Delegado, ex-secretário estadual de Polícia Civil e pré-candidato a deputado federal, Alan Turnovsky (PL) é o convidado desta terça (14) no Folha no Ar, ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a Segurança Pública e a letalidade das operações policiais no Rio de Janeiro, como as da Vila Cruzeiro, em maio deste ano, e a do Jacarezinho, em maio de 2021, cada uma com mais de 2o mortos.
Turnovsky tentará também projetar as eleições à Alerj, em que espera homologação em convenção para tentar uma vaga, e para governador. Por fim, ele também tentará projetar as urnas de outubro ao Congresso Nacional e a presidente da República.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Líder em todas as pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ou não definir a eleição no primeiro turno? Não na pesquisa BTG/FSB divulgada hoje, feita entre 10 e 12 de junho. Mas com 48% dos votos válidos ao petista na consulta estimulada, a existência do segundo turno ficou dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Hoje, a 111 dias das urnas de 2 de outubro, Lula ficou com 44% das intenções na consulta estimulada, contra 32% do presidente Jair Bolsonaro (PL), 9% do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), 2% da senadora Simone Tebet (MDB) e 1%, cada um, do deputado federal André Janones (Avante) e do cientista político Felipe D’Avila (Novo). Não votariam em nenhum, 5%; em branco e nulo, 2%; enquanto outros 2% não souberam responder.
Os demais seis presidenciáveis ficaram abaixo de 1 ponto. Mas o ex-deputado federal José Maria Eymael (DC), a socióloga Vera Lúcia (PSTU), a economista Sofia Manzano (PCB), o bacharel em Direito Leonardo Péricles (UP), o deputado federal Luciano Bivar (União) e o influenciador digital Pablo Marçal (Pros) têm, juntos, 2% das intenções de voto. Comparada com a de maio, a nova pesquisa BTG/FSB mostrou estabilidade de Bolsonaro, que tinha e manteve 32% das intenções de voto. Já Lula oscilou para baixo dentro da margem de erro de 2 pontos: de 46% do mês passado aos 44% de agora. A vantagem atual do petista para o capitão é de 12 pontos, ou 18 milhões de eleitores. É mais que todo o estado de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com seus 15,6 milhões de eleitores.
Confirmado o segundo turno, marcado para 30 de outubro, Lula vence em qualquer cenário da pesquisa BTG/FSB: 54% contra 36% de Bolsonaro, 48% contra 32% de Ciro Gomes e 55% contra 25% de Simone Tebet. Além de Lula, Bolsonaro perderia também para Ciro, com 38% a 48%. E empataria com Tebet: 40% a 40%.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
O que explica a projeção de derrota de Bolsonaro para Lula e Ciro no eventual segundo turno é a rejeição. O segundo turno só existe para que o vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos.
Dado curioso da nova pesquisa presidencial BTG/FSB? Contratante regular do instituto PSB Pesquisas, que coloca Lula na margem de erro para definir, ou não, a eleição presidencial no primeiro turno, o BTG Pactual é um banco de investimento que tem entre seus fundadores Paulo Guedes, ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro.
Após a instituição do segundo turno ser adotada no Brasil, com a Constituição de 1988, só um candidato chegou ao Palácio do Planalto em turno único. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se elegeu presidente, ainda no primeiro turno, em 1994 e 1998. Quando deu coças eleitorais em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conferindo a este a aura de perdedor. Que já vinha da derrota no segundo turno presidencial de 1989, para Fernando Collor de Mello (hoje, PTB).
Tudo isso foi antes de o petista também se eleger duas vezes presidente, mas só no segundo turno, em 2002 e 2006. E sair do cargo aclamado como a maior liderança popular do país, desde Getúlio Vargas. Elegeu Dilma Rousseff (PT) sua sucessora, também no segundo turno, em 2010 e 2014. Após o impeachment desta, em 2016, Lula passaria 580 dias preso por corrupção na operação Lava Jato. Quando foi impedido de concorrer no pleito presidencial de 2018, cujas pesquisas liderava. E que, sem ele, elegeu também no segundo turno a Jair Bolsonaro (hoje, PL).
