Lula, Haddad, Tarcísio e Bolsonaro aos olhos do mercado

 

Pesquisa Quaest de maio dimensionou política econômica de Lula e Haddad, além de Tarcísio e Bolsonaro, ao olhos do mercado representado no Bolsa de Valores de São Paulo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

O mercado e Lula (I)

O mercado. Em Campos, a referência imediata é ao Mercado Municipal. Cuja revitalização do seu prédio histórico é tão cobrada quanto sonegada. Na verdade, mercado significa qualquer troca voluntária de bens e serviços, em espaço físico ou virtual. Segundo grande empregador de Campos, o comércio vive do primeiro, a Prefeitura. Esses lojistas, como os demais empresários da cidade, também compõem o mercado. Nele, é quase certo que a maioria dos 63,14% de votos válidos que Jair Bolsonaro (PL) teve dos campistas, no 2º turno presidencial de 2022 vencido por Lula (PT), tenha sido ainda maior. Provavelmente, bem maior.

 

O mercado e Lula (II)

Em contrapartida, entre os servidores públicos, como os da Prefeitura, também é quase certo que Lula tenha conseguido no 2º turno de 2022 bem mais do que os 36,86% dos votos válidos dos campistas. E, provavelmente, ainda mais entre os servidores de outros dois importantes empregadores do município e da região: o IFF e a Petrobras. Servidores públicos, de qualquer esfera, sempre estiveram entre os principais nichos eleitorais do PT. Como, entre os principais nichos antipetistas, sempre estiveram os empregadores da iniciativa privada. Que vão muito além do mercado financeiro, sinônimo quase exclusivo de “mercado” a Lula e ao PT.

 

O mercado e Lula (III)

A definição de mercado restrita ao financeiro, não é exclusiva do presidente e o PT. Prova disso foi a pesquisa do instituto Quaest Pesquisa e Consultoria, feita do dia 4 a 8 de maio, com 92 entrevistas em fundos de investimento de São Paulo e Rio, sobre as perspectivas econômicas do governo Lula. Divulgada na quarta (10), revelou cenário bem mais pessimista do que todas as pesquisas feitas em 2023 com o eleitor médio. E, em busca de equilíbrio, foi analisada para a coluna por dois campistas: o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em estatística pelo IBGE; e o especialista em finanças Igor Franco, professor do Uniflu.

 

O mercado e Lula (IV)

Comparada com a pesquisa Quaest de março junto ao mesmo setor, o mercado financeiro demonstrou em maio tendência de queda na avaliação negativa do governo Lula. Ainda assim, se mantém extremamente alta: de 90% aos atuais 86% de negativo. O regular oscilou para cima, de 10% a 12%, com apenas 2% de avaliação positiva. Em contrapartida, melhorou muito a avaliação do mercado financeiro ao trabalho do ministro da Fazenda Fernando Haddad. A positiva cresceu dos 10% de março aos 26% de maio. Ainda majoritária, a negativa oscilou de 38% aos atuais 37%. É mesmo número do regular, mas que era de 52% há apenas dois meses.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O mercado e Lula (V)

Principal motivo de ataque de Lula ao Banco Central independente, diferente do que era em seus dois primeiros governos (2003/2010), a manutenção da taxa de juros Selic em 13,75% é considerada certa para 91% do mercado financeiro. Ainda esmagadora no setor, essa aprovação mostra tendência de queda: era de 95% em março. Para 88%, os juros cairão ainda este ano. O que, para a maior fatia de 34%, deve ocorrer em agosto. Os números são parecidos na avaliação da direção econômica do país: ainda errada para 90% (eram 98% em março) e certa para 10% (eram apenas 2% há dois meses) do mercado financeiro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Igor Franco, especialista em finanças e professor do Uniflu

O mercado e Lula (VI)

“Não é segredo que os agentes do mercado são, majoritariamente, antipáticos ao atual governo. A nostalgia pela postura liberal, pelo menos retórica, do ex-ministro Paulo Guedes, é combinada pela lembrança trágica da recessão do governo Dilma (2011/2016). Durante e imediatamente após o pleito eleitoral, o mercado financeiro entendeu que Lula poderia reeditar o pragmatismo, principalmente, do seu primeiro mandato. Com o início do governo e a reedição de iniciativas que fracassaram há poucos anos, hoje é realista quem qualificam o Lula 3 como uma reedição do pesadelo econômico de Dilma”, avaliou o liberal Igor Franco.

 

William Passos, géografo com especialização doutoral em estatística no IBGE

O mercado e Lula (VII)

“A pesquisa foi feita com representantes de fundos de investimento de São Paulo e Rio. Cuja opinião, no entendimento da Quaest, representa a visão do mercado financeiro. Em comparação a março, houve leve melhora da avaliação econômica do Lula 3. E uma importante melhora da avaliação da atuação do ministro da Fazenda Fernando Haddad, de mais 16 pontos percentuais. A maioria dos ouvidos projeta queda da taxa Selic em agosto, já no início do segundo semestre. A média da nova taxa possível apontada pelos representantes do mercado ficou em 12,47%”, destacou o nacional-desenvolvimentista William Passos.

 

O mercado e Bolsonaro

Da economia à política, a pesquisa Quaest também registrou que o mercado financeiro começa a admitir seu erro eleitoral em 2022. Quando naufragou junto com o então presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem apoiou majoritariamente. E viu se tornar o primeiro presidente da História do Brasil a tentar e não conseguir se reeleger. Diante dos graves problemas jurídicos do capitão e seu entorno, 48% do mercado já vê o governador de São Paulo, Tarcísio Freitas (Rep), ex-ministro de Bolsonaro, como o principal líder da oposição nos próximos quatro anos. Papel que 34% hoje projetam no ex-presidente. O dono da banca também perde apostas.

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Economia, saúde e política goitacá no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vice-prefeito, industrial do açúcar e do álcool e engenheiro agrônomo, Frederico Paes (MDB) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (12), ao vivo, das 7h às 9h da manhã. Ele falará sobre a retomada agropecuária do município, o início da moagem de cana com a reativação da usina Paraíso, o projeto de reabertura do antigo Ceasa, o interesse de empresários chineses por Campos e o Porto do Açu.

