LOA: “Necessário que o Legislativo tenha maior qualidade”

 

Que lições tirar da novela da Lei Orçamentária Anual (LOA) de Campos neste ano eleitoral de 2024, encerrada na última quarta (24)? Quando, por pressão da sociedade civil organizada e após a mediação do Ministério Público, a oposição na Câmara Municipal foi obrigada a colocar a LOA na pauta. Para se abster da sua aprovação pela maioria governista.

“É necessário que o Poder Legislativo tenha maior qualidade (…) O espetáculo que a gente viu foi meramente de embate político na disputa de oligarquias, por conta do calendário eleitoral. Isso beira mais à chantagem política”, classificou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.

“Na complexa situação da LOA em Campos, o erro maior partiu do Legislativo. Que, ao retardar a votação da LOA, ameaçou a continuidade de serviços essenciais das instituições de assistência social do município”, definiu a advogada Pryscila Marins, presidente da Apoe.

Confira abaixo a íntegra das duas análises:

 

O cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf; e a advogada Pryscila Marins, presidente da Apoe (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Hamilton Garcia — “O grande problema, para além de dificultar a governança pública e para a sociedade, em função do adiamento da discussão sobre a LOA, está naquilo que fica como padrão de comportamento na relação entre os Poderes. O Legislativo teve tempo para discutir a LOA, que chegou ali no final de agosto. Então, teve condições de montar as comissões para montar as comissões mistas, permanentes, especiais, fazer as audiências públicas para discutir as prioridades, qual a viabilidade orçamentária da proposta da Prefeitura. E esse processo foi desperdiçado. As comissões só foram criadas agora, no início do ano. Essa é a questão mais grave: esse padrão de governança legislativa em Campos, altamente nocivo à municipalidade. Isso não quer dizer que a Prefeitura tenha sempre razão na implementação das políticas. Quer dizer que é necessário que o Poder Legislativo tenha maior qualidade. Que tenha maior capacidade de discussão sobre as políticas públicas. Esse é o principal foco: a qualidade do processo legislativo. O espetáculo que a gente viu foi meramente de embate político na disputa de oligarquias, por conta do calendário eleitoral. Isso beira mais à chantagem política”.

Pryscila Marins — “Na complexa situação da LOA em Campos, o erro maior partiu do Legislativo. Que, ao retardar a votação da LOA, ameaçou a continuidade de serviços essenciais providos pelas instituições de assistência social do município. Foi uma falta grave de responsabilidade institucional, priorizando disputas políticas em detrimento do bem-estar da população. Nesse cenário, a vitória pode ser creditada à sociedade civil. A mobilização das entidades e organizações sociais foi decisiva para chamar a atenção à urgência da votação da LOA. Essa pressão social resultou na intervenção do Ministério Público, que defende diretamente os direitos dos usuários dessas entidades. Ao envolver-se, o MP desempenhou papel crucial na condução da crise à resolução da crise. Que demonstrou o poder e a importância da mobilização social e da atuação do Ministério Público na proteção dos interesses coletivos. O episódio ressalta a capacidade da sociedade civil de influenciar decisões políticas, especialmente em situações que afetam diretamente os mais vulneráveis. É um lembrete poderoso: a política deve servir ao povo e suas necessidades. E não o contrário”.

 

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George, Marcão e Gilberto: novela da LOA sob análise

 

“A disputa vulgar pelo poder”? “Briga política iniciada pelo Legislativo (que) teve de tudo, menos bom senso por parte do presidente da Câmara”? “Ampliar ainda mais a dependência dos empregos gerados pela Prefeitura, principalmente em ano eleitoral”? Ou uma combinação entre as três alternativas anteriores? Encerrada a novela da Lei Orçamentária Anual (LOA) de Campos para 2024, com sua aprovação na Câmara (confira aqui) só após a mediação entre Garotinhos e Bacellar por parte das promotoras de Justiça Anik Rebello Assed e Maristela Naurath, como entender esse tenso primeiro capítulo político deste ano eleitoral?

Para tentar responder, foram ouvidos o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos; o servidor federal, advogado, ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara Municipal Marcão Gomes (PL, a caminho do MDB); e o assessor da Câmara de Deputados e secretário de Comunicação do PT de Campos, Gilberto Gomes. Os dois últimos, pré-candidatos a vereador em 6 de outubro, daqui a pouco mais de 8 meses. Com visões diversas, os três analisaram a “briga política”, com direito a dedo no olho retórico, que uniu várias instituições de assistência social da cidade e impôs ao Legislativo goitacá a aprovação da LOA.

