A partir das 7h da manhã desta sexta (21), quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o médico Bruno Calil, pré-candidato a prefeito de Campos pelo SD. Ele falará sobre política em tempo de pandemia da Covid-19, sobre a grave crise financeira de Campos (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), bem como sobre a escolha do vice em sua pré-candidatura, montagem de nominata e suas projeções ao pleito municipal de outubro.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
A partir das 7h da manhã desta quinta (20), a convidada do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é a historiadora Guiomar Valdez, professora aposentada do IFF. Ela falará do caso da menina de 10 anos do Espírito Santo, que era estuprada desde os 6 pelo próprio tio, engravidou e recebeu autorização da Justiça para fazer aborto, passando a ser vítima de assédio por grupo ditos cristãos. Analisará também o crescimento da popularidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em plena pandemia da Covid-19, além da grave crise financeira e as eleições a prefeito de Campos.
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Bolsonaro desfila em meio a simpatizates de máscara de proteção no queixo, chapéu de vaqueiro nordestino e a cavalo em Teresina, no Piauí, em 30 de julho (Foto: Alan Santos – PR)
Criticado pela péssima condução da pandemia da Covid-19 no país e por suas ligações perigosas com Fabrício Queiroz, seu amigo de longa data, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez dos limões uma limonada. Por conta do auxílio emergencial de R$ 600 à população de baixa renda, que perdeu sua subsistência no isolamento social, o capitão hoje goza da maior popularidade desde que assumiu a presidência da República. Segundo o Datafolha, instituto de pesquisas antes atacado e hoje celebrado pelos bolsonaristas, o “mito” destes tem seu governo hoje avaliado como bom ou ótimo por 37% dos brasileiros.
Por outro lado, para evitar as perguntas sem resposta sobre Queiroz, desde que este foi preso, seu amigo passou a evitar o cercadinho do Alvorada. E, calado, sem criar uma nova crise a cada declaração polêmica, diminuiu também sua rejeição. Este bom momento do presidente, que o afasta da ameaça de impeachment, vai durar até 2022? Pode ainda melhorar? Para tentar responder estas e outras perguntas, este painel ouviu, em ordem alfabética, o historiador Arthur Soffiati, professor da UFF-Campos; o colunista da Folha Murillo Dieguez, especialista em pesquisas; e o sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf. O primeiro foi crítico: “o rei está nu por baixo de um roupão roto”. Murillo ressalvou que “a única coisa certa é a incerteza”. Já Roberto, mesmo sendo de esquerda, apostou: Bolsonaro “é cada vez mais favorito para se reeleger em 2022”.
Historiador Arthur Soffiati, especialista em pesquisas Murillo Dieguez e sociólogo Roberto Dutra (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Folha da Manhã – Como 37% de bom e ótimo na última pesquisa Datafolha (confira aqui) realizada nos últimos dias 11 e 12, e divulgada no dia 14, Jair Bolsonaro (sem partido) atingiu a maior aprovação popular do seu governo, com 37% de bom e ótimo. Credita isso ao auxílio-emergencial, ao sumiço do presidente do cercadinho do Alvorada após a prisão de Queiroz, ou a algum outro fator?
Arthur Soffiati – Um só fator não basta para explicar. Considero fundamental sua mudança de atitude. De incendiário, ele passou a vulcão adormecido. Digo isso porque ele pode entrar em erupção novamente. Credito a mudança primeiramente ao desejo de se reeleger. Os conselheiros são importantes. O caso Queiroz deu uma esfriada nele. Suspeito de algo mais profundo que pode comprometê-lo e à sua família. Melhor um comportamento mais moderado para esfriar o ataque adversário. Melhor deixar os apoiadores fanáticos meio órfãos por enquanto. Melhor investir no auxílio emergencial.
Murillo Dieguez – Entendo que foi um pouco de tudo: cercadinho, auxílio emergencial, fuga às respostas constrangedoras sobre Queiroz, segurada nas colocações ácidas nas redes sociais e um dado pouco percebido: o ataque implacável da mídia, que parece que tem mais o ajudado do que prejudicado. Tendemos, por natureza, a ser solidários com quem apanha muito, principalmente se o ataque sugere perseguição. Outra questão é um pressuposto clássico em avaliações de pesquisa: o efeito teflon. Quando a panela é nova, o ovo não gruda. Arranha um pouco a panela, continua não grudando, até começar a grudar.
Roberto Dutra – Acredito que estes dois fatores explicam boa parte do aumento da popularidade de Bolsonaro. O auxílio emergencial demarca uma mudança de orientação, cuja continuidade é incerta. O benefício tem um impacto positivo inegável. O sumiço do presidente do cercadinho do Alvorada reforça essa mudança. O que se delineia é um arrefecimento da guerra cultural e a mudança do eixo do governo para a entrega de resultados econômicos e sociais. Mas o presidente também vem ganhando a batalha da comunicação. Bolsonaro sabe fazer política, embora com um modus operandi diferente de todos os outros presidentes.
Bolsolula, personagem criado pelo cartunista André Guedes (clique na imagem para assistir à animação)
Folha – O governo mandou a proposta de auxílio emergencial de R$ 200, que o Congresso elevou a R$ 500 e o presidente, para ter a palavra final, subiu a R$ 600. Bolsonaro airou no que viu e acertou no que não viu? Roubou o antigo eleitor petista do Bolsa Família, sobretudo no Nordeste, que não votou no capitão em 2018? Como mantê-lo até 2022?
Arthur – Ele não é um bom estrategista, embora militar. Mas não creio que atirou no que viu e acertou no que não viu. Ele está ouvindo mais os conselheiros. O auxílio emergencial não parece estratégia dele, mas aceita por ele por alguém mais experiente em política. Se ele tem estratégia, esta é a reeleição. As táticas parecem vir dos experientes. Convém tirar voto do PT em território inimigo. Essa é uma tática meio estranha para ele, acostumado ao confronto. Creio em outros por trás dele.
Murillo – Não considerar que ele é intuitivo é desconsiderar sua trajetória. Tudo indica que tem uma estratégia coordenando suas ações. Se é por ter aumentado para R$ 600, o fato de ter “roubado” o discurso da Câmara, não sei, embora seja provável. Mas é pacífico que o auxílio emergencial está na sua conta. E é uma bomba atômica para elevar a popularidade de qualquer político. Aumentou consideravelmente o poder de compra. Esse eleitor é pragmático e muda à medida das voltas que a vida dá. Quanto a 2022, tem muita água para passar debaixo da ponte.
Roberto – Não subestimo a capacidade política de Bolsonaro. Acho isso um erro infantil. Acredito que ele sempre soube que política de transferência de renda seria um trunfo para o eleitorado pobre e, no contexto atual, de classe média. Na campanha ele falou em um “13º” do Bolsa Família. Com a pandemia, foi forçado a isso e transformou constrangimento em oportunidade. O aumento de popularidade entre os mais pobres indica o acerto. Mas não se pode dizer que ele roubou o eleitor petista do Bolsa Família. Isso ainda não está consolidado. Sem emprego e salário, quais parcelas da população continuarão leais ao presidente?
Otto Von Bismarck, unificador da Alemanha no séc. 19
Folha – Desde sua fundamentação por Bismarck no século 19, o conceito da realpolitik é analisado na academia. Sua tradução real não é esse eleitor do Bolsa Família, que migrou ao auxílio emergencial? Como é o Centrão, ao qual Bolsonaro sempre pertenceu como deputado e agora, como presidente, cooptou para impedir o impeachment e isolar Rodrigo Maia no Congresso?
Arthur – Quem nasceu para Recruta Zero nunca chega a Bismarck. Bolsonaro disse que o negócio dele é matar, não salvar. Não creio que seja ele a buscar espontaneamente o apoio do Centrão, mas deste convidá-lo a votar para a casa de onde saiu e onde foi sempre um morador obscuro. É como se o Centrão dissesse: “Capitão, cala a boca e deixa que nós cuidamos”. Depois, a gente manda a conta. Ele urrou muito, mas agora está rouco.
Murillo – Em relação aos beneficiários do “Bolsa Capitão”, estão raciocinando com o estômago. Embora pragmáticos, estão longe do conceito estrito da realpolitik. Já o Centrão o pratica com muita competência. Por mais que digam que Bolsonaro joga para 2022, vejo suas mudanças de comportamento com o monstro do impeachment assustando sua cadeira. Tinha que estancar a queda. Com 37% de bom e ótimo todos vão enfiar a viola no saco. Quanto a isolar o Rodrigo Maia, tudo que o presidente não perdoa é que o contrariem e não o obedeçam cegamente. A história está aí, cheia de exemplos. Vide Moro, Mandetta e outros.
Roberto – O Centrão apostou na capacidade do presidente de reorientar seu governo para a entrega de resultados econômicos e sociais e para o arrefecimento da guerra cultural. A saída de Sérgio Moro facilitou a reaproximação com o Congresso. A realpolitik dessa reaproximação é a mesma do auxílio emergencial. Bolsonaro percebeu que o auge da guerra cultural passou. E que escalar o confronto antissistema não o levaria a bom termo. Com o afastamento do risco de impeachment, a questão é se essa reaproximação com o Congresso dura até 2022. O mesmo vale à aproximação com o eleitorado mais popular que votou no PT em 2018.
