Vereadores “independentes” emitem nota contra pacote de Wladimir
No sábado, o blog anunciou (confira aqui) que um grupo “independente” de vereadores estava sendo montado na Câmara Municipal de Campos. O motivo seria se opor ao pacote com 17 projetos do governo Wladimir Garotinho ao Legislativo, com cortes aos benefícios dos servidores da Saúde e aumento no ITBI.
O grupo ganhou força depois que Igor Pereira (SD) decidiu hoje (confira aqui) sair da Fundação Municipal da Infância e Juventude para reassumir uma cadeira na Câmara, substituindo o suplente Beto Abençoado (SD), que era contabilizado como governista. E saiu do governo com o objetivo assumido de derrubar o pacote do governo. Na nota, assinada por 10 vereadores, vários deles confirmaram estar de acordo com o seu teor. O que, até o presente momento, não foi feito pelos edis Fred Machado (Cidadania) e Marcione da Farmácia (DEM).
Fred e Marcione, neste momento, participam de uma reunião na Prefeitura, em que o governo pretende somar mais um voto aos 12 que já tem para chegar à minoria simples de 13, mínimo necessário para aprovação do pacote. Além de Fred e Marcione, também estão em dúvida os vereadores Bruno Vianna (PSL) e Raphael Thuin (PTB). Até o final da noite, é aguardada a definição.
Confira abaixo a nota do grupo “independente” dos vereadores de Campos:

NOTA AOS CIDADÃOS CAMPISTAS
Tendo em vista as informações veiculadas na mídia campista acerca de um pacote de projetos a ser votado na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, entre os mais polêmicos os cortes nos benefícios dos servidores da saúde e aumento da alíquota do ITBI, os vereadores Nildo Cardoso, Abdu Neme, Helio Nahim, Maicon Cruz, Rogério Matoso, Thiago Rangel, Igor Pereira, Fred Machado, Marquinho Barcellar e Marcione da Farmácia receberam várias manifestações de diversas categorias, inclusive por seus sindicatos, nas ruas, em seus e-mails, telefones pessoais e pessoalmente na Câmara.
Diante da aclamação pública pedindo intercessão dos vereadores e informações acerca desse pacote da maldade, como eles mesmos denominam, os vereadores reuniram-se para buscar maiores informações, uma vez que não haviam tomado conhecimento oficialmente dos projetos.
Apesar da mídia ter veiculado que há tratativas em troca de votos a favor do pacote, estes vereadores enfatizam que, em momento algum, estão subordinados ou se curvando em troca de nomeações em secretarias. No entanto, sabe-se que nos bastidores do cenário político está sendo amplamente negociado para determinados vereadores assumirem cargos no governo para fugirem do desgaste de votar contra o servidor que tanto luta por este município.
Cargos de DAS e RPA, inclusive nomeações em secretarias e postos de saúde, estão sendo oferecidos também, para que os suplentes assumam suas cadeiras garantindo o voto a favor do objetivo almejado pelo prefeito.
Os vereadores comungam de um mesmo pensamento e são contrários a qualquer tipo de dano ao servidor público, pois nenhuma justificativa apresentada pelo Executivo irá superar o grande esforço e dedicação dos servidores neste momento de enfrentamento à pandemia. Os bons profissionais da saúde não podem e não devem pagar essa conta.
Importante destacar que em momento algum os vereadores receberam documentos oficiais sobre a tramitação do pacote para apreciação de seu teor, como de praxe nos procedimentos a serem votados nesta casa de leis. Neste sentido, buscaram informações junto à presidência da Câmara na tarde desta segunda, 24.
O prefeito desta cidade busca êxito em seus projetos pessoais e familiares, e esta busca deixa comprometida a idoneidade do município e do procedimento, enquanto estes vereadores estão estritamente comprometidos com o Município de Campos dos Goytacazes.
