Geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE e consultor estatístico do Núcleo de Pesquisas Econômicas ao Estado do Rio de Janeiro (Nuperj) da Uenf, William Passos é o convidado do Folha no Ar desta quinta (4), na Folha FM 98,3.
William detalhará o levantamento da Nuperj/Uenf, com base na metodologia internacional do Índice de Progresso Social (IPS) 2024, que colocou (confira aqui) São João da Barra e Campos entre os dois municípios de melhor qualidade de vida no Norte Fluminense. E tentará projetar as eleições a prefeito de 6 de outubro, daqui a 95 dias, em Campos, SJB e outros municípios do NF, com base (confira aqui) nas pesquisas.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
São João da Barra (16º município do Brasil em oportunidades individuais e o 39º em garantia de acesso à educação superior) e Campos (387º município do Brasil em oportunidades individuais e o 238º município em garantia dos direitos individuais) lideram a qualidade de vida no Norte Fluminense. Os resultados são do Índice de Progresso Social (IPS) 2024, uma metodologia internacional que calcula o bem estar da população a partir de dados oficiais.
Pela primeira vez, a metodologia foi aplicada a todas as cidades brasileiras. O ranking dos municípios do Norte Fluminense foi elaborado pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas ao Estado do Rio de Janeiro (Nuperj) da Uenf, sob a responsabilidade do geógrafo William Passos. O Nuperj tem como diretor-científico o economista Alcimar das Chagas Ribeiro, professor da Uenf, e como integrante outro economista: José Alves de Azevedo Neto.
O levantamento divulgado hoje recebeu o nome de IPS Brasil 2024 e consiste numa colaboração entre o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a Fundação Avina, a Anattá Pesquisa e Desenvolvimento, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e o Social Progress Imperative. Para a construção do IPS 2024, foi realizada a filtragem de mais de 300 indicadores, consolidados em 52 índices, extraídos de órgãos oficiais e de institutos de pesquisa, como o DataSUS, o Conselho Nacional de Justiça, a Anatel e o CadÚnico. Também compuseram o indicador dados inéditos produzidos pelo Mapbiomas, sobre áreas verdes e disponibilidades de praças.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE e consultor estatístico do Nuperj/Uenf
— No conjunto do Norte Fluminense, Macaé se destaca como o 550º município do Brasil em oportunidades individuais, sendo o 11º município do país em garantia de acesso à educação superior. Cardoso Moreira se sobressai como o 278º município do Brasil em inclusão social e Conceição de Macabu como o 689º município do país em acesso à informação e comunicação, com destaque para a densidade de internet banda larga fixa — listou William Passos. Ele também explicou a metodologia do levantamento:
— O IPS 2024 é dividido em três dimensões principais: Necessidades Humanas Básicas; Fundamentos para o Bem-estar; e Oportunidades. Cada uma delas tem quatro componentes, cuja combinação forma uma média final. Mas cada componente é formado por alguns indicadores, normalmente de três a cinco, com pesos entre eles. Por exemplo, no componente de segurança, o dado de taxa de homicídio tem peso maior que o de morte de jovens — concluiu o geógrafo e estatístico.
Acadêmicos no dia 21, durante a celebração dos 85 anos da ACL (Foto: Divulgação)
Ronaldo Junior, poeta, professor de Letras e presidente da ACL
Para além das oito décadas de história
Por Ronaldo Junior
Ao longo de cinco dias do mês de junho, a Academia Campista de Letras (ACL) abriu suas portas para celebrar seus 85 anos de fundação. Foram dias para refletir sobre o patrimônio cultural campista, o que aconteceu por meio da valorização de nossas instituições históricas.
No dia 8, a professora DSc. Maria Catharina Reis Queiroz Prata fez uma palestra que marcou a abertura da exposição de ilustrações do Grupo Urban Sketchers Campos — coordenado pelo arquiteto Ronaldo Araújo. A palestrante, que falou sobre “A cidade no espelho”, provocou os presentes a refletir sobre a valorização dos prédios históricos de Campos, assim como a pensar como nos relacionamos com nossa memória. As ilustrações do Grupo USk Campos, por sua vez, apresentaram diferentes visões artísticas de três prédios: a Academia Campista de Letras, a Lira de Apolo e a Livraria Ao Livro Verde.
