Felipe Fernandes, filmmaker publicitário e crítico de cinema
Apocalipse Moderno
Por Felipe Fernandes
Filmes sobre o fim do mundo são praticamente um gênero que sempre esteve presente no cinema. Imaginar diferentes formas de como tudo chega ao fim é um exercício interessante que chama a atenção do grande público. E nem mesmo a pandemia parece ter afetado esse fascínio.
Baseado no livro de Rumaan Alam, “O mundo depois de nós” é um projeto que nasceu grande, com seus direitos tendo sido comprados pela Netflix antes mesmo do lançamento literário da obra original. Com um elenco sempre atrelado a grandes nomes, o escolhido para levar o livro às telas foi o diretor e roteirista Sam Esmail, conhecido pela série “Mr.Robot”.
Partindo de uma premissa simples, a história traz uma tradicional família de classe média que sai de férias e vai para uma casa luxuosa e isolada, precisando lidar com estranhos acontecimentos, que pouco a pouco vão os excluindo do mundo. Em um mundo cada vez mais conectado, a perda de sinal de celular, TV e internet já parece ser assustador o suficiente à maioria.
A chegada de um homem e sua filha que alegam ser os reais donos da casa, traz uma nova dinâmica para a casa e a narrativa. O filme arranha uma óbvia questão racial, mas que fica muito na superfície. Compartilhar uma casa com estranhos, enquanto o mundo desmorona lá fora, é apenas uma das questões que o longa busca abordar.
A obra conta com uma trilha sonora estridente, que busca o tempo todo estimular a ideia de que algo está errado. Essa sensação também é reforçada pela direção de Esmail, que abusa do plongée e de planos em que a câmera atravessa paredes e mostra os personagens abaixo de sua linha, criando algumas composições bem estranhas, que tiram mais o espectador da trama do que intensificam essa sensação incessante de estranhamento. Esmail parece um diretor iniciante, deslumbrado com as possibilidades de movimentos de câmera e seu virtuosismo. É difícil compreender algumas de suas escolhas.
Dividido em capítulos (uma escolha narrativa que nunca se justifica), o longa parece um episódio de “Além da imaginação”, ou talvez um episódio de “Black Mirror”, para os mais novos. Abordando a questão tecnológica, a presença de animais selvagens cercando a casa e as relações entre as duas famílias, o longa traz críticas ao estilo de vida moderno, apresentando nossa fragilidade como uma sociedade cada vez mais dependente das facilidades da modernidade.
Trabalhando a paranóia crescente, um elemento forte dentro dos Estados Unidos, abordando a questão homem x modernidade x natureza. E apresentando até mesmo alguns elementos que sugerem a presença de uma força superior, situação totalmente ligada à pequena Rose, uma adolescente que nunca é ouvida mas vê os sinais. O longa busca lidar com diversas questões atuais e relevantes, mas não se aprofunda em nenhuma delas. Essa falta de foco acaba prejudicando o resultado final.
Utilizando diálogos expositivos para desenvolver os personagens e ainda desconstruir seu quebra cabeças, o texto frágil acaba sendo ajudado pelo bom elenco, que não salva a obra, mas ao menos traz alguma credibilidade. É difícil comprar o núcleo familiar principal, principalmente porque a química entre Julia Roberts e Ethan Hawke não existe. Nesse sentido, o filme funciona melhor para Mahershala Ali e Myha´la, que com muito pouco conseguem construir um laço familiar mais consistente.
Para um longa sobre como a família moderna lida com o fim do mundo, as poucas explicações podem incomodar quem gosta de tudo devidamente explicado. A forma conveniente como a questão principal é explanada deve incomodar quem busca coerência. É um longa que se perde na construção do suspense e ao tentar lidar com várias temáticas, sem se aprofundar em nenhuma delas, acaba se esvaindo de sentido e de força em seu discurso.
Um filme de fim de mundo pode ser puro entretenimento. Mas quando busca a reflexão, pode alcançar alguns de nossos maiores medos, algo que “O mundo depois de nós” não consegue.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
Confira o trailer do filme, lançamento da Netflix:
Wladimir Garotinho, Rodrigo Bacellar, Carla Machado, Celso Cordeiro Filho, Cleber Tinoco, Nelson Nahim e Janja da Silva (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Wladimir em céu de brigadeiro
“Pode-se até discordar de algumas ações do governo Wladimir Garotinho (PP). Mas cabe reconhecer sua determinação para harmonizar os interesses comunitários. O êxito está em receber e dialogar com todas lideranças representativas dos segmentos produtivos, ignorando siglas partidárias. Ágil e competente no uso da mídia digital, o filho de Rosinha e Anthony Garotinho desponta como a mais promissora liderança política de Campos, com penetração nas regiões Norte e Noroeste Fluminense”. A análise foi feita ontem (13) pelo experiente jornalista Celso Cordeiro Filho, no grupo de WhatsApp do blog Opiniões e do programa Folha no Ar.
