Chefe de gabinete de Wladimir no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-vereador e chefe de gabinete do prefeito Wladimir Garotinho (PP), Thiago Ferrugem (União) é o convidado do Folha no Ar desta terça (20), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará os dois anos e meio do governo Wladimir, entre acertos e erros. Também falará da relação com a Câmara Municipal e da pacificação entre Garotinhos e Bacellar.

Por fim, Thiago tentará projetar as eleições municipais de 2024, daqui a pouco mais de 15 meses, a prefeito e vereador. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Arquiteto urbanista critica iniciativa do ônibus para Uenf

 

Feita na quarta (14), o link da postagem do blog (confira aqui) que noticiou uma emenda parlamentar para a aquisição de um ônibus para oferecer transporte universitário gratuito aos alunos da Uenf, gerou, só no Instagram, 337 likes. A interação indica a aprovação majoritária à iniciativa do secretário de Comunicação do PT de Campos, Gilberto Gomes, como assessor parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ), que assina a emenda no valor de R$ 500 mil. Mas nem todos concordam:

 

O arquiteto Renato Siqueira criticou a iniciativa do petista Gilberto Gomes como assessor parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (Montagem: Joseli Matias)

 

— Uma lástima. É de fato o mais grave problema de gestão o transporte público, que remonta há cerca de 40 anos, onde operavam no sistema de transporte público 14 empresas de ônibus. A partir do ano de 2010, foi incorporado o sistema de vans por decreto. Eram as vans que operavam clandestinamente. Isso, somado ao subsídio tarifário, agravou a crise, onde em 2013 foi publicado o edital 001/2013, na tentativa de salvar o sistema de transporte. Porém, com uma fórmula sem equilíbrio habilitou precariamente 7 das 14 empresas em 3 consórcios. De lá para cá o subsídio tarifário foi interrompido por não atender à demanda da população, foi intensificado o combate ao transporte clandestino e, o sistema de vans foi licitado. Contudo, diante da falta de condição técnico-operacional, comum a todas as empresas, essa medida que acertou na fórmula não foi suficiente. Nesta gestão atual, tentaram mascarar o problema, com o subsídio do diesel e o edital da bilhetagem eletrônica. Acontece que o sistema está capenga, composto por menos de 1/3 da frota de ônibus definido no edital de 2013. Frota está em grande parte além da vida útil. Uma falência que o relatório que produzi em 2017 indicava a possibilidade. Hoje (na quarta, dia 14), foi anunciado que a Uenf receberá um ônibus para o transporte de seus estudantes. Nada mais ruim neste momento crítico. Primeiro devido a inserção truncada nas rotas das concessionárias e permissionários; segundo, devido à quantidade estudantes x lotação do único ônibus ser assimétrica. Isso para não incluir a superfície territorial do município. Essa medida isolada da Uenf, se tem algo de bom, é o reconhecimento tácito de que o sistema de transporte ruiu. A medida pode inclusive mal inspirar outras instituições a fazerem o mesmo, cabendo só para citar, por semelhança: UFF, IFF, Ucam, Isecensa, Universo, Uniflu e Estácio. É legítimo o direito de buscar melhorias que garantam o transporte público coletivo, desde que, no âmbito coletivo do debate público. Que se habilite a Câmara Municipal para promover o debate, na forma e onde ele deve ocorrer, inclusive para cobrar a implantação do Comurb (Conselho Municipal de Mobilidade Urbana), pela Lei 8754/2017. O mais é apenas uma disputa vã de continuar a tratar um problema sério de gestão com achismo. É um jogo político que não interessa — disse em comentário no blog (confira aqui) e nas redes sociais o arquiteto urbanista Renato Siqueira, que foi diretor do IMTT no governo Rafael Diniz (Cidadania).

Nos comentários do link da postagem no Instagram, Gilberto Gomes questionou o arquiteto:

— Renato, sua leitura é equivocada devido à compreensão limitada do que se propõe este programa de assistência estudantil. Ele não pretende substituir a operação regular. Porém, enquanto perdurar a situação crítica, atenuar essa crise. Os horários serão pré-definidos e limitados aos períodos de maior gargalo. A operação se dará nos mesmos moldes em que a UFF já opera há anos em Niterói. E com sucesso. A situação grave só transporte já perdura há pelo menos 8 anos em Campos. Isso impactou diversos estudantes que, devido aos custos com transporte, não puderam se formar. É muita pretensão acreditar que apenas um ônibus, com horários limitador, atendendo somente uma linha, com claro objetivo de atender estudantes específicos, irá prejudicar de alguma forma a luta pelo sistema de qualidade. Pelo contrário, o programa deve ter prazo pra acabar, que será enquanto o novo modelo de transporte não estiver plenamente funcionando. Vamos esperar mais quantos estudantes desistirem de universidade? Até lá, o programa irá atender todos e todas que precisarem desta alternativa. Culpar essa iniciativa é culpar as vítimas. Essa alternativa teve que ser pensada porque a cidade não leva os debates de mobilidade urbana e passe livre universitário a sério. Recomendo a leitura da matéria em totalidade e aguardar a conclusão da construção do programa, que levará em consideração agentes municipais. Outro equívoco é dizer que a Uenf não cuida de sua frota. Essa leitura ainda é da época que você me deu aula de desenho técnico na Uenf. De lá pra cá muita coisa mudou. A frota é nova e com manutenção em dia. Estou à disposição para um diálogo mais profundo se preferir — propôs o jovem petista, em defesa da sua iniciativa.

— Gilberto, o debate fora do campo onde e deve ocorrer fica muito prejudicado. Em especial com o componente político, do qual fica evidente você estar participando. Lamentável também. O tema é de política pública, para ser debatido neste contexto. Os debates para a elaboração do Plano de Mobilidade local, aprovado em 2022, ocorreram entre os anos de 2018 a 2022. Não o vi em nenhum deles, embora tenham sido amplamente anunciados. Mas, se essa é a sua convicção, lamento. Volto a dizer, é uma atitude equivocada da Uenf que esbarra também na gestão da própria universidade, que é de domínio público, não só relacionado à frota. O problema do transporte público no município, Gilberto, data de pelo menos 40 anos. Busque se informar — cobrou Renato Siqueira.