Ex-diretor Hospital Plantadores de Cana (HPC), Frederico falará também da Saúde Pública e conveniada do município, e do projeto de abertura de um centro de hemodiálise em Campos, em parceria com o Governo do Estado. Por fim, falará do seu papel na articulação da pacificação entre Garotinhos e Bacellar, tentará projetar as urnas de 2024 e analisará o RJ do governador Cláudio Castro (PL) e o Brasil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Rita Lee, mulher, cultura e Campos no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Cantoras e compositoras de rock em Campos dos Goytacazes, Natália Kurtz e Renata Monteiro são as convidadas do Folha no Ar desta quinta (11), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Elas falarão sobre a vida, a obra e o legado da cantora, compositora e escritora Rita Lee, ícone da cultura brasileira que morreu na noite da última segunda (8), aos 75 anos.

Natália e Renata também falarão das dificuldades e oportunidades à mulher no rock, na música e na cultura. E analisarão os reincidentes casos de agressão contra mulheres e feminicídios (confira aqui) em Campos, município cuja Câmara Municipal tem suas 25 cadeiras preenchidas apenas por homens.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Homem público de Campos viraliza, Rita Lee vive e ensina

 

Rita Lee (Foto: Divulgação)

 

 

Viralizou na rede (I)

Antes da internet, se conhecia o jornalismo responsável, em noticiário e opinião, por sua capacidade de distinguir entre o interesse público e o interesse do público. Assim, um problema de ordem pessoal era geralmente ignorado. Podia ser do interesse do público, mas não era de interesse público. Com as redes sociais, essa distinção acabou. Prova disso, ontem, um fato de ordem pessoal, envolvendo um pretenso homem público de Campos, viralizou imediatamente nas redes sociais goitacá. E chegou até à cidade do Rio de Janeiro, onde o atual padrinho carioca do político campista ficou sabendo. E não gostou.

 

Viralizou na rede (II)

Todas homens e mulheres têm seus problemas pessoais. Como direito à privacidade sobre eles. Desde que, mesmo na desavença, o limite do respeito seja preservado. E que não se deixe esses problemas se desenrolarem fisicamente também na rua. Tanto pior quando isso acontece com pessoas públicas. Cuja vida pessoal sempre foi e será do interesse do público. Mas pode ser também do interesse público. Quando se pede voto, no discurso bem ensaiado, para governar ou legislar pela sociedade. E a prática, filmada e viralizada nas redes sociais, sugere falta de empatia até com o lar de quem deveria ser o mais próximo a qualquer pai.

 

Viralizou na rede (III)

A Folha da Manhã seguirá seus 45 anos na peneira entre o interesse público e o interesse do público. Mas o estrago, independente das distinções do jornalismo profissional, já foi feito no imediatismo sem qualquer filtro das redes sociais. E, certo como o político que só aparece para pedir voto em eleição, nesta surgirão as imagens produzidas na segunda. Numa cidade que tem 25 vereadores e nenhuma mulher, é preciso muito mais do que pedir votos para Lula no segundo turno presidencial de 2022, para se dizer progressista, ter empatia com os pobres, as mulheres e as crianças. É preciso antes dar exemplo, pelo menos, junto aos seus.

 

Rita Lee (I)

Se a segunda-feira serviu à revolta das mulheres de Campos com as imagens viralizadas nas redes, a terça enlutou todos os gêneros do Brasil pela perda de uma grande mulher. Divulgada só ontem, consumada na noite anterior, a morte da cantora e compositora Rita Lee, aos 75 anos, gerou tanto tristeza por sua perda quanto gratidão por sua vida e obra. Que desde a estreia com a banda Os Mutantes, em 1966, passando depois pela Tutti Frutti, antes de abrir carreira solo em 1978, embalou seis gerações com seus sucessos. Desse “tal de rock and roll” às baladas românticas, impossível ser brasileiro e não saber de cor versos das suas músicas.

 

Rita Lee (II)

Ao contrário de homens públicos que pregam uma mudança e fazem outra, Rita Lee mudou o mundo com sua música e atitude. Transgressora sem levantar bandeiras, seu feminismo era o de se permitir viver e cantar o amor e a sexualidade com uma naturalidade que, antes dela, só era permitida aos homens. Nunca se engajou politicamente como um Chico Buarque ou um Caetano Veloso, que a traduziu como a sua São Paulo. Ainda assim, foi a compositora com mais músicas censuradas pela nossa última ditadura militar (1964/1985). Por essa mulher e seu legado, esta coluna abre uma exceção em 45 anos, para ser encerrada em versos:

 

rita

 

no primeiro show

dos rolling stones

vi primeva a rita

no maracanã

 

com a miss brasil

negra qual ovelha

sacou da calça

sua bunda branca

 

sanduíche de gente

dá água na boca

lança perfume

em gregory peck

 

pagu mais macho

que muito homem

louca embalada

por sharon stone

 

é bicho esquisito

todo mês sangra

nem só de cama

ao avessar a mesa

 

rainha mutante

piropa lee jones

dolores do rock

bolero feliz

 

campos, 09/05/23

 

Obras e mobilidade em Campos no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Arquiteto e ex-presidente do IMTT, Renato Siqueira é o convidado desta quarta (10) do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h às 9h, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre as obras realizadas em Campos, em parceria do Governo do Estado com a Prefeitura. Sobretudo da intervenção na av. 28 de Março, principal artéria viária da cidade, com seus equívocos e acertos.

Renato falará também da questão da mobilidade urbana e do transporte público no município. Como ex-integrante do governo Rafael Diniz (Cidadania), analisará este e o atual, de Wladimir Garotinho (sem partido). E da perspectiva do eleitor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), majoritário na cidade, dirá como enxerga os quatro meses do governo Lula (PT).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Ficha Limpa em Campos e 2024 no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-vereador, autor da Lei da Ficha Limpa e bacharel em Direito, Jorginho Virgílio (DC) é o convidado desta terça (09) do Folha no Ar, ao vivo, das 7h às 9h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a redução do afastamento da Lei da Ficha Limpa municipal de oito para quatro anos pela atual Legislatura, à qual também analisará.

Jorginho falará também sobre o caso Ceperj, da pacificação entre os Garotinho e os Bacellar e Rodrigo (PL) na presidência da Alerj. Por fim, ele tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em outubro de 2024, analisará o governo Cláudio Castro no RJ e o Brasil do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Grande vencedor do Oscar de 2023: nada com coisa nenhuma

Este blog tem um grupo de WhatsApp, que divide com o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3. Em tese, teria como objeto sugestões de pauta. Mas acaba servindo mais a debates, de política a futebol. Dos quais todo brasileiro se julga especialista, sobretudo em tempo de eleição e Copa do Mundo, ineditamente reunidas no segundo semestre de 2022. Mesmo quando a visão sobre ambos os temas é estreita e estrita aos antolhos da paixão. Cujo hábito acrítico segue em 2023, a denunciar pelo zurro a condição de muar.

