Natal vira inferno com “rolezinho” na Campos sem LOA e com Enel

 

Com dezenas de motos, planejamento em redes sociais e até pistola 9mm com 18 munições e numeração raspada, dezenas de jovens transformaram em inferno as últimas quatro noites de Natal de mais de 500 mil campistas (Fotos: Reprodução de vídeo)

 

 

“Rolezinho”: Natal virou inferno

O Natal virou inferno. É o que Campos vive desde 2020 (relembre aqui e aqui), na virada da noite em que se celebra o nascimento de Jesus. Quando uma cidade de mais de meio milhão de cidadãos vira refém de algumas dezenas de jovens. Que, com motos de escapamento aberto, aceleram, buzinam e as empinam pelas ruas e avenidas da cidade. A Polícia Militar, a Guarda Civil Municipal, o IMTT e o Ministério Público têm se mostrado ineficazes para combater o chamado “rolezinho”. Como seus integrantes, além de planejarem, gravam e exibem imagens dos seus “feitos” nas redes sociais, um pouco de inteligência do Poder Público seria mais eficaz que a simples repressão.

 

Confira nos vídeos abaixo os flagrantes da noite de Natal de 2023:

 

 

Coisa de bandido!

Este ano, embora insuficiente para impedir que Campos fosse mais uma vez aterrorizada na noite de Natal, uma ação da PM revelou (confira aqui) a verdadeira face do problema. Não apenas direção perigosa, perturbação do sossego, licenciamento atrasado, falta de CNH, de placa e acessórios obrigatórios, como farol, retrovisor e capacete. Uma moto em alta velocidade, das tantas que infernizaram a cidade, foi interceptada na avenida São Fidélis, no Parque Nova Brasília. Seu condutor portava uma pistola calibre 9mm, com 18 munições e numeração raspada. O que extrapola qualquer rebeldia juvenil em busca de atenção. É coisa de bandido!

 

Confira nos vídeos abaixo mais flagrantes da noite de Natal de 2023:

 

 

A esquerda e a ironia

Bandido bom não é bandido morto. Mas tem que ser tratado com todo o rigor da lei. Parte da esquerda atribui o problema ao jovem da periferia. Cuja minoria generaliza para tentar relativizar o terror imposto à cidade. Nas ruas e dentro das residências invadidas na noite de Natal pelo buzinaço e aceleração de motos com escapamento aberto, imitando dolosamente o barulho de tiros. Ironicamente, foi um desses mesmos vândalos de moto que roubou e quebrou (relembre aqui) a bandeira de uma militante de Lula, xingando o então candidato a presidente. Foi em 21 de outubro de 2022, no cruzamento das avenidas José Alves de Azevedo e 28 de Março.

 

Confira no vídeo abaixo a ação política dos vândalos de moto em 2022:

 

Contra as ciclofaixas, comerciantes incendiaram pneus para fechar a rua Barão de Miracema em 1º de dezembro (Foto: Redes sociais)

A direita e a ironia

No mesmo tipo de generalização que confunde minoria com regra, parte da direita atribui o “rolezinho” aos motoboys. Que, realmente, cometem abusos diários no trânsito de Campos. Incentivados pela mesma falta de fiscalização do Poder Público. Como são os pais de classe média e classe média alta que param o carro em fila dupla na rua, em frente às escolas particulares, para deixarem e buscarem os filhos. Ou os comerciantes que atearam fogo em pneus para fecharem (confira aqui) a rua Barão de Miracema, em 1º de dezembro, em protesto contra a instalação de ciclofaixas. Que lhes tiraram a via pública como estacionamento privado.

 

Novela da LOA

Entrevistado ontem no Folha no Ar, o vereador de oposição Helinho Nahim (de mudança ao PL) disse que não há data para colocar em votação a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024. Mais tarde, na sessão da Câmara, o presidente de oposição Marquinho Bacellar (SD) repetiu a na tribuna: enquanto o prefeito Wladimir Garotinho (PP) não se sentar para conversar com a oposição sobre o que considera erros do governo na proposta na LOA, esta não entra em pauta. A oposição não detalha os erros. O governo diz não existirem. Sem erro, Wladimir tem hoje, em qualquer votação, a maioria de 15, talvez 16 votos, contra apenas 9 da oposição.

 

Apoe e o dedo na ferida

Helinho também garantiu na Folha FM 98,3, que nenhuma instituição de assistência do município será afetada pela não votação da LOA. Presidente da Apoe, além de advogada com a experiência de ex-procuradora da Câmara de São João da Barra, Pryscila Marins tem opinião diferente. No Folha no Ar da última quinta (21), ela foi taxativa (confira aqui): “Não é questão de estar ou não estar do lado do prefeito, é questão de estar do lado do povo. Se uma decisão vai impactar a população, não é porque eu sou da oposição que eu vou continuar com uma postura inflexível. Essa queda de braço não ajuda o político A ou o político B, ela prejudica o povo”.

 

Pryscila Marins, advogada e presidente da Apoe, uma das 13 instituições de assistência de Campos que podem sofrer as consequências da não votação da LOA (Foto: Divulgação)

 

Audiência, CPI e judicialização

Helinho e Marquinho também criticaram a CDL-Campos. Que hoje, às 17h, sedia a audiência pública marcada por Wladimir e convocada em Diário Oficial, necessária à votação da LOA do ano eleitoral. Aparentemente, o caminho escolhido pelo governo é a judicialização. Na certeza de que quem perde é a população, difícil prever quem vencerá essa disputa. O Judiciário, por exemplo, em 8 de novembro suspendeu (confira aqui) a CPI da Educação da oposição em decisão liminar da 4ª Vara Cível de Campos. E, em 18 de dezembro, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) derrubou (confira aqui) a liminar e liberou a CPI. O governo recorre e, na defensiva, aguarda.