Uma mesa redonda — composta pela professora Valéria Crespo e pelos acadêmicos Genilson Soares e Sylvia Paes — trouxe à tona memórias da Livraria Ao Livro Verde no dia 13 de junho, quando a Livraria completou 180 anos de fundação num delicado momento de sua história, marcado pela resistência para garantir sua continuidade. Pensando nisso, na mesma noite do dia 13, foi fundada a Associação de Amigos de Ao Livro Verde (Asalve), como resultado da Campanha SOS Ao Livro Verde, tendo o jornalista Adelfran Lacerda à frente desse importante movimento.
ACL na mesa redonda sobre a Livraria Ao Livro Verde (Foto: Divulgação)
A ACL abriu as portas, também, para receber sua coirmã, a Associação de Imprensa Campista (AIC), entidade que completou 95 anos de fundação no dia 17 de junho. Seu presidente, o jornalista Wellington Cordeiro, organizou uma conferência ministrada pelo jornalista Herbson Freitas, também acadêmico da ACL, para relembrar a rica história da instituição. Além disso, foram entregues certificados de reconhecimento para aqueles que auxiliaram a escrever mais de nove décadas de história.
ACL homenageia sua coirmão Academia de Imprensa Campista (Foto: Divulgação)
No dia da fundação da Academia Campista de Letras — 21 de junho —, o público pôde ouvir um relato histórico da jovem historiadora Ana Tereza Viana, que estudou nossa instituição em seu trabalho de conclusão de curso. Assim como os presentes acompanharam a cerimônia de entrega da Comenda da ACL, em homenagem aos atuais acadêmicos e acadêmicas que compõem os quadros da instituição. E, por fim, uma apresentação da Sociedade Musical Lira de Apolo foi o ápice da celebração. Na ocasião, também, foi apresentado o site oficial da ACL, espaço de preservação da memória da instituição (academiacampista.org.br).
Para encerrar, no último sábado (29), as portas de nossa sede histórica foram abertas para receber um dos maiores intelectuais brasileiros, referência internacional nos estudos de antropologia, o professor Roberto DaMatta. Ele participou de um bate-papo com o acadêmico e segundo vice-presidente da ACL, Carlos Augusto Souto de Alencar. Os presentes puderam ouvir e aplaudir o entusiasmado palestrante, que, do alto de seus 87 anos, passeou por tópicos de sua obra e propôs pertinentes reflexões sobre o Brasil.
ACL recebeu a palestra do antropólogo e professor Roberto Da Matta (Foto: Divulgação)
Ao longo do mês, portanto, a ACL demonstrou que seus 85 anos de história podem ser contados sob recortes muito diversos. Mas todos eles passam pela valorização das instituições que caminham em prol da preservação da memória campista. Demonstramos, com isso, que, em mais de oito décadas, a ACL estabeleceu seu papel na história cultural de Campos, mas não esteve solitária.
Para citar apenas as instituições celebradas nesse mês de junho, é possível ressaltar que muitos dos acadêmicos fundadores da ACL, que estiveram no Café Club em 21 de junho de 1939, eram membros da Associação de Imprensa Campista. O atual prédio-sede da ACL foi inaugurado, segundo relatos, com uma apresentação da Banda Lira de Apolo no ano de 1916 — que marcou a abertura da Escola Wenceslau Brás. Além disso, quantas histórias de nossos acadêmicos a Livraria Ao Livro Verde poderia contar?
Isso quer dizer, portanto, que nossas instituições possuem histórias que se complementam em diversos pontos de contato na linha do tempo, pois estão interligadas na complexa trama a que chamamos Cultura Campista.
A você que nos lê, deixamos o convite para conhecer a Academia Campista de Letras e participar desse movimento em prol de nossa cultura.
Procurador de Justiça Cláudio Henrique da Cruz Vianna, campista reeleito ao 3º mandato consecutivo como presidente da Amperj (Foto: Amperj)
Desafio às urnas daqui a 95 dias
“A eleição municipal é muito mais desafiadora. Em eleição, o Ministério Público desagrada todo mundo. Lembro que numa eleição, como promotor de Campos, fui à Escola Técnica, hoje IFF, que estava com um monte de cartazes de um candidato. Disse ao diretor: ‘isso é crime eleitoral, um órgão público não pode fazer propaganda’”. Recordou na manhã de ontem (2), no Folha no Ar, o procurador de Justiça Cláudio Henrique da Cruz Viana. Campista, ele foi reeleito, no dia 10, ao 3º mandato seguido de presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj).
