Alan Turnovsky: “traficantes armados não são cidadãos”

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel

 

“A gente tem que parar de tratar criminosos, esses traficantes fortemente armados, como cidadãos. Eles não são cidadãos; eles enfrentam a polícia, eles enfrentam o Estado, eles tentam matar os policiais que te protegem”. No início da manhã de ontem (14), ao microfone da Folha FM 98,3, a declaração foi feita pelo delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil, Alan Turnovsky (PL), pré-candidato a deputado federal. Para ele a operação policial na comunidade do Jacarezinho, que autorizou contra a maior facção criminosa do Rio e acabou em 28 mortes, foi “cirúrgica”: “os 27 mortos (sem contar o policial civil morto em serviço) todos eram traficantes, sem exceção. Não tinha nenhum inocente ali, nenhum morador”. Assim como a operação policial da Vila Cruzeiro, em maio deste ano, que acabou com 23 mortos: “A polícia não está lá para matar, mas está lá para não morrer. Policial bom é o policial que não morre. Ele não pode dar a vida porque não pode atirar no traficante que não para de atirar nele (…) Volto a repetir: se eles fazem isso com a polícia, imagina o que eles não fazem com a população local”. Turnovsky elogiou políticos de Campos, como o deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) e o ex-governador Anthony Garotinho (União). Também apostou na reeleição de Cláudio Castro (PL) a governador e numa “reviravolta”, com base nas abstenções, para reeleger o presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

Alan Turnovsky (Foto: Divulgação)

 

Segurança Pública – Tenho 27 anos como delegado de polícia. Em minha carreira, atuei na área operacional praticamente toda ela. Às vezes em que eu não estava na área operacional, fui chefe de Polícia Civil de 2009 a 2011 (no governo Sérgio Cabral) e, agora, com o governador Cláudio Castro, fui secretário estadual da Polícia Civil. Em Segurança Pública, eu acho que, para início, a pessoa tem que saber que quando comete um crime, ela tem que ter punição; ela tem que ser presa. Isso vem desde os primórdios da civilização. Penso que segurança é o feijão com arroz: tem os crimes previstos; você comete o crime e é preso. Se você, a partir daí, começar a trabalhar a sua política de Segurança, acho que você não vai ter grandes dificuldades de resultado. O problema é quando você começa a confundir o criminoso com a população de bem. Muitas vezes falam que o Rio de Janeiro é violento, tem muitas comunidades. Mas 99% das pessoas das comunidades ou até mais um pouco são pessoas de bem, trabalhadoras, que querem uma oportunidade, buscam seu trabalho, seu emprego, seu estudo. O problema é aquele 1%, até menos de 1% em muitas vezes. A gente pode dar um exemplo da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Você vai ter 120 mil pessoas lá, pelo último Censo, sendo mais de 119 mil pessoas do bem. Então, confundir essas 119 mil com aqueles criminosos que fazem barulho, mas são minoria, faz com que a população fique meio descrente na Segurança Pública. Eu não vejo grande dificuldade se a gente não confundir criminoso com trabalhador.  De criminoso, a polícia cuida, e de trabalhador, todos nós cuidamos.

“Pessoas de bem”? – Comecei falando da comunidade porque é onde você tem mais violência, fuzis, armamentos mais pesados. A delegacia de bairro é responsável por dar segurança à localidade. Com a Polícia Militar fazendo preventiva, e a delegacia fazendo as investigações. Depois, você vai ter as delegacias especializadas, também da Polícia Civil, que trabalham o crime organizado. E, por último, você tem, a partir de 2001, desde o atentado das Torres Gêmeas (de Nova York, em 11 de setembro aquele ano), todas as polícias do mundo trabalhando corrupção e lavagem de dinheiro. É o “follow the money”, seguindo o dinheiro das grandes quadrilhas. E para isso a gente tem um departamento hoje de lavagem e corrupção da polícia, também fortíssimo, que ocupa dois andares do nosso prédio da secretaria e, junto com a inteligência, faz um grande trabalho de rastreamento desse dinheiro desviado. E a gente consegue, no meio de 2022, agora, quando eu me afastei (da secretaria de Polícia Civil para ser pré-candidato a deputado federal), ter mais de R$ 150 milhões de investimento em equipamentos de investigação, de inteligência, busca em internet, cruzamento de dados. Ou seja, a polícia investiu não só no crime mais beligerante, que é o crime onde usam armas de guerra, mas também naqueles que desviam dinheiro público, perseguindo o dinheiro das grandes organizações criminosas: seja tráfico, seja desvio de dinheiro público. A gente teve, logo de cara, duas grandes operações contra milicianos no Rio de Janeiro, em que a gente, primeiro, neutralizou cinco milicianos. Depois, numa troca de tiro em Itaguaí, outros 12 também acabaram morrendo no confronto com a polícia. As investigações contra milícia começam numa força-tarefa solicitada pelo TRE, para que as eleições fossem livres, as pessoas pudessem votar em quem elas quisessem. E, a partir daí, a gente desenvolveu toda uma mecânica de investigação contra as milícias. A gente tem mais de 1.200 milicianos presos nessa gestão. As pessoas que estou falando são as pessoas do mal. E todas as outras que não cometeram nenhum tipo de crime nesses três segmentos são as pessoas do bem.

Operação no Jacarezinho com 28 mortos – Em primeiro lugar, eu era o secretário de Polícia Civil e autorizei a operação do Jacarezinho. Ninguém vai a uma operação para matar outras pessoas. Quando a gente faz uma operação, vai para busca e apreensão de armas e drogas, e prisões de traficantes. Naquele dia, a polícia, num beco em que ela demoraria 30 segundos para passar, ela demorou uma hora e meia. A violência da ação dos criminosos era tamanha, que já tinha um policial morto e a gente não conseguia progredir. Ele toma um tiro na cabeça numa barricada. Já tinha quase uma hora e meia, a gente não conseguia entrar, até que um policial conseguiu penetrar na primeira barreira e a gente conseguiu, depois de uma hora e meia, entrar no Jacarezinho. A triste coincidência é que esse policial (que conseguiu entrar) não morreu de tiro nessa incursão. Ele foi heroico naquele momento inicial para entrar, e morreu duas, três semanas depois, da Covid. Ele até se arriscou jogando uma granada de luz e som. Naquela em que os bandidos se assustaram, ele conseguiu entrar sozinho pelo beco, e foi ele quem furou o bloqueio. A operação do Jacarezinho era a luta do Estado contra a maior facção criminosa do Estado do Rio de Janeiro. Essa facção foi a mesma que tinha matado três crianças na Baixada, que furtavam passarinho. A facção que enfrentou a gente no Jacarezinho foi a mesma que, quando uma menina terminou o namoro com um traficante, esquartejou a menina. E por que eles querem sempre o enfrentamento? Porque cada vez que tiver mortes, cada vez que eles conseguirem essa discussão na sociedade sobre as nossas operações, eles não estão mais preocupados com aquela operação do dia; estão preocupados em não ter a próxima. Então, no Jacarezinho, primeiro lugar: os 27 mortos, todos eram traficantes, sem exceção. Não tinha nenhum inocente ali, nenhum morador. Comprovadamente, todos eram envolvidos com tráfico. A quantidade de armas e drogas apreendidas lá foi um número absurdo. Dezenas de fuzis, pistolas, granadas. Foi uma hora e meia de tiro em cima da entrada da polícia, enfrentando o Estado, sim. Eu fico imaginando como é a vida do cidadão tendo que conviver com traficantes que enfrentam o estado dessa forma. O dia a dia desse cidadão deve ser muito penoso, com certeza é. É neles que a gente tem que pensar, e não nos 27 traficantes que enfrentaram o estado e acabaram, numa operação legítima da Polícia Civil, morrendo.