 

Confira abaixo o vídeo divulgado pelo Gilberto na terça (13), gravado em Brasília. Em que ele, o deputado federal Lindbergh Farias e o professor Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF e provável candidato do PT a prefeito em 2024, defendem a iniciativa de adquirir um ônibus para oferecer transporte universitário gratuito à Uenf:

 

 

Confusão no Centro por sociólogo e presidente da CDL

 

A confusão no Boulevard Francisco de Paula Carneiro, na manhã da última sexta (16), quando partidários do governo Wladimir Garotinho (PP) desmontaram um protesto contra o abandono do Centro da cidade, foi o assunto daquele dia. Que levou o próprio prefeito a se manifestar à tarde, em vídeo nas redes sociais. E continua rendendo, mesmo depois que a coluna “Ponto Final”, da Folha da Manhã, questionou ontem (17) a iniciativa de desmontar a manifestação. Mas também revelou (confira aqui) as estranhas coincidências e a aparente motivação política do protesto.

 

Sociólogo Roberto Dutra, vereador Juninho Virgílio e Edvar Júnior, presidente da CDL-Campos (Montagem: Joseli Mathias)

 

— Não podemos achar normal um vereador invadir uma manifestação de rua, ainda mais da forma truculenta como foi. Esta norma de civilidade política é parte inseparável do que chamamos de democracia. É verdade que a política real não corresponde às nossas expectativas, e não devemos demonizá-la em nome de ideias utópicas sem nenhuma aderência na realidade. Mas aceitar o direito de manifestação, mesmo que motivados por interesses nada generosos, não me parece ser ideal utópico. Acho que é um modo de convivência que pode ser facilmente incentivado e que já sabemos praticar em Campos. Neste sentido, o prefeito deveria publicamente condenar o vereador truculento como sinalização de civilidade. Campos é uma cidade com um histórico de baixa violência política, comparada a municípios do mesmo porte e até mesmo com municípios menores. Tudo deve ser feito para que este tipo de violência praticada pelo vereador não seja tratado como algo normal — disse sobre o episódio o sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf.

Desde sexta, o vereador Juninho Virgílio, vice-líder da bancada governista na Câmara Municipal, já tinha dado a sua versão dos fatos à reportagem da Folha da Manhã (confira aqui):

— A gente estava no Centro, vimos o caixão e madeiras espalhadas. Perguntamos para saber de quem era e ninguém se manifestou. Ligamos para o Edvar Júnior, presidente da CDL-Campos, e ele disse que não sabia ser de nenhum comerciante. Edvar, inclusive, estava reunido naquele momento, de manhã, com o prefeito Wladimir, junto a outros empresários do Centro de Campos, para discutir melhorias para a área. O que deixa claro não ser coincidência, mas fruto de orquestração política: o prefeito debate melhorias com o setor produtivo para o Centro, no mesmo momento em que se promove uma manifestação no Centro, sem autorização da Postura e sem ninguém para assumir? Sou a favor da manifestação, já participei de várias e sempre as assumi. Como não apareceu ninguém, o que a gente fez foi só limpar o Calçadão, sem baderna, sem violência, para garantir o direito de ir e vir dos campistas — disse o edil governista. Que pareceu ser endossado pelo prefeito:

— Algumas pessoas que gostam e são parte do governo, revoltados com aquela situação, desmontaram a manifestação que estava sendo feita. Eu, como democrata, respeito todo e qualquer direito à manifestação, que é legítima. Mas quem representa de verdade os comerciantes, quem representa de verdade o Centro da cidade, no mesmo exato momento da manifestação, estava aqui comigo na Prefeitura trabalhando e propondo melhorias para o Centro da cidade — disse Wladimir em seu vídeo.

Citado por Juninho e após ter a CDL-Campos também acusada de motivação política pelo comerciante do Centro e ex-candidato a vereador que liderou o protesto, o presidente da entidade também se manifestou sobre o ato:

— Estávamos reunidos com o prefeito Wladimir, junto a outros representantes do setor produtivo do município, para discutir melhorias para o Centro, enquanto ocorreu o protesto. Na verdade, ele já vinha sendo anunciado nos bastidores há umas duas semanas. Mas esperou para ser realizado exatamente no momento da reunião. Como arquiteto, empresário e líder de classe, o Centro é com um irmão para mim. Que merece todos os nossos esforços conjuntos para ter sua saúde reestabelecida. Quando se enterra, mesmo que simbolicamente, o Centro em um caixão, é porque já se matou esse irmão. Eu prefiro lutar por sua vida — disse ao blog Edvar Júnior, arquiteto urbanista, empresário e presidente da CDL-Campos.

 

Abaixo, os vídeos da confusão na desmontagem do protesto na manhã e da manifestação de Wladimir à tarde:

 

 

 

Jefferson no PCdoB: “Campos do futuro não é de uma famíla”

 

Provável candidato do PT a prefeito de Campos em 2024, o professor Jefferson Manhães de Azevedo participu ontem do Seminário do PCdoB de Campos (Foto: Divulgação)

Provável candidato do PT a prefeito de Campos em 2024, o professor Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF, vem trabalhando nos bastidores para reforçar seu nome. Ontem (17), por exemplo, ele participou do Seminário do PCdoB de Campos, realizado no Siprosep. Pela Federação que elegeu Lula presidente em 2022, o PT está ligado ao PCdoB e ao PV nas próximas eleições.

— Ninguém vai definir a cidade que queremos, além de nós mesmos. A Campos do futuro não é de uma pessoa ou de uma família, é de todos” — disse ontem Jefferson a lideranças estudantis, comunitárias e sindicais que participaram do evento do PCdoB. Foi uma alfinetada velada em representantes dos clãs políticos familiares do município, como o prefeito Wladimir Garotinho (PP), candidato natural à reeleição. Além do deputado federal Caio Vianna (PSD) e do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (PL)

Além da conjuntura nacional do novo governo Lula, os participantes também debateram um programa para a cidade de Campos. Presidente do PCdoB goitacá, Maycon Maciel anunciou que o partido irá realizar nos próximos meses seminários nos bairros para debater os problemas da cidade e propostas na área de saúde, educação e transporte público.

