Marcão ainda não definiu entre Alerj ou Câmara Federal em 2018

 

 

 

Pré-candidato de Rafael

Entre situação e oposição goitacá, há pouca gente que não aposte: mesmo com outras eventuais pré-candidaturas governistas, o atual presidente da Câmara Municipal, vereador Marcão Gomes (Rede), será o candidato da administração Rafael Diniz (PPS) nas eleições legislativas de 2018. Se a deputado estadual ou federal, é que ainda não se sabe. Embora o próprio Marcão admita que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) seria seu destino de preferência, ele colocou a decisão nas mãos do seu grupo político e seu líder natural: o atual prefeito, seu ex-companheiro na bancada de oposição aos Garotinho.

 

Momento de ajudar a cidade

Marcão, no entanto, acha que o momento de se discutir as pré-candidaturas será o segundo semestre do ano, não agora: “primeiro porque o a reforma política que começa a ser discutida em Brasília pode mudar tudo. Para valer em 2018, tem que ser aprovada até setembro de 2017. Se não conhecemos as regras do jogo, não podemos dizer como vamos jogar. O momento é de tentar achar soluções ao quadro caótico em que o governo passado deixou as finanças do município. Em todas as conversas que mantenho com lideranças políticas e comunitárias, digo que a hora é de nos unirmos para tentar ajudar o prefeito e a cidade”.

 

Opção única do Rede

Se há pouca dúvida de que, para deputado estadual ou federal, Marcão contará com o apoio político de Rafael, tampouco parece haver de que, independente da opção, o presidente da Câmara Municipal será o único pré-candidato do seu partido no município. “Fui o vereador mais votado de Campos. Nossa candidatura pelo partido deve acontecer de maneira natural”, justificou.

 

Mesma dúvida

A mesma dúvida de Marcão, entre disputar uma vaga à Alerj ou a Câmara Federal, foi abordada (aqui) em outra possível pré-candidatura nas eleições legislativas de 2018. Diferente do vereador, cujo nome na disputa para certo, o jovem médico e empresário Diogo Neves não confirmou sua intenção em se lançar em 2018. Mas também não descartou a possibilidade, confirmada pelos três principais nomes do PSDC em Campos: o deputado estadual João Peixoto e os vereadores José Carlos e Cláudio Andrade.

 

Efeito Marcão

Sem definir se será ou não pré-candidato, Diogo também não decidiu se poderia postular uma vaga de deputado estadual ou federal. E nesta incerteza, os interesses dos quadros do PSDC goitacá parecem ser distintos, alguns deles também ligados aos destinos de Marcão. Seu primeiro vice-presidente da Câmara Municipal, Zé Carlos confirmou a própria pré-candidatura a deputado federal. E comenta-se que ele poderia tentar fazê-lo em dobrada com Marcão, caso este concorresse à Alerj, deixando o João Peixoto na saudade, em sua tentativa do sexto mandato de deputado estadual.

 

Interesses

Assim, diante do risco de perder o apoio de Zé Carlos para Marcão, interessaria a Peixoto estimular a pré-candidatura de Diogo a deputado federal pelo PSDC, para tentar contra-atacar a “deserção” do antigo aliado. Por sua vez, Cláudio Andrade defende a candidatura do médico a deputado estadual. E nisto também trabalha politicamente pelos próprios interesses. Se Diogo desistir de se lançar na política, a vaga deixada poderia sobrar ao vereador. Por outro lado, caso o primeiro decida se candidatar, Andrade seria seu principal cabo eleitoral em Campos, reforçando os laços com um dos grupos empresariais mais fortes do município.

 

Como previsto

O blog do jornalista Lauro Jardim, hospedado no site do jornal O Globo, confirmou (aqui) na noite de ontem uma informação já divulgada por esta coluna (aqui) na edição de domingo: a delação de Jonas Lopes de Carvalho, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio de Janeiro, traz pouco ou quase nada sobre Anthony Garotinho (PR). Jardim salientou que a colaboração também isenta Rosinha Garotinho (PR), ex-governadora e prefeita de Campos por dois mandatos.

 

Com a colaboração do jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (04) na Folha da Manhã

 

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Informações ao TSE sobre pedidos de prisão da “Chequinho”

 

 

 

O juízo da 100ª Zona Eleitoral de Campos pediu hoje informação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para decidir sobre os pedidos de prisão dos ex-vereadores Miguelito (PSL) e Ozéias (PSDB), da ex-secretária municipal de Desenvolvimento e Ação Social Ana Alice Ribeiro e da ex-coordenadora do Cheque Cidadão Gisele Koch Soares.

Como aunciado ontem (aqui), neste “Opiniões”, e divulgado hoje (aqui), na Folha, os pedidos de prisão foram feitos pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) na última sexta (31), depois que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) julgou e negou o mérito dos habeas corpus dos quatro denunciados na operação “Chequinho”, da Polícia Federal (PF), que investiga a a utilização na troca de Cheque Cidadão por voto, na última eleição municipal de Campos.

Miguelito, Ozéias, Ana Alice e Gisele chegaram a ser presos no decorrer das investigações, em 2016, mas foram soltos em decisões liminares da ministra Luciana Lóssio, do TSE.

