PT deve lançar Anomal a prefeito e atender ao desejo do PR

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Como revelado (aqui e aqui) na coluna “Ponto Final”, no dia 19 o marido e secretário de Governo da Prefeita Rosinha Garotinho (PR) fez um pedido ao presidente nacional do PT, Rui Falcão: que o partido do ex-presidente Lula, ontem (29) denunciado (aqui) como réu por obstrução à Lava Jato, apoiasse a candidatura do PR a prefeito de Campos. Pedido negado, o secretário insistiu num segundo: que pelo menos o PT lançasse candidatura própria na majoritária, para evitar que opções da oposição como Caio Vianna (PDT), Rafael Diniz (PPS), ou Rogério Matoso (PPL) pudessem dispor do generoso tempo (aqui) de propaganda eleitoral dos petistas. E ao que parece, foi atendido. Na próxima quarta-feira, 3 de agosto, a convenção do PT em Campos deve seguir a indicação das executivas nacional e estadual do partido, indicando Hélio Anomal como candidato a prefeito.

Embora o próprio Anomal admita que haja divisões internas entre os petistas locais, com grupos favoráveis a Caio, a Rafael e a Rogério, ele adverte que se não houver um consenso na convenção da semana que vem, o diretório municipal pode sofrer uma intervenção:

— Preocupa-me essa possibilidade, caso não consigamos chegar a um consenso. Já disputei sete eleições em Campos. Não sou um desconhecido. Caio tem herança de Arnaldo (PEN); Rafael, de Zezé Barbosa; Pudim (PMDB), de Garotinho (PR); Chicão (PR), de Rosinha. Com o tempo que o PT tem de TV, poderemos mostrar que somos diferentes.

Lembrado que, na determinação das heranças políticas de 2016, ele já foi candidato a vice-prefeito de Arnaldo, em 2008, Anomal enfrenta um problema para consolidar sua candidatura a prefeito: a ausência de partidos para apoiá-lo. Chegou a ser ventilada uma aliança entre PT com PV e/ou com PC do B. Negada pelo presidente municipal do primeiro, ela foi até considerada pela presidente do segundo, mas desde que venha com outra cabeça de chapa:

— Esse boato foi criado por Garotinho. Com respaldo da executiva estadual, estamos com Rafael a prefeito. E vamos até a vitória! — garantiu o pré-candidato verde a vereador Gustavo Matheus.

— Para nós, essa aliança seria confortável, mas desde que o PT venha também com o PPL de Rogério a prefeito — ressalvou a pré-candidata do PC do B a vereadora Odete Rocha.

Presidente municipal do PT, André Oliveira disse que, caso não haja possibilidade de apoio de outras legendas na majoritária, a aliança poderia ser tentada apenas ao pleito proporcional, para tentar eleger pelo menos um vereador do partido.

 

Página 3 da edição de hoje (30) da Folha
Página 3 da edição de hoje (30) da Folha

 

Publicado hoje (30) na Folha da Manhã 

 

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Fabio Bottrel — Quem é esse senhor chamado Amor?

Sugestão para escutar enquanto lê: Gustav Mahler – Adagietto, Sinfonia nº 5. Orquestra Filarmônica de Viena, Leonard Bernstein

 

 

 

Bottrel 30-07-16

 

 

 

— Quem é esse senhor chamado Amor?

— Quem?

— Esse que quando chega faz a gente cair feito pétala de flor e deixa o meu peito cheio de dor… será que ele vive dentro d’a genteSeu Pasmônio, por isso dói o peito assim quando ele vem chegando pra frente?

— Pequenino, não é todo mundo que conhece o sinhô Amô, às vezes ele é um pouco carrancudo e não vai se chegando pra todo mundo. Essa dô no seu peito não é uma falta de ar quando a gente ainda aprende a respirar, não?

— Seu Pasmônio, eu já sei respirar, essa dor vem sempre quando vejo aquela menina de vestidinho florido passar. Acho que de tão bonita o senhor Amor dentro de mim fica querendo vê-la passar também, faz do meu peito um pula-pula pra fugir do meu coração e vira um reboliço aqui dentro com seus pulos de alegria sempre que passa essa menina com os olhinhos cheios de esmeraldas.

Ah, Seu Pasmônio… faz favor, o senhorjá tem idade para ser meu avô, fala pra esse moço chamado Amor se aquietar que eu ainda nem sei colher uma flor como vou chamar alguém de meu bem?

— Acho que você é um menino especial, pequenino. Mal chegou ao mundo e já recebeu a visita do sinhô Amô, deve ter cortado fila, que maravilha, tem gente que termina essa vida sem saber o que é essa dô de quando monta o pula-pula no nosso peito esse serelepe do sinhô Amô.

— Ah lá, Seu Pasmônio, já vem ela de novo com vestidinho novo de flor que só dá em campos de filmes moçoilos passando embora não fosse embora, fosse a ida de uma vinda e aflora meu peito afora! Ai, Seu Pasmônio! Que dor, que dor, que dor, esse senhor Amor pula, pula, pula toda vez que vê essa menina linda com vestido de costura diferente que parece meu peito tá com tanta gente que eu fico até dormente. Olha só seu Pasmônio, tô todo caído aqui feito pétala de flor murcha, faz favor, pede pro senhor Amor se aquietar e voltar pro meu coração.

— Pequenino, larga de ser egoísta, porque toda criança tem de ser assim toda desejosa? Se o sinhô Amô tão difícil de se vê, pede vez ou outra uma coisinha ou outra, pois não pode atendê-lo uma veizinha que só? Mas que falta de dó, imagina viver num coração só, apertado de parede muita fria sem ninguém nem pra tomar um suco de laranja?

— Laranja, seu Pasmônio! Vou dar laranja pra ela, aqui na quitanda do papai tem um monte daquelas bem docinhas que serve tanto pra suco quanto pra comer sozinha, às vezes esse alvoroçado do senhor Amor sossega quando eu também lhe der uma laranja.

— Pequenino, não é com suco de laranja que acalma o sinhô Amô, você não entende nada mesmo desse negócio que faz a vida ser bonita, vai dar laranja só porque tem aos montes na quitanda, onde já se viu menino?! Tem que ser coisa de abrir sorrisos, daquelas de abrir uma fresta no peito delapro sinhô Amô pular do seu e fazer morada no coraçãozinho dela.

— Tem que dar mamão então, seu Pasmônio?

— Não é mamão.

— Mas é docinho, olha esse aqui que grandão.

— Não é mamão, pequenino.

— Beterraba é muito dura, né?

— Ah, meu sinhô do céu! Dá aqui sua mão, tá vendo ali, enquanto sua menina passa você tá aí grudado nessa beterraba.

— Seu Pasmônio, pr’onde o senhor tá me levando?

— Pr’aqui do lado, pequenino, dentro dessa floricultura formosa tal como a sua menina você vai aprender um pouco desse tal do sinhô Amô.

Tá vendo

essaflô aqui? Achegue seu rosto bem devagar nela.

Tá sentindo

esse cheirinho aí? Feche os olhinhos, deixe o sinhô Amô sentir também.

Pequenino?

nino?

Acorda!

Olha sua menina indo embora, vá logo levar essa flô cheirosa!

— Seu Pasmônio, ela nunca vai embora não fosse embora, sempre aflora meu peito afora! Vou correndo agora!

— Corre, pequenino, corre, corre!

 

***

 

Corri tanto e tantos dias que não demorou conheci o senhor Amor, na verdade era uma senhora, não tava dentro de mim, tava fora, e tinha um olhar doce igual amora quando sentava perto de mim curiosa, se aconchegando num banquinho apertado da rua Formosa. Ela gostava das coisas que eu dizia, talvez por já ter tanto tempo de vida que podia até andar de moto sem ser parado pela polícia.

É a mesma senhora da minha infância, que observava aqui da quitanda, passar com seu vestidinho florido tão bonito. Graças ao senhor Pasmônio – que Deus o tenha num bom lugar no céu – aprendi as sutilezas da senhora Amor. Em vez de dar laranjas a ela, dava à floricultura florida igual a ela meia-dúzia de laranjas docinhas e escolhia a flor mais bonita para correr entregar pra menina formosa, perto da Floricultura Formosa na rua Formosa. Era todos os dias de manhãzinha, assim que via a menina, corria pra floricultura trocar meia dúzia de laranja, dois mamões ou cinco morangos pela flor mais bonita que eu via, e corria entregar para a menina, ao longo da vida, todos os dias.