Operação na Vila Cruzeiro com 23 mortos – Na Vila Cruzeiro eu já não era mais secretário. (Como especialista na área) eu vejo que a polícia não pode ir lá recuperar carga. Você liga para a gente, aí você fala: eu só posso fazer operações hoje se eu preencher um questionário com 50 perguntas para poder justificar a excepcionalidade da minha operação. Então, sem essas operações no dia a dia, proibidas pela Justiça, a tendência é que o traficante vá se fortalecendo. E aí, quando eles se fortalecem, eles passam a acreditar que aquele território ali é impenetrável. Na semana da operação na Vila Cruzeiro, que foi uma operação da Polícia Militar, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, eles tinham atirado num helicóptero que passava em cima daquela comunidade. Um helicóptero civil, passageiros normais, sem nenhum ataque a eles, nenhum tiro efetuado. Eles tentaram derrubar um helicóptero e postaram isso na rede, como se aquilo fosse uma área deles no Rio de Janeiro, impenetrável. Aí a Polícia Militar, Polícia Federal e Polícia Rodoviária vão lá. E você deve ter visto a imagem da forma que eles atiravam na equipe de perícia que estava perto da mata e feriram o papiloscopista no rosto. Os policiais civis que foram lá fazer perícia sendo alvejados. Então, a gente tem que parar de tratar criminosos, esses traficantes fortemente armados, como cidadãos. Eles não são cidadãos; eles enfrentam a polícia, eles enfrentam o Estado, eles tentam matar os policiais que te protegem. Então, enquanto eles continuarem com esse tipo de atitude, a polícia é mais preparada, o Estado é mais forte, e eles vão continuar sendo neutralizados nas operações. Qual é a solução? A solução melhor era eles pararem de traficar. Repito: a reação da polícia depende da ação deles. Se a ação é violenta, a polícia tem que atirar para se defender. A polícia não está lá para matar, mas está lá para não morrer. Policial bom é o policial que não morre. Ele não pode dar a vida porque não pode atirar no traficante que não para de atirar nele. É muito simples. Quando você tem 27 mortes sem nenhum inocente, é que a polícia foi cirúrgica. E se eles morreram foi porque eles enfrentaram a polícia. Volto a repetir: se eles fazem isso com a polícia, imagina o que eles não fazem com a população local.

Liberação da maconha – Eu estava acompanhando a Marcha da Maconha. E vamos deixar uma coisa bem clara, eles usam a maconha para pedir a liberação da droga, mas quando você vai ver a leis que eles querem criar, é a liberação das drogas para gerar recursos. Todas as drogas. Então, essa história do romantismo da maconha é uma armadilha para a liberação das drogas. Quando você for ver as leis que eles propõem, eles falam de liberação de drogas. Inclusive, tinha um documentário, já de 2007, 2009, com o Fernando Henrique (Cardoso, PSDB), ex-presidente, em que eles falam abertamente isso: na produção de impostos para gerar riqueza. E aí, com relação a liberação das drogas, é óbvio que eu sou contra isso. De todas.

Pré-candidatura de Rodrigo Bacellar, ex-secretário estadual, à Alerj – Quando fui chamado, em setembro de 2020, pelo governador Cláudio Castro para assumir a secretaria de Polícia Civil, ele me disse: “Delegado, talvez a gente não tenha dinheiro para pagar o salário no segundo semestre, porque a gente tem que renegociar a nossa dívida e está difícil. Eu queria você nesse momento difícil, com a sua experiência, para me ajudar a tocar o governo”. E eu topei. E, para minha agradável surpresa e de todo o Estado do Rio de Janeiro, o governador e a equipe econômica dele conseguiram reverter a situação financeira, conseguiram gerar recursos com a venda da Cedae, os royalties subiram, renegociaram a dívida (do Estado do Rio com a União). Ele conseguiu colocar novamente o estado financeiramente viável, e aí o governador Cláudio Castro passou a poder investir também nas prefeituras parte dessa verba, ajudando o Rio de Janeiro a sair de uma grande estagnação. Como eu falei, só na Polícia Civil foram quase R$ 200 milhões de investimento. Com isso, a base do governo, quando sai para candidatura na Alerj, sai muito forte, porque, efetivamente, conseguiram fazer um grande trabalho. O secretário, que agora é pré-candidato a deputado, Rodrigo Bacellar, também fez parte desse núcleo duro do governo, na Segov; fez um grande trabalho liderado pelo governador Cláudio Castro e é um nome de força dentro do governo, que saiu da teoria e conseguiu aplicar, na prática, uma melhoria para o Rio de Janeiro. Então, tem todo o seu valor.