 

Com informações da repórter da Folha Suzy Monteiro

 

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Fernando Leite — Cem dias: para onde vai o governo Rafael Diniz?

 

 

 

O prefeito Rafael Diniz ganhou as eleições municipais de 2016, em Campos dos Goytacazes. Não foi uma vitória burocrática ou simples, pelas circunstâncias políticas e históricas, foi uma efeméride. Destronou uma bruta dinastia que exercitava o Poder ao seu bel prazer e suas conveniências. Que, necrosada pelo uso indevido do mando público, governava pela ganância, pela vingança e pela herança. É justo que o jovem prefeito saboreie o triunfo por um tempo. É humano.

No próximo dia 10, no entanto, a sua administração completa 100 dias de efetivo governo. Os famosos “cem dias”, cuja origem nos remete aos cem dias do pífio segundo reinado de Napoleão, depois do exílio na Ilha de Elba. Mas, aqui, na Planície, é outro o filme. O novo governo veio ungido pela sagrada rebeldia popular, no rito do voto. De uma só vez, o eleitor campista disse NÃO aos que se foram e SIM aos que chegaram na carona do sonho de uma cidade “diferente”. O povo fez, com louvor, o seu papel, cabe ao governo fazer o seu.

Desde então, o prefeito recebe, mesmo sem pedir, muitos conselhos e muitos convites. Muitos acham que têm a fórmula mágica de governar, sem causar estragos. Tantos são os que querem soprar em seu ouvido o segredo de administrar, agradando a todos, mesmo com as contas públicas estouradas. Faz lembrar o texto clássico do poeta lusitano, José Régio, que viveu no último século do milênio passado. Dizem os versos:

“‘Vem por aqui’ — dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: ‘vem por aqui!’

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

e nunca vou por ali (…)”

O prefeito é a cabeça que se impõe “à frente e acima da tropa”. É republicano, cabe-lhe o papel de escolher o caminho mais seguro para edificação de sua obra integral e ter a exata noção que governar é transigir, a um só tempo, entre Deus e o Diabo. Não há gestões só de anjos e vestais. Quem vendeu este sonho, mentiu. Na estrada há lagos e pântanos a serem vencidos. O cuidado é para sair, ao final, sem nódoas. O Diabo se esconde nos detalhes, nas inexplicáveis, mas “necessárias” ações subalternas, tais como as eleições da mesa diretora da Câmara Municipal; no controvertido resgate da Pátio Norte; em grandes heresias como a exoneração das diretoras eleitas, democraticamente; no fatiamento do Poder com quem tem o dever de fiscaliza-lo, os vereadores. Enfim, fazer o que dizia que não faria. Deus reina no macro.

Volto ao evangelho de José Régio:

“(…) Vem por aqui”…

Querem alguns que o prefeito repita o modus operandi do adversário vencido, que expunha as vísceras dos seus inimigos, ao sol, na praça central da cidade. Tolos! Esta prática foi rechaçada de plano. O prefeito venceu esse modelo próprio dos carniceiros. Repetir o contendor tombado seria o maior de todos os equívocos. Portanto, ainda é cedo. É certo que jovem alcaide já cometeu pequenos pecados, mas dá a entender que, ao final, no conjunto da obra, passará com sobra. É acima do político, um homem de bem.

Mas que ninguém se iluda, uma eventual derrocada do governo de Rafael Diniz não implicará no ressurgimento de Garotinho e seu grupo, sobre quem pesam os escombros da maior rejeição política da história contemporânea.

Pode ser que tropece aqui e ali, pois é “caminhando que se faz o caminho”, pode ser que erre mais um pouco até acertar a mão, mas, ao que parece, o prefeito leu o velho Régio e prepara o seu grand finale, com o epílogo do poema quase centenário:

“(…) Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

— Sei que não vou por aí!”

Pra quem está começando a caminhada, descartar o largo e fácil caminho da perdição, já é um norte.

 

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“Chequinho”: pedidas prisões de Miguelito, Ozéias, Ana Alice e Gisele

 

 

 

“Chequinho”: novos pedidos de prisão

Os ex-vereadores Miguelito (PSL) e Ozéias (PSDB), a ex-secretária municipal de Desenvolvimento e Ação Social Ana Alice Ribeiro e a ex-coordenadora do Cheque Cidadão Gisele Koch Soares tiveram seus mandados de prisão pedidos desde o início da noite da última sexta-feira (31) pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) de Campos. Os quatro já foram presos no decorrer da operação “Chequinho”, da Polícia Federal (PF), sobre as denúncias da troca de Cheque Cidadão por voto, num “escandaloso esquema” que teria sido liderado pelo ex-governador Anthony Garotinho (PR), durante nas eleições municipais de Campos em 2016.

 

Decisão a qualquer momento

Os novos pedidos de prisão foram possíveis depois que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) julgou e negou o mérito dos pedidos de habeas corpus dos quatro denunciados. Liminarmente (sem análise do mérito), a soltura dos quatro havia sido antes concedida pela ministra Luciana Lóssio, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que se tornou conhecida dos campistas pelas decisões favoráveis aos rosáceos. Agora, os novos pedidos de prisão serão analisados e julgados pelo juízo da 100ª Zona Eleitoral de Campos. A decisão pode acontecer a qualquer momento.

