O Globo confirma “Ponto Final” em dia de GAP no apartamento de Garotinho

 

 

 

Fonte no “Ponto Final”

Na edição desta coluna do último domingo (12), foi publicado (aqui): “segundo fontes, o escritório de (Álvaro) Lins teria sido contratado por seu antigo chefe (Anthony Garotinho) para levantar informações sobre o delegado federal Paulo Cassiano, o promotor estadual de Justiça Leandro Manhães e o juiz Ralph Manhães. Por terem participado da operação ‘Chequinho’, nas eleições municipais de Campos do ano passado, os três foram eleitos por Garotinho como inimigos pessoais”.

 

GAP no apartamento de Garotinho

As fontes da coluna foram confirmadas cinco dias depois, pelo jornal O Globo, que publicou ontem (aqui): “A contratação de Lins foi veiculada pelo jornal ‘Folha da Manhã’ e, segundo O Globo apurou, foi confirmada a investigadores por duas fontes diferentes”. A matéria noticiou a operação de agentes do Grupo de Apoio à Promotoria (GAP) na manhã de ontem, no apartamento em que reside Garotinho, no Rio, e dois endereços da empresa “Palavra de Paz”, da qual ele é sócio. O objetivo foi captar imagens das câmeras de segurança, para verificar se Lins e Garotinho se reuniram.

 

Quadrilha condenada

Como o “Ponto Final” relembrou no último domingo, Garotinho e Lins foram alvos da operação “Segurança Pública SA”, da Polícia Federal, na qual o segundo chegou a ser preso entre 2008 e 2009, perdendo o mandato de deputado estadual e a carteira da OAB, recuperada em 2013. Os dois foram condenados pela Justiça Federal pela formação de uma quadrilha armada, da qual Garotinho era o chefe, quando secretário de Segurança do governo estadual Rosinha Garotinho (2003/2007), no qual Lins foi chefe de Polícia Civil.

 

Novas suspeitas

Segundo informou a reportagem de O Globo, a operação do GAP de ontem foi motivada pela suspeita de que “o ex-governador contratou Lins para montar um dossiê com o objetivo de constranger delegados, promotores, juízes e testemunhas envolvidos no processo. Há ainda a suspeita de que Lins tenha ligado para testemunhas como forma de pressão”. Foi pela interferência nas investigações, sobre as denúncias do uso de Cheque Cidadão na compra de votos na eleição municipal de 2016, em Campos, que Garotinho chegou a ser preso no Rio em novembro passado.

 

Alerta

A cada dia tem se tornado maior o alerta em relação à circulação do vírus da febre amarela no estado do Rio e, com destaque para o interior, onde a primeira morte já foi registrada. Como esta coluna previu, ontem, Campos montou uma estratégia para a vacinação em massa, inclusive com “força-tarefa” neste fim de semana. No hospital de campanha, montado em Casimiro de Abreu, onde ocorreu a morte, estão sendo aplicadas uma média de 221 doses por hora.

 

Atenção mundial

O avanço da doença em todo o país tem causado preocupação e atraído olhares de fora, tanto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) enviará mais de mais de 3,5 milhões doses da vacina contra a febre amarela para o Brasil. Elas serão destinadas a áreas vistas como prioritárias no país. O pedido foi feito pelo ministério da Saúde, que adquiriu, ontem, mais 12 milhões de vacinas contra a doença, sendo 8,46 milhões produzidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

 

No seu bolso

A Petrobras aumentou em 9,8%, em média, os preços dos botijões de até 13 kg de gás. O reajuste entrará em vigor às 0h da próxima terça-feira, dia 21. O último reajuste realizado pela companhia foi em 1º de setembro de 2015. As revisões dos preços feitas para as refinarias podem ou não se refletir no preço final ao consumidor, uma vez que, de acordo com a legislação, há liberdade de preços no mercado de combustíveis e derivados. A formação de cartel pode gerar prisão, como aconteceu em Campos nesta semana.

 

Com a colaboração de Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (18) na Folha da Manhã

 

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Sérgio Provisano — De adversários e inimigos

 

 

 

Eu sou um leitor voraz, eu não me reconheço como indivíduo se não for praticando o ócio da leitura e de releituras e também cultivo o ócio da escrita, eu me relaxo lendo ou escrevendo, apesar de admitir que minha escrita seja menor, mas mesmo assim eu insisto.

A Arte da Guerra é um antigo tratado militar chinês, atribuído a um estrategista militar, o general Sun Tzu, ele foi escrito lá por volta do século V a.C.

Mas não é um simples tratado militar, apenas de estratégias, é mais do que isso, dentro dele encontramos coisas diversas, relativas à psicologia, meteorologia, topografia, política, economia, história, filosofia, literatura, ciências naturais…

É um tratado militar, mas remonta a uma época que a China não existia como uma nação, um ente unificado, a “terra do meio” vivia em permanente conflito numa interminável guerra civil.

Mas é um fato que adversário não é o mesmo que inimigo. São duas coisas distintas.

Adversários divergem essencialmente no campo das ideias, dentro daquilo que chamamos de contraditório, daquilo que denominamos de debate e sempre vale a pena repetir que todo debate é necessário, ou melhor, dizendo ele, o debate é essencial.

Já o inimigo é aquele que odeia alguém… E por odiar, procura prejudicar. O inimigo não quer o diálogo, ele quer a guerra. Ao inimigo, o debate não é uma coisa necessária,  essencial. Para o inimigo o que vale é a aniquilação do outro, ao inimigo só interessa o extermínio…

Para esse escrevinhador, o que interessa mesmo é discutir ideias, cultivar o debate, estimular o contraditório e não o conflito físico ou o extermínio do outro, pois só consigo me (re)conhecer como indivíduo, quando me identifico no outro, o meu espelho é o outro e se exterminar o outro, automaticamente me extermino.

Lá no tratado aludido, encontramos muitos ensinamentos, dentre alguns, Sun Tzu disse o seguinte: “Energia é o que tensiona o arco; decisão é o que solta a flecha”.

Eu vim ao mundo para decidir, e você? Quer fazer a diferença ou ficar aí imóvel? Prefere ser adversário ou inimigo?