Confira abaixo:

 

Cientista político George Gomes Coutinho e os pré-candidatos a vereador Marcão Gomes e Gilberto Gomes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

George Coutinho — Ainda fico na minha interpretação da disputa clânica com elementos da nossa conjuntura: o abandono do fair play no Brasil e alhures no que tange à disputa política. A disputa é violenta, tal como observado (confira aqui) na coluna Ponto Final, sem mediação por regras e cavalheirismo. É briga, tal como assinalado na análise da Folha, não sendo luta. O curioso é que em determinados patamares há uma disputa por projetos de sociedade muito distintos, o que contextualiza a agressividade entre os litigantes, com entre republicanos e democratas, ou bolsonaristas e lulistas. Na política de Campos não há essa sofisticação. Vou frisar: reacionários e progressistas sentem-se existencialmente ameaçados por conta até mesmo de suas visões de mundo. O futuro desejado implica, de lado ou de outro, o desaparecimento de elementos culturais, comportamentais. A agressividade, que nossas instituições não têm conseguido filtrar, deriva dessas visões de mundo. Em Campos, não. Aqui, o que impera é a disputa vulgar por poder.

Marcão Gomes — Como ex-deputado federal, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Campos, não tenho nenhuma dúvida de que o erro na novela da LOA partiu do Poder Legislativo. Que já estava há vários meses com o projeto da LOA na gaveta e podia, ao longo desse tempo, ter chamado a sociedade civil organizada para discutir possíveis modificações ou adequações e posterior inclusão na pauta de votação. Mas não fez nada disso. Iniciou 2024 sem votar e continuou a utilizar o poder de pauta para impor uma ditadura da minoria, já que o governo possui maioria na Casa de Leis, como provou a aprovação da LOA na sessão de quarta. Nessa briga política iniciada pelo Legislativo teve de tudo, menos bom senso por parte do presidente da Câmara. Na minha opinião, o prefeito Wladimir sai, sim, mais fortalecido. Pois não cedeu à imposição da ditadura da minoria, conseguiu um diálogo franco com as instituições e demais atores envolvidos direta e indiretamente na votação da LOA.  E apresentou junto de sua equipe, ao Ministério Público, a impossibilidade de execução orçamentária com base na LDO. Wladimir mostrou vontade de dialogar, sem se ajoelhar diante da inflexibilidade e imposição do presidente da Câmara.

Gilberto Gomes — Tenho defendido a tese de que, a aprovação do Orçamento, após a mediação dos conflitos, fará pouca diferença na vida do povo e no funcionamento da cidade. A aprovação resolve os problemas do prefeito, não do povo, uma vez que a proposta de LOA mais uma vez não teve participação efetiva da população no seu debate. Para chamar de orçamento participativo, a Prefeitura realizou algumas consultas públicas, com questões pré-definidas em formulários aplicados durante ações do governo em algumas localidades. E não tem nada de participativo nisso, não houve debate público. O PT foi pioneiro no orçamento participativo, em Porto Alegre/RS, e os debates mobilizavam toda cidade, em especial as periferias. A LOA em Campos reflete muito pouco das reais necessidades do povo, vide a questão do transporte público que completa mais 4 anos sem solução. Essa LOA aprovada na quarta foi pensada de acordo com o funcionamento da máquina da Prefeitura. Que é a maior empregadora numa cidade com poucos empregos. Com quase 9 mil RPAs e a suplementação prevista, considero preocupante que esse Orçamento possa ampliar ainda mais a dependência dos empregos gerados pela Prefeitura, principalmente em ano eleitoral. Por isso, pelo bem da cidade, fico contente que tenha sido mediada uma solução para a crise. E ficou muito bem destacado pela Folha o papel feminino das duas promotoras de Justiça liderando esse processo. Mas lamento constatar também que, sem participação popular efetiva, não posso reforçar a narrativa de que aprovar a LOA garantirá um ano de tranquilidade para o povo.

 

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Pré-candidato a prefeito de Campos no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Pré-candidato a prefeito de Campos pelo Novo, o odontólogo Alexandre Buchaul fecha a semana do Folha no Ar nesta sexta (26), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a disputa do voto de direita (confira aqui) em um município bolsonarista nas duas últimas eleições presidenciais.

Buchaul também analisar o governo Wladimir Garotinho (PP) e as pesquisas eleitorais que o colocam como favorito à reeleição (confira aqui) em 6 de outubro, daqui a pouco mais de 8 meses. Por fim, falará do nível da política goitacá, da novela da LOA (confira aqui e aqui) entre Garotinhos e Bacellar, e da disputa por uma cadeira na Câmara Municipal.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Patrimônio histórico de Campos no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Historiadora e diretora do Arquivo Público Municipal de Campos, Rafaela Machado é a entrevistada do Folha no Ar desta quinta (25), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela falará da novela (confira aqui) da reforma do Solar dos Jesuítas, prédio do século 17 que abriga o Arquivo e cuja obra teve R$ 20 milhões liberados pela Alerj à Uenf desde (relembre aqui) 29 de outubro de 2021.