 

Ampla CPI

Na última sessão da Câmara de Campos, o vereador Marcão Gomes (Rede), presidente da Casa, propôs a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com intuito de averiguar e repatriar o que, segundo ele, “foi roubado da Prefeitura”. Se houver boa vontade em fazer uma CPI como essa sair do papel, não será difícil conseguir o número suficiente de assinaturas. Pelo discurso do parlamentar, o trabalho vai além, sem esquecer dos contratos firmados com a Odebrecht. Como divulgado pela mídia, após vazamento de documentos e delações, a empresa envolvida na Lava Jato teria feito doações irregulares ao clã Garotinho.

 

Rio pós-delações

O que vai sobrar da política fluminense quando todas as delações vierem à tona? Tem o conteúdo total da colaboração de Jonas Lopes de Carvalho, as supostas tratativas de Sérgio Cabral (PMDB) e Eike Batista, ambos presos, e a dos executivos da Odebrecht, ainda em sigilo. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), deve levantar o sigilo neste mês. Parte da delação de Jonas já chegou ao conhecimento da imprensa, além de levar para a cadeia cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Sabem-se lá os efeitos do que pode ser delatado por Eike e Cabral.

 

Auditorias em Campos

Caso não seja prorrogado, o prazo para minuciosa auditoria na Prefeitura de Campos, determinado pelo prefeito Rafael Diniz (PPS) na primeira publicação oficial de sua gestão, já terminou. O relatório daquilo que foi encontrado e as medidas que serão adotadas a partir dele devem ser anunciados em breve. Os dados preliminares, como os apresentados pelo secretário Felipe Quintanilha, de Transparência e Controle, na Câmara, não são nada animadores. Por mês, afirmou Quintanilha, são R$ 95 milhões de receita e R$ 142 milhões de despesa.

 

100 dias

A próxima segunda-feira marca os 100 dias do atual governo. O momento é oportuno para mostrar o que já foi possível economizar, bem como as medidas de corte necessárias, já que a arrecadação atual não é suficiente para suprir os custos da máquina pública. O prefeito criou uma comissão que deveria apresentar uma proposta de reforma administrativa, que implique em diminuição de gastos e garanta máxima efetividade dos serviços prestados.

 

Com a colaboração do jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (03) na Folha da Manhã

 

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“Chequinho”: Ministério Público pede prisão de quatro

 

 

 

Quatro acusados na operação “Chequinho”, da Polícia Federal (PF), que já foram presos no decorrer das investigações, estão desde o início da noite de sexta (31) com novos pedidos de prisão feitos pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) de Campos. Eles foram possíveis depois que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) julgou e negou o mérito dos pedidos de habeas corpus.

Os novos pedidos de prisão podem ser julgados a partir de amanhã, a qualquer momento, pelo juízo da 100ª Zona Eleitoral de Campos. Para saber quem são os alvos do MPE, nesta segunda (03) a coluna “Ponto Final”, da Folha da Manhã.

 

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O que Garotinho teme nas imagens apreendidas pelo GAP?

 

 

 

PMDB na mira

Desde a prisão do ex-governador Sérgio Cabral em Bangu, ainda em novembro de 2016, as coisas não andam nada boas para o PMDB fluminense. E parecem ter piorado ainda mais com a delação do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o advogado campista Jonas Lopes de Carvalho Júnior, mais conhecido como Joninhas, que buscou segurança fora do país após entregar cinco dos seus pares no esquema de corrupção do TCE, no qual tinha participação ativa.

 

Joninhas aliviou?

Ex-aliado dos peemedebistas presos e denunciados, Anthony Garotinho (PR) já foi o líder desse mesmo grupo político, quando ele e sua esposa, Rosinha Garotinho (PR), governaram o Estado, entre 1999 e 2007.  Foi quando o político da Lapa indicou Joninhas, seu amigo e antigo colaborador, ao TCE. Mas aparentemente poupado nas delações deste à Justiça Federal do Rio de Janeiro, Garotinho não tem tido refresco da Justiça e Ministério Público Eleitoral de Campos, nos desdobramentos da operação “Chequinho”, da Polícia Federal (PF), sobre a denúncia da troca de Cheque Cidadão por voto, nas eleições municipais perdidas de 2016.

 

GAP não aliviou

Como mostra (aqui) a matéria na página 2 desta edição de hoje, em entrevista ontem à Rede TV, Garotinho não negou que tenha se encontrado com seu aliado e ex-chefe de Polícia Civil Álvaro Lins. As imagens das câmeras de segurança do edifício em que o ex-governador reside, no bairro carioca do Flamengo, e em dois endereços da empresa “Palavra de Paz”, da qual ele é sócio, foram capturadas numa operação de agentes do Grupo de Apoio à Promotoria (GAP), no último dia 17.

 

Alvos de Garotinho

A ação do GAP no apartamento de Garotinho se deu cinco dias depois desta coluna ter noticiado (aqui) que o escritório de advocacia de Lins teria sido contratado por Garotinho para levantar informações sobre o juiz Ralph Manhães, o promotor Leandro Manhães e o delegado federal Paulo Cassiano. Os três são figuras de proa da operação “Chequinho” e, por isso, foram eleitos como inimigos pessoais pelo ex-governador.

