Lula cai e Bolsonaro cresce em empate técnico no 2º turno

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

No 1º turno de 2 de outubro, nenhum instituto acertou mais do que o MDA Pesquisa. Entre projeção e urna, se distanciou do resultado geral por apenas 1,8 ponto. Hoje, a apenas um dia do 2º turno deste domingo (30), a pesquisa MDA registrou um empate técnico na disputa final, dentro da margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 51,1% de intenções de votos válidos, contra 48,9% do presidente Jair Bolsonaro (PL). Ainda numericamente à frente, a tendência de Lula, no entanto, é de queda, enquanto a de Bolsonaro é de crescimento. Entre as pesquisas MDA de 16 de outubro e hoje, o ex-presidente perdeu 2,4 pontos (53,5% a 51,1%) nos últimos 13 dias, enquanto o atual cresceu os mesmos 2,4 pontos (46,5% a 48,9%). Hoje, na véspera do voto, a diferença entre os dois é quase igual: apenas 2,2 pontos, exatamente a margem de erro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REJEIÇÃO — Índice que define qualquer eleição de 2º turno, a rejeição mostra tendências muito parecidas. E Lula pela primeira vez a lidera numericamente, em outro empate quase exato, na série desde julho da MDA. Só 13 últimos dias, o petista cresceu 3 pontos, de 44% aos atuais 47,3% de brasileiros que hoje não votariam nele de maneira nenhuma. O capitão, por sua vez, conseguiu diminuir de 50% a 47,2% a sua rejeição. E, com a rejeição igual, qualquer resultado final passa a ser possível na urna de amanhã.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ABSTENÇÃO — Além da rejeição, outro fator que deve definir a eleição é a abstenção. Quanto mais alta, mais deve prejudicar Lula, que tem sua maior vantagem sobre Bolsonaro entre o eleitor mais pobre, geralmente sem transporte próprio para chegar ao local de votação. Segundo a pesquisa MDA contratada pela Confederação Nacional de Transporte (CNT), feita de quarta (26) a sexta (29), com 2.002 eleitores ouvidos presencialmente, ainda sem pegar o resultado do debate da noite de ontem na Globo, 94,4% dos brasileiros com certeza irão votar amanhã. É um comparecimento jamais registrado em nenhuma outra eleição no país. No 1º turno de 2 de outubro, houve abstenção de 20,95% do eleitorado, que é historicamente maior no turno final.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “Instituto que mais acertou as urnas do 1º turno, o MDA Pesquisa projeta o encurtamento da distância e a possibilidade de virada de Bolsonaro nesta reta final. Considerando os votos válidos, que são aqueles contabilizados pelo TSE, a diferença, na véspera da eleição, é de apenas 2,2 pontos, com Lula aparecendo com 51,1% e Bolsonaro alcançando 48,9%, dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. A menos de 24 horas para o início da votação, o instituto capta uma onda de crescimento da intenção em Bolsonaro e de queda da intenção em Lula, com a rejeição ao ex-presidente, pela primeira vez, ultrapassando a rejeição a Bolsonaro. No levantamento, 47,3% dos eleitores entrevistados declararam não votar de jeito nenhum em Lula, contra 47,2% dos que declararam não votar de jeito nenhum no atual presidente. Diante destes resultados, a considerar o total das abstenções, que, no 2º turno, é historicamente maior e tende a prejudicar mais Lula, pelo perfil do eleitorado que o prefere, pode-se dizer que a projeção do MDA aponta à possibilidade de reeleição de Jair Bolsonaro amanhã”, concluiu o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatística no IBGE.

 

Sem nocaute de Bolsonaro, Lula vence debate da Globo

 

Entre os assessores de Bolsonaro, seu ex-ministro e ex-desafeto Sergio Moro usou o celular para fazer foto de Lula no debate da Globo (Foto: Reprodução)

 

Só o candidato que está à frente nas intenções de voto se dá ao luxo de não ir a debates. Foi assim com Jair Bolsonaro (hoje, PL) em 2018, quando alongou sua recuperação da facada em Juiz de Fora para evitar debates e se eleger presidente. É assim agora com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à frente em todas as pesquisas para a eleição de domingo, que por isso não foi aos debates do SBT, no dia 21, e da Record, no dia 23. Mas os dois candidatos foram ao da Globo na noite de ontem (28), último debate antes da urna. Onde qualquer candidato que está atrás na corrida precisa vencer por nocaute, para tentar virar no voto. Mas, diferente do debate da Band do dia 17, primeiro deste 2º turno, quando foi dominado por Bolsonaro no último bloco, dessa vez o petista bateu, tanto quanto apanhou. Não voltou a ficar nas cordas, mesmo quando o assunto foi corrupção. Se veio para tirar o adversário do sério, o capitão dessa vez fracassou. Só por isso, se houve empate ou decisão por pontos na troca de acusações travestida de debate, Lula venceu.

SALÁRIO MÍNIMO — O primeiro bloco, com tema livre e 15 minutos de tempo total de cada candidato, começou com Lula batendo, onde mais dói no eleitor pobre, com o qual tem sua maior vantagem sobre o adversário. Perguntou a este por que não deu nenhum aumento real ao salário mínimo em seus quase quatro anos de governo. Bolsonaro alegou que reajustou o vencimento pela inflação. E questionou por que campanha petista estaria batendo na tecla de que seu governo iria acabar com o salário mínimo, horas extras e o 13º do trabalhador, evidenciando que essa ofensiva estava doendo nele. Tanto que promete um novo mínimo de R$ 1.400,00 se reeleito. Lula reafirmou que até aqui não houve aumento, apenas reposição inflacionária e desconversou sobre o questionamento de mentiras nos ataques da sua campanha, dizendo que não via televisão, porque preferia estar com o povo na rua.

ESQUIVA — Bolsonaro falou a verdade quando lembrou que enfrentou a pandemia da Covid e fez o Auxílio Emergencial. Voltou a acusar a campanha petista de mentiras sobre o seu governo com o povo trabalhador e fez a primeira provocação ao ex-presidente, chamando-o para ficar perto dele. Possivelmente para tentar desestabilizá-lo psicologicamente com a proximidade física, como fez com sucesso no debate da Band. Sabiamente aconselhado, Lula não aceitou a provocação, voltou ao seu púlpito e se afastou do centro do palco. Sozinho nele, o presidente da República, cargo mais alto do sistema, reclamou que o sistema estaria a favor do seu concorrente.

