Fabio Bottrel — As lágrimas da Uenf: educação não é privilégio

 

Problema Social – Seu Jorge:

 

 

 

 

Abaporu (1928), óleo sobre tela de Tarsila do Amaral

 

 

Como disse Jorge Amado: “Mestre inconteste no que se refere à educação, Anísio Teixeira foi um brasileiro raro”, o qual esse texto leva título homônimo a uma de suas obras, a expressar em outrora o pensamento que ricochetearia no presente, à parte dos números:

“Sou contra a educação como processo exclusivo de formação de uma elite, mantendo a grande maioria da população em estado de analfabetismo e ignorância. (…) Choca-me ver o desbarato dos recursos públicos para educação, dispensados em subvenções de toda natureza a atividades educacionais, sem nexo nem ordem, puramente paternalistas ou francamente eleitoreiras.” — Anísio Teixeira.

Homem admirado por Darcy Ribeiro, o qual levou a frente suas ideias e a criação da Uenf, me veio à mente ao ler tal frase, que pensa um político ante uma sociedade que não passe antes pelo crivo da educação de qualidade? Certamente a construção de um grande cabresto abstrato, transformando projetos sociais não como paliativos para um objetivo — necessários numa sociedade extremamente desequilibrada como a nossa — mas o objetivo para um voto, fazendo da política, como o pensamento de Nietzsche, um “eterno retorno”, perpetuando o devir da resistência ao desenvolvimento humano.

Além, vejo a cobrança das anuidades em faculdades públicas se encaixar na frase de Anísio Teixeira, “sou contra a educação como processo exclusivo de formação de uma elite” se gratuita, maior parte da comunidade que contorna a Uenf não caminha sobre suas gramas, e sabemos que o motivo vai muito além dessa questão. Como essa universidade fora pensada por Darcy Ribeiro, um local de dissolução das classes, resta-nos a pergunta, mediante a aparente impermeabilidade da sociedade acadêmica, agrega ou desagrega? Excetuando deste argumento o projeto de lei do senado nº 782, de 2015, que previa o pagamento de anuidades apenas a estudante que aferissem renda familiar acima de 30 salários mínimos, imagino que as medidas seriam impostas como um parâmetro de renda, mas foge à realidade brasileira. Ainda além, vejo tal opção de alternativa à crise como perigosa, pois se torna um hábito cultural, e sabe-se lá após a porta aberta, daqui a alguns anos, em qual altura estará essa questão com o passo já dado para a privatização do ensino público. Já não basta pagarmos uma das maiores cargas tributárias do mundo, devemos aumentar o pagamento ou mudar os administradores e reformar esse sistema político?

Diante de questão tão delicada como a crise na Uenf, e a dimensão de sua importância para o desenvolvimento regional, fechá-la é como cortar o pescoço de Campos, o corpo trabalha enquanto a mente vaga, vaga — para o declínio do próprio corpo. Para me inteirar mais sobre o assunto encontrei uma amiga de infância, a quem não ouvia a voz desde então, lembranças boas que esse texto já me proporcionou antes mesmo de ser escrito. Thaís Rigueti tem toda a sua vida jovem e adulta formada pela Uenf, fruto das vozes intelectuais que ecoam seus ambientes acadêmicos, cresceu sobre os ombros gigantes da Universidade Estadual Norte Fluminense e se tornou uma mulher de sucesso, terminando seu doutorado, como já predizia seus impávidos traços na infância. Ao perguntar a quem sente na pele as consequências da crise, Thaís se propôs a falar em palavras escritas, a angústia de ver quem a criou profissionalmente sucumbir à incompetência e má-fé de nossos políticos:

“Ingressei na Uenf em 2006, movida pelo interesse profissional e por querer ter ensino de qualidade sem pagar por isso. Esta era a realidade projetada nas mídias e que condizia com o papel desempenhado pela universidade em nossa região, idealizado por Darcy Ribeiro. Mesmo sem estar envolvida com a situação política vivida pela universidade neste período e sem saber quais eram as necessidades do corpo docente e discente, encontrei o que procurava: universidade com boa infraestrutura, salas de aula lotadas, professores preparados e motivados. No mesmo ano me candidatei a uma bolsa de apoio acadêmico oferecida pela universidade, a qual complementava minha renda e me ajudava na adaptação em minha nova cidade. As bolsas de apoio, iniciação científica, dentre outras eram/são ofertadas através de processo seletivo e muitos dos meus colegas da universidade eram contemplados.