 

Vazio da órbita perdida — Uma história do basquete

 

Com a pequena filha no colo, Nikola Jokic comemorou na última segunda-feira o primeiro título do seu Denver Nuggets na NBA, em que o revolucionário pivô sérvio bateu os recordes individuais do melhor basquete do mundo

 

Desde que Michael Jordan conquistou seu sexto e último título da NBA pelo Chicago Bulls, contra o Utah Jazz de Karl Malone e John Stockton, não acompanhava mais o melhor basquete do mundo com a mesma intensidade. Naquele mesmo ano de 1998 descobrira que seria pai do primeiro e único filho. E foi capturado por outra esfera, ainda no ventre materno, em torno da qual passou a orbitar.

 

Michael Jordan acima de todos os outros

 

Kareem Abdul-Jabbar e sua jogada-assinatura, mesmo sobre Hakeem Olajuwon: o skyhook (“gancho do céu”)

O filho nasceu em julho de 1999. E o pai passou os 23 anos seguintes tentando dizer-lhe por que Jordan foi o maior gênio que viu entre os seus contemporâneos. O humano mais à frente de todos os demais, em seu próprio tempo, numa determinada expressão intelectual e física de arte. Mas, embora tenha herdado vários gostos paternos, o filho seria bola no aro em relação a basquete. Nos esportes, apenas o boxe foi legado continuado.

Apesar de devoto do gênio de Jordan, o pai torcia para o Los Angeles Lakers. Desde os anos 1980, quando descobriu o basquete ainda criança, com o Showtime de Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar. Juntos, o maior armador de todos os tempos e o lendário pivô conquistaram cinco títulos da NBA. Dois deles contra o Boston Celtics do ala Larry Bird, considerado o maior jogador branco da história, na grande rivalidade daquela década.

 

Larry Bird e Magic Johnson rivalizaram, entre Boston Celtics e Los Angeles Lakers, o melhor time e jogador de basquete do mundo nos anos 1980

 

Não por acaso, foi ao derrotar o Lakers de Johnson, já sem Jabbar, nas finais de 1991, que o Bulls abriria sua dinastia. Seguida dos títulos de 1992, 1993, 1996, 1997 e o derradeiro de 1998. Com o intervalo momentâneo do basquete dado por Jordan para jogar baseball.

Depois de Jordan, tudo mais que pudesse ver em basquete parecia ao pai inferior. Tim Duncan foi um grande ala-pivô e pivô, à altura de Jabbar, onde é difícil não padecer de vertigem. Ganhou cinco títulos na NBA. Os dois primeiros, em 1999 e 2003, ao lado de outro super-pivô, David Robinson, com quem compunha as chamadas “Torres Gêmeas”.

 

As “Torres Gêmeas” do San Atonio Spurs, Tim Duncan e David Robinson

 

Já sem Robinson, Duncan contou com o armador francês Tony Parker e o ala-armador argentino Manu Ginóbili, sem favor o melhor basqueteiro produzido na América Latina, para ganhar mais três títulos: 2005, 2007 e 2014. Embora Parker e o Ginóbili já estivessem no San Antonio desde a conquista de 2003.

 

O armador francês Tony Parker, Tim Duncan e o ala-armador argentino Manu Ginóbili, maior jogador de basquete já produzido na América Latina, comemoram o título de 2014 da NBA, contabilizando os anteriores

 

Como Duncan, o jogador mais parecido em estilo com Jordan chegou a jogar contra ele. E, melhor, Kobe Bryant só jogou pelos Lakers. Tinha o mesmo instinto ofensivo, aplicação defensiva, plasticidade e “capacidade de voar” de Jordan. Não bastasse, os dois alas-armadores tinham a mesma dedicação inumana aos treinos. E a mesma altura: 1,98 metro.

 

Michael Jordan e Kobe Bryant tinham a mesma altura, o mesmo estilo de jogo e até a mesma característica pessoal da língua para fora nos momentos de concentração dentro de quadra

 

Kobe formou uma dupla arrasadora dentro de quadra com Shaquille O’Neall. Outro super-pivô, era dominante no garrafão pela altura e massa muscular, com um poder de enterrada nunca antes visto na NBA. Mas era também descuidado com a forma física, passivo na defesa e tinha uma constrangedora dificuldade no arremesso livre.

 

Kobe Bryant e Shaquille O’Neal: casamento perfeito nas quadras, com três títulos da NBA pelos Lakers, geraria o divórcio fora delas

 

O trio se completava com o técnico Phil Jackson fora de quadra. De onde comandara os seis títulos do Bulls de Jordan e Scottie Pippen. Com Shaq e Kobe, o treinador ganhou mais três, consecutivos, de 2000 a 2002. Após a saída de Jackson e Shaq, e de trocar o número 8 pelo 24, Kobe virou a grande estrela do Lakers. Escudado pelo pivô espanhol Paul Gasol, menos dominante, mas mais técnico que Shaq, conquistou mais dois títulos da NBA: 2009 e 2010.

 

Kobe Bryant e o pivô espanhol Paul Gasol conquistaram dois títulos da NBA pelos Los Angeles Lakers: 2009 e 2010

 

Pesa uma diferença de Jordan para Duncan e — mesmo com os movimentos de corpo muito parecidos — Kobe. Jordan disputou seis finais de NBA, chamou o jogo para si em todas e levou as seis. Kobe jogou sete finais e ganhou cinco. Duncan teve aproveitamento maior: chegou a seis finais para conquistar as mesmas cinco.

Mal comparado a Jordan, o ala LeBron James disputou 10 finais. Mas só conquistou quatro: pelo Miami Heat em 2012 e 2013, pelo Cleveland Cavaliers em 2016 e pelo Lakers, em 2020. Este ano, aos 38 de idade e ainda atuando em alto nível, ultrapassou Jabbar como maior pontuador da história da NBA. Ainda assim, fica abaixo de Air Jordan, e outros, como o mais decisivo.

 

LeBron James quando passou Kareem Abdul-Jabbar, em 8 de feveriro deste ano, como maior pontuador da história da NBA

 

O fato é que LeBron jogava pelo Lakers do pai. Que disputaria as finais da Conferência Oeste dos EUA (+ Canadá), pela vaga à grande final com o vencedor da Conferência Leste. Nessa expectativa, teve sua última conversa com o filho. Quando este lhe disse que vira o filme “Air: A História por trás do Logo”, de Ben Affleck (2023), na PrimeVideo. Que conta como Michael Jordan revolucionou a indústria dos esportes, antes mesmo de revolucionar o basquete.

