Brasil com dúvidas na escalação define hoje sua sorte contra o Chile

Na  coletiva de ontem, o capitão Thiago Silva e o treinador Felipão
Na coletiva de ontem, o capitão Thiago Silva e o treinador Felipão

 

 

interrogação amarelaFernandinho no lugar de Paulinho, como segundo volante, é certeza. Maicon assumindo a lateral-direita de Daniel Alves é uma possibilidade. Dante na zaga em substituição a David Luiz, com uma contratura nas costas de última hora, pode ser uma necessidade. Entre as muitas dúvidas sobre a escalação com que a Seleção Brasileira entra em campo hoje, a partir das 13h, no Mineirão, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, só uma certeza: Perdeu? Adeus!

O adversário é um antigo e conhecido freguês em Copas: o Chile. Nas três vezes em que cruzou com o Brasil em Mundiais, sofreu três derrotas: 2 x 4 em 1962, 1 x 4 em 98, e 0 x 3 em 2010. Mas a declaração do treinador brasileiro Felipão, de que só não queria pegar o velho rival nas oitavas, aliada à boa campanha da seleção sul-americana na fase de grupos (3 x 1 na Austrália, 2 x 0 sobre a campeão Espanha, mas derrota de 0 x 2 diante da Holanda) fez com que os chilenos crescessem no caminho brasileiro à conquista do Hexa dentro de casa.

Na dúvida razoável se alguém, com direito de escolher, fosse preferir pegar a Espanha (mesmo já eliminada) ou a Holanda (que joga amanhã contra o México) de cara no primeiro jogo eliminatório da Copa, a verdade é que sob a competente batuta  do argentino Jorge Sampaoli , o Chile possui de fato um excelente time. Além de jogadores técnicos, as variações táticas e a intensa movimentação da equipe, sem posições fixas e com apoio constante dos laterais, sempre causam problemas aos adversários para encaixar a marcação.

Mas, como o Brasil, os chilenos também têm problemas com para escalar seu time titular. Se nas coletiva de ontem, Felipão não confirmou nenhuma das prováveis alterações da Seleção Brasileira, Sampaoli foi mais sincero ao admitir que se o jogo fosse na sexta, não poderia mandar a campo Gery Medel, e que Arturo Vidal está longe das melhores condições.

Volante de origem, mas improvisado com sucesso na seleção como zagueiro ou líbero, Medel tem um problema muscular na coxa esquerda e é dúvida para hoje. Já Vidal, um dos mais importantes jogadores chilenos do meio para frente, sofreu uma cirurgia no joelho esquerdo há 45 dias, foi poupado na derrota contra a Holanda, mas ainda não se recuperou. Confirmado no time que hoje entra jogando, dificilmente terá condição de suportar os 90 minutos, muito menos uma eventual prorrogação.

No Brasil, a esperança, como sempre é Neymar. Mas não faria mal se Oscar reeditasse sua boa atuação na estreia contra a Croácia,  se Fred reencontrasse o caminho do gol após ter desencantado contra Camarões, se Hulk finalmente se destacasse por algo além do vigor físico e do emprenho tático, ou se Fernandinho mantivesse o mesmo futebol que o transformou em titular.

Se ficar só por conta de Neymar, bom lembrar que ele terá pela frente seu companheiro de ataque no Barcelona, Aléxis Sánchez, cuja temporada no clube catalão foi melhor que a do craque brasileiro. E como Sánchez, embora não guarde posição fixa, gosta de atacar pela direita, o dispersivo lateral esquerdo Marcelo e o eficiente volante Luiz Gustavo terão que estar atentos.

Entre o Brasil e o Chile, há os Andes. E para um lado ou para o outro, a queda é grande.