 

Enquanto a Casa do Povo passou por cima do pedido de CPI da Enel, o péssimo serviço da concessionária deixou as comunidades de Itereré e da Linha com o Natal sem luz elétrica, provocando protestos na RJ 158 e na BR 101 (Fotos: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

A Enel, o povo e a Casa do Povo

No mesmo 10 de outubro em que anunciou (confira aqui) o fim da pacificação com os Garotinhos, Marquinho tirou da caixa de ferramentas a CPI da Educação. Questionada porque o presidente pulou três pedidos anteriores de CPI, sem apreciação. Entre eles, o pedido de CPI da Enel, feito pelo líder governista Álvaro Oliveira (PSD). Ontem, pelos péssimos serviços prestados pela Enel, moradores da comunidade de Itereré fecharam pela manhã (confira aqui) a RJ 158, em protesto. À tarde, moradores da comunidade da Linha fecharam (confira aqui) a BR 101 pelo mesmo motivo. Revoltados pelo Natal sem luz, essas parcelas do povo campista não têm representação na Casa do Povo de Campos.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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A prefeito de Campos em busca dos votos de Bolsonaro

 

No e além do binarismo direita e esquerda a prefeito de Campos em 2024: Jair Bolsonaro, Wladimir Garotinho, Clodomir Crespo, Alexandre Buchaul e Filippe Poubel; Rodrigo Bacellar, Marquinho Bacellar, Carla Machado, Luiz Inácio Lula da Silva e CVC Direita Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Direita em Campos a prefeito

Derrotado nacionalmente pelo presidente Lula (PT) na eleição duríssima de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve naquele segundo turno 171.999 votos em Campos (63,14% dos válidos). Na busca desse espólio considerado da direita no município, o pleito à Prefeitura em 2024 apresenta vários pré-candidatos. Além do próprio prefeito Wladimir Garotinho (PP), que declarou voto em Bolsonaro (confira aqui) no segundo turno de 2022 e promoveu para ele (confira aqui) uma grande carreata em Campos, o empresário Clodomir Crespo (DC), o odontólogo Alexandre Buchaul (Novo) e até o deputado estadual bolsonarista Fillipe Poubel (PL), que é de Maricá.

 

Clodomir Crespo

“É preciso pensar na Prefeitura de Campos como empresa, qualificar a prestação de serviço, com o cidadão como cliente e patrão do Poder Público. Sou de direita, não de extrema-direita, mas precisamos acabar com essa mentalidade da esquerda, de que o empresário é o vilão da sociedade. Quando é ele que gera os empregos e as divisas que sustentam a máquina pública. Paga impostos e quer retorno. Sou empresário e produtor rural, ando o município todo. E não vejo esse retorno sendo dado pelo governo Wladimir”, alfinetou Clodomir. Que assumiu (confira aqui) a DC em Campos, onde está em fase de acabamento a nova sede da legenda, no centro da cidade.

 

Alexandre Buchaul

“Muitos políticos se colocaram como ‘de direita’, sem nem saber do que se trata, por mera conveniência eleitoral ditada por pesquisas. Conservadora e de direita, tendo dado votos majoritariamente a Bolsonaro, Campos foi palco desse oportunismo e é órfã de representação verdadeiramente de direita. A minha pré-candidatura a prefeito pelo Novo vem justamente oferecer uma alternativa que traga os valores do partido: liberdade, respeito à livre iniciativa, respeito ao empreendedor que gera riquezas, um governo enxuto, com transparência e eficiente, com menos impostos e mais empregos”, enumerou (confira aqui) Alexandre Buchaul.

 

Filippe Poubel

Embora de Maricá, da Zona Metropolitana do Rio de Janeiro, o deputado Filippe Poubel não descarta entrar (confira aqui) no debate sobre a Prefeitura de Campos. “Não é de hoje que tenho olhar atento para Campos. Na pandemia da Covid, quando o prefeitinho (Wladimir) era deputado federal e aliado do então governador Witzel, quem defendeu o povo de Campos e mostrou aquele hospital fantasma de campanha na 28 de Março fui eu. Entrei naquela tenda e mostrei a verdade à população de Campos. E agora estou novamente fiscalizando e descobrindo absurdos, como médico fantasma que ganha de Campos e atende na Bahia”, denunciou.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Bacellar x Garotinhos a prefeito

Diferente de Wladimir, Clodomir e Buchaul, a maior ligação de Poubel com Campos é ser aliado político do presidente campista da Alerj, o deputado Rodrigo Bacellar (União). Que, apesar da origem sindical da família, também apoiou Bolsonaro a presidente em 2022. E cujo grupo encomendou uma pesquisa Iguape em julho de 2023. Que confirmou (confira aqui) o favoritismo de Wladimir à reeleição em 2024, talvez ainda no primeiro turno, com 55,4% das intenções de voto na consulta estimulada. Enquanto Marquinho Bacellar (SD), presidente da Câmara Municipal e irmão de Rodrigo, ficou em terceiro, com apenas 3,1% das intenções de voto.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Marquinho fora?