No mesmo ano, em Julho, participei da inauguração do Hospital veterinário (o maior da América Latina), projetado por Oscar Niemeyer. Não havia dúvidas de que era um momento de ascensão da Universidade no âmbito tanto regional, quanto nacional. Nesta mesma época comecei a me interessar pela situação política vivida pela universidade e as necessidades do corpo discente.

No decorrer do meu curso de graduação em Ciências Biológicas, participei de manifestações promovidas pelo DCE (Diretório Central de Estudantes), e dentre as reivindicações estavam a criação de um refeitório (bandejão), oferecimento de auxílio moradia/alojamento e reajuste no valor das bolsas ofertadas. Apesar da luta por mais direitos, não havia dúvidas de que a universidade caminhava bem. A Uenf era uma das instituições pioneiras na oferta de cursos de graduação a distância, em 2008 recebeu o Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos e em 2009 recebia pela segunda vez, o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica conferido pela CNPq.

Em 2010 colei grau e me tornava bacharel em ciências biológicas, sem dúvidas o sentimento era de gratidão. Gratidão por ter a oportunidade de viver a Uenf e ser parte dela, por ter ensino de qualidade e crescer com ela. A partir de 2010 (Até o presente), comecei a trabalhar com pesquisa e fiz/faço parte do programa de Pós-Graduação em Biociências e Biotecnologia e neste atual contexto posso vivenciar a realidade política da Universidade com um novo olhar (acho, inclusive, menos romantizado).

A aproximação com o corpo docente e técnico administrativo, além do discente (no qual faço parte), promoveu uma visão mais crítica sobre as políticas de gestão desenvolvidas pela universidade e as políticas públicas adotadas pelo governo do nosso estado e país.  Em 2010 vivenciei a primeira greve (desde de que havia entrado na universidade), organizada pelos servidores, a reivindicação era pela reposição salarial. Os sucessivos governos que passaram pelo nosso estado e pelos diversos municípios fluminenses nas duas últimas décadas haviam destruído as condições para o exercício de uma educação pública de qualidade. Toda a comunidade aderiu a greve, “Uenf na rua, Cabral a culpa é sua” (gritei bastante esta frase na época do governo Cabral). Neste governo a insatisfação da comunidade acadêmica crescia, e foram muitas greves (não me recordo exatamente quantas foram).

Hoje, trabalhando com pesquisa e sendo bolsista de doutorado pela Faperj sinto na pele as consequências da crise. Bolsas atrasadas e sem reajuste; falta de recursos (reagentes, materiais) e infraestrutura para o desenvolvimento de pesquisa; calendário acadêmico atrasado devido às greves; refeitório fechado por falta de recursos; insegurança por não haver vigias; professores e técnicos desmotivados por atraso de salários (que já estão defasados).

A atual situação da Uenf é um reflexo de má gestão pública e isso me entristece profundamente. Como Universidade, ela desempenha um papel fundamental em nossa região, ela agrega pesquisa, ensino e extensão ou seja: ela gera conhecimento, possui ensino de qualidade e torna isso acessível para toda população. A pesquisa desenvolvida nos laboratórios por discentes e renomados docentes (100% doutores) produzem resultados que promovem desenvolvimento regional e contribuem para o conhecimento cientifico a nível nacional e internacional. De acordo com os Indicadores de Qualidade da Educação Superior 2015, divulgados em março deste ano, a Uenf é a 13ª melhor universidade do Brasil e a segunda do Estado do Rio.

Assim como uma célula do ponto de vista biológico, a universidade precisa sobreviver. É necessário que todos os compartimentos estejam funcionando bem para que sejam realizadas suas funções. A energia para produzir vem dos investimentos públicos que precisam ser bem administrados. Na situação atual, estamos criando energia por reciclagem, mas isso não consegue se manter por muito tempo sem que a célula/universidade morra.

Para sair da crise, precisamos de mais apoio. Precisamos que toda a população abrace a causa e entenda a importância da universidade para a nossa região. Precisamos entender o complexo contexto político em que esta situação está inserida e a partir daí buscar soluções. Como o próprio Darcy Ribeiro dizia: só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. Então sem dúvida, frente a esta situação, precisamos nos indignar” — Thaís Rigueti

 

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Pressão funciona: Pezão promete pagar servidores e bolsistas da Uenf

 

Capa da Folha da Manhã do último domingo (30)

 

Parece que funcionou a pressão de Campos e do Norte Fluminense em apoio à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro, cujo funcionamento chegou a estar ameaçado (aqui) pela grave crise financeira do Estado do Rio. Cobrado em entrevista publicada na Folha (aqui) no último domingo, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) se comprometeu a regularizar os pagamentos futuros dos servidores e alunos bolsistas das universidades estaduais a partir do 14º dia útil de cada mês, a contar de maio. Foi o que ele disse em reunião encerrada agora há pouco, no Rio de Janeiro, com seu secretariado e os reitores da Uenf, Luis Passoni, da Uerj e Uezo.