Eleição a governador – Eu vejo o governador Cláudio Castro numa crescente. O governador chegou como vice-governador desconhecido, e foi o trabalho dele apresentado que está o tornando um candidato viável. Na área da segurança, foi o governador que enfrentou a milícia, enfrentou o tráfico e enfrentou a lavagem de capitais. Ele me chamou e me disse que os crimes de bairro, crime do interior, crime dos municípios, deveriam ter o mesmo valor que as organizações criminosas. Então, ele acerta área de segurança. Eu acho que quando o governador acerta área de segurança, é o primeiro passo para ter credibilidade junto à população. Você pode ser rico, você pode ser pobre, mas todos nós precisamos de Segurança Pública. Você talvez você possa pagar um plano de saúde, talvez você possa pagar um bom lugar para você dormir, para você jogar futebol, fazer um esporte. Mas, em Segurança Pública, todos são iguais, todos precisam que o Estado forneça. Então, com os menores índices de criminalidade desde 2011 na sua gestão, eu acho que ele sai na frente, porque ele deixa de ser algum teórico para ser um cara que acerta na prática. E quando ele acerta na área econômica, conseguindo tirar o estado do buraco, distribuir riqueza para os prefeitos e distribuir desenvolvimento econômico para o estado, eu acho que ele passa a ser um candidato muito forte, um candidato que faz, um candidato que está testado. Essa, para mim, é a grande diferença. Então, esse fato de ele não ter disparado numa pesquisa eu acho ótimo, porque quer dizer que as pessoas estão analisando a essência do governo dele. Acho que até o final deste governo, as pessoas vão ter a consciência de saber o que funciona na prática e o que funciona na teoria. E o governador funcionou na prática. Eu aprendi muito com o governador Cláudio Castro. Ele tem uma habilidade de lidar com as pessoas muito grande.

Wladimir – Você vê grandes confusões no estado e o governador consegue atender a todos. Eu já vi lá no Palácio várias vezes diversos prefeitos. O próprio prefeito de Campos, que eu conheço a família, já trabalhei com o pai dele. O Wladimir lá, a gente se encontrava nos bastidores, sempre muito bem atendido pelo governador. Então, ele atende a todos os prefeitos. Ele procura fazer o bem para todo mundo, independente da bandeira, se a bandeira é do lado de direita ou de esquerda. Essa foi uma das qualidades muito fortes do governador Cláudio Castro. É um homem de diálogo e que faz.

Pré-candidatura de Garotinho a governador – Primeiro, quero mandar um abraço para o ex-governador Garotinho. Trabalhei com ele. Eu era diretor de Polícia Especializada, foi um governador me deu uma função de fazer várias prisões no Rio de Janeiro, e a gente fez. Sabe que cumpri minha missão com ele, tenho meus créditos da missão cumprida. Como eu falei do Wladimir, o prefeito, também me dou bem.

Eleição a presidente – As pessoas reclamam muito das pesquisas, mas tem um fator que leva todas essas pesquisas a serem problemáticas, que é a abstenção. Na última eleição para a Prefeitura do Rio, a abstenção foi maior que os votos dos candidatos. Então, essa questão da abstenção é que vai definir a eleição. Evidentemente, eu estou no Partido Liberal, eu acredito nos conceitos defendidos pelo presidente Bolsonaro e pelo governador Cláudio Castro: é dureza com a criminalidade, que é a minha área; investimento em tecnologia, investigação; supremacia do Estado perante o crime organizado. Então, isso tudo na minha área me faz, obviamente, optar por Cláudio Castro e Jair Bolsonaro. Porém, o que eu vejo hoje é que votos válidos, isso tem que ser analisado. O fato é que está polarizado, e quem vai decidir são aqueles que agora, hoje, dizem que não vão votar em nenhum dos dois. Se essas pessoas votarem, eu acho que a decisão ainda está muito aberta, e tanto o presidente Jair Bolsonaro, que na vez passada teve essa abstenção a seu favor, pode muito bem fazer uma reviravolta nessas pesquisas e sair vencedor. Eu acho que está totalmente indefinido.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Bandeira LGBTQIA+ e eleições no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Professor e pré-candidato a deputado estadual, Renato Batista (PSB) é o entrevistado do Folha no Ar nesta quarta (15), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará das bandeiras da educação e LGBTQIA+, que fazem parte da sua militância política. Analisará também a aliança entre seu PSB e o PT no Estado do Rio, que se equilibra entre as pré-candidaturas do deputado federal socialista Alessandro Molon e do deputado estadual petista André Ceciliano ao Senado, além da disputa a governador.

Por fim, Renato tentará projetar a eleição de outubro ao Palácio do Planalto, polarizada em todas as pesquisas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Ex-chefe de Polícia Civil, Alan Turnovsky no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Delegado, ex-secretário estadual de Polícia Civil e pré-candidato a deputado federal, Alan Turnovsky (PL) é o convidado desta terça (14) no Folha no Ar, ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a Segurança Pública e a letalidade das operações policiais no Rio de Janeiro, como as da Vila Cruzeiro, em maio deste ano, e a do Jacarezinho, em maio de 2021, cada uma com mais de 2o mortos.

Turnovsky tentará também projetar as eleições à Alerj, em que espera homologação em convenção para tentar uma vaga, e para governador. Por fim, ele também tentará projetar as urnas de outubro ao Congresso Nacional e a presidente da República.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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BTG/FSB: Lula na margem de erro para definir, ou não, no 1º turno

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Líder em todas as pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ou não definir a eleição no primeiro turno? Não na pesquisa BTG/FSB divulgada hoje, feita entre 10 e 12 de junho. Mas com 48% dos votos válidos ao petista na consulta estimulada, a existência do segundo turno ficou dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Hoje, a 111 dias das urnas de 2 de outubro, Lula ficou com 44% das intenções na consulta estimulada, contra 32% do presidente Jair Bolsonaro (PL), 9% do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), 2% da senadora Simone Tebet (MDB) e 1%, cada um, do deputado federal André Janones (Avante) e do cientista político Felipe D’Avila (Novo). Não votariam em nenhum, 5%; em branco e nulo, 2%; enquanto outros 2% não souberam responder.

Os demais seis presidenciáveis ficaram abaixo de 1 ponto. Mas o ex-deputado federal José Maria Eymael (DC), a socióloga Vera Lúcia (PSTU), a economista Sofia Manzano (PCB), o bacharel em Direito Leonardo Péricles (UP), o deputado federal Luciano Bivar (União) e o influenciador digital Pablo Marçal (Pros) têm, juntos, 2% das intenções de voto. Comparada com a de maio, a nova pesquisa BTG/FSB mostrou estabilidade de Bolsonaro, que tinha e manteve 32% das intenções de voto. Já Lula oscilou para baixo dentro da margem de erro de 2 pontos: de 46% do mês passado aos 44% de agora. A vantagem atual do petista para o capitão é de 12 pontos, ou 18 milhões de eleitores. É mais que todo o estado de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com seus 15,6 milhões de eleitores.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na pesquisa BTG/FSB anterior, feita entre 27 e 29 de maio, Lula definiria a eleição no primeiro turno, também dentro da margem de erro, com 51% dos votos válidos. Projeção que confirmou a Datafolha feita entre 26 e 26 de maio, na qual o ex-presidente apareceu com 54% dos votos válidos (48% contra 27% de Bolsonaro, na consulta estimulada). Como seria depois confirmada pela Genial/Quaest feita entre 2 e 5 de junho, na qual o petista apareceu com 52,87% dos votos válidos (46% contra 30% de Bolsonaro, na consulta estimulada). Nas pesquisas BTG/FSB de maio e junho foram ouvidos 2 mil eleitores de todo o país.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ainda que todas as pesquisas apontem a liderança de Lula, há aquelas que sempre dão diferença menor entre ele e Bolsonaro. Sobretudo as que, como a BTG/FSB ou o PoderData (43% do petista, contra 35% do capitão, entre 5 a 7 de junho), fazem pesquisa por telefone. A Datafolha e a Genial/Quaest fazem as suas presencialmente. Onde é mais difícil ao eleitor mentir, pela exposição das suas expressões da face e corpo, do que à distância do telefone. Pelo telefone, também é mais difícil consultar o eleitor mais pobre, com o qual Lula tem sua maior vantagem sobre Bolsonaro, como ressalva o Agregador de Pesquisas do jornal Estadão. Nele, na média entre as últimas pesquisas presidenciais de 14 institutos do país, Lula tem hoje 46% contra 30% de Bolsonaro. São os mesmos números da Genial/Quaest.