Todas as manhãs ela sorria, até quando tava triste ela sorria, as flores eram tão bonitas e cheiravam tão bem que faziam qualquer lágrima voltar. Um dia ela se achegou no meu lado, no banquinho apertado em frente a quitanda, ainda me lembro como se fosse agora, ah que olhar doce igual amora, me deu um beijo tão gostoso que senti meu corpo pipocar igual catapora, era melhor que todas as frutas que eu tinha provado na minha vida, fiquei até a pensar como seria vender beijo na quitanda.

Era de manhã quando fechei os olhos pra menina do vestido florido me beijar. Minha boca estática, parecia que eu tava fora do meu corpo, não sentia mais nada, só esse negócio pulando no meu peito que agora eu sei que não é gente, pois aprendi nas aulas de biologia. Quando abri os olhos já estava de noite, a menina já tinha ido embora, as lojas fecharam, e eu ali, com a boca aberta, tentando disfarçar a cara de pateta. E sabe que ainda não levantei do banco, fiquei sentado um tempinho e depois fechei a quitanda pra ir embora pela rua Formosa com o sorriso na cara, era o dia mais feliz da minha vida. A vida vale a pena quando se tem alguém para amar e quão eu amava essa menina, todos os dias flores e beijinhos na saída, ah, que vida boa de ser vivida! Até que chegou o dia d’ela conhecer minha família…

 

***

 

— Olha, já vou te avisando que tenho o privilégio de ter uma família diferente de todas as outras.

— Diferente como?

— Ah, você vai ver.

— Me fala, to curiosa, faz dez minutos que a gente tá apertando essa campainha e só essa cachorrinha dando chilique aqui.

— Ali meu pai vindo, já vamos entrar.

— Estou nervosa.

— Não fique.

— Muito nervosa.

— Fica não…

Aquele logo atrás é meu irmão mais velho, Chita.

— Chita não é o nome da macaca do Tarzan?

— É chipanzé, e por mais que tenha interpretado o papel de fêmea era um macho, papai gostava muito da Chita e deu o nome do primogênito em homenagem a ela.

— Poxa…

— É que papai gosta mais de animal do que de gente… dei sorte do meu nome não ser Lassie ou King Kong…

— Verdade… ou aqueles que juntam uma sílaba do nome do pai na outra do nome da mãe, ficando Mauzaléia ou Jorida. Imagina você se chamando Tisiu.

— Ou Michael Jackson e Elvis Presley?

— É… gosto de te chamar de Nino, pequenino, ainda bem. Tenho uma amiga que chama Bucetilde.

— Imagino do que o pai dela tanto gostava… Meu irmão tá chegando.

— Mas seu irmão parece mais velho que seu pai…

— Ele é mais velho que meu pai.

— Oi?

— Eu te falei que minha família é diferente, não é? Eu sou o único no mundo que tem o irmão mais velho que o pai.

— Não entendi…

— Deus se descuidou e deixou o filho nascer primeiro que o pai.

— Mas isso é impossível!

— Claro que não, se meu irmão conseguiu nascer primeiro.

— Mas como?!

— Antes de ser gente ele achou uma escada que vai pro céu e…

— Onde fica essa escada que vai pro céu?

— Fica dentro d’a gente.

— E como é que acha?

— Ah, tem que perguntar pra ele… mas ele achou e subiu, subiu, subiu até… lá em cima no céu viu Deus devorando um monte de espíritos iguais vultos, que logo virava gente de corpo quando Deus os defecava.Ao assistir aquela cena Chita ficou com muito medo de ser devorado e de vir ao mundo como um estrume divino e correu, correu, correu como só ele sabe correr. Papai me ensinou o capitalismo assim, os que nascem do cocô de Deus são os capitalistas que devorarão e defecarão outros capitalistas até sobrar a própria bosta para devorar. Chita correu tanto que acabou indo parar no inferno e um dos anjinhos cagoetou meu irmão falando no ouvidão de Deus que um vulto tinha fugido do céu e ido pro inferno pra não ser cagado na Terra. Ah, que Deus ficou muito bravo você não imagina! Levantou da sua enorme toalete com um gigante arroto querendo saber quem ousou desafiar seu corpo e suas regras. O céu chegava a tremer com as passadas pesadas de Deus correndo em direção ao meu irmão, que já estava no inferno, mas ô calor danado Chita sentiu naquele inferno, insuportável de se esconder por ali. Uma das diabinhas tão fogosas falou para o Diabo do acontecido, e não é que o bicho se entusiasmou todo para arrumar encrenca com Deus? Pra lá só subia o cocô depois de morto, como se fosse o fim do cano de esgoto e agora que chegara um até mesmo sem corpo por sua livre e espontânea vontade foi uma firula de autoestima no Diabo, que pegou seu tridente, ajeitou sua cueca preta, estufou o peito e foi-se falar como esse sujeito Deus.

“Que negócio é esse de você atravessar o inferno sem pedir autorização, tá achando que isso aqui é a casa da mãe Joana?! Tire essa bunda horrorosa daqui agora mesmo!”

“Só saio daqui quando encontrar aquele vulto que vai se chamar Chita lá na Terra!”

“A macaca?”

“Não, o rapaz mesmo… aquele que vai nascer do pai que gosta mais de animal do que de gente…”

“Cada coisa esquisita, né…”

“ Menino, nem me fale, cada peido fedido que sai… Nossa, como tá quente aqui…”

“É você me fez ficar nessa quentura toda…”

“Merecia até pior, se soubesse onde foi parar aquele anjinho que você não parava de olhar…”

“Eu não olhava pra ninguém.”

“Tá achando que eu sou bobo ainda? Tá achando que eu não percebia aquela arpinha dourada virando quase uma sanfona na mão daquele anjinho de cuequinha branca quando você chegava?”

“Olha o que esse ciúme doentio seu fez, até o além se dividiu por causa dele! Eu fico preso aqui nessa quentura com esse monte de mocréias que você pôs pra me infernizar…”

“Hum, bom pra aprender a não ficar de gracinhas com esses anjinhos…”

Enquanto Deus e o Diabo discutiam, meu irmão aproveitou para fugir e correu muito, quando os dois foram perceber Chita já estava quase na toalete de Deus e viu um encanamento de nuvens por onde nasciam as pessoas quando Deus dava descarga. Achou que não ia dar tempo, caiu algumas vezes com as passadas pesadas de Deus tremendo todo o chão por onde corria e quando o Diabo lançou o seu tridente para lhe espetar, ele já havia pulado no encanamento e nascido na Terra.

— Nossa…

— Pois é…

— Então ele não é capitalista por que ele não é o cocô de Deus?

— É…

— Caramba…

— Pois é…

— Aquela é a sua mãe vindo?

— É.

— Mas ele é mais velho que a sua mãe também?

— Ah, menina, você não entende nada de metáforas.

 

***

 

Nossas peles enrugaram-se, nossos ossos enfraqueceram, mas o nosso amor nunca padeceu. A senhora do vestido florido começou a esquecer algumas coisas inesquecíveis e me preocupei, fomos ao médico, tampouco a levei soubemos,era Alzheimer. Aos poucos ela ia esquecendo cada rosa que eu lhe entregara na infância, o beijo dado no banco apertado da quitanda, Seu Pasmônio me puxando pelo braço para que eu tomasse coragem e não deixasse passar como passa o vento, o grande amor da minha vida.

Aos poucos ela esqueceu o sabor das frutas que eu lhe preparava todos os dias, os sucos que eu corria entregá-la enquanto ela ia para a escola só pra ver o seu sorriso mais uma vez.

Esqueceu as carícias que fiz quando a sua pele ainda era tensa, os sorrisos que lhe abri quando seus olhos ainda eram esmeraldas. Esqueceu as batidas fortes do meu peito quando ela deitava o rosto sobre ele, o perfume no meu pescoço quando ela dormia rente ao meu dorso.

Nos seus olhos a poesia se diluiu, a menina de tão longa idade não me reconhecia mais como se a vida já tivesse ficado pra trás e no seu corpo habitasse a próxima geração. Todos os dias eu pegava a minha bengala e tremia cada passada dada até o jardim, colhia a flor mais bonita e voltava para entregá-la, ela sorria sempre quando eu a colocava na mesa do café da manhã como a menina surpresa por ter ganhado um amor. Enquanto a senhora do vestido florido via o florido do vestido sem hora desbotar esqueceu meu nome e sobrenome, pensei que deixaria de existir, mas descobri já velho, que não posso viver sem um coração. Ao receber a flor amarela segurou a minha vida na mão, me olhou com os olhos sorrindo e perguntou, quem é o senhor?

— Eu sou o senhor Amor.

