitindo mais liberdade às respostas, seja porque deixar de falar da política brasileira e campista, para poder falar de cinema, é viver o slogan de um antigo comercial do cigarro Carlton: “um raro prazer”. Por estes motivos, seguem abaixo neste domingo as perguntas da Marina, com as respostas que pude lhe dar.

 

Cena de “Cinema Paradiso” (1988), de Giuseppe Tornatore

 

Marina Leite – O cinema pode atuar na construção e preservação da memória de uma sociedade? De que maneira isso ocorre?

Aluysio Abreu Barbosa – Creio que sim. Na preservação, na releitura e revisita de uma época, tanto em documentário, quanto em ficção, seja esta ou não baseada em fatos reais. Usemos como exemplo um fato histórico do peso da II Guerra Mundial, que moldou o mundo em que ainda vivemos. Você pode ter uma compreensão particular, mas essencial, do fenômeno do nazismo através do documentário “Arquitetura da Destruição” (1989), de Peter Cohen. Que mostra o regime político fundado por um artista plástico frustrado, Adolf Hitler, também como uma espécie de reação estética ao modernismo nas artes, em tentativa deformada de retomada dos valores clássicos da Esparta, da Atenas e da Roma da Antiguidade. Em busca de uma “pureza” idílica do passado, baseada também na mitologia germânica das óperas de Richard Wagner. Você pode reforçar essa mesmo compreensão vendo “A Queda! As Últimas Horas de Hitler” (2004), de Oliver Hirschbiegel. Mesmo baseado nos relatos de Traudl Junge, secretária particular de Hitler, e nos livros do historiador Joachim Fest, considerado o biógrafo definitivo do líder nazista, é uma ficção. Mas sem a qual talvez não se entenda o radicalismo político genocida e, em seu ocaso, literalmente suicida, em que mergulharam de cabeça pessoas inteligentes e cultas de um povo que derrubou o Império Romano, reformou o cristianismo, criou a música como a conhecemos e deu ao mundo a maior escola de filosofia desde os gregos antigos. Guardadas as proporções devidas, serve, inclusive, para compreender o que ocorre hoje no Brasil com o bolsonarismo. Você pode reforçar essa impressão a partir de um filme de ficção sem nenhum compromisso com os fatos históricos, recriando-os sem spoiler, como em “Bastardos Inglórios” (2009), de Quentin Tarantino. Ou pode ter o mesmo evento apenas como pano de fundo para um triângulo amoroso. E gerar um clássico de romance como “Casablanca” (1942), de Michael Curtiz, filmado em plena II Guerra, quando nela a Alemanha ainda levava a melhor. E compreender como um evento daquela monta pode alterar radicalmente a vida das pessoas, em seus aspectos mais pessoais e cotidianos. Ou, maratonar uma série de documentário no streaming para se ter uma compreensão mais global do episódio. Como a que é oferecida a qualquer leigo ao assistir a “Grandes Momentos da Segunda Guerra em Cores” (2019), sem direção creditada, da Netflix. E com ela perceber que, se o nazifascismo foi realmente um dos raros momentos da história em que tivemos o mal encarnado, nem por isso quem o combateu era o “bem”, por ser também capaz de atos da crueldade mais extrema. Da mesma

Jesse Owens em cena de “Olympia”

maneira que não dá para negar que documentários como “Triunfo da Vontade” (1935) e “Olympia” (1938), ambos de Leni Riefenstahl, foram feitos para celebrar o nazismo em sua ascensão. Apesar do último, primeiro documentário feito de uma Olimpíada, a de Berlim em 1936, também glorificar um negro dos EUA, grande herói do atletismo naqueles Jogos: Jesse Owens. Mas, dentro da proposta estética detalhada em “Arquitetura da Destruição”, caberia a uma mulher, Riefenstahl, criar em “Triunfo da Vontade” e “Olympia” técnicas de filmagem e edição que influenciaram o cinema do mundo.

 

Marina – Diante do impacto social do cinema, qual postura profissionais dessa área devem tomar ao produzir filmes que retratam momentos importantes da História da humanidade?