 

(Infográfico: Estadão)

 

Confirmado o segundo turno, marcado para 30 de outubro, Lula vence em qualquer cenário da pesquisa BTG/FSB: 54% contra 36% de Bolsonaro, 48% contra 32% de Ciro Gomes e 55% contra 25% de Simone Tebet. Além de Lula, Bolsonaro perderia também para Ciro, com 38% a 48%. E empataria com Tebet: 40% a 40%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O que explica a projeção de derrota de Bolsonaro para Lula e Ciro no eventual segundo turno é a rejeição. O segundo turno só existe para que o vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos.

Pela Datafolha, Bolsonaro tem 54% de rejeição, contra 33% de Lula. Pela Genial/Quaest, Bolsonaro tem 60% de rejeição, contra 40% de Lula. Pela nova BTG/FSB divulgada hoje, Bolsonaro tem 59% de rejeição, contra 44% de Lula. Para quem tem 54%, ou 60%, ou 59% de rejeição, como o atual presidente da República tem, é aritmeticamente impossível alcançar o mínimo de 50% mais um dos votos. Entre os analistas do mundo, o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição ao Executivo em dois turnos é 35% de rejeição. Desde que o segundo turno foi adotado no Brasil, na eleição presidencial de 1989, Bolsonaro tem a maior rejeição entre todos os ocupantes do Palácio do Planalto que já tentaram a reeleição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Dado curioso da nova pesquisa presidencial BTG/FSB? Contratante regular do instituto PSB Pesquisas, que coloca Lula na margem de erro para definir, ou não, a eleição presidencial no primeiro turno, o BTG Pactual é um banco de investimento que tem entre seus fundadores Paulo Guedes, ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro.

 

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Eleição a presidente aberta ao fechamento no 1º turno?

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Após a instituição do segundo turno ser adotada no Brasil, com a Constituição de 1988, só um candidato chegou ao Palácio do Planalto em turno único. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se elegeu presidente, ainda no primeiro turno, em 1994 e 1998. Quando deu coças eleitorais em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conferindo a este a aura de perdedor. Que já vinha da derrota no segundo turno presidencial de 1989, para Fernando Collor de Mello (hoje, PTB).

Tudo isso foi antes de o petista também se eleger duas vezes presidente, mas só no segundo turno, em 2002 e 2006. E sair do cargo aclamado como a maior liderança popular do país, desde Getúlio Vargas. Elegeu Dilma Rousseff (PT) sua sucessora, também no segundo turno, em 2010 e 2014. Após o impeachment desta, em 2016, Lula passaria 580 dias preso por corrupção na operação Lava Jato. Quando foi impedido de concorrer no pleito presidencial de 2018, cujas pesquisas liderava. E que, sem ele, elegeu também no segundo turno a Jair Bolsonaro (hoje, PL).

 

Fernando Henrique Cardoso assume a presidência da República de Itamar Franco, em 1º de janeiro de 1995, entre a esposa, a antropóloga Ruth Cardoso, que implantou o Bolsa Escola, depois transformado pelo PT em Bolsa Família, e seu vice, Marco Maciel

 

Segundo as últimas pesquisas Datafolha e Genial/Quaest, é real a possibilidade de Lula não só ultrapassar Fernando Henrique em número de mandatos de presidente e conquistar o terceiro nas eleições de outubro. Mas de finalmente também se igualar ao tucano no feito de fechar a fatura ainda no primeiro turno.

Segundo a Datafolha feita nos últimos dias 25 e 26, Lula tem 48% de intenções de voto, contra 27% de Bolsonaro. São 21 pontos de vantagem, ou 31,5 milhões de eleitores. É quase todo o estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, com seus 32,6 milhões de eleitores. Descontados os 7% de branco e nulo, o petista seria eleito presidente do Brasil ainda no primeiro turno, com 54% dos votos válidos, contra 30% do capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Segundo a Genial/Quaest feita entre os últimos dias 2 e 5, Lula tem 46% de intenções de voto, contra 30% de Bolsonaro. São 16 pontos de vantagem, ou 24 milhões de eleitores. É bem mais que todo o estado de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com seus 15,6 milhões de eleitores. Descontados os 6% de branco e nulo, o petista seria eleito presidente do Brasil ainda no primeiro turno, com 52,87% dos votos válidos, contra 34,48% do capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ainda que todas as pesquisas apontem a liderança de Lula, há aquelas que dão diferença menor entre ele e Bolsonaro. Sobretudo as que, como o PoderData (43% do petista, contra 35% do capitão, entre 5 a 7 de junho), fazem pesquisa por telefone. A Datafolha e a Genial/Quaest fazem as suas presencialmente. Onde é mais difícil ao eleitor mentir, pela exposição das suas expressões da face e corpo, do que à distância do telefone. Por este também é mais difícil consultar o eleitor mais pobre, no qual Lula se sai bem melhor que Bolsonaro.

Se não tem seu próprio instituto, como a Folha de S.Paulo tem a Datafolha, seu principal concorrente, O Estadão, tem oferecido um serviço muito relevante. É o Agregador de Pesquisas, que tira uma média das últimas consultas Datafolha, Ipec (antigo Ibope), Quaest, Paraná Pesquisas, Vox Populi, Sensus, MDA, PoderData, Ipespe, Ideia, Futura, FSB, Gerp e Real Time Big Data. As seis primeiras fazem pesquisas face a face com os eleitores, na rua ou em suas casas. As sete últimas promovem sondagens por telefone. O MDA usa os dois métodos.