Rafaela também analisará como um todo a questão (confira aqui) da preservação do patrimônio arquitetônico de Campos, onde a necessidade de tombamento histórico tem significado literalmente (confira aqui) desmoronamento. Por fim, com base nas pesquisas de 2023 (confira aqui), ela tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de 6 de outubro, daqui a pouco mais de 8 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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À esquerda e à direita, LOA além dos Garotinhos e Bacellar

 

Pré-candidatos a prefeito de Campos na eleição de 6 de outubro, daqui a pouco mais de 8 meses, o professor Jefferson Azevedo, reitor do IFF, e o odontólogo Alexandre Buchaul ocupam espectros políticos opostos. O primeiro, pelo PT, à esquerda; o segundo, pelo Novo, à direita.

A despeito das diferenças ideológicas, Jefferson e Buchaul têm características comuns. Ambos ostentam capacidade oratória e intelectual, que falta a muitos políticos de Campos, para nivelar por cima o debate público. E não estão alinhados politicamente nem com os Garotinhos, nem com os Bacellar.

Sobre a novela da Lei Orçamentária Anual (LOA) de Campos para 2024, na qual os dois grupos dominantes da política goitacá passaram os últimos meses se digladiando, até caminharem ao acordo tutelado (confira aqui) pelo Ministério Público, que se espera ser consumado hoje na Câmara, Jefferson e Buchaul também emitiram suas opiniões. Que, se investidas de candidatura nas convenções partidárias de julho, podem ser ainda muito ouvidas até a urna de outubro:

 

Jefferson de Azevedo e Alexandre Buchaul (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Jefferson Azevedo — O que estamos observando em nossa cidade, é uma “quebra de braço” entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo. Quem perde, principalmente, é a população mais fragilizada, assim como os servidores públicos municipais, que dependem da ação direta do Poder Público. Esperamos que nossas representações políticas, do Legislativo e do Executivo municipal, esgotem todas as possibilidades de diálogo e reconheçam, a partir dessa grave crise, a exigência de construir o Orçamento de nossa cidade com a efetiva participação popular e controle social, do seu planejamento inicial à sua execução. E que não seja apenas uma peça de ficção, sem corresponder às verdadeiras necessidades do município. Estamos torcendo, como cidadãos, para que o espírito público prevaleça e não a intransigência política.

Alexandre Buchaul — O cabo de guerra entre o representante dos Garotinho e o representante dos Bacelar parece finalmente encontrar desfecho. A disputa tem suas razões no Orçamento bilionário do município. Wladimir teria guardado cerca de R$ 1 bilhão para derramar no ano da eleição. Com a suposta intenção de usar a Prefeitura de Campos como trampolim ao Governo do Estado. Contrariando, assim, os planos dos Bacelar. Ao povo de Campos sobram o péssimo espetáculo e a conta a ser paga com a decadência do município, a falência do setor produtivo e a escravidão às vontades de suas castas políticas. Que encontram nas verbas dos royalties seus perfeitos instrumentos de dominação. Saímos das miçangas e espelhos, passamos pela escravidão nas senzalas, atravessamos o período do crédito nos armazéns das usinas e agora aportamos nos cheques-cidadão e RPAs.

 

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Mulheres resolvem “briga política” de homens na LOA de Campos

 

Wladimir Garotinho, Marquinho Bacellar, Marcos Bacellar, Paulo Hirano, Anik Assed, Maristela Naurath, Frederico Paes e Marielle Franco (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vitória política na LOA?

Em mais uma novela tensa da política de Campos, a Câmara Municipal deve votar e aprovar hoje a LOA de 2024. Sigla de Lei Orçamentária Anual, nunca essa “sopa de letrinhas” da LOA foi tão debatida pelo povo campista. Nem tantas instituições de assistência social da cidade, que dependem da LOA para seguir abertas, se posicionaram de forma tão enfática. Como várias outras entidades da sociedade civil organizada. No que ainda precisa ser medido por pesquisas após a questão ser encerrada, a impressão geral é que o prefeito Wladimir Garotinho (PP) foi o vencedor político dessa disputa com o presidente da Câmara, Marquinho Bacellar (SD).

