Quem são os caras da renovação política de Campos?

Por Aluysio Abreu Barbosa
Eles são jovens, todos têm menos de 40 anos, alguns menos de 30, e revelam no monopólio do gênero que ter a cidade pela primeira vez governada por uma mulher, mesmo duas vezes seguidas, serviu de pouco ou nada para romper o predomínio masculino das representações políticas na terra da heroína histórica Benta Pereira (1675/1760). Um deles é deputado estadual governista, outro, vereador e pré-candidato a prefeito de Campos, assim como outros dois podem vir a ser, em meio a outros pré-candidatos a vereador, todos militantes políticos.
Outro jovem, filho da prefeita Rosinha Garotinho (PR) — também primeira mulher a ser eleita governadora do Estado do Rio —, Wladimir Garotinho disse (aqui) em entrevista à Folha do último domingo que não será candidato a nada em 2016, mas evocou a teoria da evolução do naturalista inglês Charles Darwin (1809/82) para pregar a renovação no grupo político liderado pelo pai, o secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR): “Tudo (…) precisa se reciclar ou estará fadado à extinção. Pode ser difícil para alguns aceitarem isso, porém, é o ciclo natural”.
E o que pensam outros jovens políticos de Campos sobre essa “seleção natural” de renovação na representação popular, tanto no grupo que hoje é governo, quanto naqueles que se lhe opõem? Leia e descubra que, até entre os jovens, na terra onde ainda se pergunta “De que família mesmo você é?”, permanecem reproduzidas velhas diferenças — e semelhanças.

A renovação já começou no PR por Garotinho. Prova disso foi a oportunidade da minha candidatura. Eu vim de uma escola política diferente. Claro que de nada valeria ser jovem e exercer um mandato retrógrado, porque a renovação não está ligada necessariamente a novos nomes ou candidatos mais jovens e sim à necessidade de acompanhar o ritmo intenso com que tudo se transforma, com que surgem as demandas da população. Quanto às eleições, ainda não há definição sobre candidaturas a prefeito. As alianças não se consolidaram. Qualquer avaliação agora é prematura. A declaração de Wladimir de que não vai disputar o mesmo cargo que eu (em 2018, como disse na mesma entrevista da Folha) é uma demonstração de amizade e consideração pelo trabalho que venho realizando na Alerj. É claro que penso no futuro e tenho muitos sonhos na vida pública. Mas estou focado agora no meu mandato na Alerj.
Bruno Dauaire (PR), deputado estadual
Em primeiro lugar é importante destacar que renovação vai muito além da idade. Existem jovens com ideias velhas e pessoas mais experientes com uma mente moderna, voltada para o futuro. No caso específico de Campos, o que sentimos nas ruas é a vontade de encerrar o ciclo de um grupo político que sempre apostou no poder pelo poder, com práticas ultrapassadas e eleitoreiras. Como podem falar em renovar se deixaram a Educação rastejando nas últimas colocações do Ideb? Não existe renovação sem Educação! Como podem falar em futuro se investem mais em propaganda do que na Agricultura, vocação histórica da nossa cidade? Como podem falar em mudanças, se o atual governo teve mais de R$ 13 bilhões nos últimos anos e, mesmo assim, vai vender o nosso futuro para pagar dívidas? Quem deseja falar em renovação deve, antes, cobrar do atual governo mais transparência, gestão, planejamento e competência.
Rafael Diniz (PPS), vereador e pré-candidato a prefeito
A renovação é sempre necessária, mas não implica apenas na mudança de nomes. Precisamos sempre renovar hábitos e rever modelos. Não adianta criticar a conduta do vizinho, mas fazer o mesmo ou pior em nosso próprio dia a dia. Na minha área, engenharia de sistemas, o processo de renovação é constante, mas a definição é diferente: chamamos de evolução. Precisamos evoluir. Campos precisa de gestão. Uma gestão que esqueça os calendários eleitorais, os projetos personalistas e busque o bem comum. Prefiro discutir ideias a discutir pessoas. No PDT, participo de uma corrente de pensamentos que debate muito esse tema. Uma corrente da qual também participa o senador Cristovam Buarque, o ex-ministro Ciro Gomes, o ex-prefeito Arnaldo Vianna e outros grandes nomes. É um debate que não se esgota. Temos a oportunidade de somar essas experiências.