 

(Infográfico: Estadão)

 

Na média atualizada desses 14 institutos de pesquisa, Lula tem hoje 46% de intenções de voto, contra 30% de Bolsonaro. São os mesmos números da Genial/Quaest, que indicam a possibilidade de o petista fechar a fatura no primeiro turno. Reforça essa tendência o fato de que a XP Investimentos, contratante da nova pesquisa Ipespe cuja divulgação estava prevista para ontem (10), foi cancelada pela corretora. O fez por pressão do governo Bolsonaro sobre a XP, após a Ipespe ter revelado em consulta da semana passada que 35% dos eleitores consideram a honestidade um atributo do petista, contra 30% que dizem o mesmo do capitão.

Na margem de erro de dois pontos para mais ou menos da Datafolha e da Genial/Quaest, os números se traduzem a mesma tendência: a exatos 113 dias das urnas, hoje Lula estaria entre se eleger presidente no primeiro turno, ou fazê-lo sem grande dificuldade no segundo. Neste, pela Datafolha, o petista bateria o capitão no turno final de 30 de outubro por 58% a 33%. Seriam 32 pontos de vantagem, ou 37,5 milhões de eleitores. Pela Genial/Quaest, Lula bateria Bolsonaro no segundo turno por 54% a 32%. Seriam 22 pontos de vantagem, ou 33 milhões de eleitores. Qualquer uma das duas vantagens seria superior a todo o estado de São Paulo.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O que explica a projeção da derrota de Bolsonaro para Lula numa eventual prorrogação de turno é a rejeição. O segundo turno só existe para que o candidato vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos.

Pela Datafolha, Bolsonaro tem hoje 54% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 33% de Lula. Pela Genial/Quaest, Bolsonaro tem hoje 60% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 40% de Lula. Para quem tem 54% ou 60% de rejeição, como o atual presidente da República tem, é aritmeticamente impossível alcançar o mínimo de 50% mais um dos votos. Entre os analistas do mundo, o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição ao Executivo em dois turnos é 35% de rejeição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Após seu ex-ministro Sergio Moro (União) ter desistido da pré-candidatura a presidente em 31 de março, Bolsonaro herdou naturalmente esses votos. O que foi registrado nas pesquisas. Mas, ao se sentir empoderado por essas mesmas pesquisas que os bolsonaristas agora negam, o presidente voltou a abrir a boca. E ao fazê-lo contra o Supremo Tribunal Federal (STF), o TSE e a urna eletrônica — que, desde 1996, o elegeu cinco vezes deputado federal e uma a presidente —, pode agradar ao radical de direita que sempre teve. Mas o afasta do eleitor do centro. Sem o qual nem ele, nem Lula, ganham a eleição.

 

 

Lula também voltou a abrir a boca. Após decretar que “acabou” o PSDB de onde foi buscar seu vice, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (hoje, PSB), na última quarta (8) o ex-presidente voltou a falar em censura da mídia digital, da TV e do Instagram. Pode agradar aos eleitores com amnésia seletiva de que o governo Dilma jogou o Brasil na pior recessão da sua história, agravada pela pandemia da Covid e sua péssima gestão por Bolsonaro. Ou que acreditam que o impeachment da ex-presidente foi “golpe”— mas não o de Collor em 1992. Ou que o STF atestou a inocência da “alma mais honesta desse país”. Mas não atrai a quem, sem crer em nada disso, não quer mais quatro anos do capitão.

 

 

Salvo uma queda de avião, uma prisão, uma facada ou um golpe de fato e com validade real de laticínio, a eleição de outubro parece sorrir a Lula como a Fernando Henrique em 1994 e 1998. E pelos mesmos motivos que elegeram o tucano após ele capitanear a estabilização econômica do país com a implantação do Plano Real como ministro da Fazenda no governo Itamar Franco (então, MDB). Num Brasil com sua pior inflação nos últimos 26 anos e sua pior queda de renda na última década, bastaria ao petista comparar seus dois governos de prosperidade ao de Bolsonaro. Com foco na sentença mais famosa de James Carville, estrategista do ex-presidente dos EUA Bill Clinton: “É a economia, estúpido!”.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Sem um terceiro colocado na casa dos dois dígitos — o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) tem 7% de intenções de voto na Datafolha e Genial/Quaest —, a eleição realmente parece aberta à possibilidade de fechamento no primeiro turno. Você, empresário e/ou que ganha acima dos 10 salários mínimos, com base em sua bolha nas duas únicas faixas em que Bolsonaro vence fora da margem de erro, não crê? Pense de novo e responda: quantas mulheres pretas, entre 16 e 24 anos, com ensino fundamental, que ganham até dois salários mínimos, fazem parte do seu convívio sem ser como empregadas? Porque elas são as eleitoras majoritárias de Lula.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Bruno Vianna traz Eduardo Paes à sua pré-candidatura à Alerj

Bruno Vianna e Eduardo Paes (Foto: Divulgação)

Prefeito do Rio, presidente fluminense do PSD e considerado um dos principais cabos eleitorais do estado, Eduardo Paes (PSD) tem vinda a Campos prevista para esta quinta (9). Ele vem à planície goitacá prestigiar o lançamento da pré-candidatura do vereador de oposição Bruno Vianna (PSD) a deputado estadual. O evento está marcado para às 19h, no Salão da Multipeças, na avenida Arthur Bernardes. O jovem edil tenta reconquistar o mandato do seu pai, o falecido deputado estadual Gil Vianna, vítima da Covid em 19 de maio de 2020.

— Meu pai foi um grande líder político. Com o seu jeito conciliador, ele construiu uma família, ao invés de um grupo de trabalho na política. A decisão de me candidatar a vereador em Campos foi um sonho nosso. Nós queríamos trabalhar em conjunto para a nossa cidade, ele na Alerj e eu no Legislativo municipal. Infelizmente, essa não foi a vontade de Deus. Não pude ter ele ao meu lado quando vencemos a eleição, nem durante o nosso trabalho. Mas, eu acredito que essa história tão precocemente interrompida pode ser continuada. Nós precisamos buscar a representatividade que a nossa região perdeu — disse Bruno.

 

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Após Datafolha, Genial/Quaest também dá Lula no 1º turno

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode fechar a fatura presidencial no primeiro turno? Divulgada hoje, a exatos 114 dias das urnas de 2 de outubro, a pesquisa Genial/Quaest reforçou essa possibilidade — que já havia sido apontada pela Datafolha do último dia 26. Pela consulta do primeiro instituto, o petista tem hoje 46% de intenções de votos na pesquisa induzida, contra 30% do presidente Jair Bolsonaro (PL), 7% do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), 2% do deputado federal André Janones (Avante) e 1% da senadora Simone Tebet (MDB). Os demais presidenciáveis não pontuaram. Descartados os 6% de indecisos, ou que pretendem votar em branco ou anular, Lula venceria a eleição em turno único, com 52,87% dos votos válidos.