 

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PT de Campos deve realizar desejo do PR e lançar Anomal a prefeito

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Nem Caio Vianna (PDT), nem Rafael Diniz (PPS), nem Rogério Matoso (PPL). Com convenção marcada para a próxima quarta-feira (dia 3), o PT de Campos deve mesmo caminhar com candidatura própria de Hélio Anomal a prefeito. Segundo o próprio adiantou agora há pouco ao blog, essa é a vontade da executiva nacional e estadual do partido — assim como do marido e secretário de Governo da prefeita Rosinha Garotinho (PR), que pediu pela candidatura própria ao presidente nacional do PT, Rui Falcão, como o “Ponto Final” revelou aqui e aqui, só para tirar o generoso tempo de propaganda eleitoral do partido de candidatos a prefeito de oposição com chance de vitória.

Anomal admite que, ao contrário das executivas estadual e federal do seu partido — e do PR —, há correntes do PT goitacá que preferem a aliança com Caio, ou Rafael, ou Rogério. Mas adverte que, se não houver consenso, a decisão pode ser tomada até a partir de uma intervenção no diretório municipal. Já o presidente do partido em Campos, André Oliveira, admite que a maior dificuldade para uma candidatura própria a prefeito é a falta de aliança com partidos que possibilitem a formação de uma nominata com chances de eleger pelo menos um vereador. Mas como, apesar do tempo de propaganda eleitoral do PT, nenhuma outra legenda parece se animar em apoiar Anomal na majoritária, André lembrou que as alianças podem ser feitas só para a eleição proporcional de vereador.

 

Leia amanhã (30) a matéria completa na edição impressa da Folha da Manhã

 

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Sociólogo George Gomes Coutinho aos sábados na Folha da Manhã

Depois da estreia (aqui) no início deste mês, do advogado José Eduardo Pessanha e do sociólogo Brand Arenari como colaboradores da Folha da Manhã, antes de julho ir embora, outro sociólogo ampliará a multiplicidade de vozes na ágora do maior jornal do interior fluminense. A partir do próximo sábado (30), o campista, botafoguense, músico amador e professor de sociologia da UFF-Campos, George Gomes Coutinho, ocupará espaço semanal na página 4 da Folha.

Para quem o conhece ou queira agora fazê-lo um pouco, bem como o que pretende trazer aos leitores da Folha todos os sábados, melhor saber pelas palavras do próprio George:

 

George Gomes Coutinho (foto: reprodução do Facebook)
George Gomes Coutinho (foto: reprodução do Facebook)

 

“Entrei na universidade em 1998 quando fiz minha primeira graduação em Serviço Social na UFF/Campos e desde então jamais saí da academia. Em meio ao curso de Serviço Social decidi prestar vestibular para a Uenf onde ingressei no bacharelado em Ciências Sociais motivado por curiosidade. O que eu não imaginava é que a entrada neste universo iria me despertar uma relação devotada com a Sociologia e a Ciência Política. A partir deste encontro não previsto, e de minhas reações menos previsíveis ainda,  me tornei mestre em Políticas Sociais na Uenf e hoje sou doutorando em Ciência Política na UFF/Niterói.

“Nas Ciências Sociais meu foco de estudos, pesquisas e produções enveredou pontualmente pelo vasto e multifacetado campo da teoria social perpassando temas da política contemporânea, o que envolveu discutir as reinterpretações do conceito de democracia e, por fim, apresentei estudos de caso dos impactos da globalização sobre a política. Nos últimos anos aderi ao sub-campo de conhecimento chamado “pensamento político-social brasileiro”, onde são elaborados estudos e análises sobre as narrativas que tentam responder a incômoda e persistente pergunta: O que faz do Brasil, Brasil?

“Dentro da perspectiva das humanidades irei trazer para a Folha da Manhã e seus leitores curtos ensaios em duas amplitudes: as grandes questões políticas e sociais de nosso tempo e as questões societárias mais pontuais, focalizadas. O diagnóstico de que vivemos um momento de transições aceleradas em diferentes escalas é consensual dentre os diversos grupos sociais e aposto no importante papel das intervenções públicas em, ao menos, convidar para o bom debate em prol do esclarecimento”.

 

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Guilherme Carvalhal — O homem que pescava almas

Carvalhal 28-07-16

 

 

Sentou-se na ribeira sujando os fundos das calças com a lama da chuva da noite anterior sem se importar se precisaria lavá-la. Pôs ao lado o samburá vazio e ajeitou as pernas, dobrando os joelhos de forma a deixar a cabeça quase entre eles ao se empertigar à frente. Pegou a vara e esticou a linha, apertando o laço até firmar bem o anzol. Sem pôr isca, lançou à água.

A folhagem dos manacás esparsos não oferecia proteção com o sol a pino e seu corpo tostava sob o calor escaldante de um dia claro após as poças da tempestade passada formarem uma névoa de vapor capaz de cozinhar seres viventes no bafo. Mesmo com o ambiente conspirando em contrário, não demonstrava maiores emoções.

Passou algumas horas imerso diante da mesmice insossa. Os cascudos, bagres e tilápias rodeavam e não beliscavam, caçando alimento pela própria água e evitando a captura. O fluxo da correnteza naquele ponto também não favorecia e por isso os pescadores costumavam seguir mais abaixo da curva do rio para estender suas redes. Apesar das adversidades, ele persistiu e passou a tarde inteira concentrado na faina.

Seu rosto permaneceu fixo contra a coloração lamosa e o brilho embaciado distorcendo seu reflexo em um desenho incógnito tremeluzente na superfície. De tempos em tempos puxava a linha vazia e aquilo lhe trazia um prazer recompensador. Encher o samburá não o deixaria mais contente.

Saiu de lá sem nada e com estampada alegria.

 

Pouco a pouco começaram a notar sua presença. Repararam que sempre pescava no mesmo ponto, um pouco mais para um lado ou outro, mas sempre se esforçando para repetir o igual espaço da tarde anterior. Estranharam alguém estacar onde não dava pra pegar nem manjuba e retornar dia após dia no pior horário, quando mais o sol castigava e na parte de mata ciliar mais desgastada, desprotegido a ponto de possibilitar a formação de queimaduras na pele com bolhas doloridas explodindo e espalhando pus. Especularam que devia saber de algo desconhecido pelos demais, uma espécie de argúcia anciã, ou então que possuía boa sorte na hora de puxar.

Perceber que sempre saía de samburá vazio sem nem trazer alguma isca de volta aumentou o comentário geral. A principal desconfiança  se referiu à  sua identidade. Nunca o notaram residindo por aquelas paragens e ninguém possuía informação concreta sobre seu passado. Aquela região rural não costumava receber moradores de fora, já estando saturadas as vagas de trabalho na roça de café e na criação de gado. Pescar ali oferecia mais diversão nos finais de semana do que ganhos financeiros com venda, então não havia chance dele ter mudado pra lá apenas para se dedicar a essa atividade.

Começaram a cogitar um batalhão de histórias. Um acreditava que por trás daquela figura pacata se escondia o real responsável pela morte da filha do desembargador na capital — notícia que povoou os noticiários e provocou comoção pela crueldade das trinta tesouradas — em busca de refúgio até a polícia o esquecer. Outro levantou a hipótese de tratar-se de um doido fugido do manicômio municipal dedicando-se à sua alucinação de contabilizar peixes inexistentes. Um terceiro afirmou que já o encontrou antes e que a esposa o abandonou tempos atrás; depois do rompimento ele percorria pelas margens chorando, deixando as lágrimas seguirem pelo curso abaixo para simbolicamente crer que o rio levava sua tristeza, mas descartaram sua conjectura por constatarem seu manifesto contentamento cotidiano destoante do relato. No fim das contas, a ideia mais aceita consistia na de ser um cigano desprendido de seus pares fomentando alguma feitiçaria envolvendo energias fluviais.

Sebastião tirou um dia para segui-lo e matar a curiosidade. Quando o homem saiu após o anoitecer da beirada e caminhou em direção à cidade, partiu sorrateiramente no seu encalço, guinando por cada rua onde entrava. Manteve-o bem no seu visual durante um longo pedaço de percurso até ele dobrar uma esquina e simplesmente desaparecer quando o perseguidor deu as caras.

Sebastião levantou uma interrogação sobre a cabeça e verificou se ele entrou em alguma das casas. Bateu palmas uma a uma e questionou descrevendo-o, sem ninguém conhecer o dito cujo. Foi embora encafifado e logo ao meio-dia da tarde seguinte correu para encontrá-lo novamente lá com sua vara.