 

Globo confirma Folha

As informações reveladas pelo “Ponto Final” no dia 12 foram depois confirmadas (aqui) pela reportagem do jornal O Globo, que publicou no dia 17: “o ex-governador contratou Lins para montar um dossiê com o objetivo de constranger delegados, promotores, juízes e testemunhas envolvidos no processo. Há ainda a suspeita de que Lins tenha ligado para testemunhas como forma de pressão”.

 

Cúmplices

Alvos da operação “Segurança Pública S.A.”, da PF, Garotinho e Lins foram condenados pela Justiça Federal por integrarem uma quadrilha armada durante o governo estadual de Rosinha. Diferente do ex-governador, as consequências foram reais ao ex-chefe de Polícia Civil, que ficou preso entre 2008 e 2009, teve o mandato de deputado estadual cassado e chegou a perder a carteira da OAB, recuperada em 2013. Depois, em 2014, ele seria flagrado num áudio pedindo votos à candidatura de Garotinho a governador, que não chegou ao segundo turno.

 

Perguntas no ar

Não se sabe bem o que Garotinho teme nas imagens apreendidas pelo GAP. O fato é que, no último dia 24, ele teve negado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) uma liminar na qual pedia que o material de vídeo não fosse utilizado publicamente. Ontem, indagado na entrevista da Rede TV sobre isso, o ex-governador admitiu por via transversa, ao seu estilo, o encontro com Lins: “Por que eu não poderia me encontrar com ele?”. Enquanto as imagens não foram conhecidas, pode ser que outras perguntas fiquem no ar.

 

Publicado hoje  (02) na Folha da Manhã

 

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Artigo do domingo — Opiniões sobre o governo Rafael no “Opiniões”

 

 

 

Há mais de um ano, o blog “Opiniões”, hospedado na Folha Online, abriu espaço às colaborações fixas. Foi em março de 2016 que o escritor capixaba Fabio Bottrel puxou a fila, quando passou a escrever aos sábados. Hoje, o blog conta com 14 colaboradores se alternando de segunda a sábado. A maior parte dos dias da semana é ocupada por uma dupla em revezamento quinzenal, à exceção das sextas, quando quatro escrevem em periodicidade mensal.

O último a chegar foi o advogado e publicitário argentino Gustavo Alejandro Oviedo. Após ter colaborado com a Folha como crítico de cinema, na Folha Dois, e depois articulista da página de opinião do jornal, ele passou a escrever quinzenalmente no “Opiniões”, às quartas-feiras. Além da sua participação, ele chegou com uma ideia: que todos passassem a escrever, eventualmente, sobre um mesmo tema.

Colocada aos demais, a proposta teve aprovação geral. Na opinião de todos, preservadas as diferenças de estilo e pensamento de cada um, a abordagem coletiva do mesmo tema confere sinergia aos esforços individuais. Como a maioria escreve quinzenalmente, ficou acordado que o mesmo assunto será analisado pelos colaboradores do blog numa rodada contínua de duas semanas. Ao seu término, se seguirá uma semana com tema livre, antes de uma nova quinzena em torno de outro tema fixo, e assim sucessivamente.

Assim, amanhã (03), no “Opiniões”, caberá ao jornalista e poeta Fernando Leite abrir a primeira rodada com tema coletivo. Na sequência dos dias, escreverão sobre o mesmo assunto a professora e escritora Carol Poesia (04), o pai da ideia Gustavo Oviedo (05), o jornalista e escritor Guilherme Carvalhal (06), o advogado e professor Carlos Alexandre de Azevedo Campos (07), o batedor da vanguarda Fabio Bottrel (08), o tradutor Marcelo Amoy (10), o jornalista e poeta Ocinei Trindade (11), o jornalista e servidor federal Ricardo André Vasconcelos (12), a antropóloga e poeta Manuela Cordeiro (13), o professor e comunicador visual Sérgio Provisano (14), e a cientista social Vanessa Henriques (15).

No meio e no fim da rodada, aos domingos dos dias 09 e 16 deste mês, o administrador do blog terá a oportunidade para dialogar, aqui, neste espaço físico de jornal impresso, com o que tiver sido pontuado nos dias anteriores, sobre um mesmo assunto, por cada colaborador virtual. Não por acaso, o primeiro tema coletivo às análises será o governo Rafael Diniz (PPS), eleito sob muita expectativa e que completará o emblemático período de 100 dias justamente no meio da rodada, no próximo dia 10.

Posteriormente, os assuntos abordados nas rodadas temáticas seguintes serão definidos junto a você, leitor, nos comentários no blog e na democracia irrefreável das redes sociais. Afinal, para um blog chamado “Opiniões”, dentro da multiplicidade de opiniões esperada, a sua será sempre a que mais interessa.

 

Publicado hoje (02) na Folha da Manhã

 

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Diogo Neves pinta como novidade no tabuleiro do jogo de 2018

 

 

 

Diogo Neves para 2018?