Redes sociais e fake news
“Hoje, temos outra questão: as redes sociais e as fake news; que sempre existiram. Mas era diferente, acontecia no próprio programa eleitoral e gerava direito de resposta. Hoje, o programa eleitoral gratuito (de rádio e TV) é o que menos importa. A campanha vai acontecer em rede social; isso é uma realidade. E com o avanço da tecnologia, agora com a inteligência artificial, é muito difícil ao Direito acompanhar todos esses avanços. Até que ponto o Estado tem que intervir? Isso não está regulamentado no Brasil, mas tem avançado mais na Justiça Eleitoral”, disse o procurador.
Impunidade desmoraliza Justiça
“A grande questão da Justiça é a impunidade, o seu caráter desmoralizante. Quando era professor de Direito Penal, eu dizia: ‘a certeza da pena é muito mais importante que o tamanho da pena’. Não adianta criminalizar tudo, essa tendência de dizer: ‘tem que aumentar a pena’. No trânsito, há a certeza de que a multa vai chegar se você avançar o limite de velocidade no radar. Você não vai ser preso, vai receber a multa, perder pontos na carteira. Mas é uma certeza, se for uma Ferrari ou um Fusca. Essa mensagem é muito importante na Justiça. E na política é o mesmo”, comparou Cláudio Henrique.
“Vingança” do PT e Centrão derrotada
Sobre seu terceiro mandato à frente da Amperj, o presidente disse: “É um novo mandato, mas é uma continuidade. Ser reeleito é um recado da classe, os promotores e procuradores, ativos e aposentados, do Ministério Público do Rio de Janeiro: o caminho que estamos trilhando é o melhor caminho. Tivemos nesse período um grande desafio nacional, que foi a PEC 05 (de 2021, também chamada de “PEC da Vingança”, numa resposta à operação Lava Jato), uma Proposta de Emenda Constitucional (de deputados do PT e do Centrão) que seria muito ruim ao interesse público e ao Ministério Público”.
Da questão nacional à estadual
“Essa PEC (05) visava tirar autonomia dos membros do Ministério Público para agir. Seria um grande retrocesso. Tivemos que trabalhar fortemente para impedir essa emenda constitucional. E obtivemos êxito graças à ajuda, principalmente, da imprensa e da sociedade civil. Outro momento que tivemos importante, no Rio de Janeiro, foi a reforma da Previdência Estadual (também em 2021). Trabalhamos junto a outras entidades de classe, da magistratura, da defensoria, da procuradoria do estado. E mostramos que era possível compatibilizar os interesses”, recordou o procurador.
Maconha no STF e crise entre Poderes
Indagado sobre a crise entre Poderes no Brasil, agora entre Judiciário e Legislativo, com o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a quantidade de maconha portada para se diferenciar usuário de traficante, gerando acusações do Congresso Nacional de atropelo de atribuição legislativa, Cláudio Henrique ponderou: “O avanço das leis e direitos sociais trouxe o Judiciário a discussões que antes eram dos outros Poderes. Essa é a ideia original de judicialização da política. A questão é quando isso passa ao ativismo judicial. O Judiciário é um Poder inerte, só age quando provocado”.
Judiciário legisla sobre Direito Penal?
“O ativismo judicial é quando o Judiciário passa a agir não a partir de uma provocação. Um exemplo forte foi quando o STF deu interpretação extensiva na lei de discriminação racial para entender como crime também a homofobia. Até em situações como essa, em que há um consenso positivo que deveria ser crime, teria que vir através do Congresso, não de decisão do STF. Aquela decisão pode nos ter agradado no varejo, por impedir a discriminação, mas pode ser um precedente no atacado para que o STF possa legislar sobre o Direito Penal, tirando isso do legislador”, explicou o presidente da Amperj.
Casamento homoafetivo, maioria e minoria
“Quando o STF reconheceu o casamento de pessoas do mesmo sexo, se dependesse do Congresso Nacional, isso nunca seria votado e regulamentado. Porque a sociedade brasileira é conservadora nos costumes; essa é a verdade. E o Congresso é eleito por essa maioria para representá-la. O STF viria para defender o direito de uma minoria que não estivesse bem defendida pelo legislador. O problema todo é a medida. Até quando isso faz parte do sistema de freios e contrapesos, em que um Poder equilibra o outro; ou até que ponto um Poder avança sobre o papel de outro Poder?”, questionou o procurador.
Diretores de cinema e da produtora audiovisual Quiprocó Filmes, o sociólogo Fernando Souza e o antropólogo Gabriel são os entrevistados do Folha no Ar desta quarta (3), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Eles falarão sobre o documentário “Rio, Negro”, selecionado ao Dubai Festival de 2023, exibido no Rio, São Paulo e outras cidades brasileiras, inclusive Campos, onde o filme foi exibido dia 19 (confira aqui e aqui) na Villa Maria.