Economista inglês John Maynard Keynes, cujas ideias geraram o New Deal com que os EUA se recuperaram da Grande Depressão de 1929
Folha – Ao tomar gosto pelo assistencialismo, Bolsonaro abandona a pauta liberal que usou para se eleger em 2018? O gasto público não é realmente o mais apropriado em tempo de crise, como preconizava Keynes? Se mantido após a pandemia, por que esse resgate nacional-desenvolvimentista não redundaria mais uma vez na grave recessão das “ressacas” do “Milagre Econômico” da ditadura militar, ou da “Nova Matriz Econômica” de Dilma?
Arthur – De fato, nota-se que Bolsonaro está se afastando da pauta liberal de Paulo Guedes, mas não está caminhando na direção de Keynes, economista que sabia muito bem a importância do investimento público para salvar o capitalismo do nazifascismo e do comunismo, além de conquistar o apoio popular. O descuido com a pauta neoliberal de Guedes parece patente, mas não é estratégica e, sim, tática. Essa postura pode levar o país à bancarrota numa perspectiva de médio prazo. Mas, para fins eleitorais em curto prazo, parece o caminho que ele deseja trilhar, contrariando promessas de campanha. A realpolitik dele é míope.
Murillo – É confessa a falta de profundidade do presidente com os fundamentos econômicos, vide a criação do “Posto Ipiranga”. Por outro lado, há o populismo na veia. Com o resultado que está dando, difícil retroceder. É inegável a necessidade de uma reforma profunda da máquina pública, do ataque aos privilégios. Pressupõe enfrentamento hercúleo e vai no sentido inverso do populismo e do assistencialismo. Nada leva a crer que haverá grandes avanços dessas imperiosas reformas. As experiências anteriores da política nacional-desenvolvimentista terminaram em décadas perdidas. Mas, o tempo é o senhor da razão.
Roberto – Aumento do gasto público não é, por si só, política nacional-desenvolvimentista. A ditadura militar tinha muito mais clareza sobre isso que o governo Dilma, cuja aventura nacional-desenvolvimentista nunca passou mesmo de aventura. O governo Lula 2 e Dilma não fizeram nacional-desenvolvimentismo, mas nacional-consumismo, keynesianismo vulgar. O aumento do gasto é fundamental na crise, e é o que tem sido feito no mundo todo. O período de maior crescimento da economia brasileira ocorreu entre 1930 e 1980, sob o nacional-desenvolvimentismo. Bolsonaro não tem uma agenda nesta direção. O que ele pretende é simplesmente gastar mais. Isto não é nacional-desenvolvimentismo. É a continuidade do keynesianismo vulgar que sacramentou o fracasso da política econômica petista.
Outdoor do “Milagre Econômico” do Brasil nos anos 1970, cuja consequência ao país foi a hiperinflação nos anos 1980, que só seria controlada pelo Plano Real em 1994
Folha – Bolsonaro apostou no negacionismo da Covid-19, que chamou de “gripezinha”. E já matou mais de 107 mil brasileiros, marca superada no mundo apenas pelos EUA governados por Donald Trump, em quem se espelha. “Às favas com os escrúpulos de consciência”, como o ex-ministro Jarbas Passarinho ao assinar o AI-5, R$ 600,00 é o preço político dessas vidas?
Arthur – Bolsonaro é muito canhestro para lidar com situações inesperadas. Como disse, é um péssimo estrategista. Nasceu para ser comandado, não para comandar. Está sendo um péssimo comandante na guerra contra a Covid-19, tanto em palavras como em atos. Ele falou o quis. Foi desumano e cruel. Continua sendo. Aconselhado a mudar, ele não sabe como. É completamente desajeitado com os pronunciamentos. A pandemia mostrou seus limites como chefe de uma nação. Se o auxílio emergencial melhorou sua imagem é porque a maioria da população brasileira é carente. Falta a ela educação política. Assim, o pouco se torna muito.
Murillo – Seu negacionismo prejudicou a formação de um discurso nacional ao enfrentamento à Covid. Mas, a decisão do STF, dando aos governadores e prefeitos a condução das ações, tirou de suas costas a responsabilidade. Com a aprovação do decreto de crise pelo Congresso, não faltaram recursos aos estados e municípios. O Brasil começou tarde a enfrentar o problema. Aqui, fica tudo para depois do Carnaval. Sou dos que acham que Bolsonaro não é o responsável pelas 107 mil mortes. Entretanto, sua falta de empatia e solidariedade com as vítimas são injustificáveis. Essa postura foi determinante à queda de popularidade.
Roberto – Maquiavel dizia que as pessoas esquecem mais rapidamente a morte de seus pais que a dilapidação de seu patrimônio. Em um país que, no dizer de Darcy Ribeiro, sempre foi uma “máquina de moer gente”, a aposta de Bolsonaro é macabra: pagar um preço político baixo pelas dezenas de milhares de vidas e ainda colher frutos adicionais. Mas parece realmente funcionar.
Ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff também foram avaliados pelo Datafolha no mesmo período de Bolsonaro
Folha – Pelo Datafolha, os 37% de Bolsonaro são superiores aos 30% de ótimo e bom de FHC em junho de 1996 e aos 35% de Lula, em agosto de 2004. Mas é inferior aos 62% de Dilma em agosto de 2012. Com o que hoje sabemos, o que esperar da fotografia do momento para o futuro? E é irônico ver os bolsonaristas divulgando a Datafolha nas redes sociais?
Arthur – Os bolsonaristas rejeitam pesquisas de opinião pública, se elas mostram o que lhes desagrada, mas, como todo político de esquerda, centro e direita, divulgam-no com caixa de ressonância, caso elas sejam favoráveis. Dilma conseguiu 62% e acabou impedida de governar. Ainda ressoam em mim as palavras de sabedoria da velha raposa política Manoel Gonçalves: “eleitor é velhaco”. Não se deve surfar na onda dos bons resultados. Eles podem mudar rapidamente. Enfim, apesar da mudança, ainda vejo que o rei está nu por baixo de um roupão roto.
Murillo – Qualquer análise agora sobre o futuro é prematura. Muita coisa vai acontecer e estes números de aprovação de hoje só servem para tirar de cena o impeachment. O jogo ainda vai começar. Meu sentimento é de que, quando a Covid sair da mídia, os reais problemas irão aparecer. Tempos ainda mais difíceis virão. Dilma tinha quase o dobro de aprovação dos outros e terminou afastada. Pesquisa é fotografia. Registra o momento. Quem assegura que Bolsonaro bateu no teto? E se ele crescer mais? Como será o dia seguinte pós-coronavoucher? Como administrar R$ 800 bilhões de déficit? Enfim: a única coisa certa é a incerteza.
Roberto – É irônico ver os bolsonaristas divulgando o Datafolha e apoiando uma mega política de transferência de renda sem condicionalidades. Eu diria que já temos algumas fotografias que nos permitem rascunhar um roteiro favorável a Bolsonaro, que na minha visão é cada vez mais favorito para se reeleger em 2022. Se algo vier a atrapalhar este roteiro rascunhado nesta fase da pandemia, será apenas a ação do próprio presidente. Não me parece que a oposição, seja de esquerda, seja de centro-direita, possa adquirir o protagonismo que não teve até aqui.
A partir das 7h da manhã desta quarta-feira (19), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o especialista em finanças Igor Franco, professor da Estácio. Ele falará sobre o abandono da pauta liberal pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido), da grave crise financeira de Campos (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) e alternativas para tentar sair dela, além de dar suas projeções para as eleições de prefeito e vereador, em novembro.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), José Motta Filho foi convidado para ser o vice da pré-candidatura de Caio Vianna (PDT) a prefeito de Campos. Ele não se definiu, mas as chapas são serão homologadas nas convenções partidárias, entre o dia 31 deste mês e 16 de setembro.
Quem revelou o convite a José Motta foi o próprio Caio, quando perguntado se teria sondado a composição de chapa com o empresário Frederico Paes (MDB). Ontem, este confirmou (confira aqui) que será vice na pré-candidatura a prefeito do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD).
Antes de fechar com o representante do clã Garotinho, Frederico disse que também tinha conversado nesse sentido com Caio e com o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD), que lançou no dia 6 (confira aqui) a pré-candidatura a prefeito do médico Bruno Calil (SD). E forçou o retorno de Wladimir à disputa eleitoral de novembro, já que, sem o apoio do SD, a opção da pré-candidatura garotista a prefeito do ex-vereador Fábio Ribeiro (PSD, confira aqui) ficou politicamente enfraquecida. Antecipada pelo blog, essa leitura foi ontem confirmada por Frederico.
Procurado desde ontem, Rodrigo negou que tenha convidado Frederico para compor a chapa do SD. Mas preferiu, pelo menos por ora, não dar maiores detalhes. Por enquanto, a pré-candidatura a prefeito de Bruno permanece sem vice conhecido. Caio, por sua vez, respondeu ao blog:
— A única pessoa que convidei para ser o meu vice nessa eleição foi o desembargador José Motta Filho, que tem uma longa relação com meu pai (o ex-prefeito Arnaldo Vianna, PDT) e com toda minha família.
Natural de São Martinho, na Baixada Campista, José Motta é uma figura querida e respeitada em toda a comunidade. Se aceitasse, daria o equilíbrio de uma “cabeça branca” à pré-candidatura do jovem pedetista.