Recentemente, no começo de abril, por sugestão da moderação, o grupo também se abriu a dica e sugestão de filmes. Uma das suas integrantes, a médica Vera Marques, lembrou que já estava disponível na plataforma e streaming Prime Video, da Amazon, o vencedor do Oscar de melhor filme, entregue em 12 de março: “Tudo ao mesmo lugar ao mesmo tempo”, de Daniel Kwan e Daniel Scheinert. A dupla também levou as estatuetas de melhor direção e roteiro original, no total dos sete Oscar que seu longa de ficção amealhou.

Garantia de bom filme, certo? A se considerar o que Hollywood tem se tornado nestas primeiras décadas do terceiro milênio, errado!

No grupo, a jornalista Lívia Nunes fez uma análise curta e polida de “Tudo em todo o lugar ao mesmo tempos”. Do qual destacou seu ritmo “frenético” e o bom trabalho da sua protagonista: a malaia-chinesa Michelle Yeoh. Que realmente está muito bem ao interpretar a dona de lavanderia frustrada Evelyn Quan Wang.  E dignificaria o Oscar de melhor atriz que recebeu. Caso a categoria não tivesse um vício de origem: a poderosa atuação da australiana Margot Robbie, em “Babilônia”, de Damien Chazelle, sequer foi indicada.

Outra jornalista, a Silvana Venâncio resumiu no grupo a ópera do grande vencedor do Oscar de 2023: “assisti e não curti muito”. E pediu a minha opinião. Que, após também assistir, segue abaixo:

 

Não teria chegado ao fim das 2h19 de “Tudo em todo lugar ao mesmo tempo” se não tivesse vencido o Oscar de melhor filme. Na minha opinião, absolutamente imerecido. Filme chato e pretensioso, não convence como comédia, drama ou ficção científica. E Lívia Nunes está certa: seu “frenetismo” é bem estadunidense. De asiático, só a origem do seus principiais intérpretes. Que atuam em inglês, mesmo esteriotipadamente ruim.

Na questão dos universos paralelos, a série Matrix, das irmãs Wachowski, sobretudo o original, de 1999 (disponível na Prime Video e na HBO Max), é bem superior. Nas circunvoluções sobre o próprio umbigo de toada surreal, lembra muito outro filme chatérrimo e pretensioso daquele mesmo ano de 1999: “Quero ser John Malkovich”, de Spike Jonze, disponível na Prime Video.

Neste ano (e universo) de 2023, títulos como “Nada de novo no front”, de Edward Berger, disponível na Netflix; “Elvis”, de Baz Luhrmann, disponível na HBO Max; e “Triângulo da tristeza”, de Ruben Östlund, disponível na Prime Video — entre os que vi e também concorriam a melhor filme —  são ao meu juízo infinitamente superiores.

Todo o blá-blá-blá por vezes ininteligível do multiverso de “Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo” é só pano de fundo para a aceitação da filha lésbica pela mãe, diante do avô conservador. Poderia, lógico, render um grande filme. Mas a obra é parnasiana: o politicamente correto pelo politicamente correto.

O libelo pacifista de “Nada de novo no front”, o multiculturalismo interracial de “Elvis” e o matriarcado da parte final e ilhéu de “Triângulo da tristeza” também são “politicamente corretos”. Mas são, para além disso, bons filmes. “Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo” é filho de nada com coisa nenhuma.

O sucesso na premiação do “Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo” é fruto do niilismo politicamente correto na qual Hollywood está aprisionada há alguns anos. E que, pelo mesmo motivo que nada tem a ver com cinema, já deu o Oscar de melhor filme a outras produções muito abaixo da média, como “Moonlight: sob a luz do luar” (2016), de Barry Jenkins; e “A forma da água” (2018), de Guilhermo Del Toro.

A China de verdade, de Xi Jinping como líder mais longevo desde Mao Tsé-Tung, sem uma única mulher no poder desde a Revolução Comunista de 1949, deve rir de orelha a orelha do que o polo cultural do seu maior adversário econômico e geopolítico premia como “melhor”. E, por trás da ficção de uma China estereotipada na tela de cinema, dá passos cada vez mais largos para superar os EUA na tal da vida real.

 

Confira abaixo os trailers de “Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo”, assim como de três obras bem melhores que concorreram com ele ao Oscar de melhor filme em 2023, “Nada de novo no front”, “Elvis” e “Triângulo da tristeza”:

 

 

 

 

 

Abril da barbárie em Campos dos Goytacazes

 

“O grito” de Edvard Munch e Campos dos Goytacazes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Barbárie no abril goitacá

Infelizmente, os casos de violência têm se tornado rotina em Campos. E ganham contornos cada vez mais bárbaros. Na segunda (24), uma bebê de 28 dias foi levada para o Hospital Ferreira Machado (HFM), com diversas fraturas, inclusive no crânio. Foi arremessada pela própria mãe contra a parede da casa onde moram, na Tapera. A autora, de 25 anos, foi presa no final da tarde do mesmo dia por agentes da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), onde o caso foi registrado. Segunda a avó da bebê, a mãe estava alcoolizada. E, após uma discussão com o padrasto, pegou a criança do colo da avó e a arremessou.

 

Terror de Blumenau a Campos

A violência contra menores e entre eles aterrorizaram o município neste mês de abril. Tudo começou com o massacre numa creche de Blumenau, em Santa Catarina, no dia 5. No qual três meninos e uma menina, entre 4 e 7 anos, foram barbaramente assassinados a golpes de machadinha por um sociopata. No dia 12, fruto da disseminação do ódio a partir das redes sociais, o episódio teve seu primeiro reflexo em Campos. Quando seis menores foram apreendidos e encaminhados à 134ª DP, por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM). Eles entraram na Escola Municipal Amaro Prata Tavares, no Centro, com uma réplica de arma.