Além da contribuição negra e africana na gênese da cidade do Rio e do Brasil, tema do documentário, Fernando e Gabriel também falarão da migração da sociologia política e da antropologia ao cinema. E analisarão a tentativa da retomada do projeto de um curso de cinema na Uenf, presente na fundação da universidade em 1993 e depois abandonado.
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Procurador de Justiça e reeleito no dia 10 (confira aqui) para o terceiro mandato consecutivo como presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj), o campista Cláudio Henrique da Cruz Viana é o convidado do Folha no Ar nesta terça (2), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Cláudio Henrique falará do que considera os maiores feitos das suas duas primeiras gestões à frente da Amperj, e dos objetivos que tem para a terceira. Também analisará os conflitos entre os Poderes Judiciário e Legislativo em pautas polêmicas. E, por fim, falará de como o Ministério Público do RJ se prepara para as eleições municipais de 6 de outubro, daqui a exatos 97 dias.
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Campos dos Goytacazes, Jefferson de Azevedo, Carla Machado, George Gomes Coutinho e William Passos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Com George Gomes Coutinho e William Passos
A Folha antecipou, desde 3 de junho de 2023 (relembre aqui), que o professor Jefferson de Azevedo, hoje ex-reitor do IFF, seria o candidato do PT a prefeito de Campos. Como antecipou, desde 6 de novembro (relembre aqui), com base na interpretação (confira aqui e aqui) de juristas especializados em Direito Eleitoral e conceituados na comarca, que a deputada estadual Carla Machado (PT) não poderia ser candidata a prefeita de Campos em 2024.
Reeleita prefeita de São João da Barra em 2020, toda a jurispridência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Supremo Tribunal Federal (STF) veda uma terceira candidatura consecutiva de Carla a prefeita, sobretudo em município vizinho. O que foi confirmado por unanimidade pelo TSE no dia 18. Quando, seis meses depois do juízo antecipado pela Folha, o jornal confirmou: “Carla Machado não poderá ser candidata a prefeita este ano”.
Após tentar bater pezinho contra o TSE, de maneira tão patética e inútil quanto o bolsonarismo em 2022, no pastiche isolado de um petista a serviço de quem lançou o deputado estadual bolsonarista Rodrigo Amorim (PL) a prefeito do Rio em 2024, após quebrar a placa da ex-vereadora carioca Marielle Franco (Psol) em 2018, a realidade se impôs em Campos. E, na quarta (26), Carla anunciou (confira aqui) sua desistência da pré-candidatura a prefeita.
Na quinta (27), a presidente do PT em Campos, professora, ex-vereadora e pré-candidata a vereadora, Odisséia Carvalho, confirmou (confira aqui) o que a Folha havia antecipado pouco mais de um ano antes: Jefferson será o candidato do PT a prefeito de Campos. Depois de ter lançado na terça (25), na sede do Sindipetro NF, uma série de 13 encontros do partido para debater a cidade e formular seu plano de governo. Como a Folha tinha anunciado (confira aqui) na segunda (24).
Todas essas antecipações, confirmadas pelos fatos, são fruto do jornalismo. Que, a despeito das paixões ou manifestação de interesse pessoal, só se pratica a partir de fontes qualificadas, em trabalho sempre coletivo. Duas dessas fontes, o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos, e o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em estatística no IBGE, também acompanharam todo esse processo. Abaixo, as suas visões:
— Impossível não ver com bons olhos o trabalho proposto por Jefferson na mobilização programática e no planejamento interno do PT. Não é o caminho mais simples. É o oposto, o mais longo, envolve trabalho de formulação. Mas, sendo uma força política local minoritária que ainda é guiada por princípios, o PT segue aí por bom caminho para, quem sabe desde já, se tornar mais robusto justamente sendo uma usina de ideias, um espaço propositivo de diálogo com a realidade desafiadora de Campos — endossou George. E foi adiante:
— O PT de Campos foge, portanto, da fórmula da busca por se apoiar em “campeões de voto”, como já foi o caso do importantíssimo Makhoul Moussalem. E poderia ter sido com Carla Machado no pleito deste ano. Especialmente penso que o momento tem o potencial para modernizar o partido, “despessoalizar” localmente. É esta a tradição do PT nas cidades onde o partido é uma força política relevante. Um partido de quadros em mobilização permanente e dotados da capacidade de decisores políticos. A conferir! — projetou o cientista político.