 

Favoritismo às urnas

Se Wladimir saiu de 2023 como franco favorito em todas as pesquisas (confira aqui) à reeleição em 6 de outubro de 2024, com possibilidade de liquidar a fatura em turno único, esse impasse da LOA pode ter aumentado esse favoritismo. Por ter sido entendido pela maioria da população, inclusive sua parcela sem ligação com nenhum dos dois grupos políticos, como uma forçação de barra da prerrogativa do presidente do Legislativo de controlar a pauta de votação. Se o prefeito também puxou a corda, a impressão reforçada por todas as instituições que se posicionaram pela votação da LOA é que o grupo dos Bacellar puxou mais. E além da conta.

 

Erro de Wladimir

Wladimir também errou. No dia 9, ele almoçou com o ex-vereador Marcos Bacellar, patriarca do clã opositor. O jovem prefeito e o veterano político apertaram as mãos, pactuando tentar baixar a corda dos dois lados, enquanto Bacellar pai conversaria com o filho e seus aliados para colocar a LOA em votação. Só que, após o secretário municipal de Saúde Paulo Hirano já ter dirigido ataques muito duros pela manhã ao presidente da Câmara, Wladimir também o fez à tarde, numa visita ao Hospital Geral de Guarus (HGG). Com a mesma dureza, Marquinho usou a tribuna legislativa para responder os dois na sessão daquele mesmo dia.

 

“É uma briga política”

A quebra do acordo do almoço do dia 9, mais a manifestação diante da Câmara Municipal na tarde do dia 11, organizada por conselheiros e representantes de entidades filantrópicas e assistenciais de Campos, assistidos e seus familiares, além de vereadores e aliados do governo, gerou resposta agressiva do patriarca dos Bacellar, em vídeo nas redes sociais naquela noite. Noves fora ataques pessoais irreproduzíveis, Bacellar pai revelou o verdadeiro motivo para o seu filho atrasar a votação da LOA: “É uma briga política, sim. É uma briga política entre vereadores da situação e da oposição, entre Wladimir e Marquinho”.

 

Estratégia desinteligente

Talvez sem querer, Bacellar pai jogou por terra o discurso da oposição que atribuía a não votação da LOA a erros na proposta do governo. O ex-vereador repetiu quatro vezes no vídeo a causa real: “É uma briga política”. Briga, por sua ausência de regras, é diferente da luta. Nenhum homem público pode ficar contra a continuidade de serviços públicos de assistência social em um município com mais de meio milhão de habitantes. Nenhuma “briga política” justifica isso. Foi também uma estratégia política muito desinteligente. No lugar de desgastar Wladimir, reforçou seu apoio na sociedade civil a pouco mais de oito meses da urna.

 

Briga de homens, protagonistas mulheres

Nessa “briga política” entre o prefeito e o presidente de uma Câmara Municipal só de homens, duas mulheres foram protagonistas na defesa da população. Em 15 de dezembro, Anik Rebello Assed, da Promotoria da Tutela Coletiva da Infância e Juventude, abriu inquérito civil para “acompanhar a elaboração e tramitação das leis orçamentárias, a LOA, para o exercício de 2024”. Em 18 de dezembro, Maristela Naurath, da 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva, solicitou à Câmara “que se coloque em pauta a votação do projeto de LOA, a fim de não prejudicar a efetiva implementação das políticas públicas de Saúde e Assistência Social”.

 

Tutela pelo coletivo

Passada a virada de ano sem LOA, as duas promotoras de Justiça de Campos se reuniram no Ministério Público Promotor Marcelo Lessa Bastos. Em 11 de janeiro com Wladimir, no dia 16 com Marquinho e, no dia 18, com ambos. Só depois disso, sob a tutela de Anik e Maristela em defesa do coletivo goitacá, o prefeito e os 25 vereadores se reuniram na tarde de segunda (22), na sede da Prefeitura. Vice-prefeito que tentou atuar o tempo todo como apaziguador da crise, inclusive no almoço do dia 9 entre Wladimir e Bacellar pai, Frederico Paes (MDB) também participou da reunião.

 

Quem mandou matar Marielle?

Quem mandou matar Marielle? Quase seis anos depois, ontem a pergunta teve resposta parcial. Domingos Brazão foi apontado como mandante na delação do PM reformado Ronnie Lessa, autor dos disparos que mataram a ex-vereadora carioca do Psol e seu motorista, Anderson Torres, em 14 de março de 2018. Ex-deputado estadual por 5 mandatos e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), onde foi reintegrado após ser preso, Brazão teria encomendado a morte de Marielle Franco por motivo torpe e fútil: vingança contra Marcelo Freixo, ex-deputado estadual pelo Psol, hoje no PT e presidente da Embratur.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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PIB e eleições em Campos e SJB no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O economista e professor da Uenf Alcimar das Chagas Ribeiro e o geógrafo e estatístico William Passos são os convidados do Folha no Ar desta quarta (24), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Os dois trabalham juntos no Núcleo de Pesquisa Econômica do Estado do Rio de Janeiro (Nuperj) em parceria com a Uenf.

