Artigo do domingo — Nos versos do campeão

 

“Muhammad Ali chocou o mundo. E o mundo é melhor por causa disso. Nós somos melhores por isso”.

(Barack Obama)

 

 

Ali: “Impossível é apenas uma grande palavra usada por gente fraca, que prefere viver no mundo como ele está, em vez de usar o poder que tem para mudá-lo, melhorá-lo. Impossível não é um fato. É uma opinião. Impossível não é uma declaração. É um desafio. Impossível é hipotético. Impossível é temporário. O impossível não existe”.
Ali: “Impossível é apenas uma grande palavra usada por gente fraca, que prefere viver no mundo como ele está, em vez de usar o poder que tem para mudá-lo, melhorá-lo. Impossível não é um fato. É uma opinião. Impossível não é uma declaração. É um desafio. Impossível é hipotético. Impossível é temporário. O impossível não existe”.

 

 

Na sexta, o editor de esportes da Folha, Antunis Clayton, me disse que Muhammad Ali havia sido internado em Phoenix, no Arizona, onde residia, por conta de problemas respiratórios. No sábado, acordei tarde com o registro de várias ligações do meu filho, Ícaro, perdidas no celular. Retornei a ele para saber que a perda era pessoal: ainda na noite anterior, Muhammad Ali havia morrido, aos 74 anos.

Ex-campeão olímpico (meio pesado, em Roma-1960) e profissional (peso pesado em 1964, 74 e 78) de boxe, era considerado o maior pugilista de todos os tempos. Com seu jeito todo próprio de lutar, sua onipotência técnica só seria depois reeditada dentro do boxe pelo campeão peso médio Sugar Ray Leonard e, no MMA, pelo campeão brasileiro Anderson Silva. Mas Ali teve um cartel respeitável também como ativista político. Lutou pelos direitos civis dos negros e minorias nos conturbados anos 1960/70 — sobretudo depois que teve seu cinturão roubado pelo governo dos EUA e quase acabar preso. Recusou-se a lutar na Guerra do Vietnã (1955/75).

Na dimensão trágica dada à palavra pelos antigos gregos, que também inventaram o pugilato, Ali foi um herói. Apesar da geração distinta, foi também o meu, legado por outro, meu pai. Desde criança, ele me contava, com o entusiasmo de devoto de tempo presente, cada gesto ousado das suas muitas lutas, dentro e fora dos ringues. Bonito, inteligente, articulado, audaz, divertido, defensor do seu povo, amante de lindas mulheres, viril e feminino, Ali foi o maior lutador de todos os tempos. E, nesta condição, derrotou o maior poder de todos os tempos — seu próprio país — quando se recusou a lutar.

Vários de seus combates têm lugar cativo na antologia do boxe. A vitória por nocaute técnico sobre Cleveland Williams (aqui), em 14 de novembro de 1966, considerada tecnicamente como a mais perfeita da história, porque não errou ou levou um soco sequer em seus três assaltos de duração. A vitória por pontos na luta seguinte, em 6 de fevereiro de 1967, contra Ernie Terrell (aqui), a quem surrou da maneira mais cruel, com dolo de ferir sem derrubar, enquanto perguntava “Wat’s my name?” (“Qual é meu nome?”), depois que o adversário o chamou de Cassius Clay, seu nome cristão de batismo, trocado por Muhammad Ali na conversão ao islamismo. A derrota (aqui) para Ken Norton, em 31 de março de 1973, por decisão médica, considerada fenômeno de resistência, por ter lutado 12 assaltos mesmo após ter o maxilar quebrado no primeiro.

E o que dizer das três lutas titânicas contra o também campeão Joe Frazier (em 1971, 74 e 75, aqui, aqui e aqui), seu maior adversário (relembre aqui), nas quais Ali perdeu a primeira e venceu as duas outras, numa trilogia violentíssima da qual ambos levariam consequências neurológicas para o resto das suas vidas? Como o Parkinson contra o qual Muhammad lutou por três décadas e que acabou por derrotá-lo na noite de sexta.