 

Facão, machado e coquetel molotov

No dia 13, a coisa foi um pouco pior. Um estudante de 13 anos foi apreendido no final da manhã daquela quinta-feira com um facão, um machado e um coquetel molotov, em Guarus. O adolescente e os pais estiveram na 146ª DP de Guarus, acompanhados por um advogado. De acordo com pessoas ligadas à família, o estudante teria se arrependido da atitude e não chegou a promover a ação. Que chegou a planejar para realizar em uma escola. Por orientação da secretaria estadual de Segurança, com medo ao aumento de casos análogos em território fluminense, a Polícia Civil não se pronunciou sobre o caso.

 

Frequência escolar ferida

Com a propagação dos casos e de notícias na internet, com ameaças de ataques a unidades escolares do município no dia 20, o movimento naquele dia foi relativamente tranquilo. Muito também por conta da mobilização da Polícia Militar e da GCM nas escolas de Campos. Mas o medo causou danos. Uma as escolas que recebeu atendimento das Forças de Segurança Pública, o Ciep 144 Carmem Carneiro, no Parque Eldorado em Guarus, recebeu naquele dia menos da metade do seu fluxo médio de 450 alunos, do ensino infantil ao 9º ano, no período da manhã. A mesma queda na frequência se reproduziu em quase todas as escolas da cidade.

 

Apreensões e prisões

Na segunda (24) um desses disseminadores de terror foi identificado e apreendido. Era um adolescente de 14 anos do município vizinho de Cambuci, de onde difundida ameaças na internet às escolas da sua cidade e municípios vizinhos. Policiais do 36º BPM, de Santo Antônio de Pádua, apreenderam com o menor um notebook, um celular, um tablet e um cartão de memória. Após a onda de ameaças de ataques, uma força-tarefa do governo do Estado do Rio identificou e derrubou 123 perfis de redes sociais que propagavam ameaças, realizou 27 buscas e apreensões, apreendeu 21 menores e prendeu quatro maiores.

 

Contra o ódio, a lei

A violência, infelizmente, é inerente ao ser humano. Manifesta-se numa mãe que fez o que nenhum outro animal seria capaz de fazer: atirar a própria cria recém-nascida contra a parede. Ou num psicopata que entra uma creche e mata quatro crianças a golpes de machadinha. Os dois casos reacenderam no debate popular a adoção da pena capital, que a Constituição do Brasil só prevê em casos de guerra. Curioso é que aqueles que pregam matar para provar que matar é errado são os mesmos que abraçaram a cultura de ódio no país. E agora são contrários à guerra contra esse mesmo ódio, que urge ser travada na regulação das redes sociais pela lei.

 

Da estupidez à arte (I)

Em meio à estupidez que marcou Campos neste mês de abril, nem tudo está perdido. Um dos caminhos para uma sociedade perdida se achar é através da arte. Professor do IFF, o campista Adriano Moura foi um dos 20 autores fluminenses premiados no concurso de contos “Um olhar sobre o amanhã”, promovido pela secretaria estadual de Cultura. O tema foi inspirado na obra do escritor francês Marcel Proust, “Em busca do tempo perdido” e no conceito de escrevivência da escritora brasileira Conceição Evaristo. Além da premiação em dinheiro, o conto “Cheiro de passado”, de Adriano, será publicado numa antologia impressa com os textos vencedores.

 

Da estupidez à arte (II)

Outra prova da pujança cultural do município, o Sarau Cultural será promovido às 19h desta sexta (28), no Museu Histórico de Campos, com entrada franca. Promovido pelo poeta Artur Gomes, com a participação do músico e ator sanjoanense Saullo de Oliveira, terá como objetivo de estar reverenciar no Museu a memória de artistas que marcaram sua passagem em vida pela cidade de forma singular, no teatro, na música, e na poesia, tais como: Kapi, Félix Carneiro, Maria Helena Gomes, Lucia Miners e Yve Carvalho. “É uma honra poder homenagear dois mestres da arte campista, que são o Antônio Roberto Kapi e o Yve Carvalho”, reforçou Saullo.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Por que Lula e seu governo vêm perdendo aprovação?

 

Ao slogan do Lula 3, “O Brasil voltou”, quem voltou foram as pesquisas. Perto do fim do quarto mês do país sob nova direção, não mais para medir intenções de voto, mas de avaliação de governo e do comportamento do presidente. Que revelam uma tendência talvez precoce de perda de popularidade. Inclusive na região Nordeste e entre o brasileiro pobre, com renda familiar mensal até 2 salários mínimos. Foram os dois nichos do eleitorado que deram a vitória apertada, por 1,8 ponto, do petista sobre Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022

Ontem (19), o instituto Quaest divulgou sua pesquisa, feita entre 13 e 16 de abril, com 2.015 eleitores de todo o país e margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos. Que (confira aqui) confirmou a tendência de perda de popularidade de Lula retratada antes nas pesquisas Ipec (antigo Ibope) também de abril e Datafolha de março. Ela sofreu o mesmo processo de análise objetiva que, neste blog e na Folha da Manhã, permitiu antecipar em 2022 o favoritismo de Lula, de Cláudio Castro (PL) a governador e de Romário (PL), a senador. Todos confirmados nas urnas de outubro.

As pesquisas sofreram muitos ataques no processo eleitoral do ano passado, inclusive ameaças de criminalização e censura do Congresso Nacional comandado por Arthur Lira (PP/AL). Que se reproduziram na acefalia das redes sociais e até em alguns analistas mais experimentados da mídia tradicional, que envelheceram para trocar a razão pelo negacionismo. Como a perda de aprovação popular de Lula e seu governo, registrada ontem na Quaest, sofreu ataques vindos da paixão lulopetista, tão mitificadora quanto a produzida pelo bolsonarismo.

Dos “mitos” e a acefalia dos seus crentes à luz da razão, a análise inicial da pesquisa Quaest, feita em parceria com William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE, buscou outros analistas também qualificados. E, para saber como e por que anda este início do Lula 3, colheu as impressões da historiadora Guiomar Valdez, do economista Roberto Rosendo, do sociólogo José Luis Vianna da Cruz, do cientista político Marcelo Viana, do jornalista Cilênio Tavares, da advogada Sana Gimenes, do blogueiro Edmundo Siqueira, do articulador político Luciano D’Ângelo, do ex-prefeito Sérgio Mendes, do reitor do IFF, Jefferson Manhães de Azevedo; do sociólogo Brand Arenari e do radialista José Vitor Silva.