A forma de pagamento aos servidores e bolsistas das universidades estaduais será o mesmo de todos os ligados à secretaria estadual de Educação (Seduc). Quanto aos atrasados, o governador estimou que poderá saldar as dívidas até final de junho, quando já devem ter sido votados na Câmara Federal todos os destaques, além do Senado, o pacote de ajuda da União aos Estados. Caso isso se confirme, o Estado do Rio espera receber algo em torno de R$ 3 bilhões.

Quanto aos fornecedores, Pezão disse que pretende acertar todas as dívidas após regularizar o pagamento dos servidores. Até lá, pagaria um mínimo para tentar garantir a manutenção dos serviços. Dentro dessa previsão, ele pretende repassar à Uenf, nos próximos dias, entre R$ 100 mil a R$ 200 mil. A universidade não recebe verba de manutenção, em torno de R$ 2 milhões/mês, desde outubro de 2015. Seus servidores estão com o 13º de 2016 e abril de 2017 atrasados, enquanto seus bolsistas estão há dois meses sem receber.

 

Atualização às 18h50 para publicação abaixo da nota oficial abaixo:

 

Nota oficial

O secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social, Pedro Fernandes, e representantes de todas as instituições vinculadas à secretaria: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo),  Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cecierj),  Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) e  Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), se reuniram, nesta sexta-feira (05/05), com o governador Luiz Fernando Pezão.

Este foi o segundo encontro para discutir, conjuntamente, as propostas que foram apresentadas para solucionar a crise que atinge as instituições, tais como a isonomia entre a SECTDS e a secretaria de Educação e o pagamento das bolsas dos cotistas e demais bolsistas. O governador se comprometeu, até o final de junho, priorizar a SECTDS e colocar em dia todas as fohas de pagamento, desde que a haja a aprovação do plano de recuperação fiscal que tramita no Congresso. Os vencimentos a partir de junho, portanto, serão pagos na mesma data-base da secretaria de Estado de Educação.

Outro ponto discutido e acordado foi que o recebimento dos bolsistas será feito junto com o pagamento dos demais funcionários do Estado. Caso seja feito o parcelamento dos vencimentos dos servidores o mesmo acontecerá com as bolsas.  Em relação ao pagamento de fornecedores, a secretaria se comprometeu a continuar as negociações com a secretaria de Estado de Fazenda para garantir os serviços essenciais.

 

Leia a cobertura completa das promessas de Pezão à Uenf na edição de amanhã (06) da Folha da Manhã

 

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Uenf resiste com Dia do Rock Goitacá, neste sábado, na Villa Maria

 

 

 

Sábado, dia 6 de maio, a cidade de Campos irá festejar o Dia Municipal do Rock Goitacá. São raras as cidades brasileiras que instituíram esta data comemorativa. Esta quinta edição irá acontecer nos jardins da Casa de Cultura Villa Maria com início previsto para às 14h e encerrando às 23h, com entrada gratuita, ficando instituído aos participantes a iniciativa de doarem um quilo de alimento não perecível ou material de limpeza, que serão doados à própria Uenf e a outras entidades assistenciais do município.

Com organização do Coletivo Resistência Goitacá, o festival irá contar com sete bandas locais, que apresentarão prioritariamente músicas autorais. Os grupos musicais foram selecionados por sorteio, com duas convidadas. São elas: F5, Bender, Blues Band Vidro, Anestesia of Beer, Varney, Angelo Nani e Avyadores do Brazyl.

Um dos organizadores, o músico Kiko Anderson, destaca que este evento é um oásis para os amantes do rock. “Convocamos todos os amantes da boa música e da cultura para participarem conosco dessa iniciativa, faremos mais uma grande festa da arte, da música e da cultura local celebrando essa data que é nossa, o Dia do Rock Goitacá”, afirmou o músico.

O produtor Cultural Romualdo Braga, informa que além das bandas que tocarão ao vivo, haverá ainda audição de discos de vinil, exposições artísticas e uma área gastronômica que abrangerá desde hamburgueria e churrasco até comida vegana. “A idéia é atender a todos os gostos, oferecendo comida e bebida diversificada”, informou o produtor Wellington Cordeiro.

A parceria com a Casa de Cultura Vila Maria será mais uma vez o grande destaque desta edição, já que é um importante ambiente cultural pertencente a Universidade do Norte Fluminense (Uenf), que mesmo passando por dificuldades de cunho financeiro, irá abrigar o evento, dando mais conforto e segurança ao público e aos músicos.