Reeleição no 1º turno? (I)
Com 76 anos de idade e 50 de jornalismo, onde foi e é referência na cidade, Celso estendeu sua análise ao pleito municipal de 2024: “Se a eleição fosse hoje, Wladimir se reelegeria no primeiro turno. Quem já votou nele, está satisfeito. Quem não votou, tende a consagrá-lo nas urnas. Não esperava ver o crescimento vertiginoso de uma liderança jovem no plano político e na dinâmica que imprimiu nas ações administrativas em favor de todos. A constatação é fruto da observação diária do seu estilo moderno e profundamente dinâmico de governar”, frisou Celso. Que é irmão do ex-prefeito e pré-candidato a prefeito Sérgio Mendes (Cidadania).
Rodrigo Bacellar e Carla Machado
Certo que o “crescimento vertiginoso” atribuído por Celso a Wladimir, nos planos municipal e regional, foi alçado ao patamar mais elevado do Estado do Rio pelo campista Rodrigo Bacellar (União). Que, em seu segundo mandato de deputado estadual, chegou à presidência da Alerj. E repetiu o mesmo feito de Sérgio Cabral (MDB) em 1995, antes de se eleger duas vezes governador, em 2006 e 2010. Por enquanto, a pré-candidata dos Bacellar a prefeita de Campos é a deputada estadual Carla Machado (PT). Que, com base em toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), está inelegível à disputa.
“A prefeita, Carla não pode”
No último dia 28, esta coluna ouviu (confira aqui) seis juristas respeitados na comarca, todos com experiência em direito eleitoral. Para quatro deles, Carla é carta fora do baralho na Campos de 2024. Dois outros apostaram na possibilidade de revisão. E, se demanda revisão, é porque hoje ela não pode. Em entrevista do Folha no Ar da última quinta (7), também jurista conceituado e com experiência eleitoral, Cleber Tinoco reforçou o entendimento da maioria: “Uma mudança que libere a candidatura da Carla Machado não vai acontecer. Ela pode disputar a governadora, presidente, parlamentar; não interessa. Mas a prefeita, não pode”.
Esquentando o lugar?
A insistência no nome de Carla a prefeita de Campos em 2024, mesmo inelegível após já ter sido reeleita prefeita em São João da Barra em 2020, teria para Cleber outro objetivo real: “Por que alguém se arriscaria a colocar um candidato correndo risco de se tornar inelegível e ter os votos anulados (como foi com o ex-prefeito Arnaldo Vianna na reeleição de Rosinha Garotinho a prefeita em 2012)? Isso pode ser uma estratégia, porque a legislação eleitoral permite a alteração do candidato faltando 20 dias para o pleito. Você teria o nome (de Carla), que faria toda a campanha, e aí outro candidato assumiria o posto dela”.
Reação rápida no transporte
Se merece críticas, é pelas virtudes do governo Wladimir que ele chega ao final de 2023 como favorito em todas as pesquisas (confira aqui) à reeleição em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses. Mesmo no seu maior calcanhar de Aquiles, o transporte público, a reação rápida impediu que a situação ruim piorasse. No sábado (9), um incêndio pela manhã, na garagem da São Salvador, destruiu (confira aqui) 21 ônibus. E, na tarde do mesmo dia, com o apoio do Ministério Público e da Polícia Militar, o Executivo goitacá promoveu (confira aqui) a requisição administrativa de 25 ônibus na garagem da Turisguá. Assim, evitou (confira aqui) que o sistema entrasse em colapso na segunda (11).
Reeleição no 1º turno? (II)
Antes dos eventos de sábado, Cleber tinha projetado 2024 na quinta: “O grande favorito é Wladimir. Não havendo até as eleições fato novo que desgaste a sua imagem, até para ganhar no primeiro turno”, disse no Folha no Ar. No mesmo programa, o ex-prefeito e ex-presidente da Câmara de Campos Nelson Nahim (MDB) tinha dito no dia anterior (6): “Wladimir só perde essa eleição para ele mesmo. Ele conseguiu uma coisa importantíssima: desligar seu nome do pai. E está fazendo um ótimo governo. Hoje, diria que leva no primeiro turno”, disse o tio do prefeito, pai do vereador de oposição Helinho Nahim (Agir) e integrante do grupo dos Bacellar.
Janja entre críticas e ofensas
Evidente aos não lulopetistas, o deslumbramento da primeira-dama Janja da Silva é alvo de críticas. Ela não tem mandato ou legitimidade para apitar no governo Lula3. Como, sem comparar as figuras humanas, o vereador carioca Carluxo (Rep) não tinha para apitar no único governo Jair Bolsonaro (PL). Isso posto, os ataques ofensivos e misóginos que Janja sofreu ao ter a conta hackeada na rede social X (ex-Twitter), na segunda, revelam o pior do bolsonarismo. Que merece todo o rigor da Justiça. Bandido bom não é bandido morto. Mas a cadeia, como no caso do 8 de janeiro, tem didática viva. Estão aí os 16 anos da Lei Maria da Penha para provar.