A margem de erro da Genial/Quest é de dois pontos para mais ou menos. Feita entre os dias 2 e 5 deste mês de junho, a pesquisa ouviu 2.000 pessoas presencialmente — o que sempre gera maior confiabilidade aos resultados — em 27 estados. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03552/2022. Em um universo eleitoral de quase 150 milhões de brasileiros aptos a votar, Lula tem hoje 16 pontos de vantagem na corrida presidencial sobre Bolsonaro, ou 24 milhões de eleitores. Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado de Minas Gerais tem 15,6 milhões de eleitores. Lula tem bem mais que uma Minas Gerais de vantagem sobre Bolsonaro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE

— A Genial/Quaest utilizou entrevistas presenciais, a de maior precisão e confiabilidade, entrevistando 2.000 eleitores com 16 anos ou mais em 120 municípios brasileiros. Com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais, a Genial/Quaest reproduziu a metodologia do Datafolha, porém utilizando uma amostragem um pouco menor, já que o Datafolha só trabalha com amostra acima de 2.500 entrevistados. Como a diferença entre as duas amostragens é bem pequena, as diferenças dos resultados são mínimas, tornando-se irrelevantes. Na intenção de voto para presidente na consulta estimulada, a Genial/Quaest apontou vitória de Lula no primeiro turno, com 46% no cenário mais provável, com André Janones e Simone Tebet. Ele também supera a soma de todos os demais candidatos (41%), excluindo indecisos, brancos, nulos e quem declarou que não vai votar. Assim, na análise consolidada, a Genial/Quaest aponta que, neste momento, Lula está entre a vitória e a quase vitória no primeiro turno, confirmando o Datafolha — analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

Se as projeções de vitória de Lula no primeiro turno não se confirmarem, a Genial/Quaest aponta que ele venceria Bolsonaro com facilidade também em um eventual segundo turno, marcado para 30 de outubro. Lá, se fosse hoje, o petista bateria o capitão por 54% a 32% das intenções de voto. Seriam 33 milhões de eleitores de vantagem. Maior colégio eleitoral do país, o estado de São Paulo tem 32,6 milhões de eleitores. Lula teria mais do que isso à frente de Bolsonaro no segundo turno. Nele, o ex-presidente também venceria, mas por margem ainda maior, se o adversário fosse Ciro Gomes: 52% a 25%, com 27 pontos de vantagem, ou 40,5 milhões de eleitores. Assim como a Simone Tebet, a quem o petista bateria no segundo turno por 56% a 20%, com 36 pontos de vantagem, ou 54 milhões de eleitores.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O que explica a projeção de derrota para Bolsonaro no segundo turno contra Lula é a rejeição. O segundo turno só existe para que o candidato vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos. Pela Genial/Quest, Bolsonaro tem hoje 60% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 40% de Lula. Para quem tem 60% de rejeição, como Bolsonaro tem, é aritmeticamente impossível alcançar 50% mais um dos votos. Entre os analistas do mundo, o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição em dois turnos é 35% de rejeição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Definidora da vitória do candidato Jair Bolsonaro em 2018, três anos e meio de governo Jair Bolsonaro depois, o antipetismo aparece também em 2022. Mas é suplantado de longe pelo antibolsonarismo. São 52% os eleitores brasileiros que têm mais medo da continuidade do capitão no Palácio do Planalto, contra 35% que temem mais a volta do PT ao poder. Os que temem os dois são 5%; nenhum, 2%; com 6% que não souberam responder. Embora seja menos considerada tão perto das urnas, a pesquisa espontânea revela uma eleição claramente polarizada. Sem que sejam apresentadas as opções de candidato ao eleitor, este, por conta própria, dá a Lula 32% de intenções de voto, contra 20% de Bolsonaro e 1% de Ciro.

 

 

— Na espontânea, Lula vence Bolsonaro por 32% a 20% e na rejeição, o ex-presidente apresenta 20% a menos de rejeição que o atual presidente (40% contra 60%), indicando inexistência de espaço para uma terceira via — concluiu William.

 

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Cartão postal de Campos, Solar dos Airizes espera reforma

 

Solar dos Airizes (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

 

Edmundo Siqueira

Solar dos Airizes

A Prefeitura de Campos terá que reformar o Solar dos Airizes. Como o Blog do Edmundo Siqueira, hospedado no Folha1, acompanha de perto, não é mais só uma demanda de preservação do patrimônio histórico. É uma decisão da 2ª Vara Federal de Campos transitada em julgado, em ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que o governo Wladimir Garotinho (sem partido) será obrigado a cumprir. Erguido em meados do século 19, o Solar dos Airizes foi a primeira construção da cidade a ser tombada pelo Iphan, em 1940. E se tornou famoso com a novela “Escrava Isaura”, de 1976 e baseada no romance homônimo do mineiro Bernardo Guimarães.

 

Alberto Lamego e Alberto Ribeiro Lamego (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Dos livros à retina de Campos

Da ficção que ganhou o mundo com o sucesso de uma telenovela, o Solar dos Airizes foi o lar de dois dos maiores escritores de Campos. Que se dedicaram a contar as origens reais da terra e do homem que formam a planície goitacá: Alberto Lamego (1870/1951), autor de “A Terra Goytaca”; e seu filho, Alberto Ribeiro Lamego (1896/1985), autor de “O Homem e o Brejo”, “O Homem e a Restinga”, “O Homem e a Serra” e o “Homem e a Guanabara”. Mesmo a quem não leu nenhuma dessas obras, o Solar dos Airizes é personagem vivo na retina dos mais de 511 mil campistas que percorreram, pelo menos uma vez, a BR-356 no trecho Campos/Atafona.

 

Monumento ao desperdício dos royalties em Campos, Cepop foi erguido por R$ 100 milhões no governo Rosinha Garotinho, eleito em 2008 com a promessa abandonada de reformar o Solar dos Airizes (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

R$ 100 milhões no Cepop

A reforma do Solar dos Airizes e sua transformação no Museu do Açúcar constavam do projeto de governo quando Rosinha Garotinho (hoje, União) foi eleita a primeira vez prefeita de Campos, em 2008. E mesmo que tivesse dinheiro dos royalties de sobra, até a queda do preço do barril de petróleo no final de 2014, em seu sexto ano consecutivo de governo, ela nunca cumpriu a promessa de campanha. Preferiu gastar mais de R$ 100 milhões para erguer o Cepop, símbolo maior do desperdício de bilhões em rendas petrolíferas. Ironicamente às margens da avenida Alberto Lamego, o Cepop fica a apenas 2,9 km do Solar dos Airizes.