Frederico Paes disse “sim” a Wladmir (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Que o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) retomou sua pré-candidatura a prefeito de Campos, não é novidade Este “Opiniões” havia adiantado isso aqui, em primeira mão, desde 6 de agosto. A novidade é que o empresário Frederico Paes (MDB), da Coagro e do Hospital Plantadores de Cana (HPC) aceitou ser o vice em sua chapa, que depende de homologação nas convenções partidárias entre dia 31 deste mês e 16 de setembro. Anunciado pela assessoria de Wladimir, o fato foi confirmado ao blog pelo próprio Frederico:
— Eu e Wladimir temos conversado há cerca de um ano sobre essa possibilidade. E, na última sexta-feira (14), após quatro horas de conversa, eu resolvi aceitar. Até por conta dessa série de matérias que você tem feito no blog e na Folha, ouvindo vários atores da sociedade sobre a grave crise financeira de Campos (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), a gente sabe da gravidade do problema. A receita para resolver é simples. Agora, é fácil de fazer? Não! Para isso nós precisamos de união, de um pacto. Wladimir tentou fazer isso antes do pleito. Mas, como ele mesmo disse, as vaidades políticas não deixaram. Mas se isso não se viabilizar após a eleição, não tem saída para Campos.
Perguntado se o atraso no pagamento da complementação dos hospitais contratualizados tinha influído para aceitar ser vice da pré-candidatura a prefeito de Wladimir, Frederico disse que não. Mas disse que entra para tentar contribuir com sua experiência à frente do HPC:
— Acho que tenho cara de vice. Como estava conversando com Wladimir e também fui chamado por Caio Vianna (pré-candidato a prefeito do PDT) e Rodrigo Bacellar (SD, deputado estadual, que lançou a pré-candidatura a prefeito do médico Bruno Calil) para conversar sobre a possibilidade de composição de chapa, eu me afastei há cerca de um mês da direção do Plantadores, para não haver conflito. A dívida que ele e os hospitais contratualizados têm não interferiu na minha decisão final. Mas claro que minha experiência como gestor hospitalar pode ser aproveitada quando chegar o momento de apresentarmos nossas propostas para a Saúde da cidade. Os hospitais contratualizados são um patrimônio de Campos, que têm que ser usados de maneira inteligente, não da maneira que têm sido. Evidente que sem perder de vista que a única solução para o município será apertar o cinto.
A partir das 7h da manhã desta terça (18), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o empresário José Francisco Rodrigues, presidente da CDL-Campos. Ele falará sobre a reabertura do comércio local no contexto do combate à pandemia da Covid-19, da grave crise financeira do município e suas alternativas, além de avaliar como o setor produtivo de Campos enxerga as eleições a prefeito e vereador de novembro.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
“Live é o cacete!”, como classificou o jornalista Ancelmo Gois e o professor de História e pesquisador Marcelo Sampaio gosta de repetir. Assim, tomo a liberdade de deixar aqui no blog o bate-papo promovido pelo Marcelo, na programação do seu Centro Cultural, que me trouxe como convidado na noite da última segunda (10). Falamos sobre várias coisas: Atafona, poesia, a peça “Pontal”, cães, cinema e cineclubes, cultura goitacá, jornalismo, minha atuação profissional na Folha FM, conservadorismo bolsonarista, erros da esquerda, pauta identitária, política nacional, corrupção no Estado do Rio e eleições a prefeito de Campos. Deu até para antever e explicar o avanço da popularidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que só se tornaria conhecido três dias depois, na quinta (13), com a divulgação (confira aqui) da última pesquisa Datafolha.
Pela variedade de temas, a entrevista acabou ficando maior que de costume, com pouco mais de 2h30. Quem tiver tempo, interesse e paciência, não sem o agradecimento ao Marcelo pela oportunidade, segue sua íntegra no vídeo abaixo:
A partir das 7h da manhã desta segunda-feira (17), quem abre a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o economista Alcimar Ribeiro. Ele falará sobre o aniversário de 27 anos da Uenf (confira aqui), onde leciona, da crise financeira de Campos e das alternativas para sair dela. Analisará ainda o inédito zero de participação especial de petróleo (confira aqui) ao município em agosto e nossa dependência dos recursos do petróleo, além da mudança da política econômica do governo Jair Bolsonaro (sem partido), da agenda liberal que ajudou a elegê-lo em 2018 para (confira aqui) o nacional-desenvolvimentismo que resgastou sua popularidade com o auxílio emergencial dos R$ 600,00.
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— E a eleição a prefeito, finalmente está esquentando? — abriu os trabalhos Castelo, antes molhar a garganta com a cerveja, na primeira visita ao botequim após a flexibilização.
— Está, sim. Mas o principal problema de Campos não é político, é econômico. Desde que fomos elevados à condição de cidade, há 185 anos, talvez seja a nossa pior crise financeira — respondeu Aníbal, antes de também matar a saudade não da cerveja, mas do seu gosto. Que, no boteco, é sempre diferente.
— É verdade. Zero de participação especial de petróleo em agosto. É de dar medo do que vem pela frente.
— Pois é, por terem começado a ser pagos bem antes, os royalties se enraizaram no linguajar do campista. Mas desde que as participações especiais trimestrais vieram em 2000, a cidade sempre arrecadou bem mais com elas. E foi a primeira vez na história que não recebeu nada.
(Foto: Petrobras)
— E o que esperar disso tudo?
— Só dá para saber três coisas. A primeira, é que será muito ruim. E a segunda, que vai piorar muito antes de melhorar.
— E a terceira?
— A terceira é que o atraso nos pagamentos dos RPAs e dos servidores aposentados e pensionistas é só a ponta do iceberg.
— Vai ser igual ao Titanic?
— Campos não pode simplesmente afundar. Mas está fazendo água para todos os lados. E o discurso dos servidores municipais que são contra o enxugamento, até nos equipamentos, ou o dos empresários que são contra o aumento da carga tributária, terá que se dobrar à realidade.
— Como assim?
— Servidores e empresários estão legitimados pela luta de classes. Mas o diálogo que a crise financeira vai impor sobre eles, no lugar do “farinha pouca, meu pirão primeiro” de sempre, será aquele da cena dos músicos enquanto o navio afunda no filme de James Cameron: “Foi uma honra ter tocado com vocês”.
— Lançou Di Caprio ao estrelato, em par romântico com Kate Winslet, com quem corneia o personagem babaca do Billy Zane.
— Da realidade goitacá às telas de Hollywood, quem ignorar a primeira deveria rever a cena final de “Butch Cassidy”. Lembra? Os dois já baleados, saindo da casa em que se abrigaram com os revólveres em punho, enquanto lá fora, armado de fuzis, espera todo o exército boliviano. A situação econômica de Campos é mais ou menos aquilo.
— É um filmaço. Inaugura Paul Newman e Robert Redford como “par romântico” do cinema. Que depois seria repetido pelo mesmo diretor George Roy Hill em “Golpe de Mestre”. Aliás, é um título sugestivo. De quem será o golpe de mestre nessa história toda?
— Por enquanto, é de Bolsonaro. Foi eleito presidente como o “Trump do Brasil” e tem, depois do original nos EUA, a pior condução da pandemia da Covid em todo o mundo, com mais de 105 mil mortos. E, ainda assim, agora aparece na Datafolha com 37% de ótimo e bom, maior aprovação popular do seu mandato.
(Foto: Smialowski – AFP)
— E, ironicamente, foi fruto do auxílio emergencial de R$ 600 para a pandemia, que o governo propôs para R$ 200, o Congresso elevou para R$ 500 e Bolsonaro, só para dizer que teve a palavra final, colocou em R$ 600. Atirou no que viu e acertou no que não viu. Mas gostou, vai manter e mandar às favas a agenda liberal de Paulo Guedes, que usou para se eleger.
— Liberal que acreditou no liberalismo de quem propôs fuzilamento de FHC por conta das privatizações, é burro, mau caráter, ou as duas coisas. Mas a pesquisa foi fruto também da queda na rejeição, que só aconteceu quando Bolsonaro sumiu do cercadinho do Alvorada e calou a boca, com medo de ter que responder a perguntas sobre a prisão de Queiroz. Mas ironia por ironia, quer uma melhor? É ver bolsominion postando a Datafolha nas redes sociais.
— Esse povo não se cansa de passar vergonha! — disse Castelo, gargalhando e se engasgando com a cerveja.
— Quer outra? Sem querer, Bolsonaro herdou o eleitor do Bolsa Família do PT, sobretudo no Nordeste, que não votou nele em 2018. Mas que também nunca foi de esquerda. São tão pragmáticos quanto o Centrão. Ao qual o capitão sempre pertenceu como deputado e agora, como presidente, cooptou para evitar o impeachment no Congresso e isolar Rodrigo Maia.
— É a tal da realpolitik do velho Otto Von Bismarck. Que depois foi traduzida por Jim Carville, estrategista da primeira eleição de Bill Clinton a presidente dos EUA: “É a economia, estúpido”.
— Verdade. Só que é economia do bolso a curto prazo. Se der ruim a médio e longo, como foi com o PT a partir do segundo governo Lula e o desastre de Dilma, vai boi, corda e tudo.