— Acho que finalmente eu vou querer ver Jordan jogar, papai! — disse, a partir da curiosidade gerada pela paixão herdada pelo cinema.

 

 

O filho morreria precocemente, aos 23 anos, na noite daquela mesma tarde. Não estava em seu destino ver Michael Jordan jogar.

Náufrago sem ter ao que se agarrar, o pai passou a acompanhar, como tinha feito pela última vez com o Chicago Bulls daquele 1998 de quando se descobriu “grávido”, as finais da Conferência Oeste de 2023. Que seriam disputadas entre o seu Lakers e o “azarão” Denver Nuggets. Mirou em LeBron James e acertou no pivô sérvio Nikola Jokic. Que, na melhor de sete jogos, comandou a varrida dos favoritos por 4 a 0.

Na final contra o aguerrido Miami Heats, que perdeu o primeiro jogo da final para o Denver e venceu o segundo para empatar a série, o terceiro confronto de 7 de junho foi encerrado com mais um espetáculo de Jokic. Que marcou 32 pontos, deu 10 assistências e pegou 21 rebotes. Extasiado, o pai enviou mensagem de WhatsApp ao irmão, que sabia estar vendo o jogo, já avançadas as 23h:

— Está vendo? Jokic é um monstro! Na capacidade de um pivô ser também armador e chutador de 3 pontos, só vi algo parecido em Arvydas Sabonis — disse em referência ao pivô soviético, depois lituano, que foi jogar na NBA já com 31 anos e quase inutilizado por lesões. Mas que, mesmo assim, marcou a história do Portland Trail Blazers entre os anos 1990 e 2000.

 

O pivô lituano Arvydas Sabonis, em seu auge, quando ainda jogava pela seleção da União Soviética, que conduziu à medalha olímpica de ouro em Seul-1988

 

— Vi, sim. Jokic joga demais, cracaço! Ele e o Jamal Murray estão fazendo uma dupla infernal. Mas o Miami não está morto. Esse time não desiste nunca — retrucou o irmão, já na manhã seguinte.

— Jamal está disputando com Jimmy Butler (do Miami Heats) para ver quem é o melhor ala-armador do seu tempo. Jokic é diferente. Ele disputa com Kareem Abdul-Jabbar, com Hakeem Olajuwon (bicampeão pelo Houston Rockets, em 1994 e 1995, no intervalo de Jordan), com Tim Duncan e com Arvydas Sabonis para ser o melhor pivô de todos os tempos. No que dá até significado à minha vida: ter essa dimensão e poder vê-lo jogar em meu tempo. O que esse sérvio faz na quadra é como se Zidane e Ronaldo, ou Modric e Benzema, tivessem suas melhores características reunidas em um mesmo jogador de futebol — exemplificou o pai.

 

Jamal Murray conduz a bola pelo Denver Nuggets, sob a marcação de Jimmy Butler, do Miami Heats

 

O Denver de Jokic não seria mais alcançado. Em 12 de junho, na sua casa, a Ball Arena, por 4 jogos a 1, sagrou-se campeão da NBA pela primeira vez. Comandado pelo primeiro jogador a liderar as três principais estatísticas do basquete nos playoffs: pontos, rebotes e assistências. Na tecla SAP, o sérvio liderou toda a fase final nas cestas marcadas, nas que impediu o adversário de fazer e nas que deu para os companheiros fazerem.

 

 

Com 2,11 metros e 129 kg, Jokic não voa como Jordan. Mas é tão completo, e mental, quanto. Dificilmente chegará a ser tão decisivo. Aos 28 anos, o tempo dirá.

Encerrada a temporada, conquistado o título coletivo, reescritas as melhores estatísticas individuais do melhor basquete do mundo, Jokic foi perguntado como se sentia. E disse com a pequena filha ao colo: “É bom. É bom. O trabalho está feito. Agora podemos voltar para casa”.

Pela TV, outro pai assistia. Dividido entre a gratidão e o vazio da órbita perdida.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confusão no Centro e tabuleiro a prefeito e vice em 2024

 

Thiago Virgílio, Juninho Virgílio, Wladimir Garotinho, Edvar Junior, Thiago Rangel, Caio Vianna, Bruno Vianna e Frederico Paes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Juninho e Thiago Virgílio erraram

Primos, o vereador Juninho Virgílio (União) e o ex-vereador Thiago Virgílio lideraram a desmontagem de um protesto na manhã de ontem, no Boulevard Francisco de Paula Carneiro. Os dois erraram. Sobretudo porque um está na Câmara Municipal e o outro, além de já ter estado e hoje presidir o Agir na cidade, é um dos principais articuladores políticos do governo Wladimir Garotinho (PP). Se o protesto contra o abandono do Centro de Campos não tinha autorização e atrapalhava o direito de ir e vir do campista, cabia à Postura, à Guarda Municipal e/ou à Polícia Militar encerrá-lo. Não a partidários ou oposicionistas do prefeito. E ponto.

 

 

Coincidência? (I)

Ainda que tenha errado, necessário registrar a versão de Juninho: “Ligamos para o Edvar Júnior, presidente da CDL-Campos, e ele disse que não sabia ser protesto de nenhum comerciante. Edvar, inclusive, estava reunido naquele momento, de manhã, com o prefeito Wladimir, junto a outros empresários do Centro de Campos, para discutir melhorias para a área. O que deixa claro não ser coincidência, mas fruto de orquestração política: o prefeito debate melhorias com o setor produtivo para o Centro, no mesmo momento em que se promove uma manifestação no Centro?”, indagou o vice-líder do governo na Câmara.

 

Coincidência? (II)

Após a repercussão do episódio da manhã, ruim para o governo, Wladimir gravou e divulgou um vídeo à tarde nas suas redes sociais. Em que disse: “Algumas pessoas que gostam e são parte do governo, revoltados com aquela situação, desmontaram a manifestação que estava sendo feita. Eu, como democrata, respeito todo e qualquer direito à manifestação, que é legítima. Mas quem representa de verdade os comerciantes, quem representa de verdade o Centro da cidade, no mesmo exato momento da manifestação, estava aqui comigo na Prefeitura trabalhando e propondo melhorias para o Centro da cidade”.