 

Dia do Rock Goitacá

O Dia do Rock Goitacá, Lei Municipal Nº 8479 de 09 outubro de 2013, foi aprovada pela Câmara Municipal de Campos, sendo esta, uma homenagem a Luizz Ribeiro, um dos mais importantes músicos da cidade, que muito contribuiu para formação da cultura musical de Campos.

 

Da assessoria do evento

 

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Guilherme Carvalhal — Aquele triste fantasma

 

(Foto: Paulo S. Pinheiro – Folha da Manhã)

 

 

Através daquele longo gramado onde reinava o total abandono caminhei tomado pela sensação do torpor, por singrar entre um misto de construções homogêneas que aludiam a um passado que não mais podia compreender. Como se além daquele pórtico decadente se escondesse um universo distante e obscuro, guiei-me atrás do caminho aberto pela minha curiosidade ouriçada em busca de uma explicação.

De cara, chamou minha atenção aquela edificação tortuosa e seu teto inclinado. Não fez sentido tal ângulo combinado com as curvas de sua base de sustentação. Seria um enorme erro arquitetônico de outrora? Como alguém admitiria algo tão grotesco, essas ruínas ao longe em destaque, dando a entender que não compreendia nada de traços homogêneos e de equilíbrio?

Perdi alguns minutos conjecturando algum nexo. Nesse período de pensamento disperso que subiu de meus pés um súbito resfriamento, caindo a temperatura sem razão plausível. Essa sensação térmica prenunciou a chegada de um homem translúcido, envolto por uma aura azulada; um fantasma de tempos antigos me interpelava e, ao contrário do que se esperaria, não senti medo. Com uma voz calma e professoral, ele apontou o dedo em direção àquele trapézio e esclareceu que o concebeu um arquiteto de eras remotas, cuja autoria se esqueceu naquelas paragens em decorrência da queda de todo o complexo. E detalhou como ergueram todos aqueles idênticos prédios com a finalidade de ser uma instituição destinada a espalhar o saber.

Perambulamos toda a extensão do perímetro. Em cada bloco ele lembrava de histórias antigas, das máquinas percorrendo, dos operários erguendo colunas de concreto, de uma época em que os alunos subiam pelas rampas e tudo funcionava como um organismo vivo.

No fundo, aquele saudosismo remetia a uma tristeza guardada de então. Uma melancolia engasgada de um observador longínquo, vigilante quando a devastação tomou conta e paulatinamente derrubou os pilares de seu sonho. Daí a brecha para minha pergunta, sobre como algo dessa magnitude converteu-se em um vasto campo onde imperava soberana a desolação.

Informou-me então sobre demônios ocultos dentro dos homens. Demônios que os arrastavam à ignorância, à barbárie. Sua luta contra alguns desses consumiu sua vida, e nos arredores daquela área a população aplaudiu seus esforços. Porém, pouco a pouco esses demônios, eternamente incubados na alma humana, dilaceraram aquela construção até quando em sua glória conquistaram a vitória definitiva. E assim suas lágrimas póstumas semearam os escombros acumulados ansiando pelo retorno triunfal.

Não sei o que mais me tocava, se a paisagem degradada ao meu redor, se a história da queda, se o sofrimento expresso em suas palavras, ou se a conjunção dessas três coisas. Aquela imagem translúcida me induzia a pensamentos negativos, não referente a ela própria, mas às sementes plantadas em meu imaginário. Queria recorrer ao passado e em cores brilhantes assistir a essa ideia tão tresloucada de uma entidade estabelecida para transmitir conhecimento, e descobrir o quanto seu declínio refletiu no atual patamar precário de nosso mundo, enfurnado nos tons de cinza de criaturas brutalizadas.

Sem mais o que ver, eu encafifado com tamanhos histórias, o fantasma em um lamento soturno e particular, despedimo-nos, eu para sair dali com mais dúvidas que certezas, ele para perambular recepcionando algum outro visitante a esmo que o acaso calhasse de guiar até ali. Antes de ir embora, perguntei-lhe qual seu nome. Ele disse que se chamava Darcy.

 

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Semelhanças e diferenças dos três novos vereadores de Campos

 

Beto Cabeludo, Roberta Moura e Josiane Morumbi recebem cumprimentos e aplausos dos colegas da Câmara (Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

 

 

 

Semelhanças e diferenças

Ao tomarem posse ontem na Câmara, os novos vereadores Beto Cabeludo (PTC), Josiane Morumbi (PRP) e Roberta Moura (PR) revelaram semelhanças e diferenças. Em comum, os três assumiram a partir das condenações de primeira e segunda instâncias da Justiça Eleitoral, oriundas da operação Chequinho. A principal diferença é que sobre Beto e Josiane não pesam suspeitas de envolvimento na troca de Cheque Cidadão por voto, no governo Rosinha Garotinho (PR). Por sua vez, Roberta já foi julgada no caso e espera sua sentença.