— Mas o grande John Keynes aprovaria essa política de abrir os gastos públicos em tempo e crise. Que Bolsonaro quer fazer para mergulhar de cabeça no populismo, como Lula.
— O negócio não é nem gastar, mas como e em quê. Mas mesmo que ele tenha sido o grande teórico do gasto público para girar a economia e sair da crise, como Roosevelt fez com o New Deal nos anos 30, para superar o Crash de 29, tenho sérias dúvidas se Keynes aprovaria Bolsonaro.
— De volta ao nosso canavial, e em Campos, de quem será o golpe de mestre?
— Forçado por Rodrigo ao lançar Calil, se Wladimir sair candidato a prefeito e ganhar, seria de Garotinho. E, se vier, o filho tem passagem quase garantida ao segundo turno.
— Mas no segundo turno pode perder para Caio. Ou alguém com rejeição mais baixa. A melhor chance de Wladimir seria contra Rafael. E vice-versa. Além do que, se ganhar, Wladimir pode perder mesmo assim. Deixaria seu bom mandato em Brasília para herdar o abacaxi que os pais plantaram.
— Aí é o que disse George W. Bush, ex-presidente dos EUA e filho de outro, em raro momento de sabedoria: “O futuro é algo que veremos amanhã” — proclamou Aníbal, enquanto tomava outro gole de cerveja, antes de observar a marca da espuma descendo lenta pela lateral interna do copo, até o fundo quase vazio.
Após vários nomes cogitados, o médico Bruno Calil (SD) foi o primeiro a ser formalmente apresentado como pré-candidato a prefeito pelo grupo político do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). A certeza, como com todos os demais prefeitáveis, só se terá a partir da homologação das candidaturas entre 31 deste mês e 16 de setembro. Bruno chega com o discurso de confiança à disputa: “Confio muito em nosso projeto, quem sabe não podemos surpreender e vencer no primeiro turno?”. Tanto que, como o blog Opiniões adiantou desde 6 de agosto, a sua pré-candidatura deve trazer de volta ao páreo (confira aqui) o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD). Cujo líder e pai, o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), chegou a conversar com Rodrigo. Anunciado depois disso, Bruno aposta na pacificação: “Chega de prejudicar a cidade por conta de brigas políticas”. Mas, ao mesmo tempo, ressalta sua diferença com prováveis adversários: “Eu não sou o filho do Garotinho, o filho do Arnaldo, nem o neto do Zezé Barbosa”. Ele admite o grave quadro financeiro do município que pretende governar, mas usa sua trajetória pessoal como exemplo para superá-la: “A crise de Campos não me dá medo. A vida inteira encarei de frente todas as dificuldades e dessa vez não será diferente (…) A situação não é fácil, é grave, mas Campos sairá da UTI”.
(Foto: Rodolfo Lins)
Folha da Manhã – Você é o quinto pré-candidato a prefeito de Campos do SD, depois do juiz aposentado Pedro Henrique Alves, dos médicos Cândida Barcelos e Eduardo Terra, além do vereador Igor Pereira. Como analisa estes nomes e o que o seu traz de diferença?
Bruno Calil – Deixa eu contar um pouco da minha trajetória. Sou nascido e criado em Murundu, cresci em Vila Nova, vivi no interior. Desde criança lidei com as dificuldades e aprendi a dar valor ao estudo e ao trabalho. Trabalhei desde os 11 anos ajudando o meu pai na padaria e sempre precisei custear o meu sonho de me formar em medicina. Por ter passado por tudo isso, eu sei exatamente o que a população de Campos sente e precisa. Nós atravessamos o pior momento econômico da história. E foi nesse momento que eu escolhi ajudar a cidade. Sobre a minha indicação, não vejo como uma competição pelo primeiro lugar. Os nomes do nosso grupo demonstram a nossa força política. São pessoas muito capacitadas e com muita vontade de ajudar. Estou muito feliz que eles tenham apoiado a escolha do meu nome e estejam ao meu lado nessa caminhada.
Folha – Antes de lançar seu nome a prefeito e mesmo de sondar os anteriores, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) era considerado o principal articulador da pré-candidatura de Caio Vianna (PDT). Em entrevista ao Folha no Ar, da Folha FM 98,3, o vereador Ivan Machado (PDT) disse que essa ruptura entre os dois poderia ser revista. Como você avalia?
Bruno – Rodrigo disse várias vezes que não há nenhuma mágoa com Caio, que a separação foi amigável. São visões diferentes, pode não ter dado química. O nosso grupo como um todo definiu que o melhor projeto seria uma candidatura própria. Caso o PDT queira apoiar a nossa candidatura, será bem-vindo. Não descartamos conversar em um eventual segundo turno. É a velha máxima, ser adversário é bem diferente de ser inimigo.
Folha – Cogitado (confira aqui) como pré-candidato a prefeito do PSD, o ex-vereador Fábio Ribeiro disse também ao Folha no Ar que o grupo político dele estava (confira aqui) conversando com o seu. Consta que Rodrigo teria chegado a falar por telefone com o ex-governador Anthony Garotinho. Como sua pré-candidatura foi lançada depois disso, ela quer dizer que não há mais possibilidade de aliança do seu grupo com o garotismo? Ela chegou a existir?
Bruno – O interesse de outras correntes partidárias em ter uma aliança com o nosso grupo político só demonstra a nossa força. Política é a arte de conversar, estaremos sempre de portas abertas para discutir o melhor para Campos, em torno de projetos benéficos para o município. Brigas, fofocas, ataques, picuinhas não vão fazer uma Campos melhor. Chega de prejudicar a cidade por conta de brigas políticas. É hora de pensarmos no futuro da nossa cidade, de oferecer algo novo à população que, tenho certeza, não aguenta mais esse clima de guerra. Nossa candidatura é uma candidatura que apresenta à população algo novo. Nunca fiz carreira política, nem ninguém da minha família. Eu não sou o filho do Garotinho, o filho do Arnaldo, nem o neto do Zezé Barbosa. Sou aquele cara do interior que teve poucas oportunidades, mas conseguiu um lugar ao sol à custa de muito suor. Com relação à ligação do Garotinho, tenho certeza de que Rodrigo atendeu de forma cordial e educada. Não houve nada além disso.
Folha – No lançamento da sua pré-candidatura, o blog Opiniões adiantou que ela poderia forçar Wladimir a voltar ao páreo pela Prefeitura, pela impossibilidade de fortalecimento de Fábio. E que este movimento seria uma aposta de Rodrigo, de que Wladimir perderia para prefeito em um eventual segundo turno, na tradicional união de todos contra o garotismo. Como você analisa?
Bruno – O nosso grupo político lançou pré-candidatura própria por ser coeso, forte e ser capaz de fazer o melhor para Campos. Confio muito em nosso projeto, quem sabe não podemos surpreender e vencer no primeiro turno? Acredito muito na força do trabalho e na nossa capacidade nas urnas. Com relação aos movimentos políticos de outros grupos, estamos muito focados em nossa candidatura, não nos cabe avaliar.
Folha – Caio parece apostar na baixa rejeição em um segundo turno, se comparada com ao prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e Wladimir ou qualquer outro prefeitável que herde a rejeição de Garotinho. Menos conhecido que os três pré-candidatos, você também tem essa vantagem da baixa rejeição? Por outro lado, como se tornar conhecido, em uma campanha com contato físico limitado por conta da pandemia da Covid-19, para estar no turno final?
Bruno – Em toda a minha vida só fiz o bem e cuidei do próximo, não cultivei inimizades. A baixa rejeição citada por você reflete a minha trajetória. Talvez não seja alguém tão conhecido na “pedra”, mas no interior a população sabe quem eu sou. Tenho certeza de que todos vão me conhecer, de norte a sul do município, de Farol de São Thomé até Santo Eduardo. Todos vão conhecer as nossas propostas e entender que temos o melhor projeto para a nossa cidade. A Covid fará dessa uma campanha atípica, sem dúvida, vivemos a pior crise sanitária da história da OMS. Então, acima de tudo está a saúde da população. Vamos respeitar todos os protocolos sanitários impostos pelas autoridades durante a campanha. E, claro, estaremos presentes nos meios digitais dialogando com a população da cidade.
Folha – Desde a tentativa conjunta de reabrir (confira aqui) o Restaurante Popular em Campos, Rodrigo e Rafael mantêm uma relação amistosa. Como nada indica que ela tenha se rompido, a sua pré-candidatura indica também a crença nas dificuldades do prefeito em se reeleger?
Bruno – Como deputado estadual, Rodrigo sempre vai atuar a favor do município, independentemente de quem seja o prefeito, e vem fazendo isso exemplarmente. Não é porque o nosso grupo político faz oposição ao atual governo que Rodrigo vai virar as costas para o município. Não podemos ter brigas políticas que atrapalhem o desenvolvimento da nossa cidade, e Rodrigo e Rafael vêm mostrando que adversários podem conversar. Somos adversários, não inimigos.
Folha – Como Cândida e Eduardo, você é médico, categoria que recentemente deu a Campos dois prefeitos, Arnaldo Vianna (PDT) e Alexandre Mocaiber (sem partido), e um vice-prefeito, Dr. Chicão (SD). Como analisa o legado destes? E, respeitado o impedimento legal para se falar em projetos, o que você traria da sua experiência na medicina para gerir a cidade de Campos?