— Como o encontro do PT foi aberto à população, fui ao Sindipetro na noite de terça. Na última fala, Jefferson fez um discurso muito forte. Criticou o modelo do garotismo, enfatizando a falta de planejamento da cidade para o pós-petróleo e o pós-royalties, a ausência de conversão do ciclo petrorrentista em erradicação da pobreza e do analfabetismo. Assim como o desaparecimento da habitação popular no “garotismo de Wladimir”, a ausência de solução para o transporte público do município e o fato de o garotismo se caracterizar por um modelo de “esgotamento dos recursos”, deixando sempre o governo seguinte “a ver navios”. Ele citou o legado deixado para Sérgio Mendes, Benedita da Silva e Arnaldo Vianna, além da “venda do futuro” no Rosinha 2 — testemunhou William. E foi adiante:
— Na sequência da sua fala crítica, Jefferson foi também propositivo: defendeu a necessidade de se olhar para experiências como a do PT de Maricá. Que criou um fundo soberano para preparar o município para o pós-royalties; fundo que, segundo ele, acumula hoje um patrimônio em torno de R$ 1 bilhão. Ele também defendeu a bandeira da tarifa zero e da articulação de Campos à política de neoindustrialização do Lula 3 — complementou o geógrafo e estatístico.
Única prefeitável, além do incumbente e líder Wladimir, a pontuar com 2 dígitos de intenção de voto na (confira aqui) única pesquisa registrada de 2024, Carla deixou um capital eleitoral que pode, ou não, ser explorado por Jefferson. Talvez atrapalhado pela indefinição do PT, ele tem patinado em 1 ponto de intenção de voto desde (confira aqui) as pesquisas a prefeito de 2023. As próximas dirão. Mas, hoje, a exatos 99 dias da urna de 6 de outubro, Campos já tem debate de cidade.
Com governos bem avaliados pela população, os prefeitos Geane Vincler, Carla Caputi e Wadimir Garotinho aparecem como favoritos na intenção de voto à reeleição, respectivamente, em Cardoso Moreira, São João da Barra e Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Governo aprovado é favorito à reeleição (I)
Na quinta (27), foi divulgada a pesquisa Prefab Future sobre as eleições municipais de Cardoso Moreira. Que coloca a prefeita Geane Vincler (União) como favorita à reeleição, com 62,2% de intenção de voto na consulta estimulada — com a apresentação dos nomes. Sua grande vantagem advém da popularidade do seu governo, aprovado por 73,2%. Com números um pouco menores e maiores, é a mesma correlação entre aprovação popular de governo e favoritismo à reeleição na intenção de voto de que gozam, em todas as pesquisas até aqui, os prefeitos Carla Caputi (União), em São João da Barra; e Wladimir Garotinho (PP), em Campos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Governo aprovado é favorito à reeleição (II)
A pesquisa Prefab de Cardoso foi feita em 21 de junho e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o nº RJ-02842/2024. A pesquisa Factum de SJB foi feita de 5 a 7 de junho, e registrada no TSE sob o nº RJ-01003/2024. Outra pesquisa Prefab, sobre Campos, foi feita em 26 de maio e registrada no TSE sob o nº RJ-04536/2024. Na segunda, a prefeita Caputi teve 71,12% de intenção de voto na consulta estimulada, advindos da aprovação de 86,88% ao seu governo. E, na terceira pesquisa, Wladimir teve 53,7% de intenção de voto na estimulada, advindos da aprovação de 70,5% ao seu governo.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Governo aprovado é favorito à reeleição (III)
Em todos as democracias do mundo que permitem a reeleição, é quase regra: governos aprovados são reeleitos. Esses pleitos costumam ser plebiscitários, onde a pergunta do eleitor não é quem é o melhor candidato ou programa de governo, mas se a atual gestão merece ou não outro mandato. Quando acha que não, o resultado é desastroso. Como foi a tentativa de reeleição a prefeito de Rafael Diniz (Cidadania) na Campos de 2020, quando teve só 5,45% dos votos válidos. No sentido oposto, quando o eleitor aprova o governo, como o de Geane em Cardoso, o de Caputi em SJB e o de Wladimir na Campos de 2024, a tendência é a reeleição.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Prefeitos distantes dos adversários
Na consulta estimulada das três pesquisas, os adversários estão distantes dos prefeitos pré-candidatos à reeleição. Em Cardoso, os 62,2% de intenção de voto de Geane são seguidos dos 17,3% de Renatinho Medeiros (REP) e dos 9,3% de Neto Sardinha (PL). Em SJB, os 71,12% de intenção de voto de Caputi são seguidos dos 5,78% de Danilo Barreto (Novo). Em Campos, os 53,7% de intenção de voto de Wladimir são seguidos pela deputada estadual Carla Machado (PT, que saiu da disputa na quarta para não ser barrada no TSE), com 18,7%; pela Delegada Madeleine (União), com 6,8%; e por outro deputado estadual: Thiago Rangel (PMB), com 2,5%.