 

Brasil e Chile

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

 

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Blog escala sua seleção da primeira fase da Copa

Encerrada a primeira fase de grupos, com o atacante holandês Arjen Robben como seu melhor jogador, conheça abaixo a seleção do blog do que esta Copa do Mundo apresentou até aqui nos campos do Brasil:

 

 

Goleiro: Guillermo Ochoa (México)
Goleiro: Guillermo Ochoa (México)

 

Lateral-direito: Juan Cuadrado (Colômbia)
Lateral-direito: Juan Cuadrado (Colômbia)

 

Zagueiro: Thiago Silva (Brasil)
Zagueiro: Thiago Silva (Brasil)

 

Zagueiro: Mats Hummel (Alemanha)
Zagueiro: Mats Hummel (Alemanha)

 

Lateral esquerdo: Daley Blind (Holanda)
Lateral esquerdo: Daley Blind (Holanda)

 

Volante: Luiz Gustavo (Brasil)
Volante: Luiz Gustavo (Brasil)

 

Meia: Blaise Matuidi (França)
Meia: Blaise Matuidi (França)

 

Meia: Lionel Messi (Argentina)
Meia: Lionel Messi (Argentina)

 

Atacante: Arjen Robben (Holanda)
Atacante: Arjen Robben (Holanda)

 

 Atacante: Thomas Müller (Alemanha)
Atacante: Thomas Müller (Alemanha)

 

Atacante: Neymar (Brasil)
Atacante: Neymar (Brasil)

 

 

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Números da primeira fase da Copa mostram equilíbrio entre Neymar e Messi

Que Beatles e Rolling Stones, que nada! A melhor banda de rock de todos os tempos foi o Cream: Ginger Baker, jack Bruce e Eric Clapton
Que Beatles e Rolling Stones, que nada! A melhor banda de rock de todos os tempos foi o Cream: Ginger Baker, Jack Bruce e Eric Clapton

 

 

Na fase de grupos, o maior jogador da Copa foi Arjen Robben e a sua Holanda a melhor seleção
Na fase de grupos, o maior jogador da Copa foi Arjen Robben e a sua Holanda a melhor seleção

 

 

Nessa velha discussão sobre quem foi a melhor banda de rock de todos os tempos, na dúvida eterna entre Beatles e Rolling Stones, sempre afirmei sem medo de errar: nem uma, nem outra; foi o Cream, que reunia Jack Bruce no baixo e vocal, Eric Clapton na guitarra e Ginger Baker na bateria. Da mesma maneira, antes que comecem hoje os jogos eliminatórios e suas verdades mais duradouras se estabeleçam, para mim o maior craque nas 48  partidas da fase de grupos foi o atacante Arjen Robben, assim como sua Holanda a melhor seleção até aqui. No entanto, dada a rivalidade entre Brasil e Argentina, e ao que cada um tem pesado nas costas, respectivamente, dos craques Neymar e Messi, segue abaixo um quadro comparativo entre o que os dois companheiros de Barcelona jogaram por suas seleções nacionais nesta primeira fase da Copa do Mundo.

Confira o equilíbrio dos números entre o brasileiro e o argentino:

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr. / apuração dos dados: Aluysio Abreu Barbosa)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr. / apuração dos dados: Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Confira abaixo uma boa trilha sonora para uma arrancada de Robben, Neymar ou Messi rumo à área adversária:

 

 

 

 

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Sem Suárez, Uruguai levou de 4 a 0 da Colômbia pelas eliminatórias

Diante de um Uruguai sem Suárez, os números mostram que  a Colômbia de James Rodríguez tem mais chances de pegar nas quartas de final o vencedor de Brasil e Chile
Diante de um Uruguai sem Suárez, os números mostram que a Colômbia de James Rodríguez tem mais chances de pegar nas quartas de final o vencedor de Brasil e Chile

 

Desde a mordida do atacante Luisito Suárez no zagueiro Giorgio Chiellini, no Uruguai 1 x 0 Itália do dia de São João Batista, passando dois dias depois pela severa punição da Fifa ao agressor reincidente, muito se tem dito e escrito sobre o caso. Drama humano à parte, e como fica a disputa das oitavas de final, amanhã (28/06), a partir das 17h, na Arena Mané Garrincha, em Brasília, entre a Colômbia e Uruguai? Será que o atacante Edinson Cavani conseguirá suprir a falta de Suárez tão bem quanto o meia colombiano James Rodríguez tem compensado a ausência da sua estrela  Falcão García [cortado antes da Copa]?

