Despencando
- Autor do post:Aluysio Abreu Barbosa
- Post publicado:2 de julho de 2015 - 20:41
- Categoria do post:Sem categoria
- Comentários do post:1 comentário

Se as buscas pelo comerciante Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, de 54 anos, desaparecido desde o 21 de junho na foz do rio Paraíba do Sul, foram encerradas oficialmente ontem, como a Folha Online noticiou aqui, o mesmo não se pode dizer da sua família e amigos. Seu irmão, o também comerciante Élvio Paes Soares, o “Estranho”, está convocando todos que queiram ajudá-lo a fazer uma varredura na ilha do Peçanha, onde Neivaldo residia e para onde ele estava indo, quando foi visto pela última vez, guiando sozinho sua canoa a motor, saindo do cais do restaurante do Ricardinho, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Penha. No mesmo local, às 10 da manhã do próximo sábado, dia 4 de julho, os amigos de Neivaldo se reunirão para irem em embarcações até o Peçanha, onde as buscas acontecerão até o pôr do sol.
Embora testemunhas tenham visto Neivaldo sem salva-vidas, caindo do barco quatro vezes e tendo dificuldades para ligar o motor de popa da canoa, seu irmão acredita na tese de assassinato. Em primeiro lugar, porque a porta da frente da casa de Neivaldo no Peçanha estava aberta, e ele sempre a deixava fechada quando se ausentava. Élvio ainda lembrou que, antes de desaparecer, Neivaldo tinha se envolvido em confrontos físicos com outros moradores da ilha. Os pescadores de Atafona também estranham que o corpo não tenha aparecido nestes últimos 1o dias, na foz do Paraíba ou no litoral, mesmo com o fluxo constante de pessoas e embarcações na área e após seis dias seguidos de buscas incessantes.
A Polícia Civil, que esteve na ilha e na casa de Neivaldo só na segunda-feira, 29 de junho, está convocando pessoas a prestarem esclarecimentos sobre o caso na 145ª DP de São João da Barra. Por enquanto nenhuma hipótese está confirmada, nem descartada. O desaparecimento foi constatado após a canoa de Neivaldo, aparecer rodando sozinha na foz do Paraíba, sem o seu condutor, tendo em seu interior uma churrasqueira, carne já assada de churrasco, uma garrafa e latas de cerveja vazias, cigarros de palha fumados pela metade, um saco plástico com mantimentos (farinha, café e açúcar), o telefone celular e uma camisa social preta dobrada, de manga comprida, com R$ 9,00 em notas dentro do bolso.
Segundo testemunhas, Neivaldo estava vestindo a mesma camisa quando saiu do cais do Ricardinho para atravessar a foz do rio numa noite fria de inverno.
Saiba mais sobre o caso aqui, aqui, aqui, aqui e amanhã, na edição impressa da Folha da Manhã.

Por Suzy Monteiro, Aluysio Abreu Barbosa e Alexandre Bastos
Com o governo Rosinha Garotinho (PR) considerado ruim (17,6%) ou péssimo (35,7%) para mais da metade (53,3%) da população campista, na qual 75,2% não aprovam a maneira como o município vem sendo gerido e 77,2% não confiam na prefeita, não é preciso ser especialista em pesquisas para concluir que o eleitor está ávido de mudanças em Campos. Mas como medir esse desejo de ruptura com o mesmo modelo que governa a cidade há 26 anos, desperdiçando no período os bilhões recebidos em royalties, mas ainda assim autorizado numa sessão tumultuada da Câmara a avançar também sobre as receitas futuras, num empréstimo defendido a ferro e fogo pelo secretário de Governo Anthony Garotinho (PR), mesmo condenado por 86,5% do eleitorado — quase nove entre cada 10 campistas? Segundo a mesma pesquisa do instituto Pro4 que revelou todos os números anteriores, através de entrevistas detalhadas com 426 pessoas, entre 18 a 22 de junho, nada menos do que 93,3% dos eleitores querem mudança. E 82% deles exigem que o próximo prefeito mude tudo (45,1%) ou muita coisa (36,9%) em relação ao que os Garotinhos fazem hoje em (ou com) Campos.