Outro dado negativo aos Bacellar, na pesquisa que encomendaram, em seu antagonismo histórico com os Garotinho, foi a aprovação do governo Wladimir. Que, em julho, era de 74,7%, divididos entre 12,6% de ótimo, 38,5% de bom e 23,6% de regular positivo. A mesma pesquisa deu 38,6% de reprovação popular à Câmara Municipal presidida por Marquinho, aprovada por 35,5%, com 26% que não souberam responder. Como nada indica que isso mudou nos seis meses seguintes, até este final de dezembro, o nome do presidente da Câmara teria sido internamente descartado na disputa à Prefeitura, daqui a pouco mais de 9 meses.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Carla à esquerda e dentro?

Os Bacellar buscaram alternativas para tentar enfrentar o favoritismo de Wladimir. Em 5 de outubro, incentivada por Rodrigo, a também deputada estadual Carla Machado trocou seu domicílio eleitoral (confira aqui) de São João da Barra para Campos. Mesmo que toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) digam que ela (confira aqui) não possa vir a prefeita em Campos em 2024, após já ter sido reeleita a prefeita de SJB em 2020, Carla teve o voto de 17.936 campistas quando se elegeu à Alerj em 2022. Mas o fato de ter sido pelo PT, e em apoio a Lula, evidencia como direita e esquerda não têm nada a ver com esse jogo.

 

CVC Direita Campos

Cinco dias após a troca do domicílio eleitoral de Carla, Marquinho anunciou em 10 de outubro (confira aqui) o fim da “pacificação” com Wladimir. E 11 dias depois, em 21 de outubro, a Câmara promoveu (confura aqui) uma audiência pública com Poubel e outros deputados bolsonaristas aliados de Rodrigo, que foram ao Hospital Geral de Guarus (HGG) denunciar médico ausente. Ex-assessor parlamentar de Poubel, CVC Direita Campos foi citado nas pesquisas de 2023 (confira todas aqui) a prefeito. E, ouvido esta semana pela coluna, ele disse: “Não serei pré-candidato a prefeito em 2024; a vereador, sim”. CVC pode ter cedido espaço em Campos ao político de Maricá que o empregou na Alerj.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Empresário Clodomir Crespo assume DC e se lança a prefeito

 

José Maria Eymael e Clodomir Crespo (Foto: Divulgação)

 

O empresário e produtor rural Clodomir Crespo vai assumir a Democracia Cristã (DC) em Campos, pelo qual se coloca como prefeitável em 2024. O objetivo, como de outros nomes da direita e centro-direita goitacá, incluindo o próprio prefeito Wladimir Garotinho (PP), é disputar em outubro os 171.999 votos (63,14% dos válidos) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve em Campos no 2º turno presidencial de 2022. Quando, como indicavam todas as pesquisas, o capitão foi derrotado nacionalmente pelo presidente Lula (PT).

 

Nova sede da DC no Centro de Campos, já em fase de acabamento (Foto: Divulgação)

 

Presidida nacionalmente pelo ex-deputado federal José Maria Eymael, a DC terá com Clodomir uma nova sede na cidade, já em fase de acabamento, ao lado da Faculdade de Direito de Campos (FDC). Além do empresário e de Wladimir, a direita goitacá tem outros potenciais prefeitáveis a 2024: o odontólogo Alexandre Buchaul (Novo) e até a inusitada possibilidade do deputado estadual bolsonarista Fillipe Poubel (PL).

SALADA DE FRUTAS REGIONAL E IDEOLÓGICA — De Maricá, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Poubel surgiu no cenário campista por ser aliado do presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União). Opositor de Wladimir, ele também tenta trabalhar a prefeita de Campos o nome de Carla Machado. Que foi prefeita reeleita na São João da Barra de 2020, o que a deixaria inelegível para concorrer a prefeita pela terceira vez consecutiva, e deputada estadual eleita em 2022 pelo PT de Lula.

 

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Campos travada na Câmara e para 2024 no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-deputado federal, ex-presidente da Câmara Municipal de Campos advogado e servidor federal, Marcão Gomes (PL, de mudança ao MDB) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (22), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre Campos travada (confira aqui, aquiaqui e aqui) com a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024 na Câmara Municipal.

Marcão também analisará sua aproximação com o grupo político do prefeito Wladimir Garotinho (PP), contra quem fez oposição no passado e junto ao qual é pré-candidato a vereador, quando deve enfrentar do lado oposto o ex-aliado e ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), no grupo do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União). Por fim, com base nas pesquisas de 2023 (confira aqui e aqui), ele tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nas páginas da Folha FM 98,3 no Facebook e no Instagram.

 

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LOA travada na Câmara e eleição 2024 no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Advogada e presidente da Associação de Proteção e Apoio ao Excepcionais (Apoe), Pryscila Marins é a convidada do Folha no Ar desta quinta (21), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela falará sobre as possíveis consequências à Apoe e outras instituições de assistência de Campos (confira aqui, aquiaquie aqui) com o travamento da votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024 na Câmara Municipal.

Advogada com experiência eleitoral, Pryscila também analisará juridicamente a pré-candidatura à prefeita de Campos em 2024 da deputada estadual Carla Machado (PT), na condição (confira aqui e aqui) de ex-prefeita já reeleita de São João da Barra em 2020. Por fim, com base nas pesquisas eleitorais de 2023 (confira aqui e aqui), ela tentará projetar as eleições a prefeito nos dois municípios.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nas páginas da Folha FM 98,3 no Facebook e no Instagram.