 

Suspeitas na oposição

Aparentemente, as diferenças nas suspeitas pela forma como conseguiram seus votos na eleição de outubro passado determinou os discursos dos três novos edis. Beto Cabeludo e Josiane Morumbi disseram que vão legislar em conjunto com os companheiros de Câmara, cuja composição hoje é majoritariamente governista. Por sua vez, Roberta Moura pregou: “Vou ser oposição a um governo (Rafael Diniz, PPS) que não está fazendo nada pelo povo. Agradeço a (Anthony) Garotinho (PR) pelo apoio ao meu mandato”.

 

Dúvida assumida

Apesar da firmeza em chegar se anunciando oposição, Roberta externou a dúvida: “Não sei quanto tempo vou ficar no cargo”. Julgada numa Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) da Chequinho, mesmo se a nova vereadora vier a ser condenada, recorre no cargo, mas pode ser alvo de uma Ação Penal (AP) do Ministério Público, que poderia custar seu mandato.

 

Cabeludo x Garotinho

Por sua vez, bastante popular em Ururaí, seu reduto eleitoral, Beto Cabeludo ficou mais conhecido do campista em geral a partir de uma pesquisa do instituto Pro4 divulgada em 8 de novembro de 2015, na Folha. Feita com 984 eleitores, entre 22 a 24 de outubro, na consulta espontânea a prefeito de Campos, que seria eleito no ano seguinte, Cabeludo despontou com 0,1% das intenções de voto. Pode não ter sido muito, mas foi só 0,1 ponto percentual atrás das citações espontâneas a Garotinho, que marcou apenas 0,2%. O crescimento do hoje vereador e a decadência do ex-governador e ex-prefeito já eram tendências.

 

Caminho inverso

Enquanto há grande mobilização para que Campos e cidades vizinhas possam ganhar mais reforço na segurança, uma ordem do comando geral da Polícia Militar no Rio vai desfalcar o 8º BPM e os batalhões de Itaperuna e Pádua em 77 militares. O mais absurdo que isso acontece em meio a uma onda de violência no interior com constantes assaltos e a população refém. A justificativa para o envio de PMs para São Gonçalo é que por lá são constantes o roubos. E aqui, não precisa?

 

Reações

Mesmo que temporário, como garante o Comando da PM, a situação desagrada à população e os próprios militares que estão acostumados com uma rotina diferente da região metropolitana — com menos fuzis, por exemplo. Tanto que a reação dos deputados estaduais Bruno Dauaire (PR), Geraldo Pudim (PMDB), Gil Vianna (PSB) e João Peixtoto (PSDC) foi imediata em defesa dos militares e pela segurança no interior. Eles não conseguiram evitar que os danos fossem ainda pior.

 

Cultura em pauta

O Norte Fluminense terá a oportunidade de discutir as políticas culturais de diversas vertentes artísticas. A região sediará duas prévias do I Fórum Estadual de Segmentos Culturais do Rio de Janeiro que acontecerão nos dias 18 de maio, em Macaé, das 15h às 20 horas, no Centro Cultural Rinha das Artes, e no outro dia, 19, em Campos. O encontro será no IFF Campus Centro, também das 15h às 20h.

 

Com a colaboração do jornalista Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (04) na Folha da Manhã

 

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Gustavo Alejandro Oviedo — A sociedade e o mercado podem ajudar a Uenf, basta ela querer

 

 

 

Da mesma forma que não há pessoa que torça pela ignorância, imagino que não deva ter ninguém que se manifeste a favor do eventual fechamento da Uenf. Ao longo das ultimas duas semanas já se manifestaram em este espaço,  com talento e eloquência, todos os colaboradores do blog. A opinião foi unânime: a Uenf não pode morrer.

É claro que me uno ao protesto. Tenho até motivos pessoais e afetivos para isso. Trabalhei um tempo como bolsista na instituição, num projeto audiovisual; dei umas singelas palestras sobre cinema para um grupo de alunos, e também fiz grandes amigos.

Causa-me tristeza comprovar, mais uma vez, como são negligentes (além de bandidos) os nossos governantes, e como é feroz e implacável o ajuste quando os recursos se esgotam, produto da inconsciência  daqueles que estão encarregados de administrá-los com  competência  e parcimônia.