Em meio a tantas pré-candidaturas locais às eleições legislativas de 2018, uma possível novidade. Médico oncologista, jovem, diretor e herdeiro de importante grupo empresarial na área de saúde do município, Diogo Neves pinta como novidade do tabuleiro político de Campos, possivelmente pelo PSDC. Dentro da legenda, as versões dão conta da pretensão, mas são contrastantes. Ouvido pela coluna, Diogo esclareceu que não está filiado a nenhum partido e não deu certeza: “Ainda é uma coisa embrionária. Não vou dizer que botei meu bloco na rua, mas também não descarto”.

 

Versão de João Peixoto

Deputado estadual em seu quinto mandato e presidente estadual do PSDC, João Peixoto disse ontem ao “Ponto Final” que teria mantido uma conversa há cerca de um mês com o vereador e seu correligionário Cláudio Andrade. Segundo João, Cláudio teria levado o interesse de Diogo em ser candidato à Câmara Federal, ficando de intermediar uma conversa neste sentido entre o deputado e o médico e empresário Herbert Sidney Neves, pai do possível pré-candidato.

 

Versão de Cláudio Andrade

Também ouvido pelo “Ponto Final”, Cláudio admitiu o encontro com Peixoto e o interesse de Diogo em se lançar na política. Mas o advogado e vereador fez três importantes distinções: 1) a conversa teria sido no ano passado; 2) uma reunião posterior do deputado com Herbert Sidney sequer teria sido mencionada; e 3) a pré-candidatura de Diogo existe, mas a deputado estadual, não a federal.

 

Zé Carlos

Por sua vez, também ouvido pela coluna, o outro vereador do PSDC em Campos, José Carlos, disse ter sabido apenas ontem, no Farol, da possibilidade de uma pré-candidatura do jovem médico e empresário pelo seu partido. O edil reafirmou sua própria pré-candidatura à Câmara Federal. Caso se lance, Diogo ainda não tem definido partido ou candidatura. Na dúvida, se viesse mesmo pelo PSDC, uma tendência parece clara: se for a deputado federal, pode atrapalhar Zé Carlos; se for a estadual, João Peixoto seria o principal afetado. A não ser, lógico, que o debutante na política cumprisse o papel de puxador de voto na legenda.

 

Destino do garotismo

Quem conhece os bastidores do PR, atual partido de Anthony Garotinho e seu grupo político, garante: a direção nacional do partido conta as horas para ver o político da Lapa pelas costas. Mas qual seria o destino do ex-governador fluminense e seus seguidores? Em 15 de março, o jornalista Paulo Capelli anunciou na coluna “Informe O Dia” a resposta do ex-ministro Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, à possibilidade de Garotinho voltar ao partido fundado pelo ex-governador Leonel Brizola (1922/2004): “Foi uma rejeição praticamente unânime”.

 

Volta ao PDT?

Após a negativa do PDT, Garotinho tentou minimizar a questão: “Não pode haver rejeição porque nunca pedi (para voltar ao PDT). Ficamos de conversar, de agendar encontro. Sempre tive simpatia pelo PDT, mas é só isso”. Todavia, segundo Wladimir Garotinho informou ontem à coluna, a coisa ainda não estaria definida. Embora seu pai enfrente restrições de nomes da velha guarda pedetista, como a deputada estadual Cidinha Ramos, nomes jovens do partido, como o ex-ministro Brizola Neto, seriam simpáticos à ideia.

 

PTB como opção

As negociações para a volta de Garotinho ao PDT estariam em compasso de espera, enquanto Lupi conversa com o ex-prefeito carioca Eduardo Paes, que está no PMDB, mas busca outra legenda para fugir do desgaste da prisão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). Se, por este ou outro motivo, os entendimentos com o PDT não evoluírem, um caminho para o garotismo seria o PTB. Cogitado como outro possível destino, o PRB seria uma opção pouco provável.

 

Publicado hoje (01) na Folha da Manhã

 

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Vanessa Henriques — Procura-se profissionais flexíveis

 

 

 

Vivemos em um mundo cada vez mais competitivo. Nas últimas décadas, no Brasil, democratizou-se o acesso ao ensino superior e à pós-graduação, ou seja, aumentou o contingente de mão de obra qualificada no Brasil sem que, como consequência, aumentassem também as vagas existentes no mercado de trabalho. Desta forma, podemos facilmente observar muitas pessoas pertencentes à geração Y – classificação utilizada na Sociologia para enquadrar os indivíduos que nasceram entre 1980 e meados da década de 90 – com dificuldade de se estabelecer no mercado mesmo a despeito do acúmulo de títulos escolares. São muitos os que optam por abandonar as carreiras pelas quais são apaixonados para procurar empregos em áreas com vagas mais abundantes e geralmente mal remuneradas.

Lendo as reportagens dos jornais, topo com a triste (mas razoável) afirmação de uma consultora profissional: “Não adianta estudar para o que o mercado não pede.” Sustentar o desejo de estudar e trabalhar com aquilo que a gente realmente gosta, quando se trata de profissões pouco valorizadas pela lógica do mercado, não é tarefa das mais fáceis. Frequentemente, o sonho vai por água abaixo quando não se tem a ajuda financeira da família por um período de tempo considerável após a graduação. Portanto, para a maioria, a regra é aceitar as oportunidades que aparecem pela frente; realização subjetiva no trabalho é um privilégio para poucos.