Eu já me decidi, sou adversário… Carpe diem.

 

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Reforma da Previdência — “Continua me enganando que eu continuo te amando”

 

Recorte superior a capa da Folha de hoje (16), com os flagrantes fotográficos feitos pelo repórter-fotográfico Paulo S. Pinheiro, do protesto contra a reforma da Previdência, que ontem interditou o trânsito nas BRs 101 e 356 em Campos

 

 

Jornalista, poeta e artista plástico, Martinho Santafé é um campista da gema radicado há anos em Macaé. Com sólida formação política de esquerda, mas livre dos dogmas quase religiosos que engessam o ideário canhoto no Brasil, ele fez uma postagem sobre as manifestações de ontem (15), organizadas por sindicatos em todo o país, inclusive Campos, contra a reforma da Previdência.

Aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, e na transcrição abaixo, a observação lúcida do Martinho:

 

 

 

 

Protestar é saudável para a democracia. Mas é bom lembrar que a reforma da Previdência foi considerada fundamental para o equilíbrio das contas públicas ainda no governo Dilma e uma proposta — muito semelhante à atual do governo Temer — chegou a ser elaborada pelo ministro Nelson Barbosa. Só não foi para o Congresso por causa da absoluta falta de diálogo entre o governo e as lideranças políticas.

Aliás, ainda no governo Lula, o assunto também foi levantado, mas o viés populista do presidente falou mais alto. Embora sempre tenha levado a fama de ser um político pragmático.

O resto é ficção de setores retrógrados da esquerda para tentar legitimar a candidatura de Lula.

Tipo assim: “Continua me enganando que eu continuo te amando!”

 

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Manuela Cordeiro — Protagonismo indígena

 

Enoque Raposo (Foto: arquivo pessoal)

 

 

Nessa semana, gostaria de utilizar o espaço no blog para apresentar Enoque Raposo. Ele é representante indígena Macuxi da comunidade Raposa I/Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, onde atua como produtor/elaborador de projetos culturais. Graduado em Secretariado Executivo pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e Pós-graduado em Empreendedorismo em Gestão de Turismo pelo The FullbrightProgram – Flórida/USA. É autônomo e aprimora suas experiências como produtor e articulador cultural, destacando-se na pesquisa aplicada e formação de roteiros guiados, em conformidade legal, sobre turismo em áreas indígenas. Com a palavra quem tenho o prazer de chamar amigo, comentando sobre um pouco da História de protagonismo e vivências dos povos indígenas no mundo globalizado.

“Gostaria de falar sobre a profissão de Secretariado Executivo no mundo artístico contemporâneo indígena, uma nova relação organizacional no contexto socioeconômico e sociocultural dos povos indígenas do estado de Roraima onde vivo, que são: Macuxi, Taurepang, Wapichana, Ingaricó, Sapará, Mayongong, Patamonas, Waiwai e Yanomamis. O interesse de trabalhar em prol do reconhecimento cultural é desafiador, porque partiu do complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade. Por isso que digo aos meus parentes indígenas, temos que valorizar, manter, praticar e compartilhar com o mundo. E para o profissional de Secretariado que se qualificou para assessorar altas gerências em organizações é preciso agregar conhecimentos em outros campos, além de organizar eventos, montar planilhas de custo, trabalhar a redação e tradução de documentos. Em outras palavras, é preciso ter o espírito de empreendedor para lhe dar com as exigências das situações da vida cotidiana do mundo globalizado em que vivemos.

Os povos indígenas têm assumido cada vez mais o papel de protagonistas no processo de construção das políticas indigenistas, tratando de seus interesses a partir de uma maior visão crítica das normas positivas que lhe dizem respeito. Internacionalmente, os povos indígenas estão construindo uma vasta área de direito internacional dos direitos humanos com base no respeito à diversidade cultural dos povos e no reconhecimento de direitos coletivos. Citarei como exemplo para nós indígenas, cidadãos de bem, o nosso artista plástico indígena macuxi, JaiderEsbell, que está percorrendo os estados brasileiros com o projeto itinerário de sua autoria que tem por título: IT WAS AMAZON – (ERA UMA VEZ AMAZÔNIA). A exposição apresenta 16 obras inspiradas nos horrores que acontecem nesse exato momento na Pan-Amazônia. Como algo recorrente no cotidiano, ficando tudo sujeito a algo comum, normal, o artista pede que a arte não deixe isso banal. As obras revelam em preto e branco o impacto que deve causar em nós usos e abusos da natureza, na natureza e na condição humana como parte integral da paisagem do lugar. A exploração da pessoa, o alto impacto na vida selvagem, os contrabandos e desmandos que tornam a maior floresta tropical do mundo um palco nada desejável. É a primeira vez que o artista indígena apresenta uma coleção tão impactante e necessária. A ocasião não é menos importante; olhar com outros olhares as realidades da qual fazemos parte é uma das propostas do movimento que reforça todos os esforços de incluir na grande pauta demandas urgentes para os povos nativos, seu habitat e o grande mundo como uno ambiente coletivo. Mais detalhes sobre o trabalho de JaiderEsbell: http://www.jaideresbell.com.br/site/projeto-itinerante/.

A minha parceria com a galeria tem sido uma experiência única. Colocamos em prática as atividades culturais, tradicionais à tona para a sociedade que desconhece ou desvaloriza a cultura indígena. Com a galeria podemos experimentar outras formas de economia, de comunicação e ocupação de espaços antes impossíveis para nós indígenas. Como executivo indígena, o interesse de elaborar projetos partiu de levantar informações sobre o empreendimento e também é uma etapa importante que alimenta outras fases como planejamento, execução, controle e encerramento. Culturalmente, nós, brasileiros, somos pouco afeitos ao planejamento. Preferimos executar, fazer, pôr a mão na massa, ver resultados e, se possível, rápido. Desconhecemos técnicas de elaboração de projetos.