Mas se Ali tivesse que ser lembrado por uma única luta, talvez seja “The rumble in the jungle” (“A luta na selva”), realizada (aqui) em 30 de outubro de 1974. O título promocional fazia referência ao local da peleja, em Kinshasa, capital do então Zaire, atual República Democrática do Congo. Magistralmente registrado no documentário “Quando éramos reis”, de Leon Gast, o evento foi emblemático: primeiro título mundial peso pesado de boxe, esporte majoritariamente dominado por atletas negros, a ser disputado no coração da África, em plena selva equatorial.

Já aos 32 anos, Ali não era o campeão, mas desafiante do dono do cinturão de 25, sete anos mais novo. Não fosse apenas isso, George Foreman, dono do direto de direita mais devastador da história do boxe, havia antes massacrado Joe Frazier, a quem nocauteou cinco vezes ao lhe roubar o título, e Ken Norton. E Frazier e Norton haviam derrotado Ali, muito embora este tivesse vencido a ambos nas revanches.

Pelo retrospecto, a verdade é que ninguém, nem mesmo entre os segundos de Ali, achava que ele tivesse chance contra Foreman. Muitos temiam inclusive que, pelo seu destemor, ele acabasse morto no ringue pelo jovem e hercúleo campeão. Julgava-se que sua única alternativa seria tentar dançar em torno do adversário, sua arte (aqui), evitando o combate franco.

Soado o gongo inicial, Ali surpreendeu a todos e partiu para dentro do “monstro”. Na franqueza de uma briga de rua, se valeu da sua técnica exuberante para acertar 12 diretos de direita na cara do campeão. Uma dúzia exata e certeira do soco mais forte que um pugilista destro é capaz de desferir. E Foreman só virou o rosto após cada um deles, como se nada tivesse acontecido.

Certo de que, na briga, não teria chance, aquele intervalo entre o primeiro e segundo assaltos é a única vez na carreira de Ali que se pôde ver o medo estampado em sua face. Temor pior do que o de quem apanhou: a paúra de quem bateu com tudo que tinha e viu que não fazia qualquer diferença. Depois, quem temeu disse ter olhado o objeto do seu medo, no canto oposto do ringue, e mentalizado:

— Você é mais jovem do que eu, maior, mais forte, mais rápido. Mas você está disposto a quebrar costelas, seios da face, dentes, maxilar? Está disposto a morrer aqui, dentro deste ringue? Porque eu estou! E, se não estiver, você vai perder!

Após ter refeito sua convicção em si, o desafiante se virou para os 100 mil africanos que torciam declaradamente por ele e regeu o coro: “Ali, buma ye! Ali, buma ye!” (“Ali, mata ele!”).

Se tinha espantado a todos ao partir para o combate franco no primeiro assalto, Ali voltou a surpreender do segundo ao quinto, quando foi para as cordas, fechou-se na guarda e aceitou passivamente ser o saco de pancadas para o pugilista mais forte que já existiu. Isso, enquanto provocava o tempo inteiro, no combate psicológico que sempre impunha aos adversários:

— Ei, George, me disseram que você batia forte! Assim você me decepciona! Você não quebra nem amendoim assim, George! Cadê sua força, garoto?

Qualquer um que já tenha lutado, sabe que bater cansa muito mais do que apanhar. Tanto mais na umidade do clima de uma selva equatorial. Confiante no seu encaixe — no jargão do pugilismo, a capacidade de absorver golpes —, Ali foi minando as reservas do gigante, esvaído em golpes fortíssimos, como faz o mar com as construções humanas em Atafona. A partir do quinto round, o desafiante voltou também a agredir, até que numa sequência certeira de golpes no oitavo, um Foreman exausto e cambaleante desabou em câmara lenta, como um prédio.

Feito o impossível, diante do mundo que deixou mais uma vez atônito, Ali subiu nas cordas e ergueu os dois punhos à multidão reunida onde a espécie humana nasceu. E, naquele exato segundo de epifania coletiva entre o campeão e seu povo, como numa cena bíblica do Velho Testamento, desabaram as monções africanas.