Alcimar e William falarão do que classificaram como “PIB ilusório” de Campos (confira aqui) e da necessidade que enxergam da inserção desse tema, em busca de desenvolvimento economicamente sustentável, no debate deste ano eleitoral. Por fim, com bases em pesquisas (confira aqui), os dois também tentarão projetar a disputa a prefeito e vereador de Campos e São João da Barra nas urnas de 6 de outubro, daqui a pouco mais de oito meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Felipe Fernandes — Mamonas em cinebiografia lamentável

 

(Foto: Imagem Filmes)

 

 

Felipe Fernandes, filmmaker publicitário e crítico de cinema

Cinebiografia lamentável

Por Felipe Fernandes

 

Uma característica de toda cinebiografia é a necessidade de estabelecer um recorte da vida do protagonista, priorizando assim a parte que o filme vai focar. A história dos Mamonas foi tão rápida e avassaladora, que durou apenas 8 meses. Logo, os realizadores têm um período delimitado, curto, mas nem por isso com pouco material, já que foram meses muito intensos para a banda.

O longa abre com imagens de arquivo e uma narração de Dinho, buscando ressaltar para as novas gerações que a época dos Mamonas era um período muito diferente. Além de desnecessária e totalmente deslocada dentro da narrativa, essa introdução traz um tom apelativo, forçando uma nostalgia, que felizmente não volta a se repetir desta forma durante o filme.

Criado por realizadores ligados às telenovelas, o projeto foi pensado originalmente como uma série, posteriormente se tornando um longa-metragem. É notório o baixo orçamento da produção, principalmente nas cenas que demandam público ou uma maior produção, nunca conseguindo reproduzir a mudança de público e a real dimensão do sucesso da banda, fica tudo por conta de diálogos.

O roteiro é muito problemático. Além de diálogos muito ruins, o filme não consegue desenvolver nem mesmo todos os membros da banda. Trabalhando uma dinâmica de rixa entre Dinho e o baterista Sérgio, com o baixista Samuel (irmão de Sérgio) atuando como apaziguador, o longa desperdiça muito tempo com os integrantes em relacionamentos sem nenhuma função narrativa. O filme ainda trata as mulheres ora como objetos, ora como interesseiras.

Chama a atenção um elenco formado por atores em sua maioria estreantes, que apesar do esforço, não conseguem segurar o longa. Fica a sensação que o casting buscou atores parecidos fisicamente com os integrantes da banda, nesse sentido o filme é até bem sucedido. Mas com um roteiro fraco e uma direção ordinária, fica difícil para qualquer ator se sobressair — sem experiência então, se torna impossível.

Dentre todos os elementos do longa, certamente a montagem é a mais caótica. O filme não consegue criar um senso de construção narrativa, parece uma série de cenas jogadas uma após a outra, seguindo a ordem do roteiro. Não existe respiro, ritmo, uma transição entre as cenas, nada. Existem erros básicos de montagem e continuidade, personagens entram e saem da narrativa sem justificativa, a questão temporal nunca é sentida, é tudo muito mal acabado.

Até mesmo as cenas da banda tocando, que ainda conseguem resgatar um pouco da energia dos Mamonas, com as versões regravadas para o filme dando um tom de banda cover e quando os atores vão dublar a si mesmos, é nítido que em vários momentos a montagem dos músicos tocando simplesmente não bate com o que está sendo tocado. Um tipo de desleixo imperdoável.

“Mamonas Assassinas: O Filme” é uma cinebiografia que consegue aguçar alguma nostalgia, mais fruto de nossas lembranças da banda do que propriamente por mérito do longa. Como cinema, o filme é um desastre, uma das piores cinebiografias que eu já vi, não conseguindo nem de longe fazer jus ao legado da banda. Como fã, devo dizer que foi uma experiência decepcionante, triste, características antes impensáveis quando falamos do grupo que fez o Brasil sorrir com sua alegria, criatividade e irreverência que o longa não tem.

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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LOA e eleições de Campos em 2024 no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Dos últimos capítulos da novela da LOA 2024 de Campos à projeção das eleições a prefeito e vereador de 6 de outubro, daqui a pouco mais de oito meses, o radialista Cláudio Nogueira e os jornalistas Rodrigo Gonçalves e Aluysio Abreu Barbosa têm encontro marcado no Folha no Ar desta terça (23). A partir das 7h da manhã da manhã, o debate ocorre na Folha FM 98,3.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nas páginas da Folha FM 98,3 no Facebook e no Instagram.