 

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Presidente eleito da ACL no Folha no Ar desta quarta

 

(Arte: Eliabe de Souza)

 

Presidente eleito da Academia Campista de Letras (ACL) e escritor, Ronaldo Júnior é o convidado desta quarta (20) do Folha no Ar, ao vivo a partir das 7h, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre o legado e a sucessão na presidência da ACL.

Ronaldo também analisará a importância da ACL na vida cultural do município. E tentará, com base nas pesquisas de 2023, projetar as urnas de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nas páginas da Folha FM 98,3 no Facebook e no Instagram.

 

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William Passos — Campos e o petróleo no PIB do Brasil

 

(Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

PIB 2021 dos municípios da Bacia de Campos

Por William Passos

 

Maricá, que se tornou o 8º Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, foi o município cuja economia mais cresceu no país entre 2020 e 2021, registrando ganho de participação no PIB de 0,5 ponto percentual (p.p.) e alcançando um volume, a preços correntes, de R$ 85,8 bilhões. Na sequência, Saquarema, com crescimento de 0,3 p.p.; Niterói, com +0,2 p.p.; e Campos dos Goytacazes, com +0,1 p.p., mesmo resultado do município paulista de São Sebastião, foram os municípios que mais cresceram economicamente no Brasil.

Os números são do PIB dos Municípios Brasileiros 2021, divulgado na última sexta (17), pelo IBGE. E foram tabulados por William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE. Com isso, no Estado do Rio de Janeiro, o PIB de Saquarema (28º do Brasil) encerrou o ano de 2021 totalizando um volume, a preços correntes, de R$ 42,2 bilhões. O PIB de Niterói encerrou 2021 com o total de R$ 66,3 bilhões (13º do Brasil) e o de Campos foi a R$ 37,2 bilhões (31º do Brasil).

De acordo com a avaliação do Nuperj/Uenf, (Núcleo de Pesquisa Econômica do Estado do Rio de Janeiro), coordenado pelo professor e economista Alcimar das Chagas Ribeiro e que também conta, em sua equipe, com a participação do economista José Alves de Azevedo Neto, os municípios que mais cresceram no Brasil foram exatamente os maiores produtores de petróleo das bacias de Campos e de Santos. Cuja produção econômica ocorre nas plataformas marítimas costeiras, localizadas na plataforma continental.

A riqueza do petróleo materializa-se na economia dos “municípios produtores” sob a forma das receitas extraordinárias do petróleo; isto é, royalties e participações especiais (PEs) sobre a produção na plataforma continental. As exceções ficam por conta dos municípios que abrigam as bases de apoio à produção. No caso fluminense, Macaé e Rio das Ostras — onde se localizam as empresas do complexo de exploração e produção da Bacia de Campos. Além de São João da Barra, onde se localiza o importante Porto do Açu, um dos maiores da América Latina em volume de movimentação de cargas.

Entretanto, dos três municípios, apenas Macaé apareceu entre as 100 maiores economias do país em 2021, situando-se na 76ª colocação, com o PIB total de R$ 17,7 bilhões. São João da Barra (PIB total de R$ 9,9 bilhões), por sua vez, embora não tenha se posicionado entre os 100 maiores PIBs do Brasil, alcançou a condição de 24º PIB per capita do país, com uma riqueza somando R$ 269 mil por habitante. Também no ranking dos 100 PIBs per capita do Brasil, Quissamã alcançou posição de destaque, situando-se como o 34º colocado no país, ou R$ 235 mil por habitante.

Rio das Ostras, entretanto, não se destacou entre os 100 maiores PIBs em valores absolutos. Com PIB total de R$ 8,9 bilhões, não ficou nem entre os 100 maiores PIBs per capita, com R$ 56 mil por habitante.

O petróleo é um recurso finito e suas receitas extraordinárias são temporárias. Por isso, há a necessidade de diversificação da estrutura econômica dos municípios litorâneos fluminenses, solução que passa pelo aumento do investimento das prefeituras, pela dinamização da economia local já estabelecida e pela atração de novos investimentos.

Em julho de 2023, o Nuperj/Uenf apresentou à sociedade o Índice de Dinâmica Local (Indel), que se propõe a medir a dinâmica econômica local de cada município. O Indel utiliza cinco variáveis: investimento público municipal, arrecadação do ICMS, emprego e renda no comércio, movimentação bancária e a vulnerabilidade social, que inclui a população em situação de pobreza.

— Gostaria de chamar a atenção para a economia de Campos, contabilizada entre os PIBs que mais cresceram no Brasil em 2021. É muito importante que este resultado seja recebido como um alerta. O posicionamento de Campos no ranking do PIB nacional é fruto muito mais da produção de petróleo e gás na plataforma continental do que do dinamismo da economia territorial do município. Por isso, a necessidade de se pensar, debater e operacionalizar uma alternativa econômica para o município e a região. Felizmente, temos muitas potencialidades. Penso que o momento é o da construção coletiva, o que passa pela necessidade de escuta da sociedade civil. E não somente ela — sugeriu William.