Se 11,5% dos campistas disseram querer poucas mudanças do seu próximo governante, enquanto o volume morto de 4,7% expressou desejo pela total continuidade, o que mais marca na nova consulta do Pro4, sobretudo na comparação com a anterior, feita em abril, é a velocidade no desgaste do governo Rosinha Garotinho. Nesse período de apenas dois meses, os que cobram mudança total do sucessor da prefeita avançaram impressionantes 11,3 pontos percentuais: de 33,8%, aos 45,1% atuais.
No mesmo curto espaço de tempo, aumentou também aqueles que querem muitas mudanças do próximo governo municipal: de 32,9% para 36,9%. Revelando o processo de erosão acelerado dos Garotinhos, de abril a junho só diminuíram os campistas que desejam poucas mudanças (de 18,3% para 11,5%) ou a total continuidade (de 11,3% aos minguados 4,7% de hoje) entre Rosinha e quem sucedê-la no cargo.
Pormenorizada em todas as sete Zonas Eleitorais (ZEs) do município, a pesquisa mais uma vez mostra que o desgaste aos Garotinhos não é mais exclusividade da classe média instalada nos bairros centrais de Campos, que historicamente sempre foi refratária ao casal e sua política. Bem verdade que as duas ZEs da chamada de “pedra” apresentam os maiores percentuais dos eleitores que almejam mudança total do governo Rosinha: 67,2% na 98ª (área urbana da Beira Valão em direção a São Fidélis) e 47,8% da 99ª (do Centro em direção à Lapa e ao Turfe Clube).
Entretanto, nas ZEs cujos eleitores lideram os que querem mudar muita coisa do atual modelo político e administrativo instalado na cidade, lideram os 47,4% da 249ª (Turfe em direção ao Jockey Club, Penha, Paeque Aurora e IPS), seguidos pelos 40,8% da 76ª (Guarus do Jardim Carioca ao Parque Prazeres). Na ponta oposta, mas a endossar o mesmo raciocínio, o menor índice entre quem deseja a total continuidade das práticas do governo Rosinha foi registrado no volume morto de 1,3% na 129ª ZE (parte de Guarus em direção a Serrinha, lagoa de Cima e Outeiro). Reduto dos Garotinhos desde sua ascensão ao poder, em 1989, a periferia de Campos hoje é palco do seu desgaste.

Vereadores falam sobre “venda do futuro”
Pesquisa do Instituto Pro4, feita entre os dias 18 e 22 de junho, com 426 pessoas de todas as sete Zonas Eleitorais (ZEs) do município, mostra que 88,5% dos campistas acha que o governo Rosinha Garotinho está errado ao fazer o empréstimo. Apenas 9,6% acreditam que a prefeita está certa, enquanto 1,9% não souberam ou quiseram responder. Os resultados do levantamento sobre a “venda do futuro” foram publicados na edição de ontem da Folha e comentado por vereadores. A “venda do futuro”, como está sendo chamada a autorização à prefeitura para tomar empréstimos dando como garantia os royalties, foi aprovada dia 10.
Líder da bancada governista, o vereador Mauro Silva (PT do B) ressaltou que não conhece os métodos da pesquisa, mas acredita que a população pode não ter sido explicada corretamente sobre a importância da operação.
— Desconheço a metodologia, mas, partindo do princípio que ela esteja certa ou errada, pode ser que tenha faltado à Câmara se expressar da importância dessa operação. Se a gente não equacionar o presente não chegaremos ao futuro. Todos os municípios produtores e 13 estados já estão se movimentando para antecipar os royalties. Ninguém viu outra alternativa. E, talvez, em curto prazo, a população não esteja entendendo — disse.
Líder da oposição, Nildo Cardoso (PMDB) afirmou que os 88,5% refletem o que realmente pensa a população de Campos: “Eles não concordam com essa lei que reflete o desespero do governo em tentar concluir as obras em andamento e as executadas e não pagas. E pior, o governo não vai conseguir banco no Brasil para fazer. Está aparecendo um banco dos Estados Unidos e um europeu para negociar com a Prefeitura. Lá na frente quem vai pagar a conta é o povo”, afirmou.
O independente Jorge Magal (PR) disse: “A pesquisa mostra o retrato do momento. A classe política, de uma forma geral, está muito desgastada. Mas em relação a Campos, podemos dizer que o povão começou a demonstrar a sua insatisfação. Se antes a rejeição era maior na classe média, agora podemos notar que as classes mais populares começam a revelar a insatisfação. Como ando pelos ruas e escuto o povo, posso dizer que essa mudança ocorreu muito rápido”, disse.