 

 

Motivação política? (I)

Em seu vídeo, o prefeito também classificou o protesto como “um ato isolado, de uma pessoa que até conheço, mas não cabe dizer o nome. Até porque essa pessoa já se candidatou a vereador por partidos e grupos contrários ao meu”. Um dos organizadores do protesto no Centro, o comerciante Josias Silva disse que o fato dele ter sido realizado na mesma manhã em que comerciantes discutiam com o prefeito melhorias ao Centro “foi só uma coincidência”. Ele negou qualquer motivação política. Que atribuiu à CDL-Campos: “Orlando Portugal presidiu a CDL e foi para o governo municipal; Marcelo Mérida, idem. Política é na CDL”.

 

Motivação política? (II)

Não há como saber a quem o prefeito se referiu. O fato é que o comerciante Josias Silva foi candidato a vereador pelo PTC (hoje, o Agir de Thiago Virgílio) em 2020, quando apoiou Dr. Bruno Kalil no primeiro turno a prefeito, e Caio Vianna (hoje, PSD) no segundo. Membro da Assembleia de Deus Central, ele disputaria espaço político na igreja com o vereador governista Marcos Elias (PSC). Embora tenha dito que, no momento do protesto de ontem, este fosse composto por “cinco ou seis pessoas”, Josias garantiu à coluna que o movimento seria fruto de 265 moradores e comerciantes do Centro não filiados à CDL, Acic, Carjopa e Sindvarejo.

 

Thiago Rangel

Do varejo ao atacado da política goitacá, na quinta (15) o deputado estadual Thiago Rangel hoje teve o aval do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), por 7 a 0, para sair do Podemos. Segundo ele, sua decisão de concorrer ou não a prefeito de Campos em 2024 dependerá de conversa que terá na próxima semana com o governador Cláudio Castro (PL). Thiago pretende buscar o Republicanos. Mas, Wladimir já se aproximou do partido ligado à Igreja Universal, através do seu presidente estadual, Waguinho, prefeito de Belford Roxo. A intenção do prefeito de Campos seria fechar a entrada do possível concorrente na legenda.

 

Bruno e Caio Vianna

Ontem, quem esteve no Rio para conversar sobre as eleições municipais de 2024 foi o vereador campista Bruno Vianna. Ele se reuniu com o presidente estadual do seu PSD e prefeito do Rio, Eduardo Paes. Especula-se que, se o deputado federal Caio Vianna não quiser disputar a Prefeitura de Campos pelo PSD no próximo ano, Paes poderia querer usar Bruno como substituto. Mas, como o jovem político não se elegeu à Alerj em 2022, tende a optar em 2024 pela tentativa de reeleição a vereador. Por sua vez, Caio disse à coluna: “estou focado no mandato de deputado federal. Em momento oportuno, debateremos a eleição municipal”.

 

Frederico Paes

Ainda sobre a eleição a prefeito de Campos em 2024, daqui a pouco mais de 15 meses, a coluna divulgou na quarta (14) especulações internas no grupo dos Garotinho. Que davam conta do desejo da ex-governadora Rosinha Garotinho ou da primeira-dama Tassiana Oliveira, ambas no União, para vice-prefeita na chapa de Wladimir. Como este já é prefeito, sua mãe e sua esposa teriam as candidaturas vedadas pelo parágrafo 7, artigo 14 da Constituição Federal. Como o prefeito garantiu, seu vice-prefeito, Frederico Paes (MDB) segue mais firme do que nunca. “Só serei candidato a prefeito com Frederico como vice”, repete Wladimir desde 2020.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Fora do Podemos, Thiago Rangel vai definir 2024 com Castro

 

Thiago Rangel, deputado estadual (Foto: Facebook)

Possível candidato a prefeito de Campos em 2024, o deputado estadual Thiago Rangel hoje teve o aval do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), por 7 a 0, para sair do Podemos, sem risco de perder o mandato. Segundo ele disse ao blog, sua decisão de concorrer ou não à Prefeitura no próximo ano dependerá de conversa que terá na próxima semana com o governador Cláudio Castro (PL), aliado do prefeito Wladimir Garotinho (PP), candidato natural à reeleição.

Além de Thiago, foi liberado do Podemos, no mesmo julgamento do TRE, o também deputado estadual Arthur Monteiro. Que agora vai buscar uma nova legenda para concorrer a prefeito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Thiago pretende buscar o Republicanos. Mas, como o jornalista Rodrigo Gonçalves adiantou no último dia 5, Wladimir (confira aqui) se aproximou do presidente estadual do partido ligado à Igreja Universal, Wagner Carneiro, o Waguinho, prefeito de Belford Roxo.

A intenção do prefeito de Campos teria sido fechar a entrada de Thiago na legenda para concorrer a prefeito. Além de isolar o vereador de oposição Anderson de Mattos, do Republicanos e pastor da Universal. Por sua vez, Thiago aposta que conseguiria o partido se demonstrar que sua candidatura à Prefeitura de Campos seria eleitoralmente viável.

 

Uenf terá ônibus para transporte universitário gratuito

 

Jefferson, Lindbergh e Gilberto, ontem, em Brasília (Imagem de vídeo)

 

“A gente vai apresentar, no mandato de Lindbergh (Farias, deputado federal do PT/RJ) uma emenda, em parceria com a Uenf, para a aquisição de um ônibus urbano. A situação do transporte público está tão grave na Uenf, com estudantes chegando atrasados às aulas, dá 21h e não tem ônibus, nos cursos noturnos todo mundo fica dependendo de uber, custos altíssimos. Vamos adquirir um ônibus urbano e fazer uma linha de transporte universitário gratuito”. Foi o que Gilberto Gomes, secretário de Comunicação do PT de Campos e assessor parlamentar da Câmara de Deputados, disse que faria no Folha no Ar da última sexta (9).