Vice-prefeito de Campos, presidente da Coagro e engenheiro agrônomo, Frederico Paes (MDB) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (8), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a lacuna e o legado do empresário Renato Abreu, falecido (confira aqui) no último dia 30, da safra da cana de 2023 (confira aqui), da Agricultura e do projeto do Ceascam (confira aqui).
Ex-dirigente hospitalar, Frederico também falará das vistorias (confira aqui) e do seu trabalho na Saúde Pública do município, que é apontada pela população (confira aqui) como virtude e problema do governo Wladimir Garotinho (PP). E, com base nas pesquisas de 2023 (confira aqui), tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nas páginas da Folha FM 98,3 no Facebook e no Instagram.
Sou apaixonada por cinema e por quem faz cinema. Então sempre que vou assistir a algo, mesmo em casa, estou sempre torcendo para que aquilo que verei seja bacana, ou ao menos intrigante e me traga algo que não conhecia. Como gosto do Ridley Scott, adoro o primeiro “Alien” (“O Oitavo Passageiro”1979) dele e gosto muito de “Gladiador” (2000) e de “O Último Duelo” (2021), queria muito ver o seu “Napoleão”.
Não tenho muito conhecimento sobre a personagem histórica. Conhecia aquela batalha inicial contra as fragatas da Inglaterra, a sua maior vitória em Austerlitz, a derrota para o frio na Rússia e em Waterloo. Tudo muito básico, de estudante mesmo. E não me lembro de ter visto algum filme anterior sobre ele.
Achei a história contada de maneira meio irregular, não gosto muito de datas anotadas na tela, achei tudo um pouco apressado e entrecortado. O espectador (eu) fica um pouco perdido e achei o desenvolvimento do personagem principal também meio incompleto. Dito isso, gostei bastante do todo e não senti às 2h30 do filme.
Empolguei-me com as cenas maravilhosas de batalha e com o relacionamento entre Napoleão e Josefina. Não liguei pra incongruências porque, honestamente, não conhecia muito a história de como aconteceu realmente. Gosto de mulheres fortes e não sabia dessa dependência emocional que ele tinha dela.
Achei o filme bem realizado e uma boa diversão. Como um pouco injusta essa implicância com ele por boa parte da crítica. Gostei de ver na telona, acho que é filme para a melhor e maior tela que houver. Ainda bem que existe em Campos! Oxalá dure bastante!
Confira as críticas anteriores ao filme, feitas por Aluysio Abreu Barbosa (aqui), Felipe Fernandes (aqui) e Edmundo Siqueira (aqui).
Confira também o trailer do filme, que se mantém em cartaz em Campos, no Cinfelix, no Shopping Avenida 28, pelo menos até a próxima quarta-feira, dia 13:
Coagidos por alunos da FMC que tentaram impedir a saída do prédio na noite de segunda, conselheiros da Fundação Bendito Pereira Nunes tiveram que abrir caminho fisicamente para exercer seu direito de ir e vir (Foto: Reprodução de vídeo)
O direito de protestar existe em qualquer democracia. E, em qualquer democracia, jamais se sobrepõe ao direito de ir e vir de ninguém. Na noite de segunda (4), após realizarem protesto legítimo contra aumento de mensalidade da Faculdade de Medicina de Campos (FMC), alunos desta tentaram impedir “o livre trânsito de entrada e saída da FMC de professores, funcionários e membros do Conselho Supremo da Fundação (Benedito Pereira Nunes, FBPN)”.
Como foi registrado em vídeo, alguns conselheiros egressos de instituições da sociedade civil organizada, após a reunião concluída na noite de segunda, não aceitaram ser cerceados no seu direito de ir e vir (confira aqui) pelos estudantes da FMC. Na saída desta, chegou a haver troca de empurrões. Cujo vídeo circulou nas redes sociais como uma suposta agressão de quem, na verdade, não aceitou ser fisicamente encurralado e retido pelos manifestantes.
Abaixo, a nota oficial sobre o lamentável episódio, divulgada hoje pela Fundação Benedito Pereira Nunes/Faculdade de Medicina de Campos:
Manifestação dos estudantes e bloqueio nas entradas da FMC
A diretoria da Fundação Benedito Pereira Nunes e a direção-geral da sua mantida Faculdade de Medicina de Campos vem a público manifestar seu total desacordo com a atitude de alguns estudantes da nossa Faculdade, quando durante ato democrático de dissonância com o reajuste das mensalidades para 2024, impediu o livre trânsito de entrada e saída da FMC de professores, funcionários e membros do Conselho Supremo da Fundação.
A FMC como instituição de ensino superior integrada à comunidade campista há mais de 50 anos defende o direito constitucional de ir e vir de todos os cidadãos, semeia a democracia entre os membros da comunidade acadêmica e preza pelas liberdades democráticas.