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Guiomar Valdez, historiadora e professora

Guiomar Valdez — “Os resultados negativos nas pesquisas apresentadas dos quase quatro meses do governo Lula 3, incluindo o Nordeste e com o brasileiro pobre, envolveriam um conjunto de fatores, cujos os pesos para estes resultados, infelizmente não ouso apontar, por enquanto. São eles: a) a vitória eleitoral apertada, que chegou, em parte, devido aos ‘não petistas esclarecidos’ quanto à questão da democracia brasileira; b) efeito do 8 de janeiro de 2023, inesperado, mas, para o bem ou para o mal, ocupou um espaço prioritário de ações do governo, cujo efeito justificador já passou; c) reforma do arcabouço fiscal, muito alardeada, mas, sua construção diante dos diferentes atores para negociações e alinhamentos, em especial, na Câmara dos Deputados, onde o governo não tem maioria, alongou o processo de comunicação massiva de forma objetiva e positiva; d) viagem à China + declarações inadequadas + reação dos EUA + meios de comunicação uníssonos da condenação das declarações, soma que criou um ambiente como se estivéssemos nos tempos da Guerra Fria (1947/1991), sem nenhum espírito crítico apurado para apresentar aspectos da crise de hegemonia dos EUA, penso, às vezes, que se impõe um negacionismo ou uma fuga para frente deste fato, na geopolítica e geoeconomia do mundo atual. É mais cômodo resumir tudo numa guerra entre EUA x Rússia, democracia x ditadura, capitalismo x comunismo, aos moldes norte-americanos, do que enfrentar com todo cuidado, todo rigor, com autonomia e independência, essa questão; e) ‘é a economia, estúpido!’, afirmação com a qual concordo plenamente, porque é estrutural em qualquer análise social. E a economia não vai bem, economia é processo.

Em quatro meses, considerando o imbróglio do contexto político brasileiro em que se inicia este governo, não daria para se ter resultados positivos, em especial, para as frações de classes médias e para os brasileiros pobres e miseráveis. E, muito menos, para os eleitores não petistas que votaram em Lula no segundo turno de 2022.

Dessa maneira, compreendo um pouco os resultados negativos das pesquisas apresentadas sobre o governo Lula 3. Sendo honesta e responsável, não posso lacrar com sentenças. A História me impede e não me dá instrumentos de análises suficientes para lacrações em tão curto espaço de tempo. Não sei se o lulismo vai triunfar, não torço para o quanto pior melhor. Mas, que eles (o governo) têm que ter cuidado crítico, ah, isso têm que ter!”

 

Roberto Rosendo, economista e professor

Roberto Rosendo — “Também acho que algumas declarações do Lula têm sido muito inoportunas e infelizes. Também concordo que as expectativas com relação à sua eleição foram muito elevadas e geram frustrações. Já no terceiro mandato, os erros no trato político do Lula surpreendem”.

 

José Luis Vianna da Cruz, sociólogo e professor

José Luis Vianna da Cruz — “Eu não tinha nenhuma expectativa com relação ao início do governo. Porque não dá para dizer que o que está acontecendo é normal, ou natural, em relação a pesquisas anteriores, mandatos anteriores, até em relação ao próprio Bolsonaro ou aos outros mandatos de Lula. Porque é muito atípico, o mandato foi iniciado com uma questão crucial, que foi perspectiva de golpe. Isso absorveu, mobilizou não só as forças do governo, como do Congresso, do Judiciário, da oposição, reativamente; mídia. Foi um começo extremamente atípico, e nós só passamos três meses. Isso ainda está no centro da questão, não é um fato isolado: o que nós vamos fazer com o 8 de janeiro? No STF, agora também no Congresso, com a CPMI. Tudo isso implica em se apropriar do governo, da máquina. Agora temos o caso do general Gonçalves (Dias, que pediu demissão do cargo de ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional de Lula, após ser flagrado em vídeo do 8 de janeiro).

Tem outros fatos que particularizam essa conjuntura do novo governo Lula. A vitória foi apenas por 1,8 ponto. Os derrotados saíram fortes, não só por representarem uma parcela significativa da população: são esses 30% (29% na pesquisa Quaest) que têm avaliação negativa do governo Lula. Isso está consolidado, não é o legado Bolsonaro, é o que já existia antes, Bolsonaro canalizou para ele e a extrema direita conseguiu reunir e transformar numa massa orgânica de sustentação. Foi essa direita que sustentou o governo Bolsonaro e se elegeu (a deputados federais e senadores). Eles são maioria no Congresso, perderam a presidência da República por 1,8 ponto e 30% da sociedade os sustenta. Quem está nessa posição, vai para a ofensiva. O governo Lula começa nesse contexto: reação ao golpe, arrumação e viabilização da capacidade de governar, tendo que lidar com o Congresso.

Tem o fato das promessas, que está na pesquisa e na análise da Folha. As promessas, todas, dependem de regulamentação, dependem de aprovação do Congresso e de estar ajustada a máquina. Finalmente, ‘é a economia, estúpido’, como diria o assessor (James Carville) do Clinton. A questão econômica é mais pesada ainda. É um governo que entra para fazer uma mudança radical na economia, inverter o rumo. E o Banco Central está alinhado com o bolsonarismo, criando obstáculos, para inviabilizar o governo. Que junto com toda a esquerda democrática, ainda está tomando de lavada nas redes sociais.

Na disputa de narrativa, também na grande mídia, há o discurso de que o governo não entregou nada, de que as promessas não estão sendo cumpridas, de que está paralisado, de que está só na questão discursiva do Lula, que realmente merece restrições e reparos na verborragia dele. E como não pode se mexer ainda na economia, nos direitos e tudo mais, por essas razões políticas que eu coloquei e formam um contexto inédito, obviamente que há desgaste. O nó está aí, e é político”.

 

Marcelo Viana, cientista político e pesquisador

Marcelo Viana — “Achei muito equilibrada a análise da Folha da pesquisa Quaest sobre a aprovação popular de Lula e seu governo. Eu particularmente fiquei intrigado com dois aspectos da consulta. O percentual alto de conhecimento e aprovação de medidas adotadas pelo governo neste início. O alto percentual de rejeição às mudanças tributárias da Shein/Shopee: 12%. Seria esse último aspecto o elemento fundamental na piora da avaliação? A conferir nas próximas. Acho que as declarações sobre política internacional têm mais impacto na classe média”.