 

Padre Tomé pediu esclarecimentos a Luizinha a respeito de quem falavam tanto os moradores, uma suposta assombração que por lá chegou e não saía da boca dos fiéis. Seu padre, é a pessoa mais esquisita que aqui pôs os pés. Ele se veste como a gente, roupas simples e gasta, dessas iguais dos homens que trabalham na roça, o chão e o vento vão comendo de pouquinho em pouquinho. Ele não é alto nem baixo, está na média, também é magro, não desses raquíticos, sadio, isso sim. E onde tem assombração nisso, minha filha? Ué, seu padre, ele é estranho de todo resto. Senta lá na barra do rio e fica com a vara sem nunca pegar peixe nenhum, todo dia, sem cessar, até fim de semana ele comparece. Não puxa conversa com ninguém, não tem nenhuma simpatia. Passa a tarde inteira debaixo de toda essa quentura sem se incomodar, sem nem mesmo suar, e quando anoitece sai de lá de mãos abanando. Parece que gosta de perder o tempo ali, sem conseguir pegar nada. Ainda não entendi porque é uma assombração. Todo mundo ali estranhou ele, principalmente o Sebastião, que quer até chamar a polícia pra dar conta do desgraçado. E o Sebastião está tão cismado que quis chegar perto para perguntar o que ele ficava fazendo ali. Então, veio o susto quando o homem disse que pescava alma. Vê se pode um trem desses?

Sem entender direito o que se passava, Tomé acabou por localizar Sebastião para saber da sua boca o motivo do rebuliço. Aquilo lá é caso de exorcismo. É o bicho ruim que está presente aqui. Cheguei perto porque não aguentava mais ver aquele estrupício feito um fantasma e indaguei o que ele fazia ali e me disse que pescava almas. Não falou nada nem antes nem depois, só isso, olhou pra mim seco, sem rir ou encrespar ou franzir testa, frio feito gelo, parecia que ele próprio não tinha alma. Era o tinhoso, seu padre, e está querendo corromper a gente e arrastar pro inferno.

Cético com o relato, o padre decidiu procurar o estranho e compreender por sua conta o que se passava.

Encontrou-o da exata forma descrita pelos relatos, com roupas puídas, semblante introspectivo e samburá vazio. Manejava o molinete com paciência sem aparentar maiores expectativas com resultados frutuosos. De estranho havia a revoada de anus-pretos e garrinchas amontoadas pelos galhos ressecados das árvores, formando uma atmosfera mais intensa incompatível com o clima melancólico e o solo infértil.

Sentou-se de batina ao seu lado na terra viscosa e interpelou se corria bem a pescaria sem obter resposta, encarando o rosto do desconhecido que permanecia fixo em seu reflexo turvo, ignorando por completo sua chegada. O padre o analisou por uns instantes, buscando gravar bem sua fisionomia. Reinou o silêncio quebrado apenas por um coaxar de sapo e pelo barulho das águas. Sem se dar por vencido devido ao comportamento pouco ortodoxo, quis saber se havia verdade nos boatos circulantes.

 

Pescar almas é remover enormes monólitos das profundezas escuras. Por mais difícil que a tarefa pareça e por mais força que ela exija, aqueles incumbidos da missão deverão sempre dar o máximo de si nos conformes das exigências da messe. Não hão de titubear por um momento nem de se deixar abater pelas incertezas e pelos contratempos. Há de se perseverar continuamente sem fraquejar por fazer da fé na conquista seu pilar.

Imerso em água, o peixe não  sabe o quão restrito é seu ambiente. Nada nas suas limitações e segue o fluxo das correnteza e das marés. Não desfruta a liberdade porque uma mudança de temperatura ou de ventos altera os rumo de cardumes inteiros, levando-os do Pacífico ao Atlântico, da água doce à salgada, sem direito de escolha.

Tudo para ele é fluído e sua visão obscurecida permite a captação apenas de imagens distorcidas. Assim sendo, quando de lá o removem, descobre um mundo novo, onde a luz clareia e ele identifica o ar, a terra, o fogo e todos os elementos escondidos.

Pescar almas é a mais nobre das atividades. É a única definitivamente válida para um homem, por descobrir o véu da ignorância e deixar a verdade reverberar adiante. Não é vender hipocrisias nem oferecer palavras repetidas, mas permitir a descoberta por si mesmo, a independência de reflexão, deixá-los atingir a contemplação suprema mediante os próprios esforços.

 

Encontravam-se à casa do desembargador Otávio, além do proprietário, o padre Tomé, o médico Praxedes e o professor Armênio. Montavam um grupo para nas noites da quinta-feira tomarem licor, ouvir sinfonias na vitrola e discutir política, literatura e filosofia.

O padre consternado lançou aos companheiros seus questionamentos, ponderando entre a crença e a hesitação. Não sei de quem se trata esse homem. Nada tem com os assuntos da igreja, mas os fiéis me cobram uma postura diante dele. Sua presença os incomoda por o conceberem como uma encarnação do mal. Em minha conversa não tive certeza alguma, apenas dúvidas. Não se fez entender com clareza e suas poucas palavras carregavam ambiguidades. Seus apontamentos se assemelham aos das parábolas bíblicas quando se afirma a necessidade de pescar homens para os desígnios divinos. Contudo, suas palavras não carregavam o teor catequizador exigido de um apóstolo. Seu sentido soava vago, formado mais por uma retórica facilmente assimilável por mentes pouco exigentes do que por argumentos convincentes. Ao mesmo tempo seu discurso possuía poder místico carregado, não se sabendo se recebia algum dom para a oração ou se a loucura estimulava seu cérebro levando-o a acreditar no que diz a ponto de se tornar mais persuasivo. Essa mistura de pontos em branco sem explicação colabora para uma má interpretação pelos populares e me deixa perdido em controvérsias. No fundo, não sei como considerá-lo. Meu desejo é de simplesmente deixá-lo de lado com sua vara e seguir adiante fingindo que ele não existe.

Então o desembargador tomou a palavra. É nítido como as referências deste homem se dirigem aos mais antigos ritos religiosos da humanidade. Quando se fala nas mais variadas ideologias, é bastante corriqueiro encontrar o sentido da ascese. É o princípio da alquimia, de transformar chumbo em ouro; muitos traduzem como uma demanda por riqueza quando o real objetivo é transformar a matéria impura em pura, ou seja, transformar mal em bem. Da mesma forma funciona a árvore sefirótica em que se parte do Keither, a coroa, em uma longa caminhada até se atingir Malkut, o reino, o ponto da perfeição. Os nórdicos também concebiam uma árvore, Yggdrasil, definida como o eixo dos nove reinos, ligando o mundo dos homens a Asgard, lar dos aesires. À pedra filosofal se associavam diversos outros itens, como o santo graal e a cornucópia, que mais do que bens materiais, nos garantiam uma elevação espiritual. Quando este pregador assegura pescar almas, creio que ele se refira a esse caminho rumo ao encontro de uma entidade em um plano metafísico, onde a própria consciência de percepção se expanda ao infinito através de uma labuta constante e muitas vezes consideradas debalde por aqueles de vontade frouxa.

Parece a mim que ele se baseia no mito da caverna, respondeu o professor. Ele retrata o processo de esclarecimento das pessoas através do conhecimento, rompendo as trevas da ignorância. Por este viés, essa ascese que Otávio citou não seria no campo espiritual, pelo menos no sentido de espírito enquanto alma ou matéria divina, mas espírito enquanto o campo cognoscente de cada indivíduo. A pescaria se assemelha ao papel do filósofo sobre os homens, a guiá-los pelo caminho da sabedoria, transformando a doxa em episteme. As águas turvas e a baixa iluminação a ofuscar o peixe simbolizam a insipiência e o emergir à superfície como o contato com o letramento a abrir as portas da ciência.

Já eu penso que este homem enverede pela loucura, opinou o médico. Pense na linearidade das suas palavras, conforme o padre relatou. Há uma divisão clara entre a percepção e a consciência deste indivíduo, não havendo um pensamento condizente à realidade captada por seus sentidos. Ele asserta sobre retirar pessoas da escuridão com uma obscura metáfora de economia extrativista sem deixar claro como suas ações correspondem a um determinado fim. Afinal de contas, de qual forma ele contribui para alguma causa passando a tarde inteira sentado na lama feito mendigo? É apenas teoria sem prática. Filosofia sem utilidade. Não há nesta pessoa capacidade de encontrar coerência em si mesma e lhe resta apenas semear a discórdia e a anarquia no coração dos pacíficos e influenciáveis moradores da cidade.

 

Ao excelentíssimo doutor Rogério Sarmento.

Venho por meio desta relatar a Vossa Excelência um problema que se avizinha em nosso pacato município, ameaçando o sossego característico que sempre nos brindou, moradores nativos e agregados na paz sempiterna dos eflúvios paradisíacos de um Olimpo sagrado. Nunca nos atingem maiores desconfortos, podendo sempre cada concidadão desfrutar os ares tépidos e o frescor de primavera sem sobressaltos e repleta apenas dos mais singelos gozos.