O mote do protesto já foi explicado pela FBPN/FMC em nota anterior, ressaltando que não cabe a nossa instituição incorrer em atos administrativos que venham a ser questionados pelo Ministério Público das Fundações, órgão fiscalizador da nossa instituição.
Atleta de natação do Flamengo e estudante, Heitor Tinoco terá a companhia do pai, o advogado Cléber Tinoco, como convidados do Folha no Ar desta quinta (7), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Heitor falará da sua vida de adolescente campista de 13 anos dividida com a rotina de treinamentos e competições de uma das promessas da natação brasileira.
Por sua vez, Cléber analisará a condição jurídica para a deputada estadual e ex-prefeita de SJB, Carla Machado (PT), se candidatar (confira aqui) a prefeita de Campos em 2024. Eleição que, com base nas pesquisas de 2023 (confira aqui), ele também tentará projetar.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nas páginas da Folha FM 98,3 no Facebook e no Instagram.
Protestos de sexta, dos comerciantes da rua Barão de Miracema, e de segunda, dos alunos da FMC, impediram o direito de ir e vir de outros cidadãos de Campos (Fotos: Redes sociais e Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)
O limite dos protestos
Comerciantes do entorno da rua Barão de Miracema ficaram insatisfeitos com as novas ciclofaixas. Estudantes da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) ficaram insatisfeitos com o aumento da mensalidade. Como quaisquer outras categorias dentro de uma democracia, têm todo o direito de reclamar e protestar. Mas não têm o direito de cercear o direito de ir e vir de outras pessoas. Como fizeram os comerciantes que queimaram pneus na tarde de sexta (1º) para fechar uma via pública. Ou os estudantes da FMC que tentaram, na noite de segunda (4), impedir a saída do prédio dos conselheiros da Fundação Benedito Pereira Nunes (FBPN).
Resposta dura
Sobre os excessos dos comerciantes, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) deu resposta dura na própria sexta: “As ruas e os espaços públicos não são garagens, pertencem a todos os cidadãos! A cidade cresceu e é necessário adaptar sua mobilidade urbana. As ciclofaixas beneficiam milhares de ciclistas e trabalhadores. Temos a cultura de estacionar na porta do local de destino, contrária à de qualquer cidade mediana que evoluiu. Não adianta depredar patrimônio público ou destruir o que está sendo realizado, até em movimentos orquestrados por políticos de oposição. Vamos identificar e multar os responsáveis”, prometeu.
Exemplo e motivação
Queimar pneus para interditar vias públicas já foi prática do próprio grupo dos Garotinho. Que fechou a BR 101 quando a então prefeita Rosinha (hoje, União) foi afastada do cargo, em 2010. Foi tão errado lá quanto é 13 anos depois, na adoção do mesmo método por lojistas contra uma decisão do governo do filho de Rosinha. Ademais, nem todos os contrários à ampliação das ciclofaixas, certos ou errados, têm opinião ditada pela oposição. “Lamento que a questão esteja sendo politizada pelo poder público. Boa parte de pessoas que reclamam não tem interesse político-partidário na questão”, ressaltou o advogado criminalista Felipe Drumond.
“A vanguarda do atraso”
Mesmo quem é contrário à ampliação das ciclofaixas condenou a forma do protesto: “Fogo na rua é absurdo!”, denunciou Felipe Drumond. À maioria que apoia as ciclofaixas, a condenação foi geral: “Retrato de um dos tipos de comerciantes da área nobre de Campos. Amanhã, os vizinhos que não foram consultados irão cobrar pelo prejuízo à pintura das suas fachadas”, lembrou a professora Luciana Portinho. “Triste episódio. O prefeito tenta oferecer uma alternativa ao trânsito de Campos e assistimos a esse ato de vandalismo. Querem que Campos continue sendo a vanguarda do atraso”, sentenciou o economista José Alves de Azevedo Neto.
Direito de protestar e de ir e vir
Da rua Barão de Miracema à avenida Alberto Torres, onde fica a FMC, alunos desta fizeram manifestação na segunda contra o aumento da mensalidade. Que a FBPN alega ter sido “apenas o reajuste mínimo baseado no IPCA de outubro de 2023: 4,82% (…) Caso a FBPN/FMC não cumpra o reajuste, estaria implicando em renúncia de receitas”. Isso não isenta a instituição dos protestos dos alunos. Desde que estes não se sintam no direito de arbitrar quem pode ou não sair do prédio. Deveria ser simples, a comerciantes, a futuros médicos e a qualquer cidadão: o direito de protestar não se sobrepõe ao direito de ir e vir de ninguém.