 

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PT na Campos e SJB de 2024 no Folha no Ar desta terça

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Presidente do PT em Campos, a professora e ex-vereadora Odisséia Carvalho é a convidada do Folha no Ar nesta terça (19). Ela falará dos pré-candidatos do PT a prefeito de Campos, dentro da jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbem (confira aqui e aqui) a figura jurídica do “prefeito itinerante”.

A ex-vereadora também falará da formação da nominata do PT, com PCdoB e PV pela Federação, na disputa de uma cadeira na Câmara Municipal, hoje, sem nenhuma mulher. Por fim, com base nas pesquisas eleitorais de 2023, ela tentará projetar as eleições a prefeito de Campos (confira aqui) e São João Barra (confira aqui) em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nas páginas da Folha FM 98,3 no Facebook e no Instagram.

 

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Lucas Barbosa — “Taxi Driver” entre fantasia e a realidade

Assisti a “Taxi Driver” (1976) a primeira vez em maio de 1982. Em contexto de cinema catástrofe, a metalúrgica mineira Paraibuna Metais derramou material tóxico no rio Paraíba do Sul. A captação de água foi interrompida em Campos e parte das suas crianças foi evacuada para outras cidades.

Entre essas crianças, fui parar na praia de Itaipu, na minha Niterói natal. Onde, na casa do meu tio paterno Luiz Edmundo Barbosa, ele reservou um quarto e uma TV só para mim. Com esse luxo até então inédito ao menino de 9 anos, e sem aula no dia seguinte, assistir filmes no Corujão da Globo passou a ser o dever de casa.

Foi numa dessas madrugadas insones, diante da TV, que topei com o taxista Travis Bickle, em sua composição visceral por um jovem Robert De Niro. Em meio à decadência despida de qualquer elegância, pela visão de Martin Scorsese, da Nova York dos anos 1970. E o cinema ao menino de 9 anos, entre aquele ator e aquele diretor, ganhou outro significado a partir dali.

Não mais apenas entretenimento, só o contar histórias com luzes e som. A maneira como a história é contada passou a ser também muito importante. Como as referências em De Niro e Scorsese se reforçariam nas quatro décadas seguintes, em outros trabalhos conjuntos ou separados.

Daquele primeiro encontro numa madrugada de maio de 1982, o menino passaria por seu período formativo e chegaria à meia-idade com uma certeza, sobre si e seu semelhante, dentro e fora das telas. Que seria melhor definida neste 2023 por um jovem de 21 anos: “Na verdade, todo mundo tem um pouco, em maior ou menor escala, de Travis Bickle”.

Estudante de Letras do IFF, Lucas Barbosa assistiu a “Taxi Driver” pela primeira vez aos 15 anos. E, meia dúzia de anos depois, escreveu aquela que considero, sem favor, a melhor crítica que já li sobre esse clássico do cinema. Cuja atemporalidade ele soube identificar na alienação e no sentimento de impotência que continua a produzir tantos “Travis Bickle”.

Da retina de De Niro, o olhar fixo entre a fantasia e a realidade parece ter cruzado essa ponte. Com o “homem do subsolo” entre os invasores do Capitólio, na Washington de 6 de janeiro de 2021, ou da Praça dos Três Poderes em Brasília, em 8 de janeiro de 2023. Pela arte que imita a vida e às vezes a vaticina, vale muito a pena conferir a análise de Lucas:

 

 

Lucas Barbosa, estudante de Letras do IFF e crítico de cinema

Taxi Driver — Olhar entre a fantasia e a realidade

Por Lucas Barbosa

 

Demandas e revoltas de todos os tipos de pessoas devem ser ouvidas e ponderadas, mesmo que suas soluções nem tanto. Talvez seja o ponto político principal de “Taxi Driver”. Um olhar que busca uma aproximação direta com o sentimento causado pela desinformação e alienação político/social. Uma alienação geral, um sentimento de impotência política, tristemente relacionável, e digo mais, atemporal. O primeiro plano do filme, ainda nos créditos iniciais, é o carro se aproximando de forma que invade o plano em meio a fumaça.

Talvez não funcionasse bem em outro lugar se não Nova York. O “coração” do mundo é corrompido por problemas sociais, especialmente a violência. E temos em nosso protagonista um homem limitado, traumatizado e inadequado, um retrato de um EUA pós Vietnã. Travis Bickle é um pária, mas pior, ele é um avatar das demandas que exigem um imediatismo. Um observador dos problemas sociais, com dificuldade de apontá-los, imagine então resolvê-los. Como um pária, ele não tem valor político. Não se encaixa com a mulher por quem se apaixona. Betsy tem vasto capital cultural, além de ser politizada, mais do que isso, engajada. A falta de tato social de Travis o afasta de Betsy. A solidão misturada ao ressentimento, tudo o leva a mirar suas frustrações em problemas complexos demais a serem resolvidos. As pessoas politizadas não apresentam uma solução, a seu ver, funcional para a sujeira das ruas, mas a violência sim.

Eis aqui a grande sacada do filme, aproximar-nos desse sujeito doente. Ele nos faz simpatizar com Travis, visto o respeito de Scorsese a essa figura. A célebre cena em que ele fala com Betsy no telefone e a câmera simplesmente decide não filmá-lo nesse momento íntimo, ou mesmo o fato que nunca o deixamos de lado, Scorsese nos faz ouvir suas demandas e revoltas, mas nunca abrindo mão de condenar seus atos. No caso, o respeito não é especificamente a Travis, mas sim com o tipo de cidadão, ou melhor, revolta que ele representa. O que só conhece a sujeira que tanto odeia, e que por se camuflar nela (afinal é onde vive e trabalha, com o turno da noite sempre sendo pior), é afastado com repulsa, e com toques de superioridade, por aqueles que realmente poderiam o ajudar e efetivamente possibilitar uma solução aos seus problemas.