Bruno – A minha trajetória pessoal e profissional dá a população a certeza de que o seu representante saberá exatamente quais são os seus problemas e necessidades. Vivi de perto e senti na pele a maioria deles. Trabalhei a maioria desses anos nas UBS de Campos, e sei o quanto a população vem sofrendo com as gestões ruins na Prefeitura. Campos precisa de trabalho, muito trabalho. A população necessita de um gestor que saiba o valor disso, e eu fui trabalhador a vida inteira. Sobre o legado, a maioria dos governos tinha muito recurso em caixa, mas entregou muito pouco. Campos era para ser uma potência, mas a realidade é o quadro atual. Mas quem avalia é a população, que já fez o seu julgamento. E não adianta ficar olhando para trás, temos é que pensar Campos para o futuro.
Folha – Em painel com empreendedores sobre a crise econômica de Campos, o arquiteto Ricardo Paes Teixeira disse (confira aqui) que a situação financeira do município é como a de um paciente em estado grave numa UTI. Como gerir um município com orçamento estimado em R$ 1,57 bilhão para 2021, com R$ 1,1 bilhão já comprometido só com folha de pagamento de servidor, e após o inédito R$ 0,00 de participação especial de petróleo neste mês de agosto?
Bruno – Há vários caminhos em busca de uma solução para a cidade. Precisamos não só reduzir as despesas, é fundamental aumentar a arrecadação. Campos não pode viver eternamente do petróleo. É preciso investir no agronegócio, na agricultura familiar, atrair indústrias. A classe empresarial tem que estar por perto, ser ouvida. Investir em parcerias público-privadas, conversar com empresários de fora de Campos e dar a eles a segurança que a nossa cidade é um local atraente para investimentos. Sobre as despesas, o caminho é uma administração séria e eficiente, não podemos desperdiçar verba pública. Um bom exemplo é o contrato de aluguel de um espaço para o Restaurante Popular, onde se paga R$ 18 mil/mês e o local nunca foi utilizado. Nossa folha é enorme, mas não podemos entender que o servidor é o nosso maior problema. Eu, como servidor público, sei o quanto somos importantes para o município.
Folha – O Folha no Ar já ouviu vários pré-candidatos a prefeito. Quase todos afirmaram a necessidade de enxugamento da máquina pública, mas ninguém disse onde e como. De maneira objetiva, qual o seu diagnóstico, indicação de tratamento e receita de remédio?
Bruno – Ninguém melhor que um médico para tratar de um paciente na UTI. Ninguém quer tocar o dedo na ferida porque a velha política é assim. Não interessa para ela uma administração eficiente. Como disse anteriormente, o enxugamento da máquina pública passa de forma imediata por revisar as despesas desnecessárias. Não podemos achar normal um contrato de R$ 3,9 milhões para plantas ornamentais, R$ 500 mil em show de Luan Santana, R$ 40 milhões em reforma da Praça São Salvador. Tenho certeza de que há solução, basta ter coragem, vontade e quadros técnicos competentes.
Folha – Você tinha uma pré-candidatura a vereador considerada com boas possibilidades. O que o fez trocá-la pela de prefeito, diante da talvez maior crise financeira de Campos, em seus 185 anos de história?
Bruno – Eu refleti muito e percebi que é nesse momento que meu município mais precisa de mim. A crise de Campos não me dá medo. A vida inteira encarei de frente todas as dificuldades e dessa vez não será diferente. Essa é mais uma que iremos superar. Chegou a hora de interromper o ciclo vicioso que não está ajudando a nossa cidade, que cai nas mãos sempre dos mesmos grupos. É o momento de oxigenar a política. Eu hoje represento um grupo político preparado, com grandes nomes capacitados em todas as áreas. A situação não é fácil, é grave, mas Campos sairá da UTI.
Como a Folha tem ressaltado em suas edições anteriores, a crise financeira de Campos é muito grave. Independe do resultado das urnas das eleições a prefeito em 15 de outubro e, provavelmente, no segundo turno do dia 29 do mesmo mês. E suas consequências, com o inédito zero de participação especial (confira aqui) na exploração de petróleo em agosto, devem ir além do atraso do pagamento a RPAs e servidores municipais aposentados e pensionistas. Para saber como lidar com a situação, empresários ouvidos no último sábado (08) apontaram (confira aqui) a necessidade de redução da máquina pública municipal, inclusive em pessoal. E ensejaram o debate neste painel de hoje, em ordem alfabética, com o coordenador geral do Sepe, Edson Braga, e os presidentes do Siprosep e Simec, respetivamente Elaine Leão e José Roberto Crespo.
Edson e José Roberto representam os profissionais dos dois maiores gargalos da folha da Prefeitura, de cerca de R$ 1,1 bilhão, em orçamento estimado para 2021 em R$ 1,57 bilhão: Educação e Saúde. Elaine preside o sindicato do conjunto dos servidores de Campos, independente de área. Como era de se esperar, os três são refratários à possibilidade de corte de pessoal, como os empresários foram avessos a aumento de carga tributária. Já sobre a questão dos equipamentos, Elaine afirmou: “Reduzir a máquina pública municipal não pode ser considerado a solução”. Defendeu inclusive o Cepop e a Cidade da Criança, alegando “direitos populares ao lazer e à cultura”. Por sua vez, Edson admitiu: “Concordo que o Cepop e a Cidade da Criança hoje são um desperdício grande para a realidade que vivemos”. Sem nominar os dois equipamentos, José Roberto propôs a solução ao todo: “Mantendo a continuidade com qualidade do que for imprescindível”.
Edson Braga, Elaine Leão e José Roberto Crespo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Folha da Manhã – No último painel publicado pela Folha sobre a grave situação financeira de Campos, com três referências da iniciativa privada, nenhum teve dúvida ao apontar a necessidade de cortes em pessoal da máquina pública municipal. Como você vê?
Edson Braga – Bom, é preciso primeiro entender que realmente temos um novo cenário atípico, como nunca antes na história contemporânea, em que muitas coisas terão que ser mudadas ou reinventadas. E ainda não temos a mínima noção da reação e evolução da economia, apenas podemos apontar que o quadro é muito crítico. Mas, logo de cara, posso afirmar que uma das soluções imediata é o corte de funcionário também tem seu lado melindroso. Há que se diferenciar máquina público de setor privado. Esse corte não geraria apenas economia, mas também prejuízo na ponta, que é a população. Esses cortes não podem afetar, por exemplo a Educação. Sem profissionais, geramos mau funcionamento da Educação.
Elaine Leão – Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que os padrões de administração da iniciativa privada não são os mesmos, e nem desejáveis para o poder público. A iniciativa privada tem por único objetivo a manutenção de suas taxas de lucro. A eficiência do empresariado reflete seu interesse pessoal, não os interesses da população. Um exemplo disso está exatamente nos supermercados de nossa cidade. Enormes quantidades de caixas fechados, enquanto clientes têm que amargar horas nas filas dos poucos caixas que estão efetivamente funcionando.
José Roberto Crespo – Compensar as perdas financeiras do município com cortes no funcionalismo público, de forma generalizada, poderia acarretar danos às áreas sob as responsabilidades e atribuições da administração pública e dos poderes municipais. É grave a situação financeira do município, mas o caminho é outro. Em linhas gerais, é hora de ativar manobras estratégicas que visem melhorar as políticas públicas, a gestão e o funcionamento da engrenagem municipal, mantendo-os alinhados às normas, aos direitos e aos deveres dos servidores públicos municipais, com foco no bem-estar da população.
Folha – O governo Rafael Diniz (Cidadania) enviou em abril à Câmara Municipal a previsão orçamentária de R$ 1,7 bilhão para 2021. Mas segundo calculou o economista Alcimar Ribeiro, professor da Uenf, deve cair a R$ 1,57 bilhão. Deste, R$ 1,1 bilhão já estaria comprometido com folha de pagamento de servidor. Há solução aritmética? Qual?
Edson – Precisamos realmente equilibrar essa equação, criar meios de novos investimentos em nossa cidade, criar alternativas como substituição aos royalties do petróleo. Temos que ter gestores que administrem muita coisa com pouco dinheiro, sem maquiar a LOA. Lembrando que Educação não é gasto e sim investimento; educação traz progresso. Qual lugar no mundo em toda história que investiu em Educação e ficou sem desenvolvimento? E essa folha qual é o comprometimento com DAS, cargos comissionados e efetivos concursados? O que não se pode é deixar nesse orçamento quase 1/3 do orçamento de forma livre, para gastar como quiser.
Elaine – Em primeiro lugar precisamos pensar qual é o principal objetivo do Estado. A maioria absoluta da população é dependente de serviços públicos: escolas, saúde, assistência social. É um equívoco considerar a folha de pagamento de servidores públicos como gasto, quando, na verdade, é investimento. A atual gestão municipal não investe em estruturação financeira para captar recursos ao município. Hoje o maior empregador do município é a própria Prefeitura. E isso é ruim para todos, os funcionários que não são valorizados e a população refém da Prefeitura, que paga mal e precariza o serviço terceirizado.