Bem, por mais que a torcida pela mística uruguaia arda no peito de qualquer verdadeiro amante do futebol, não é isso que os números mostram.Nas eliminatórias para esta Copa de 2014, nos 14 jogos que a seleção uruguaia fez com Suárez, teve 6 vitórias, 4 empates e 4 derrotas. Já sem o atacante do Liverpool, craque e artilheiro do Campeonato Inglês, que o Barcelona já declarou querer levar, independente das mordidas dentro de campo e nos cofres do clube disposto a bancar a transação milionária, a Celeste fez duas partidas pelas eliminatórias da Copa, com uma vitória e uma derrota. Nesta, em 7 de setembro de 2012 e sem Luisito, o placar final ficou em Colômbia 4 x 0 Uruguai.

 

Com a suspensão de Suárez, todas as esperanças da Celeste se voltam para Cavani
Com a suspensão de Suárez, todas as esperanças da Celeste se voltam para Cavani

 

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Treinador uruguaio e italiano mordido acham que punição a Suárez foi excessiva

Continua repercutindo a punição da Fifa ao atacante Luisito Suárez, flagrado por uma câmera de TV dando uma mordida no ombro do zagueiro Giorgio Chiellini, durante o Uruguai 1 x o Itália (relembre todo o caso aqui, aqui, aqui e aqui). Hoje, enquanto o treinador uruguaio Óscar Tabárez deu uma coletiva no Maracanã, na qual se queixou do comportamento da imprensa e da Fifa no polêmico episódio, além de anunciar sua renúncia de cargo que ocupava na entidade que comanda o futebol no mundo, quem também se manifestou foi italiano Chiellini, alvo das dentadas de Suárez, utilizando a democracia irrefreável das redes sociais. Ambos concordaram que a suspensão do atacante uruguaio por nove jogos oficiais e o banimento por quatro meses de qualquer atividade ligada ao futebol profissional, foi excessiva.

Confira abaixo:

 

Óscar Tabárez em seu pronunciamento de hoje no Maracanã, onde o Uruguai enfrenta amanhã a Colômbia
Óscar Tabárez em seu pronunciamento de hoje no Maracanã, onde o Uruguai enfrenta amanhã a Colômbia

 

“Achamos que a punição foi excessivamente severa. Sabemos onde se encontra o poder nessa história, mas não podemos aceitar o uso do poder por um só órgão, e me refiro ao Comitê Disciplinar da Fifa. Tenho um cargo na comissão de estratégia da Fifa e sinto que devo abandonar esse cargo. Não é inteligente e nem prudente estar em uma organização com pessoas que fizeram pressão para tomarem essa decisão, que usaram valores bem diferentes dos meus. Portanto, nos próximos dias, apresentarei minha renúncia a esse cargo de acordo com os procedimentos formais”

(Óscar Tabárez)

 

O zagueiro Chiellini, tentando mostrar ao juiz as marcas em seu ombro da dentada aplicada por Suárez
O zagueiro Chiellini tentando mostrar ao juiz as marcas em seu ombro da dentada aplicada por Suárez, no jogo da última terça

 

“Dentro de mim, não há sentimentos de alegria, de vingança ou raiva contra Suárez. Espero que permitam que ele fique junto aos seus companheiros durante a Copa [o que foi proibido pela punição da Fifa]. Um banimento assim é alienante para um jogador. O que me resta são apenas a raiva e a decepção por ter perdido o jogo. No momento, meu único pensamento é para Luis e sua família, porque eles terão de enfrentar um período muito difícil. Acredito que essa punição proposta foi excessiva”