Nildo Cardoso – PSL
Abdu Neme – AVANTE
Helio Nahim – PTC
Maicon Cruz – PSC
Rogerio Matoso – DEM
Thiago Rangel – PROS
Igor Pereira – SOLIDARIEDADE
Fred Machado – CIDADANIA
Marquinho Barcellar – SOLIDARIEDADE
Marcione da Farmácia – DEM











Marina Leite – O cinema pode atuar na construção e preservação da memória de uma sociedade? De que maneira isso ocorre?
reforçar essa mesmo compreensão vendo “A Queda! As Últimas Horas de Hitler” (2004), de Oliver Hirschbiegel. Mesmo baseado nos relatos de Traudl Junge, secretária particular de Hitler, e nos livros do historiador Joachim Fest, considerado o biógrafo definitivo do líder nazista, é uma ficção. Mas sem a qual talvez não se entenda o radicalismo político genocida e, em seu ocaso, literalmente suicida, em que mergulharam de cabeça pessoas inteligentes e cultas de um povo que derrubou o Império Romano, reformou o cristianismo, criou a música como a conhecemos e deu ao mundo a maior escola de filosofia desde os gregos antigos. Guardadas as proporções devidas, serve, inclusive, para compreender o que ocorre hoje no Brasil com o bolsonarismo. Você pode reforçar essa impressão a partir de um filme de ficção sem nenhum compromisso com os fatos históricos, recriando-os sem spoiler, como em “Bastardos Inglórios” (2009), de Quentin Tarantino. Ou pode ter o mesmo evento apenas como pano de fundo para
um triângulo amoroso. E gerar um clássico de romance como “Casablanca” (1942), de Michael Curtiz, filmado em plena II Guerra, quando nela a Alemanha ainda levava a melhor. E compreender como um evento daquela monta pode alterar radicalmente a vida das pessoas, em seus aspectos mais pessoais e cotidianos. Ou, maratonar uma série de documentário no streaming para se ter uma compreensão mais global do episódio. Como a que é oferecida a qualquer leigo ao assistir a “Grandes Momentos da Segunda Guerra em Cores” (2019), sem direção creditada, da Netflix. E com ela perceber que, se o nazifascismo foi realmente um dos raros momentos da história em que tivemos o mal encarnado, nem por isso quem o combateu era o “bem”, por ser também capaz de atos da crueldade mais extrema. Da mesma
Aluysio – Acho que parte do que pergunta está na minha resposta anterior. Se tivesse que complementá-la, o faria com o que disse em entrevista a James Lipton o ator e diretor Sean Penn, no programa de TV “Inside The Actors Studio”, nos anos 1990: “Entretenimento, para mim, é uma garrafa de whisky, duas prostitutas e um quarto de motel. Cinema é contar histórias”. Independe de todos terem a sua própria ideia de entretenimento. Se a de Penn pode hoje parecer misógina ao politicamente correto que há pelo menos duas décadas tem em Hollywood um bastião, a segunda parte da resposta dele me parece a chave à sua pergunta. A postura dos profissionais do cinema, mais que o impacto social da obra, seja esta documentário ou ficção, nunca pode perder de vista sua função primeva: contar histórias.
Marina – Você acha que a experiência de ver um filme no ambiente do cinema é a mesma que no ambiente doméstico? As plataformas de streaming poderão substituir essa experiência definitivamente?
nivelando-o por baixo, tanto quanto as redes sociais fizeram com a comunicação social. Mestre britânico da sétima arte, diretor de clássicos como “Lawrence da Arábia” (1962) e “A Filha de Ryan” (1970), lembro que David Lean, além de preferir filmar no formato mais amplo do cinemascope, dizia detestar legendas porque estas tiravam a atenção do espectador do todo da tela. “Cinema é imagem”, sentenciava ele. Pode ser um anacronismo geracional, mas a solidão voyeur diante da tela grande, no escuro das salas de cinema, me parece insubstituível. Sem ela, perdemos também a dimensão coletiva e humana dos filmes. Que só se dá quando descobrimos se riem, choram, suspiram, dormem, se assustam, afundam nas poltronas ou delas levantam para ir embora os nossos semelhantes, dividindo o mesmo espaço escuro, expostos ao mesmo tempo à mesma obra de arte na forma de luz. O cinema são as histórias da tribo contadas à noite ao redor da fogueira.