Ali era disléxico. Por isso, fez uso da rima e da métrica, como um precursor dos rappers, para se tornar um grande aforista. Seu lema era: “float like a butterfly sting like a bee” (“voar como borboleta e picar como abelha”).

Certa vez, na universidade de Harvard, quando passou a viver de palestras, após ter sido impedido de boxear por três anos e meio por conta da recusa em lutar na Guerra do Vietnã, os estudantes lhe pediram em coro:“Give us a poem!” (“Dê-nos um poema”).

Após pensar um segundo, o campeão disse: “Me, we” (“Eu, nós”).

Com a humanidade a reboque, difícil pensar numa vida tão bem resumida em verso. E, como meu pai me ensinou, eu o amei por isso.

 

 

“virá impávido que nem muhammad ali

virá que eu vi”

(caetano veloso)

 

 

paixão a palo seco

 

o punho esquerdo vivo, arauto ativo

da direita dissimulada em guarda baixa,

guardada ao avessar da face que o encara

pendularmente, lado a lado, pela cartilha,

não para frente e trás, como seria

recuar nos trilhos do trem que avança,

só não alcança quando lá está ali,

feminino nos gestos de um felino.

 

a delicadeza florescida em oposição,

por oposto o soco ao giro da ponta do pé,

na lona plantado à picada da abelha,

mas de raiz aérea, de vôo de borboleta

— belo ao reinventar o mundo que abalou,

ao derrubar homens e se arrogar rei,

negou ser soldado de matar alguém,

para afirmar sua raça: homens também;

eu, nós, nos versos do campeão.

 

campos, 22/03/07

 

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Fabio Bottrel — Dona d’um Coração Surrealista

Sugestão para escutar enquanto lê:

 

 

 

 

Ilustração de Ben Gossens
Ilustração de Ben Gossens

 

 

Está escuro, aqui, no alto do Imbé.

Lá embaixo um pedaço do rio é iluminado pela lua.

Com o peito nu abro os braços para a imensa escuridão…

Consegue sentir?

O sussurro dos ventos nos meus ouvidos, os poros se arrepiarem de dor, o peito se abrir em flor?

Com a pele dilacerada veja meu pulmão deixar o meu corpo, bem à minha frente, iluminado pela lua, cai n’água de forma brusca.

Não consigo respirar, corro para a beira do abismo enquanto a poeira se levanta com o batuque dos meus pés, pulo, mergulho, soturno, para dentro de mim, perfuro a gota do oceano diluída na multidão de uma pessoa só.

¡Nado, nado, nado a braços largos, meu pulmão iluminado pela lua do fundo do oceano se afasta cada vez mais de mim, se não conseguir alcançá-lo em pouco tempo morrerei asfixiado. Chego até a areia do fundo e quase consigo pegá-lo, mas logo se enfiou entre os grãos se batendo como meu coração. Cavei até sair em um campo com gramas verdes e úmidas, ao longe, meu pulmão voa, corro, mas minhas pernas já estão cansadas pela falta de oxigênio.

Me apoio ofegante numa grande árvore colorida, lá em cima ele está parado, brilhando com a luz do sol, se enchendo e esvaziando. Subo a árvore e ao sair do amontoado denso de folhas percebo que o verde se transformou em branco das nuvens, além do céu meu pulmão voa enquanto pulo de nuvem em nuvem tentando alcançá-lo, mas ao pisar forte em uma grande e carregada nuvem de chuva, afundo, fundo, caio sem paraquedas com a cidade inteira abaixo de mim, meus cabelos arrepiados, minhas bochechas querendo deixar o corpo de tanto vento, vejo meu pulmão ao lado, mas o vento me impede de chegar até ele.