Aluysio – Acho que parte do que pergunta está na minha resposta anterior. Se tivesse que complementá-la, o faria com o que disse em entrevista a James Lipton o ator e diretor Sean Penn, no programa de TV “Inside The Actors Studio”, nos anos 1990: “Entretenimento, para mim, é uma garrafa de whisky, duas prostitutas e um quarto de motel. Cinema é contar histórias”. Independe de todos terem a sua própria ideia de entretenimento. Se a de Penn pode hoje parecer misógina ao politicamente correto que há pelo menos duas décadas tem em Hollywood um bastião, a segunda parte da resposta dele me parece a chave à sua pergunta. A postura dos profissionais do cinema, mais que o impacto social da obra, seja esta documentário ou ficção, nunca pode perder de vista sua função primeva: contar histórias.

 

 

Marina – Você acha que a experiência de ver um filme no ambiente do cinema é a mesma que no ambiente doméstico? As plataformas de streaming poderão substituir essa experiência definitivamente?

Aluysio – Na assertiva imortalizada pelo cinema brasileiro: “nunca serão!”. Inegável que mais pessoas passaram a conhecer o capitão Nascimento imortalizado por Wagner Moura em “Tropa de Elite” (2007), de José Padilha, através do streaming. E que, desde que o sensibilíssimo “Roma” (2018), de Alfonso Cuarón, primeiro longa de ficção feito para streaming e indicado ao Oscar de melhor filme em 2019, a plataforma entrou “em outro patamar” — no dito do atacante do Flamengo Bruno Henrique, que também virou lugar-comum no repertório tupiniquim. No entanto, parece um tanto esquizofrênico assistir a filmes em telas de celular. Como se ter ideia da direção de fotografia através delas? De certa forma, isso banaliza, vulgariza o cinema, nivelando-o por baixo, tanto quanto as redes sociais fizeram com a comunicação social. Mestre britânico da sétima arte, diretor de clássicos como “Lawrence da Arábia” (1962) e “A Filha de Ryan” (1970), lembro que David Lean, além de preferir filmar no formato mais amplo do cinemascope, dizia detestar legendas porque estas tiravam a atenção do espectador do todo da tela. “Cinema é imagem”, sentenciava ele. Pode ser um anacronismo geracional, mas a solidão voyeur diante da tela grande, no escuro das salas de cinema, me parece insubstituível. Sem ela, perdemos também a dimensão coletiva e humana dos filmes. Que só se dá quando descobrimos se riem, choram, suspiram, dormem, se assustam, afundam nas poltronas ou delas levantam para ir embora os nossos semelhantes, dividindo o mesmo espaço escuro, expostos ao mesmo tempo à mesma obra de arte na forma de luz. O cinema são as histórias da tribo contadas à noite ao redor da fogueira.

 

 

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Fábio Ribeiro critica Rodrigo Bacellar e minimiza posição de Caio

 

Fábio Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Campos (Foto: Folha da Manhã)

 

“Existe uma carga pesada do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) para desestabilizar o governo Wladimir (Garotinho, PSD)”. Foi o que o presidente da Câmara Municipal de Campos, vereador Fábio Ribeiro (PSD), disse hoje à noite ao blog. Parlamentar cotado (confira aqui) para assumir a secretaria estadual de Governo, Rodrigo estaria, na visão de Fábio, estimulando distensões com o governo municipal. Como a dos vereadores que se reunem para criar um grupo “independente” (confira aqui) e dificultar a aprovação de um pacote de 17 projetos do Executivo. Entre eles, o corte de benefícios dos servidores da Saúde e o aumento do ITBI.

Fábio confirmou que o pacote terá todos os seus 17 projetos explicados aos vereadores pela equipe técnica do governo Wladimir, na Câmara, às 17h desta segunda (24). E que a votação deve ocorrer na terça (25). No mesmo dia, também está marcada uma reunião do prefeito Wladimir com a presidente do Servidores Públicos Municipais de Campos dos Goytacazes (Siprosep), Elaine Leão, para debater os cortes dos servidores que serão propostos. Fábio e outros vereadores também devem participar desse encontro. Sobre o mesmo tema, ele também questionou a discussão que esquentou a semana dos edis:

— Tenha conversado com todos meus colegas vereadores. E argumentado com eles que não tem sentido ser contra projetos que ainda não foram nem apresentados. Acalorar agora o debate, por algo que ainda não está definido, é colocar o carro na frente dos bois. Mas nenhum vereador pode ignorar a situação de calamidade financeira do município, cuja decretação pelo prefeito Wladimir eles ratificaram. Vamos realizar essa discussão de maneira técnica e democrática, com todos os lados envolvidos.