Fernando Henrique Cardoso assume a presidência da República de Itamar Franco, em 1º de janeiro de 1995, entre a esposa, a antropóloga Ruth Cardoso, que implantou o Bolsa Escola, depois transformado pelo PT em Bolsa Família, e seu vice, Marco Maciel
Segundo as últimas pesquisas Datafolha e Genial/Quaest, é real a possibilidade de Lula não só ultrapassar Fernando Henrique em número de mandatos de presidente e conquistar o terceiro nas eleições de outubro. Mas de finalmente também se igualar ao tucano no feito de fechar a fatura ainda no primeiro turno.
Ainda que todas as pesquisas apontem a liderança de Lula, há aquelas que dão diferença menor entre ele e Bolsonaro. Sobretudo as que, como o PoderData (43% do petista, contra 35% do capitão, entre 5 a 7 de junho), fazem pesquisa por telefone. A Datafolha e a Genial/Quaest fazem as suas presencialmente. Onde é mais difícil ao eleitor mentir, pela exposição das suas expressões da face e corpo, do que à distância do telefone. Por este também é mais difícil consultar o eleitor mais pobre, no qual Lula se sai bem melhor que Bolsonaro.
Na margem de erro de dois pontos para mais ou menos da Datafolha e da Genial/Quaest, os números se traduzem a mesma tendência: a exatos 113 dias das urnas, hoje Lula estaria entre se eleger presidente no primeiro turno, ou fazê-lo sem grande dificuldade no segundo. Neste, pela Datafolha, o petista bateria o capitão no turno final de 30 de outubro por 58% a 33%. Seriam 32 pontos de vantagem, ou 37,5 milhões de eleitores. Pela Genial/Quaest, Lula bateria Bolsonaro no segundo turno por 54% a 32%. Seriam 22 pontos de vantagem, ou 33 milhões de eleitores. Qualquer uma das duas vantagens seria superior a todo o estado de São Paulo.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
O que explica a projeção da derrota de Bolsonaro para Lula numa eventual prorrogação de turno é a rejeição. O segundo turno só existe para que o candidato vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos.
Pela Datafolha, Bolsonaro tem hoje 54% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 33% de Lula. Pela Genial/Quaest, Bolsonaro tem hoje 60% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 40% de Lula. Para quem tem 54% ou 60% de rejeição, como o atual presidente da República tem, é aritmeticamente impossível alcançar o mínimo de 50% mais um dos votos. Entre os analistas do mundo, o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição ao Executivo em dois turnos é 35% de rejeição.
Salvo uma queda de avião, uma prisão, uma facada ou um golpe de fato e com validade real de laticínio, a eleição de outubro parece sorrir a Lula como a Fernando Henrique em 1994 e 1998. E pelos mesmos motivos que elegeram o tucano após ele capitanear a estabilização econômica do país com a implantação do Plano Real como ministro da Fazenda no governo Itamar Franco (então, MDB). Num Brasil com sua pior inflação nos últimos 26 anos e sua pior queda de renda na última década, bastaria ao petista comparar seus dois governos de prosperidade ao de Bolsonaro. Com foco na sentença mais famosa de James Carville, estrategista do ex-presidente dos EUA Bill Clinton: “É a economia, estúpido!”.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Sem um terceiro colocado na casa dos dois dígitos — o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) tem 7% de intenções de voto na Datafolha e Genial/Quaest —, a eleição realmente parece aberta à possibilidade de fechamento no primeiro turno. Você, empresário e/ou que ganha acima dos 10 salários mínimos, com base em sua bolha nas duas únicas faixas em que Bolsonaro vence fora da margem de erro, não crê? Pense de novo e responda: quantas mulheres pretas, entre 16 e 24 anos, com ensino fundamental, que ganham até dois salários mínimos, fazem parte do seu convívio sem ser como empregadas? Porque elas são as eleitoras majoritárias de Lula.