COMPARAÇÃO ENTRE GOVERNOS — Lula ironizou o adversário, com a provocação que repetiria várias vezes: “Se você quiser tempo para falar, eu dou para você falar com a sua equipe”. E lembrou que deu aumento real ao salário mínimo, 74% acima da inflação, quando governou o Brasil. Bolsonaro respondeu comparando os valores do seu Auxílio Brasil e o Bolsa Família do PT. O petista alegou que o benefício era apenas um dos programas de proteção social e transferência de renda em seu governo. Do qual lembrou que a média do PIB do Brasil foi de 4% em oito anos, contra 1% de média nos quatro anos de Bolsonaro. Que este voltou a atribuir à pandemia.

ROBERTO JEFFERSON — Quando se gabou da transposição das águas do rio São Francisco no Nordeste, Bolsonaro entrou no tema corrupção pela primeira vez. Acusou o PT de não ter concluído a obra por ter desviado o dinheiro ao bolso. E Lula contra-atacou de pronto, lembrando da compra de 51 imóveis em dinheiro vivo e das rachadinhas da família presidencial. O capitão retrucou: “Você é um bandido! Cadê o Palocci? Cadê o Zé Dirceu?”. O petista lembrou do bolsonarista Roberto Jefferson: “Está escondendo o pistoleiro dele, que recebeu a Polícia Federal a tiros”. Bolsonaro lembrou que, quando deputado federal, Jefferson operou compra de parlamentares no governo Lula, no escândalo que denunciaria e batizaria de Mensalão. Ecoou Padre Kelmon, presidenciável que substituiu Jefferson no 1º turno, ao chamar o ex-presidente de “descondensado”. E classificou as pesquisas que registram sua desvantagem de “fajutas”.

À DISTÂNCIA — Quando o assunto foi a política externa, Lula voltou a atacar as rachadinhas e a compra de imóveis em dinheiro vivo, antes de afirmar: “Ninguém (entre os líderes mundiais) quer te receber, ninguém quer vir aqui. Eu fui recebido pelo presidente da França, pelo chanceler da Alemanha, pelo Parlamento da Europa”. Ao que Bolsonaro respondeu com a provocação de toada neopentecostal: “Vou fazer um exorcismo para você deixar de mentir”. E voltou a tentar intimidar o petista no centro do palco, chamando-o para o seu raio físico de ação: “Fica aqui, rapaz”. Ao que, vacinado pelo debate da Band, o ex-presidente desmontou a tática do adversário. Deu-lhe as costas e respondeu: “Não quero ficar perto de você”.

 

 

SEGUNDO BLOCO — No segundo bloco, quando tinham que perguntar a partir de um tema pré-selecionado, Lula quis escolher a Reforma da Previdência. Como ela não estava na lista exposta no telão, teve que optar pelo combate à pobreza. Nele, o petista lembrou do poder de compra da população em seu governo, em contraste com os 22 de milhões de brasileiros hoje com dificuldades de fazer refeição, para perguntar: “Por que o povo ficou tão miserável depois que ele assumiu o Brasil?” Bolsonaro citou dados na direção contrária, creditando-os ao Ipea, e ficou batendo na tecla dos R$ 600,00 do Auxílio Brasil. Lula listou a perda dos aposentados com a Reforma da Previdência por Bolsonaro em 2019.

RESPEITO OU MEDO? — Quando coube a Bolsonaro perguntar, escolheu o tema respeito à Constituição, Bolsonaro disse que sempre “jogou nas quatro linhas” dela e “matou no peito as decisões mais absurdas”, antes de perguntar se Lula voltaria a apoiar as invasões de terras em áreas rurais pelo MST de José Rainha e João Pedro Stédile, ou de áreas urbanas pelo MTST de Guilherme Boulos (Psol), deputado federal eleito por São Paulo. Em um dos seus melhores momentos, Lula respondeu: “Diz que respeita a Constituição e desrespeita todo dia um ministro da Suprema Corte (STF), xingando, ameaçando. Ofende as pessoas, coisa que um presidente da República não faz (…) Você não tem respeito à Constituição, você tem medo”. E, no direito de resposta que ganhou ao fim do bloco, complementou: “Ele deveria responder, não ficar gritando, berrando. Se comporte como presidente da República, que você ainda o é”.

TERCEIRO BLOCO — O terceiro bloco, novamente com tema livre, Lula começou falando sobre saúde pública. E perguntou a mais dolorosa estatística do governo Bolsonaro: “Como o Brasil tem 3% da população mundial e teve 11% das mortes por Covid no mundo? Por que ficou 45 dias sem comprar vacina?” O capitão respondeu que comprou 500 milhões de dose de vacina, assim que a Anvisa liberou e buscou o elogio do adversário: “Se você tem vacina no braço, agradeça a mim, tá ok?”. O ex-presidente lembrou que o atual fez imitações de pessoas sufocando de falta de oxigênio. O capitão também recordou que o PT preferiu construir estádios para a Copa do Mundo de 2014, no lugar de hospitais. E o petista cobrou: “Diz algo que você fez pela saúde: quantos hospitais, ambulâncias, UBS? Não sabe porque não fez. O que você fez foi atrasar a compra da vacina, 300 mil morreram e você um dia vai responder por isso”.

VIAGRA — Ainda sobre o tema saúde, Lula complementou: “Sabe o que você fez a mais, que você poderia explicar para o povo? Comprou 35 mil caixas de Viagra, para dar para as Forças Armadas. Explica o porquê se o povo não tem sequer fraldão geriátrico para as pessoas mais velhas de idade, que você retirou”. Bolsonaro defendeu que o medicamento é utilizado também para tratamento de próstata. Antes de emendar, numa das suas típicas tiradas de cunho sexual, indagar ao petista: “Você não usa Viagra?”

MULHERES, PASTORES E GEDDEL — Do dinheiro público gasto com a virilidade masculina de militares impotentes às questões femininas, Lula cobrou o corte das verbas federais de combate à violência contra a mulher: “Você tem mulher em casa, explique!” Bolsonaro citou programas do seu governo voltados à mulher e disse que os números de feminicídio caíram. Depois voltou a provocar com corrupção: “Posso até falar palavrão, mas me desculpo e não sou ladrão”. O petista lembrou dos pastores indicados pelo adversário para atuarem no MEC, mesmo sem cargo público. Citou as barras de ouro que eles cobravam de propina para liberação de verbas a prefeitos, e disse que o produto do suborno seria transportado em pneus de caminhão. O presidente contra-atacou com os R$ 51 milhões apreendidos no apartamento de Geddel Vieira de Lima, dizendo que o ex-deputado federal hoje seria coordenador da campanha de Lula na Bahia. E cobrou: “Tem foto do dinheiro do Geddel. Tem foto do caminhão?”