Corto o ar com braçadas fortes, como se estivesse nadando, mas já não há tempo, estou caindo e o chão é próximo. Bato tão forte na terra que paro no meio da Terra, em meio as lavas procuro meu pulmão, mas não consigo enxergar nada, dentro de um vulcão em erupção sou expelido para fora como um jato de lava e ao me pôr em pé na superfície do planeta, vejo que já não caibo mais nele, se tornou do tamanho de uma bola de futebol, me equilibrando com apenas um pé, olho para cima e vejo meu pulmão já perto de plutão, pego impulso e pulo em sua direção. Já se passou um minuto e meio e estou roxo, talvez não aguente chegar até o final do sistema solar, até o final do sistema solar… Pedras, meteoros me impedem de chegar, me seguro em Júpiter, tentando alcançar, meu pulmão, o final do sistema solar…mas já não há mais tempo, não consigo mais segurar, continuo tentando alcançar…

Tentando alcançar

Tentandoalcan

Tentan

Tent

Te

 

te-te-te

 

A

Até

Até mim

Até mim ele

Até mim ele veio

Até mim ele veio, entrou em meu peito e consegui novamente respirar.

…::…                …::…                …::…                …::…                …::…                …::…

Abismo alto, aqui, escuro está

Lua iluminando o rio d’um pedaço lá embaixo.

Escuridão imensa, braços abro nu peito

Sentir, consegue?

Flor abrir-se em meu peito, de dor arrepiarem-se os poros, ouvidos meus nos ventos dos sussurros?

Brusca forma no rio cai…

Uma pessoa só de multidão, diluída na gota de um oceano, perfura soturna, mergulha, pula pés de batuque enquanto levanta a poeira na beira do abismo corre respirar, mas falta oxigênio pelas cansadas pernas, corre, voa pulmão longe nas úmidas e verdes gramas em um campo meu coração batendo como os grãos no fundo da areiaasfixiado se não conseguir alcançá-lo em pouco tempo, de mim afasta-se cada vez mais oceano, fundo de lua iluminando meu pulmão de largos braços dona, dona, dona!

 

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Guilherme Carvalhal — Faits Divers

Carvalhal 02-06-16

 

 

Diante da coleção de recortes de jornais da vovó Margarida, Lucinha perguntou que que era aquilo e levou um tapa na mão do pai para que soltasse. Não, não deixaria as caduquices da velha afetarem a filha — influência do bicho ruim, explicou-lhe o pastor. Bom pai que era, não permitiria à sua pequena amaldiçoar-se pela coletânea de almas aprisionadas pelas palavras.

Bem, pelo menos assim ele interpretou. Captava naquelas descrições de homicídios, suicídios, acidentes e demais fatalidades histórias não concluídas de personagens não plenamente emigrados, permanecendo em um espaço fronteiriço entre vida ou morte. E sua mãe, com aquelas pastas pretas de folhas plásticas, impedia os fantasmas de alcançarem seu descanso — ou danação — eterno. Sua vontade era de tacar fogo, mas sabia como a mãe o condenaria, e sabia também que conjuração materna tinha poder do outro lado.

Ninguém entendia ao certo porquê Margarida começou a se interessar com afinco pelas notícias fatais nos jornais. Um dia a flagraram com a tesoura a destacar a notícia de uma mulher que tacou chumbinho na comida do marido ao descobrir sua infidelidade conjugal (anotada a caneta hidrocor com o número 1), e desse dia em diante compareceu religiosamente às bancas logo ao amanhecer para comprar uns quatro exemplares distintos, sem querer deixar escapar nenhum fato. Não lia quase nada dos jornais, apenas as notícias policiais e o obituário. O restante servia para embrulhar comida antes de guardar no congelador.

Os volumes se acumulavam e alguns curiosos pegavam para revirar, algo a orgulhar a senhora à semelhança de exibir medalha por algum feito. Ela recontava muitas das histórias existentes ali, criando uma epopeia pessoal a partir da reconstituição das muitas tragédias arquivadas. Narrava histórias de amor terminadas em morte (as preferidas), latrocínios (as piores por deixar a vida à mercê dos bens materiais), suicídios (os mais reflexivos, por querer entender o que leva alguém a esse ato de desespero), entre outras fatalidades. Uns levavam aquilo com graça diante de uma aposentada ocupando o tempo ocioso, outros entendiam como a construção de um museu mórbido e preferiam se distanciar. Ela apenas dava um passo atrás quando perguntada sobre o porquê dessa atividade; se esquivava e mudava de assunto rapidamente.