Esta insegurança que muitos de nós sentimos em relação ao futuro provoca uma grande ansiedade que muitas vezes é capaz de paralisar o sujeito e impedir que este se movimente em direção às suas ambições. Somado à sensação de instabilidade também se encontra o peso das exigências do mercado: procura-se profissionais flexíveis, “antenados”, desapegados, prontos a se “reinventarem” a qualquer momento para tornar o trabalho mais “dinâmico”.

No final da última década, o sociólogo estadunidense Richard Sennett, em seu livro “A Corrosão do Caráter — Consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo”, aponta esta tendência à flexibilização do trabalho e suas consequências observáveis nas relações dos trabalhadores com o tempo, agora marcado pela premência do “curto prazo”. Logo no prefácio do livro, o autor nos oferta uma informação etimológica curiosa: a palavra “career” (carreira), na língua inglesa, significava originalmente “estrada para carruagens” e depois, quando foi aplicada à vida profissional, remetia-se ao “caminho” de atividades laborais “percorrido” por uma pessoa durante toda uma vida. Mais tarde, com o advento do que ele chama de “capitalismo flexível”, no qual as pessoas se deslocam de um trabalho a outro com maior frequência, a palavra “job” (serviço, emprego), que originalmente significava “bloco” ou parte de alguma coisa que se podia transportar de um lado pro outro, começou a dar sentido a esta nova forma de trabalhar, na qual as pessoas realizam o trabalho em partes, “blocos”, no curso de uma mesma biografia.

As incertezas que se originam quanto ao futuro profissional ou mesmo quanto à permanência no emprego atual, transformam os ambientes de trabalho em locais hipercompetitivos, permeados por uma tensão constante, pois o outro é sempre um concorrente em potencial. Além disso, a necessidade de ser “pau pra toda obra”, “saber fazer um pouco de tudo”, dirigir uber, saber vender cosméticos, trabalhar com telemarketing, ter a disciplina necessária para estudar para concursos de cargos administrativos, etc, é responsável por criar uma massa de pessoas com fraca identificação com o trabalho que exercem, conscientes que estão do caráter temporário dessas ocupações.

As pessoas que possuem esta frágil relação com um papel profissional estarão mais propensas a se desequilibrarem psicologicamente diante das flutuações da vida laboral. Mesmo sem poder me alongar muito sobre o assunto, cabe a provocação: seria coincidência que o Brasil possua a maior taxa de transtorno de ansiedade do mundo e a quinta maior de depressão? Dito isto, outra pergunta, esta formulada por Sennett, complementa a questão: Haverá limites para até onde as pessoas são obrigadas a dobrar-se? Pode o governo dar às pessoas alguma coisa semelhante à força tênsil de uma árvore, para que os indivíduos não se partam sob a força da mudança?”

Não bastassem as dificuldades já impostas pela dinâmica mercadológica contemporânea, continuamos sofrendo uma série de golpes aos direitos trabalhistas nos últimos meses: aprovação da terceirização irrestrita e uma injusta proposta de reforma da previdência, capitaneadas por um presidente com baixíssima popularidade e sem a legitimidade necessária para realizar reformas tão profundas e de tamanho impacto na vida dos brasileiros. Além disto, para deixar a situação ainda mais tenebrosa, durante períodos de crise econômica é possível observar o advento de reações políticas conservadoras. Nestes casos, o conservadorismo político surge como um mecanismo psíquico de defesa frente à excessiva instabilidade do mundo. Diante de um cenário turbulento, os discursos que exortam o passado e veem com desconfiança as novas soluções para problemas antigos, ganham um maior número de adeptos.

É nesse contexto em que se encontram os espezinhados brasileiros. Como consequência do processo de flexibilização do trabalho — que se intensificará com a iminente “onda” de terceirizações — acentuam-se as desigualdades já existentes na sociedade: sem mecanismos de proteção aos mais vulneráveis, que atenuem as disparidades entre as forças dos concorrentes dessa eterna disputa pelas posições mais favoráveis desse jogo, os costumeiros vencedores é que irão açambarcar todas as fichas.

 

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PPS de Campos à Alerj passa por Rafael, Niterói e SJB

 

 

 

Rafael define PPS-2018

Enquanto PHS e PR já têm definidas boa parte das suas pré-candidaturas locais às eleições de deputado federal e estadual em 2018, como o “Ponto Final” adiantou em suas edições dos últimos dia 15 (aqui) e 29 (aqui), no PPS a decisão caberá à liderança maior do partido no município: o prefeito Rafael Diniz. Foi o que deixaram claro à coluna os dois vereadores da legenda: o líder governista Fred Machado e Abu Azevedo.

 

Foco em Campos

Vereador de primeiro mandato e já cotado para uma pré-candidatura à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Abu garantiu que sua prioridade é a Câmara Municipal: “O foco agora é no mandato, não só pelos 3.355 eleitores que votaram em mim, mas por toda a população. Temos que dar sustentação para o prefeito reconstruir o município. E o trabalho é muito grande, pela situação que a gente encontrou. Quanto a 2018, vou seguir o que Rafael e o Comte (Bittencourt, vice-prefeito de Niterói e presidente estadual do PPS) definirem”.