Travis é um reflexo da hipocrisia social e o desejo pelo imediatismo. Após a barbárie, antes condenada pela sociedade, Travis ganha o status de herói local. Os mesmos que te derrubam, são os que te levantam. Por isso o final aberto a interpretações ganha com a ideia de realidade. Acaba sendo essa hipocrisia cuspida e escarrada na nossa cara. Mas a ideia de ser um sonho também é adoçada pelo filme. Afinal, existe nele a todo o momento uma lógica onírica, que busca captar o ponto de encontro da fantasia (devaneios heroicos) com a realidade. Aquela sensação entre estar no linear do dormindo e o acordado. “Tenho insônia” esse é o homem solitário de deus. Aquele que não dorme oprimido pela solidão e pelas luzes vermelhas do perigo social. O sonho americano contemporâneo, isso é o que Travis acaba sendo. “Um homem de ação”, que é algo que todos já tentaram ser de uma forma ou de outra. Na verdade, todo mundo tem um pouco, em maior ou menor escala, de Travis Bickle.

Paul Schrader tem um mérito e tanto por conseguir captar esse espírito, e compactá-lo em um roteiro atemporal, mas esse filme não seria nada sem Scorsese. “É um filme muito pessoal, mesmo que eu não o tenha escrito”. Toda cena tem uma história sendo contada, tem algum traço de Travis, e consequentemente social, sendo exposto. Existe honestidade, uma preocupação genuína com a emoção, mas também, talvez de forma contraditória, com a realidade. Há um senso de paranoia nos movimentos de câmera, um lado opressor que é captado pela cidade. Michael Chapman dá ao filme uma luz vermelha, um perigo, um sinal de atenção pulsante em tudo, principalmente em quem é o próximo a entrar no carro. E na grande cena final, após a explosão catártica de violência, nos resta a câmera etérea passeando pelas mortes. Resta o julgamento, proporcionado pela visão de cima que Scorsese nos proporciona. Um olhar quase de Deus, que tenta ser imparcial. Finalmente um olhar que não é o de Travis.

Outro forte pilar é Robert De Niro e seus olhares fixos. De fato, tem uma corporalidade invejável para qualquer ator, mas principalmente um vazio distante que transparece na fala, na movimentação, e mais ainda no olhar. O olhar de Travis é a coisa mais importante aqui em todos os sentidos possíveis. Um olhar entre a fantasia e a realidade, como já dito. Não arrisco dizer ser o melhor trabalho de De Niro, afinal, é difícil dizer com um currículo como o dele, mas posso, sem nenhum peso, afirmar que se trata de minha performance favorita do mesmo. Uma representação quase perfeita do homem do subsolo.

A trilha de Bernard Herrmann é um show que em muito sintetiza essa sensação contraditória. Melódica, com traços que lembram um jazz, mas que em momentos encontra uma pulsão vibrante. Um lado de tormento e atenção, um tiroteio em notas musicais, e o tanto que isso agrega no filme é imensurável.

É impossível tentar sintetizar o quanto esse filme é importante, mas mais difícil é sintetizar todas as sutilezas de seu poderoso discurso social. Ao mesmo tempo um retrato do social e do individual, de uma época especifica e do atemporal. Talvez aqui se encaixe bem a música de Kris Kristofferson usada para descrever Travis. No fim, é a síntese perfeita para descrever o filme em si: “Ele é um profeta, ele é um traficante. Parte verdade e parte ficção, uma contradição ambulante.”

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Com chance de Rafael a vereador, Cidadania com Bacellar

 

Rodrigo Bacellar vai às eleições de Campos com o Cidadania de Rafael Diniz, o PL de Helinho Nahim, o Solidariedade de Marquinho Bacellar e o União Brasil de Rogério Matoso (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Presidido em Campos pelo ex-prefeito Rafael Diniz, o Cidadania também deve compor as nominatas do grupo do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), à disputa das eleições municipais de 2024. O partido tem o vereador Fred Machado, em busca de reeleição, e está federado com o PSDB, que não conquista uma cadeira na Câmara Municipal há várias legislaturas. A depender da decisão do grupo, Rafael também pode voltar a disputar a vereador, eleição que ganhou em 2012, antes de se eleger prefeito em 2016.

Assim, no enfrentamento eleitoral com o grupo político do prefeito Wladimir Garotinho (PP) e os demais da cidade, o grupo dos Bacellar também terá o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro. Que, como o blog adiantou ontem (confira aqui), será assumido em Campos pelo vereador Helinho Nahim. Assim como o Solidariedade de Marquinho Bacellar, presidente da Câmara, e do União de Rodrigo municipalmente com o edil Rogério Matoso.

Há a possibilidade de Rodrigo atrair também o PDT, junto ao seu xará Rodrigo Neves, ex-prefeito de Niterói. Enquanto o PSD do vereador Bruno Vianna, aliado dos Bacellar, permanece uma incógnita, pela aproximação recente do deputado federal Caio Vianna com Wladimir. E pela posição do presidente estadual da legenda, Eduardo Paes, prefeito do Rio candidato à reeleição. Que tem disputado espaço na capital do estado com o presidente da Alerj.