José Roberto – Entre as competências do município, conforme determina a Lei Orgânica Municipal (LOM), está a elaboração de orçamento, prevendo a receita e fixando a despesa, com base em planejamento adequado. Cabe ao município instituir e arrecadar tributos de sua competência, cobrar seus respectivos valores e utilizá-los em prol da assistência, cuidado e proteção à população. A solução está na gestão, no cumprimento das normas previamente estabelecidas, e no atendimento dos princípios de legalidade e eficiência.
Folha – No Portal da Transparência de Campos, o último demonstrativo de despesa com pessoal que aparece é do 3º quadrimestre de 2019. Nele, o total de despesa com ativos e inativos é de R$ 895.563.556,69. Contrastada pela diferença deste valor com o R$ 1,1 bilhão passado por fontes do governo Rafael, a secretaria municipal de Controle passou que o gasto com inativos e aposentados somaria mais R$ 154.472.616,10, mais R$ 24.932.178,55 com auxílio alimentação e R$ 6.822.822,45 com estagiários, chegando ao total de 1.079.591.173,79. A conta é essa mesma? Como fechá-la?
Edson – Como transparência em governo é relativo, é preciso verificar detalhadamente qualquer informação. Olhar o todo não dá a real noção de gasto por gasto detalhado. Será que essa folha é como se fala? Porque toda vez que se faz uma pergunta nova, o governo diz que vai passar para não sei quem, que poderá dar uma resposta melhor? Tenho dúvidas quanto a essa transparência. Um exemplo e quando se adia o salário do servidor e diz que já foi pago nesse mesmo Portal. E outros governos anteriores também deixaram dívidas nessa fatia. É preciso investigar nos mínimos detalhes para entender e fechar essa folha.
Elaine – Cortar atendimento à população não pode ser solução, sob pena de tornar ainda mais desigual a sociedade. É necessário promover o desenvolvimento socioeconômico e investir na captação de outros recursos, não somente os royalties. Tínhamos várias indústrias e empresas e um comércio potente. O dinheiro circulava no município, diferente de hoje, quando tudo, sem distinção, depende exclusivamente das receitas da Prefeitura. A Prefeitura não paga, a economia amarga. A conta se fecha quando o município implantar o plano de cargo e carreira e acabar com os cargos políticos. Estes, sim, elevam em muito a folha de pagamento.
José Roberto – Os salários dos servidores, sejam ativos ou inativos, dependem diretamente da arrecadação do município. Diante de todas as dificuldades enfrentadas, para que essa conta feche, a Prefeitura precisa encontrar formas inteligentes de obter receita suficiente para honrar a folha de pagamentos, bem como mantê-la em dia. É válido considerar que, apesar do volume expressivo dos recursos investidos com os vencimentos do servidor, a média salarial do município é baixa e há anos os salários estão congelados, sem aumento da remuneração e/ou reposição.
Folha – No painel com empresários, Renato Abreu falou como referência da iniciativa privada, após ter atuado em estatais como Petrobras e Infraero. Como base nesta experiência nos dois setores, ele disse que as empresas públicas poderiam funcionar com 1/3 do seu quadro de pessoal. Seria o caso do poder público de Campos? Por quê?
Edson – Acho que isso é válido em vários setores. Mas qual é a obrigação de um poder público? Servir à sua sociedade ou obter lucro? Porque objetivo da empresa privada é esse lucro. Mas isso ocorreria no meio público? Ou esse lucro também sumiria como acontece com verbas públicas? É preciso entender que em uma ponta vemos o capital lucrativo como meta. No outro, há um problema chamado corrupção. Qual empresa lucra onde impera a corrupção? É preciso, na verdade, uma mudança no sistema, não a privatização.
Elaine – Como dito acima, o principal objetivo da iniciativa privada é a manutenção de taxas enormes de lucro. Isso inclui a Petrobras, considerando ser uma Sociedade Anônima. Portanto, seu critério de eficiência é diferente. No caso do poder público, sobretudo o municipal, a redução do quadro de pessoal teria como consequência direta e imediata o comprometimento do atendimento aos direitos sociais, já tão vilipendiados. A real necessidade da sociedade, brasileira e campista, é exatamente o oposto: a ampliação dos serviços do Estado, a valorização do servidor público e a diminuição dos cargos comissionados.
José Roberto – Precisamos parar de crer que a solução mais viável e eficaz para as reformas administrativas é a redução do quadro de servidores. Cortes de funcionários, extinções de setores e fusões de pastas, com a finalidade de enxugar a máquina, nem sempre representam as saídas mais produtivas. É de suma importância que a gestão municipal aperfeiçoe e modernize a oferta de serviços à população, contribua com o atendimento das demandas, melhore as ferramentas de controle, racionalize as ações e tenha mais rigor na aplicação dos recursos públicos.
Folha – Outro ouvido no painel com empresários, o arquiteto Ricardo Paes Teixeira falou da necessidade de impor ponto biométrico rigoroso, suspensão de benefícios e programas de demissão voluntária. Em Campos, o ponto biométrico e a suspensão de gratificações geraram grande reação, sobretudo na categoria médica, cuja última greve só foi interrompida por conta da pandemia. Essas medidas não são inevitáveis? Por quê?
Edson – Como professor, penso que o exemplo é a forma mais didática de mudanças. Também penso que qualquer imposição gera problemas, ainda mais quando quem deveria dar o exemplo não deve ser seguido. Mais uma vez qual, é a função do setor público? Outra coisa, passamos por tantas mudanças, como as citadas acima, e nem assim vimos melhoras, menos pobreza, mais desenvolvimento; pelo contrário, somente piora. Por que isso acontece? Somente o trabalhador, principalmente o público, é que tem que pagar a conta?
Elaine – Os servidores municipais não são, em hipótese alguma, contrários ao ponto biométrico. O que se questiona são as prioridades. Todos os órgãos públicos possuem sua chefia imediata, todos DAS, que deveriam ser responsáveis pelo controle da frequência dos servidores. Foi instalado o ponto biométrico, mas a quantidade de cargos DAS não se reduziu. Por outro lado, a pandemia resultou na necessidade preventiva de suspensão do registro de frequência por ponto biométrico. E, logo em seguida, foi renovado o contrato com a empresa administradora do sistema de ponto biométrico, a um custo muito alto para o município.
José Roberto – Não é novidade que a administração pública campista carece de um choque de eficiência e gestão. Entretanto, a supressão de benefícios, a suspensão e/ou cancelamento de acordos firmados com os servidores, a adoção de medidas autoritárias, dispensando o diálogo entre as partes envolvidas e a indicação de programas de demissão voluntária, não representam alternativas adequadas. Quanto ao ponto biométrico, a reivindicação tratou exclusivamente da adoção do modelo de gestão por produtividade nos ambulatórios, respeitando o número de 60 consultas semanais, com o uso do sistema de leitura biométrica.
Folha – Em março, após recorrer na lei de acesso à informação, a InterTV denunciou (confira aqui) o caso em que médicos licenciados do serviço público por atestado médico foram flagrados atendendo em consultório particular, em viagens e praticando esportes. O Simec, cujo presidente participa desta entrevista, divulgou (confira aqui) nota de repúdio à reportagem. Sem particularizar uma categoria, o caso não reforça o estereótipo do serviço público, no que se refere a descompromisso com a população e corporativismo? Por quê?
Edson – Por isso digo que é contraditório. Por que não há fiscalização para evitar isso? E, se provado, por que não punir quem de direito, sem generalizar? Não é o servidor que dá prejuízo. O corrupto em qualquer esfera é que dá prejuízo. A diferença é que o privado vai à falência e público, vira dívida. Mas não é por causa de quem realmente trabalha, sem ser “fantasma”.
Elaine – Veja, existem pessoas antiéticas em todos os setores da sociedade. Há empresários que sonegam impostos, contudo, seria temerário afirmar que todos os empresários sonegam impostos. Os servidores não são descompromissados com a população. Ao contrário, é seu compromisso com a população que garante uma manutenção mínima dos serviços públicos. Exemplo disso são os professores que compram, com recursos próprios, materiais, papel A4 e produtos de higiene, para a continuidade das atividades escolares. Não podemos julgar atitudes isoladas como sendo atitude de todos.
José Roberto – Não. Na ocasião o Simec esclareceu que, como sempre, preza pela verdade e que não se opunha às investigações a respeito da realidade concreta dos fatos. O sindicato manifestou publicamente o seu repúdio à denúncia intitulada “farra dos atestados”, divulgada na Inter TV, em razão do caráter especulativo e irresponsável da divulgação, do compartilhamento de dados não apurados e das manchetes de cunho sensacionalista e opinativo, com a finalidade de promover, através de linguagem tendenciosa e obtusa, influência negativa sobre a população.
Folha – Campos tem 14 mil servidores concursados na ativa, ao custo de R$ 60 milhões/mês. E outros 4,5 mil inativos, ao custo de R$ 15,5 milhões/mês. De volta à pauta nacional esta semana após ser cobrada pelo ministro da Economia Paulo Guedes, a reforma administrativa não deve mexer em direitos adquiridos. Presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ) sempre frisa que a estabilidade só seria alterada em concursos futuros. Os acordos já feitos têm que ser respeitados? Como impor produtividade com as regras atuais?