(Giorgio Chiellini)

 

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Com Medel e Vidal, Chile também tem problemas no time titular

Jorge Sampaoli, competente treinador argentino do Chile, na coletiva de agora há pouco, no Mineirão
Jorge Sampaoli, competente treinador argentino do Chile, na coletiva de agora há pouco, no Mineirão

 

Se vai com Fernandinho no lugar de Paulinho no meio de campo, na dúvida entre Daniel Alves ou Maicon na lateral-direita, e apreensivo na zaga com as dores nas costas sentida por David Luiz, o time do treinador Luiz Felipe Scolari não é a único a ter problemas para as oitavas de final de amanhã, contra o Chile. No palco do jogo, no Mineirão, o técnico argentino da seleção chilena, Jorge Sampaoli, encerrou há pouco sua entrevista coletiva sem confirmar a escalação de Gary Medel, volante de origem, mas titular da zaga, que teve problema muscular na coxa esquerda. Já o meia Arturo Vidal, da Juventus de Turim e  um dos mais importantes jogadores do Chile, entrará em campo amanhã, mesmo que tenha voltado a sentir dores no joelho direito operado há 45 dias.

— Medel teve uma distensão muscular ontem [quinta-feira]. Vamos ver. Arturo está em condições para jogar. Se fosse hoje, não jogaria. Porém, ele tem personalidade e característica que nos faz pensar que irá jogar. Com esses jogadores, temos sempre esperança. Esperaremos até ultimo o minuto para que Gary esteja em campo. Entretanto, há coisas imutáveis. Veremos se 24 horas nos darão a oportunidade de chegar lá — disse Sampaoli sobre sua dúvida na zaga. Se Medel não puder jogar, o treinador tem duas possibilidades. Para manter o esquema com três zagueiros, usado na derrota de 2 a 0 para a Holanda, o escolhido será Albornoz. Mas se a opção for mais ofensiva, Valdívia entrará no meio-campo, no clássico esquema tático do 4-4-2.

Sobre a escalação de Arturo Vidal, poupado no último jogo da fase de grupos, contra a Holanda, para disputar em melhores condições a oitava de final, Sampaoli admitiu que o jogador dificilmente poderá atuar durante todos os 90 minutos, muito menos uma possível prorrogação:

— Nós sabemos que Arturo nem esta perto de 100%, mas concordamos com a Juventus (que ele faça parte, pela valentia, pelo símbolo que é. Não sabemos o tempo que aguentará. Ele está fazendo todo o possível para estar presente, já fez isso contra a Espanha.

 

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David Luiz sente dores nas costas e vira dúvida contra o Chile

David Luiz
David Luiz quando ontem começou a acusar as dores nas costas

 

 

Depois de deixar o treino de quinta, ao acusar um contratura nas costas, ainda na Granja Comary, em Teresópolis, o zagueiro David Luiz voltou a sentir dores na região lombar e não participou hoje, no Sesc Venda Nova, em Belo Horizonte, da parte final do último treino antes das oitavas de final de amanhã, no Mineirão, contra o Chile. A ausência foi notada pela imprensa, que só teve acesso ao rachão com titulares e reservas misturados nos dois times, que fechou as atividades com bola. David Luiz só participou da primeira parte do treinamento, fechada para imprensa e público, destinada a movimentação tática e treinamento da cobrança de pênaltis, necessidade de qualquer jogo nesta fase eliminatória da Copa que não for definido no tempo normal ou prorrogação.

Apesar das dores nas costas, a expectativa é de que o zagueiro não desfalque a Seleção Brasileira amanhã contra os chilenos.

 

 

Atualização às 17h26: David Luiz acabou de voltar ao hotel em Belo Horizonte depois de fazer um exame de ressonância magnética na região lombrar, onde tem uma contratura. A lesão não se agravou, mas o jogador ainda sente dores. Sua escalação ainda está prevista para amanhã, mas o reserva Dante está de sobreaviso.