Eu, indígena Macuxi, graduado em Secretariado Executivo pela (UFRR), conhecedor deste cenário, ressalto que os povos indígenas trazem uma importante contribuição ao incremento da diversidade cultural brasileira, estamos evoluindo. Todavia, o reconhecimento oficial da contribuição da diversidade sociocultural dos povos indígenas para a formação da Nação brasileira é recente. E, digo com toda certeza que o nosso território indígena está sendo gerenciado, administrado muito bem pelos índios que lutam pela sua autonomia. É desafiador, claro, mas a nossa grande chance com certeza vem daí. Sou filho de um grande líder indígena que um dia se chamou de Caetano Raposo (in memorial), que foi uma das maiores lideranças indígenas do meu estado, busco manter vivo o legado do meu pai e fazer meus próprios caminhos, sempre respaldado por seus valores a nós transmitidos. Para concluir, eu digo que ‘hoje somos exemplos de resistência e, se buscarmos cada vez mais a união, nunca seremos derrotados’. Salve SalveSalve os povos indígenas! Protagonistas de uma nova história! Povo guerreiros! Inovadores”.

 

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Reação crítica de ouvintes e leitores à estreia de Garotinho na Tupi

 

 

 

Espalha bolinho

Difícil tentar driblar a democracia irrefreável das redes sociais. Mas há quem tente. Numa postagem feita na manhã do último domingo (12) em sua página do Facebook, anunciando o a estreia do novo programa de Anthony Garotinho (PR), a Rádio Tupi contava ao final do dia com 1.378 manifestações. Destas, 668 eram caras de raiva, 555 eram likes, enquanto 92 preferiram gargalhar virtualmente. Talvez por conta da reprovação da maioria de leitores e ouvintes da Tupi, a postagem foi tirada do ar e substituída por outra, já com o vídeo do programa, na segunda (13). Nela, até a noite de ontem (15) os 858 likes superavam as 480 caras de raiva.

 

PHS e Rafael

O PHS de Campos é ou não aliado do governo Rafael Diniz (PPS)? No domingo (12) esta coluna registrou a ressalva do presidente municipal do partido, Wainer Teixeira, ex-secretário da gestão Rosinha Garotinho (PR): apesar de ter seus dois vereadores assumidamente governistas, a legenda iria observar melhor a nova administração de Campos, antes de se posicionar oficialmente. Ontem (15), foi a vez dos edis Enock Amaral e Marcelo Perfil revelarem no “Ponto Final”: eles são governistas e entendem que o partido também.

 

Decisão da executiva

Na dúvida, a coluna ouviu ontem o presidente estadual do PHS, Sandro Matos, ex-prefeito de São João de Meriti, que se reuniu antes do Carnaval com Rafael, Wainer, Enock e Perfil. Ele disse que foi importante conhecer o prefeito de Campos, a quem classificou como “um jovem promissor”. Mas a decisão de integrar ou não o governo goitacá, garantiu Matos, é da executiva municipal: “Não é da tradição do PHS a intervenção. E quem vive a realidade do município são Wainer, Enock e Perfil, não eu. Eles é que vão decidir, pois se um é o presidente, os dois vereadores também são da executiva do partido em Campos”.

 

Perfil e Enock com apoio estadual

Se preferiu não tomar posição sobre a aparente divergência do PHS sobre o governo campista, ao falar de 2018, o presidente estadual do partido foi favorável às pré-candidaturas de Enock, a deputado federal, e de Perfil, a estadual. Se para Wainer, a ex-vereadora garotista Auxiliadora Freitas é a candidata natural do PHS à Alerj, Sandro Matos pareceu endossar a pretensão de Perfil: “O partido em Campos terá candidatos a deputado federal e estadual. E quem tem mandato de vereador, embora tenha que passar pela convenção, tem a vaga praticamente direcionada. Se Enock e Perfil quiserem ser candidatos, terão o nosso apoio”.

 

Reflexos

Apesar dos inúmeros apelos e das campanhas de sensibilização, o Hemocentro Regional de Campos não tem conseguido manter um estoque regular, em virtude do pequeno número de doadores. Um exemplo aconteceu na última segunda-feira, quando apenas 22 doadores foram à unidade, quando o número ideal seria 70 por dia. A situação se torna ainda mais preocupante com os riscos de febre amarela e a consequente vacinação em massa de boa parte dos 16 municípios atendidos pelo hemocentro. Os que tiverem sido vacinados para o vírus devem aguardar quatro semanas para doar sangue. Outras áreas restrições foram feitas pelo ministério da Saúde para quem mora ou viajou para áreas de risco sem ter imunizado.

 

Preocupação

O hemocentro tem corrido contra o tempo para garantir a regularização do estoque, principalmente após a confirmação da primeira morte por febre amarela no estado do Rio, em Casimiro de Abreu. Com tanta gente buscando as vacinas — inclusive com a cobertura de toda população de Campos a partir da próxima segunda-feira — a tendência é cair ainda mais o número de doadores de sangue. A Unidade Móvel tem circulado e os interessados em agendar o ônibus devem entrar em contato através do 0800-2820-250 ou pessoalmente, no Hospital Ferreira Machado. O hemocentro funciona diariamente, das 7h às 18h, inclusive aos sábados, domingos e feriados.

 

Com a colaboração do jornalista Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (16) na Folha da Manhã

 

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Ricardo André Vasconcelos — Por uma Assembleia Constituinte exclusiva

 

Cédula da eleição presidencial de 1955, vencida por JK, mas o candidato a vice-presidente, João Goulart teve mais votos

Temer e sua turma encalacrada até os últimos fios de cabelo (naturais ou não) em roubalheiras diversas, estão empenhados em fazer, de fato, reformas estruturais que o país precisa. Ninguém duvida disso. O problema está na legitimidade para fazê-las e na seletividade dos temas. Em primeiro lugar, o governo de Michel Temer não tem o batismo das urnas, a despeito de seu nome constar da chapa duas vezes vitoriosa (2010 e 2014). A tradição nacional é votar no presidente. A não ser durante a vigência da Constituição de 46, quando se votava de forma distinta no presidente e no vice-presidente. Nas eleições de 1955, por exemplo, Juscelino Kubitschek foi eleito presidente com 35.68% dos votos, enquanto o candidato a vice, em chapa diversa, João Goulart, ficou com 44.25% dos votos. Na eleição seguinte, Jânio Quadros foi eleito com 48,26% dos votos e o mesmo Goulart foi consagrado vice-presidente com menos votos, mas próprios, dados em seu nome, por 36.1% do eleitorado.