 

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Felipe Fernandes — “A sociedade da neve” ao Oscar e na Netflix

 

 

 

Felipe Fernandes, filmmaker publicitário e crítico de cinema

No dia 13 de outubro de 1972, o voo 571 da Força Aérea do Uruguai transportava uma equipe de rugby de uma universidade do país para uma competição no Chile. Enquanto atravessavam a Cordilheira dos Andes, na fronteira entre a Argentina e o Chile, eles sofreram um trágico acidente que vitimou 12 dos 45 passageiros, com outros 6 mortos nos dias seguintes.

“A sociedade da neve” narra a incrível história da luta pela sobrevivência dos outros 27 passageiros, que em uma situação extrema, completamente adversa, lutaram por suas vidas contra a natureza implacável dos Andes. A história virou livro e posteriormente ganhou duas adaptações para o cinema, uma em 1976 e uma (mais famosa) em 1993. Passados 30 anos, a história volta às telas em uma produção espanhola que foi selecionada pelo país como sua representante no Oscar de 2024 e está disponível na Netflix.

Após uma rápida introdução, que não funciona para apresentar personagens, mas para estabelecer o clima do time, junto a familiares e a alegria pela viagem, onde poderiam não só praticar seu esporte e representar seu país, mas também viver momentos entre amigos em uma viagem única para muitos ali. Situação que segue no avião e cria um contraste interessante com a sequência da narrativa.

A cena do acidente é brutal. Não me recordo de ter assistido nenhuma cena desse tipo que seja tão assustadora. A montagem, os efeitos e a direção constroem uma das cenas mais impactantes do gênero e certamente uma das mais marcantes de 2024. Nesse sentido, o diretor A.J.Bayona se mostra um especialista nesse tipo de filme, já que a sequência do tsunami em “O impossível” (2012), outro longa do diretor, é também muito marcante.

A escolha de manter toda a ação do local do acidente, com pouquíssimas inserções de flashbacks é muito acertada, pois provoca no espectador uma sensação de desgaste e imersão importantes. Narrativamente, os roteiristas conseguem trabalhar a tensão daquele embate homem x natureza, conforme as coisas acontecem, conforme eles buscam soluções para tentar sobreviver, misturando as emoções dos sobreviventes, entre o luto, a esperança e o desespero.

O diretor J.A. Bayona consegue explorar bem visualmente a situação, seja explorando o frio, os ferimentos, a claustrofobia da fuselagem que serve de refúgio para os sobreviventes e até mesmo mostrando as belezas naturais da região. O design de som do filme é muito eficiente para reforçar as sensações dentro daquele ambiente, essa construção sensorial provoca essa sensação de imersão, conectando ainda mais o espectador.

Merece destaque a maquiagem do filme, que é impressionante. A cada dia que passa, ficam visualmente notórios os efeitos daquela situação nos corpos daqueles jovens. A degradação física e psicológica daquela situação limite, funcionam em uma crescente, conforme os dias passam, mais mortes acontecem, o espírito de cada um vai mudando e é a maquiagem responsável por mostrar como os corpos reagem naquele ambiente vai tornando tudo mais pesado, ao ponto de não nos lembrarmos de como eles eram antes do acidente.

Com um elenco formado por jovens atores, de currículos curtos e pouco conhecidos fora da Espanha, uma escolha importante já que qualquer rosto mais conhecido quebraria a imersão do espectador, o elenco consegue construir um senso de grupo, a amizade entre eles é palpável, dando conta também das cenas mais dramáticas.

Com elementos dramáticos poderosos, potencializados por sua parte técnica e grandes atuações, “A sociedade da neve” é um grande filme que narra uma história única, daquelas que mesmo conhecendo o desfecho, é difícil acreditar. É o tipo de história que nenhuma ficção jamais conseguiria conceber.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira abaixo o trailer do filme:

 

 

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Três gerações de jornalismo — 2023 foi partida, 2024 é legado

 

Ícaro Barbosa na mesa da redação da Folha e ofício que herdou do avô, o jornalista Aluysio Barbosa (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Dois mil e vinte e três foi um ano muito difícil. À Folha da Manhã, aos seus leitores e a toda Campos — como qualquer tribo que perde um jovem muito promissor — marcou a morte do jornalista Ícaro Paes Pasco Abreu Barbosa, com apenas 23 anos, na noite de 13 de maio.