Edson – Aí está o ponto principal. Será que o funcionário público municipal deixou de trabalhar depois de tudo que tem passado nesse governo? E se fosse incentivado, faria o contrário? Digo isso porque sou professor em duas prefeituras e trabalho da mesma forma nos dois lugares; mas me sinto mais motivado em um lugar do que no outro. Agora, é justo que depois de tudo que fiz até hoje, eu perca os meus direitos? O engraçado é que o que salvaria a pátria era a reforma previdenciária. E o dinheiro tão equacionado, nada, mesmo antes da pandemia. Será que o problema está na ponta, com o trabalhador, ou em quem administra tudo isso?
Elaine – A estabilidade dos servidores públicos não é um privilégio. Ao contrário, é a garantia para que o serviço público não seja usado por ocupantes de cargos políticos para fins escusos. O fim da garantia da estabilidade é um grave risco de degradação do Estado, por meio do aparelhamento por grupos políticos, bem como um risco à democracia, tendo em vista o risco real de retorno do chamado voto de cabresto e do coronelismo.
José Roberto – Sim, os acordos firmados precisam ser respeitados. Não seria justo alterar as regras do serviço público atual, ainda mais se tais alterações representassem perdas dos direitos adquiridos, especialmente, a estabilidade empregatícia e as remunerações dos servidores. Hoje existe a Estatuto do Servidor Público, onde os direitos e os deveres dos profissionais são listados, cabendo à gestão municipal a atribuição e os critérios para a realização das devidas cobranças quanto às responsabilidades dos servidores.
Página 10 da edição de hoje da Folha
José Roberto, Elaine e Edson (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Folha – Além dos servidores concursados, Campos tem cerca de mil DAS, ao custo de R$ 3,2 milhões/mês, e 4 mil RPAs, ao custo de R$ 6 milhões/mês. Que hoje estariam reduzidos a 1,5 mil RPAs ativos, ao custo de 2,5 milhões/mês, por conta do fechamento de equipamentos pela pandemia. Eventuais cortes teriam que passar antes por esses DAS e RPAs? Como avalia a questão lançada por Renato Abreu: “fico em dúvida se não são os RPAs e os DAS os que realmente trabalham no lugar da maioria dos 14 mil concursados”?
Edson – Pois bem, se o contingente de concursados não é suficiente e precisa contratar, como cortar ainda mais o pessoal. Não há dúvida de que podemos ter menos cargos com salários altos. E que pouco ou nada corroboram para beneficiar a população alguns comissionados. Agora, a maioria dos concursados trabalham e há uma inversão de valores onde muitas vezes o concursado é o que mais trabalha. Mesmo porque DAS é da própria política do toma lá, dá cá.
Elaine – Podemos começar esta resposta com outras perguntas: quem são esses DAS? Quem são esses RPAs? Quem indicou a grande maioria? Depois das respostas, aí, sim, poderíamos responder quem realmente trabalha neste município. Ora, se temos uma máquina com tanto servidor público, porque precisamos de tantos RPAs e DAS? Não tem lógica isso. Não é segredo para ninguém que a maioria dos cargos de RPAs e de DAS são cargos indicados pelos vereadores. Várias denúncias já foram feitas, inclusive por vereadores da oposição, de que tais modalidades de contrato seriam utilizados como mecanismo de acordo político.
José Roberto – Naturalmente que, em casos de cortes, os primeiros a sofrerem com os desligamentos serão os contratados sob os regimes DAS e RPA, ainda que a atuação de parte destes servidores seja imprescindível ao funcionamento da máquina pública. Todavia, não possuem estabilidade empregatícia. Quanto à questão levantada pelo empresário Renato Abreu, ela não representa a realidade dos servidores concursados que, como soldados, lutam diariamente na linha de frente em prol da defesa e assistência das demandas da população.
Folha – Com 240 creches e escolas, cerca de 100 unidades de saúde, 13 Centros de Referência de Assistência Social (Cras), oito Vilas Olímpicas, além de um Cepop e uma Cidade da Criança considerados monumentos ao desperdício de dinheiro público, outra tentativa de enxugamento não seriam os equipamentos municipais? Como fazer isso sem prejudicar os serviços ao cidadão, sobretudo o mais pobre?
Edson – Primeiro concordo que o Cepop e a Cidade da Criança hoje são um desperdício grande para a realidade que vivemos e sua utilidade social. Agora, as demais instituições são necessárias à população. O desperdício não se dá nas instituições e, sim, nos desvios e má gestão do dinheiro empregado na Educação e Saúde, que não chega à população que mais precisa.
Elaine – A entrega de equipamentos públicos para a iniciativa privada é uma evidente transferência de recursos públicos para uma parcela privilegiada da sociedade. É entregar para a incorporação e enriquecimento de grupos privados os recursos de toda uma sociedade, que foram alocados na construção desses equipamentos. E mais ainda, é entregar para que sejam utilizados para a geração de lucros e os chamados “negócios”, preterindo direitos populares ao lazer e à cultura.
José Roberto – Mantendo a continuidade com qualidade do que for imprescindível. Campos possui uma vasta extensão territorial e uma população distribuída em pontos distantes do município. Desta forma, os equipamentos municipais fundamentais também precisam estar distribuídos, mas de modo estratégico. Faz-se necessário e urgente o redimensionamento analítico das demandas da população. É imprescindível promover, em pontos específicos, assistências às necessidades da população e ambientes de trabalho que valorizem o servidor.
Folha – Em entrevistas ao programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, quase todos os pré-candidatos a prefeito de Campos falaram em necessidade de redução da máquina municipal. Até (confira aqui) a ex-vereadora Odisséia Carvalho, do PT, partido tradicionalmente ligado aos servidores públicos. Mas nenhum deles deu detalhes de como e onde. Qual a sua visão?
Edson – Reduzir gastos desnecessários, fiscalizar e executar de verdade podem ser meios dessa redução. Desemperrar burocracias que acumulam gastos, bem com assegurar a garantia da qualidade da prestação de serviço. Prevenir gasta menos do que remediar.
Elaine – Reduzir a máquina pública municipal não pode ser considerado a solução. Onde poderíamos reduzir? Na quantidade de escolas, aumentar ainda mais a quantidade de alunos por turma? Nas unidades de saúde, dificultando o acesso aos serviços de saúde? Por outro lado, terceirizar esses serviços não seria a saída, porque, além de ter que manter esses mesmos serviços, ainda haveria a necessidade de se atender ao imperativo da lucratividade, o que acarretaria uma maior destinação de recursos públicos para manter os mesmos serviços.
José Roberto – Sem o servidor a máquina pública não funciona. Ele deve ser o agente de transformação social de nossa cidade. É de suma importância que os servidores obtenham a valorização necessária para que possam exercer suas funções com dignidade. Faz-se urgente o resgate desses profissionais, através de políticas de estímulo ao aperfeiçoamento, para que os papéis sejam cumpridos a cada dia com mais excelência. O município cresce e prospera através da eficácia de sua estrutura pública e da sua capacidade de ofertar respostas positivas às demandas da sociedade por meio do trabalho de seus servidores.
Folha – Sempre mais visível em quem está no poder, a contradição entre o discurso de campanha e a realidade do governo é realçada na pré-candidatura à reeleição do prefeito Rafael. Que, em 2016, prometeu manter programas sociais, valorizar o servidor e, em 2020, enfrenta a rejeição por não ter cumprido. Em que o prefeito errou? Como ele ou qualquer outro adversário de novembro poderiam acertar entre discurso e realidade?
Edson – É necessário um discurso verdadeiro. Mentira tem perna curta. Embora na política ela anda e demore muito para ser descoberta. Não há mágica! Conhecimento prévio da realidade, um bom e simples programa de governo, somado à gestão administrativa e respeito à população pode mudar tudo isso. Além, é claro, da honestidade. O mais difícil é encontrar alguém assim. Há pessoas que querem o poder a todo custo e quem paga é a população.
Elaine – Rafael Diniz errou ao assumir o governo e fechar as portas ao servidor. O tão propagado “diálogo” virou monólogo. O governo “técnico” assumiu a postura autoritária e terrivelmente política. Algum tipo de aperto e dificuldade poderia ter sido necessário para que fosse viabilizada a reorganização do município. Mas, principalmente, é fundamental saber para quem se governa, porque a sociedade não é homogênea em seus interesses e necessidades. É necessário um diálogo aberto e propositivo. O próximo prefeito que entrar precisa falar a verdade e entender que não governa sozinho, não governar apenas para os amigos.
José Roberto – O eleitor vota na esperança de acertar, é fundamental não decepcioná-lo. No entanto, nem todas aquelas promessas cativantes, que praticamente todos os que pleiteiam cargos políticos gostam de fazer, tornam-se realidade. O erro do atual governo foi repetir modelos anteriores: concentração de recursos, secretarias sem autonomia financeira e lentidão excessiva no atendimento às demandas da população. No decorrer dos anos, o resultado foi na insatisfação coletiva da sociedade, que não encontrou respostas às suas questões. O novo governante deverá aliar discurso à prática, para evitar futuras decepções.
Folha – Cogitou-se (confira aqui) que o candidato garotista a prefeito do PSD talvez fosse o ex-vereador Fábio Ribeiro, não o deputado federal Wladimir Garotinho. Isso deveria ser encarado como a confissão política de que o quadro financeiro da Prefeitura é financeiramente insolúvel?