QUARTO BLOCO — No quarto bloco, novamente com perguntas a escolher entre temas pré-definidos, Bolsonaro optou pela criação de empregos, e fez a pergunta. Irônico ou não, Lula disse: “Não entendi nada, ele fala para dentro”. Autorizado pela moderação de William Bonner, o capitão repetiu, sem ter o tempo descontado, pedindo a aprovação do adversário: “No meu governo, entre 2020 e 2021, nós criamos 250 mil empregos por mês. Que tal você me dar os parabéns, agora?” O petista questionou a medição desses empregos, alegando que estariam inflados por trabalho informal, quando no seu tempo só empregos com carteira eram contabilizados. O debate seguiu até Bonner informar ao final que Bolsonaro teria mais 10 segundos. Que o candidato usou para repetir seu lema, copiado do integralismo, adaptação brasileira do nazifascismo nos anos 1930: “deus, pátria, família e liberdade”.

MARINA x SALLES — Na vez de Lula escolher um tema para perguntar, escolheu o meio ambiente: “Até quando vai com sua política de desmatamento dos biomas brasileiros, sobretudo da Amazônia”. Bolsonaro respondeu citando dados que atribuiu ao Inpe, para dizer em rede nacional o que todos os especialistas da área, no Brasil e no mundo, afirmam ser mentira: que em seus quase quatro anos de governo, as queimadas na Amazônia teriam sido em média menores do que nos oito anos do adversário. O petista respondeu: “Ainda bem que trouxe a Marina Silva (Rede, deputada federal eleita em São Paulo) nesse debate e ela foi minha ministra (do Meio Ambiente). Reduzimos o desmatamento da Amazônia em 80%. Desmontamos as madeireiras ilegais e você tinha ministro (Ricardo Salles, PL, também eleito deputado federal em São Paulo) vendendo (madeira ilegal)”.

DEPUTADO FEDERAL? — No quinto e último bloco, os candidatos fizeram suas considerações finais. Lula conclamou o eleitor a votar, não nele, para combater uma abstenção alta que é apontada pelos analistas como a melhor chance de Bolsonaro na urna. Se eleito, o ex-presidente prometeu gerar emprego, distribuir renda e que o povo voltará a comer bem. Pela sua reeleição, o capitão disse: “Se for da vontade de Deus me dar mais um mandato de deputado federal… — e consertou o ato falho — de presidente da República”. E acusou o adversário de querer implantar o aborto e a legalização das drogas no país, pautas que o PT, em 13 anos de governo e com todos os seus erros, jamais colocou em pauta.

DEMOCRATA? — Já encerrado o debate, último da eleição, o capitão foi questionado pela jornalista Renata Lo Prete, da Globo, se respeitaria o resultado da votação, ganhe ou perca. O presidente respondeu “Não há a menor dúvida, quem tiver mais voto leva. É isso que é democracia”. A declaração seria absolutamente normal em qualquer outro presidente da História do Brasil. Mas, sem condicionantes de “eleições limpas”, mesmo sem nunca apresentar nenhuma prova de sujeira, não é o normal de Bolsonaro. O mais comum veio na coletiva após o debate, quando um jornalista afirmou ser mentira que a visita de Lula ao Complexo do Alemão no dia 12 teria sido organizada por traficantes. O presidente abandonou a entrevista irritado. E deixou o senador eleito Sergio Moro (União/PR) falando sozinho por ele.

 

 

Por que votarei em Lula neste domingo?

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Hoje, faltam exatos dois dias para a urna do domingo, 30 de outubro. E penso ser um bom espaço de tempo para declarar publicamente meu voto no 2º turno a presidente da República. Que se resume à minha opção enquanto cidadão em busca de representação, sem a menor interferência na minha atuação profissional enquanto jornalista, radialista e diretor do Grupo Folha de comunicação. Mas penso ser justo com quem me lê, ouve e vê, saber que tipo de indivíduo político sou.

Dada a polarização por vezes violenta desta eleição, que a distingue de todas as outras desde a redemocratização do Brasil, e habitando numa cidade que se revelou majoritariamente bolsonarista nas urnas de 2 de outubro, mais fácil seria não assumir posição contrária a esse juízo. Mas democracia, desde a sua criação na Grécia Antiga, não é ou deve ser fácil. Como o jornalismo, exige contraditório. O regime que encara a vontade do governante de plantão, ou da maioria que o levou ao poder pelo voto, como se fossem a de um imperador ungido por direito divino, é ditadura. Tenho 50 anos, nasci, passei a me entender como gente e guardo boa lembrança da nossa última, entre 1964 e 1985, à qual não quero regressar. Nem o farei passivamente.

Por isso votarei em Lula, nº 13, a presidente neste domingo. Diferente de quem o fará ou não, no delírio de eleger um imperador, meu voto não é um cheque em branco. Não nubla todas as críticas que tenho ao líder petista e, sobretudo, ao PT. Mas julgo Bolsonaro o pior governante que o Brasil já teve em seus 200 anos de país independente. Tão incompetente quanto Dilma na condução econômica, considero seu atual sucessor um ser humano muito, muito pior; abjeto mesmo. Recusaria convívio social com qualquer pessoa capaz de imitar pessoas morrendo por falta de ar, enquanto a pior pandemia dos últimos 100 anos sufoca até à morte mais de 688 mil brasileiros, 400 mil deles de maneira absolutamente desnecessária. Tanto pior quando essa pessoa deveria liderar meu povo e meu país, não ser aliado doloso do vírus.

Votarei em Lula porque ele foi a única opção a Bolsonaro oferecida neste 2º turno pela vontade soberana dos meus semelhantes em língua, cultura e nação. Votarei em Lula porque meu juízo racional é de que ele fez dois governos, sobretudo o primeiro, muito melhores do que o de Bolsonaro. Votarei em Lula porque ele é a opção que restou da Nova República, minha contemporânea, que não quero ver retroceder à República Velha, onde os patrões se sentem no direito de ditar os votos dos empregados. Votarei em Lula porque nele votarão os pais do Plano Real, a partir do qual o brasileiro pobre pôde colocar proteína animal em sua dieta, primeiro com o frango de Fernando Henrique, depois com a “picanha” de Lula. Votarei nele pelo meu irmão que hoje voltou a buscar no lixo para ter o que comer. Votarei na certeza de que meu voto, meu direito e minha fome não são superiores aos dele.