Fábio também opinou sobre a posição de Caio Vianna (PDT), ex-candidato a prefeito de Campos em 2016 e 2020 e atual secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói. Ele deve orientar os três vereadores do seu partido — Luciano Rio Lu, Marquinho do Transporte e Leon Gomes —  a votarem contra o pacote de Wladimir e a aprovação das contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha Garotinho (Pros):

— Respeito a posição de Caio, mesmo se ela realmente se consumar contra os projetos do governo e a aprovação das contas da ex-prefeita. Mas a executiva municipal do PDT é provisória. Caio também se manifestou contrário ao decreto de calamidade financeira do município pelo prefeito Wladimir. E, ainda assim, o decreto foi ratificado pelos três vereadores do PDT.

 

Atualizado às 13h54 de 23/05: desde o final da noite de ontem (22), demandas foram geradas a Rodrigo Bacellar e Caio Vianna, em busca do contraditório. Até agora, nenhum dos dois retornou. Alguns vereadores do grupo “independente” de vereadores que está se formando, no entanto, garantem que a iniciativa é deles, não de Rodrigo.

 

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Pacote de Wladimir e contas de Rosinha: vereadores articulam grupo

 

(Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Um grupo “independente” está se formando na Câmara Municipal de Campos. Teria no mínimo sete vereadores: Nildo Cardoso (PSL), Helinho Nahim (PTC), Rogério Matoso (DEM), Maicon Cruz (PSC), Anderson de Matos (Republicanos), Marcione da Farmácia (DEM) e Thiago Rangel (Pros). Mas pode ter mais, seja os oposicionistas Marquinho Bacellar (SD) e Abdu Neme (Avante), seja vereadores da base que ainda não decidiram como irão votar sobre o pacote de 17 projetos do governo Wladimir Garotinho (PSD) e nas contas da sua mãe, a ex-prefeita Rosinha Garotinho (Pros).

Dentro do pacote, pesa o desgaste das propostas de corte de benefícios dos servidores da Saúde e do aumento do ITBI ao contribuinte. A tarefa é menos difícil porque o governo precisa apenas de maioria simples, ou um mínimo de 13 vereadores. Mas tem pesado também a aprovação retroativa das contas de 2016 de Rosinha, rejeitadas pela Legislatura passada em 2o18. Como o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE) foi pela reprovação, para aprová-lo seria necessário o mínimo de 17 edis.

O voto favorável à aprovação das contas de Rosinha, que teve na quinta (confira aqui) parecer favorável da Comissão de Orçamento da Câmara, não significa o voto favorável ao pacote de Wladimir. Helinho Nahim declarou hoje em seu Instagram (confira aqui) que votará contrário ao pacote. Mas cumprirá a palavra que deu há cerca de dois meses à sua tia, Rosinha, de que votaria para aprovar as contas dela. Foi o que o vereador disse a Wladimir, seu primo, em reunião no sábado passado (15). O encontro também reuniu os pais dos dois e irmãos: o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) e o ex-prefeito Nelson Nahim (MDB).

Outro vereador do grupo e com a experiência de já ter presidido a Câmara, no período em que Nelson Nahim foi prefeito interino de Campos, Rogério Matoso reafirmou ao blog que já fechou sua posição de votar pela rejeição das contas de Rosinha. Sobre o pacote de Wladimir, o vereador disse:

— A gente sabe desse pacote pelas conversas de bastidores e pela imprensa (o Blog do Arnaldo Neto, na terça, dia 18, foi o primeiro a divulgá-lo aqui). Nenhum vereador ainda viu as propostas. E eu acho que nós tínhamos que ser procurados pelo governo para conversar na montagem delas. Acho os cortes dos benefícios na Saúde complicados em um momento de pandemia de Covid. É uma coisa complexa, que vai afetar não só os servidores do setor, mas também na ponta, à população que precisa do atendimento público.

O grupo de vereadores teve seu primeiro encontro ontem (21), na casa de Nildo Cardoso, que reuniu ele e outros sete edis. Neste domingo (23), uma nova reunião está marcada. Depois dela, é possível que os vereadores presentes fechem e anunciem suas posições em relação ao pacote de Wladimir e às contas de Rosinha.

Até a noite de ontem (21) veja aqui como estava o placar da Câmara Municipal na votação das contas de Rosinha.

 

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