DRAGON BALL Z: O RENASCIMENTO DE FREEZA — O retorno a um passado, recente ou não, é um dos maiores benefícios proporcionados pela arte. A literatura, por meio das palavras, que podem ser consultadas a quaisquer momentos, e o cinema, com imagens e histórias que podem ser vistas, revistas ou reinventadas. O filme japonês “Dragon Ball Z: o renascimento de Freeza” é um dos longas-metragens que possibilitam a revisitação à obra japonesa, composta de mangá e anime, produzidos entre os anos 80 e 90 e transmitido, nas televisões brasileiras, até os anos 2000. Dirigido por Tadayoshi Yamamuru, a animação traz novos aspectos sobre a história, que gira em torno do protagonista Goku e seus feitos heroicos nas diferentes sagas que compuseram o desenho produzido no Japão.
No longa-metragem recém-lançado, o vilão Freeza — a quem foi dedicada uma saga do anime — renasce após os seus soldados reunirem as esferas do dragão da Terra (que trazem Shenlong para a realização de um desejo) e criarem uma câmara regeneradora. O antagonista volta para o planeta com o objetivo de se vingar de Goku. O guerreiro, que pertence à raça sayajin, se preparava em outra dimensão, junto a Vegeta, para aumentar seus poderes. Ambos possuem, devido ao treinamento, a capacidade de transformação super sayaijin com poderes de deuses. Ao retornarem, os dois encontram o inimigo, ainda mais poderoso, preparado para a revanche.
Alguns dos personagens mais conhecidos, como Gohan, Piccolo, Kuririn, Androide 18, Bulma, Tenshinhan e mestre Kami, reaparecem no filme. O foco em confrontos e conflitos, típico de desenhos japoneses, é repetido em “O renascimento de Freeza”, permeado de momentos de humor, como as discussões e brigas de ego de Goku e Vegeta, características presentes em toda a série. Apesar da mesma fórmula, o enredo se difere do que era apresentado nos episódios do anime, que, mesmo com diversas sagas, não esgotou a possibilidade de inovações em cima do que já havia sido construído. O filme se passa em uma nova era, não apresentada no desenho, após a derrota de Majin Boo (vilão cuja saga é tida como uma das melhores produzidas).
“O renascimento de Freeza” trouxe novamente para os fãs de “Dragon Ball Z” o encontro com personagens animados, mantendo a essência do projeto. Em 2009, o lançamento de “Dragon Ball Evolution”, com atores, fugindo à ideia de animação, descaracterizou a série japonesa pela formatação. Do filme norte-americano, do chinês James Wong, participaram Justin Chatwin, Emmy Rossum, Jamie Chung, James Masters, Chow Yun-Fat e Eriko Tamura. Na época, os fás ficaram indignados com mudanças na história, como a ausência de Kuririn, amigo do protagonista Goku e fundamental para o desenvolvimento do roteiro do anime. Em 2013, com “Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses”, dirigido por Masahiro Hosoda, foram resgatados os traços do desenho animado nas telas de cinema, dando maior autenticidade à criação.
Acima de quaisquer outros aspectos, “O renascimento de Freeza” proporciona um reencontro com o passado e sentimentos de nostalgia. A possibilidade de novas criações a partir da história japonesa, em fios deixados soltos para construções futuras em longas-metragens, é uma forma de manter, em quem cresceu acompanhando as sagas, um vínculo com a infância e a adolescência a partir da ficção. E, neste ponto, o filme realiza bem a função de entretenimento por ser uma das melhores maneiras de retornar a tempos remotos.
Publicado hoje na Folha Dois
Confira o trailer do filme:

No último dia 10, numa sessão bastante tumultuada e com direito a manobras sem pudor dos governistas, a Câmara Municipal de Campos aprovou um projeto de lei que permite a prefeita Rosinha Garotinho pegar um empréstimo, cujo valor foi ventilado nos bastidores em R$ 1,2 bilhão. Deste montante, R$ 800 milhões ficariam para o próximo governo pagar. Isso, sem contar os juros, estimados em R$ 300 milhões ao ano. A garantia do pagamento, sem a qual nenhum empréstimo é feito, são os royalties do petróleo, cuja partilha com todos os demais estados e municípios do Brasil foi aprovada no Congresso Nacional e só não passou a valer porque o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não julgou o caso. No julgamento pelo povo goitacá, o veredicto já foi dado: quase nove entre cada 10 campistas são contra a operação, mais conhecida como “venda do futuro”.