Wladimir nas pesquisas
“As pesquisas (a prefeito em 2024) mostram que o abismo entre Wladimir e o segundo colocado vem das ações do governo. Falam que o prefeito é sortudo, mas tem que falar da sua capacidade de administração. É reabrir uma UBS por mês, o HGG, clínica de hemodiálise, SOS Coração. Na educação, crianças de comunidade com tablet. E há a desarticulação da oposição. Os Bacellar não conseguiram ainda criar um nome. Acho que o de Carla (Machado, PT) é para segurar uma vaga. O principal adversário se aproxima, que é Caio Vianna (PSD)”. Foi o que disse ao Folha no Ar de ontem (5) o jornalista Gustavo Matheus, secretário de Comunicação.
No primeiro turno?
Indagado sobre a possibilidade de Wladimir se reeleger em turno único em 2024, na projeção das pesquisas de 2023, o secretário de Comunicação disse: “Tenho plena confiança de que é possível. Nem todos os players estão no jogo ainda. Mas o que talvez confirme essa possibilidade de primeiro turno é que o governo não teve, como o Botafogo (no Campeonato Brasileiro), um momento de pipocada. Quando a gente acha que vai ter uma crise, o governo responde bem, com fatos políticos novos. Hoje, a realidade é de vitória no primeiro turno. Agora, como o prefeito falou, o que não pode acontecer é qualquer tipo de soberba”.
Crescimento na “pedra”
Sobre o crescimento de Wladimir que as pesquisas registraram na “pedra”, a 98ª Zona Eleitoral de Campos, que sempre foi refratária aos Garotinho, Gustavo ponderou: “O Wladimir tinha muito a sombra do pai, mas eles têm perfis diferentes. O prefeito sempre foi um conciliador dentro dos limites da razoabilidade, sempre tentou o caminho da construção. Claro, Frederico (Paes, MDB) contribuiu tanto na eleição quanto contribui hoje. Na política, a rejeição é complexa, difícil de tirar. Acho que foi a habilidade dele em dialogar com o terceiro setor, com o comércio, com todo mundo. Wladimir não deixou ninguém de fora desse governo”.
Ex-prefeito e ex-presidente da Câmara de Campos, Nelson Nahim é o convidado do Folha no Ar desta quarta (6), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele avaliará os governos Lula 3 (PT), Cláudio Castro (PL) e Wladimir Garotinho (PP).
Nahim também analisará a relação entre Prefeitura e Câmara a partir do fim da pacificação entre Garotinhos e Bacellar. Por fim, com base nas pesquisas divulgadas em 2023 (confira aqui), tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro de 2024, daqui a 10 meses.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nas páginas da Folha FM 98,3 no Facebook e no Instagram.
Novo secretário de Comunicação de Campos (confira aqui), o jornalista Gustavo Matheus é o convidado do Folha no Ar desta terça (5), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Com a experiência de quem integrou as duas gestões, ele analisará os governos Rafael Diniz (Cidadania) e Wladimir Garotinho (PP) em Campos.
Com base nas pesquisas divulgadas em 2023 (confira aqui), Gustavo também tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 10 meses. Por fim, o torcedor do Botafogo tentará analisar a tragédia com seu time este ano e a reta final do Brasileirão.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nas páginas da Folha FM 98,3 no Facebook e no Instagram.
Edmundo Siqueira, servidor federal, jornalista e blogueiro do Folha1
O longa apressado de Ridley Scott em Napoleão
Por Edmundo Siqueira
Napoleão, um corso que subiu no conceito da burguesia francesa depois de conquistar vitórias militares, aplicou um golpe no dia 18 do mês de brumário (calendário revolucionário da França) e mudou o regime: passaria do Diretório para o Consulado, tendo o general Napoleão no comando como primeiro-cônsul.
Napoleão, filme do diretor inglês Ridley Scott que estreou em novembro nos cinemas brasileiros, trouxe em uma de suas cenas o golpe do 18 de brumário; e ela provoca um sorriso inevitável ao espectador — mas não se engane, é um dos poucos nas 2 horas e 38 minutos da película.
A sequência começa trazendo Napoleão recebendo um convite irrecusável para assumir o comando da França, segue para a tentativa frustrada de seu irmão Lucien (Matthew Needham) em conseguir os votos no Diretório, e segue para uma confusão generalizada que coloca Napoleão para correr debaixo de tapa, após ele usar a palavra.
Napoleão volta ao Diretório — uma espécie de parlamento — com um destacamento militar, e o diretor finaliza a sequência com os políticos acuados sob a mira de armas, e o então quase-primeiro-cônsul diz, ironicamente: “Vamos aos votos!”.
Com um roteiro didático e apressado ao mesmo tempo, escrito por David Scarpa, o filme vai mostrando os eventos principais que levaram Napoleão a ser Imperador da França. Em ordem cronológica, sem flashes da infância ou diálogos saudosistas.
E esse talvez seja um dos pontos fracos do filme: diálogos. A direção bem executada do experiente Scott e a fotografia luxuosa de Dariusz Wolski não conseguem levar o filme para o nível que ele merecia. Falta personagens periféricos bem construídos, alívio cômico e amarração da trama. Os diálogos são retalhados e sem nenhum brilhantismo.