Prefeito do Rio, presidente fluminense do PSD e considerado um dos principais cabos eleitorais do estado, Eduardo Paes (PSD) tem vinda a Campos prevista para esta quinta (9). Ele vem à planície goitacá prestigiar o lançamento da pré-candidatura do vereador de oposição Bruno Vianna (PSD) a deputado estadual. O evento está marcado para às 19h, no Salão da Multipeças, na avenida Arthur Bernardes. O jovem edil tenta reconquistar o mandato do seu pai, o falecido deputado estadual Gil Vianna, vítima da Covid em 19 de maio de 2020.
— Meu pai foi um grande líder político. Com o seu jeito conciliador, ele construiu uma família, ao invés de um grupo de trabalho na política. A decisão de me candidatar a vereador em Campos foi um sonho nosso. Nós queríamos trabalhar em conjunto para a nossa cidade, ele na Alerj e eu no Legislativo municipal. Infelizmente, essa não foi a vontade de Deus. Não pude ter ele ao meu lado quando vencemos a eleição, nem durante o nosso trabalho. Mas, eu acredito que essa história tão precocemente interrompida pode ser continuada. Nós precisamos buscar a representatividade que a nossa região perdeu — disse Bruno.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode fechar a fatura presidencial no primeiro turno? Divulgada hoje, a exatos 114 dias das urnas de 2 de outubro, a pesquisa Genial/Quaest reforçou essa possibilidade — que já havia sido apontada pela Datafolha do último dia 26. Pela consulta do primeiro instituto, o petista tem hoje 46% de intenções de votos na pesquisa induzida, contra 30% do presidente Jair Bolsonaro (PL), 7% do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), 2% do deputado federal André Janones (Avante) e 1% da senadora Simone Tebet (MDB). Os demais presidenciáveis não pontuaram. Descartados os 6% de indecisos, ou que pretendem votar em branco ou anular, Lula venceria a eleição em turno único, com 52,87% dos votos válidos.
A margem de erro da Genial/Quest é de dois pontos para mais ou menos. Feita entre os dias 2 e 5 deste mês de junho, a pesquisa ouviu 2.000 pessoas presencialmente — o que sempre gera maior confiabilidade aos resultados — em 27 estados. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03552/2022. Em um universo eleitoral de quase 150 milhões de brasileiros aptos a votar, Lula tem hoje 16 pontos de vantagem na corrida presidencial sobre Bolsonaro, ou 24 milhões de eleitores. Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado de Minas Gerais tem 15,6 milhões de eleitores. Lula tem bem mais que uma Minas Gerais de vantagem sobre Bolsonaro.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE
— A Genial/Quaest utilizou entrevistas presenciais, a de maior precisão e confiabilidade, entrevistando 2.000 eleitores com 16 anos ou mais em 120 municípios brasileiros. Com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais, a Genial/Quaest reproduziu a metodologia do Datafolha, porém utilizando uma amostragem um pouco menor, já que o Datafolha só trabalha com amostra acima de 2.500 entrevistados. Como a diferença entre as duas amostragens é bem pequena, as diferenças dos resultados são mínimas, tornando-se irrelevantes. Na intenção de voto para presidente na consulta estimulada, a Genial/Quaest apontou vitória de Lula no primeiro turno, com 46% no cenário mais provável, com André Janones e Simone Tebet. Ele também supera a soma de todos os demais candidatos (41%), excluindo indecisos, brancos, nulos e quem declarou que não vai votar. Assim, na análise consolidada, a Genial/Quaest aponta que, neste momento, Lula está entre a vitória e a quase vitória no primeiro turno, confirmando o Datafolha — analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