Votarei em Lula porque não acredito que quem vota em Bolsonaro seja, apenas por isto, “fascista” ou “gado”. Votarei em Lula porque enxergo uma eleição apertada no domingo, que Bolsonaro pode vencer, a depender da abstenção, da ampliação da sua vantagem na região Sudeste e do debate de hoje à noite na Globo. Votarei em Lula porque nunca vi o Brasil descer tão baixo quanto na sua representação como república amarela de bananas, no funeral da rainha Elizabeth II, em Londres; ou na comemoração da padroeira do nosso país no último dia 12, em Aparecida. Votarei em Lula porque creio na advertência de Cristo aos “falsos profetas” que hoje vejo em fariseus neopentecostais, mercadores da fé por isenção fiscal. Votarei em Lula pelo mais laico dos motivos, porque acredito que qualquer democracia se baseia no equilíbrio dos Poderes. Votarei em Lula porque a razão deve desejar um Executivo “de esquerda”, que jamais foi “comunista”, sendo nivelado pelo novo Congresso conservador eleito em 2 de outubro. Votarei em Lula contra um Orçamento Secreto que faz do Mensalão e do Petrolão uma gorjeta.

Votarei em Lula porque na única vez em que o fiz antes, no 2º turno de 1989, o vencedor foi Fernando Collor de Mello. Que hoje é aliado de Bolsonaro. Votarei em Lula porque me lembro bem da face e dos motivos de quem votou em Collor, há 33 anos. E do resultado daquele voto. Votarei em Lula porque não aceitarei que o resultado onipotente do voto popular, que a todos iguala, não seja igualmente aceito, independente de quem for eleito. Votarei em Lula para que essa história de “golpe”, tão recorrente nos últimos quatro anos, volte a ser só uma piada sem graça das “vivandeiras alvoroçadas”.

Votarei em Lula porque, mesmo que ele perca, quero ser olhado pela História não por ter estado do lado certo, mas contra aquilo que todos os meus valores humanos mais caros gritam estar errado. Votarei em Lula por compreender que a vida, o voto e os governos são muito mais complexos do que certo ou errado. Votarei em Lula porque sei que o mundo não se resume a mim.

 

A três dias da urna, Lula cresce vantagem sobre Bolsonaro

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Divulgadas na tarde de hoje, a exatos três dias das urnas de domingo, as pesquisas AtlasIntel e Datafolha confirmaram a tendência desta última semana antes do voto: dentro da margem de erro, cresce a vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o presidente Jair Bolsonaro. Na AtlasIntel, nos últimos três dias (de 24 a 27), Lula oscilou levemente para cima, de 53% a 53,2% dos votos válidos; e Bolsonaro para baixo, de 47% a 46,8%. Na Datafolha, nos últimos oito dias (de 19 a 27), Lula também oscilou para cima, de 52% a 53% dos votos válidos; e Bolsonaro também para baixo, de 48% a 47%. Em crescimento, a diferença entre os dois hoje é praticamente a mesma nas duas pesquisas: de 6,4 pontos na AtlasIntel, e de 6 pontos na Datafolha.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REJEIÇÃO — Considerada fundamental à definição de qualquer eleição de 2º turno, a rejeição segue liderada pelo capitão. Na AtlasIntel, Bolsonaro tem hoje imagem negativa para 53% dos brasileiros, contra os 47% que têm imagem negativa de Lula. Ambos reduziram 1 ponto em relação à AtlasIntel de 24 de outubro, três dias atrás. Já na Datafolha, são 50% os que não votariam de maneira nenhuma em Bolsonaro, contra 45% de Lula. São números de rejeição exatamente iguais aos que os dois candidatos tinham na Datafolha de 19 de outubro, o que configura a estabilidade. A margem de erro de 1 ponto para mais ou menos na AtlasIntel, 2 pontos na Datafolha.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “Com metodologias e margens de erro diferentes, a Datafolha, que acertou as urnas do 2º turno das eleições presidenciais de 2014 e 2018, e o Instituto Atlas, que atua com pesquisas eleitorais em outros países e teve a segunda maior taxa de acerto das urnas do 1º turno, apontam para o aumento da vantagem da intenção de voto em Lula, na contramão da semana passada. A três dias para as urnas do 2º turno, os dois institutos dão o mesmo resultado nos votos válidos, considerando o arredondamento dos números. Na Datafolha, que trabalha com entrevistas presenciais na rua, Lula aparece com 53%, contra 47% de Bolsonaro. Em relação ao levantamento do dia 19 de outubro, a vantagem do ex-presidente aumentou de 4 para 6 pontos. No Instituto Atlas, que trabalha com websurvey, entrevistando os eleitores a partir de questionários aplicados pela Internet, a vantagem do petista aumentou de 6 para 6,4% em relação ao levantamento divulgado na última segunda, 24 de outubro. Agora, o ex-presidente aparece com 53,2% das intenções, contra 46,8% de Bolsonaro. Três dos principais institutos de pesquisas do país, a Datafolha e a Atlas de hoje, mais a Quaest divulgada ontem, que também apontou 53% a 47% a favor de Lula nos votos válidos, convergem na vantagem de 6 pontos em favor do ex-presidente”, comparou o explicou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatística no IBGE.

 

Bispos de Campos, religião, política, Lula e Bolsonaro nesta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Campos tem a singularidade de ter dois bispos da Igreja Católica Romana. Um diocesano, o progressista Dom Roberto Ferrería Paz, e um da Administração Apostólica São João Maria Vianney, o conservador Dom Fernando Rifan. Os dois são os convidados para encerrar a semana do Folha no Ar nesta sexta (28), ao vivo a partir das 7h10, na Folha FM 98,3.

Dom Roberto e Dom Fernando falarão sobre o uso da religião na política do Estado laico, como nas comemorações de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, no último dia 12. Analisarão os ataques sofridos ali e depois por sacerdotes da Igreja Católica e a palavra do Papa Francisco, pedindo ontem (26) que o povo brasileiro se “livre do ódio, intolerância e violência”.