Objetivos da oposição
Com menos de 1 ponto na pesquisa Prefab de Campos, ficaram os prefeitáveis Professor Jefferson de Azevedo (PT) e o odontólogo Alexandre Buchaul (Novo), cada um com 0,6% de intenção de voto; e o ex-vereador Jorge Magal (SD), com 0,5%. Ninguém mais que Jefferson demanda nova pesquisa, para saber se receberá migração de votos da também petista Carla — e se esta agirá nesse sentido. Ademais, pré-candidato articulado de esquerda, como à direita é Buchaul, este e o ex-reitor do IFF podem crescer nos debates. Assim como Madeleine e, um pouco atrás, Thiago, trabalham para chegar aos dois dígitos de intenção de voto.
Mais que os adversários juntos
Com Carla Machado ainda listada na consulta ao eleitor campista de maio, Wladimir teve mais intenção de voto que todos os adversários juntos. De Carla a Magal, mais Thiago, Jefferson e Buchaul, a soma ficou em 29,7 pontos. São 24 pontos a menos do que os 53,7% de Wladimir. Se é uma dianteira considerável, as de Geane e Caputi são ainda maiores. Com 62,2% de intenção de voto, a prefeita de Cardoso tem 35,6 pontos de vantagem e mais do dobro dos dois adversários. Que, somados, têm 26,6 pontos. A maior vantagem, no entanto, é da prefeita de SJB. Seus 71,12% de intenção de voto são mais de 12 vezes o que tem seu único adversário.
Daqui a 99 dias
Se a eleição fosse hoje, tudo indica, o quadro seria o das pesquisas. Mas a urna de 6 de outubro é daqui a 99 dias. Período no qual, no sábio dito do falecido ex-vice-presidente Marco Maciel: “tudo pode acontecer, inclusive nada”. Com boa vantagem até aqui, embora menor que as de Geane e Caputi, Wladimir tem também uma questão mais complexa: Campos pode ter 2º turno. Que inexiste em municípios brasileiros com menos de 200 mil eleitores, como Cardoso e SJB. Desde as pesquisas de 2023, a projeção é que ele se reeleja prefeito em 2024 no 1º turno. Em 2020 e sem a máquina, não conseguiu por 7,06 pontos mais um voto. A ver.
Prefeita Geane Vincler, de Cardoso Moreira, é favorita à reeleição (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Como Carla Caputi (União) em São João da Barra (confira aqui) e Wladimir Garotinho (PP) em Campos (confira aqui), a prefeita de Cardoso Moreira, Geane Vincler (União), é favorita à reeleição nas urnas de 6 de outubro, daqui a 3 meses e 9 dias. Pesquisa Prefab Future registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o nº RJ-02842/2024, feita em 21 de junho, com 600 eleitores e margem de erro de 4 pontos para mais ou menos, deu a Geane 62,2% de intenção de voto na consulta estimulada — com apresentação dos nomes dos prefeitáveis. Ela foi seguida de longe por Renatinho Medeiros (Republicanos), com 17,3%; e por Neto Sardinha (PL), com 9,3%.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Liderança da estimulada à espontêa — Na consulta espontânea, onde o eleitor fala da própria cabeça em quem votará, Geane também liderou com 61,5% de intenção de voto, apenas 0,7 ponto abaixo da estimulada. O que indica como essa maioria está cristalizada. Na espontânea, Renatinho teve 14,8% de intenção de voto consolidada e Neto, 7,3%. Os três pré-candidatos variam dentro da margem de erro da pesquisa entre as duas formas de consulta, o que indica pouco espaço para mudança.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Aprovação de governo intenção de voto — A ampla vantagem da prefeita de Cardoso nas intenções de voto, assim como ocorre com Caputi e Wladimir, deriva da grande aprovação popular ao seu governo. À pergunta “Você aprova a gestão de Geane Vincler?”, 73,2% responderam que “sim”, contra apenas 14,3% que disseram “não”, enquanto outros 12,5% não souberam avaliar.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Rejeição — Além da alta aprovação, Geane tem a menor rejeição. O que é incomum a candidatos desgastados pelo primeiro mandato. À pergunta “Se fossem estes os candidatos, em quem você NUNCA votaria para prefeito de Cardoso Moreira?”, Renatinho liderou com 27,3%. Ele foi seguido por Neto, com 21,5%, e pela atual prefeita, com apenas 9,6% no índice negativo. Outros 31,8% não rejeitaram nenhum dos três, enquanto 9,8% não souberam opinar.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE
Análise do especialista — “A pesquisa apresenta alta qualidade técnica, com amostragem, estratificação e margem de erro confiáveis. Em síntese, a Prefab Future aponta grande aprovação ao governo da prefeita Geane Vincler, combinada à alta intenção de voto e baixa rejeição. Tanto no voto espontâneo quanto no induzido, a intenção da atual prefeita apresenta igualdade estatística, respectivamente, 61,5% e 62,2% dentro de uma margem de erro de 4 pontos. Quanto à rejeição, outro importante indicador de predição do resultado eleitoral, a prefeita registra 9,6% de eleitores entrevistados que manifestaram não votar nela de jeito nenhum, contra 21,5% de Neto Sardinha e 27,3% de Renatinho Medeiros”, elencou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE.