Michel Temer chegou ao Planalto ungido de um caldeirão mexido por feiticeiros interessados não só em “estancar a sangria da Lava Jato”, como também reequilibrar a balança das desigualdades sociais devolvendo o lado mais pesado às elites. Não é à toa que se optou por roubar direitos trabalhistas e previdenciários em vez de enfrentar a raíz dos problemas econômicos: a dívida interna. Se direitos dos trabalhadores resultam em “deficit fiscal”, o que dizer dos pagamentos de juros aos bancos, estes consomem 2/3 do PIB? É uma decisão ideológica fruto de um programa de governo que não venceu a eleição de 2014, aliás, não foi nem debatido.

Em dois anos e sete meses do mandato que lhe deram Eduardo Cunha. Renan Calheiros, Romero Jucá e outros menos votados mas não menos nefastos, o presidente quer impor uma reforma do Estado com dimensões só admitidas numa Assembleia Constituinte. Aumentar em 10 anos a idade mínima para a aposentadoria das mulheres e exigir 49 anos de contribuição para todos; reformar o Ensino Médio por Medida Provisória e mudanças na legislação trabalhista que afrontam direitos adquiridos há décadas. Sem falar no pacotaço de privatizações capitaneado por ninguém menos que Wellington Moreira Franco.

A crise de legitimidade do Congresso Nacional é outro fator que desautoriza qualquer reforma mais profunda no país. Porque é justamente na Câmara dos Deputados e Senado da República que, teoricamente, reverberam os anseios da população e estes, certamente, não são pela renúncia de direitos e sim por uma reforma, esta sim, deste sistema político que cria toda a ambiência própria para a “suruba” tão ardentemente defendida pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Ele mesmo, Jucá, que caiu do cargo de ministro do Planejamento uma semana depois da posse, desmascarado em sua militância para “estancar a sangria da Lava Jato”, conforme gravação feita pelo ex-diretor da Petrobras Distribuidora, Sérgio Machado, em delação premiada.

Esse é um Congresso que legisla para o próprio umbigo, que deturpa iniciativa de legislação popular como no caso das “10 medidas contra a corrupção” e que volta e meia se reúne nas madrugadas para tramar anistias para seus próprios crimes e ampliar privilégios. Esse Congresso pode ter a legitimidade dada pelas urnas, mas perdeu a credibilidade. Mais da metade dos seus membros é suspeita de crimes investigados dentro ou fora da Lava Jato. Normalmente já não teriam, senadores e deputados, independência elementar para legislar sobre reforma política porque é da natureza humana não criar embaraços aos próprios interesses. Por isso, só uma Assembleia

Nacional Constituinte, exclusiva e com duração limitada ao tempo de elaborar a reforma constitucional, teria força para enfrentar os interesses corporativos nos três poderes.

Temas como prerrogativa de foro por função (foro privilegiado), sistema eleitoral, fim das coligações, voto distrital (misto ou em lista), financiamento de campanhas eleitorais, fim dos cargos de vices e da excrescência dos suplentes de senador, só serão discutidos com isenção e foco no interesse apenas público e quando os constituintes não forem parte interessada. E os partidos políticos? O próprio papel do Estado, funcionamento e prerrogativas do Judiciário de Legislativo são fundamentais e gênese de grande parte dos problemas nacionais.

A propósito, nesta quarta-feira, o presidente da República se reúne para discutir reforma política com Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, presidentes da Câmara e Senado, respectivamente, os três enrolados nas delações da Lava Jato. Outro convidado é o onipresente Gilmar Mendes, ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que “por acaso” está julgando um processo que poderia redundar na cassação de Temer. Digo “poderia”, porque com Gilmar na cadeira mais alta do TSE, Temer é invulnerável.

Com essa gente no poder e uma oposição acuada pelos próprios mal feitos, só das ruas poderá vir a energia necessária para as mudanças na esteira de uma Assembleia Nacional Constituinte.

 

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Enock e Perfil garantem PHS no governo e pré-candidaturas a estadual e federal

 

 

 

PHS é governo?

No “Ponto Final” do último domingo (12), foi noticiada uma ressalva do presidente municipal do PHS, e futuro coordenador da legenda no Norte e Noroeste Fluminense, Wainer Teixeira. Apesar de respeitar a posição dos seus vereadores Enock Amaral e Marcelo Perfil, que se declararam governistas desde a eleição da nova Mesa Diretora, Wainer disse que as coisas não seriam bem assim em relação ao partido. Segundo ele, apesar de não descartar a possibilidade do PHS até vir a integrar o governo Rafael Diniz (PPS), o momento agora seria de esperar para analisar o desempenho administrativo do novo prefeito.

 

Governista com aval estadual

A posição do presidente do partido em Campos não é, no entanto, compartilhada por quem nele detém mandato. Marcelo Perfil assegurou que o caminho governista adotado tem o aval não só da presidência local do PHS, mas da estadual, ocupada por Sandro Matos, ex-prefeito de São João do Meriti. O vereador lembrou que ele era o candidato de Anthony Garotinho (PR) a presidente da Câmara. E, a partir do momento em que abriu mão disso, “aos 45 do segundo tempo”, para apoiar a vitória de Marcão Gomes (Rede), ele é governista.

 

Perfil pré-candidato à Alerj

Perfil também confirmou que é, sim, pré-candidato a deputado estadual em 2018, a despeito de Wainer ter afirmado que a ex-vereadora garotista Auxiliadora Freitas seria o nome natural do PHS para concorrer à Alerj no ano que vem. Por sua vez, Enock Amaral também confirmou que é pré-candidato do partido a deputado federal. Ajudar no crescimento da legenda, segundo o vereador, foi o pedido feito por Sandro Matos, em reunião com Rafael, para este contar com o apoio do PHS.