Edson – Talvez seja mais uma estratégia política do que confissão. Em pleitos anteriores, ele (o ex-governador Anthony Garotinho, sem partido) várias vezes queimou algum pré-candidato e, no final, lançou o escolhidinho dele. A não ser se ele (Garotinho) perder a rédea do partido, o que acho difícil! A se se entender que, apesar de tudo, R$ 1,5 bilhão não é pouca coisa. Os ovos talvez não sejam de ouro, mas ainda vale uma boa prata.
Elaine – Não acredito que existam problemas insolúveis. Os problemas do município foram ocasionados por decisões equivocadas por parte dos vários governos passados, desde Arnaldo Vianna (PDT), que não foram capazes de aplicar os recursos que tínhamos na dinamização de nossa economia. O governo da ex-prefeita Rosinha Garotinho (Pros) foi, sim, responsável grandemente por este período difícil pelo qual passamos. No entanto, não existem problemas insolúveis, e, sim, os decorrentes de decisões políticas. As propostas de solução que penalizam toda a população e os servidores públicos são exemplos de opção política.
José Roberto – O município não está financeiramente insolúvel e os seus problemas também não são. Com trabalho e união da sociedade, Campos é viável. Os desafios são muitos, mas com planejamento orçamentário, organização, direção, controle e seriedade, dá para resolver. Seja qual for o candidato, não basta ser idealista e tampouco exagerar no imaginário. Será preciso garra para resolver as múltiplas deficiências e reverter o atual cenário. Não há magia na eleição e não deve haver encantamento ou hipnose da população. Deve haver trabalho em prol da coletividade.
Folha – Outro pré-candidato a prefeito de Campos no Folha no Ar, Roberto Henriques (PC do B) classificou de “modelo perdulário” o que teria sido instalado no município a partir do governo Arnaldo Vianna, com inchaço da máquina pública custeado pelo incremento substancial das receitas do petróleo. Para Henriques, isso foi mantido nas gestões Alexandre Mocaiber (sem partido), da qual foi vice, e Rosinha Garotinho (hoje, Pros). Concorda? Por quê?
Edson – Concordo e ainda acrescento ele foi parte integrante deste processo. Ou não? Mas acho que começou no governo anterior. Gostaria de esclarecer que quando falo em inchaço, não falo em números de trabalhadores, mas em gastos abusivos e pessoal politicamente temporário. Em vários momentos tivemos mais pessoas eleitoreiras dentro da máquina do que os estatutários. A máquina ficou gorda demais.
Elaine – Não existe inchaço da máquina pública. O problema é bem ao contrário, o que existe é a retirada histórica de vários setores essenciais para a população. O incremento das receitas públicas no passado recente foi, sim, utilizado na ampliação dos serviços públicos municipais, ainda que tenham permanecido insuficientes. Um exemplo, é a quantidade de escolas e creches instaladas, que permaneceram com turmas superlotadas. Vale o questionamento de que, apesar de todos os problemas financeiros, os nomes dos pré-candidatos são na maioria os mesmos que ajudaram no caos administrativo que nos encontramos. Vale a reflexão.
José Roberto – Houve gasto excessivo em diversos setores do município, em razão da adoção de um modelo de gestão esbanjador. Com a ascensão dos recursos provenientes da exploração do petróleo, não foram postas em prática premissas necessárias para o desenvolvimento, como ações geradoras de renda independentes, capazes de serem sustentáveis e renováveis no médio e longo prazo. A gestão ficou restrita a ideia de crescimento econômico. Dessa forma, os instrumentos de desenvolvimento ficaram comprometidos, impactando e limitando diretamente o potencial crescimento da cidade.
Folha – Muito se fala na demanda de cortes no Poder Executivo, mas não no Legislativo. A Câmara Municipal precisa funcionar com seu teto máximo de 25 vereadores, cada um com mínimo de cinco assessores, ao custo médio de R$ 100 mil/mês por edil?
Edson – Aí está o maior absurdo qual a utilidade cada um deles traz à população? Qual é o preço e para quê? Sem dúvidas vamos ficar com respostas não agradáveis ou sem respostas. Porque, na maioria das vezes, esse gasto é para garantir rolos compressores que quebram a cidade ou maioria que nada fazem por ela. Mudam as caras, mas as práticas continuam viciadas.
Elaine – A quantidade de vereadores é definida constitucionalmente, em proporção direta ao tamanho da população e, no caso especificamente de Campos, poderia variar entre 15 vereadores no mínimo e 25 vereadores o máximo. A quantidade de assessores é realmente elevada. Pensamos que estes deveriam ser definidos a partir da necessidade estrita ao desempenho adequado dos mandatos parlamentares. O que ocorre, é que, em grande medida, estes são escolhidos para atender aos acordos políticos, sem vinculação com as qualidades da representatividade parlamentar, pelo menos ao que parece.
José Roberto – O equilíbrio entre a quantidade, a qualidade e a eficiência é fundamental para a estabilidade da máquina pública. Embora o limite estabelecido no Art. 29, IV, letra “i” da Constituição da República Federativa do Brasil esteja sendo respeitado, o número de vereadores da Câmara Municipal de Campos pode representar demasiado dano ao patrimônio público, em razão do elevado custo médio investido em cada profissional. O número de vereadores poderia ser menor, para evitar possíveis desperdícios de recursos públicos.
Folha – A necessidade de cortes poderia ser atenuada por aumento nas receitas. Enquanto os servidores são naturalmente refratários à primeira, os três empresários ouvidos no painel do último sábado se mostraram avessos ao segundo, quando na forma de majoração tributária. Nesta clara luta de classes, qual deveria ser o ponto de equilíbrio?
Edson – Enquanto a maioria valer menos que uma pequena minoria, enquanto o capital for mais valioso do que a vida, não poderemos ter nenhuma mudança. Digo mais, hoje não é nem luta de classes, mas luta pela sobrevida. Porque podemos, sim, aumentar receitas sem sobrecarregar impostos. Se a economia gira, ela cresce. Mas parada nas mãos de alguns, ela escraviza e mata mais do que pandemia, por ser mais desumano que o quadro pandêmico.
Elaine – Campos possui mais de 4.000 km² de extensão territorial. Isso são quase quatro vezes mais do que o município do Rio. Por outro lado, conforme dados do IBGE, só cerca de 18% da população possui ocupação. E 37,7% da nossa população possuem renda per capita de 1/2 salário mínimo. É fundamental um amplo programa de desenvolvimento socioeconômico, para potencializar o aumento do emprego, a ampliação dos salários na renda municipal, bem como a arrecadação municipal. Para garantir um projeto neste sentido, um caminho seria um amplo programa de desapropriação de terras improdutivas, e sua destinação à reforma agrária.
José Roberto – A tributação não pode continuar sendo um conjunto de exceções, há de ser estratégica e eficaz para a coletividade. Revisar a tributação das entidades empresariais, de diferentes setores, pode ser uma alternativa para a ampliação das receitas do município, sem prejuízos ao funcionamento da engrenagem pública. O objetivo do governo municipal deve ser sempre a melhoria do patamar estabelecido e não o seu retrocesso, cabendo-lhe a legislação dos assuntos de interesse local.
Folha – Em valores corrigidos pelo INPC, Campos recebeu de royalties e participações especiais (PEs) R$ 4,67 bilhões de 1999 a 2004, com Arnaldo; 6,94 bilhões de 2005 a 2008, com Mocaiber; e 12,06 bilhões de 2009 a 2016, com Rosinha. Em conta que desce a ladeira para 2021, Rafael teve, até 2020, R$ 1,84 bilhão. Juntos, os três prefeitos anteriores tiveram 23,67 bilhões. Acredita que os quase 600 mil campistas tenham a noção da chance histórica que a cidade desperdiçou? Qual seu legado, além de uma máquina inchada e insustentável?
Edson – Vou repetir aqui o que tenho dito: hoje precisamos aprender a administrar muito com pouco. Temos que reconstruir o hoje em cima do duro de ontem! Antes se gastava sem pensar e hoje temos que criar meios para fazer muito gastando pouco. O legado que devemos ter é de muita luta e dificuldades. O “ouro negro” está acabando. Temos que reconstruir uma grande cidade, com trabalho e sem o dinheiro que antes tínhamos.
Elaine – Grande parte dos problemas que a sociedade brasileira vem passando, e a campista em particular, é por não termos a cultura de acompanhar os atos das administrações públicas. De fato, o município perdeu a oportunidade de ter dado uma aplicação mais adequada aos recursos fabulosos que tivemos no passado recente. Contudo, a ampliação dos serviços e da administração pública, não pode ser classificada como gasto ou inchaço. Ao contrário, o que ocorreu foi a falta de capacidade, por parte dos governos passados, de promoverem o adequado investimento, de modo a garantir a viabilidade dos serviços à população.
José Roberto – Fortalecer a transparência de seus atos pelos diversos meios multimídias disponíveis, também é uma das competências do município. Sem a participação comunitária na gestão das receitas municipais e sem a divulgação transparente dos investimentos oriundos das participações e royalties recebidos, a noção do suposto desperdício dos recursos não se fez viável para todos. O legado pode ser visto a olho nu, tanto na decadência das estruturas públicas, quanto na ausência de ações e projetos dedicados ao fortalecimento e desenvolvimento do município.