 

Cilênio Tavares, jornalista

Cilênio Tavares — “Eu ainda acho muito cedo para fazer avaliações, levando-se em conta ser ainda início de governo, mas concordo que Lula anda falando bobagem. Pilhado com assuntos que poderia driblar, sem dificuldade. Dando pitaco em coisas que não lhe competem. Vide os casos Moro e, agora, do empresário brasileiro preso nos Emirados Árabes (Thiago Brennand, com quatro mandatos de prisão expedidos no Brasil por agressão e estupro, e em quem Lula disse que ‘daria um murro’), apenas como exemplos.

 

Sana Gimenes, advogada, socióloga e professora

Sana Gimenes — “Acho que a avaliação da pesquisa Quaest é por aí mesmo. Muita expectativa e necessidade de um povo empobrecido. E muita garganta de um Lula que parece não entender realmente que venceu as eleições por uma margem muito pequena”.

 

Edmundo Siqueira, blogueiro, jornalista e servidor federal

Edmundo Siqueira — “Acredito que parte reflete a parcela do eleitor pró-democracia. E que, vencida essa etapa, embora haja um risco grande da volta da extrema direita, e as coisas se acomodando, tem um olhar crítico ao governo. Talvez esse seja o tamanho real do lulismo hoje, de fato. Mas as oscilações maiores são do “brasileiro médio”. Esse não entende bem, ou quase nada, de Rússia e Ucrânia, não sabe como anda o mandato de Moro e qual o risco de dar evidência política a ele.

Creio que o grosso da queda de popularidade pouco tem relação com as declarações de Lula, mas sim de um sentimento de frustração vindo do imediatismo. Espera-se que uma simples mudança de governo provocará alterações estruturais. E não é assim que funciona. A economia tem seu tempo.

Tem uma vertente que acredita que Lula está derrapando por ansiedade das coisas darem certo. Eu desconfio que ele esteja sendo assessorado mal, por uma turma raivosa e ressentida do PT”.

 

Luciano D’Ângelo, articulador político, matemático e professor

Luciano D’Ângelo — “As pesquisas ajudam a gente a compreender a realidade. Muito embora possa acontecer com elas as avessas do que acontece com as pesquisas eleitorais. Quando o instituto pergunta se o governo Lula está fazendo o que prometeu e não demarca o tempo, principalmente para o eleitor mais desavisado, parece que o Lula tem que cumprir essas promessas em 100 dias. E isso é de uma falsidade muito grande. É uma indução a você responder “não”. É preciso haver um certo destrinchamento das perguntas em relação às respostas. E fazer pesquisa de popularidade com 100 dias, com uma sociedade completamente radicalizada, com um governo que foi assaltado de maneira violenta no dia 8 de janeiro e tem problemas na elaboração das medidas mais emergenciais num Congresso com muita força bolsonarista, não permitia nenhuma perspectiva de resultado positivo em pesquisa para o Lula. E não vai ser em mais 100 dias que esses resultados virão. Provavelmente, eles piorarão. Eu e algumas pessoas com quem converso dentro do PT estamos preparados para muita dificuldade.

Mas por que o Lula anda falando mal do dólar? Essa questão pode ter alguma ingerência no setor que estava contando continuar com uma economia totalmente dolarizada, e daí tirar seus benefícios. Mas essa não é a questão central. Eu até acredito que ele arrancou esses R$ 50 bilhões da China, porque o Biden foi mal. Não entregou nada (quando Lula foi aos EUA em fevereiro), a não ser um apoio à questão democrática, que foi de graça, não custou nada. E o governo Lula precisa de recursos em todas as suas iniciativas para consertar o estrago que foi feito. Eu trabalho o prazo de 1 ano. E, assim mesmo, se o acerto com o Congresso Nacional for propositivo. Caso contrário, nós não teremos pesquisa nenhuma privilegiando o governo do Lula. Por mais que ele se esforce para agradar a parcela mais popular, com medidas assistenciais. Algumas ele até já tomou, como esse plus que deu ao Bolsa Família, com R$ 150 por filho. E algumas outras que não chegaram a ter ainda nenhum tempo de execução.

Fico satisfeito com o fato das pesquisas voltarem, mas preocupado com o nível das perguntas. Que elas se aprimorem e ajudem até o governo a se acertar”.

 

Sérgio Mendes, jornalista e ex-prefeito de Campos

“Uma parte do eleitorado que migrou para o candidato Lula, o fez porque desejava dar um basta na disseminação do ódio, da misoginia, da anticultura, enfim, da deformação do caráter da República. Essa parte hoje não concorda com essa postura revanchista, por vezes desarvorada do presidente; daí a queda na sua imagem pessoal. Quanto a avaliação do governo, é bem verdade que o cenário do Lula 3 é diferente dos anteriores. Porém, construir é fácil. Destruir também. Agora, reconstruir o que foi destruído, penso eu, requer um pouco mais de acuidade e tempo”.

 

Jefferson Manhães de Azevedo, professor e reitor do IFF

Jefferson Manhães de Azevedo — “Sempre digo que estávamos, metaforicamente, em um contexto nacional de uma mar revolto e ventos contrários, especialmente na aérea de educação, ciência e tecnologia. Agora, o mar continua revolto, porém os ares se apresentam mais frescos. Apenas nesses três meses, por exemplo, os recursos para a ciência e tecnologia estão sendo recompostos e as bolsas de pesquisa reajustadas. Houve também a recomposição do orçamento dos Institutos e Universidades Federais, tão duramente prejudicados nos últimos anos. Após seis anos, os servidores públicos tiveram reajustes nos seus salários. Porém, ainda assistimos com perplexidade o quanto a administração pública federal foi desmobilizada em suas ações e aparelhada por uma concepção ideológica autoritária e desrespeitosa com os princípios republicanos e democráticos.

A economia do país veio despencando, especialmente no último ano, com consequências que ainda estamos vivenciando. E que, a meu ver, impacta profundamente na vida e na percepção das pessoas com relação à governança nacional. Levaremos tempo para reconstruir e unir nosso país. Acredito que o presidente Lula esteja com muita vontade de reverter esse quadro herdado de descaso com a vida e as pessoas de maneira mais rápida do que a possível. Há uma indústria de mentiras, potencializadas pelas redes sociais, que estimula e forma uma cultura de ódio e nos divide como nação. Um dos sintomas são os ataques aos espaços escolares. Espaços que deveriam ser de esperança, alegria, aprendizado e solidariedade. Tempos difíceis que exigem o compromisso de todos nós para a construção de uma cultura de paz”.