 

Enock a federal apoia Perfil

Enock também esclareceu que foi ele quem marcou o encontro. O vereador estava no Rio, junto de Perfil e Wainer, no escritório de Sandro Matos, quando este pediu para marcar o encontro com Rafael. Enock ligou e agendou a reunião, da qual participaram o prefeito de Campos, os presidentes regional e municipal do PHS e os dois vereadores. Informado da confirmação da pré-candidatura de Perfil à Alerj, seu colega edil disse que ela terá seu apoio. “Com Auxiliadora, temos muito pouco contato”, ressalvou.

 

Alagou as redes

Durante a forte chuva que caiu ontem em Campos, uma enxurrada de críticas ao governo Rafael Diniz inundou as redes sociais. Porém, uma reclamação chamou a atenção dos internautas. A ex-vereadora Auxiliadora Freitas, aliada do casal Garotinho, usou seu perfil para chamar a atenção da atual gestão para a desobstrução de galerias. Segundo Auxiliadora, os alagamentos ocorriam quando em uma hora chovia a quantidade de mais de um mês sem parar. Ela também disse que “para quem não sabe de gestão a desobstrução de galerias é um trabalho sistemático”.

 

Deu ruim

A postagem da ex-vereadora, que teve a rua alagada, ganhou repercussão e vários comentários. Ela só não esperava que uma das manifestações seria da própria filha que mirou o casal ao qual a mãe é aliada. “Sua cidade poderia até está linda! Porém sua rua está interditada, pela chuva. Sabe por quê? Porque o grupo político que você pertence nunca te deu valor, é desleal, covarde! Você foi vereadora por 4 anos defendendo a causa deles. E o que eles fizeram por você? Sua rua inundada sua casa alagada! Para mim chega! Bando de covardes! Quero que essa publicação chegue a Rosângela Matheus e Anthony Garotinho”, desabafou Iana Freitas.

 

Sai Solange

Depois de toda polêmica e pressão popular, o governador Luiz Fernando Pezão tornou sem efeito, ontem, a nomeação da ré na Lava Jato, Solange Pereira de Almeida, como secretária de Estado de Proteção e Apoio à Mulher e ao Idoso. Mas o motivo não foi o clamor que veio das ruas e sim o recebimento de um comunicado do Ministério Público Federal, com a informação de que Solange foi condenada em segunda instância por ato de improbidade administrativa. A publicação está prevista para o Diário Oficial de hoje.

 

Com a colaboração do jornalista Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (15) na Folha da Manhã

 

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Ocinei Trindade — A urgência do tempo devorador

 

“Saturno” (1636), de Peter Paul Rubens, Museu do Prado, Madri

 

 

Começo a escrever este texto às 9 horas e 22 minutos do dia 22 de fevereiro de 2017. Me propus escrever em no máximo 30 minutos apenas 30 linhas de texto. É a lauda tradicional de uma matéria de jornal este tamanho. Costumo sofrer, e muito, para não ultrapassar o tempo e o espaço, além de me contorcer para preencher 30 linhas de palavras. Há momentos (são muitos) que as palavras simplesmente escafedem-se.

É que estou cheio de compromissos para este mês de março. Pensei em abandonar por um tempo esta coluna com minha contribuição quinzenal. Porém, reconsiderei, pois para mim é uma oportunidade tão boa estar neste espaço virtual interagindo com as pessoas, fazendo duas das coisas que eu gosto mais: pensar e escrever. Então, na busca de um tema, resolvi falar desse meu tempo angustiado e escasso para dar conta de tanta coisa.

Tenho uma tia adorável, mas cheia de manias. Ela sempre foi motivo de comentários jocosos na família por estar sempre repetindo uma frase que virou espécie de bordão: “Eu não tenho tempo”. Toda vez que perguntávamos por alguma novidade, atividade, se tinha visitado algum parente, realizado alguma tarefa, e se isso não pudesse ser feito por qualquer motivo, lá vinha ela com a famosa frase: “Eu não tenho tempo”.

Se não me engano, astrologicamente sou regido por Saturno, deus romano e planeta de nosso sistema por ser do signo de capricórnio. O tempo é muito importante para os capricornianos, mas nos iludimos nas armadilhas de Cronos (deus grego que corresponde ao deus latino Saturno – sim, o sincretismo já existia na Antiguidade), filho do Céu e da Terra. “O tempo é muito longo para os que esperam”, já versava Shakespeare.

Olho para o relógio e percebo que meu tempo vai avançando para o limite. São 9h39 e ainda faltam algumas linhas para dar conta de uma lauda. Este texto só será publicado/postado dentro de duas semanas. Talvez, ele faça algum sentido, talvez não. Mesmo quando escrevemos coisas datadas, temos a chance de fazer do texto algo atemporal. Embora esta autonomia do texto não caiba ao seu autor. A palavra vinga.

O capítulo 3 de Eclesiastes sempre me provocou, pois se trata do tempo para todas as coisas. Há uma lista bastante significativa das ocupações que o tempo nos dá. Sempre gostei da ideia de não me preocupar com tempo. Às vezes consigo. Todavia, sou punido depois por ter desperdiçado demais. Há uma música do Louis Armstrong,“We have all the time in the world” que amo. Nós temos todo o tempo do mundo? Ele canta. 9h46.

 

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Do STJ, delação de Jonas Lopes vai amanhecer com a Polícia Federal?

 

 

 

Se no domingo (12), na nota “Algemas a postos”, o jornalista Elio Gaspari já tinha deixado muita gente de cabelo em pé, ao afirmar que os ex-governadores Anthony Garotinho (PR) e Sérgio Cabral (PMDB) teriam que se preocupar com a delação do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Jonas Lopes de Carvalho, a nota de agora há pouco do também jornalista Guilherme Amado, na coluna do Lauro Jardim, parece ter abreviado as possibilidades de consequência.

Confira  aqui e na transcrição abaixo:

 

Delação de Jonas Lopes é desmembrada

Félix Fischer, relator da Lava-Jato no STJ, já desmembrou a delação de Jonas Lopes, o ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado que fez delação premiada.

Ou seja: as demais instâncias da Justiça já estão com tudo pronto para, a qualquer momento, autorizar a Polícia Federal a amanhecer na porta de alguns citados.