Segundo apurou a pesquisa do instituto Pro4, feita entre 18 a 22 de junho, a partir de entrevistas detalhadas com 426 pessoas de todas as sete Zonas Eleitorais (ZEs) do município, 88,5% da sua população acha que o governo Rosinha Garotinho está errado ao fazer o empréstimo. Apenas 9,6% acreditam que a prefeita está certa, enquanto 1,9% não souberam ou quiseram responder. Na mesma consulta, 53,3% dos eleitores hoje julgam a atual administração municipal como ruim (17,6%) ou péssima (35,7%), considerada regular para 34,3%, boa para 10,8% e ótima apenas no volume morto de 1,4%. Os números são confirmados pelos 75,2% que disseram desaprovar a maneira como Rosinha tem administrado Campos, assim como pelos 77,2% que declararam não confiar na prefeita.
Se diante de números tão negativos, os Garotinhos alegam que precisam de empréstimo para manter seus programas assistenciais, muito embora tenham omitido da Câmara qualquer informação sobre o real destino do dinheiro, o argumento não convenceu nem quem parece mais precisar de auxílio governamental. Entre a população que declarou não ter nenhuma renda, impressionantes 94,4% são contra o empréstimo, percentual que chega a 86,3% entre quem ganha até um salário mínimo, e 87,9% nos que ganham de um a dois salários.
Também parece não ser preciso grande educação formal para compreender que o empréstimo vai comprometer o futuro da cidade. Entre quem só estudou até a 4ª série do ensino fundamental, faixa que costuma ser mais simpática aos Garotinhos, 86,9% são contra essa nova tentativa deles para gastar por conta as receitas de Campos. Os resultados não são muito diferentes dos obtidos na enquete da Folha Online, que está no ar desde o dia 11, seguinte à sessão da Câmara que autorizou a “venda do futuro”. Até o fechamento desta matéria, à pergunta do jornal “Você é a favor da venda dos royalties futuros de Campos para pagar as dívidas presentes do governo Rosinha?”, 87,8% dos votantes disseram “Não”.
Prova de que a administração Rosinha Garotinho está ciente da imensa rejeição popular ao empréstimo que quer tomar para o próximo governo pagar, os rosáceos começaram ontem uma campanha na internet. Na pretensão de convencer alguém a vender o próprio futuro para um governo acertarem suas contas do presente, uma das mensagens diz: “Nossos filhos precisam”.

Publicado hoje na Folha da Manhã

Agora à tarde, uma equipe da 145ª Delegacia de Polícia (DP) de São João da Barra (SJB), comandada por seu delegado titular Marcos Peralta, esteve na ilha do Peçanha, na cada do comerciante Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, de 54 anos, desaparecido há oito dias. Ele foi visto pela última vez iniciando a travessia da foz do rio Paraíba do Sul, perto do Restaurante do Ricardinho, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Penha, em sua canoa a motor, no início da noite do domingo retrasado, dia 21. Hoje, em companhia do irmão de Neivaldo, o também comerciante Élvio Paes Soares, o “Estranho”, os policiais civis constataram que pertences como uma mesa de madeira, uma prancha laser e a bomba d’água, que estavam na casa após o desaparecimento do dono, tinham sido furtadas.
No decorrer da semana, moradores da ilha e pessoas que estiveram com Neivaldo e o viram nos últimos dias, assim como aqueles que encontraram sua canoa vazia na manhã do dia seguinte, serão chamadas para prestar esclarecimentos na 145ª DP. Por enquanto, o caso continuará a ser tratado como desaparecimento. Agora, no final da tarde, com o pôr do sol, equipes do 5º Grupamento de Bombeiros Militares (GBM) de Campos e da Capitania dos Portos de SJB encerraram mais um dia inteiro dedicado às buscas na foz do Paraíba, mais uma vez sem encontrar nada. As buscas foram iniciadas na última quinta (25/06), por pescadores e amigos de Neivaldo, sendo feitas diariamente pelos órgãos competentes desde o dia 26. Amanhã, o trabalho será retomado às 8h da manhã.