Infelizmente, um estopim de algaravia cresce ininterruptamente, clamando a si mais vozes em desacordo com um malfadado visitante posto em, no mínimo, inusitadas empreitadas, inocentes quando verificadas, só que buliçosas aos elementos de menor intelecto que, ora sabeis, residem irmãmente sem jamais nos causar embaraços. Estes elementos aos quais me refiro engatam em animosidades pelo contato peremptório com tal sujeito, de identidade anônima por recusar comunicação verbal. Eis mais um dos mistérios enfrentados. Todos se incomodam com a existência de alguém de nome e procedência desconhecida, fato este servidor para fertilizar a prospecção de mitos populares, associando-o a qualquer tipo de grupos envolvidos com a bandalha e a transgressão.

Aos mais esclarecidos causa risos ouvir histórias acusando-o dos mais desvairados atos como macular as hóstias da igreja com material nefando e devorar fetos humanos assados na grelha sem nenhuma prova concreta. Entretanto, não podemos ignorar a semente da desordem plantada entre nosso gentio, que pouco a pouco se irrita mais estimulado por seus próprios devaneios infundados. Temem o estranho e a ele evitam sem titubear. Verifiquei por mim mesmo após escutar relato de nosso nobre padre Tomé e não percebo no referido homem nenhuma característica associativa a delitos ou a comportamento inadequado ao convívio social. Parece-me pacato e concentrado em seus afazeres, mesmo nos provocando desconfiança por insistir em uma pescaria infrutífera e sem jamais explicar sobre qual sua motivação em insistir.

O que desejo solicitar a vossa excelência é primordial atenção aos distúrbios coletivos a tomarem forma entre o vulgo. Podemos ver perplexos um levante popular com consequências terríveis. O estresse é notório e as pessoas carregam o semblante fechado, como se entaladas por uma mágoa acumulada internamente queimando suas vísceras e esta se espalhasse feito um câncer. Preocupa-me eles explodirem e o caos reinar, provocando um cenário preferível de não ser imaginado.

Ciente da sua competência em remediar tais situações, despeço-me com a tranquilidade de cidadão a cumprir com suas obrigações diante da coletividade e por saber de sua firmeza na promoção do bem-estar.

Renovo os votos da mais alta estima e consideração.

Armênio Fraga.

11/07/????

 

Fátima acordou suada e tremendo. Deitada na cama de taipa com um colchão de espuma esfarelada fino a ponto de deixar a dureza dos caibros trespassar e atingir as costas, seu corpo remexia em busca de uma inalcançável posição de conforto. Sua mãe acordou cedinho quando o sol mal alumiava o dia e a encontrou ensopada devido à febre alta e se desesperou sem saber ao certo como proceder. Pôs um pano com água em sua cabeça e acordou o marido para buscar o médico.

A menina tiritava sob os lençóis e em sua cara se reparava a náusea de alguém gravemente enfermo esperando ou por uma cura ou pela solução final. A mãe a hidratava e também a forçava a engolir chá de sabugueiro, melhor remédio não há conforme dizia sua mãe, que ouviu da avó, que ouviu da bisa.

O médico chegou contendo o resmungo por o terem acordado tão cedo. Detestava deixar o leito forçado por conta de pacientes, principalmente em casos de crianças com caganeira a quem apenas precisavam dar uma colherada de leite de magnésio. Quebrou a cara ao deparar com Fátima com quarenta graus e iniciando um processo de delírio falando sobre um local aberto de trevas permanentes cujo único barulho ouvido era o uivo de um lobo interrompendo o completo silêncio. Auscultou seus pulmões e recomendou analgésico e antitérmico, além de completo repouso e compressas quentes.

Após três dias a menina continuou febril e vomitou sangue, começando também a formação de hematomas arroxeadas pelas pernas e braços. Os pais apertavam as mãos de um nas do outro querendo receber uma mensagem alvissareira do doutor. Praxedes então diagnosticou que ela estava com palidosa. Não havia muitos recursos aos quais recorrer. Recomendou o repouso contínuo e suspendeu a medicação mais agressiva. Não existia um hospital estruturado onde pudesse atendê-la adequadamente, então deu algumas advertências à família e disse para rezarem bastante.

À noite, em sua casa, matutou sobre como poderia contrair uma doença sem sinais de contágio na região há tanto tempo. A febre amarela atingiu baixos índices de contaminação, sendo erradicada em zona urbana no país inteiro. Ali se encontram no meio termo, em uma cidade incrustada em uma região de economia agrária, com formações florestais constantes apesar do intenso ritmo da desmatamento para a formação de pasto.

Considerou como principal hipótese algum mosquito ter picado um macaco infectado e transmitido para a garota. Precisava acionar a prefeitura para a tomada de medidas de higiene necessárias para evitar a proliferação.

Passados uns dias, a menina morreu.

 

A culpa foi daquele demônio que desde quando chegou aqui só traz a desgraça pra gente. O único problema que aconteceu foi a doença da menina, que são fatos da vida, teve nada mais não. Percebe só como as pessoas estão pouco amistosas umas com as outras, sempre de cochichos, de esquemas, é obra dele. Como tu sabe? Só pensar, né, uma doença que nunca dá em ninguém acontece justo quando esse tipo chega aqui. Mas você não tem prova. Não precisa prova, é só associar os fatos, ele chegou aqui e trouxe uma praga com ele, igual no Egito, ou você não lê? Eu sei, só que é estranho acusar assim do nada, porque pode ser só coincidência. Eu conheço ele, é um mentiroso, a trapaça dele enganou você, mas comigo é diferente, porque sei das artimanhas.

Eu nunca fui com a cara dele. Eu também, não dá pra confiar em alguém que chega na terra dos outros sem se apresentar, sem dizer de onde veio, o que deseja. Verdade, ele devia mostrar respeito pela gente, moradores daqui desde sempre, o receberíamos bem se não fosse desse jeito esquisito. Com certeza, o desgraçado é o sujeito mais enigmático que já vi, sem ninguém conseguir descobrir onde dorme, de onde tira dinheiro para as coisas nem nada. O que me mata nele é a droga da pescaria, não tolero alguém perder tempo daquele jeito, parece querer zombar de nós trabalhadores. Sim, fica lá todo se mostrando, dizendo olha pra mim, eu estou à toa enquanto você carrega peso nas costas ou lava trouxa de roupa suja.

Não podemos deixar que ele acabe assim com nossa cidade. Não! Não podemos deixar nossos filhos em uma companhia capaz de desvirtuá-los das nobres virtudes tão valorizadas por nós. Não! Não podemos autorizar um trazedor de espíritos malignos a contaminar o coração dócil de nossas famílias, não acostumadas com a sevícia e a injúria, a ignomínia e o improbo. Não! Nós, homens de coragem, faremos o que o padre e o delegado não tiveram coragem, de dar cabo daquele filho do coisa ruim para levar sua malvadeza para cantos bem longe daqui, onde nunca mais possa macular nenhuma menina com a peste do apocalipse. Expulsaremos! Então aqueles que tem valor sigam-me e vamos mostrar como pessoas de bem jamais tolerarão ao seu entorno os enviados das profundezas tencionados apenas a propagar a condenação das almas.

 

Quando Luizinha entrou agitada pelo corredor entre os bancos da igreja gritando pelo nome do padre Tomé, este se encontrava em seus aposentos ocupado das leituras bíblicas. Notando a tumultuada entrada, saiu para verificar o que se passava e encontrou o sacristão tentando acalmá-la nas escadas do altar, quase a agarrando com força necessária para segurar touro bravo.

Que se passa, minha filha? Padre, o povo se juntou para matar o pescador, estão com foice e martelo na mão indo em direção ao rio para dar cabo dele. Meu pai do céu, que fazem eles? Rápido, padre, só você pode impedi-los.

Saindo pela porta, Tomé levantou a batina e deixou as canelas brancas à mostra para correr melhor. Adiante, quando o relevo entrava em declive para chegar à beirada do rio, encontrou a turba unida caminhando na direção de onde o estranho se sentava. Sebastião seguia na vanguarda no duplo papel de porta-estandarte e general.

Estão todos loucos, parem logo. Não paramos, seu padre, se você não tomou atitude, nós tomamos, porque não vamos deixar as crianças morrerem mais. De onde tiraram essa ideia? São nossos olhos nossos guias, aqueles que nos fazem perceber a verdade que você com todo seu estudo não enxergou. Vocês não estão mais cientes da verdade, estão se deixando guiar pelo preconceito e pela ira. Estamos combatendo o mal que se instalou nessa vila.