Projeta-se a nível estadual o mesmo desperdício de recursos provenientes do petróleo que aconteceu no município; a mesma falta de previsão para entender o seu valor oscilante, e a mesma noção equivocada de que o estado deve abranger todas as necessidades da sociedade, quando resulta obvio que deveria limitar-se a seus pontos essenciais — e a educação é um deles.

Entretanto, me parece necessário abrir os olhos diante da realidade que se apresenta à instituição: não se vislumbra no curto prazo uma recomposição dos recursos. A crise do estado está longe de acabar, e o seu fim não virá sem outros ajustes.

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal aprovou a possibilidade de cobrança de mensalidade para cursos de especialização lato-sensu em universidades públicas. Isto é, aqueles que não são de graduação, mestrado ou doutorado. Abre-se aí uma opção a considerar por parte da direção da universidade, apesar do eterno rechaço docente sobre a questão.

Outras opções que deveriam ser analisadas poderiam ser parcerias entre a Uenf e o setor privado, onde a instituição seja a fornecedora a de ideias e conhecimento científico, capaz de fornecer soluções concretas a problemas específicos do mercado.

Um exemplo palpável poderia ser o desenvolvimento de unidades de geração de energia eólica e solar, destinadas a produzir eletricidade na nossa região (que tem sol e vento em abundância).  No setor agropecuário, então, as possibilidades se multiplicam.

Sim, estou falando de lucrar, e de que a universidade possa fazer negócios com terceiros, no seu proveito. Sei que isto pode soar a sacrilégio. Imagino também que devam existir alguns entraves burocráticos, que sempre são utilizados como desculpas convenientes.  Mas, uma vez superados os preconceitos, se chegaria a uma conclusão respaldada pela história: o conhecimento é que nem água, ele se movimenta (e não para) quando encontra um canal de escoamento.

O fim da Idade Média foi determinado pelo fim do isolacionismo das abadias e dos feudos. O comércio entre as novas cidades (burgos) permitiu assim a troca de mercadorias, mas também do saber,  que até então era ‘preservado’ nos mosteiros. A combinação de ambos, conhecimento e comércio,  permitiu o Renascimento.

A luta da Uenf deve continuar, através dos protestos e das reivindicações às autoridades.  Mas não estaria mal começar uma outra frente de luta, composta de imaginação e de pragmatismo.

 

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Pezão adia reunião sobre Uenf e apostas rolam na Câmara de Campos

 

Charge do José Renato publicada no domingo (30) na capa da Folha da Manhã

 

 

 

 

Crise na Uenf: Pezão adia

Alvo de boa parte da edição da Folha do último domingo (30), a crise na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro teve ontem mais um capítulo. E ele não foi favorável. Depois do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) se reunir com reitores das universidades estaduais no último dia 17, uma nova reunião estava marcada para ontem. Mas ela acabou adiada de última hora, por conta de uma viagem de Pezão a Brasília, onde ele tenta ajuda da União para superar a crise financeira sem precedentes do Estado do Rio.

 

Até quando?

Em entrevista exclusiva, de duas páginas, publicada na edição dominical da Folha, Pezão foi perguntado se teria boas notícias para a reunião então agendada com os reitores da Uenf, Uerj e Uezo. Como o governador tergiversou na resposta e acabou adiando o encontro de ontem para a próxima sexta (07), tudo leva a crer que ainda não exista nenhuma boa nova. Enquanto isso, a ruim foi antecipada pelo reitor da Uenf, professor Luiz Passoni, que também falou na Folha de domingo: “É difícil saber até quando estaremos funcionando nestas condições”.

 

GCM do fundamental a médio

Ontem à noite, cerca de 70 auxiliares de vigilância Guarda Civil Municipal (GCM) de Campos fizeram uma manifestação em frente à Prefeitura. Aprovados em concurso para ensino fundamental, eles reivindicaram alteração de função e equiparação salarial com quem entrou na Guarda concursado para nível de ensino médio. O prefeito Rafael Diniz (PPS) recebeu uma comissão dos manifestantes e disse não ser possível. Eles prometeram um novo protesto para hoje de manhã, diante da sede da GCM.

 

Cadeiras à espera

O prazo para que as quatro cadeiras ainda em aberto na Câmara de Campos sejam ocupadas pelos suplentes dos cassados na Chequinho é de até 15 dias, segundo afirmou, ontem, o presidente da Casa, Marcão Gomes (Rede). No entanto, tem vereador que foi afastado apostando que isso não ocorrerá, porque estão confiantes em uma vitória no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda esta semana. Com isso, eles seriam reconduzidos aos cargos que perderam por condenação do uso do Cheque Cidadão na compra de votos.