Saiba mais sobre o caso aqui, aqui, e aqui.

Há mal que não possa piorar? Tudo indica que não para o governo Rosinha Garotinho (PR), num processo de descrédito junto à população que parece ter se acentuado a partir da nomeação do seu marido, Anthony Garotinho, à secretária municipal de governo, em fevereiro deste ano. Se dois meses depois, em abril, duas pesquisas simultâneas dos institutos de pesquisa Pappel e Pro4 (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) deveriam ter acendido a luz amarela aos rosáceos, os campistas parecem agora ter ligado o sinal vermelho aos seus governantes. Segundo uma nova consulta Pro4, feita entre 18 a 22 de junho, com entrevistas detalhadas de 426 eleitores, hoje impressionantes 53,3% dos campistas consideram o governo Rosinha ruim (17,6%) ou péssimo (35,7%). Os números negativos são confirmados na mesma pesquisa pelos 75,2% que declararam desaprovar a maneira como Rosinha vem administrando Campos, bem como pelos 77,2% que disseram não confiar na prefeita.

Atacada pelo grupo de comunicação de Garotinho, antes mesmo de ter seus resultados divulgados, mas com os rosáceos devidamente cientes da realidade que publicamente tentam negar, a pesquisa recente do Pro4 é mais esclarecedora quando comparada com as anteriores do mesmo instituto. Sobre a avaliação do governo municipal, os 19% que o consideravam ótimo, em outubro de 2013, minguaram para 9% em agosto de 2014, para 5% em outubro do mesmo ano, chegando a abril de 2015 com 3,5%, até bater no volume morto do 1,4% de hoje. Já quem achava a gestão boa, passou de 30% (10/13) para 34% (08/14), 29% (11/14) e 23% (04/15), até os atuais 10,8%.
Assim, num período de um ano e oito meses, com a derrota de Garotinho na eleição a governador (aqui) no meio do caminho, na qual não conseguir ir ao segundo turno e neste viu seu candidato perder (aqui) em cinco das sete Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos, os rosáceos saíram de confortáveis 49% de avaliação francamente positiva, para registrar apenas 12,2% de campistas que ainda o consideram a administração municipal ótima ou boa. Já aqueles que a achavam regular, eram 30% (10/13) e passaram a 34% (08/14), 37% (11/14) e 32% (04/15), até chegar aos 34,3% registrados em junho. Mas mesmo que todos estes fossem somados na aprovação da gestão, ao contrário do recomendado por todos os especialistas em pesquisa, aqueles que consideram o governo Rosinha ruim ou péssimo alcançaram uma maioria entre os campistas que hoje dispensaria até a necessidade de segundo turno, se fosse o caso de eleição majoritária.

E se os novos números do Pro4 colhidos em junho foram questionados mesmo antes da divulgação, em sua pesquisa anterior, em abril, os números foram menos duros para os governistas do que os registrados pelo Pappel. Em consulta no mesmo período, este instituto aferiu ao governo de Campos 4,4% de ótimo, 15,5% de bom, 37,06% de regular, 11,72% de ruim e 31,28% de péssimo. Assim, a já preocupante soma de 43% de ruim e péssimo que havia sido revelada pelo Pappel, dois meses depois, acabou superada por 53,3% dos campistas que agora, segundo o Pro4, acham a mesma coisa, indicando um rápido processo de erosão na popularidade da administração Rosinha.
Pormenorizada, a pesquisa do Pro4 é bastante clara no detalhamento desse desgaste. Entre as pessoas ouvidas nas faixas etárias entre 16 a 24 e de 25 a 34, todas as que possuem curso superior e têm renda de dois e cinco salários mínimos, bem como acima disso, rigorosamente zero por cento (0%) consideram o governo de Campos ótimo. A partir desse perfil, quanto mais jovem, mais se estuda e se ganha, menor é a tendência de se votar nos Garotinho.