 

O ônibus que será adquirido para a Uenf tem como modelo o da UFF de Niterói (Foto: Divulgação)

 

Quatro dias depois, ao lado de Lindbergh e do professor Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF e provável candidato do PT de Campos a prefeito em 2024, foi o que Gilberto confirmou ontem (13), em Brasília. A emenda é no valor de R$ 500 mil e projeção é que a linha passe a operar até o final do ano.

— Estou aqui com o nosso companheiro, o deputado federal Lindbergh Farias, que é historicamente um parceiro da educação em Campos, das universidades em Campos. E eu não poderia deixar de apresentar para a ele essa emenda importantíssima, relacionada à assistência estudantil à Uenf, onde, entre outras coisas, a gente vai fazer a aquisição de um ônibus para transporte universitário. Você sabe que o transporte público de Campos é um problema, né, Lindbergh? — indagou Gilberto ontem em Brasília.

—  Jefferson, você sabe que eu era senador e Gilberto era do movimento estudantil, do DCE (da Uenf). E a gente fez uma emenda em cima do Restaurante Universitário da Uenf. Então, vocês podem contar a gente, aqui em Brasília, agora estamos no governo do presidente Lula. E podem contar com as minhas emendas para ajudar a Uenf. Assim como a gente sempre trabalhou, Jefferson, em relação aos Institutos Federais — lembrou Lindbergh.

—  Posso garantir, deputado, que para o movimento estudantil, duas questões são basilares na assistência: a alimentação, que você fez uma emenda importante para o bandejão da Uenf, e a questão do transporte. E, neste momento, conseguir essa emenda para a Uenf vai fazer com que a nossa juventude universitária exerça o direito de chegar à universidade e desenvolva seu talento, para ajudar o Brasil a se transformar — pregou Jefferson.

— Estou muito feliz de te receber aqui em Brasília, Jefferson, te admiro há muito tempo, e ao Gilberto também, companheiro de muito tempo. E vocês podem estar certos que o Lula sempre olhou pelo Rio de Janeiro. E a gente vai sempre procurar oportunidades de investimentos para Campos, para a área da educação e outras áreas. Temos que pensar o desenvolvimento dessa região — prometeu Lindbergh.

— Recebi um pedido especial do DCE da Uenf, para alinhar através de uma emenda parlamentar do companheiro Lindbergh Farias, a aquisição de um ônibus urbano novinho, para operar um novo programa de assistência estudantil da universidade, o transporte gratuito de estudantes, visando atenuar a grave crise que o transporte público de Campos atravessa. O modelo é similar ao já operado pela UFF, em Niterói. O programa, que ainda terá seu formato e operação desenhado numa comissão entre os estudantes e a Uenf, poderá atender também estudantes se outras universidades públicas que tiverem a Uenf como destino — explicou Gilberto em nota.

 

Confira abaixo o vídeo com os depoimentos de Gilberto, Lindbergh e Jefferson:

 

 

Cobiça pela vice de Wladimir, que debate com o PT e Rafael

Wladimir Garotinho, Frederico Paes, Rosinha Garotinho, Tassiana Oliveira, Rodrigo Bacellar, Eduardo Paes, Rafael Diniz e Jefferson Manhães de Azevedo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Campos e Rio de 2024 no RJ de 2026

Na sua edição de 3 de junho, esta coluna adiantou (confira aqui) sobre a eleição a prefeito de Campos em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 15 meses: “salvo o imponderável, dois nomes hoje parecem certos: Wladimir Garotinho (PP), na tentativa natural de reeleição, e o professor Jefferson Manhães de Azevedo (PT), reitor do IFF”. O debate gerado a partir dali movimentou o tabuleiro político da cidade. Que tem não só as eleições municipais de Campos do próximo ano, mas também a prefeito da cidade do Rio de Janeiro, como ponto de partida para o pleito estadual de 2026. E na definição da vice na chapa de Wladimir uma disputa à parte.

 

Frederico, Bacellar, Rosinha e Tassiana

O próprio Wladimir é categórico: “Só serei candidato a prefeito com Frederico Paes como vice. Em time que está ganhando, não se mexe”. No entanto, vereadores do grupo dos Bacellar passaram a debater o apoio à tentativa da reeleição do prefeito, mas desde que indiquem o vice da chapa. Nessa iniciativa, também estaria embutido um acordo para a próxima eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal, em 2025. Já no grupo dos Garotinho, se especulam para vice a ex-prefeita Rosinha (União), que estaria liberada pela Justiça até outubro de 2024, assim como a primeira dama Tassiana Oliveira (União). Wladimir nega as duas possibilidades.

 

Sarrafo de Rodrigo e Wladimir

O deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL) elevou seu sarrafo desde que passou a ocupar, em 2021 (confira aqui), a secretaria estadual de Governo do governador Cláudio Castro (PL). Que subiu ao se eleger neste 2023 presidente da Alerj. De onde pode mirar a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), ou até a sucessão ao Palácio Guanabara. Se reeleito prefeito de Campos em 2024, sobretudo em turno único, Wladimir também pode subir o seu. E, como representante do interior do RJ, vir candidato numa chapa a governador em 2026. Daí a importância redobrada do seu candidato a vice em 2024. Pode ser o prefeito dois anos depois.

 

Eduardo Paes Rio/RJ

Por enquanto, tudo são só especulações. Mas elas estão no radar do poder no RJ, que Castro não poderá disputar em 2026. E dos dois principais líderes políticos de Campos: Rodrigo e Wladimir. Este, com pais ex-governadores que ainda têm muitos votos na populosa Baixada Fluminense. A depender do sucesso do governo Castro, principal fiador da pacificação entre Garotinhos e Bacellar, seus dois aliados campistas podem ascender no jogo estadual. Daí sua projeção em 2026 passar, em 2024, pela reeleição de Eduardo Paes (PSD) a prefeito do Rio. Como Wladimir, caso Paes se reeleja bem, aumenta suas chances de subir outro degrau.

 

No campo: Jefferson e transporte

Na célebre advertência do gênio Mané Garrincha à preleção detalhada do técnico Vicente Feola, de como o Brasil faria para vencer a União Soviética na Copa do Mundo de futebol de 1958: “O senhor combinou com os russos?” Para todos aqueles que hoje sonham em entrar no campo para brilhar no pleito estadual 2026, há antes as eleições municipais de 2024. Em Campos, Wladimir reagiu à reafirmação da possibilidade de Jefferson ser candidato a prefeito do PT de Campos, por parte do seu secretário de Comunicação, Gilberto Gomes (confira aqui). Assim como às críticas que este fez, no Folha no Ar de sexta (9), ao transporte público do município.