Pouco após aquele contato, Lucinha caiu com forte febre. Silvano se enfureceu e deixou de lado quais restrição e, à despeito das vontades maternas, catou aquela papelada toda, levou ao quintal e tacou fogo em tudo. A senhora veio desesperada chorando como se tivessem imolado um filho a fogueira. Ao tentar pegar água para reduzir o estrago, o filho tomou o balde da sua mão enquanto chamava o nome de Deus expulsando demônios.

Ela correu e se ajoelhou, queimando-se nas brasas. Chorava em desalento, chamando as pessoas inscritas em todas aquelas histórias. Saíam nomes e lamentos, Manoela, cuidado com o trânsito na Via Dutra, Sebastião, não beba dessa água, pois tem veneno, Lívia, sua operação de cálculo renal vai desencadear em graves complicações, e se debatia no chão desolada.

Silvano então se compadeceu e solidarizou. Arrependeu-se imediatamente, porém não havia tempo de voltar atrás. Admirou-a caída, suja de terra e cinzas, e apenas assim compreendeu que, em toda sua solidão na face da terra, ela acabou por encontrar apenas a morte por companhia.

 

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Nova barragem no Paraíba — Soffiati vai acionar MPF

O historiador ambiental Aristides Soffiati vai  notificar o Ministério Público Federal (MPF) de Campos, para pedir informações sobre a construção de uma barragem no Rio Paraíba do Sul, visando a irrigação da Baixada Campista. A assessoria do vereador Mauro Silva (PSDB), líder do governo Rosinha Garotinho (PR) e pré-candidato à sucessão da prefeita, informou (aqui) que esse seria um dos pontos do mapa de desenvolvimento (2016/25) lançado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), na última segunda-feira (30).

Todavia, a assessoria da Firjan em Campos esclareceu que a questão específica do barramento não consta do mapa estadual da entidade, fixado sobre questões mais macro. Mas como chegou a ser um dos pontos discutidos em Campos, na reunião prévia ao lançamento mapa estadual, o barramento pode vir a ser contemplado na versão regional. Ainda em fase de elaboração, seu lançamento está previsto para acontecer em julho.

Seja no mapa estadual ou regional da Firjan, a ideia de uma nova barragem no rio Paraíba, próximo à sua foz, é vista com preocupação por Soffiati, sobretudo em possíveis consequências como avanço da salinização e risco à captação d’água em Campos, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana. Diante da falta de informações mais precisas sobre a iniciativa, o ambientalista vai  acionar o MPF de Campos para buscá-las.

Abaixo, a análise de Soffiati sobre a questão, feita a pedido do blog:

 

 

Batizada de “Ilha dos Caras”, em pleno leito do Paraíba, fenômeno foi formado na estiagem do rio entre 2014 e 2015 (foto de Héllen de Souza - Folha da Manhã)
Batizada de “Ilha dos Caras”, em pleno leito do Paraíba, fenômeno ofereceu opção de lazer em meio à preocupante estiagem do rio entre 2014 e 2015 (foto de Héllen de Souza – Folha da Manhã)

 

 

Historiador ambiental Aristides Soffiati (foto: Folha da Manhã)
Historiador ambiental Aristides Soffiati (foto: Folha da Manhã)

Barragem no baixo Paraíba

Por Aristides Sofiiati

 

A bacia do Paraíba do Sul foi e continua sendo muito alterada por desmatamento, erosão, assoreamento e poluição, mas, sobretudo por barragens para formar reservatórios, mover hidrelétricas e transpor água para as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

Mais uma barragem, essa no curso final do rio, causa preocupação. Ainda sem que as informações sobre sua construção e finalidades não sejam claras, no mínimo, esse empreendimento exigirá Estudo Prévio de Impacto Ambiental. Precisamos saber em que local pretende-se erguê-la. Qual será o material empregado para a sua construção? Se for pedra, não podemos mais recorrer ao sacrificado Morro do Itaoca, já mal protegido por uma Unidade de Conservação da prefeitura.