 

Aposta em Luciana Lóssio

Nos bastidores, o motivo para tal otimismo não estaria respaldo em outra coisa a não ser o fato da ministra Luciana Lóssio estar de saída do TSE na sexta-feira, dia 5, quando encerra o seu mandato. Indicada para o Tribunal pela ex-presidente Dilma Rousseff, Luciana atuou quatro anos. Bastante conhecida pelos campistas, a ministra é relatora de quase todos os processos relacionados a Campos e foi determinante, ano passado, nos recursos do caso Chequinho que chegaram ao TSE, inclusive concedendo a liberdade a vereadores e a Anthony Garotinho (PR), presos na operação.

 

“Bala na agulha”

A aposta feita por alguns rosáceos na volta dos 11 vereadores à Câmara é alta. Um deles tem até falado que aposta R$ 50 mil com  quem quiser, que ele e os outros dez vão reassumir as suas vagas. Apesar de estar sem receber como vereador, parece estar com “bala na agulha”. No entanto, só esqueceu de um detalhe: a volta de Cecília Ribeiro Gomes (PT do B) não está condicionada apenas a se livrar da Chequinho, mas também à desconsideração de uma decisão dada pela mesma Luciana Lóssio, que garantiu a recontagem dos votos e a vaga a Marcos Bacellar (PDT).

 

Da capital ao interior

Ontem a região metropolitana do Rio viveu uma onda de violência e terror acima do normal, com atraques a ônibus, confrontos e total descontrole das forças de segurança que já registram índices semelhantes aos de antes da implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Da capital ao interior, a crise na economia do Rio tem refletido diretamente na segurança, fazendo do estado “terra de ninguém”. Assaltos viram rotina e a ausência de policiamento na divisa com o Espírito Santo, por exemplo, é a prova que aqui entra quem quer e para fazer o que quiser.

 

Com a colaboração do jornalista Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (03) na Folha da Manhã

 

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Adiada reunião de Pezão com reitores das universidades estaduais

 

(Foto: Assessoria da Uenf)

 

 

Marcada para hoje, acabou de ser adiada no Rio a reunião entre o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e parte do seu secretariado com os reitores da Uenf, Luis Passoni, da Uerj e Uezo, para tratar da crise nas instituições estaduais de ensino superior. Cobrado pela Folha em relação à situação da Uenf, em entrevista publicada (aqui) no último domingo (30/04), Pezão teve que ir às pressas hoje a Brasília, onde busca a ajuda da União para tentar tirar o Estado do Rio da grave situação financeira na qual se encontra. A reunião com os reitores foi remarcada para a próxima sexta, dia 5.

 

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Bruno Dauaire leva assistência oftalmológica do RJ a SJB

 

 

 

A secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social leva a São João da Barra neste sábado, 6, o projeto Novo Olhar, da Fundação Leão XIII. Moradores do município com mais de 40 anos de idade terão acesso a consultas médicas, exames oftalmológicos e receberão óculos gratuitamente. A realização do projeto na cidade foi um pedido do deputado estadual Bruno Dauaire (PR) ao secretário Pedro Fernandes no início de abril, durante reunião no Rio com representantes do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais (Sintuperj). No dia 10, quando o secretário esteve na universidade, cumprindo agenda também pedida por Bruno, houve a confirmação. O atendimento será no Colégio Estadual Alberto Torres, das 10h às 15h.

Bruno já havia conversado desde o início do mês passado com a direção do Colégio e aguardava a confirmação da liberação do espaço por parte da secretaria estadual de Educação para divulgar o evento com todo o processo já definido. “O Novo Olhar é um projeto do governo estadual que tem marcado presença em vários municípios sempre com um resultado muito positivo e vai ser importante para ajudar a suprir as demandas São João da Barra nesta área”, disse o deputado.

Para receber o atendimento, é preciso apresentar RG, CPF e comprovante de residência (original ou cópia). Serão 500 senhas, que começam a ser distribuídas às 8h. O primeiro passo é a realização de cadastro, seguido dos exames de acuidade visual e auto refrator. Logo após, o paciente é encaminhado à consulta médica e recebe na sequência o protocolo para a retirada dos óculos, que serão entregues em prazo médio de um mês, de acordo com o grau de cada paciente, em dia e local marcados.

 

Da assessoria do deputado Bruno Dauaire

 

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Fernando Leite — A Uenf, quando nasceu, venceu a carioquice

 

Leonel Brizola e Fernando Leite, na sanção do governador à lei do deputado que criou a Fenorte (Foto: Arquivo pessoal)

 

 

A Universidade Estadual do Norte Fluminense foi a causa do meu mandato de deputado estadual, entre 1990 e 1994, do século passado. Fui eleito com esta missão, uma vez que a grande bancada metropolitana, seguindo lobby da Uerj, fez constar no texto da lei de meios que se a universidade não estivesse, efetivamente, implantada, num prazo de 2 anos, a partir de sua criação, ela deixaria de existir e a Uerj interiorizaria alguns de seus cursos. Era uma armadilha, considerando a complexidade de instalação de uma Universidade do terceiro milênio, erigida sob o conceito do antropólogi Darcy Ribeiro.