 

Brand Arenari, sociólogo e professor

Brand Arenari — “Sou bem conservador na análise de pesquisas, no sentido de preferir esperar para ver as coisas. Mas é claramente uma tendência de queda na aprovação popular de Lula. Não despencou, mas é uma tendência de queda. Neste momento, eu atribuiria ao fato de que ele (Lula) gerou muita expectativa, sobretudo no sentido econômico, da volta do consumo das classes populares, e isso não aconteceu. Apesar do salário mínimo ter aumentado, isso é muito pouco para a expectativa que se criou. Acho que há um desgaste de decepção em relação a isso. E é natural, foi uma votação muito apertada e ele vai sangrando um pouco. A minha primeira impressão é essa, mas vamos esperar um segundo momento, se vai manter isso. Uma parte da percepção dessa população mais pobre que ele perdeu, e no Nordeste, talvez não esteja tão ligada assim na política internacional, por exemplo. Talvez isso não tenha contaminado. O desgaste é outro. As pessoas não iam beber cerveja e comer picanha? Cadê a cerveja e a picanha? Não estão ali”.

 

José Vitor Silva, radialista

José Vitor Silva — “Além da queda de popularidade, percebo uma dificuldade na consolidação da base de apoio, principalmente na Câmara, onde Lira quer atuar como primeiro ministro. É preciso trabalhar e ter cuidado para que não sofra uma derrota nas eleições das mesas diretoras como em 2005, com Severino Cavalcanti (político conservador do Centrão eleito presidente da Câmara de Deputados naquele ano, surpreendendo o governo Lula 1).

 

Turismo e política de Campos no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Psicólogo e secretário de Turismo de Campos, Hans Muylaert (PV) é o convidado para encerrar a semana do Folha no Ar nesta quinta (20), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele explicará como pretende reverter o subaproveitamento do turismo no município, questão ligada à preservação do patrimônio histórico goitacá.

Hans também falará da pacificação entre Garotinhos e Bacellar na Câmara Municipal, analisará o governo Wladimir (sem partido) e tentará projetar as urnas municipais de 2024.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Lula perde aprovação até no Nordeste e nos mais pobres

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Fruto das declarações infelizes que tem produzido, tanto em âmbito doméstico (confira aqui) quanto no internacional (confira aqui), como das esperadas dificuldades econômicas herdadas de Jair Bolsonaro (PL), Lula (PT) e seu governo vêm perdendo aprovação popular. Após as pesquisas Datafolha de março e Ipec (antigo Ibope) de abril terem registrado isso (confira aqui e aqui), hoje foi a vez da consulta da Quaest Pesquisa e Consultoria revelar o mesmo movimento. Comparada com a pesquisa de fevereiro, Lula perdeu 4 pontos de avaliação positiva: de 40% aos 36% de abril. E, fora da margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, viu sua avaliação negativa crescer 9 pontos: dos 20% de fevereiro aos atuais 29%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Comportamento de Lula como presidente — Na avaliação regular, o governo Lula cresceu 5 pontos nos dois últimos meses: de 24% a 29%. Os que não sabiam ou não responderam eram 16% em fevereiro, caindo 10 pontos até os 6% de abril. Mas a popularidade de Lula piorou ainda mais quando se trata da avaliação do seu comportamento enquanto presidente. Na qual perdeu 12 pontos de aprovação: dos 65% de fevereiro os 53% de abril. São quase os mesmos 11 pontos que ganhou entre os que desaprovam seu comportamento neste terceiro mandato presidencial. Em fevereiro, eram 29% dos brasileiros. E, em apenas dois meses, cresceram aos 40% de hoje. No mesmo período, os que não souberam ou não responderam oscilaram de 6% a 7%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Nordeste — Em 30 de outubro de 2022, Lula se elegeu presidente por apenas 1,8 ponto de vantagem sobre Bolsonaro: 50,9% a 49,1% dos votos válidos. E, das cinco regiões do Brasil, ganhou o segundo turno em apenas uma: a do Nordeste, que deu 69,34% dos votos válidos ao petista, contra 30,66% do capitão. E a pesquisa Quaest divulgada hoje indicou que o presidente vem perdendo popularidade até no Nordeste. Sua avaliação positiva na região caiu 9 pontos, dos 62% de fevereiro aos 53% de abril. É quase a mesma coisa dos 8 pontos que cresceu na avaliação negativa: de 10% aos atuais 18% dos nordestinos. Entre os quais a avaliação regular do governo também cresceu, mas dentro da margem de erro: de 22% aos atuais 26%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Brasileiro pobre — A pesquisa Quaest não apresentou o recorte, entre as cinco regiões do Brasil, da aprovação do comportamento de Lula como presidente. Mas todas as pesquisas eleitorais de 2022 comprovaram que, tão importante quanto o Nordeste à vitória do petista, foi o voto do brasileiro pobre, com renda familiar mensal até 2 salários mínimos. Ainda majoritariamente lulista, essa faixa socioeconômica, no entanto, registrou queda de 10 pontos à aprovação do comportamento do chefe do Executivo: dos 71% de fevereiro aos 61% de abril. São os mesmos 10 pontos que Lula viu crescer a reprovação do seu comportamento entre os pobres: de 22% aos atuais 32%. Os que não responderam ou não souberam oscilaram de 7% a 8%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“É a economia, estúpido” — Eleito também na promessa de que esse brasileiro pobre voltaria a consumir “picanha e cerveja” no final de semana, como de fato pôde em seus dois primeiros governos, Lula até aqui colhe a frustração da expectativa em seu terceiro mandato de presidente. Quando perguntada em abril se o presidente tem conseguido fazer aquilo que prometeu, a maioria de 55% dos brasileiros respondeu que não, contra 35% de sim e 9% que não souberam ou não responderam. Indagados sobre o principal problema do país, para 31% é a economia, oscilação de 2 pontos em relação aos 29% de fevereiro. Em segundo lugar, as questões sociais tiveram queda real de 7 pontos: de principal problema para 29% em fevereiro, é hoje para 22%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE

Análise do especialista — “Na segunda pesquisa Quaest sobre a avaliação do Lula 3, realizada entre 13 e 16 de abril, ouvindo 2.015 pessoas, há a percepção de piora da qualidade e da capacidade de entrega do governo, assim como do comportamento de Lula como presidente, não apenas entre os eleitores de Bolsonaro em outubro passado, mas também entre os eleitores do próprio Lula. E o determinante desta percepção é a sensação de que a economia não melhorou. Para 31% da amostragem dos brasileiros ouvida, a economia continua sendo o pior problema do país. Dos principais problemas do país, somente as questões sociais melhoraram, na avaliação dos entrevistados, passando a ser um problema para apenas 22% dos brasileiros, contra 29% em fevereiro. Esta melhora está associada ao relançamento do Bolsa Família de R$ 600, aprovado por 77% da população”, avaliou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE.