Quem contrasta com a atuação sem brilho de alguns atores é Vanessa Kirby, a Josephine, primeira esposa de Napoleão e seu maior amor. Kirby dá personalidade à personagem, e mesmo sem química nenhuma com Joaquin Phoenix consegue trazer sensualidade e um sofisticação cool ao filme.
Por sua vez, Phoenix, que interpreta Napoleão, não tem uma atuação inspirada. Embora a apatia e crescente tédio que Napoleão apresenta seja parte da construção do personagem, espera-se mais de um ator do nível dele ao encarnar alguém real e tão complexo e estudado.
E nesse quesito o enredo atrapalha mais uma vez. A relação amorosa de Napoleão e Josephine concentra toda humanização do personagem principal, e com contornos freudianos, também relacionado a sua mãe. O problema é que não foi suficiente. Perdeu-se muito tempo na (in) fidelidade de Josephine.
Para quem gosta de filmes guerra e épicos, o entretenimento está mais que garantido. Um realismo sangrento com guilhotinas e canhões muito bem executado. Direção, fotografia, trilha sonora, edição e figurino entregaram tudo o que faltou nos outros quesitos. Mas o filme merecia mais.
A parte historiográfica peca em alguns detalhes, principalmente quando deixa a política em segundo plano, mas isso não é exatamente um problema, é uma decisão artística do diretor.
Quem diz que o filme é ruim não leva em consideração a destreza visual da equipe de Scott e a grandeza das locações.
Por Igor Franco, Christiano Abreu Barbosa, Luciana Portinho, José Renato Duarte, Amyr Moussallem, Felipe Drumond, José Alves de Azevedo Neto, Edmundo Siqueira, Renato Siqueira, Humberto Nobre, Wladimir Garotinho, Robson Lessa e Aluysio Abreu Barbosa
Em protesto contra as novas ciclofaixas, comerciantes incendiaram pneus e fecharam a rua Barão de Miracema na tarde de ontem (Foto: Redes sociais)
Considerado entre os mais conceituados de Campos, o blog Opiniões e o programa Folha no Ar comungam um mesmo grupo de WhatsApp. Que, pela diversidade de pensamento e atividades dos seus integrantes, reflete a diversidade da sociedade goitacá. Nele, o especialista em finanças Igor Franco levantou a bola do assunto que tem dominado e dividido muitas rodas de conversa: a instalação de novas ciclofaixas, mais largas, pelo governo Wladimir Garotinho (PP), nas ruas centrais asfaltadas em parceria com o governo estadual Cláudio Castro (PL).
— Tento me segurar para falar, mas realmente é difícil não ficar abismado com essas intervenções. A ciclofaixa da Barão da Lagoa Dourada tem a largura maior que um veículo. Devem caber três ciclistas emparelhados. A faixa da direita da pista tem uma largura menor que a ciclofaixa e a pintura semelhante a outras faixas de estacionamento de ruas próximas, causando uma confusão dos diabos nos motoristas — disse Igor, antes de dar exemplos para tentar fundamentar seus questionamentos:
— A escola infantil Vivendo e Aprendendo também perdeu a sua faixa de estacionamento. Os negócios que possuem estacionamento próprio também foram rasgados pela ciclofaixa. O fluxo de ciclistas é mínimo e as vagas foram totalmente abolidas da rua, inclusive ao lado do Hospital Álvaro Alvim. Gostaria de saber qual foi o embasamento de estudos que amparou a definição da ciclofaixa nessas ruas, especificamente. E também qual foi a medida para se definir a largura. O que a PMCG pretende fazer com os negócios e instituições que foram afetados pelas mudanças drásticas no trânsito. É um completo disparate. Às vezes parece que a oposição colocou no departamento de trânsito de Campos alguém para sabotar o governo.
Curiosamente, o contraditório a Igor foi feito por alguém no grupo que sempre ecoa seu mesmo pensamento liberal na economia. Só que o empresário e blogueiro Christiano Abreu Barbosa, diretor do Grupo Folha, é também ciclista em seus treinamentos quase diários como atleta amador ranqueado internacionalmente em triátlon. Onde seu calo doeu:
— Países desenvolvidos e com bom IDH estimulam o uso de bicicletas como meio de transporte, alguns deles sendo referências em mobilidade urbana como Dinamarca e Holanda. Qualquer medida que privilegie bicicletas em detrimento de carros tem o meu total apoio. Campos é uma cidade plana, que historicamente tem largo uso de bicicletas, especialmente no deslocamento ao trabalho, muito pelas classes menos favorecidas, que até bem pouco tempo só tinham a avenida 28 de Março para um deslocamento seguro. Basta ver o fluxo de ciclistas nos horários de entrada e saída do trabalho na 28 de Março, em Guarus, entre Ururaí e Campos, ou em outros trechos da BR-101.