O grupo continuou caminhando enquanto Sebastião e o padre discutiam. Os homens expressavam a raiva fomentada por uma repentina gestação de inconformidade advinda da inexplicável moléstia mortal a ceifar a vida de uma menina sadia e alegre. Seus passos denotavam firmeza de propósito ao levantarem a causa da vingança disfarçada de justiça e proteção e nela se escorarem para explicar seus atos.

Ao chegarem bem próximos, a turba parou. Sebastião adiantou-se para se dirigir ao pescador ali sentado com sua vara. O alvo nem notou os presentes, e caso tenha notado, fingiu que nem se encontravam ali. O padre deu um passo atrás querendo criar um distanciamento para quando a carnificina começasse.

Levanta daí e fala comigo igual homem. Deixa essa suas pescaria medíocre e vem olhar pra mim cara a cara para a gente conversar. Ou você não tem coragem? É galo que canta e corre da briga? Saiba que não tem lugar para um aborto do diabo feito tu na nossa cidade. É terra de gente descente e trabalhadora, não de vagabundos arteiros como você. Estão todos aqui preparados para acabar com a tua raça. Tu fez a menina adoecer com este teu pacto com o maligno, admita. Melhor morrer com honra admitindo o próprio crime do que deixar dúvida feito um mandrião.

 

O pescador levantou. Calmamente lançou a vara sobre o ombro e agachou para pegar o samburá. Voltou-se com tranquilidade na direção de Sebastião e enfocou toda a turba. Seu rosto permanecia sereno, sem um pingo de intimidação diante das pessoas em fúria. Mantendo a brandura o tempo inteiro e usando uma voz harmoniosa com efeito semelhante ao de um canto para adormecer bebês, ele se dirigiu ao público pretendendo explicar sua presença.

Não é preciso nervosismo. Se causo confusão entre vocês, prefiro retirar-me a vê-los irritados. Bastava todos terem me comunicado antes e eu partiria sem problema. Não lhes causei mal algum. Se me culpam, é equívoco único de vocês ao me acusarem daquilo que não entendem. Descontam suas frustrações sobre mim por ser essa a única forma com a qual conseguiram lidar com uma situação absurda. Eu os entendo e não os culpo. São frágeis demais para toda forma de avaliação crítica. Preferem a crendice infundada. Sendo essa a única opção provedora do bem geral, deixo essa região para trás. Vou-me embora lançar meu anzol em outras águas. Apenas me deem licença que parto de imediato.

A multidão se abriu ao meio e ele passou andando em sua simplicidade de andarilho enquanto todos olhavam-se perplexos e envergonhados pela pulsão de violência e se arrependiam pela própria ignorância. Acusaram sem provas e precisaram encarar a antítese de seu ódio, aprendendo a maior de todas as lições, acima dos cálculos aritméticos cobrados por um professor munido de palmatória. As armas se abaixaram e a frustração com o falecimento de Fátima se converteu em constrangimento diante dos próprios ímpetos por quererem derramar sangue como se pudessem com ele reconstituir sua vida.

Do meio da multidão surgiu Armênio, com suas pernas de flamingo e seu terno esgarçado batendo a poeira levantada pelo pisoteio. O padre o vislumbrou sem entender o motivo de sua entrada na aglomeração; o rosto do professor exalava humilhação e resignação por se mover pelos anseios antropofágicos e tardiamente percebia  a inexistência de diferenças entre ele e as massas.

O pescador distanciou, sumindo ao longe dos olhos da multidão. Aos poucos foram se dispersando e o padre louvava por nenhuma gota de sangue ser derramada, agradecendo pela partida daquele homem sem saber que enfim migrava com o samburá cheio.

 

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Por que Chicão e Mauro sempre foram os candidatos rosáceos

Ponto final

 

 

Sem novidade

Para quem lê diariamente esta coluna e este jornal, não há novidade: Dr. Chicão Oliveira (PR) será o candidato a prefeito, tendo Mauro Silva (PSDB) como vice, na chapa governista à sucessão de Rosinha Garotinho (PR). Quanto a Chicão, desde que a Folha encomendou e divulgou a última pesquisa eleitoral de Campos registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), feita pelo instituto Pro4 entre 8 e 10 de junho, foi revelado o que só os rosáceos sabiam, através de pesquisas internas e não registradas: o vice-prefeito é o único capaz de se igualar (aqui), dentro da margem de erro, aos pré-candidatos da oposição líderes na intenção de votos.

 

Nada mudou

Na primeira divulgação da pesquisa Pro4, em 11 de junho, o blog “Opiniões”, hospedado na Folha Online, anunciou (aqui) o que estamparia sua capa no domingo do dia seguinte: “Caio, Tadeu, Rafael e Chicão em empate técnico pela Prefeitura”. Se Tadeu (PRB) foi retirado (aqui) do páreo, num movimento por cima do PR, só outra pesquisa será capaz de avaliar como o eleitor encarou o fato de Arnaldo Vianna (PEN) ter apoiado (aqui, aqui e aqui) Geraldo Pudim (PMDB) a prefeito, deixando o próprio filho, Caio (PDT), órfão. O que não mudou antes ou agora, é o que a manchete da Folha noticiou (aqui) desde 19 de junho: “Chicão bem na frente para ser o candidato dos Garotinho”.

 

Martelo batido desde junho

Sem coincidência, na noite de 27 de junho, um dia depois da Folha divulgar (aqui) a última parte da pesquisa Pro4, tratando justamente das dificuldades que qualquer candidato rosáceo terá para se eleger prefeito, uma reunião governista varou a madrugada seguinte. Revelado (aqui) nesta coluna, o encontro foi assim narrado, em 29 de junho: “o martelo aparentemente foi batido: vice-prefeito de Campos nos últimos sete anos e meio, Dr. Chicão Oliveira (PR) deve ser mesmo o candidato governista à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR)”.

 

Reação com aspas

Bem verdade que um movimento interno de reação contra Chicão chegou a acontecer, vindo a público (aqui) em 6 de julho, também pelo “Ponto Final”. Liderado pelo presidente da Câmara Municipal, Edson Batista (PTB), primeiro prefeitável governista a (aqui) pular fora, a iniciativa veio na forma de uma lista assinada pelos edis governistas, no sentido de “exigir” que o candidato a prefeito fosse um vereador do PR. E quem não crê nas necessidades das aspas na “exigência”, só pode ser por desconhecer quem determina as ações de Edson Batista.

 

Para os edis verem

Na verdade, o candidato rosáceo nunca deixou de ser Chicão. A simulação da reação em nome dos vereadores governistas só existiu para dar a estes a ilusão de que importam algo além do controle da próxima Câmara, sobretudo se a oposição virar governo. E o fato do candidato nunca ter deixado de ser Chicão só prova o quanto sua popularidade (aqui) importa numa eleição a prefeito que promete ser a mais disputada de Campos, desde 2004.

 

TV e teatro

Quanto ao vereador tucano Mauro Silva, quando ele chegou a ser considerado (aqui e aqui) peça fora do jogo do Executivo, aqui se afirmou o contrário, na mesma coluna de 6 de julho, com a devida ressalva: “é real a possibilidade dos tucanos ficarem com a vice na chapa governista, por motivos de tempo de propaganda pouco desprezíveis e também externados no ‘Ponto Final’ de ontem”. É que, desde dia anterior (05), esta coluna já tinha antecipado (aqui) que o tempo de propaganda generoso do PSDB definiria a vaga de vice em favor de Mauro, numa suposta disputa com Edson (PTB) — preso ao teatro que mandaram encenar.

 

Sem coincidências

Descortinada a realidade, pelo menos para quem não a espiou antes pelas frestas ofertadas nesta coluna, o fato é que o governo fez uma boa escolha, talvez a melhor entre as alternativas de que dispunha. Bem verdade que foi empurrado a ela pela necessidade, não vontade. Ademais, o fato de ser a primeira vez, em 27 anos, que o grupo dominante da cidade se faz representar por uma chapa sem nenhum nome ligado à periferia, indica outra coisa: nas 98ª e 99ª Zonas Eleitorais (ZEs), na chamada “pedra”, o governo está ainda mais fraco do que sempre foi. Talvez não por coincidência, são onde a Folha e seu “Ponto Final” são mais lidos.