 

Réplica do prefeito

O prefeito foi bem (confira aqui) ao detalhar seus projetos para a mobilidade, para além do transporte público. Mas pagou recibo ao chamar Gilberto de “palpiteiro”. Bem como ao tentar ironizar a possível candidatura petista a prefeito de Campos: “Algum secretário está preocupado em Jefferson ser candidato? Eu desconheço e chego a achar que é uma invenção para ver se cola (risos)”. No grupo de WhatsApp do Folha no Ar e do blog Opiniões, o ex-vereador e secretário de gabinete do prefeito, Thiago Ferrugem (União), tentou contemporizar: “Sobre o professor Jefferson, tem nosso total respeito. E, se for candidato, teremos um debate de alto nível”.

 

Rafael em debate com o PT

O pior erro do prefeito, porém, foi colocar seu antecessor, Rafael Diniz (Cidadania), em um debate com o PT, que não tinha nada a ver com o ex-prefeito. Bem verdade que as deficiências do transporte público de Campos passaram os quatro anos de vacas magras de Rafael sem resolução. Mas vinham desde que a realidade econômica implodiu a passagem a R$ 1,00 dos governos municipais Rosinha. Wladimir disse: “Temos um projeto e está sendo colocado em prática, requer tempo, mas a direção sempre é mais importante do que a velocidade. Não adianta ser afobado, fazer errado, como fez Rafael, e caotizar todo o sistema”.

 

Réplica do ex-prefeito

Se tem evitado o debate político, desde que ficou em 4º lugar na sua tentativa de reeleição a prefeito em 2020, Rafael (confira aqui) dessa vez não se calou: “Essa reação de Wladimir só demonstra que na atual gestão sobra dinheiro e falta coragem. Não tem coragem para encarar os desafios impostos pelo sistema de transporte. Nossa gestão, mesmo sem recursos, dobrou a frota de ônibus na área central e teve coragem para mudar o papel das vans”. O ex-prefeito também provocou o atual sobre Jefferson: “Em 2020, fez de tudo para fugir dos debates comigo. E, agora, deve morrer de medo de debater com alguém capacitado como o professor Jefferson”.

 

A tréplica e os erros

Wladimir fez uma tréplica (confira aqui). Não só a Rafael, como ao ex-procurador-geral deste, José Paes Neto, que tinha debatido com Ferrugem no grupo de WhatsApp do Folha no Ar: “A opinião deles pode ter algum peso depois do desastre que proporcionaram a esta cidade?” Mas reviu sua ironia ao reitor do IFF: “Sobre Jefferson, eu não o critiquei. Ao contrário, disse que ele pode ter futuro no legislativo estadual ou federal”. Foi uma provocação desnecessária de Wladimir a Rafael que gerou, em reação excessiva de Rodrigo, a pior crise entre Garotinhos e Bacellar antes da pacificação. Para que esta se mantenha, necessário não repetir os mesmos erros.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Wladimir fala de Jefferson e questiona Rafael e José Paes

 

Wladimir Garotinho, Rafael Diniz, José Paes Neto e Jefferson Manhães de Azevedo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Rafael Diniz e José Paes? A opinião deles pode ter algum peso relevante depois do desastre que proporcionaram a esta cidade? Campos não tem mais tempo para amadorismo e inexperiência, atributos muito latentes dessas duas figuras”. Foi assim que o prefeito Wladimir Garotinho (PP), candidato natural à reeleição em 2024, reagiu às críticas à sua administração, sobretudo na questão do transporte público. Que foram feitas inicialmente pelo PT de Campos (confira aqui) e depois reforçadas (confira aqui) pelo ex-prefeito Rafael Diniz e seu ex-procurador-geral, José Paes Neto (ambos, Cidadania). Os dois últimos, em resposta a críticas anteriores de Wladimir (confira aqui) ao governo municipal que sucedeu.

Além da tréplica a Rafael e José Paes, Wladimir também voltou a falar da possível candidatura petista à Prefeitura do professor Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF. A quem o prefeito garantiu não ter criticado. Ele ecoou seu slogan “bora trabalhar” e lembrou que a eleição municipal, daqui a pouco mais de 15 meses, ainda está distante:

— Sobre Jeferson, eu não o critiquei. Ao contrário, disse que ele pode ter futuro no legislativo estadual ou federal. Mas que ser lançado na política eleitoral de maneira afobada pode atrapalhar o seu futuro. A mim, cabe continuar trabalhando, e muito, pela cidade. A eleição ainda está muito longe e temos muito por fazer — pregou Wladimir.

 

José Paes lança livro “Direito à Saúde” no Isecensa esta 5ª

 

 

José Paes e seu livro “Direito à Saúde: o papel do município na execução das políticas públicas”, que ele lança às 19h desta quinta, no Isecensa

Advogado e procurador-geral de Campos no governo Rafael Diniz, José Paes Neto usou essa experiência como matéria prima do seu livro “Direito à Saúde: o papel do município na execução das políticas públicas”. Que, pela editora Lumen Juris, ele lança às 19h desta quinta (15), no Isecensa, rua Voluntários da Pátria, nº 230, Centro.