 

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Dilma vai entregar troféu Fifa ao campeão na final do Maracanã

Dilma fará a entrega da taça ao campeão junto com o presidente da Fifa, Joseph Blatter (foto: Reuters)
Dilma fará a entrega da taça ao campeão junto com o presidente da Fifa, Joseph Blatter (foto: Reuters)

 

Vaiada e xingada no jogo de abertura da Copa no Itaquerão (relembre aqui), em São Paulo, no dia 12 de junho, e ausente dos estádios de futebol desde então, a presidente Dilma Rousseff confirmou que vai estar na final do Mundial, em 13 de julho, no Maracanã, para entregar a taça Fifa ao campeão do mundo. Foi o que anunciou hoje o secretário geral dada Fifa, Jérôme Valcke, numa entrevista coletiva no próprio Maracanã, com a presença do ministro do Esporte Aldo Rebelo, que confirmou a presença da presidente na cerimônia de entrega da taça.

Segundo Rebelo, nunca esteve em xeque a presença de Dilma na final da Copa do Mundo:

— A presidente vai cumprir o protocolo combinado. A decisão já estava tomada. Houve uma dúvida sobre a presença dela em outros jogos. A agenda da presidente não permitiu que ela acompanhasse mais partidas da Copa.

Na verdade, a presença de Dilma foi forçada pela confirmação da presença de vários chefes de Estado à final no Maracanã. Apenas quatro dias depois da presidente brasileira ser vaiada e xingada no Itaquerão, a chanceler alemã Angela Merkel foi aplaudida e teve o nome gritado pela torcida da Fonte Nova, em Salvador, no Alemanha 4 x 1 Portugal de 16 de junho (confira aqui).

Na final do Maracanã, a taça será entregue a Dilma pela modelo brasileira Gisele Bundchen e o ex-jogador Puyol, capitão da seleção da Espanha que levantou o troféu de campeão na última Copa, na África do Sul, em 2010.

 

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Gabriel Garcia Márquez — Que fizesse milagres

Heleno de Freitas

 

 

Jornalista e escritor Gabriel Garcia Márquez
Jornalista e escritor Gabriel Garcia Márquez

O Doutor De Freitas

Por Gabriel Garcia Márquez

No primeiro dia do mês em curso escreveu-se nesta seção uma crônica sobre abril. Esperava este jornalista que no transcurso desses trinta dias acontecessem algumas coisas interessantes, entre elas, que Pafúncio se fartasse com um pratarraz de feijão com arroz no boteco do Perico; que Clark conseguisse seduzir a Srta. Lane sem necessidade de transformar-se em Super-Homem e que Tarzan deixasse de praticar suas bobagens atleticamente selvagens.

Parece que no que já transcorreu do mês nada disso aconteceu, como não acontecerá no que falta dele, segundo se pode suspeitar. Quanto ao casamento de Ingrid Bergman, as últimas notícias dão a entender que o diretor Rosselini ainda espera saber com quem se pareça a criança antes de lançar ao pescoço a coleira conjugal. Em síntese, a única coisa que parece ter dado certo naquela crônica de saudação aprilina foi a comprovada reivindicação do Dr. Heleno de Freitas no gramado do campeonato nacional. Um acordo que poderia encher de orgulho o próprio dr. Gallup, não tanto por sua precisão, mas pela circunstância especial de que quem revelou a notícia a respeito do jogador brasileiro jamais se sentou nas gerais de um estádio.