Como Igor, Christiano foi além. E creditou à reclamação dos motoristas e comerciantes a um comodismo desnecessário:
— No trânsito, boa parte dos carros tem somente o motorista dentro. Não raro, para deslocamentos pequenos, que poderiam ser facilmente cobertos a pé. Com relação aos ciclistas que transitam entre os carros, as ciclofaixas evitam exatamente isto. Eventualmente terão que fazer retornos fora da ciclofaixa. Há também um grande desconhecimento por parte dos motoristas das regras de trânsito. Bicicletas que andam acima de 20 km/h não podem transitar em ciclofaixas; têm que andar na pista. Se houver acostamento, no acostamento. Se não houver, na pista mesmo. O carro deve guardar uma distância lateral de 1,5m, prevista pelo Código de Trânsito. A bicicleta é um veículo de transporte. Costumamos olhar sempre para o nosso umbigo, para o que nos atinge. No caso, para o que atinge o nosso meio de locomoção. Felizmente o carro não é a única opção. Temos uma legião de ciclistas, a trabalho e a lazer, que também tem o seu lugar ao sol. E há como conviver de forma harmônica.
Debatedores Igor Franco, Christiano Abreu Barbosa, Luciana Portinho, José Renato Duarte, Amyr Moussallem, Felipe Drumond, José Alves de Azevedo Neto, Edmundo Siqueira, Renato Siqueira, Humberto Nobre, Wladimir Garotinho e Robson Lessa (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Se já estava quente na quarta (29), quando se iniciou entre Igor e Christiano, o debate se incendiou literalmente na tarde de sexta (1º). Quando comerciantes da rua Barão de Miracema atearam fogo a pneus e interditaram a via pública para protestarem contra as novas ciclofaixas:
— Retrato de um dos tipos de comerciantes da área nobre de Campos. Brasil ililililil! Amanhã, os vizinhos que não foram consultados irão cobrar pelo prejuízo das pinturas das suas fachadas — satirizou o protesto a professora Luciana Portinho.
— Vão quebrar todos os pequenos e médios comerciantes onde (as ciclofaixas) foram implantadas. Sugiro aos que planejaram esses espaços, que apresentem o quantitativo de ciclistas que utilizam, por cada hora. Tem local que não passam nem 10 usuários. Há uma gigantesca desproporcionalidade. Os comerciantes destas áreas vão pagar o pato e cada vez mais os informais dos bairros se fortaleceram. Para toda a ação há uma reação — justificou o servidor municipal e advogado José Renato Duarte.
— Vamos ser sinceros, os verdadeiros usuários dessas faixas são os próprios comerciantes e moradores da região que não tem garagem para guardar os carros. Sempre foi assim, raras são as vezes que alguém, diferente desses, consegue parar o carro nessas vagas. Vamos parar com essa hipocrisia. Outro ponto importante é tentar diminuir o fluxo de carros circulando, diminuindo diversas mazelas causadas pelo excesso de veículos e, ao menos, estimular o uso de outros meios de locomoção, tanto bicicletas normais como as elétricas — pontuou o advogado Amyr Moussallem.
— Com todo o respeito, mas não me parece que isso seja argumento procedente para política pública de transporte. A ausência de vagas tem sido sentida por diversos usuários. Além disso, vamos agora estreitar as ruas para diminuir uso de carros? É sério isso? Vamos deixar o trânsito mais caótico como solução? — questionou o advogado Felipe Drumond.
— As faixas estão democratizando o espaço público na nossa cidade, além de humanizá-lo. Excelente iniciativa do prefeito Wladimir. Ouvimos com frequência na nossa cidade da boca de empresários, comerciantes e outros empreendedores, que Curitiba é modelo de cidade no trânsito. Agora, o prefeito tenta oferecer uma alternativa de convivência mais humana no trânsito de Campos e assistimos esses atos de vandalismo. É inaceitável esse comportamento de uma minoria de comerciantes. Querem que Campos continue sendo a vanguarda do atraso — sentenciou o economista José Alves de Azevedo Neto.
— Após minha publicação sobre o assunto das ciclofaixas, recebi essa informação de um representante da Prefeitura: “Sem qualquer tipo de acirramento, gostaria de contribuir com uma informação. As ciclofaixas estão previstas no Plano Municipal de Mobilidade Urbana, Lei Municipal nº 9137/2022, e foram realizadas audiências públicas sobre o mesmo na Câmara de Vereadores no ano passado. A ação de implantação acontece agora, mas já esteva prevista desde 2021, quando o plano foi elaborado e passou por contribuições da sociedade civil e dos vereadores” — informou o servidor federal, jornalista e blogueiro Edmundo Siqueira.
— De todos os que opinaram, quantos participaram das reuniões e das audiências públicas de elaboração e conclusão do Plano de Mobilidade? — cobrou o arquiteto urbanista Renato Siqueira.
— Se a implantação de ciclovias em diversos países “avançados” não servir de exemplo, realmente não sei o que serve. Talvez aqui em Campos seja tudo ao contrário — lamentou o advogado Humberto Nobre.