 

Publicado hoje (28) na Folha da Manhã

 

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Caciques do PMDB no Rio aprovam a aliança entre Pudim e Arnaldo

Assuer Junior, Edson Albertassi, Geraldo Pudim, Jorge Picciani, Arnaldo Vianna, Edilene Silva e André Lazaroni (foto: divulgação)
Assuer Junior, Edson Albertassi, Geraldo Pudim, Jorge Picciani, Arnaldo Vianna, Edilene Silva e André Lazaroni (foto: divulgação)

 

Durou de 10h da manhã às 14h de hoje o encontro do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN) e o deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB), para selar com os caciques do PMDB a aliança à sucessão de Rosinha Garotinho (PR) em Campos. No gabinete administrativo da presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), no prédio da Alfândega, no Centro do Rio de Janeiro, Pudim, Arnaldo e a atual esposa deste, Edilene Silva (PEN), se reuniram com o presidente da Alerj e do PMDB, Jorge Picciani, além dos também deputados estaduais André Lazaroni, presidente da bancada do PMDB, e Edson Albertassi (PMDB), líder do governo.

Pela parte do PEN, além de Arnaldo e Edilene, quem esteve presente foi o presidente do partido em Campos, o lobista Assuer Junior. Noticiada aqui em primeira mão neste “Opiniões”, a aliança entre Arnaldo e Pudim foi tema explorado com incomum interesse pela coluna da jornalista Berenice Seara, na edição de hoje do jornal carioca Extra, como o jornalista Alexandre Bastos registrou aqui. Foi Bastos que também adiantou aqui a possibilidade da composição ser formada numa chapa encabeçada por Pudim, tendo Edilene na vice, pela impossibilidade jurídica de Arnaldo se lançar candidato.

 

Atualização às 19h19: Para colocação de foto e divulgação, abaixo, da nota oficial do encontro, enviada pela assessoria do PMDB, publicada antes aqui, no Blog do Bastos:

 

O PMDB-Campos selou na manhã desta quarta-feira (27) aliança com o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN) para as eleições municipais de 2016. A agremiação há muito vem conversando com diversas lideranças partidárias a fim de aglutinar projetos que sejam alternativas à atual gestão do município.

O pré-candidato do PMDB, Geraldo Pudim, se reuniu no Rio de Janeiro com ex-prefeito Arnaldo Vianna para formalizar a aliança, com as presenças do presidente da Alerj e estadual do PMDB, Jorge Picciani; o líder do PMDB na Alerj, deputado André Lazaroni (PMDB); o líder do governo na Alerj; deputado Edson Albertassi (PMDB); o Presidente do PEN-Campos, Assuer Júnior; e Edilene Vianna (PEN), esposa de Arnaldo Vianna.

“Todo nosso processo de negociação se deu através da conjugação de plataformas. Discutimos bastante ponto-a-ponto o projeto do PMDB para Campos, bem como as alternativas a nós apresentadas. Posto isso avançamos para uma aliança político-eleitoral que, se consolidada nas urnas, se desdobrará em uma governança de coalizão. Arnaldo Vianna é um grande médico e político qualificado, que emprestará sua vasta experiência ao projeto. Do ponto de vista pessoal foi muito bom retomar as conversas com doutor Arnaldo, pois sempre tive grande carinho e apreço por sua pessoa, independentemente dos momentos políticos que vivemos. Arnaldo tem visão política e serenidade, características necessárias a qualquer um que queira contribuir na gestão do município”, afirmou o presidente do municipal da agremiação e pré-candidato à prefeitura, Geraldo Pudim (PMDB).

Para Arnado Vianna a saída para Campos está na união. “Ao longo dos anos Pudim adquiriu experiência como vice-prefeito, secretário, subsecretário de estado, deputado estadual e federal, ou seja, transitou em todas as esferas da administração pública tornando-se a melhor opção para Campos. Uma cidade com graves problemas na saúde, educação, transporte e com uma dívida imensa, precisa de um choque de gestão. Somente com muita experiência administrativa será possível retomar as rédeas da cidade a fazê-la voltar a crescer. Com a certeza que nesse momento Campos precisa de uma união de esforços para fazê-la voltar a sorrir e por tudo que estamos passando nesse momento, anuncio o meu apoio à candidatura de Geraldo Pudim, um companheiro de longa data, de várias jornadas. Vencemos juntos a eleição de 2000. Como meu vice-prefeito, foi leal quando estive doente entre a vida e a morte num leito de hospital. Quis o destino que estivéssemos durante um tempo em lados opostos na política, faz parte da vida pública, mas tenho certeza que sempre compartilhamos do mesmo pensamento, de fazer política para os que mais precisam”, afirmou o ex-prefeito.

Para o presidente estadual do PMDB, Jorge Picciani que já em 2015 convidou Pudim para retornar ao partido na condição de ser o candidato à Prefeitura de Campos, ele está preparado para o desafio. “Quem conhece o deputado Pudim, confia. É o caso do Doutor Arnaldo Viana, de quem Pudim foi vice e que agora, dá seu apoio a ele e a própria esposa para compor a vice na chapa. Eu só tive oportunidade de conhecê-lo melhor nesses dois anos que estamos juntos na Alerj; Eu, como presidente, ele, como primeiro-secretário. Descobri nele um homem público que cuida das pessoas e ao mesmo tempo um gestor competente. Daí o convite para o ingresso no PMDB e a candidatura em Campos”.

A convenção do PMDB em Campos será realizada na próxima sexta-feira (29), a partir das 18 horas, no Automóvel Clube Fluminense, com a presença de diversas lideranças políticas locais e de todo o estado, assim como do ex-prefeito de Campos, Arnaldo Vianna.

 

Atualização às 19h28: A primeira a divulgar aqui a foto do encontro foi a jornalista Suzy Monteiro, em seu blog “Na curva do rio”

 

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Bruno não entra, mas analisa disputa à Prefeitura de SJB

O deputado estadual Bruno Dauaire (PR) não vai se candidatar a prefeito de São João da Barra. Apesar de ter sido convidado a fazê-lo pelo próprio presidente da Assembleia Estadual do Estado do Rio de Janeiro, Jorge Picciani (PMDB), como revelou (aqui) a coluna “Ponto Final” do último sábado (23), o jovem parlamentar seguiu o exemplo de seu pai, o ex-prefeito sanjoanense Betinho Dauaire (PR), que também chegou a ser sondado (aqui) e declinou da possibilidade de ser vice de Neco (PMDB), na tentativa de reeleição do atual prefeito do município.

A proposta feita por Picciani a Bruno, segundo o “Ponto Final”, também envolveria a saída do segundo do PR ao PMDB, depois que disputasse a Prefeitura de São João da Barra. Dauaire, no entanto, negou sua intenção de sair do PR e reafirmou seu compromisso com Wladimir Garotinho (PR), a quem deve sua eleição em 2014:

— Wladimir soube do convite de Picciani antes mesmo que a Folha noticiasse. Eu mesmo lhe contei. Temos já acordada nossa dobrada em 2018. Ter ele abrindo portas como candidato a deputado federal vai facilitar ainda mais minha eleição na Alerj.

A confiança não se mostra vã, pois em conversas de bastidores, Wladimir confirma o acordo com o deputado estadual e sua intenção em honrá-lo. Neste pensamento, Bruno tem trabalhado para tentar pulverizar sua atuação pelo Norte e Noroeste Fluminense, o que também foi um fator para não querer se prender agora num esforço concentrado em São João da Barra:

— Ser prefeito seria uma honra, mas se aceitasse teria muito pouco tempo para me construir candidato. Pelo menos por enquanto, prefiro trabalhar para alargar minha atuação em todo o Estado. O PR em São João passa pelo vereador Franquis (antigo aliado dos Dauaire), mas ele tem que se decidir. Temos que saber também se Carla (Machado, PP) vai poder ser candidata. Ela deve ter suas contas julgadas na quinta (amanhã, 28) no TCE (Tribunal de Contas do Estado), que emite sua lista até 4 de agosto. Se ela não puder concorrer, seu grupo deve rachar, com (o presidente da Câmara Municipal) Aloisio Siqueira (PP) se lançando a prefeito, assim como também o vice-prefeito Alexandre Rosa (PRB) ou o primo de Carla, vereador Ronaldo da Saúde (Pros).

 

Página 5 da edição de hoje (27) da Folha da Manhã
Página 5 da edição de hoje (27) da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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Bruno não virá a prefeito de SJB, mas analisa quem pode vir

Bruno Dauaire na Alerj (foto: divulgação)
Bruno Dauaire na Alerj (foto: divulgação)

 

 

Apesar do convite (aqui) do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), o também deputado estadual Bruno Dauaire (PR) não vai se candidatar a prefeito de São João da Barra (SJB). Ele confia na sua aliança com Wladimir Garotinho para se reeleger na Alerj, ajudando seu principal cabo eleitoral em 2014 a se eleger à Câmara Federal, numa dobrada em 2018.