 

Condicionante de Comte

Também cotado para uma pré-candidatura ao legislativo estadual, Fred Machado não descartou ou confirmou a possibilidade, com o mesmo discurso de Abu: “vou aguardar Rafael”. Mas a definição de ambos depende de outras condicionantes. Como Comte também é deputado estadual eleito, ele poderia abrir mão da tentativa de reeleição se vier a assumir a Prefeitura de Niterói, caso o prefeito Rodrigo Neves (PV) se candidate a deputado federal. Se isso acontecer, a vaga para mais uma candidatura à Alerj ficaria aberta no PPS fluminense.

 

Fred e Marcão

Mas se a desistência de Comte daria mais espaço para qualquer pré-candidato do PPS a deputado estadual, Fred tem duas questões particulares que podem influenciar na decisão. A primeira é sua amizade estreita com o presidente da Câmara Municipal, Marcão Gomes (Rede), cuja pré-candidatura no pleito de 2018 é tida como certa. E caso este se elegesse a deputado estadual (ou federal), o caminho ficaria aberto para Fred tentar chegar à presidência do legislativo goitacá, na eleição da próxima mesa diretora do próximo biênio.

 

Pedro Machado

Além disso, nos bastidores se cogita que Carla Machado, prefeita de São João da Barra e irmã de Fred, poderia tentar lançar o filho, Pedro, a deputado estadual em 2018. Neste caso, o líder governista da Câmara de Campos ficaria numa sinuca de bico: ou apoiar o amigo Marcão, ou seu próprio sobrinho à Alerj. A lógica é que a candidatura de Pedro, sobretudo se vitoriosa, cacifaria o lançamento do jovem, mais tarde, como sucessor da mãe no executivo sanjoanense — em 2024, ou já em 2020, caso a reeleição seja barrada em Brasília pela reforma política.

 

Mercado

A polêmica que envolve o Mercado Municipal de Campos e as obras ao seu redor voltou a ser discutida entre a sociedade civil e o poder público. Ontem, o chefe de gabinete do prefeito Rafael Diniz, Alexandre Bastos, se reuniu com um grupo, entre eles historiadores, que criticou de novo a construção. Na pauta, a reforma do novo shopping popular. Iniciada no governo passado, atualmente está sob auditoria e fere drasticamente o prédio histórico, tombado como patrimônio do município pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Campos.

 

Diálogo

O chefe de gabinete afirmou que manterá um diálogo permanente com todos os envolvidos neste processo para se chegar a um caminho de consenso, que não desrespeite o Mercado Municipal, enquanto um patrimônio histórico do município. O problema agora passa a ser também a parte onde fica os feirantes, que ainda não passou pela reforma e atualmente compromete a estrutura histórica.

 

Orquestrando

O diálogo em busca da valorização da cultura de Campos também levou, ontem, o prefeito Rafael Diniz a receber representantes da ONG Orquestrando a Vida. O encontro teve como objetivo analisar a atual situação financeira da Orquestra Municipal e traçar meios, por meio de possíveis parcerias, para evitar o encerramento do projeto. De acordo com o prefeito, em sua ida a Brasília, na semana passada, uma das pautas discutidas foi a atual situação da Orquestrando.

 

Com a colaboração do jornalista Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (31) na Folha da Manhã

 

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Rogério Siqueira — Favela Vive!

 

(Reprodução)

 

 

Estava preparado para lançar aqui neste espaço palavras sobre a cena alternativa de Campos,  suas bandas e a importância do momento na construção de uma identidade regional. No entanto não pude pensar em outra coisa,senão, a execução sumária de dois homens por policiais em uma operação em Costa Barros no Rio de Janeiro, somado a morte por bala perdida de uma estudante de 13 anos na mesma área no decorrer da troca de tiros.

Aquelas cenas fortes, que embrulham o estômago até dos mais insensíveis, demonstra com riqueza de detalhes, aquilo que a sociedade do “bandido bom é bandido morto” produz em seus discurso raso, que remonta os princípios da Lei de Talião.

Execuções como essas de Costa Barros são mais comuns do que se pensa, e mais cruéis do que um vídeo snuff pode mostrar. Tribunal de Rua foi o jeitinho brasileiro para instituir a pena de morte. É o Estado brasileiro dizendo que falhou na política de segurança pública. Falhou com a sociedade em servir e proteger, e falhou com próprios policiais que são obrigados a trabalhar em condições desumanas, tendo formação incipiente, por salários risíveis, em uma realidade de guerra.

E tudo isso, assim, não justifica a execução. O agente de segurança  pública do Estado age em nome do Estado e não pode, sob hipótese alguma, assumir as funções de advogado, promotor e juiz. Seguir essa linha de atuação aumenta ainda mais o extermínio da população negra que é endêmico no Brasil. Cabe aqui ressaltar que de acordo com o último censo do IBGE, 63% dos moradores de favela no Estado do Rio são negros. E não por acaso os que mais morrem .