 

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Após Arnaldo, as coincidências entre Caio Vianna e Anthony Garotinho

 

 

 

A causa

Inegável que Caio Vianna (PDT) perdeu a última eleição a prefeito de Campos, ou a possibilidade de levá-la ao segundo turno, a partir das declarações do seu pai. No final de julho, pouco mais de dois meses antes das urnas de 2 de outubro, o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PMDB) não só apoiou a candidatura de Geraldo Pudim (PMDB), como declarou publicamente sobre o filho: “Caio precisa estudar, amadurecer. Eu lutei muito para me formar. Já meu filho ouviu algumas pessoas e trancou a faculdade para entrar em uma aventura. Quando ele voltar aos estudos e concluir a faculdade, darei a ele meu apoio político”.

 

Coincidência? (I)

Coincidência ou não, foi a partir das declarações de Arnaldo, como detalhou a série histórica de pesquisas do instituto Pro4, que a candidatura de Caio foi murchando e a de Rafael Diniz (PPS) começou a atropelar. Até a vitória deste no primeiro turno, em todas as sete Zonas Eleitorais do município. Na desidratação do jovem pedetista também contaram os fortes boatos de que ele teria, na reta final, feito uma aliança por baixo dos panos com Anthony Garotinho (PR), que estava desesperado com a possibilidade de ter seu candidato, Dr. Chicão (PR), fora do segundo turno — como, de fato, aconteceu.

 

Coincidência? (II)

Como reforço dos boatos, no debate organizado pelo Fórum Interinstitucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc), em 27 de setembro, apenas cinco dias antes das urnas, Chicão e Caio se ausentaram, em outra curiosa coincidência com aparência de jogada ensaiada. Ainda assim, Caio acabou sendo um dos destaques positivos no debate seguinte, da InterTV, entre a noite de 30 de setembro e a madrugada da véspera da eleição, no qual Rafael também foi muito foi bem e Chicão, muito mal.

 

Coincidência? (III)

Consumada a eleição, os boatos se voltaram à possibilidade de uma nova. Era o que afirmava não só Garotinho, como seus repetidores, com base em supostas ilegalidades que teriam sido cometidas no pleito, mas só foram confirmadas pela Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Eleitoral na troca de Cheque Cidadão por voto — praticadas pelo grupo apeado do poder. De qualquer maneira, em outra curiosa coincidência, as fontes garotistas afirmavam: no caso de nova eleição, o candidato a prefeito de Garotinho será Caio.

 

Coincidência? (IV)

Pois no domingo, algumas horas depois da Folha trazer (aqui) uma matéria detalhando as dívidas deixadas pelo governo Rosinha Garotinho (PR), e as ilegalidades aparentemente flagrantes em muitas delas, outra coincidência: um artigo assinado por Caio foi publicado num site e repercutido nas redes sociais. Nele, o pedetista não só atacou o governo Rafael, como ecoou aquilo que parece ser a única resposta do garotismo às aparentes ilegalidades no caos deixado na Prefeitura de Campos: “Responsabilizar antecessores tornou-se ladainha carcomida. Não cabe ao governante olhar para o passado tentando criar a imagem do caos”.

 

Coincidências

Pode ser que seja tudo coincidência. E que as pesadas críticas feitas aos pouco mais de 70 dias de governo Rafael, em sequência direta a exatos três mil dias de governo Rosinha, sejam o pensamento do cidadão que quer o melhor para a sua cidade, não do jovem político ressentido pela derrota construída no seio da própria família. Mas, em meio a tantas coincidências, o site que publicou originalmente o artigo assinado por Caio trazia em sua manchete seguinte o anúncio: “Garotinho na Tupi a partir desta segunda-feira”.

 

Publicado hoje (14) na Folha da Manhã

 

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Marcelo Amoy — Carregando peso morto

 

 

 

Gosto muito de História – e recomendo seu estudo a todos, pois ajuda bastante a perceber o que é original; quem é farsante; o que vem de onde e nos trouxe até aqui; e, sobretudo, o que não se deve mais fazer. A História de nosso país, em particular (e em especial a nossa História recente), está cheia de informações que poderiam nos indicar rumos e ideias para um futuro melhor. No entanto, a ignorância, o mau caratismo e/ou o fundamentalismo sectário de algumas vozes continuam apregoando que obteremos resultado diferente se continuarmos cometendo os mesmos velhos e indesculpáveis erros.

No século XVIII, Edmund Burke foi original ao cunhar a frase: “Aqueles que não conhecem a história estão fadados a repeti-la.” No século XIX, Marx afirmou que “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. E no século XX, como era de seu feitio tomar para si o que pertencia a outrem, Che Guevara reescreveu como sua a frase de Burke, dizendo que “um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”. Já aquela outra em que ele diz: “Fuzilamos, sim, e vamos continuar fuzilando!” é dele mesmo, ninguém pode negar – tá no vídeo do discurso dele na ONU falando sobre as maravilhas da revolução cubana que tantos defendem por aqui… [Essa é a parte da tragédia.]

Enfim, muitos anos depois de ter lido “1808”, de Laurentino Gomes, sobre as circunstâncias envolvendo a chegada da família real portuguesa ao Brasil, estou lendo “1822”, do mesmo autor, sobre os acontecimentos relativos à proclamação de nossa independência. Num determinado capítulo, alguns relatos sobre o povo brasileiro de então me chamaram a atenção – na verdade, me chocaram profundamente. É assustador constatar que certos traços que eu abomino nos brasileiros de hoje são anteriores à existência do próprio Brasil como nação independente. É desolador notar que muito do que eu percebo como origem de nosso atraso não passa de uma tradição consolidada.