Tenho o costume — e isso pode ser uma das formas da inclinação pelo esporte — de observar, nas tardes dos domingos, o rosto daqueles que deixam o estádio. A tarde em que o dr. De Freitas apresentou-se pela primeira vez, é muito possível que, se ele tivesse a capacidade de entender certas interjeições castelhanas, teria regressado ao Brasil no primeiro avião. O tempo passou e no domingo seguinte, depois de treinar incansavelmente com os companheiros de seu time, o dr. De Freitas deve ter chegado à conclusão de que, mais do que tais práticas esportivas, lhe seria melhor uma prática metódica e consciente da gramática castelhana. Foi assim que pôde realizar bem melhor sua segunda apresentação, mostrando-se já capaz de compreender que a gritaria vinda das tribunas não era de aprovação, mas de descontentamento.

E já em sua nova apresentação em Barranquilla, de volta de Cáli, o dr. De Freitas mostrava-se capaz de conjugar perfeitamente os tempos simples do verbo “fazer”.“Farei milagres”, declarou à imprensa, ao dar-se conta de que o público queria exatamente isso. Que fizesse milagres. E, segundo me contam alguns que estiveram nesse dia no Estádio Municipal, o que o brasileiro fez foi uma milagrosa atuação. Praticamente, disseram, o dr. De Freitas — que deve ser um bom advogado — redigiu nesta tarde, com os pés, memoriais e sentenças judiciais não apenas em português e espanhol alternadamente, mas também citações de Justiniano no mais puro latim clássico.

Agora ninguém mais discute que abril foi o mês definitivo para o dr. De Freitas, e isso porque ele aprendeu a traduzir para o espanhol toda essa gíria esportiva que tanto prestígio lhe deu em seu país de origem. Como diz um grande contista nosso: “O importante é a gramática”.

 

El Heraldo, 1950

 

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Favoritos: Brasil, Colômbia, França, Alemanha, Holanda, Costa Rica, Argentina e Bélgica

 

Acabou a festa! O encerramento dos jogos da fase de grupo foi ontem. Hoje o dia é de folga. Amanhã com o início dos jogos eliminatórios, nas oitavas de final, finalmente a Copa do Mundo começa para valer. Ganhou? Joga mais uma! Perdeu? Arruma as malas!

Mas o que a fase de grupos pode determinar no que será o mata-mata daqui até à final de 13 de julho, no Maracanã? Tivemos 48 jogos, com 136 gols marcados e média de 2,8 por partida. Foram apenas cinco 0 a 0: Irã x Nigéria, Brasil x México, Japão x Grécia, Costa Rica x Inglaterra e Equador x França. A maior goleada foi registrada no França 5 x 2 Suíça, duas seleções que se classificariam no Grupo E. Mas o grupo que mais vezes teve a rede balançada foi o B, com 22 gols e no qual passariam Holanda e Chile. Junto com a Colômbia, primeiro lugar no Grupo C, a Holanda apresentou o melhor equilíbrio coletivo entre defesa e ataque. Ambas acumularam saldo de 7 gols: os colombianos marcaram 9 e levaram 2, enquanto os holandeses fizeram 10 e tomaram 3.

Quem foi o melhor time? Holanda, Colômbia, Argentina e Bélgica foram as únicas seleções a conseguirem aproveitamento de 100%, com três vitórias em três jogos. Mas os grupos dos três últimos foram fracos para dar qualquer profundidade a esse julgamento. Entre todos os oito grupos, apenas a Costa Rica pode se gabar por ter vencido dois ex-campeões mundiais (3 a 1 no Uruguai e 1 a o na Itália), empatando de 0 a 0 seu último jogo contra outra ex-campeã, a Inglaterra, no “Grupo da Morte” (o D).

Analisados os resultados e o nível dos adversários enfrentados, os dois melhores times da primeira fase foram Holanda e Costa Rica. A primeira mostrou o time mais competitivo desta Copa. É capaz de enganar os leigos com o brilho dos seus atacantes Arjen Robben e Robin van Persie, quando na verdade é uma equipe que cede a posse de bola ao adversário, confiando na sua sólida defesa e na rapidez e eficiência do seu contra-ataque, mais ou menos como o Brasil Tetracampeão de 1994. Quanto a Costa Rica, se qualquer seleção considerada grande, ou mesmo média, tivesse feito a mesma campanha até aqui, seria apontada sem favor entre os favoritos ao título. Como é a Costa Rica, não é ou será o caso, mas já mostrou ter um time também competitivo, capaz de encarar qualquer um de igual para igual.