Anunciado pela Folha desde 3 de junho de 2023 como nome do PT a prefeito de Campos, um ano depois Jefferson foi confirmado hoje, com a impossibilidade da deputada Carla Machado e do sindicalista Helinho Anomal concorrerem (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Ex-reitor do IFF, o professor Jefferson de Azevedo disputará a Prefeitura de Campos pelo PT em 6 de outubro, daqui a 3 meses e 9 dias. O lançamento oficial da candidatura deve ocorrer na convenção do partido, provavelmente em 3 de agosto. Mas o nome de Jefferson foi adiantado pela Folha como candidato a prefeito do PT (relembre aqui) desde 3 de junho de 2023, há mais de 1 ano.
Um ano depois, o nome de Jefferson a prefeito pelo PT goitacá foi confirmado na manhã de hoje pela presidente municipal do partido, a professora, ex-vereadora e pré-candidata a vereadora Odisséia Carvalho. Foi no dia seguinte à desistência ontem (26, confira aqui) da pré-candidatura a prefeita de Campos da deputada estadual Carla Machado, barrada no dia 18 (confira aqui e aqui) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por já ter sido prefeita reeleita de São João da Barra em 2020. Como a Folha e este blog vinham antecipando (relembre aqui) desde 6 de novembro de 2023 que aconteceria.
Além de Jefferson e Carla, o PT de Campos tinha como pré-candidato anunicado a prefeito o sindicalista Helinho Anomal:
— A deputada estadual Carla Machado (PT) se manifestou publicamente retirando a pré-candidatura à Prefeitura de Campos. Importante destacar que a companheira Carla Machado não está inelegível. Contudo, deixa evidente em suas redes sociais, que retira a candidatura que poderia sofrer questionamentos judiciais durante o período oficial de campanha, após o registro oficial em agosto. Agradecemos à deputada Carla Machado e ao companheiro Hélio Anomal que se colocaram à disposição para a construção de uma alternativa popular e democrática à Prefeitura de Campos e para o fortalecimento do partido do presidente Lula em nosso município. O diretório municipal do PT realizará hoje uma reunião onde indicará o nome do professor Jefferson como pré candidato à majoritária e teremos no dia 03/08 a Convenção da Federação Brasil da Esperança onde homologaremos as pré candidaturas a vereadores e vereadoras, bem como a majoritária. Estamos construindo o nosso programa de governo (confira aqui e aqui) que será apresentado na convenção no sentido de políticas públicas mais eficientes e de mais justiça social para a sociedade campista — disse Odisséia.
O que a presidente do PT de Campos, no entanto, não revelou é que Helinho Anomal também não teria se desincompatiblizado das suas funções sindicais dentro do prazo legal de quatro meses antes do pleito. E, como Carla, também não poderia se candidatar.
Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema
Novo triunfo narrativo da Pixar
Por Felipe Fernandes
Lançado em 2015, “Divertida Mente” é uma das animações mais queridas da Pixar. O filme é criativo e engenhoso ao construir de forma lúdica, funcional e divertida, o universo das emoções e das lembranças dentro da cabeça da pequena Riley, enquanto ela passa por um turbulento momento de mudança em sua vida.
Passada quase uma década, chega aos cinemas a continuação, que mostra Riley chegando à puberdade. Além das mudanças naturais desse período, a sala de controle recebe novas emoções que agora dividem espaço com as emoções primárias enquanto Riley vive um novo momento de mudança.