 

Edvar Junior e Rapahel Thuin (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)

 

Agora, como fazer?

Em outra ironia, a batata quente agora sobrou para Wladimir, filho de Rosinha. A decisão judicial fala até em crime de improbidade se o Solar dos Airizes não for recuperado pelo atual prefeito. Pela importância histórica e arquitetônica do prédio, que visivelmente corre risco de desabamento em várias partes, assim como por sua condição de referência afetiva dos campistas, a sua reforma ganhou entusiastas. Presidente da CDL-Campos, além de arquiteto, o empresário Edvar Junior levantou essa bandeira. Assim como o vereador de oposição Raphael Thuin (PTB). Mas a pergunta que ninguém até agora sabe responder é: como fazer?

 

Iphan e Sabra

A alternativa mais racional foi apontada no Blog do Edmundo. A ele, o Iphan informou que “o pedido de reforma simplificada do Solar dos Airizes e intervenção emergencial” foi feito pela Sociedade Artística Brasileira (Sabra), associação civil e captadora de recursos e sem fins lucrativos, com sede em Minas Gerais. Presidente da Sabra, Márcio Miranda confirmou ao blogueiro do Folha1: “Temos a aprovação pelo Iphan de nosso projeto para a intervenção emergencial no Solar dos Airizes. As equipes só podem ser escolhidas após contratação dos serviços. Não temos previsão para início das obras. Isso está a cargo do poder público”.

 

Erguido no séc. 17 pelos jesuítas, o Solar do Colégio abriga hoje o Arquivo Público Municipal e espera a reforma pelo Sabra, com R$ 20 milhões liberados na parceria Alerj/Uenf/Prefeitura de Campos (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

R$ 73 milhões de royalties

A Sabra já está envolvida na reforma do Solar do Colégio, erguido pelos jesuítas no século 17 e onde hoje funciona o Arquivo Público de Campos. Que já tem R$ 20 milhões alocados, em parceria da Alerj, da Uenf e do poder público municipal. Já em relação ao Solar dos Airizes, com a pergunta de como fazer parcialmente respondida pelos contatos já estabelecidos entre Sabra, Iphan e Prefeitura, resta ainda a indagação: com que dinheiro? Depois que Campos recebeu R$ 73,4 milhões no último dia 20, maior repasse mensal de royalties da sua história em valores correntes, não é preciso ter lido os Lamego pai e filho para responder.

 

Morto ontem com facada no pescoço, à luz do dia, em plena Praça do Santíssimo Salvador (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Terra de Marlboro (I)

Ao ex-presidente Getúlio Vargas é atribuída a frase: “Campos é o espelho do Brasil”. Nos seus piores aspectos, os últimos dias parecem confirmar. Enquanto o mundo indaga o paradeiro do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira, servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai), e do jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, desaparecidos desde domingo (5) na Amazônia, ontem (7) um flanelinha foi morto com um golpe de faca no pescoço, à luz do dia, em plena Praça São Salvador. Na vida urbana da cidade ou no que resta de área selvagem no país, Campos e Brasil lembram um filme violento de western.

 

Bruno Araújo Pereira, servidor da Funai, e o jornalista inglês Dom Phillips, desaparecidos na Amazônia transformada em terra de Marlboro no Brasil de Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Terra de Marlboro (II)

O indigenista brasileiro era ameaçado por seu trabalho, em nome do Governo Federal, de proteção aos índios. Cujas reservas na Amazônia, na prática, foram liberadas pela administração Jair Bolsonaro (PL) à ação criminosa de garimpeiros, madeireiros e pescadores. O Vale do Javari, onde o servidor brasileiro da Funai e o jornalista inglês desapareceram, concentra o maior número de povos isolados do mundo. São indígenas que não querem contato com o homem branco. Sobretudo nos últimos três anos anos e meio, quando a realidade do Brasil passou a refletir um filme do Velho Oeste dos EUA.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Poeta Ronaldo Junior e os muros de Campos hoje na ACL

 

Ronaldo Junior, o rio, a cidade e a ponte no sua livro “Muros impalpáveis” (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

“O rio da minha aldeia não faz pensar em nada”, versejou Alberto Caeiro, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa. Não é o caso do Paraíba do Sul ao poeta carioca/campista Ronaldo Junior. Para quem o rio que corta e forma planície goitacá é também muro. A separar — e segregar — Campos de Guarus. “O rio/ é muro/ que separa/ as versões/ de pobreza/ de riqueza/ de quem acha que é/ de quem não sabe o que ser” compõe estrofe do poema “Travessia”, um dos 16 do livro “Muros impalpáveis”. Lançado em fevereiro de 2021, deu de cara com o muro da pandemia da Covid-19. E o superou 16 meses depois, no lançamento físico da obra. Será a partir das 16h deste sábado (4), na Academia Campista de Letras (ACL), da qual Ronaldo é membro.

— “Travessia” resume o motivo do título: Campos é um município em que as relações sociais são fortemente guiadas a partir das divisões sociais, os muros impalpáveis, criando barreiras interpessoais simbolizadas na própria divisão do município oriunda do rio Paraíba do Sul — explicou Ronaldo

Em outra “Travessia”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, a voz do primeiro imortalizou os versos: “Minha casa não é minha/ E nem é meu este lugar/ Estou só e não resisto/ Muito tenho pra falar”. Dolosamente ou não, são versos que ecoam em “A rua onde não nasci”, outro poema do carioca Ronaldo: “identifico/ que jamais nasceria/ em certas ruas,/ mas nasço em/ tantas outras// — urbano que sou,/ restrito aos lugares/ de luz/ e pedra// ainda assim,/ permaneço carioca/ em Campos dos Goytacazes”.

Ronaldo disse — ainda — não conhecer a obra do grande poeta modernista grego, nascido no Egito, Konstatínos Kaváfis. Mas seu “A rua onde nasci” tem impressionante aparência de diálogo com os versos do último heleno de Alexandria. Que sentencia em seu poema “A cidade”: “Novas terras você não há de encontrar, não encontrará outros mares./ A cidade o seguirá. Você voltará a percorrer as mesmas ruas”.

— De fato, as referências parecem explícitas. Muito bom esse enriquecimento da obra pelos diálogos que ela gera. Não conheço o poeta grego, mas começarei a ler em breve. Em “A rua onde não nasci”, falo sobre o sentimento de ser campista sem ser nascido aqui, o que também simboliza a mensagem do livro — revelou Ronaldo.