Se as projeções de vitória de Lula no primeiro turno não se confirmarem, a Genial/Quaest aponta que ele venceria Bolsonaro com facilidade também em um eventual segundo turno, marcado para 30 de outubro. Lá, se fosse hoje, o petista bateria o capitão por 54% a 32% das intenções de voto. Seriam 33 milhões de eleitores de vantagem. Maior colégio eleitoral do país, o estado de São Paulo tem 32,6 milhões de eleitores. Lula teria mais do que isso à frente de Bolsonaro no segundo turno. Nele, o ex-presidente também venceria, mas por margem ainda maior, se o adversário fosse Ciro Gomes: 52% a 25%, com 27 pontos de vantagem, ou 40,5 milhões de eleitores. Assim como a Simone Tebet, a quem o petista bateria no segundo turno por 56% a 20%, com 36 pontos de vantagem, ou 54 milhões de eleitores.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
O que explica a projeção de derrota para Bolsonaro no segundo turno contra Lula é a rejeição. O segundo turno só existe para que o candidato vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos. Pela Genial/Quest, Bolsonaro tem hoje 60% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 40% de Lula. Para quem tem 60% de rejeição, como Bolsonaro tem, é aritmeticamente impossível alcançar 50% mais um dos votos. Entre os analistas do mundo, o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição em dois turnos é 35% de rejeição.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Definidora da vitória do candidato Jair Bolsonaro em 2018, três anos e meio de governo Jair Bolsonaro depois, o antipetismo aparece também em 2022. Mas é suplantado de longe pelo antibolsonarismo. São 52% os eleitores brasileiros que têm mais medo da continuidade do capitão no Palácio do Planalto, contra 35% que temem mais a volta do PT ao poder. Os que temem os dois são 5%; nenhum, 2%; com 6% que não souberam responder. Embora seja menos considerada tão perto das urnas, a pesquisa espontânea revela uma eleição claramente polarizada. Sem que sejam apresentadas as opções de candidato ao eleitor, este, por conta própria, dá a Lula 32% de intenções de voto, contra 20% de Bolsonaro e 1% de Ciro.
— Na espontânea, Lula vence Bolsonaro por 32% a 20% e na rejeição, o ex-presidente apresenta 20% a menos de rejeição que o atual presidente (40% contra 60%), indicando inexistência de espaço para uma terceira via — concluiu William.
Solar dos Airizes (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)
Edmundo Siqueira
Solar dos Airizes
A Prefeitura de Campos terá que reformar o Solar dos Airizes. Como o Blog do Edmundo Siqueira, hospedado no Folha1, acompanha de perto, não é mais só uma demanda de preservação do patrimônio histórico. É uma decisão da 2ª Vara Federal de Campos transitada em julgado, em ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que o governo Wladimir Garotinho (sem partido) será obrigado a cumprir. Erguido em meados do século 19, o Solar dos Airizes foi a primeira construção da cidade a ser tombada pelo Iphan, em 1940. E se tornou famoso com a novela “Escrava Isaura”, de 1976 e baseada no romance homônimo do mineiro Bernardo Guimarães.
Alberto Lamego e Alberto Ribeiro Lamego (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Dos livros à retina de Campos
Da ficção que ganhou o mundo com o sucesso de uma telenovela, o Solar dos Airizes foi o lar de dois dos maiores escritores de Campos. Que se dedicaram a contar as origens reais da terra e do homem que formam a planície goitacá: Alberto Lamego (1870/1951), autor de “A Terra Goytaca”; e seu filho, Alberto Ribeiro Lamego (1896/1985), autor de “O Homem e o Brejo”, “O Homem e a Restinga”, “O Homem e a Serra” e o “Homem e a Guanabara”. Mesmo a quem não leu nenhuma dessas obras, o Solar dos Airizes é personagem vivo na retina dos mais de 511 mil campistas que percorreram, pelo menos uma vez, a BR-356 no trecho Campos/Atafona.