Por fim, os dois bispos católicos de Campos analisarão as eleições a deputados na região, bem como sua correlação com a eleição da Mesa Diretora do Legislativo goitacá, que tem que acontecer até 15 de dezembro. E projetarão a disputa entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) na decisão soberana do voto popular neste domingo.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Lula lidera na decisiva MG, mas 0,4 acima do empate técnico

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Quem ganha em Minas Gerais, leva de brinde o Brasil. Nas eleições presidenciais por voto direto, a última exceção à regra foi em 1950. Quando Eduardo Gomes levou em Minas, mas perdeu a presidência do país para Getúlio Vargas. Depois dele, há 72 anos, mais ninguém. Divulgada hoje, a três dias da urna do domingo, pesquisa o instituto mineiro Quaest revelou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 52,2% dos votos válidos, contra 47,8% do presidente Jair Bolsonaro (PL). A diferença de 4,4 pontos entre os dois está a apenas 0,4 ponto acima do empate técnico, no limite da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

COM ABSTENÇÃO E SEM — A abstenção do eleitor é apontada por todos os analistas como um dos fatores que determinará o 2º turno presidencial. E o Quaest foi o primeiro instituto a tentar projetar essa abstenção, a partir da introdução do filtro “likely voter” (“provável eleitor”) em suas pesquisas do 2º turno, onde a certeza do ato de votar conta sobre a intenção de voto. Sem ele, a vantagem de Lula sobre Bolsonaro em Minas é maior. Na consulta estimulada, o petista tem hoje 45% de intenções de voto, contra 40% do capitão, com 8% ainda indecisos e 7% que disseram que votarão nulo, em branco, ou que não votarão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REJEIÇÃO EM MINAS — Também considerada fundamental à definição de qualquer eleição de 2º turno, a rejeição segue sendo liderada por Bolsonaro entre os mineiros. Hoje, 49% não votariam de maneira nenhuma no presidente, contra 44% que não votariam em Lula. Comparadas as duas últimas pesquisas Quaest em Minas, de 26 de setembro, ainda na disputa do 1º turno, e a de hoje, o petista oscilou para baixo rejeição: tinha 45% e hoje tem 44%. Bolsonaro, no entanto, conseguiu tirar 7 pontos no índice negativo: de 56% a 49%. A diferença na rejeição entre os dois candidatos, que era de 11 pontos há um mês, caiu aos 5 pontos de hoje.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

SEM APOIO DE ZEMA — Nas urnas mineiras do 1º turno, Lula venceu Bolsonaro por 48,29% a 46,6% dos votos válidos. Reeleito governador de Minas no 1º turno naquelas mesmas urnas, Romeu Zema (Novo) liquidou a fatura com 56,18% dos votos válidos, contra 35,08% do seu principal adversário, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSB). Kalil teve apoio de Lula, enquanto Zema, ciente da vantagem do ex-presidente entre os mineiros, manteve sua toada antipetista na campanha, mas não manifestou apoio na eleição presidencial.

COM APOIO DE ZEMA — A posição de Zema mudou já no dia 3 de outubro, primeiro da disputa do 2º turno presidencial, quanto o governador mineiro reeleito declarou seu apoio a Bolsonaro. O que acendeu o sinal amarelo na campanha de Lula. De lá para cá, Bolsonaro já foi a Minas em campanha cinco vezes. A pesquisa Quaest de hoje, no entanto, indica que o apoio do popular governador aumenta as chances de votar em Bolsonaro só para 26% mineiros, contra 68% dizendo que não importa, 6% dizendo que influencia contra e 3% que não souberam ou quiseram responder.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “Em Minas, onde todos os presidentes eleitos democraticamente venceram, com exceção de Getúlio Vargas, Lula abriu 5 pontos na estimulada: 45% a 40%. E por 6 pontos no interior, em 45% a 39%, onde se concentra cerca de 70% do eleitorado mineiro. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Bolsonaro empata numericamente com Lula, por 42% a 42%. Só na capital mineira, o presidente está numericamente à frente, por 43% a 40%; mas dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Para 91% dos eleitores mineiros, o voto está consolidado, o que significa possibilidade de mudança do voto para somente 9% dos eleitores. Nos votos válidos dos “likely voters”, a vantagem de Lula é de 52,2% a 47,8% entre os eleitores mineiros com maior probabilidade de comparecimento no domingo. Indicador fundamental para a definição da vitória no 2º turno, a rejeição entre os dois candidatos está fora da margem de erro, com 49% dos mineiros que não votarão em Bolsonaro de jeito nenhum, contra 44% que rejeitam Lula”, analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE.

 

Lula e Bolsonaro sob análise no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Analista político e defensor do pensamento liberal no RJ e no país, Ricardo Rangel é o convidado do Folha no Ar nesta quinta (27), ao vivo a partir das 7h10, na Folha FM 98,3. Ele analisará as eleições de 2 de outubro a deputados, senador e governador no estado do Rio de Janeiro.

Por fim, Ricardo tentará projetar, a partir das pesquisas eleitorais (confira aqui e aqui) e da expectativa do debate desta sexta (28) na Globo, o 2º turno de domingo (30) entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Lula amplia sobre Bolsonaro, mas cai com a abstenção

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Em duas pesquisas divulgadas hoje, feitas já após o criminoso episódio do bolsonarista Roberto Jefferson (PTB) no domingo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou tendência moderada de crescimento da sua vantagem sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL), a apenas quatro dias da urna de 30 de outubro. Na pesquisa Quaest, o petista oscilou 1 ponto para cima na consulta estimulada, passando de 47% a 48% das intenções de voto nos últimos sete dias, nos quais Bolsonaro ficou estagnado em 42%. Na pesquisa PoderData, o crescimento de Lula também foi de 1 ponto, passando de 52% a 53% das intenções de voto válido no mesmo período de sete dias, no qual Bolsonaro também perdeu 1 ponto, de 48% a 47%. Nas duas pesquisas, com metodologias diferentes, a diferença é igual: 6 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

COM ABSTENÇÃO, VANTAGEM DE LULA CAI — Apesar da discreta subida na reta final, o filtro “likey voter” (“provável eleitor”) introduzido pela Quaest neste 2º turno, prova como a abstenção pode prejudicar o petista neste domingo, como têm alertado todos os analistas. Com a certeza do ato de votar contando sobre a intenção de voto, Lula oscilou para baixo, de 52,8% a 52,1% dos votos válidos; enquanto o capitão oscilou para cima, de 47,2% a 47,9%. A diferença de 6 pontos entre os dois cai a 4,2 pontos — apenas 0,2 acima do empate técnico no limite da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REJEIÇÃO — Considerada decisória em qualquer eleição de 2º turno do mundo, a rejeição não segue apenas liderada por Bolsonaro. Nos últimos sete dias, ele cresceu fora da margem de erro na medição do índice negativo pela Quaest. Em 19 de outubro, o capitão tinha 46% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, número que hoje é de 49%. Por sua vez, Lula se manteve com 43% de rejeição nos últimos sete dias.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Renato Dolci, cientista político e mestre em Economia pela Sorbonne

IMPACTO DA FALA DE GUEDES SOBRE SALÁRIO MÍNIMO — Além do episódio com o bolsonarista Roberto Jefferson no domingo, quando disparou 50 tiros de fuzil e lançou três granadas sobre quatro policiais federais que foram prendê-lo, por descumprir as normas da prisão domiciliar, outros fatores podem ter influenciado no aumento de 3 pontos da rejeição ao capitão. “O repique de rejeição eleitoral de Bolsonaro cresce acima da margem, após a fala de Paulo Guedes sobre salário mínimo — quando o ministro da Economia disse na quinta (20), pretender desindexar o reajuste do salário mínimo e das aposentadorias pela inflação —, que foi um dos maiores motivos da ‘ressaca‘ de Bolsonaro nas redes sociais”, lembrou o cientista político Renato Dolci, mestre em Economia pela Sorbonne.