Mas a resistência ao grupo político que detém o poder em Campos desde 1989 começa também a ganhar seu tradicional reduto da periferia. Se dos eleitores ouvidos das 98ª e 99ª ZEs de Campos, a chamada “pedra”, que concentram os bairros de classe média, a pesquisa mais uma vez não conseguiu registrar viva alma para considerar o governo Rosinha ótimo, o resultado nulo de aprovação foi o mesmo também na 129ª ZE, que abrange parte de Guarus, além de Serrinha, Lagoa de Cima e Outeiro. No lado oposto, se 35,7% dos campistas consideram o governo Rosinha péssimo, essa média é superada em três ZEs: além da 98ª, onde 51,6% comungam da pior avaliação possível do poder público municipal, a média é também ultrapassada na 76ª ZE (Guarus do Jardim Carioca ao Parque Prazeres), na qual o péssimo chegou a 42,3%, classificação que atingiu 38,6% na 75ª ZE (Baixada Campista, de Donana ao Farol).
Com as recentes defecções (aqui) na bancada governista, no último dia 10 (antes da pesquisa), de vereadores fortes junto às camadas mais populares, como Jorge Magal (PR), Gil Vianna (PR) e Albertinho (PP), Alexandre Tadeu (PRB) e Dayvison Miranda (PRB), nada indica que as coisas vão melhorar para os Garotinho.
Publicado hoje na Folha da Manhã
“Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir; pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir”
(Da música “Deus lhe pague”, de Chico Buarque)

Por Lara de Almeida Cruz
Ela não tem nome, nem idade. Anda pelo bairro, empurrando um carrinho de bebê, como um pedaço de grafite que vai riscando a superfície branca. Ela não tem nome, nem idade, mas tem cor. O uniforme branco contrasta com sua pele quase como uma denúncia: ela é preta.
Ela sai de casa quando o sol dá seus primeiros sinais tímidos no céu. Caminha até o ponto em passos apressados, como se o asfalto atrás de seus pés fosse se desfazendo a cada passada. Já no ônibus, ao longo do caminho, ela sente seu corpo parar de dar pequenos saltos no banco em cada buraco da rua e, de repente, parece flutuar no asfalto liso como cetim. De dentro do veículo, ela olha as imagens passando pela janela quadrada como se assistisse a uma televisão: os chinelos transformando-se em sapatos sociais e de salto alto, as paredes rabiscadas virando grades altas, fachadas mal cuidadas tornam-se vitrines perfeitamente lustradas. Ela desce do ônibus e os passos não são mais tão apressados. Nessa manhã de sábado, o sol já deixou a timidez de lado e brilha soberbo, espremendo os olhos de todos os que caminham nessa rua, onde lojas com seus letreiros brilhantes dividem espaço com os camelôs que ocupam as calçadas. Por ela, passa uma família: a mãe olha a vitrine, o pai carrega algumas sacolas de papelão, os dois filhos saboreiam um picolé com a ajuda de uma mulher, que parece ser invisível aos olhos de todos, menos daquelas duas crianças. A babá observa esse passeio de sábado que em nada se parece com os seus e, após perdê-los de vista, se vê sozinha com sua imagem refletida na vitrine da loja e, atrás de si, o bairro. Algo parece errado, como se alguma coisa nesse reflexo estivesse fora do lugar. Os números na etiqueta do vestido que cobre o manequim branquelo são os mesmos que aparecem na sua conta bancária todo início de mês.
Ela entra no edifício e cumprimenta o porteiro, que já a conhece. Jogam um pouco de conversa fora até que uma mulher passa por eles sem dizer uma palavra, mas a careta no seu rosto é suficiente para que o porteiro se cale. Ela vai até os elevadores e encontra o social no térreo e o de serviço no último andar, mas por algum motivo o primeiro é invisível aos seus olhos, como se existisse ali uma barreira separando os dois. E, de fato, ela existe. Mais tarde, leva a criança para passear e, no caminho, ensina como ela só deve atravessar a rua na faixa de pedestres, dizer bom dia e não falar com estranhos. Mais à frente, cumprimenta uma menininha que sorri para ela na rua e ouve da mãe: “não fale com estranhos, filha”. Ela brinca, ensina o alfabeto, conta uma história e coloca para dormir. Ela cuida da casa como se fosse sua, zela pela criança como se fosse sua, afinal, aquela é quase sua casa, ela é quase da família. Esse quase que carrega um abismo, um quase que almoça com ela em pé com o prato apoiado na pia, que a acompanha na hora de dormir, num quartinho abafado no fundo da casa, cheirando a gordura. Um quase que sempre a lembra que ela nunca poderia pertencer àquele bairro. Ela é a estranha que não se pode cumprimentar.