 

As besteiras que Lula anda dizendo mundo afora

 

Lula, Vladimir Putin, Volodymyr Zelensky e Xi Jinping (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

As besteiras de Lula (I)

A quem votou em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022, como 63,15% do eleitorado de Campos, a má vontade com o presidente Lula (PT) é regra. Mas mesmo entre os 36,86% dos campistas que votaram no petista, sobretudo aos que o fizeram por rejeição a Bolsonaro, incomodam as besteiras que Lula anda dizendo. Que ganharam projeção mundial. Após visitar a China, Lula esteve no domingo (16) em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Onde acusou os EUA e a Europa de darem “contribuição para a continuidade” da Guerra da Ucrânia. E nivelou a invasora Rússia à vizinha invadida: “a decisão da guerra foi tomada por dois países”.

 

As besteiras de Lula (II)

A primeira declaração polêmica de repercussão internacional foi dada por Lula ainda na China. Na última quinta (13), ele defendeu o uso de uma moeda alternativa ao dólar no comércio internacional entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Pode ter sido só uma bravata para agradar os chineses, em guerra comercial aberta com os EUA. Mas o petista desempenhou seu papel como presidente do Brasil em visita ao seu maior parceiro comercial. Trouxe uma tática geopolítica embutida: pois Lula não conseguiu nada de concreto ao Brasil dos EUA, em sua visita anterior, de fevereiro. E trouxe R$ 50 bilhões em acordos com a China.

 

As besteiras de Lula (III)

Até que Lula desembarcou nos Emirados Árabes no domingo. Onde também conseguiu fechar parcerias no valor de R$ 12 bilhões. Mas disse suas besteiras sobre a Guerra da Ucrânia. Não só porque passou do limite na provocação aos EUA, metendo também a União Europeia (UE) no bolo, como por princípio ético universal: colocou no mesmo patamar a agressora Rússia à agredida Ucrânia, como se esta fosse culpada por reagir à invasão armada ao seu território. Em paralelo ao que condena a esquerda identitária que votou em peso na sua eleição, Lula culpou a vítima pelo estupro. Prática, aliás, disseminada entre os soldados russos na Ucrânia.

 

As besteiras de Lula (IV)

As provocações aos EUA e à UE foram ainda mais desastrosas pelo contexto. Lula falou em Abu Dhabi já sabendo que o ministro das Relações Exteriores da Rússia, o experiente Sergey Lavrov, estaria no Brasil na segunda (17). Na qual o principal parceiro de Putin na Guerra da Ucrânia iniciou um tour entre os seus aliados latino-americanos: além do Brasil do Lula 3, as ditaduras de esquerda da Venezuela de Nicolás Maduro, da Nicarágua de Daniel Ortega e da Cuba de Miguel Díaz-Canel, herdeiro dos irmãos Castro. O que, junto à retomada das invasões do MST no Brasil, oferece roteiro perfeito às teorias da conspiração “comunistas” da extrema direita.

 

As besteiras de Lula (V)

Ex-agente da KGB, antigo serviço secreto da extinta União Soviética, quem acredita que Putin é de “esquerda” precisa rever as fotos e vídeos de Bolsonaro babando diante dele, na sua visita à Rússia em fevereiro de 2022. Quando o brasileiro ainda era presidente, em tom politicamente apaixonado, definiu o encontro de “casamento perfeito”. Distinto de Lula nas críticas devidas às ditaduras da Venezuela, Nicarágua, Cuba e Rússia, assim como à Guerra da Ucrânia, a moderna esquerda do presidente do Chile, Gabriel Boric, não deu a menor pelota para Lavrov. E espelhou, no mesmo reflexo latino-americano, como o lulopetismo envelheceu.

 

As besteiras de Lula (VI)

Fato é que as declarações de Lula em Abu Dhabi no domingo, seguidas da visita de Lavrov ao Brasil na segunda, geraram réplicas neste mesmo dia. Tanto os EUA, quanto a UE, deram respostas oficiais e duras ao boquirroto presidente brasileiro. “Repete a propaganda russa e chinesa como papagaio, sem olhar para os fatos”, acusou o porta-voz do Conselho Nacional da Casa Branca, John Kirby. “Não é verdade que os EUA e a UE estejam a prolongar o conflito. A verdade é que a Ucrânia é a vítima de uma agressão ilegal, uma violação da ONU”, retificou o porta-voz para Negócios Estrangeiros e Política de Segurança da UE, Peter Stano.

 

As besteiras de Lula (VII)

Constrangedor assistir à entrevista ao vivo do ex-ministro das Relações Exteriores de Lula, Celso Amorim, hoje assessor especial, à GloboNews na tarde de ontem. Em segredo depois revelado, ele viajou a Moscou em janeiro, para se reunir com Putin e Lavrov. E, questionado por que não foi também à Ucrânia, não teve resposta. Eleito em outubro com apenas 1,8 ponto de vantagem — ou “um espirro de pulga”, na definição do jornalista progressista André Trigueiro —, Lula precisa descer do céu de brigadeiro de 2003, quando assumiu como presidente a primeira vez. Para aterrissar no Brasil e no mundo de duas décadas depois.

 

As besteiras de Lula (VIII)

No mundo virtual de hoje, onde a primeira-dama Janja define se o comércio varejista da China vai ou não ser taxado, pelos prejuízos que causa diariamente ao comércio brasileiro que paga CLT no Brasil, Carluxo apitando no Governo Federal não é monopólio da extrema direita. Após ter a orelha puxada pelos EUA e UE, Lula deu para trás. Ontem, em almoço no Palácio do Itamaraty para Klaus Werner Iohannis, presidente da Romênia, vizinha da Ucrânia, o petista foi obrigado a ler para se redizer: “Ao mesmo tempo em que meu governo condena a violação da integridade territorial da Ucrânia, defendemos a solução política negociada para o conflito”.

 

Publicado na Folha da Manhã.