Rodolfo Costa Pinto, cientista político e coordenador do PoderData

IMPACTO DOS TIROS E GRANADAS DE JEFFERSON — Mesmo que não tenha medido a rejeição em sua pesquisa, o PoderData considerou o violento episódio do aliado Jefferson como negativo a Bolsonaro na opinião pública. “Ainda vejo um cenário de estabilidade. As variações foram dentro da margem de erro. Pode ser um efeito direto do episódio envolvendo Roberto Jefferson, muito explorado pela oposição ao presidente e com grande exposição na internet e na mídia tradicional, sobretudo na 2ª feira, bem no meio da realização da pesquisa. Não se pode dizer isso de maneira definitiva, mas foi o único fato com potencial para ter impacto nos resultados”, analisou o cientista político Rodolfo Costa Pinto, coordenador do PoderData.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ABSTENÇÃO, VOTO BRANCO E NULO — “A apenas quatro dias da urna, Quaest e PoderData utilizam metodologias, amostragens e margens de erro diferentes. Enquanto a Quaest trabalha com entrevistas presenciais domiciliares, amostragem de 2 mil eleitores e margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, a PoderData utiliza entrevistas telefônicas, amostragem de 5 mil eleitores e margem de erro de 1,5 ponto. E por diferentes ângulos, Quaest e PoderData apontam estabilidade do cenário eleitoral, com aumento da vantagem de Lula, dentro da margem, nos votos totais, mas redução da vantagem entre os eleitores que provavelmente comparecerão às urnas, já considerando o padrão histórico da abstenção. Na medição da Quaest, o voto está cristalizado e consolidado para 92% dos eleitores, o que significa possibilidade de 8% dos eleitores habilitados ainda mudarem o voto até domingo, caso compareçam às urnas. Importante destacar que, por concentrar maior diferença de intenção de voto entre o eleitorado com menor renda e menor escolarização, o efeito do não comparecimento às urnas de domingo tende a prejudicar mais Lula e beneficiar mais Bolsonaro. Considerando o padrão histórico, cerca de 22% dos eleitores deverão faltar no domingo, enquanto a soma dos brancos e nulos deverá girar em torno dos 8%, mantidas as taxas observadas nas eleições anteriores”, projetou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE.

 

Lula e Bolsonaro nas pesquisas após Roberto Jefferson

 

Lula e Roberto Jefferson abraçado a Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Lula bem ou pouco à frente?

Três das quatro pesquisas eleitorais de segunda (24) e terça (25) indicam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) largou bem nesta última semana antes da urna de 30 de outubro, daqui a apenas quatro dias. Nos votos válidos (excetuados os brancos e nulos), o petista apareceu com os mesmos 53% a 47% do presidente Jair Bolsonaro (PL), nas pesquisas AtlasIntel de segunda e na Ipespe de terça. A vantagem de 6 pontos chegou a 8 na pesquisa Ipec (antigo Ibope) de segunda: 54% a 46%. Só na pesquisa Paraná de terça, os dois candidatos apareceram com diferença desprezível: Lula 50,2% a 49,8% Bolsonaro, apenas 0,4 ponto.

 

0,4 ponto = R$ 2,7 milhões?

Pelas pesquisas AtlasIntel, Ipec e Ipespe, o favoritismo de Lula parece claro. Pela Paraná, não há favoritos. Pesa a favor da Paraná o fato de ter sido o terceiro instituto que mais acertou no 1º turno, quando errou o resultado geral da urna por 2,3 pontos. Mas ficou atrás do AtlasIntel, segundo instituto que mais acertou no 1º turno, apenas 2 pontos distante do resultado geral. E a vantagem de Lula a Bolsonaro foi a mesma na AtlasIntel e na Ipespe: 6 pontos. Ficou 2 pontos atrás dos 8 registrados da Ipec. Ademais, pesam contra a Paraná e sua diferença de 0,4 ponto os R$ 2,7 milhões que o instituto recebeu este ano do PL, partido de Bolsonaro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Roberto Jefferson (I)

Além das pesquisas, cuja vantagem de Lula só é desprezível no instituto que fechou contrato milionário com a legenda do presidente, a campanha deste abriu a semana derradeira à urna com um fato muito negativo. A conversão do regime domiciliar ao fechado na prisão do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) parecia certa depois que ele rompeu as proibições do Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou na sexta (21) um vídeo nas redes sociais. E nele proferiu os ataques mais sórdidos contra a ministra do STF Cármen Lúcia. Advogado criminalista, Jefferson sabia melhor que ninguém a consequência: seu retorno à cadeia.

 

Roberto Jefferson (II)

Jefferson ganhou fama nacional em 2005, quando denunciou o Mensalão do PT, do qual confessamente participou. Cassado naquele ano do seu sexto mandato de deputado federal pelo RJ, sobreviveu da função de presidente do PTB, partido protagonista do país nos anos 1940 e 1950, com o ex-presidente Getúlio Vargas. Após descobrir um câncer no pâncreas em 2012, Jefferson entrou em processo de depressão. Ressurgiu ao gravar uma live de apoio a Bolsonaro, em 2020. Desde então, representava a face mais tresloucada do bolsonarismo, em aparições virtuais armado de fuzil e estimulando abertamente a violência política.

 

Roberto Jefferson (III)

Por conta de suas violentas ameaças contra as instituições democráticas e seus representantes, Jefferson foi preso em agosto 2021, por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, no inquérito das milícias digitais. Em 24 de janeiro deste ano, Moraes relaxou o regime em prisão domiciliar, para tratamento de saúde. Amante de ópera, Jefferson parece ter armado o seu ato final ao atacar Cármen Lúcia como ministra do STF e em sua honra de mulher na sexta. Para depois atirar três granadas e 50 tiros de fuzil contra os quatro policias federais que foram prendê-lo no domingo, ferindo dois, uma mulher entre eles.

 

Roberto Jefferson (IV)

A Polícia Federal não reagiu segundo o lema bolsonarista “bandido bom é bandido morto”. E negociou por oito horas a rendição. Para tanto, chegou a permitir a inusitada intermediação do Padre Kelmon, “padre de festa junina” na definição da senadora Soraya Thronicke (União/MS), quando substituiu Jefferson como candidato a presidente do PTB no 1º turno, em apoio a Bolsonaro. Apoiadores igualmente radicais, como os deputados federais Daniel Silveira (PTB) e Otoni de Paula (MDB), chegaram a convocar militantes bolsonaristas para apoiar como “herói” e “patriota” quem tentou matar quatro policiais federais no cumprimento do dever.