Numa cidade que não é cenário, ela protagoniza um espetáculo que tem a urbe como palco, no qual a cena onde ela empurra um carrinho de bebê contém e conta a história de um país. Um país que se constituiu e se desenvolveu sobre um alicerce composto de conflitos, que estão sempre rondando a superfície urbana e afetando cada um que por ela circula. O tempo passa, mas esses conflitos jamais envelhecem; pelo contrário, sempre se renovam. Se personificam em situações cotidianas, em diversas mônadas espalhadas pela cidade e que qualquer um pode ver, inclusive a babá. No seu caminho, ela observa uma mulher com seu cachorro, ambos tão emperiquitados que mais parecem carros alegóricos. O animal, com o pelo brilhoso e exalando perfume, se lança a farejar um homem que dorme na calçada, feio, fedido e tão ignorado pela mulher que parece se confundir com o asfalto. A vitrine que, através das roupas expostas, promete beleza, felicidade e um bom desconto, não consegue esconder a escrita no muro ao lado: “Quantos vivem de lixo para que alguns vivam no luxo?”
Ela tem cor, mas não tem época. Por mais de 300 anos, ela teve seu filho arrancado de seus seios e se recolheu na senzala após colocar o filho da sinhá na cama. Hoje, ela deixa sua criança doente em casa porque precisa trabalhar cuidando das crianças da patroa. Em outra época, logo após depositar um beijo na testa tão pequena, branca como uma nuvem, da menina que lhe pagam para cuidar, ela entra no ônibus, escuro como a noite, e vê os bairros passando num dégradé invertido, o cheiro dos jardins se transformando no odor do lixo nas calçadas, até estar de volta ao seu devido lugar. Hoje em dia, da laje de sua casa, o ponto mais alto da cidade, ela observa as grandes e luxuosas coberturas. Com os pés no asfalto quente, ela consegue ver em um dos apartamentos o vidro da varanda embaçado pelo ar condicionado, no prédio que fica a poucos passos do morro onde mora, porém parece inalcançável.
Todo dia, a cidade funciona a todo vapor, como uma grande fábrica onde cada operário tem a sua função. Comerciantes fazem amizade com seus clientes para vender melhor, o guarda de trânsito e os pedestres se cumprimentam como se fossem velhos conhecidos a quem se deve afeto. Nesse contexto, não é de se estranhar quando trabalho e emoção se juntam. Enquanto uns cuidam de máquinas, outros cuidam de gente, e o salário no final do mês vai depender de quanto se sabe manejar um computador ou da qualidade do afeto e do zelo que se tem pelo outro. Enquanto em alguns casos os empregados batem ponto, saem para comer no horário de almoço e voltam para a casa no fim do expediente, em outros, as fronteiras entre trabalho e vida pessoal se dissolvem, a casa onde se trabalha é a mesma onde se habita (ou quase). Afinal, cuidado e carinho não têm hora certa; pode ser no feriado, fim de semana, de madrugada. O dever da babá é dar carinho e atenção àquela criança, mesmo que isso implique em deixar seu próprio filho sozinho.
A (não tão) simples cena de uma babá com um uniforme branco empurrando um carrinho de bebê comporta todo um mundo condensado em si. Abre-se diante dos olhos um mundo repleto de paradoxos e contradições, que denunciam a enorme ironia sobre a qual são construídas as relações entre as diferentes classes no Brasil e, quiçá, no mundo. No bairro onde a babá trabalha, existem pré-requisitos para “gente como ela” entrar e circular pelas ruas. É permitido cuidar dos filhos, educá-los, decidir quem entra ou não nos prédios, gerenciar a segurança de um estabelecimento e até construir um edifício, desde que se use o uniforme, um lembrete para eles e para os outros de que não pertencem àquele lugar. Sem tal vestimenta, eles incomodam, são desprezados, negados e expulsos. Com o uniforme, têm papéis decisivos na vida daquele bairro, daquela cidade. Mas, sem eles, não têm voz, não têm opinião, não têm lugar. Entrar no bairro é permitido, desde que seja pela porta de serviço. Ou servem para servir, ou não servem para nada. Vestem o uniforme toda manhã numa tentativa quase desesperada de, assim, deixarem de ser vidas nuas.