Essa continuação traz toda uma nova equipe criativa, sendo a estréia do diretor Kelsey Mann (um veterano dentro da Pixar, que faz sua estreia na direção). O filme segue a cartilha das continuações de Hollywood, contando com uma história similar, expandindo aquele universo através de novos sentimentos e novos personagens dentro da mente da agora adolescente Riley. É tudo maior e de certa forma, mais complexo.
Essa expansão do universo da mente da Riley funciona para apresentar as mudanças naturais que toda criança passa nesse momento de amadurecimento e transição física e psicológica. As novas emoções dialogam com a adolescência. E, se você convive com um adolescente, você vai se identificar. Nesse sentido, o filme pode ajudar aos pais a compreenderem melhor seus filhos e aos próprios adolescentes a identificar algumas questões.
O filme repete a mesma estrutura do longa anterior. Os acontecimentos e a jornada são muito parecidos, mesmo com novos elementos e a expansão daquele universo, a estrutura de roteiro é a mesma, o que torna o longa meio previsível. Porém, mesmo tratando de sentimentos menos perceptíveis, o filme não se torna cansativo em suas explicações. Tudo é desenvolvido dentro da narrativa de forma orgânica.
A principal mudança se dá por meio das novas emoções, principalmente devido a antagonista Ansiedade, que disputa com Alegria a mesa de controle. E por suas ações termina gerando todo o evento catalisador. Apesar disso, Ansiedade não pode ser considerada uma vilã, já que ela age na intenção de ajudar Riley, mesmo que ela não o faça. Essa natureza controladora remete muito ao papel da Alegria no primeiro filme, o que torna interessante esse embate entre elas.
O excesso de novas emoções, faz com que o roteiro não dê conta de desenvolver ou ao mesmo criar uma função narrativa para as outras emoções, que acabam como coadjuvantes. E agregam mais pela ideia e associação com a chegada da adolescência do que propriamente como personagens funcionais dentro da história.
Um mérito da obra é o de criar novos espaços dentro da mente da Riley, como o Senso de Si, o depósito de memórias rejeitadas, o toró de ideias, o abismo do sarcasmo e o rio que funciona como fluxo de consciência. São espaços brilhantemente construídos visualmente e que trazem uma complexidade que reforça uma das maiores qualidades da Pixar: não duvidar da inteligência do seu público.
Outro característica muito interessante (que o primeiro também tem), é a forma como as emoções também amadurecem. Seja entre as relações ou em suas próprias descobertas, o longa trabalha a ideia de que todas as emoções são importantes, até mesmo a Ansiedade tem sua importância. A personagem, aliás, rouba o filme. A forma como ela é retratada consegue mostrar sua complexidade e a gravidade de suas consequências, sem abrir mão do aspecto lúdico, demonstrando o respeito e a maturidade da obra ao tratar de uma questão mais séria, sem perder o tom.
“Divertida Mente 2” é um novo triunfo narrativo da Pixar e o estúdio estava precisando desse sucesso. O filme não só respeita o original, como expande aquele universo mantendo a qualidade da obra, em um projeto que não tem o encantamento da novidade da forma como a mente é criada, mas é corajoso ao tratar de temas mais complexos de forma madura. É algo natural no crescimento da jovem Riley, que vive um momento de várias mudanças, com potencial para novos filmes.
“O par de sapatos”, óleo sobre tela de Vincent Van Gogh, Paris, 1886
Adriano Moura, poeta, dramaturgo, romancista, professor de Letras do IFF e membro da Academia Campista de Letras (ACL)
Poemas pretéritos imperfeitos
De Adriano Moura
por que temer as hienas
preparo a massa dos dias
com a farinha do trabalho.
aqueço o forno enquanto
ponho toalha pras hienas
que chafurdam seus focinhos
na prataria da mesa.
disfarçam a fome de carcaças
com o nó bem feito das gravatas.
da cozinha soo
a risada frustrada
sabendo que na sobremesa
das hienas, serei eu:
o homem que trabalha,
a carcaça triturada.
Saudade: SÓ
Olho o vazio de teus sapatos
Recordo as noites em que pisavas
Beijava-me a testa, te recolhias
À solidão noturna do quarto.
Levo-te flores no aniversário
Digo o verso epitáfio sozinho
Como montanha imóvel se sente.
Mas SÓ se tem saudade dos vivos.
Dos mortos, é o profundo silêncio
que se preenche não com o passado
SÓ
Com o presente.
SÓ
Se pode contar a história de um homem
Depois de sua morte.
Por isso levanto agora este tapete de memórias
Em que pisaste.
Quanta poeira, meu Deus, escondeste de mim todo esse tempo!