Indagado pelo blog do seu objetivo com o livro, José Paes disse:

— A Constituição Federal de 1988 atribuiu aos municípios grande relevância na organização do Estado Brasileiro. A par das prerrogativas constitucionais que lhes foram conferidas, surgiram inúmeros problemas aos municípios, sobretudo no que diz respeito à escassez de recursos para o custeio das crescentes demandas locais. No campo da saúde, o cenário é ainda mais preocupante, em razão dos problemas administrativos e financeiros experimentados por este ente federado e do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido de reconhecer a solidariedade da União, estados e municípios no que diz respeito à implementação das políticas públicas de saúde. Dentro desse contexto, o presente trabalho tem por objetivo realizar uma análise crítica sobre a implementação das políticas públicas de saúde no Brasil, a partir da ponderação entre os custos relativos a implementação desse direito fundamental, do funcionamento dos entes federados e da distribuição das receitas públicas previstas da Constituição de 1988, bem como dos entendimentos do Poder Judiciário acerca da questão, em especial no que diz respeito à solidariedade federativa para efetivação do direito à saúde, e as implicações jurídicas e administrativas dela decorrentes, sobretudo no que diz respeito aos municípios. Definir a que ente federativo pertence o dever jurídico de concretizar as demandas dos particulares no âmbito do direito à saúde talvez seja tão desafiador quanto o aprimoramento dos parâmetros de controle das políticas públicas entre os poderes. A questão ganha ainda mais relevo quando analisado o papel dos municípios dentro do cenário federativo instituído pela CF de 1988.

 

 

Rafael responde a Wladimir em debate com o PT de Campos

 

Rafael Diniz, Wladimir Garotinho, Jefferson Manhães de Azevedo e Gilberto Gomes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A pouco mais de 15 meses das eleições municipais de 6 de outubro de 2024, esquenta o debate político em Campos dos Goitacazes. Ontem (11), o prefeito Wladimir Garotinho (PP), candidato natural à reeleição, respondeu (confira aqui) a questionamentos do PT de Campos (confira aqui), feitos por seu secretário de Comunicação, Gilberto Gomes, no programa Folha no Ar de sexta (9). Wladimir ironizou a possível candidatura petista à Prefeitura do professor Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF, e respondeu críticas ao transporte público de Campos. Nesta questão, fez também as suas ao antecessor no cargo, o ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania):

— Temos um projeto e está sendo colocado em prática, requer tempo, mas a direção sempre é mais importante do que a velocidade. Não adianta ser afobado e fazer errado, como fez Rafael Diniz (Cidadania), e caotizar todo o sistema. Temos estações de integração sendo construídas, temos bilhetagem eletrônica unificada sendo licitada e onde hoje atuam as vans, devido a um acordo judicial, passarão a atuar micro-ônibus, dando mais conforto aos usuários — detalhou Wladimir.

Citado pelo atual prefeito de Campos, o anterior respondeu:

— Essa reação de Wladimir só demonstra que na atual gestão sobra dinheiro e falta coragem. Primeiro ele não tem coragem para encarar os desafios impostos pelo sistema de transporte. Nossa gestão, mesmo sem recursos, dobrou a frota de ônibus na área central e teve coragem para mudar o papel das vans, inclusive com renovação das frotas — retrucou Rafael.

 

POSSÍVEL CANDIDATURA DE JEFFERSON

O ex-prefeito também entrou na questão política. À Folha FM 98,3, o petista Gilberto primeiro disse sobre uma candidatura de Jefferson ao Executivo goitacá:

— Lindbergh (Farias, deputado federal do PT) esteve aqui (no Folha no Ar de 18 de abril) e falou do quadro não só político, mas técnico que o Jefferson é. Tanto o Wladimir (PP) quanto seus secretários têm se preocupado.

Provocado pelo PT, Wladimir usou da ironia para advertir:

— Algum secretário está preocupado em Jefferson ser candidato? Eu desconheço e chego a achar que é uma invenção para ver se cola (risos). Na verdade, eu tenho preocupação com a pessoa do Jefferson, que até poderia ter um futuro político no parlamento estadual ou federal. Mas a sede de poder do seu partido o deve queimar antes da hora, podendo inviabilizar seu futuro.

Provocado na questão do transporte, Rafael também entrou no debate eleitoral:

— Sobre a eleição, é outro sinal de covardia. Em 2020, ele (Wladimir) fez de tudo para fugir dos debates comigo. E, agora, ao que tudo indica, quer ser candidato sozinho. Deve morrer de medo de debater com um quadro tão capacitado como o professor Jefferson.

 

José Paes, Thiago Ferrugem e Odisséia Carvalho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

DEBATE SE ESPRAIA

Antes mesmo da resposta de Rafael, seu ex-procurador-geral, o advogado José Paes Neto (Cidadania) já havia se pronunciado sobre as críticas de Wladimir à administração municipal anterior, bem como no debate eleitoral a 2024. No grupo de WhatsApp deste blog e do Folha no Ar, ele comentou:

— Sobre o transporte, me parece que o atual governo nunca teve um projeto, apenas um discurso populista, que adiou a implantação dos terminais, iniciada no governo anterior, em 30 meses até agora. Quanto ao professor Jefferson, a reação do prefeito demonstra que as declarações do Gilberto não são tão inventadas assim.

No mesmo grupo de WhatsApp, José Paes foi respondido por outro advogado, Thiago Ferrugem (União), ex-vereador e atual chefe de gabinete de Wladimir. Que fez comparações entre os dois últimos governos de Campos e demonstrou respeito à possível candidatura de Jefferson a prefeito pelo PT:

— No transporte, como diversas outras áreas, o estado de calamidade que o prefeito Wladimir assumiu foi caótico. Os que tinham solução para tudo, deixaram a cidade acabada. Ainda assim avançamos. Ao invés daqueles “terminais da humilhação”, o atual governo está construindo terminais que darão dignidade ao cidadão. Aquelas ruas esburacadas que tornaram Campos capital do buraco no governo anterior, deram lugar a uma cidade que tem obra para todo lado. Temos agora os semáforos inteligentes em substituição a um parque semafórico antigo, dando mais agilidade no trânsito. Muitas ações estão sendo desenvolvidas, para que ao final do atual governo, possamos ter uma cidade melhor daquela que foi herdada. Na campanha, Wladimir nunca disse que seria fácil, mas se comprometeu em dar o seu melhor. Sobre o professor Jeferson, tem nosso total respeito. E, se for candidato, teremos um debate de alto nível — contemporizou Ferrugem.

Em comentário neste blog à postagem com a resposta de Wladimir às críticas feitas pelo PT de Campos, sua presidente, a professora e ex-vereadora Odisséia Carvalho, também se pronunciou:

— Cada partido tem o direito de lançar sua candidatura, que será definida nas instâncias partidárias. Temos excelentes nomes — lembrou a candidata petista a prefeita de Campos em 2020. Que deve concorrer em 2024 a vereadora.