Sei, de antemão, que seus defensores dirão que ela não alterará a vazão do rio por apenas acumular água e permitir que ela extravase a fio d’água. É preciso levar em conta que, nos períodos de estiagem, ela deve reduzir a vazão do rio logo abaixo porque parte significativa da água acumulada será desviada para as margens com o fim de irrigação, sobretudo para a margem direita.

Uma redução na oferta d’água doce abaixo da barragem pode ser devastadora para a foz. Segundo estudos efetuados por Claudio Neves e Georgione Costa, o Paraíba perdeu 45% de vazão na foz. Essa redução alterou o estuário do rio, área de água salobra formada pelo encontro da água doce com a água salgada. O manguezal, vegetação típica de estuário na região intertropical, avançou pelo leito do rio. Espécies típicas de estuário ou o acompanharam ou o abandonaram. Além do mais, o avanço da língua salina compromete o abastecimento público de água, o lençol freático e a irrigação, como se pôde averiguar durante a longa estiagem de 2014-15. Uma barragem no trecho final do rio pode agravar os problemas e torna-los crônicos.

Por tais razões, o Ministério Público Federal precisa ser informado dessa intenção antecipadamente, pois, se depender da ANA, do Ceivap, do Inea e do Comitê de Bacia do Baixo Paraíba, a barragem será construída sem a observância dos cuidados necessários. População e poder público de São João da Barra e de São Francisco de Itabapoana também devem exigir explicações. Da minha parte, pretendo informar ao MPF.

 

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“Oposição ficou órfã com Cabral e Pezão engolidos pela crise do RJ”

Dos 10 pré-candidatos governistas à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), ele foi o último a entrar na disputa. E, curiosamente, foi o primeiro a compor a chapa majoritária com a então candidata, em 2008, antes de assumir sua secretaria de Saúde no primeiro governo. Embora admita queda na pasta durante a segunda administração rosácea, da qual foi líder na Câmara Municipal, Paulo Hirano acha que a Saúde goitacá continua melhor do que em outras cidades. Ao identificar uma oposição “órfã” de Cabral e Pezão, ele não fechou portas aos “independentes”.

 

Paulo Hirano (foto: Folha da Manhã)
Paulo Hirano (foto: Folha da Manhã)

 

Último pré-candidato governista – Na verdade, fazemos parte de um grupo político que tem vários pré-candidatos altamente qualificados. O cenário político é muito dinâmico. A importância é ter sempre à disposição pessoas capazes de carregar as ideias e a filosofia do grupo. Essas pessoas vão sendo evidenciadas, conforme a necessidade do momento político. A minha participação no grupo vem desde 2008, quando era candidato a vice-prefeito e acabei não podendo participar do pleito majoritário, na chapa com Rosinha (PR), porque houve uma intervenção do DEM, fazendo com que tivéssemos que lançar o Chicão (PR). Mas tive uma participação muito grande na campanha, participando do governo desde o primeiro dia, como secretário de Saúde. Em 2012, fui eleito vereador, como quinto mais votado, e fui líder de governo entre 2013 e 2015.

Prévias – Estão organizadas, mas estamos aguardando a posição da Justiça Eleitoral, que enviou (aqui) um documento obrigando o NOS (Núcleo de Organização Social) de se abster de fazer o cadastro e realizar as prévias eleitorais que definiriam democraticamente o nosso candidato. Foi feito um recurso junto ao TRE, para ver qual é a justificativa. Os presidentes dos 12 partidos reunidos da Frente Popular Progressista contavam com as prévias.