Caio Vianna (PDT), possível pré-candidato a prefeito ou vereador
A renovação política é fundamental para o país, mas não é a renovação de idade, o que precisamos é de renovação de idéias, de comportamento, de um novo jeito de fazer política. Quanto maior a capacidade de dialogar com a sociedade, mais democrático e justo o governo é. Os governos precisam estar mais presentes na vida da sociedade com uma escuta ativa, já as oposições precisam ser propositivas na construção de um país melhor. Em relação às eleições do ano que vem, me sinto preparado para qualquer desafio. Tive a oportunidade de trabalhar em dois lugares estratégicos para o desenvolvimento do município, tanto na Fundação Municipal da Infância e Juventude, quanto na secretaria municipal de Desenvolvimento Humano e Social que reúne Procon, Assistência Social, Assistência Judiciária e Defesa Civil. Essa experiência me possibilitou conhecer bem o município e ter a capacidade de ajudar Campos a ser ainda melhor.
Thiago Ferrugem (PR), possível pré-candidato a prefeito ou vereador
Concordo no que diz respeito à necessidade de renovação, tanto no quadro governista, quanto na oposição, afinal renovações são sempre importantes. Mas acho que renovação tem que vir com preparo, conhecimento das necessidades da população, e não simplesmente de pessoas que se intitulam renovadoras, mas não representam o verdadeiro espírito da mudança e de representação do novo. Precisamos parar de confundir renovação com uma simples troca de nome. Se você troca o nome, mas as práticas continuam as mesmas, você não tem renovação, tem continuação disfarçada. Quanto à minha relação pessoal com Wladimir, reitero o que disse (aqui) em meu depoimento anterior em entrevista à Folha: temos maturidade e, mesmo sendo jovens, experiência suficiente para trocar opiniões e respeitarmos o lado em que cada um de nós se encontra.
Helinho Nahim (DEM), pré-candidato a vereador
A mudança é mais que importante. É necessária. Mas ela não pode ser exclusividade do discurso e da idade, tem que ser demonstrada na prática. Sobre renovação no grupo de Garotinho, acho que um paradoxo. Como renovar sob a tutela garotista? Um modelo político falido e reprovado na última eleição pela maioria da população campista. Não adianta trocar um cabelo grisalho por um loiro se eles seguirão com a mesma postura, defendendo as mesmas coisas. Isso não é renovar, é tingir o cabelo. Avisem ao Wladimir e ao Garotinho que a Loreal faz isso há anos. Mudam o cabelo, mas a cabeça é a mesma. E enquanto a cabeça for do ex-governador, não há tinta que dê jeito. A novidade não está na idade. O que este governo trouxe de novo, de moderno para o município? Eles seguem com a mesma política velha e cansada de sempre. Renovação de verdade só com a saída deste grupo que está no poder. O resto é balela.
Gustavo Matheus (PV), pré-candidato a vereador
Graças a Deus, eu e Wladimir temos concepções diferentes do sentido da palavra “renovação”. Se ele acha que renovação diz respeito à troca de nomes no cenário político, eu acho que renovar equivale a mudar o projeto político em vigor. Do que adianta levantar esta bandeira se no fundo ele defende a perpetuação da dinastia Garotinho? Helinho Nahim e Gustavo Matheus, ambos primos de Wladimir, são pré-candidatos à Câmara Municipal, assim como o afilhado de sua mãe, Thiago Ferrugem. Todos são jovens, mas todos fizeram ou fazem parte do grupo de Garotinho. Não acho que isso seja renovação. Considero a posição dele até egoísta: se existe vontade de mudar, porque ele não rompe com seu grupo e forma um verdadeiramente novo? Tenho esperança que os Garotinhos serão afastados em breve da Prefeitura pela vontade popular, pois é preciso construir um novo jeito de governar, sem empreiteiros e democrático.
Alexis Sardinha (PT), militante
Publicado hoje na Folha da Manhã