“Em seus negócios, prevalece a astúcia mesquinha e velhaca (…); são pessoas inteiramente destituídas do sentimento de honra, não possuindo aquele senso geral de retidão que deve presidir toda e qualquer transação entre os homens”. Thomas Lindley, inglês, sobre os negociantes brasileiros na primeira década do séc. XIX. Sobre a “excessiva preguiça e indolência” das mulheres, o alemão Carl Seidler registrou: “Madame tem suas escravas – duas, três, seis ou oito, conforme o infeliz esposo abrir a bolsa. (…) Seria demais exigir que a senhora, fosse ela mulher de um simples vendeiro, se sirva ela mesma de um copo d’água, ainda que o jarro esteja junto dela sobre a mesa”. Sobre a preguiça masculina, o francês Saint-Hilaire atesta: “(…) no Brasil, todo mundo trabalha o menos possível. (…) O capitão-mor era obrigado a demarcar a quantidade de terra que cada um devia semear, colocando de vez em quando alguns preguiçosos na cadeia, a fim de intimidar os outros”. Assim foram descritos “tipos comuns”, populares e livres, da sociedade brasileira. Mas fica pior…

A elite econômica era grandemente iletrada e a elite social era formada por uma nobreza inflacionada pela troca de favores numa grande confusão entre o público e o privado, em que negócios de Estado e interesses pessoais se fundiam. [Quem destrincha essa confusão muito bem é Emília Viotti da Costa, em seu livro “O Império Brasileiro”, em que trata com profundidade do apadrinhamento e clientelismo vigentes então. Só então?] Quanto à nossa infeliz elite, disse o padre Feijó (antes mesmo de se tornar regente), que se tratava de uma aristocracia “fantástica”: à qual “faltava dinheiro, grandes ações, vasto saber e prestígio.” Deprimente. Pior ainda é estarmos nós aqui, 200 anos depois, fazendo (quase) tudo como dantes no quartel de Abrantes… Como esperar resultados diferentes?

Nossa elite continua confundindo negócios de Estado com interesses e vantagens pessoais – prova disso é a promiscuidade com que governantes e empresários se locupletam em detrimento do bem comum. Da elite de qualquer sociedade se espera o melhor exemplo, que seja guardiã dos mais altos valores, que seja sábia e realize as mais memoráveis ações – e, assim: que sirva de inspiração para todos. [A esquerda dá mais valor ao “sujeito histórico”, que no Brasil está quase sempre em coma – mas cada um que pense o que quiser.] Sempre ouvi que nossa elite era ruim porque “é de direita e só pensa no lucro” e que tudo mudaria com a esquerda no poder. Mudou, sim: pra muito pior. Nunca antes na história desse país fomos roubados em tamanha escala: seja em prejuízo financeiro, seja em oportunidades desperdiçadas, seja em danos institucionais. Ao instituir a roubalheira como método de governo e ao jogar brasileiros contra brasileiros enquanto mentia dizendo só visar o bem dos pobres, essa “nova” elite enchia os bolsos e se atirava a luxos de fazer a velha parecer amadora na arte de enganar o povo e distribuir péssimos exemplos. Na verdade, a nova e a velha se uniram na tarefa – agora “sob a benevolente liderança da esquerda altruísta”, é claro.

Talvez fosse a hora, então, da população inverter o quadro e dar exemplos de baixo. Bom seria se a preguiça, a indolência moral e o desejo por assistencialismo deixassem… mas não deixam. E nem são só eles que atrapalham: de cá de baixo, na sociedade, quantos não desejam subir os degraus que os separaram da elite pra poderem chegar lá e… roubar também? Mas até pra subir essa escada dá trabalho… Maldito capitalismo, que inventou esse negócio de mobilidade social!!! Agora eu vou ser obrigado a dar duro pra subir na vida??? Tão bom ficar aqui deitado na rede, com a mão estendida, esperando pingar uma bolsa família ou algum outro tipo de auxílio qualquer… vivendo de sombra e água fresca, sem nenhuma preocupação a não ser com a hora da sesta e vigiar as conquistas do vizinho para invejá-las e criar rancores como cãibras.

A persistência de ideias tão atrasadas no Brasil demonstra que a busca por igualdade assumiu uma perspectiva perversa: não se trata de batalhar pelo direito de cada um ter acesso a algo maior e melhor, mas de prender uma bola de ferro aos pés de quem pretende progredir para lhe tolher essa possibilidade – assim ninguém se sente inferiorizado, saca? E fica todo mundo irmão na mediocridade geral. Aqui, o conceito de igualdade não embute esperança; traduz uma inveja que devora ressentimento e arrota desprezo pelo sucesso alheio como se ele fosse uma ofensa pessoal – combinação fora de Tom.

E segue o samba de uma nota só – a do ranço do atraso – atravessando na avenida Brasil como um réquiem mal cantado à beira de uma cova já de olho em 2018. Incentivada por sedizentes 400 intelectuais [dentre os quais há estudantes secundaristas cuja vibrante intelectualidade se infere por fazerem parte de um coletivo socialista qualquer], uma eventual candidatura LuLLa traz atrelada a si a infalível receita oportunista/populista para o abismo já testada pela gerenta. Já vazaram que o possível candidato promete aumentar o bolsa família, torrar reservas internacionais do país, expandir gastos públicos e incentivar o consumo interno. Difícil imaginar maior irresponsabilidade. Já deu errado no passado recente; sendo que, dessa vez, ele ainda pretende gastar a única reserva que nos sobrou. O que faz alguém acreditar que agora vai dar certo é uma incógnita insuperável no mundo da lógica – e nem preciso lembrar que o boom das commodities já acabou e que a economia global é, hoje, bem menos pujante do que era no começo do primeiro mandato do dito cujo. Quantas famílias ainda podem ou quererão se enforcar em dívidas novamente?

Mas o pensamento da esquerda flerta com o messianismo e embute um certo tipo de realismo fantástico utópico – aquela coisa de “salvador da pátria” e “pai dos pobres” que “faz milagre” e distribui benesses como padres, bênçãos. Ao mesmo tempo em que gera seguidores que parecem membros de uma seita fundamentalista cega (gente que escreve em rede social que tem ódio de Moro e quer cuspir na cara dele (!!!) – só porque ele vai julgar LuLLa, “o santo intocável”), produz a falsidade que rende voto exatamente porque se encaixa direitinho no desejo atávico do brasileiro de fugir de responsabilidades; de procurar atalho pra tudo; de desejar ter quem lhe proteja e proveja; e de delegar preguiçosamente o que for possível a quem quer que seja pra poder continuar na rede à sombra sem se preocupar com nada – nem com a falta de razoabilidade ou a inexequibilidade do que lhe prometem. Um bando de Alices num país sem maravilhas. O fato do camarada político/messias parecer ter roubado e deixado roubar de todas as maneiras possíveis (verificaremos a veracidade dessas acusações em breve) se torna secundário: seja porque fariam igual caso pudessem; seja porque acham certo roubar o “Estado” se ele for “burguês”; seja porque pensam que eLLe “rouba, mas faz”; ou seja porque ele parece ser “gente como a gente” e fala até errado como a gente – mesmo sendo aquele tipo de gente que come a gente sem permissão e ainda espera que agradeçamos. [Essa é a parte da farsa.] E olhe que tem gente que agradece e pede bis – são casos pra Ciência estudar.