 

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Blefe ou ás na manga? Carla em Campos e Caio em SJB

 

Carla Machado, Caio Vianna, Wladimir Garotinho, Rodrigo Bacellar e Carla Caputi (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Toda ação provoca uma reação igual e em sentido contrário”. Terceira Lei de Newton, serve para explicar do universo à política humana. À tentativa do grupo dos Bacellar de lançar a deputada estadual Carla Machado (PT) à prefeita de Campos, os Garotinhos responderam com a possibilidade de lançar o deputado federal sazonal (confira aqui) Caio Vianna (PSD) prefeito de São João da Barra.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

WLADIMIR E CAPUTI FAVORITOS — Na prática, nenhum dos dois movimentos tem garantia de emplacar. Nem parecem capazes de afetar o grande favoritismo que os prefeitos dos dois municípios, respectivamente, Waldimir Garotinho (PP) e Carla Caputi (sem partido), têm em todas as pesquisas divulgadas (confira aqui e aqui) para se reelegerem em outubro de 2024. Mas as movimentações políticas entre os dois municípios, a favor e contra a corrente do Paraíba do Sul, têm gerado marolas no leito do rio.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

CARLA E CAIO A CAMPOS 2024 — Em duas pesquisas eleitorais recentes, uma feita em novembro pelo instituto Análise, pelo grupo dos Bacellar, e outra feita na semana passada pelo instituto GPP, pelo grupo dos Garotinhos, os números não foram divulgados. Mas, em ambas, Carla Machado já apareceria à frente de Caio Vianna nas intenções de voto pela Prefeitura de Campos.

CARLA E CAIO NA CAMPOS DE 2022 — Em 2022, quando renunciou ao mandato de prefeita de SJB e se elegeu deputada estadual, Carla teve os votos de 17.936 campistas. Sendo de Campos e tendo disputado um segundo turno duríssimo a prefeito em 2020 com Wladimir, Caio teve a deputado federal em 2022 os votos de 27.706 campistas. As pesquisas dos Bacellar e Garotinhos em novembro e dezembro de 2023 sugerem que esses números, a prefeito de Campos em 2024, são diferentes. E que a vantagem entre os dois, hoje, seria de Carla.

POR QUE ESCONDER NOVAS PESQUISAS? — Provavelmente, os Bacellar não divulgaram a sua pesquisa porque a vantagem de Wladimir à reeleição permanece muito grande. Como os Garotinhos devem ter guardado a sua para não publicizar o crescimento de Carla, que temem.

TSE E STF CONTRA O “PREFEITO ITINERANTE” — Apesar da ascensão de Carla sobre Caio ao segundo lugar da corrida, em todas as pesquisas a vantagem da liderança de Wladimir sobre os dois e todos os demais prefeitáveis de Campos é muito grande, com possibilidade de definir a eleição no primeiro turno. Mas o maior problema da deputada não é esse. Como se reelegeu à Prefeitura de SJB em 2020, ela não poderia ser candidata a prefeita pela terceira vez consecutiva em outro município. É o que diz toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) contra a figura do “prefeito itinerante”.

Robson Maciel Júnior, procurador da Alerj

PODE? — Procurador campista da Alerj, Robson Maciel Júnior vê (confira aqui) uma janela de possibilidade à candidatura de Carla: “Tudo dependerá da interpretação do TSE. Mas, como os casos são diferentes, a revisão legal permite a possibilidade”.

Se demanda revisão, o fato é que, hoje, Carla não pode se candidatar. No que concorda a maioria dos juristas com experiência em direito eleitoral ouvidos (confira aqui) pela Folha. Além disso, por mais brilhante e independente que seja juridicamente, a opinião de Robson sempre será vista como ligada ao desejo político do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, patrono da candidatura de Carla.

Victor Queiroz, promotor de Justiça

NÃO PODE! — Promotor de Justiça com vasta experiência como promotor eleitoral e sem ligação com nenhum lado político em disputa, Victor Queiroz foi detalhado e assertivo:

— A Constituição, nos parágrafos 5º e 6º do artigo 14, estabelece a possibilidade de eleição a prefeito, consecutiva, apenas duas vezes. Aí, surgiu a figura do “prefeito itinerante”. Que, reeleito, muda o domicílio eleitoral para concorrer a prefeito em outro município. Desde 2008, o TSE entende a inadmissibilidade do “prefeito itinerante”, mesmo com a desincompatibilização do mandato. Esse entendimento foi confirmado pelo STF no julgamento do RE 637.485, em 2012.

Cleber Tinoco, advogado da Uenf

CANDIDATAR PARA TROCAR? (I) — No programa Folha no Ar do último dia 7, outro jurista com experiência eleitoral, Cleber Tinoco, advogado da Uenf, bateu na mesma tecla jurídica da inelegibilidade de Carla a qualquer disputa a prefeito em 2024. E interpretou (confira aqui) porque, diante disso, a insistência com o nome dela pode ser só uma estratégia político-eleitoral:

— Uma mudança que libere a candidatura da Carla Machado não vai acontecer. Ela pode disputar a governadora, presidente, parlamentar; não interessa. Mas a prefeita, não pode. Por que alguém se arriscaria a colocar um candidato correndo risco de se tornar inelegível e ter os votos anulados? Isso pode ser uma estratégia, porque a legislação eleitoral permite a alteração do candidato faltando 20 dias para o pleito. Você teria o nome (de Carla), que faria toda a campanha, e aí outro candidato assumiria o posto dela.