O poema escolhido para abrir “Muros impalpáveis” foi um diálogo intencional com outro autor. Em “PaleoGênesePoética”, diz o poeta e literato campista Joel Ferreira Mello: “Como TeluriCidade/ camposAluvional/ HeteroIdentidade/ regioNacioUniversal”.

— Essa obra de Joel é marcada pela criticidade voltada ao urbano, à desigualdade social que ele aponta. É marcada pela universalidade e regionalidade da qual ele vem. Até então, eu nunca havia escrito sobre Campos. Passei a escrever por provocação do professor Antônio Cardoso, coordenador da Casa das Artes do Alpha, depois de uma palestra sobre as possíveis datas de nascimento de Campos feita pelo Instituto Histórico e Geográfico de Campos — lembrou Ronaldo.

A partir da provocação, o poeta carioca escreveu “Do nascimento de Campos”, a partir da discussão da data de fundação da cidade que o adotou, que tem provocado tantas polêmicas entre historiadores e intelectuais locais. E, ao revistar o passado campista, traz à tona versos com crítica contundente ao presente brasileiro e bolsonarista: “o seu berço seria/ a criação da Câmara/ com os homens ditos de bem”.

Para dar fim à polêmica do aniversário de Campos, o poeta se vale de metáfora cara às velas do bolo: “uma data/ é faísca/ em meio a chamas”. Em seus versos com jeito de prosa, o carioca/goitacá finaliza o poema no questionamento que deveria mais interessar: “mas é preciso especular/ a formação de cada alma/ — em contexto desigual —/ para fazer das ferramentas/ (educação/ passado/ poema)/ expressão/ de uma gente/ que resiste pelos anos/ sem nem sempre saber/ a dimensão/ de ser/ campista”.

 

Capa da Folha Dois de hoje

 

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Entre Castro e o pai, Wladimir não aparece com a família

 

Ex-vereador Thiago Virgilio discursa diante de Garotinho, Rosinha, Juninho Virg[ilio e Clarissa, mas sem Wladimir (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

Coluna de opinião da Folha da Manhã, o Ponto Final da última quarta (1º), aunciou que, após as rusgas públicas dentro da família Garotinho, hoje os ex-governadores Anthony e Rosinha, a deputada federal Clarissa (os três, União) e o prefeito Wladimir (sem partido) voltariam a se reunir publicamente nem um ato político. Mas, diferente dos pais e da irmã, Wladimir não foi à prestação de contas do vereador Juninho Virgílio (União), realizada hoje à noite em um salão de festas da av. Arthur Bernardes.

Segundo apurou o repórter-fotográfico da Folha Rodrigo Silveira, a informação dada no evento foi que o prefeito não teria comparecido por motivos pessoais. A qualquer observador mais atento da política goitacá e fluminense, por “motivos pessoais”, entenda-se o governador Cláudio Castro (PL). Que é candidato à reeleição e lidera as pesquisas numa disputa em que Garotinho também se coloca como pré-candidato. Ainda que sem a certeza da vaga pelo seu partido.

 

Castro e Wladimir na reinauguração do Restaurante Popular, HGG em reforma e Parque Saraiva à espera de obras (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Sem Castro, Wladimir colocaria em risco a manutenção do Restaurante Popular, a conclusão da reforma do Hospital Geral de Guarus (HGG) e a retomada das obras no Parque Saraiva. Até aqui, valem as palavras do prefeito no dia 19, à reportagem da Folha, sobre seu apoio a Castro ou ao pai a governador: “Vamos esperar as convenções partidárias”. Assim como ficam sem confirmação as palavras de Clarissa, reproduzidas no Ponto Final do último sábado (28): “Obviamente que minha família estará unida em torno da (pré-)candidatura de Garotinho”.

 

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Lançamentos em peça e poesia no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Os poetas Adriano Moura e Ronaldo Junior, mais o músico Matheus Nicolau, são os convidados para fecharem a semana do Folha do Ar nesta sexta (03), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Adriano, que também é dramaturgo, e Matheus falarão no primeiro bloco sobre o trabalho conjunto de ambos na peça “Meu nome é Cícero”, que estreia no Trianon às 19h deste domingo (5). No segundo bloco, Ronaldo falará do seu livro de poesia “Muros impalpáveis”, que tem lançamento marcado para às 16h deste sábado, na Academia Campista de Letras (ACL), à qual o autor pertence.

No terceiro e último bloco, Adriano e Ronaldo analisarão o cenário da literatura e da cultura em Campos e no país. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Caixa aprova acordo na dívida de R$ 1,2 bilhão de Campos

 

 

De Brasília, o senador Carlos Portinho (PL) anunciou que o Conselho da Caixa Econômica Federal (CEF) aprovou hoje o acordo da dívida de R$ 1,2 bilhão contraída pelo município de Campos. “Do ponto de vista fiscal, é uma grande vitória para a cidade. Aprovando a questão previdenciária na câmara, Campos sai da classificação de risco C direto para A. Renegociamos tudo”, disse hoje o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido).

 

 

Em 10 de fevereiro deste ano, junto do senador Carlos Portinho e da irmã e deputada federal Clarissa Garotinho (hoje, União), Wladimir teve uma reunião para tratar da questão em Brasília, com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães. Naquela oportunidade, o prefeito já sinalizava para a resolução do problema:

— O acordo entre o município de Campos e a Caixa Econômica Federal está próximo de sair nos próximos meses. A reunião foi muito produtiva e as equipes técnicas avançaram bem. Podemos estar próximos de um acordo histórico, resolvendo um passivo imenso acumulado por inadimplência irresponsável. Esse assunto é tratado na CEF com muita mágoa, pela maneira que executivo municipal tratou na gestão passada (Rafael Diniz, Cidadania).

Histórico da dívida — Na verdade, a cessão de crédito que gerou a dívida foi feita em maio de 2016 pela então prefeita Rosinha Garotinho (hoje, União), no apagar das luzes do governo Dilma Rousseff (PT), chamada à época de “venda do futuro”. O valor da dívida, hoje considerada impagável, está na casa do R$ 1,2 bilhão. Pela resolução 43/2001 do Senado, assim como pela autorização da Câmara Municipal de Campos em 2016, os pagamentos da operação financeira não poderiam exceder 10% das receitas petrolíferas do município. Só que o limite não foi obedecido pelo contrato entre a CEF e o governo Rosinha. Mas foi imposto pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), em julho de 2017. Graças a uma tese do então procurador do Legislativo goitacá, Robson Maciel Junior, que entrou junto com o governo Rafael. A CEF recorreu e a juíza federal Rosângela Martins determinou, em 2021, que as duas partes fizessem um acordo.

 

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