 

Roberto Jefferson (V)

Como prova de que a desvantagem do presidente nas pesquisas começa a se refletir nas redes sociais que antes monopolizava, a reprovação popular nelas fez com que o circo fosse desarmado. O sinal amarelo também viria com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP/AL). O poderoso aliado de Bolsonaro condenou publicamente a tentativa de homicídio de quatro agentes da Polícia Federal pelo bolsonarista. Só depois de derrotado na guerra virtual e da política real, mesmo após mandar seu ministro da Justiça tentar resolver os 50 tiros pela culatra de Jefferson em sua campanha, o capitão capitulou: “Quem atira em policial é bandido”.

 

Bolsonaro em Campos, RJ, MG e SP

Pelo que ser viu nas redes sociais de Campos, o episódio Jefferson não deve tirar eleitores que já eram de Bolsonaro. Muitos estarão presentes na carreata bolsonarista na manhã de hoje pela cidade, na qual o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) recebe o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador Cláudio Castro (PL). Este, mais Romeu Zema (Novo) em MG e Rodrigo Garcia (PSDB), em SP, receberam ontem a missão do capitão: tentar virar 1 milhão de votos em cada um dos três principais estados da União. Como cada voto virado no 2º turno vale por dois, o objetivo é neutralizar os 6 milhões de votos da vantagem de Lula no 1º turno.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Atlas: Lula abre última semana com 6 pontos sobre Bolsonaro

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Segundo instituto com maior índice de acerto no 1º turno, cujo resultado geral se distanciou por apenas 2 pontos, a pesquisa AtlasIntel divulgada hoje, a exatos 6 dias da urna do 2º tuno, revela que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre esta última semana com tendência de leve crescimento da sua vantagem sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL). Nos votos válidos (descontados os brancos e nulos), o petista oscilou 1 ponto para cima, de 52% a 53%, entre as pesquisas Atlas de 13 e 24 de outubro, período no qual o capitão ficou estagnado em 47%. A diferença entre os dois candidatos, hoje, é de 6 pontos. A margem de erro é de 1 ponto para mais ou menos.

REJEIÇÃO — Índice considerado fundamental à definição de qualquer eleição em dois turnos, a rejeição segue sendo liderada por Bolsonaro. Nos últimos 11 dias, ele cresceu 2 pontos entre os brasileiros que têm dele imagem negativa: de 52% aos atuais 54%, contra 45% que têm imagem positiva e 1º que não soube responder. Por sua vez, Lula caiu 1 ponto entre os brasileiros que têm dele imagem negativa: de 49% aos atuais 48%, contra 51% que fazem dele uma imagem positiva e 2% que não souberam responder. A pesquisa foi feita da última terça (18) ao sábado (22), com 4.500 eleitores ouvidos por recrutamento digital aleatório (Atlas RDR).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “O Instituto Atlas já atua com pesquisas eleitorais em outros países e está entrando no mercado brasileiro nesta eleição. O instituto trabalha com websurvey, que consiste na coleta aleatória das intenções de votos dos eleitores via questionário eletrônico através da Internet. No 1º turno, pelo método da discrepância média, a diferença entre as urnas e as últimas projeções de cada pesquisa, o Atlas teve a segunda maior taxa de acerto, só atrás do Instituto MDA Pesquisa. Pelo levantamento divulgado hoje, com margem de erro de 1 ponto percentual para mais ou menos, a seis dias das urnas, Lula subiu 0,9 ponto em relação à pesquisa do dia 13 de outubro, oscilando positivamente de 51,1% para 52,0%. Bolsonaro, por sua vez, perdeu 0,3 ponto, oscilando negativamente de 46,5% para 46,2%. Nos votos válidos, a vantagem de Lula foi ampliada para 53% a 47%. A estabilização das intenções de voto em Bolsonaro e o pequeno crescimeno de Lula seria explicado pela melhora do desempenho deste nas regiões Norte e Centro-Oeste”, explicou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatística no IBGE.

 

Wladimir e voto em Bolsonaro no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (sem partido) é o convidado do Folha no Ar desta terça (25), ao vivo a partir das 7h10 da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará as eleições de 2 de outubro a deputados na região, a disputa particular em Campos nas reeleições à Alerj do seu aliado Bruno Dauaire (União) e do seu opositor Rodrigo Bacellar (PL), e a eleição na Mesa Diretora da Câmara de Campos, que tem que ser marcada até 15 de dezembro.

Wladimir também falará da sua declaração de voto na tentativa de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), da liberação política para que seus secretários e vereadores simpáticos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) façam campanha para ele, e da carreata bolsonarista que o prefeito comandará nesta quarta (26) em Campos, com a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL), filho 01 do capitão.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Lula lidera por pouco e sangra no empréstimo consignado

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A definição do presidente do Brasil se dará em 30 de outubro, daqui a exatos oito dias. Diante da disputa polarizada entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), para tentar driblar a paixão muitas vezes irracional dos seus eleitores, a opção da Folha da Manhã durante todo este ano eleitoral foi acompanhá-lo, semana a semana, pela objetividade dos números das pesquisas. E, pela primeira vez, duas divulgadas esta semana indicaram a possibilidade real de Bolsonaro superar o favoritismo de Lula ainda apontado por todos os institutos sérios, todos próximos ou já em empate técnico. No qual a abstenção dos eleitores daqui a dois domingos, de acordo com as duas campanhas, definirá o vencedor final.

QUAEST E DATAFOLHA — Ambos divulgadas na quarta (19) e com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, a pesquisa do instituto Quaest Pesquisa e Consultoria, contratada pelo banco Genial, foi feita de domingo (16) à terça, com 2.000 eleitores ouvidos presencialmente; enquanto a pesquisa Datafolha, contratada pela TV Globo e o jornal Folha de S.Paulo, foi feita de segunda (17) à própria quarta, com 2.912 eleitores ouvidos presencialmente. Nos resultados gerais de intenção de voto, em que costumam focar a população e até os veículos de mídias, as duas confirmaram o favoritismo de Lula, mas com sua menor diferença sobre Bolsonaro na série histórica de cada instituto.