Monumento ao desperdício dos royalties em Campos, Cepop foi erguido por R$ 100 milhões no governo Rosinha Garotinho, eleito em 2008 com a promessa abandonada de reformar o Solar dos Airizes (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)
R$ 100 milhões no Cepop
A reforma do Solar dos Airizes e sua transformação no Museu do Açúcar constavam do projeto de governo quando Rosinha Garotinho (hoje, União) foi eleita a primeira vez prefeita de Campos, em 2008. E mesmo que tivesse dinheiro dos royalties de sobra, até a queda do preço do barril de petróleo no final de 2014, em seu sexto ano consecutivo de governo, ela nunca cumpriu a promessa de campanha. Preferiu gastar mais de R$ 100 milhões para erguer o Cepop, símbolo maior do desperdício de bilhões em rendas petrolíferas. Ironicamente às margens da avenida Alberto Lamego, o Cepop fica a apenas 2,9 km do Solar dos Airizes.
Edvar Junior e Rapahel Thuin (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)
Agora, como fazer?
Em outra ironia, a batata quente agora sobrou para Wladimir, filho de Rosinha. A decisão judicial fala até em crime de improbidade se o Solar dos Airizes não for recuperado pelo atual prefeito. Pela importância histórica e arquitetônica do prédio, que visivelmente corre risco de desabamento em várias partes, assim como por sua condição de referência afetiva dos campistas, a sua reforma ganhou entusiastas. Presidente da CDL-Campos, além de arquiteto, o empresário Edvar Junior levantou essa bandeira. Assim como o vereador de oposição Raphael Thuin (PTB). Mas a pergunta que ninguém até agora sabe responder é: como fazer?
Iphan e Sabra
A alternativa mais racional foi apontada no Blog do Edmundo. A ele, o Iphan informou que “o pedido de reforma simplificada do Solar dos Airizes e intervenção emergencial” foi feito pela Sociedade Artística Brasileira (Sabra), associação civil e captadora de recursos e sem fins lucrativos, com sede em Minas Gerais. Presidente da Sabra, Márcio Miranda confirmou ao blogueiro do Folha1: “Temos a aprovação pelo Iphan de nosso projeto para a intervenção emergencial no Solar dos Airizes. As equipes só podem ser escolhidas após contratação dos serviços. Não temos previsão para início das obras. Isso está a cargo do poder público”.
Erguido no séc. 17 pelos jesuítas, o Solar do Colégio abriga hoje o Arquivo Público Municipal e espera a reforma pelo Sabra, com R$ 20 milhões liberados na parceria Alerj/Uenf/Prefeitura de Campos (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)
R$ 73 milhões de royalties
A Sabra já está envolvida na reforma do Solar do Colégio, erguido pelos jesuítas no século 17 e onde hoje funciona o Arquivo Público de Campos. Que já tem R$ 20 milhões alocados, em parceria da Alerj, da Uenf e do poder público municipal. Já em relação ao Solar dos Airizes, com a pergunta de como fazer parcialmente respondida pelos contatos já estabelecidos entre Sabra, Iphan e Prefeitura, resta ainda a indagação: com que dinheiro? Depois que Campos recebeu R$ 73,4 milhões no último dia 20, maior repasse mensal de royalties da sua história em valores correntes, não é preciso ter lido os Lamego pai e filho para responder.
Morto ontem com facada no pescoço, à luz do dia, em plena Praça do Santíssimo Salvador (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)
Terra de Marlboro (I)
Ao ex-presidente Getúlio Vargas é atribuída a frase: “Campos é o espelho do Brasil”. Nos seus piores aspectos, os últimos dias parecem confirmar. Enquanto o mundo indaga o paradeiro do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira, servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai), e do jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, desaparecidos desde domingo (5) na Amazônia, ontem (7) um flanelinha foi morto com um golpe de faca no pescoço, à luz do dia, em plena Praça São Salvador. Na vida urbana da cidade ou no que resta de área selvagem no país, Campos e Brasil lembram um filme violento de western.