A nossa Uenf era a síntese das experiências de Darcy como semeador de universidades pelo mundo. Um templo de saber vocacionado para a antiga Capitania de São Tomé, a porta de entrada para um mundo novo. Era não, é. A crise que assola nossa universidade vai deixa-la, ao final, mais robusta, e imune a politicas menores que, via de regra, colocam o Governo como grande vilão e a universidade como vítima, numa relação, absurdamente, beligerante, quando, na essência, são (e deverão ser) parceiros incondicionais. Sem o governo, inexiste o indispensável ensino público e gratuito; sem a universidade a administração é um mero modelador de obras físicas, mas não edifica o futuro.

O tempo urgia. Já entrava no segundo ano de meu mandato, em 1992, e  a Uenf enfrentava a monstruosa burocracia estatal, aliada a carioquice dos deputados do Grande Rio, que, abertamente, contestavam a criação da nossa Universidade, sob o argumento preconceituoso que a Uerj bastava e que o interior não tinha necessidade de um Centro de Conhecimento “desse tamanho”, que sangraria ainda mais a combalida Uerj.

Eu temia pela sorte da Uenf. Os deputados que partilhavam de nosso sonho eram poucos. Fui a, pelo menos, 3 encontros convidado pela reitoria da Uerj para discutir sobre a oportunidade da criação da Uenf. E em todas as ocasiões lamentei que pensadores e educadores pudessem achar que universidades eram de menos. Quando o razoável era que defendessem o contrário. Lembrava-os que nos países civilizados há universidades ais antigas que o Brasil.

Como a implantação da Uenf corria sério risco, fizemos uma reunião sob a coordenação do professor Darcy ribeiro, sal e luz da Uenf, e decidimos que eu apresentaria um projeto de lei na Aler, criando a Fenorte, a instituição mantenedora da universidade, com maior elasticidade e menos burocracia. O projeto teve a seguinte redação:

“O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º – Fica o Poder Executivo autorizado a instituir, sob a denominação FUNDAÇÃO ESTADUAL NORTE FLUMINENSE, uma Fundação que se regerá por estatuto aprovado por decreto.

Art. 2º – A Fundação será uma entidade autônoma e adquirirá personalidade jurídica de direito privado a partir da inscrição, no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, do seu ato constitutivo, com o qual serão apresentados o Estatuto e o decreto que o aprovar.

Art. 3º – A Fundação terá por objetivos: 1 – Manter e desenvolver a Universidade Estadual do Norte Fluminense, instituição de ensino superior, de pesquisa e de estudo em todos os ramos do saber e de divulgação científica, técnica e cultural. 2 – Implantar e incrementar o Parque de Alta Tecnologia do Norte Fluminense, instituição de desenvolvimento tecnológico e industrial, responsável pela transferência, absorção de novas tecnologias de processo ou produto. Parágrafo Único – Para a consecução desse objetivo a Fundação poderá: I – Obter recursos destinados as suas atividades; * Revogado pelo art. 11 da Lei 2902/98 Controle de Leis II–

(…)Art. 10 – Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas a Lei nº 1740, de 08 de novembro de 1990 e demais disposições em contrário. Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 1992. LEONEL BRIZOLA Governador”

A partir de então, foi quebrada a espinha dorsal da burocracia e  a Fundação possibilitou a agilidade necessária para contratação de professores\doutores, importação de maquinário e a implementação definitiva da Universidade do Norte Fluminense.

Uma universidade com esse vigor, filha da vontade popular, não se deixará abater por uma crise circunstancial. Na Uenf, minha senhora, toda hora é aurora.

 

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Poema do domingo — Duas ilhas do azul daquela íris

 

(Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

íris

(p/ leila)

 

depois da terça gorda de carne

na rede à gestação dos corpos

o ano se alisa em mando manso

da praia lambida à volta da onda

 

marujo ao piano, sinatra ecoa:

“i fall in love too easily

i fall in love too fast”

que nem dá tempo de lembrar

do baile líquido em gene kelly

ou portos sucedidos de mar

 

afogada a sede em sua fonte

preliminar ao píer dos quadris

no cinza de tudo à média luz

duas ilhas do azul daquela íris

 

campos, 26/03/17

 

 

 

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