Rogo para que passemos a entender a questão da violência com a honestidade intelectual devida, pois pobreza no Brasil tem cor, e está morrendo muita gente. A estratégia de segurança pública tem que estar inserida no bojo da estratégia de cidadania e direitos humanos, e não o contrário. Para que paremos com a política do Mal Entendido. De sindicâncias infindáveis. De notas oficias. De autos de resistências. De casos isolados. É mal entendido demais que não cabe no necrotério.

Deixo aqui aquilo que considero a elegia suprema de Wilson das Neves que serve de recado, e parece ser premonitório. Sobre música falo da próxima vez.

 

 

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Abdu vê cidade “destroçada” pelo governo que defendeu

 

 

 

Ecos do PR

Na coluna de ontem, o deputado federal Paulo Feijó, o estadual Bruno Dauaire e o vereador Thiago Ferrugem falaram (aqui) sobre as pré-candidaturas do PR às eleições legislativas de 2018. Os três hoje integram a legenda, cuja direção nacional já conta os dias para ver Anthony Garotinho pela sombra. Dos três ouvidos, Feijó é o único que deve permanecer no partido quando isso acontecer. E, embora venha se aproximado do prefeito Rafael Diniz (PPS), o experiente parlamentar não joga pedras em quem, mais dia, menos dia, será obrigado a trilhar outro caminho.

 

Sem novidades

A atitude cautelosa do deputado federal, avesso à ingratidão, aparentemente não é seguida na Câmara Municipal de Campos. Foi nela que, na sessão de ontem, outro vereador eleito pelo PR, dentro do grupo de Garotinho, usou a tribuna para atacar que o prefeito Rafael assumiu uma “cidade praticamente destroçada sob o ponto de vista financeiro e administrativo”. Se a acusação não é nenhuma novidade, tampouco é o fato que Adbu Neme (PR) se manteve governista, apesar da vitória da antiga oposição na eleição majoritária, tão logo a nova administração tomou posse.

 

Recordar é viver

Em seu quarto mandato de vereador, foi na condição de médico particular de Garotinho, hipocondríaco conhecido, que Abdu foi alçado à política. Elegeu-se assim em 2004 e chegou a prestar assistência médica a Garotinho em sua desastrosa greve de fome, ridicularizada nacionalmente, após denúncias contra o governo estadual Rosinha Garotinho. Encerrado este, no final de 2007, e com a eleição no ano anterior de Alexandre Mocaiber como prefeito, no pleito suplementar após a cassação de Carlos Alberto Campista, o vereador mudou o receituário para se transformar em figura de proa do então governo municipal na Câmara.

 

Simples

Como a defesa do governo Mocaiber não suportou os efeitos da operação “Telhado de Vidro”, deflagrada em março 2008, que elegeu Rosinha prefeita em outubro daquele mesmo ano, antes de ser reeleita em 2012, Neme deu nova meia volta para ser um dos mais intransigentes defensores do modelo rosáceo de governo. O mesmo que, convertido em aliado de Rafael, o vereador agora acusa de ter “destroçado” Campos. Se, em qualquer governo, sempre haverá motivo para se criticar ou defender, com Abdu a coisa parece ser mais simples: o governo a ser defendido é sempre o atual. Assim como o alvo da crítica é sempre o anterior.

 

Dos bastidores à cena

A delação premiada do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio, Jonas Lopes de Carvalho, começou a deixar os bastidores e entrou em cena, ontem, com a operação “O Quinto do Ouro” da Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF). A ação resultou na prisão de cinco conselheiros e um ex-conselheiro do TCE, além de levar Jorge Picciani (PMDB), presidente da Assembleia Legislativa, à PF em condução coercitiva. Mas será que todos os personagens já estão postos? Há quem aposte que não e coloque em xeque a contribuição de Jonas, apontando uma denúncia seletiva.

 

Previsões

Foram pouco mais de duas semanas de apreensão desde que o jornalista Elio Gaspari no jornal O Globo publicou a nota “Algemas a postos”, na qual citava que a delação de Jonas chegaria a Picciani antes de atingir aos ex-governadores Sérgio Cabral (PMDB) e Anthony Garotinho (hoje PR). O que Gaspari ouviu nos bastidores se cumpriu em relação ao presidente da Alerj, apesar de algemas não terem sido usadas contra ele. Agora é esperar para ver se outras previsões do jornalista vão se cumprir ou se realmente Jonas não teria denunciado um esquema envolvendo governos de um grande aliado.

 

Por apoio

O Carnaval de Campos, realizado fora de época, e a Festa de Nossa Senhora da Penha, em Atafona, no município de São João da Barra, têm sido temas de encontros do deputado estadual Bruno Dauaire (PR), que busca formas de viabilizar os eventos, intermediando caminhos para captar o apoio financeiro das empresas através a Lei de Incentivo do Estado do Rio, que permite o patrocínio de até 4% do ICMS em projetos culturais, obtendo benefícios fiscais de até 80%. Ontem, ele se reuniu com o secretário estadual de Cultura, André Lazzaroni.

 

Com a colaboração do jornalista Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (30) na Folha da Manhã

 

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