Governo Rosinha – O governo Rosinha evoluiu muito a cidade como um todo, porque atuou em todas as áreas. Em infraestrutura urbana, por exemplo, foram feitos mais de 170 km de rede de esgoto na nossa cidade. Temos 80% do esgoto coletado e, destes, 100% são tratados. Outro grande passo foram os Bairros Legais. São 16, levando asfaltamento, acessibilidade, água e esgoto a bairros que não contavam com nada disso. Outro de nossos projetos mais importantes foi o “Morar Feliz”. Nenhum município do país tem um programa como esse, só com recursos próprios. Foram 6,7 mil unidades habitacionais, resgatando e dando dignidade a cerca de 25 mil pessoas que estavam à beira do rio, à beira do lago, à beira da estrada, à beira do limite extremo da pobreza. Foi uma evolução muito significativa. Nosso desafio é manter suas conquistas e buscar novas alternativas.

Saúde – O momento da Saúde pode não parecer bom, mas avançamos muito. Se analisarmos o que foi feito de 2009 a 2012, há uma queda em relação a hoje. Mas Campos ainda é a cidade que mais investe, per capita, em Saúde no estado. Os dados são do Conselho Federal de Medicina, fruto de avaliação externa: em 2015, Campos ficou em primeiro, com 3,70; Volta Redonda em segundo, com 2,40; Petrópolis em terceiro, com 2,22; e a cidade do Rio de Janeiro em quinto, com 1,58. Nós aplicamos mais de 50% da arrecadação própria em Saúde, quando a Constituição Federal diz que devem ser 15%. Reimplantamos o antigo PSF (Programa Saúde da Família), suspenso pela Justiça Federal em 2008, agora como ESF (Estratégia de Saúde da Família). Oferecemos, além dos exames básicos, os especializados, como ressonância, tomografia, ultrassonografia e cateterismo. Na oncologia, Campos é privilegiada, com suas três Unacons (Serviço de Alta Complexidade em Oncologia), dois aceleradores lineares para radioterapia mais avançada. Oferecemos serviços que só há em Campos, como cirurgia bariátrica e tratamento de infertilidade. Além disso, o município se tornou, a partir da nossa gestão na secretaria de Saúde, uma referência nacional em imunização, com a Prevenar e contra HPV, não só para as meninas, como os meninos. Somos talvez a única cidade do país que faz a complementação da rede contratualizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Em 2016, já pagamos R$ 13 milhões e empenhamos outros R$ 41 milhões com os hospitais. O que houve foi a crise nacional, estadual e municipal, comprometendo muitos serviços que vinham sendo executados. Isso somado à migração de doentes de todo Norte e Noroeste Fluminense, além do Sul do Espírito Santo. Só Macaé segura um pouco. Mas temos a absoluta convicção de que avançamos muito no governo Rosinha, principalmente se compararmos a Saúde de Campos com outros municípios do estado, inclusive a capital.

Oposição – Faz o seu papel de se opor ao governo. Mas se você fizer uma análise de tudo que é dito, são coisas pontuais. Como quando você cita uma escola que está em obra, mas não fala, logicamente, das centenas de escolas que foram construídas ou reformadas; não fala das 26 creches e escolas modelo, todas construídas no governo Rosinha. A oposição afunila a questão no problema específico, que é o seu papel, mas sem a versão universal. Temos problemas, sim, mas cabe à oposição enaltecer o problema. O cenário é mais positivo do que negativo. A oposição vinha apoiada pelos governos Cabral e Pezão (ambos do PMDB). Todos os apoiaram na última eleição a governador, fizeram campanha, foram às ruas e pediram voto. Agora, ficaram órfãos, porque suas lideranças foram engolidas pela situação grave do Estado do Rio. Não há sustentação política à oposição que possa trazer benefício para o futuro.

“Independentes” – São todos políticos com mandato de vereador que estavam na base do governo. Acho que com a evolução dos fatos até a eleição, eles estarão com as opções que forem melhores para o futuro da cidade.