VANTAGEM DE LULA A BOLSONARO — Primeiro instituto do Brasil a adotar o filtro do “likely voter”, no qual a certeza no ato de votar conta sobre a intenção de voto, na tentativa de projetar a abstenção que deve definir a eleição, a Quaest de 19 de outubro confirmou a liderança de Lula com 53% dos votos válidos, contra 47% de Bolsonaro. Essa diferença de 6 pontos é a mesma da Quaest de 13 de outubro, revelando tendência de estabilidade nos seis dias seguintes. Por sua vez, a Datafolha de 19 de outubro deu a Lula 52% dos votos válidos, contra 48% de Bolsonaro. Empate técnico no limite da margem de erro, essa diferença de 4 pontos caiu dos 6 pontos (53% a 47%) da Datafolha de 14 de outubro, revelando tendência de redução nos cinco dias seguintes.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

OUTRAS PESQUISAS, NÚMEROS PARECIDOS — Comparadas com outras pesquisas sérias divulgadas na semana, de institutos e metodologias diferentes, os resultados são muito parecidos. Instituto que mais acertou no 1º turno, com média de erro desprezível de 1,8 ponto no resultado geral, o MDA na segunda deu Lula com 53% dos votos válidos, contra 47% de Bolsonaro. Na terça, o Ipespe deu Lula com os mesmos 53% dos votos válidos, contra os mesmos 47% de Bolsonaro. Na mesma quarta do Quaest e Datafolha, o PoderData deu Lula com 52% dos votos válidos, contra 48% de Bolsonaro. Na quinta (20), o Ideia deu Lula com os mesmos 52% dos votos válidos, contra os mesmos 48% de Bolsonaro. Em resumo, nos levantamentos MDA e Ipespe deram 6 pontos de vantagem de Lula para Bolsonaro, reduzida a 4 pontos no PoderData e Ideia.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Christian Lynch, cientista político e professor da Uerj

VIRADA IMPROVÁVEL? — “Com esses resultados, não é possível concluir nada por enquanto. Seria preciso esperar as pesquisas da semana que vem para ver se existe uma tendência de queda de Lula e crescimento de Bolsonaro. Se houver, ainda é tão molecular, tão mínima, que nem dá para ser detectada. Se esse movimento molecular existir, nessa velocidade, Bolsonaro passaria Lula daqui a dois meses. Por ora, o que se vê no panorama geral oferecido pelo conjunto das pesquisas é um quadro de intenções de voto estagnado nos mesmos termos do 1º turno. Lula pode perder? Pode. A derrota hoje é possível, mas improvável”, analisou as pesquisas da semana o cientista político Christian Lynch, professor da Uerj e referência brasileira na sua área, apesar do nome inglês.

ONDE É MAIS PROVÁVEL — Mas se, a partir dos resultados gerais, a análise parece estar correta, quais dados específicos das pesquisas Quaest e Datafolha de quarta poderiam indicar possibilidade de Bolsonaro virar a expectativa de vitória de Lula em 30 de outubro? Em primeiro lugar, o índice que define qualquer eleição de 2º turno do mundo: a rejeição.

EMPATE TÉCNICO NA REJEIÇÃO — Comparadas as Quaest de 13 e 19 de outubro, Bolsonaro reduziu 4 pontos em apenas seis dias: de 50% a 46%. No mesmo período, Lula oscilou 1 pontos para cima: de 42% a 43%. Hoje a diferença entre os brasileiros que não votariam de maneira nenhuma em um ou no outro, é de apenas 3 pontos: Bolsonaro 46% x 43% Lula. Comparadas as Datafolha de 14 e 19 de outubro, Bolsonaro oscilou 1 ponto para baixo: de 51% a 50%. No mesmo período de cinco dias, Lula manteve 46%. Hoje a diferença entre os brasileiros que não votariam de maneira nenhuma em um ou no outro, é de apenas 4 pontos: Bolsonaro 50% x 46% Lula.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

QUALQUER RESULTADO É POSSÍVEL — O fato é que, no limite da margem de erro, Lula e Bolsonaro estão tecnicamente empatados na rejeição das duas pesquisas. E, com a mesma rejeição, qualquer resultado final na urna de 30 de outubro passa a ser aritmeticamente possível.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

CENÁRIO ABERTO — “Os números divulgados pela Quaest de quarta, antepenúltima pesquisa do instituto, acedem o sinal de alerta para a campanha lulista e depositam esperança nos corações bolsonaristas. Hoje a apenas oito dias para o segundo turno, Bolsonaro conseguiu reduzir a rejeição para dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, passando a empatar tecnicamente com Lula. Agora a desvantagem da rejeição é apenas numérica, de 3 pontos: 43% a 46%, ainda em favor de Lula. Com a rejeição reduzida a 4 pontos na Datafolha e também empatada tecnicamente dentro da margem de erro, 50% dos eleitores não votariam de jeito nenhum no atual presidente, contra 46% que não votariam no ex-presidente. O cenário eleitoral vai se tornando cada vez mais aberto e indefinido”, concluiu o geógrafo William Passos, com doutorado em Estatística no IBGE.

EMPRÉSTIMO CONSIGNADO — Não medido na última pesquisa Quaest, há ainda outro recorte da Datafolha extremamente preocupante para Lula. Aumentado desde agosto com os R$ 41,25 bilhões da PEC Kamikaze, o novo Auxílio Brasil de R$ 600,00 vinha demonstrando a resiliência do brasileiro pobre, que sempre foi e se mantinha o eleitor majoritário de Lula. Mas, no último dia 11, o governo Bolsonaro passou a liberar também o empréstimo consignado a quem recebe o benefício federal, pago na Caixa Econômica Federal e outras 11 instituições financeiras. A que muitas famílias recorreram, aprofundando seu endividamento.

BOLSONARO CRESCE 7 PONTOS LULA CAI 7 PONTOS — O resultado imediato ao empréstimo consignado? Entre as Datafolha de 14 e 19 de novembro, Bolsonaro cresceu 7 pontos, de 35% a 42% nas intenções dos votos válidos dos eleitores que recebem o Auxílio Brasil. Junto ao mesmo eleitor, Lula perdeu os mesmos 7 pontos nas intenções de votos válidos, de 65% a 58%, no mesmo período de apenas cinco dias.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

TCU RECOMENDA, MAS NÃO CORTA — O Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou ontem, em parecer técnico, que o empréstimo consignado do Auxílio Brasil seja suspenso. A recomendação se deve ao uso do consignado do benefício para “interferir politicamente nas eleições presidenciais”. Mas, a oito dias da urna, ainda não foi suspenso. E, enquanto estiver sendo pago e endividando brasileiros pobres, sangrará Lula em seu eleitor majoritário e que vinha sendo o mais fiel.

 

Página 2 de hoje da Folha da Manhã