Bruno Araújo Pereira, servidor da Funai, e o jornalista inglês Dom Phillips, desaparecidos na Amazônia transformada em terra de Marlboro no Brasil de Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Terra de Marlboro (II)
O indigenista brasileiro era ameaçado por seu trabalho, em nome do Governo Federal, de proteção aos índios. Cujas reservas na Amazônia, na prática, foram liberadas pela administração Jair Bolsonaro (PL) à ação criminosa de garimpeiros, madeireiros e pescadores. O Vale do Javari, onde o servidor brasileiro da Funai e o jornalista inglês desapareceram, concentra o maior número de povos isolados do mundo. São indígenas que não querem contato com o homem branco. Sobretudo nos últimos três anos anos e meio, quando a realidade do Brasil passou a refletir um filme do Velho Oeste dos EUA.
Ronaldo Junior, o rio, a cidade e a ponte no sua livro “Muros impalpáveis” (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)
“O rio da minha aldeia não faz pensar em nada”, versejou Alberto Caeiro, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa. Não é o caso do Paraíba do Sul ao poeta carioca/campista Ronaldo Junior. Para quem o rio que corta e forma planície goitacá é também muro. A separar — e segregar — Campos de Guarus. “O rio/ é muro/ que separa/ as versões/ de pobreza/ de riqueza/ de quem acha que é/ de quem não sabe o que ser” compõe estrofe do poema “Travessia”, um dos 16 do livro “Muros impalpáveis”. Lançado em fevereiro de 2021, deu de cara com o muro da pandemia da Covid-19. E o superou 16 meses depois, no lançamento físico da obra. Será a partir das 16h deste sábado (4), na Academia Campista de Letras (ACL), da qual Ronaldo é membro.
— “Travessia” resume o motivo do título: Campos é um município em que as relações sociais são fortemente guiadas a partir das divisões sociais, os muros impalpáveis, criando barreiras interpessoais simbolizadas na própria divisão do município oriunda do rio Paraíba do Sul — explicou Ronaldo
Em outra “Travessia”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, a voz do primeiro imortalizou os versos: “Minha casa não é minha/ E nem é meu este lugar/ Estou só e não resisto/ Muito tenho pra falar”. Dolosamente ou não, são versos que ecoam em “A rua onde não nasci”, outro poema do carioca Ronaldo: “identifico/ que jamais nasceria/ em certas ruas,/ mas nasço em/ tantas outras// — urbano que sou,/ restrito aos lugares/ de luz/ e pedra// ainda assim,/ permaneço carioca/ em Campos dos Goytacazes”.
Ronaldo disse — ainda — não conhecer a obra do grande poeta modernista grego, nascido no Egito, Konstatínos Kaváfis. Mas seu “A rua onde nasci” tem impressionante aparência de diálogo com os versos do último heleno de Alexandria. Que sentencia em seu poema “A cidade”: “Novas terras você não há de encontrar, não encontrará outros mares./ A cidade o seguirá. Você voltará a percorrer as mesmas ruas”.
— De fato, as referências parecem explícitas. Muito bom esse enriquecimento da obra pelos diálogos que ela gera. Não conheço o poeta grego, mas começarei a ler em breve. Em “A rua onde não nasci”, falo sobre o sentimento de ser campista sem ser nascido aqui, o que também simboliza a mensagem do livro — revelou Ronaldo.
O poema escolhido para abrir “Muros impalpáveis” foi um diálogo intencional com outro autor. Em “PaleoGênesePoética”, diz o poeta e literato campista Joel Ferreira Mello: “Como TeluriCidade/ camposAluvional/ HeteroIdentidade/ regioNacioUniversal”.
— Essa obra de Joel é marcada pela criticidade voltada ao urbano, à desigualdade social que ele aponta. É marcada pela universalidade e regionalidade da qual ele vem. Até então, eu nunca havia escrito sobre Campos. Passei a escrever por provocação do professor Antônio Cardoso, coordenador da Casa das Artes do Alpha, depois de uma palestra sobre as possíveis datas de nascimento de Campos feita pelo Instituto Histórico e Geográfico de Campos — lembrou Ronaldo.