Todavia, a questão da falta de tradição, que sempre conta em Mundiais, pode não impedir a Costa Rica de avançar ainda mais na Copa, mas dificilmente permitirá ganhá-la, da mesma maneira que Colômbia ou Bélgica. A Holanda, pelo contrário,  tem chances reais, assim como Argentina, França, Alemanha e Brasil, demais favoritos ao título que não foram tão bem na fase de grupos. Os argentinos venceram os três jogos, mas ainda não convenceram. Já o Brasil empatou sem gols com o México, assim como a França com o Equador, enquanto a Alemanha não passou do 2 a 2 com Gana. Todavia, a Holanda (no 5 a 1 diante da Espanha), a Alemanha (no 4 a 0 contra Portugal) e a França (no 5 a 2 sobre a Suíça) alcançaram um nível de futebol que brasileiros e argentinos ainda estão devendo, apesar das atuações individuais brilhantes dos seus respectivos craques, Neymar e Messi.

Mas, pelos motivos expostos, os favoritos para passar das oitavas às quartas de final são Brasil, Colômbia, França, Alemanha, Holanda, Costa Rica, Argentina e Bélgica. Só falta, por óbvio, combinar respectivamente com Chile, Uruguai, Nigéria, Argélia, México, Grécia, Suíça e EUA. No total, são oito seleções americanas (cinco do Sul, duas do Norte e uma da Central), seis europeias e duas africanas.

Seja nas nossas peladas de criança, ou nos jogos mais decisivos desta e de todas as Copas, o futebol será sempre definido pela lógica do seu mais velho chavão: “Quem não faz, leva!”

 

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Van Persie: “Ótimo conhecer o Zico! Lenda!”

Zico recebe a camisa da Holanda de presente de Van Persie (foto de Guilherme Pinto - Agência O Globo)
Zico recebe a camisa da Holanda de presente de Van Persie (foto de Guilherme Pinto – Agência O Globo)

Quem tem usando camisa rubro-negra nesta Copa, inclusive na vitória ontem de 1 a 0 sobre os EUA, é a Alemanha, mas quem vem treinando na Gávea é a seleção da Holanda, que no treino de ontem recebeu a visita do verdadeiro dono da casa. Zico apareceu a pedido dos netos Felipe, de 6 anos, e Gabriel, de 4, que são fãs do centroavante Robin Van Persie. Mas diante do visitante ilustre, os craques holandeses é que viraram tietes, fazendo selfies com seus celulares e posando para as máquinas profissionais dos fotógrafos ao lado do ídolo do Flamengo e da Seleção Brasileira. Até o técnico Louis van Gaal, conhecido pela cara quase sempre de poucos amigos, posou sorridente ao lado do ex-craque, que ganhou uma camisa laranja da Holanda com o número 10 e seu nome inscrito nas costas.

A boa acolhida no último treinamento da Holanda no Rio, antes do embarque para Fortaleza, onde a seleção europeia disputa as oitavas de final contra o México, no próximo domingo, já era esperada por Zico: “O Seedorf já tinha me dito que os holandeses desta geração são apaixonados pela Seleção Brasileira de 1982”.  O maior craque daquele time também disse, ao lado de van Persie, que o plástico gol de cabeça marcado pelo holandês na goleada de 5 a 1 sobre a Espanha, foi o mais bonito feito até agora na Copa: “pela visão dele, pela plasticidade e dificuldade do lance”.

Depois da entrevista, o craque holandês postou a selfie dele com o eterno craque brasileiro e escreveu no Instagram: “Ótimo conhecer o Zico hoje! Lenda!”

Reveja abaixo o gol de Van Persie elogiado por Zico:

 

 

 

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