Gilberto Gomes, secretário de Comunicação do PT de Campos e assessor parlamentar do deputado Lindbergh Farias

UM LADO DO PT — Secretário de Comunicação do PT goitacá, assessor parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ) e pré-candidato a vereador, Gilberto Gomes negou (confira aqui) na quinta (14) que seu partido utilize esse subterfúgio na eleição a prefeito de Campos:

— Não há a menor possibilidade de uma estratégia que busque lançar uma candidatura virtual, sem chances de se eleger, para ser substituída às vésperas. Independente das questões jurídicas que envolvem a candidatura de Carla, o professor Jefferson de Azevedo tem acumulado apoios e feito todos movimentos para viabilizar uma candidatura tecnicamente qualificada, competitiva eleitoralmente e reconhecida pelos principais dirigentes estaduais e nacionais do PT como uma das grandes revelações do partido para o próximo pleito.

Jefferson de Azevedo, professor e atual reitor do IFF

UM PRÉ-CANDIDATO DO PT — Na mesma quinta, o próprio Jefferson, que já era cogitado como prefeitável do PT desde junho (confira aqui), quatro meses antes de Carla transferir seu domicílio eleitoral de SJB para Campos (confira aqui) em 5 de outubro, reafirmou (confira aqui) que está no jogo de 2024:

— Reafirmo minha pré-candidatura como uma das alternativas da nossa Federação, que reúne PT, PCdoB e PV. E que terá uma candidatura no próximo ano para debater o futuro de nossa cidade, apresentando alternativas e proposições ao enfrentamento das grandes questões estruturais de nosso município, assim como daquelas que afetam o cotidiano da vida das pessoas.

Odisséia Carvalho, presidente do PT de Campos e ex-vereadora

OUTRO LADO DO PT — Também na quinta, a professora e ex-vereadora Odisséia Carvalho, presidente do PT de Campos, desautorizou a declaração do seu secretário de Comunicação em nome do partido:

— Não é a opinião do PT de Campos, mas do Gilberto Gomes. Tudo vai depender da convenção do partido. Hoje, existem três pré-candidaturas: Carla Machado, Jefferson e Hélio Anomal. No momento certo, teremos a definição partidária. Opiniões, todos podem ter, mas o que vai prevalecer é a decisão partidária.

CANDIDATAR PARA TROCAR? (II) — Perguntada na sexta (15) se o PT de Campos aceitaria caminhar com uma candidatura sem chance de elegibilidade até o prazo legal de 16 de setembro, só para usar o nome de Carla na campanha e trocá-lo por outro à urna de 6 de outubro, Odisséia insistiu que a decisão só será tomada na convenção do partido. Que, como em todos os demais, será em julho, daqui a sete meses.

Nelson Nahim, ex-prefeito, ex-presidente da Câmara de Campos, ex-deputado federal e advogado

NO GRUPO DOS BACELLAR: “CARLA ESTÁ IMPEDIDA DE SE CANDITAR POR CAMPOS” — Também ligado ao grupo dos Bacellar, que testa o nome de Carla na falta de outra opção com consistência eleitoral nas pesquisas, o ex-prefeito, ex-presidente da Câmara Municipal e ex-deputado federal Nelson Nahim (MDB) não é (confira aqui) entusiasta da candidatura da ex-prefeita reeleita de SJB em 2020 a prefeita de Campos em 2024. Também na condição de advogado, ele disse:

— Tanto Wladimir como Carla Caputi têm candidaturas muito fortes, isso confirmado até agora em todas as pesquisas. Caio candidato em São João da Barra, na minha opinião, seria uma aventura. Bem como em Campos, até agora, não vemos uma candidatura para bater o prefeito. Carla, na minha modesta opinião, está impedida pela legislação eleitoral de se candidatar por Campos, fora a discussão de sua ilegitimidade.

CONTRADITÓRIO? — Pessoalmente e através da sua assessoria, Carla foi procurada para se manifestar. Agradeceu, mas preferiu não comentar.

 

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Helinho vai assumir PL junto a SD e União com Bacellar

 

Rodrigo Bacellar, Helinho Nahim no PL, Marquinho Bacellar no SD e Rogério Matoso no União (Motagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vereador de oposição e pré-candidato à reeleição, Helinho Nahim vai assumir em Campos o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ex-deputado federal, ex-presidente da Câmara Municipal e também pré-candidato a voltar a ela em 2024, Marcão Gomes sairá do PL. Para continuar a caminhar com o grupo político do prefeito Wladimir Garotinho (PP), Marcão deve se mudar ao MDB do vice-prefeito Frederico Paes.

Já são três os partidos garantidos ao grupo dos Bacellar, para abrigar seus candidatos a vereador em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses. O PL sob comando de Helinho se juntará ao SD de Marquinho Bacellar, presidente da Câmara Municipal, e ao União do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, sob comando local do edil Rogério Matoso.

Fruto de acordos com seu xará e ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, o PDT também está na mira de Rodrigo Bacellar. Entre os vereadores de Campos que já pertencem ao seu grupo, a incógnita fica com o PSD de Bruno Vianna. Pois é também o partido do deputado federal Caio Vianna, que tem se aproximado de Wladimir e é comandado no estado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. Que está em disputa de espaço na capital com o presidente da Alerj.

 

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