Como foi na morte do seu avô paterno, o jornalista Aluysio Cardoso Barbosa, em 15 de agosto de 2012, aos 76 anos, Ícaro marcou por ser querido. Não apenas pela família, amigos e colegas de trabalho, mas por suas fontes e a comunidade que buscou dar voz através da Folha. Cuja transição à era digital ele passou a liderar desde 2021, como diretor de redes sociais do jornal.

Aluysio e Ícaro representam três gerações destes 45 anos da Folha da Manhã, 46 no próximo dia 8 de janeiro. Neste quase meio século, a retrospectiva de Campos e do Norte Fluminense se conta através das páginas deste jornal. Que, órfão de ambos, chega ao ano eleitoral de 2024 com a missão de manter vivo o legado de jornalismo profissional de um avô e seu neto.

 

Capa da Retrospectiva de 2023 publicada hoje na Folha da Manhã

 

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Wladimir e Caputi saem de 2023 favoritos à reeleição em 2024

 

Wladimir Garotinho e Carla Caputi, favoritos em todas as pesquisas de 2023 à reeleição em 2024 como prefeitos, respectivamente, de Campos e São João da Barra (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Não acredito em pesquisas. Eleição é na urna”. Desde a eleição presidencial de 1989, primeira pelo voto popular após a ditadura militar no Brasil de 1964 a 1985, são as frases mais repetidas por 10 em cada 10 candidatos atrás nas pesquisas. Todos derrotados nas urnas. Como pela minoria dos seus eleitores. Recentemente, foi o que aconteceu com os bolsonaristas. Que, das suas bolhas, negaram todas as pesquisas da eleição presidencial de 2022 que projetavam a vitória de Lula. E agora testemunham, entre 2023 e 2024, o final do primeiro ano do governo Lula 3.

 

Como projetaram todas as pesquisas eleitorais de 2022, Lula sobe a rampa do Palácio do Planalto para tomar posse pela terceira vez como presidente do Brasil, em 1º de janeiro de 2023 (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

 

Wladimir e Caputi mais favoritos que Lula — Ainda com mais vantagem do que Lula tinha e confirmou em 2022, os prefeitos Wladimir Garotinho (PP) e Carla Caputi (sem partido) são os grandes favoritos em todas as pesquisas de 2023 às urnas de 2024. Respectivamente, em Campos e São João da Barra (SJB). À espera das próximas pesquisas e da consumação do pleito em 6 de outubro, daqui a pouco mais de 9 meses. Dá para gerar um novo ser humano. Mas, como é a política humana, vale também a sábia ressalva do falecido ex-vice-presidente conservador Marco Maciel: “Tudo pode acontecer, inclusive nada”.

Wladimir no primeiro turno? — Nas três pesquisas divulgadas, após serem analisadas na íntegra pela Folha, Wladimir sai de 2023 em curva ascendente. Na consulta estimulada, com apresentação dos nomes dos possíveis candidatos, ele saiu de 50,4% de intenções de voto na GPP feita entre 10 e 12 de março, passou a 55,4% na Iguape realizada em 10 de julho e chegou a 66,8% na Prefab Future colhida entre 29 e 30 de agosto.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Reforço e ressalva — Como a Iguape de julho em Campos foi encomendada pelo grupo do presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (União), não há melhor teflon aos seus números e à possibilidade de Wladimir liquidar a fatura ainda no primeiro turno. Como cabe questionamento à Prefab, por ter usado um universo de campistas diferente do IBGE, aumentando o percentual de eleitores de 0 a 2 salários mínimos e evangélicos, em tese, mais favoráveis aos Garotinhos.