Não é de se estranhar?
Publicado hoje na Folha da Manhã
Quando escrevi aqui sobre a morte do ex-craque e ex-técnico do Flamengo Carlinhos, o “Violino”, na última segunda-feira (22/06), lembrei que já havia dito num outro artigo de despedida, em réquiens compostos muito além do desejo, que nada dá a sensação do tempo passando por nós como quando ele já não passa na vida de quem nos servia de referência. Quando escrevi sobre Carlinhos, ainda não sabia do desaparecimento do comerciante Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, visto pela última vez na noite do domingo anterior (21), próximo ao Restaurante do Ricardinho, em Atafona, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Penha, quando partiu sozinho em sua canoa a motor, sem salva-vidas, para tentar cruzar a foz do rio Paraíba do Sul, até sua casa na ilha do Peçanha.
Depois de noticiar o caso aqui, na quinta (25), em primeira mão na blogosfera local, acompanhando diariamente (também aqui e aqui) os infrutíferos trabalhos de busca por Neivaldo, compareci na noite de sexta (26) à encenação da peça “Pontal” no Sesc-Campos. Nela, os atores Yve Carvalho, Sidney Navarro e Saullo de Oliveira interpretam pescadores de Atafona, que transformam em causos contados entre si alguns poemas tendo a praia por tema ou nela ambientados, de minha autoria, do Artur Gomes, da Adriana Medeiros e de Antonio Roberto de Gois Cavalcanti, o Kapi. Com a concepção cênica e a direção do espetáculo também assinadas por Kapi, falecido (aqui) em 2 de abril deste ano, em sua primeira e mais popular montagem no próprio Pontal de Atafona, durante o verão de 2010, usando como palco o bar de Neivaldo, que Iemanjá depois retomaria aos seus domínios, foi inevitável (aqui) a homenagem na sexta aos dois ausentes do Sesc, ao final da peça que sem eles não teria existido.
Pensando em Neivaldo e Kapi, figuras polêmicas e marcantes de cujas intimidades partilhei, e em Carlinhos, com quem meu contato jamais excedeu o do garoto que gritava da arquibancada o nome do ídolo à beira do campo, pensei em quantas referências vivas têm sua chama extinta durante nossa própria vida, cuja duração talvez não tenha medição mais exata do que essa “rapidez com que se multiplicam as velas apagadas”. Também já escrevi aqui que, para mim, o grego (embora nascido no Egito) Konstatinos Kaváfis (1863/1933) é o maior poeta que o Modernismo produziu no planeta, ao lado do português Fernando Pessoa (1888/1935), do russo (nascido georgiano) Vladímir Maiakóvski (1890/1930) e do brasileiro João Cabral de Melo Neto (1920/1999). Do primeiro, já publiquei aqui o famoso poema “Ítaca”, momentos antes de embarcar em setembro de 2011 numa viagem à Grécia, incluindo à mítica ilha de Odisseu (aqui), ciceroneando meu pai, que morreria em 17 de agosto de 2012, pouco menos de um ano depois (aqui).
Certamente, além de “Ítaca”, poemas como “A cidade” e “Esperando os bárbaros” são mais representativos na poesia com jeito de prosa de Kaváfis, marcada também pela história, a mitologia e o homoerotismo herdados da Grécia Antiga pelo último heleno de Alexandria. Mas pelos muitos motivos ainda exalando sua fumaça atrás de nós, assim como, espero, existam outros tantos acesos e ainda virgens de chama adiante, o poema do mestre grego escolhido pelo blog para este domingo frio, na tradução da brasileira Ísis Borges da Fonseca, é:
Velas
Os dias do futuro erguem-se diante de nós
como uma série de pequenas velas acesas —
pequenas velas douradas, quentes e vivas.
Os dias passados ficam atrás,
uma triste fileira de velas apagadas;
as mais próximas ainda exalam fumaça,
velas frias, derretidas e recurvadas.
Não quero vê-las; entristece-me seu aspecto,
e entristece-me lembrar seu primeiro clarão.
Adiante contemplo minhas velas acesas.
Não quero voltar-me para não ver, apavorado,
com que rapidez a sombria fileira se alonga,
com que rapidez se multiplicam as velas apagadas!
Alexandria, 1899