— As ruas e os espaços públicos não são garagem e pertencem a todos os cidadãos (…) Pelo bem da cidade, não vamos recuar no plano de mobilidade urbana que Campos precisa para melhorar a qualidade de vida do nosso povo”, disse o prefeito Wladimir Garotinho através das redes sociais — atualizou a matéria do protesto o jornalista Éder Souza, editor do Folha1.
— Ando de carro e de bike pela cidade e penso que está melhor (com as novas ciclofaixas). A única dificuldade vai ser a população respeitar. O fato é que isso veio para ficar. As pessoas vão ter que se acostumar. Cada um tem o direito de gostar e não gostar. Sair da zona de conforto não é fácil. Todos dizem que Campos é uma cidade de tradição ciclística. Chegou a hora de provar. Sou adepto da bike e estou gostando! — testemunhou o publicitário Robson Lessa.
Felipe Fernandes, filmmaker publicitário e crítico de cinema
Por Felipe Fernandes
Estrategista, conquistador, cônsul, imperador. Napoleão Bonaparte é uma das figuras históricas mais famosas, mas é como general que ele é constantemente lembrado, muito por suas estratégias e vitórias, que o fizeram posteriormente Imperador da França. O cinema é responsável por parte dessa fama. São vários os filmes que direta ou indiretamente abordam a vida de Napoleão, passando inclusive por uma lendária produção que Stanley Kubrick nunca conseguiu tirar do papel.
Agora, chega aos cinemas Napoleão, cinebiografia do líder francês, dirigido por Ridley Scott e que traz o vencedor do Oscar Joaquin Phoenix encarnando o protagonista, em um longa grandioso, que busca um olhar diferente para o personagem e abordar diversos segmentos de sua intensa e controversa história.
O roteiro de David Scarpa traz um recorte de Napoleão planejando sua ofensiva contra o cerco inglês em Toulon, vitória que lhe rendeu o título de general, até o fim de sua vida no exílio. Cronologicamente não é muito tempo, mas dada a intensidade de sua história, o roteiro tenta lidar com muita coisa, usando como foco principal a relação de Bonaparte com sua primeira esposa, Josephine.
Utilizando como base as cartas do protagonista para a Imperatriz, o longa busca construir o personagem por meio de sua intimidade com sua esposa, uma proposta até ousada, mas que não funciona. A química entre Joaquin Phoenix e Vanessa Kirby não existe e o longa dispensa muito de seu tempo em um romance conturbado, que não cativa e não agrega muito à história, deixando em segundo plano questões políticas e até mesmo militares, espaço onde Napoleão fez sua fama.
Quando não se utiliza de cartelas para estabelecer seu contexto e período histórico, uma escolha preguiçosa e pouco elegante, o filme faz uso de diálogos expositivos para estabelecer a questão temporal. Nesse sentido, o filme é realmente uma bagunça. A montagem é problemática, algumas cenas parecem jogadas e passam a sensação de terem sido cortadas ao meio. Essa sensação é muito forte nas cenas no Egito, um período muito mal explorado pelo filme.
Ridley Scott já anunciou uma versão de 4 horas que vai sair direto no streaming da Apple. Uma decisão recorrente na carreira do diretor, mas que ao ser anunciada na mesmo na época de seu lançamento nos cinemas, certamente vai prejudicar a bilheteria do próprio filme e principalmente, vai contra todo o movimento que Hollywood vêm fazendo para que o público retorne aos cinemas. Talvez essa “versão do diretor” corrija muito dos problemas de montagem do longa e consiga abordar melhor questões que ficaram em segundo plano no corte para os cinemas,
A fotografia do polonês Dariusz Wolski (parceiro habitual de Scott) traz várias cenas bem escuras e trabalha cores saturadas, tirando a vivacidade e criando um aspecto desgastado que é eficiente em ressaltar a miséria do período, mas se torna esteticamente pobre. O design de produção é muito rico, repleto de detalhes que reproduzem de forma impressionante a época retratada.
O filme retrata cinco batalhas, que englobam o período histórico abordado dentro da narrativa. As cenas, apesar de serem razoavelmente curtas (com exceção do clímax), são o ponto alto da produção. A primeira delas traz inclusive um Napoleão inseguro, nervoso, uma escolha interessante que humaniza o personagem e contrasta com a imagem prévia que o espectador têm de um comandante seguro e implacável. Ao contrário do restante do longa, as batalhas são intensas e surpreendentemente violentas. Com um bom ritmo e bem dirigidas, as sequências no campo de batalha acabam por se provar um pouco do que poderia ter sido o longa.
Napoleão de Ridley Scott é uma cinebiografia que peca por sua abordagem, não conseguindo construir um personagem complexo e interessante, fugindo dos principais temas da história do protagonista. Ao usar a relação do protagonista com a Imperatriz como base, o filme busca um olhar diferente sobre uma figura conhecida, uma decisão que faz sentido, mas que naufraga em sua condução.