Caputi mais favorita que Wladimir — Única pesquisa divulgada de São João da Barra, após ser também analisada na íntegra pela Folha, a Iguape foi realizada entre 21 e 23 de outubro. E deu a Caputi uma vantagem ainda maior que a de Wladimir em Campos. Nos três cenários da consulta estimulada, ela ficou entre 72,2% e 72,9% das intenções. Como, diferente de Campos, os sanjoanenses têm menos de 200 mil eleitores, não há segundo turno. Mas, mesmo se houvesse, tudo até aqui indica que a fatura também seria liquidada em turno único.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Intenção de voto consolidada — A consulta espontânea, sem apresentação dos nomes dos candidatos, onde o eleitor fala ao pesquisador o que já definiu em sua consciência, portanto com pouca chance de mudar, evidencia como as lideranças de Wladimir e Caputi são consistentes. O prefeito de Campos teve 38,6% de intenção de voto consolidada na GPP de março, 27,8% na Iguape de julho e 48,8% na Prefab Future de agosto.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Em SJB — Por sua vez, a prefeita de SJB bateu 44,6% de intenção de voto consolidada na consulta espontânea da Iguape de outubro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Aprovação do governo — A grande vantagem de Wladimir e Caputi é proporcional à aprovação popular majoritária aos seus governos. O de Campos foi considerado na GPP de março como ótimo e bom por 55,5%, com 34,8% de regular e ruim e péssimo para apenas 8,8%. Na diferença de metodologias, foi aprovado na Iguape de julho por 74,7% (entre 12,6% de ótimo, 38,5% de bom e 23,6% de regular positivo) e reprovado por 22% (entre 9,7% de regular negativo, 6,2% de ruim e 6,1% de péssimo). Já na Prefab, 77% dos campistas responderam “sim” à pergunta “Você aprova o governo Wladimir Garotinho?”, com 12,8% de “não” e 9,3% que não souberam responder.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Em SJB — Como ocorre nas intenções de voto, a aprovação popular ao governo Caputi em SJB consegue ser ainda maior do que a de Wladimir em Campos. A gestão da prefeita foi aprovada na Iguape de outubro por 86% dos sanjoanenses (entre 27,6% de ótimo, 46,3% de bom e 12,1% de regular positivo), sendo reprovada por apenas 11,3% (entre 4,8% de regular negativo, 3,8% de ruim, 2,7% de péssimo), com outros 3% que não souberam responder.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Caio Vianna distante em Campos — Os possíveis concorrentes mais próximos de Wladimir e Caputi estão distantes. E, nas idas e vindas da política, podem revelar inversões entre os dois municípios. O deputado federal Caio Vianna (PSD) apareceu em 2º lugar em todas as três pesquisas de 2023 a prefeito de Campos. Na consulta estimulada, Caio teve 18,1% na GPP de março (32,3 pontos atrás de Wladimir), 8,6% na Iguape de julho (46,8 pontos atrás de Wladimir) e os mesmo 8,6% na Prefab de agosto (68,2 pontos atrás de Wladimir).

Elísio Rodrigues distante em SJB — Na Iguape de outubro em SJB, quem apareceu como 2º colocado em dois dos três cenários da consulta estimulada foi o vereador de oposição Elísio Rodrigues (PL). Ele teve 6,8% de intenções de voto (65,4 pontos atrás de Caputi) no cenário com o secretário estadual de Habitação Bruno Dauaire (União) na disputa. Que, após a pesquisa, declarou à Folha que não é pré-candidato a prefeito. Sem Bruno, antigo aliado de Wladimir, Elísio ficou com 7,6% (65,3 pontos atrás de Caputi).

Caio a prefeito de SJB? — Com Bruno fora, Caio passou a ser especulado como candidato a prefeito de São João da Barra. Não por coincidência, foi após sua aproximação recente com Wladimir, com quem disputou um segundo turno duríssimo a prefeito de Campos em 2020. Para sondar essa possibilidade de Caio em SJB em 2024, uma pesquisa qualitativa andou sendo feita reservadamente, em um quarto do tradicional Hotel Cassino, em Atafona.

Carla Machado a prefeita de Campos? — O movimento costurado por Wladimir com Caio, através do prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes, presidente estadual do PSD do deputado federal cujo mandato controla, foi uma resposta à aproximação entre os deputados estaduais Rodrigo Bacellar e Carla Machado (PT). Esta mudou seu domicílio eleitoral de SJB a Campos em 5 de outubro para se lançar pré-candidata a prefeita dos Bacellar contra Wladimir. Domicílio eleitoral que Caio ainda não mudou no sentido inverso da BR 356.

Oposição a Machado, aliado de Caputi — No exercício de um quarto governo muito inferior aos três primeiros, Carla Machado renunciou em 4 de abril de 2022. Passou o cargo à vice, Caputi, se candidatou e se elegeu deputada estadual em outubro daquele ano. Ironicamente, um dos motivos à sua renúncia foi a aliança de Elísio com Rodrigo Bacellar. Quando o primeiro elegeu para sucedê-lo no comando do Legislativo sanjoanense o edil Alan de Grussaí (Cidadania). Feito presidente em oposição a Machado, ele hoje está fechado com Caputi.

TSE e STF contra “prefeito itinerante” — Caputi colocou o governo parado que herdou para andar. E exibe um estilo mais agregador que o da sua combativa antecessora, de quem se mantém aliada. Porém, no que se refere à disputa da Prefeitura de Campos ou de qualquer outro município do Brasil em 2024, Machado está inelegível. Por já ter sido reeleita prefeita de SJB no pleito municipal de 2020, não pode disputar um terceiro mandado consecutivo a esse cargo. É o que diz até aqui toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) para banir a figura jurídica do “prefeito itinerante”.

 

Página 4 da Retrospectiva de 2023 publicada hoje na Folha da Manhã

 

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