A partir da provocação, o poeta carioca escreveu “Do nascimento de Campos”, a partir da discussão da data de fundação da cidade que o adotou, que tem provocado tantas polêmicas entre historiadores e intelectuais locais. E, ao revistar o passado campista, traz à tona versos com crítica contundente ao presente brasileiro e bolsonarista: “o seu berço seria/ a criação da Câmara/ com os homens ditos de bem”.
Para dar fim à polêmica do aniversário de Campos, o poeta se vale de metáfora cara às velas do bolo: “uma data/ é faísca/ em meio a chamas”. Em seus versos com jeito de prosa, o carioca/goitacá finaliza o poema no questionamento que deveria mais interessar: “mas é preciso especular/ a formação de cada alma/ — em contexto desigual —/ para fazer das ferramentas/ (educação/ passado/ poema)/ expressão/ de uma gente/ que resiste pelos anos/ sem nem sempre saber/ a dimensão/ de ser/ campista”.
Ex-vereador Thiago Virgilio discursa diante de Garotinho, Rosinha, Juninho Virg[ilio e Clarissa, mas sem Wladimir (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)
Segundo apurou o repórter-fotográfico da Folha Rodrigo Silveira, a informação dada no evento foi que o prefeito não teria comparecido por motivos pessoais. A qualquer observador mais atento da política goitacá e fluminense, por “motivos pessoais”, entenda-se o governador Cláudio Castro (PL). Que é candidato à reeleição e lidera as pesquisas numa disputa em que Garotinho também se coloca como pré-candidato. Ainda que sem a certeza da vaga pelo seu partido.
Castro e Wladimir na reinauguração do Restaurante Popular, HGG em reforma e Parque Saraiva à espera de obras (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Os poetas Adriano Moura e Ronaldo Junior, mais o músico Matheus Nicolau, são os convidados para fecharem a semana do Folha do Ar nesta sexta (03), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Adriano, que também é dramaturgo, e Matheus falarão no primeiro bloco sobre o trabalho conjunto de ambos na peça “Meu nome é Cícero”, que estreia no Trianon às 19h deste domingo (5). No segundo bloco, Ronaldo falará do seu livro de poesia “Muros impalpáveis”, que tem lançamento marcado para às 16h deste sábado, na Academia Campista de Letras (ACL), à qual o autor pertence.
No terceiro e último bloco, Adriano e Ronaldo analisarão o cenário da literatura e da cultura em Campos e no país. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
De Brasília, o senador Carlos Portinho (PL) anunciou que o Conselho da Caixa Econômica Federal (CEF) aprovou hoje o acordo da dívida de R$ 1,2 bilhão contraída pelo município de Campos. “Do ponto de vista fiscal, é uma grande vitória para a cidade. Aprovando a questão previdenciária na câmara, Campos sai da classificação de risco C direto para A. Renegociamos tudo”, disse hoje o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido).
Em 10 de fevereiro deste ano, junto do senador Carlos Portinho e da irmã e deputada federal Clarissa Garotinho (hoje, União), Wladimir teve uma reunião para tratar da questão em Brasília, com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães. Naquela oportunidade, o prefeito já sinalizava para a resolução do problema:
— O acordo entre o município de Campos e a Caixa Econômica Federal está próximo de sair nos próximos meses. A reunião foi muito produtiva e as equipes técnicas avançaram bem. Podemos estar próximos de um acordo histórico, resolvendo um passivo imenso acumulado por inadimplência irresponsável. Esse assunto é tratado na CEF com muita mágoa, pela maneira que executivo municipal tratou na gestão passada (Rafael Diniz, Cidadania).