Quanto a 2016, Bruno ressalvou que os caminhos do PR em SJB passam pelo vereador Franquis, de quem cobrou uma decisão. Sobre a pré-candidatura da ex-prefeita Carla Machado (PP), ele disse que tudo depende do seu julgamento no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Se ela não puder ser candidata, o deputado aposta num racha entre os carlistas, com o presidente da Câmara Aluizio Siqueira se lançando a prefeito, assim como o vice-prefeito Alexandre Rosa (PRB) ou o vereador Ronaldo da Saúde (Pros), primo de Carla.

 

Confira a matéria completa na edição de amanhã (27) da Folha da Manhã

 

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Bacellar: “Arnaldo estava certo ao dizer que deixou sua melhor parte no PDT”

Quem buscou este “Opiniões” para se manifestar sobre a confirmação (aqui) da aliança entre o PMDB do deputado estadual Geraldo Pudim e o PEN do ex-prefeito Arnaldo Vianna, foi um ex-aliado deste, o ex-presidente da Câmara Municipal Marcos Bacellar (PDT). Hoje considerado um dos homens fortes da candidatura da pré-candidatura a prefeito de Caio Vianna (PDT), filho de Arnaldo, o ex-vereador se manifestou sobre essa delicada questão envolvendo família e disputa de poder.

A pedido do blog, Bacellar conteve um pouco o conhecido estilo agressivo, mas nem por isso deixou de ser contundente. Confira abaixo:

 

Marcos Barcellar (reprodução de Facebook)
Marcos Barcellar (reprodução de Facebook)

 

“O ex-prefeito Arnaldo Vianna tem o carinho de boa parte da população de Campos e seu governo foi aprovado por quase 90% dos campistas. Porém, se como prefeito Arnaldo foi bom, como articulador ele errou muito nos últimos anos. Disputou eleições inelegível, não soube costurar alianças, nem se posicionou como opositor ao desgoverno Rosinha em momentos delicados.

“Agora, quando o seu filho Caio Vianna desponta muito bem e consegue articular alianças importantes para o futuro de Campos, aparecendo em primeiro nas pesquisas, Arnaldo resolve apoiar Pudim, que até pouco tempo fazia parte do grupo governista.

“Tenho muitas coisas para falar sobre essa senhora do PEN que pretende ser candidata a vice-prefeita, mas acho que é melhor a população conhecer e constatar. Assim como é melhor a população conhecer Caio e reconhecer que Arnaldo estava certo quando disse que  deixou a melhor parte dele no PDT”.

 

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Pudim confirma aliança do PMDB com o PEN de Arnaldo à sucessão de Rosinha

Ex-companheiros na chapa vencedora da eleição municipal de 2000, Arnaldo e Pudim conversam no Rio (montagem: L. Gomes)
Ex-companheiros na chapa vencedora da eleição municipal de 2000, Arnaldo e Pudim conversam no Rio (montagem: L. Gomes)

 

 

Aparentemente, está mesmo confirmado: PMDB e PEN caminharão juntos na sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR). Segundo informou agora, do Rio, o deputado estadual e pré-candidato a prefeito Geraldo Pudim (PMDB), ainda não está definida a composição da chapa. Na prática, como o popular ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN) não deve mais uma vez ter condições legais de concorrer, é quase certo que Pudim será o cabeça de chapa. Na vice, como o jornalista Alexandre Bastos adiantou aqui, deve mesmo ficar Edilene Silva, atual esposa de Arnaldo.

A reunião entre Pudim e Arnaldo, ontem (25), no Rio, foi divulgada em primeira mão aqui, neste “Opiniões”. Ela ocorreu na casa de Paulo Moraes, que integra a executiva nacional do PEN, ao mesmo tempo em que é pai de André Lazaroni, presidente da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), da qual Pudim faz parte.

Mas se pai e filho, no caso de Paulo e André, fizeram a ponte para unir PMDB e PEN nas eleições municipais de Campos, isso em contrapartida ajudou a separar outro filho do seu pai. Pré-candidato a prefeito de Campos pelo PDT, depois de costurar para ter (aqui) o vereador Gil Vianna (PSB) como seu vice, Caio Vianna parece ter perdido seu apoio mais importante, tanto em nível simbólico, quanto de voto: seu pai.

Se sua atual esposa Edilene for confirmada como vice de Pudim, tudo indica que Arnaldo marchará ao lado dos dois e contra o próprio filho em outubro. A formalização da aliança está prevista para acontecer amanhã (27), no Rio.

 

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População quer Chicão, Rosinha e vereadores querem Hirano

Ponto final

 

 

Hirano e Ricardo, Chicão e Bastos

Não há novidade em dizer que os únicos pré-candidatos governistas com chances de disputar a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) são o vice-prefeito Dr. Chicão Oliveira (PR) e o vereador Paulo Hirano (PR). Este “Ponto Final” adiantou isso (aqui), publicamente, desde 14 de junho. Tampouco há nada de novo em reconhecer Ricardo André Vasconcelos, que trabalhou por anos na Folha, e Alexandre Bastos, que há muitos trabalha, inclusive eventualmente nesta coluna, como dois dos jornalistas políticos mais bem informados e talentosos de Campos.

 

Edson e Mauro pela vice

Após um longo hiato — para seus leitores —, Ricardo voltou à lida blogueira (aqui) no último domingo (24) para apostar suas fichas na chapa rosácea encabeçada por Hirano, com Edson Batista (PTB) de vice. Por sua vez, Bastos revelou (aqui) ontem (25) em seu blog que o critério da pesquisa, que teria sido definido para a escolha do candidato governista, deu Chicão na cabeça, apostando em Edson e no vereador Mauro Silva (PSDB) na briga pela vice — disputa que esta coluna também havia adiantado (aqui) desde o último dia 6, há exatos 20 dias.

 

Desde que Tô Contigo tava no páreo

Quem lê este jornal, não precisou de pesquisa interna para saber que Chicão é a mais popular opção governista. Desde 12 de junho, a Folha encomendou e publicou (aqui) pesquisa do instituto Pro4, feita entre 8 e 10 daquele mês, com 620 pessoas das sete zonas eleitorais de Campos, dando conta de que o vice-prefeito era o único nome governista capaz de empatar tecnicamente, no limite da margem de erro, com os líderes da oposição: Caio Vianna (PDT), o vereador Rafael Diniz (PPS), além do ex-prefeitável e hoje só vereador Tadeu Tô Contigo, quando este ainda não tinha sido subtraído do jogo (aqui) pelo marido e secretário de Governo de Rosinha.

 

Veterano teme Neném e Rangel

Na já citada edição 6 de julho desta coluna, foi aqui onde também primeiro se noticiou que, numa reação interna à popularidade de Chicão, Edson Batista correu uma lista na Câmara Municipal, entre os vereadores governistas, para impor um vereador do PR como candidato a prefeito, em claro movimento (aqui) para favorecer Hirano. Daí, Ricardo André não estar errado ao afirmar que, se for Hirano, Edson aumenta sua chance de ser vice. Até porque o veterano político sabe que sua reeleição para vereador é extremamente difícil no PTB. É o mesmo partido pelo qual também tentarão se reeleger os populares (e mais jovens) edis Neném e Jorge Rangel.

 

Passividade tucana

Com Chicão de cabeça, sobem as chances de Mauro ser vice. Mas se não for, como reagirá o PSDB local? Vai só “ladrar”, como o presidente municipal da legenda, Robson Colla, ao publicar (aqui e aqui) em sua timeline do Facebook, no último sábado (23), um vídeo de Rafael — cujo pai, Sérgio Diniz (1942/2012), foi fundador e vereador do PSDB? Vai “morder” e lançar candidatura própria, como o próprio Colla já ameaçou fazer (aqui) ele próprio, posando em foto ao lado do senador Aécio Neves? Ou vai “enfiar o rabo” entre as pernas, como tem sido a praxe tucana desde outros presidentes, quando ajudaram os rosáceos a reassumir o controle do município, em 2008?

 

Só de brincadeira

Se não se discute que Chicão é a mais popular opção governista, é igualmente fato que Hirano não é o candidato apenas de Edson e vereadores, mas também de Rosinha. Diferente do povo e da prefeita, o marido desta confidenciou ter uma terceira preferência: brincar de “iô-iô”. Mas preferido só pelo líder do grupo e da rejeição entre os campistas, é pré-candidatura ao fracasso. Não por outro motivo, ao ser indagado ontem (25) por Hirano, sobre qual candidato rosáceo a oposição preferia enfrentar, o vereador Marcão (Rede) escolheu quem ele mesmo apelidou, carinhosamente, no convívio esporádico da Câmara: “Lógico que queríamos o ‘Iô-Iô’!”

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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