É tudo tão surreal que parece que o Brasil não foi descoberto por Cabral, mas pintado por Dali. A candidatura do maior de todos os suspeitos parece piada – certamente de mau gosto. Na real, tal acinte parece factóide inventado pra ver se se constrói uma narrativa capaz de afastar a cadeia – vai ver é só isso mesmo: um barro que se joga na parede pra ver se cola. Apesar dos muitos que se esforçam pra abandonar essa lama cultural de malandragem em que nosso futuro se atola, o traço típico da nacionalidade continua sendo o conto do vigário; a ignorância total; a falta de memória mesmo quando se tem estudo; uma elite tão desprovida de qualidades quanto irresponsável – e uma sociedade que só não tem preguiça de invejar o progresso alheio; que desconfia da liberdade; e que entende a igualdade como um freio, não como estímulo.

E assim nossa História se repete em tragédia e farsa – não mais em sequência, mas simultaneamente. Uma história de ressentimento e velhacaria condenada a ser a mesma há 200 anos – mesmo quando travestida de novidade.

 

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Velha parceria de Garotinho e Álvaro Lins mira delegado, promotor e juiz?

 

 

 

Quadrilha condenada

Alvo das investigações da operação “Segurança Pública SA”, da Polícia Federal, Álvaro Lins chegou a ser preso entre 2008 e 2009, perdeu o mandato de deputado estadual e a carteira da OAB. Ele foi condenado em 2010 a 28 anos de prisão por pertencer a uma quadrilha armada que tinha como chefe o então secretário de Segurança Anthony Garotinho (PR), durante o governo estadual Rosinha Garotinho (PR). Também condenado, Garotinho não cumpriu a pena de dois anos e meio de reclusão. Já seu ex-chefe de Polícia Civil, se nunca recuperou o mandato na Alerj, conseguiria de volta sua carteira da OAB, em 2013.

 

Na mira

Como advogado, Lins estaria novamente próximo do casal rosáceo. Aliás, parece nunca ter estado distante, já que em 2014 vazou um áudio onde o ex-deputado pedia votos a Garotinho para governador, em candidatura naufragada ainda no primeiro turno. Agora, segundo fontes, o escritório de Lins teria sido contratado por seu antigo chefe para levantar informações sobre o delegado federal Paulo Cassiano, o promotor estadual de Justiça Leandro Manhães e o juiz Ralph Manhães. Por terem participado da operação “Chequinho”, nas eleições municipais de Campos do ano passado, os três foram eleitos por Garotinho como inimigos pessoais.

 

Evolução

Presidente municipal do PHS, o empresário Wainer Teixeira se prepara para assumir uma vice-presidência regional que o colocará na coordenação da legenda no Norte e Noroeste Fluminense, visando as eleições de 2018. Apesar do fracasso na eleição majoritária de 2016, quando apoiou a candidatura de Dr. Chicão (PR) a prefeito, derrotada ainda no primeiro turno, em todas as sete Zonas Eleitorais do município, o partido conseguiu dobrar sua bancada legislativa, passando de um (Auxiliadora Freitas) a dois vereadores: Marcelo Perfil e Enock Amaral.

 

Espera

Se a partir das negociações que elegeram Marcão (Rede) presidente da Câmara, Perfil e Enock se declararam integrantes da bancada governista, Wainer disse que respeita a posição dos vereadores, mas que as coisas não seriam bem assim em relação ao PHS. Seu presidente estadual, Sandro Matos, ex-prefeito de São João de Meriti, esteve reunido em fevereiro, antes do Carnaval, com o prefeito Rafael Diniz (PPS), mas a diretriz da legenda seria aguardar para observar melhor o novo governo de Campos.

 

Estadual e federal

Ex-secretário do governo Rosinha Garotinho, quando conseguiu ser destaque positivo de uma gestão muito mal avaliada, Wainer não rejeita a possibilidade do PHS vir a integrar a atual administração municipal, mas permanece com um pé no garotismo, com a manutenção de Auxiliadora no partido. Ela é, segundo Wainer, candidata natural a deputada estadual em 2018, embora o vereador Perfil também esteja no páreo. Já para deputado federal, a legenda deve lançar Enock. Assim, o PHS de Campos se prepara para lançar, pela primeira vez, candidatos próprios à Alerj e à Câmara Federal.

 

Em Brasília

Os jornais de circulação nacional afirmam que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pretende enviar amanhã ao Supremo Tribunal Federal (STF) os inquéritos com base na chamada delação do fim do mundo, dos 78 executivos e ex-executivos da Odebrecht. Os pedidos encaminhados pelo procurador deverão ser analisados pelo ministro Edson Fachin, relator da operação no STF. Somente com autorização de Fachin o sigilo das delações pode ser derrubado.

 

Prevenção

A iniciativa do Estado do Rio ao disponibilizar vacina contra febre amarela para toda população é de extrema importância. A saúde pública deve primar pela prevenção, que tem custo bem abaixo do gasto com o tratamento. O Rio está cercado por estados com casos confirmados e suspeitos da doença, o que levou à imunização em regiões de municípios de fronteira ou que possuem Mata Atlântica. É o caso de Campos. Ontem, a imunização aconteceu, novamente, em Lagoa de Cima. Hoje, o trabalho acontece mais uma vez na Tapera.

 

Com a colaboração do jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (12) na Folha da Manhã

 

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