Histórico da dívida — Na verdade, a cessão de crédito que gerou a dívida foi feita em maio de 2016 pela então prefeita Rosinha Garotinho (hoje, União), no apagar das luzes do governo Dilma Rousseff (PT), chamada à época de “venda do futuro”. O valor da dívida, hoje considerada impagável, está na casa do R$ 1,2 bilhão. Pela resolução 43/2001 do Senado, assim como pela autorização da Câmara Municipal de Campos em 2016, os pagamentos da operação financeira não poderiam exceder 10% das receitas petrolíferas do município. Só que o limite não foi obedecido pelo contrato entre a CEF e o governo Rosinha. Mas foi imposto pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), em julho de 2017. Graças a uma tese do então procurador do Legislativo goitacá, Robson Maciel Junior, que entrou junto com o governo Rafael. A CEF recorreu e a juíza federal Rosângela Martins determinou, em 2021, que as duas partes fizessem um acordo.
Anthony, Rosinha, Clarissa e Wladimir Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Garotinhos juntos com Virgílio
Os ex-governadores Anthony e Rosinha, a deputada federal Clarissa (os três, União) e o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) têm data marcada para voltarem a se reunir publicamente. Será às 19h de amanhã (2), na prestação de contas do vereador Juninho Virgílio (União), em salão de festas da avenida Arthur Bernardes. O ato é considerado uma prévia ao lançamento da pré-candidatura do edil à Alerj. Mas será muito mais que isso: Garotinho, Rosinha, Clarissa e Wladimir tentarão pacificar não só a família, mas o grupo político. Que tornou público um princípio de racha, por desacordos internos sobre as eleições de outubro.
Castro e Wladimir na reinauguração do Restaurante Popular, HGG em reforma e Parque Saraiva à espera de obras (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Pressão sobre Wladimir
Dos quatro, Wladimir é o mais pressionado. Não concorrerá daqui a quatro meses e tem um município para governar nos próximos dois anos e meio. Para isso, precisa do apoio do governador Cláudio Castro (PL), pré-candidato à reeleição. Sem ele, dificilmente manteria aberto o Restaurante Popular, concluiria a reforma no Hospital Geral de Guarus (HGG), ou retomaria as obras do Parque Saraiva, paradas desde o último governo municipal Rosinha. Foi da mãe que o prefeito recebeu recado duro, em postagem no Facebook do dia 10: “Wladimir, você só chegou onde está com o carimbo Garotinho. Não pelos seus belos olhos verdes”.
No mesmo Ponto Final do dia 18, foi antecipada a reação política do pai: “Com Clarissa e Waguinho (União), prefeito de Belford Roxo, Garotinho foi ontem (17) à sede do União em Brasília, conversar com o presidente nacional, deputado federal Luciano Bivar. Daria duas opções em outubro ao seu novo partido: ou vem a governador, ou a nada. Se for a governador, teria pouca chance. Mas poderia dificultar a vida de Cláudio Castro. Se for a nada, Clarissa poderia vir a deputada federal, com Juninho Virgílio a estadual (…) O ex-governador deve anunciar hoje seu destino. Que, até as convenções, é sujeito a mudanças”.
Do Planalto Central à planície goitacá, também ontem, o cientista político e sociólogo George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos, analisou no programa Folha no Ar: “Garotinho tem um capital político que demonstra resiliência. A questão é como ele vai lidar com o Bivar. Para o União, que é uma legenda bastante forte, o cálculo é nacional, da nova Câmara dos Deputados. Quando Bivar e ACM Neto (secretário-geral do União e ex-prefeito de Salvador) definirem quem eles vão autorizar e para o que, a ótica da legenda será: o que o União ganha com Garotinho candidato ao governo fluminense?”
No mesmo Ponto Final do dia 25, foi revelado o motivo da pré-candidatura de Garotinho: “pressionar Castro a diminuir o espaço do deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL). Que só saiu da secretaria estadual de Governo para disputar a reeleição à Alerj, também considerada pule de 10”. Assim como o dilema que o pai ex-governador impõe ao filho prefeito de Campos: “Wladimir precisa de Castro para tocar seu governo, concluir as obras do Hospital Geral de Guarus (HGG) e retomar as obras do Parque Saraiva. Com a iminência de Marquinho Bacellar (SD), irmão de Rodrigo, assumir a Câmara Municipal no biênio 2023/2024”.