 

 

Página 2 da edição de hoje (31) da Folha
Página 2 da edição de hoje (31) da Folha

 

 

Publicado hoje (31) na Folha da Manhã

 

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“Desafio é manter conquistas de Rosinha e buscar novas alternativas”

Hirano
Paulo Hirano (foto: Folha da Manhã)

 

 

“O governo Rosinha evoluiu muito a cidade com um todo, porque atuou em todas as áreas. Nosso desafio é manter suas conquistas e buscar novas alternativas”.

“O momento da Saúde pode não parecer bom, mas avançamos muito. Se analisarmos o que foi de 2009 a 2012, há uma queda em relação a hoje. Mas Campos ainda é a cidade que mais investe, per capita, em Saúde no Estado”.

“Os ‘independentes’ estavam na base do governo. Acho que com a evolução dos fatos até a eleição, eles estarão com as opções que forem melhores para o futuro da cidade”.

 

Estas foram algumas declarações dadas hoje pelo vereador Paulo Hirano (PR), ex-secretário de Saúde do primeiro governo Rosinha Garotinho (2009/12) e seu líder na Câmara Municipal entre 2013 e 2015. Último dos 10 pré-candidatos governistas a entrar na corrida pela Prefeitura de Campos, confira a íntegra da sua entrevista na edição de amanhã (31) da Folha da Manhã.

 

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Eixo rodoviário do Açu e novo barramento do Paraíba no mapa da Firjan

Mauro Silva entre os dirigentes da Firjan Eduardo Eugênio e Geraldo Coutinho (foto: divulgação)
Mauro Silva entre os dirigentes da Firjan Eduardo Eugênio e Geraldo Coutinho (foto: divulgação)

 

 

A construção de barramento do rio Paraíba do Sul, visando a revitalização agrícola principalmente da Baixada Campista, e a implantação de novo eixo rodoviário para o Porto do Açu. Estes foram os dois pontos destacados pelo líder rosáceo na Câmara Municipal e pré-candidato a prefeito, Mauro Silva (PSDB), hoje, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), quando foi lançado o Mapa de Desenvolvimento (2016-2025) da entidade, com a presença do ministro do Planejamento Henrique Meirelles e do governador do Rio em exercício, Francisco Dornelles (PP).

Mauro elogiou o conjunto de propostas do setor industrial  para o crescimento do Estado, por também contemplar propostas regionais. O vereador integrou a comitiva formada por mais de 20 empresários locais e da região, juntamente com o presidente da delegacia regional da Firjan, Fernando Aguiar, e o secretário municipal  de Desenvolvimento Econômico, Orlando Portugal:

— O primeiro Mapa de Desenvolvimento do Estado do Rio, lançado pela Firjan em 2006, teve 75% das propostas concluídas ou avançando. Esperamos resultado semelhante com o novo mapa, para o decênio 2016-2015, como forma de alavancar o crescimento econômico e social do Rio, contemplando o fortalecimento do interior e, em nosso caso especial, com projetos importantíssimos e vitais para Campos e o Norte Fluminense — pontuou Mauro.

 

Com informações do assessor Adelfran Lacerda

 

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Ocupa TB: Você é artista em Campos? Então está convidado!

Você é artista na cidade de Campos? Então sua presença foi convocada aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, para uma assembleia geral nessa segunda, dia 30, às 20h, no Teatro de Bolso Procópio Ferreira. O convite foi feito pelos artistas por que ocuparam o teatro (aqui) desde o último dia 9.

Confira abaixo a reprodução do convite:

 

Assembleia Ocupa TB

 

Convite

O Movimento #ocupateatrodebolso convida os artistas, de todas as vertentes, a se reunirem em Assembleia Geral, no dia 30 de maio, às 20h, no Teatro de Bolso (entrada lateral), a fim de compartilhar com a classe as ações do movimento até o momento, assim como seus desdobramentos, e deliberar sobre a seguinte pauta

a) Apresentação e Balanço da Ocupação

b) Pauta Protocolada (aqui)

c) Administração Compartilhada do Teatro

d) Outros assuntos pertinentes ao contexto do movimento de ocupação.

Contamos com apoio e participação de todos e continuamos à disposição para quaisquer esclarecimentos e/ou informações necessárias.

 

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